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Saúde
Medo de doença: psiquiatra francesa explica como identificar a hipocondria

Saúde

Play Episode Listen Later May 26, 2026 5:18


Sentir apreensão em relação à própria saúde é um sentimento comum, mas, quando ele é muito desproporcional ao risco, pode ser sinal de hipocondria — um transtorno de ansiedade caracterizado pelo medo de ficar doente e até mesmo de morrer. Embora o termo seja constantemente banalizado, a hipocondria interfere na qualidade de vida e gera sofrimento psíquico. O hipocondríaco tende a interpretar sensações comuns do corpo como sinais de doenças graves. Um leve desconforto pode se transformar, em sua percepção, em um indício de problema sério de saúde. Essa atenção constante leva a uma vigilância excessiva do próprio corpo e à busca incessante por consultas médicas e exames. E, mesmo se os resultados estiverem todos em ordem, isso não é suficiente para acalmar o paciente. No dia a dia, a preocupação com a saúde também pode comprometer atividades profissionais e sociais. A internet contribui para a “neura” e se torna o espaço ideal para o hipocondríaco buscar informações médicas, fazer associações que não têm necessariamente relação de causa e efeito e inventar diagnósticos. O transtorno pode estar associado a outros quadros de ansiedade, a situações de estresse ou a experiências pessoais, como o convívio com doenças graves na família. A hipocondria tem tratamento, e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens mais utilizadas. O método busca ajudar o paciente a identificar padrões de pensamento distorcidos, compreender suas origens e desenvolver novas formas de interpretar as sensações corporais. O paciente pode demorar para buscar ajuda porque nem sempre tem consciência do problema, explica a psiquiatra Sarah Smadja, que atua no Hospital Sainte-Anne (GHU Paris Psiquiatria e Neurociências) e também é perita judicial. “Na verdade, não é tão simples admitir que está na hora de consultar um psiquiatra. Os pacientes têm consciência de que existe um medo exagerado e um excesso de consultas médicas e de exames, que, num primeiro momento, tranquilizam, mas não impedem novas consultas, já que o medo excessivo sempre volta.” Essa dúvida permanente do hipocondríaco sobre seu estado de saúde envolve fatores biológicos e psicológicos, diz a psiquiatra. O nível de ansiedade depende também de elementos ambientais. “Ocorre o que chamamos de gatilhos: acontecimentos que se somam ao estresse, ao desânimo e vão gerar esses picos de angústia, que contribuem para a manifestação da doença. Esse processo pode induzir a um comportamento quase delirante, que acaba ultrapassando a hipocondria e se transformando em outra patologia.” Na prática, o que caracteriza a hipocondria? “É uma angústia, um medo, mas um medo avassalador, excessivo, em que o paciente estará atento ao seu corpo e interpretará os sinais de maneira exagerada. Esse é o mecanismo.” Essa angústia pode levar a sintomas corporais, como suores ou palpitações, por exemplo, que vão corroborar a hipótese da existência de uma doença grave. Ela lembra que o transtorno pode, basicamente, se manifestar de duas maneiras: o paciente consulta demais ou então nunca vai ao médico, temendo o diagnóstico. Existe um elo entre o corpo e a mente, capaz de provocar reações orgânicas. É exatamente esse o círculo vicioso vivenciado por um hipocondríaco, diz a psiquiatra. A apresentadora francesa Agathe Lecaron sofre de hipocondria e escreveu o livro “Paciente Zero”, em tradução livre. Os primeiros sintomas apareceram na infância. Ela se lembra de que, aos oito anos, costumava consultar o dicionário para buscar a definição de algumas “sensações”, como a taquicardia. A francesa cita algumas de suas supostas doenças, que integram uma longa lista de diagnósticos improváveis. “Tive muito medo de estar com câncer neuroendócrino, câncer do maxilar, tive uma hepatite C — mas, nesse caso, foi um erro do laboratório; o resultado indicava hepatite C positiva. Grávida, acreditei que estava com todas as doenças possíveis desse período. Meu filho teve todas as doenças possíveis, e também tive muito medo de estar com esclerose múltipla”, conta. Patologias que, na verdade, nunca existiram. Mas a ansiedade e o estresse afetavam seu sono, e ela sentia sintomas reais, que podiam, de fato, estar presentes em várias doenças. No auge da ansiedade, ela chegou ao ponto de fazer um exame PET para câncer e perguntar aos pacientes na sala de espera se o tratamento deles tinha dado certo. Hoje, diz sentir vergonha desse episódio. “O que é complicado na hipocondria é o mito do doente imaginário, como na peça de Molière. Como o próprio nome diz, o doente imaginário imagina, então não tem nada grave, já que a pessoa de fato nunca está doente. Mas a hipocondria, por si só, é uma doença”, conclui.

Alta Definição
Filipa Pinto: “Aos 24 anos tive mais um episódio depressivo, os médicos chegaram à conclusão que eu tinha perturbação obsessivo compulsiva”

Alta Definição

Play Episode Listen Later May 2, 2026 45:56


Filipa Pinto esteve em destaque no programa Alta Definição, numa conversa em que a atriz revelou, com transparência, o percurso de saúde mental que a acompanhou desde a adolescência. A intérprete, conhecida pelo papel da antagonista Sandra na novela Páginas da Vida, descreveu com detalhe o impacto do seu primeiro desgosto amoroso aos 15 anos, episódio que despoletou um processo de autoconhecimento e a levou a procurar apoio psicológico pela primeira vez. Mais tarde, aos 24 anos, viria a ser diagnosticada com perturbação obsessivo-compulsiva, diagnóstico que, paradoxalmente, trouxe consigo um sentimento de alívio. “Ter o diagnóstico final, para mim, foi um grande alívio, porque foi um ‘ok, isto acontece, isto existe, aquilo que eu sinto tem uma associação, tem uma justificação, há sintomas, não sou única, não estou sozinha, há um tratamento, portanto há solução’”, afirmou a atriz, sublinhando a importância de nomear aquilo que se sente como primeiro passo para a recuperação. Ao longo da conversa, a atriz abordou também a resistência inicial à medicação e o caminho que percorreu até a aceitar como parte integrante do seu tratamento, reconhecendo que essa decisão lhe permitiu tornar-se uma versão mais funcional e presente de si mesma. A atriz defendeu com convicção a necessidade de quebrar o estigma em torno da saúde mental. “Eu nunca recusei ajuda; pelo contrário, sempre procurei. Primeiro aos meus amigos, depois à família, depois, se eu precisasse de ajuda psicológica ou mesmo psiquiátrica, eu avançava. Eu só não queria estar sozinha”, confidenciou. Num momento de rara serenidade, Filipa Pinto encerrou a entrevista com uma mensagem dirigida à versão mais frágil de si própria: a certeza de que “o mal não dura para sempre” e de que existe “uma luz ao fundo do túnel”. Ouça aqui a entrevista no Alta Definição em podcast. Este programa foi emitido na SIC a 2 de maio. A sinopse deste episódio foi gerada com o apoio de inteligência artificial. Saiba mais sobre a aplicação desta tecnologia nas redações do Grupo Impresa a partir deste link.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Everybody in the Pool
E133: How a Little Tracker is Making Supply Chains Greener with Tive

Everybody in the Pool

Play Episode Listen Later Apr 30, 2026 30:52


Trillions of dollars worth of goods move around the planet every year, and a shocking amount is lost, spoiled, or discarded. That wasted food, medicine, and equipment isn't just a business problem; it's a massive, underappreciated climate problem.This week on Everybody in the Pool, Molly talks with Krenar Komoni, CEO and founder of Tive, a supply chain visibility company that helps businesses track and monitor shipments in real time. What started as a GPS tracker for his father-in-law's trucking company has grown into one of the fastest-growing companies in supply chain tech. Tive's small-but-mighty trackers don't just follow a shipment's location — they also monitor temperature, light, and shock along the way, helping businesses intervene before a load of strawberries (or a shipment of vaccines) becomes a very expensive, very wasteful problem.We talk about:Why real-time shipment visibility is a key ingredient in creating a greener supply chainHow temperature monitoring can save hundreds of thousands of dollars of food and medicine from going to wasteWhat "permanent disruption" and climate change means for global supply chainsHow route data is helping companies find faster, more fuel-efficient paths they didn't know existedTive's commitment to sustainability in its own products, including lithium-free trackers and a tracker recycling programWhy AI agents will be hungry for real-time supply chain data, and what that could unlock for global efficiencyKrenar's 10-year vision: tracking 5-10% of all global shipments (and why that would be a very big deal)Links:Tive: https://www.tive.com/All episodes: https://www.everybodyinthepool.com/Join our Discord! https://discord.gg/2EsDhwQC2zSubscribe to the Everybody in the Pool newsletter: https://www.mollywood.co/Become a member for the ad-free version of the show: https://everybodyinthepool.supercast.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Convidado
Albino Carlos: “A música constitui um dos mais saborosos ingredientes da cultura angolana.”

Convidado

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 16:19


História da Música de Angola é a obra que o escritor, professor e jornalista Albino Carlos lançou recentemente em Lisboa. O livro consolida o elo entre identidade, cultura e história. Abordando a produção musical feita nos diferentes géneros e em diferentes línguas nacionais, Albino Carlos contribui para promover a “definição de quem é o angolano e de quem é Angola.” História da Música Angolana é o livro que faltava para um melhor entendimento do manifestar musical de angolanas e angolanos. O mais recente trabalho de Albino Carlos proporciona uma viagem pela alma musical de Angola, pela essência do povo angolano. Estabelecendo a relação entre história, cultura e identidade, o livro História da Música Angolana torna-se essencial para pintarmos um mais elucidativo quadro de uma sociedade onde o cantar e dançar são forma de viver e podem fazer um país evoluir nas diferentes relações dentro da imensa comunidade formada por todos aqueles que fruem da música angolana.  A RFI aproveitou a presença do Albino Carlos na capital portuguesa para uma conversa sobre a singularidade da cultura musical de Angola e o livro recentemente editado em Portugal pela Oficina da Escrita. Albino Carlos começa por revelar que a ausência de bibliografia produzida por académicos e estudiosos angolanos foi um dos elementos que espoletou a obra agora lançada. Albino Carlos, autor do livro História da Música de Angola: Este livro nasceu de um questionamento existencial e intelectual. Intelectual por quê? Porque fui percebendo, ao longo do tempo, que a maior parte da bibliografia, dos estudos académicos sobre a música angolana eram feitos por académicos e estudiosos estrangeiros. São conhecidos os estudos profundos do professor Mesquitela Lima, são conhecidos os estudos profundos que a antiga Companhia Nacional de Diamante fez sobre a produção musical da região do Leste, são conhecidos estudos que muitos estudiosos, ainda no século XVIII, alemães fizeram sobre a música angolana. Portanto, havia esta dúvida, este questionamento intelectual: qual a razão pela qual Angola, sendo um país musical, tem tantas músicas, tanto quanto tem de povos e nações, não era objeto de estudo nas universidades, não era objeto de aprofundamento académico por parte dos intelectuais e por parte, sobretudo, da classe académica angolana. Esta foi a perspectiva do questionamento intelectual. Depois, houve também um certo questionamento existencial. O Luis sabe que nós somos a música que produzimos e que fazemos. Os povos definem-se muito pela música, porque a música é a arte das artes, é a expressão da nossa alma. Em qualquer parte do mundo, se disser que estou a cantar um fado, as pessoas remetem logo para Portugal. Basta falar no samba, as pessoas remetem logo para o Brasil, e assim sucessivamente. Tendo em conta que a música, no caso particular da Angola, é um dos mecanismos que os angolanos mais se socorrem para falar de si, para contactar o outro, para chorar, para dançar, para... . Enfim, tendo em conta a importância que esta mesma música desempenhou, quer na resistência contra o colonialismo, quer para suportar as agruras da escravatura, e até na guerra civil que aconteceu, que dilacerou o nosso país, foi graças ao canto, foi graças ao batuque, que os angolanos e Angola resistiram a esses momentos tremendos que nós passávamos e que queremos esquecer. Portanto, a música desempenhou um papel muito, mas muito importante na definição de quem é o angolano e de quem é Angola, quem a Angola é. É esta questão existencial. Quer dizer, eu sempre me bati para que o semba também fosse reconhecido como o símbolo do nosso fazer musical, a simbologia daquilo que o angolano gosta de ser. Então, é por aí que eu decidi começar a fazer um estudo sobre a nossa música. Nos últimos 15 anos da minha vida, mesmo passando pela política, pela docência universitária, fui fazendo os meus estudos, mas também fiz um desafio pessoal, eu não queria fazer um livro sobre música angolana, como eram feitos os livros sobre música. RFI: Então, qual foi o desafio que se colocou? Albino Carlos: Fazer difrente, contar a história da Angola através da sua música. Ver como é que a música caracterizou o angolano. Como é que nós cantamos o amor, como cantamos o infortuno, como vivemos o luto, qual é a força que tem o comboio na simbologia tradicional angolana, como é que cantamos a escravatura. Eu fiz esse estudo profundo e daí resultou num livro enormíssimo que eu chamo de Trilogia da Música Angolana. Este é o primeiro livro, História da Música Angolana, e dei muito destaque à nossa tradição oral, ao cancioneiro tradicional, que é a origem de toda esta musicalidade, sobretudo popular e moderna. Quis fazer também uma recolha de todas as letras das músicas mais emblemáticas angolanas, porque eu via que tínhamos dificuldades. Por exemplo, Muxima, a letra de Muxima, tinha dificuldade em encontrar. Quem quer a letra de Umbi-Umbi, que é uma música de tradição oral, uma música que é muito local, mas tornou-se um hino universal. Era difícil encontrar a letra. Então, fiz também um trabalho de recolha daquelas músicas mais emblemáticas, quer na língua nacional Quimbundo, que é uma das línguas mais preponderantes, como naquelas línguas que também são, de certa forma, subalternizadas. Mas há registros musicais muito fortes nessas línguas. Então esse é o desafio que eu me propus. Este é apenas uma parte deste desafio, porque a trilogia é composta pela História da Música Angolana, que é praticamente o início da música, quais são os temas fundamentais da música, quais são os elementos constitutivos do discurso musical angolano. RFI: História da Música Angolana é o livro que foi recentemente apresentado. Há, então, mais dois a serem publicados? Albino Carlos: Sim, faz parte de uma trilogia sobre o fazer musical angolano. Há um livro que é só sobre o semba. Mas não é um livro, ao contrário dos outros livros, que são muitas cronologias históricas, nasceu no dia tal, o grupo... Não, eu fiz uma análise do discurso musical. O que o semba canta e como canta. A fome, a miséria, a guerra, o ciúme, a paixão. Enfim, eu fiz uma análise semiótica do discurso musical. Ao invés de preocupar-me em falar sobre os grupos, o historial cronológico dos fenómenos musicais, não. Eu fiz uma coisa um pouco mais difícil. Eu queria fugir um bocadinho daquilo que são normalmente os livros sobre história das músicas, quer em Portugal, quer no Brasil. RFI: O Semba que está, neste momento, em processo de candidatura para que venha a ser considerado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Albino Carlos: Eu penso que neste momento há condições objetivas e subjetivas que nos permitem estar mais animados neste processo. Porquê? Porque o Fado já foi reconhecido, o Samba de Roda já foi reconhecido, a Coladera foi reconhecida, muito recentemente o Reggae foi reconhecido, a Rumba foi reconhecida. São todas musicalidades que bebem, intercambiam, têm subsídios com o Semba e são parecidos com o Semba. Há, digamos assim, elementos que se cruzam entre o Semba e o Samba. Há uma influência muito forte da musicalidade africana no Fado. O Reggae não preciso mais dizer, o Reggae vem da África, se bem que tem uma essência muito forte daquela região, do Caribe. E nesse contexto, o Semba, pelo fato de ser uma música nacional, mas muito aberta ao mundo, da mesma forma que é o angolano, é um povo africano, mas muito aberto ao mundo. Nós herdamos um bocadinho esta particularidade dos portugueses. Portugal é um pequeno país que dominou o mundo, não é? Espalhou-se por mares nunca antes navegados. Herdamos esta abertura, esta pluralidade, esta multiplicidade, este diálogo com o outro, este intercâmbio, esta miscigenação. É isto que nos faz fortes e é isto que faz forte o Semba, porque o Semba é uma música urbana. Obviamente que as raízes vêm da Ambaca, daquela região do Cuanza Norte, mas passou a ser Semba, como Semba, a partir do momento em que o N'gola Ritmos fez dele um ritmo mais urbano. Já tem viola, é uma música popular, é moderna. Mas também neste Semba tem influência portuguesa, do Fado e outras sonoridades portuguesas e europeias. Tem muita influência também latino-americana, tem muita influência da Rumba congolesa, sendo certo que a Rumba também tem alguma origem em Angola, mas é daquela região. Portanto, o Semba é, digamos assim, o melhor espaço que o angolano encontrou para se definir a si mesmo, para expressar aquilo que vai na alma, para se relacionar com o mundo. O Semba, por intermédio de algumas derivações, como o Kuduro e a Kizomba, tem dado sons aos sons do mundo. Hoje a Kizomba conquistou o mundo, hoje toda a gente quer dançar Kizomba, mas a Kizomba não é só mais uma derivação do semba.   RFI: O que é que se pode encontrar neste livro? Albino Carlos: É um livro que faz uma viagem pelas práticas musicais angolanas. É um livro que dá muito ênfase à identidade musical de Angola, às línguas nacionais e como é que essas línguas nacionais, estando mais próximo daquilo que são os rumores do nosso pensamento e da nossa alma, expressam melhor o nosso pensamento, os nossos sonhos e as nossas frustrações. É um livro que também faz muita referência ou dá grande destaque à música de intervenção. O Luís sabe bem que a música de intervenção jogou um papel muito importante na nossa independência e também jogou um papel muito importante no 25 de abril. Zeca Afonso é uma figura emblemática. Zeca Afonso marcou a música de intervenção angolana. Os grandes trovadores portugueses, sobretudo daquele período quente do 25 de abril, marcaram profundamentalmente a música de intervenção e esta música de intervenção teve um papel extraordinário no desenrolar no xadrez político angolano naquele período da independência. Falo também da música como um espaço de libertação da mulher. A música também é isto, tem também sentido de missão. Por exemplo, Angola ainda sendo um país com uma certa cultura machista, como é que as mulheres, através da música, conseguiram serem sujeitos de discurso ao invés de objetos de discurso? Cantava essa mulher, né? Oh, Maria... Não, agora é a Maria que está a cantar sobre o Zé, é a Maria que está a cantar sobre ela, é a Maria que está a cantar como uma pessoa, não como uma mulher, não como um indivíduo, não para se contrapor ao homem, mas para afirmar-se, para um espaço de liberdade, um espaço de expressão.     É um livro que também fala sobre algumas particularidades do discurso musical, por exemplo, a força do comboio, a força da feitiçaria, a força da religião, a força da tradição e como é que faz essa mistura com o discurso da modernidade.   É um livro que também fala sobre a canção infantil angolana, mas, obviamente, sempre fazendo referência ao que se faz também ao nível do mundo, sobretudo, à forte influência que Portugal exerce e continua a exercer na nossa idiosincrasia. Por exemplo, nós não podemos falar da canção infantil angolana sem referências profundas dos cantos de ninar de Portugal. O “Atirei o pau ao gato”...,  enfim. Todos nós tivemos uma infância cuja banda sonora eram aquelas músicas que os nossos avós, os nossos pais foram cantando e continuamos agora a transmitir aos nossos filhos e aos nossos netos. E tenho a convicção profunda de que os nossos filhos, os nossos netos vão também transmitir essa experiência de socialização, de passar valores da família, do amor, da fraternidade, por intermédio da canção infantil. A canção infantil angolana também desempenhou este papel e tem desempenhado até um papel muito mais do que aquilo que é a canção de ninar ou a canção de roda. É uma canção que foi usada também para incutir nas nossas crianças, o amor à terra, para conhecerem o seu país, para terem o orgulho da sua nacionalidade. Enfim, a história da música angolana é a história da Angola contada através da sua música. Sendo certo que Angola é um país novo, está a construir a sua história, está a escrever a sua história. Mas, a história da Angola não será completa sem o capítulo relacionado com a música. De tal sorte que a história da Angola confunde-se com a história da música angolana. É esta a tese fundamental deste livro. RFI: Albino Carlos, qual foi o grande desafio, os grandes obstáculos, que encontrou para escrever este livro?Albino Carlos: Desde logo a bibliografia, a dificuldade de recolha das músicas. Tive uma dificuldade porque eu, sendo de Luanda, não domino as línguas nacionais, domino mais ou menos o quimbundo, mas não domino as outras línguas. E isto, de certa forma, pode ser uma crítica, e já agora é uma crítica que eu aceito. Houve um certo pendor para o grupo etnolinguístico quimbundo, que é da minha região, da zona de Luanda. Há um certo privilégio, digamos assim. Houve maior preponderância na recolha e na abordagem desse espaço etnocultural. Mas não foi por intenção. Foi pela minha dificuldade, foi pela minha incapacidade intelectual. Obviamente que fez um esforço enormíssimo que este livro espalhasse a diversidade cultural. Porque é da diversidade cultural que reside a força e a riqueza da Angola. Angola é o que é porque existem 21 províncias, existem várias nações, no intuito de criar uma só nação, uma nação forte, um só povo e uma só nação. Quer dizer, num conceito no sentido de afirmar a sua identidade e se afirmar no contexto das nações. Esse foi o grande desafio. Por outro lado, houve também o desafio da pouca bibliografia. Vou só dar um exemplo, de 1960 até hoje, pouco menos de 40 obras existem sobre a música angolana. Mesmo sendo este país conhecido a nível internacional pela música. África do Sul, por exemplo, que é aqui a nossa vizinha, tem mais de 300 títulos sobre a sua produção musical. Que abrange desde a música tradicional ao mais moderno dos modernos. O Kuduro, esta música que nos tem afirmado a nível internacional, o primeiro doutoramento foi feito numa universidade portuguesa. É este o grande desafio que é lançado aos angolanos. RFI: A obra foi recentemente publicada em Portugal. Depois de Portugal, o que é que pode acontecer? Albino Carlos: De facto, o livro criou muitas expectativas. Porque eu fui falando ao longo desse tempo. Na qualidade académico, coloquei a problemática da música na universidade, na academia. Fui alertando, ao longo desse tempo, que estava a produzir esta obra. Portanto, há muitas expectativas em Angola. Estou a ser cobrado. Obviamente que problemas de logística e problemas financeiros limitam a possibilidade de poder lançar em Angola. Mas estamos a envidar todos os esforços no sentido de que no mês de junho nós possamos fazer o lançamento em Angola. Moçambique também já convidou, o Brasil também já está interessado nesta obra. Significa dizer que, em colaboração com a editora, vamos colocar esta obra em todo o espaço da lusofonia. Sendo certo que o nosso fazer musical, o fazer musical do espaço da lusofonia, carece de bibliografia. Para que os nossos cidadãos sintam-se orgulhosos do seu discurso. De um dos discursos que mais marcam. Um dos discursos que mais marca a lusofonia é a música. Não existe Brasil sem samba. Portugal sem o fado, não sei o que seria.

Reportagem
‘Não deu em nada': agente de recreação brasileira desabafa sobre denúncias de abusos em escolas na França

Reportagem

Play Episode Listen Later Apr 23, 2026 10:34


Desde 2024, a França vive uma explosão de denúncias de abusos psicológicos, físicos e sexuais cometidos por agentes de recreação que atuam nas escolas públicas fora do período de aula — sobretudo em Paris. Esses profissionais são responsáveis por acompanhar as crianças durante as refeições, os momentos de lazer e após o fim das aulas, mas não fazem parte do corpo docente do Ministério da Educação. Maria Paula Carvalho, da RFI A situação se agravou em 2026, com dois casos graves ocorridos em escolas de educação infantil da capital. Em um deles, a família de um menino de três anos denunciou o estupro da criança em um banheiro da escola. No segundo episódio, outro menino da mesma idade teria sido violentado em circunstâncias semelhantes, por um homem que já havia sido denunciado anteriormente em outro estabelecimento. As identidades dos suspeitos não foram divulgadas, e as investigações seguem sob sigilo judicial. Sistema falha também para quem denuncia A RFI conversou com uma brasileira que trabalha como agente de recreação em Paris. Por razões de segurança, ela pediu para não ser identificada. No depoimento, descreve um cotidiano marcado por precariedade, medo e falta de resposta institucional. “A gente não pode ter contato físico com criança, não pode pegar no colo, não pode dar beijo. Houve um caso de um animador que só queria pegar as crianças no colo ou fazer atividades com portas fechadas. A gente sinalizou esse mau comportamento. Depois disso, eu fui mudada de escola porque essa pessoa teve momentos de agressividade, tentou me jogar da escada. Tive que ir à delegacia registrar queixa. Passei a ter crises de angústia, faço tratamento até hoje, e no fim não deu em nada.” Segundo ela, os problemas se estendem à falta de pessoal e às condições de trabalho. “Nós reivindicamos mais contratações, principalmente nos dormitórios, onde deveriam estar dois animadores. Hoje, por falta de recrutamento, há apenas um", diz. "Enquanto as crianças brincam, há acidentes, e não há gente suficiente para dar conta. Eles querem economizar, essa é a verdade. Os salários são baixos, os horários são fragmentados e não atraem. Estamos pedindo respeito: melhores salários, horários e valorização”, completa. Após a multiplicação de denúncias de violência sexual contra crianças em escolas públicas, cerca de uma centena de agentes de recreação se reuniram na semana passada em frente à prefeitura de Paris. A mobilização foi organizada por sindicatos e acompanhada de greve, com o objetivo de denunciar a precariedade do setor e exigir melhores condições de trabalho. Pais denunciam falhas no modelo de contratação Do lado das famílias, cresce a mobilização. Um dos coletivos mais ativos é o Me Too École, formado por pais que denunciam falhas estruturais no sistema de contratação e supervisão desses profissionais. Diferentemente dos professores, os agentes de recreação são contratados diretamente pelas prefeituras. O coletivo lançou uma petição com mais de 22.300 assinaturas, denunciando o que define como um silenciamento sistemático de casos de violência física, psicológica e sexual contra crianças no ensino público. Anabel, uma das fundadoras do Me Too École, explica por que o sistema é especialmente vulnerável: “Na pré-escola, as crianças têm dois anos e meio, três anos. São bebês, muito sensíveis à autoridade. Em teoria, um adulto nunca deveria ficar sozinho com uma criança, mas isso acontece por falta de funcionários. Os momentos mais críticos são a soneca, a ida ao banheiro ou a hora de se despir, quando elas ainda não são independentes. Existem também espaços isolados, como bibliotecas: projetadas para serem silenciosas, mas que, quando estão fechadas, se tornam lugares ideais para pedófilos.” De acordo com o site Les Pros de la Petite Enfance, 52 agentes de recreação foram suspensos pela prefeitura de Paris entre 2023 e 2025 por suspeitas de caráter sexual. Só em 2026, a prefeitura informou que 78 profissionais foram suspensos, incluindo 31 por suspeita de abuso sexual. Mesmo assim, os pais dizem se sentir abandonados. “Quando um filho nos conta que sofre violência, seja de outras crianças ou de um agente de recreação, não sabemos a quem recorrer", diz Anabel. Não sabemos se devemos procurar um médico ou a direção da escola, que muitas vezes não é responsável pelas atividades extracurriculares”, continua. Pressão política e promessas de mudança Diante da ausência de respostas, as famílias deram um ultimato às autoridades parisienses. O tema entrou no centro da campanha eleitoral municipal, levando o novo prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, a afirmar que o combate às violências no sistema de recreação escolar seria uma prioridade de seu mandato. O prefeito socialista apresentou um plano de ação com tolerância zero, que inclui a criação de um guia de acolhimento, reuniões anuais de início de ano sobre as atividades extracurriculares em todas as 620 escolas da capital e o compromisso de entregar às famílias todas as conclusões das investigações administrativas em caso de denúncia. Para Anabel, trata-se de um primeiro avanço — ainda insuficiente. “No início, encontrávamos portas fechadas e silêncio absoluto. Diziam: ‘Isso não existe', ‘Eu não sabia'. Fizeram-nos acreditar que se tratava de um caso isolado. Mas percebemos rapidamente que não era. Houve humilhações, ameaças de morte, importunação sexual, violência sexual e até estupro de vulneráveis, tudo na pré-escola. E, diante disso, só víamos negação. Isso é absolutamente inaceitável.” As revelações impulsionaram um movimento nacional, com o apoio de coletivos como o SOS Périscolaire, que recolhe denúncias de famílias em todo o país. Elisabeth Guthmann, cofundadora do grupo, relativiza a ideia de que o problema seja exclusivamente francês, mas aponta uma diferença. “Existem pedófilos em todas as áreas e países. Isso não é exclusivo da França. A especificidade francesa é que estamos começando a falar sobre isso.” Ela critica a forma como o sistema judicial lida com os depoimentos das crianças. “Todos os profissionais de saúde dizem que uma criança não inventa algo que não viveu ou viu. Mesmo assim, ouvimos argumentos como ‘talvez ela tenha escutado alguém falar', ou ‘talvez os pais tenham colocado palavras na boca da criança'. Isso faz parte do problema”, acrescenta Guthmann. Casos parados na Justiça Atualmente, pelo menos 15 investigações judiciais sobre abusos cometidos em atividades de recreação escolar estão em curso no Ministério Público de Paris. Entre elas está o caso de Marie (nome fictício), cuja filha foi abusada na pré-escola aos quatro anos. Apesar da denúncia e da suspensão do profissional, o processo segue sem desfecho. “Foram sete anos de investigação. Há um ano, nada acontece. Ele não é mais agente de recreação, mas continua recebendo salário da prefeitura de Paris há sete anos, sem trabalhar, e vivendo em outra região. E a prefeitura continua pagando. É um escândalo”, denuncia a mãe. A RFI entrou em contato com o Ministério Público de Paris, que informou que a fase de investigação está concluída. Para a mãe, no entanto, o caso permanece paralisado, enquanto os traumas da filha se aprofundam. Ela diz que tentou contato com o novo prefeito, sem resposta. “Ele disse que receberia todos os pais. Mas nem sequer tivemos confirmação de recebimento do e-mail. O que assusta é isso: não devemos esperar que a justiça seja feita. Sete anos depois, o agressor está livre, não houve julgamento, e o caso pode ser arquivado, mesmo com centenas de depoimentos.” Procurada pela RFI, a juíza responsável afirmou que não pode comentar o processo.

CBN e a Tecnologia - Gilberto Sudré
Passo a passo prático: tive meu celular roubado ou furtado. O que faço?

CBN e a Tecnologia - Gilberto Sudré

Play Episode Listen Later Apr 17, 2026 15:39


Nesta edição do "CBN e a Tecnologia", com o comentarista Gilberto Sudré, vai um alerta super importante. Sabe aquele mini-infarto que dá quando você põe a mão no bolso e… cadê o celular? Sumiu! Nessa hora passa um filme na cabeça: fotos, WhatsApp, banco, Pix, senha do e-mail… parece que levaram sua vida inteira em modo portátil! Mas calma — nem tudo está perdido! Com o comentarista, vamos transformar o desespero em ação: o que fazer e o passo a passo para proteger seus dados, seu dinheiro e sua paz de espírito depois de um roubo ou furto.

Convidado
Elida Almeida apresenta o seu novo álbum "Spedju" em Paris

Convidado

Play Episode Listen Later Apr 6, 2026 17:00


A cantora cabo-verdiana Elida Almeida regressa esta semana a Paris para apresentar o seu novo trabalho "Spedju". As suas canções mostram uma nova fase da vida da cantora, com uma grande ênfase na maternidade, no amor romântico, mas também a força das mulheres e a resistência do povo cabo-verdiano. Elida Almeida afirmou-se na última década como uma das principais vozes de Cabo Verde na música. Com os ritmos tradicionais do seu país, Elida Almeida nunca esquece nas suas canções, a maior parte da sua autoria, a realidade que a rodeia. O seu novo álbum "Spedju", ou espelho em português, é um reflexo da sua vida. Foi preprarado durante uma gravidez esperada e desejada, sendo um reflexo do amor maternal, do amor romântico, mas também das inquietações que vêm com a maternidade. Em entrevista à RFI, Elida Almeida fala sobre esta nova fase da sua vida e como isso influenciou a concepção deste novo álbum. "Fui muito activa durante a minha gravidez. O meu maior problema era descansar. Não conseguia descansar, não conseguia parar. E o álbum veio dessa fase que eu tinha vontade de fazer muita coisa e não queria ficar parada. Tive um motivo mais do que suficiente para inspirar-me desde o primeiro mês. A minha primeira gravidez foi uma gravidez muito turbulenta. Uma gravidez na adolescência em que não consegui apreciar e viajar nessa jornada que de nove meses, porque era muito nova e estava preocupada com muita coisa. E desta vez tive esta oportunidade de poder saborear melhor esta dádiva. Assim, o álbum foi acompanhando no meio dos momentos bem bonitos e felizes que tinha. Também havia questionamentos e inseguranças e todos os poréns. Podia estar afastada do palco? Será que que quando voltar o meu lugar ainda é ali? Então eu acho que não havia melhor escolha de título do que Spedju, que significa espelho em português", afirmou. Para este trabalho, Elida Almeida chamou diversas figuras da música cabo-verdiana algo inédito face aos seus precedentes álbuns. "Spedju" conta com participações das Freirianas Guerreiras (no tema "Nka Ta Pasa"), de Garry (no tema "Baka Brabu"), Nancy Vieira (no tema "Daddy) e ainda Grace Évora (no tema "Mintira"). Estas foram colaborações evidentes para Elida Almeida que não jesitou em juntar nomes mais recentes e mais clássicos da música cabo-verdiana à sua sonoridade. "Venho de um país extraordinariamente talentoso. Tenho muito orgulho em ser cabo-verdiana. Tenho muito orgulho em fazer parte desta geração. Uma geração que também está a dar muito contributo para música de Cabo Verde. O nosso tapete vermelho já está estendido, foi estendido pelos grandes músicos, muitos deles que já não estão cá. E nós agora estamos a desfilar e estamos a tentar dar continuidade ao que eles fizeram. Eu tenho a sorte de misturar-me com todos e gravar com todos", declarou. Como em todos os seus trabalhos, Elida Almeida não foge às questões actuais e no tema "Funa Ku Nana" fala sobre a música como acto de resistência dos escravos face ao colonialismo português em Cabo Verde. "Claro que é uma coisa que nos inquieta nós todos. É um passado sombrio e sujo e com muito sangue, com muita, com muita tristeza e com muito estupro. Não há como não afectar qualquer pessoa, sendo africana ou não, quando ela se dá conta de realmente o que é que se passava na altura. Qualquer um sente que foi algo desumano. Então isto até hoje traz sequelas e traumas que nós carregamos e que só nós sabemos como é que isto repercute na nossa vida e na vida dos nossos filhos. Cabo Verde sempre usou principalmente a música. Nós nunca tivemos a luta armada nos nossos territórios, então a música foi sempre uma das nossas armas. Nós usamos durante toda a colonização, durante a nossa luta também para a libertação. Os ritmos que nós fizemos questão de manter, que resistimos porque os rebelados, os escravos que fugiram pela montanha, não só fugiram do trabalho físico de tudo que é exploração, mas também era uma resistência a nível musical, porque tentaram a todo custo banir tudo o que era africano, tudo que tinha uma sonoridade africana da nossa música, da mestiçagem que estava a surgir em Cabo Verde. Tanto que baniram todos os instrumentos percussivos e só deixaram a gaita que tinham trazido e a guitarra portuguesa. Mas esses escravos que fugiram pelas montanhas conseguiram levar com eles muitos ritmos africanos em que deram origem à tabanca, ao batuco e ao funaná, ritmos estes que fizeram questão de manter todas as sonoridades de todas as partes percussiva da música africana. Então é sobre isso que eu falo na musica 'Funa Ku Nana'", detalhou Elida Almeida. A cantona cabo-verdiana volta agora a Paris já na sexta-feira, dia 10 de Abril, para um concerto na sala New Morning, na capital francesa, sendo o seu regresso aos palcos gauleses para apresentar o seu novo álbum. Para o Verão e já com o novo espectáculo do "Spedju", Elida Almeida já tem datas agendadas para concertos individuais e festivais em França.

Temos de Falar
Liliana Campos em 'Temos de Falar Com Elas': "Tive menopausa precoce e comecei a perceber que estes temas eram muito pouco falados"

Temos de Falar

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 31:59


No terceiro e último episódio desta série especial de 'Temos de Falar Com Elas', a conversa foi feita com a apresentadora Liliana Campos que, ao lado de Ana Galvão, Ana Garcia Martins, e Bárbara Guimarães, quis deixar várias opiniões sobre a sexualidade feminina. "Não sei se estas gerações falam de sexo, mas com as minhas amigas, falamos mais agora com a menopausa, do que falávamos quando tínhamos 30 anos", salientou. Outros dos temas vão desde os valores Olímpicos à forma como se imagina a reforma. Para ouvir aqui!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Presente Diário
Sacrifício de louvor

Presente Diário

Play Episode Listen Later Mar 31, 2026 3:49


Devocional do dia 31/03/2026 com o Tema: Sacrifício de louvor Tive o privilégio de crescer envolvida com a música. Minha irmã e eu tínhamos aula de flauta e tocávamos em um coral que se apresentava em diversas igrejas. Quando crianças, cantávamos no coral infantil da igreja, principalmente em datas especiais, como Páscoa e Natal. Leitura Bíblica: Hebreus 13.15-16 Aquele que me oferece gratidão como sacrifício é o que me honra; ao que anda nos meus caminhos, eu mostrarei a salvação de Deus (Sl 50.23).See omnystudio.com/listener for privacy information.

Reportagem
Coleção de crítico Roberto Pontual é vendida em primeiro leilão dedicado à arte brasileira na França

Reportagem

Play Episode Listen Later Mar 30, 2026 6:00


A coleção pessoal do crítico de arte brasileiro Roberto Pontual será leiloada em Paris nesta terça-feira (31). Trata-se da primeira venda na França dedicada exclusivamente a obras brasileiras. Reunido ao longo de décadas, o acervo reúne cerca de 150 peças de mais de 60 artistas contemporâneos, produzidas entre 1945 e 1994 – um conjunto que Vincent Wierink, ex-companheiro de Pontual, descreve como sendo “de afeto”. Crítico de arte, jornalista e poeta, Roberto Pontual marcou a cena artística carioca dos anos 1970. Após dirigir programas educativos e exposições no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), consolidou-se como uma voz influente, especialmente por meio de suas crônicas no Jornal do Brasil e da curadoria de exposições emblemáticas, como a representação brasileira na Bienal de Veneza em 1980. Seu livro Dicionário das Artes Plásticas no Brasil, publicado em 1969, quando Pontual tinha apenas 30 anos, permanece como obra de referência no mundo das artes. Além disso, ele publicou diversos ensaios e catálogos sobre arte contemporânea. Em 1980, mudou-se para Paris, onde continuou atuando como crítico e curador até sua morte, em 1994, em decorrência da AIDS. Sua coleção reúne obras de artistas brasileiros contemporâneos emblemáticos, muitos deles amigos próximos de Pontual, como Paulo Roberto Leão, Carlos Scliar, Ione Saldanha, Alair Gomes, Glauco Rodrigues, Antonio Bandeira, Frans Krajcberg, Ivan Serpa, Cildo Meireles e Wanda Pimentel. O acervo foi constituído por meio de compras espontâneas em visitas a ateliês, presentes de artistas, trocas e até pagamentos por prefácios, catálogos ou curadorias. Um retrato de afeto Segundo Vincent Wierink, a coleção é “tanto um retrato da arte brasileira da segunda metade do século XX quanto um verdadeiro retrato de Pontual”, um homem apaixonado pelos artistas e que não tinha a intenção de ser colecionador. “Ele era uma pessoa que não tinha verdadeiramente uma preferência. Tinha um respeito tão grande pelos artistas que o leque de seu interesse era enorme. Ele passava pela fotografia, escultura, pintura, abstrato, figurativo, conceitual”, diz Wierink, legatário universal de Roberto Pontual e herdeiro de sua obra e de sua coleção. Ele conta que a decisão de vender um acervo tão pessoal, cujas peças decoravam o apartamento que o casal compartilhava, não foi simples. “Para mim, mergulhar novamente na coleção foi quase uma catarse, um movimento muito emocional. Eu redescobri a coleção, que estava escondida há mais de 30 anos.” “Logo após a morte do Roberto, em 94, eu tive que mudar tudo na minha vida. Tive que mudar de apartamento. Era quase insuportável ficar lá. Então mudei, empacotei a coleção inteira e pronto. Mudei de vida, mudei de lugar. Não vou dizer que esqueci a coleção, obviamente não, mas ela ficou guardada”, lembra. “No fim do ano passado, pensei: ‘estou avançando na idade, e se acontece alguma coisa comigo, o que vai ser dessa coleção? Ninguém conhece essa coleção'", explica Wierink, que decidiu então entrar em contato com Salomé Pirson, da casa de leilões independente Maurice Auction, que chamou a consultora de arte brasileira radicada em Paris, Maria do Mar Guinle. “Quando elas viram a coleção, tiveram uma reação imediata: a Salomé disse que era possível sentir uma alma por trás dela, e a Maria do Mar comentou que era uma coleção de afeto”, lembra. “Roberto, obviamente, tinha muito afeto e amizade por um grande número de artistas. Acho que não havia um artista que não gostasse do Roberto. Ele era uma pessoa luminosa, carismática, que queria o bem das pessoas. Às vezes eu digo que ele era mais um analista de arte do que um crítico. Não distribuía bons e maus pontos. Ele realmente ajudava as pessoas a se expressar, a atravessar crises”, diz Wierink. Uma aposta “Nunca houve uma venda de arte brasileira moderna na França. Mas é uma aposta”, afirma, lembrando que chegou a considerar realizar o leilão em Nova York ou no Brasil, mas decidiu rapidamente por Paris. “Tudo bem nunca ter sido feito. Tudo bem fazermos uma aposta. Mas há também uma lógica para mim. É como se o círculo se fechasse. Roberto escolheu – bom, nós nos conhecemos e, por causa do nosso encontro, ele decidiu mudar de vida, deixar o Brasil e se radicar em Paris. Ele amou profundamente a França, amou profundamente a Europa. Então era natural, mais lógico, que a coleção fosse vendida na cidade onde ele escolheu viver e onde faleceu", diz.  O leilão será realizado às 15h em Paris (11h em Brasília). Uma parte do montante arrecadado será dedicada à organização francesa de luta contra o HIV, Sidaction.

Artes
Katia Guerreiro: "Quero dar asas à minha criatividade, porque preciso muito dela para ser feliz"

Artes

Play Episode Listen Later Mar 18, 2026 28:58


No final da semana passada, a cantora de fado Katia Guerreiro deu um concerto caritativo em Massy, na região parisiense, a favor da luta contra o cancro pediátrico. A artista que celebrou há alguns meses 25 anos de uma carreira que para muitos segue o caminho trilhado por Amália Rodrigues, falou com a RFI algumas horas antes deste concerto. Nesta conversa, a fadista evoca as suas andanças pelo mundo e algumas das suas colaborações marcantes, nomeadamente a que teve com o músico e produtor José Mário Branco, falecido em 2019, ou ainda com o escritor António Lobo Antunes que nos deixou há poucos dias. Katia Guerreiro aborda igualmente o seu olhar sobre o fado depois de 25 anos nos palcos e fala da necessidade que tem, por vezes, de cantar algo diferente, como aconteceu por exemplo no seu mais recente álbum, "Mistura", lançado em 2024. A artista evoca também a sua acção como comissária de "Ponta Delgada - capital portuguesa da Cultura 2026". Um activismo que encara como uma "retribuição" por tudo o que tem recebido dos Açores, onde cresceu. Uma conversa que é também um reencontro, passados mais de vinte anos sobre um primeiro contacto, quando então estava no começo do seu percurso no fado. RFI: No ano passado, comemoraste 25 anos de carreira. Isto passou num instante. Katia Guerreiro: Foi a correr. Nós estávamos a fazer contas. Já não nos víamos há 20 anos, não é? E de repente, olha-se para trás e. E faz-se aqui uma retrospectiva, é um momento retrospectiva e que tem de ser mesmo celebrado. Porque efectivamente, acho que tenho motivos de orgulho grandes por andar aqui há 25 anos. Tudo aquilo que eu já construí, que já dei, mas é também uma responsabilidade acrescida, porque daqui para diante terei de continuar dentro desta minha linha de coerência e de consistência naquilo que faço, porque acho que é isso que o público continua a esperar de mim. São 25 anos muito, muito felizes. E eu comecei a comemorar no dia 18 de Junho no CCB (Centro Cultural de Belém em Lisboa), porque foi essa a data que encontrámos disponível para fazer este concerto naquela sala de que eu gosto muito. Mas efectivamente, foi no dia 6 de Outubro a data oficial de comemoração. Mas continuo a prolongar isto porque me sabe muito bem. Neste ano em particular, que estou muito dedicada a uma outra causa que é a capital portuguesa da Cultura em Ponta Delgada, poder continuar a levar a palco um repertório que construí ao longo destes 25 anos. E o meu plano para este ano é cada concerto ser diferente, construir concertos diferentes cada vez que subir ao palco. E revisitar o repertório que eu deixei de cantar. Porque os repertórios vão-se renovando e vamos deixando alguns temas para trás. Mas já tinha saudades de cantar alguns e então vou sempre recuperando alguma coisa em cada concerto e construindo espectáculos diferentes, o que me dá particular gozo não ter de fazer sempre a mesma coisa. Nunca fiz, mas agora de uma forma mais consciente. RFI: Olhando para trás, como é que vês a tua evolução? O que é que talvez mudou na tua forma de encarar o fado, de encarar o canto? Katia Guerreiro: Eu acho que vou tendo uma cada vez maior maturidade na forma como canto e acho que isso se nota na minha voz. Quando vou revisitar os temas antigos, eu percebo que a minha maturidade na voz vai crescendo. Mas procuro sempre que as palavras sejam cantadas com muita verdade. Mas a minha verdade hoje não é a mesma verdade de há 20 anos atrás ou há 25 anos. Portanto, há sempre aqui camadas que se vão acrescentando de histórias de vida que vão fazendo com que haja mais coisas por detrás das palavras que eu canto e, portanto, uma maior intensidade, mas também uma maior maturidade emocional ao lidar com elas. RFI: Foram muitas viagens, muitas voltas, muitas voltas ao mundo e muitas voltas também interiores. Como é que estas viagens influenciaram o teu trabalho? Katia Guerreiro: Influenciam muito, porque quanto mais eu conheço o mundo, mais me fascino com ele. Também tenho algumas desilusões perante tudo aquilo que nós vamos assistindo, que é a realidade das guerras. Isto perturba-nos a todos. Mas estas viagens que vou fazendo e -repara- quando eu toco neste tema, a mim custa-me horrores. Eu fui cantar a Moscovo pouco tempo antes da guerra, com a Ucrânia rebentar. E a mim dá-me particular pena que o mundo não veja que já chega de ganância. Todos têm a sua quota-parte no mundo e não faz sentido nenhum que continuem a lutar por quererem ter mais. Isso é ganância. Fui a Israel antes de rebentar a guerra com a Palestina. Estive na Palestina. Custa horrores imaginar que aquela gente está a sofrer e que se está a perder vidas todos os dias. Essa é a parte triste da vida, nós conhecermos o mundo e percebemos que o mundo está a ser destruído pela ganância humana. Mas ao mesmo tempo, lá está, mais uma vez, o exemplo de Israel e Palestina. Eu andei a circular livremente no país. Estive na Palestina e estive em Israel e as pessoas são todas iguais. Não há diferença dentro do ser humano, por muito que haja uma cultura diferente e uma forma de viver diferente. A verdade é que as pessoas são todas iguais e isso é o que me encanta no mundo. Perceber que por muito que nós encontremos diferenças na língua, na postura social, na cultura, na religião, a verdade é que depois, por dentro, somos todos iguais. Isso é tão bonito de receber e de partilhar. RFI: Tens trabalhado com grandes nomes, grandes nomes da música, grandes nomes também da literatura, grandes nomes como José Mário Branco. Como é que foi? Katia Guerreiro: Foi das experiências mais ricas que eu tive na minha vida. Em primeiro lugar, porque efectivamente, por preconceito meu ou receio eventualmente, achei que o Zé Mário nunca aceitaria trabalhar comigo, porque nós não nos conhecíamos, não tínhamos nenhuma ligação, não havia nenhuma relação. Mas a verdade é que o Zé Mário era um homem muito grande, de espírito, de alma. E é. O Zé Mário acolheu o meu pedido de trabalhar com ele. E na verdade, se no início havia uma relação estritamente profissional, no fim chegámos ao ponto de termos uma relação quase familiar, de muito carinho, de muito respeito. E o Zé Mário no fim, dizer-me que ganhou uma filha e dois netos, isso foi muito, muito gratificante. Chegar a esse lugar de conquista, não foi uma conquista, porque eu não trabalhei para ela. Foi muito natural, tal como ele é. Mas poder ter o privilégio de trabalhar com um homem maior, como era o José Mário Branco, que me transmitiu tanto conhecimento, tanta sabedoria, tanta maturidade, foi de facto muito enriquecedor e transformou-me profundamente. RFI: E como é que foi com António Lobo Antunes que nos deixou recentemente? Katia Guerreiro: Essa foi uma grande pena que tive também com esta perda, o António Lobo Antunes. A história com ele é muito engraçada. Em 2022, eu estava já a preparar o meu novo álbum e foi o João Mário Veiga que me mostrou um livrinho pequenino de poemas que ele tinha lançado como oferta de um dos romances que ele lançou, não me lembro qual. Tinha poemas absolutamente extraordinários. Tinha coisas muito cantáveis, porque eram formas poéticas muito usadas no fado, mas ele não escreveu para fado. Mas aquilo era tudo muito apetecível. E apeteceu-me imenso cantar aquilo. Mas eu, como sempre, tenho sempre o cuidado de sempre que há um autor vivo -já não posso pedir autorização ao Fernando Pessoa, nem ao Camões- mas quando há um autor vivo, eu tenho o cuidado de abordar o autor e de pedir autorização, porque acho que isso é o mínimo de respeito e educação. E andei atrás do António Lobo Antunes a tentar chegar até ele e tive meses nessa tentativa. Tive vários amigos que o conheciam, que lhe escreveram cartas, que lhe telefonaram. E a determinada altura, há uma carta que chega a bom porto e eu estava a gravar um documentário para o Japão -foram a Portugal gravar um documentário comigo- e estava no camarim a arranjar-me antes de ir gravar. E recebo um telefonema que começa assim "Boa tarde Katia Guerreiro. Daqui é António Lobo Antunes". E a minha resposta foi imediatamente "António!!!!!!". Parecia uma criança! Parecia que estava a ver o Mickey Mouse! Estivemos a conversar algum tempo e foi deliciosa aquela conversa. E a determinada altura eu disse-lhe "António, já sabe que eu quero cantar uns poemas seus, identifiquei este e este e este. Apetecia-me cantar tudo, mas tenho estes preparados. O António autoriza-me?". E ele diz "A menina pode cantar tudo!". E portanto, a partir daí, o António caiu nas boas graças e conhecemo-nos depois pessoalmente, muito pouco tempo depois, porque o Júlio Pomar lançou um livro que tinha o prefácio escrito pelo António Lobo Antunes. O livro ia ser apresentado pelo António Lobo Antunes e então conheci-o nesse dia de apresentação e cantei os poemas do António nessa noite. E pronto, fiquei assim com um carinho muito especial pelo António. Voltei a gravar poemas dele e continuo a cantar António Lobo Antunes sempre e com muito orgulho. E agora canto ainda com mais privilégio na alma. Era de facto um ser superior, com uma visão muito interessante da vida e do mundo, com um realismo muito profundo. E eu vou manter esta alegria de poder ter tido contacto com o António. Foi mesmo uma grande honra. RFI: Nas entrevistas que vais dando, falas muito de "fugir" ou não ao fado. Volta e meia também foges um pouco. Como é que encaras essa "fuga"? Katia Guerreiro: Não é bem fugir. Quando eu faço coisas diferentes, é dar um bocadinho azo à minha liberdade criativa. Eu sou fadista de corpo e alma. Mas eu sofro inspirações várias. Eu não oiço só fado. Eu não cresci, sequer a ouvir fado. Portanto, eu tenho outras referências musicais e elas também me inspiram, também me alimentam. E é uma sensação de respirar fundo e poder fazer diferente. Eu, no fundo, sou um espírito livre e vou fazendo aquilo que me apetece. Não vou só à procura de respeitar os cânones ou de ser uma artista metida dentro de uma caixa. Eu tenho as minhas asas soltas e vou voando em vários territórios musicais. E eu gosto muito disso. Dá-me muito prazer e enriquece-me também. Este ano, tenho feito precisamente aquilo que eu me predispus a fazer, que é não ter planos nenhuns e portanto, vou gravando aquilo que me apetece. Apresentam-me canções, apresentam-me temas que não têm nada a ver com fado e se me apetece gravá-los, eu gravo. Tenho tido esta liberdade criativa e artística. Acho que não tenho nada a provar a ninguém. Sou muito fadista e isso vê-se muito bem em cima das tábuas de um palco. RFI: Tens cantado músicas com o espírito do fado, mas que não são propriamente fados. Introduziste também o piano. Isto é uma novidade. Como é que isto surgiu? Katia Guerreiro: Foi surgindo exactamente pelos cruzamentos artísticos que nós vamos tendo. De repente, tenho o Toli César Machado, dos GNR, que me oferece um tema, o "Capitães da Areia" com letra do Helder Moutinho. Eles oferecem-me esta música e aquela música remete-me efectivamente para um ambiente intimista, acompanhado por um piano. Eu não conseguia ouvir guitarra portuguesa naquela história que cantei e, portanto, ainda mais conhecendo o João Bernardo, que é um pianista extraordinário, o meu conterrâneo açoriano. Apeteceu-me muito criar esta linguagem, com aquele tema, com aquela história que é tão bonita. Uma história de amor lindíssima. E apeteceu-me criar isto. Entretanto, aconteceu com outros temas que foram aparecendo. O Carlos Leitão oferece me o "É tão longe a minha casa", que é uma declaração de amor também à minha terra. E aí criou-se um ambiente muito misto, onde estão as violas da terra dos Açores. Fui voltar às minhas origens. Aparece o piano também aqui a fazer um contorno às violas da terra. Mas também tenho os meus músicos de fado a tocar, portanto, misturei aqui os diversos ambientes que me trouxeram todo o universo musical em que eu vou andando. Agora, mais recentemente, lancei o "Gracias a la Vida", porque acabo de celebrar 50 anos de vida. E eu tinha este tema há muitos anos. Cantei há muitos anos, num jantar oficial oferecido à Presidente Bachelet, em Lisboa. Quis oferecer-lhe esse mimo e fiquei, desde essa altura com vontade de gravar isto. Já lá vão 18 anos por aí. Fiquei com vontade de gravar este tema, não sabia quando. E fui guardando. E depois, entretanto, fui fazer uma turnê na América Latina. Cantei o "Gracias a la Vida" e foi um sucesso nos espectáculos que o público me pedia para gravar. Ainda assim, fui adiando, adiando. Até que agora, estava chegar aos meus 50 anos, há uns meses atrás e pensei "Sim, vou gravar o "Graças a la vida"". E então fui buscar não só o piano como a guitarra portuguesa, o contrabaixo, a viola. Mas depois trago um elemento da América Latina para compor este ambiente de uma canção que é da grande Violeta Parra. Lancei-o no Dia Internacional da Mulher, como uma homenagem a uma mulher muito inspiradora como a Violeta Parra, com um espírito muito livre. E sim, acho que é o momento de dar graças à vida por existir. RFI: Falaste do regresso às raízes, aos Açores. Participas este ano em 'Ponta Delgada, capital portuguesa da Cultura 2026'. Como é que é? Katia Guerreiro: É um grande desafio, mas uma enorme honra ter esta missão entre mãos. Há quem ache que eu sou embaixadora e que dou a cara pela capital portuguesa da Cultura. É um bocadinho mais do que isso. Sou mesmo programadora de todo o evento que decorre durante todo este ano de 2026, em Ponta Delgada, e que abraça todas as áreas da cultura ou pelo menos quase todas, porque a cultura é um conceito muito lato. Temos eventos na área das artes visuais, da arquitectura, da gastronomia, que é tão forte, tão importante, é uma identidade cultural muito forte nos Açores. A religiosidade também é uma das áreas que nós abraçamos. A antropologia e a etnografia porque, efectivamente há um lado de tradições muito importante. Mas depois a música, a dança, o teatro, as artes inclusivas. E temos ainda um programa muito importante na área do serviço educativo, que é de oferecer projectos culturais às crianças, às novas gerações, mas não só desde a primeira infância até aos mais velhos. Passamos pela universidade, temos projectos culturais em protocolo com a Universidade dos Açores e também para os seniores, e estamos a desenvolver projectos muito importantes que vão ficar para o futuro, porque é mais isso que me importa. No fundo, quando eu recebo este convite, eu não consegui voltar-lhe as costas, mesmo isso implicando eu reduzir alguma actividade artística minha. Porque é a minha terra. Tenho um grande amor pela minha terra e senti que era o momento de eu retribuir à minha terra tudo aquilo que ela me deu e me dá enquanto construção da minha identidade individual. É aquilo que eu me propus fazer. Foi levar toda a minha experiência, toda a minha visão do que eu tenho recebido pelo mundo fora, daquilo que a cultura pode oferecer e pode contribuir para um melhor desenvolvimento humano. E sim, eu acredito que a educação e a cultura são dois dos pilares fundamentais para o desenvolvimento humano. E neste momento, acho que acho que todos nós temos consciência da crise que existe, com uma certa aculturação das novas gerações que acabam por conduzir a seres humanos com menos sentido crítico, menos pensamento próprio, menos capacidade de decisão. Com a minha equipa -tenho uma equipa maravilhosa que constituí- tenho desenvolvido um trabalho que procura precisamente ir à raiz do problema, tentando deixar sementes para que as crianças, os jovens, tenham uma perspectiva de futuro diferente. Não nos esqueçamos que estamos a falar de um território ultraperiférico, muito isolado no meio do Atlântico, que tem menos acessibilidade a tudo aquilo que acontece no continente. E aquilo que nós nos propomos fazer é não só valorizar e projectar aquilo que se produz culturalmente no território que é muito rico, mas também promover no território projectos que dificilmente conseguem chegar, porque os custos para conseguir chegar, fazer levar projectos de grande envergadura ao território são muito, muito elevados. São quatro vezes superiores a fazer qualquer coisa no território continental. São as viagens, são os alojamentos, são as refeições. Tudo isto custa quatro vezes mais. E, portanto, este é o ano em que nós temos de aproveitar para oferecer à comunidade nos Açores uma programação diferenciadora e estamos muito orgulhosos pelo trabalho que estamos a desenvolver. O público está a aderir. Estão a querer acompanhar toda a nossa programação e mais do que isso, é chegar ao fim e dizerem "a vossa programação está a ser de excelência. Obrigada por isto". E portanto, ficamos mesmo muito felizes. O convite é: visitem Ponta Delgada, porque há muita oferta cultural a par da maravilha que é aquele lugar mágico em natureza e natureza humana também. RFI: Isto é o começo de um novo percurso. Katia Guerreiro: Não sei, não me parece. Eu acho que esta é uma experiência muito rica, muito enriquecedora. E acontece precisamente por eu querer, no fundo, contribuir para a minha terra, poder com tudo aquilo que eu tenho vivido, aprendido e crescido, poder contribuir, oferecer, devolver à minha terra um pouco daquilo que eu tenho ganho na vida. Não me parece que esse seja o percurso que eu vá seguir. Eu gosto muito do palco. Eu gosto muito de cantar e estar hoje aqui a cantar na ópera de Massy é de facto muito libertador, porque hoje tenho a possibilidade de libertar-me da responsabilidade de todo este trabalho, que é um trabalho minucioso, quase um trabalho de filigrana, que envolve muitas questões, nomeadamente contratação pública, temas com os quais eu nunca achei que ia ter de lidar na minha vida. Mas pronto, também estou a crescer com isto. Estou a aprender muita coisa, está a ser muito bonito. E mais do que tudo, é cruzar-me com pessoas maravilhosas. Tenho tido contacto com projectos culturais absolutamente incríveis. Acho que estou a crescer muito. Estou a ficar mais crescida ainda. RFI: Apesar de não haver planos. Há um plano relativamente, por exemplo, a essas gravações que vais fazendo. Há algo novo, que está a crescer, que está a nascer? Katia Guerreiro: Eu acho que sim. Este ano em que eu estou a seguir o não ter planos acaba por me ir ajudando a construir alguma coisa que é um caminho um bocadinho errático ou desconhecido. Agora apetece-me fazer isto. É o que eu vou fazer. Eu acabo de gravar o "Graças a la Vida" e cruzo-me com um fado tradicional que eu nunca tinha ouvido, porque são centenas de melodias tradicionais e já estou com vontade de explorá-lo e de encontrar palavras para ele e quiçá possa vir a ser o próximo tema que eu vou gravar. Mas é isto que eu estou a fazer e se calhar chego ao fim e gravo mais algumas coisas e posso lançar um álbum que é o resultado de tudo isto. Vamos ver se é coerente, se faz sentido. Mas eu acho que eu, estando neste momento com esta missão, quero dar asas de facto à minha criatividade, porque preciso muito dela para me alimentar e para ser feliz. Mas eu creio que também estou aos poucos a criar dentro de mim um plano para que depois eu volte à minha actividade regular artística. Eu não quero sair dos palcos, eu não quero desaparecer. Quero mesmo muito que as pessoas confiem que eu estou a fazer este caminho com um propósito. Ele está-se a definir. RFI: Quais são os próximos encontros no palco nestas próximas semanas, nestes próximos meses? Katia Guerreiro: Bom, agora estou aqui e estou muito feliz com o espectáculo que vou apresentar, mas tenho agora o que está previsto. Vou fazer uma turnê nas ilhas dos Açores. Não tem nada a ver com a programação da 'capital portuguesa da Cultura'. Foi um convite que me foi feito e vou cantar em sete ilhas dos Açores, o que é lindo, porque vou fazê-lo na minha terra. Aliás, vou cantar em ilhas onde nunca cantei e essa é uma turnê que me vai obrigar a estar de férias da capital, mais ou menos de férias porque nunca consigo estar de férias totalmente. Mas vou fazer essa turnê. Tenho várias coisas planeadas. Tenho também um concerto no Porto que me tem dado algum trabalho também, porque é algo complexo, mas depois disso tenho concertos pelo país. Vou a Roma também, vou voltar à Roma e vou seguindo!

Conversas do Fim do Mundo Podcast
"Tive o privilégio de estar frente a um tubarão"

Conversas do Fim do Mundo Podcast

Play Episode Listen Later Mar 14, 2026 41:27


A formadora Catarina Machado aproveita todos os momentos livres da vida para descobrir o mundo. Está à beira de visitar 50 países e promete continuar.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cultura
Conheça os 10 finalistas da 45ª edição do Prêmio Descobertas RFI, dedicado à música africana

Cultura

Play Episode Listen Later Mar 7, 2026 7:42


Contagem regressiva para o resultado da 45ª edição do Prêmio Descobertas RFI, uma das maiores plataformas de promoção de novos artistas e grupos africanos. Terminadas as três fases de seleção, os ouvintes e internautas podem votar até 11 de março nos dez finalistas. A recompensa será anunciada em 13 de março.  Daniella Franco, da RFI Desde 1981, o Prêmio Descobertas (Prix Découvertes, em francês) é realizado anualmente. O processo que mobiliza todas as equipes que trabalham com música na RFI, mas também representantes da cena musical francesa que compõem o júri, neste ano presidido pelo rapper MC Solaar. Em 2025, a vencedora foi a cantora guineense Queen Rima.  A reta final da 45ª edição do Prêmio Descobertas conta com dez concorrentes. Entre eles, quatro cantoras solo, quatro vocalistas homens, uma dupla e uma banda. Para votar, clique aqui. Claudio Rabé  De Madagascar, a RFI selecionou Claudio Rabé, que lidera um coletivo que mistura rock, trance e sonoridades afro-psicodélicas. O objetivo do grupo é exportar cultura e denunciar as injustiças vividas pelo povo malgaxe. "Nasci no meio musical - meu avô é músico, meu pai é dançarino - então a música sempre foi algo óbvio para mim. Representamos o povo e a cultura malgaxe. Queremos que todos saibam o que acontece no nosso país", diz.  Ouça Claudio Rabé Defmaa Maadef A dupla senegalesa Defmaa Maadef é formada pelas artistas Defa e Mamy Victory. O primeiro álbum, o dançante "Jaar Jaar", foi lançado no ano passado, propondo um encontro do mbalax senegalês com afrobeats, kwaito e amapiano. Nas letras, cantadas quase integralmente na língua wolof, o engajamento feminista dá o tom. "Nossa música celebra a cultura senegalesa e dá uma voz livre e poderosa às mulheres. O mundo é nosso!", diz Defa.  Ouça Defmaa Maadef   Joyce Babatunde De Camarões, a RFI selecionou Joyce Babatunde. A versátil artista transita facilmente entre diversos estilos, slam, rap, funk, soul ou r&b. Ela classifica suas composições de "afro-soul". "Quis deixar que a minha música fosse uma expressão do que eu sinto. O afro-soul, para mim é a expressão, da minha alma", explica. Ouça Joyce Babatunde Malha Afrobeat, pop, house e twarab engajado direto de Comores: é essa a proposta da cantora Malha, que em suas letras expressa seu engajamento feminista. "Meu engajamento vem da minha experiência. Fiquei órfã na infância, aos 7 anos, e minha vida não foi fácil. Tive que lutar para sobreviver e meu engajamento vem daí, sobretudo pelas mulheres e crianças", diz.  Ouça Malha Manu Desroches O cantor e multi-instrumentista Manu Desroches é originário das Ilhas Maurício. Misturando jazz, blues e música tradicional de seu país natal, ele homenageia suas raízes e faz um convite a uma viagem às paisagens sonoras do Oceano Índico.  "Faço música porque acho que essa é uma das coisas mais bonitas que nos conectam como seres humanos", diz Desroches.  Ouça Manu Desroches Opa Também do Benin vem o candidato Opa, que transita entre o r&b, o soul e estilos tradicionais do país: um verdadeiro embaixador da cultura beninense. "Trabalho com música porque é algo que eu adoro e que me faz vibrar. Também porque tenho um sonho, poder exportar toda a riqueza cultural do meu país", afirma.  Ouça Opa Sym Sam Mbalax com uma pitada de funk, reggae e jazz, mas também highlife e amapiano: essa é a proposta do músico beninense-senegalês Sym Sam. "Minha paixão pela música vem dos meus pais. Meu pai é diretor de coral e minha mãe é cantora, então nasci mergulhado nesse meio musical e minha paixão surgiu naturalmente", diz.  Ouça Sym Sam Tyty Meufapart Para Tyty Meufapart, de Congo-Brazzaville, cantar é existir. A artista propõe uma mix de rap, soul e jazz a ritmos tradicionais congoleses. Essa "afro-fusion" é regada à voz singular e a uma presença de palco empoderada da cantora.  "Canto em lingalá, kitubá e em francês. Sou cantora, autora e compositora e estou muito feliz de fazer parte dos dez finalistas do Prêmio Descobertas RFI", declara.  Ouça Tyty Meufapart Yewhe Yeton Yewhe Yeton faz parte de uma tradicional família de percussionistas e cantores do Benin. Com composições que oscilam entre diversos ritmos beninense, cantadas na língua fongé, ele desponta hoje como um dos novos nomes do rock vodu.  "Faço música porque tenho uma mensagem para passar. Transmitir os valores sagrados é uma missão para mim: o amor, a vida em comunidade, a resiliência: tudo o que o mundo precisa hoje", diz Yewhe Yeton. Ouça Yewhe Yeton Yotsi O quarteto Yotsi vem da República Democrática do Congo e mistura afro-rock, afro-folk e ritmos tradicionais congoleses. Suas letras abordam temáticas sociais e são cantadas em lingala, swahili e tshiluba.   "Começamos a tocar quando éramos crianças, na igreja. Fazemos música porque é nossa paixão, porque gostamos de nos voltar ao mundo também, diz a cantora Linda Tombo.  Ouça Yotsi    

Enterrados no Jardim
Não gosto que salvem o mundo à minha custa. Uma conversa com José Gardeazabal

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Mar 7, 2026 181:30


“Tudo é fácil quando temos vontade própria e estímulo alheio, mas é difícil sermos aquilo que somos. Os outros não deixam.” E ainda que lhes fosse indiferente, que não se acumulasse neles esse rancor de ver alguém tomar um enorme balanço, entregar-se a uma euforia tal que não precisa de outra coisa senão de preencher um instante, até contra o resto da sua vida, como se tivesse um poder de se libertar e esquecer de si mesmo, sendo essa a maior das fantasias, mesmo assim os outros estariam aí para te desmentir. Afinal, aquela chispa ou ferocidade que alguns revelam e os torna capazes de se desembaraçar dos efeitos previstos, de se borrifar no contexto, é aí que se acha o maior dos privilégios. E aquela compulsão mitómana é talvez o último sinal de arrojo, uma vez que a história inventada é sempre mais aliciante do que a maçadora tirania dos factos. Contudo, o grande entrave são os outros, e parece evidente como toda a etiqueta social se desdobra nessas fórmulas mais ou menos sub-reptícias de interromper alguém. Há, no entanto, alguns que sabem torcer pela oposição, viver como felizes desgraçados, muitas vezes até por conta de outrem, gozando os sinais de insubordinação. Depois daquele arranque, vamos citar-vos novamente Santos Fernando para deixar aqui outra pedra angular: “Tive que chegar à evidência de que o nosso semelhante é justamente aquele que em nada se nos assemelha.” Mas há mais… “Gostamos, nos outros, o que os outros não gostam neles.” O amor próprio deve assim ser colhido não em si mesmo mas à volta. Este não é um tempo para os homens andarem muito confiantes de si mesmos, pois isso identifica-os com os piores. Os melhores são os que se fogem, os que escapam. Aqueles que se fazem tão esquecidos de si que muitas vezes páram junto às montras para confirmar os traços do próprio rosto. “É para sabermos quem somos, que transportamos no bolso o bilhete de identidade.” A razão de toda esta solidão em que nos sentimos a dissolver, reféns de um quotidiano que trabalha em nós como ácido, é este excesso de confiança nas aparências, a forma como o espectáculo passou a governar até a metafísica. No fundo, um tipo só podia reconhecer-se nas divisões, na forma como num determinado momento parecia fazer uma escolha contra o de antes, contra si mesmo, romper, partir-se. “O Eu tem um conteúdo que o distingue de si, pois ele é a negatividade pura ou o movimento de se dividir, é a consciência”, escreveu Hegel. “Este conteúdo, na sua diferença, também é o Eu, pois ele é o movimento de se suprimir a si mesmo ou a negatividade pura que é o Eu.” Se temos tanta dificuldade para nos arrastar para fora de casa, fazêmo-lo porque, apesar de tudo, ainda é agradável encontrarmos na rua os nossos desconhecidos, especializarmo-nos na dor dos outros, como diz às tantas uma das personagens do último livro do nosso convidado. Saímos num gesto meio desaforado como quem se diz adeus a si mesmo, batendo com a porta, ofendendo-se os dois mutuamente, o que ficou e o que saiu. Fazemos estes cortes, ignorando-nos para nos conhecermos melhor. Santos Fernando ainda nos coloca diante de uma outra constatação: “– Perdão – exclamou o que tinha experiência da vida, experiência da falibilidade humana e experiência da bisbilhotice: – Só não espreita pelo buraco da fechadura, aquele que tem receio de estar a ser substituído do lado de lá.” Na verdade, esta frase deveria inverter-se, pois o receio mais constante nos nossos dias, um receio pânico, vem não da mera suspeita, mas da consciência de que estamos a ser substituídos do lado de lá, e não apenas por alguém novo ou melhor, mas por alguém muito parecido, um semelhante, um ser apenas um pouco mais indiferente, e, por isso, melhor adaptado às circunstâncias. Aquele que se ri da expressão que fazemos, aquele que nos provoca, esse duplo sinistro que divide connosco o mesmo lance de dados. “Acredito sinceramente ter interceptado muitos pensamentos que os céus destinavam a outro homem”, admitia Laurence Sterne. É uma forma de reconhecer essa capacidade de ocupar o lugar de outro… “Há gente que tem pára-raios para que os raios lhes caiam em casa”, retruca Santos Fernando, sempre à coca de uma oportunidade. Ele poderia concordar com o nosso convidado deste episódio quando ele reconhece que, entre certos seres sem tempo para os grandes arranjos litúrgicos, “Deus manifesta-se sob a forma de um insecto aramaico em risco de extinção”. “Um insecto fugidio, escondido em toda a parte”, adianta. E ainda acrescenta: “A palavra aramaico soa tão bem, não precisamos de mais nada para acreditar.” De resto, a fé já não é essa espécie de utopia transparente, mas algo mais rastejante, que sobrevive à base de impulsos, coincidências meio patéticas, um arranjo fenomenal de ninharias. Às tantas, num daqueles armazéns onde alguns tipos assistem à rotina frenética das mercadorias, esses milhares de produtos destinados a um trânsito internacional que, como nos diz José Gardeazabal, parece imitar o ritmo fértil das grandes migrações, fica claro como vamos sendo reduzidos a essa humildade dos espectadores da catástrofe, e às tantas percebe-se que o homem é precisamente aquilo que toda esta inquietação das mercadorias acaba por destruir, tornando-se um ser inteiramente esmagado, atirado para a margem, desfigurado por essa nova forma de miséria que se foi impondo com o monstruoso desenvolvimento da técnica. Como assinalou Erich Auerbach, “nos seus começos gregos, a poesia europeia possuía o conhecimento de que o homem seria uno – algo de indivisível, constituído pela força e pela forma do corpo, pela razão e pela vontade do espírito, de que o seu destino particular se teria desenvolvido a partir de uma tal unidade, quando à sua volta se reuniam, como que por atracção magnética, as acções e paixões que lhe estavam reservadas, fixando-se nele e formando assim elas mesmas uma parte da sua unidade”. Aquele filólogo e crítico literário vinca que foi “este entendimento que conferiu à epopeia homérica a intuição e a compreensão profunda da estrutura dos acontecimentos possíveis”. “Inventando e sobrepondo acções e paixões do mesmo tipo, Homero deu forma a Aquiles ou a Ulisses, a Helena ou a Penélope; de uma acção que revelava a essência, ou ainda de uma essência que se anunciava numa primeira acção, surgiu ao poeta inventor, de forma necessária e natural, a série e a suma das acções, tornadas idênticas, de todos eles, e ao mesmo tempo a orientação geral do percurso das suas vidas, o seu entrelaçamento no tecido dos acontecimentos, que constitui tanto a sua essência quanto o seu destino.” Mas hoje já não há unidade nos homens porque o destino é precisamente aquilo que faz deles esses seres inertes, dominados por um vazio que escarnece de todos os seus gestos. E também por isso o romance está em crise, pois não sabemos como traduzir alguma inspiração literária que sirva de fôlego a verdadeiras personagens, construindo a sua fictiva autonomia, e que habitem soberanamente essa zona dos mitos criada pelos grandes escritores. Vamos andar por aqui, indagar ainda sobre a forma como o novo paradigma tecnológico infectou a carne. E se, finalmente, e ao cabo de tantos naufrágios, o velho lobo desse mar que há décadas ia pingando pelas torneiras mal fechadas de tantas casas portuguesas lá se despediu de vez, também por aí vamos passar, aproveitando para uivar entre as fronteiras já praticamente apagadas da nossa cultura, e sempre com Gardeazabal a expor-nos a vasta colecção de pulgas colhidas noutras paragens e que a ele o ferram mais fundo e lhe transmitem a sua febre.

Reportagem
‘Aqui não há percepção de que a mulher pode jogar futebol', diz brasileira que atua na Arábia Saudita

Reportagem

Play Episode Listen Later Mar 6, 2026 7:20


Os tradicionais centros do futebol mundial ganharam um concorrente nos últimos anos. As atenções não estão mais divididas apenas entre sul-americanos e europeus. A Arábia Saudita, que vai sediar a Copa do Mundo de 2034, surge como um dos principais mercados emergentes do futebol. O país tem atraído cada vez mais jogadores estrangeiros: Roberto Firmino, Cristiano Ronaldo, Benzema e Sadio Mané são alguns dos principais nomes que desfilam seus talentos em gramados árabes. Marcio Arruda, da RFI em Paris Mas o país não chama a atenção somente de jogadores da modalidade masculina. O campeonato feminino tem atraído cada vez mais mulheres estrangeiras. A liga feminina, chamada de Saudi Women's Premier League, reúne atualmente oito clubes; e seis contam com brasileiras em seus elencos. Uma delas é a mineira Letícia Nunes, que ainda busca seu espaço na seleção brasileira. Enquanto sonha em ser chamada pelo técnico do Brasil, Arthur Elias, a atacante de 28 anos tem se firmado como uma das principais jogadoras do Al-Ittihad Jeddah. Em entrevista ao jornalista da RFI, Marco Martins, a jogadora destacou o bom momento que vive no futebol. “Já é minha segunda temporada aqui na Arábia Saudita. Eu venho de uma temporada boa no ano passado, quando fiz muitos gols. Na atual temporada, o grupo encaixou melhor e temos tido mais vitórias e mais empates, que tem sido um pouco diferente da passada. Acredito que o futebol saudita está numa evolução. Como o grupo está melhorando, o individual também melhora”, afirmou Letícia. Leia tambémBrasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina de futebol em 2027 Na última rodada do campeonato saudita, o Al-Ittihad Jeddah venceu o Al-Hilal por 3 a 1. O terceiro gol foi da brasileira, que já tem três na atual temporada. Com a vitória, o time de Letícia assumiu a vice-liderança da liga. “A pretensão da gente é ficar no top 4. Claro, sempre a ideia é ser campeão, acho que nenhuma equipe entra num campeonato sem pensar em ser campeão. Porém, temos um time aqui que é muito forte, que é o Al-Nassr e está disparado na frente da tabela. Mas, de início, é ficar entre os três ou quatro primeiros colocados”, revelou a atacante brasileira. Antes de se destacar na Arábia Saudita, Letícia ganhou projeção no Brasil atuando no futebol mineiro. “Tive uma passagem pelo Ipatinga, que é um time do interior de Minas Gerais. Eu me destaquei lá e fui vista pelo América Mineiro", lembrou. "Na minha opinião, foi no América Mineiro que eu vivi o melhor momento da minha carreira, fazendo muitos gols e tendo muitas participações nos jogos. De lá eu fui para o Bahia, onde também tive uma experiência muito boa. Tanto que eu fui a primeira jogadora do departamento feminino do Bahia a ser vendida para um clube do exterior. De Salvador, eu vim direto para cá” No futebol árabe desde agosto de 2024, Letícia falou das dificuldades que enfrentou em sua primeira experiência fora do Brasil. “Para mim foi um pouco impactante, mas sempre fui corajosa e sem medo dos desafios. Quando cheguei aqui, a cultura e as vestimentas chamaram muito minha atenção. Na rua, todas as pessoas usam roupas semelhantes; as mulheres não mostram o rosto nem o corpo, algo bem diferente da nossa realidade no Brasil", comparou.  "A vida social praticamente não existe para mim. Então, meu convívio é mais com as meninas do clube e as pessoas do trabalho. O lado positivo é que é um lugar muito tranquilo e seguro, onde você tem tempo para fazer suas coisas. E é nisso que eu tento me apegar” “Eu acho que foi algo muito bom para mim. Antes eu não tinha contato com a língua inglesa e hoje eu falo inglês e espanhol. Se por acaso no futuro eu tiver uma oportunidade de ir para algum clube da Europa ou dos Estados Unidos, eu acho que a escolha será muito mais fácil", afirmou Letícia. Experiência gratificante Atualmente, muitas jogadoras brasileiras atuam em gramados europeus. Na França, por exemplo, três jogadoras da seleção do Brasil são destaques em seus clubes: a lateral Isabela e a meia Yaya vestem a camisa do Paris Saint-Germain, enquanto que a zagueira Tarciane é titular no Lyon. "Vir para a Arábia Saudita me deu a chance de evoluir como pessoa. Então, para mim, toda essa experiência é gratificante”, disse a camisa 9 do Al-Ittihad Jeddah. A aventura no futebol da Arábia Saudita tem valido a pena para Letícia e considera que deu um salto financeiro na carreira. "Na minha opinião, a parte financeira daqui é muito melhor do que no Brasil. Isso me trouxe uma estabilidade financeira, que para mim era algo que me incomodava no Brasil em relação ao tempo que ainda tenho na minha carreira e ao que eu poderia conquistar. Aqui eu consegui uma boa estabilidade para eu ficar tranquila. Quando você sabe que está num clube estruturado, tudo isso conta. Hoje eu vejo que isso me ajudou muito”, afirmou. A atacante brasileira contou que as mulheres ainda buscam espaço nesse esporte no país, que só autorizou a entrada de torcedoras em estádios e arenas para assistir a jogos de futebol a partir de 2018. “A torcida comparece, sim, mas se fizermos uma comparação entre um jogo do masculino e outro do feminino, a diferença é grotesca. O futebol feminino aqui na Arábia Saudita ainda precisa evoluir muito. Por ser um país fechado, aqui as pessoas não têm a percepção de que a mulher pode jogar futebol. E eu acho que isso impacta ainda mais se compararmos com Portugal, Brasil ou França. A gente vê que isso é mais comum nesses países; é algo mais natural entre as pessoas”, contou a atacante brasileira. Leia tambémEm Paris, Formiga e Michael Jackson dizem o que falta para o futebol feminino decolar no Brasil A aceitação de mulheres no futebol é uma realidade no Brasil, que conta com jogadoras talentosas, como Bia Zaneratto, Gabi Zanotti e Duda Sampaio, entre outras, e clubes vitoriosos, como o Corinthians, atual vice-campeão intercontinental. Ainda assim, Letícia disse que as jogadoras ainda atravessam incertezas em suas carreiras. “Hoje, no Brasil, eu acredito que os campeonatos estão muito consolidados. Mas, por outro lado, há muita incerteza. Eu conheço muitas atletas que passam por dificuldades: estão em um clube e logo depois estão desempregadas. Querendo ou não, isso é algo complicado porque passa pela parte financeira e psicológica. Eu agradeço ter tido essa oportunidade ao clube Al-Ittihad Jeddah e também à treinadora brasileira Linsey Camila, porque foi ela quem abriu esse caminho para mim” Além de Letícia Nunes, a liga feminina da Arábia Saudita conta com as brasileiras Kathellen (lateral do Al-Nassr), Duda Francelino (meia do Al-Nassr), Rayanne (lateral do Al-Qadsiah), Adriana Maga (atacante do Al-Qadsiah), Aline Reis (goleira do Al-Ula), Tuani (zagueira do Al-Ula), Jaine Lemke (meia do Al-Ula), Priscila Hellen (lateral do Neom) e Keikei (goleira do Eastern Flames). Mesmo que lentamente, o futebol feminino ganha força na Arábia Saudita e, aos poucos, se consolida no cenário mundial. Esta é a quarta edição da Saudi Women's Premier League. O Al-Nassr, que conquistou todos os três títulos da liga feminina saudita disputados até hoje, é o líder da atual temporada com 30 pontos conquistados em 11 rodadas (10 vitórias e 1 derrota). O Al-Ittihad Jeddah da Letícia está na segunda colocação do campeonato, a oito pontos da liderança (7 vitórias, 1 empate e 3 derrotas).

Reportagem Observador
Retrato de Marcelo. "A ideia mais louca que tive em 10 anos"

Reportagem Observador

Play Episode Listen Later Mar 4, 2026 2:00


Trabalho de Vhils marca rutura com os retratos oficiais do passado. Em vez de uma pintura do Presidente, juntou capas de jornais da última década que formam o rosto de Marcelo Rebelo de Sousa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Le goût du monde
De Naples à Rome ou Venise : d'où vient le goût des Italiens pour l'amer ?

Le goût du monde

Play Episode Listen Later Feb 28, 2026 29:00


Il a fallu un regard venu d'ailleurs pour réaliser combien l'amer incarnait l'Italie. Le souvenir d'Emmanuel Giraud, ancien résident de la Villa Medicis à Rome, et sa découverte des amers pour que le professeur italien Massimo Montanari réalise combien, en effet, l'amertume était une saveur foncièrement italienne.   Ce qui est vert est amer, ou la place centrale des végétaux dans la cuisine italienne. Expresso, radicchio, amaretto, roquette, tartes aux herbes amères, et autres artichauts : L'amertume est la note de fond de la cuisine italienne. Une cuisine aux racines paysannes, diverse, végétale, « la saveur amère caractérise principalement certaines espèces de plantes d'herbes, racines qui, surtout à l'état sauvage, ont un tel goût », explique Massimo Montanari dans Amaro. Une cuisine végétale, paysanne, dont la durabilité et la diversité bio culturelle sont devenues patrimoine. En décembre 2025, l'Unesco a en effet inscrit la cuisine italienne sur la liste des patrimoines immatériels de l'humanité précisément pour ces raisons. « La place centrale des végétaux dans la culture gastronomique italienne a conservé, au fil des siècles, une forte dimension populaire, un rapport étroit et constant avec la culture paysanne, qui, en plus de développer des savoirs et des pratiques liés aux travaux des champs et des jardins, a toujours veillé à intégrer aux ressources domestiquées celles restées sauvages, les produits des prés et des sous-bois, des fossés et des zones humides. Ainsi, s'est vraisemblablement établie l'habitude du goût amer ».   Ne le faites pas savoir aux paysans Nous découvrons avec cet amer une autre manière de raconter les hiérarchies, les rapports entre les classes sociales. Aux paysans qui connaissaient les plantes, et récoltaient les herbes sauvages, les cardons, les roquettes, et autres salades amères, les gentilhommes multipliaient les stratagèmes pour s'assurer que ces plantes présentées comme « rustiques », leur seraient réservées, car délicieuses et accessoirement aussi bonnes pour la santé. Pour s'assurer enfin que la connaissance et le savoir restaient au sein de l'espace des privilèges et du pouvoir des classes dirigeantes. « C'est ainsi, selon la définition de Pierandrea Mattioli, qu'un produit cultivé par la nature, devint artificiellement civilisée en intégrant la haute cuisine pour parfumer les viandes fines et les canards rôtis. » Le pays de l'amer Dans cet essai malicieux et érudit, Massimo Montanari nous offre à nous, non Italiens, une lecture toute en finesse de son pays et de ses compatriotes, avec une délicieuse autodérision. Nous retiendrons « qu'il faut apprendre à goûter l'amer, les amers, mais quand on les a découverts, on ne peut plus s'en passer ». Avec Massimo Montanari, professeur, historien, spécialiste de l'histoire de l'alimentation, auteur de Amaro, un goût italien, aux éditions Macula. « Parler d'alimentation, de nourriture, c'est parler du monde, parce que c'est le geste le plus important de la vie, le geste alimentaire et tout ce qu'il y a autour : l'économie, la technologie, les rapports sociaux, une très bonne perspective pour regarder autour de soi ». Le livre qui a permis à Massimo Montinari de prendre conscience du goût des Italiens pour l'amer est « L'amer » d'Emmanuel Giraud, paru aux éditions Les ateliers d'Argol. Dans l'émission, aussi, Alexandre Bella Ola, le cuisinier auteur de « Les cuisines d'Afrique noire » chez First, raconte le N'dolè. Il est question de « High on the hog », la part du lion de l'historienne américaine de l'alimentation, Dr Jessica B. Harris. De santé et du corps qui s'éveille et s'ébroue après l'hiver, avec un extrait de la newsletter Substack Achillée mille vertus, de Jennifer Hart Smith, naturopathe, cuisinière et autrice, à retrouver ici Il est question à plusieurs reprises du botaniste italien Constanzo Felici. Pour aller plus loin - La cucina leggera, de Laura Zavan, éditions Hachette cuisine. - In cucina, d'Alba Pezzone. Et la musique ? L'équipe de la playlist nous propose Tive razao, de Seu Jorge.   La recette La tourte aux herbes et au parmesan, de Laura Zavan, à découvrir sur son site.

Le goût du monde
De Naples à Rome ou Venise : d'où vient le goût des Italiens pour l'amer ?

Le goût du monde

Play Episode Listen Later Feb 28, 2026 29:00


Il a fallu un regard venu d'ailleurs pour réaliser combien l'amer incarnait l'Italie. Le souvenir d'Emmanuel Giraud, ancien résident de la Villa Medicis à Rome, et sa découverte des amers pour que le professeur italien Massimo Montanari réalise combien, en effet, l'amertume était une saveur foncièrement italienne.   Ce qui est vert est amer, ou la place centrale des végétaux dans la cuisine italienne. Expresso, radicchio, amaretto, roquette, tartes aux herbes amères, et autres artichauts : L'amertume est la note de fond de la cuisine italienne. Une cuisine aux racines paysannes, diverse, végétale, « la saveur amère caractérise principalement certaines espèces de plantes d'herbes, racines qui, surtout à l'état sauvage, ont un tel goût », explique Massimo Montanari dans Amaro. Une cuisine végétale, paysanne, dont la durabilité et la diversité bio culturelle sont devenues patrimoine. En décembre 2025, l'Unesco a en effet inscrit la cuisine italienne sur la liste des patrimoines immatériels de l'humanité précisément pour ces raisons. « La place centrale des végétaux dans la culture gastronomique italienne a conservé, au fil des siècles, une forte dimension populaire, un rapport étroit et constant avec la culture paysanne, qui, en plus de développer des savoirs et des pratiques liés aux travaux des champs et des jardins, a toujours veillé à intégrer aux ressources domestiquées celles restées sauvages, les produits des prés et des sous-bois, des fossés et des zones humides. Ainsi, s'est vraisemblablement établie l'habitude du goût amer ».   Ne le faites pas savoir aux paysans Nous découvrons avec cet amer une autre manière de raconter les hiérarchies, les rapports entre les classes sociales. Aux paysans qui connaissaient les plantes, et récoltaient les herbes sauvages, les cardons, les roquettes, et autres salades amères, les gentilhommes multipliaient les stratagèmes pour s'assurer que ces plantes présentées comme « rustiques », leur seraient réservées, car délicieuses et accessoirement aussi bonnes pour la santé. Pour s'assurer enfin que la connaissance et le savoir restaient au sein de l'espace des privilèges et du pouvoir des classes dirigeantes. « C'est ainsi, selon la définition de Pierandrea Mattioli, qu'un produit cultivé par la nature, devint artificiellement civilisée en intégrant la haute cuisine pour parfumer les viandes fines et les canards rôtis. » Le pays de l'amer Dans cet essai malicieux et érudit, Massimo Montanari nous offre à nous, non Italiens, une lecture toute en finesse de son pays et de ses compatriotes, avec une délicieuse autodérision. Nous retiendrons « qu'il faut apprendre à goûter l'amer, les amers, mais quand on les a découverts, on ne peut plus s'en passer ». Avec Massimo Montanari, professeur, historien, spécialiste de l'histoire de l'alimentation, auteur de Amaro, un goût italien, aux éditions Macula. « Parler d'alimentation, de nourriture, c'est parler du monde, parce que c'est le geste le plus important de la vie, le geste alimentaire et tout ce qu'il y a autour : l'économie, la technologie, les rapports sociaux, une très bonne perspective pour regarder autour de soi ». Le livre qui a permis à Massimo Montinari de prendre conscience du goût des Italiens pour l'amer est « L'amer » d'Emmanuel Giraud, paru aux éditions Les ateliers d'Argol. Dans l'émission, aussi, Alexandre Bella Ola, le cuisinier auteur de « Les cuisines d'Afrique noire » chez First, raconte le N'dolè. Il est question de « High on the hog », la part du lion de l'historienne américaine de l'alimentation, Dr Jessica B. Harris. De santé et du corps qui s'éveille et s'ébroue après l'hiver, avec un extrait de la newsletter Substack Achillée mille vertus, de Jennifer Hart Smith, naturopathe, cuisinière et autrice, à retrouver ici Il est question à plusieurs reprises du botaniste italien Constanzo Felici. Pour aller plus loin - La cucina leggera, de Laura Zavan, éditions Hachette cuisine. - In cucina, d'Alba Pezzone. Et la musique ? L'équipe de la playlist nous propose Tive razao, de Seu Jorge.   La recette La tourte aux herbes et au parmesan, de Laura Zavan, à découvrir sur son site.

Clube dos 52
Querido Líder. "Nunca tive dificuldade em tomar decisões"

Clube dos 52

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 27:21


Inês Veloso é Global Senior Director Growth & Performance da Randstad,.Com base em Portugal, trabalha com 38 países. Tirou Direito, começou no jornalismo, mas fez carreira no marketing.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Temos de Falar
Liliana Campos na estreia do What's Up TV em podcast: “Nunca tive aquelas paragens que a maior parte dos apresentadores tem”

Temos de Falar

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 20:19


No What’s Up TV, Carolina Patrocínio esteve à conversa com Liliana Campos. A apresentadora da SIC recorda a chegada a Portugal vinda de África, numa altura em que “aquilo que se perspetivava era péssimo”, e fala dos primeiros anos vividos entre incertezas e recomeços. Ao longo da conversa, partilha também a forma inesperada como entrou na televisão: através de um simples teste de imagem, que acabou por mudar o rumo da sua vida. Num registo íntimo e emotivo, aborda ainda as perdas que a marcaram profundamente, da partida súbita do pai ao processo longo e exigente de acompanhar a doença da mãe. Experiências que a obrigaram a confrontar a dor, mas que também reforçaram a sua força e resiliência. Entrevista no Programa WHAT´S UP TV emitido em janeiro de 2026 A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA See omnystudio.com/listener for privacy information.

Conversas de Fim de Tarde
Querido Líder. "Nunca tive dificuldade em tomar decisões"

Conversas de Fim de Tarde

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 27:21


Inês Veloso é Global Senior Director Growth & Performance da Randstad,.Com base em Portugal, trabalha com 38 países. Tirou Direito, começou no jornalismo, mas fez carreira no marketing.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | PORTAS ABERTAS POR DEUS

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Feb 21, 2026 3:48


Leitura Bíblica Do Dia: APOCALIPSE 3:7-11 Plano De Leitura Anual: NÚMEROS 1–3; MARCOS 3  Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Na minha nova escola numa cidade grande, o coordenador olhou-me de cima para baixo e colocou-me na pior turma de redação. Minha escola anterior era periférica. Tive notas e resultados excelentes nas provas e recebi um prêmio de redação do diretor. No entanto, a porta para a “melhor” classe de redação fechou-se quando aquele educador julgou que eu não estava preparada ou que não era boa o bastante. A igreja da Filadélfia entenderia tais contratempos e arbitrariedades, pois era pequena e humilde, numa cidade que sofreu terremotos, danos duradouros e enfrentou oposição satânica (APOCALIPSE 3:9). Aquela igreja tão desconsiderada tinha “pouca força, mas”, como Jesus destacou, “obedeceu à [Sua] palavra e não negou [Seu] nome” (v.8). Portanto, Deus abriu diante dela “uma porta […] que ninguém pode fechar” (v.8). E realmente, “O que ele abre ninguém pode fechar, e o que ele fecha ninguém pode abrir” (v.7). Isso é verdade para nossos esforços ministeriais. Algumas portas se fecham. Mas Deus abriu portas para minha escrita devotada à Ele, permitindo que ela alcançasse uma audiência global, apesar da porta fechada por um orientador escolar anos atrás. Portas fechadas também não o impedirão, pois Jesus disse: “eu sou a porta”(JOÃO 10:9). Entremos pelas portas que Ele abrir e o sigamos!  Por: PATRICIA RAYBON 

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
Isabel do Carmo (parte 1): “No combate à ditadura tive muito medo. Mas se não resistisse, era como se morresse aos meus olhos. Perderia a dignidade”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Feb 20, 2026 78:32


É uma das mulheres de armas que ajudaram a deitar abaixo o antigo regime. Participou nas revoltas estudantis de 62 e, em 1970, fundou as Brigadas Revolucionárias com o companheiro Carlos Antunes. Viveu na clandestinidade, esteve presa duas vezes antes do 25 de Abril e, na fase do PREC, esteve 4 anos em prisão preventiva, o que a levou a fazer uma longa greve de fome. Em 2004, recebeu das mãos do Presidente Jorge Sampaio o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade. Isabel do Carmo, que é também uma das mais notáveis médicas especialistas na área de “endocrinologia, diabetes e nutrição”, revela-se optimista, mas preocupada com o futuro e considera que a ideia de liberdade ainda não serve a uma boa parte da população. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça..See omnystudio.com/listener for privacy information.

Reportagem
Nova sede da Fundação Cartier em Paris remodela olhar sobre a arte contemporânea em frente ao Louvre

Reportagem

Play Episode Listen Later Jan 28, 2026 5:39


A Fundação Cartier para a Arte Contemporânea abriu suas portas em um novo endereço em Paris, dessa vez em frente ao Louvre, com projeto do renomado arquiteto Jean Nouvel. A mostra inaugural, intitulada “Exposição Geral”, reúne cerca de cem artistas e celebra 40 anos de programação, conectando diversidade, história e cidade. O espaço transparente, com plataformas ajustáveis, cria uma experiência inédita, onde arquitetura e arte dialogam com o dinamismo cultural e artístico da capital francesa. A Fundação Cartier para a Arte Contemporânea abriu em outubro de 2025 um novo capítulo de sua história na capital francesa, dessa vez em frente ao Louvre, em um edifício reinventado pelo arquiteto Jean Nouvel. A mostra inaugural percorre quatro décadas de criação contemporânea a partir do acervo da instituição. Concebida como um diálogo entre arquitetura, cidade e memória artística, a mostra revisita o papel da Fundação na trajetória de inúmeros criadores, entre eles o francês Jean-Michel Othoniel, para quem a exposição representa “um pouco da própria juventude” e o início de um vínculo decisivo com o mundo da arte. “Essa exposição é muito emocionante para mim. Ela representa um pouco da minha juventude, da minha formação, é quem eu sou", relatou à RFI. "Tive a sorte de iniciar um diálogo com a fundação em 1988, com Marie-Claude Beaud, que me ofereceu minha primeira residência artística. Depois disso, a instituição continuou me acompanhando, adquiriu obras de diferentes períodos do meu trabalho, inclusive da época em que participei da Documenta. Em 2004, realizamos uma grande exposição, minha primeira individual em Paris, que me tornou conhecido pelo público dos museus parisienses.” O espaço projetado por Jean Nouvel aposta na transparência e na circulação livre. Cinco plataformas ajustáveis permitem acomodar obras monumentais ou intimistas, enquanto volumes tridimensionais e pontos de vista de 360 graus oferecem uma experiência inédita de observação e circulação. “Jean Nouvel desconstruiu a linearidade da história da arte”, explica Béatrice Grenier, diretora de programação da instituição. “Isso nos permite trabalhar com artistas e propor uma nova narrativa da história da arte, conectando o interior da Fundação à cidade e ao patrimônio histórico que nos rodeia.” Entre os artistas presentes estão nomes internacionais como Olga de Amaral (Colômbia), Sally Gabori (Austrália), Chéri Samba (República Democrática do Congo), Damien Hirst (Reino Unido) e Joan Mitchell (Estados Unidos).  “O objetivo era traçar um retrato da Fundação Cartier para a Arte Contemporânea em seu novo endereço, nas duas praças do Palais-Royal, em pleno coração de Paris, em frente ao Louvre e também diante de uma das mais antigas praças públicas da cidade, a Praça do Palais-Royal", destaca Garnier, que é co-curadora da exposição inaugural da nova Fundação Cartier. "A questão era justamente esta: como fazer isso? Como apresentar, ao mesmo tempo, as linhas estruturantes de uma coleção construída ao longo da programação da Fundação nos últimos 40 anos e, ao mesmo tempo, sugerir os temas que a Fundação Cartier pretende continuar defendendo no futuro de sua programação?”, sinalizou à RFI. Desconstruir a linearidade da história da arte Grenier detalha a opção estética no design do novo espaço. “O arquiteto Jean Nouvel refletiu profundamente sobre essa questão. Ele é o autor do Instituto do Mundo Árabe, [do antigo prédio] da Fundação Cartier no boulevard Raspail, inaugurado em 1994, e também concebeu o Museu do Quai Branly, além do Louvre de Abu Dhabi. Este último se insere, de certa forma, em um percurso de reflexão sobre a evolução da museografia", afirmou. "O percurso da mostra é fundamental porque Nouvel propôs um plano circular, no qual diferentes objetos, de distintas civilizações, são organizados em uma mesma linha do tempo. O que ele faz com esse edifício é justamente desconstruir a linearidade da história da arte", sublinhou Grenier. "Esse princípio aparece claramente no novo prédio da Fundação Cartier. Em vez de um espaço bidimensional, organizado por uma sucessão linear de paredes expositivas, temos volumes. Isso permite conceber exposições em espaços que oferecem pontos de vista de 360 graus sobre as obras e sobre a própria exposição.” A mudança para um endereço central permite à Fundação Cartier aproveitar o fluxo de visitantes do Louvre e se integrar a um eixo cultural estratégico da cidade, que inclui também a Comédie-Française, o Museu de Artes Decorativas e a Bourse de Commerce, onde fica a coleção privada de François Pinault. A Fundação possui hoje cerca de 4.500 obras, e a exposição rotativa apresenta aproximadamente 600 trabalhos. A "Exposição Geral" fica em cartaz na nova sede da Fundação Cartier até 23 de agosto de 2026. 

Alta Definição
Dina Aguiar: “Orgulho-me de ter uma carreira limpa, de não ter cedido a tentações. Tive convites políticos, mas fui sempre fiel ao público”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Jan 24, 2026 46:54


Depois de uma carreira de 47 anos como apresentadora da RTP, Dina Aguiar anunciou a sua saída da estação pública em outubro do ano passado. Em conversa com Daniel Oliveira, recorda os momentos mais difíceis enquanto mãe numa área que “exige muito” e que nem sempre deixa espaço para a vida pessoal. Mas, neste episódio de Alta Definição, o testemunho vai muito além do lado profissional. Dina Aguiar revisita a infância rural, a exigência dos pais, uma carreira longe da ribalta e a experiência da maternidade. Com serenidade, fala de desapego, aceitação do destino e da importância de amar sem prender. Entre memórias, perdas e reencontros, partilha uma filosofia que com os anos foi desenvolvendo, assente na gratidão e na consciência. Acredita que a adversidade da sua infância moldou uma mulher resiliente, livre e profundamente ligada ao presente. “Quando temos este estado de consciência e maturidade, atraímos as pessoas certas. Não vale a pena forçar”, aconselha. Uma conversa sobre envelhecer, perdoar e viver com leveza. Já sobre o futuro profissional, quando Daniel Oliveira questiona se a comunicação e o jornalismo já pertencem apenas ao seu passado, a apresentadora responde sem hesitar: “Não. Ainda há algumas hipóteses, mas só depois de março é que posso falar sobre elas. Só não as vou enfrentar com a mesma intensidade, a idade não permite”, admite. Este episódio foi emitido na SIC a 24 de janeiro, ouça aqui a versão podcast. A sinopse foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

The Logistics of Logistics Podcast
Vanity Metrics Don't Move Freight: Building Real Pipeline in Freight-Tech with Jim Waters

The Logistics of Logistics Podcast

Play Episode Listen Later Jan 22, 2026 60:29


In "Vanity Metrics Don't Move Freight: Building Real Pipeline in Freight-Tech", Joe Lynch and Jim Waters, Fractional CMO and Founder of FreightTech (marketing), discuss how marketing must shift from a tactical cost center to a strategic operating system that drives real revenue. About Jim Waters Jim Waters is a Boston-based B2B marketing executive with a proven track record of building robust sales pipelines. His passion lies in driving meaningful conversations, understanding customer pain points, and creating compelling content that generates active pipeline velocity. A results-driven innovator, Jim was an early employee at both FRAYT and Tive, where he spearheaded Global Marketing. Jim's entrepreneurial spirit led him to build successful marketing teams at Coveo, (CVO.TO), FAST (MSFT) and StreamServe (NASDAQ: OTEX). He earned an MBA from Northeastern University and is now Founder of FreighTech Advisors fractional CMO and advisor services to companies in the Logistics Technology industry. About FreighTech FreighTech is a company that delivers fractional CMO consulting, content development, marketing and advisory services specifically to logistics technology businesses. The company was founded in 2023 by Jim Waters, a logistics and supply chain marketing veteran. Key Takeaways: Vanity Metrics Don't Move Freight: Building Real Pipeline in Freight-Tech In "Vanity Metrics Don't Move Freight: Building Real Pipeline in Freight-Tech", Joe Lynch and Jim Waters, Fractional CMO and Founder of FreightTech (marketing), discuss how marketing must shift from a tactical cost center to a strategic operating system that drives real revenue. FreighTech's Specialization: Founded in 2023, FreighTech provides fractional CMO consulting and marketing advisory services specifically for logistics technology businesses. Jim Waters leverages his deep industry experience (having scaled companies like Tive and Frayt) to help growth-stage startups turn marketing from a cost center into a revenue-generating engine without the overhead of a full-time executive. Marketing as a Portfolio: Jim argues that marketing should be treated as an investment portfolio, not a one-off cost. Just like a financial portfolio or a fitness routine, it requires time and consistency. Companies often fail because they "micromanage" their marketing, expecting an immediate ROI within two weeks, rather than allowing for the 6–9 month cycle often required to see real pipeline growth. The Death of the Cold Call and the Rise of "Stalking": The traditional sales model of making 100 cold calls a day is losing effectiveness because buyers now screen calls and conduct their own research online. Joe and Jim discuss how the buying process starts long before the sales process, with potential customers "stalking" a company's content on LinkedIn, YouTube, and podcasts for up to a year before ever engaging with a salesperson. Navigating the 2026 Visibility Shift (SEO, GEO, and AEO):  Visibility in 2026 requires more than just traditional Search Engine Optimization (SEO). Jim introduces two critical new concepts: GEO (Generative Engine Optimization): Ensuring your brand is cited by AI engines like ChatGPT and Gemini as a subject matter expert. AEO (Answer Engine Optimization): Structuring content to directly answer binary buyer questions (e.g., "How do I improve ROI in logistics marketing?"). The "Revenue Engine Blueprint" Basics: Before scaling, companies must master the basics. Jim emphasizes that a "blueprint" requires a clear understanding of the Total Addressable Market (TAM) and a refined Ideal Customer Profile (ICP). Without knowing exactly who you solve problems for, adding expensive tech stacks like Salesforce or HubSpot is simply "accelerating into a wall." The Danger of "Chainsaw" Customers: Jim shares a cautionary tale from his time at Tive about a salesperson wanting to tape a high-end tracker to a chainsaw to prevent theft. While any revenue is tempting, Jim warns that chasing customers outside your ICP is not repeatable or scalable. True growth comes from "niching down" to focus on fans and specific verticals (like Pharma or Cold Chain) rather than trying to be everything to everyone. Multiplying Reach through a Distribution Engine: Content is only half the battle; the other half is a distribution engine. This involves using a "one-to-many" strategy—leveraging partners, PR, and podcasts to amplify a single piece of high-quality thought leadership. By turning one conversation into video clips, articles, and social posts, companies build the authenticity and trust necessary for modern freight-tech sales. Learn More About Vanity Metrics Don't Move Freight: Building Real Pipeline in Freight-Tech Jim Waters | Linkedin FreighTech | Linkedin FreighTech Driving Sales Pipeline with Jim Waters | The Logistics of Logistics The Key to Effective Last Mile Delivery with Jim Waters | The Logistics of Logistics Every Shipment Matters With Jim Waters | The Logistics of Logistics The Logistics of Logistics Podcast If you enjoy the podcast, please leave a positive review, subscribe, and share it with your friends and colleagues. The Logistics of Logistics Podcast: Google, Apple, Castbox, Spotify, Stitcher, PlayerFM, Tunein, Podbean, Owltail, Libsyn, Overcast Check out The Logistics of Logistics on Youtube

Alta Definição
Carlos M. Cunha: “Quando não tens nada, não tens nada a perder. Foi quando me senti mais livre, não ser escravo de coisa nenhuma. Esse foi o maior ensinamento que tive”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Jan 17, 2026 57:48


Ator e improvisador, Carlos Cunha é convidado de Daniel Oliveira neste Alta Definição em podcast, onde revisita a sua história pessoal, fala da infância vivida no meio rural, marcada pela liberdade, pela natureza e por uma forte ligação à família. Nesta longa conversa intimista, Carlos Cunha destaca a educação exigente da mãe, a influência determinante dos mais velhos e os valores de honestidade, trabalho e perseverança que o moldaram desde cedo. O ator recorda a escola como espaço de descoberta, mas também de confronto, e explica como percebeu cedo que teria de construir o seu próprio caminho. Fala do medo de falhar, da responsabilidade de formar família e da relação profunda com a filha, que assume como referência pessoal. Ao longo da conversa com Daniel Oliveira, emitida na SIC a 17 de janeiro, Carlos Cunha sublinha a importância da resiliência, da curiosidade e da capacidade de adaptação, traçando o retrato de um percurso feito de escolhas difíceis, trabalho persistente e fidelidade às origens.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Julgo pela Capa
#98 "Vamos julgar" c/ Ana Reis

Julgo pela Capa

Play Episode Listen Later Jan 17, 2026 39:32


Redes sociais, consumismo, livros favoritos e muito mais

Brasil-Mundo
De Santos para Hollywood: brasileira trabalhou nos efeitos visuais de Avatar 2 e 3 ao lado de James Cameron

Brasil-Mundo

Play Episode Listen Later Dec 20, 2025 6:40


Quando Avatar chegou aos cinemas em 2009, não foi apenas um sucesso de bilheteria, foi um divisor de águas na história do cinema. Entre os profissionais responsáveis por dar vida ao universo azul está Mel Quintas, uma brasileira que trabalhou por oito anos diretamente na construção dos efeitos visuais de Avatar 2 e Avatar 3. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles O filme de James Cameron não apenas se tornou o mais lucrativo de todos os tempos – tendo alcançado quase US$ 3 bilhões em bilheteria –, mas também redefiniu os limites dos efeitos visuais e da tecnologia cinematográfica. Agora, com a estreia de Avatar: Fogo e Cinzas, o público volta a Pandora sabendo que, por trás de uma história, há também um espetáculo visual, criado por Cameron e, claro, com o apoio de toda uma equipe criativa que põe em prática as ideias do gênio. Para Mel, tudo começou em 2009, quando ela viu o primeiro filme da saga: “Eu falei, literalmente, ‘é nesse tipo de filme que eu quero trabalhar, nesse tipo de universo'. Eu queria viver naqueles mundos, poder criá-los e trazer entretenimento também para as pessoas”, revelou Mel em entrevista exclusiva à RFI, direto de Hollywood. Na época, ela tinha 18 anos, vivia em Santos e estava se formando no ensino médio. Mesmo ouvindo de professores que deveria “fazer um teste vocacional para seguir um sonho realista e se inscrever no vestibular no Brasil”, a jovem arrumou as malas e partiu para a faculdade de Animação em Orlando. Cidade que logo também ficou pequena para os planos dela, que queria chegar a Hollywood. “Eu sabia que era o lugar certo para estar se eu quisesse seguir nessa carreira. E, graças a Deus, deu tudo muito certo. Uma coisa foi levando à outra coisa. Tive muita sorte mesmo”, conta. Currículo impressionante da brasileira Em Hollywood, logo o primeiro filme em que Mel trabalhou, Invocação do Mal (2013), já foi sucesso de bilheteria, em seguida foi uma superprodução atrás da outra. “No início, eu trabalhei mais na parte de conversão dos filmes para 3D. Na época, era o grande boom. Todo mundo queria fazer todos os filmes em 3D. Eles filmavam em 2D e aí convertíamos para 3D. Trabalhei em Homem de Ferro 3, Guardiões da Galáxia, Star Trek, Star Wars, Planeta dos Macacos, X-Men”, enumera Mel. Mas a lista é bem mais longa. Em 13 anos em Hollywood, a santista já acumula impressionantes 40 filmes no currículo, entre eles alguns dos campeões de bilheteria da última década, e a jornada a Pandora, da qual ela participou nos últimos oito anos. “O mais importante é acreditar. Não deixe que digam para você ser mais realista. Para sair da realidade em que você está, primeiro você precisa acreditar que pode viver em outra”, afirma. Avatar e James Cameron Em Avatar, Mel integrou a equipe responsável por criar as sequências do filme. Na prática, isso significa participar da construção do longa desde a pré-produção. “No nosso caso, era um negócio bem abrangente, porque a gente tinha que fazer de tudo. Estávamos montando o filme, literalmente montando o escopo do filme para ele se tornar alguma coisa. Esse processo começa desde a pré-produção, que a gente chama de pré-visualização de algumas cenas do filme, imaginando como vai ser essa sequência de ação. Uma animação mais rápida, não uma renderização final. Isso inclui capturar os atores no set para ver se estava dando certo, montar as cenas e gravar com câmeras virtuais”, explica.   As filmagens começaram em 2017, com regravações, ajustes e trabalho contínuo no departamento do qual Mel fez parte até julho de 2025. A brasileira trabalhou em grande parte das sequências do longa, que tem 3h17min de duração, e acompanhou de perto cada detalhe. Ela fez parte de uma equipe de cerca de 30 pessoas dentro da Lightstorm Entertainment, produtora de James Cameron. E estar nos projetos de Avatar 2 e 3 também significou conviver de perto com o cineasta, considerado um dos mais importantes e visionários da atualidade. “Ele é um gênio. Mais do que isso: ele explica tudo o que está fazendo. Ele gosta de ensinar”, diz Mel. “É uma aprendizagem que vale mais do que qualquer faculdade. Estar perto de uma pessoa assim é surreal. Foi como uma faculdade diária.” Do sonho adolescente ao Oscar O sonho que virou realidade já veio acompanhado de um Oscar. Avatar: O Caminho da Água (2022) venceu o prêmio de Melhores Efeitos Visuais. “No dia seguinte ao prêmio, eu fui dar parabéns ao meu supervisor, que foi quem recebeu o Oscar, e ele me disse: ‘Esse prêmio é de todos nós; não existe esse prêmio sem vocês'. Acho que a gente não recebe esse reconhecimento em todos os lugares; aqui tem muito disso”, diz a brasileira. E tudo indica que a equipe vai estar, de novo, na festa do Oscar em 15 de março de 2026. O filme que estreou nesta semana nos cinemas brasileiros acaba de aparecer na lista dos dez pré-selecionados para disputar - novamente - na categoria de Melhores Efeitos Visuais. “Eu estou feliz que faço parte de algo tão grandioso com uma história sobre família e que a gente pode celebrar juntos todos esses anos de trabalho. Sempre tem momentos altos e baixos, mais altos. Mas é bom poder ser recompensada de alguma forma. Não é nem sobre ganhar o prêmio, mas saber que a gente fez parte disso e chegamos lá”, conclui Mel Quintas.

Culture en direct
Critique musique : La co[opéra]tive ressuscite "Cendrillon", le bijou de Pauline Viardot retrouve ainsi la scène

Culture en direct

Play Episode Listen Later Dec 1, 2025 15:58


durée : 00:15:58 - Les Midis de Culture - par : Marie Labory - La co[opéra]tive ressuscite le "Cendrillon" de Pauline Viardot dans une version lumineuse mise en scène par David Lescot et dirigée au piano par Bianca Chillemi, pour une large tournée accessible à tous les publics. - réalisation : Laurence Malonda - invités : Zoé Sfez Productrice de La Série musicale sur France Culture; Emmanuelle Giuliani Journaliste à La Croix

Podcast do Ladeira
Ep. 374 - Fiz atendimentos, 3 vendas. 100% de conversão

Podcast do Ladeira

Play Episode Listen Later Nov 2, 2025 46:18


O principal bloqueio dos empreendedores, sejam eles iniciantes ou já estabelecidos (como a Liz e o Yuri), não é a falta de produto ou mercado, mas sim a paralisia causada pela confusão e pelo medo.Conhecimento é o ativo mais valioso, e a estrutura para vendê-lo em escala é o caminho para a verdadeira riqueza.Além da consultoria gratuita, esse episódio é uma completa aula de vendas. Tive 100% de conversão. Ouça até o final e se surpreenda. Se inscreva na Ultra Black Friday Infinita:http://vtsd.com.br/quero-bf-ep374 Me siga no Instagram:https://bit.ly/Insta-Leandro-LadeiraConheça o canal principal:https://bit.ly/Canal-Metodo-VTSDOuça nosso podcast:https://bit.ly/Podcast-do-Ladeira-no-Spotify

Boletim de Tecnologia
Affinity do Canva grátis; 10 anos de NewPipe; Senhas vazadas do Gmail

Boletim de Tecnologia

Play Episode Listen Later Nov 1, 2025 16:32


Estadão Notícias
Satisfatório para o Brasil. Ótimo para Lula. Péssimo para o bolsonarismo | Estadão Analisa

Estadão Notícias

Play Episode Listen Later Oct 27, 2025 46:04


No “Estadão Analisa” desta segunda-feira, 27, Carlos Andreazza fala sobre o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que disse nesta segunda-feira, que em breve não haverá mais problemas entre EUA e Brasil. Lula ainda não conseguiu convencer Trump a pausar o tarifaço sobre as exportações brasileiras, o que deve seguir para um período de negociação mais longo. “Tive uma boa impressão de que logo logo não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil”, disse Lula. “Estou convencido de que em poucos dias teremos uma solução definitiva entre EUA e Brasil”. Assine por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao conteúdo do Estadão.Acesse: https://bit.ly/oferta-estadao O 'Estadão Analisa' é transmitido ao vivo de segunda a sexta-feira, às 7h, no Youtube e redes sociais do Estadão. Também disponível no agregador de podcasts de sua preferência. Apresentação: Carlos AndreazzaEdição/Produção: Jefferson PerlebergCoordenação: Leonardo Cruz e Everton OliveiraSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Bate Pé
KIKO IS HOT - "Nunca tive uma relação amorosa"

Bate Pé

Play Episode Listen Later Oct 26, 2025 56:38


Alguém melhor para se sentar à nossa frente do que Kiko is Hot? Para nós não. Uma daquelas conversas macacas que estão habituados mas com alguém que entra connosco na macacada. Falamos de histórias antigas, de não conseguir manter amizades, da vibe dos 30 anos, sonhos impossíveis, rebranding, relações que evoluem e muitos ataques de riso. Obrigada ao Kiko por esta conversa sincera e leve. REDES SOCIAISMafalda Castro: https://www.instagram.com/mafaldacastroRui Simões: https://www.instagram.com/ruisimoes10Bate Pé instagram: https://www.instagram.com/batepeclipsBate Pé Tiktok: https://www.tiktok.com/@bate.pe#Kikoishot#MafaldaCastro#RuiSimõesAPOIOSEste podcast tem o apoio do ActivoBank

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz
“Francisco Pinto Balsemão foi o melhor patrão que tive até hoje. À frente do grupo estava alguém que tinha o jornalismo como primeiro e único objetivo”

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz

Play Episode Listen Later Oct 21, 2025 1:23


Em declarações em direto à SIC por telefone, Miguel Sousa Tavares recorda o papel de Francisco Pinto Balsemão, fundador do Expresso e da SIC falecido hoje aos 88 anos, no jornalismo em Portugal e na liberdade de imprensa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

TransLash Podcast with Imara Jones
Transgender Ideology-Inspired Violence and Extremism (TIVE)

TransLash Podcast with Imara Jones

Play Episode Listen Later Oct 16, 2025 58:28


Last month, reports surfaced that the FBI is considering a new domestic terrorism category: “Transgender Ideology-Inspired Violence and Extremism,” or TIVE. In today's episode, Imara unpacks what that means—and why it's so dangerous. First, Dr. Cynthia Miller-Idriss lays out the state of violent extremism across the political spectrum and why the far-right has turned trans people into scapegoats. Then, R.G. Cravens from the Southern Poverty Law Center discusses how a TIVE designation could create permission structures for white supremacist and anti-LGBTQ violence. Despite their dire warnings, both guests also share where they're finding hope in the fight against domestic violent extremism and disinformation.Check out Season 3 of the Anti-Trans Hate Machine here.Send your trans joy recommendations to translash_podcast @ translash [dot] org Follow TransLash Media @translashmedia on TikTok, Instagram, Threads, Bluesky, X, and Facebook.Follow Imara Jones on Instagram (@Imara_jones_), Threads (imara_jones_), Bluesky (imarajones.bsky.social), X (@ImaraJones)TransLash Podcast is produced by TransLash Media. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Alta Definição
Eduardo Sá: “Ensinei toda a minha vida o sistema nervoso. Quando desmaiei e tive o azar de fraturar a coluna percebi o que tinha em mãos, fiquei absolutamente imóvel”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Oct 11, 2025 56:32


Eduardo Sá, psicólogo clínico e psicanalista, é o convidado de Daniel Oliveira no Alta Definição. Recorda a infância e o sonho de ser escritor, até que uma professora o fez despertar para a psicologia. Com vários livros publicados sobre educação, acredita que um bom pai é “alguém que faz uma asneira de oito em oito horas, um bocado como os antibióticos”. “Os pais às vezes educam as crianças para serem grandes, quando as deviam educar para serem capazes de crescer”, reforça o psicólogo, que aponta ser essencial as crianças brincarem. Durante a pandemia, um acidente em casa fez com que ficasse numa cadeira de rodas. “Fiz questão de ter alta numa sexta-feira 13. É uma maneira de dizer: ‘Se isto foi uma questão de azar, vamos ver quem manda nisto’”, afirma Eduardo Sá. O psicólogo critica ainda a falta de acessibilidade que existe por todo o país para quem está numa cadeira de rodas. Ouça a conversa intimista no Alta Definição, em podcast, emitido na SIC a 11 de outubro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
Kiko is Hot (parte 2): “Nunca tive escolha de só fazer rir sem levantar punho sobre questões fraturantes porque nunca encaixei num molde”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Oct 11, 2025 56:46


Nesta segunda parte da conversa do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, o apresentador, influencer e criador de conteúdos Kiko is Hot fala do tempo excessivo que ele e muitas pessoas da sua geração passam agarradas ao ecrã num scroll infinito, reflete sobre o impacto que isso tem na saúde mental e revela que foi diagnosticado há uns anos com uma depressão que tem tratado com terapia e medicação. “Ajudou-me a sair de um lugar muito difícil.” E aqui revela sobre como olha para o seu futuro e o programa de rádio que este ano irá conduzir na Cidade FM. Depois partilha as músicas que o acompanham, lê um excerto de um texto que o tocou em particular e deixa algumas sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

The Logistics of Logistics Podcast
How Tive is Making Supply Chain Safer and Smarter with Richie Daigle

The Logistics of Logistics Podcast

Play Episode Listen Later Sep 23, 2025 60:23


In “How Tive is Making Supply Chain Safer and Smarter”, Joe Lynch and Richie Daigle, Enterprise Account Executive at Tive, discuss how Tive's comprehensive solution of hardware, software, and 24/7 monitoring provides real-time, end-to-end visibility for sensitive and high-value cargo to prevent theft, damage, and spoilage through data-driven decisions and proactive intervention. About Richie Daigle Richie Daigle has an extensive experience in the transportation and supply chain data visibility space—from podcast host to blog writer to all-around industry resource. Richie actively listens to what his customers need and helps them identify the best use case to suit their needs. Prior to Tive, Richie was the SONAR Enterprise Account Executive at FreightWaves, where he was the only account executive to meet quota two years in a row. In his younger days, Richie was a pitcher in the San Diego Padres system: from 2005 until 2008, he played for the Lake Elsinore Storm (CA) and Portland Beavers in the minor leagues. The skills he learned playing baseball—including character traits such as honesty, integrity, loyalty, perseverance, self-control, and personal initiative—continue to drive Richie to this day. About Tive Founded in 2015, Tive is the global leader in supply chain and logistics visibility solutions. More than 1,000 global shippers, logistics service providers, and retailers use Tive to monitor shipment location and condition in real time, gain actionable insights, and ensure end-customer satisfaction. Tive's cloud platform, patented sensor technology, and 24/7 Live Monitoring services reduce excursions and delays, minimize rejected loads, and decrease theft, damage, and spoilage. Customers count on Tive to ensure that shipments are delivered on time and in full—because every shipment matters. For more information, visit www.tive.com. Key Takeaways: How Tive is Making Supply Chain Safer and Smarter Focus on Sensitive and High-Value Cargo: Tive's solutions are tailored for industries where shipment integrity is critical, including perishable goods like produce, pharmaceuticals, and high-value freight that is susceptible to theft. Comprehensive Condition Monitoring: The Tive tracker goes beyond location tracking to provide crucial data on the environmental conditions of a shipment, including temperature, humidity, shock/drop, and light. Proactive Security: Instead of just reacting to issues, Tive's layered solution provides real-time alerts that allow businesses to intervene and prevent problems—like theft, spoilage, or damage—before they escalate. The Tive Solution is a Trio of Components: Tive provides a complete solution that combines three essential elements: compact tracker hardware, a robust cloud-based software platform for insights, and a dedicated team for 24/7 live monitoring. Preventing Cargo Theft: By providing continuous visibility, data, and proactive alerts, Tive's solutions are a powerful tool against cargo theft, helping to identify suspicious activity and deter criminals. End-to-End Visibility: The combination of hardware, software, and live monitoring ensures a comprehensive, end-to-end view of the shipment's entire journey, from origin to destination. Empowering Data-Driven Decisions: The data collected by Tive's sensors gives businesses the insights needed to make informed decisions, optimize their supply chains, and improve overall operational efficiency. Learn More About Supply Chain Safer and Smarter with Richie Daigle Richie Daigle | Linkedin Tive | Linkedin Tive The State of Visibility 2025 report How Pharma Supply Chain Leaders are Mitigating Rising Security Risks with Visibility Technology The Logistics of Logistics Podcast If you enjoy the podcast, please leave a positive review, subscribe, and share it with your friends and colleagues. The Logistics of Logistics Podcast: Google, Apple, Castbox, Spotify, Stitcher, PlayerFM, Tunein, Podbean, Owltail, Libsyn, Overcast Check out The Logistics of Logistics on Youtube  

Beercast Brasil
BC#613 – Valentine Mangez, Cônsul Geral da Bélgica em São Paulo

Beercast Brasil

Play Episode Listen Later Sep 9, 2025 37:15


Tive a grande honra de visitar a residência consular da Bélgica em São Paulo para entrevistar simpaticíssima Cônsul Geral, Valentine Mangez. Com a participação de Marcel Ocampo, falamos a respeito dos trabalhos inerentes a diplomacia e, claro, sobre cerveja.

PVD Horror
Cogn-AI-tive - Interview with filmmaker Tommy Savas

PVD Horror

Play Episode Listen Later Aug 20, 2025 28:41


Send us a textDirector, writer, producer, and actor Tommy Savas joins us to discuss his upcoming film, Cogn-AI-tive, which will be premiering at FrightFest in London this August. The horror/thriller explores some of the dangers of AI which we dig into as well as Tommy's studio Reckless Content, his acting career, and what it's like to work with your spouse.  Follow us on Social Media: @pvdhorror Instagram, X, TikTok, FacebookWatch us on YouTube: www.youtube.com/@pvdhorrorSpecial thanks to John Brennan for the intro and outro music. Be sure to find his music on social media at @badtechno or the following:https://johnbrennan.bandcamp.com

Without Your Head
Without Your Head : FRIGHTFEST's director Tommy Savas "Cogn-AI-tive"

Without Your Head

Play Episode Listen Later Aug 19, 2025 64:24


Without Your Head Podcast with host Nasty Neal and Tommy Savas director of Cogn-AI-tive premiering at Frightfest!

O Antagonista
Cortes do Papo - Jair Bolsonaro interfere porque precisa de Tarcísio

O Antagonista

Play Episode Listen Later Jul 16, 2025 9:57


Após reclamar da postura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no caso do ‘tarifaço', o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) mudou o tom em relação ao ex-ministro:“Tive uma boa e longa conversa agora com o governador Tarcísio de Freitas intermediada pelo Paulo Figueiredo. De lado a lado foram expostos pontos de vista e a conclusão de que ambos atuam na melhor das intenções do interesse dos brasileiros.Visões de mundo diferentes são normais e saudáveis, bem como esta comunicação direta. Vamos adiante debater o que interessa”, afirmou Eduardo no X. Na terça-feira, 15, Bolsonaro já havia dito que estava tudo “pacificado” entre Eduardo e Tarcísio.Felipe Moura Brasil, Duda Teixeira e Dennys Xavier comentam:Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do   dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.     Apresentado por Felipe Moura Brasil, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade.     Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.     Ao vivo de segunda a sexta-feira às 18h.    Apoie o jornalismo Vigilante: 10% de desconto para audiência do Papo Antagonista  https://bit.ly/papoantagonista  Siga O Antagonista no X:  https://x.com/o_antagonista   Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais.  https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344  Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br 

Quem Ama Não Esquece
A FILHA QUE EU NUNCA TIVE - HISTÓRIA DO IGOR | QUEM AMA NÃO ESQUECE 10/07/2025

Quem Ama Não Esquece

Play Episode Listen Later Jul 10, 2025 20:39


O Igor se apaixonou pela Lara e o namoro era intenso, mas com o tempo, ela passou a pressionar por casamento e filhos, enquanto ele só queria viver o presente. As brigas foram aumentando, até que o relacionamento chegou ao fim. Igor sofreu, mas acabou conhecendo a Luiza, que o ajudou a se reencontrar. Eles estavam bem, até que ex reapareceu grávida e dizendo que o filho era dele. O Igor ficou confuso, terminou com a Luiza e voltou com a Lara, decidido a tentar formar a família que ela sempre quis. Quando a filha nasceu, ele se entregou por completo, mas semanas depois, veio a verdade: a menina não era dele. O Igor perdeu tudo de novo, o amor, a paz e a confiança e hoje está completamente sozinho, sem Luíza, sem sua família, sem nada…

Quem Ama Não Esquece
EU TIVE UM CASO SECRETO - RAFAEL | QUEM AMA NÃO ESQUECE 19/06/2025

Quem Ama Não Esquece

Play Episode Listen Later Jun 19, 2025 19:56


O Rafael ficou com a Júlia no passado, mas os dois terminaram e seguiram suas vidas. Mais tarde, o seu melhor amigo disse que estava namorando ela e depois que eles iriam se casar. Por ser próximo, Rafael foi chamado para padrinho, só que, no dia do casamento, a Júlia bebeu demais e acabou dando um beijo nele. Depois de trair o melhor amigo, eles passaram a se encontrar escondidos e ambos não conseguiam se afastar. Tudo acabou quando ela ficou grávida, além da dúvida de quem era o pai, o amor deles acabou depois que a criança nasceu. Hoje, ele não se falam, mas Rafael carrega para sempre o peso da traição e do amor proibido.

FreightCasts
WHAT THE TRUCK?!? EP847 Autonomous vehicles enter the protest; UNFI cyberattack; tracking freight theft

FreightCasts

Play Episode Listen Later Jun 9, 2025 45:31


On Episode 847 of WHAT THE TRUCK?!?, Dooner is talking about a cyberattack that currently has truckers stuck at United Natural Foods (UNFI), one of America's largest food distributors. How much will it hurt the food supply chain? Autonomous Waymos are being exploited in Los Angeles by protesters who summon them then set them on fire. We'll look at whether autonomous trucks will be exploitable in the future.  According to CargoNet, freight thefts were up 27% from 2023 to 2024. Tive's Richie Daigle stops by the studio to talk about how the company's trackers are recovering stolen loads. Train travel has really fallen off this century, but a new company has eyes on making it great again. Dreamliner's Joshua Dominic tells us about a luxury overnight train from Los Angeles to San Francisco that the company plans to launch prior to the 2028 Olympics. Plus, FMCSA ends DEI rules for CDLs; project44's ambitious new plan; and more.  Catch new shows live at noon EDT Mondays, Wednesdays and Fridays on FreightWaves LinkedIn, Facebook, X or YouTube, or on demand by looking up WHAT THE TRUCK?!? on your favorite podcast player and at 5 p.m. Eastern on SiriusXM's Road Dog Trucking Channel 146. Watch on YouTube Check out the WTT merch store Visit our sponsor Subscribe to the WTT newsletter Apple Podcasts Spotify More FreightWaves Podcasts Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

What The Truck?!?
Autonomous vehicles enter the protest; UNFI cyberattack; tracking freight theft

What The Truck?!?

Play Episode Listen Later Jun 9, 2025 45:31


On Episode 847 of WHAT THE TRUCK?!?, Dooner is talking about a cyberattack that currently has truckers stuck at United Natural Foods (UNFI), one of America's largest food distributors. How much will it hurt the food supply chain? Autonomous Waymos are being exploited in Los Angeles by protesters who summon them then set them on fire. We'll look at whether autonomous trucks will be exploitable in the future.  According to CargoNet, freight thefts were up 27% from 2023 to 2024. Tive's Richie Daigle stops by the studio to talk about how the company's trackers are recovering stolen loads. Train travel has really fallen off this century, but a new company has eyes on making it great again. Dreamliner's Joshua Dominic tells us about a luxury overnight train from Los Angeles to San Francisco that the company plans to launch prior to the 2028 Olympics. Plus, FMCSA ends DEI rules for CDLs; project44's ambitious new plan; and more.  Catch new shows live at noon EDT Mondays, Wednesdays and Fridays on FreightWaves LinkedIn, Facebook, X or YouTube, or on demand by looking up WHAT THE TRUCK?!? on your favorite podcast player and at 5 p.m. Eastern on SiriusXM's Road Dog Trucking Channel 146. Watch on YouTube Check out the WTT merch store Visit our sponsor Subscribe to the WTT newsletter Apple Podcasts Spotify More FreightWaves Podcasts Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Inglês Todos os Dias
Se ao menos… | Inglês Todos os Dias #618

Inglês Todos os Dias

Play Episode Listen Later Apr 1, 2025


Tive que ouvir os conselhos de um coach de relacionamentos para poder te ensinar a dica no mini-podcast de hoje: Como dizer “se ao menos” em inglês. Veja se você já conhece a estrutura gramatical usada para expressar essa ideia em inglês. FRASES NO MINI PODCAST DE HOJE: They would be an amazing partner if […] The post Se ao menos… | Inglês Todos os Dias #618 appeared first on Domine Inglês.

The Freight Pod
Ep. #58: Krenar Komoni, CEO & Founder of Tive

The Freight Pod

Play Episode Listen Later Mar 18, 2025 88:16 Transcription Available


Andrew welcomes Krenar Komoni, CEO and founder of Tive, to The Freight Pod. Krenar left Kosovo at 17 years old to pursue his education in the U.S., but the aspiring entrepreneur knew he'd be back one day to create jobs in his home country. Krenar went on to earn degrees in computer engineering, math, and electrical engineering and discovered a passion for radio frequencies and wireless communication systems. But it was his father-in-law's trucking company and the constant tracking calls — where's the truck? Will it be on time? — that led Krenar to build him a GPS tracker. And that's how Tive started in 2015. Today, Tive supports more than 900 customers from its offices in Norway, Mexico, South Africa, Boston — and Kosovo.In this episode, Krenar also shares:The early days of Tive: bootstrapping, landing the first customer, and building Tive's innovative trackers.Tive's near-collapse in 2019 and the moment that turned things around.Building a global, remote team and culture across Tive's offices.The biggest mistakes a CEO or founder can make, Krenar's advice for founders and entrepreneurs, the journey to product-market fit, and how Tive has built a moat around its tracking capabilities.Krenar's vision for the future of visibility and AI, and what's next for Tive.Follow The Freight Pod and host Andrew Silver on LinkedIn.*** This episode is brought to you by Rapido Solutions Group. I had the pleasure of working with Danny Frisco and Roberto Icaza at Coyote, as well as being a client of theirs more recently at MoLo. Their team does a great job supplying nearshore talent to brokers, carriers, and technology providers to handle any role necessary, be it customer or carrier support, back office, or tech services. Visit gorapido.com to learn more. *** A special thanks to our additional sponsors: Cargado – Cargado is the first platform that connects logistics companies and trucking companies that move freight into and out of Mexico. Visit cargado.com to learn more. Greenscreens.ai – Greenscreens.ai is the AI-powered pricing and market intelligence tool transforming how freight brokers price freight. Visit greenscreens.ai/freightpod today! Metafora – Metafora is a technology consulting firm that has delivered value for over a decade to brokers, shippers, carriers, private equity firms, and freight tech companies. Check them out at metafora.net. ***

The VentureFizz Podcast
Episode: 369: Krenar Komoni - CEO & Founder, Tive

The VentureFizz Podcast

Play Episode Listen Later Feb 16, 2025 54:05


Episode 369 of The @Venturefizz Podcast features Krenar Komoni, CEO & Founder of Tive. The question: “What led you down the path to start this company?” is always interesting, as you never know what ultimately inspired the entrepreneur. It could be years of experience working in an industry, maybe it is a personal experience, or it could be a tremendous amount of research to find a problem that's worth solving… or in the case of Krenar and Tive, it could be your family as the idea stems from his father-in-law's trucking company and the manual process of located its drivers. From Krenar's point of view, it is a problem that could be fixed with a tracking system and oh… it is a problem that Krenar just happens to be uniquely qualified to solve based on his expertise and background with wireless connectivity, hardware, and chipsets. Fast forward to today, Tive is a leading provider of supply chain and logistics visibility technology. Trusted by over 900 customers, the company recently announced a $40M Series C round of funding led by WiL (World Innovation Lab) and Sageview Capital. Chapters 00:00 Intro 02:23 Advice for Raising Follow On Rounds of Venture Capital 08:47 Krenar's Background Story in Kosovo 11:11 Landing in Vermont & Experience at Startups 19:45 Background Story of Tive 23:32 Industry Trends 25:22 Naming the Company 28:25 Landing First Customers 30:50 Early GTM Approach & Learning from the Sales Team 36:08 Picking the Right Industry Vertical 43:19 The Latest at Tive 46:35 The Question that Entrepreneurs Need to Ask Themselves. 48:09 The Culture at Tive 48:20 New Chapter 50:06 Apps & Book Recommendations