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Reportagem
‘Aqui não há percepção de que a mulher pode jogar futebol', diz brasileira que atua na Arábia Saudita

Reportagem

Play Episode Listen Later Mar 6, 2026 7:20


Os tradicionais centros do futebol mundial ganharam um concorrente nos últimos anos. As atenções não estão mais divididas apenas entre sul-americanos e europeus. A Arábia Saudita, que vai sediar a Copa do Mundo de 2034, surge como um dos principais mercados emergentes do futebol. O país tem atraído cada vez mais jogadores estrangeiros: Roberto Firmino, Cristiano Ronaldo, Benzema e Sadio Mané são alguns dos principais nomes que desfilam seus talentos em gramados árabes. Marcio Arruda, da RFI em Paris Mas o país não chama a atenção somente de jogadores da modalidade masculina. O campeonato feminino tem atraído cada vez mais mulheres estrangeiras. A liga feminina, chamada de Saudi Women's Premier League, reúne atualmente oito clubes; e seis contam com brasileiras em seus elencos. Uma delas é a mineira Letícia Nunes, que ainda busca seu espaço na seleção brasileira. Enquanto sonha em ser chamada pelo técnico do Brasil, Arthur Elias, a atacante de 28 anos tem se firmado como uma das principais jogadoras do Al-Ittihad Jeddah. Em entrevista ao jornalista da RFI, Marco Martins, a jogadora destacou o bom momento que vive no futebol. “Já é minha segunda temporada aqui na Arábia Saudita. Eu venho de uma temporada boa no ano passado, quando fiz muitos gols. Na atual temporada, o grupo encaixou melhor e temos tido mais vitórias e mais empates, que tem sido um pouco diferente da passada. Acredito que o futebol saudita está numa evolução. Como o grupo está melhorando, o individual também melhora”, afirmou Letícia. Leia tambémBrasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina de futebol em 2027 Na última rodada do campeonato saudita, o Al-Ittihad Jeddah venceu o Al-Hilal por 3 a 1. O terceiro gol foi da brasileira, que já tem três na atual temporada. Com a vitória, o time de Letícia assumiu a vice-liderança da liga. “A pretensão da gente é ficar no top 4. Claro, sempre a ideia é ser campeão, acho que nenhuma equipe entra num campeonato sem pensar em ser campeão. Porém, temos um time aqui que é muito forte, que é o Al-Nassr e está disparado na frente da tabela. Mas, de início, é ficar entre os três ou quatro primeiros colocados”, revelou a atacante brasileira. Antes de se destacar na Arábia Saudita, Letícia ganhou projeção no Brasil atuando no futebol mineiro. “Tive uma passagem pelo Ipatinga, que é um time do interior de Minas Gerais. Eu me destaquei lá e fui vista pelo América Mineiro", lembrou. "Na minha opinião, foi no América Mineiro que eu vivi o melhor momento da minha carreira, fazendo muitos gols e tendo muitas participações nos jogos. De lá eu fui para o Bahia, onde também tive uma experiência muito boa. Tanto que eu fui a primeira jogadora do departamento feminino do Bahia a ser vendida para um clube do exterior. De Salvador, eu vim direto para cá” No futebol árabe desde agosto de 2024, Letícia falou das dificuldades que enfrentou em sua primeira experiência fora do Brasil. “Para mim foi um pouco impactante, mas sempre fui corajosa e sem medo dos desafios. Quando cheguei aqui, a cultura e as vestimentas chamaram muito minha atenção. Na rua, todas as pessoas usam roupas semelhantes; as mulheres não mostram o rosto nem o corpo, algo bem diferente da nossa realidade no Brasil", comparou.  "A vida social praticamente não existe para mim. Então, meu convívio é mais com as meninas do clube e as pessoas do trabalho. O lado positivo é que é um lugar muito tranquilo e seguro, onde você tem tempo para fazer suas coisas. E é nisso que eu tento me apegar” “Eu acho que foi algo muito bom para mim. Antes eu não tinha contato com a língua inglesa e hoje eu falo inglês e espanhol. Se por acaso no futuro eu tiver uma oportunidade de ir para algum clube da Europa ou dos Estados Unidos, eu acho que a escolha será muito mais fácil", afirmou Letícia. Experiência gratificante Atualmente, muitas jogadoras brasileiras atuam em gramados europeus. Na França, por exemplo, três jogadoras da seleção do Brasil são destaques em seus clubes: a lateral Isabela e a meia Yaya vestem a camisa do Paris Saint-Germain, enquanto que a zagueira Tarciane é titular no Lyon. "Vir para a Arábia Saudita me deu a chance de evoluir como pessoa. Então, para mim, toda essa experiência é gratificante”, disse a camisa 9 do Al-Ittihad Jeddah. A aventura no futebol da Arábia Saudita tem valido a pena para Letícia e considera que deu um salto financeiro na carreira. "Na minha opinião, a parte financeira daqui é muito melhor do que no Brasil. Isso me trouxe uma estabilidade financeira, que para mim era algo que me incomodava no Brasil em relação ao tempo que ainda tenho na minha carreira e ao que eu poderia conquistar. Aqui eu consegui uma boa estabilidade para eu ficar tranquila. Quando você sabe que está num clube estruturado, tudo isso conta. Hoje eu vejo que isso me ajudou muito”, afirmou. A atacante brasileira contou que as mulheres ainda buscam espaço nesse esporte no país, que só autorizou a entrada de torcedoras em estádios e arenas para assistir a jogos de futebol a partir de 2018. “A torcida comparece, sim, mas se fizermos uma comparação entre um jogo do masculino e outro do feminino, a diferença é grotesca. O futebol feminino aqui na Arábia Saudita ainda precisa evoluir muito. Por ser um país fechado, aqui as pessoas não têm a percepção de que a mulher pode jogar futebol. E eu acho que isso impacta ainda mais se compararmos com Portugal, Brasil ou França. A gente vê que isso é mais comum nesses países; é algo mais natural entre as pessoas”, contou a atacante brasileira. Leia tambémEm Paris, Formiga e Michael Jackson dizem o que falta para o futebol feminino decolar no Brasil A aceitação de mulheres no futebol é uma realidade no Brasil, que conta com jogadoras talentosas, como Bia Zaneratto, Gabi Zanotti e Duda Sampaio, entre outras, e clubes vitoriosos, como o Corinthians, atual vice-campeão intercontinental. Ainda assim, Letícia disse que as jogadoras ainda atravessam incertezas em suas carreiras. “Hoje, no Brasil, eu acredito que os campeonatos estão muito consolidados. Mas, por outro lado, há muita incerteza. Eu conheço muitas atletas que passam por dificuldades: estão em um clube e logo depois estão desempregadas. Querendo ou não, isso é algo complicado porque passa pela parte financeira e psicológica. Eu agradeço ter tido essa oportunidade ao clube Al-Ittihad Jeddah e também à treinadora brasileira Linsey Camila, porque foi ela quem abriu esse caminho para mim” Além de Letícia Nunes, a liga feminina da Arábia Saudita conta com as brasileiras Kathellen (lateral do Al-Nassr), Duda Francelino (meia do Al-Nassr), Rayanne (lateral do Al-Qadsiah), Adriana Maga (atacante do Al-Qadsiah), Aline Reis (goleira do Al-Ula), Tuani (zagueira do Al-Ula), Jaine Lemke (meia do Al-Ula), Priscila Hellen (lateral do Neom) e Keikei (goleira do Eastern Flames). Mesmo que lentamente, o futebol feminino ganha força na Arábia Saudita e, aos poucos, se consolida no cenário mundial. Esta é a quarta edição da Saudi Women's Premier League. O Al-Nassr, que conquistou todos os três títulos da liga feminina saudita disputados até hoje, é o líder da atual temporada com 30 pontos conquistados em 11 rodadas (10 vitórias e 1 derrota). O Al-Ittihad Jeddah da Letícia está na segunda colocação do campeonato, a oito pontos da liderança (7 vitórias, 1 empate e 3 derrotas).

O Mundo Agora
Martirização de militante fascista fortalece a extrema direita e a diabolização da esquerda na França

O Mundo Agora

Play Episode Listen Later Mar 2, 2026 5:58


Os últimos quinze dias viram a normalização da extrema direita se acelerar. A morte de um militante fascista, transformado em mártir, tem redesenhado as fronteiras do aceitável a do inaceitável na política – e recomposto o chamado “cordão sanitário”: o perigo agora já não seria a extrema direita dos Le Pen, mas a esquerda. Thomás Zicman de Barros, analista político Em 12 de fevereiro, a eurodeputada francesa Rima Hassan, do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), realizou uma conferência em Lyon. Nascida num campo de refugiados palestinos, ela falaria sobre o conflito no Oriente Médio. Contra o evento, o coletivo “femo-nacionalista” de extrema direita Némésis convocou um protesto. A chamada circulou nas redes, e grupos antifascistas locais foram ao local para evitar intimidações. Mensagens internas divulgadas pelo jornal L'Humanité indicam que, em articulação com grupos neonazistas, as militantes pretendiam “servir de isca” para atrair esses antifascistas. O objetivo era que houvesse confronto.  Houve quebra-quebra, violência, e uma morte. Quentin Deranque, militante fascista de 23 anos, caiu no chão durante a briga. Chegou a recuperar a consciência, recusou atendimento médico, mas ignorava a severidade do traumatismo craniano. Hospitalizado, faleceu dois dias depois. A dramática morte do jovem fascista transformado em mártir foi o estopim para acelerar a normalização da extrema direita.  Normalização da extrema direita: dois sentidos A normalização da extrema direita é um processo de longo prazo na França. A rigor, é geracional: o fundador do Front National, Jean-Marie Le Pen, era intencionalmente histriônico, próximo a grupos neonazistas, antissemita notório, negacionista do Holocausto, com um passado de torturador na Guerra da Argélia. Por sua vez, sua filha e herdeira política Marine gastou os últimos quinze anos tentando parecer palatável. Seu objetivo é dar uma repaginada no partido, um verniz respeitável. Como repeti inúmeras vezes nessa coluna, contudo, a normalização não é só um processo da extrema direita tentando se mover rumo ao centro. Há normalização, sobretudo, quando atores do mainstream caminham rumo à extrema direita, repetindo suas pautas, suas ideias.  Políticos são peças centrais nesse deslocamento, mas não são os únicos. Parte da mídia também contribui para esse processo. Num ambiente midiático cada vez mais concentrado nas mãos de grandes fortunas – como o empresário Vincent Bolloré –, multiplicam-se plataformas dispostas a dar espaço para grupos “fascistizantes” que antes ficavam às margens. Três momentos de “desdiabolização” Nessa dinâmica em que o próprio mainstream se desloca, as mudanças podem ser rápidas. Apenas nos últimos três anos, foram três os momentos de comoção nacional na França que aceleraram muito a “desdiabolização” da extrema direita. O primeiro se viu depois dos atentados do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A extrema direita participou das marchas em solidariedade a Israel. Ao permitir sua presença no cortejo sem maiores constrangimentos, boa parte do espectro político ajudou a esconder o antissemitismo inato do partido, apagando o pecado original do lepenismo. Ao mesmo tempo, a acusação de antissemitismo foi instrumentalizada contra a esquerda radical, que se recusou a marchar ao lado da extrema direita e denunciou o genocídio israelense em Gaza.  O segundo capítulo veio com a dissolução surpresa da Assembleia Nacional por Emmanuel Macron após as eleições europeias de 2024. Diante da perspectiva de vitória do partido de Le Pen, parte da imprensa não soou o alarme. Ao contrário, preferiu sustentar que não seria o fim do mundo, relativizando seu extremismo e se perdendo em debates terminológicos sobre se se tratava de extrema direita, ultradireita ou direita radical. O terceiro momento é o atual. Como observador da cena política francesa, os capítulos anteriores me exasperavam. Mas nada se compara aos últimos quinze dias. Quentin Deranque fundara o coletivo supremacista branco Allobroges Bourgoin e participava de marchas abertamente neonazistas em Paris. Essas informações foram sonegadas do público, e Deranque foi inicialmente apresentado como um jovem estudante de matemática, um católico idealista que queria um mundo melhor.  Em contraste, a diabolização da esquerda radical tem sido avassaladora. Parte do discurso político e midiático sustenta que a principal ameaça à democracia viria hoje da França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. É verdade que, em sua estratégia iconoclasta, os mélenchonistas frequentemente oferecem munição aos críticos. Pesou muito também o fato de que, entre os antifascistas presentes no confronto que levou à morte de Deranque, estava um assessor parlamentar do deputado Raphaël Arnault, da própria França Insubmissa e antigo fundador do grupo antifascista Jovem Guarda, em Lyon. Quase não se menciona, porém, que nos últimos quatro anos a extrema direita esteve ligada a pelo menos doze mortes na França, número incomparável aos episódios associados à esquerda. O novo “cordão sanitário” Que a extrema direita instrumentalizasse a morte de um de seus militantes era previsível. O mais preocupante foi a reação do mainstream. Espremida entre o avanço lepenista e o macronismo, a direita tradicional viu no episódio um pretexto para defender a “união das direitas”, aproximando-se de partidos de matriz fascista. Se até recentemente ainda havia quem defendesse apoiar a esquerda num segundo turno contra a extrema direita, esse dique ruiu. Hoje, figuras centrais da antiga direita afirmam abertamente que o “cordão sanitário” deve ser erguido não contra a extrema direita, mas contra a esquerda. Entre macronistas, consolidou-se a falsa equivalência do “nem-nem”: nem extrema direita, nem o que chamam de “extrema esquerda”. Querem se apresentar como a alternativa razoável. Ademais, sabem que essa retórica aprofundará os rachas na esquerda – dos quais falei quinze dias atrás – e pode ajudá-los a chegar no segundo turno.   Na esquerda, setores ditos moderados também ampliaram os ataques fratricidas. Sobretudo no Partido Socialista, a esperança é recuperar o espólio eleitoral da esquerda radical e retomar a liderança do campo progressista. O que parecem ignorar é que podem ser – e em parte já são – os próximos a serem alvejados. Desde a morte de um militante fascista, multiplicaram-se pelo país marchas com gestos e palavras de ordem nazistas. Políticos da direita e do centro recorreram a apitos de cachorro, retomando o lema “Trabalho, Família, Pátria”, da França de Vichy, ou descrevendo a esquerda como força “anti-França”, eco de retóricas da extrema direita no caso Dreyfus. Como na canção, já se ouve o voo sombrio dos corvos sobre essas terras. E com a conivência de muitos.

Colunistas Eldorado Estadão
AgroConsciente: Revolução científica na Segurança Genética na França

Colunistas Eldorado Estadão

Play Episode Listen Later Feb 27, 2026 4:06


José Luiz Tejon, uma das maiores autoridades em marketing em agronegócio, comenta os mais relevantes fatos da área às 2ªs, 4ªs e 6ªs, às 7h25, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Segurança Legal
#411 – Crianças na Internet, IA, vigilância e proteção de dados

Segurança Legal

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 49:58


Neste episódio falamos sobre os principais temas de segurança digital e privacidade das últimas semanas, abordando assuntos que você precisa conhecer para entender o cenário atual da proteção de dados, segurança infantil online e inteligência artificial. Você vai descobrir como o Roblox e o Discord lidam com a verificação de idade e proteção de crianças na internet, incluindo os riscos de predadores digitais, mecanismos psicológicos de retenção e a ausência de controles parentais eficazes. Também abordamos o polêmico caso do Grok no X (antigo Twitter) gerando imagens de nudez de mulheres e menores de idade sem guardrails, e as medidas tomadas pela ANPD, Ministério Público Federal e Senacon contra a plataforma. Discutimos o acordo de adequação mútua entre Brasil e União Europeia em proteção de dados pessoais e o que isso representa para transferências internacionais de dados e oportunidades comerciais. Ainda comentamos a solicitação do FBI à Microsoft pelas chaves de criptografia BitLocker, a ação judicial contra a Meta por suposto acesso às mensagens criptografadas do WhatsApp, o fenômeno das personas digitais criadas por IA, como a “Aboriginal Steve Irwin”, e os deepfakes com celebridades. Por fim, apresentamos a WhisperSafe, novo patrocinador do podcast, um software de transcrição local com privacidade em foco, usando modelos Whisper da OpenAI sem envio de dados para a nuvem. Assine o podcast para não perder nenhum episódio, deixe sua avaliação nas plataformas e siga o Segurança Legal no Instagram, Mastodon, Blue Sky, YouTube e TikTok. Apoie o projeto independente em apoia.se/segurancalegal. Esta descrição foi realizada a partir do áudio do podcast com o uso de IA, com revisão humana. Acesse WhisperSafe – Transcreva áudio e grave reuniões direto no seu computador, mesmo offline. Rápido, leve e pronto para usar com qualquer IA. Use o cupom SEGLEG50 para 50% de desconto na sua assinatura. ShowNotes Grupo 1 – Roblox, crianças e proteção digital em plataformas de jogos ‘Estou sendo atacado por crianças’, diz Felca após ser alvo de protesto no Roblox Opinião: feito para viciar, Roblox tem lógica de cassino e vira caça-níquel para crianças Palcos no Discord serão bloqueados para adolescentes e restritos para grupos da mesma idade Hackers expose age-verification software powering surveillance web ‘O que adolescentes fizeram com cão Orelha acontece todas as noites em muitas casas do Brasil, ao vivo no Discord’, alerta juíza Vanessa Cavalieri Internal chats show how social media companies discussed teen engagement Como vão funcionar as novas regras do Discord para verificar idade no app? Grupo 2 – Grok, conteúdo sexual gerado por IA e responsabilização do X/Musk ANPD, MPF e Senacon recomendam que X impeça geração e circulação de conteúdos sexualizados indevidos por meio do Grok ANPD, MPF e Senacon determinam que X implemente de forma imediata medidas para corrigir falhas no Grok Masterful gambit: Musk attempts to monetize Grok’s wave of sexual abuse imagery Joint statement on AI-generated imagery and the protection of privacy Grupo 3 – Adequação mútua Brasil-UE em proteção de dados e multas na UE Brasil e União Europeia reconhecem adequação mútua em matéria de proteção de dados pessoais Violation de données : sanction de 5 millions d'euros à l'encontre de FRANCE TRAVAIL Violation de données : sanction de 42 millions d'euros à l'encontre des sociétés FREE MOBILE et FREE Más sanciones y de mayor importe: La AEPD sube el nivel de multas en 2025 Grupo 4 – Vigilância, privacidade e Estado The Department of Homeland Security is demanding that Google turn over information about random critics Microsoft is giving the FBI BitLocker keys US authorities reportedly investigate claims that Meta can read encrypted WhatsApp messages Grupo 5 – IA generativa e identidade ‘It’s AI blackface’: social media account hailed as the Aboriginal Steve Irwin is an AI character created in New Zealan Imagem do Episódio – Children’s Games (Bruegel)  Transcrição do Episódio (00:00:08.000 –> 00:00:17.500) Bem-vindos e bem-vindas ao Café Segurança Legal, episódio 411, gravado em 24 de fevereiro de 2026. (00:00:17.500 –> 00:00:22.920) Eu sou Guilherme Goulart e junto com o Vinícius Serafim vamos trazer para vocês algumas notícias das últimas semanas. (00:00:22.920 –> 00:00:24.440) E aí, Vinícius, tudo bem? (00:00:24.440 –> 00:00:27.940) Olá, Guilherme, tudo bem? (00:00:24.440 –> 00:00:27.940) Olá aos nossos ouvintes. (00:00:28.180 –> 00:00:30.600) Você estava com saudade de gravar ou não? (00:00:30.600 –> 00:00:39.160) Cara, eu já estava até duvidando da minha capacidade de gravar de novo, porque a gente passou quase.. (00:00:30.600 –> 00:00:39.160) Vai fechar dois.. (00:00:39.160 –> 00:00:40.820) Um mês e pouco. (00:00:40.820 –> 00:00:45.280) O último foi ali em janeiro, não foi? (00:00:45.280 –> 00:00:46.720) Foi em janeiro que a gente gravou. (00:00:46.720 –> 00:00:51.000) Agora você me pegou, você me pegou no contrapé. (00:00:51.000 –> 00:00:57.820) Mas nós gravamos o episódio 410 da Retrospectiva, que se você não ouviu, está lá no dia 6 de janeiro. (00:00:58.180 –> 00:01:02.100) De 2026. (00:00:58.180 –> 00:01:02.100) Retrospectiva 2025. (00:01:03.780 –> 00:01:07.380) Bem, então, esse é o nosso momento de conversarmos sobre algumas notícias. (00:01:07.380 –> 00:01:10.240) Pegue o seu café e venha conosco para entrar em contato. (00:01:10.240 –> 00:01:18.760) Vocês já sabem, é lá no podcast.roba.segurançalegal.com, no Mastodon, no Instagram, no Blue Sky, no YouTube e no TikTok também. (00:01:18.760 –> 00:01:24.520) Você pode ver que tanto no TikTok quanto no YouTube você consegue ver também uns shorts lá que aparecem no Instagram também. (00:01:24.900 –> 00:01:30.420) A nossa campanha de financiamento coletivo, vocês já sabem, lá no apoia.se barra segurança legal. (00:01:30.420 –> 00:01:36.940) A gente sempre pede que você considere colaborar com esse projeto independente de proteção de conteúdo. (00:01:36.940 –> 00:01:41.960) E, Vinícius, temos uma novidade que é um novo patrocinador aqui no Segurança Legal. (00:01:42.500 –> 00:01:43.520) É isso aí, Guilherme. (00:01:43.520 –> 00:01:54.360) Tem a WhisperSafe, na verdade, o produto da WhisperSafe de uma startup que nós conhecemos, inclusive o dono da startup. (00:01:54.360 –> 00:02:04.360) É um software para transcrição de voz com um valor bastante acessível comparado com outros que tem no mercado. (00:02:05.420 –> 00:02:08.640) Ele faz transcrição tanto.. (00:02:08.640 –> 00:02:13.760) Eu tenho usado muito para fazer, para mandar comandos para IA. (00:02:13.760 –> 00:02:17.060) Eu fazia prompt tudo estruturadinho, digitando e tal. (00:02:17.060 –> 00:02:26.200) Agora, para programar, para criar scripts, criar alguns programas, para fazer alguns testes, eu tenho utilizado essencialmente ele para digitar. (00:02:26.200 –> 00:02:34.080) E tem uma funcionalidade muito interessante, que é a gravação e transcrição de reuniões, que eu também tenho utilizado. (00:02:35.220 –> 00:02:40.820) Independente do software que você utiliza, você abre ele, clica gravar a reunião, ele vai gravar todo o áudio da reunião. (00:02:40.820 –> 00:02:48.280) E depois que ele grava e você aperta lá o botãozinho para transcrever, ele te dá uma.. (00:02:48.280 –> 00:02:53.000) Ele tanto gera um arquivo com a transcrição bruta, se tu quiser usar com alguma IA, (00:02:53.000 –> 00:03:04.160) Como ele já deixa na área de transferência a tua transcrição com um prompt montado para te colar na IA que tu quer utilizar para fazer um resumo da tua reunião. (00:03:04.160 –> 00:03:07.500) Então, termina a reunião, cola na IA e pimba. (00:03:07.500 –> 00:03:16.880) O valor dele é um valor bastante acessível e, para os ouvintes do Segurança Legal, nós temos 20 cupons. (00:03:17.840 –> 00:03:28.700) O cupom é SEGLEG50, ele dá 50% de desconto vitalício, digamos assim. (00:03:28.700 –> 00:03:35.360) Você faz a assinatura, aplica o desconto, se fizer mensal ele vai aplicar a todos os pagamentos mensais (00:03:35.360 –> 00:03:40.080) E, se for anual, ele vai aplicar a todos os pagamentos anuais. (00:03:40.080 –> 00:03:44.540) Então, não é um desconto que vale só no primeiro ano ou só no primeiro pagamento. (00:03:44.540 –> 00:03:48.460) SEGLEG50 para os ouvintes do Segurança Legal. (00:03:49.080 –> 00:03:55.520) São 20 cupons, são 20 cupons que a gente tem aí, pelo menos para este episódio. (00:03:55.520 –> 00:04:01.320) E o mais importante, Vinícius, ele é um aplicativo que é construído com privacidade em foco. (00:04:01.320 –> 00:04:06.820) Ou seja, se você, os dados e toda a parte de transcrição, ela fica só na sua máquina, (00:04:06.820 –> 00:04:11.020) Não vai para a nuvem, a não ser que você queira depois usar isso no MyA e tal, (00:04:11.020 –> 00:04:14.580) Mas, assim, para assuntos mais críticos. (00:04:14.580 –> 00:04:18.560) Se você quiser ter lá para fazer uma ata depois, isso fica só na sua máquina. (00:04:18.560 –> 00:04:24.280) Ele faz, ele usa os modelos da Whisper, isso está lá na interface, está muito claro. (00:04:24.280 –> 00:04:31.040) Ele usa os modelos da, os modelos Whisper da OpenAI, que são modelos que rodam local na máquina. (00:04:31.040 –> 00:04:35.460) E o interessante é que tu não precisa nem ter uma placa de vídeo, não precisa ter GPU nem nada, (00:04:35.460 –> 00:04:39.280) Ele funciona muito bem, eu testei no meu notebook, não tem placa de vídeo dedicada. (00:04:40.700 –> 00:04:45.580) E funcionou muito bem, assim, ele é bastante rápido. (00:04:45.580 –> 00:04:52.320) E eu tenho feito os testes até para ver a questão de velocidade, já que tem os modelos disponíveis lá. (00:04:52.320 –> 00:04:55.000) Eu estava usando sempre o Turbo, assim, vou usar o melhor. (00:04:55.000 –> 00:05:00.500) Aí eu resolvi começar a usar o Medium e o Small lá dos modelos. (00:05:00.500 –> 00:05:04.580) E, cara, o Small, ele dá umas erradas, assim, sabe? (00:05:04.580 –> 00:05:06.260) Mas o Medium funciona muito bem. (00:05:06.260 –> 00:05:08.060) Tá bom. (00:05:08.840 –> 00:05:15.480) Então, basta você acessar o whispersafe.ai.ai, você vai ver lá todos os valores. (00:05:15.480 –> 00:05:19.920) Na hora do pagamento, pode usar o cupom SEGLEG50 e vamos lá. (00:05:19.920 –> 00:05:24.080) Bem-vindos, então, ao novo patrocinador do podcast Segurança Legal. (00:05:24.080 –> 00:05:30.480) Vamos para os temas, então, Vinícius, desses últimos dois meses, dá para se dizer aí. (00:05:30.480 –> 00:05:32.680) Hoje já estamos aí no dia 24 de fevereiro. (00:05:32.680 –> 00:05:44.260) Bastante coisa acontecendo, mas nós vamos, em vez de comentar propriamente as notícias, claro que nós vamos citá-las aqui, mas nós dividimos em alguns grupos. (00:05:44.340 –> 00:05:49.420) De temas que nos chamaram a atenção e que também foram temas importantes aí nas últimas semanas. (00:05:49.420 –> 00:05:53.860) O primeiro deles diz respeito à questão da proteção da criança na internet. (00:05:53.860 –> 00:05:56.400) Proteção digital, sobretudo em plataformas. (00:05:56.400 –> 00:06:00.200) Você que nos acompanha aqui sabe que a questão da proteção de criança é importante. (00:06:00.200 –> 00:06:04.860) A gente tem diversos, para esse podcast, a gente tem diversos episódios gravados sobre isso. (00:06:05.100 –> 00:06:11.420) Chegamos a comentar, inclusive, um episódio mais recente também sobre o ECA Digital, Vinícius, se você puder ver o número aí para nós. (00:06:11.420 –> 00:06:24.280) E, basicamente, o que nós estamos vendo mais recentemente é toda uma questão sobre como tornar essas plataformas, os problemas envolvendo plataformas utilizadas por crianças. (00:06:24.280 –> 00:06:33.320) E cada vez mais as crianças têm usado, seja o discórdio, mas aqui o foco dessas notícias é o Roblox. (00:06:33.320 –> 00:06:38.740) Então, se você tem filho, provavelmente já ouviu falar sobre Roblox, que é um jogo. (00:06:38.740 –> 00:06:44.020) Dá para dizer que é um jogo, mas que simula quase como um ambiente, assim. (00:06:38.740 –> 00:06:44.020) Virtual. (00:06:44.020 –> 00:06:47.600) Eu cheguei a jogar ele logo que ele apareceu. (00:06:47.600 –> 00:06:52.020) Assim, não tão logo, mas os colegas do meu filho começaram a jogar. (00:06:52.020 –> 00:06:54.900) Ai, meu filho veio com essa história do Roblox. (00:06:54.900 –> 00:06:57.140) E aí, disse, não, beleza, vamos ver. (00:06:57.140 –> 00:06:58.860) Aí eu entrei com ele. (00:06:59.320 –> 00:07:02.180) Cara, é um ambiente, é um ambiente virtual. (00:07:02.180 –> 00:07:08.400) Para mim, me lembrou muito aquele Second Life, tá ligado? (00:07:08.400 –> 00:07:09.320) Sim, Second Life. (00:07:09.320 –> 00:07:11.100) Me lembrou muito aquilo, então. (00:07:11.100 –> 00:07:15.880) E aí, dentro, tu tem espaços. (00:07:15.880 –> 00:07:19.980) Que tu acessa aplicações, jogos e tudo mais. (00:07:19.980 –> 00:07:22.560) Tu pode criar, inclusive, e tal. (00:07:22.700 –> 00:07:26.080) E aí, ele tem uma moeda interna no jogo, tá? (00:07:26.080 –> 00:07:28.080) Ele tem grana envolvida. (00:07:28.080 –> 00:07:36.080) E, cara, em cinco minutos de Fussaclo ali, eu larguei para o meu filho, ó, tem jogos melhores (00:07:36.080 –> 00:07:36.640) Para te jogar. (00:07:36.640 –> 00:07:39.060) Tu não vai jogar isso aqui. (00:07:39.060 –> 00:07:44.520) Justamente porque é um ambiente, eu percebi, o que eu percebi de cara, e se confirmou depois, (00:07:44.520 –> 00:07:47.180) Um ambiente muito descontrolado, entende? (00:07:47.680 –> 00:07:56.360) Um ambiente muito descontrolado, com muita, assim, nomes estranhos de personagens, todo (00:07:56.360 –> 00:08:03.060) Mundo pode se comunicar com todo mundo, então, é um negócio bem estranho. (00:08:03.060 –> 00:08:04.880) Pelo menos, era. (00:08:04.880 –> 00:08:06.060) A percepção. (00:08:06.060 –> 00:08:06.260) Não entrei mais para jogar. (00:08:06.260 –> 00:08:11.720) Mas aí, pelo que a gente vê agora nas reações e notícias e tudo mais, pelo visto, (00:08:11.720 –> 00:08:12.580) Continua estranho. (00:08:12.580 –> 00:08:13.620) Continua estranho. (00:08:13.620 –> 00:08:18.880) O, o, a grande questão aqui é que, por fora, e isso está acontecendo no mundo (00:08:18.880 –> 00:08:20.140) Inteiro, não é só no Brasil. (00:08:20.140 –> 00:08:23.820) No Brasil, por conta do ECA Digital, mas assim, começa.. (00:08:23.820 –> 00:08:24.660) Episódio 400, viu, Guilherme? (00:08:24.660 –> 00:08:25.940) Tá, legal. (00:08:25.940 –> 00:08:26.660) Episódio 400, isso é legal. (00:08:26.660 –> 00:08:32.380) É que começa a se ampliar toda a discussão de como você fazer a verificação de idade (00:08:32.380 –> 00:08:34.120) De pessoas nessas plataformas. (00:08:34.120 –> 00:08:41.000) Então, aqui a gente junta nesse mesmo pacote o Roblox e também o Discord. (00:08:41.360 –> 00:08:43.840) E aí, uma coisa muito interessante. (00:08:43.840 –> 00:08:48.460) Que gerou, assim, até um fenômeno social, me parece que relevante. (00:08:48.460 –> 00:08:52.160) Crianças começaram a protestar lá, porque as crianças seriam os beneficiários. (00:08:52.160 –> 00:08:56.820) Mas começaram a protestar por conta das novas medidas de verificação de idade. (00:08:56.820 –> 00:08:59.280) Aí, o Felca foi alvo de protesto e tal. (00:08:59.280 –> 00:09:05.920) E tem as crianças lá, simulando um protesto, segurando cartazes lá dentro do Roblox. (00:09:07.520 –> 00:09:11.380) Saíram também notícias dizendo, e aí, mais ou menos na tua percepção, Vinícius, (00:09:11.380 –> 00:09:16.720) De que o Roblox, como acontece com grandes plataformas, ele teria uma lógica de cassino, (00:09:16.720 –> 00:09:21.860) Ou seja, as crianças ficariam ali, utilizariam gatilhos psicológicos, (00:09:21.860 –> 00:09:26.860) Como já ocorre em redes sociais, para que as crianças ficassem mais tempo lá dentro. (00:09:26.860 –> 00:09:33.160) E aí, também começou a se ventilar de que predadores sexuais estariam dentro do Roblox, (00:09:33.160 –> 00:09:36.760) Se fazendo passar por crianças. (00:09:33.160 –> 00:09:36.760) Disfarçados aí. (00:09:36.760 –> 00:09:40.700) Nos Estados Unidos, isso é um problema bem sério lá, justamente com isso. (00:09:40.700 –> 00:09:52.020) E teve o CEO do Roblox, ele teve lá no episódio do The Hard Fork. (00:09:53.020 –> 00:09:59.060) Eu já vejo o número de episódios aqui, mas o nome do CEO é Dave Bazzucchi, tá? (00:09:59.060 –> 00:10:06.020) E, cara, o pessoal do The Hard Fork tentou, assim, impressionou, foi uma coisa que ficou até tenso, sabe? (00:10:06.020 –> 00:10:08.940) Não é normal, assim, tu ver esse episódio do The Hard Fork desse jeito. (00:10:08.940 –> 00:10:14.100) E o cara sempre saindo pela tangente, assim, e perguntas bem diretas. (00:10:14.460 –> 00:10:21.300) Em termos de controle de comunicação, a questão de deixar adultos falar com crianças, assim, várias coisas. (00:10:21.300 –> 00:10:23.420) E ele sempre dando evasiva. (00:10:23.420 –> 00:10:26.320) Ele não.. (00:10:23.420 –> 00:10:26.320) Assim, foi muito ruim, sabe? (00:10:26.320 –> 00:10:32.020) A impressão que tu tens é que o cara foi ali para tentar se justificar, (00:10:32.020 –> 00:10:35.280) Não aceitando os problemas que ele tem na plataforma. (00:10:35.280 –> 00:10:38.800) Isso o CEO da própria Roblox, sabe? (00:10:38.800 –> 00:10:40.320) Na própria empresa. (00:10:40.320 –> 00:10:50.300) Então, isso me deixou ainda mais convencido de que é uma empresa que não tem preocupação nenhuma (00:10:50.300 –> 00:10:54.240) Com essa questão de segurança de crianças e tudo mais, entende? (00:10:54.240 –> 00:10:55.540) É bem delicado. (00:10:55.540 –> 00:10:58.760) Se o pessoal já se preocupa com o Discord, o Roblox é muito pior. (00:10:58.760 –> 00:11:00.000) É muito pior. (00:11:00.000 –> 00:11:03.140) Em termos de possibilidades de comunicação. (00:11:03.140 –> 00:11:06.380) É uma reportagem aqui da Folha de São Paulo. (00:11:06.420 –> 00:11:10.920) Pelo Daniel Mariani, ele destaca justamente isso. (00:11:10.920 –> 00:11:13.660) Inclusive de monetização. (00:11:13.660 –> 00:11:18.120) Práticas predatórias em games e monetiza compulsão e frustrações. (00:11:18.120 –> 00:11:22.720) Explora mecanismos psicológicos como medo de ficar fora da plataforma. (00:11:22.720 –> 00:11:25.060) Ficar de fora e perda de noção de tempo. (00:11:25.060 –> 00:11:27.540) Então, ele conta uma historinha que ele sai com o filho e o filho diz (00:11:27.540 –> 00:11:31.600) Olha, nós temos que voltar até tal hora porque vai acontecer um evento lá no Roblox (00:11:31.600 –> 00:11:34.920) E eu preciso estar lá e enfim. (00:11:35.800 –> 00:11:42.840) E aí, a crítica toda é também de que haveria uma falta de vontade, digamos assim, (00:11:42.840 –> 00:11:46.920) Da empresa de adotar controles parentais e também a questão da verificação da idade. (00:11:46.920 –> 00:11:52.820) E a verificação da idade que começa agora também a ficar mais presente agora em março. (00:11:52.820 –> 00:11:55.440) Tudo indica que vai acontecer também no Discord. (00:11:55.720 –> 00:11:57.760) Então, isso.. (00:11:57.760 –> 00:12:01.500) E também o Discord, Vinícius, se você quiser falar logo a seguir, (00:12:01.500 –> 00:12:07.160) Mas o Discord também aplicando novas formas de controle parental. (00:12:07.160 –> 00:12:11.440) Mas a grande discussão, e mais uma vez, isso está acontecendo no Brasil e no mundo, é (00:12:11.440 –> 00:12:17.200) Mas qual vai ser ou quais serão as medidas de controle de identidade. (00:12:18.080 –> 00:12:27.420) Então, se fala em biometria facial, se fala em envio de documentos e tal, e aí a grande preocupação que se coloca (00:12:27.420 –> 00:12:33.320) É no aumento das práticas de vigilância sobre como, que as empresas vão lidar com isso, (00:12:33.320 –> 00:12:39.040) Sobre o fato de a biometria facial ser um dado sensível, que poderia ser utilizado para outras sinalidades. (00:12:39.040 –> 00:12:47.020) Uma das notícias aqui mostra que o próprio Discord estava usando uma empresa lá, ou contratou uma empresa de verificação (00:12:47.020 –> 00:12:53.380) Que tinha conexões, que é a tal da persona lá, conexões no site deles, dizia mesmo (00:12:53.380 –> 00:12:55.840) This is a US government system. (00:12:55.840 –> 00:13:01.240) Mas aí que tá, Guilherme, assim, a gente tem um problema bem sério para resolver aí, tá? (00:13:01.240 –> 00:13:08.060) Porque ao mesmo tempo que se quer que as empresas consigam fazer a verificação de idade, (00:13:09.040 –> 00:13:11.160) E aí sim, é ok. (00:13:11.160 –> 00:13:12.660) O que que eu faço essa verificação de idade? (00:13:12.660 –> 00:13:17.000) O que que eu faço de um jeito que eu consiga ter um mínimo de confiança (00:13:17.000 –> 00:13:20.060) De que a criatura não tá mentindo pra mim, que o Zora não tá mentindo pra mim (00:13:20.060 –> 00:13:22.420) E tá entrando com menos de 13 ou coisa parecida? (00:13:22.420 –> 00:13:25.660) Então, eu preciso uma forma de verificar isso. (00:13:25.660 –> 00:13:28.400) Tu vai verificar como? (00:13:28.400 –> 00:13:30.080) Imagina a própria empresa. (00:13:30.080 –> 00:13:34.680) Ela vai usar reconhecimento facial para tentar identificar a idade? (00:13:34.680 –> 00:13:36.440) Ela vai pedir documentação? (00:13:38.360 –> 00:13:40.020) Não sei se isso é bom, se é ruim, entende? (00:13:40.020 –> 00:13:42.000) Eu só tô com o problema. (00:13:42.000 –> 00:13:46.220) Aí, o ideal, eu não gostaria de ficar dando minha identidade pra tudo quanto é empresa. (00:13:46.220 –> 00:13:50.460) Então, uma outra opção o governo tem as informações. (00:13:50.460 –> 00:13:54.360) Uma agência governamental tem as informações, as nossas informações. (00:13:54.360 –> 00:13:55.580) Sabe a idade que a gente tem. (00:13:55.580 –> 00:13:57.540) Tem toda a comprovação de quem a gente é. (00:13:58.220 –> 00:14:07.340) Será que não dá pra ter um protocolo que, de forma anônima, eu acesso um site e esse site (00:14:07.340 –> 00:14:15.160) Conversa com o site do governo e aí eu converso com o site do governo e digo, gera aí um token (00:14:15.160 –> 00:14:21.420) Pra mim, eu sou fulano, gera um token dizendo que eu tenho mais de 18 anos ou tem mais de 13 (00:14:21.420 –> 00:14:22.460) Ou coisa parecida. (00:14:22.460 –> 00:14:27.360) Parecido com o que a gente já faz no Alt pra fazer autenticação quando a gente usa o Google e tudo mais. (00:14:27.360 –> 00:14:31.720) Parecido com isso, mas em vez de dizer quem nós somos, ele diz que idade que a gente tem. (00:14:31.720 –> 00:14:32.860) Tá? (00:14:32.860 –> 00:14:36.000) Só que daí tu tem vários outros problemas. (00:14:36.000 –> 00:14:38.380) Ok, o site pode não saber quem tu é por ali. (00:14:38.380 –> 00:14:39.360) Não tem problema. (00:14:39.360 –> 00:14:41.460) E aí tem outro jeito de saber quem tu mas enfim. (00:14:41.460 –> 00:14:43.180) Até porque você vai ter um cadastro lá. (00:14:43.240 –> 00:14:43.960) Exato. (00:14:43.960 –> 00:14:51.560) Então assim, ok, ao mesmo tempo tu vai estar dizendo pro governo o que que tu tá acessando. (00:14:51.560 –> 00:14:57.260) Então se o governo começar a registrar lá na hora de consultar quem tá consultando o teu cadastro (00:14:57.260 –> 00:15:00.900) Ou pra quem tu tá se autenticando, ele sabe o que que tu tá acessando. (00:15:00.900 –> 00:15:06.060) E aí teve um problema recente, a gente chegou a comentar aqui, eu só não lembro se foi na (00:15:06.060 –> 00:15:10.120) Inglaterra especificamente ou foi na União Europeia, tá? (00:15:10.120 –> 00:15:11.900) E se eu não tô enganado, foi na Inglaterra, cara. (00:15:11.900 –> 00:15:19.940) Mas eles estavam com a demanda de, pra acessar site pornográfico, tu tem que dar a tua (00:15:19.940 –> 00:15:23.300) Identificação real, tá? (00:15:23.300 –> 00:15:28.080) Pra que o site tenha certeza de que tu é o maior de idade. (00:15:28.080 –> 00:15:36.360) E aí começou uma outra discussão da questão da privacidade das pessoas que acessam (00:15:36.360 –> 00:15:37.600) Esses sites e tudo mais. (00:15:38.100 –> 00:15:46.060) Então eu não vejo uma solução perfeita, assim, que empresa privada não guarde as informações (00:15:46.060 –> 00:15:48.760) Ou não tem um repositório de informações pra fazer isso. (00:15:48.760 –> 00:15:52.560) Tem uma solução que já é conhecida que é uma chamada, com a chamada Meu ID. (00:15:52.560 –> 00:15:59.420) Eu uso pra algumas plataformas de jogos, que a ideia é justamente essa, tu se autentica (00:15:59.420 –> 00:16:04.100) Com a plataforma, com a tua documentação, faz prova, faz o esquema da imagem e tudo mais. (00:16:04.100 –> 00:16:06.140) Aí tu usa ela pra se autenticar uma plataforma. (00:16:06.140 –> 00:16:11.660) Então, ou a gente vai ter que ter uma empresa como essa, ou vai ter que vincular com algum (00:16:11.660 –> 00:16:12.500) Órgão do governo. (00:16:12.500 –> 00:16:18.140) Eu não vejo uma saída diferente pro Discord, por exemplo. (00:16:18.140 –> 00:16:21.540) Eu não vejo uma saída diferente pro Facebook. (00:16:22.220 –> 00:16:27.240) Como é que eu vou autenticar, como é que eu vou saber que o usuário tem mais certa idade, (00:16:27.240 –> 00:16:37.040) Sem que eu possa ser enganado e sem pedir uma confirmação mais consistente, documental, (00:16:37.040 –> 00:16:43.280) Nem que seja interfaceada ou intermediada pelo governo ou por uma empresa privada, (00:16:44.460 –> 00:16:49.760) Que diga, não, Vinícius realmente tem mais de 13 anos. (00:16:49.760 –> 00:16:51.620) É um problema não. (00:16:51.620 –> 00:16:53.520) Eu não vejo uma solução fácil pra isso. (00:16:53.520 –> 00:16:55.720) É um problema de privacidade. (00:16:55.720 –> 00:17:01.940) Essa questão que eu comentei aqui desse persona que o Discord tava usando, (00:17:01.940 –> 00:17:05.660) A grande questão era que era um negócio quase como um data broker de verificação (00:17:05.660 –> 00:17:11.980) Que iria ser utilizado para fins de vigilância estatal. (00:17:11.980 –> 00:17:17.900) E aí o Discord, depois que isso vira notícia, eles voltam atrás. (00:17:17.900 –> 00:17:19.940) Eles dizem, nós não vamos mais usar isso. (00:17:19.940 –> 00:17:21.100) Ou seja, assim, tiram. (00:17:21.100 –> 00:17:23.000) O problema é um problema de privacidade. (00:17:23.000 –> 00:17:27.280) Você poderia, eu imagino, Vinícius, que se todo mundo tivesse, (00:17:27.280 –> 00:17:31.960) Levasse proteção de dados a sério, você poderia sim ter um protocolo (00:17:31.960 –> 00:17:36.560) Em que empresas e Estado poderiam fornecer um meio de autenticação (00:17:36.560 –> 00:17:39.540) Privacy-friendly. (00:17:39.540 –> 00:17:43.860) Ou seja, sem a coleta de informações sobre quem acessou o quê. (00:17:43.860 –> 00:17:48.360) Eles, ambos os lados, ou todos os lados, deveriam abrir mão disso. (00:17:48.360 –> 00:17:53.080) Mas nós sabemos que no estado atual de coisas, isso não vai acontecer. (00:17:53.080 –> 00:17:53.800) É o contrário. (00:17:53.800 –> 00:17:57.440) O que essa notícia mostra é que as empresas e governos estão, (00:17:58.560 –> 00:18:02.820) Frequentemente, caminhando para utilizar essa desculpa da verificação (00:18:02.820 –> 00:18:04.760) Para aumentar o monitoramento sobre as pessoas. (00:18:04.760 –> 00:18:06.620) E essa que me parece que é a preocupação. (00:18:06.620 –> 00:18:12.060) Enfim, nós vamos deixar, como sempre, todas as notícias lá no Show Notes. (00:18:12.060 –> 00:18:15.020) Tem outras coisas aqui, se você se interessa por essa questão. (00:18:15.020 –> 00:18:18.660) O papel do Discord em questão de agressão de animais, (00:18:18.660 –> 00:18:21.040) Que teve aí recentemente com o caso do Cão Orelha. (00:18:21.040 –> 00:18:25.860) E também sobre como empresas internamente discutiram e sabem. (00:18:25.860 –> 00:18:29.540) O próprio Instagram sabia como o próprio Instagram fazia mal para meninas (00:18:29.540 –> 00:18:30.680) E para adolescentes e tudo mais. (00:18:30.680 –> 00:18:32.440) Então, isso continua acontecendo. (00:18:32.440 –> 00:18:35.160) Documentos internos aí vazados. (00:18:35.160 –> 00:18:40.440) Como acontece, demonstram que eles sabem dos potenciais maléficos. (00:18:40.440 –> 00:18:46.680) Para adolescentes e continuam oferecendo as plataformas ou serviços (00:18:46.680 –> 00:18:49.700) Sem levar em consideração a proteção da criança e do adolescente. (00:18:49.700 –> 00:18:53.220) Então, fica nesse primeiro grupo aí, Vinícius. (00:18:54.120 –> 00:18:54.640) Perfeito. (00:18:54.640 –> 00:18:57.720) Segundo grupo, tem a ver também. (00:18:57.720 –> 00:19:00.300) Tem a ver com crianças e adolescentes, mas não somente. (00:19:00.300 –> 00:19:03.120) Mas tem a ver também com proteção de.. (00:19:03.120 –> 00:19:05.740) Sobretudo de mulheres na internet, da imagem de mulheres (00:19:05.740 –> 00:19:12.360) E sobre como a IA tem sido utilizada especificamente pelo X ou Twitter, Vinícius? (00:19:12.360 –> 00:19:15.660) Todo mundo que fala X logo depois tem que dizer o antigo Twitter. (00:19:15.660 –> 00:19:17.800) Mas todo mundo já sabe que o X é o antigo Twitter. (00:19:18.040 –> 00:19:20.500) Você fica meio com um vício ali. (00:19:20.500 –> 00:19:22.880) E aí, o que começou? (00:19:22.880 –> 00:19:24.060) O nome virou.. (00:19:24.060 –> 00:19:26.180) Parece que o nome virou o X antigo Twitter mesmo. (00:19:26.180 –> 00:19:27.440) Junto. (00:19:27.440 –> 00:19:28.400) Que nem a HBO. (00:19:28.400 –> 00:19:31.180) Viu a HBO Max, que era HBO. (00:19:31.180 –> 00:19:33.280) Aí depois virou a HBO Max. (00:19:33.280 –> 00:19:34.760) Aí depois foi Max. (00:19:34.760 –> 00:19:35.980) Aí tinha.. (00:19:35.980 –> 00:19:36.140) Gol. (00:19:36.140 –> 00:19:38.360) Aí voltaram com a HBO agora. (00:19:38.360 –> 00:19:40.940) Eu tenho a assinatura deles lá. (00:19:40.940 –> 00:19:41.360) Meu Deus. (00:19:41.360 –> 00:19:44.700) Eu nem sei mais o que eu tô assinando lá, porque eu não sei mais o nome desse. (00:19:44.700 –> 00:19:51.960) E aí a questão que, enfim, nesses últimos meses aí virou, uma notícia muito forte (00:19:51.960 –> 00:19:57.740) Foi que o pessoal pedia lá pro Grock no X pra que ele tirasse, deixasse mulheres nuas (00:19:57.740 –> 00:20:02.920) Ou tirasse a roupa de mulheres, inclusive de crianças. (00:20:03.660 –> 00:20:10.520) E naquela perspectiva, de que a ferramenta é neutra, a ferramenta só faz aquilo que (00:20:10.520 –> 00:20:16.440) O usuário pede pra ela fazer, a culpa não é nossa e tal, mas ao mesmo tempo a ferramenta (00:20:16.440 –> 00:20:22.400) Era programada sem guardrails ali pra despir pessoas. (00:20:22.400 –> 00:20:28.940) E se ela pode ser programada para despir pessoas, me parece que também é fácil colocar guardrails (00:20:28.940 –> 00:20:35.400) Aí pra impedir que ela dispa, dispa, despir, despir pessoas. (00:20:35.400 –> 00:20:37.920) Acho que eu nunca tinha usado o verbo despir dessa forma. (00:20:37.920 –> 00:20:39.840) Então, é.. (00:20:39.840 –> 00:20:41.080) E aí o que que aconteceu? (00:20:41.080 –> 00:20:43.860) Não sei se você quer fazer uma observação agora ou depois aqui, só pra.. (00:20:43.860 –> 00:20:45.080) Não, pode sim, pode sim, pode sim. (00:20:45.080 –> 00:20:46.580) Aí o que que aconteceu? (00:20:46.580 –> 00:20:52.860) Foi toda uma pressão em cima do X, Elon Musk chega e diz, não, olha, nós vamos, (00:20:52.860 –> 00:21:00.340) Então vamos ampliar os controles aqui, só vai poder despir pessoas quem tiver a conta (00:21:00.340 –> 00:21:01.920) Paga do X. (00:21:01.920 –> 00:21:09.820) E obviamente que daí a emenda saiu pior que o soneto e no Brasil também já vimos movimentações, (00:21:10.160 –> 00:21:17.560) De três entidades aqui, a NPD, Ministério Público Federal e Senacom, em primeiro lugar fizeram (00:21:17.560 –> 00:21:25.420) Uma recomendação lá em janeiro e agora mais recentemente, depois da resposta do X, esses (00:21:25.420 –> 00:21:32.400) Três órgãos entenderam que as medidas foram insuficientes e cada um deles, na medida das (00:21:32.400 –> 00:21:36.620) Suas competências, iniciou um processo pra determinar. (00:21:36.620 –> 00:21:42.500) Aí sim, antes tinham sugerido medidas, o X informou as medidas que foram tomadas, eles (00:21:42.500 –> 00:21:47.500) Entenderam que não foram suficientes e a partir de agora começaram, cada um na medida das (00:21:47.500 –> 00:21:53.000) Suas competências, procedimentos administrativos, seja a NPD, uma medida preventiva, o Ministério (00:21:53.000 –> 00:21:58.960) Público também, um procedimento interno e a Senacom também numa medida cautelar administrativa (00:21:58.960 –> 00:22:01.700) Determinando que eles imediatamente parem. (00:22:01.700 –> 00:22:08.720) E implementem soluções técnicas e administrativas pra impedir a geração de imagens de pessoas (00:22:08.720 –> 00:22:10.000) Nuas. (00:22:10.620 –> 00:22:16.580) E pra variar. (00:22:10.620 –> 00:22:16.580) Pra variar as maiores vítimas disso foram mulheres, tá? (00:22:16.580 –> 00:22:19.800) E inclusive menores de idade, tá? (00:22:19.800 –> 00:22:20.800) E adolescentes. (00:22:20.800 –> 00:22:25.920) Isso foi o que causou, claro que, mesmo que não tivesse menores de idade envolvidas, (00:22:25.920 –> 00:22:32.620) Isso já gerou bastante polêmica, mas com menores de idade é a coisa.. (00:22:33.300 –> 00:22:37.840) E aí uma coisa, Guilherme, só uma observação, a gente já fala há muitos anos aqui no Segurança (00:22:37.840 –> 00:22:42.880) Legal, há muito tempo, essa questão da super exposição das crianças na internet e muitas (00:22:42.880 –> 00:22:43.960) Vezes pelos próprios pais. (00:22:43.960 –> 00:22:48.920) Quando a gente falava assim, ó, não expõe, não fica botando foto, não sei o quê, tu não (00:22:48.920 –> 00:22:50.900) Sabe o que vai poder ser feito com isso amanhã. (00:22:52.040 –> 00:22:56.620) E eu lembro de estar falando e falando sobre isso em 2015, em escolas, fazer umas palestras (00:22:56.620 –> 00:22:59.020) Assim, falando pro pessoal exatamente nesses termos. (00:22:59.020 –> 00:23:07.800) E agora aqui estamos nós em 2026 com o X antigo Twitter, uma ferramenta de ar embutida (00:23:07.800 –> 00:23:13.940) Que, cara, tira a roupa de adolescente, menor de idade e tudo mais. (00:23:14.480 –> 00:23:19.600) E aí, e mesmo que você seja cuidadoso com a imagem dos filhos e tal, que é realmente (00:23:19.600 –> 00:23:20.500) A recomendação.. (00:23:20.500 –> 00:23:22.560) As escolas tinham foto, publicam, é um.. (00:23:22.560 –> 00:23:28.740) Exato, não, e ainda você tem pessoas públicas, que eventualmente, eventualmente não, (00:23:28.740 –> 00:23:34.940) Mas pessoas públicas que têm a sua imagem publicada em função da sua, da sua atividade, (00:23:34.940 –> 00:23:40.600) Sei lá, uma política, pessoas do ramo político, enfim, artistas e tudo mais, e ainda (00:23:40.600 –> 00:23:46.220) Assim não há, me parece, aliás, eu tenho certeza que não há um direito de pessoas (00:23:46.220 –> 00:23:53.460) Usarem IA pra macular a imagem de mulheres, inclusive teve notícias, pegaram lá uma (00:23:53.460 –> 00:23:58.420) Primeira ministra, não lembro exatamente de qual país, e aí começaram a fazer isso (00:23:58.420 –> 00:24:02.200) Com a imagem dela pra desqualificá-la, enfim. (00:24:02.200 –> 00:24:10.580) E aí acaba entrando, Vinícius, um pouco naquilo, eu vou puxar lá pro grupo 6, (00:24:10.580 –> 00:24:16.200) Mas tem um pouco a ver, o Vinícius me mandou esses dias uma notícia de um.. (00:24:16.200 –> 00:24:21.120) Seria um aborígine, da Nova Zelândia, que fazia vídeos.. (00:24:21.120 –> 00:24:21.760) O Steve Irving. (00:24:21.760 –> 00:24:23.340) Conta aí a história, conta aí a história. (00:24:23.340 –> 00:24:23.680) O Steve Irving. (00:24:23.680 –> 00:24:24.440) . (00:24:24.440 –> 00:24:26.260) É inacreditável. (00:24:26.260 –> 00:24:29.200) O Steve Irving, o Steve Irving é um.. (00:24:29.200 –> 00:24:37.740) Um aborígine, australiano, que faz vídeos.. (00:24:37.740 –> 00:24:38.240) Neo-zelandês. (00:24:38.240 –> 00:24:38.740) Neo-zelandês. (00:24:38.740 –> 00:24:39.380) Neo-zelandês. (00:24:39.380 –> 00:24:42.400) É Nova Zelândia, não misturar Nova Zelândia com a Austrália. (00:24:42.400 –> 00:24:43.140) Nada. (00:24:43.140 –> 00:24:49.400) Neo-zelandês, que faz vídeos, aqueles vídeos assim, meio de aventura, assim, de ver os bichos (00:24:49.400 –> 00:24:50.780) De perto e meio.. (00:24:50.780 –> 00:24:55.620) Encontra uma cobra e mexe na cobra e um escorpião e por aí vai. (00:24:55.700 –> 00:24:56.700) Esses vídeos assim, sabe? (00:24:56.700 –> 00:24:57.140) E mostrando.. (00:24:57.140 –> 00:25:00.160) Mas mostrando os animais lá da Nova Zelândia. (00:25:00.160 –> 00:25:01.120) Sim, exatamente. (00:25:01.120 –> 00:25:02.460) Fazendo um negócio.. (00:25:02.460 –> 00:25:04.060) Cara, um negócio muito bem feito. (00:25:04.060 –> 00:25:05.340) Um negócio muito bem feito. (00:25:05.340 –> 00:25:06.800) Tipo um National Geographic, assim. (00:25:06.800 –> 00:25:09.320) Tinha um outro cara, aquele cara que morreu.. (00:25:09.320 –> 00:25:13.500) Bem conhecido, ele morreu com ferrão de uma arraia. (00:25:13.500 –> 00:25:14.200) Uma arraia. (00:25:14.200 –> 00:25:15.560) No peito. (00:25:15.560 –> 00:25:18.040) Eu não lembro o nome dele, mas tudo bem. (00:25:18.040 –> 00:25:21.040) .. (00:25:21.040 –> 00:25:24.880) E esse personagem é uma vibe muito parecida, tá? (00:25:25.700 –> 00:25:30.620) Cara, um negócio com, assim, muita gente seguindo. (00:25:30.620 –> 00:25:37.660) Houve 90 mil pessoas no Instagram e aí começou a chamar muita atenção, muita atenção. (00:25:37.660 –> 00:25:42.600) E aí o cara que criou o personagem veio ao público e dizia, ó, esse cara não existe. (00:25:43.400 –> 00:25:47.980) O Steve Irving era o cara que morreu com ferrão de arraia. (00:25:49.420 –> 00:25:50.400) Sim, verdade. (00:25:50.400 –> 00:25:51.480) Na notícia, sim. (00:25:51.480 –> 00:25:53.080) Eu misturei aqui que ele chamou.. (00:25:53.080 –> 00:25:54.620) É o Aboriginal Steve Irving. (00:25:54.620 –> 00:25:56.860) É o Steve Irving aborigine. (00:25:56.860 –> 00:25:57.340) Exatamente. (00:25:57.340 –> 00:25:59.780) O Steve Irving é o cara real que morreu. (00:25:59.780 –> 00:26:00.720) Isso, isso. (00:26:00.720 –> 00:26:01.220) Isso. (00:26:01.220 –> 00:26:03.380) E o nome do cara que.. (00:26:03.380 –> 00:26:06.220) Essa persona digital criada. (00:26:07.620 –> 00:26:09.340) Quem criou foi o.. (00:26:09.340 –> 00:26:10.400) Quem criou foi o.. (00:26:10.400 –> 00:26:13.720) O Keegan, John Manson, o cara que fez a.. (00:26:13.720 –> 00:26:15.140) Que criou o personagem. (00:26:15.140 –> 00:26:17.260) Cara, eu não tenho o nome do personagem aqui. (00:26:17.260 –> 00:26:20.040) Seria o Bush Legend. (00:26:20.040 –> 00:26:20.480) Mas.. (00:26:20.480 –> 00:26:21.320) Bush Legend. (00:26:21.320 –> 00:26:22.260) Esse é o canal. (00:26:22.260 –> 00:26:23.760) Esse é o canal, Bush Legend. (00:26:23.760 –> 00:26:24.520) O Bush Legend. (00:26:24.520 –> 00:26:25.260) A conta aqui, ó. (00:26:25.260 –> 00:26:26.260) Tá separado aqui. (00:26:26.260 –> 00:26:27.280) Bush Legend, a conta. (00:26:27.780 –> 00:26:30.500) Mas o interessante é que não é a conta em si, tá? (00:26:30.500 –> 00:26:33.260) Quem quiser olhar o Bush Legend lá, deve estar no ar ainda esse negócio. (00:26:33.260 –> 00:26:35.240) O interessante não é a conta em si. (00:26:35.240 –> 00:26:41.400) O interessante é que é uma coisa que tu assiste e, cara, tu não se dá a conta que (00:26:41.400 –> 00:26:42.360) Não é real. (00:26:42.360 –> 00:26:47.360) Talvez ali num vídeo ou outro tu possa até perceber, tá? (00:26:47.360 –> 00:26:50.880) Mas a maioria das pessoas não vai perceber. (00:26:50.880 –> 00:26:51.920) Não vai se dar conta, não vai se dar conta. (00:26:51.920 –> 00:26:53.560) Então, assim.. (00:26:53.560 –> 00:27:01.540) E recentemente teve um vídeo também, eu vi essa semana, ou semana passada, um vídeo (00:27:01.540 –> 00:27:06.360) Em que tava o Brad Pitt lutando com o Tom Cruise, tá? (00:27:06.360 –> 00:27:10.320) E eles discutindo os Epstein Files na luta. (00:27:10.320 –> 00:27:20.040) Eu mostrei pra minha esposa o vídeo e disse assim, olha só o trailer de um filme que eles (00:27:20.040 –> 00:27:20.940) Estão lançando e tal. (00:27:21.420 –> 00:27:24.060) Aí a gente começou a ver o vídeo, eu já tinha visto, ela começou a ver o vídeo, (00:27:24.060 –> 00:27:29.440) Assim, tá, mas aí eles falando e tal, e eles se batendo e não paravam de se bater (00:27:29.440 –> 00:27:31.840) E conversar, assim, mas que cena mais. (00:27:31.840 –> 00:27:33.080) Sem propósito. (00:27:33.480 –> 00:27:34.820) Uma coisa meio.. (00:27:34.820 –> 00:27:37.000) Mas ao mesmo tempo ela achou que fosse verdade. (00:27:37.000 –> 00:27:38.060) Aham. (00:27:38.060 –> 00:27:43.120) Ela achou que fosse verdade, porque os personagens, ali o Tom Cruise e o Brad Pitt, tá certinho (00:27:43.120 –> 00:27:43.500) Ali, cara. (00:27:43.500 –> 00:27:44.900) Claro que fica.. (00:27:44.900 –> 00:27:48.780) Depois eles começam a zoar, começam a mudar demais, assim, começam a botar uns personagens (00:27:48.780 –> 00:27:49.800) Meio estranhos no negócio. (00:27:50.560 –> 00:27:51.240) Mas é.. (00:27:51.240 –> 00:27:51.800) E há, cara. (00:27:51.800 –> 00:27:53.660) E aí isso gera tanto.. (00:27:53.660 –> 00:27:54.580) Não só uma preocupação. (00:27:54.580 –> 00:27:56.300) Agora nós estamos vando pra ano de eleição. (00:27:56.300 –> 00:27:57.360) Vamos ver o que vai acontecer. (00:27:57.360 –> 00:28:07.520) Mas não só gera essa possível confusão com quem assiste, pra quem assiste, mas também (00:28:07.520 –> 00:28:13.300) Tá gerando uma boa discussão lá nos Estados Unidos com relação, lá nos sindicatos dos (00:28:13.300 –> 00:28:16.380) Artistas e tudo mais. (00:28:16.380 –> 00:28:23.620) Porque, cara, se tu não quiser usar a imagem de alguém, que obviamente tu vai ter que pagar (00:28:23.620 –> 00:28:28.240) Pra usar a imagem do Tom Cruise, ninguém discute que mesmo que seja autorizado pelo Tom Cruise (00:28:28.240 –> 00:28:33.160) Tu vai ter que pagar o Tom Cruise pelo uso da imagem dele, mas que tu possa começar a criar (00:28:33.160 –> 00:28:37.600) Personagens completamente fictícios, ou pessoas. (00:28:37.600 –> 00:28:44.560) Atores fictícios, pra.. (00:28:37.600 –> 00:28:44.560) Pra atuarem num filme, atuarem numa série. (00:28:45.560 –> 00:28:48.320) E aí tu não precisar mais. (00:28:48.320 –> 00:28:53.580) Talvez tu possa substituir até o roteirista na brincadeira, mas tu não precisar mais (00:28:53.580 –> 00:28:55.500) De atores humanos pra atuar. (00:28:55.500 –> 00:28:57.120) Então.. (00:28:57.120 –> 00:29:01.940) Tem uma discussão bem interessante em cima disso, sabe? (00:29:01.940 –> 00:29:07.680) A questão do emprego dos artistas e da questão do conteúdo que tu entrega. (00:29:07.680 –> 00:29:09.200) Pras pessoas. (00:29:09.200 –> 00:29:11.120) Tu vai assistir um filme.. (00:29:11.120 –> 00:29:14.480) Assim, tu topa assistir um filme muito bom feito por Iá? (00:29:14.480 –> 00:29:16.560) Cara.. (00:29:16.560 –> 00:29:21.280) Eu acho que tem um elemento ético, inclusive se fala isso lá numa das notícias. (00:29:21.800 –> 00:29:27.300) Que é um preceito de trans.. (00:29:21.800 –> 00:29:27.300) Um preceito ético de transparência no uso de Iá. (00:29:27.300 –> 00:29:32.160) Então, quando a gente fala em princípios de governança de Iá, a transparência, ela (00:29:32.160 –> 00:29:36.060) Se desdobra em várias.. (00:29:32.160 –> 00:29:36.060) Várias situações. (00:29:36.060 –> 00:29:40.680) E uma das situações que a transparência se desdobra, enquanto princípio que deve reger (00:29:40.680 –> 00:29:45.320) O uso da Iá, isso eu tô falando porque é princípio já adotado na União Europeia (00:29:45.320 –> 00:29:46.940) E tudo mais, é.. (00:29:46.940 –> 00:29:51.140) . (00:29:46.940 –> 00:29:51.140) Você tem que saber que aquele conteúdo é gerado por Iá. (00:29:51.140 –> 00:29:52.800) E a grande.. (00:29:52.800 –> 00:29:54.320) E por que que isso virou notícia? (00:29:54.320 –> 00:29:55.540) Na verdade, são duas coisas. (00:29:55.540 –> 00:30:00.500) Isso virou notícia porque não se deram.. (00:29:55.540 –> 00:30:00.500) Ninguém se deu conta. (00:30:00.500 –> 00:30:05.540) Porque se diz, você mostra pra pessoa, se você olhar num vídeo e prestar atenção, (00:30:05.540 –> 00:30:06.760) Você vai descobrir que é. (00:30:06.760 –> 00:30:10.420) A questão é que hoje, até a gente comentava isso antes. (00:30:10.420 –> 00:30:17.520) Nós, eu e você e quem nos escuta, nós já estamos consumindo conteúdos gerados por (00:30:17.520 –> 00:30:18.440) Iá sem se dar conta. (00:30:18.440 –> 00:30:18.840) Por quê? (00:30:18.840 –> 00:30:23.400) Porque a lógica de consumir conteúdo em rede social não é você ficar prestando atenção (00:30:23.400 –> 00:30:28.980) Nos detalhes, a lógica é que você vai passando rapidamente sobre certos conteúdos. (00:30:28.980 –> 00:30:32.780) E você fica vendo muitos, aquela história do feed infinito que a gente já falou. (00:30:32.780 –> 00:30:38.080) Que é uma das maldições das redes sociais e o que aprisiona as pessoas lá dentro é (00:30:38.080 –> 00:30:38.860) O feed infinito. (00:30:38.860 –> 00:30:39.900) E vamos lá. (00:30:39.900 –> 00:30:42.620) O teu espírito crítico ali fica bem rebaixado. (00:30:42.840 –> 00:30:45.960) Claro que quando a gente olha o vídeo depois sabendo o que bom, tudo bem. (00:30:45.960 –> 00:30:51.860) Ontem mesmo eu tava na academia e fica uma TV ligada lá e tava passando uma propaganda (00:30:51.860 –> 00:30:53.300) Do Liquida Porto Alegre. (00:30:53.300 –> 00:30:57.000) É tipo uma liquidação de verão que eles fazem aqui na cidade. (00:30:57.800 –> 00:31:05.020) E, cara, cinco segundos da coisa já deu pra ver que era tudo gerado por Iá, cara. (00:31:05.020 –> 00:31:09.860) Toda uma propaganda gerada por Iá, até porque no final tinha uma senhora bem idosa correndo (00:31:09.860 –> 00:31:15.540) Junto com um monte de pessoas que ela não teria como uma senhora. (00:31:15.540 –> 00:31:19.400) Enfim, até teria, mas chamou a atenção o fato de ser uma senhora bem idosa correndo (00:31:19.400 –> 00:31:21.000) Loucamente na cidade, assim, sabe? (00:31:21.640 –> 00:31:25.980) Não que não seja possível, não que não seja possível. (00:31:25.980 –> 00:31:29.660) Não, não que não seja possível, mas, assim, aquilo já disparou, não, como assim. (00:31:29.660 –> 00:31:35.940) Então, você tem um elemento ético muito, isso tá acontecendo, a propaganda, eu acredito, (00:31:35.940 –> 00:31:39.720) Que o CONAR, enfim, a regulamentação da propaganda tem que deixar isso claro. (00:31:39.720 –> 00:31:45.220) Olha, você está assistindo uma reportagem, uma propaganda feita por Iá, assim como você (00:31:45.220 –> 00:31:49.340) Quando você tá consumindo um produto no supermercado, diz se aquilo ali tem transgênico (00:31:49.340 –> 00:31:51.900) Ou não, ou o que consta. (00:31:51.900 –> 00:31:52.140) Excesso de sal. (00:31:52.140 –> 00:31:53.980) Excesso de sal, por que não? (00:31:53.980 –> 00:31:58.020) Porque a gente sabe que isso é bem brain rotizável. (00:31:58.020 –> 00:31:58.900) Aham. (00:31:58.900 –> 00:32:01.200) Brain rotizável, você não inventei agora, Vinícius. (00:32:01.200 –> 00:32:02.880) É um bom verbo. (00:32:02.880 –> 00:32:04.220) Brain rotizável. (00:32:04.220 –> 00:32:13.740) Vinícius, Brasil, você já deve ter ouvido falar disso, mas Brasil e União Europeia, (00:32:13.740 –> 00:32:17.320) Consolidaram lá o seu acordo de adequação mútua. (00:32:17.320 –> 00:32:23.180) Então, basicamente, agora, no final de janeiro, foi anunciado esse reconhecimento recíproco (00:32:23.180 –> 00:32:25.560) De adequação dos regimes de proteção de dados. (00:32:25.560 –> 00:32:31.800) E tem-se pintado isso como um marco histórico, porque, além desse franco reconhecimento, (00:32:31.800 –> 00:32:35.060) A ideia é que se abra, principalmente para o Brasil. (00:32:35.440 –> 00:32:42.000) Mas a ideia é que o Brasil poderia se beneficiar com base nesse acordo de adequação, (00:32:42.000 –> 00:32:47.660) Prestando serviços, para toda a União Europeia. (00:32:47.660 –> 00:32:53.020) Então, isso poderia ampliar o uso de data centers para IA e também o uso de próprio serviço, (00:32:53.020 –> 00:32:56.040) Porque uma vez que você tem esse reconhecimento, você não precisa, (00:32:57.180 –> 00:33:00.580) Digamos assim, quando você for fazer a transferência internacional de dados, (00:33:00.580 –> 00:33:03.140) Que é uma das situações lá em que você faz de um lado para o outro, (00:33:03.140 –> 00:33:05.800) Esse reconhecimento implica na possibilidade automática, (00:33:05.800 –> 00:33:08.880) Sem, por exemplo, você pedir, precisar pedir consentimento, (00:33:08.880 –> 00:33:12.820) Ou fazer avisos adicionais, ou reconhecimentos das autoridades. (00:33:12.820 –> 00:33:18.980) Então, abre-se, de fato, um espaço comercial também, (00:33:19.040 –> 00:33:22.300) Não seja de fluxos, de fluxo seguro de dados, enfim. (00:33:22.300 –> 00:33:24.600) Qual a questão? (00:33:24.600 –> 00:33:31.800) A questão é que, quando a gente faz uma comparação em como a União Europeia tem aplicado sanções (00:33:31.800 –> 00:33:35.620) E como o Brasil tem aplicado sanções, mesmo diante desse reconhecimento, (00:33:35.620 –> 00:33:39.620) Nós notamos que há uma distância, porque no Brasil ainda há, (00:33:39.620 –> 00:33:43.980) E aqui eu falo como titular de dados pessoais, (00:33:44.360 –> 00:33:49.580) Ainda há um certo, é um certo, como é que eu vou dizer, (00:33:49.580 –> 00:33:54.640) Atraso, talvez, na aplicação de sanções em situações muito complexas. (00:33:54.640 –> 00:33:57.340) Apenas para vocês terem uma ideia de alguns números, (00:33:57.340 –> 00:34:00.120) Na França, por exemplo, agora é janeiro, fevereiro, (00:34:00.120 –> 00:34:06.280) Você teve a France Travel, foi multada em 5 milhões de euros, (00:34:06.280 –> 00:34:09.920) A Free Mobile, 42 milhões de euros, (00:34:10.920 –> 00:34:14.820) É dividido aqui em Free Mobile e Free, não sei o que é. (00:34:14.820 –> 00:34:19.140) Então, você teve aí todas essas situações somente, (00:34:19.140 –> 00:34:22.120) Ou seja, multas milionárias na França, (00:34:22.120 –> 00:34:27.400) Somente por situações de vazamentos que se confirmou que ocorreram (00:34:27.400 –> 00:34:30.300) Por causa de insuficiência de medidas de segurança (00:34:30.300 –> 00:34:32.560) Adotadas por essas organizações. (00:34:32.560 –> 00:34:34.060) Isso na França. (00:34:34.060 –> 00:34:36.940) Na Espanha, que é uma autoridade pequena, (00:34:36.940 –> 00:34:40.180) Tem, se não me engano, menos funcionários do que, (00:34:40.180 –> 00:34:43.540) Até fiz esses dias um apanhado de número de funcionários e tal, (00:34:43.540 –> 00:34:45.960) Mas acho que tem menos funcionários do que a nossa NPD, (00:34:45.960 –> 00:34:53.040) Eles terminaram 2025 com 394 procedimentos sancionadores (00:34:53.040 –> 00:34:57.040) E com multas que somadas deram 40 milhões de euros. (00:34:57.040 –> 00:35:00.040) Então, acho que para consolidar, de fato, (00:35:00.040 –> 00:35:03.700) Urge que nós tenhamos um aprimoramento, (00:35:03.700 –> 00:35:05.480) E eu não falo nem somente em multas, (00:35:05.480 –> 00:35:08.720) Eu falo em sanções, impedir certos tratamentos, (00:35:08.720 –> 00:35:14.400) Caminhar justamente para a implementação de medidas de segurança, (00:35:14.400 –> 00:35:16.680) Resolver a questão das farmácias, (00:35:16.680 –> 00:35:20.380) Resolver a questão que a gente já falou aqui no nosso podcast (00:35:20.380 –> 00:35:26.980) Sobre a farra das biometrias faciais em academias, (00:35:26.980 –> 00:35:29.580) Em condomínios. (00:35:29.580 –> 00:35:32.780) Então, acho que a gente comemora, de fato, (00:35:32.780 –> 00:35:36.060) Mas há um caminho ainda a ser perseguido, me parece, (00:35:36.060 –> 00:35:40.100) Posso estar errado, enfim, mas me parece que há um caminho ainda a ser percorrido. (00:35:40.100 –> 00:35:42.580) Isso, obviamente, é uma via de duas mãos. (00:35:42.580 –> 00:35:45.340) Então, a gente tem uma equivalência. (00:35:45.340 –> 00:35:46.080) Isso. (00:35:46.080 –> 00:35:48.500) Então, uma coisa que muda, então, por exemplo, (00:35:48.500 –> 00:35:51.660) Se você quiser usar algum data center na Europa, (00:35:51.660 –> 00:35:53.620) Na União Europeia, para fazer mais ou menos de dados (00:35:53.620 –> 00:35:57.820) E cidadãos brasileiros, em princípio, ok. (00:35:57.820 –> 00:35:59.860) Isso. (00:35:59.860 –> 00:36:02.260) Quando você tem na União Europeia, (00:36:02.260 –> 00:36:04.040) Nos países que fazem parte da União Europeia, (00:36:04.040 –> 00:36:06.980) Não é na Europa, porque você tem países que.. (00:36:06.980 –> 00:36:08.340) Sim, eu falei, União Europeia, não é Europeia. (00:36:08.340 –> 00:36:10.960) Tu tem Inglaterra que não faz mais parte da União Europeia. (00:36:10.960 –> 00:36:12.060) Inglaterra não é mais. (00:36:12.060 –> 00:36:14.520) Aí o pessoal lá da Inglaterra, (00:36:14.520 –> 00:36:15.720) Quando entra na União Europeia, (00:36:15.720 –> 00:36:18.300) Eles ficam na fila não dos residentes da União Europeia, (00:36:18.300 –> 00:36:20.040) Eles têm que enfrentar a fila de todo mundo, (00:36:20.040 –> 00:36:21.800) Mas Suíça também não é. (00:36:21.960 –> 00:36:22.660) É engraçado. (00:36:22.660 –> 00:36:24.420) A Suíça também não é. (00:36:24.420 –> 00:36:25.960) Embora a Suíça tenha, (00:36:25.960 –> 00:36:30.200) Seja conhecida justamente por hospedar sistemas, (00:36:30.200 –> 00:36:32.080) The Privacy Friendly, de segurança, (00:36:32.080 –> 00:36:34.180) Mais VPNs que ficam lá na Suíça, (00:36:34.180 –> 00:36:36.520) Se vendem, mas não faz parte da Suíça. (00:36:36.520 –> 00:36:38.740) A Suíça acho que faz parte do espaço Schengen, (00:36:38.740 –> 00:36:39.340) Se não me engano, (00:36:39.340 –> 00:36:42.320) Que permite que você entre, (00:36:42.320 –> 00:36:44.640) Sem a necessidade de passar por fronteiras, (00:36:44.640 –> 00:36:46.120) Tem o tráfego livre, (00:36:46.120 –> 00:36:47.180) Mas acho que não faz, (00:36:47.180 –> 00:36:49.740) Mas não faz da União Europeia. (00:36:51.160 –> 00:36:52.620) Bom, Vinícius, (00:36:52.620 –> 00:36:54.680) Seguindo aqui, (00:36:54.680 –> 00:36:59.520) Nós temos também toda a questão da vigilância, (00:36:59.520 –> 00:37:02.240) Lá no Grupo 5, (00:37:02.240 –> 00:37:04.420) De vigilância e privacidade, (00:37:04.420 –> 00:37:05.220) Que nós vimos, (00:37:05.220 –> 00:37:07.680) Que me chamou bastante atenção, (00:37:07.680 –> 00:37:09.320) Chamou bastante atenção, (00:37:09.320 –> 00:37:13.660) Que foi o FBI solicitando a Microsoft (00:37:13.660 –> 00:37:17.460) A entrega de chaves BitLocker. (00:37:17.460 –> 00:37:20.720) E a gente estava conversando sobre isso antes, (00:37:20.720 –> 00:37:23.100) Não é obrigatório, (00:37:23.100 –> 00:37:26.540) Que você salve a chave do BitLocker na Microsoft. (00:37:26.540 –> 00:37:26.940) Não. (00:37:26.940 –> 00:37:27.900) Você pode salvar. (00:37:27.900 –> 00:37:29.380) Pode não estar em outro lugar. (00:37:30.520 –> 00:37:33.140) O que chama atenção aqui é a possibilidade, (00:37:33.140 –> 00:37:33.740) E vejam, (00:37:33.740 –> 00:37:35.360) Assim, (00:37:35.360 –> 00:37:36.800) O FBI e a polícia, (00:37:36.800 –> 00:37:39.040) Eu tenho absoluta certeza (00:37:39.040 –> 00:37:44.300) Que todos esses órgãos de investigação, (00:37:44.300 –> 00:37:45.220) De persecução penal, (00:37:45.220 –> 00:37:46.440) Tem o direito de, (00:37:46.440 –> 00:37:47.820) Eventualmente, (00:37:47.820 –> 00:37:50.180) Por uma ordem judicial fundamentada, (00:37:50.180 –> 00:37:52.420) Pedir acesso a nuvens, (00:37:52.420 –> 00:37:54.300) Como é o que está acontecendo agora. (00:37:54.560 –> 00:37:56.020) Os grandes escândalos aí, (00:37:56.020 –> 00:37:56.820) Banco Master, (00:37:57.240 –> 00:37:57.620) Mas, assim, (00:37:57.620 –> 00:38:01.300) Grandes escândalos e de crimes e tal, (00:38:01.300 –> 00:38:04.420) O pessoal acaba acessando nuvem de gente (00:38:04.420 –> 00:38:06.180) Que deixa o WhatsApp fazendo, (00:38:06.180 –> 00:38:07.480) Não se fala muito, (00:38:07.480 –> 00:38:10.940) Mas que deixa o WhatsApp fazendo backup lá no Google, (00:38:10.940 –> 00:38:11.940) Acessa o Google, (00:38:11.940 –> 00:38:14.000) Recupera o backup e vê tudo que o cara fez, (00:38:14.000 –> 00:38:14.720) Quem conversou, (00:38:14.720 –> 00:38:16.020) E arquivos e tudo mais. (00:38:16.020 –> 00:38:18.580) Mas o que chama atenção (00:38:18.580 –> 00:38:22.160) Sobretudo como os Estados Unidos agora estão se posicionando, (00:38:22.160 –> 00:38:23.440) Nessa parte de vigilância, (00:38:23.440 –> 00:38:25.520) Já vem se posicionando ao longo dos últimos anos, (00:38:25.520 –> 00:38:27.260) De repente, (00:38:27.260 –> 00:38:30.500) O FBI pegar a tua chave do BitLocker (0

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Colunistas Eldorado Estadão
AgroConsciente: Seminário Acadêmico de Agribusiness na França

Colunistas Eldorado Estadão

Play Episode Listen Later Feb 23, 2026 3:17


José Luiz Tejon, uma das maiores autoridades em marketing em agronegócio, comenta os mais relevantes fatos da área às 2ªs, 4ªs e 6ªs, às 7h25, no Jornal Eldorado.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Esportes
Zagueira da seleção brasileira, Tarciane mira Copa do Mundo de 2027 e fala da adaptação na França

Esportes

Play Episode Listen Later Feb 22, 2026 5:36


Uma das zagueiras brasileiras mais vitoriosas do futebol feminino, Tarciane tem apenas 22 anos e uma longa carreira pela frente. Apesar de jovem, a jogadora do Lyon já tem uma coleção de títulos. Revelada pelo Fluminense em 2021, Tarciane ganhou destaque com a camisa do Corinthians. No clube paulista, a carioca conquistou quatro campeonatos brasileiros, uma Libertadores e três Supercopas do Brasil. Marcio Arruda, da RFI em Paris Depois de uma rápida passagem pelo Houston Dash, dos Estados Unidos, a zagueira foi campeã da Liga Francesa no ano passado pelo Lyon. Na seleção brasileira, conquistou a última edição da Copa América. Tarciane vai se apresentar nesta semana para a seleção brasileira, que faz uma série de três amistosos contra países do mesmo continente. O primeiro compromisso do Brasil é contra a Costa Rica, em Alajuela, na próxima sexta-feira, 27 de fevereiro. Na sequência, a seleção enfrenta a Venezuela no dia 4 de março e o México no dia 7; estes dois últimos jogos serão em território mexicano. Em entrevista para a RFI, Tarciane destacou o trabalho que a equipe brasileira tem feito. A zagueira afirmou que o foco é a Copa do Mundo de 2027, que será disputada entre junho e julho do ano que vem, no Brasil. Este mundial reunirá as melhores seleções do planeta e é bem provável que a Espanha, atual campeã, os Estados Unidos, ouro na Olimpíada de Paris, a Inglaterra, a Suécia, a Alemanha e o Canadá disputem a competição. Leia tambémApós beijo forçado em atleta espanhola, surge outra denúncia contra presidente da federação de futebol "A gente está conseguindo fazer um bom trabalho. Toda a comissão e as atletas abraçam totalmente a ideia de jogo para podermos melhorar até a Copa do Mundo. A gente já passou por um momento especial nos Jogos Olímpicos de Paris. Hoje a gente já entende o que é jogar uma competição de alto nível; sabemos o quanto é importante a parte física para a gente poder estar bem na competição", afirmou. Com mais de 25 jogos pela seleção, Tarciane pensa grande. "Mentalmente é importante estarmos trabalhando e jogando com grandes seleções para podermos nos adaptar melhor e chegarmos muito bem na Copa. É um grupo novo e bastante jovem, e certamente vai ter menina que disputará pela primeira vez uma Copa do Mundo. Se eu for convocada, será a minha primeira Copa. Tenho experiência dos Jogos Olímpicos e de outras competições com a seleção. Então, é importante a gente estar pronta para conseguirmos ganhar o mundo; e a gente vai ganhar o mundo", deseja a confiante Tarciane. Mas a zagueira, que conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Paris, não quer saber de oba-oba no Mundial do ano que vem. "A gente não quer favoritismo. Ainda mais com a Copa do Mundo em casa. A gente quer chegar em silêncio e bem quietinha, fazendo o nosso trabalho e jogando contra as grandes seleções. É isso que a gente quer", disse Tarciane. "Eu tenho certeza que a seleção brasileira vai chegar muito bem preparada na Copa do Mundo." "A gente se prepara todos os dias, aprendendo e demonstrando cada vez mais a nossa identidade em campo. Assim, vamos trazer o torcedor brasileiro para o nosso lado. E isso vai fortalecer a gente cada vez mais para jogar uma partida importante no Brasil diante da nossa torcida", falou. Leia tambémEm Paris, Formiga e Michael Jackson dizem o que falta para o futebol feminino decolar no Brasil Mas para continuar a ser lembrada pelo técnico da seleção, Arthur Elias, a zagueira brasileira precisa manter o bom desempenho que tem apresentado com a camisa do Lyon. No clube desde fevereiro do ano passado, Tarciane é titular da zaga do time francês e já marcou três gols – diante do PSG, Nantes e Strasbourg, todos nesta temporada. Mas se ela já está adaptada à equipe francesa, no dia a dia, Tarciane ainda precisa de mais um tempinho. "A adaptação é difícil. Outra língua, outro idioma… tudo muito diferente, mas a cada dia aprendendo mais um pouquinho. Hoje eu entendo muito mais francês do que quando cheguei aqui (fevereiro de 2025) e agora só falta falar um pouco mais. Acho que isso é a parte mais complicada, mas a adaptação é todos os dias", conta. "É um momento importante de aprendizado." E como será que ela faz para matar as saudades da família e amigos? "Sinto saudades de casa; sempre. É difícil porque é muito longe. O Rio de Janeiro e a França são totalmente diferentes. A logística, o horário... Eu pude ir para casa nas férias e aproveitei meus dez dias de folga. É vida de atleta. Eu sabia que isso iria acontecer porque são escolhas que a gente faz na nossa vida. A gente vai matando (a saudade) por telefone e videochamada", explicou a zagueira. Mesmo em outro continente, Tarciane mostrou que não esqueceu os clubes que defendeu. Será que o coração da zagueira ainda é de braba, apelido dado às jogadoras do Corinthians? "Ah, sempre vai ser. Foi a segunda equipe que me apresentou para o mundo. A primeira foi o Fluminense e a segunda foi o Corinthians, onde eu pude viver profissionalmente muita coisa. Foi lá que conquistei os melhores troféus que eu tenho. É por isso que eu sempre vou ser uma braba e sempre vou estar na torcida. O Corinthians está no meu coração. Gratidão sempre", disse. Depois da sequência de amistosos com a seleção atual campeã da Copa América, Tarciane voltará ao Lyon para o campeonato francês. O próximo compromisso do clube é em casa contra Le Havre. O Lyon de Tarciane é o líder invicto da competição com 16 pontos de vantagem sobre o Nantes, que hoje está na vice-liderança.

Podcast Internacional - Agência Radioweb
Eleições na França são teste para união dos partidos de esquerda

Podcast Internacional - Agência Radioweb

Play Episode Listen Later Feb 16, 2026 5:06


Podcast MiranteFM 96,1
PLUGADO #452 - Flávia Bittencourt faz show em Toulon, e Paris, na França, em março

Podcast MiranteFM 96,1

Play Episode Listen Later Feb 10, 2026 3:19


Depois da parceria com o cantor e compositor baiano Carlinhos Brown, no Bloco Bittencá e Acola, no circuito Vem Pro Mar, nesse domingo (8/2), na avenida Litorânea, Flávia Bittencourt está com agenda movimentada neste mês e em março.

Reportagem
Brasileiros que empreendem no exterior: pesquisa revela perfil, obstáculos e estratégias para vencer

Reportagem

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 7:10


Quase 5 milhões de brasileiros vivem no exterior (4.996.951), segundo a estimativa mais recente do Ministério das Relações Exteriores, de 2023. Quase metade (45%) está nos Estados Unidos, cerca de 34% na Europa e 13% na América do Sul, mas menos de menos de 1% escolheu a África. Pesquisador da diáspora brasileira, o PhD da Unigranrio Roberto Falcão desvenda o que aprendeu sobre o empreendedorismo brasileiro no exterior.  Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris A maioria desses brasileiros saiu em busca de melhores condições de vida, para fugir da violência e da decepção política. Normalmente, as pessoas que emigram têm disponibilidade para viajar, boa adaptação a línguas, maior autonomia e não temem tarefas altamente desafiadoras. Alguns dos ramos mais escolhidos pelos brasileiros para empreender em outros países são culinária, estética e construção. Há oportunidades de mercado no chamado nicho étnico e também na venda para o consumidor local. A capoeira, por exemplo, está presente em 180 países. Churrascarias de rodízio, venda de produtos como açaí e pão de queijo e serviços como alisamento ou depilação à brasileira são outros exemplos recorrentes. Um dos atrativos é a saudade de casa. Do ponto de vista do financiamento, a maioria dos pequenos e médios negócios fundados por brasileiros no exterior depende de capital próprio ou de linhas de crédito disponíveis, quando o empreendedor já está integrado ao país escolhido. Esse é um retrato de quem são os brasileiros e onde eles formaram suas bases para empreender ao redor do mundo, segundo pesquisa da Unigranrio e da UFF (Universidade Federal Fluminense), apoiada pela FAPERJ (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).  Ao longo de uma década, o professor e sua equipe entrevistaram mais de 400 empreendedores de diversos perfis. Falcão esteve em Paris na terça-feira (3), onde deu uma palestra a convite da Câmara de Comércio do Brasil na França (CCBF)  sobre o que leva esses brasileiros a vencer em outro país. “O primeiro passo para não fracassar é entender a legislação, as regras locais, a regulamentação, conhecer o público, os hábitos do consumidor local e, sobretudo, falar bem a língua para o atendimento. Se você tem uma loja, um negócio, e não falar bem o idioma local, será um entrave para empreender”, aponta Falcão. Em seu projeto de pesquisa, ele analisa o empreendedor, seu nível de educação e de informação, se ele fala línguas, o ambiente institucional e a regulamentação do país. No caso da empresa, a equipe busca entender possíveis diferenciais para conseguir se posicionar bem no mercado. Além disso, é preciso ter uma boa gestão, investir em marketing e divulgação do produto ou serviço, como em qualquer negócio. “O brasileiro é caracterizado como um povo que se comunica muito bem, tanto que ele tem muita habilidade, em geral, na parte de redes sociais e de marketing digital”, aponta. “Ele também é caracterizado como uma pessoa muito versátil, que se adapta a diversos tipos de trabalho, em diversas condições, e é multitarefa. Além disso, a cordialidade: o brasileiro sorri”, completa. Mas há um lado que dá menos orgulho. “Talvez nós tenhamos características negativas também. Emergiu na nossa pesquisa algo relacionado à sabotagem entre negócios, um jogando areia no negócio do outro ou criando denúncias falsas.” O sucesso no novo ambiente pode ser medido pelo grau de produtividade, mas também pela saúde e pela felicidade. Esse é o tripé da sustentabilidade de carreira, explica Falcão, antes mesmo do dinheiro. Conhecer a legislação e vencer a burocracia O mineiro Rodrigo Pinho Aragão sonha em abrir uma empresa de consultoria e contou à RFI sobre a dificuldade com a burocracia. “Eu vim para a França com visto de trabalho, pelo fato de ter diploma francês. Mas o visto não permite a criação de uma empresa ou abertura de uma conta empresarial”, lamenta. “Para poder criar a empresa, tenho que fazer a transição de visto e justificar a viabilidade econômica do projeto que desejo criar”, continua. Na França, há diferentes tipos de vistos de empreendedorismo: o mais focado em profissões liberais, comerciais e artesanais, e outro para empresas de maior porte, que visam contratar pessoas e ter escala. “Mas, nesse caso, tem que justificar um investimento de € 30 mil com disponibilidade imediata para investir na empresa. É um pouco a situação do ovo ou da galinha: você precisa justificar investimento em uma empresa que não existe e, para a empresa existir, você precisa do visto”, afirma. “Ao mesmo tempo, você precisa fazer com que a empresa exista: imaginar como ela vai ser, pensar nos clientes, no seu plano de negócios. Criar uma empresa já é uma trajetória desafiadora e, além disso, você precisa encontrar os caminhos, institucionalmente falando, para fazer essa transição de visto”, conclui. A validade ou não de diplomas, habilidades e experiências prévias também é fonte de preocupação. Outro desafio comum, além de documentos e moradia, são encontrar um limite entre ambiente profissional e familiar – os contornos são fluidos para o pequeno e médio empreendedor que têm sonho de crescer. Na França, mulheres são maioria entre imigrantes brasileiros Na Europa, Portugal encabeça a lista de países com mais imigrantes brasileiros: 500 mil, um número que Falcão acredita estar subnotificado. Na França, há entre 120 e 130 mil brasileiros residentes. Uma curiosidade apontada na pesquisa é que, entre os que vivem no território francês, 75% são mulheres e maioria está na faixa dos 30 anos. Cerca de 45% têm graduação e aproximadamente um terço é pós-graduada. Apaixonada por moda e vivendo na Europa há 22 anos, Patrícia Cordeiro já lançou sua marca, Madame Dumont, e sonha  ainda mais alto. “Agora eu quero fazer um curso de chapéu, que é um nicho muito bom e é algo que foi sonhado no meu coração”, disse, à RFI. Ela afirma não estar encontrando muitas dificuldades no caminho. “Muito sinceramente, as portas têm se aberto e tudo tem fluído naturalmente, sem grande procura, sem forçar. Estou no lugar certo, no momento certo e com as pessoas certas”, comemora. “Estou investindo primeiramente no conhecer, no aprender e amadurecer; e depois vem essa segunda fase do dinheiro para expandir o negócio”, completa cheia de esperança.

Meio Ambiente
Quem é o 'cowboy' francês ameaçado de morte por negacionistas climáticos

Meio Ambiente

Play Episode Listen Later Jan 29, 2026 8:18


“Toda manhã, acordo com a minha ‘ameacinha' de morte me esperando.” O tom é de brincadeira, mas o ódio na internet virou caso de polícia na vida do engenheiro agrônomo francês Serge Zaka. Há cerca de 10 anos, ele compartilha nas redes sociais os conhecimentos de agroclimatologista para ajudar os produtores rurais a se adaptarem às mudanças climáticas. Jamais imaginou que os seus vídeos o tornariam um alvo dos negacionistas climáticos, ao ponto de precisar de proteção. Lúcia Müzell, da RFI em Paris Em 2025, o assédio virtual disparou, de internautas não só da própria França, como de endereços nos Estados Unidos e em países de influência russa. Zaka não acredita em um acaso: a situação piorou após a volta de Donald Trump à presidência americana, impulsionando o discurso contrário à ciência e, em especial, à proteção do meio ambiente. Hoje, o agrônomo vive sob proteção policial, na região de Montpellier, no sul do país. “Chegamos neste ponto. Até na Europa, tem um tipo de ‘trumpização', digamos, da ciência. Passamos para uma era da pós-verdade, na qual colocamos as emoções à frente dos fatos científicos”, resume. “Recebi ameaças de morte, acusações racistas, ameaças de estupro. Cheguei a receber ameaças sobre minha aparência, por usar um chapéu de cowboy. Virou quase uma rotina”, conta o engenheiro agrônomo.  A paixão por fotografar trovões levou Zaka, doutor em biologia, a se especializar em uma área pouco conhecida, mas cada vez mais importante para o futuro da agricultura face às mudanças climáticas. A agroclimatologia estuda as interações entre o clima e as atividades produtivas no campo. Nas redes sociais, o especialista tem milhares de seguidores interessados nos seus conselhos sobre como preparar a agricultura francesa ao aumento dos fenômenos extremos, como as secas e enchentes. “É sobre como a gente se prepara até 2050 ou até 2070 face às mudanças climáticas, conforme a região. Preciso trocar espécies? Devo começar a plantar espécies tropicais na Europa?”, exemplifica. “Devo preparar os meus consumidores a novos gostos, novas cores dos produtos no mercado? Os agricultores são muito abertos a essas discussões porque estão particularmente afetados pelas mudanças do clima, afinal isso mexe com o bolso deles”, aponta. Vinho, legumes: agricultura francesa já sofre consequências Na França, as alterações climáticas já viram do avesso uma das culturas agrícolas mais tradicionais, a do vinho. As temperaturas mais quentes obrigam os produtores do sul do país a planejarem sistemas de irrigação, até pouco tempo atrás dispensáveis. Com frequência, as colheitas da uva precisam ser antecipadas e até as zonas geográficas históricas de produção, como a Borgonha, estão ameaçadas. Em 2025, os prejuízos relacionados a duas ondas de calor custaram € 10 bilhões à agricultura francesa, segundo um relatório da universidade alemã de Mannheim sobre as perdas do setor em toda a Europa. A França foi o terceiro país mais atingido, depois da Espanha e da Itália. Os produtores de legumes e hortaliças também buscam caminhos de adaptação. Os invernos mais brandos e curtos levam ao amadurecimento precoce das plantas – que ficam desprotegidas em caso de uma onda de frio tardia. “Eu saliento que as mudanças climáticas são um fato. Não tem nenhuma discussão sobre o aumento da temperatura ou as mudanças das precipitações, afinal elas estão [sendo] medidas por dezenas de milhares de estações meteorológicas no nosso país”, frisa o produtor de conteúdo. “Mas não é só isso: temos as datas de florescimento das plantas, a migração dos pássaros, o início do canto das cigarras, que também mudou. Não são medidas humanas, mas medidas ambientais que estão se alterando progressivamente.”   Tratamento dos solos na Europa ou no Brasil Para enfrentar esta nova realidade, o setor vai precisar dar mais atenção ao tratamento dos solos, afirma Serge Zaka. As zonas suscetíveis às ondas de calor precisarão pensar em técnicas de estocagem da água, enquanto aquelas onde as chuvas aumentarão deverão planejar melhor o escoamento da água – que, quando acumulada, leva ao aumento das pragas nas lavouras.  Por outro lado, novas culturas favorecidas pelas altas temperaturas, como oliveiras e frutas, poderão ser expandidas no país, aconselha o agroclimatologista. O francês também está de olho nas mudanças no restante da Europa e até mesmo além das fronteiras do continente.  “Para os agricultores brasileiros, os princípios são praticamente os mesmos. Precisaremos trabalhar no mapeamento das áreas de distribuição das culturas: no Brasil, algumas migrarão para o sul, para longe dos trópicos”, afirma. “Prestem muita atenção ao solo, porque haverá tanto excesso, quanto escassez de água. E ao avançarem pouco a pouco sobre a floresta tropical, vocês estão não apenas alterando o ciclo global do carbono, mas também estão ressecando os campos e se tornando, vocês próprios, mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas”, salienta. A vegetalização das áreas rurais, importante solução natural para o enfrentamento do calor e a resiliência dos solos, é um conselho que hoje vale para grande parte do mundo, ressalta o especialista. As pesquisas em genética e o uso das ferramentas digitais também podem ser aliadas valiosas contra uma crise que só tende a se agravar nas próximas décadas.  “As ameaças passam por cima do meu chapéu, como dizemos em francês. Eu não ligo, porque a partir do momento em que eu toco e incomodo pessoas que não concordam comigo, é porque o meu objetivo está sendo cumprido”, diz Zaka. “Pelo contrário, tudo isso me dá mais visibilidade nos algoritmos das redes sociais e na mídia. E tem o efeito oposto do que eles querem: em vez de me silenciar, eles acabam me promovendo.”

O Mundo Agora
O que o livro de Sarkozy revela sobre o ensino do nazismo e a história da extrema direita na França

O Mundo Agora

Play Episode Listen Later Dec 22, 2025 4:05


A decisão de Nicolas Sarkozy de abandonar a barragem republicana contra a extrema direita diz menos sobre ele do que sobre a forma como o nazismo continua sendo mal ensinado na França. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy publicou recentemente um livro que merece ser lido. Não por seu valor literário, mas pelo que ele revela. Não se trata de um livro pedagógico, muito pelo contrário. Ele funciona como um testemunho involuntário de como o nazismo e a história da extrema direita continuam sendo mal ensinados. Sarkozy ficou preso por três semanas entre outubro e novembro, condenado por corrupção. Após deixar a prisão, enquanto aguarda o julgamento de recursos, publicou um livro no qual relata uma conversa com Marine Le Pen, líder da extrema direita francesa, que teria telefonado para manifestar solidariedade. Em resposta, Sarkozy conta que lhe disse ter passado a se opor à tradicional política de "cordão sanitário", isto é, à prática que, por décadas, levou partidos do mainstream a impedir a chegada da extrema-direita ao poder. Para ele, essa barreira política já não faria mais sentido. Discursos da extrema direita circulam com "naturalidade" O gesto se insere em um movimento mais amplo. Discursos antes característicos da extrema direita circulam hoje com naturalidade em partidos tradicionais. Entre apoiadores de Sarkozy, fala-se abertamente em alianças eleitorais. Mesmo setores do macronismo, que se apresentam como centristas, seguem na mesma direção ao afirmar que a esquerda representaria hoje uma ameaça maior à República do que a extrema direita. Esses deslocamentos deveriam causar inquietação. Eles revelam uma dificuldade persistente em lidar com a história do nazismo – algo que poderíamos até esperar em um país como o Brasil, mas que também se manifesta na França, apesar de o país ter sido ocupado pelos alemães.  Diante de análises desse tipo, a reação costuma ser previsível. Comparar a extrema direita atual com o nazismo não seria exagerado? Não se trata de um argumento ad Hitlerium, desses que empobrecem o debate ao recorrer ao pior exemplo possível? Essa reação ignora, em primeiro lugar, que estamos falando de partidos fundados por antigos colaboracionistas, por oficiais da Waffen-SS, e que mantêm até hoje vínculos com o submundo de grupos violentos de extrema direita. Mais do que isso, porém, essa reticência em estabelecer comparações é, em si, evidência dos problemas na forma como o nazismo é construído como objeto histórico. Para entender esse ponto, vale recorrer a dois historiadores. O brasileiro Michel Gherman, professor da UFRJ e especialista na história do antissemitismo, e o francês Johann Chapoutot, professor da Sorbonne e estudioso da Alemanha nazista. Gherman insiste, em seu livro "O não-judeu judeu" (Editora Fósforo), que ao absolutizarmos o nazismo como um mal incomparável, acabamos nos tornando incapazes de aprender com ele. O nazismo é reduzido à Shoá e ao extermínio nos campos, como se tudo começasse e terminasse ali. Mas os nazistas chegaram ao poder quase uma década antes de erguer um sistema de morte em escala industrial.  Nesse período, políticas de exclusão, perseguições graduais e violências seletivas foram sendo implementadas. Antes da chamada solução final, houve uma série de “soluções parciais” que, de uma forma ou de outra, foram toleradas. Houve críticas e resistências, mas houve também acomodação e aceitação progressiva. Ao concentrar o ensino apenas no horror final, perde-se de vista esse processo de normalização. A banalidade do mal Chapoutot chega a conclusões semelhantes por outro caminho. Em "Os Irresponsáveis", ele mostra que Hitler não chegou ao poder por meio de um golpe armado. Foi convidado pelos partidos do centro, em particular pelo Zentrumspartei, que o viam como um mal menor diante da esquerda, inclusive da social-democracia. Acreditava-se que seria possível controlá-lo. O próprio Hitler se esforçou para parecer respeitável, salonfähig, como se diz em alemão: apto a circular nos salões da alta sociedade. A violência e a destruição da democracia já estavam presentes, mas não se apresentavam como ruptura aberta. O que Gherman e Chapoutot nos ensinam é que, apesar dessa normalização, o mal nazista já estava lá. Tratava-se, porém, de uma forma de mal mais perversa, justamente por ser menos visível e, por isso, mais difícil de reconhecer. Não o mal absoluto, mas aquilo que Hannah Arendt chamou de banalidade do mal. Um mal que se instala por meio de decisões ordinárias, justificadas como razoáveis, tomadas por pessoas que não se veem como cúmplices de nada. O mal dos cidadãos de bem. Por isso, repetir que nada pode ser comparado ao nazismo não é sinal de rigor histórico. É, na verdade, uma forma de negacionismo histórico. É uma forma de absolutizar o nazismo e apresentá-lo como muito distante do presente, distante de nós. E não quer ver que, ao contrário, ele está no meio de nós. O nazismo não retorna como repetição literal, mas como gramática política, como modo de dividir a sociedade entre os que pertencem e os que devem ser excluídos.  Em 2025, a normalização da extrema direita se acelerou na França e em outros países. É por isso que olhar para a história é fundamental. Para aprender, antes de tudo, que a ascensão da extrema direita não tem nada de natural ou inevitável. E para entender que é precisamente quando ela se apresenta de maneira mais bem comportada que mora o perigo. Porque o mal que ela reproduz é o mal cotidiano. É a banalidade do mal.

Reportagem
Torcida rubro-negra em Paris confia na vitória do Flamengo sobre o PSG no Intercontinental: 'Vai ser lindo'

Reportagem

Play Episode Listen Later Dec 17, 2025 6:53


O Flamengo enfrenta o PSG nesta quarta-feira (17), em Al Rayyan, no Catar, na disputa pelo título da Copa Intercontinental 2025. Além da imensa torcida de mais de 45 milhões de rubro-negros no Brasil, o clube contará com um grupo de torcedores em Paris, casa da equipe adversária — incluindo um francês apaixonado pelo time carioca. Confiantes na vitória, eles esperam pintar a Torre Eiffel e o mundo de vermelho e preto. Renan Tolentino, da RFI em Paris “A gente vai com tudo, o Flamengo tem tudo para ser campeão. Não será surpresa se levarmos esse título e comemorarmos dentro de Paris. Vai ser a coisa mais linda”, projeta Cidel Cavalcante, um dos criadores da FlaParis. Consulado oficial de torcedores do Flamengo na França, a FlaParis é pé-quente. Foi fundada há seis anos, quando o clube carioca iniciou a atual era de conquistas históricas, que já soma 19 troféus. “Começou em 2019, naquele ano mágico, após o time viver um jejum de títulos expressivos. Nessa época, eu me mudei para Paris e fui buscar outros rubro-negros como eu aqui. Tive a sorte de achar um francês apaixonado pelo Flamengo, não só pelo Flamengo, mas pelo futebol brasileiro também. Daí em diante, a gente reúne os torcedores rubro-negros que estão aqui em Paris para ver os jogos”, conta Cidel. Naquela temporada de 2019, o time carioca venceu a Copa Libertadores da América e o Brasileirão. De lá para cá, acostumou-se a empilhar troféus. Em 2025, repetiu os mesmos feitos de seis anos atrás, conquistando seu nono campeonato nacional e sua quarta Libertadores, tornando-se o clube brasileiro com mais títulos na competição. Agora, o desafio é ser campeão mundial pela segunda vez na história — um feito que esta geração de torcedores sonha ver. Como o carioca Danilo Fernandes, que vive na França desde 2019 e é um dos diretores da FlaParis. “É a realização de um sonho e a gente, como torcedor, está podendo participar disso. Para nós aqui, vai ser uma sensação diferente, por estar morando em Paris e ver o Flamengo enfrentar o time da cidade. Vamos ver o que vai dar... Mas estamos bem esperançosos”, diz Danilo. Caminho para o bi mundial Para conquistar o bicampeonato mundial, o Rubro-Negro precisa superar o poderoso PSG, campeão da Liga dos Campeões neste ano e que conta com o francês Dembélé, vencedor da Bola de Ouro 2025. Para chegar à decisão do Intercontinental, o clube carioca passou por duas etapas: primeiro, superou o Cruz Azul, do México, no Dérbi das Américas; depois, venceu o Pyramids, do Egito, pela Copa Challenger, que no formato atual equivale à semifinal da competição. “Acho que o Flamengo vai para cima. É uma partida difícil, o jogo do ano. Vamos enfrentar um time ótimo, campeão da Champions League, que vem tendo um bom desempenho neste ano. Mas o Flamengo também trabalhou bastante para chegar até aqui. Então, a gente como torcedor acredita que dá para realizar esse sonho”, reflete Danilo. O confronto contra os franceses promete ser duríssimo. Apesar do histórico recente indicar certo desinteresse de clubes europeus pela competição, o jogo será no Catar, país dos proprietários do PSG — que não deve querer fazer feio diante dos donos. Os torcedores rubro-negros em Paris reconhecem o cenário difícil e as qualidades do adversário, mas isso não abala a confiança e o otimismo deles. “O time tem que manter a defesa alta, fazer aquela marcação-pressão e arriscar, entrar com garra, força de vontade e disposição para sair com a vitória”, analisa Danilo. Na final da Libertadores 2025, em 29 de novembro, a FlaParis mobilizou centenas de torcedores em um restaurante no norte da capital francesa. Na ocasião, os rubro-negros celebraram o Tetra do Flamengo na competição, com a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras. “Foi uma loucura, mais de 600 rubro-negros reunidos para torcer na decisão da Libertadores. Foi uma festa fantástica, que vai se prolongar até a final dessa jornada no Mundial. Tem tudo para ser uma grande festa”, comenta Cidel. "Allez, Flamengô!" Entre esses rubro-negros está o francês Marcelin Chamoin, de 33 anos. Apaixonado pelo Flamengo e pelo futebol brasileiro, ele já transformou esse amor em um livro de crônicas sobre o clube carioca. “Minha primeira lembrança relacionada ao futebol é da Copa do Mundo de 1998, quando a França ganhou do Brasil na final. Mas, apesar de eu ser francês, no Brasil tinha o Ronaldo, então me apaixonei pela seleção brasileira. Depois, comecei a torcer pelo Flamengo, por conta da torcida imensa e do amor único que os flamenguistas têm pelo time. Meu primeiro ídolo nessa época foi o Obina. Depois, foi um sentimento que só cresceu”, recorda. Marcelin admite que tem uma admiração pelo PSG, mas confirma que seu clube de coração é mesmo o Rubro-Negro da Gávea. Ele garante que, na final, não vai ficar dividido. “Na França, eu torço pelo PSG, por morar aqui e também pela ligação que o clube sempre teve com jogadores brasileiros. Vibrei com a conquista da Champions, por exemplo… mas, na final desta quarta-feira, vou ser 100% Flamengo. Para mim, o Flamengo é diferente do PSG e da seleção brasileira. O Flamengo é mais importante”, garante Marcelin. Palpites e candidatos a heróis Com um misto de ansiedade e otimismo, os torcedores confiam na vitória do Flamengo e já projetam o placar e como vai ser a festa em plena Paris. “2 a 0, para o Flamengo, claro. Como o Arrascaeta tem 98 gols pelo Flamengo, seria lindo se ele marcasse dois contra o PSG e chegasse ao centésimo na final do mundial”, palpita o francês Marcelin. Já o brasileiro Danilo aposta em um “2 a 1, com gols de Arrascaeta e Brunho Henrique”. “Eu diria 2 a 1, mas sem sofrimento. Os gols podem ser de Arrascaeta e Brunho Henrique, mas se o Pedro tiver condições de jogo, arrisco um 3 a 1 com ele marcando também”, diz Cidel, otimista. E o candidato a herói é quase unânime: “Arrascaeta sempre”, resumem os rubro-negros. Flamengo e Paris Saint-Germain se enfrentam nesta quarta-feira, às 14h (horário de Brasília) no Estádio Ahmad Bin Ali, em Al Rayyan, no Catar. Se vencer, o PSG conquista o Intercontinental pela primeira vez em sua história. Já se o Rubro-negro for campeão, vai garantir seu segundo mundial e fará mais de 45 milhões de torcedores felizes. Inclusive em Paris.

Partiu morar fora - Vagas pelo Mundo
Médico na França: validação e áreas com demanda - Episódio - 447

Partiu morar fora - Vagas pelo Mundo

Play Episode Listen Later Dec 11, 2025 72:59


A França é um dos países europeus mais interessantes para profissionais de saúde, principalmente os médicos. Por isso, recebemos a consultora internacional Janine Fortuna (@fortuna_janine) que vive na Europa há mais de 20 anos e trouxe atualizações sobre o processo de validação de diploma e áreas com mais oportunidades de trabalho na França. Esperamos que você goste!Aliás, se você curte o nosso trabalho, seja MEMBRO do nosso canal do YouTube. ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Clique aqui e entre na nossa comunidade exclusiva⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ que conta com um episódio extra por semana do nosso podcast, um grupo exclusivo no WhatsApp e ainda ganha o e-book do Claudinho "Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir". Participe!Você pode ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠comprar o e-book através deste link⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠!Participe do nosso ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠canal no WhatsApp⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e fique bem informado com tudo o que está acontecendo! Apresentação: Cláudio Abdo e Amanda CorrêaNos siga no: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠YouTube⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠vagaspelomundo.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ Este episódio tem o patrocínio de:TFA IMMIGRATION: Se você quer mudar de país, planeje! Conte com a expertise de profissionais especializados em imigração. A TFA está agora também em Portugal sendo um apoio para quem deseja morar, trabalhar, investir ou estudar na Europa. ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Acesse o site da TFA⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e siga no Instagram (⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@tfaportugal⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠) e converse com eles! TRIPLE TEN: A TripleTen é a melhor escola de tech dos EUA e a melhor opção para quem deseja migrar para uma carreira promissora e deseja trabalhar para empresas de fora, com ambiente internacional.Quer planejar sua carreira tech e a vida no exterior? A consultoria da @tripleten.brasil (avaliada em R$200) está GRÁTIS para você! Tire suas dúvidas com especialistas e descubra seu caminho.

Saúde
Alimentação, higiene, uso de antibióticos: como evitar a resistência microbiana

Saúde

Play Episode Listen Later Dec 2, 2025 5:18


De acordo com o relatório anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a resistência microbiana, publicado em outubro, um sexto das infecções bacterianas confirmadas em laboratório e mais comuns em humanos é resistente aos antibióticos.   Taíssa Stivanin, da RFI em Paris Vários fatores contribuem para esse cenário, explicou o infectologista francês Sylvain Diamantis, membro da Sociedade de Doenças Infecciosas de língua francesa, que atua no hospital de Melun, na região parisiense. Ele cita, por exemplo, a prescrição de antibióticos para aumentar a massa muscular de bovinos e frangos de corte na agroindústria, o que facilita o aparecimento de micróbios resistentes. “A comunidade científica é claramente contra o uso de antibióticos como fator de crescimento em bovinos e aves”, diz o infectologista. As leis europeias proíbem a prescrição de antibióticos em animais que geram resistência nos humanos. “É uma questão que está atualmente no centro dos debates. O objetivo é que essas leis sejam adotadas em todo o planeta, para que o mundo humano e animal seja obrigado a respeitar as normas de prescrição em antibioterapia. A resistência microbiana é um fenômeno de saúde global, um reflexo da sociedade como um todo.” A França é um país que tradicionalmente prescreve muitos antibióticos, e isso se deve à sua própria história. No século XIX, o cientista Louis Pasteur, que hoje empresta seu nome ao famoso instituto francês com o qual o Brasil mantém várias parcerias, foi um pioneiro da microbiologia. Pasteur descobriu que as bactérias, presentes em toda parte no mundo e no organismo, podem também provocar doenças. Seus estudos estão na origem da adoção de hábitos de higiene simples, como lavar as mãos, essenciais na luta contra a propagação dos micróbios nocivos. Com a invenção da penicilina em 1928 por Alexander Fleming, uma das maiores descobertas da Medicina, o combate às bactérias ganhou outra dimensão social. “Na época, pensávamos que um ‘bom micróbio era um micróbio morto', e os antibióticos começaram a ser muito usados”, lembra o infectologista francês. Segundo ele, o fato de a França ter grandes empresas do setor farmacêutico, como a Sanofi, também contribuiu para a popularização do uso das moléculas e o aumento das prescrições. O contexto social francês impulsionou o consumo e, ao longo das décadas, gerou um aumento progressivo da resistência bacteriana, explica o especialista francês. Mas a taxa está em diminuição há alguns anos, como resultado do lançamento de campanhas que alertam para o uso de antibióticos sem indicação precisa e da incorporação gradual de regras rígidas de higiene nos hospitais franceses, reforçadas após a pandemia de Covid-19, em 2020. “A França tem um nível alto de higiene nos hospitais, com o uso de produtos hidroalcoólicos que interrompem a transmissão das bactérias entre os profissionais de saúde nos estabelecimentos. Graças a isso, diminuímos a nossa taxa de resistência.” Mas, apesar das precauções, diz, os índices nos estabelecimentos franceses ainda permanecem elevados devido à circulação de pacientes de vários lugares do mundo, que às vezes carregam cepas bacterianas sofisticadas. Precisa mesmo de antibiótico? Seja no hospital ou em casa, uma das maneiras de lutar contra o aparecimento das bactérias super-resistentes é, obviamente, não ficar doente. Para isso, a adoção coletiva de hábitos básicos de higiene, como a lavagem das mãos, além de manter o calendário vacinal em dia, é essencial. De acordo com o infectologista, também é importante deixar de utilizar moléculas que geram mais resistência, como as cefalosporinas de terceira geração e as fluoroquinolonas, ambas de largo espectro, ou seja, que tratam diferentes tipos de infecções. Na França, esses dois antibióticos são prescritos principalmente por clínicos gerais, diz Sylvain Diamantis. “O grande desafio da estratégia nacional contra a resistência antimicrobiana é não prescrever antibióticos sem necessidade. Em estudos que fizemos, constatamos que apenas 20% das consultas nos consultórios médicos franceses são infecções bacterianas.” Segundo ele, as prescrições de antibióticos fora dos hospitais poderiam diminuir em 60%, já que bronquites, sinusites e outras doenças banais são, na maior parte do tempo, virais, e os antibióticos não vão acelerar a cura, como imaginam muitos pacientes. No caso da gripe, por exemplo, os antibióticos são prescritos, em geral, alguns dias depois do início da doença, após o retorno da febre, para prevenir infecções secundárias. A doença é caracterizada por uma febre em V, ou seja, começa alta, diminui e depois aumenta de novo, para finalmente ceder. De acordo com o infectologista, isso faz com que os pacientes atribuam de maneira errônea a melhora ao antibiótico, fazendo uma associação equivocada de causa e efeito. “Sem antibiótico, o paciente também não teria febre. Mas a história natural da doença, e a queda brusca da temperatura e seu retorno, dois dias mais tarde, vai induzir ao erro.” Os antibióticos em gotas ou para uso tópico também devem ser evitados. “Quando temos uma infecção, tomamos antibióticos de verdade, na dose certa, para tratá-la corretamente. Os antibióticos de uso local funcionam mal e temos que parar de prescrever. Não há praticamente nenhuma indicação para o uso desse tipo de antibiótico.” Na França, a compra de antibióticos exige receita, mas esse nem sempre é o caso no Brasil, o que aumenta os riscos.

Moda na Mochila
149 | Joalheria e gestão de luxo na França, com Maíra Rebelo

Moda na Mochila

Play Episode Listen Later Dec 1, 2025 89:54


Maíra Rebelo, designer de joias, ou, como ela mesma diz, de pequenas esculturas. Foi essa frase, dita por uma professora durante a faculdade de Artes Visuais, que marcou o início da sua jornada. Maíra começou a trabalhar com joalheira em 2009, cresceu muito na área no Brasil, mas, depois de quase dez anos, se sentiu desiludida com o mercado e decidiu mudar de direção e de país. Ela se mudou para a França para fazer uma pós-graduação em Economia e Gestão de Luxo na Universidade de Reims. E, claro, já que estava por lá, foi viver o sonho parisiense: trabalhou em marcas de luxo como Red Luxury e Mulberry. Mesmo tentando seguir outros caminhos, todas as estradas acabavam levando de volta à joalheria, e hoje ela reencontrou o prazer de criar pequenas esculturas todos os dias, como designer de joias na marca Silvia Furmanovich.convidada: https://www.linkedin.com/in/maira-rebelo/ https://www.instagram.com/maprebelo/ Consultoria do Moda na Mochila: https://www.modanamochila.com/consultoria newsletter: https://modanamochila.substack.com/about Ig: https://www.instagram.com/modanamochila/ 

Reportagem
Jovem agredida pelo namorado francês, que queimou seu passaporte, retorna ao Brasil após denunciar caso

Reportagem

Play Episode Listen Later Nov 14, 2025 6:58


O nome de Gisele Vitóri, de 20 anos, ficou conhecido na semana passada de uma maneira trágica: a jovem carioca foi vítima de violência e teve seu passaporte queimado pelo então namorado enquanto o visitava em Toulouse, no sul da França. Gisele conseguiu escapar da casa do francês, um tatuador de 28 anos, e gravou vídeos nas redes sociais relatando a violência que sofreu. Após a denúncia na polícia, ela retorna para casa no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (14).  * Aviso: esta reportagem contém relatos e imagens de casos de violência Luiza Ramos, da RFI em Paris As imagens, que viralizaram nas redes sociais no Brasil e na França, mostram Gisele aos prantos com o rosto machucado e o lábio inferior cortado e inchado. Nos vídeos, ela defende estar “expondo” a situação por medo: “porque se eu morrer ou se acontecer qualquer coisa comigo, é culpa dele. Ele falou que vai me encontrar”. A jovem chega a alertar outras meninas sobre o perigo de conhecer um “gringo e ir para a casa dele”.  Gisele contou à RFI que teve medo de ligar para a polícia no dia 3 de novembro, quando foi agredida, devido às ameaças do homem, que incluíam constrangimento através da exposição de vídeos íntimos.  “Eu não conhecia as leis, então eu acabava acreditando nas coisas que ele falava, que eu era brasileira e ninguém ia me escutar. Então acabei não falando nada para a polícia, só botei na internet pedindo ajuda. Mas me encontraram e depois me orientaram. Falaram que tem leis que me protegem. E aí, sim, eu fui à polícia”, contou ainda abalada.  Como o relacionamento com francês começou Gisele compartilha uma moradia com amigas no Vidigal, favela na zona sul do Rio. A mãe e os quatro irmãos mais novos moram perto. A jovem trabalha com a tia fazendo extensão de cílios e sobrancelhas, mas também vende bebidas na praia e, eventualmente, atua como modelo fotográfico. Gisele conheceu o tatuador francês há um ano e dois meses, quando ele estava de férias no Brasil. Desde então os dois começaram a namorar, com visitas frequentes tanto dele no Brasil quanto dela na França. Ao longo do relacionamento ela foi apresentada a familiares e amigos do rapaz. Nesta última visita, Gisele chegou à Toulouse no dia 27 de outubro e, segundo ela, a agressão do dia 3 de novembro foi a primeira violência física cometida pelo namorado. Mas o jovem havia demonstrado agressividade e abusos verbais em ocasiões anteriores.  “Eu o conheci em uma festa [no RJ], depois ele se acidentou e eu fiquei com ele no hospital por uma semana. A gente ficou mais um mês no Brasil juntos. Ele falou para eu vir conhecer a França. Eu vim e foi quando a gente começou o relacionamento”, detalhou a jovem, que não demonstra interesse em morar na França e nunca ultrapassou os 90 dias de permanência permitidos para turistas brasileiros no espaço europeu.  Repercussão dos vídeos de Gisele Em um dos vídeos, Gisele relata ter sido alvo de socos, empurrões e chutes e mostra marcas de ferimentos no rosto e braço. As imagens foram compartilhadas por inúmeros portais. Algumas pessoas tentavam ajudar com a marcação de perfis das embaixadas brasileiras na França, órgãos ativistas e personalidades de defesa da mulher. Foi desta maneira que o caso chegou até Nellma Barreto, presidente da associação Femmes de la Résistance (Mulheres na Resistência) voltada para a defesa dos direitos das mulheres em Paris. “Eu consegui localizá-la porque nas minhas redes sociais apareceram várias mensagens de pessoas que tinham contato direto com ela”, disse.  “Ela estava sendo acolhida por um casal na cidade de Toulouse. Nosso trabalho foi de colocá-la imediatamente em segurança. Ela estava há dois dias sem tomar banho, logo após a violência, sem saber o que fazer. Nós a orientamos até a delegacia para fazer o boletim de ocorrência, em seguida o exame de corpo de delito e atendimento médico, pois estava muito perturbada. Acionamos uma advogada e também uma psicóloga, que fez um atendimento de urgência”, explicou Nellma. “Ela estava com muito medo. E nós sabemos que inúmeras mulheres acabam sendo ainda mais vítimas [de agressão] depois de fazer um boletim de ocorrência”, pontuou a ativista. Somente este ano, a associação Mulheres na Resistência, recebeu entre fevereiro e março pelo menos sete pedidos de ajuda por semana de mulheres brasileiras e lusófonas. Normalmente, são de duas a três chamadas de ajuda por semana. Ressignificar a dor e alertar mulheres Depois do que passou na França, o consulado de Marseille forneceu um novo passaporte à Gisele. No entanto, segundo Nellma Barreto, ela ficou com medo de buscar o documento “porque era próximo dos amigos e familiares dele”. Gisele foi a Paris onde o consulado forneceu um documento de viagem que lhe permitiu preparar a volta para casa e ser acolhida pela família. Ela pretende tocar seus projetos para estudar Tecnologia da Informação, fazer terapia para conseguir ressignificar o trauma e poder celebrar seu aniversário de 21 anos no dia 8 de dezembro. A jovem deseja que sua história de denúncia alerte mais mulheres em relacionamentos com qualquer tipo de abuso. “Para elas ficarem atentas já no primeiro sinal. Mesmo que seja um grito, as mulheres devem ir embora. Depois pode ser que elas corram risco de vida. E aí, já é tarde demais, pode ser que elas não tenham chance. Então, quando elas virem o primeiro sinal, elas precisam ir embora”, declara Gisele Vitóri. “Primeiro passo é ligar para polícia” Apesar do caso de Gisele ter alcançado ajuda mediante os vídeos nas redes sociais, Nellma Barreto reforça que é preciso denunciar antes de qualquer atitude. “O primeiro passo é ligar para polícia para se colocar em proteção. Independente de você estar em situação regular no país ou não, independente se você ser imigrante ou não, o primeiro passo é ligar para polícia para pedir socorro”, explicou. “Ela foi muito corajosa em ter feito esses vídeos. Ela foi muito corajosa em ter exposto essa violência. Isso é importante, porque muitas outras mulheres criam coragem para também denunciar abusadores. É uma forma de alertar outras mulheres”, diz a presidente do Mulheres na Resistência. Na França, para casos de violência doméstica contra mulheres de qualquer nacionalidade existe o telefone de assistência direta: 3919. Para perigo imediato, o recomendado é ligar para a polícia no número 17. *Essa matéria foi atualizada Leia também“São índices de guerra”, diz Patrícia Melo sobre feminicídio no Brasil ao lançar romance na França   

Reportagem
Cerimônia em Paris marca os 10 anos dos ataques terroristas mais violentos da história da França

Reportagem

Play Episode Listen Later Nov 13, 2025 14:06


A França presta homenagem nesta quinta-feira (13) às vítimas dos ataques de 13 de novembro de 2015 em Paris. Os dez anos dos atentados mais violentos da história recente do país serão marcados pela inauguração de um jardim memorial na praça Saint-Gervais, no centro da capital, com presença da prefeita Anne Hidalgo e do presidente Emmanuel Macron. A cerimônia laica será transmitida pela televisão.  Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris  O jardim, projetado pelo paisagista Gilles Clément, é composto por vários blocos de granito azul esculpidos, que representam os locais dos ataques terroristas e onde estão inscritos os nomes das vítimas.   O evento, com música e momentos de reflexão, tem direção artística de Thierry Reboul, conhecido por ter coordenado as cerimônias dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris 2024.   O público poderá acompanhar a cerimônia em telões instalados em frente à Prefeitura e na Praça da República, onde foi montada uma exposição fotográfica, e os parisienses poderão depositar flores ou velas em homenagem às vítimas da tragédia.   Há exatos dez anos, a reportagem da RFI relatava ao vivo o que ninguém poderia imaginar: ataques coordenados em diversos pontos de Paris deixaram, no total, 130 mortos e cerca de 400 feridos.  O primeiro local atacado foi o Stade de France, onde 80 mil pessoas assistiam ao jogo de futebol entre França e Alemanha. O jornalista que cobria o duelo em campo passou imediatamente a relatar o susto dos torcedores que ouviram explosões. “Os espectadores ouviram, durante o primeiro tempo da partida, três grandes explosões, com intervalo entre cada uma, mas ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo", relatou. A polícia e os socorristas se mobilizaram para chegar a outros locais atingidos por comandos terroristas armados: bares, restaurantes e a casa de shows Bataclan, lotada com fãs do grupo Eagles of Death Metal.  A contagem das vítimas parecia impressionar mesmo as forças de segurança. O depoimento de um policial, o primeiro a entrar no Bataclan, apontava dezenas de mortos.  O presidente François Hollande, que governava o país na época, correu para estar junto dos franceses. “Nós quisemos estar perto de todos os que viram essas atrocidades para dizer que iremos travar uma batalha impiedosa,” disse o chefe de Estado aos jornalistas, no local da tragédia.  Após uma reunião de crise, o governo declarou estado de emergência no país, convocou todas as forças de ordem e determinou o fechamento do espaço aéreo francês.  Ao ser citado como testemunha no julgamento do caso, em 2021, François Hollande falou sobre a sua função como chefe de Estado naquela noite fatídica de 13 de novembro de 2015. “Este grupo nos atingiu não pelo nosso modo de atuação no exterior, mas sim pelo nosso modo de vida aqui”, sublinhou  Hollande. “A democracia será sempre mais forte do que barbárie", acrescentou. "Carnificina" No Bataclan, casa de shows invadida pelos terroristas, os sobreviventes estavam em choque diante dos corpos das vítimas.  Um dos primeiros a chegar ao local foi o jornalista da RFI, Pierre Olivier. “Eu fui até lá tomando muito cuidado, porque não sabíamos naquele momento o que realmente estava acontecendo", disse em entrevista para marcar os dez anos do caso. "Saí de casa, andei por uns cinco minutos e cheguei em frente ao Bataclan, onde a polícia estava chegando quase ao mesmo tempo que eu. Não havia nenhuma faixa de sinalização impedindo o acesso", continua.  "E gradualmente, a polícia e os bombeiros chegaram. Cada vez nos pediam para recuar mais. Mas quando cheguei, eu estava bem em frente ao Bataclan, e foi aí que comecei a ligar para a redação do meu celular e a reportar ao vivo. E fiz isso por quase três horas, a noite toda," relata.   "Uma mulher me disse que tinha sido uma carnificina, foi horrível. Todos estavam em choque e não queriam conversar. Isso é normal. Naquele momento, não sabíamos realmente o que estava acontecendo lá dentro, mas tínhamos pistas de que era muito sério e que havia mortes, muitas mortes," completa o jornalista.   Dez anos depois, as lembranças permanecem vivas em sua memória.  "Ainda há coisas que permanecem. Quando passo pelo Bataclan, revejo certas cenas. Já se passaram dez anos. E cada vez que passo por ali, lembro daquela noite, revejo pessoas, uma parede, uma vitrine, onde vi uma mulher em seu cobertor de emergência, coisas assim."  Depois de ouvir todos esses depoimentos e de entrevistar sobreviventes, o jornalista desenvolveu uma forma de estresse. "Quando eu entrava em um restaurante, em um bar, em uma casa de espetáculos, ou onde quer que fosse, eu sempre olhava para ver se havia janelas, uma porta de saída e como me sentar, para acessar facilmente a porta. Afinal, nunca se sabe, e se fosse como no Bataclan e um grupo de terroristas chegasse?", ele questiona.  A RFI também conversou com Elsa, uma francesa que assistia ao show na casa noturna Bataclan, quando foi ferida. "Quando fui atingida pela bala, me lembro muito bem da sensação no corpo. Foi tão irreal que ri, pensando: 'Ah, é mesmo como nos filmes'. Mas, falando sério, doeu."  "Eu me agachei e pensei: 'Não vou conseguir correr'. E racionalizei absolutamente tudo o que estava acontecendo. Disse a mim mesma: não posso sentir dor," lembra.   "Na hora você esquece a dor. Eu procurei me colocar em uma posição segura, apesar da multidão passando em cima de mim," relata a sobrevivente.  Passada uma década, Elsa pretende contar sua experiência em um espetáculo. "Eu queria fazer um projeto em torno da dança, não apenas para contar a minha história, mas através da dança, e não apenas em um testemunho que eu poderia ter escrito em um livro ou algo assim. Mas isso me toca menos, pareceu menos relevante para a minha relação com o corpo que eu tinha antes de tudo isso", explica.   Brasileiros entre as vítimas Entre os sobreviventes dos ataques de 13 de novembro de 2015 também há brasileiros. A RFI conversou com Diego Mauro Muniz Ribeiro, arquiteto que, naquela noite, celebrava com amigos no restaurante Le Petit Cambodge, no 10º distrito de Paris.   “A minha recordação foi de ouvir uns barulhos, mas que eu não entendia muito bem. E quando olhei à direita, vi luzes. Não estava entendendo que aquilo eram tiros vindo na minha direção. Minha reação foi me jogar no chão. Me levantei na sequência e saí correndo. A lembrança que eu tenho é de que corri por muito tempo até entrar num supermercado,” lembra o arquiteto.  Diego passou por acompanhamento com psiquiatra e psicanalista para seguir em frente. Ele voltou a Paris três vezes para compromissos relacionados aos atentados, seja para dar depoimentos ou participar de solenidades públicas.   “Na França, existe uma solenidade em homenagem às vítimas, e foi muito impactante para mim. É uma cerimônia extremamente sóbria, silenciosa, e isso é muito respeitoso. Então, fiquei muito emocionado na primeira vez que fui", conta o arquiteto que hoje vive em São Paulo. "Estamos, dentro do possível, bem, mas ainda é um processo de elaborar essas questões, essa violência que, para mim, soa como gratuita”, analisa.  Naquela noite, Diego estava acompanhado de outro arquiteto brasileiro, Guilherme Pianca, com quem a RFI também conversou. Ele visitava Paris pela primeira vez, graças a uma bolsa de estudos, e conta que hoje em dia tem sentimentos ambíguos em relação à cidade.   “Tive alguns momentos de retorno pelo próprio processo e avaliação psiquiátrica que o governo francês fez. Acho que eles foram bem atentos e lidaram com muito cuidado nesse assunto. Esse trauma está sendo constantemente elaborado. Acho que é uma coisa que se dá no longo prazo. São várias camadas que um evento desses significa. Este ano vão inaugurar um jardim em homenagem às vítimas. Acho que existe um esforço bem grande da prefeitura e do próprio Estado francês para lidar com esse assunto.”       O julgamento  Os ataques terroristas de 13 de novembro de 2015 em Paris foram reivindicados pelo grupo Estado Islâmico.  O processo dos terroristas na Justiça francesa durou dez meses. Nenhum dos 20 acusados recorreu da decisão, e o julgamento foi encerrado oficialmente em 12 de julho de 2022.  O único participante ainda vivo do comando jihadista que organizou os ataques em diferentes locais de Paris e arredores, Salah Abdeslam, foi condenado à prisão perpétua. Ele "acatou o resultado", explicaram, à época, seus advogados.  Salah Abdeslam foi o terrorista que não levou seus atos até o fim. Ele afirmou no julgamento ter "desistido" de acionar os explosivos em um bar parisiense por "humanidade". Em outro momento, declarou: “Eu apoio o grupo Estado Islâmico e os amo, porque eles estão presentes no cotidiano, combatem e se sacrificam”. O depoimento chocou familiares das vítimas.  O dispositivo com explosivos foi encontrado dentro de uma lata de lixo. No entanto, em sua deliberação final, os juízes concluíram que o colete explosivo que Abdeslam carregava "não era funcional", colocando seriamente em questão suas declarações sobre a sua suposta "desistência".  A Justiça determinou que o francês, de 32 anos à época, era culpado de ser o "coautor" de uma "única cena de crime": o Stade de France, os terraços parisienses metralhados e a sala de concertos Bataclan.  Os outros 19 corréus, alguns presumivelmente mortos, foram julgados e condenados a penas que variam de dois anos à prisão perpétua.    Os atentados em Paris foram considerados uma retaliação à participação da França na coalizão internacional contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.  Ameaça continua presente Atualmente, a organização terrorista continua representando uma ameaça à segurança do país, embora sua presença não se configure como uma estrutura organizada e visível como nos anos de seu auge (2014–2017). A atuação atual se dá principalmente por meio de células descentralizadas, recrutamento online e influência ideológica, como explicou à RFI Victor Mendes, professor de Relações Internacionais do Ibmec e especialista formado no Instituto Superior de Guerra do Ministério da Defesa do Brasil.  “Hoje, especialmente após a perda de territórios e de combatentes do Estado Islâmico, depois das operações militares ocidentais contra o grupo no Iraque e na Síria, que resultaram no fim declarado do Estado Islâmico em 2019, o grupo atua de forma mais descentralizada do que já atuava anteriormente", diz.  De acordo com o especialista, o Estado Islâmico continua sendo um dos principais grupos terroristas a atuar na Europa, apesar do número reduzido de ataques.   “Na Europa especificamente, uma das tendências, resultado do avanço tecnológico e da comunicação, é que o grupo hoje recruta muitos combatentes principalmente através de redes sociais e plataformas digitais, especialmente menores de idade", diz Victor Mendes.   O especialista alerta para os riscos ainda presentes. “O risco sempre vai existir, principalmente pelo fato de a França ainda ter muitos combatentes que se aliam a esses grupos e pelo fato de, muitas vezes, eles serem cidadãos franceses. Então, não é necessariamente uma questão de imigração”, conclui.     Só em 2024, o terrorismo jihadista foi responsável por 24 ataques na União Europeia, sendo cinco deles com vítimas fatais. A Europol confirma o envolvimento crescente de jovens radicalizados online, inclusive menores de idade, e o uso do conflito na Faixa de Gaza como instrumento de mobilização por grupos como o Estado Islâmico, que denuncia os bombardeios israelenses, descrevendo a população palestina como “mártir”. 

onda.podcast
#103 CAROLINY PEREIRA A FORÇA DA MATERNIDADE: SER MÃE SOLO E CONSTRUIR UMA CARREIRA NA FRANÇA

onda.podcast

Play Episode Listen Later Nov 11, 2025 42:04


Ao ouvir Caroliny contar sua história de maternidade, que começou há mais de 20 anos, transparecem tranquilidade e sabedoria. Foram muitos recomeços na vida dessa mulher de Uberlândia, mãe de Pablo, de 21 anos, e Miguel, de 15, que há uma década vive em Paris, onde dirige uma empresa de design.Aos 19 anos, veio a primeira cesárea. Seis anos depois, outro parto marcado por uma infecção grave. Mas foi nessa experiência de vulnerabilidade que nasceu uma nova consciência: a de ser dona das próprias escolhas.Sozinha, mas acompanhada dos dois filhos, Caroliny embarcou para Paris para fazer um mestrado. Sem falar a língua e sem ter família por perto.Caroliny conta aqui a maternidade jovem, o parto pélvico que acabou em cesárea, a separação do pai de seus filhos e a vida na França. Conversamos sobre o que é ser mãe de adolescentes e criar filhos em outro país.Obrigada, Caroliny, pela reflexão sobre a maternidade como caminho para conquistar mais segurança, firmeza e liberdade na vida.

Podcast Internacional - Agência Radioweb
Ex-pastor brasileiro é julgado na França por crimes de pedofilia

Podcast Internacional - Agência Radioweb

Play Episode Listen Later Nov 4, 2025 5:53


Parentes de vítimas relatam sofrimento e ansiedade para que criminoso seja punido.Esse conteúdo é uma parceria entre RW Cast e RFI.

Reportagem
Ex-pastor brasileiro é julgado na França por crimes de pedofilia contra familiares

Reportagem

Play Episode Listen Later Nov 3, 2025 6:55


Começou nesta segunda-feira (3), em Annecy, nos Alpes franceses, o julgamento do ex-pastor brasileiro Edi Maikel dos Santos Silva, acusado de seis crimes sexuais contra menores na França. Diante dos juízes, após três anos e meio de prisão preventiva, o réu voltou a negar ter mantido relações sexuais ou abusado das vítimas. A RFI conversou com algumas delas, que esperam por justiça.  Maria Paula Carvalho, da RFI  Pelo menos três vítimas estiveram presentes na audiência na Corte Criminal do Tribunal de Annecy. Todas têm parentesco com o acusado e autorizaram que os fatos narrados fossem tornados públicos.  Natural de Belém do Pará, Edi Maikel dos Santos Silva, de 38 anos, está preso preventivamente por decisão do Tribunal de Annecy, no sudeste da França, desde maio de 2022.  Ele atuou como pastor em Annemasse, uma pequena cidade francesa na fronteira com a Suíça. O ex-pastor responde por três estupros e três agressões sexuais contra menores. Em três desses casos, o acusado exercia autoridade sobre a vítima, o que pode agravar a pena em caso de condenação.  Ao menos oito pessoas prestaram queixa à Justiça francesa, relatando terem sido agredidas por ele ao longo dos últimos 20 anos. Entre elas está Camilla Araújo de Souza, sobrinha de Edi Maikel.   "São momentos de muita apreensão, mas estamos confiantes de que tudo vai dar certo. O importante é que estamos aqui todos juntos, torcendo pela nossa vitória", disse ela esta manhã, à RFI. Camilla conta que começou a ser abusada em 2002, quando ainda era criança. Após denunciar o caso à Justiça francesa, ela revelou à RFI detalhes dos abusos: "Minha mãe nos surpreendeu — ele estava tentando esfregar o pênis no meu bumbum", relatou. "Ele é meu tio, irmão da minha mãe. Depois disso, meus pais se separaram. Moramos com minha avó e, em seguida, com minha tia. Quando estávamos na casa da minha avó, ele tentou novamente," acrescenta.   O assédio continuou após a mudança de Camilla para a França, onde, segundo ela, "começaram a ocorrer relações sexuais com penetração". Na época, Camilla tinha entre 12 e 13 anos. "O que mais me revolta é ele dizer que é cristão, que acredita em Deus, mas não assumir o que fez. Então, não está arrependido", lamentou.  Acusado nega denúncias Na tarde desta segunda-feira, diante da juíza que preside a sessão, Edi Maikel dos Santos Silva voltou a negar qualquer envolvimento com Camilla.  "Ele diz que nunca aconteceu nada. Afirma que eu comecei a me apaixonar por ele e, para evitar problemas, foi embora para o Brasil. Mas isso é mentira", segue Camilla. "Na verdade, ele foi para o Brasil porque, quando fui denunciá-lo à polícia, minha avó comprou uma passagem e o mandou para lá, com medo de que fosse preso", denuncia.  Hoje adulta e mãe de dois filhos, Camilla compareceu ao Palácio de Justiça de Annecy acompanhada do pai, João Maria, que viajou da Guiana Francesa — região ultramarina da França. "Estamos aqui juntos", disse o pai da vítima à RFI.  Frédéric Fabrice Cordeiro Brasil, tio de Camila, percebeu imediatamente a atitude suspeita do ex-cunhado, que na época fugiu com a jovem. Mas foi ao descobrir que suas próprias filhas, Kíssia e Victoria, então com 4 e 5 anos, também haviam sido molestadas por Edi Maikel, que ele denunciou o ex-cunhado à polícia. "Todas as noites elas acordavam com a mão dele na calcinha", revelou à reportagem da RFI. Frédéric será ouvido durante o julgamento nesta terça-feira à tarde. Ele afirma estar impressionado com a negação do réu. "Ele negou tudo. Disse que desconhece toda a situação. Não reconhece nada. Ele se lembra de muitos detalhes da infância, mas não se lembra do que fez com essas crianças. Mesmo com provas, declarações, testemunhas, ele diz que não tem nada a declarar e mantém a negação. Com deboche e cinismo, ele responde e ainda olha para as vítimas com desprezo e falta de respeito. As irmãs dele declaram que ele é uma pessoa normal e que não têm nada a se queixar dele" relata. Nesta primeira audiência, a juíza principal apresentou o caso a outros quatro juízes. Entre as testemunhas, foram ouvidas uma ex-namorada de Edi Maikel e uma criança da terceira série de uma escola onde o ex-pastor trabalhava na França. Frédéric conta que a menina denunciou o fato de que o réu havia conseguido seu número de celular e que ela teve medo, pedindo para trocar de turma. Segundo ele, colegas de trabalho de Edi Maikel também declararam à Justiça que o réu "tinha um comportamento esquisito em relação a uma aluna". "O que todos nós queremos é que ele seja severamente punido, por muitos anos, que receba uma pena severa e exemplar. Por tudo aquilo que ele fez, que passe mais de 20, 30 anos na cadeia,", diz Frédéric. "Nós fomos traídos, fomos enganados. Pensávamos que era uma pessoa boa, mas por trás dessa camada de ovelha havia um bicho muito perigoso," continua. "Alívio e recuperar a honra" A ex-mulher de Edi Maikel, Mayra Angela Silveira Vieira, e a filha Marjorie Vieira Palheta, foram ouvidas esta tarde. Mayra descobriu que o acusado abusou da filha pequena quando passaram a viver com ele. Ao estranhar o comportamento da menina, ela resolveu investigar. Em entrevista à RFI, ela contou que os abusos começaram quando a menina tinha cinco anos. As agressões duraram cerca de 10 anos. Por conta disso, a filha desenvolveu transtornos, como apontou a conclusão do exame psicológico feito pelo Tribunal de Annecy quando a jovem tinha 18 anos. O laudo, ao qual a RFI teve acesso, afirma que a vítima "tinha medo de homens, sofria de insônia, tinha pesadelos e não suportava a vergonha pelo ocorrido". Mayra Angela Silveira conta que o ex-marido chegou a confessar os abusos, em uma reunião gravada em vídeo com a mediação de um pastor. Mas ao ser interrogado no inquérito, ele negou tudo. "Estamos muito emocionadas. Os sentimentos são muito intensos. A raiva, a revolta são muito intensas. Ele negou tudo, então eu ainda tinha um pingo de esperança de que ele pelo menos assumisse, porque isso alivia a nossa dor, alivia a nossa revolta. Mas ele nega tudo, e sempre tenta se fazer de vítima", disse Mayra. "Acredito que ele está cavando o próprio buraco. É muito revoltante. Ao mesmo tempo, dá um alívio poder viver isso. Dar voz a muitas vítimas que não têm a oportunidade que a gente tem. E eu quero que a minha filha sinta dessa forma: lutando pela verdade dela, tentando recuperar um pouco da sua honra. Isso é algo irreversível, mas queremos viver isso ao máximo para virar essa página e tentar viver em paz." A advogada de defesa, Sylvie Correia, explicou que as vítimas tinham a possibilidade de escolher uma audiência fechada, mas optaram por uma audiência pública para expor os fatos. "Acho que vamos viver uns cinco dias bastante intensos. Para as pessoas que eu represento, este julgamento é visto como o fim deste processo, deste caminho que elas fizeram para serem consideradas como vítimas e aceitar que o que elas viveram não era um caso normal, e que têm direitos." Detenção prorrogada pela justiça O acusado passou por exames psicológicos. No laudo, ao qual a RFI teve acesso, Edi Maikel revela ter sofrido agressões sexuais na adolescência. A sua detenção provisória foi prorrogada quatro vezes pela justiça francesa.  A reportagem entrou em contato com o advogado do acusado, mas não obteve retorno até esta publicação. A legislação da França prevê penas mais duras quando há agressão de membros da própria família. O brasileiro, que diz ser vítima de um complô, pode pegar até 20 anos de prisão. O julgamento vai até a próxima sexta-feira (7).

Brasil-Mundo
Bailarino brasileiro celebra 10 anos na França como único latino no clássico ‘Aida' da Ópera de Paris

Brasil-Mundo

Play Episode Listen Later Oct 26, 2025 7:35


Thiago Menezes é o único dançarino brasileiro e latino-americano na temporada do clássico Aida, na Ópera de Paris, em cartaz até 4 de novembro. Ele começou sua carreira ainda criança no subúrbio do Rio de Janeiro, passou por companhias de dança, se formou como ator e viveu intensas experiências profissionais. Desde 2016, o carioca fixou residência na França, onde atuou por várias companhias de teatro e dança e, agora, alcança seu ápice profissional aos 38 anos, ao passar pela entrada de artistas da consagrada Ópera Bastille. Thiago sempre se percebeu como artista: “Eu sempre quis dançar, desde pequeno. Sempre quis fazer algo com arte. Eu amava o mundo da televisão. Lembro de muito pequeno já ver os programas infantis e querer estar ali dentro”, recorda. Criado no bairro de Quintino, aos 16 anos Thiago precisou trabalhar para apoiar sua família, mas conseguiu continuar sonhando com a carreira de artista. “Eu comecei a fazer cursos de teatro, de dança. Tudo com bolsa, porque eu não podia pagar. Era uma época em que não tinha muito meninos e os cursos davam bolsa para homens”, explica. Ele passou por inúmeras escolas de dança como o Centro de Dança Rio, no Méier, a Cia Nós da Dança, a Petite Danse, e se tornou ator na Escola de Teatro da Faetec, no Rio, antes de fazer seu caminho no exterior. No entanto, o bailarino e ator considera as ruas do Rio de Janeiro como o lugar que o moldou para ser hoje um artista “plural”. “Eu tive a experiência da rua, das companhias de dança, o que me formou como artista, a ter disciplina e ideia de grupo. Mas sou um bailarino de danças urbanas, de jazz que vem do subúrbio do Rio de Janeiro. Eu ensaiava no MAM (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) ou no baile do viaduto de Madureira. A gente ia se formar ali na rua. Dos bailarinos que conheço que estão no Brasil ou no mundo, a gente teve essa pluralidade de formação”, aponta. Carreira entre Brasil e França Mas as poucas oportunidades para artistas e dançarinos negros na TV e teatro fizeram com que Thiago, que sentia sua carreira estagnada no Brasil, olhasse para fora no ano de 2012.  “Surgiu uma audição para vir para o circo na França como bailarino. A base do circo era em Toulouse, mas a gente viajava. Eu conheci a França inteira, gente!", relembra o carioca. "Fiquei um ano aqui, não quis renovar o contrato, quis voltar para o Brasil”, disse em entrevista à RFI. Durante esse breve retorno ao Brasil, Thiago Menezes fez teatro, participação em novela e até musicais, e permaneceu alguns anos trabalhando com o grupo Nós do Morro. Mas em 2016 decidiu voltar à França visando construir uma carreira sólida na dança.  Dez anos de carreira na França O artista destaca que não poderia haver melhor momento para estar trabalhando em uma das instituições mais importantes do cenário cultural europeu e mundial. “Aida é uma das minhas óperas preferidas e é um sonho realizar esta ópera agora, porque faz 10 anos que estou aqui. Comemorar os 10 anos fazendo uma ópera na Ópera de Paris”, celebra Thiago. Aida é uma obra clássica italiana criada em 1871 por Giuseppe Verdi. Com mais de 3 horas e meia de duração, entre cenas épicas, árias e a famosa marcha triunfal, a ópera conta a história de uma princesa etíope escravizada no Egito, que enfrenta a rivalidade de Amneris, filha do faraó, que ama o mesmo homem que ela, Radamés.  Thiago Menezes detalhou o processo para conquistar sua vaga no espetáculo que está em cartaz até o dia 4 de novembro na Ópera de Paris: “Fiz uma audição com mais de 60 pessoas, bem complicada. A gente teve várias fases, mas começou com a dança porque eles precisavam de bailarinos de universos diferentes. Desde acrobatas, dançarinos de hip hop, balé clássico, contemporâneo e jazz. Foram cinco horas de audição”, explica. Apesar da seleção intensa, que também contou com uma fase de testes de interpretação, Thiago revela que teve um pressentimento positivo sobre conseguir a oportunidade. “Nesse dia eu falei: 'Eu vou pegar!'. Joguei para o universo. Recebi a resposta por e-mail uma semana depois, e fiquei muito feliz. Estou muito feliz!”, festeja. Representando o Brasil  Para Thiago, o caminho para chegar onde está sempre foi solitário, enquanto único brasileiro em diversas produções das quais já participou. Entretanto, ele se mostra esperançoso para um futuro com mais jovens sonhadores dos subúrbios sonhando alto e chegando longe. “Eu fico muito orgulhoso de ser o único brasileiro nessa produção, em mais de cem pessoas, sem contar a parte técnica, numa ópera desse tamanho. Eu fui muitas vezes o único latino-americano e único brasileiro em vários projetos. Infelizmente ainda é a minha realidade. Eu gostaria que houvesse mais brasileiros, mas vai ter. Isso vai acontecer!”, projeta Thiago Menezes. “Ser o único brasileiro é trazer essa leveza que a gente tem, trazer também o riso, levar a galera para ir comer comida brasileira, levar a galera para um samba depois do palco. Acho que a gente também é conhecido pela nossa alegria, pela nossa espontaneidade. Eu trago não só eu, Thiago, mas o Brasil comigo nessa leveza e alegria que a gente tem e que a gente emana muito para o mundo!”, aposta o bailarino.    

Brasil-Mundo
Bailarino brasileiro celebra 10 anos na França como único latino no clássico ‘Aida' da Ópera de Paris

Brasil-Mundo

Play Episode Listen Later Oct 26, 2025 7:35


Thiago Menezes é o único dançarino brasileiro e latino-americano na temporada do clássico Aida, na Ópera de Paris, em cartaz até 4 de novembro. Ele começou sua carreira ainda criança no subúrbio do Rio de Janeiro, passou por companhias de dança, se formou como ator e viveu intensas experiências profissionais. Desde 2016, o carioca fixou residência na França, onde atuou por várias companhias de teatro e dança e, agora, alcança seu ápice profissional aos 38 anos, ao passar pela entrada de artistas da consagrada Ópera Bastille. Thiago sempre se percebeu como artista: “Eu sempre quis dançar, desde pequeno. Sempre quis fazer algo com arte. Eu amava o mundo da televisão. Lembro de muito pequeno já ver os programas infantis e querer estar ali dentro”, recorda. Criado no bairro de Quintino, aos 16 anos Thiago precisou trabalhar para apoiar sua família, mas conseguiu continuar sonhando com a carreira de artista. “Eu comecei a fazer cursos de teatro, de dança. Tudo com bolsa, porque eu não podia pagar. Era uma época em que não tinha muito meninos e os cursos davam bolsa para homens”, explica. Ele passou por inúmeras escolas de dança como o Centro de Dança Rio, no Méier, a Cia Nós da Dança, a Petite Danse, e se tornou ator na Escola de Teatro da Faetec, no Rio, antes de fazer seu caminho no exterior. No entanto, o bailarino e ator considera as ruas do Rio de Janeiro como o lugar que o moldou para ser hoje um artista “plural”. “Eu tive a experiência da rua, das companhias de dança, o que me formou como artista, a ter disciplina e ideia de grupo. Mas sou um bailarino de danças urbanas, de jazz que vem do subúrbio do Rio de Janeiro. Eu ensaiava no MAM (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) ou no baile do viaduto de Madureira. A gente ia se formar ali na rua. Dos bailarinos que conheço que estão no Brasil ou no mundo, a gente teve essa pluralidade de formação”, aponta. Carreira entre Brasil e França Mas as poucas oportunidades para artistas e dançarinos negros na TV e teatro fizeram com que Thiago, que sentia sua carreira estagnada no Brasil, olhasse para fora no ano de 2012.  “Surgiu uma audição para vir para o circo na França como bailarino. A base do circo era em Toulouse, mas a gente viajava. Eu conheci a França inteira, gente!", relembra o carioca. "Fiquei um ano aqui, não quis renovar o contrato, quis voltar para o Brasil”, disse em entrevista à RFI. Durante esse breve retorno ao Brasil, Thiago Menezes fez teatro, participação em novela e até musicais, e permaneceu alguns anos trabalhando com o grupo Nós do Morro. Mas em 2016 decidiu voltar à França visando construir uma carreira sólida na dança.  Dez anos de carreira na França O artista destaca que não poderia haver melhor momento para estar trabalhando em uma das instituições mais importantes do cenário cultural europeu e mundial. “Aida é uma das minhas óperas preferidas e é um sonho realizar esta ópera agora, porque faz 10 anos que estou aqui. Comemorar os 10 anos fazendo uma ópera na Ópera de Paris”, celebra Thiago. Aida é uma obra clássica italiana criada em 1871 por Giuseppe Verdi. Com mais de 3 horas e meia de duração, entre cenas épicas, árias e a famosa marcha triunfal, a ópera conta a história de uma princesa etíope escravizada no Egito, que enfrenta a rivalidade de Amneris, filha do faraó, que ama o mesmo homem que ela, Radamés.  Thiago Menezes detalhou o processo para conquistar sua vaga no espetáculo que está em cartaz até o dia 4 de novembro na Ópera de Paris: “Fiz uma audição com mais de 60 pessoas, bem complicada. A gente teve várias fases, mas começou com a dança porque eles precisavam de bailarinos de universos diferentes. Desde acrobatas, dançarinos de hip hop, balé clássico, contemporâneo e jazz. Foram cinco horas de audição”, explica. Apesar da seleção intensa, que também contou com uma fase de testes de interpretação, Thiago revela que teve um pressentimento positivo sobre conseguir a oportunidade. “Nesse dia eu falei: 'Eu vou pegar!'. Joguei para o universo. Recebi a resposta por e-mail uma semana depois, e fiquei muito feliz. Estou muito feliz!”, festeja. Representando o Brasil  Para Thiago, o caminho para chegar onde está sempre foi solitário, enquanto único brasileiro em diversas produções das quais já participou. Entretanto, ele se mostra esperançoso para um futuro com mais jovens sonhadores dos subúrbios sonhando alto e chegando longe. “Eu fico muito orgulhoso de ser o único brasileiro nessa produção, em mais de cem pessoas, sem contar a parte técnica, numa ópera desse tamanho. Eu fui muitas vezes o único latino-americano e único brasileiro em vários projetos. Infelizmente ainda é a minha realidade. Eu gostaria que houvesse mais brasileiros, mas vai ter. Isso vai acontecer!”, projeta Thiago Menezes. “Ser o único brasileiro é trazer essa leveza que a gente tem, trazer também o riso, levar a galera para ir comer comida brasileira, levar a galera para um samba depois do palco. Acho que a gente também é conhecido pela nossa alegria, pela nossa espontaneidade. Eu trago não só eu, Thiago, mas o Brasil comigo nessa leveza e alegria que a gente tem e que a gente emana muito para o mundo!”, aposta o bailarino.    

JORNAL DA RECORD
20/10/2025 | 2ª Edição: Museu do Louvre, na França, permanece fechado após roubo de joias no domingo (19)

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Oct 20, 2025 4:04


Confira nesta edição do JR 24 Horas: O Museu do Louvre, na França, permaneceu fechado nesta segunda-feira (20), um dia depois que joias do acervo foram roubadas. O fechamento do Louvre frustrou os turistas em Paris. No domingo (19), dois assaltantes usaram um guindaste para invadir o Museu e acessar uma galeria, que guarda as joias da coroa francesa. E ainda: Polícia Federal apreende 42 animais transportados de forma ilegal em São Paulo e no Paraná.

Reportagem
‘Céu Tupinambá': exposição na França resgata cosmologia e o manto sagrado indígena

Reportagem

Play Episode Listen Later Oct 18, 2025 5:51


O manto sagrado contemporâneo dos Tupinambá chega pela primeira vez a uma galeria de arte, na França. A exposição, com obras de Glicéria Tupinambá, artista, ativista dos direitos indígenas e doutoranda em antropologia, acontece na Galeria Ricardo Fernandes, em Saint-Ouen, ao norte de Paris. Patrícia Moribe, da RFI em Paris Reconhecida como uma das figuras mais importantes da arte contemporânea indígena no Brasil, Glicéria une arte, espiritualidade e ativismo cultural, com foco na preservação da memória de seu povo. A inspiração para o projeto Céu Tupinambá surgiu de uma experiência pessoal da artista durante um período de detenção, em 2010, quando lutava pela demarcação de seu território. Ao observar uma criança dançar para o céu, Glicéria passou a buscar o conhecimento ancestral que foi apagado. Ela explica que o projeto visa resgatar saberes silenciados pela colonização. "Os Tupinambás sabiam nomear todas as constelações, como as Três Marias, o Caminho da Anta, essenciais para a navegação e as caminhadas. Eu pesquisei para mostrar que o nosso céu também foi colonizado e catequizado", afirma. A instalação gira em torno da visão tupinambá do céu e da terra, com o manto tupinambá como seu ponto central. Glicéria realiza uma extensa pesquisa sobre as capas cerimoniais sagradas de seu povo e, em 2024, representou oficialmente o Brasil na Bienal de Veneza. Agora, pela primeira vez, um de seus mantos contemporâneos—resultado de um trabalho coletivo envolvendo mulheres, crianças e anciãos—é exibido em uma galeria de arte. "Essas trocas são muito importantes dentro desses espaços, porque há uma peça que pode falar, mas há também quem não sabe ouvir", diz a artista. Cosmovisão tupinambá O curador Ricardo Fernandes explica que a exposição permite aos visitantes compreender a cosmovisão tupinambá. "Eles poderão apreciar o manto sagrado pela primeira vez em uma galeria de arte e entender a interpretação do povo Tupinambá sobre o espelhamento do céu e da terra, onde a terra é representada no céu", afirma. Fernandes destaca o ineditismo de apresentar um manto criado pelas mulheres da comunidade, dado o contexto patriarcal da estrutura social tupinambá. "É a primeira vez que mostramos o manto feito por mulheres da comunidade. É uma experiência muito forte, pois falamos de uma comunidade patriarcal", salienta. Ao assumir a liderança como pajé (xamã), Glicéria redireciona as hierarquias tribais, já que o manto tradicionalmente era feito para o pajé, uma figura masculina, complementa Fernandes. Além do manto central, a exposição também exibe as "mantas", que representam a pré-organização ou preparação do manto sagrado. A mostra “Céu Tupinambá”, de Glicéria Tupinambá, está aberta ao público até 10 de novembro, na Galeria Ricardo Fernandes, no Marché Dauphine em Saint-Ouen, integrando a programação do Ano do Brasil na França 2025.

O Mundo Agora
Na França de Macron, nada muda para que nada mude

O Mundo Agora

Play Episode Listen Later Oct 13, 2025 4:44


Quatro dias bastaram para que o primeiro-ministro da França caísse — e voltasse, como se nada tivesse acontecido. A crise se arrasta, entre alianças movidas pelo medo e um presidente que repete a mesma estratégia, à espera de um resultado diferente. Thomás Zicman de Barros, analista político No domingo, 5 de outubro, após 26 dias de negociações, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou seu governo. Havia dúvida se a oposição — sobretudo o Partido Socialista — tentaria censurá-lo, mas nem foi preciso. Em apenas doze horas, o gabinete implodiu. O golpe veio de dentro: aliados do próprio campo presidencial se rebelaram, a começar pelo líder da direita tradicional e ministro do Interior Bruno Retailleau — um aspirante à sucessão de Macron que parece ter reinventado a lógica política. Se já se conhecia o “apoio sem participação” no governo, Retailleau inaugurava a “participação sem apoio”. Na manhã seguinte, diante da desintegração da base e da impossibilidade de aprovar o orçamento, Lecornu apresentou sua demissão. Era o quarto chefe de governo a cair em menos de dois anos. Seu antecessor, François Bayrou, havia durado dez meses antes de perder um voto de confiança. Michel Barnier, o anterior, caíra por uma moção de censura. A origem dessa instabilidade é conhecida. Após sua reeleição em 2022, Emmanuel Macron conseguiu apenas uma maioria relativa no Parlamento. Em 2024, buscando recuperar o controle, decidiu dissolver a Assembleia Nacional de surpresa. Mas o tiro saiu pela culatra: o presidente voltou das urnas com ainda menos deputados. Desde então, cada governo nasce minoritário, dependente de alianças contraditórias e fadado à implosão. A crise, que começou como um impasse parlamentar, tornou-se uma espécie de paralisia estrutural. Com a saída de Lecornu, reacendeu-se a hipótese de uma nova dissolução — e, junto dela, o coro pela renúncia do próprio Macron. Segundo as pesquisas, 73% dos franceses querem que ele deixe o cargo. Até Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro — e outro provável candidato a sucedê-lo — declarou que a solução poderia ser uma eleição presidencial antecipada. O medo como método Na segunda-feira, Macron foi visto caminhando sozinho pela beira do Sena. Àquela altura, o presidente parecia encenar sua própria solidão política. Pediu a Lecornu 48 horas para “consultar as forças políticas” e trazer opções. Na noite de quarta, o premiê demissionário deu uma entrevista melancólica: disse sair frustrado, mas satisfeito por ter “feito o possível”. E deixou escapar o diagnóstico mais preciso da semana: não há maioria para governar, mas há maioria absoluta contra uma nova dissolução. É esse medo que sustenta o sistema. Nenhum partido — exceto a extrema direita, favorita nas pesquisas — quer voltar às urnas. Os macronistas temem ser varridos. A esquerda, dividida e em crise, também teme perder terreno. Quando o espectro da dissolução voltou a pairar, Jean-Luc Mélenchon propôs uma reunião de toda a esquerda. Os socialistas recusaram. Assim, a Nova Frente Popular foi finalmente enterrada, em meio a acusações mútuas de traição e irresponsabilidade. A esquerda francesa, que havia se unido em torno da esperança de uma alternativa, agora se esfarela diante do ressentimento. Na sexta-feira à noite, o país recebeu embasbacado a notícia de que Macron havia renomeado Lecornu. O mesmo primeiro-ministro que havia renunciado quatro dias antes voltou ao cargo, como se nada tivesse acontecido. A política francesa entrou oficialmente em modo “Dia da Marmota”, como no filme com Bill Murray: as mesmas cenas, as mesmas falas, os mesmos personagens, revividos até a exaustão. O presidente tenta repetir a fórmula — um governo de “união” sustentado pelo medo da dissolução — esperando resultados diferentes. É improvável que dê certo. A nova versão do gabinete já nasce sob ameaça: 269 deputados se declararam prontos a votar uma moção de censura, e faltam apenas 21 para que Lecornu caia — de novo. Um simples gesto, à direita ou à esquerda, bastaria para ejetá-lo do cargo pela segunda vez. Após uma reunião marcada por ofensas, Retailleau e seus aliados decidiram não integrar o governo, mas tampouco censurá-lo. Já os socialistas, fiéis à sua reputação, parecem sempre prontos a sentar-se à mesa com os macronistas em busca de concessões que jamais vêm. A última delas — a ideia de suspender temporariamente a reforma da previdência — não convenceu ninguém: irritou os aliados, dividiu o governo e reacendeu o fogo sob a cadeira do primeiro-ministro. Um impasse que se repete Lecornu governa sobre escombros, tentando erguer uma “coalizão negativa”, unida apenas pelo medo de novas eleições. Mas o país parece exaurido. De forma cada vez mais acelerada, novos gabinetes nascem e morrem um após o outro, em um ritual de desgaste que já não surpreende ninguém. “É preciso que tudo mude para que tudo continue como está”, dizia O Leopardo, de Giuseppe Lampedusa. Na França de Macron, a fórmula parece ter se invertido: nada muda para que nada mude. O presidente sobrevive por inércia, à frente de um sistema que já não governa — apenas se prolonga. E a pergunta que paira sobre Paris é se essa paralisia poderá resistir aos dezoito meses que faltam para o fim do mandato — ou se, antes disso, será o próprio Macron a cair.

Novus Capital
NovusCast - 10 de Outubro 2025

Novus Capital

Play Episode Listen Later Oct 10, 2025 26:01


Nossos sócios Luiz Eduardo Portella, Yara Cordeiro e Victor Ary debatem, no episódio de hoje, os principais acontecimentos da semana no Brasil e no mundo. No cenário internacional, o ambiente foi marcado por instabilidade política: no Japão, a liderança indicada pelo partido governista, defensora de políticas expansionistas, enfrenta crise na coalizão e risco de novas eleições. Na França, o primeiro-ministro renunciou um mês após assumir o cargo, reforçando a percepção de fragilidade política e dificuldade de avanço das reformas fiscais. Nos EUA, o impasse sobre o orçamento persiste com o shutdown, limitando a divulgação de dados econômicos, mas surgiram sinais iniciais de possível acordo. A tensão com a China aumentou após novas sanções comerciais, levando o Trump a ameaçar cancelar o encontro com Xi Jinping e aumentar dramaticamente as tarifas impostas. Foi anunciado cessar-fogo entre Israel e Hamas. No Brasil, o principal destaque foi o IPCA de setembro: o headline veio um pouco abaixo do esperado, com surpresa baixista relativamente disseminada nos núcleos. A pesquisa Genial/Quaest apontou melhora na avaliação do governo e mostrou enfraquecimento do Tarcísio como sucessor da direita. No campo político, vendeu o prazo para aprovação da MP 1.303, que compensaria parte do aumento do IOF, o que foi visto como uma derrota relevante para o governo e expôs dificuldades de articulação na Câmara.  No mercado de crédito, houve forte estresse nos bonds da Raízen por uma expectativa que a companhia vá perder o grau de investimento. Apesar disso, o impacto no mercado local foi limitado. Na semana, os índices de crédito tiveram abertura pontual de spreads, com fluxo de captação ainda positivo, mas com volume menor no secundário. Nos EUA, os juros fecharam entre 5 e 10 bps, e as bolsas tiveram desempenho negativo (S&P 500 -2,43%). No Brasil, o Ibovespa caiu 2,44% e o real se desvalorizou 3,33%. Na próxima semana, atenção para PMS e PMC no Brasil, possível evolução da negociação tarifária entre Brasil e EUA, balança comercial chinesa, Beige Book nos EUA e a última rodada de falas do Fed antes do período de silêncio. Não deixe de conferir!

SOMMA Insight
Shutdown segue nos EUA, enquanto crise política se intensifica na França. Conversa entre Lula e Trump sugere melhora nas relações entre Brasil e EUA.

SOMMA Insight

Play Episode Listen Later Oct 7, 2025 7:18


Shutdown segue nos EUA, enquanto crise política se intensifica na França. Conversa entre Lula e Trump sugere melhora nas relações entre Brasil e EUA.

SOMMA Insight
Cenário político no Japão e na França são os destaques do dia.

SOMMA Insight

Play Episode Listen Later Oct 6, 2025 9:31


Cenário político no Japão e na França são os destaques do dia.

Podcast Internacional - Agência Radioweb
Renúncia de premiê agrava crise política na França

Podcast Internacional - Agência Radioweb

Play Episode Listen Later Oct 6, 2025 3:11


Oposição tinha forte resistência ao premiê.Esse conteúdo é uma parceria entre RW Cast e RFI.

Cultura
Balé da Cidade de São Paulo apresenta coreografias de Rafaela Sahyoun e Alejandro Ahmed na França

Cultura

Play Episode Listen Later Sep 30, 2025 4:42


O Balé da Cidade de São Paulo realiza uma turnê na França, com apresentações em cinco cidades. Após lotar o Théâtre de la Ville de Paris, a companhia segue viagem pelo interior francês. O público da França tem a chance de conhecer a potência técnica e artística do corpo de baile do Theatro Municipal de São Paulo por meio de Fôlego e Boca Abissal, criações de Rafaela Sahyoun. Em Lyon, o repertório se amplia com Requiem SP, de Alejandro Ahmed, que assumiu a direção artística do grupo em julho de 2023. Antes dessa temporada com o balé paulistano, Ahmed participou da Bienal de Dança de Lyon, de 6 a 28 de setembro, com sua companhia Cena 11. Para o coreógrafo, a França é um espaço que valoriza “a complexidade do pensamento e a abertura para um diálogo honesto e vigoroso”. “Estamos em um teatro de enorme relevância, com a possibilidade de dar voz e refletir sobre este modo de pensar um Brasil atualizado, questionado e aberto a transformações”, afirmou Ahmed à RFI, em Paris, durante o ensaio no Théâtre de la Ville, antes das apresentações que aconteceram entre os dias 23 e 27 de setembro.  Foi a primeira vez em três décadas que a prestigiada casa parisiense, considerada a meca da dança contemporânea, incluiu uma companhia brasileira em sua programação principal. “Estarmos aqui, a convite do Théâtre de la Ville, para compartilhar modos de pensamento próprios do Brasil, representa um espaço de diálogo e de troca de saberes extremamente potente”, acrescentou o diretor. Intensidade e vigor Fôlego e Boca Abissal se destacam pela força musical e pela expressividade coreográfica. Com trilha hipnótica de The Field, projeto do produtor sueco Axel Willner, Fôlego reúne 16 bailarinos em cena. “Começamos em 2022, ainda sob o impacto da pandemia, diante da cratera que ela deixou no mundo. Naquele momento, me senti desafiada a pensar a dança na urgência do encontro”, recorda Sahyoun. “Quis criar estruturas cênicas que, mais do que simbólicas, aproximassem os intérpretes pela própria composição. Fôlego fala de apoio, de um estar junto não romantizado, mas nascido da resistência — e talvez mais ainda da insistência. Uma das questões que coloco é: como encontramos nossa força a partir do outro?”, explica. Atuando entre Brasil e Europa, a coreógrafa também compartilhou suas expectativas para a temporada francesa: “Espero que possamos ativar as presenças em tempo real, deixar os celulares de lado e nos encontrar — público e cena. Desejo um campo de acontecimento, um encontro em que a própria obra seja praticada no instante da apresentação.” A turnê integra a programação oficial da Temporada do Brasil na França. Depois de Paris e Arcachon, em setembro, o balé segue para Clermont-Ferrand (2 e 3 de outubro), Annemasse (8 e 9 de outubro) e Lyon, onde se apresenta na Maison de la Danse, de 14 a 18 de outubro.

Saúde
Queda de vacinação eleva casos de sarampo na França e nos EUA, onde governo adota discurso ‘antivax'

Saúde

Play Episode Listen Later Sep 30, 2025 6:17


A diminuição da taxa de vacinação do sarampo, uma doença comum na infância, gerou um aumento no número de infecções nos últimos anos em vários países desenvolvidos. Este é o caso dos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump e o secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., não escondem seu ceticismo em relação às vacinas. O sarampo já causou três mortes nos EUA em 2025, uma situação inédita em mais de 30 anos.  Taíssa Stivanin, da RFI em Paris Recentemente, o novo comitê Consultivo sobre Práticas de Vacinação (ACIP) dos EUA decidiu deixar de recomendar a vacina contra o sarampo para crianças menores de quatro anos. Uma pesquisa feita com mais de 2500 pais e divulgada em setembro pelo jornal Washington Post e pela ONG KFF, uma organização independente, mostrou que uma em cada seis pessoas evita ou adia as vacinações infantis recomendadas nos Estados Unidos.  A desconfiança em relação às vacinas, incluindo a do sarampo, cresceu nos Estados Unidos desde a pandemia de Covid-19 em 2020, e atinge também a França. Em 2025, já foram registradas duas mortes e mais de 820 casos em várias regiões do país, segundo a Santé Publique France, agência de saúde pública francesa.   As hospitalizações e casos graves de sarampo atingiram principalmente bebês e crianças pequenas, mas também jovens adultos – a maioria não estava vacinada. A infecção provoca febre, problemas respiratórios e erupções cutâneas. Ondas epidêmicas Como explicar o retorno de uma doença que pode ser evitada, ainda mais em países desenvolvidos?   Segundo o infectologista francês Olivier Épaulard, que atua no hospital universitário de Grenoble, no sudeste da França, as ondas epidêmicas de sarampo já vêm ocorrendo na Europa há alguns anos. O especialista lembra que, em 2010, por falta de vacinação, houve uma explosão no número de contaminações e dezenas de milhares de casos foram registrados na França. A vacinação contra o sarampo teria evitado 25 milhões de mortes durante esse pico epidêmico. E morrer da doença, “infelizmente não é raro”, acrescenta o infectologista. Na França, sem o imunizante, a estimativa é que a doença causaria a morte de 330 pessoas. “É uma patologia que tem formas graves, como as pulmonares e as que atingem o cérebro. A vacina é, desta forma, essencial para preveni-las”, completa Olivier Epaulard.  “O sarampo é muito contagioso e uma pessoa pode contaminar outras 18. Então, basta uma de cada 18 pessoas não estar vacinada para que o vírus continue a se propagar. Quando aconteceu essa onda de contaminações, percebemos que pelo menos 10% da população, talvez mais, não estava protegida contra a doença”, diz.  Diante da alta do número de casos, as autoridades sanitárias francesas tornaram a vacina do sarampo e de outras dez doenças obrigatórias para todos os recém-nascidos, em 2018. Mas, como essa obrigação é recente e parte da população não está imunizada, o vírus circula com mais facilidade em diferentes faixas etárias.  “Para interromper a circulação do vírus, é essencial vacinar todas as crianças nos primeiros anos de vida. E isso é o que começamos a fazer, em vários países, não apenas na França. Quando as crianças de hoje chegarem à idade adulta, o risco de propagação do sarampo vai diminuir", explica. "Mas isso não acontecerá imediatamente, porque as crianças que já foram submetidas à vacinação obrigatória hoje estão com sete ou oito anos. Então, o vírus provavelmente ainda vai continuar circulando em diferentes países europeus por bastante tempo.”  Estudo fake influenciou populações de alguns países O infectologista francês lamenta as falsas ideias disseminadas ao longo do tempo sobre as vacinas em geral, que atualmente são reforçadas pela retórica antivax de Trump. “A vacina do sarampo funciona muito bem e tem uma proteção de 95% após duas doses. Formas graves do sarampo não são raras e a doença foi uma causa importante de mortalidade infantil antes do início da imunização”, explica.  O risco de efeitos colaterais graves após tomar a vacina é muito baixo, lembra Olivier Épaulard, mas algumas fake news geraram desconfiança na população e ainda atrapalham a implementação de políticas vacinais eficazes. Um falso estudo assinado pelo pesquisador britânico Andrew Wakefield, em 1998, que relacionava a vacina contra o sarampo ao autismo contribuiu para esse cenário, explica.  Apesar dos resultados dessa pesquisa terem sido desmentidos por vários cientistas, ela marcou o imaginário de parte da população francesa e dos países anglo-saxões, que se tornaram reticentes em relação aos efeitos colaterais do imunizante e preferiram correr os riscos inerentes à doença, que podem ser graves. “O sarampo é perigoso para todo mundo. Para as crianças, para os adultos que não foram contaminados quando eram crianças, e para os imunossuprimidos, pessoas com a imunidade baixa e cujo sistema de defesa do organismo não funciona tão bem.”  O infectologista francês lembra que apesar de ser segura, a vacina não é recomendada para pacientes com câncer, que têm doenças crônicas ou que utilizam remédios que diminuem a imunidade e não podem ser vacinados. O imunizante utiliza um vírus vivo atenuado que pode desencadear uma resposta bem mais agressiva do que a que normalmente ocorre em indivíduos saudáveis - o que acaba sendo um motivo a mais para o resto da população se vacinar.   “No caso de muitas vacinas, a gente se imuniza por dois motivos: para evitar uma infecção e pelos outros, os mais frágeis, que não podem ser vacinados. Se não nos contaminamos, não vamos contaminar ninguém em volta também.” 

Morning Call BTG Pactual digital
Derrota política na França e revisão de payroll- Morning Call - Jerson Zanlorenzi e Lucas Costa, CMT - 09/09/2025

Morning Call BTG Pactual digital

Play Episode Listen Later Sep 9, 2025 15:33


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Morning Call BTG Pactual digital
Renúncia no Japão e voto de confiança na França- Morning Call - Jerson Zanlorenzi e Larissa Quaresma - 08/09/2025

Morning Call BTG Pactual digital

Play Episode Listen Later Sep 8, 2025 14:41


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Genial Podcast

Futuros em NY recuam após Trump ameaçar demitir Lisa Cook.

Genial Podcast

Comece seu dia com todas as informações essenciais para a abertura da bolsa com o Morning Call da Genial! O time da Genial comenta sobre as bolsas asiáticas, europeias e o futuro do mercado americano, além da expectativa para os mercados de ações, câmbio e juros. O Morning Call da Genial é transmitido, de segunda a sexta, às 8h45. Ative as notificações do programa e acompanhe ao vivo!

Inteligência para a sua vida
#1384: 43 GRAUS NA FRANÇA: O QUE ISSO NOS ENSINA?

Inteligência para a sua vida

Play Episode Listen Later Aug 12, 2025 11:57


As mudanças climáticas refletem as estações da vida que todos enfrentamos: períodos de calor intenso, desafios e desconfortos, mas também oportunidades para crescer e aprender.Aprenda a reconhecer o que cada estação quer lhe ensinar e descubra como passar por todas elas com fé, sabedoria e gratidão.

BBC Lê
A 'festa tupinambá' na França que convenceu rei a embarcar em conquista do Brasil

BBC Lê

Play Episode Listen Later Aug 12, 2025 12:38


Macacos, papagaios, araras e cerca de 50 indígenas participaram de encenação gigante para 'vender' ideia de implantar colônia na costa brasileira para aproveitar riquezas locais.

Brasil-Mundo
Chef mineiro abre restaurante dedicado à gastronomia brasileira e vegetariana em Nice

Brasil-Mundo

Play Episode Listen Later Aug 9, 2025 8:00


Há cerca de quatro meses, a cidade de Nice, no sul da França, ganhou um espaço mais do que especial: um restaurante que celebra a gastronomia brasileira, do mundo e vegetariana. O Vêjé, comandado pelo chef mineiro Jefté Alves do Couto, é um projeto original, localizado no coração de umas cidades consideradas como uma das mais bonitas e turísticas da França. Daniella Franco, da RFI em Paris O Vêjé é um dos poucos restaurantes vegetarianos em Nice e, por enquanto, funciona às sextas, sábados e, ocasionalmente, aos domingos. A meta, no entanto, é ampliar os dias de atendimento. “O slogan do Vêjé é ‘cozinha vegetariana do Brasil e do mundo', embora a identidade brasileira seja bastante marcante e bem recebida pelo público francês e internacional”, afirma o chef. No cardápio criado por Jefté, há feijoada, moqueca, estrogonofe e até uma versão vegetariana do tradicional bourguignon francês, feita com seitan — conhecido popularmente como “carne vegetal”. As opções não param por aí: pão de queijo, coxinha, quibe, além de sobremesas como pudim e bolo de mandioca. Apesar da variedade do menu, a decisão de seguir a carreira de chef surgiu recentemente. Mineiro, Jefté cresceu em uma família vegetariana e nunca abandonou esse estilo de vida. “Minha mãe é minha maior referência na cozinha. Mas, no Brasil, era ela quem cozinhava, porque comecei a trabalhar muito cedo”, relembra. “Para ser sincero, só comecei a cozinhar quando cheguei aqui, sozinho. Não sabia que gostava tanto de cozinhar.” Na França, ao começar a receber amigos em casa, Jefté passou a preparar pratos típicos brasileiros. O convite de duas francesas, organizadoras de um festival de forró em Nice, para montar um estande de comida brasileira no evento, abriu portas para novas oportunidades. Até a inauguração do Vêjé, o chef percorreu um longo caminho — uma trajetória digna de filme. Câmera escondida Jefté chegou à França por acaso, aos 18 anos. Na época ele veio para Londres, onde vivia uma de suas irmãs, mas ao apresentar um documento falso às autoridades britânicas foi imediatamente detido ao desembarcar na capital inglesa. Antes de ser deportado, foi transferido algemado para Paris. Graças à boa vontade de uma policial francesa e ao apoio da legislação europeia vigente, conseguiu desembarcar com um visto de turista. O episódio ainda o surpreende. “Na hora, pensei: ‘isso só pode ser um programa de câmera escondida, não estou acreditando!'” Antes de se estabelecer em Nice, Jefté foi contratado por uma empresa da construção civil no sudeste da França. Esse trabalho, aliás, ainda é sua principal fonte de renda. Com a situação regularizada há alguns anos, ele vem investindo no plano de se dedicar integralmente à gastronomia. “Muita gente está em busca de uma alimentação saudável, vegetariana e feita com ingredientes locais”, destaca, lembrando que essa é exatamente a proposta do Vêjé. O projeto está crescendo e conquistando o público, com dezenas de avaliações positivas e nota máxima nas principais plataformas de recomendação culinária online. “Meu sonho é viver disso. Mal posso esperar para deixar a construção civil e me dedicar 100% à cozinha. O que eu quero é cozinhar!”

Meio Ambiente
Escândalo dos ‘poluentes eternos' na água potável na França alerta sobre regulação do uso de Pfas

Meio Ambiente

Play Episode Listen Later Jul 10, 2025 6:14


A proibição do consumo da água das torneiras em pelo menos 16 localidades do nordeste da França reforça um alerta que especialistas e organizações já emitem há pelo menos uma década: a regulamentação sobre a produção e o uso dos chamados poluentes eternos, que representam um sério risco à saúde e ao meio ambiente, deve ser atualizada.  A partir dos anos 1950, estes produtos químicos se disseminaram nas mais diferentes indústrias e são “quase impossíveis” de serem retirados do ambiente, nas cidades como no campo. Utilizados pelas suas propriedades impermeabilizantes, resistentes ao calor, ao fogo ou à gordura, eles são encontrados em utensílios de cozinha, produtos de higiene, roupas ou objetos de decoração – mas, ainda mais preocupante, também estão nos alimentos e até na água, onde vão parar pela contaminação dos rios. Foi assim que, no começo de julho, as autoridades sanitárias da região de Ardennes, perto da fronteira com a Alemanha, ordenaram a proibição do consumo da água das torneiras por tempo indeterminado. Testes realizados a pedido de um consórcio jornalístico, em amostras recolhidas ao longo de 10 anos, detectaram índices de poluentes eternos de três a 27 vezes superiores ao tolerado pela Agência Nacional de Saúde da França. O limite autorizado é de 100 nanogramas por litro. A suspeita é que os Pfas – sigla para produtos perfluorados – tenham sido despejados no rio Meuse e seus afluentes por uma fabricante de papeis instalada na região. Novas análises deverão determinar o nível de contaminação dos solos – um cenário que seria catastrófico para a agricultura, observa o repórter investigativo Nicolas Cossic, do site Disclose, e um dos autores da reportagem de denúncia. “Terrenos agrícolas significam os nossos alimentos, significa o leite que bebemos e que pode ser particularmente contaminado”, diz. “Já houve casos similares de graves poluições por rejeitos de usinas de papel na Alemanha, nos Estados Unidos. Agricultores simplesmente tiverem que parar de produzir porque as terras deles se tornaram incultiváveis”, indica, à RFI. 'Quando procuramos, encontramos' A contaminação da água potável ilustra a que ponto o uso destes produtos fugiu, literalmente, de controle nos países industrializados. No começo do ano, a associação de proteção de consumidores UFC-Que Choisir divulgou o resultado de testes feitos em 30 lugares de toda a França. O estudo chama a atenção para uma molécula em especial: a TFA, o ácido trifluoroacético, resíduo da degradação de alguns tipos de agrotóxicos usados na agricultura e que foi encontrado inclusive na água distribuída em Paris. “Hoje, a questão que temos que colocar sobre a água da torneira é qual norma deveremos aplicar, porque atualmente, o TFA não está entre as moléculas procuradas para os índices oficiais sanitários das Agências Regionais de Saúde da França. Isso significa que não sabemos, oficialmente, se há ou não presença de TFA na água que bebemos”, constata Olivier Andrault, analista de alimentação e agricultura da associação. “Entretanto, nós percebemos que quando procuramos, encontramos. Detectamos este Pfas em 29 das 30 amostras que analisamos.” Existem milhares de tipos de Pfas, mas cerca de 10 são os mais utilizados pela indústria – portanto, são também os mais estudados. Eles podem afetar o organismo humano de diferentes maneiras. “Verificamos efeitos no fígado, aumento das taxas de colesterol – portanto um risco cardiovascular mais elevado –, efeitos na tireoide, com impacto importante no desenvolvimento dos fetos. Eles podem afetar a nossa capacidade de reprodução, nosso sistema imunitário, e alguns Pfas são cancerígenos”, explica a toxicologista Pauline Cervan, da organização francesa Générations Futures. “Todos não são tóxicos da mesma maneira e na mesma gravidade, mas o conjunto desses produtos é preocupante porque a presença de todos eles é perene no meio ambiente.” Filtragem é difícil e cara Ao contrário de outras substâncias, os Pfas não se degradam com o tempo – por isso, são chamados de poluentes eternos. Essa característica torna também mais difícil a retirada destas moléculas em ambientes poluídos, em especial a água. “É praticamente impossível, na escala de toda a França. Tecnicamente é quase impossível e, do ponto de vista econômico, seria extremamente caro. O problema do TFA e da sua presença na água potável é que é muito difícil de retirá-lo: as técnicas que utilizamos hoje para a obtenção da água potável não permite filtrar essa substância”, aponta Cervan. “Seria necessário instalar filtros mais eficientes, com novas tecnologias, como a osmose invertida, que parece ser a única tecnologia capaz de retirar o TFA. Mas é caríssimo”, diz.  A especialista salienta que essas tecnologias consomem volumes abundantes de energia e gerariam um resíduo concentrado de Pfas, para os quais ainda não existe soluções adequadas. “Seria apenas deslocar o problema”, lamenta. Cervan ressalta, ainda, que as futuras leis sobre o assunto devem prever mecanismos para evitar que os industriais apenas substituam as moléculas conhecidas por outras ainda pouco utilizadas – e que poderiam se tornar o novo foco do problema, a longo prazo. Em fevereiro, a França adotou uma legislação pioneira para proibir progressivamente a produção desses poluentes nos cosméticos, têxteis e skis a partir de 2026. O texto também instaura o princípio de “poluidor-pagador”: as fabricantes terão de financiar uma parte das operações de descontaminação das agências regionais de tratamento de água.   Mas para Andrault, a norma já nasce incompleta, ao deixar de fora um dos maiores vetores de Pfas no ambiente doméstico, as panelas antiaderentes. “E também não incluímos toda a variedade produtos alimentares, como as embalagens que, em contato direto com os alimentos e expostos ao calor do micro-ondas, representam um risco elevado de presença de Pfas”, adverte. Na Europa, apenas a Dinamarca possui uma legislação restritiva à produção e uso destes poluentes em uma vasta gama de produtos.

Alt+Tab
Drops - Novo papa, jumenta na Flórida, coisas pra não fazer na França e peru que presta

Alt+Tab

Play Episode Listen Later Jun 11, 2025 44:34


OLÁ INTERNET!Neste episódio:Conheça o novo Papa, descubra onde no mundo está a jumenta, saiba o que você não pode fazer na França e confira se o seu pero presta.OUÇA!

Boletim Folha
Lula cobra regulamentação das redes sociais e critica Bolsonaro na França

Boletim Folha

Play Episode Listen Later Jun 6, 2025 5:24


Interpol inclui Zambelli na lista de difusão vermelha a pedido de Moraes. E Trump tem primeira conversa formal com Xi Jinping e bate-boca com Elon Musk.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rádio PT
BOLETIM | Lula destaca potencial turístico e econômico do Brasil na França

Rádio PT

Play Episode Listen Later Jun 6, 2025 3:37


No encerramento do Fórum Econômico Brasil-França, o presidente Lula defendeu o acordo União Europeia-Mercosul, apresentou os avanços da economia brasileira e destacou o mercado brasileiro as potencialidades agrícolas e turísticas do País. Sonora:

PodCast IDEG
Resumo Semanal - 06/06/2025 - Israel x Palestina, EUA x China, Lula na França, Migração e mais

PodCast IDEG

Play Episode Listen Later Jun 6, 2025 16:58


Futebol no Mundo
Futebol no Mundo #452: Decisão na Itália, títulos de Barça e Palace, definições na Alemanha e na França

Futebol no Mundo

Play Episode Listen Later May 19, 2025 84:16


Nesta edição do Podcast Futebol no Mundo, os comentaristas analisam a última rodada da Série A, o título do Barcelona em LALIGA, a conquista da FA Cup pelo Crystal Palace e mais! Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices

ONU News
Relatora da ONU destaca lições do julgamento do caso Gisèle Pelicot na França

ONU News

Play Episode Listen Later Dec 24, 2024 2:15


Sobrevivente de estupro em massa obteve justiça após ter sido drogada e abusada pelo próprio marido e outros 72 homens durante décadas; especialista da ONU diz que história serve de alerta sobre nível de violência contra mulheres, impunidade dos estupradores e riscos da indústria pornográfica e da oferta de drogas.

ONU News
Academia da OMS mira formação de milhões de profissionais de saúde na França

ONU News

Play Episode Listen Later Dec 18, 2024 1:22


Programas de capacitação serão realizados em modalidade presencial em Lyon e   através de uma plataforma online para todo o mundo; investimento pretende melhorar aptidões de profissionais de saúde em nível global.   

Durma com essa
A esquerda venceu na França. Mas Macron abraçou a direita

Durma com essa

Play Episode Listen Later Sep 23, 2024 17:11


Emmanuel Macron realizou nesta segunda-feira (23) sua primeira reunião com o novo conselho de ministros do novo governo, formado por maioria conservadora de partidos de direita, mesmo que a maior parte dos deputados eleitos na disputa legislativa de julho tenha tenha sido do bloco de esquerda. O Durma com Essa mostra os rumos tomados pelo presidente francês e as sinalizações feitas pelo político centrista, inclusive à extrema direita de Marine Le Pen. O programa tem também Marcelo Montanini comentando os ataques de Israel ao Líbano. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Durma com essa
A volta à realidade da política após o fim dos Jogos na França

Durma com essa

Play Episode Listen Later Aug 12, 2024 17:13


Depois de ver seu partido perder a maioria na Assembleia Nacional, Emmanuel Macron disse que só escolheria um novo primeiro-ministro para a França após as Olimpíadas de Paris. Os Jogos terminaram, e o presidente francês ainda não dá sinais de resolver o impasse político. O Durma com Essa desta segunda-feira (12) relembra o resultado das eleições francesas e o que está em jogo na formação de um novo governo no país. O programa traz também Marcelo Roubicek falando sobre a morte do economista Delfim Netto, que foi ministro da Fazenda e da Agricultura na ditadura militar. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Xadrez Verbal
Xadrez Verbal #386 - 2º Turno na França

Xadrez Verbal

Play Episode Listen Later Jul 13, 2024 224:48


Recebemos o professor Thomás Zicman de Barros (Sciences Po) para analisar e comentar o pleito francês.Também passamos pela cúpula da OTAN e por outras notícias do velho continente.No mais, demos um pião pela nossa quebrada latino-americana, com destaque para a cúpula do MERCOSUL - sem a presença de Javier Milei - a visita de Lula à Bolívia.

O Assunto
A maré de insatisfação contra governos mundo afora

O Assunto

Play Episode Listen Later Jul 9, 2024 31:28


Na França, o grupo de Emmanuel Macron ficou em segundo lugar nas eleições Legislativas, depois de um resultado surpreendente que mergulhou o país em incertezas e deixou a extrema-direita em terceiro. No Reino Unido, os conservadores amargaram uma derrota acachapante, depois de 14 anos no poder. Na Índia, apesar de ter conseguido um novo mandato, Narendra Modi sentiu gosto de derrota ao ver seu partido conquistar menos votos do que o esperado e ter que fazer coalizões para conseguir governar. Até em países autoritários, como é o Irã, as urnas deram vitória a um reformista. Para entender a maré de resultados que mostram uma insatisfação com os atuais governos, Natuza Nery conversa com Marcelo Lins, apresentador e comentarista da GloboNews. Lins analisa os resultados recentes da França e do Reino Unido – onde partidos de oposição aos governos nacionais tiveram êxito nas últimas eleições. E aponta os motivos econômicos e políticos para as ondas de descontentamento popular.