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Foi há cinco anos, a 15 de Agosto de 2021, que os talibãs voltaram ao poder no Afeganistão. Os direitos das mulheres foram completamente suprimidos, mas há quem continue a resistir, como médicas e enfermeiras que trabalham na sombra, às escondidas, e que foram retratadas pela jornalista Mélanie Nunes no documentário “Afghanistan - Les soignantes de l'ombre". Neste programa, falámos com a repórter. Os talibãs e os seus apoiantes celebram, este sábado, o quinto aniversário do seu regresso ao poder no Afeganistão, onde a população, particularmente as mulheres, é sujeita a "restrições sufocantes", diz a própria ONU. A 15 de Agosto de 2021, os talibãs entraram em Cabul sem resistência, vinte anos depois de terem sido expulsos pelos norte-americanos. Milhares de afegãos tentaram desesperadamente fugir pelo aeroporto da capital, chegando mesmo a agarrar-se aos aviões durante a descolagem. A 30 de Agosto de 2021, o último soldado norte-americano deixou o Afeganistão, pondo fim à mais longa intervenção militar dos Estados Unidos, iniciada em resposta aos ataques de 11 de Setembro de 2001. Hoje, quase 14 milhões de afegãos enfrentam fome aguda, segundo a ONU. O Afeganistão tornou-se também "uma prisão para a informação", denunciou a organização Repórteres Sem Fronteiras. Neste cenário, são as raparigas e as mulheres que sofrem as piores restrições. O Afeganistão é o único país do mundo que as proíbe formalmente de frequentar o ensino secundário ou superior, de acordo com a UNESCO e a UNICEF. Ainda antes da chegada dos talibãs, apenas 15% das mulheres tinham acesso ao ensino secundário e, em Março de 2022, o acesso à educação foi limitado a meninas com menos de 12 anos. Em Maio do mesmo ano, o véu integral tornou-se obrigatório nos espaços públicos e, em Novembro, as mulheres foram proibidas de frequentar parques, jardins públicos, ginásios e casas de banho públicas. Em Abril de 2023, as mulheres foram excluídas de organizações internacionais que operavam no Afeganistão, independentemente da sua nacionalidade. Seguiu-se, em Julho de 2023, o encerramento dos salões de beleza, os últimos refúgios sociais para mulheres. Em Agosto de 2024, uma lei "para a prevenção do vício e a promoção da virtude" proibiu as mulheres de cantar, recitar poesia e ler textos em público. Em Março de 2025, a ONU contabilizou 126 decretos dirigidos especificamente às mulheres e concluiu que existia um “apartheid de género” no Afeganistão. Perante este desaparecimento forçado da mulheres das instituições públicas, das escolas e dos locais de trabalho, ainda há quem resista e lute. A jornalista Mélanie Nunes foi à procura delas e deu-lhes voz no documentário "Afghanistan-Les soignantes de l'ombre" ["Afeganistão: as cuidadoras da sombra"], realizado para o canal televisivo franco-alemão Arte e que pode também ser visto online. Mélanie Nunes já tinha estado no Afeganistão há oito anos e, em Maio, regressou a Cabul para falar com as mulheres que tinha conhecido em 2018. Entre elas, médicas, parteiras, enfermeiras e psicólogas que continuam a exercer apesar das proibições, restrições e medo. Eis a última geração de mulheres a trabalhar na saúde no Afeganistão. No futuro, quem vai cuidar das afegãs num país em que as mulheres só podem ser consultadas por mulheres? Oiça a conversa com Mélanie Nunes neste programa. “Cada dia é uma resistência” para as profissionais de saúde no Afeganistão RFI: Como é que nos poderia apresentar o documentário? Mélanie Nunes, Jornalista e autora de "Afghanistan-Les soignantes de l'ombre": “O tema é sobre mulheres que cuidam de outras mulheres no Afeganistão, em Cabul. Eu fui lá no mês de Maio para poder encontrar estas mulheres que trabalham com muita resistência para continuarem a cuidar das mulheres no Afeganistão - porque só as mulheres podem cuidar das mulheres no Afeganistão, é uma regra dos talibãs. Era muito importante, para mim, ver também este vínculo entre o mundo exterior, entre as mulheres e estas médicas.” Como é que são as condições destas mulheres? Elas ainda podem exercer medicina? “Elas podem exercer, mas é muito complicado. Depende das províncias, porque há províncias onde não é possível fazer o seu trabalho. Em Cabul é possível, mas com muitas regras. Elas não podem ir e vir como elas querem, têm que tomar, por exemplo, um autocarro privado para ir ao hospital. Às vezes, há controlos dos talibãs e pode ser muito perigoso ir trabalhar. Cada dia é uma resistência, uma coragem para ir até aos hospitais.” Desde que os talibãs chegaram ao poder, há precisamente cinco anos, as raparigas deixaram de poder ir à escola, nomeadamente aquelas que estavam quase a acabar a medicina. De repente, elas não puderam acabar o curso? “Sim, é exactamente isso porque há várias mulheres que tentaram fazer o curso de medicina e, no fim, não foi possível acabar. Hoje em dia não é possível para as estudantes fazerem o curso de medicina. Elas não podem fazer o seu trabalho, ter o diploma. Então, hoje em dia elas não podem trabalhar e a única forma para elas continuarem é tentar ter cursos de maneira informal.” Informal ou clandestina? “É, clandestina, ou seja, outra médica faz o curso para as estudantes que não têm o diploma.” E se elas forem apanhadas, arriscam o quê? “Em vários sítios no Afeganistão há regras, mas há muitas coisas que passam por cima da regra. Os talibãs têm a obrigação de trabalhar e cuidar das mulheres para elas terem meninos, mas não deixam as mulheres irem à escola. É uma contradição, mas também há uma tolerância, mais ou menos, para as mulheres que tentam aprender assim de maneira muito informal. Mas elas não vão ter um diploma, no final. Elas são benévolas, na verdade.” Se as mulheres que estudam medicina ou que trabalham no sector da saúde, em geral, não podem continuar os estudos, quem é que vai tomar conta das mulheres grávidas? Estamos a condenar as futuras gerações de afegãs e afegãos? “Sim, exactamente. É essa a questão. Não há possibilidades para elas, não sabemos quem vai cuidar dessas mulheres. É a contradição dos talibãs. Não há lá ninguém para cuidar dessas mulheres. Há muitas mulheres que, hoje em dia, morrem nos partos. Quando elas têm meninos e quando correm para a maternidade, se as mulheres desaparecem, não há lá ninguém para cuidar delas. Há quase 3.000 centros de saúde que fecharam. Estas mulheres não têm médicos, não têm outra opção.” E têm os bebés em casa? “Sim, exacto, e há mais riscos. As mulheres podem morrer e morrem.” E os bebés também... “Exacto, exacto. Há muitos riscos. O Afeganistão é um dos países onde as mulheres mais morrem quando têm bebés.” As mulheres que conheceu, com quem conviveu enquanto fez o documentário, como é que elas estão psicologicamente? “Há muita tristeza. Cada uma tem um problema psicológico porque elas estão numa espécie de prisão, elas não podem sair dali. Então, não há mais opção ou possibilidades para elas ficarem numa melhor saúde mental. Há outras mulheres que tentam ajudá-las, mas é muito complicado. Eu vi muitas mulheres que queriam só desaparecer. Foi muito triste ver isso e ver a brutalidade do regime.” Mesmo assim, elas tiveram a coragem de serem filmadas e de mostrarem o rosto. “Sim, porque, para elas, era muito importante que uma televisão francesa, da Europa, pudesse fazer esta reportagem para falar da condição das mulheres, para ter uma mensagem muito forte para o mundo inteiro, para dizer que as mulheres afegãs têm que estar nos meios de comunicação, na televisão, na rádio. Têm que ter voz porque no seu próprio país não há mais opção para elas, não há uma possibilidade de terem uma vida melhor. Então, a única coisa que elas podem fazer é falar. Falar para o mundo inteiro.” E arriscam-se a represálias pelo facto de estarem a falar sobre isso, não é? “Sim, claro. O risco é muito grande. Elas podem ficar em prisão durante muito tempo por falar porque é quase… não é proibido, mas pode ser. Então, foi muito importante, para mim, falar com elas das condições da reportagem, das entrevistas, para que elas soubessem o risco que havia.” A dada altura, no documentário alguém diz: “Somos como velas quase consumidas, só resta uma pequena chama, somos a parte da vela que ainda arde, mas quanto tempo ainda?” “Exacto. Acho que também é uma forma de resistência, elas sabem que isto não pode continuar muito mais tempo e as mulheres que trabalham hoje em dia podem ser a últimas. O futuro no Afeganistão é muito negro, não há mais opção para elas, não há mais luz.” Mesmo assim elas continuam a resistir. “Exacto e é muito importante falar das suas condições de vida, de trabalho, para que as pessoas no mundo inteiro saibam o que é que passa no Afeganistão. Também para que os políticos possam fazer alguma coisa por elas e elas tenham um país de acolhimento, como a França, por exemplo.”
Cinco anos após retomada do poder pelo Talibã, país se consolidou como uma “ilha de gênero” sem paralelos no planeta; agências da ONU revelam extensão desse apagamento: metade das afegãs só consegue sair de casa uma ou duas vezes por mês; excluídas da vida pública, sem acesso à educação e privadas de qualquer perspectiva, elas vivem sob a crise de direitos humanos mais extrema do mundo.
País vive crise de desnutrição infantil sem precedentes; níveis de desnutrição das crianças chegam a patamares críticos em um terço do país; impactos do conflito no Oriente Médio, cortes na ajuda humanitária e deportações de afegãos sobrecarregam programas de apoio nutricional.
Em paz com os sítios onde nunca irá, Gonçalo Cadilhe, o nosso 1º escritor-viajante profissional, viaja para contar há 40 anos. Sabe por que as estátuas da Ilha da Páscoa estão de costas para o mar?See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Chade anunciou esta semana a decisão de sair do Tribunal Penal Internacional, alegando a eficácia limitada da instituição e uma actuação excessivamente centrada em África. A decisão surge depois de a Venezuela também ter anunciado o abandono do TPI, numa altura em que o procurador Karim Khan foi afastado na sequência de alegações de conduta sexual imprópria, acusações que o próprio nega. André Thomas, professor jubilado de Direito Internacional e Direito Constitucional da Universidade da África do Sul, em Pretória, considera que estas saídas eram previsíveis e reflectem a urgência de as Nações Unidas reformarem o Tribunal Penal Internacional, que, na sua opinião, se tornou num instrumento de justiça ao serviço dos interesses da União Europeia. O que representa a saída do Chade do Tribunal Penal Internacional? Penso que este é o início de um êxodo. Muitos outros países poderão seguir o mesmo caminho e abandonar o Tribunal Penal Internacional. Além disso, como sabemos, os Estados Unidos estão determinados a contribuir para o enfraquecimento, ou mesmo o eventual encerramento, do Tribunal Penal Internacional. Falámos aqui da saída do Chade, mas a Venezuela também já disse que vai sair. Poderá haver aqui uma certa pressão do Presidente dos EUA, quando se sabe que a presidente interina, Delcy Rodríguez, é muito próxima de Donald Trump, Este novo mundo depende essencialmente de cinco pessoas: o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; o Presidente da China, Xi Jinping; o primeiro-ministro da Índia; e, possivelmente, também o rei da Arábia Saudita. São estas as potências que, na minha perspectiva, exercem maior influência e determinam o rumo dos acontecimentos no mundo. Desde que chegou à Casa Branca, Donald Trump anunciou que pretendia desmantelar o Tribunal Penal Internacional (TPI). Estes anúncios de saída surgem numa altura em que os 125 Estados Partes do TPI se preparam para votar a destituição do procurador Karim Khan, acusado de conduta sexual imprópria. Karim Khan nega as acusações. Pode falar-se de uma tentativa de amordaçar o TPI, precisamente quando este passou a centrar a sua atenção também no Ocidente, emitindo acusações, nomeadamente contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por alegados crimes cometidos em Gaza, e investigando ainda alegados crimes cometidos por militares norte-americanos no Afeganistão? O Tribunal Penal Internacional tem sido, desde a sua criação, uma instituição muito controversa. Foi uma iniciativa europeia e é financiado, em grande medida, pelos Estados Partes, entre os quais se encontram os Estados da União Europeia, que constituem uma parte significativa do seu orçamento. O trabalho do TPI tem sido desenvolvido por pessoas que se auto-intitulam juízes, mas que, na minha opinião, não possuem as qualificações jurídicas adequadas. São nomeadas pelos Estados Partes, num processo em que as preferências políticas dos Estados desempenham um papel relevante. Os alvos do TPI têm sido, em grande medida, dirigentes africanos e outras personalidades que, na perspectiva de alguns críticos, não representam uma ameaça significativa para o Tribunal. O Tribunal admite determinados tipos de prova, incluindo prova indirecta, cuja admissibilidade é regulada pelo seu Estatuto e pelas respectivas regras processuais. Além disso, entendo que o sistema de recursos é insuficiente para assegurar plenamente os direitos dos arguidos. Na minha perspectiva, deveria existir um mecanismo de recurso mais amplo, garantindo uma dupla apreciação das decisões, como sucede em muitos sistemas judiciais nacionais. Das investigações abertas pelo Tribunal Penal Internacional, desde a sua entrada em vigor, nove dizem respeito a Estados africanos. O Chade diz que abandona esta instituição porque existe uma justiça de geometria variável. Estes argumentos são válidos? Sempre considerei a criação do TPI demasiado política. Pretendia, na realidade, dar uma força brutal à política externa da União Europeia, castigando aqueles que eram considerados um obstáculo aos objectivos políticos europeus. E pretendendo que não existem outros criminosos. Há criminosos terríveis neste mundo em relação aos quais o TPI nunca sequer ponderou actuar. Basta falar do Irão, onde regularmente são executadas raparigas de 14 ou 16 anos, após serem chicoteadas em público. São coisas absolutamente horrorosas. Como é que se justifica essa falha do TPI? Penso que sempre houve oportunismo por parte da pessoa encarregada de instaurar os processos, ultimamente o senhor Karim Khan. Já há anos se falava das alegadas vítimas dos seus abusos sexuais. Não é novidade nenhuma. Mesmo assim, manteve-se em funções e começou a emitir mandados de captura contra presidentes e chefes de governo, como o primeiro-ministro Netanyahu, o que, em si, constitui um abuso do Direito Internacional, porque uma das regras mais antigas do Direito Internacional é a imunidade absoluta de um rei ou de um Presidente enquanto estiver no exercício das suas funções. A existência do Tribunal Penal Internacional está ameaçada? Qual será o futuro desta organização? Penso que vai desaparecer, porque os países estão cansados de uma autoridade que se autoproclama detentora da autoridade moral do mundo. Os Estados têm igual direito à soberania, que é o fundamento das relações internacionais e das Nações Unidas, bem como o princípio da igualdade entre os Estados. A maior parte dos países não tolera que um pequeno grupo de países - os países europeus - assuma a responsabilidade de julgar o resto do mundo apenas porque este não obedece às regras da democracia multipartidária europeia. Nem a China, nem a Índia, nem a Rússia, nem a maioria dos países da Ásia o fazem. Assim, será muito difícil haver futuro para este tribunal. A única possibilidade será uma reforma profunda do TPI, sob a responsabilidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso, sim, é uma possibilidade. Esperemos que aconteça. Eventualmente, dentro de alguns anos, poderá abrir-se esse debate. Quais seriam, na sua opinião, as reformas prioritárias? Deve ser restabelecida a imunidade absoluta dos chefes de Estado, para salvaguardar a paz internacional. Não é possível que um grupo de países determine que um chefe de Estado, eleito ou não eleito, em exercício de funções, deva ser levado a tribunal e, eventualmente, preso. Isso retiraria uma grande parte da controvérsia. De resto, têm de existir todas as garantias processuais próprias de um direito penal moderno e devem ser excluídas as chamadas provas de segunda ou terceira mão, que não são provas. Não vale a pena. Houve um tribunal especial que julgou Charles Taylor, antigo Presidente da Libéria, com base em relatos publicados por jornalistas nos jornais. Não havia qualquer prova directa. Considera que devem ser os próprios países a julgar? Essa justiça deve pertencer aos Estados? Não. Tem de ser uma justiça sob a autoridade das Nações Unidas, que é a única instituição verdadeiramente global que poderá assumir essa responsabilidade de aplicar o Direito Penal Internacional, reservado aos crimes mais graves. E é necessário ter consciência da evolução moderna do Direito Penal. Por exemplo, o TPI aceita o princípio da responsabilidade de comando. Ou seja, um comandante ou um general, que pode estar muito longe das tropas que eventualmente tenham cometido abusos contra os direitos humanos, fica pessoalmente responsabilizado perante o TPI. Parece-me uma situação algo absurda, sobretudo quando esse comandante não dispõe de meios para comunicar com as suas tropas. E isso tem acontecido. Quando diz que a reforma do TPI tem de passar pelas Nações Unidas, considera que a organização está, neste momento, em condições de a concretizar? Existe hoje uma nova multipolaridade, constituída por cinco grandes nações que detêm poder militar e capacidade nuclear. As Nações Unidas têm servido como o fórum capaz de moderar a actuação dos mais poderosos. Esperemos que, no futuro, especialmente com a influência de um novo secretário-geral, a organização possa voltar a desempenhar um papel muito activo e importante no mundo, porque estamos a assistir a uma escalada do uso da força. De repente, países pequenos e grandes começam a recorrer à força militar. Ora, foi precisamente para impedir a ameaça do uso da força e o recurso à força que as Nações Unidas foram criadas. Daí a importância de existir um Tribunal Internacional capaz de julgar os crimes num mundo cada vez mais marcado por conflitos? Absolutamente. Um Direito Penal Internacional pode ser muito importante e muito útil. Mas não se servir apenas os interesses privilegiados ou exclusivos da União Europeia. O TPI não pode continuar a funcionar como um instrumento da União Europeia. Tem de ser verdadeiramente global. Além disso, a falta de boa governação e de mecanismos eficazes de controlo ficou bem patente neste escândalo relacionado com alegados abusos de natureza sexual envolvendo uma das figuras-chave da instituição. Que vergonha!
Neste vídeo, eu conto como a União Soviética, um império de 290 milhões de habitantes, 11 fusos horários e milhares de ogivas nucleares, deixou de existir quase sem resistência — por meio de três assinaturas feitas em uma cabana no meio de uma floresta na Bielorrússia.A história passa pela queda do preço do petróleo, pela crise econômica soviética, pela guerra do Afeganistão, pelo desastre de Chernobyl e pelas reformas de Mikhail Gorbachev. Também mostra o golpe fracassado de agosto de 1991, a ascensão de Boris Yeltsin, o referendo de independência da Ucrânia e os bastidores do acordo que encerrou oficialmente a URSS.Mais do que explicar o colapso soviético, o vídeo mostra como as consequências de 1991 ainda moldam o mundo: o surgimento dos oligarcas, a chegada de Vladimir Putin ao poder, os conflitos no antigo território soviético, a questão nuclear ucraniana e a guerra atual entre Rússia e Ucrânia.Por fim, analiso como a China estudou obsessivamente o fracasso soviético — e transformou Gorbachev no exemplo do que o Partido Comunista Chinês jamais deveria permitir.Você já conhece o meu aplicativo? No HOC ACADEMY você tem acesso a cursos e aulas exclusivas, além do BUNKER DO HOC, um feed de notícias e análises em tempo real sobre as coisas mais importantes que acontecem no mundo. Clica no link e não fique de fora dessa!LINK HOC ACADEMY:https://lp.hocacademy.com.br/home-nova/#insiderstore #ukraine #russia #putin #zelensky #enem #história #urss #uniãosoviética #guerrafria #vestibular
Grupos promovem cuidados de saúde, proteção, formação profissional e auxílio humanitário; perante cortes de fundos e nos recursos humanos, várias instituições podem encerrar operações em 2027.
Jornal da ONU com Ana Paula LoureiroEsses são os destaques desta quarta-feira, 22 de julho de 2026Fome global continua a cair, mas desigualdades regionais persistem Queda de fundos ameaça associações de mulheres no Afeganistão
Unicef lançou apelo urgente à proteção de milhões de crianças afegãs, especialmente aquelas entre os 6 e os 23 meses; relatório destaca necessidade de reforçar serviços de ajuda multissetoriais.
Agência prevê que cerca de 2,4 milhões de pessoas precisarão ser reassentadas no próximo ano; necessidades permanecem mais elevadas no Afeganistão, no Sudão do Sul e na Síria além de refugiados da minoria étnica rohingya, no sudeste da Ásia.
Operação política segue no país até 2027; membros do Conselho de Segurança frisam preocupação com abusos dos direitos das afegãs; resolução inclui salvaguarda dos direitos das mulheres no mandato da Unama.
Jornal da ONU, com Felipe de Carvalho:*OMS afirma que risco de ebola na Copa do Mundo de Futebol permanece baixo, *Alta funcionária da ONU propõe nova abordagem para governança da água na África*ONU aponta crise humanitária e opressão de mulheres no Afeganistão*Produção mundial de alimentos de origem animal dispara em seis décadas, diz FAO
Sob o regime talibã, milhões de afegãos dependem de ajuda humanitária, enquanto mulheres e meninas são privadas de direitos humanos básicos, agravando a fome e a fragilidade econômica do país.
Norma considera puberdade como critério; medida expõe meninas à violência, exploração e abandono escolar, aprofundando desigualdade no país.
Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro.E esses são os destaques desta quinta-feira, 4 de junho.Portugal destaca "diplomacia humanista" após vitória em eleição para o Conselho de SegurançaONU repudia legalização de casamento infantil no Afeganistão
Quase 270 mil pessoas já foram deportadas para o Afeganistão desde o início do ano; medida é uma violação dos direitos dos refugiados; Volker Turk insta Estados a cumprirem “obrigações legais internacionais”.
Convidada: Adriana Carranca, escritora e jornalista, participou de coberturas especiais no Afeganistão e em outras regiões do Oriente Médio. Nas últimas semanas, o grupo fundamentalista que governa o Afeganistão publicou o documento intitulado "Princípios de Separação Entre Cônjuges", que muda a legislação sobre casamentos no país. Desse modo, uma tragédia comum nas regiões rurais foi oficializada como lei: o casamento infantil. Na prática, o Talibã derrubou a idade mínima para o casamento, que era de 16 anos: agora, meninas de até 9 anos já são submetidas ao matrimônio forçado. O texto estabelece ainda uma interpretação extrema de consentimento: o silêncio de uma "menina virgem" deve ser entendido como um “sim”. A medida é apontada por especialistas internacionais como a institucionalização do estupro infantil e da violência doméstica. Neste episódio, Natuza Nery conversa com a jornalista e escritora Adriana Carranca, que já realizou coberturas in loco no Afeganistão. Nesta entrevista, Adriana explica a origem do Talibã e a ascensão de um regime ainda mais fechado a partir de 2021, e relata o horror pelo qual mulheres e meninas são submetidas por lá.
Rússia e Talibã: como dois inimigos históricos viraram parceiros estratégicos — e o que isso muda para o mundo.Em julho de 2025, a Rússia tornou-se o primeiro país a reconhecer formalmente o governo do Talibã. Em maio de 2026, o secretário do Conselho de Segurança russo anunciou uma "parceria plena" com o Afeganistão — relações políticas, militares, energéticas e comerciais. Sem condicionalidades.Neste episódio, analisamos o que está por trás dessa virada geopolítica: a trajetória que levou Moscou a abandonar 22 anos de hostilidade declarada, os interesses estratégicos de cada lado (segurança contra o ISIS-K, minerais, energia, narcóticos, legitimidade internacional), a cooperação militar já em andamento, e o que esse novo eixo significa para a Ásia Central, para os EUA, e para o Sul Global.Também revelamos o detalhe que muda toda a leitura: entre 2016 e 2019, a inteligência militar russa — o GRU — pagava US$ 200.000 por soldado americano morto no Afeganistão pelo Talibã. Seis anos depois, são parceiros formais.Neste episódio:— O peso histórico da guerra soviética no Afeganistão (1979–1989)— A linha do tempo do reconhecimento russo: de decreto a embaixador— O que Moscou quer: ISIS-K, minerais, energia, posição no Sul Global— O que o Talibã ganha: legitimidade sem condicionalidades ocidentais— Cenários para 2026: SCO, corredor de energia, efeito dominó regional— Análise própria: o que o bounty do GRU revela sobre a geopolítica atual
Bastidores, desafios e responsabilidade jornalística. A 7ª edição do J.Fest recebe o jornalista Sérgio Utsch para uma conversa sobre os bastidores da cobertura internacional de conflitos, os desafios de reportar guerras e a responsabilidade do jornalismo em tempos de crise. Correspondente do SBT em Londres desde 2011, Utsch já cobriu conflitos na Ucrânia, Israel/Gaza, Síria, Iraque e Afeganistão, além de acompanhar cúpulas internacionais como G7, G20 e Brics. Ao longo da carreira, visitou 81 países e se tornou uma das referências brasileiras em cobertura internacional. 🎥🌎 📍 Campus São Gabriel — Sala Multimeios 31 | Bloco I🗓 19 de maio (terça-feira)⏰ 19h Mediação: Getúlio Neuremberg
No fim-de-semana, o Irão apresentou um plano de paz em 14 pontos aos Estados Unidos. Neste documento, Teerão torna a fazer propostas já anteriormente rejeitadas por Washington, nomeadamente que os Estados Unidos se retirem do Golfo, que se levantem as sanções internacionais, que sejam pagas compensações de guerra e que um acordo de paz abranja o Líbano, actualmente sob fogo israelita, apesar de oficialmente vigorar uma trégua desde meados do mês passado. Todavia, antes mesmo de se debruçar sobre este documento, Donald Trump considerou que era pouco provável que respondesse às suas expectativas, o Presidente americano acabando por anunciar que o seu país passaria, a partir desta segunda-feira, a escoltar as centenas de navios comerciais que se encontram no Estreito de Ormuz. De acordo com o comando militar americano na região, esta operação denominada "Project Freedom" - "Projecto Liberdade", mobiliza 15 mil militares, mais de 100 aeronaves terrestres e marítimas, bem como navios de guerra e drones. O Irão que ainda hoje apelou os Estados Unidos para que "adoptem uma abordagem razoável" e "abandonem as exigências excessivas", proibiu hoje as forças americanas de se aproximarem do estreito de Ormuz, recomendando igualmente a todos os navios comerciais e petroleiros que evitem qualquer movimentação no sector sem se coordenarem com as forças iranianas. Trump, contudo, avisou que em caso de obstáculo à sua operação que descreve como um "gesto humanitário", ele "teria recurso à força". Num contexto em que se multiplicam os apelos a uma solução concertada, perante o risco de um reacender das hostilidades depois de menos de um mês de trégua, a RFI falou com o Major General Carlos Branco. RFI: Como se apresenta actualmente o panorama no Estreito de Ormuz? Major General Carlos Branco: Há duas questões. Começando pela proposta de acordo submetida ao mediador paquistanês, para depois ser apresentada aos Estados Unidos, essa proposta em 14 pontos não apresenta nada de inovador. Do lado iraniano, não há nenhuma cedência relativamente a qualquer das linhas vermelhas que os iranianos já tinham definido. Portanto, as propostas do lado iraniano não só não representam uma cedência, como não agradaram, naturalmente, ao Presidente Donald Trump. E isso coloca-se a vários níveis. Um deles tem a ver com o desbloqueamento do estreito. E o outro tem a ver com a negociação do pacote nuclear, onde os iranianos não fizeram cedências pura e simplesmente. Consideram que, para já, não deve ser discutido, porque haverá outros pontos na agenda que merecem ser tratados antes de discutir o problema do acordo nuclear. Agora, relativamente à resposta norte-americana sobre a escolta dos navios. Tudo isto depende do dispositivo naval que o presidente Trump colocar na região. Se mantiver o actual dispositivo, podemos dizer que será um saco com muitos furos que vai deixar passar muitas embarcações, que é aliás, o que tem acontecido até agora. Há de facto algumas embarcações que são interceptadas por parte dos navios norte-americanos. Mas a esmagadora maioria não é. E não é Porquê? Por um lado, porque os navios são poucos para uma área muito grande. E, por outro lado, porque muito desse trânsito marítimo se faz relativamente próximo da costa iraniana. E ao deslocarem-se nesta zona, acabam por estar protegidos pelo sistema balístico iraniano. O que significa que os navios norte-americanos não se conseguem aproximar da costa porque se eles se aproximam da costa, acabam por estar dentro do alcance dos mísseis antinavios iranianos. E, portanto, até este momento, não temos assistido a navios norte-americanos a assumirem esse risco. RFI: Neste domingo, o Irão desafiou, de certa forma, os Estados Unidos, dizendo que Trump deveria escolher entre um "mau acordo" ou então uma "operação militar impossível". Estava a referir-se ao facto de Donald Trump não poder ir além dos 60 dias de conflito sem consultar o Congresso? Major General Carlos Branco: Sim, há essa limitação que Trump, de uma forma expedita, está a procurar contornar e então auto-suspende as operações durante dois ou três dias, para depois recomeçar as operações e, portanto, procurar evitar esse impedimento legal do Congresso. Mas isso é um problema que Trump e os norte-americanos terão que resolver. Para já, o que me parece importante debater, são as opções que estão à frente dos nossos olhos. E, em primeiro lugar, temos aqui uma oposição, por um lado, dos israelitas que querem avançar quanto antes para uma operação militar. Por outro lado, os Estados Unidos que colocam algumas interrogações sobre isso. E a questão é sempre a mesma e é o tema que temos discutido desde o início destes combates: o que é que se pretende atingir com uma operação militar contra o regime iraniano? Seria uma mudança de regime, a substituição do regime dos ayatollahs por um outro regime que nós não conseguimos identificar. O que nesta altura poderia ser uma alternativa, a alternativa monárquica (Reza Pahlavi, herdeiro do trono iraniano, actualmente no exílio), não reúne consenso, nem do lado iraniano, nem do próprio lado norte-americano. Portanto, aqui temos uma questão que não foi resolvida e, deste modo, pode-se dizer que é uma derrota dos Estados Unidos, porque um dos objectivos de uma operação militar é subordinar o oponente à nossa vontade. E o que é um facto, é que não foi isso que aconteceu. Eu tenho muitas dúvidas que uma operação militar contra o Irão vá alterar esta situação. Temos, no entanto, que ver a oportunidade, do ponto de vista norte-americano. É claro para os Estados Unidos que este confronto está-lhes a sair muito caro. Quando eu digo caro, não é só do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista político. E há uma vontade do Presidente norte-americano de terminar com isto. E uma das soluções, soluções à Trump, é daquelas do expediente do último minuto, que é "bom, nós vamos fazer uma operação militar, destruímos uma série de instalações, vamos obliterá-las. Aliás, obliteramos várias vezes. Portanto, tivemos várias vitórias. Mas essas vitórias, pois, obrigam sempre a que se continuem os combates. Vamos embora e declaro vitória e a minha imagem internamente não será afectada". Isto sou eu a especular. E fica tudo na mesma e ficamos confrontados com uma guerra fria na região em que não houve alterações significativas. Bom, alterações significativas, coloco este problema com algumas interrogações. Nomeadamente, relativamente ao dispositivo militar norte -americano na região. Segundo informações que nesta altura são públicas, o aparelho militar norte-americano na região do Golfo, esse sim está obliterado, está destruído. Nalguns casos completamente destruídos, noutros com a sua operacionalidade significativamente afectada. Portanto, este é um dos temas que terá que ser discutido também no Acordo de Paz. Mas ainda não chegámos lá. Será numa fase mais avançada. Para já, é aqui que nos encontramos. Eu estou convencido que os Estados Unidos vão avançar para uma solução militar. Estas questões das propostas de paz e contrapropostas são, na prática, paliativos. É que não vão resolver nada. Não vão conduzir a uma solução política. São apenas compassos de espera em que uma e outra parte se preparam para o confronto que ocorrerá. Do meu ponto de vista, a breve trecho. RFI: Precisamente numa altura em que há fortes sinais de que as hostilidades poderiam recomeçar, os Estados Unidos anunciaram nestes dias que iriam retirar 5 mil militares americanos da Alemanha, que é um dos parceiros estratégicos dos Estados Unidos a nível militar, no seio da NATO e no seio da Europa. Isto não será, no fundo, também dar um tiro no pé? Major General Carlos Branco: Será um tiro no pé se os Estados Unidos implementarem essa decisão. É uma interrogação que nós temos, antes de mais, de colocar. Será que isso é apenas uma ameaça ou se vai concretizar? Mas vamos partir do princípio que se vai concretizar. Eu penso que a comunicação social e muitos políticos na Europa estão a reagir de forma exagerada a esse anúncio, porque sabemos perfeitamente que os Estados Unidos nunca vão abdicar da sua presença na Europa, apesar de se dizer isso de vez em quando e muito menos na Alemanha. A Alemanha é o local onde as forças americanas têm uma presença mais efectiva no teatro europeu. A maior base aérea norte-americana fora dos Estados Unidos é na Alemanha. é na Alemanha que estão uma série de estruturas de comando: o quartel-general do comando das forças norte-americanas na Europa, o comando das forças norte-americanas do AFRICOM e muitos outros. Por exemplo, um grande hospital militar próximo da base de Ramstein (sudoeste do país), onde são canalizados os feridos dos diferentes combates que os Estados Unidos têm travado, nomeadamente agora do Irão, há algumas dezenas, senão centenas de peritos que se têm dirigido a este hospital na Alemanha. Portanto, a Alemanha representa um nó de apoio logístico e de sustentação das forças que os Estados Unidos têm vindo a empregar e provavelmente continuarão a fazê-lo no Médio Oriente, na Ásia. E sabemos o que é que aconteceu desde o Iraque e desde os diferentes envolvimentos do Iraque ao Afeganistão. Portanto, estamos a falar de um assunto que, do meu ponto de vista, não é assunto. Para além disso, esses 5 mil soldados são marginais relativamente ao efectivo que os norte-americanos têm na Europa. Segundo uma autorização do ano passado, que foi aprovada no Congresso, os Estados Unidos têm que ter na Europa permanentemente um mínimo de 76 mil soldados. Nesta altura tem 68 mil. Estão autorizados a baixar esse número por um período de 45 dias. Depois tem que ser reposto. Nesta altura, 68 mil são os que se encontram na Alemanha. Aliás, no teatro europeu, partindo do princípio que este número não está subestimado, porque há uma série de presenças norte-americanas em vários locais que me levam a concluir que este número, nesta altura, é um número avaliado por defeito. Mas assumindo que é um número correcto, 5% representa menos de 10% desse total. E volto a dizer, há uma reacção exagerada, desproporcional relativamente às consequências que esta decisão, se for implementada, pode vir a provocar. RFI: Mas a nível da Alemanha, o governo tem apelado fortemente a rearmar a Europa, o que era uma posição que tradicionalmente a Alemanha nunca assumia. Era mais à França que defendia um sistema europeu autónomo em matéria de defesa. Por outro lado, outros parceiros tradicionais dos Estados Unidos parecem também ter tomado consciência de que precisam ter alguma segurança autónoma. Estou a referir-me, por exemplo, ao Japão, que pondera a hipótese de se rearmar e de, inclusivamente, mudar a sua Constituição para não pôr de parte completamente a sua capacidade de defesa autónoma. Major General Carlos Branco: Sim, temos dois assuntos distintos, embora eles tenham uma raiz comum. É um facto que houve uma alteração significativa na política externa norte-americana. Os Estados Unidos nunca abdicaram do seu projecto hegemónico. Essa afirmação dessa hegemonia, dessa liderança mundial, teria que ser feita recorrendo a aliados e, portanto, para recorrer a aliados teria que haver uma operação de captação das suas vontades, que não pode ser o que acontece nesta altura com o presidente Trump. O presidente Trump acha que pode concretizar esse projecto de liderança global, hostilizando tudo e todos, hostilizando os seus aliados. Falando primeiro dos europeus, a questão dos europeus tem aqui uma outra envolvente que se prende com o medo, do meu ponto de vista, sem justificação e mais uma vez exagerado de uma operação militar russa em território europeu. Em primeiro lugar, a Europa tem que decidir para que é que se quer armar. Eu percebo que a Europa se tenha que armar. Sou apologista dessa opção. Mas primeiro, tem que se explicar para quê? Se é para criar uma capacidade de dissuasão relativamente a outros pólos que se possam transformar numa ameaça. E, neste caso concreto, a Rússia. Pois claro, que a Europa tem que ter essa capacidade. Isso é absolutamente indiscutível. Outra coisa é a Europa querer armar-se, não para ter uma capacidade de dissuasão, mas para adquirir capacidade para atacar a Rússia e envolver-se numa confrontação com a Rússia. São necessários outros meios e envolventes políticas que são igualmente distintas e, portanto, ninguém ainda hoje na Europa foi capaz de clarificar exactamente esta questão. Há, de facto, muito discurso, muita narrativa, muita retórica sobre a ameaça russa. E nós sabemos que a Europa se está a armar. Mas convinha esclarecer isto. Eu, nesta altura começo a ficar preocupado, porque esse rearmamento da Europa não parece configurar-se no âmbito de criar capacidade de dissuasão, mas para a outra alternativa, e isso é algo que merece uma análise diferente, porque as consequências vão ser completamente distintas. Aliás, eu recordo que os europeus parecem ter memória curta e não perceberam ainda que guerras na Europa têm-se saldado sempre por resultados de soma negativa. E os europeus têm perdido sempre com estas guerras fratricidas no velho Continente e como é que isso contribuiu para reduzir a importância geoestratégica da Europa. Relativamente ao Japão, a situação tem que ser analisada numa primeira parte, coincidente com aquilo que eu já disse. Ou seja, os Estados Unidos têm hostilizado desnecessariamente os seus aliados. Mas há aqui outra componente, porque os aliados norte-americanos na Ásia, depois do que aconteceu no Médio Oriente, se calhar pensaram duas vezes. Ou seja, os norte-americanos provaram a sua incapacidade de honrar os seus compromissos securitários com os países do Médio Oriente. Por exemplo, relativamente a Arábia Saudita, os Estados Unidos não foram capazes de honrar os compromissos securitários, nem tiveram capacidade para defender as suas próprias bases, os seus navios saíram do Golfo Pérsico. Ou seja, não conseguiram sequer garantir a liberdade de navegação. Estamos a falar até agora no Médio Oriente. Imagine o que é que estará a passar na cabeça dos aliados na Ásia. E daí eu perceber que haverá uma preocupação acrescida no domínio da segurança desses países. Agora, há uma coisa que merece ser discutida: é se as alterações que querem introduzir nas suas arquitecturas de segurança serão as mais adequadas. E nós sabemos que o Japão, e isto não é de agora, está a alterar a sua narrativa e nomeadamente relativamente a Taiwan. Considera Taiwan como um Estado e considera que uma acção chinesa em Taiwan deveria ser considerada como um ataque também ao Japão. Portanto, isto é um outro tema que merece uma outra abordagem, mas que é extremamente preocupante, sobretudo porque a China de hoje não é a China de há dez anos e muito menos de há vinte anos. E isso tem que ser levado em consideração quando se fazem determinados cálculos estratégicos, porque erros de cálculo estratégico é o que tem prevalecido nas últimas décadas. O Afeganistão, mais uma vez, o Iraque, a Líbia, etc. E seria bom que se parasse, se respirasse e se pensasse antes de optar pela via bélica. Provavelmente, haverá outras alternativas do foro político e do foro diplomático que poderão resolver estes problemas. Isto transporta-nos para um outro tema que é o dilema da segurança. E isso conduz normalmente à conflitos, muitas das vezes quando eles não são desejados e os dirigentes políticos actuam exclusivamente com a necessidade de salvar a face. RFI: Voltando ao Médio Oriente e, mais concretamente, desta vez ao Líbano. Apesar de um cessar-fogo estar em vigor desde meados de Abril, Israel continua as suas operações no sul do Líbano, inclusivamente fora da área que definiu como sendo a zona de segurança e, portanto, saindo da mesa das negociações, saindo da possibilidade de haver um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão, que abranja também a situação do Líbano. Como é que ficamos? Major General Carlos Branco: A haver um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão, ele não ocorrerá a breve trecho. É algo que vai demorar e eu diria não só meses, mas se calhar anos. Porque há muitas questões de natureza técnica que têm de ser discutidas e, fundamentalmente, quando abordamos o dossier nuclear, isto é um dado importante antes de falar do Líbano. No Líbano, não há cessar-fogo. Os combates continuam. Mais uma vez, houve um erro de cálculo estratégico da parte de Israel, porque, aliás, isso é devidamente divulgado por analistas no Ocidente que diziam que o Hezbollah estava completamente fragilizado e que tinha perdido toda a sua capacidade de combate. O que temos assistido é exactamente o contrário. O Hezbollah está muito longe de estar debilitado e conseguiram superar os ataques à sua liderança, às suas chefias. Aliás, um pouco como o Irão o fez também. Depois, temos uma outra questão em causa que se prende com mais uma tentativa de Israel colocar forças no Líbano. Nós assistimos a isto desde 1982 e todas as intervenções de Israel no Líbano, umas demoraram mais tempo do que outras, mas saldaram-se sempre em derrotas e na retirada das forças israelitas do Líbano. Eu não consigo perceber o que é que os dirigentes israelitas viram agora de novo, que alteração qualitativa eles identificaram que vá fazer com que a história seja escrita de forma diferente. É que os israelitas, que andam já há mais de 40 anos a tentar estabelecer uma presença permanente no Líbano e que se tem saldado sistematicamente em derrotas. O que é que é agora novo e diferente? Que vai fazer com que possam sair vitoriosos para além daquilo que têm feito, que é uma coisa absolutamente inaceitável. Há regiões no sul do Líbano que se equiparam muito às de Gaza, completamente destruídas, e acho que a comunidade internacional já devia ter tomado uma posição mais assertiva relativamente a estes desenvolvimentos. Parece que há muita gente anestesiada. Mas, independentemente dos aspectos relacionados com condenações do que os israelitas estão a fazer no sul do Líbano, o que se coloca aqui no debate é saber se isto tem possibilidade de ser vitorioso, saldar-se por uma presença permanente de Israel no sul do Líbano. Recorrendo à história, diria que não, que é mais uma tentativa gorada ao fracasso. Mas isso, daqui a uns meses nós poderemos fazer um saldo definitivo destes desenlaces e procurar perceber até que ponto o que estou a dizer, tem fundamento ou não.
Déficit seria causado pelas restrições sobre educação e emprego femininos no país; o alerta partiu do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef; se padrão continuar, mais de 2 milhões de meninas ficarão sem estudos após a escola primária.
Tema de abertura de Claudio Zaidan para o programa Bandeirantes Acontece
Para especialistas, restrição é ataque direto aos direitos femininos incluindo o direito ao trabalho e não existe justificativa cultural, religiosa ou administrativa para essa política.
Há quase um mês que somos bombardeados com imagens de guerra e destruição com a estética de videojogo. Explosões filmadas por drones, gráficos de mísseis, comunicados triunfalistas. Mas por trás das imagens há um país de noventa milhões de pessoas, uma orgulhosa civilização com cinco milénios e um conflito que não começou há três semanas. Está latente há quase cinco décadas, desde que uma revolução islâmica derrubou uma monarquia sustentada pelos Estados Unidos – que por sua vez tinha derrubado uma democracia de Mossadegh que beliscou os interesses ocidentais. Património da UNESCO, agora parcialmente destruído pelos mísseis, o Palácio Chehel Sotoun, tem um fresco que retrata a batalha de Chaldiran, em 1514. Celebra uma derrota. Na cultura xiita o martírio não é sinal de fraqueza. O regime colegial iraniano não é tão fácil de decapitar como o de Saddam e assenta numa ideia de resistência ao exterior. Não tem a arma nuclear, mas tem o Estreito de Ormuz. Faz mossa aos Estados Unidos, nem tanto a Israel. E este desencontro pode complicar o fim desta guerra. O convidado é Ricardo Alexandre, editor da TSF, onde apresenta o Estado do Sítio e o Mapa Mundo. Doutorado em Ciência Política pelo ISCTE, com reportagem de guerra nos Balcãs, Palestina, Afeganistão e Irão, esteve no país em 2005 e 2015 e acaba de publicar Tudo Sobre o Irão, um impressionante retrato de 448 páginas que vai da história dos velhos reinos persas à morte de Khamenei, da análise do sistema político iraniano até à influência cultural do futebol nesse país e da figura de Carlos Queiroz.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No episódio, conversamos sobre a 3ª semana de bombardeios de israelenses e americanos ao Irã, sobre a crise no Estreito de Ormuz e como isso afeta todo o mundo, Além disso, vamos falar sobre outros acontecimentos importantes pelo mundo e pela nossa região: guerra entre Paquistão e Afeganistão, Estado de Emergência no Equador, Governo de Cuba por um fio. Isso e muito mais!Participe ao vivo!Conheça os livros que indico na minha lista de desejos da Amazon - https://amzn.to/351TTGKSe você acha nosso trabalho relevante e reconhece as horas dedicadas à pesquisa e formulação de todo o conteúdo, você pode se tornar apoiador do blog. Veja como em https://paulofilho.net.br/apoieoblog/Não deixe acompanhar o Blog do Paulo Filho, em http://www.paulofilho.net.br e de nos seguir nas redes sociais:Receba notificações diárias sobre assuntos estratégicos e geopolíticos no Telegram - https://t.me/+IXY-lux3x3A1ZGNhSiga-nos no Twitter - https://twitter.com/PauloFilho_90Siga-nos no Linkedin - https://www.linkedin.com/in/paulo-filho-a5122218/Siga-nos no Instagram - https://www.instagram.com/blogdopaulofilhoInscreva-se no canal do Youtube - https://www.youtube.com/paulofilConheça os livros que indico na minha lista de desejos da Amazon - https://amzn.to/351TTGK
Erick, Rock, Carcará, Batata, Coptulio, Miqueias, Villas Boas e Paganotto se reúnem para o Fala Glauber News. O programa vai ao ar segundas, quartas e sextas, das 16h00 às 20h00.QUER FAZER PARTE DISSO? ENTÃO BOOORAAA. VEM COM A GENTE E INTERAJA NESSA TRANSMISSÃO AO VIVO!!!VIIIIIIIIBRA!!! INSCREVA-SE NO NOSSO NOVO CANAL: @falaglaubernews CONHEÇA MAIS DOS NOSSOS PATROCINADORES:
O Conselho Nacional de Justiça afastou o desembargador suspeito de abuso sexual, em Minas Gerais. A denúncia surgiu depois que Magid Nauef Láuar absolveu um condenado pelo estupro de uma menina. O ministro do Supremo Gilmar Mendes suspendeu a quebra de sigilo da empresa da família do ministro Dias Toffoli. A Polícia Federal indiciou o deputado estadual Rodrigo Bacellar, do União Brasil, suspeito de vazar informações sigilosas para o Comando Vermelho. O Paquistão declarou guerra ao Afeganistão e bombardeou capital Cabul. Cresceu o medo de um ataque americano contra o Irã. Estados Unidos, China e países europeus pediram que cidadãos deixem a região imediatamente. As chuvas na Zona da Mata mineira atingiram mais uma cidade. Depois de mais uma noite de temporal, Ubá enfrentou novos alagamentos.
Caio Blinder, integrante do Manhattan Connection, com passagens por O Globo, Folha de S.Paulo, VEJA, Jovem Pan e BBC Brasil, analisa e comenta as relações internacionais, no Jornal Eldorado, às 4ªs e 6ªs feiras, 8h15.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Confira os destaques do Jornal da Manhã desta sexta-feira (27): O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26) em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A ação foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), que reúne agentes da Polícia Federal e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público Federal. O governo do estado de São Paulo anunciou a liberação de R$ 10 milhões para apoio imediato às vítimas das fortes chuvas que atingem o litoral paulista em 2026. A Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS) informou que os municípios podem acionar os chamados Benefícios Eventuais, mecanismo ágil para atender famílias afetadas por alagamentos, deslizamentos e outras situações de calamidade pública. Um juiz federal dos Estados Unidos suspendeu a política do governo de Donald Trump que autorizava a deportação de imigrantes em situação irregular para “países terceiros”, ou seja, nações com as quais eles não possuem vínculo direto. A decisão judicial determina prazo de 15 dias para que o governo apresente recurso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira com o líder religioso Ulisses Soares, em meio a críticas relacionadas ao desfile que o homenageou na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Levantamento da Paraná Pesquisas divulgado nesta sexta-feira (27) mostra empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em dois cenários de 1º turno. No primeiro, sem Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 39,6% das intenções de voto, contra 35,3% de Flávio. No segundo, sem Ratinho Junior (PSD), o petista marca 40,5%, enquanto o senador soma 36,6%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. No 2º turno, o filho do ex-presidente avança e fica com 44,4% das intenções de voto contra 43,8% de Lula. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou ao Executivo e ao Legislativo a indicação de representantes para compor uma comissão técnica que irá propor um regime de transição para o pagamento de verbas classificadas como indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”. A sessão da CPMI do INSS desta quinta-feira (26) foi marcada por uma confusão generalizada que terminou em agressões físicas entre parlamentares. O estopim foi a aprovação da quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o inquérito das fake news tem “importância histórica” e classificou como “dramático” o início do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a Corte. O decano declarou que sempre apoiou a investigação, aberta em 2019, que apura disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques contra integrantes do tribunal. Pesquisa da Reuters em parceria com a Ipsos indica que a maioria dos norte-americanos apoia a deportação de imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos, alinhando-se à posição do presidente Donald Trump. No entanto, o levantamento mostra desaprovação às táticas consideradas linha-dura adotadas pelo governo. Essas e outras notícias você acompanha no Jornal da Manhã. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Chefe de direitos humanos da ONU diz que Afeganistão vive “apartheid de gênero”
CNJ afasta desembargador que absolveu homem acusado de estupro de vulnerável. Gestão Zema usou menos de 5% da verba prevista pra contenção de encostas em MG. E Paquistão declara guerra ao Afeganistão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Confira nesta edição: Moradores ficam presos nos apartamentos durante incêndio em prédio de Salvador. Ex-presidente da ALERJ e ex-deputado do Rio de Janeiro são indiciados por suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
Fortes chuvas causam estragos no RJ e SP. Preços sobem 0,84% em fevereiro, puxados pelas mensalidades escolares. Paquistão declara 'guerra aberta' e bombardeia a capital do Afeganistão. Vídeo de criança sendo empurrada por mulher em rua de Tóquio vir
Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro. Esses são os destaques desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026Portugal reafirma proeminência na economia digital durante Cimeira no PortoMudança no consumo de drogas no Afeganistão para substâncias sintéticas
Uso de drogas tradicionais mantém-se predominante, mas cresce o consumo de sintéticos e medicamentos; relatório aponta ainda escassez de profissionais de saúde qualificados e infraestruturas insuficientes.
No vídeo de hoje eu explico por que as últimas oito décadas – o maior período sem guerra entre grandes potências desde o Império Romano – são uma anomalia histórica que a gente trata como normal. Parto de três números-chave dessa “longa paz”: 80 anos sem guerra direta entre grandes potências, 80 anos sem uso de armas nucleares em combate e apenas 9 países com armas atômicas, apesar de mais de 100 terem capacidade de fabricá-las. Reconto como Hiroshima, Nagasaki, a crise dos mísseis em Cuba e a lógica da destruição mútua assegurada na Guerra Fria forçaram EUA e URSS a construírem uma ordem internacional de segurança baseada em alianças (OTAN, Japão), instituições (ONU, FMI, Banco Mundial) e no Tratado de Não Proliferação Nuclear. Depois analiso como o “dividendo da paz” pós-1991, o fim da URSS, o otimismo de Fukuyama sobre o “fim da história” e a globalização criaram uma falsa sensação de segurança, enquanto os EUA se atolavam no Afeganistão e no Iraque. A partir daí, mostro os cinco fatores que hoje ameaçam essa paz: amnésia histórica sobre o horror de uma guerra total; ascensão da China e o ressentimento da Rússia de Putin; a erosão do peso econômico dos EUA em um mundo cada vez mais multipolar; o excesso de compromissos militares americanos; e a polarização interna que paralisa a política externa dos EUA. No fim, a pergunta central é direta: essa era sem Terceira Guerra Mundial é o “normal” ou é um acidente histórico que pode acabar? E o que seria necessário, em termos de imaginação estratégica e vontade política, para segurar essa paz por mais uma geração?
Celebramos a linda festa de Natal, o nascimento do Nosso Senhor Jesus! Este acontecimento foi planejado antes da fundação do mundo! Três cientistas, astrônomos, possivelmente sacerdotes da religião do Zoroastrismo, vêm do Afeganistão seguindo uma estrela que os conduziu até Belém para adorar o Rei dos reis! Entregaram seus presentes, que eram proféticos! Por que? O que significavam? O que o rei Herodes representa hoje como opositor do Natal? Quais seriam os presentes corretos que devemos oferecer ao Aniversariante?
Convidado: Filipe Figueiredo, historiador pela USP, colunista do jornal O Estado de São Paulo e criador do podcast Xadrez Verbal. Com a maior estrutura militar do planeta, há décadas os Estados Unidos transformaram seu poder bélico em instrumento de política externa. Em nome da segurança nacional e de interesses estratégicos, Washington atuou – direta ou indiretamente – para intervir na política de outros países ao redor do globo. Os resultados deixaram rastros de instabilidade e crises duradouras. A exemplo do que aconteceu no Iraque, no Irã e no Afeganistão, onde a ocupação americana durou duas décadas. Agora, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que a intervenção na Venezuela não tem data para terminar – e vai durar até um processo de transição de poder. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com o historiador Filipe Figueiredo. Colunista do jornal O Estado de São Paulo e criador e apresentador do podcast Xadrez Verbal, Filipe relembra o que levou às invasões de países na América Latina e no Oriente Médio – e responde como o movimento MAGA dá uma nova roupagem ao processo de intervencionismo americano. Ele explica o que deu errado em uma série de processos de intervenção e, por fim, traça um paralelo entre as invasões do Iraque e da Venezuela.
Debate desta quarta-feira enfatizou piora da situação de mulheres e meninas; quase metade da população afegã enfrenta necessidades básicas para viver.
Civis continuam a perder a vida diariamente por explosivos deixados por conflitos; programas de desminagem enfrentam grave escassez de recursos; do Afeganistão ao Sudão, passando pela Nigéria, pela Faixa de Gaza e pela Cisjordânia redução de recursos expõe ainda mais os civis ao perigo.
No podcast ‘Notícia No Seu Tempo’, confira em áudio as principais notícias da edição impressa do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ desta sexta-feira (28/11/2025): A Receita e o MP de São Paulo deflagraram operação contra um esquema de fraude fiscal ligado ao Grupo Refit, dono da antiga refinaria de Manguinhos, cumprindo mandados contra 190 alvos. O grupo, comandado por Ricardo Magro, é apontado como um dos maiores devedores de ICMS do País e teria causado prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. A empresa afirma que as cobranças são disputas judiciais legítimas. A operação acelerou na Câmara a escolha do relator do projeto que endurece punições a devedores contumazes. O governo e empresários pressionam pela aprovação da medida, que já reúne apoio de 285 deputados. A Justiça classifica Magro como líder central das fraudes. E mais: Política: Relator na CCJ se reúne com Messias e diz que age para ‘granada’ não ‘explodir’ Metrópole: Vetos ao licenciamento ambiental são derrubados e governo cogita ir ao STF Internacional: Atirador que baleou militares nos EUA trabalhou para CIA no Afeganistão Cultura: A pedido do Museu do Ipiranga, artistas contemporâneos reinterpretam a obra de DebretSee omnystudio.com/listener for privacy information.
No 3 em 1 desta quinta-feira (27), o destaque foi o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o atirador Rahmanullah Lakamal, responsável por ferir dois guardas nacionais em Washington, receba pena de morte. O ataque ocorreu na terça-feira (26). Segundo informações, o suspeito já atuou como colaborador da CIA e integrou a ofensiva americana no Afeganistão. Reportagem: Eliseu Caetano. A esposa do deputado Alexandre Ramagem (PL), Rebeca Ramagem, teve celular e computador apreendidos em um voo para os Estados Unidos. Paralelamente, o jurídico da Câmara avalia a situação do parlamentar, que segue foragido, enquanto o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), já havia proibido a votação remota do exterior. Reportagem: Lucas Martins. A megaoperação Poço de Lobato segue em curso para desarticular um esquema bilionário de fraude fiscal no setor de combustíveis, estimado em R$ 26 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que “combustíveis são mais lucrativos para facções”. A ação mira 190 alvos ligados ao grupo Refit e outras empresas. Reportagem: André Anelli. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reforçou que o esquema desvendado chega a R$ 350 milhões por mês em sonegação, com empresas e fundos usados para ocultar lucros. Em outra frente, o ministro Fernando Haddad (PT) defendeu ampliar a cooperação internacional com os Estados Unidos para combater crimes financeiros, destacando que o estado de Delaware tem funcionado como paraíso fiscal. Reportagem: André Anelli. O advogado-geral da União, Jorge Messias, cotado para o Supremo Tribunal Federal, buscou uma reunião com a bancada evangélica para reduzir resistências à sua indicação. Nos bastidores, líderes apontam que a relação com o Planalto pode ser determinante para sua aprovação. Reportagem: Victoria Abel. O Congresso Nacional derrubou parte dos vetos do presidente Lula (PT) à nova Lei Ambiental. O chefe do Executivo havia vetado 63 dispositivos do texto aprovado pelo Legislativo. Reportagem: Lucas Martins. Tudo isso e muito mais você acompanha no 3 em 1. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Jornal da ONU com Ana Paula Loureiro.Esses são os destaques desta sexta-feira, 19 de setembro de 2025.Nações Unidas seguem com missão por mundo melhor apesar de ventos adversáriosProibição do ensino secundário para meninas no Afeganistão faz quatro anos
Mais de 2,2 milhões de afegãs, nesta faixa etária, não podem frequentar o colégio; proibição coloca toda uma geração em risco e ameaça economia do país; Fatima Amiri relata sua experiência entre milhões afetadas.
Trabalhadoras foram impedidas de entrar nas instalações da organização por forças de segurança do Talibã, a autoridade de facto do país; medida coloca assistência humanitária e serviços essenciais em risco.
Tremor de magnitude 6 devastou aldeias no leste do Afeganistão; bloqueio de estradas isolou aldeias dificultando chegada de ajuda humanitária; ação internacional permanece urgente e necessária.
Convidados: José Hamilton Ribeiro, jornalista brasileiro que cobriu a Guerra do Vietnã, e Artur Romeu, diretor para América Latina da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Segundo o escritório de Direitos Humanos da ONU, 247 profissionais de imprensa morreram em Gaza desde o início do conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas, em outubro de 2023. O Comitê para a Proteção de Jornalistas contabiliza 197 mortes. São números maiores do que a soma de todos os jornalistas mortos nas guerras do Vietnã, Iugoslávia e Afeganistão e mais as duas guerras mundiais. E é uma conta que não para de crescer: na segunda-feira (25), um novo ataque israelense ao Hospital Nasser, em Khan Younis, assassinou 20 pessoas, cinco delas profissionais de imprensa. Neste episódio, Natuza Nery conversa com José Hamilton Ribeiro, autor de “O Gosto da Guerra”, livro em que narra sua cobertura da Guerra do Vietnã para a revista Realidade, em 1968. Jornalista da Globo por mais de quatro décadas, ele carrega no corpo a marca da cobertura de uma guerra: ao pisar em uma mina terrestre, perdeu uma perna. Participa também do episódio Artur Romeu, diretor para a América Latina da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Ele aponta quais são os principais direitos garantidos a jornalistas em zonas de conflito e explica por que o trabalho da imprensa é fundamental para que o mundo saiba o que acontece numa guerra, para além dos relatórios oficiais divulgados pelas partes envolvidas.