Chutando a Escada

Follow Chutando a Escada
Share on
Copy link to clipboard

O Chutando a Escada é um podcast semanal sobre temas de política internacional. Política, economia, diplomacia, comércio, direitos humanos, meio ambiente, gênero, sociedade civil, guerra e paz, tudo pode ser tema de uma conversa descontraída. Falamos também da área de estudo das Relações Internaci…

Filipe Mendonça e Geraldo Zahran

Donate to Chutando a Escada


    • Mar 26, 2026 LATEST EPISODE
    • monthly NEW EPISODES
    • 1h 15m AVG DURATION
    • 615 EPISODES

    4.8 from 18 ratings Listeners of Chutando a Escada that love the show mention: da.



    Search for episodes from Chutando a Escada with a specific topic:

    Latest episodes from Chutando a Escada

    Ecologia da mente e extrema-direita

    Play Episode Listen Later Mar 26, 2026 70:01


    O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.

    O dia em que a Venezuela acordou sem presidente

    Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 30:40


    Neste episódio, Filipe Mendonça conversa com o professor Rafael Villa (USP) sobre o evento que abalou as estruturas da geopolítica latino-americana: a operação militar de captura e sequestro de Nicolás Maduro. Villa, um dos maiores especialistas brasileiros em política venezuelana, analisa as causas do colapso súbito da defesa chavista e levanta a questão central: estivemos diante de uma falha catastrófica de inteligência ou uma demonstração sólida da superioridade militar dos Estados Unidos? O episódio explora também o pragmatismo da administração Trump 2.0, que parece ter preterido a aliada ideológica María Corina Machado em favor de uma interlocução técnica e de governabilidade com Delcy Rodríguez. Entre a necessidade americana de garantir um suprimento seguro de petróleo frente às tensões no Irã e a fragmentação interna do chavismo, Villa desenha um cenário de tutela negociada que redefine a soberania na região. Discutimos ainda a perda de relevância da mediação brasileira e os sinais de que Cuba pode ser o próximo alvo no tabuleiro de Washington. Aviso: Esta entrevista foi gravada pouco antes da notícia da destituição de Gustavo González López do Ministério da Defesa na Venezuela. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Rafael Villa (USP) e Filipe Mendonça Capa do episódio: XNY/Star Max/GC Images Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 Introdução: 12:30 Falha de inteligência ou traição militar? 25:00 O pragmatismo de Trump: Por que Delcy Rodríguez e não Corina? 38:00 A equação do petróleo: Venezuela como “porto seguro” frente ao Irã 50:00 O Brasil apequenado e a pressão sobre Cuba 01:00:00 Encerramento The post O dia em que a Venezuela acordou sem presidente appeared first on Chutando a Escada.

    Rússia e América Latina: Alianças, Petróleo e Cultura

    Play Episode Listen Later Mar 12, 2026 74:17


    Neste episódio de abertura da parceria com o RUSLAT em 2026, o Chutando a Escada mergulha nas complexas relações entre a Rússia e a América Latina. Em um cenário global de profunda transformação, a coordenadora do observatório, Daniela Secches, lidera um time de especialistas para analisar como o “exterior distante” russo se tornou uma presença estratégica e incontornável em nosso continente. O debate atravessa as dimensões políticas, econômicas e de segurança, discutindo desde a resiliência da economia russa após quatro anos de guerra até o impacto de eventos recentes como a crise na Venezuela e a busca brasileira por uma ordem multipolar. Mais do que geopolítica, o episódio revela as pontes simbólicas e culturais que conectam essas duas regiões de modernização tardia e identidades em disputa. Aperte o play! Clique aqui e conheça o RUSLAT. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Daniela Secches, Marinana Andrade, Guilherme Casarões, Giovana Branco, Laura Schneider e Leonardo Nascimento. Agradecimento especial aos apoiadores: Alessandra Ramos de Souza, Túlio Avelino, Carlos Henrique Penteado, Juliano Goes, Caetano Souto Maior, Guilherme Anselmo e Patrick Cadier. Capa do episódio: Frances Rocha Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio: Filme: As Auroras Aqui Nascem Tranquilas (1972), dir. Stanislav Rostotsky. Filme: Memórias do Subdesenvolvimento (1968), dir. Tomás Gutiérrez Alea. Capítulos: 00:00 – Abertura e apresentação da parceria Chutando a Escada + RUSLAT. 02:00 – Panorama Geral: A perspectiva russa sobre a cooperação com a América Latina. 09:30 – O olhar latino-americano: Diversidade, pragmatismo e o lugar da região no mundo. 17:00 – Brasil e Rússia: Do reconhecimento no Império ao universalismo contemporâneo. 31:00 – Conexão Rússia-AL: 4 anos de conflito russo-ucraniano e a busca pela paz duradoura. 43:00 – Geopolítica em ebulição: Venezuela, Operação Absoluto Resolve e a Doutrina Trump. 51:00 – Revitalização diplomática: A 8ª Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia. 58:00 – Outros olhares: Literatura, Escola do Teatro Bolshoi e identidades cruzadas. 01:13:00 – Conclusão e caminhos para a política internacional contemporânea. The post Rússia e América Latina: Alianças, Petróleo e Cultura appeared first on Chutando a Escada.

    EUA 250 anos: Mitos Fundadores e Distopia

    Play Episode Listen Later Mar 5, 2026 73:27


    Neste episódio de abertura da temporada de 2026, o Chutando a Escada mergulha nas profundezas da identidade americana. Em um ano marcado pelos 250 anos da Independência dos Estados Unidos, a editora-chefe do OPEU, Tatiana Teixeira, recebe a professora Camila Vidal (UFSC) para uma análise que vai muito além das celebrações oficiais. Elas discutem como os mitos fundadores, o conceito de Destino Manifesto e o excepcionalismo americano foram construídos e disputados ao longo dos séculos. Mais do que uma revisão histórica, o episódio revela uma ideia de democracia distorcida, servindo de base para o unilateralismo agressivo e a distopia política que vemos hoje sob o trumpismo. Aperte o play! Clique aqui e conheça o OPEU. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Tatiana Teixeira e Camila Vidal. Dedicatória especial: Henrique Harudi Marques Toriha. Capa do episódio: Capitólio sob nova perspectiva Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio: RAPHAEL, Ray. Founding Myths: stories that hide our patriotic past. New York: The New Press, 2004. HORNE, Gerald. The Counter-Revolution of 1776: slave resistance and the origins of the United States of America. New York: New York University Press, 2014. Capítulos: 00:00 – Abertura: Temporada 2026, mudança para a Alemanha e novas parcerias. 08:30 – Giro de Conjuntura: Maduro, Irã, Groenlândia e Trump 2.0. 15:00 – Introdução: Os 250 anos da Independência e a disputa de narrativas. 25:00 – Mitos Fundadores e a construção do Excepcionalismo. 42:00 – Destino Manifesto e a “exportação” da democracia americana. 55:00 – Trumpismo: O unilateralismo agressivo como herança histórica. 01:10:00 – Conclusão: Quem os EUA podem ser daqui para frente? The post EUA 250 anos: Mitos Fundadores e Distopia appeared first on Chutando a Escada.

    Da extrema direita sionista ao bolsonarismo

    Play Episode Listen Later Nov 28, 2025 34:26


    Neste episódio, Guilherme Casarões e Odilon Caldeira conversam com Michel Gherman, pesquisador do Observatório da Extrema Direita (OED), especialista em estudos judaicos e política israelense, que conduz uma análise rigorosa sobre a formação da extrema direita em Israel, suas raízes históricas e suas conexões contemporâneas com o neo-sionismo, o messianismo religioso e o projeto político de Benjamin Netanyahu. Michel discute também como símbolos, narrativas e identidades judaicas têm sido reconfigurados e mobilizados por movimentos de extrema direita no mundo, incluindo o bolsonarismo no Brasil. Da década de 1920 ao 7 de outubro, da Hebraica ao governo Trump 2.0, o episódio revela as imbricações entre política, religião, nacionalismo e guerra cultural no cenário global. Como de costume na parceria entre o OED e o Chutando a Escada, o episódio traz ainda o boletim de conjuntura internacional, com análises sobre Europa, Estados Unidos e América Latina, incluindo sanções energéticas, refugiados brancos, narcoterrorismo e eleições locais nos EUA. Fechamos com uma dica cultural na medida: o filme The Order (2024), disponível no Prime Video, que explora o universo das milícias supremacistas e do neonazismo estadunidense, oferecendo chaves importantes para compreender a extrema direita transnacional. Clique aqui e conheça o OED. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Guilherme Casarões, Odilon Caldeira e Michel Gherman Receba novidades do Chutando a Escada no WhatsApp Capa do episódio: FP Inserção: The Order Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 Introdução e apresentação da parceria com o OED01:00 A formação histórica da extrema direita sionista10:30 As origens do neo-sionismo18:00 Militarismo, etnicidade e a consolidação da extrema-direita em Israel26:00 Netanyahu: trajetória, radicalização e alianças religiosas35:00 Evangelismo, nacionalismo judaico-cristão e conexões globais42:00 Bolsonaro na Hebraica e a colonização dos símbolos judaicos no Brasil50:00 Antissemitismo, instrumentalização política e polarização pós–7 de outubro58:00 Boletim internacional do OED: Europa, EUA, narcoterrorismo e eleições locais01:07:00 Dica cultural: The Order (2024), supremacismo branco e neonazismo nos EUA The post Da extrema direita sionista ao bolsonarismo appeared first on Chutando a Escada.

    Luto Geológico e Ansiedade Climática

    Play Episode Listen Later Nov 13, 2025 25:58


    Neste episódio, Filipe Mendonça recebe Gustavo Lagares para discutir como a crise ecológica atual afeta não apenas instituições e economias, mas também a vida subjetiva das pessoas. A conversa apresenta conceitos como Holoceno, Antropoceno, capitaloceno, ansiedade climática, luto ecológico, luto geológico e geofilia, explorando como a perda da estabilidade planetária gera sofrimento, desorientação e novas formas de vínculo com a Terra. Enquanto a COP30 domina a agenda internacional, o episódio ilumina um campo marginal, porém essencial: o impacto emocional e existencial da crise climática e a busca por modos regenerativos de habitar o mundo. The post Luto Geológico e Ansiedade Climática appeared first on Chutando a Escada.

    Dependência tecnológica na América Latina

    Play Episode Listen Later Nov 7, 2025 33:02


    Neste episódio, Filipe Mendonça conversa com o professor Diógenes Moura Breda (IERI-UFU e Unicamp) sobre a dependência científica e tecnológica na América Latina. A partir da tradição do pensamento latino-americano em ciência e tecnologia e da teoria marxista da dependência, o episódio discute o papel do Estado na produção científica, os limites da inovação no Brasil, a ilusão dos data centers como política industrial e as oportunidades estratégicas das terras raras. Um debate essencial sobre soberania, desenvolvimento e autonomia tecnológica no Sul Global. The post Dependência tecnológica na América Latina appeared first on Chutando a Escada.

    Investimentos chineses no Brasil

    Play Episode Listen Later Oct 30, 2025 28:14


    O episódio analisa o novo ciclo de investimentos chineses no Brasil com base no relatório mais recente do Conselho Empresarial Brasil–China (CEBC). Túlio Cariello explica como a China se consolidou como principal parceira comercial do país e detalha as áreas que mais atraem capital chinês — energia, petróleo, mineração e veículos elétricos. A conversa aborda também a “nova corrida” por minerais estratégicos, os riscos da dependência comercial e as possibilidades de agregar valor e tecnologia à produção brasileira, conectando o tema à agenda de reindustrialização e transição energética. The post Investimentos chineses no Brasil appeared first on Chutando a Escada.

    Milei e o populismo reacionário na Argentina

    Play Episode Listen Later Oct 9, 2025 31:23


    A pesquisadora Gisela Pereyra Doval (CONICET/UNR) analisa o governo Javier Milei e suas contradições: o autoritarismo disfarçado de liberalismo, os cortes à ciência e às universidades, o impacto social do ajuste econômico e a política externa alinhada a Trump e à ultradireita global. No boletim do OED, David Magalhães comenta o assassinato de Charlie Kirk, o avanço do antiglobalismo e da extrema-direita transnacional, e encerra com uma dica cultural sobre Mussolini, o Filho do Século. The post Milei e o populismo reacionário na Argentina appeared first on Chutando a Escada.

    Brasil na ONU e a crise do multilateralismo

    Play Episode Listen Later Sep 25, 2025 25:30


    Na semana em que a ONU completou 80 anos, o Chutando a Escada recebe André Kaysel Velasco e Cruz (Unicamp) para uma conversa densa e necessária. A partir do discurso de Lula na Assembleia Geral e do breve encontro com Donald Trump, discutimos a crise do multilateralismo, os impasses do Conselho de Segurança, a ascensão de uma extrema-direita transnacional e a nova geopolítica marcada por minerais críticos e plataformas digitais. The post Brasil na ONU e a crise do multilateralismo appeared first on Chutando a Escada.

    Brasil sob sanções

    Play Episode Listen Later Sep 16, 2025 24:43


    Com tarifaço, vistos como arma e ameaça de novas sanções de Washington, o Brasil virou peça-chave da geopolítica de Trump. Converso com Henrique Menezes (UFPB/INEU) sobre como o tarifaço é uma sanção econômica, o triplo enquadramento (bilateral–regional–global), os impactos no comércio (-18% em agosto), e a resposta via BRICS e OMC. Entenda por que 2026 entrou no radar da política externa norte-americana. The post Brasil sob sanções appeared first on Chutando a Escada.

    Tomara que você seja deportado, com Jamil Chade

    Play Episode Listen Later Sep 4, 2025 39:16


    Tatiana Teixeira e Yasmim Reis (OPEU) entrevistam o jornalista Jamil Chade sobre seu livro Tomara que você seja deportado. O episódio discute os impactos do trumpismo na sociedade americana, a normalização do ódio, a erosão da democracia e as conexões com o bolsonarismo no Brasil. Jamil relata experiências pessoais e profissionais nos EUA, incluindo o episódio que inspirou o título do livro, além de encontros com figuras como o “Viking do Capitólio”. No final, Yasmim apresenta um boletim sobre as recentes medidas autoritárias do governo Trump, como o envio de tropas à Venezuela. The post Tomara que você seja deportado, com Jamil Chade appeared first on Chutando a Escada.

    Símbolos do extremismo no Brasil

    Play Episode Listen Later Aug 21, 2025 53:00


    O episódio marca a estreia da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita (OED). Isabela Kalil, David Magalhães e Odilon Caldeira recebem Carlos Reiss, diretor do Museu do Holocausto de Curitiba, para discutir o projeto Símbolos do Extremismo. A conversa parte do caso do desfile cívico de 7 de setembro de 2023 em Curitiba, quando um veículo com símbolos nazistas desfilou livremente pelas ruas. O episódio também traz o Boletim Internacional da Extrema Direita, com David Magalhães analisando os avanços recentes da ultradireita na Europa e nos Estados Unidos, e termina com uma dica cultural de Odilon Caldeira: o filme Limonove, o Camaleão Russo. The post Símbolos do extremismo no Brasil appeared first on Chutando a Escada.

    Genocídio a céu aberto, com o Embaixador da Palestina Ibrahim Alzeben

    Play Episode Listen Later Aug 5, 2025 18:09


    Em uma conversa franca e urgente, o embaixador palestino Ibrahim Alzeben detalha a destruição de Gaza, denuncia o uso da fome como arma de guerra e discute o papel do Brasil e da ONU diante do genocídio palestino. No bloco final, Yasmin Reis (OPEU) explica as novas tarifas de Trump contra o Brasil e a escalada militar dos EUA. Episódio essencial para entender a tragédia em curso e os dilemas do direito internacional. The post Genocídio a céu aberto, com o Embaixador da Palestina Ibrahim Alzeben appeared first on Chutando a Escada.

    Sementes de Futuro da Geopolítica Brasileira

    Play Episode Listen Later Jul 30, 2025 35:33


    Neste episódio, Filipe Mendonça conversa com o professor Bernardo Salgado Rodrigues sobre o livro Sementes do Futuro da Geopolítica Brasileira, escrito em parceria com Guilherme Sandoval Góes. A conversa aborda temas centrais para pensar o futuro do Brasil no cenário internacional, como estudos prospectivos, planejamento estratégico, política industrial, inovação e os papéis de China e Estados Unidos na disputa pela liderança global. O episódio também discute a importância de um projeto nacional de desenvolvimento ancorado no Estado e em núcleos estratégicos, defendendo uma nova forma de inserção internacional do Brasil. Ao final, Victor Cabral comenta o uso crescente de tornozeleiras eletrônicas em migrantes nos EUA e a aproximação recente entre Washington e Caracas. The post Sementes de Futuro da Geopolítica Brasileira appeared first on Chutando a Escada.

    Cúpula do BRICS no Rio

    Play Episode Listen Later Jul 15, 2025 72:36


    Neste episódio do Chutando a Escada, Filipe Mendonça conversa com Ana Garcia sobre os bastidores e os desdobramentos da cúpula do BRICS realizada no Rio de Janeiro. Ana analisa o papel da sociedade civil, o esvaziamento da agenda brasileira, as propostas russas para o bloco e a ausência da China no debate público interno. A conversa também aborda sua experiência recente na China, onde participou de um curso sobre mudanças climáticas, e discute os desafios do BRICS frente à crise da ordem internacional e às disputas geopolíticas entre grandes potências. The post Cúpula do BRICS no Rio appeared first on Chutando a Escada.

    Segurança ou Dominação? A Cooperação Policial EUA-Brasil

    Play Episode Listen Later Jul 3, 2025 63:36


    Neste episódio, o Chutando a Escada discute como a cooperação policial entre Estados Unidos e Brasil pode atuar como instrumento de dominação imperial e manutenção da desigualdade social. A pesquisadora Yasmin Reis entrevista João Gaspar, em uma conversa que aborda o pacto securitário burguês, a teoria das janelas quebradas, a tolerância zero e os interesses de classe que estruturam as políticas de segurança pública. O episódio também traz uma coluna de Débora Binatti com os últimos desdobramentos da Suprema Corte dos EUA e da política externa americana sob Trump. The post Segurança ou Dominação? A Cooperação Policial EUA-Brasil appeared first on Chutando a Escada.

    Israel x Irã: O Mundo em Estado de Alerta

    Play Episode Listen Later Jun 16, 2025 62:41


    Neste episódio, Filipe Mendonça conversa com Bruno Huberman, professor da PUC-SP e pesquisador do INEU, sobre a escalada do conflito entre Israel e Irã. Huberman analisa as motivações políticas por trás do ataque israelense a Teerã em junho de 2025, os riscos de uma guerra regional ou até nuclear, e o papel das grandes potências — como EUA, Rússia e China — nesse tabuleiro de tensões. Ao final do episódio, a coluna do Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU) com Débora Binatti analisa a resposta do governo Trump ao conflito, o impacto na política externa e os desdobramentos internos da repressão aos migrantes nos EUA. The post Israel x Irã: O Mundo em Estado de Alerta appeared first on Chutando a Escada.

    TACO Trade: o (nem tão) novo protecionismo estadunidense

    Play Episode Listen Later Jun 12, 2025 79:19


    O episódio discute o retorno do protecionismo, os diagnósticos do colapso da manufatura americana, a lógica do método “TACO” e os impactos dessa política comercial agressiva nos Estados Unidos e no mundo. A relação com a China, a reação do mercado financeiro, o papel do dólar e os limites da hegemonia americana também entram na pauta. A tradicional coluna do OPEU, com Victor Cabral, encerra o episódio com uma análise sobre as eleições judiciais no México e as novas restrições migratórias impostas por Trump. The post TACO Trade: o (nem tão) novo protecionismo estadunidense appeared first on Chutando a Escada.

    A batalha pela memória nos Estados Unidos

    Play Episode Listen Later Jun 2, 2025 33:36


    Donald Trump está de volta à Casa Branca e, amparado pela extrema-direita, transformou a própria história dos Estados Unidos num front político: corta verbas de universidades, apaga páginas oficiais, ameaça o complexo de museus Smithsonian e invoca os “pais fundadores” sempre que deseja legitimar políticas excludentes. Para dissecar essa ofensiva contra a memória nacional, Tatiana Teixeira (OPEU) e Andressa Mendes (Programa Santiago Dantas / OPEU) recebem a historiadora Mary Anne Junqueira (USP). No bloco de encerramento, Giovana Bracali (PUC-Rio) recapitula a semana fervilhante em Washington: a suspensão judicial do “tarifaço”, a saída explosiva de Elon Musk do governo e a cruzada de Trump contra vistos de estudantes estrangeiros. The post A batalha pela memória nos Estados Unidos appeared first on Chutando a Escada.

    Pastores no coração da tropa

    Play Episode Listen Later May 26, 2025 53:21


    Neste episódio, Filipe Mendonça volta a conversar com o pesquisador Rodrigo Duque Estrada Campos, pós-doutorando em Ciência Política na Universidade de York (Reino Unido), agora focando na simbiose entre evangélicos e forças policiais e nas suas implicações para o avanço da extrema-direita no Brasil. O episódio termina com a participação de Débora Binatti, pesquisadora do Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), que analisa os desdobramentos mais recentes da política norte-americana: a ameaça de tarifas de 50 % de Trump 2.0 contra a União Europeia, o “caso Harvard” envolvendo a tentativa de barrar estudantes estrangeiros e o endurecimento geral da agenda comercial da Casa Branca. The post Pastores no coração da tropa appeared first on Chutando a Escada.

    Etnografia e extrema direita no Brasil e no mundo

    Play Episode Listen Later May 19, 2025 24:59


    Neste episódio,  Filipe Mendonça conversa com o pesquisador Rodrigo Duque Estrada Campos, pós-doutorando em Ciência Política na Universidade de York (Reino Unido), sobre sua trajetória de pesquisa, a produção de documentários e os estudos etnográficos que abordam temas como militarismo, religião e extrema direita no Brasil e no mundo. O episódio termina com a participação de Victor Cabral, pesquisador do Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), que analisa os últimos desdobramentos políticos na América Latina. The post Etnografia e extrema direita no Brasil e no mundo appeared first on Chutando a Escada.

    O Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

    Play Episode Listen Later May 12, 2025 26:38


    Neste episódio, Filipe Mendonça e Tatiana Teixeira conversam com Fábio de Sá e Silva, professor e pesquisador do IPEA e da Universidade de Oklahoma, indicado pelo governo brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH/OEA). O episódio conta ainda com o comentário de Yasmin Reis sobre as últimas medidas do governo Trump, incluindo guerra comercial, política migratória e a surpreendente eleição de um papa norte-americano. The post O Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos appeared first on Chutando a Escada.

    100 dias de Trump 2.0

    Play Episode Listen Later May 5, 2025 33:57


    Tatiana Teixeira recebe os pesquisadores Lucas Amorim e Victor Cabral para discutir os impactos das novas tarifas comerciais, a radicalização da política migratória, o autoritarismo presidencial, a perseguição ao judiciário e o desmonte das políticas ambientais.  No final temos ainda a participação especial de Yasmin Reis, com um panorama das principais medidas do período. The post 100 dias de Trump 2.0 appeared first on Chutando a Escada.

    Capital identitário e o tarifaço de Trump

    Play Episode Listen Later Apr 28, 2025 28:03


    Neste episódio, Filipe Mendonça conversa com o professor Vinícius Rodrigues Vieira sobre como identidades coletivas influenciam a formulação da política comercial internacional. Ao final, Yasmin Reis, do Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), traz uma análise exclusiva sobre o impacto da nova política externa norte-americana na segurança internacional. The post Capital identitário e o tarifaço de Trump appeared first on Chutando a Escada.

    USAID sob Trump 2.0

    Play Episode Listen Later Mar 31, 2025 80:13


    Neste episódio do Chutando a Escada, em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), Tatiana Teixeira conversa com a professora Camila Feix Vidal (UFSC) sobre o histórico, a atuação e a reestruturação da USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional) sob o governo Trump 2.0. No bloco final, o pesquisador Vitor Cabral Ribeiro comenta as medidas recentes de Trump relacionadas ao combate às drogas, à legislação anticorrupção e à política migratória, evidenciando a complexa influência dos EUA na América Latina. The post USAID sob Trump 2.0 appeared first on Chutando a Escada.

    Fadiga de guerra e o novo panorama da Ucrânia

    Play Episode Listen Later Mar 24, 2025 53:49


    Neste episódio, o professor Flávio Lira (Unipampa), especialista em Relações Internacionais e Geopolítica, fala sobre a situação da Ucrânia e aprofunda em temas como a verificação dos dados de baixas e deslocamentos, ressaltando as dificuldades metodológicas e as oscilações entre estimativas oficiais e alternativas. A discussão também revisita a histórica posição pendular da Ucrânia entre o Ocidente e a Rússia, evidenciando como a diplomacia e as estratégias adotadas pelo país foram reconfiguradas com a ascensão de Zelensky. Além disso, o episódio explora as implicações das recentes mudanças no cenário internacional, incluindo a influência dos discursos e atitudes de líderes norte-americanos, como Trump, e a repercussão dessas posturas na reorientação das prioridades de segurança europeia. Aperte o play! The post Fadiga de guerra e o novo panorama da Ucrânia appeared first on Chutando a Escada.

    Política Externa em Números

    Play Episode Listen Later Mar 17, 2025 26:22


    Neste episódio, conversamos com o professor Pedro Feliú Ribeiro (USP) sobre o Pólen – Política Externa em Números, um projeto que cria indicadores para avaliar a atuação internacional do Brasil. Discutimos a importância do rigor metodológico, as possibilidades abertas pelos dados quantitativos e como essas ferramentas podem aprimorar o debate sobre a política externa brasileira. The post Política Externa em Números appeared first on Chutando a Escada.

    OMS em tempos de Trump

    Play Episode Listen Later Mar 10, 2025 30:27


    Neste episódio recebemos a professora e pesquisadora Jéssica Fernandes (UFU) que fala sobre os impactos da saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde. Discutimos como essa decisão afeta a governança global, o financiamento de programas essenciais e a articulação de outros atores internacionais. Uma conversa fundamental para compreender os desafios e o futuro da saúde em escala global. The post OMS em tempos de Trump appeared first on Chutando a Escada.

    Drogas e capitalismo

    Play Episode Listen Later Feb 24, 2025 38:22


    A relação entre drogas e capitalismo é o ponto de partida para um debate crítico e urgente que une economia política, proibição e controle social. Filipe Mendonça recebe o professor Thiago Rodrigues, pesquisador da UFF e autor do livro “Drogas e Capitalismo: uma crítica marxista”. The post Drogas e capitalismo appeared first on Chutando a Escada.

    Trump e a inflexão da grande estratégia dos Estados Unidos

    Play Episode Listen Later Feb 17, 2025 67:52


    Neste episódio, Filipe Mendonça recebe Tatiana Teixeira e Williams Gonçalves para discutir as mudanças na grande estratégia dos Estados Unidos sob o trumpismo. The post Trump e a inflexão da grande estratégia dos Estados Unidos appeared first on Chutando a Escada.

    Marx & Engels: Analistas de relações internacionais

    Play Episode Listen Later Feb 10, 2025 38:07


    Neste episódio, recebemos o professor Caio Bugiato para discutir como Marx e Engels analisaram as relações internacionais, abordando temas como imperialismo, guerra, revolução e dependência. Aperte o play e explore o pensamento marxista na política global! The post Marx & Engels: Analistas de relações internacionais appeared first on Chutando a Escada.

    Trumpismo 2.0

    Play Episode Listen Later Nov 7, 2024 54:57


    Neste episódio recebemos o professor Roberto Moll, visiting scholar na Universidade de Denver e especialista em História da América. Em uma análise que atravessa história e política contemporânea, o episódio explora as dinâmicas do trumpismo e o papel do Partido Democrata nos Estados Unidos. Moll discute como a classe trabalhadora americana, especialmente os brancos de classe média, tem reagido às políticas neoliberais das últimas décadas, enquanto forças como o conservadorismo religioso e a violência urbana moldam a sociedade americana. Aperte o play! The post Trumpismo 2.0 appeared first on Chutando a Escada.

    BRICS e a ordem liberal internacional

    Play Episode Listen Later Oct 31, 2024 63:06


    Neste episódio do Chutando a Escada, Filipe Mendonça recebe Ana Garcia, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pesquisadora do BRICS Policy Center, para uma análise aprofundada sobre o papel e a expansão do BRICS na ordem internacional contemporânea. Aperte o play! The post BRICS e a ordem liberal internacional appeared first on Chutando a Escada.

    Ordem ambiental internacional

    Play Episode Listen Later Oct 24, 2024 61:03


    No episódio 357 do podcast "Chutando a Escada", Filipe Mendonça recebe a professora Helena Margarido Moreira para discutir as mudanças climáticas sob a ótica das relações internacionais e geopolítica ambiental. A conversa explora o conceito de regime internacional de mudanças climáticas, a ordem ambiental internacional e as contradições entre políticas externas e domésticas no Brasil e em outros países. Helena também fala sobre a eco-ansiedade, os desafios das negociações globais e a urgência de ações territoriais para mitigar os impactos das mudanças climáticas. The post Ordem ambiental internacional appeared first on Chutando a Escada.

    Guerra no Líbano

    Play Episode Listen Later Oct 2, 2024 55:16


    Recebemos a pesquisadora Natália Calfat para uma conversa sobre a escalada recente de conflitos envolvendo Israel, Líbano e Irã, com foco no papel do Hezbollah. A discussão explora as raízes históricas do Hezbollah, sua fundação em 1982 como resposta à invasão israelense no Líbano durante a guerra civil e sua evolução de um grupo de resistência para um ator político e militar significativo na região. The post Guerra no Líbano appeared first on Chutando a Escada.

    Discurso do Brasil na ONU

    Play Episode Listen Later Sep 25, 2024 52:23


    Conversamos com Marianna Albuquerque, Professora do Instituto de Relações Internacionais e Defesa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (IRID-UFRJ) e administradora da página ONU em Pauta no Instagram. A conversa aborda a recente Assembleia Geral da ONU, com foco no discurso do Lula.  Aperte o play! The post Discurso do Brasil na ONU appeared first on Chutando a Escada.

    Cadeiras, Pets e eleições nos Estados Unidos

    Play Episode Listen Later Sep 19, 2024 70:10


    Débora Prado conversa com o professor e pesquisador Lucas Leite sobre as eleições presidenciais de 2024 nos Estados Unidos e o papel de Kamala Harris como candidata. Lucas, especialista em política norte-americana, traz uma análise profunda sobre os desafios que Harris enfrentará, tanto na campanha quanto no governo, caso eleita. Aperte o play! The post Cadeiras, Pets e eleições nos Estados Unidos appeared first on Chutando a Escada.

    É a ideologia, estúpido!

    Play Episode Listen Later Sep 12, 2024 43:42


    Conversamos com o geógrafo e doutorando em Economia Política Internacional, Mateus Mendes, sobre seu novo livro, "É a Ideologia, Estúpido". A discussão aborda temas como a crise da ordem liberal internacional, a ascensão da extrema-direita e a relação entre neoliberalismo e neofascismo. Matheus analisa como a ideologia molda as percepções políticas e econômicas tanto no Brasil quanto no cenário internacional, destacando a necessidade de uma disputa ideológica mais ativa por parte da esquerda. Aperte o play! The post É a ideologia, estúpido! appeared first on Chutando a Escada.

    Crise na Venezuela

    Play Episode Listen Later Sep 4, 2024 61:03


    Neste episódio, conversamos com a professora Carolina Pedroso, especialista em política latino-americana e professora de Relações Internacionais na Unifesp, sobre a crise na Venezuela. Discutimos o acordo de Barbados, as eleições de 2024, e os desafios que a Venezuela enfrenta diante de uma oposição dividida e um governo cada vez mais isolado internacionalmente. The post Crise na Venezuela appeared first on Chutando a Escada.

    IA em tempos de crise

    Play Episode Listen Later Aug 28, 2024 63:57


    Neste episódio conversamos com Gustavo Macedo, especialista em IA e Direitos Humanos, sobre inteligência artificial e seus impactos. Discutimos o avanço exponencial da tecnologia desde 2022, a explosão do ChatGPT, e os desafios éticos e sociais que surgiram com essa nova era digital. A conversa aborda desde as questões técnicas até as implicações políticas e econômicas, refletindo sobre como a IA está moldando o futuro da educação, do trabalho, e até mesmo das Relações Internacionais. Aperte o play. The post IA em tempos de crise appeared first on Chutando a Escada.

    A expansão econômica e geopolítica da China no século XXI

    Play Episode Listen Later Aug 14, 2024 50:03


    Neste episódio do Chutando a Escada, recebemos o professor Leonardo Ramos, da PUC-Minas, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais e do grupo de pesquisa Potências Médias. A conversa aborda a expansão econômica e geopolítica da China no século XXI, um tema fundamental para entender as dinâmicas do poder global contemporâneo. Aperte o play e descubra como a China está moldando o século XXI e o que isso significa para o futuro das relações internacionais! The post A expansão econômica e geopolítica da China no século XXI appeared first on Chutando a Escada.

    Paris: a Festa Continua

    Play Episode Listen Later Jul 4, 2024 69:38 Transcription Available


    Neste episódio do Chutando a Escada, Filipe Mendonça e Débora Prado conversam com o professor David Magalhães sobre a ascensão da ultradireita na França, a história do Reagrupamento Nacional e suas implicações políticas atuais. Aperte o play e entenda como a história e a política se entrelaçam na França contemporânea. The post Paris: a Festa Continua appeared first on Chutando a Escada.

    Israel e Hezbollah: Tensão em escalada

    Play Episode Listen Later Jun 26, 2024 60:33


    Neste episódio do Chutando a Escada, recebemos a professora Rashmi Singh, da PUC-Minas, pesquisadora do TRAC (rede colaborativa de pesquisadores sobre terrorismo, radicalização e crime organizado). A conversa se aprofunda nas crescentes tensões entre Israel e o Hezbollah, um tema crucial no cenário geopolítico atual. Discutimos o histórico do Hezbollah, sua evolução como um grupo militar e político no Líbano, e suas capacidades militares. A professora Rashmi analisa também as motivações políticas do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e as possíveis consequências de um conflito aberto entre Israel e Hezbollah, incluindo o risco de regionalização do conflito com a participação do Irã. Aperte o play! The post Israel e Hezbollah: Tensão em escalada appeared first on Chutando a Escada.

    Ascensão da ultradireita na Europa

    Play Episode Listen Later Jun 13, 2024 29:01


    No episódio desta semana mergulhamos em um tema crucial e contemporâneo: a ascensão da ultradireita na Europa. Para nos guiar nesta discussão, contamos com a participação especial de Vinícius Bivar, doutorando em História Contemporânea pela Universidade Livre de Berlim. Aperte o play The post Ascensão da ultradireita na Europa appeared first on Chutando a Escada.

    6 meses de Javier Milei

    Play Episode Listen Later Jun 5, 2024 23:13


    No episódio de hoje, Filipe Mendonça conversa com Matheus de Oliveira Pereira (INCT-Ineu) sobre os primeiros seis meses de governo de Javier Milei na Argentina, destacando sua abordagem radical e controversa, incluindo os decretos e a "lei ônibus", que pretende implementar reformas profundas e quase constitucionais no país. Aperte o Play! The post 6 meses de Javier Milei appeared first on Chutando a Escada.

    Greve nas federais

    Play Episode Listen Later May 29, 2024 43:20


    No episódio de hoje do Chutando a Escada, Filipe Mendonça conversa com Maria Caramez Carlotto, professora da Universidade Federal do ABC (UFABC) e presidenta da Associação dos Docentes da UFABC. Eles discutem a greve nas universidades federais brasileiras, que começou em 15 de abril e envolve tanto professores quanto técnicos administrativos. Aperte o Play! The post Greve nas federais appeared first on Chutando a Escada.

    Guerra na Ucrânia: De Bakhmut a Kharkiv

    Play Episode Listen Later May 22, 2024 50:43


    Conversamos com o pesquisador Augusto Teixeira (UFPB) sobre os últimos desdobramentos da guerra da Ucrânia. Para apoiar o Chutando a Escada, acesse chutandoaescada.com.br/apoio Comentários, críticas, sugestões, indicações ou dúvidas existenciais, escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste podcast: Filipe Mendonça –  @filipeamendonca Augusto Teixeira – @augustotjr Citados no episódio: Da Ucrânia a Gaza: tecnologia, estratégia e política – Chutando... The post Guerra na Ucrânia: De Bakhmut a Kharkiv appeared first on Chutando a Escada.

    Nakba, Rafah e BDS

    Play Episode Listen Later May 15, 2024 71:19


    Conversamos com o pesquisador Bruno Huberman (PUC-SP) sobre a Nakba, as incursões de Israel em Rafah (cidade palestina situada no sul da Faixa de Gaza), a situação dos civis desabrigados na região e a estratégia de resistência BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções). Aperte o play! The post Nakba, Rafah e BDS appeared first on Chutando a Escada.

    Refugiados climáticos no Rio Grande do Sul

    Play Episode Listen Later May 8, 2024 62:18


    Conversamos com Fabrício Pontin (LaSalle) e Gabriel Narciso Pareja (CIBAI Migrações) sobre o desastre climático no Rio Grande de Sul e a situação dos refugiados climáticos no estado. Aperte o play! The post Refugiados climáticos no Rio Grande do Sul appeared first on Chutando a Escada.

    Universidades ocupadas nos Estados Unidos

    Play Episode Listen Later May 2, 2024 71:26


    Conversamos com o professor Rafael R. Ioris (University of Denver) sobre a crise estrutural da democracia estadunidense, a corrida presidencial de 2024  entre Biden e Trump e as ocupações nas universidades norte-americanas. Aperte o play! The post Universidades ocupadas nos Estados Unidos appeared first on Chutando a Escada.

    Claim Chutando a Escada

    In order to claim this podcast we'll send an email to with a verification link. Simply click the link and you will be able to edit tags, request a refresh, and other features to take control of your podcast page!

    Claim Cancel