Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Renata Lo Prete vai conversar com jornalistas e analistas da TV Globo, do G1, da GloboNews e dos demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e trazer um ângulo diferente dos assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo, além…
The O Assunto podcast is a true gem in the world of journalism. Hosted by Renata Lo Prete, this podcast offers incredible interviews and informative discussions on a wide range of topics. One of the best aspects of this podcast is Renata's excellent interviewing skills. She has a knack for asking thought-provoking questions that really draw out meaningful insights from her guests. Her interviewing style is engaging, making it easy for listeners to stay captivated throughout each episode.
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Convidados: Léo Arcoverde, repórter especial da GloboNews, e Felipe Salto, economista-chefe na Warren Investimentos, ex-secretário de Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo e ex-diretor-executivo do Instituto Fiscal Independente. Nos últimos meses, o noticiário brasileiro foi tomado por dois escândalos de fraudes financeira e tributária cujos prejuízos estão na casa das dezenas de bilhões de reais. O caso do Banco Master estourou depois de causar um rombo de R$ 12 bilhões para o BRB, banco estatal do Distrito Federal, de acordo com a Polícia Federal – e mostra ramificações da ação criminosa em diversas esferas de poder. Na última sexta-feira (15), a Operação Sem Refino revelou um esquema de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ligados ao grupo Refit que envolve até o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) – a PF aponta até R$ 52 bilhões em passivos tributários. Nos dois casos, as redes criminosas causaram prejuízo à União, a estados e municípios e, claro, ao cidadão. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista o jornalista Léo Arcoverde e o economista Felipe Salto para explicar por que o Brasil não consegue fiscalizar e impedir este tipo de crime. Léo relata quais são os problemas do vazio regulatório do país. E Felipe analisa os prejuízos das fraudes ao erário público.

Convidada: Camila Bomfim, apresentadora da GloboNews e colunista do g1. Na manhã dessa quinta-feira (14), a Polícia Federal realizou a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Os agentes prenderam o pai de Daniel, Henrique Moura Vorcaro, acusado de operar uma estrutura criminosa dedicada à vigilância ilegal e intimidação de desafetos. Além dele, mais seis suspeitos foram alvos de mandados de prisão preventiva – entre eles dois agentes da PF. A investigação revela a infiltração da quadrilha na própria corporação e as conexões de Vorcaro com o jogo do bicho e com a milícia no Rio de Janeiro. No mesmo dia, foi revelado que a PF também apura o destino do dinheiro que o dono do Banco Master colocou para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro – há a suspeita de que tenha sido usado para bancar as despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde mora há mais de um ano. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com Camila Bomfim. A jornalista detalha as conexões criminosas de Vorcaro reveladas pela operação da PF e explica quais são as suspeitas que pairam sobre o dinheiro que liga do dono do Master ao filme.

Convidado: Bernardo Mello Franco, colunista do Jornal O Globo e da Rádio CBN. Mensagens e áudios trocados entre o senador Flávio Bolsonaro (RJ-PL) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras, mostram que o pré-candidato à Presidência pediu dinheiro ao banqueiro. A conversa, que consta do material que estava no celular de Vorcaro, foi divulgada pelo site The Intercept Brasil e confirmada pela TV Globo. Nela, Flávio negociou com o banqueiro um repasse correspondente a mais de R$ 130 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro – R$ 61 milhões foram, de fato, enviados por Vorcaro entre fevereiro e maio do ano passado, de acordo com a reportagem. O senador publicou nota reconhecendo o teor da conversa, mas disse que se trata apenas de um “filho procurando investidores privados” para um filme sobre seu pai e pediu a abertura de uma CPI do Banco Master. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com Bernardo Mello Franco sobre o tamanho da crise que se abre para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e sobre quais movimentações se desenham no tabuleiro político a partir de agora.

Convidado: José Vicente Silva Filho, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública, coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo e membro do conselho do Instituto Brasileiro de Segurança Pública. O governo federal lançou nesta terça-feira (12) o programa "Brasil Contra o Crime Organizado", um pacote de medidas que prevê o investimento direto de R$ 1,06 bilhão e mais linha de crédito de R$ 10 bilhões para que estados, municípios e o Distrito Federal possam financiar ações e equipamentos na área de segurança pública. As pesquisas de opinião apontam que a violência é vista como o maior problema do Brasil atualmente – e, poucos meses antes das eleições, a pauta de combate ao crime ganha ainda mais centralidade no debate público. No lançamento do programa, o presidente Lula afirmou que o governo espera aprovar ainda este ano a PEC da Segurança Pública e que, com isso, deve criar um ministério para tratar do tema. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista o coronel José Vicente Silva Filho, que foi Secretário Nacional de Segurança Pública em 2002. Na conversa, o Cel. José Vicente analisa a capacidade do plano do governo de entregar resultados e alerta para o problema da politização da pauta da segurança pública. Ele também aponta quais são as responsabilidades das esferas federal e estaduais no combate ao crime organizado.

Convidados: Valdo Cruz, comentarista da GloboNews e colunista do g1, e Eloísa Machado, professora de Direito Constitucional da FGV-SP. No fim de abril, um grande acordo no mundo político entregou duas derrotas seguidas ao governo: a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal foi recusada pelo Senado e o Congresso derrubou o veto de Lula à Lei da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A lei foi promulgada, mas duas ações questionaram sua constitucionalidade na Justiça. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para a relatoria do caso e suspendeu a aplicação da dosimetria até análise colegiada da Corte. Agora, enquanto os condenados aguardam pelo plenário do STF, parlamentares bolsonaristas ameaçam ressuscitar a PEC da Anistia, que prevê perdão “amplo, geral e irrestrito” aos crimes da tentativa de golpe de Estado. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com Valdo Cruz, que revela os bastidores por trás das movimentações do Congresso e do Supremo, e com Eloísa Machado, que analisa os aspectos jurídicos da lei.

Convidado: Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) A China passa por uma transformação que afeta diretamente o Brasil. Como explica Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a potência asiática busca reduzir sua dependência externa — especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras. Pequim acelera uma estratégia de autossuficiência alimentar porque a fome, historicamente presente no país, é tratada hoje como uma "vulnerabilidade". Por isso, o 15º Plano Quinquenal, que orienta o desenvolvimento do gigante asiático, projeta um crescimento mais moderado e maior foco no fortalecimento do mercado interno. Nesse contexto, segurança alimentar e segurança nacional passam a caminhar juntas. Esse movimento já aparece nos indicadores: na última década, a participação das importações no PIB chinês caiu de 22% para menos de 18%. Na área de alimentos, a estratégia combina tecnologia, subsídios, expansão da produção doméstica e estoques elevados — um cenário que tende a pressionar exportadores no longo prazo. Hoje, o Brasil responde por 25% de tudo o que a China importa do agronegócio global. Diante disso, analistas avaliam que a relação bilateral permanece sólida no curto prazo, mas impõe um desafio estratégico: como o Brasil deve se posicionar diante de uma China que continua investindo aqui, mas busca depender cada vez menos do mundo? Para Wachholz, o país também precisa ficar atento a possíveis acordos entre Estados Unidos e China e ampliar seu leque de parceiros comerciais.

Convidado: Gerson Camarotti, jornalista e comentarista político da TV Globo, GloboNews e colunista do g1. A nova fase da operação Compliance Zero revelou indícios de uma suposta mesada de meio milhão de reais ao senador Ciro Nogueira e reforçou a avaliação de investigadores de que a Polícia Federal já reuniu um volume robusto de provas no caso Master. A defesa do senador Ciro Nogueira (Progressistas) afirmou que ele não participou de atividades ilícitas investigadas na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7). Ao mesmo tempo, a delação do banqueiro Daniel Vorcaro chegou às autoridades em um pendrive e está sob análise da PF e da Procuradoria-Geral da República. Nos bastidores, porém, investigadores consideram que o material apresentado até agora estaria abaixo do esperado e distante do que já foi apurado. Enquanto ministros do Supremo pressionam por ajustes no acordo e pela devolução integral dos recursos desviados, policiais seguem examinando milhares de arquivos apreendidos — só em um dos celulares de Vorcaro, são mais de 8 mil vídeos. Nesse episódio, o comentarista Gerson Camarotti traz os bastidores dessa operação e o que pode acontecer com a delação de Daniel Vorcaro e os próximos passos desse caso.

Convidados: Talyta Vespa, repórter do g1 especializada em saúde, e Clayton Luiz Dornelles Macedo, doutor em Endocrinologia Clínica e especialista em Medicina do Esporte pela UNIFESP. O chamado “chip da beleza” promete mais disposição, emagrecimento, ganho de massa muscular, mais libido. Mas o que parece moderno esconde um problema. O produto - que não é um chip, é um implante hormonal - não tem comprovação científica para os efeitos estéticos que são anunciados. Sociedades médicas e órgãos reguladores são categóricos: os implantes de testosterona, oxandrolona e gestrinona têm ação anabolizante. Eles servem para ganhar massa muscular e produzir efeito estético. Mesmo assim, o mercado cresceu e hoje movimenta milhões de reais no Brasil. E funciona com uma engrenagem: médicos prescrevem, treinam outros profissionais e indicam farmácias de manipulação. Um ciclo que vai da consulta à venda do produto e que, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), pode envolver conflito de interesse. A Anvisa chegou a proibir a manipulação, a venda e a propaganda desses implantes. Mas recuou após pressão do setor. Hoje, o uso com finalidade estética segue restrito, mas uma brecha na legislação permite a manipulação de substâncias aprovadas sem definir claramente como elas podem ser usadas. Na prática, o mercado continua ativo e em crescimento. Nas redes sociais, onde a fiscalização é mais difícil, o público-alvo é claro: mulheres. Promessas de autoestima e desempenho físico se espalham com a ajuda de influenciadores e profissionais de saúde. E o “chip da beleza” vira porta de entrada para um mercado maior — que vai da suplementação a tratamentos estéticos, e se apoia, muitas vezes, em inseguranças sobre o corpo.

Convidado: Ariel Palacios, correspondente da Globo e da Globonews para América Latina. A Argentina registrou a menor taxa de pobreza em sete anos, recuando de 38,1% em 2024 para 28,2% sob a gestão de Javier Milei, segundo o Indec, o "IBGE argentino". No entanto, esse avanço econômico contrasta com uma queda drástica na popularidade do presidente, que se tornou o líder mais impopular da América Latina, acumulando 64,5% de desaprovação (dados da consultoria Zuban Córdoba). As políticas econômicas celebradas pelo governo têm sido insuficientes para conter o ceticismo da opinião pública. O desgaste político é alimentado por uma série de escândalos envolvendo o gabinete de Milei. Além disso, a população reage ao aumento do desemprego, ao fechamento de milhares de empresas e aos cortes na saúde e educação pública. Para grande parte do eleitorado, a realidade do cotidiano e a inflação persistente, mesmo que em queda anual, pesam mais do que os índices oficiais de redução da pobreza. Em paralelo, outro desafio crítico é a profunda desconfiança no sistema financeiro, herança de traumas como o "corralito" de 2001. Estima-se que os argentinos ainda guardem US$ 170 bilhões fora dos bancos, e as recentes tentativas de Javier Milei de atrair esse capital com isenções fiscais, sob o mote "alivie seu colchão", tiveram pouco sucesso até agora.

Convidados: Lauro Gonzalez, professor da Fundação Getúlio Vargas e coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira e Guilherme Balza, repórter de política da GloboNews em Brasília . O Brasil atingiu em março de 2026 a marca de 82,8 milhões de inadimplentes, o que significa que metade dos lares brasileiros está endividada e comprometendo quase um terço da renda com o pagamento de dívidas. Para tentar reverter esse quadro o governo federal lançou nesta segunda-feira (4) o novo Desenrola, que agora permite o uso de parte do FGTS para quitar dívidas e impõe uma regra inédita: quem aderir ao programa fica bloqueado em sites de apostas. A nova fase do Desenrola mira especialmente a inadimplência familiar e precoce. Economistas, porém, afirmam que o atual cenário das contas públicas é um dos fatores que impedem a queda dos juros — o que impacta diretamente o tamanho do endividamento dos brasileiros. Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV, a questão é mais complexa do que o anúncio faz parecer. “Não existe uma solução mágica, uma bala de prata que vai resolver tudo.” Além da economia, existe uma estratégia política por trás do anúncio: o governo tenta recuperar sua popularidade em ano eleitoral por meio de medidas de impacto direto no cotidiano para tentar reverter o “mau humor” do eleitorado e recuperar a popularidade do presidente Lula em um ano eleitoral, e “não tem como fugir disso" -- analisa Guilherme Balza, repórter da GloboNews.

Convidados: Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro De Segurança Pública e Paulo Renato Soares, jornalista da TV Globo e um dos repórteres do documentário ‘Territórios' do Globoplay. O Brasil vive um processo de interiorização da violência, com o avanço das facções criminosas para cidades médias e pequenas. É o que mostram estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Enquanto grandes capitais (como Fortaleza, São Luís e Goiânia) reduziram as taxas de homicídios em mais de 60% entre 2013 e 2023, municípios do interior passaram a concentrar episódios de violência antes restritos às metrópoles. Como mostra o documentário do Globoplay “Territórios – Sob o Domínio do Crime”, o crime organizado deixou de ser um fenômeno localizado e passou a atuar de forma articulada em escala nacional e transnacional, apoiado no domínio de territórios, no uso da força armada, na influência dentro do sistema prisional, na penetração em atividades da economia formal e em práticas de corrupção. "A gente escolheu esse nome 'Territórios', porque este é o ponto: é grave a dominação armada de territórios que acontece muito no Rio de Janeiro e está se espalhando por tudo quanto é lugar. Isso subjuga milhões de pessoas. Eles impõem regras a elas, que são consumir produtos e serviços imposto pelos traficantes", disse Paulo Renato Soares, um dos repórteres do documentário. Cidades como Rio Claro, no interior de São Paulo, com cerca de 200 mil habitantes, viraram palco de disputa entre o PCC e o Comando Vermelho. A localização, próxima a grandes rodovias, transformou a cidade em um ponto estratégico para o tráfico. Na Bahia, o município de Juazeiro, a 500 quilômetros de Salvador, reflete esse mesmo movimento. Lá, a taxa de homicídios chega a 76,2 por 100 mil habitantes, três vezes maior que a média nacional. E, na Amazônia Legal, formada por nove estados, a presença do crime organizado já alcança 45% dos municípios. De acordo com Samira Bueno, do Fórum Brasileiro De Segurança Pública, com esse avanço, o Estado precisa considerar a atuação das facções não apenas no âmbito da segurança pública, mas também na formulação de políticas de habitação, transporte e até no processo eleitoral. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem realizado uma força-tarefa para conter a influência do crime organizado nas eleições.

Convidada: Ana Flor é comentarista da GloboNews e colunista do g1. O Senado impôs uma derrota histórica ao rejeitar a indicação do presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Jorge Messias foi o primeiro nome reprovado desde 1894, no governo de Floriano Peixoto. Há 132 anos. O placar foi de 42 votos a 34, após articulação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), contra o governo. Desde o início, Alcolumbre queria que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) fosse a indicação do presidente, não o advogado-geral da União (AGU). Antes da rejeição no plenário, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a indicação de Messias por 16 votos a 11. Durante a sabatina na CCJ, Messias reforçou sua posição contrária ao aborto e criticou as decisões individuais do STF que, segundo ele, diminuem a dimensão institucional do Supremo. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Ana Flor, comentarista da GloboNews e colunista do g1, sobre os bastidores da sabatina de Jorge Messias, as articulações que levaram à derrota do governo e como o episódio embaralha completamente as alianças políticas em Brasília.

Convidado: Tanguy Baghdadi é professor de Política Internacional e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Rio. Os Emirados Árabes Unidos decidiram, após quase 60 anos de alinhamento, sair da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A decisão foi tomada após “várias discussões” e “reflexões” sobre o cenário internacional do petróleo e entra em vigor no dia 1º de maio. O cenário por trás dessa saída envolve a falta de respostas a um evento que se prolonga há quase dois meses: a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A decisão ocorre em um momento delicado para o setor, marcado pela volatilidade dos preços, rearranjos geopolíticos e disputas cada vez mais intensas por influência sobre o fluxo global de energia. Em Washington, o movimento é visto como uma vitória para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, crítico recorrente da atuação da Opep. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o analista internacional Tanguy Baghdadi para analisar os efeitos dessa mudança no mercado do petróleo e na geopolítica do conflito.

Convidado: Jonathan Colombo, engenheiro e professor do MBA em ESG de Mudanças Climáticas e Transição Energética da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Um negócio de quase US$ 3 bilhões colocou o Brasil no centro das atenções em um mercado no qual o país detém a segunda maior reserva do mundo: as terras raras. São 17 minerais estratégicos, usados na fabricação de produtos que vão de carros elétricos a sistemas militares, e que hoje estão no centro de uma disputa geopolítica global, impulsionada pela corrida tecnológica e pela transição energética. Nesse contexto, uma mineradora em Goiás, controlada por fundos privados e internacionais, foi vendida para uma empresa americana. O movimento reacendeu preocupações no governo brasileiro sobre soberania e controle de recursos estratégicos. Enquanto os negócios avançam, a regulamentação das terras raras ainda anda lentamente no Congresso e deve ser analisada em maio; ao mesmo tempo, o tema também está no STF, que avalia uma ação que questiona se a exploração da mina em Minaçu, no norte de Goiás, fere a Constituição. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o engenheiro Jonathan Colombo, professor de transição energética da FGV, sobre os desafios para evitar danos ambientais e a perda de soberania na exploração de terras raras no Brasil.

Convidadas: Margareth Dalcolmo, pneumologista, pesquisadora da Fiocruz e membro titular da Academia Nacional de Medicina; e a advogada Eloisa Machado, professora da FGV/SP e especialista em direito constitucional e direitos humanos. Enquanto o Reino Unido aposta em uma medida radical para criar uma geração de não fumantes — proibindo a venda para pessoas nascidas a partir de 2009 e para a vida toda —, o Brasil enfrenta um movimento inverso: após décadas de políticas públicas que reduziram o consumo, o tabagismo volta a crescer. O episódio parte desse contraste para discutir o que levou o país a avançar no combate ao cigarro no passado, e por que esses mecanismos perderam força nos últimos anos, abrindo espaço para novos desafios, como o avanço dos cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens. Também entram em pauta os impactos do tabagismo na saúde pública e na economia, com números expressivos de mortes, internações e custos para o sistema de saúde, além de uma ação bilionária contra a indústria do tabaco em fase final no Brasil, que traz à tona o debate sobre responsabilidade e regulação. Natuza Nery entrevista a pneumologista Margareth Dalcolmo e a advogada Eloisa Machado para discutir os fatores que explicam o avanço recente do tabagismo no Brasil, os desafios impostos pelos novos dispositivos e os caminhos possíveis para conter essa tendência.

Convidados: Ana Flor, comentarista da GloboNews; e Beto Vasconcelos, advogado mestre em Direito do Estado pela USP, especialista em direito público e constitucional e ex-secretário Nacional de Justiça; O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), propôs, na segunda-feira (20), uma nova reforma do Poder Judiciário. Em artigo publicado no portal ICL Notícias, o ministro sugere medidas divididas em 15 eixos. Entre elas, defende o fim de privilégios como a aposentadoria compulsória como punição e a limitação das verbas indenizatórias — os chamados "penduricalhos". Soma-se a essa proposta o Código de Ética sugerido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, apresentado em meio à crise de confiança no Supremo e aos enroscos criados pelos próprios ministros, citados em manchetes relacionadas ao Caso Master. Mas a ferida vai além, e a crise de imagem se espalha por todas as instâncias. O texto de Dino ainda não foi formalizado, e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil criou uma comissão para mobilizar a sociedade em torno do tema. Enquanto a discussão avança, uma coisa é certa: é preciso solucionar o problema de confiança no Judiciário. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Ana Flor, comentarista da GloboNews, para analisar as chances de a proposta de Dino sair do papel no Supremo e no Congresso, e o advogado especialista em direito público e constitucional Beto Vasconcelos, para explicar as diferenças e semelhanças entre a proposta e o código de ética de Fachin.

Convidado: Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment. Horas antes do fim do prazo estabelecido por ele mesmo para um cessar-fogo na guerra contra o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão da trégua por tempo indeterminado. O movimento marca o que analistas e a imprensa internacional classificam como o sétimo recuo do republicano em um conflito no qual ele insiste em se declarar vencedor. Enquanto Washington justifica o adiamento como uma espera por uma "proposta unificada" de um regime supostamente fragmentado em Teerã, o governo iraniano ironiza a retórica americana e utiliza inteligência artificial para zombar da indecisão de Trump. Em paralelo, Trump enfrenta o nível mais baixo de aprovação de seu mandato, com 62% de rejeição entre os americanos. Mais do que o desgaste externo, a pesquisa Reuters/Ipsos revela rachaduras na base aliada: 46% dos republicanos hoje consideram que o presidente não é "equilibrado". Neste episódio, Natuza Nery entrevista Oliver Stuenkel para analisar o impacto da série de recuos apresentados até aqui por Trump, o reflexo na sua popularidade e os entraves para um acordo. O professor de RI explica como a guerra com o Irã pode respingar nas eleições de meio de mandato.

Convidado: Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, professor e escritor. Em março, o CEO da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, enviou uma carta aos investidores com uma previsão: “o velho modelo do capitalismo está se fragmentando”. No comunicado, Larry Fink afirma que a riqueza está cada vez mais concentrada e aponta o risco de que a inteligência artificial amplie ainda mais a desigualdade. É uma ideia que está em linha com o relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em dezembro de 2025: o texto indica que a IA deve gerar ganhos de produtividade de até 5% em alguns setores da economia nos próximos dois anos, mas alerta que a tecnologia pode impactar até 40% dos empregos no mundo e ampliar a desigualdade entre países e dentro das próprias sociedades. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Eduardo Giannetti da Fonseca para analisar o impacto dessa nova revolução tecnológica no modelo econômico e na ampliação da desigualdade. O economista explica o momento histórico que vivemos, que chama de “fim do ciclo da globalização”, e projeta mais pressões por políticas públicas.

Convidados: Gabriel Chaim, fotógrafo, cinegrafista independente e correspondente de guerra, e Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) um acordo de cessar-fogo costurado entre os líderes de Líbano e Israel. Durante dez dias não haverá ataques – o grupo extremista Hezbollah, que não integrou as negociações, confirmou que irá suspender os bombardeios, com a condição de que Israel também interrompa sua ofensiva. É um alívio para a população libanesa: desde o início de março, os ataques israelenses já mataram mais de 2 mil pessoas e deixaram milhares de feridos; 1 milhão de pessoas abandonaram suas casas e os serviços essenciais, como os hospitais, estão colapsando. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados. Primeiro, ela conversa com Gabriel Chain, correspondente de guerra que está em Beirute. Ele conta a história por trás da foto da menina de 7 anos enfaixada e ensanguentada que chamou a atenção de todo o mundo e relata o clima que se espalhou pelo país durante o conflito. Depois, Natuza conversa com Guga Chacra para analisar a viabilidade real do cessar-fogo e explicar a intrincada política libanesa, que coloca em lados opostos o governo central e o Hezbollah.

Convidado: Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, criador do podcast Petit Journal e professor de economia do Ibmec. De acordo com o Mapa da Inadimplência, o número de brasileiros que não consegue pagar suas dívidas disparou nos últimos dez anos: hoje, mais da metade dos adultos está com o CPF negativado. A dificuldade para sanar as contas contamina a percepção sobre a economia e sobre o governo. Com uma eleição no horizonte, o Palácio do Planalto decidiu agir e prevê um pacote de medidas emergenciais para enfrentar a inadimplência generalizada, incluindo uma nova edição do programa Desenrola, para renegociar dívidas, a liberação de recursos do FGTS e a antecipação do 13º do INSS para injetar R$ 78 bilhões no mercado até maio. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniel Sousa para analisar as causas da inadimplência recorde no país. Daniel também explica por que o Brasil tem juros tão altos e alerta para o risco de uma crise sistêmica de endividamentos.

Convidado: Valdo Cruz, comentarista de política e economia da GloboNews. Em novembro de 2025, o Senado Federal instalou a comissão parlamentar que iria investigar o avanço das facções criminosas e milícias pelo país. Nesta terça-feira (14), data limite para os trabalhos da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), presidente da comissão, apresentou o relatório final da investigação – que pouco tratou de crime organizado e que estabeleceu um novo patamar de tensão entre Congresso e Supremo. No texto, Vieira propõe o indiciamento três ministros do STF, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O parecer recebeu críticas públicas e foi rejeitado pela comissão. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Valdo Cruz, comentarista de política e economia da GloboNews, para analisar o relatório da CPI e explicar as reações ao texto em todo o mundo político de Brasília.

Convidados: Maurício Moura, fundador do instituto de pesquisa Ideia, professor da Universidade George Washington (EUA) e colunista do jornal O Globo; e Pedro Abramovay, mestre em Direito Constitucional, doutor em Ciência Política e vice-presidente de programas da Open Society. No último domingo (12), os eleitores húngaros decidiram dar fim aos 16 anos de Viktor Orbán como primeiro-ministro do país. A coalizão de centro-direita Tisza venceu a eleição e vai comandar cerca de dois terços das cadeiras do Parlamento. Peter Magyar, ex-aliado de Orbán, assume o governo. Desde que chegou ao poder, em 2010, Orbán corroeu a independência das instituições húngaras: reescreveu a Constituição, redesenhou o mapa eleitoral e corrompeu o Judiciário e a imprensa. E se tornou se tornou um exemplo para lideranças autoritárias ao redor do mundo – o americano Donald Trump e o russo Vladimir Putin, entre outros, apoiavam sua reeleição. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maurício Moura para explicar o fim da era Orbán na Hungria. Depois, ela fala com Pedro Abramovay para analisar o futuro da coalização internacional da extrema direita.

Convidado: Thiago Prado, editor de Política e Brasil do jornal O Globo, autor do e-book ‘Quem será o próximo presidente?' e da newsletter semanal ‘Jogo Político'. Em 1989, o médico goiano testou seu nome como candidato à Presidência da República pela primeira vez. Numa eleição que contava com mais de 20 alternativas na urna, ele fez menos de 1% dos votos. Desde então, ele construiu trajetória sólida em seu estado: deputado federal, senador e governador. Agora, aos 76 anos e em um Brasil totalmente diferente, Ronaldo Caiado terá uma nova oportunidade. Caiado passou mais de 30 anos na mesma legenda (primeiro como PFL, depois como Democratas e, por fim, União Brasil), mas em janeiro deste ano migrou para o PSD. O objetivo era disputar uma espécie de primárias do partido para lançar uma candidatura presidencial. O favorito de Gilberto Kassab, presidente da sigla, era Ratinho Júnior, governador do Paraná, que desistiu. E o governador de Goiás superou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Agora, os desafios dele são outros. Primeiro, se consolidar como um nome de alcance nacional. Segundo, conquistar dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto para provar que é um candidato viável. Para explicar os desafios e a viabilidade real de Ronaldo Caiado, Natuza Nery conversa com Thiago Prado, editor de Política e Brasil do jornal O Globo. Ele, que também é autor do e-book ‘Quem será o próximo presidente?' e da newsletter semanal ‘Jogo Político', relembra as contradições políticas do presidenciável e seus resultados como governador de Goiás. E analisa as condições de uma candidatura não polarizada prosperar.

Convidados: Lucas Fonseca, engenheiro espacial, e Márcia Alvarenga dos Santos, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Nesta sexta-feira (10), a missão Artemis II retorna à Terra. A aeronave tripulada por quatro astronautas está há dez dias no espaço e foi a que chegou mais longe em relação à Terra – percorreu mais de 400 mil quilômetros. Ela realizou também o primeiro sobrevoo tripulado à órbita da Lua dos últimos 50 anos. O programa Artemis tem como meta montar uma base permanente no Polo Sul e lançar uma estação na órbita lunar até 2030. Assim, a Lua serviria também como ponto de escala para um objetivo ainda maior: chegar a Marte. Este é o horizonte da nova corrida espacial, na qual os Estados Unidos estão disparados na liderança – mas não estão sozinhos. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados. Lucas Fonseca, engenheiro espacial e CEO da empresa de logística espacial Airvants, e Márcia Alvarenga dos Santos, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Lucas descreve os objetivos do programa Artemis e o que os Estados Unidos buscam com ele, e explica por que os americanos estão com medo do acelerado desenvolvimento espacial da China. Márcia conta os interesses por trás da exploração da Lua.

Convidado: Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV-SP e diretor da Quaest. Em um ambiente que se parece com uma sala de estar qualquer, um grupo de 8 a 10 pessoas se acomoda para conversar. Eles foram escolhidos a dedo, sob critérios específicos de renda ou gênero. Orientados por um moderador, discutem alguns dos temas mais importantes para o país: economia, saúde, educação, entre outros. Nesta sala há um espelho onde, do outro lado, cientistas de dados escutam, observam e anotam todas as reações desse grupo. É assim que funciona uma pesquisa qualitativa, um instrumento utilizado por empresas e universidades para saber quais são os sentimentos por trás da escolha de um produto ou de um candidato a um cargo eletivo. São essas informações que as equipes de marketing e analistas políticos usam para decidir suas estratégias eleitorais. Para contar o que está acontecendo dentro dessas salas e quais os sinais que as pesquisas qualitativas indicam para a eleição de outubro, Natuza Nery recebe Felipe Nunes, cientista político e professor da FGV-SP que está há meses analisando informações de dezenas de grupos. Ele, que é diretor do instituto de pesquisa Quaest, explica por que o brasileiro está descontente com a economia a partir de três elementos – e mostra como a busca por “status social” está mudando a percepção sobre as políticas públicas. Felipe também aponta como os pré-candidatos Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) são avaliados por esses grupos.

Convidado: Marcelo Lins, apresentador e comentarista de política internacional da GloboNews. “Uma civilização inteira morrerá esta noite”. Foi com esta ameaça que Donald Trump reforçou o ultimato dado ao governo iraniano caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até as 21h de terça-feira (7). Pouco antes do prazo se encerrar, o presidente dos Estados Unidos adiou o ultimato por mais duas semanas. O chanceler de Teerã disse que irá reabrir a passagem. Depois que Trump postou a ameaça em sua rede social, o Irã disse que abandonaria a mesa de negociações e o regime convocou manifestantes para um ato simbólico: iranianos e iranianas formaram um escudo humano para proteger as usinas termelétricas do país. Nos últimos dias, o Paquistão tentou intermediar um acordo entre EUA e Irã para um cessar-fogo, mas ambos recusaram. O governo de Teerã exige o fim do conflito, indenizações pelos danos sofridos e garantias de que não será atacado novamente. Agora, os dois países negociam uma proposta de dez pontos durante o cessar-fogo. Neste episódio, Natuza Nery recebe Marcelo Lins, apresentador e comentarista de política internacional da GloboNews, para analisar o peso do que disse Trump e o que ele pode, de fato, fazer no Oriente Médio. Lins também analisa as perspectivas de acordos entre EUA e Irã – e como fica Israel no meio disso.

Convidada: Nathalie Malveiro, procuradora de Justiça Criminal do MP-SP e mestranda em Direito Penal pela USP. No fim de março, o Senado aprovou o projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres. A votação na Casa foi unânime, mas o consenso encontrou a porta fechada na Câmara dos Deputados, onde parlamentares da oposição fazem críticas e prometem trabalhar para barrar o avanço do projeto. Nas redes sociais, o debate público está contaminado com informações falsas sobre o escopo da lei – há conteúdos que afirmam que um mero “bom dia” poderia levar à prisão. O texto aprovado no Senado define que o crime de misoginia se manifesta por violência física, psicológica, difamação ou injúria contra mulheres. Para explicar o que diz a letra da lei e o alcance real dela caso seja aprovada, Natuza Nery entrevista Nathalie Malveiro, procuradora de Justiça Criminal do MP-SP e mestranda em Direito Penal pela USP. Nathalie avalia se faz sentido equiparar a misoginia ao racismo, aponta que tipo de ações e falas seriam consideradas crimes e analisa também as críticas que relacionam o projeto ao cerceamento da liberdade de expressão.

Convidado: Michel Bertoni, membro efetivo da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP e professor de Direito Eleitoral. No começo de março, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou o conjunto de regras que irão guiar os partidos e candidatos nas eleições de 2026. Entre as mudanças que a Corte apresenta, está a proibição de pagamento a pessoas que publiquem conteúdo político eleitoral e a inversão do ônus da prova em casos de uso inadequado de inteligência artificial – isso significa que quem produzir conteúdo falso com a tecnologia, se for acusado, terá de provar tecnicamente que não houve fraude. Outra novidade será o comando o TSE durante as eleições de outubro. Composta de sete magistrados, a Corte será presidida pelo ministro do Supremo Kassio Nunes Marques, que terá como vice-presidente o ministro André Mendonça. Os dois têm em comum o fato de terem sido indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e carregarem a fama de serem juízes discretos. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista Michel Bertoni, membro efetivo da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP e professor de Direito Eleitoral, para explicar ponto a ponto do que muda nas regras do jogo eleitoral. Michel também analisa o perfil do presidente do TSE e o que isso indica sobre a condução da Corte.

Convidado: Daniel Becker, pediatra, sanitarista, escritor e ativista pela infância. Autor do livro “Os mil dias do bebê”. Os adolescentes se sentem cada vez mais solitários, desamparados e insatisfeitos com a própria imagem. Esse é o diagnóstico da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada pelo IBGE para entender a realidade dos 12 milhões de brasileiros que têm entre 13 e 17. O levantamento ouviu 118 mil estudantes em 2024: 30% deles afirmam que se sentem tristes “sempre” ou “na maioria das vezes”. A pesquisa desenha um quadro especialmente duro para as meninas: um terço delas relata ter sofrido alguma humilhação dos colegas, uma em cada quatro já foi assediada sexualmente – 12% afirmam que foram estupradas. No caso dos garotos, os dados indicam que eles têm mais dificuldade de fazer amigos e sofrem mais de solidão. Este episódio apresenta um relato de mãe e filha que ilustram o triste cenário da crise de saúde mental entre os adolescentes. Depois, Natuza Nery entrevista o pediatra, sanitarista, escritor e ativista pela infância Daniel Becker. Becker, que é também autor do livro “Os mil dias do bebê”, explica os danos que uma adolescência vivida dentro das telas e das plataformas digitais causam a estes jovens. Ele também alerta pais, mães e educadores para os sintomas de depressão e ansiedade e orienta sobre as melhores abordagens para conversar com filhos e estudantes.

Convidado: Guilherme Balza, repórter de política da GloboNews em Brasília. Nesta terça-feira (31), o presidente Lula comandou a primeira reunião ministerial de 2026 e sinalizou o início extraoficial de sua candidatura à reeleição. No evento, ele anunciou que vai repetir nas urnas a dobradinha com Geraldo Alckmin (PSB), chapa que venceu a eleição de 2022. Lula também anunciou a troca no comando de 14 ministérios, entre eles alguns do primeiro escalão no Executivo – caso da Casa Civil (Rui Costa, PT), Educação (Camilo Santana, PT), Planejamento (Simone Tebet, PSB) e Meio Ambiente (Marina Silva, Rede). O presidente deu aos agora ex-ministros a missão de defender o governo em seus palanques regionais. No mesmo dia, o Palácio do Planalto confirmou que enviará ao Senado a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, como novo ministro do Supremo Tribunal Federal. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Guilherme Balza, repórter de política da GloboNews em Brasília, para explicar as mensagens por trás de cada uma das movimentações do governo nesta terça-feira. Natuza e Balza também analisam o discurso de Lula e dos ministros governistas, que apontam a principal estratégia para a corrida eleitoral deste ano: comparar as realizações deste governo com o anterior, de Jair Bolsonaro.

Convidado: Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. Os efeitos da guerra no Irã começaram a alcançar todo o mundo quando o regime de Teerã trancou o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. O preço da energia subiu e economia sentiu o baque. E o que já está ruim, pode ficar pior. Agora, é o Estreito de Bab el-Mandeb que corre o risco de ser bloqueado. Localizado do outro lado da Península Arábica, é a única alternativa marítima ao fechamento de Ormuz. Trata-se de um corredor de água com pouco mais de 30 km de largura, que separa África e Ásia e conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho, portão de entrada para o Canal de Suez. É a rota de mais 12% do petróleo global, mais de 20% das exportações de fertilizante e, de acordo com a Organização Marítima Internacional, de um quarto de toda a navegação mundial. O controle do gargalo está nas mãos dos houthis, grupo rebelde formado dentro do Iêmen, que domina a capital e a costa do país. No último sábado, os houthis, que são aliados estratégicos do Irã, reivindicaram a autoria de ataques com drones e mísseis de cruzeiro que atingiram alvos em Israel. Neste episódio, Natuza Nery recebe Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo, para explicar a importância do Estreito de Bab el-Mandeb para o mundo e o que querem os houthis ao entrarem para a guerra. Guga questiona também a ofensiva de Israel ao Líbano e analisa as pressões internas que Donald Trump vem sofrendo para retirar os EUA do conflito.

Convidada: Ynaê Lopes dos Santos, doutora em história pela USP, pesquisadora sobre a História da Escravidão nas Américas e professora de História da América da Universidade Federal Fluminense. Na última quarta-feira (25), Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que declara que o tráfico de africanos escravizados foi o crime mais grave na história da humanidade. O texto foi apresentado por Gana e aprovado por 123 dos 193 países que integram as Nações Unidas – entre eles o Brasil. Houve 52 abstenções (caso do Reino Unido e de todos os integrantes da União Europeia) e somente 3 votos contrários: Argentina, Estados Unidos e Israel. O reconhecimento das Nações Unidas se refere ao tráfico de africanos que foram sequestrados e levados à força para as Américas: um crime que foi perpetrado durante quatro séculos e vitimou cerca de 12,5 milhões de pessoas. O Brasil foi o maior destino: quase 5 milhões de negros escravizados foram transportados para cá. A resolução agora exige reparações. Para analisar se o que foi decidido na ONU é apenas uma posição simbólica ou uma ação concreta em busca de justiça, Victor Boyadjian entrevista Ynaê Lopes dos Santos, doutora em história pela USP e professora de História da América da Universidade Federal Fluminense. Ynaê, que também é pesquisadora sobre a história da escravidão, descreve as três etapas da organização econômica da escravidão: a captura na África, o transporte nos navios negreiros e o trabalho forçado no Brasil. Ela ainda explica a que tipo de violências as pessoas escravizadas eram submetidas e aponta os caminhos para uma possível reparação histórica para este crime.

Convidada: Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo e âncora e comentarista da rádio CBN. Nesta quinta-feira (26), o Supremo Tribunal Federal decidiu que cabe ao Congresso prorrogar ou não a CPI mista do INSS. Por 8 votos a 2, o plenário da Corte consolidou o entendimento de que a liminar concedida pelo ministro André Mendonça, que adiaria o encerramento da comissão parlamentar, não tem efeito. Agora, o relatório final será lido e pode ser votado já nesta sexta-feira (27). Desde dezembro, o comando da comissão aguardava a posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a respeito do pedido extensão do prazo para a entrega do relatório, marcado para este sábado (28). Sem resposta, eles acionaram o Supremo. Foi então que Mendonça decidiu por prorrogar o fim dos trabalhos. O vai-e-vem entre Congresso e Supremo ilustra duas frentes de atrito em Brasília. Uma delas é a crescente tensão entre os Poderes Legislativo e Judiciário. A outra é o clima de campanha antecipada: em ano de eleições, uma CPI ganha ainda mais os holofotes e pode construir heróis e vilões. Para explicar o jogo de interesses que envolvem a CPMI do INSS, Victor Boyadjian conversa com Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo e âncora e comentarista da rádio CBN. Vera analisa os recados por trás dos votos dos ministros do STF e avalia se há alguma contribuição real da comissão para as investigações do escândalo bilionário de descontos indevidos no contracheque dos aposentados.

Convidado: Carlos Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, no Kentucky (EUA). Durante a campanha eleitoral, o então candidato Donald Trump prometeu: “eu não vou começar guerras, vou encerrar guerras”. É um discurso que está em linha com o eixo central da ideologia MAGA, que defende priorizar temas internos da política americana em detrimento de interferir em conflitos ao redor do mundo. Em janeiro deste ano, Trump rasgou de vez o roteiro no qual interpretava o papel de agente da paz. Primeiro, autorizou o ataque à Venezuela que capturou Nicolás Maduro. Depois, ordenou a operação Fúria Épica, que daria início à guerra no Irã. E a conta veio: o preço do petróleo disparou e pressiona ainda mais a inflação – que está alta para os padrões americanos. Nas pesquisas de opinião, Trump atingiu o pior nível de aprovação desde que voltou à Casa Branca. E enfrenta um fenômeno inédito: vê abrir um racha dentro da alta cúpula do MAGA, o grupo de apoiadores mais radicais e mais fiéis a ele. Integrantes do governo, jornalistas e influencers trumpistas estão criticando em público a decisão de iniciar uma guerra no Oriente Médio. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista Carlos Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, no Kentucky (EUA), para explicar esse movimento de dissidência dentro do trumpismo e as consequências disso nas tomadas de decisão do presidente americano. Poggio também analisa o resultado das pesquisas mais recentes e projeta o cenário delicado para os republicanos nas eleições de meio de mandato, em novembro.

Convidado: Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Na lista de três “pré-pré-candidatos” do PSD à Presidência da República, Ratinho Junior era considerado aquele com maior viabilidade eleitoral. Mas, nesta segunda-feira (23), o governador do Paraná desistiu da disputa e ficará no cargo até o fim do ano, quando termina seu mandato. Agora, o partido chefiado por Gilberto Kassab ainda tem dois quadros à disposição: Ronaldo Caiado, governador de Goiás e nome mais cotado para ficar com a vaga, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. O candidato que sair da disputa interna do PSD tentará se posicionar como representante da direita moderada e vai buscar o espaço que vem sendo chamado de terceira via – ou seja, conseguir os votos de quem rejeita Lula ou Flávio Bolsonaro. Na corrida para ocupar essa posição está também Romeu Zema, do partido Novo, que neste domingo (22) renunciou ao governo de Minas Gerais para concorrer ao Palácio do Planalto. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, para analisar se há espaço para uma terceira via nas eleições presidenciais. Bernardo explica também por que Ratinho – assim como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, mas com motivos diferentes – renunciou à candidatura.

Convidado: Fábio Couto, repórter do jornal Valor Econômico especializado no setor de energia há mais de 20 anos. Quem abastece o veículo com gasolina já sentiu no bolso: em média, no Brasil inteiro, o preço subiu R$ 0,40 por litro desde o início da guerra no Irã. Para quem depende do diesel, a situação é pior: na média, o litro está em quase R$ 7,30; um aumento de 20% no período. E o problema é maior: impacta no custo do frete de todos os produtos e aumenta preços em cascata, empurrando a inflação para cima. Isso é resultado da disparada no valor do barril de petróleo, que chegou a bater quase US$ 120 diante dos bombardeios à infraestrutura petroleira do Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz. No cenário interno, o governo federal apresentou um pacote de medidas para mitigar esses efeitos: isenção de PIS e COFINS e subvenção a produtores e importadores, num impacto total de R$ 30 bilhões. Nas bombas de combustível, no entanto, gasolina e diesel continuam subindo. O governo federal apertou o cerco na fiscalização de distribuidoras e postos para evitar a prática de preços abusivos e propôs novas medidas para reduzir os impostos em parceria com os governos estaduais – que, até agora, não toparam. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Fábio Couto, repórter do jornal Valor Econômico especializado no setor de energia há mais de 20 anos. Fábio analisa a eficácia das medidas do governo, explica por que os estados não podem renunciar ao ICMS e avalia a possibilidade que haja, de fato, oportunismo no aumento dos preços.

Convidado: Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Na última terça-feira (17), o presidente Lula assinou o decreto que cria o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. O ECA Digital cria regras que obrigam redes e provedores de conteúdo a controlar o acesso de menores de 16 anos, e a garantir que eles não recebam conteúdos impróprios para a idade. Essa é uma pauta que ganhou os holofotes do debate público depois da publicação do vídeo do influenciador Felca, em agosto de 2025. Nele, Felca denunciou a sexualização de crianças e adolescentes e o uso indevido da imagem de jovens com a finalidade de ganhar dinheiro com conteúdo online. Apenas em 2025, o Brasil registrou quase 90 mil denúncias de crimes cibernéticos: mais de 60% deles alertavam para abuso e exploração sexual infantil. Neste episódio, o secretário de Políticas Digitais do Governo Federal, João Brant, relata quais são os quatro eixos mais importantes do ECA Digital. E Natuza Nery entrevista Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, associação civil que atua na defesa dos Direitos Humanos na Internet há mais de 20 anos. Thiago explica o que muda na prática a partir de agora.

Convidado: Thomas Traumann, comentarista da GloboNews, colunista do jornal O Globo e autor do livro “O pior emprego do mundo: 14 ministros da Fazenda contam como tomaram as decisões que mudaram o Brasil e mexeram no seu bolso”. Nesta quinta-feira (19), Fernando Haddad encerrou sua gestão à frente do Ministério da Fazenda. No mesmo evento, o presidente Lula anunciou o substituto: o então número 2 da pasta, Dario Durigan, que ocupava o posto de secretário-executivo. Horas depois, o PT confirmou que Haddad é pré-candidato ao governo de São Paulo. O balanço da gestão registra vitórias e derrotas. Haddad ganhou a pecha de ser um ministro que aumentou excessivamente os impostos e viu a dívida pública subir 7 pontos percentuais no período – está em quase 79% do PIB. Nos índices macroeconômicos, ele deixa o cargo com a inflação dentro do teto da meta, desemprego na menor taxa da série histórica e recorde na renda média do brasileiro. E o PIB cresceu acima das expectativas em todos os anos. Nos pouco mais de três anos em que comandou a Fazenda, Haddad conseguiu viabilizar a aprovação de pautas como o arcabouço fiscal, a reforma tributária e a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Thomas Traumann para analisar o legado de Haddad na economia brasileira. Ele, que é comentarista da GloboNews, colunista do jornal O Globo e autor do livro “O pior emprego do mundo: 14 ministros da Fazenda contam como tomaram as decisões que mudaram o Brasil e mexeram no seu bolso”, explica o que deu certo e o que deu errado nesses três anos – e projeta os desafios da economia brasileira para a eleição e após.

Convidado: Felipe Recondo, jornalista, autor do livro “O Tribunal: Como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária”, fundador do canal Recondo e os Onze e apresentador do podcast Sem Precedentes. Nesta semana, o ministro do Supremo Flávio Dino determinou o fim da aposentadoria compulsória remunerada como penalidade máxima imposta a juízes. Em fevereiro, Dino já havia decidido também que os Três Poderes, os estados e os municípios suspendessem os pagamentos de verbas indenizatórias que não estejam previstas em lei, os chamados penduricalhos. O ministro também é o responsável por barrar o uso de emendas parlamentares sem transparência e rastreabilidade. Dino concentra algumas das decisões da Corte recebidas com maior apoio da opinião pública. O presidente do Supremo, Edson Fachin, vai na mesma direção ao propor e articular a implementação de um código de ética para os ministros. São medidas que disputam as manchetes com o envolvimento de integrantes da Corte no escândalo do Caso Master. A suspeita de que haja relações indevidas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes arrasta todo o Supremo para o risco de uma crise de credibilidade. Para analisar os avanços e retrocessos pelos quais o STF vem passando, Natuza Nery recebe o jornalista especializado Felipe Recondo, que é autor do livro “O Tribunal: Como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária”, fundador do canal Recondo e os Onze e apresentador do podcast Sem Precedentes. Recondo avalia as decisões recentes de Dino e comenta o crescente protagonismo da Corte no arranjo de Poderes.

Convidado: Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews e colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Ali Larijani, o líder efetivo do regime iraniano desde o início da guerra, foi alvo de um bombardeio aéreo israelense na madrugada desta terça-feira (17). Além dele, morreu também Gholamreza Soleimani, chefe da Basij, uma milícia paramilitar e voluntária da Guarda Revolucionária do Irã. A morte de Larijani é a maior baixa do regime dos aiatolás desde o primeiro dia de ataques israelenses e americanos ao Irã, quando o líder supremo do país, Ali Khamenei, foi assassinado. Larijani era o chefe do Conselho de Segurança, o cérebro por trás das estratégias de defesa e da política nuclear do país e o mais influente canal diplomático do governo com o Ocidente. Para explicar quem era Larijani e as consequências da morte dele para o regime e para o futuro da guerra, Natuza Nery conversa com Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews e colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Demétrio também avalia o risco de uma incursão terrestre no Irã e analisa os objetivos militares de Israel e dos Estados Unidos – onde o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo se demitiu nesta terça.

Convidado: Claudio Couto, cientista político e professor da FGV-SP. Na última sexta-feira (13), uma notícia deixou grande parte do mundo político de cabelo em pé. Daniel Vorcaro anunciou a troca de seus advogados no Caso Master. Quem assume a defesa do banqueiro é José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca e dono de um currículo com diversos acordos de delação premiada em casos de grande repercussão – caso do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, na Operação Lava Jato. Um acordo de colaboração não se constrói imediatamente. É preciso seguir um rito judicial: em troca de redução da pena, o colaborador precisa entregar provas do esquema e da participação de outros envolvidos – que devem ocupar posições mais altas que o delator dentro da organização criminosa. Esse é um escândalo que tem potencial para atingir em cheio o tabuleiro político do país, sobretudo em ano de eleição. De acordo com a mais recente pesquisa Quaest, 38% dos eleitores já rejeitam votar em candidatos envolvidos no Caso Master. Para analisar os maiores alvos de uma eventual delação de Vorcaro, Natuza Nery recebe Claudio Couto, cientista político e professor da FGV-SP. Claudio desenha o cenário no qual “gente graúda” pode ser envolvida no escândalo e analisa a posição do Supremo Tribunal Federal diante de suspeitas de relações inadequadas de dois ministros com o banqueiro. O cientista político também avalia os impactos do caso nas urnas.

Convidada: Poliana Casemiro, repórter de ciência e saúde do g1 e mestre em divulgação científica pela Unicamp. Os vídeos de um paciente com lesão medular que voltou a andar trouxeram esperança para muita gente. Ele foi um dos oito pacientes testados em uma pesquisa sobre o uso da polilaminina para reverter quadros de paralisia. A perspectiva promissora em relação à substância disparou uma corrida judicial: mais de 50 pessoas entraram na Justiça para receber o medicamento antes mesmo de ser aprovado pela Anvisa. A pesquisa, conduzida pela doutora Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ, já realizou testes em animais e neste pequeno grupo de pacientes. Mas a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda tem um longo caminho pela frente. Até aqui, a Anvisa autorizou apenas o início da fase 1 dos testes – etapa para garantir a segurança sobre o uso da substância. A polilaminina precisa passar ainda pelas fases 2 e 3. Na última semana, a repórter de ciência e saúde do g1 Poliana Casemiro publicou uma reportagem na qual entrevista a cientista. Elas conversaram sobre pontos de atenção no estudo: Tatiana admitiu erros, mas reforçou a eficácia da substância. Poliana Casemiro, que é também mestre em divulgação científica pela Unicamp, é a convidada de Natuza Nery neste episódio. A jornalista explica o que é a polilaminina e o que os resultados divulgados até agora indicam. Ela também descreve os próximos passos do estudo clínico e diz por que o método científico, muitas vezes, exige tanto tempo de pesquisa.

Convidada: Isabela Boscov, jornalista e crítica de cinema. A cerimônia do Oscar 2026, marcada para este domingo (15), será a primeira em que o Brasil concorre em cinco categorias. “O Agente Secreto” terá quatro chances de vencer uma estatueta: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura. A quinta indicação brasileira é de Adolpho Veloso, que concorre a Melhor Fotografia pelo filme americano "Sonhos de Trem". A torcida brasileira espera que se repita o mesmo roteiro do Oscar de 2025, quando "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, venceu como Filme Internacional – e deu ao país sua primeira estatueta por uma produção 100% nacional. A expectativa se justifica a partir do desempenho de “O Agente Secreto” no circuito de premiações, onde colecionou vitórias inclusive no Globo de Ouro, no Critics Choice Awards e no Festival de Cannes. Neste episódio, Natuza Nery recebe Isabela Boscov, jornalista e crítica de cinema, para analisar as chances reais de novas estatuetas para o Brasil. Boscov comenta a trajetória e a campanha do filme de Kleber Mendonça Filho em Hollywood e destaca a atuação de Wagner Moura, que conquistou a crítica internacional. Ela também aponta quem são os grandes favoritos para levarem os prêmios nas principais categorias do Oscar.

Convidado: Octavio Guedes, comentarista da GloboNews e colunista do g1. Dentro do governo americano, está em curso uma discussão para classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A diplomacia brasileira trabalha para frear a decisão, diante dos riscos que esse tipo de classificação pode ter para a soberania e para a economia do país. Nos últimos meses, dois países latino-americanos foram submetidos a ações americanas contra grupos considerados narcotraficantes pela Casa Branca. No fim de 2025, navios, caças e drones enviados por Washington bombardearam embarcações no mar do Caribe e mataram pelo menos 100 pessoas, entre venezuelanos e colombianos – sem qualquer prova de que os alvos tivessem relação com o crime. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Octavio Guedes, comentarista da GloboNews e colunista do g1, para explicar as relações do CV e do PCC com o crime internacional. Guedes também relata como o crime organizado cresceu nas últimas décadas no Brasil – e o terror que gera em todo o continente. Por fim, ele avalia quais são os reais interesses americanos na pauta da segurança pública.

Convidada: Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN. Em Brasília, o caso do Banco Master está no centro das atenções. Nesta terça-feira (10), foi protocolado no Senado um pedido de CPI para investigar as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro. No STF, o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, se reuniu com colegas para discutir os desdobramentos da crise. Na sexta-feira (13), a Segunda Turma vota para manter ou não a prisão do dono do Master. Conversas de Vorcaro extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal vieram à tona depois da segunda prisão do banqueiro, em 4 de março, por ordem do ministro André Mendonça – ele que assumiu o caso depois que o ministro Dias Toffoli renunciou à relatoria. De acordo com reportagens do jornal O Globo, horas antes de ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro, o banqueiro trocou mensagens com um contato salvo em seu celular como Alexandre de Moraes. O ministro nega ter recebido as mensagens. Parlamentares e dirigentes partidários também foram citados em diálogos encontrados pela PF nos celulares de Vorcaro – caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chama de “grande amigo”. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN, sobre as mensagens que expõem a proximidade de Daniel Vorcaro com as esferas de poder em Brasília. Ela também comenta as explicações dadas a respeito do contrato de R$ 3,5 milhões por mês assinado por Viviane Barci, mulher de Moraes, para advogar para o Banco Master. E analisa o impacto da crise para a imagem do ministro e para a opinião do eleitorado que vai às urnas em outubro deste ano.

Convidado: Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, professor do Ibmec e criador do podcast Petit Journal. A escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã sinaliza a continuidade da linha dura do regime em meio à guerra e frustra as expectativas dos Estados Unidos de uma mudança política em Teerã. Filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques americanos e israelenses, Mojtaba foi escolhido pela Assembleia dos Especialistas, o conselho de 88 clérigos responsável por definir a autoridade máxima do país e é conhecido pela proximidade com a Guarda Revolucionária. Antes mesmo do anúncio, Donald Trump havia dito que seria inaceitável que Mojtaba fosse eleito como novo líder supremo – e, depois, afirmou que não estava feliz com a escolha. Agora, a expectativa de que possa haver diálogo entre as partes para uma resolução rápida da guerra praticamente acabou. Diante das incertezas, o preço do barril de petróleo disparou 25% da noite para o dia e o mundo inteiro entrou em estado de alerta com o risco de pressão inflacionária generalizada. Depois do susto, o valor voltou a cair, principalmente depois que o presidente americano disse em uma entrevista que a guerra está “praticamente concluída” e pode acabar em breve. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, professor do IBMEC e criador do podcast Petit Journal, para explicar o perfil de Mojtaba Khamenei e a reação do mercado ao nome dele. Daniel comenta as perspectivas militares e diplomáticas do Irã e analisa o risco de o preço do petróleo romper sua máxima histórica – e de que modo isso bate no bolso do consumidor brasileiro.

Convidados: Gunther Rudzit, especialista em defesa e segurança nacional, professor da ESPM e professor convidado da Universidade da Força Aérea (Unifa); e Cristian Wittmann, professor da Unipampa e integrante do conselho do ICAN (Campanha Internacional pela Abolição das Armas Nucleares). No fim da primeira semana de conflito, Estados Unidos e Israel anunciaram que a guerra havia entrado em uma nova fase. E prometeram “aumento drástico” no poder de fogo dos ataques contra o regime iraniano. O Irã afirmou que aguarda os inimigos para responder com “golpes dolorosos” e revelou que poderá usar armas nunca vistas em combate até agora. Até aqui, os dois lados têm estratégias muito diferentes. Americanos e israelenses fizeram uso sofisticado sistema de tecnologia para acompanhar a localização do aiatolá Ali Khamenei e outras autoridades do regime. Na manhã do dia 28 de fevereiro, decidiram por um ataque de precisão para executá-lo e dar início à guerra. Desde então, os mísseis disparados pelos dois países atingiram ao menos 2 mil alvos no território iraniano. O Irã já disparou milhares de drones e centenas de mísseis contra Israel e contra países que têm bases militares americanas – alguns desses armamentos alcançam mais de 6 mil km/h e podem carregar ogivas superiores a 1 tonelada. O regime garante que seus equipamentos mais sofisticados não foram colocados em jogo ainda. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o especialista em defesa e segurança nacional Gunther Rudzit para entender o tamanho do arsenal de cada lado do confronto. Professor de Relações Internacionais da ESPM e professor convidado da Universidade da Força Aérea (UNIFA), Gunther também avalia o futuro do conflito. Participa também do episódio Cristian Wittmann, professor de direito da Unipampa e integrante do conselho do ICAN (Campanha Internacional pela Abolição das Armas Nucleares). Ele analisa como a inteligência artificial está sendo usada na guerra e debate as questões éticas relacionadas a isso.

Convidados: Luciano Ramos, diretor do instituto Mapear; Ruth Manus, advogada, doutora em direito internacional e autora do livro “Guia prático antimachismo”. Nos últimos meses, o noticiário vem registrando histórias trágicas de violência de gênero. A lista de horrores tem casos de estupro coletivo, espancamentos e feminicídios – houve episódios até de assassinato dos filhos dessas mulheres. Essa é a face mais cruel de um problema muito maior. Crimes explícitos como esses são a ponta de um iceberg, onde a base é uma cultura marcada pelo machismo que estrutura a sociedade. Este episódio, na antevéspera do Dia das Mulheres, propõe uma conversa que vai além da indignação: busca tratar da responsabilidade dos homens e da educação de meninos. Para isso, Natuza Nery recebe dois convidados. Primeiro, ela conversa com Luciano Ramos, diretor do Instituto Mapear. Luciano relata parte do trabalho que realiza com homens que cometeram crimes contra mulheres e são enviados ao sistema prisional – ele analisa como estes homens pensam e se comportam. Depois, Natuza fala com Ruth Manus, advogada, doutora em direito internacional e autora do livro “Guia prático antimachismo”. Ruth apresenta um panorama claro com exemplos de como o machismo está colocado no dia a dia de homens e mulheres e fala sobre o papel da pornografia na formação sexual dos jovens.

Convidada: Malu Gaspar, comentarista da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. Foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4) o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na decisão que autorizou a operação da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, afirma que os indícios reunidos pela investigação vão muito além de crimes financeiros e identifica a existência de "milícia privada" para intimidar opositores. Para o ministro, havia risco concreto na manutenção da liberdade do investigado diante da gravidade dos fatos revelados pela Polícia Federal. O relatório da PF revela um plano de Vorcaro para perseguir e agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. As investigações apontam ainda que o grupo teria acessado indevidamente sistemas sigilosos e órgãos públicos e que haveria a participação de funcionários do Banco Central na rede de ilegalidades – dois servidores foram afastados de suas funções, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza. Também foram presos o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, suspeito de ser o operador financeiro do esquema de fraudes, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como coordenador operacional da “Turma” – termo usado para definir a organização. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Malu Gaspar, comentarista da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. Malu explica o funcionamento da rede construída por Daniel Vorcaro e detalha quem é quem na composição da “Turma”. Ela também analisa quais devem ser os próximos passos da investigação.

Convidado: José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados, foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se concentra numa área estratégica para o abastecimento global de energia. O Oriente Médio reúne algumas das maiores reservas de petróleo do planeta – o Irã tem a terceira maior, e a Arábia Saudita, a segunda – e concentra importantes instalações de produção e refino. Toda essa produção precisa atravessar o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, para abastecer os setores produtivos dos quatro cantos do mundo. Cerca de 20% do volume total de petróleo comercializado passa por esse corredor, que foi fechado pelo governo iraniano. Um cenário que pode se agravar caso a ameaça do general da Guarda Revolucionária iraniana, Ebrahim Jabari, se concretize: caso os bombardeios de Estados Unidos e Israel continuem, irá atacar “todos os centros econômicos” do Oriente Médio. Para explicar como o fechamento do Estreito de Ormuz abre um efeito cascata na economia global, Natuza Nery conversa com José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados. Ele, que foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, comenta também os impactos da guerra na produção e distribuição de gás natural e fertilizantes, e como isso repercute nas economias de Brasil e Estados Unidos, inclusive com possível alta no preço dos alimentos.

Convidado: Hussein Kalout, cientista político e conselheiro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). Pelo terceiro dia seguido, Estados Unidos e Israel atacam alvos diversos no Irã – e anunciam que mais tropas e mais caças estão a postos para entrar em ação. A retaliação iraniana também segue seu curso: mísseis e drones atingiram o território israelense e a infraestrutura de países que têm bases militares americanas, como a Arábia Saudita. No Líbano, o grupo extremista Hezbollah, aliado do regime iraniano, abriu um novo front de guerra. E o mapa do Oriente Médio tem cada vez mais alvos de todos os lados. No governo dos Estados Unidos, o secretário da Guerra fala em objetivos de curto prazo, mas Donald Trump já projeta pelo menos cinco semanas de ofensiva e diz que levará “o tempo que for necessário”. Já em Teerã, o regime dos aiatolás ainda lamenta da morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, que governou o país por quase quatro décadas, enquanto se reorganiza para definir seu sucessor. Para explicar os arcos de aliança que estão formados no Oriente Médio e o processo de sucessão de Khamenei no Irã, Natuza Nery entrevista Hussein Kalout, cientista político e conselheiro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). Kalout avalia os riscos de uma escalada militar ainda mais perigosa na região, inclusive em relação ao uso de armas nucleares. E analisa as consequências da escolha do novo líder supremo do regime: se será mais ou menos aberto ao Ocidente. “Um cenário muito mais obscuro”, resume.