Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Renata Lo Prete vai conversar com jornalistas e analistas da TV Globo, do G1, da GloboNews e dos demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e trazer um ângulo diferente dos assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo, além…
The O Assunto podcast is a true gem in the world of journalism. Hosted by Renata Lo Prete, this podcast offers incredible interviews and informative discussions on a wide range of topics. One of the best aspects of this podcast is Renata's excellent interviewing skills. She has a knack for asking thought-provoking questions that really draw out meaningful insights from her guests. Her interviewing style is engaging, making it easy for listeners to stay captivated throughout each episode.
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Convidados: Gabriel Chaim, fotógrafo, cinegrafista independente e correspondente de guerra, e Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) um acordo de cessar-fogo costurado entre os líderes de Líbano e Israel. Durante dez dias não haverá ataques – o grupo extremista Hezbollah, que não integrou as negociações, confirmou que irá suspender os bombardeios, com a condição de que Israel também interrompa sua ofensiva. É um alívio para a população libanesa: desde o início de março, os ataques israelenses já mataram mais de 2 mil pessoas e deixaram milhares de feridos; 1 milhão de pessoas abandonaram suas casas e os serviços essenciais, como os hospitais, estão colapsando. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados. Primeiro, ela conversa com Gabriel Chain, correspondente de guerra que está em Beirute. Ele conta a história por trás da foto da menina de 7 anos enfaixada e ensanguentada que chamou a atenção de todo o mundo e relata o clima que se espalhou pelo país durante o conflito. Depois, Natuza conversa com Guga Chacra para analisar a viabilidade real do cessar-fogo e explicar a intrincada política libanesa, que coloca em lados opostos o governo central e o Hezbollah.

Convidado: Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, criador do podcast Petit Journal e professor de economia do Ibmec. De acordo com o Mapa da Inadimplência, o número de brasileiros que não consegue pagar suas dívidas disparou nos últimos dez anos: hoje, mais da metade dos adultos está com o CPF negativado. A dificuldade para sanar as contas contamina a percepção sobre a economia e sobre o governo. Com uma eleição no horizonte, o Palácio do Planalto decidiu agir e prevê um pacote de medidas emergenciais para enfrentar a inadimplência generalizada, incluindo uma nova edição do programa Desenrola, para renegociar dívidas, a liberação de recursos do FGTS e a antecipação do 13º do INSS para injetar R$ 78 bilhões no mercado até maio. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniel Sousa para analisar as causas da inadimplência recorde no país. Daniel também explica por que o Brasil tem juros tão altos e alerta para o risco de uma crise sistêmica de endividamentos.

Convidado: Valdo Cruz, comentarista de política e economia da GloboNews. Em novembro de 2025, o Senado Federal instalou a comissão parlamentar que iria investigar o avanço das facções criminosas e milícias pelo país. Nesta terça-feira (14), data limite para os trabalhos da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), presidente da comissão, apresentou o relatório final da investigação – que pouco tratou de crime organizado e que estabeleceu um novo patamar de tensão entre Congresso e Supremo. No texto, Vieira propõe o indiciamento três ministros do STF, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O parecer recebeu críticas públicas e foi rejeitado pela comissão. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Valdo Cruz, comentarista de política e economia da GloboNews, para analisar o relatório da CPI e explicar as reações ao texto em todo o mundo político de Brasília.

Convidados: Maurício Moura, fundador do instituto de pesquisa Ideia, professor da Universidade George Washington (EUA) e colunista do jornal O Globo; e Pedro Abramovay, mestre em Direito Constitucional, doutor em Ciência Política e vice-presidente de programas da Open Society. No último domingo (12), os eleitores húngaros decidiram dar fim aos 16 anos de Viktor Orbán como primeiro-ministro do país. A coalizão de centro-direita Tisza venceu a eleição e vai comandar cerca de dois terços das cadeiras do Parlamento. Peter Magyar, ex-aliado de Orbán, assume o governo. Desde que chegou ao poder, em 2010, Orbán corroeu a independência das instituições húngaras: reescreveu a Constituição, redesenhou o mapa eleitoral e corrompeu o Judiciário e a imprensa. E se tornou se tornou um exemplo para lideranças autoritárias ao redor do mundo – o americano Donald Trump e o russo Vladimir Putin, entre outros, apoiavam sua reeleição. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maurício Moura para explicar o fim da era Orbán na Hungria. Depois, ela fala com Pedro Abramovay para analisar o futuro da coalização internacional da extrema direita.

Convidado: Thiago Prado, editor de Política e Brasil do jornal O Globo, autor do e-book ‘Quem será o próximo presidente?' e da newsletter semanal ‘Jogo Político'. Em 1989, o médico goiano testou seu nome como candidato à Presidência da República pela primeira vez. Numa eleição que contava com mais de 20 alternativas na urna, ele fez menos de 1% dos votos. Desde então, ele construiu trajetória sólida em seu estado: deputado federal, senador e governador. Agora, aos 76 anos e em um Brasil totalmente diferente, Ronaldo Caiado terá uma nova oportunidade. Caiado passou mais de 30 anos na mesma legenda (primeiro como PFL, depois como Democratas e, por fim, União Brasil), mas em janeiro deste ano migrou para o PSD. O objetivo era disputar uma espécie de primárias do partido para lançar uma candidatura presidencial. O favorito de Gilberto Kassab, presidente da sigla, era Ratinho Júnior, governador do Paraná, que desistiu. E o governador de Goiás superou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Agora, os desafios dele são outros. Primeiro, se consolidar como um nome de alcance nacional. Segundo, conquistar dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto para provar que é um candidato viável. Para explicar os desafios e a viabilidade real de Ronaldo Caiado, Natuza Nery conversa com Thiago Prado, editor de Política e Brasil do jornal O Globo. Ele, que também é autor do e-book ‘Quem será o próximo presidente?' e da newsletter semanal ‘Jogo Político', relembra as contradições políticas do presidenciável e seus resultados como governador de Goiás. E analisa as condições de uma candidatura não polarizada prosperar.

Convidados: Lucas Fonseca, engenheiro espacial, e Márcia Alvarenga dos Santos, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Nesta sexta-feira (10), a missão Artemis II retorna à Terra. A aeronave tripulada por quatro astronautas está há dez dias no espaço e foi a que chegou mais longe em relação à Terra – percorreu mais de 400 mil quilômetros. Ela realizou também o primeiro sobrevoo tripulado à órbita da Lua dos últimos 50 anos. O programa Artemis tem como meta montar uma base permanente no Polo Sul e lançar uma estação na órbita lunar até 2030. Assim, a Lua serviria também como ponto de escala para um objetivo ainda maior: chegar a Marte. Este é o horizonte da nova corrida espacial, na qual os Estados Unidos estão disparados na liderança – mas não estão sozinhos. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados. Lucas Fonseca, engenheiro espacial e CEO da empresa de logística espacial Airvants, e Márcia Alvarenga dos Santos, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Lucas descreve os objetivos do programa Artemis e o que os Estados Unidos buscam com ele, e explica por que os americanos estão com medo do acelerado desenvolvimento espacial da China. Márcia conta os interesses por trás da exploração da Lua.

Convidado: Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV-SP e diretor da Quaest. Em um ambiente que se parece com uma sala de estar qualquer, um grupo de 8 a 10 pessoas se acomoda para conversar. Eles foram escolhidos a dedo, sob critérios específicos de renda ou gênero. Orientados por um moderador, discutem alguns dos temas mais importantes para o país: economia, saúde, educação, entre outros. Nesta sala há um espelho onde, do outro lado, cientistas de dados escutam, observam e anotam todas as reações desse grupo. É assim que funciona uma pesquisa qualitativa, um instrumento utilizado por empresas e universidades para saber quais são os sentimentos por trás da escolha de um produto ou de um candidato a um cargo eletivo. São essas informações que as equipes de marketing e analistas políticos usam para decidir suas estratégias eleitorais. Para contar o que está acontecendo dentro dessas salas e quais os sinais que as pesquisas qualitativas indicam para a eleição de outubro, Natuza Nery recebe Felipe Nunes, cientista político e professor da FGV-SP que está há meses analisando informações de dezenas de grupos. Ele, que é diretor do instituto de pesquisa Quaest, explica por que o brasileiro está descontente com a economia a partir de três elementos – e mostra como a busca por “status social” está mudando a percepção sobre as políticas públicas. Felipe também aponta como os pré-candidatos Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) são avaliados por esses grupos.

Convidado: Marcelo Lins, apresentador e comentarista de política internacional da GloboNews. “Uma civilização inteira morrerá esta noite”. Foi com esta ameaça que Donald Trump reforçou o ultimato dado ao governo iraniano caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até as 21h de terça-feira (7). Pouco antes do prazo se encerrar, o presidente dos Estados Unidos adiou o ultimato por mais duas semanas. O chanceler de Teerã disse que irá reabrir a passagem. Depois que Trump postou a ameaça em sua rede social, o Irã disse que abandonaria a mesa de negociações e o regime convocou manifestantes para um ato simbólico: iranianos e iranianas formaram um escudo humano para proteger as usinas termelétricas do país. Nos últimos dias, o Paquistão tentou intermediar um acordo entre EUA e Irã para um cessar-fogo, mas ambos recusaram. O governo de Teerã exige o fim do conflito, indenizações pelos danos sofridos e garantias de que não será atacado novamente. Agora, os dois países negociam uma proposta de dez pontos durante o cessar-fogo. Neste episódio, Natuza Nery recebe Marcelo Lins, apresentador e comentarista de política internacional da GloboNews, para analisar o peso do que disse Trump e o que ele pode, de fato, fazer no Oriente Médio. Lins também analisa as perspectivas de acordos entre EUA e Irã – e como fica Israel no meio disso.

Convidada: Nathalie Malveiro, procuradora de Justiça Criminal do MP-SP e mestranda em Direito Penal pela USP. No fim de março, o Senado aprovou o projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres. A votação na Casa foi unânime, mas o consenso encontrou a porta fechada na Câmara dos Deputados, onde parlamentares da oposição fazem críticas e prometem trabalhar para barrar o avanço do projeto. Nas redes sociais, o debate público está contaminado com informações falsas sobre o escopo da lei – há conteúdos que afirmam que um mero “bom dia” poderia levar à prisão. O texto aprovado no Senado define que o crime de misoginia se manifesta por violência física, psicológica, difamação ou injúria contra mulheres. Para explicar o que diz a letra da lei e o alcance real dela caso seja aprovada, Natuza Nery entrevista Nathalie Malveiro, procuradora de Justiça Criminal do MP-SP e mestranda em Direito Penal pela USP. Nathalie avalia se faz sentido equiparar a misoginia ao racismo, aponta que tipo de ações e falas seriam consideradas crimes e analisa também as críticas que relacionam o projeto ao cerceamento da liberdade de expressão.

Convidado: Michel Bertoni, membro efetivo da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP e professor de Direito Eleitoral. No começo de março, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou o conjunto de regras que irão guiar os partidos e candidatos nas eleições de 2026. Entre as mudanças que a Corte apresenta, está a proibição de pagamento a pessoas que publiquem conteúdo político eleitoral e a inversão do ônus da prova em casos de uso inadequado de inteligência artificial – isso significa que quem produzir conteúdo falso com a tecnologia, se for acusado, terá de provar tecnicamente que não houve fraude. Outra novidade será o comando o TSE durante as eleições de outubro. Composta de sete magistrados, a Corte será presidida pelo ministro do Supremo Kassio Nunes Marques, que terá como vice-presidente o ministro André Mendonça. Os dois têm em comum o fato de terem sido indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e carregarem a fama de serem juízes discretos. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista Michel Bertoni, membro efetivo da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP e professor de Direito Eleitoral, para explicar ponto a ponto do que muda nas regras do jogo eleitoral. Michel também analisa o perfil do presidente do TSE e o que isso indica sobre a condução da Corte.

Convidado: Daniel Becker, pediatra, sanitarista, escritor e ativista pela infância. Autor do livro “Os mil dias do bebê”. Os adolescentes se sentem cada vez mais solitários, desamparados e insatisfeitos com a própria imagem. Esse é o diagnóstico da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada pelo IBGE para entender a realidade dos 12 milhões de brasileiros que têm entre 13 e 17. O levantamento ouviu 118 mil estudantes em 2024: 30% deles afirmam que se sentem tristes “sempre” ou “na maioria das vezes”. A pesquisa desenha um quadro especialmente duro para as meninas: um terço delas relata ter sofrido alguma humilhação dos colegas, uma em cada quatro já foi assediada sexualmente – 12% afirmam que foram estupradas. No caso dos garotos, os dados indicam que eles têm mais dificuldade de fazer amigos e sofrem mais de solidão. Este episódio apresenta um relato de mãe e filha que ilustram o triste cenário da crise de saúde mental entre os adolescentes. Depois, Natuza Nery entrevista o pediatra, sanitarista, escritor e ativista pela infância Daniel Becker. Becker, que é também autor do livro “Os mil dias do bebê”, explica os danos que uma adolescência vivida dentro das telas e das plataformas digitais causam a estes jovens. Ele também alerta pais, mães e educadores para os sintomas de depressão e ansiedade e orienta sobre as melhores abordagens para conversar com filhos e estudantes.

Convidado: Guilherme Balza, repórter de política da GloboNews em Brasília. Nesta terça-feira (31), o presidente Lula comandou a primeira reunião ministerial de 2026 e sinalizou o início extraoficial de sua candidatura à reeleição. No evento, ele anunciou que vai repetir nas urnas a dobradinha com Geraldo Alckmin (PSB), chapa que venceu a eleição de 2022. Lula também anunciou a troca no comando de 14 ministérios, entre eles alguns do primeiro escalão no Executivo – caso da Casa Civil (Rui Costa, PT), Educação (Camilo Santana, PT), Planejamento (Simone Tebet, PSB) e Meio Ambiente (Marina Silva, Rede). O presidente deu aos agora ex-ministros a missão de defender o governo em seus palanques regionais. No mesmo dia, o Palácio do Planalto confirmou que enviará ao Senado a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, como novo ministro do Supremo Tribunal Federal. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Guilherme Balza, repórter de política da GloboNews em Brasília, para explicar as mensagens por trás de cada uma das movimentações do governo nesta terça-feira. Natuza e Balza também analisam o discurso de Lula e dos ministros governistas, que apontam a principal estratégia para a corrida eleitoral deste ano: comparar as realizações deste governo com o anterior, de Jair Bolsonaro.

Convidado: Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. Os efeitos da guerra no Irã começaram a alcançar todo o mundo quando o regime de Teerã trancou o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. O preço da energia subiu e economia sentiu o baque. E o que já está ruim, pode ficar pior. Agora, é o Estreito de Bab el-Mandeb que corre o risco de ser bloqueado. Localizado do outro lado da Península Arábica, é a única alternativa marítima ao fechamento de Ormuz. Trata-se de um corredor de água com pouco mais de 30 km de largura, que separa África e Ásia e conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho, portão de entrada para o Canal de Suez. É a rota de mais 12% do petróleo global, mais de 20% das exportações de fertilizante e, de acordo com a Organização Marítima Internacional, de um quarto de toda a navegação mundial. O controle do gargalo está nas mãos dos houthis, grupo rebelde formado dentro do Iêmen, que domina a capital e a costa do país. No último sábado, os houthis, que são aliados estratégicos do Irã, reivindicaram a autoria de ataques com drones e mísseis de cruzeiro que atingiram alvos em Israel. Neste episódio, Natuza Nery recebe Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo, para explicar a importância do Estreito de Bab el-Mandeb para o mundo e o que querem os houthis ao entrarem para a guerra. Guga questiona também a ofensiva de Israel ao Líbano e analisa as pressões internas que Donald Trump vem sofrendo para retirar os EUA do conflito.

Convidada: Ynaê Lopes dos Santos, doutora em história pela USP, pesquisadora sobre a História da Escravidão nas Américas e professora de História da América da Universidade Federal Fluminense. Na última quarta-feira (25), Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que declara que o tráfico de africanos escravizados foi o crime mais grave na história da humanidade. O texto foi apresentado por Gana e aprovado por 123 dos 193 países que integram as Nações Unidas – entre eles o Brasil. Houve 52 abstenções (caso do Reino Unido e de todos os integrantes da União Europeia) e somente 3 votos contrários: Argentina, Estados Unidos e Israel. O reconhecimento das Nações Unidas se refere ao tráfico de africanos que foram sequestrados e levados à força para as Américas: um crime que foi perpetrado durante quatro séculos e vitimou cerca de 12,5 milhões de pessoas. O Brasil foi o maior destino: quase 5 milhões de negros escravizados foram transportados para cá. A resolução agora exige reparações. Para analisar se o que foi decidido na ONU é apenas uma posição simbólica ou uma ação concreta em busca de justiça, Victor Boyadjian entrevista Ynaê Lopes dos Santos, doutora em história pela USP e professora de História da América da Universidade Federal Fluminense. Ynaê, que também é pesquisadora sobre a história da escravidão, descreve as três etapas da organização econômica da escravidão: a captura na África, o transporte nos navios negreiros e o trabalho forçado no Brasil. Ela ainda explica a que tipo de violências as pessoas escravizadas eram submetidas e aponta os caminhos para uma possível reparação histórica para este crime.

Convidada: Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo e âncora e comentarista da rádio CBN. Nesta quinta-feira (26), o Supremo Tribunal Federal decidiu que cabe ao Congresso prorrogar ou não a CPI mista do INSS. Por 8 votos a 2, o plenário da Corte consolidou o entendimento de que a liminar concedida pelo ministro André Mendonça, que adiaria o encerramento da comissão parlamentar, não tem efeito. Agora, o relatório final será lido e pode ser votado já nesta sexta-feira (27). Desde dezembro, o comando da comissão aguardava a posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a respeito do pedido extensão do prazo para a entrega do relatório, marcado para este sábado (28). Sem resposta, eles acionaram o Supremo. Foi então que Mendonça decidiu por prorrogar o fim dos trabalhos. O vai-e-vem entre Congresso e Supremo ilustra duas frentes de atrito em Brasília. Uma delas é a crescente tensão entre os Poderes Legislativo e Judiciário. A outra é o clima de campanha antecipada: em ano de eleições, uma CPI ganha ainda mais os holofotes e pode construir heróis e vilões. Para explicar o jogo de interesses que envolvem a CPMI do INSS, Victor Boyadjian conversa com Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo e âncora e comentarista da rádio CBN. Vera analisa os recados por trás dos votos dos ministros do STF e avalia se há alguma contribuição real da comissão para as investigações do escândalo bilionário de descontos indevidos no contracheque dos aposentados.

Convidado: Carlos Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, no Kentucky (EUA). Durante a campanha eleitoral, o então candidato Donald Trump prometeu: “eu não vou começar guerras, vou encerrar guerras”. É um discurso que está em linha com o eixo central da ideologia MAGA, que defende priorizar temas internos da política americana em detrimento de interferir em conflitos ao redor do mundo. Em janeiro deste ano, Trump rasgou de vez o roteiro no qual interpretava o papel de agente da paz. Primeiro, autorizou o ataque à Venezuela que capturou Nicolás Maduro. Depois, ordenou a operação Fúria Épica, que daria início à guerra no Irã. E a conta veio: o preço do petróleo disparou e pressiona ainda mais a inflação – que está alta para os padrões americanos. Nas pesquisas de opinião, Trump atingiu o pior nível de aprovação desde que voltou à Casa Branca. E enfrenta um fenômeno inédito: vê abrir um racha dentro da alta cúpula do MAGA, o grupo de apoiadores mais radicais e mais fiéis a ele. Integrantes do governo, jornalistas e influencers trumpistas estão criticando em público a decisão de iniciar uma guerra no Oriente Médio. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista Carlos Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, no Kentucky (EUA), para explicar esse movimento de dissidência dentro do trumpismo e as consequências disso nas tomadas de decisão do presidente americano. Poggio também analisa o resultado das pesquisas mais recentes e projeta o cenário delicado para os republicanos nas eleições de meio de mandato, em novembro.

Convidado: Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Na lista de três “pré-pré-candidatos” do PSD à Presidência da República, Ratinho Junior era considerado aquele com maior viabilidade eleitoral. Mas, nesta segunda-feira (23), o governador do Paraná desistiu da disputa e ficará no cargo até o fim do ano, quando termina seu mandato. Agora, o partido chefiado por Gilberto Kassab ainda tem dois quadros à disposição: Ronaldo Caiado, governador de Goiás e nome mais cotado para ficar com a vaga, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. O candidato que sair da disputa interna do PSD tentará se posicionar como representante da direita moderada e vai buscar o espaço que vem sendo chamado de terceira via – ou seja, conseguir os votos de quem rejeita Lula ou Flávio Bolsonaro. Na corrida para ocupar essa posição está também Romeu Zema, do partido Novo, que neste domingo (22) renunciou ao governo de Minas Gerais para concorrer ao Palácio do Planalto. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, para analisar se há espaço para uma terceira via nas eleições presidenciais. Bernardo explica também por que Ratinho – assim como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, mas com motivos diferentes – renunciou à candidatura.

Convidado: Fábio Couto, repórter do jornal Valor Econômico especializado no setor de energia há mais de 20 anos. Quem abastece o veículo com gasolina já sentiu no bolso: em média, no Brasil inteiro, o preço subiu R$ 0,40 por litro desde o início da guerra no Irã. Para quem depende do diesel, a situação é pior: na média, o litro está em quase R$ 7,30; um aumento de 20% no período. E o problema é maior: impacta no custo do frete de todos os produtos e aumenta preços em cascata, empurrando a inflação para cima. Isso é resultado da disparada no valor do barril de petróleo, que chegou a bater quase US$ 120 diante dos bombardeios à infraestrutura petroleira do Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz. No cenário interno, o governo federal apresentou um pacote de medidas para mitigar esses efeitos: isenção de PIS e COFINS e subvenção a produtores e importadores, num impacto total de R$ 30 bilhões. Nas bombas de combustível, no entanto, gasolina e diesel continuam subindo. O governo federal apertou o cerco na fiscalização de distribuidoras e postos para evitar a prática de preços abusivos e propôs novas medidas para reduzir os impostos em parceria com os governos estaduais – que, até agora, não toparam. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Fábio Couto, repórter do jornal Valor Econômico especializado no setor de energia há mais de 20 anos. Fábio analisa a eficácia das medidas do governo, explica por que os estados não podem renunciar ao ICMS e avalia a possibilidade que haja, de fato, oportunismo no aumento dos preços.

Convidado: Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Na última terça-feira (17), o presidente Lula assinou o decreto que cria o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. O ECA Digital cria regras que obrigam redes e provedores de conteúdo a controlar o acesso de menores de 16 anos, e a garantir que eles não recebam conteúdos impróprios para a idade. Essa é uma pauta que ganhou os holofotes do debate público depois da publicação do vídeo do influenciador Felca, em agosto de 2025. Nele, Felca denunciou a sexualização de crianças e adolescentes e o uso indevido da imagem de jovens com a finalidade de ganhar dinheiro com conteúdo online. Apenas em 2025, o Brasil registrou quase 90 mil denúncias de crimes cibernéticos: mais de 60% deles alertavam para abuso e exploração sexual infantil. Neste episódio, o secretário de Políticas Digitais do Governo Federal, João Brant, relata quais são os quatro eixos mais importantes do ECA Digital. E Natuza Nery entrevista Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, associação civil que atua na defesa dos Direitos Humanos na Internet há mais de 20 anos. Thiago explica o que muda na prática a partir de agora.

Convidado: Thomas Traumann, comentarista da GloboNews, colunista do jornal O Globo e autor do livro “O pior emprego do mundo: 14 ministros da Fazenda contam como tomaram as decisões que mudaram o Brasil e mexeram no seu bolso”. Nesta quinta-feira (19), Fernando Haddad encerrou sua gestão à frente do Ministério da Fazenda. No mesmo evento, o presidente Lula anunciou o substituto: o então número 2 da pasta, Dario Durigan, que ocupava o posto de secretário-executivo. Horas depois, o PT confirmou que Haddad é pré-candidato ao governo de São Paulo. O balanço da gestão registra vitórias e derrotas. Haddad ganhou a pecha de ser um ministro que aumentou excessivamente os impostos e viu a dívida pública subir 7 pontos percentuais no período – está em quase 79% do PIB. Nos índices macroeconômicos, ele deixa o cargo com a inflação dentro do teto da meta, desemprego na menor taxa da série histórica e recorde na renda média do brasileiro. E o PIB cresceu acima das expectativas em todos os anos. Nos pouco mais de três anos em que comandou a Fazenda, Haddad conseguiu viabilizar a aprovação de pautas como o arcabouço fiscal, a reforma tributária e a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Thomas Traumann para analisar o legado de Haddad na economia brasileira. Ele, que é comentarista da GloboNews, colunista do jornal O Globo e autor do livro “O pior emprego do mundo: 14 ministros da Fazenda contam como tomaram as decisões que mudaram o Brasil e mexeram no seu bolso”, explica o que deu certo e o que deu errado nesses três anos – e projeta os desafios da economia brasileira para a eleição e após.

Convidado: Felipe Recondo, jornalista, autor do livro “O Tribunal: Como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária”, fundador do canal Recondo e os Onze e apresentador do podcast Sem Precedentes. Nesta semana, o ministro do Supremo Flávio Dino determinou o fim da aposentadoria compulsória remunerada como penalidade máxima imposta a juízes. Em fevereiro, Dino já havia decidido também que os Três Poderes, os estados e os municípios suspendessem os pagamentos de verbas indenizatórias que não estejam previstas em lei, os chamados penduricalhos. O ministro também é o responsável por barrar o uso de emendas parlamentares sem transparência e rastreabilidade. Dino concentra algumas das decisões da Corte recebidas com maior apoio da opinião pública. O presidente do Supremo, Edson Fachin, vai na mesma direção ao propor e articular a implementação de um código de ética para os ministros. São medidas que disputam as manchetes com o envolvimento de integrantes da Corte no escândalo do Caso Master. A suspeita de que haja relações indevidas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes arrasta todo o Supremo para o risco de uma crise de credibilidade. Para analisar os avanços e retrocessos pelos quais o STF vem passando, Natuza Nery recebe o jornalista especializado Felipe Recondo, que é autor do livro “O Tribunal: Como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária”, fundador do canal Recondo e os Onze e apresentador do podcast Sem Precedentes. Recondo avalia as decisões recentes de Dino e comenta o crescente protagonismo da Corte no arranjo de Poderes.

Convidado: Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews e colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Ali Larijani, o líder efetivo do regime iraniano desde o início da guerra, foi alvo de um bombardeio aéreo israelense na madrugada desta terça-feira (17). Além dele, morreu também Gholamreza Soleimani, chefe da Basij, uma milícia paramilitar e voluntária da Guarda Revolucionária do Irã. A morte de Larijani é a maior baixa do regime dos aiatolás desde o primeiro dia de ataques israelenses e americanos ao Irã, quando o líder supremo do país, Ali Khamenei, foi assassinado. Larijani era o chefe do Conselho de Segurança, o cérebro por trás das estratégias de defesa e da política nuclear do país e o mais influente canal diplomático do governo com o Ocidente. Para explicar quem era Larijani e as consequências da morte dele para o regime e para o futuro da guerra, Natuza Nery conversa com Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews e colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Demétrio também avalia o risco de uma incursão terrestre no Irã e analisa os objetivos militares de Israel e dos Estados Unidos – onde o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo se demitiu nesta terça.

Convidado: Claudio Couto, cientista político e professor da FGV-SP. Na última sexta-feira (13), uma notícia deixou grande parte do mundo político de cabelo em pé. Daniel Vorcaro anunciou a troca de seus advogados no Caso Master. Quem assume a defesa do banqueiro é José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca e dono de um currículo com diversos acordos de delação premiada em casos de grande repercussão – caso do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, na Operação Lava Jato. Um acordo de colaboração não se constrói imediatamente. É preciso seguir um rito judicial: em troca de redução da pena, o colaborador precisa entregar provas do esquema e da participação de outros envolvidos – que devem ocupar posições mais altas que o delator dentro da organização criminosa. Esse é um escândalo que tem potencial para atingir em cheio o tabuleiro político do país, sobretudo em ano de eleição. De acordo com a mais recente pesquisa Quaest, 38% dos eleitores já rejeitam votar em candidatos envolvidos no Caso Master. Para analisar os maiores alvos de uma eventual delação de Vorcaro, Natuza Nery recebe Claudio Couto, cientista político e professor da FGV-SP. Claudio desenha o cenário no qual “gente graúda” pode ser envolvida no escândalo e analisa a posição do Supremo Tribunal Federal diante de suspeitas de relações inadequadas de dois ministros com o banqueiro. O cientista político também avalia os impactos do caso nas urnas.

Convidada: Poliana Casemiro, repórter de ciência e saúde do g1 e mestre em divulgação científica pela Unicamp. Os vídeos de um paciente com lesão medular que voltou a andar trouxeram esperança para muita gente. Ele foi um dos oito pacientes testados em uma pesquisa sobre o uso da polilaminina para reverter quadros de paralisia. A perspectiva promissora em relação à substância disparou uma corrida judicial: mais de 50 pessoas entraram na Justiça para receber o medicamento antes mesmo de ser aprovado pela Anvisa. A pesquisa, conduzida pela doutora Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ, já realizou testes em animais e neste pequeno grupo de pacientes. Mas a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda tem um longo caminho pela frente. Até aqui, a Anvisa autorizou apenas o início da fase 1 dos testes – etapa para garantir a segurança sobre o uso da substância. A polilaminina precisa passar ainda pelas fases 2 e 3. Na última semana, a repórter de ciência e saúde do g1 Poliana Casemiro publicou uma reportagem na qual entrevista a cientista. Elas conversaram sobre pontos de atenção no estudo: Tatiana admitiu erros, mas reforçou a eficácia da substância. Poliana Casemiro, que é também mestre em divulgação científica pela Unicamp, é a convidada de Natuza Nery neste episódio. A jornalista explica o que é a polilaminina e o que os resultados divulgados até agora indicam. Ela também descreve os próximos passos do estudo clínico e diz por que o método científico, muitas vezes, exige tanto tempo de pesquisa.

Convidada: Isabela Boscov, jornalista e crítica de cinema. A cerimônia do Oscar 2026, marcada para este domingo (15), será a primeira em que o Brasil concorre em cinco categorias. “O Agente Secreto” terá quatro chances de vencer uma estatueta: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura. A quinta indicação brasileira é de Adolpho Veloso, que concorre a Melhor Fotografia pelo filme americano "Sonhos de Trem". A torcida brasileira espera que se repita o mesmo roteiro do Oscar de 2025, quando "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, venceu como Filme Internacional – e deu ao país sua primeira estatueta por uma produção 100% nacional. A expectativa se justifica a partir do desempenho de “O Agente Secreto” no circuito de premiações, onde colecionou vitórias inclusive no Globo de Ouro, no Critics Choice Awards e no Festival de Cannes. Neste episódio, Natuza Nery recebe Isabela Boscov, jornalista e crítica de cinema, para analisar as chances reais de novas estatuetas para o Brasil. Boscov comenta a trajetória e a campanha do filme de Kleber Mendonça Filho em Hollywood e destaca a atuação de Wagner Moura, que conquistou a crítica internacional. Ela também aponta quem são os grandes favoritos para levarem os prêmios nas principais categorias do Oscar.

Convidado: Octavio Guedes, comentarista da GloboNews e colunista do g1. Dentro do governo americano, está em curso uma discussão para classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A diplomacia brasileira trabalha para frear a decisão, diante dos riscos que esse tipo de classificação pode ter para a soberania e para a economia do país. Nos últimos meses, dois países latino-americanos foram submetidos a ações americanas contra grupos considerados narcotraficantes pela Casa Branca. No fim de 2025, navios, caças e drones enviados por Washington bombardearam embarcações no mar do Caribe e mataram pelo menos 100 pessoas, entre venezuelanos e colombianos – sem qualquer prova de que os alvos tivessem relação com o crime. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Octavio Guedes, comentarista da GloboNews e colunista do g1, para explicar as relações do CV e do PCC com o crime internacional. Guedes também relata como o crime organizado cresceu nas últimas décadas no Brasil – e o terror que gera em todo o continente. Por fim, ele avalia quais são os reais interesses americanos na pauta da segurança pública.

Convidada: Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN. Em Brasília, o caso do Banco Master está no centro das atenções. Nesta terça-feira (10), foi protocolado no Senado um pedido de CPI para investigar as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro. No STF, o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, se reuniu com colegas para discutir os desdobramentos da crise. Na sexta-feira (13), a Segunda Turma vota para manter ou não a prisão do dono do Master. Conversas de Vorcaro extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal vieram à tona depois da segunda prisão do banqueiro, em 4 de março, por ordem do ministro André Mendonça – ele que assumiu o caso depois que o ministro Dias Toffoli renunciou à relatoria. De acordo com reportagens do jornal O Globo, horas antes de ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro, o banqueiro trocou mensagens com um contato salvo em seu celular como Alexandre de Moraes. O ministro nega ter recebido as mensagens. Parlamentares e dirigentes partidários também foram citados em diálogos encontrados pela PF nos celulares de Vorcaro – caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chama de “grande amigo”. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN, sobre as mensagens que expõem a proximidade de Daniel Vorcaro com as esferas de poder em Brasília. Ela também comenta as explicações dadas a respeito do contrato de R$ 3,5 milhões por mês assinado por Viviane Barci, mulher de Moraes, para advogar para o Banco Master. E analisa o impacto da crise para a imagem do ministro e para a opinião do eleitorado que vai às urnas em outubro deste ano.

Convidado: Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, professor do Ibmec e criador do podcast Petit Journal. A escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã sinaliza a continuidade da linha dura do regime em meio à guerra e frustra as expectativas dos Estados Unidos de uma mudança política em Teerã. Filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques americanos e israelenses, Mojtaba foi escolhido pela Assembleia dos Especialistas, o conselho de 88 clérigos responsável por definir a autoridade máxima do país e é conhecido pela proximidade com a Guarda Revolucionária. Antes mesmo do anúncio, Donald Trump havia dito que seria inaceitável que Mojtaba fosse eleito como novo líder supremo – e, depois, afirmou que não estava feliz com a escolha. Agora, a expectativa de que possa haver diálogo entre as partes para uma resolução rápida da guerra praticamente acabou. Diante das incertezas, o preço do barril de petróleo disparou 25% da noite para o dia e o mundo inteiro entrou em estado de alerta com o risco de pressão inflacionária generalizada. Depois do susto, o valor voltou a cair, principalmente depois que o presidente americano disse em uma entrevista que a guerra está “praticamente concluída” e pode acabar em breve. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, professor do IBMEC e criador do podcast Petit Journal, para explicar o perfil de Mojtaba Khamenei e a reação do mercado ao nome dele. Daniel comenta as perspectivas militares e diplomáticas do Irã e analisa o risco de o preço do petróleo romper sua máxima histórica – e de que modo isso bate no bolso do consumidor brasileiro.

Convidados: Gunther Rudzit, especialista em defesa e segurança nacional, professor da ESPM e professor convidado da Universidade da Força Aérea (Unifa); e Cristian Wittmann, professor da Unipampa e integrante do conselho do ICAN (Campanha Internacional pela Abolição das Armas Nucleares). No fim da primeira semana de conflito, Estados Unidos e Israel anunciaram que a guerra havia entrado em uma nova fase. E prometeram “aumento drástico” no poder de fogo dos ataques contra o regime iraniano. O Irã afirmou que aguarda os inimigos para responder com “golpes dolorosos” e revelou que poderá usar armas nunca vistas em combate até agora. Até aqui, os dois lados têm estratégias muito diferentes. Americanos e israelenses fizeram uso sofisticado sistema de tecnologia para acompanhar a localização do aiatolá Ali Khamenei e outras autoridades do regime. Na manhã do dia 28 de fevereiro, decidiram por um ataque de precisão para executá-lo e dar início à guerra. Desde então, os mísseis disparados pelos dois países atingiram ao menos 2 mil alvos no território iraniano. O Irã já disparou milhares de drones e centenas de mísseis contra Israel e contra países que têm bases militares americanas – alguns desses armamentos alcançam mais de 6 mil km/h e podem carregar ogivas superiores a 1 tonelada. O regime garante que seus equipamentos mais sofisticados não foram colocados em jogo ainda. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o especialista em defesa e segurança nacional Gunther Rudzit para entender o tamanho do arsenal de cada lado do confronto. Professor de Relações Internacionais da ESPM e professor convidado da Universidade da Força Aérea (UNIFA), Gunther também avalia o futuro do conflito. Participa também do episódio Cristian Wittmann, professor de direito da Unipampa e integrante do conselho do ICAN (Campanha Internacional pela Abolição das Armas Nucleares). Ele analisa como a inteligência artificial está sendo usada na guerra e debate as questões éticas relacionadas a isso.

Convidados: Luciano Ramos, diretor do instituto Mapear; Ruth Manus, advogada, doutora em direito internacional e autora do livro “Guia prático antimachismo”. Nos últimos meses, o noticiário vem registrando histórias trágicas de violência de gênero. A lista de horrores tem casos de estupro coletivo, espancamentos e feminicídios – houve episódios até de assassinato dos filhos dessas mulheres. Essa é a face mais cruel de um problema muito maior. Crimes explícitos como esses são a ponta de um iceberg, onde a base é uma cultura marcada pelo machismo que estrutura a sociedade. Este episódio, na antevéspera do Dia das Mulheres, propõe uma conversa que vai além da indignação: busca tratar da responsabilidade dos homens e da educação de meninos. Para isso, Natuza Nery recebe dois convidados. Primeiro, ela conversa com Luciano Ramos, diretor do Instituto Mapear. Luciano relata parte do trabalho que realiza com homens que cometeram crimes contra mulheres e são enviados ao sistema prisional – ele analisa como estes homens pensam e se comportam. Depois, Natuza fala com Ruth Manus, advogada, doutora em direito internacional e autora do livro “Guia prático antimachismo”. Ruth apresenta um panorama claro com exemplos de como o machismo está colocado no dia a dia de homens e mulheres e fala sobre o papel da pornografia na formação sexual dos jovens.

Convidada: Malu Gaspar, comentarista da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. Foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4) o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na decisão que autorizou a operação da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, afirma que os indícios reunidos pela investigação vão muito além de crimes financeiros e identifica a existência de "milícia privada" para intimidar opositores. Para o ministro, havia risco concreto na manutenção da liberdade do investigado diante da gravidade dos fatos revelados pela Polícia Federal. O relatório da PF revela um plano de Vorcaro para perseguir e agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. As investigações apontam ainda que o grupo teria acessado indevidamente sistemas sigilosos e órgãos públicos e que haveria a participação de funcionários do Banco Central na rede de ilegalidades – dois servidores foram afastados de suas funções, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza. Também foram presos o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, suspeito de ser o operador financeiro do esquema de fraudes, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como coordenador operacional da “Turma” – termo usado para definir a organização. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Malu Gaspar, comentarista da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. Malu explica o funcionamento da rede construída por Daniel Vorcaro e detalha quem é quem na composição da “Turma”. Ela também analisa quais devem ser os próximos passos da investigação.

Convidado: José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados, foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se concentra numa área estratégica para o abastecimento global de energia. O Oriente Médio reúne algumas das maiores reservas de petróleo do planeta – o Irã tem a terceira maior, e a Arábia Saudita, a segunda – e concentra importantes instalações de produção e refino. Toda essa produção precisa atravessar o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, para abastecer os setores produtivos dos quatro cantos do mundo. Cerca de 20% do volume total de petróleo comercializado passa por esse corredor, que foi fechado pelo governo iraniano. Um cenário que pode se agravar caso a ameaça do general da Guarda Revolucionária iraniana, Ebrahim Jabari, se concretize: caso os bombardeios de Estados Unidos e Israel continuem, irá atacar “todos os centros econômicos” do Oriente Médio. Para explicar como o fechamento do Estreito de Ormuz abre um efeito cascata na economia global, Natuza Nery conversa com José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados. Ele, que foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, comenta também os impactos da guerra na produção e distribuição de gás natural e fertilizantes, e como isso repercute nas economias de Brasil e Estados Unidos, inclusive com possível alta no preço dos alimentos.

Convidado: Hussein Kalout, cientista político e conselheiro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). Pelo terceiro dia seguido, Estados Unidos e Israel atacam alvos diversos no Irã – e anunciam que mais tropas e mais caças estão a postos para entrar em ação. A retaliação iraniana também segue seu curso: mísseis e drones atingiram o território israelense e a infraestrutura de países que têm bases militares americanas, como a Arábia Saudita. No Líbano, o grupo extremista Hezbollah, aliado do regime iraniano, abriu um novo front de guerra. E o mapa do Oriente Médio tem cada vez mais alvos de todos os lados. No governo dos Estados Unidos, o secretário da Guerra fala em objetivos de curto prazo, mas Donald Trump já projeta pelo menos cinco semanas de ofensiva e diz que levará “o tempo que for necessário”. Já em Teerã, o regime dos aiatolás ainda lamenta da morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, que governou o país por quase quatro décadas, enquanto se reorganiza para definir seu sucessor. Para explicar os arcos de aliança que estão formados no Oriente Médio e o processo de sucessão de Khamenei no Irã, Natuza Nery entrevista Hussein Kalout, cientista político e conselheiro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). Kalout avalia os riscos de uma escalada militar ainda mais perigosa na região, inclusive em relação ao uso de armas nucleares. E analisa as consequências da escolha do novo líder supremo do regime: se será mais ou menos aberto ao Ocidente. “Um cenário muito mais obscuro”, resume.

Convidados: Cristiana Mesquita, diretora de notícias para o Caribe da Associated Press (AP), em Havana; e Ariel Palacios, correspondente da Globo e da GloboNews para América Latina. Desde a Revolução Cubana, em 1959, a relação entre Estados Unidos e Cuba é de rivalidade, e a Ilha convive há décadas com um embargo econômico. Nas últimas semanas, contudo, os cubanos estão experimentando algo inédito: viver sob escassez severa de petróleo, que afeta a distribuição de alimentos e remédios, paralisa o transporte público e provoca apagões diários. Cuba produz apenas 40% do petróleo que precisa para manter a economia de pé e tem a Venezuela como sua maior fornecedora – uma parceria na qual oferta serviços de saúde e de inteligência em troca de preços muito abaixo da média de mercado. Desde a captura de Nicolas Maduro pelos Estados Unidos, essa torneira fechou. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista Cristiana Mesquita, diretora de notícias para o Caribe da Associated Press (AP), para contar como está a vida das cerca de 10 milhões de pessoas que vivem na Ilha. Cristiana, que mora em Havana há quatro anos e visita o país com frequência desde a década de 1990, fala sobre a rotina dos moradores da capital cubana e o sentimento deles em relação ao regime. Depois, a conversa é com Ariel Palacios, correspondente da Globo e da GloboNews para América Latina. Ele explica o que há de diferente nesta crise em Cuba e o que faz a Ilha despertar interesse na geopolítica global.

Convidado: Tanguy Baghdadi, professor de política internacional e criador do podcast Petit Journal Na manhã deste sábado (28), os iranianos foram surpreendidos com bombardeios na capital Teerã e em diversas cidades do país – pelo menos 200 pessoas morreram, de acordo com informações da rede humanitária Crescente Vermelho, que atua em nações muçulmanas. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto na ação. Trata-se da operação “Fúria Épica”, um ataque de grandes proporções promovido pelos Estados Unidos e Israel contra o regime dos aiatolás. Imediatamente, as forças militares do Irã reagiram. Mísseis e drones foram lançados ao território israelense e houve também ataques a países que mantêm bases americanas, caso de Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes. Os ataques ocorreram mesmo com negociações em curso entre Estados Unidos e Irã para que o regime interrompesse seu programa nuclear. Donald Trump defendeu a ofensiva dizendo que os iranianos nunca quiseram um acordo de verdade. E, num vídeo publicado nas redes sociais, instou a população a derrubar o regime para tomar o poder. Neste episódio especial, Natuza Nery entrevista Tanguy Baghdadi, professor de política internacional e criador do podcast Petit Journal, para explicar o tamanho da crise no Oriente Médio e o risco de uma guerra generalizada na região. Tanguy também analisa por que o governo americano decidiu atacar agora e avalia o que pode acontecer com o regime dos aiatolás a partir dos acontecimentos deste sábado.

Convidado: Bruno Carazza, colunista do jornal Valor Econômico, comentarista do Jornal da Globo e professor associado da Fundação Dom Cabral. O Supremo Tribunal Federal adiou para o dia 25 de março a análise sobre as decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspendem o pagamento dos chamados “penduricalhos” no funcionalismo público. O termo é usado para se referir a verbas indenizatórias, gratificações e auxílios que são somados às remunerações dos servidores – e que ultrapassam o valor do teto constitucional, que é de R$ 46 mil. A lista de benefícios é longa: tem escala de trabalho 3 por 1, pagamento de mensalidade de escolas particulares para filhos adultos e até auxílio-peru e auxílio-panetone. Só em 2025, esses adicionais custaram mais de R$ 10 bilhões aos cofres públicos. Para explicar o que são esses penduricalhos e o impacto que eles têm no orçamento público, Natuza Nery recebe Bruno Carazza, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista do Jornal da Globo. Neste episódio, Bruno, que também é professor associado da Fundação Dom Cabral, detalha o que está em discussão na Corte e avalia o quão difícil será a tarefa de colocar ordem nos pagamentos inconstitucionais.

Convidadas: Fernanda Vivas, produtora da TV Globo em Brasília; e Flávia Oliveira, comentarista da GloboNews e da rádio CBN, e colunista do jornal O Globo. Foram mais de 12 horas de julgamento até que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal chegasse a uma decisão unânime. Quase oito anos depois do crime, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão por planejar e ordenar a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro. Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator, Alexandre de Moraes. Em sua manifestação, Moraes destacou que a motivação política do crime se somou a elementos como misoginia, racismo e origens de Marielle. Neste episódio, Fernanda Vivas, produtora da TV Globo em Brasília, relata todos os aspectos do julgamento pela Primeira Turma. Ela, que é advogada especializada em processo legislativo, direito constitucional e direito público, também apresenta os argumentos da acusação, da defesa e que disseram os ministros sobre as provas do crime. Depois, Natuza Nery conversa com Flávia Oliveira, comentarista da GloboNews, da rádio CBN e colunista do jornal O Globo. Flávia relembra o passo a passo da noite em que ocorreram as execuções e comenta o envolvimento de agentes públicos na investigação do caso. Por fim, ela explica por que é tão importante para o país relembrar a trajetória de Marielle.

Convidada: Marina Pera, analista sênior de risco político da consultoria Control Risks no México. O chefão do cartel Jalisco Nova Geração, um dos mais violentos e poderosos grupos criminosos organizados do México, foi morto no último domingo (22). O megatraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", foi baleado em uma operação das forças de segurança mexicanas: os agentes monitoraram os passos de sua namorada até uma cabana em Tapalpa, na região montanhosa do estado de Jalisco, onde se deu o confronto. A morte de El Mencho foi o gatilho para uma reação violenta do grupo organizado. Ataques foram registrados em 20 estados mexicanos: criminosos incendiaram veículos, bloquearam rodovias, fecharam escolas e espalharam pânico. O número de mortos já passa de 70, entre policiais, agentes penitenciários e integrantes do cartel. O governo mobilizou mais de 10 mil militares para conter a violência. A morte do chefe do Jalisco Nova Geração abre uma nova fase de incertezas no México, afirma Marina Pera, analista sênior de risco político da consultoria Control Risks no México. Em entrevista a Natuza Nery, ela descreve como El Mencho mantinha seu poder e cultivava uma imagem messiânica diante de seu grupo. Marina também explica por que a queda de uma liderança desse tamanho pode desencadear uma avalanche na estrutura do narcotráfico e nas instituições oficiais mexicanas.

Convidadas: Larissa Carvalho, repórter da TV Globo em Minas Gerais; e Luciana Temer, professora de Direito Constitucional na PUC-SP e presidente do Instituto Liberta. A sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais amanheceu neste domingo (22) com um protesto: em frente ao prédio, brinquedos e cartazes que pediam proteção para as crianças. O ato foi uma reação à absolvição em segunda instância de um homem de 35 anos que havia sido condenado por estupro contra uma menina que, à época da ocorrência, tinha 12 anos. O caso aconteceu em abril de 2024, quando este homem foi preso em flagrante junto com a mãe da vítima. Ambos foram condenados em primeira instância, na Vara da Infância e Juventude, a mais de 9 anos de prisão. Segundo a denúncia, a garota havia deixado de frequentar a escola e estava morando com ele. Ouvida, ela afirmou que o homem, a quem chamava de marido, comprava cestas básicas e doces para a mãe. Quem conta a história dessa menina é Larissa Carvalho, repórter da TV Globo em Minas Gerais. Em conversa com Natuza Nery, ela explica como se deu a denúncia e a prisão dos acusados, e conta como foram os votos dos desembargadores Magid Nauef Láuar, relator do processo, e Walner Milward Azevedo, que decidiram pela absolvição. Para explicar o que diz a lei sobre estupro de vulneráveis, Natuza entrevista Luciana Temer, advogada e professora de Direito Constitucional na PUC-SP. Luciana, que também é presidente do Instituto Liberta, fala sobre a importância da escola e de políticas públicas na prevenção de crimes contra crianças e adolescentes.

Convidado: Mauricio Moura, fundador do instituto de pesquisa Ideia, colunista do jornal O Globo e professor da Universidade George Washington. Por 6 votos a 3, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira (20) o principal pilar da estratégia comercial do presidente Donald Trump: a política de tarifas recíprocas sobre produtos importados. De acordo com a decisão, Trump extrapolou sua autoridade ao impor o tarifaço e deve submeter ao Congresso qualquer medida relativa à tributação. Essas tarifas foram anunciadas em abril de 2025 e variam entre 10% e 50% sobre produtos de praticamente todos os parceiros comerciais americanos, entre eles o Brasil. Estima-se que o valor arrecadado seja superior a US$ 175 bilhões, mas não está claro se o governo americano precisará devolver o montante. A decisão tem forte peso político. Foi a primeira vez desde o retorno de Trump à Casa Branca que a Suprema Corte impôs um limite direto ao poder do presidente. Ele respondeu de imediato e informou que usará um novo instrumento legal para aplicar outra tarifa global de 10%. Para analisar os impactos econômicos e políticos do fim do tarifaço, Natuza Nery recebe Mauricio Moura, fundador do instituto de pesquisa Ideia, colunista do jornal O Globo e professor da Universidade George Washington. Maurício explica os argumentos dos juízes da Suprema Corte e conta o que ouviu de representantes do mundo político americano.

Convidado: Octavio Guedes, comentarista da GloboNews e colunista do g1 A ordem partiu do gabinete do ministro Alexandre de Moraes. E, na terça-feira (17), agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão contra quatro servidores públicos que atuavam na Receita Federal. A ação investiga se eles acessaram e vazaram dados sigilosos de diversas autoridades, incluindo os integrantes do Supremo Tribunal Federal e seus familiares. Os servidores foram afastados de seus cargos, passaram a usar tornozeleira eletrônica e tiveram os passaportes apreendidos. A Receita Federal informou que seus sistemas são rastreáveis e que uma auditoria interna identificou irregularidades, que foram comunicadas ao STF. A investigação sobre esses possíveis vazamentos foi aberta dentro do Inquérito das Fake News, criado em 2019 e que tem Moraes como relator. Para explicar o alcance da operação da PF e as evidências sobre o vazamento dos dados sigilosos, Natuza Nery conversa com Octavio Guedes, comentarista da GloboNews e colunista do g1. Guedes analisa também as críticas direcionadas à abertura da investigação pelo Supremo e como a decisão de Moraes repercutiu dentro da Corte.

Convidado: Fernando Abrucio, cientista político, professor da FGV-EAESP e comentarista da GloboNews. Então candidato de oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT) surpreendeu o mundo político ao anunciar o convite para que Geraldo Alckmin (PSB) fosse o vice-presidente na chapa que concorreria nas eleições de 2022. O ex-tucano e adversário histórico do PT topou, e a estratégia deu certo: a dobradinha Lula-Alckmin se apresentou ao eleitor como representante de uma frente ampla e venceu a eleição. Quatro anos depois, presidente e vice demonstram ter excelente relação e trocam elogios em público, mas nada garante que a parceria irá se repetir na urna. Lula dá sinais de que a vaga está aberta para negociações com partidos de centro, como o MDB. O objetivo é ampliar alianças, conquistar mais palanques estaduais e municipais e aumentar o tempo de propaganda eleitoral. Na oposição, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se consolida como a mais competitiva, de acordo com as pesquisas mais recentes. E já circulam especulações de potenciais candidatos a vice. Os mais citados são Romeu Zema, governador de Minas Gerais, do Novo, e Tereza Cristina, senadora pelo Mato Grosso do Sul, do PP. Para analisar a viabilidade de todas as estratégias eleitorais em jogo, Natuza Nery recebe o cientista político Fernando Abrucio. Ele, que é professor da FGV-EAESP e comentarista da GloboNews, comenta a situação de Geraldo Alckmin no governo e o que Lula busca nas conversas com partidos de centro; e avalia os nomes em torno de Flávio Bolsonaro.

Convidado: Antônio Gois, jornalista de educação desde 1996, colunista do jornal O Globo e autor dos livros "O ponto a que chegamos"; "Quatro décadas de gestão educacional no Brasil" e "Líderes na escola". Universidades particulares tradicionais de São Paulo iniciaram o ano letivo com uma nova regra: a proibição de celulares em sala de aula, exceto para atividades acadêmicas com fins pedagógicos. A medida, adotada com o objetivo de reduzir distrações e melhorar a concentração, reacendeu o debate sobre os limites da autonomia em um ambiente adulto – e dividiu opiniões. Para parte dos estudantes, a proibição foi recebida com surpresa e resistência. Outros, porém, relatam dificuldade em manter a concentração durante as aulas e reconhecem que o uso constante de dispositivos eletrônicos prejudica o aprendizado. Três estudos mediram os impactos de regras que limitam ou proíbem o uso de celulares, na China, nos EUA e na Índia – no caso indiano, uma pesquisa que acompanhou mais de 17 mil estudantes. Os resultados apontam que a medida pode trazer benefícios para alunos e professores. Para analisar o que dizem esses estudos, Natuza Nery recebe neste episódio Antônio Gois, jornalista de educação desde 1996 e colunista do jornal O Globo. Ele também comenta as motivações pedagógicas desse tipo de decisão e as chances de outras instituições de ensino superior adotarem o mesmo caminho.

Convidado: Valdo Cruz, comentarista da GloboNews e colunista do g1. Uma nota assinada por todos os ministros do Supremo Tribunal Federal oficializou que Dias Toffoli havia deixado a relatoria do caso Master, na noite de quinta-feira (12). O anúncio ocorreu logo após uma reunião entre eles, convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para dar ciência do conteúdo do relatório da Polícia Federal a respeito das menções a Toffoli encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No documento apresentado pela PF, havia a informação de que a perícia encontrou mensagens trocadas entre Dias Toffoli e Vorcaro, assim como menção a pagamentos relacionados ao resort da família do ministro – de que Toffoli, pela primeira vez, reconheceu ser um dos donos, mas negou que tenha ocorrido qualquer negociação ou relação irregular. Na nota publicada pelo Supremo, todos os ministros declaram que não cabia suspeição para o caso e reconhecem a plena validade de todas as ações de Toffoli na relatoria do caso. Depois de novo sorteio, o relator definido para a investigação é o ministro André Mendonça. Neste episódio, Natuza Nery e Valdo Cruz, comentarista da GloboNews e colunista do g1, analisam todos os aspectos desse caso inédito no Supremo. Valdo conta os bastidores da reunião dos ministros e recupera o passo a passo de todas as polêmicas de Dias Toffoli na condução da relatoria do caso Master.

Convidada: Carolina Rossini, especialista em Direito da Tecnologia, professora na Escola de Direito na Universidade de Boston e diretora de Programas de Tecnologia de Interesse Público na Universidade de Massachusetts. Duas das maiores empresas de tecnologia do mundo foram colocadas no banco dos réus pela Justiça da Califórnia, nos Estados Unidos. Meta, dona do Instagram, e Alphabet, controladora do YouTube, são acusadas de, conscientemente, programar os algoritmos de suas plataformas para viciar os usuários, principalmente crianças e adolescentes. TikTok e Snapchat foram incluídos inicialmente no processo, mas fecharam acordo com a acusação. Quem levou o caso à Justiça é uma jovem de 20 anos, identificada pelas iniciais K. G. M. Segundo a ação, ela criou uma conta no YouTube aos 8 anos e abriu perfil no Instagram aos 9 – rede social onde, afirma, chegou a passar mais de 16 horas conectada em um único dia. Já adulta, ela foi diagnosticada com problemas graves de saúde mental. A tese da acusação compara o funcionamento das plataformas ao da indústria do tabaco e descreve o scroll infinito como uma espécie de “cassino digital”. As empresas negam. O caso é o primeiro desse tipo a ser analisado por um júri popular nos Estados Unidos. Para explicar o que está em jogo neste tribunal, Natuza Nery entrevista a especialista em Direito da Tecnologia Carolina Rossini. Professora na Escola de Direito na Universidade de Boston e diretora de Programas de Tecnologia de Interesse Público na Universidade de Massachusetts, ambas nos EUA, ela responde sobre o que se sabe a respeito do funcionamento dos algoritmos e se há relação entre isso e a dependência de redes sociais. Ela avalia ainda como resultado do julgamento pode influenciar outras ações, dentro e fora dos Estados Unidos.

Convidada: Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN. Em dezembro, o filho mais velho do clã Bolsonaro anunciou que seria pré-candidato à Presidência da República. Depois de uma visita ao pai, que estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Flávio disse que ele era o escolhido de Jair para a missão. Na largada, a pré-candidatura recebeu críticas de alguns aliados e foi vista com desconfiança geral – o próprio Flávio admitiu que poderia desistir em troca de uma contrapartida política. Mas o projeto foi ganhando tração e as pesquisas de intenção de voto mostraram que o senador estava conseguindo se consolidar como a força eleitoral do bolsonarismo. Diante do mundo político, do empresariado e do mercado financeiro, Flávio tenta se vender como uma versão mais moderada do pai. E em janeiro embarcou em uma agenda internacional, com passagens por Estados Unidos, Oriente Médio e Europa. O discurso para todos os públicos é o mesmo: ele é o candidato anti-Lula. Para analisar a pré-candidatura de Flávio, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN. Maria Cristina explica a escolha de Jair Bolsonaro pelo filho, em detrimento a Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. E avalia as principais virtudes e vulnerabilidades de Flávio como pré-candidato do bolsonarismo.

Convidado: Arthur Dapieve, comentarista da GloboNews e professor de Jornalismo Cultural na PUC Rio. Bad Bunny levou ao palco do maior evento esportivo dos Estados Unidos uma apresentação inteiramente em espanhol, carregada de símbolos latino-americanos e referências a Porto Rico, onde nasceu. Ele foi a atração do intervalo do Super Bowl – final da liga de futebol americano, com audiência de 135 milhões de telespectadores apenas nos EUA – deste domingo (8), realizado na Califórnia. Quando o cantor porto-riquenho foi anunciado como atração do evento, em outubro do ano passado, Donald Trump disse não saber quem ele era. Depois do show, o presidente americano afirmou que ninguém entende uma palavra do que Bad Bunny diz. Nos Estados Unidos, são 68 milhões de latinos, 20% da população total do país. E o artista, que é crítico da política imigratória de Trump, venceu o Grammy 2026 de Melhor Álbum do Ano e foi o mais ouvido no Spotify global em 2025 – suas músicas já foram reproduzidas mais de 20 bilhões de vezes na plataforma. Convidado de Natuza Nery neste episódio, Arthur Dapieve conta a trajetória de Bad Bunny, da classe média baixa de Porto Rico até se tornar uma estrela da cultura pop global. Comentarista da GloboNews e professor de Jornalismo Cultural na PUC Rio, Dapieve também analisa o impacto do show para a imagem de Trump e comenta a influência latina na cultura e na economia dos Estados Unidos.

Convidada: Nadine Marques, nutricionista, doutora em saúde pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pesquisadora da Cátedra Josué de Castro de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis na mesma instituição. Ela é um dos três macronutrientes essenciais para o corpo humano e tem papel fundamental na formação de células e tecidos, na defesa do organismo e na regulação de processos vitais. Na alimentação, pode ser encontrada principalmente em carnes, ovos e laticínios. Nos últimos anos, porém, se tornou uma febre nas prateleiras dos supermercados. Rótulos de bebidas, chocolates e diversos produtos industrializados passaram a estampar a quantidade de proteína adicionada. O whey protein, suplemento feito a partir do soro do leite, se popularizou e virou um sucesso de receitas fitness nas redes sociais. A proteína está no centro de uma indústria bilionária: uma consultoria especializada em alimentação estima que esse mercado tenha movimentado mais de US$ 55 bilhões em 2024, com projeção de alcançar quase US$ 130 bilhões em dez anos. Neste episódio, Natuza Nery entrevista a nutricionista e doutora em saúde pública pela USP Nadine Marques para analisar as consequências do superconsumo de proteínas para a saúde. Ela, que é pesquisadora da Cátedra Josué de Castro de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis, explica em que situações as pessoas realmente precisam aumentar o consumo desse nutriente e comenta também os aspectos sociais e culturais desse fenômeno.

Convidados: Beatriz Rey, cientista política, pesquisadora na Universidade de Lisboa e pesquisadora visitante no Insper; e Joel Pinheiro da Fonseca, filósofo, economista, comentarista da GloboNews e colunista do jornal Folha de S.Paulo. Os projetos de lei que preveem reajustes e benefícios para servidores da Câmara e do Senado foram aprovados em caráter de urgência e em votação simbólica, na terça-feira (3). Nos textos, um conjunto de benesses que contempla aumentos salariais programados até 2029, um dia de folga a cada três dias trabalhados – folgas estas que podem ser convertidas em dinheiro – e gratificações por desempenho chegam a até 100% do salário. Na prática, isso pode até dobrar a remuneração e estourar o teto constitucional do funcionalismo, hoje em R$ 46.366. Nesta quinta (5), houve reação. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma liminar suspendendo os chamados "penduricalhos" ilegais nos três Poderes da República, e determinou um prazo de 60 dias para a revisão dessas verbas. Na decisão, ele citou o “auxílio-peru” e o “auxílio-panetone” como exemplos de que essas indenizações vêm sendo usadas para “turbinar salários”. Em entrevista a Natuza Nery, a cientista política Beatriz Rey, pesquisadora na Universidade de Lisboa e pesquisadora visitante no Insper, comenta o impacto desse pacote nas contas públicas (quase R$ 800 milhões no Orçamento de 2026) e avalia o efeito simbólico desse gasto. Natuza conversa também com o filósofo e economista Joel Pinheiro da Fonseca. Comentarista da GloboNews e colunista do jornal Folha de S.Paulo, Joel analisa o cenário político que permitiu um grande acordo no Congresso para aprovar os reajustes.

Convidado: Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV e coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho do FGV IBRE. Em diversos setores da economia, empresas estão reformulado ofertas de emprego para atrair e reter trabalhadores em um mercado aquecido e com desemprego baixo – 5,6%, o menor da série histórica do IBGE. Benefícios mais amplos, bônus financeiros e mudanças na jornada de trabalho passaram a ser usados como estratégia para preencher vagas que seguem abertas. Do lado dos trabalhadores, a decisão de aceitar ou deixar um emprego tem sido cada vez menos guiada apenas pelo salário – flexibilidade virou a palavra-chave, num movimento reforçado pela expansão do trabalho por conta própria e da economia dos aplicativos. Para analisar esse cenário, Natuza Nery entrevista Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV e coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho do FGV IBRE. Ele explica por que aumentou o equilíbrio de forças entre empregado e empregador e avalia os impactos do mercado de trabalho superaquecido nos dados macroeconômicos.

Convidados: Felipe Recondo, autor do livro "O Tribunal: como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária", fundador do canal no YouTube Recondo e os Onze e apresentador do podcast Sem Precedentes; e com Oscar Vilhena, doutor em Ciência Política pela USP, professor da FGV Direito SP e autor de "Constituição e sua reserva de Justiça". No discurso que abriu o ano do Judiciário, o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a prioridade da sua gestão será a criação de um Código de Ética para os integrantes da Corte. Na primeira sessão de 2026, realizada na segunda-feira (2), ele também indicou que a ministra Cármen Lúcia será a relatora do tema. O presidente do STF destacou a atuação do tribunal em momentos críticos, como na defesa do processo eleitoral e das urnas eletrônicas, mas ponderou que “o momento histórico é também de autocorreção”. A proposta é uma ideia antiga de Fachin e foi recebida com resistência por outros integrantes da Corte, afirma Felipe Recondo, jornalista especializado em Supremo e autor do livro "O Tribunal: como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária". Em entrevista a Natuza Nery, ele analisa quais são as chances de um código de ética prosperar agora. Depois, a conversa é com Oscar Vilhena, doutor em Ciência Política pela USP, professor da FGV Direito SP e autor de "Constituição e sua reserva de Justiça". Vilhena integra o grupo da OAB-SP que formulou uma proposta de código de conduta para os ministros do STF, já entregue a Fachin. Ele explica o que diz o texto e defende que sua aprovação seria uma medida de proteção da democracia e do próprio Judiciário.