French philosopher and essayist
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Gianluca Corrado"De Mente"Filosofia e follia nella disputa tra Michel Foucault e Jacques DerridaEdizioni Studiumwww.edizionistudium.it1961, esce in Francia "Storia della follia" nell'età classica di Michel Foucault. 1963, Jacques Derrida rivolge all'opera critiche affilate. 1972, in occasione della nuova edizione del libro, Foucault replica. 1992, ormai scomparso quest'ultimo, Derrida rivisita l'ambiguo rapporto tra la concezione foucaultiana della follia e la psicoanalisi freudiana.Su queste date si articola il dibattito tra la pionieristica indagine dell'altra faccia della mente – la follia –, svolta dalla "Storia", e i rilievi filosofici mossi da Derrida. Con Cartesio sullo sfondo, in gioco il dovere ma insieme la difficoltà della ragione di misurarsi, arrischiarsi e convalidarsi/invalidarsi con quell'altro da sé che può cercare di capire senza tuttavia poter evadere da se stessa. Un tentativo di dialogo, d'altra parte, quanto mai ineludibile appena ci ricordiamo che la follia non è un'astrazione, ma s'incarna in persone accanto a noi.È necessario riconoscere l'alterità del loro pensiero, senza però estremizzarla in una differenza coi tratti della distanza o, peggio ancora, coi tratti residuali di quelle emarginazioni, espulsioni, segregazioni, relegazioni medicaliste che i matti hanno subìto soprattutto tra il XVII e parte del XIX secolo, l'“età classica” considerata dall'autore.Nel centenario della nascita di Foucault, nato nel 1926 e morto nel 1984, un'occasione per rileggere la sua incisiva visione della "folie" nel confronto più importante che ha avuto.Gianluca Corrado ha pubblicato, tra gli altri, i saggi La follia in scena (2008), Il folle e la società. Il dibattito tra Foucault e Chomsky (2009), Oltre l'indifferenza. Barthes e Derrida (2025), il romanzo La Sapiente (2025), le raccolte di racconti In credito di sole (2022) e Strabismo perfetto e altri racconti (2023).Diventa un supporter di questo podcast: https://www.spreaker.com/podcast/il-posto-delle-parole--1487855/support.IL POSTO DELLE PAROLEascoltare fa pensarehttps://ilpostodelleparole.it/
On Roland Barthes' Mythologies. Alex, George, and contributing editor Catherine Liu delve into Barthes' 1957 classic to understand the form of ideology critique it proposes – and particularly as it relates to left and right. If the bourgeoisie generates myth, is revolution a cathartic act that gets us beyond myth? Is the direct producer also unable to speak myth, or is this a romanticisation? What are predominant left-wing myths today? Is "left vs right" a myth of sorts? Is the critic of myths condemned to live a "theoretical sociality"? Should people just be allowed to enjoy things? For the full episode, subscribe at patreon.com/bungacast
durée : 00:32:00 - Les Nuits de France Culture - par : Albane Penaranda - En 1967, l'écrivain et critique Pierre de Boisdeffre publiait "La cafetière est sur la table", un pamphlet contre l'œuvre d'Alain Robbe-Grillet et le Nouveau Roman. Un an plus tard, dans l'émission "La littérature" d'Alain Bosquet, l'auteur confrontait son point de vue à celui de Roland Barthes. - réalisation : Mathias Le Gargasson, Antoine Dhulster, Rafik Zénine, Vincent Abouchar, Emily Vallat, Hassane M'Béchour, INA - invités : Roland Barthes Écrivain et critique littéraire français Vous aimez ce podcast ? Pour écouter tous les épisodes sans limite, rendez-vous sur Radio France
Você já estava curtindo demais um filme e, do nada, aquela informação inconveniente sobre o diretor apareceu na sua timeline e arruinou tudo? Bem-vindo ao dilema mais chato, e necessário, da cultura contemporânea.Neste episódio, Rafael Arinelli, Daniel Cury e Fabiana Lima debatem sobre a relação espinhosa entre a obra e o artista. Sem respostas fáceis, sem julgamentos apressados, mas com muita discussão honesta e alguns incômodos necessários.O papo passa por casos que você já conhece: Woody Allen, cujos filmes parecem ecoar de forma perturbadora sua vida pessoal; Roman Polanski, condenado e aplaudido de pé em Hollywood na mesma década; e J.K. Rowling, cujo ativismo anti-trans transforma cada Galleon gasto em Hogwarts numa escolha política, queira você ou não.Para dar embasamento teórico ao debate, o episódio apresenta dois lados da moeda: a Morte do Autor, de Roland Barthes, que defende que a obra pertence ao público assim que sai das mãos de quem a criou; e o Intentismo, que insiste que ignorar o autor é dar um cheque em branco para quem produz arte.No fim, a conversa não é sobre cancelamento, é sobre consumo consciente. Afinal, onde você coloca seu tempo, sua atenção e seu dinheiro diz muito sobre quem você é.Coloque seus fones de ouvido e venha pensar junto!• 05m50: Pauta Principal• 1h26m04: Plano Detalhe• 1h42m17: EncerramentoOuça nosso Podcast também no:• Spotify: https://cinemacao.short.gy/spotify• Apple Podcast: https://cinemacao.short.gy/apple• Android: https://cinemacao.short.gy/android• Deezer: https://cinemacao.short.gy/deezer• Amazon Music: https://cinemacao.short.gy/amazonAgradecimentos aos padrinhos: • André Marinho Moreira• Bruna Mercer• Charles Calisto Souza• Daniel Barbosa da Silva Feijó• Diego Alves Lima• Eloi Xavier• Guilherme S. Arinelli• Thiago Custodio Coquelet• Wilmar Arinelli Jr• William SaitoFale Conosco:• Email: contato@cinemacao.com• X: https://cinemacao.short.gy/x-cinemacao• BlueSky: https://cinemacao.short.gy/bsky-cinemacao• Facebook: https://cinemacao.short.gy/face-cinemacao• Instagram: https://cinemacao.short.gy/insta-cinemacao• Tiktok: https://cinemacao.short.gy/tiktok-cinemacao• Youtube: https://cinemacao.short.gy/yt-cinemacaoApoie o Cinem(ação)!Apoie o Cinem(ação) e faça parte de um seleto clube de ouvintes privilegiados, desfrutando de inúmeros benefícios! Com uma assinatura a partir de R$30,00, você terá acesso a conteúdo exclusivo e muito mais! Não perca mais tempo, torne-se um apoiador especial do nosso canal! Junte-se a nós para uma experiência cinematográfica única!Plano Detalhe:• (Daniel): Livro: A elegância do ouriço• (Daniel): Revista: Cascártica• (Daniel): Filme: Oi, Sumido!• (Fabi): Texto: What Do We Do with the Art of Monstrous Men?• (Fabi): Filme: Repulsa ao Sexo• (Fabi): Filme: Limite• (Fabi): Série: Hacks• (Rafael): Vídeo: Roda Viva - Erika Hilton• (Rafael): Vídeo: Erika Hilton mostra pilha de livrosEdição: ISSOaí
Certa vez Herzog recomendou o cinema como uma arte tão cativante por se manter imune às obsessões dos eruditos, sendo um recreio dos iletrados. Nietzsche desdenhava daqueles que assumem a leitura como um passatempo, essa figura do leitor passivo, que se entrega a um consumo de ideias sem as levar a qualquer efeito. “As primeiras línguas foram cantadas e apaixonadas antes de decaírem, como parcelas frias, metódicas”, dirá Rousseau. “Tudo o que era directamente vivido afastou-se numa representação”… Não faltam variações para esse sinal de um excesso que tão mal disfarça uma deserção, porque acabam por ser muitas vezes aqueles que mais cedo impõem as suas reservas, que raramente assumem qualquer tipo de adesão, de vontade e convicção num ou noutro sentido, aqueles que mais reclamam a capacidade de “inventar o que nunca seriam capazes de viver e fingir que acreditam no que demonstram quotidianamente não lhes interessar” (Eduarda Dionísio). Há uma justa suspeita em relação a um modo de se fazer cercar de signos culturais sem se deixar afectar verdadeiramente por eles. Por todo o lado, vemos como abundam os letrados que se satisfazem num convívio com as palavras em que estas acabam por dizer o contrário daquilo que pareciam ter dito antes; o que tinha uma intensidade, uma razão de ser, perde-a na boca deles. Por isso, esta espécie deve ser encarada com a maior desconfiança, pela profusão de livros e de admiráveis referências que acumulam sem, depois, serem capazes de transmitir nem gosto nem solicitude, muito menos uma paixão. Vemos como trazem sempre muitos livros, muita “cultura”, mas depois todas essas palavras rodam sobre um vazio que asfixia os conceitos, e o que resta é uma língua que, sem poesia, se torna puramente repetitiva, não fazendo vibrar nada. Talvez por isso Barthes gostasse da divisão, das parcelas, das miniaturas, dos anéis, das precisões cintilantes, dos recortes, de uma frágil perspectiva, do traço, de uma escrita que se fica pelo fragmento, uma imagem pendurada, uma sugestão imperfeita. Há um regime cultural que já não se dirige ao comum das pessoas, nem ao indivíduo, mas define essas grandes impersonalidades que parecem ser os perfis mais constantes num tempo em que deixar-se ser profundamente afectado é um sinal de imaturidade, e a nossa sociedade proíbe as batalhas frontais. Tudo se quer corriqueiro, leve, a língua ela mesma está eivada de um ranço crescente, parece reaccionária, enquanto triunfam esses mestres pacóvios que são acolhidos em órgãos de informação cada vez mais assépticos, submetidos sempre àquela infinita solvabilidade dos planos, de tal modo que a propaganda se cose a partir de enredos lenitivos, sendo a moderação precisamente o efeito de censura mais perverso, pois vem varrer todos os traços de polémica, de crítica acerba, ad hominem, para que possa seguir aquele regime de informação orientada, e triunfe a nossa empresa nacional de descerebralização. “No fim, a verdade desaparecerá do mundo (pois a verdade é uma personalidade) e a única coisa que se poderá ouvir será a ventriloquia da espécie humana” (Kierkegaard). Vemos como as palavras são usadas para exibir uma pertença, uma etiqueta, mas nunca implicam nada. A agilidade dos actuais cicerones liga-se a uma certa indiferença. A política para eles é uma ocupação puramente ociosa. “E acho também que finalmente não sonham com qualquer sociedade nem têm qualquer projecto, não se trata de utopia, mas de projecto, não têm qualquer projecto, só têm o sentido do dever das reformas, reformar sem agitar, reformar sem iludir nem desiludir, reformar sem fazer nascer planos que possam ser aberrações, sem chocar, sem violentar as famílias silenciosas nas grandes casas, os lojistas aflitos, os comerciantes que viajam, os industriais nos grandes cruzeiros de verão. Reformar silenciosamente, mantendo o mau gosto que consola e os vícios dourados, os bares, as grandes caçadas, a criadagem nos hotéis e nos palácios – para toda a gente; para toda a gente; os mariscos; as bebidas raras; o álcool; o perfume; destruindo a imaginação muito devagar através da possessão regular e crescente das coisas e dos nomes”… “Pessoas que se fizeram muito velhas e se encontram sempre ao lado do destino”, diz-nos Eduarda Dionísio. O pior é que crescemos e vemos as nossas forças e oportunidades desvanecerem-se enquanto estes “heróis de barro cozido em forno morno” se revezam, e nunca nos saem da frente. Queríamos encontrar zonas onde fosse possível traficar esses perigosos objectos clandestinos, mas está tudo ocupado, e temos sempre de andar sufocados entre o regime burocrático e essa nauseante orgia de literatura que não leva a nada. Enquanto se desencorajam as posturas mais combativas, o compromisso vai no sentido de varrer a substância histórica desta terra para montar sobre ela um templo de patranhas, lendas e mitos. No entanto, há uma outra ideia de utopia, que pode ser útil. Aquela a que se aferra Barthes, uma utopia cujo alcance é fazer sentido das coisas, das suas palavras, de si mesmo. “Diante do presente, perante o meu presente, a utopia é um termo de segunda ordem que permite o desencadeamento do signo: o discurso sobre o real torna-se possível; saio da afasia em que me lança o desassossego de tudo o que em mim corre mal, neste mundo que é o meu. (…) O Texto, por exemplo, é uma utopia; a sua função semântica é fazer significar a literatura, a arte, a linguagem, presentes, ao mesmo tempo que as declaramos impossíveis; outrora, explicava-se a literatura pelo seu passado; hoje, pela sua utopia: o sentido funda-se em valor; a utopia permite essa nova semântica. Os escritos revolucionários sempre representaram pouco e mal a finalidade quotidiana da Revolução, o modo como ela entende que viveremos amanhã, quer porque essa representação corre o risco de edulcorar ou de futilizar a luta presente, quer porque, mais justamente, a teoria política visa apenas instaurar a liberdade real da questão humana, sem prefigurar nenhuma das suas respostas. A utopia seria então o tabu da Revolução, e o escritor teria a função de o transgredir; só ele poderia arriscar essa representação; como um sacerdote, assumiria o discurso escatológico; fecharia o círculo ético, respondendo por uma visão final dos valores que presidem à escolha revolucionária inicial (aquilo por que alguém se torna revolucionário).” Neste episódio, depois de na véspera se ter dado em nós um baque, de termos sido levados a um confronto com um desses tão raros e perigosos enredos clandestinos, uma verdadeira refrega onde o presente ressurgiu inscrito num sério balanço e compromisso histórico, pudemos ter uma perspectiva admirável do que seria um país onde fossem surgindo focos de contágio, zonas conspirativas, lugares abertos, espantados, tomados de sentimentos frescos diante de histórias que estão muito mal contadas, uma revolução descontada, em nome de uma versão interesseira dos factos, que procura a todo o momento fingir que tudo aquilo não passou de uma perturbação indesejável, dezanove meses e depois outros tantos dispersos, e memórias, sinais de uma vontade que continua por aí, fazendo resultar aquela prática arcaica e solitária da literatura, que são os sinais de uma esperança condenada, murada, sob vigilância, e que se exerce clandestinamente, por não haver condições para se exercer desafiadora, desabridamente, em público. Cultivadora de brechas, de insistências, de fulgores represados, ao longo de um quarto de século, Joana Craveiro, à frente do Teatro do Vestido, tem-se mantido comprometida com uma réplica, essa invenção de um universo paralelo, como se a revolução não fosse só matéria de arquivo, um corpo mais ou menos frio, sujeito a uma demorada autópsia. Comprometida com a invenção, a abertura de planos, para acolher a multiplicidade de vozes que falam, matizam e se contradizem a partir de um número incalculável de registos e páginas, permitindo confiar que a verdade pode escapar à manipulação. Depois de tantas investidas, Torrente, a última criação do grupo, debate-se com as formas e os dilemas do mundo estereotipado que nos é servido, e procura elementos de restituição, de força e de alegria, e fá-lo noutro registo, noutra dimensão, como num sonho cheio de memórias para reenquadrar. Neste mesmo sentido, vale a pena reconhecer um paralelo com a figura da memória alheia, uma vez que a situação de muitos de nós é a dos que chegam demasiado tarde, e só podem sentir saudades de algo que não viveram, mas essa foi precisamente a chave que permitiu a Borges definir a tradição poética e a herança cultural. “Recordar com uma memória estranha é uma variante do tema do duplo, mas é também uma metáfora perfeita da experiência literária. A leitura é a arte de construir uma memória pessoal a partir de experiências e recordações alheias. As cenas dos livros lidos regressam como lembranças privadas. São acontecimentos entrelaçados no fluxo da vida, experiências inesquecíveis que regressam à memória, como uma música.” Perseguindo uma poética da revolução, num ensaio livre, cheio de argúcias dramatúrgicas, e com uma intencionalidade que faz de actores, técnicos e outros cúmplices, verdadeiros comparsas num assalto às consciências, esta peça cruza uma série de possibilidades e retoma o sentido e a vontade da revolução naquele fazer diário que implica um não-saber, um fazer contra si mesmo, contra as convenções, contra aquele gosto do bom comportamento que hoje se generalizou, e que faz das zonas culturais os últimos lugares onde é possível imaginar que algo de inesperado possa ocorrer. Pelo contrário, esta peça convida-nos para a cena de um crime, onde os indícios, as provas estão ainda por colher, onde talvez seja possível prestar socorro às vítimas, ou até reconhecer-se como o culpado.
Na prvi pogled je videti, da smo knjigo Cesarstvo znakov francoskega teoretika Rolanda Barthesa v slovenskem prevodu dobili precej pozno. To je res: slovenski prevod Suzane Koncut je izšel več kot petdeset let po izidu izvirnika pri Založbi/*cf., toda knjiga je še vedno zanimiva in pravočasna. Pokaže namreč, kako je Barthes proizvajal pomene, kako se je sicer nekako oprl na japonsko kulturno zgodovino in življenje, nato pa je sam razvijal svoje pomene s prepoznavno avtobiografsko pisavo (prevajalka je svoje delo opravila odlično). Njegova knjiga ni le posledica njegove očaranosti z Deželo vzhajajočega sonca, ampak tudi kritičen komentar zahodne civilizacije. Več o knjigi pove v Izšlo je, v pogovoru z Markom Goljo literarni znanstvenik dr. Andraž Jež, pisec spremne besede. Nikar ne zamudite.
Em tempos que talvez nem possam ser outra coisa senão uma pura efabulação, um desvio, uma desordem dessas para as quais nos viramos quando os sonhos se põem a lutar contra o mundo, chegávamos a um desses textos onde parecia que o intuito, todo o esforço em que alguém se empenhou, passava por “escrever páginas e páginas, enchê-las de pedras, de erva, de floresta, de céus, de movimentos das pessoas na rua, de vozes, de casas, do passado, do hoje, de quadros, de estátuas, de rios e de ondas e de copos e de frascos e de gesso branco no meu ateliê e de nuvens, criança deitada na liberdade…” (Alberto Giacometti). Seria um modo de um tipo vestir o mundo como uma segunda pele, resvalar consistentemente entre as coisas, ser de tal modo substantivo que deixava de se considerar um indivíduo. A solidão estava dispersa, absorta. Mas agora que os poetas também se consideram personagens essenciais da beleza publicitária, talvez até mais no momento em que se julgam separados da restante massa de gente, apenas vinculados a uma suposta autonomia das formas artísticas, regulando-se por outras leis num mundo que se encontra em todos os seus aspectos prostituído, é bom lembrar aquilo que notou Barthes, vincando como toda a publicidade dos produtos de beleza se baseia numa espécie de representação épica da intimidade. Num tempo em que os indivíduos se vêem transformados em seres abstractos, o modo como cada um enfatiza a sua realidade íntima, engrandecendo-a para costurar a mitologia patética de si mesmo, é assim que o discurso consegue alcançar a superfície, andar a par dessa superfície viva que é a pele, onde se organizam as miragens galopantes deste tempo, um discurso inteiramente absorvido pelas aparências, por fazer funcionar essa ordem de representações. Seres que são coisas, mas sem qualquer substância. Talvez por isso, naquele breve romance com esse título, Perec diz-nos que o inimigo passou a ser invisível… “Ou melhor, estava neles, tinha-os apodrecido, gangrenado, destruído. Eram os tansos da história. Pequenos seres dóceis, reflexos fiéis de um mundo que escarnecia deles. Estavam enterrados até ao pescoço num bolo de que nunca teriam mais do que migalhas.” Não damos já com esse orgulho dos monstros, que caíam nas zonas mais inesperadas “para revelar a entristecidos burgueses que a sua vida de todos os dias tem de raspão assassinos sedutores, ardilosamente guindados até ao seu sono, que eles atravessam por uma qualquer escada de serviço que não rangeu, armada em cúmplice” (Genet), e isto de modo a fazer explodir de aurora as sugestões dos seus crimes, como segredos entre os quais a língua se recompõe e parece respirar de novo, fazendo-se entender por gestos de tal modo vivos, e encarniçados, que parecem a um tempo absurdamente espontâneos e longamente premeditados. A partir de um certo momento o mal é a única forma de clareza que nos resta, e tem do seu lado toda a razão, toda essa razão que foi votada a uma existência clandestina por aqueles que quiseram livrar-se das suas próprias consciências. Bataille diz-nos que o interesse da obra de Genet não se deve à sua força poética, mas ao ensinamento que resulta das suas fraquezas. “Existe nos escritos de Genet qualquer coisa de frágil, de frio, de friável, que não detém necessariamente a admiração, mas que suspende a harmonia. A harmonia, o próprio Genet a recusaria, se por um erro indefensável lha quiséssemos aplicar. Esta comunicação que se esquiva, quando o jogo literário faz dela a exigência, pode deixar uma sensação de fingimento, e pouco importa se o sentimento de uma falta nos reenvia à consciência da fulguração que é a comunicação autêntica. Na depressão, resultante destas trocas insuficientes, em que se mantém uma divisória embaciada que nos separa, leitores, daquele autor, tenho a seguinte certeza: a humanidade não é feita de seres isolados, mas de uma comunicação entre eles; jamais nos damos, nem que seja a nós próprios, senão numa rede de comunicação com os outros: estamos mergulhados na comunicação, encontramo-nos reduzidos a essa comunicação incessante da qual, mesmo no fundo da solidão sentimos a ausência, enquanto sugestão de múltiplas possibilidades, como a espera de um momento em que ela se resolve num grito que outros ouvem. Porque a existência humana apenas é em nós, nesses pontos em que periodicamente se estabelece, linguagem gritada, espasmo cruel, riso louco, onde a harmonia nasce de uma consciência enfim partilhada da impenetrabilidade de nós mesmos e do mundo.” E se algum dos ditos ‘poetas' nos segue, convinha que fixasse pelo menos isto, para nunca o esquecer: “jamais nos damos, nem que seja a nós próprios, senão numa rede de comunicação com os outros…, jamais nos damos, nem que seja a nós próprios, senão numa rede de comunicação com os outros”. Mas, hoje, tudo parece invertido, como se submetido a uma radiância de astros de luto, de tal modo que mesmo o desejo e o prazer estão novamente inscritos no quadro das formas de profanação e degradação íntima, por todo o lado vemos essa pressão de uma moral que se impõe em todos os aspectos da vida e leva a que as relações sexuais sejam “tematizadas como práticas altamente problemáticas, traumatizantes, das quais se arrisca sempre, ao aventurar-se nelas, sair-se ferido e, portanto, em relação às quais seria preciso estabelecer os processos necessários para poder obter uma reparação” (Geoffroy de Lagasnerie). Neste episódio entrelaçámos uma série de fios das conversas que vimos mantendo, e contámos com os impulsos e as sugestões de Maria Leonor Figueiredo, que além de ter desenvolvido estudos no campo literário e artístico, mantém desde há muito um compromisso com as lutas políticas deste tempo, e assinou na rede anticapitalista um conjunto de intervenções importantes sobre tantos destes temas. Em “a nova (des)ordem sexual: consentimento, trauma e identidade”, refere que, se falar mais sobre trauma trouxe conquistas inegáveis, e deu legitimidade a experiências antes silenciadas, criando novas formas de reconhecimento, por outro lado, também trouxe uma armadilha, que se prende com a transformação do trauma em identidade política. “A centralidade do trauma é também sintoma de uma época que transformou o sofrimento em capital simbólico e, portanto, em poder. Neste contexto, o espaço político tende a organizar-se em torno da competição por reconhecimento individual. O trauma deixa de ser uma experiência que exige transformação colectiva e passa a ser um selo de autenticidade.” Neste momento parece decisivo assinalar que, num esforço para compreender a metamorfose contemporânea das questões sexuais, não podemos perder de vista como, até há algumas décadas, esteve em campo uma forma de pensar a sexualidade como força de desestabilização, como energia capaz de corroer instituições, códigos e hierarquias. Em Barthes, o amor aparecia como um discurso marginal, uma fala que não encontrava lugar na linguagem dominante, e em Foucault, a sexualidade era inseparável das redes de poder que a produzem, classificam e administram, mas, depois da orgia, Baudrillard foi dos primeiros a dar-se conta de que o desejo começava já a dissolver-se numa cada vez mais acelerada e indiferente circulação de signos. O recuo actual não consiste, como tantas vezes se repete, num simples retorno à moral conservadora clássica, a um reconvir do puritanismo. O que se verifica é algo mais subtil: uma transformação da própria lógica da libertação sexual em dispositivo de controlo. A partir dos anos 60 e 70, a esquerda ocidental assumiu a descriminalização, a despatologização, a ampliação dos direitos sexuais como parte integrante do seu horizonte emancipatório. O combate contra a repressão jurídica e médica — contra a polícia dos corpos, contra o tribunal das perversões — era inseparável de uma crítica mais ampla ao capitalismo disciplinar. Mas, como mostrou Foucault, a sexualidade nunca foi apenas aquilo que o poder reprime, mas passava também por aquilo que o poder produz, organiza, incentiva a confessar. O paradoxo instala-se quando a energia crítica que denunciava a vigilância se converte ela própria em instância vigilante. A esquerda, que outrora suspeitava das categorias fixas e das identidades rígidas, passou a investir numa taxonomia minuciosa das posições subjectivas, numa ontologia de micro-identidades que exigem reconhecimento permanente. O gesto que visava libertar o desejo de normas opressivas transformou-se, assim, num gesto de reinscrição normativa: o comportamento desviante deixa de ser perseguido em nome da moral religiosa ou familiar, mas passa a sê-lo em nome de uma moral da protecção, da segurança, do dano potencial. A linguagem do pecado vê-se substituída pela linguagem do trauma e a figura do pecador pela do agressor, enquanto a denúncia pública, a exclusão simbólica, a penalização social, passam a engendrar uma nova forma de recriminação e regulação punitiva. Não se trata de negar a existência real de abusos ou violências, mas de observar como o campo sexual, que fora pensado como laboratório de liberdade, se converteu em campo privilegiado de policiamento discursivo. E se a suspeita generalizada se instala como norma, a ambiguidade, que foi sempre constitutiva do desejo e da busca pelo prazer, bem como o jogo de sedução, que sempre comportou risco e assimetria, são submetidos a protocolos quase administrativos. Neste ponto, Baudrillard ajuda-nos a compreender esta mutação, notando como a sexualidade contemporânea não tem sido tanto reprimida como hiperexposta, saturada de imagens, convertida em espectáculo permanente. A pornografia deixa de ser marginal e infiltra-se na publicidade, na moda, na política. O erotismo, que supõe distância, espera, segredo, é absorvido pela transparência obscena de uma visibilidade total. Ora, quanto mais visível se torna o sexo, mais rarefeito se torna o desejo. A proliferação de signos sexuais não intensifica a experiência, mas, pelo contrário, neutraliza-a. A esquerda, que deveria ter articulado uma crítica a esta mercantilização integral, preferiu muitas vezes alinhar com uma ética da exposição e da denúncia que coincide, paradoxalmente, com a lógica capitalista da transparência e da gestão de riscos. Se tudo deve ser explicitado, nomeado, regulado, é porque tudo deve ser integrado num sistema de cálculo. A sexualidade, que outrora escapava à contabilidade, passa a ser quantificada em consentimentos, protocolos, declarações prévias. E se ainda quisermos falar de amor, se nos atrevermos a isso, podemos virar-nos para Erich Fromm, que nos desafiou a pensar o amor como arte, sublinhando como este sentimento, guindado a uma razão idealizadora, implica desde logo sair do narcisismo, reconhecer a alteridade irredutível do outro. Ora, o que se observa hoje é uma derrota dessa dimensão exigente: sacrificado à lógica do consumo, o amor vende seja o que for, adapta-se, estende-se como justificação para que sejam reinvindicados todos os caprichos e apetites. O amor que foi sempre difícil, hoje conta com a conveniência e o infinito desdobramento das aplicações de encontros, algoritmos de compatibilidade, mercados de afinidades, beneficiando dos modelos preditivos para nos proteger dos nossos erros e fornecer uma escolha optimizada. E, com isto, o outro surge já como mero elemento de validação, como aquele ser-espelhar que deve confirmar, consolidar a narrativa que temos sobre nós próprios. A ideia de ser transformado pelo outro, de ser compelido a um radical desvio face a si mesmo, e ao contexto, esse perigo ou vertigem já nem se colocam. Nos seus fragmentos sobre o discurso amoroso, Barthes mostrava como o amante fala numa língua minoritária, desajustada, vulnerável. Hoje, essa vulnerabilidade é frequentemente lida como fraqueza, dependência, falha de autonomia. A cultura contemporânea exalta a auto-suficiência, a gestão emocional, o empoderamento individual. O amor, que implica risco de perda e exposição ao sofrimento, torna-se ameaça à integridade narcísica, sendo de preferir a circulação incessante de experiências breves, intercambiáveis, as dinâmicas poliamorosas, onde a substituição rápida protege contra o investimento profundo. Com tudo isto, o puritanismo contemporâneo não se funda já na proibição do prazer, mas na sua gestão e programação até dissolver o desejo pelo outro e focalizar cada vez mais na relação que o indivíduo mantém consigo mesmo, na sua capacidade de satisfazer as suas projecções e de se auto-validar. A sexualidade já não pode, assim, representar qualquer efeito transgressivo, uma vez que passou a estar pautada pela proliferação jurídica. Assim, os aparelhos de vigilância conseguem delimitar o aceitável, estigmatizar o excesso, sancionar o desvio. Ao reivindicar protecção absoluta, segurança total, reconhecimento permanente, temos vindo a permitir o reforço de uma ordem normativa infinitamente minudente, em que cada relação é enquadrada de antemão reconhecendo um potencial litígio, tomando-se cada gesto como susceptível de ser entendido como uma agressão, e devendo estar submetido ao escrutínio moral público. Aos poucos, o desejo retrai-se ou converte-se em cálculo, preferindo-se cada vez mais o semelhante, o compatível, o previsível. O outro é convocado para legitimar uma imagem de si que já está pronta. Entre o puritanismo progressista e o hedonismo administrado, o amor torna-se ele mesmo a fachada para uma indústria de produtos culturais e experiências programadas. E a esquerda, ao abandonar a crítica radical das formas de poder que atravessam o desejo, assiste e promove esta lógica de controlo que domina no mesmo sentido todo o espectro político.
LinksMarty Supreme | Official Trailer (A24)Josh Safdie's new film about a ping-pong hustler, starring Timothée Chalamet.How A24 Created a Viral Marty Supreme Spectacle (Vogue)The jacket drops, the Balenciaga collab, and the marketing machine behind the film.Orlando (1992, Sally Potter)Tilda Swinton as Virginia Woolf's time-traveling, gender-shifting nobleman — this week's mini-challenge.Watch Orlando free on TubiGo watch it. It's right here.Quentin CrispPlays Queen Elizabeth I in Orlando; Merlin imprinted on that image.Tony Zhou, "Edgar Wright: How to Do Visual Comedy" (Every Frame a Painting)The video essay that made everyone realize Wright is doing something nobody else does.The Wicker Man (1973)The original folk horror — the thread connecting Hot Fuzz, Midsommar, and The Witch.Off Menu podcastFlorence Pugh's episode, in which she reveals she does not drink water.Off Menu — Lucia Keskin (Chi With a C)BAFTA-winning comedian, discussed in the member show. "The quietest guest we've ever had."Claire Foy had intestinal worms from filming The Crown (Yahoo News)The truly disgusting reason she no longer drinks caffeine.Man throws shoes at BushThey all throw their shoes.Sarrasine — Balzac (Project Gutenberg)The Balzac novella about a sculptor who falls in love with a castrato — the text Barthes famously dismantled.S/Z — Roland BarthesBarthes's semiotic disassembly of Sarrasine — Merlin's "oh fuck you, you should read Sarrasine" recommendation.Gender: An Ethnomethodological Approach — Kessler & McKenna (U of Chicago Press)The book that changed Merlin's life in a 1988 Gender Studies class: what if there weren't just two genders?Gender Trouble — Judith Butler (PDF)The definitive text — Alex's rec that Merlin bought a beautiful copy of and still hasn't read. Here's a free one.Who's Afraid of Gender? — Judith Butler (Bookshop.org)Butler's newest book — the one Alex was actually talking about. Why are we weird about gender again?"A Question and Three Answers" — Merlin MannThree perspectives on one question about being trans in America.Claude Code (Anthropic)Alex is getting into it and making $200; Merlin's teaching his to not watch Tommy read the paper.Good Time (A24)The Safdie Brothers' sweaty Robert Pattinson thriller — context for understanding what Safdie does.Uncut Gems (A24)Adam Sandler in a diamond district panic attack — the other essential Safdie before Marty Supreme.The Curse (Paramount+)Safdie and Nathan Fielder's deeply uncomfortable TV series.Ricky JayMagician, card sharp, actor, historian of the unusual — referenced during the shoe-throwing bit.Baby Driver — Opening Titles / Coffee Run (feat. "Harlem Shuffle")The scene that is its own argument. Edgar Wright syncing every footstep, every door, every beat.Jon Spencer Blues Explosion, "Bellbottoms"The song that opens Baby Driver and never lets go.Ayoade on Top — Richard Ayoade (Bookshop.org)Ayoade wrote an entire book about the Gwyneth Paltrow movie View from the Top. It's called Ayoade on Top. Of course it is.Olivia Colman is hooked on Ayoade's book premise | Graham NortonThe specific clip — Ayoade explaining View from the Top to a delighted Olivia Colman. Truly one of the great things.Can I Ask You a Question? by Jennifer Venditti (A24 Shop)Venditti's casting book — the woman who found the faces for Good Time, Uncut Gems, and Marty Supreme.Billy the Kid (2007, Jennifer Venditti) — watch free on TubiThe documentary that led to her casting work with the Safdies.Defunctland, "Journey to EPCOT Center: A Symphonic History"A feature-length orchestral documentary about EPCOT Center that has no business being this good.Defunctland, "Disney's Animatronics: A Living History"Bonus Defunctland for the curious.
To make sense of the recent resurgence in point-and-shoot cameras, we're returning to French philosopher and cultural theorist Roland Barthes! We begin with a conversation about the major technological shifts that have occurred in photography between 1980 (when Barthes published Camera Lucida) and today. Hannah then leads us in a theory section all about "the Punctum." Together, she and Marcelle parse Barthes' understanding of what makes photography distinct from other mediums and how Time is entangled with our emotional relationship to snapshots captured on camera. If you've never heard of "the Punctum," let this episode be your introduction to one of Barthes' more moving contributions to our theory tool belt!***Happy holidays from the Material Girls team! We'll be back next week with an Hour-Long All-Team Material Concerns episode! To learn more about the show, head to our Instagram at instagram.com/ohwitchplease! Or check out our website ohwitchplease.ca (you can also find transcripts here!).Want to support the podcast and our tiny, hard-working team? Check out all the content we have on our Patreon at Patreon.com/ohwitchplease. Bonus episodes, bloopers, merch, watch-alongs, and more!Need a last minute gift for the holidays? You can gift a Patreon subscription at this link: https://www.patreon.com/ohwitchplease/giftWorks Cited: Barthes, Roland. Camera Lucida: Reflections on Photography. Trans. by Richard Howard. New York: Hill and Wang, 1981. Cooke, Alex. “The Rise and Fall of the Point-and-Shoot Camera.” FStoppers 6 November 2025. https://fstoppers.com/historical/rise-and-fall-point-and-shoot-camera-715387. McLennan, Tara. “Hashtag ‘Sunset': Smartphone Photography and the Punctum of Time.” The International Journal of the Image 7.1 (2016): 33-43. https://doi.org/10.18848/2154-8560/CGP/v07i01/33-43 Murashima, Claire. “Why Gen Z loves the digital compact cameras that millennials used to covet.” NPR 10 December 2024. https://www.npr.org/2024/12/09/nx-s1-5209770/gen-z-digital-compact-cameras-millennials-trendy. Music Credits:“Shopping Mall”: by Jay Arner and Jessica Delisle ©2020Used by permission. All rights reserved. As recorded by Auto Syndicate on the album “Bongo Dance”. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.
To make sense of the recent resurgence in point-and-shoot cameras, we're returning to French philosopher and cultural theorist Roland Barthes! We begin with a conversation about the major technological shifts that have occurred in photography between 1980 (when Barthes published Camera Lucida) and today. Hannah then leads us in a theory section all about "the Punctum." Together, she and Marcelle parse Barthes' understanding of what makes photography distinct from other mediums and how Time is entangled with our emotional relationship to snapshots captured on camera. If you've never heard of "the Punctum," let this episode be your introduction to one of Barthes' more moving contributions to our theory tool belt!***Happy holidays from the Material Girls team! We'll be back next week with an Hour-Long All-Team Material Concerns episode! To learn more about the show, head to our Instagram at instagram.com/ohwitchplease! Or check out our website ohwitchplease.ca (you can also find transcripts here!).Want to support the podcast and our tiny, hard-working team? Check out all the content we have on our Patreon at Patreon.com/ohwitchplease. Bonus episodes, bloopers, merch, watch-alongs, and more!Need a last minute gift for the holidays? You can gift a Patreon subscription at this link: https://www.patreon.com/ohwitchplease/giftWorks Cited: Barthes, Roland. Camera Lucida: Reflections on Photography. Trans. by Richard Howard. New York: Hill and Wang, 1981. Cooke, Alex. “The Rise and Fall of the Point-and-Shoot Camera.” FStoppers 6 November 2025. https://fstoppers.com/historical/rise-and-fall-point-and-shoot-camera-715387. McLennan, Tara. “Hashtag ‘Sunset': Smartphone Photography and the Punctum of Time.” The International Journal of the Image 7.1 (2016): 33-43. https://doi.org/10.18848/2154-8560/CGP/v07i01/33-43 Murashima, Claire. “Why Gen Z loves the digital compact cameras that millennials used to covet.” NPR 10 December 2024. https://www.npr.org/2024/12/09/nx-s1-5209770/gen-z-digital-compact-cameras-millennials-trendy. Music Credits:“Shopping Mall”: by Jay Arner and Jessica Delisle ©2020Used by permission. All rights reserved. As recorded by Auto Syndicate on the album “Bongo Dance”. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.
What is eroticism? And does it still exist today? Find out more!
durée : 01:01:16 - Les Nuits de France Culture - par : Albane Penaranda, Mathias Le Gargasson, Antoine Dhulster - En 1986, Max Genève proposait une biographie radiophonique de Roland Barthes, six ans après sa mort, alors que se tenait à Paris l'exposition "Roland Barthes : le texte et l'image". - réalisation : Rafik Zénine, Vincent Abouchar, Emily Vallat
durée : 01:01:05 - Les Nuits de France Culture - par : Albane Penaranda, Mathias Le Gargasson, Antoine Dhulster - En 1986, Max Genève proposait aux auditeurs des Nuits magnétiques de découvrir l'univers singulier du professeur Roland Barthes. - réalisation : Rafik Zénine, Vincent Abouchar, Emily Vallat
durée : 01:00:43 - Les Nuits de France Culture - par : Albane Penaranda, Mathias Le Gargasson, Antoine Dhulster - En 1986, alors que se tenait à Paris au Pavillon des Arts l'exposition "Roland Barthes : le texte et l'image", Max Genève consacrait à l'auteur de "La chambre claire" une biographie radiophonique qui par son caractère amical tendait à se conformer à ce qu'aurait voulu Roland Barthes. - réalisation : Rafik Zénine, Vincent Abouchar, Emily Vallat
durée : 01:01:36 - Les Nuits de France Culture - par : Albane Penaranda, Mathias Le Gargasson, Antoine Dhulster - En 1986, dans cette première émission des Nuits Magnétiques, les invités de Max Genève tentaient d'expliquer comment la mort accidentelle de Roland Barthes, survenue quelques années auparavant, révélait un choc du réel entre sa vie et son œuvre. - réalisation : Rafik Zénine, Vincent Abouchar, Emily Vallat
In this episode, we sit down with Dr. Robert Gray, Associate Professor of University Pedagogy at the University of Bergen in Norway, to explore a fundamental question about the purpose of higher education: should learning be an act of consumption or production? Maybe the best learning experiences don't simply ask students to absorb information—they invite students to actively re-write and co-create knowledge with the teacher.Dr. Gray's research draws on Roland Barthes' concepts of "readerly" and "writerly" texts, arguing that valuable learning happens when students are encouraged to "re-write" their classroom materials and become active producers of meaning. We discuss how students bring diverse perspectives and contexts to shared texts and lectures, creating something new and innovative from the materials we provide. As educators, we are challenged to foster an active, collaborative campus culture where learning becomes genuinely additive and co-creative.Learn more about Dr. Gray's research in his article: “Learning Is [Like] an Act of Writing: The Writerly Turn in Teaching and Learning in Higher Education”Other materials referenced in this episode include:Barthes, R. (1975). The pleasure of the text (R. Miller, Trans.). Hill and Wang. (Original work published 1973).
Gostar da palavra é também odiá-la um pouco. Ela funciona bem na comunicação do dia-a-dia, mas ao tentar falar das coisas mais importantes (como o amor) ela inevitavelmente falha. É que a vida é muita. Lindo nem sempre basta. Então a gente improvisa um lindíssimo, e trabalha a linguagem até fazer ela servir para coisas para as quais não foi inventada. O superlativo é uma invenção da voz, que guarda como embrião o processo da escrita. No programa desta sexta, conversamos sobre essa tentativa amalucada de escrever sobre as coisas realmente importantes, isto é, de fazer o camelo passar pelo buraco da agulha. ParticipantesFlavia SaianiRafael LauroRafael TrindadeLinksTexto lidoOutros LinksFicha TécnicaCapa: Felipe FrancoEdição: Pedro JanczurAss. Produção: Bru AlmeidaTexto: Rafael LauroGosta do nosso programa?Contribua para que ele continue existindo, seja um assinante!Support the show
In this episode Barry and Mike discuss Juan Fontcuberta's “Pandora's Camera” (2014). They discuss his take on Barthes and Kracauer's theories about the relations between photography, philosophy, modernity, and existence.
durée : 00:58:11 - Le Souffle de la pensée - par : Géraldine Mosna-Savoye - Avec la psychanalyste Laurence Joseph ouvrons les "Fragments d'un discours amoureux" de Roland Barthes pour un retour sur un texte intemporel de 1977 et une chorégraphie du sentiment amoureux décliné en figures de l'alphabet. - réalisation : Nicolas Berger - invités : Laurence Joseph Psychologue clinicienne et psychanalyste
durée : 00:26:53 - Les Nuits de France Culture - par : Philippe Garbit - En 1977 au micro de Jean-Marie Benoist et de Bernard Henri-Lévy, le sémiologue, Roland Barthes, auteur de "Mythologies", analyse sa fascination et son amour pour les images fixes, la peinture et la photographie. En 1980, Roland Barthes publie "La Chambre claire. Notes sur la photographie". - réalisation : Virginie Mourthé - invités : Roland Barthes Écrivain et critique littéraire français
“El enamorado lucha para no ser sometido, pero fracasa; comprueba con humillación, y a veces con delicia, que está completamente sometido a la imagen amada”, dice el ensayista francés en el libro El grano de la voz...
We're still not done with Libra – or Libra is not done with us! In Episode 28, DDSWTNP pick up threads left hanging after our three-part treatment of DeLillo's JFK novel. While tackling a wide variety of subjects, this episode homes in on Anthony DeCurtis's 1988 interview with DeLillo for Rolling Stone (and later re-published in expanded form), “An Outsider in This Society.” We're led to discuss DeLillo's canny interview articulations in general, his method of writing by day and reading more history by night, and his reply to the suggestion that on the basis of Libra some readers regarded him as “a member of the paranoid left”: “I don't have a program.” Along the way we also draw in vivid evidence of how DeLillo subtly reworked the voice of Marguerite Oswald from testimony in the Warren Report, what fellow Oswald novelist Norman Mailer had to say about Libra, and all that is illuminated by an exchange of letters to the New York Times between DeLillo and one of the Warren Report investigators. We also try here to understand as fully as possible the nuances of DeLillo's ideas about historical fiction that emerge in the incredible DeCurtis interview: what DeLillo means when he says Libra is “a piece of work which is obviously fiction,” touts novels' ability to “redeem” readers' “despair,” and makes the powerful claim that “fiction rescues history from its confusions.” We quote enough that listeners will get plenty of insight even without having read the DeCurtis interview in full, and we look forward to applying many of the lessons about history learned here to future works like Underworld. “Some stories never end,” as DeLillo writes to begin “Assassination Aura,” and that's true of this episode's cover image, which uses a National Enquirer cover from March 2025 about new releases of JFK files. The interlude clip near the beginning is from Oswald's August 1963 interviews on WDSU-TV in New Orleans. Finally, as we note in the episode, thanks to Joel in Toronto for an Instagram comment (we're @delillopodcast) that inspired our return to the DeCurtis interview. Texts mentioned and discussed in this episode: Aristotle, Poetics. Trans. S.H. Butcher. https://www.gutenberg.org/files/1974/1974-h/1974-h.htm Roland Barthes, “The Death of the Author.” Trans. Richard Howard. https://writing.upenn.edu/~taransky/Barthes.pdf David W. Belin, “‘Libra' and History.” Letter to the editor, New York Times, September 4, 1988. https://www.nytimes.com/1988/09/04/books/l-libra-and-history-487988.html Mark Binelli, “Intensity of a Plot [interview with Don DeLillo].” Guernica, July 17, 2007. https://www.guernicamag.com/intensity_of_a_plot/ Marc Caputo, “CIA admits shadowy officer monitored Oswald before JFK assassination, new records reveal.” Axios, July 5, 2025.https://www.axios.com/2025/07/05/cia-agent-oswald-kennedy-assassination Hal Crowther, “Clinging to the Rock: A Novelist's Choices in the New Mediocracy.” In Introducing Don DeLillo, ed. Frank Lentricchia, Duke UP, 1991, 83-98. Anthony DeCurtis, “‘An Outsider in This Society': An Interview with Don DeLillo.” South Atlantic Quarterly (1990) 89 (2): 281-304. (Expanded version of Rolling Stone interview published November 17, 1988 (see https://www.rollingstone.com/culture/culture-news/qa-don-delillo-69452/). Also published in this expanded form in Introducing Don DeLillo, ed. Frank Lentricchia, Duke UP, 1991, 43-66; and in Conversations with Don DeLillo, ed. Thomas DePietro, Jackson: U of Mississippi P, 2005, 52-74. See as well https://perival.com/delillo/ddinterviews.html.) Don DeLillo, “Jack Ruby's Timing.” Letter to the editor [reply to David W. Belin], New York Times, October 2, 1988. https://www.nytimes.com/1988/10/02/books/l-jack-ruby-s-timing-312488.html Paul Edwards, “Libra at Steppenwolf: John Malkovich Adapts Don DeLillo.” Text and Performance Quarterly (1995) 15:3, 206-228. Gerald Howard, “The American Strangeness: An Interview with Don DeLillo.” Hungry Mind Review, 1997. (“Mailer calls him Doctor Joyce. You and I know that he's a priest.”)http://web.archive.org/web/19990129081431/www.bookwire.com/hmr/hmrinterviews.article$2563 Douglas Keesey, Don DeLillo. New York: Twayne Publishers, 1993. On DeLillo's creation of Marguerite Oswald, see pp. 194-96. Thomas LeClair, “An Interview with Don DeLillo,” Contemporary Literature 23.1 (1982): 19-31. (Republished in DePietro, ed., Conversations.) Norman Mailer, Letter to Don DeLillo, August 25, 1988. In Selected Letters of Norman Mailer. Ed. J. Michael Lennon. New York: Random House, 2014. 1092. David Remnick, “Exile on Main Street [interview with Don DeLillo].” New Yorker, September 7, 1997. https://www.newyorker.com/magazine/1997/09/15/exile-on-main-street-don-delillo-profile-remnick Jean Stafford, A Mother in History. New York: Farrar Straus & Giroux, 1966. David Streitfeld, “Don DeLillo's Gloomy Muse.” Washington Post, May 13, 1992. https://www.washingtonpost.com/archive/lifestyle/1992/05/14/don-delillos-gloomy-muse/5187a6b7-f1f4-4199-9c05-f0b78cc77777/ George F. Will, “Shallow Look at the Mind of an Assassin [review of Libra].” Washington Post, September 22, 1988 (Libra as “an act of literary vandalism and bad citizenship”). Errata: It was Voltaire – not Pascal or Rousseau – who said, “If God did not exist it would be necessary to invent him.” And Underworld's 1990s scenes begin in 1992, not 1991.
In this episode, Ken and I return to a conversation we had in the past about Roland Barthes' famous essay Death of the Author. This is an essay that can really have you rethink what you know about intention and who decides what a piece of art is really about. Barthes argues that once a work is created, the author's intentions no longer control its meaning, but rather that it is left in the hands of the viewer. Using this as our springboard into intention, titles, purpose and what it might mean for us photographers, Ken and I wax on about whether letting go of the “author” intention frees us to create with more openness, does it change the way we connect with our work or signify something else. If you've ever wondered who owns the meaning of a photograph and why some images resonate in ways their creators never expected, this conversation is for you.
durée : 00:20:21 - Lectures du soir - " Le Tour dispose d'une véritable géographie homérique. Comme dans l'Odyssée, la course est ici à la fois périple d'épreuves et exploration totale des limites terrestres. "
durée : 00:19:01 - Lectures du soir - "Garbo appartient encore à ce moment du cinéma où la saisie du visage humain jetait les foules dans le plus grand trouble, où l'on se perdait littéralement dans une image humaine comme dans un filtre où le visage constituait une sorte d'état absolu de la chair."
durée : 00:19:46 - Lectures du soir - "Le bifteck participe de la même mythologie sanguine que le vin, c'est le cœur de la viande, c'est la viande à l'état pur, et quiconque en prend s'assimile la force taurine. De toute évidence, le prestige du bifteck tient à sa quasi crudité."
durée : 00:19:50 - Lectures du soir - "L'affaire Minou Drouet s'est présentée pendant longtemps comme une énigme policière. Est-ce elle ou n'est-ce pas elle ? On a appliqué à ce mystère les techniques habituelles de la police, moins la torture, et encore "
durée : 00:19:38 - Lectures du soir - "Le mystère des soucoupes volantes a d'abord été tout terrestre, on supposait que la soucoupe venait de l'inconnu soviétique, de ce monde aussi privé d'intentions claires qu'une autre planète… "
durée : 00:20:33 - Lectures du soir - "Le strip-tease est fondé sur une contradiction : désexualiser la femme dans le moment même où on la dénude. Comme si l'érotisme restait ici une sorte de terreur délicieuse dont il suffit d'annoncer les signes rituels pour provoquer à la fois l'idée de sexe et sa conjuration."
durée : 00:17:35 - Lectures du soir - " Paris Match nous a raconté une histoire qui en dit long sur le mythe petit-bourgeois du nègre. La science va vite et droit en son chemin mais les représentations collectives ne suivent pas, maintenues stagnantes dans l'erreur par le pouvoir, la grande presse et les valeurs d'ordre. "
durée : 00:20:05 - Lectures du soir - "La justice est ce corps d'une transgression possible. C'est parce qu'il y a une loi que le spectacle des passions qui la débordent a tout son prix."
durée : 00:19:14 - Lectures du soir - "Gide lisait du Bossuet en descendant le Congo, cette posture résume assez bien l'idéal de nos écrivains en vacances photographiés par Le Figaro. Joindre aux loisirs banals, le prestige d'une vocation que rien ne peut arrêter, ni dégrader."
durée : 00:16:22 - Lectures du soir - "Le photographe surconstruit presque toujours l'horreur qu'il nous propose, ajoutant aux faits, par des contrastes ou des rapprochements, le langage intentionnel de l'horreur. "
HERE IS THE FREAKING ESSAY: https://writing.upenn.edu/~taransky/Barthes.pdf⭐️ Exclusive Book Club! Join/Support on Patreon
Dans "C'est arrivé demain", l'éditeur et écrivain Jean-Paul Enthoven évoque son dernier livre et son admiration pour des figures littéraires majeures. Il partage des anecdotes savoureuses sur ses rencontres avec des auteurs comme Apollinaire, Cioran, Barthes, Perec, Sagan et Romain Gary.Notre équipe a utilisé un outil d'Intelligence artificielle via les technologies d'Audiomeans© pour accompagner la création de ce contenu écrit.Distribué par Audiomeans. Visitez audiomeans.fr/politique-de-confidentialite pour plus d'informations.
durée : 00:19:14 - Lectures du soir - "Gide lisait du Bossuet en descendant le Congo, cette posture résume assez bien l'idéal de nos écrivains en vacances photographiés par Le Figaro. Joindre aux loisirs banals, le prestige d'une vocation que rien ne peut arrêter, ni dégrader."
durée : 00:20:04 - Lectures du soir - "La justice est ce corps d'une transgression possible. C'est parce qu'il y a une loi que le spectacle des passions qui la débordent a tout son prix."
Chiara Scarlato"Il discorso filosofico intorno alla letteratura"Percorsi teoretici nel pensiero franceseRosenberg & Sellierwww.rosenbergsellier.itAlla luce di uno specifico apparato teoretico e insieme ricostruttivo, questo libro indaga la possibilità di assumere la ‘letteratura' come un sapere essenziale per l'articolarsi della stessa pratica filosofica.Punto d'avvio del percorso è l'ipotesi che la riflessione specificamente filosofica intorno alla letteratura si sia sviluppata, in modo particolarmente eminente, nell'ambito del pensiero francese del primo dopoguerra, raggiungendo poi la sua massima espressione nel corso degli anni Sessanta. Muovendosi soprattutto all'interno di tali coordinate temporali, il volume restituisce e insieme problematizza – da un punto di vista tematico e metodologico – lo specifico contesto concettuale entro cui autori come Barthes, Blanchot, Beauvoir, Deleuze, Foucault, Merleau-Ponty, Paulhan e naturalmente Sartre, hanno elaborato, insieme ad altri, una serrata riflessione intorno alla letteratura, interessandosi di aspetti cruciali per la filosofia contemporanea, tra cui lo statuto del linguaggio e dell'esperienza.Chiara Scarlato è assegnista di ricerca in Filosofia teoretica presso l'Università degli Studi “G. d'Annunzio” di Chieti-Pescara. Ha svolto periodi di ricerca presso università e archivi in Belgio, Croazia, Francia, Inghilterra e Stati Uniti. Ha studiato a lungo l'opera di David Foster Wallace, su cui ha pubblicato il saggio Attraverso il corpo. Filosofia e letteratura in David Foster Wallace (2020) ed è autrice di diversi contributi in ambito teoretico ed estetico apparsi su riviste e raccolte nazionali e internazionali. Più di recente ha co-curato la nuova edizione italiana del volume Per una teoria della produzione letteraria di Pierre Macherey (2024).IL POSTO DELLE PAROLEascoltare fa pensarewww.ilpostodelleparole.itDiventa un supporter di questo podcast: https://www.spreaker.com/podcast/il-posto-delle-parole--1487855/support.
durée : 00:17:35 - Lectures du soir - " Paris Match nous a raconté une histoire qui en dit long sur le mythe petit-bourgeois du nègre. La science va vite et droit en son chemin mais les représentations collectives ne suivent pas, maintenues stagnantes dans l'erreur par le pouvoir, la grande presse et les valeurs d'ordre. "
durée : 00:20:33 - Lectures du soir - "Le strip-tease est fondé sur une contradiction : désexualiser la femme dans le moment même où on la dénude. Comme si l'érotisme restait ici une sorte de terreur délicieuse dont il suffit d'annoncer les signes rituels pour provoquer à la fois l'idée de sexe et sa conjuration."
durée : 00:19:38 - Lectures du soir - "Le mystère des soucoupes volantes a d'abord été tout terrestre, on supposait que la soucoupe venait de l'inconnu soviétique, de ce monde aussi privé d'intentions claires qu'une autre planète… "
durée : 00:19:50 - Lectures du soir - "L'affaire Minou Drouet s'est présentée pendant longtemps comme une énigme policière. Est-ce elle ou n'est-ce pas elle ? On a appliqué à ce mystère les techniques habituelles de la police, moins la torture, et encore "
durée : 00:19:46 - Lectures du soir - "Le bifteck participe de la même mythologie sanguine que le vin, c'est le cœur de la viande, c'est la viande à l'état pur, et quiconque en prend s'assimile la force taurine. De toute évidence, le prestige du bifteck tient à sa quasi crudité."
durée : 00:16:22 - Lectures du soir - "Le photographe surconstruit presque toujours l'horreur qu'il nous propose, ajoutant aux faits, par des contrastes ou des rapprochements, le langage intentionnel de l'horreur. "
durée : 00:19:00 - Lectures du soir - "Garbo appartient encore à ce moment du cinéma où la saisie du visage humain jetait les foules dans le plus grand trouble, où l'on se perdait littéralement dans une image humaine comme dans un filtre où le visage constituait une sorte d'état absolu de la chair."
durée : 00:20:21 - Lectures du soir - " Le Tour dispose d'une véritable géographie homérique. Comme dans l'Odyssée, la course est ici à la fois périple d'épreuves et exploration totale des limites terrestres. "
durée : 00:02:21 - L'Humeur du matin par Guillaume Erner - par : Guillaume Erner - Absolument, il faut défendre cette sandale allemande. D'aucuns diraient est-allemande, tant elle représente le degré zéro de la chaussure, comme Barthes parlait du degré zéro de l'écriture. Car les Birkenstock ont perdu leur procès, ai-je appris dans Le Figaro. - réalisation : Félicie Faugère
durée : 00:02:08 - L'Humeur du matin par Guillaume Erner - par : Guillaume Erner - Pour la Saint-Valentin, Guillaume Erner vous invite à rester au lit et — inspiré par Roland Barthes — parler d'amour parce que, dans l'amour, tout est discours, tout est poésie et devrait l'être. - réalisation : Félicie Faugère
durée : 00:58:10 - Avec philosophie - par : Géraldine Muhlmann, Antoine Ravon - Né en 1931, Guy Debord a quinze ans de moins que Roland Barthes. En 1967, le philosophe publie "La Société du spectacle", critique du capitalisme, tandis que Barthes s'éloigne des tonalités marxistes de ses "Mythologies". Pourtant, leurs œuvres convergent, dénonçant mythes et spectacle. - réalisation : Nicolas Berger - invités : Eric Marty Écrivain et universitaire; Vincent Kaufmann Professeur émérite de littérature et d'histoire des médias à l'université de St. Gall en Suisse
durée : 00:39:59 - Les Nuits de France Culture - par : Mathilde Wagman - "Je ne sais pas qui je suis, je ne le saurai jamais". En 1976, seul dans un studio obscur, l'intellectuel Roland Barthes, 61 ans, se dévoile sans certitude. Entre enfance pauvre, absence de père, il explore les contours flous de sa propre identité. Une introspection radiophonique inédite. - réalisation : Virginie Mourthé - invités : Roland Barthes Ecrivain et critique littéraire français