Podcasts about queria

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Latest podcast episodes about queria

Quinta Misteriosa
ELE QUERIA IMITAR A SÉRIE YOU | Caso Samantha Stites #611

Quinta Misteriosa

Play Episode Listen Later Jul 20, 2026 48:33


Em 2011, ele era só um colega estranho — do tipo que dá pena, e por isso se trata bem. Ela não sabia o preço que isso teria. Por mais de dez anos, ele apareceu onde quer que ela estivesse. Nada o deteve — nem mudanças de cidade, nem ordens judiciais. Numa madrugada de outubro, ele entrou na casa dela. O que aconteceu depois parecia mais filme de terror do que realidade. #611

Cuentos e Historias Infantiles
El lobo que queria se un superheroe

Cuentos e Historias Infantiles

Play Episode Listen Later Jul 13, 2026 9:44


A en un superhéroeNo tiene más que ponerse un supertraje y listo, se ha transformado en super extra fabulobo! Ahora solo falta encontrar a alguien a quien salvar. facil? bueno, no tanto cuando se es súper despistado

Enterrados no Jardim
Os trânsfugas da ficção lusa. Uma conversa com Filipa Martins

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Jul 11, 2026 241:06


Certa vez, Cabrera Infante deu-se a oportunidade de passar algumas horas na presença do seu mito encarnado, esse ídolo que, depois de tanto nos instigar, vai cedendo com o passar dos anos à pressão, e revela as suas falhas, fendas. Assim, com o fito de fazer uma reportagem, este soberbo escritor cubano passou um dia inteiro com Hemingway a bordo do Pilar, o seu célebre iate, pescando ao largo da costa cubana. Muito mais tarde, numa entrevista concedida nos anos noventa, foi interrogado sobre o que lhe revelara essa experiência de proximidade, e se manteve para si o anseio de ser um escritor como Hemingway? A resposta dele veio-lhe numa mistura de blasfémia e mexerico, como quem estivesse a meio de uma abusada e dolorosa refeição, arrancando pedaços de carne aos ossos do próprio pai, cuspindo as partes que já enjoam, e é esta resposta que não admite desperdício: «Queria ser tão famoso como ele. E não porque o seu estilo ou as suas personagens me influenciassem. Era, antes, a sua maneira de viver, a forma como encarava a vida. Embora, naturalmente, com o passar do tempo, ache que ele fez aquilo que os escritores fazem com demasiada frequência. Espanta-me que dedicasse tanto tempo a empreendimentos fúteis. Refiro-me ao ritual de descer todos os dias, às onze da manhã, a Cojímar, subir para o barco e fazer-se ao largo, na Corrente do Golfo, para ver se conseguia apanhar o maior peixe que pudesse existir. Era pura paranóia. Não tinha absolutamente nada a ver com a vida real; tinha tudo a ver com a fantasia. Fui com ele no barco e achei aquilo horrivelmente aborrecido. Das seis da manhã às quatro da tarde, a única coisa que fazia era beber. Embebedava-se de vodka e acabava estendido no convés, incapaz de fazer fosse o que fosse durante o resto do dia, ou quase todo o resto do dia. Depois, de repente, levantava-se outra vez: o efeito da vodka tinha passado e regressava a Cojímar. Se aquilo era um modo de vida, acredite: eu não queria vivê-lo. Ou ir para África matar animais para apanhar uma disenteria medonha e passar dias com diarreia. Ou ir para Espanha atrás de toureiros. Estava verdadeiramente louco, disso não tenho a menor dúvida. E, ao mesmo tempo, vivia numa belíssima casa nos arredores de Havana, onde tinha tudo o que desejava: um pomar de frutas tropicais e uma biblioteca enorme. Ia a Havana ao volante de um Mercury descapotável e almoçava ou bebia no Floridita ou na Zaragozana. Isso não era mau; mas o resto da sua vida foi horrível. Há uma coisa que os escritores fazem muito: perder tempo. Faulkner imaginava-se um cavalheiro do Sul que tinha de caçar raposas todos os sábados. Nesse aspecto, os escritores europeus eram mais profissionais. Não consigo imaginar Joyce a caçar na Irlanda, nem a tentar pescar um espadarte no Canal da Mancha. Levou uma vida muito séria, coerente consigo próprio, com a família e com a sua obra. O único problema de Joyce era a sua atitude distante, a sua imensa vaidade e o facto de ser um bêbedo, como a maioria dos irlandeses. Beber também é uma forma lamentável de perder tempo.» Esta resposta mostra-nos como admiração e entusiasmo acabam por dar origem aos mais impiedosos venenos, neste caso um de sorte moral, em que se censura essa tremenda disponibilidade que faz de um escritor um ser que se passeia assobiando pelos limites, como se Cabrera Infante tivesse desenvolvido uma marca muito particular de ressentimento para os seus fins, não reconhecendo como perder tempo é o elemento crucial de qualquer literatura que não esteja absorvida por essas prioridades injuriosas com que o tempo nos reclama. «Talvez seja bom que o espírito do poeta se deixe penetrar, mais do que afadigar-se para penetrar», assinala Reverdy. Para se chegar a ter a sensação de que o eixo do mundo passa pelos rins de um tipo, como nos sugere Fondane, para sentirmos como alguns são capazes de puxar por essas linhas invisíveis e fazer delas as suas redes, temos de admitir que a literatura se faz com esse risco de desperdiçar dias a fio em troca de um sobressalto, uma cadência que nos lança para o exterior daquilo que habitualmente se encontra nos livros, resistindo à tentação de nos fornecer outros simulacros. Há um excesso de talentos afinados pela percepção daquilo que a época nos exige, mas, se queremos superar este modo de mendigar a nossa própria vida, ainda vamos ter de nos adiantar a nós próprios, evoluir descosendo o forro das nossas circunstâncias, atravessar essa tradição dos oprimidos, aprender alguma coisa com os danados, e chegar ao ponto de termos visto as vezes suficientes o filme todo, imagens sucessivas ardendo até que a retina seja forçada a refazer-se das suas cinzas, já difusa e indistinta nas margens, podendo ser útil essa investigação e velocidade sustida daquilo que preenche a escuridão de uma época como de uma sala, esse filme projectado num cinema e que, pelo seu carácter denso e absoluto, como nos diz Esther Kinsky, constitui sempre, para os espectadores, uma intervenção no curso do mundo. «A experiência de uma tal intervenção era partilhada por inúmeras pessoas, ainda que elas porventura jamais lhe atribuíssem essa designação. Era um processo cultural com que muitos estavam familiarizados, com os seus pequenos rituais, os seus iniciados, fâmulos, artífices e serventes, e que depois começou inexoravelmente a desmoronar-se.» A formação de um espírito crítico passa por partilhar uma mente comum, beneficiando-se dessa proximidade que nos torna aptos a adoptar os estímulos e as inquietações que estão presentes e que trazem um efeito de sobreposição que permite desdobrar o espaço entre nós de forma minuciosa como um horizonte infinito. Já é preciso muito só para se manter à tona do mastigar ruidoso da opinião corrente, safar-se aos catálogos nessa função detrimental proposta à circulação pelos tão ansiosos medíocres, esses que a todo o momento se empenham em garantir que nada de sobrenatural possa impor-se e humilhar essas obrinhas que nos atulham o cenário. Mas, afinal, «o que é o cérebro humano senão um palimpsesto imenso e natural?, interrogava-se Thomas de Quincey… «O meu cérebro, tal como o teu, leitor, é um palimpsesto…» Ora, isto não pode ser outra coisa senão uma proposição maravilhosamente prometedora, pela possibilidade de se prosseguirem essas investigações que, libertando-se das restrições do real, dos modos caquéticos datal reportagem universal, nos façam trepar as árvores que cada um desenha à medida das suas necessidades, do seu fôlego, para se encontrar diante dos frutos da luz dessa orfandade encontrada na vazia e improvável imensidão das coisas. E não devemos enganar-nos a este respeito, pois a ficção é essencialmente um atributo e uma arte de órfãos, dos seres que se sentem de algum modo desencontrados, obrigados a estudar esta luz fodida que nos persegue pelas cidades onde nos deixámos ver nas posições mais degradantes, essa luz que parecia ter-nos arrancado as pálpebras, que à menor coisa nos fez chorar sem termos uma justificação atendível, enquanto nos escondíamos nesses autocarros e aos círculos pelos subúrbios onde zanzávamos sem poder demorar-nos demasiado em territórios que nunca eram os nossos, zonas hostis, com dificuldade em respirar à vista de todos, esse ar imundo que nos fazia sentir como uma peça solta, perdida, e a ficção surgia aos poucos como um aproveitamento dessas reservas insólitas, a longa marcha de um pesadelo a outra coisa. Se este tempo arrasta com ele a sensação de um relatório redigido depois dos eventos, um arrazoado em tom monocórdico, liso, inapelável, o modo mais impassível, inerte de se prestar contas, sem corrigir nem emprestar qualquer cor, ameaçar um contorno de emoção, os ficcionistas trabalham para infundir a realidade de um sonho mínimo, mas no qual vão empenhando toda a sua obstinação, viajando de um lugar a outro, produzindo algo mais forte, alheio às imediatas confissões, um longo exame que nos livra desta ambiente de anedota, dessas frases vazias gravadas no ar, como se inventassem um tom muito específico de azul, algo que só pode ser concebido através do «suspiro de uma cabeça guilhotinada» (Bolaño). No fundo, não basta ao escritor perder dias a fio, tornar-se um odioso meliante, gastar todo o seu tempo para abrir covas à volta da realidade, enlouquecendo com a nostalgia do não vivido, isto para mergulhar nessas zonas que se desprendem do resíduo que nos adormece os órgãos sensíveis. Ou talvez estejam submersos na mesmíssima matéria que os demais, mas dá a sensação que se tornam eles mesmos o fundo da época, traduzem toda a pressão, enfrentam seja o que for em apneia, ao passo que outros desenvolvem guelras e uma desenvoltura tremenda nas águas mais turvas. Alguém constatando este estado de coisas, ainda se dispunha a açular os elementos, e pedia que fossem gastos de uma vez todos os valores de produção reservados a este ambiente de catástrofe… «Que sangre tudo, infinitamente –/ e mal aos nossos lábios venha/ seja espuma, ouro, água». E talvez faça parte da atitude poética querer ir ao encontro do pior. Neste episódio, e a benefício de uma composição menos solvente, a Filipa Martins veio deixar-nos algumas pistas em relação a esse paciente ofício de se recolher as migalhas da memória sem se servir delas para apresentar uma vulgar queixa. Habituada a reconhecer as diferenças de pressão nos vários níveis de profundidade (ou superficialidade) do nosso meio literário, cultural ou mediático, quisemos sonhar para estes dias as pegadas luminosas que lhe possam ser assentadas e também descobrir certas fugas nesse passado que se abre como uma vertigem ao ser possível reconhecer o dom e a maldição daqueles que sempre se atribuíram um dever de deslumbrar (leia-se, assombrar e, até, importunar os demais).

Ao Vivo
Luís Severo: "Queria que o novo disco já estivesse na rua"

Ao Vivo

Play Episode Listen Later Jul 10, 2026 18:25


Luís Severo explica que fez uma pausa por não estar satisfeito com o material do novo álbum. O músico garante, no entanto, que o concerto no CoolJazz terá já muitas canções inéditas.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Artes
Lia Rodrigues orienta programa de transmissão artística no Festival de Avignon

Artes

Play Episode Listen Later Jul 10, 2026 15:38


O programa “Transmission Impossible” volta pelo terceiro ano consecutivo ao Festival de Avignon. Depois de Mathilde Monnier, desta vez é a coreógrafa brasileira Lia Rodrigues a dirigir o projecto de encontros entre artistas programados e meia centena de jovens de diferentes países, em cumplicidade com os artistas brasileiros Calixto Neto, Silvia Soter da Silveira, Cristina Moura e Daniella Lima. O projecto é um laboratório de experimentação e transmissão que consiste em fazer descobrir, durante 12 dias, o Festival de Avignon. “A ideia é a gente estar num momento juntos” e “a grande coisa está no nosso encontro”, resume Lia Rodrigues. Lia Rodrigues é uma figura de vulto da dança brasileira contemporânea, que, em 2026, completa 70 anos, 50 dos quais dedicados à sua arte. Nesta 80.ª edição do Festival de Avignon, a artista sucede à coreógrafa Mathilde Monnier na direcção artística do projecto "Transmission Impossible". Trata-se de uma imersão no festival de  meia centena de estudantes de artes cénicas ou recém-diplomados, através de um percurso de encontros com artistas programados, espectáculos, debates e masterclasses. Lia Rodrigues descreve-nos este projecto como “um presente para os 70 anos” porque vê como “muito belo” conseguir reunir jovens do mundo inteiro com línguas diferentes. A criadora conta, ainda, que esta “Transmissão Impossível” acontece no “lugar precioso do possível”, ou seja, “o possível de a gente estar juntos, tanta gente de tanto lugar, falando tantas línguas num mesmo lugar, partilhando, falando, celebrando.” Ao longo de vários dias, o grupo trabalha, vê, debate, estuda em conjunto. Afinal, “a ideia é a gente estar num momento juntos” e “a grande coisa está no nosso encontro”, sublinha.  A transmissão está-lhe no ADN, enquanto artista e cidadã. Lia Rodrigues transforma o que faz, em palco e fora dele, num espaço de intervenção social e política, numa ferramenta de reflexão crítica e transformação social. Lembramos, por exemplo, que a coreógrafa fundou a Companhia de Danças Lia Rodrigues, com a qual desenvolve, desde os anos 1990, um trabalho marcado pela aproximação entre arte e comunidade, pela crítica às desigualdades sociais e pela experimentação corporal. Desde 2004, Lia Rodrigues também desenvolve actividades artísticas e educacionais na Favela da Maré, no Rio, em parceria com a ONG Redes da Maré. Dessa colaboração nasceu o Centro de Artes da Maré, aberto ao público em 2009 e a Escola Livre de Danças da Maré, inaugurada em 2011. Doze dos estudantes dessa escola estão, por estes dias, no projecto “Transmission Impossible”, em Avignon, num total de cerca de meia centena de participantes. Fomos falar com a artista na Villa Créative, em Avignon, na primeira semana de trabalho. "Transmission Impossible": 54 artistas e a possibilidade de "mil trampolins" RFI: Como é que nos poderia descrever este projecto “Transmission Impossible”? Lia Rodrigues, Artista: “Esse projecto chega num momento muito especial para mim, como um presente para os meus 70 anos. Esse projecto primeiro foi criado por uma artista, a Mathilde Monnier, junto com o Festival de Avignon e a Fondation Hermès. Isso é muito importante, essa junção de duas instituições com um artista e criar um projeto pedagógico, como você falou, de vulto, porque reunir 54 jovens do mundo inteiro com línguas diferentes é muito belo, sabe? A gente está aqui durante duas semanas trabalhando intensamente.” Como é que imaginou essa transmissão com estes 54 jovens de tantos países? “Sabe que eu estou achando que o nome da Transmissão já diz em si: “Transmissão Impossível”. É impossível.” Porquê? “Porque a gente vê muita coisa. A gente trabalha o dia inteiro, mas tem um lugar precioso do possível: o possível de a gente estar juntos, tanta gente de tanto lugar, falando tantas línguas num mesmo lugar, partilhando, falando, celebrando, às vezes se irritando - porque o calor aqui está terrível - e vendo tantos artistas diferentes com visões do mundo diferentes.” Estar em contacto com estes jovens de todo o mundo é uma forma de aproximação num mundo cada vez mais polarizado? A dança acaba por ter esse papel transmissor? “Eu não acho que a dança tenha esse papel porque a dança não tem papel nenhum a não ser ser dança mesmo. Os alunos, os jovens que se formaram, são de diferentes áreas: de teatro, dança, iluminação, cenografia. E essa diversidade é muito linda porque eu aprendo com eles, eles aprendem com a gente. Então, não é só a dança, é o corpo na sua totalidade que se encontra e que partilha esse momento precioso juntos." O que é que uma artista com 50 anos de carreira ainda aprende com estes jovens? “Se a gente não aprende, a gente morre e eu não quero morrer agora porque eu ainda quero ver meus netos crescerem, eu quero ainda poder fazer coisas, criações. As pessoas mais velhas têm sonhos, elas ainda têm muito a dizer, a gente ainda tem desejo e eu acho isso muito legal de falar porque a gente fala de diversidade, mas a gente fala muito pouco sobre idade.” Essa é uma questão que a marca? “Mas sem dúvida! É impossível não marcar. Eu sempre falo: quando você tiver 70 anos me telefona para ver se você me encontra nesse lugar.” A juventude também contribui para a transmissão? “Tudo, a juventude, a idade, o encontro das gerações é muito lindo, sabe? É ver o passado, o futuro e o presente se misturarem. Quando você tem essa idade, você consegue ter mais acesso ao passado, presente e imaginar um outro futuro.” Gostaria que falássemos também do trabalho na Escola Livre de Dança da Maré, porque também há artistas que estão aqui em Avignon. Como é que o trabalho que faz lá ecoa em Avignon? O que representa para os bailarinos da Escola da Maré estarem cá? "Antes de eu ter esse encontro, que foi uma marca na minha vida como cidadã e como artista, eu já tinha a minha carreira como artista, mas eu tive um encontro muito forte, mediado pela Silvia Soter, que é a minha dramaturga, que foi o encontro com a Rede da Maré, que é uma organização que tem diversos projectos em várias áreas dentro da Favela da Maré. A Favela da Maré tem 140.000 habitantes e eles fazem projectos de educação, cultura, diversidade, questões da mulher, questões do racismo, questões do meio ambiente, questões de moradores de rua e usuários de crack, é muito amplo. Nós, Redes e eu, somos parceiros em dois projectos desde 2004. Nós criámos juntos o Centro de Artes da Maré, que é um lugar para todas as artes dentro da favela e, em 2011, a Escola de Dança da Maré. Desde o seu início, ela é patrocinada, sustentada e só pode existir porque a Fundação Hermès de França nos apoia há mais de 15 anos. Essa escola tem 300 alunos de 8 a 80 anos e um grupo de jovens que são 20, que são jovens artistas que querem talvez seguir a carreira. Dozes deles estão aqui. Nem todos são da Maré porque a gente também cria diversidade dentro da nossa escola. Eu acredito que essa experiência, como para qualquer um de nós e para mim também, é inesquecível.” Pode ser um trampolim para eles? “Os trampolins são muito pequenos. Eu adoro pensar na ideia de mil trampolins porque eles vão pulando de um lugar para o outro e vão conhecendo gente, conhecendo o trabalho, conhecendo gente da idade deles. Isso é lindo essa ideia de trampolim. Depois eles têm que cair na piscina, solitários, para poderem digerir toda essa experiência.” Como tem decorrido o projecto? Encontram os artistas, fazem ateliers de dança, por exemplo? “Primeiro, eu queria deixar claro que eu não faço divisão entre dança, teatro, artes visuais. Nós temos jovens que se formaram em escolas de cenografia, iluminação, teatro, dança, não são só de dança. Isso é muito legal também, o encontro dessas linguagens porque eu acho que elas não se separam finalmente. A gente tem um horário bem intenso, a partir das dez horas, e depois vê vários espectáculos, até à noite. A gente trabalha, tem entrevistas com os artistas que vêm aqui, é demais! Eles vêm-nos visitar, a gente conversa, vai ver espectáculos. Cada mentor, cada um desses mentores que me acompanham, têm formas diferentes de trabalhar, de partilhar, de transmitir. É uma loucura.” O público vai poder depois assistir ou debater com os jovens e consigo sobre este projecto? “A Fundação Hermès e o Festival de Avignon me abraçaram para eu poder realizar a ideia de que a gente não vai mostrar nada, mas a gente vai partilhar alguma coisa muito simples, muito preciosa. Essa é a ideia de a gente estar num momento juntos. É só isso. Não tem grandes coisas. A grande coisa está no nosso encontro.” A Lia Rodrigues está rodeada por artistas cúmplices neste projecto. São artistas com quem já trabalha há algum tempo. Quer-nos falar porque é que escolheu estes cúmplices para a acompanharem neste projecto de transmissão afinal possível? “Olha, é claro que eu não escolhi sozinha porque a gente trabalha com a Fundação Hermès, com o Festival de Avignon. Nós chegamos a um acordo, mas eu achei lindo eu poder escolher brasileiros só porque são pessoas que eu conheço há muito tempo, com as quais eu trabalho de formas diferentes e que eu me sinto a vontade, sabe? Eu tenho que ter pessoas em quem eu confio, que eu posso ficar assim, tranquila, porque eles vão ser generosos com os alunos. Eles têm as suas próprias ideias. Eu acho isso lindo. Então, eu me rodeei de pessoas com as quais eu me sinto confortável.” Nesta geografia dos apoios, incluindo financeiros, às artes performativas, ainda há muitas desigualdades entre o Norte e o Sul… “Claro! É tão óbvio. É só ler o jornal. É só ler os livros!” O que é seria preciso fazer para isso mudar? Avignon é um passo? “Precisa mudar o mundo, as relações internacionais, de força. É isso que precisa. O facto de nós estarmos em Avignon é maravilhoso, é lindo, mas quando você me pergunta isso, eu digo que tudo é conectado. É mudar uma área, mudar outra. E a educação e a guerra? Tudo faz parte do mundo em que a arte está incluída. Então, sem mudar o mundo, as relações de poder, a maneira muito colonial de ver o mundo que ainda existe ou as relações de poder e de força, isso não vai mudar.” A dança tem um papel nessa decolonizaçao? As artes performativas de uma forma geral podem conseguir mexer alguma coisa nas placas tectónicas políticas deste mundo? “Sim e não. Sim e não porque quem vê essas peças? Quantas pessoas podem ver essas peças? Em que lugar do mundo estas peças são vistas? Quem tem acesso a isso? Isso é uma questão que a gente precisa pensar bastante. Por exemplo, essa história de ecologia: ‘Ai, não vou pegar avião, não pode mais pegar avião', isso é uma das coisas mais coloniais que eu já vi na minha vida porque é um luxo poder não pegar avião e não estar no avião. Tem uma pessoa que eu admiro, e que foi muito importante no Brasil, que é o Chico Mendes, lá da Amazónia, que falou que fazer ecologia e pensar ecologia sem justiça social é só fazer jardinagem. E é isso que eu penso.” E pensar a dança sem justiça social? “Não é a dança, é a vida. Eu esqueço que eu faço dança. Para mim, eu sou uma cidadã, é isso que é mais importante na minha vida. Que mundo a gente quer para o futuro, sabe? Tanto faz se for com a dança, como jornalista, com qualquer profissão.” Este ano, o Brasil está no Festival de Avignon representado pela Lia Rodrigues, Carolina Bianchi, Christiane Jatahy, Wagner Moura. Este é um epicentro das artes cénicas do mundo. É importante para si estar em Avignon? “É tão importante quanto estar no Brasil. Cada lugar tem uma importância diferente. É maravilhoso que esses artistas que trazem as ideias deles tão lindamente aqui em Avignon, mas é muito bom que eles pudessem também ir para o Brasil, o que não acontece por questões de investimento, Então, se todos pudessem mostrar os seus trabalhos também no Brasil, seria maravilhoso. Eu acho que é o epicentro de alguma coisa, mas a gente tem vários epicentros no mundo da arte, da produção, só que existe a diferença de recursos para isso.” É um epicentro eurocêntrico? “Com certeza, mas é muito bom que ele exista. A gente tem que lutar para que ele exista e que para outros epicentros possam também existir. Eu acho maravilhoso ver esses artistas aqui, brasileiros, me emociona muito, me comove e me faz feliz. Queria que todo mundo pudesse vê-los.” Vamos ter uma peça sua em breve em Avignon? “Não tenho a menor ideia. Zero ideia e também é assim a vida. Eu estou aqui, eu já estou tão feliz de estar aqui, vendo e me relacionando com esse mundo aqui de Avignon. Isso é o maior presente para mim.”

Frango Fino
TROFÉU COCÔ 108 | O CACHORRO QUE QUERIA VOAR

Frango Fino

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 43:43


No programa desta semana, Doug Bezerra e André Rocca reagem ao ouvinte que teve o final de semana completamente destruído pelo próprio cachorro caótico.CLIQUE AQUI E APROVEITE ATÉ 80% DE DESCONTO NO PRIME DAY DA AMAZON!⁠⁠⁠⁠VEJA AQUI TODOS OS PRODUTOS RECOMENDADOS NO PROGRAMA⁠Arte do episódio por Chris Machado (⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@uchrismachado⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠).Apoie o Frango!!PIX: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠pixdofrangofino@gmail.com⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Apoia.se: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://apoia.se/frangofino⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Orelo: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://orelo.cc/frangofino⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Patreon: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://patreon.com/frangofino⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CLIQUE AQUI E MANDE SUA HISTÓRIA NO WHATSAPP⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ou frangofinopodcast@gmail.com.Para falar com a gente:E-mail:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ frangofinopodcast@gmail.com⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ @frango.fino⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Whatsapp: 11 94547-3377

Convidado
Da Praia às estrelas Michelin: o percurso de Cláudio Semedo Borges

Convidado

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 9:58


No coração de Paris, no Hotel Príncipe de Gales, a cozinha é liderada por um cabo-verdiano que fez da alta gastronomia francesa a sua casa. Chama-se Cláudio Semedo Borges, nasceu na cidade da Praia e construiu um percurso que o levou das ilhas de Cabo Verde aos mais prestigiados hotéis da capital francesa. Entre memórias de infância, ambição e criatividade, o chef revela como as suas raízes continuam presentes, ainda que discretamente, nos pratos que cria. Encontramos o chef cabo-verdiano à conversa com os últimos clientes. Acabam de terminar a refeição e despedem-se com elogios a um "menu delicioso". Cláudio Semedo Borges recebe-nos de sorriso rasgado e com uma energia contagiante que abre caminho à descoberta de um dos hotéis "mais bonitos de Paris". É ali que dá forma a uma cozinha que define como "refinada", sem nunca perder de vista as suas origens. "É uma cozinha que tem gosto, muitos sabores", explica. Cresceu habituado a pratos intensos e cheios de personalidade, uma marca da cozinha cabo-verdiana que procura manter, mesmo trabalhando num restaurante assumidamente francês. "Os meus pratos, no dia-a-dia, não têm muitos elementos cabo-verdianos, porque estamos num restaurante 100% francês", conta. Ainda assim, de vez em quando, deixa escapar pequenos detalhes da sua identidade. A manga verde e os torresmos surgem, discretamente, em algumas criações, despertando a curiosidade dos clientes. "Eles ficam sempre surpreendidos. Há sempre uma pergunta no fim da refeição: 'Havia aqui qualquer coisa diferente... mas o que era?'. Quando digo qual é o ingrediente, ficam fascinados." A ligação a Cabo Verde vai muito além dos ingredientes. Está nas memórias de infância, na liberdade com que cresceu e na forma como encara a criatividade. "Saía de casa de manhã e só voltava à noite. Comia em casa dos vizinhos, brincava na rua, toda a gente se conhecia. Essa liberdade faz falta aqui na Europa." Essa sensação de liberdade continua a influenciar a forma como cozinha : "quando faço um prato nunca penso que está terminado. Acho sempre que posso fazer mais. Estou sempre aberto ao inesperado."   Antes da cozinha, porém, havia outro sonho. Durante vários anos, Cláudio acreditou que o seu futuro passaria pelos relvados. "Desde que saí de Cabo Verde vivi para o futebol. Joguei em Portugal, fui selecionado para a seleção portuguesa e acreditava mesmo que podia ser jogador profissional." A mudança para França, aos 19 anos, alterou completamente o rumo da sua vida. A cozinha surgiu primeiro por necessidade, tornando-se mais tarde numa paixão. "Em casa, com uma mãe solteira e quatro rapazes, todos tínhamos de ajudar. Cozinhava para aliviar o peso da minha mãe. Não há nada mais gratificante do que ouvir a minha mãe dizer: 'Filho, está muito bom.' Hoje, quando um cliente me diz que adorou a refeição, sinto exactamente a mesma emoção." Sem meios para frequentar uma escola privada de gastronomia, iniciou a formação numa escola pública francesa. Depois vieram as primeiras oportunidades profissionais e, pouco a pouco, o contacto com a alta cozinha. Passou por cozinhas de referência em Paris, trabalhou em restaurantes distinguidos pelo Guia Michelin e integrou equipas de hotéis de luxo, como o Ritz e o Península, antes de assumir a cozinha do Hotel Príncipe de Gales. "Quando cheguei às cozinhas de três estrelas Michelin percebi o verdadeiro significado da excelência. Ali nada é ignorado. Tudo tem um detalhe." Apesar do ambiente exigente da alta gastronomia, Cláudio procura liderar de forma diferente. " Trabalho é muito stressante, mas acredito que a melhor forma de aprender é com um sorriso. Talvez seja a morabeza cabo-verdiana." Em 2025 decidiu colocar-se novamente à prova ao participar no programa Top Chef em França. Cláudio refere que experiência abriu-lhe novas portas e reforçou o reconhecimento do seu trabalho. "Sempre gostei de competição. Talvez venha do futebol. Queria perceber até onde podia ir, testar a minha criatividade. A experiência abriu-me muitas portas".   Hoje, depois de alcançar objetivos que um dia lhe pareceram distantes, os sonhos mudaram de direção. "O meu sonho já não é tanto para mim. Quero despertar nas pessoas a vontade de conhecer Cabo Verde, interessarem-se pela nossa cozinha e inspirar outros a cozinhar com um sorriso." No futuro, admite que gostaria de abrir um restaurante com assinatura própria, sublinhando o desejo de ter um espaço onde possa dizer "esta é a minha cozinha, este é o meu modo de vida." No final da conversa, o chef regressa simbolicamente à infância através de um prato de verão. A protagonista é a manga verde, um sabor que o transporta para os dias em que saía da escola, na Praia, e apanhava as primeiras mangas ainda verdes das árvores. "Era um sabor ácido, mas ficou para sempre na minha memória." É precisamente essa memória que transforma num prato fresco de caranguejo, manga verde, manjericão, citrinos e ervas aromáticas. Uma criação onde a sofisticação da cozinha francesa encontra, de forma subtil, as recordações de Cabo Verde. É, talvez, a melhor definição da cozinha de Cláudio Semedo Borges: uma viagem entre dois mundos, servida com técnica, emoção e identidade.

Cuando los elefantes sueñan con la música
Cuando los elefantes sueñan con la música - Norma Winstone atemporal - 02/07/26

Cuando los elefantes sueñan con la música

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 58:57


El encuentro de la cantante británica Norma Winstone con la NDR Radio Orchestra, que se emitió por las ondas en febrero de 1990, se publica por primera vez en disco 36 años después: 'A timeless place' contiene canciones como 'Life in the modern world', de Ivan Lins, 'Ladies in Mercedes' de Steve Swallow, 'I loves you Porgy' de los Gershwin y 'A timeless place' que es la composición de Jimmy Rowles 'The peacocks' a la que puso letra Norma. Canciones del primer disco de larga duración del carioca Pedro Mizutani, 'Nova bossa: Aquele abraço aos ratos vivos': 'Intro', 'Escassez', 'Colchão'', 'Queria ter nove', 'Bird on the net' y, ausente del disco, 'Melhor se acostumar', que Mizutani sacó en 2023 y de la que se hizo eco Bad Bunny. Del también brasileño Momo, sus canciones 'Dream of samba' y 'Morena' -con Marcos Valle-. Abre el Pat Metheny Group cosecha 1981 con 'Au lait' y cierran Vitor Araújo y la Metropole Orkest con 'Toque nº6'.Escuchar audio

Histórias para ouvir lavando louça
Monique Evelle: Mulher preta só existe pela dor?

Histórias para ouvir lavando louça

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 10:10


Quando era criança, a Monique Evelle sonhava em ter dinheiro por um motivo muito simples: dar um plano de saúde para a mãe. Anos depois, ela conquistou muito mais do que isso: é uma empresária de sucesso, investidora e a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Shark Tank Brasil. Mas com todo esse sucesso, ela descobriu que para muita gente, isso tudo só faria sentido se viesse acompanhado de sofrimento.Monique cresceu na periferia de Salvador acreditando que podia criar uma realidade que ainda não existia. Queria ser professora porque acreditava que a educação mudava vidas.Até ouvir, ainda adolescente, que ninguém vivia de sonho.A frase que poderia ter desanimado ela, fez o contrário: aos 15 anos, ela decidiu que construiria uma trajetória impossível de ser ignorada.Vieram a universidade, sua primeira empresa, o trabalho no Profissão Repórter e, depois, a decisão de voltar ao empreendedorismo. Foi quando entendeu que dinheiro e impacto social não precisavam ocupar lados opostos. Era possível transformar o mundo e prosperar ao mesmo tempo.Mas nem a ascensão apagou o racismo. As pessoas continuam perguntando se o dinheiro é realmente dela, continuam esperando o erro, e acreditando que alguém deve estar por trás das suas conquistas.Foi então que Monique percebeu outra armadilha.Sempre esperavam que ela falasse sobre dor. racismo, resistência. Como se uma mulher preta só pudesse emocionar quando estivesse sangrando.Mas ela decidiu fazer o contrário. Recentemente, escreveu um livro sobre amor. Falou do marido, dos afetos, da vontade de construir uma vida leve. E descobriu que isso incomodava mais do que qualquer denúncia.Porque existe um mundo que aceita mulheres negras fortes, desde que continuem sofrendo, mas a Monique recusou esse papel.Ela não quer provar que merece estar onde chegou porque pessoas pretas não precisam justificar o sucesso pela dor.Também podem vencer pelo sonho, pelo talento e, principalmente, pelo direito de amar em voz alta.

Assunto Nosso
Ainda dá tempo de recomeçar

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 2:44


Se eu soubesse… teria feito diferente. Mas tu não sabia. Se fosse outro momento… mas estamos neste. Ah… se eu pudesse voltar atrás. Mas não pode. Queria que as coisas fossem diferentes. Mas não são. Entre tudo o que não foi… a vida insiste no que é. Amadurecer é isso. Parar de gastar força brigando com a realidade… e começar a usar essa força para construir o próximo passo. Porque o passado… a gente não consegue mudar. Agora… o hoje… e o amanhã… estão nas tuas mãos. O que faltou ontem… vai te ensinar hoje. E mesmo que a vida não tenha seguido o roteiro que tu imaginou… ela continua acontecendo. Ainda dá tempo de recomeçar. Ainda dá tempo de escolher outro caminho. Às vezes… o maior milagre não é ter tudo perfeito. É ter coragem… de continuar. Mesmo depois da dor.

Arauto Repórter UNISC
Ainda dá tempo de recomeçar

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 2:44


Se eu soubesse… teria feito diferente. Mas tu não sabia. Se fosse outro momento… mas estamos neste. Ah… se eu pudesse voltar atrás. Mas não pode. Queria que as coisas fossem diferentes. Mas não são. Entre tudo o que não foi… a vida insiste no que é. Amadurecer é isso. Parar de gastar força brigando com a realidade… e começar a usar essa força para construir o próximo passo. Porque o passado… a gente não consegue mudar. Agora… o hoje… e o amanhã… estão nas tuas mãos. O que faltou ontem… vai te ensinar hoje. E mesmo que a vida não tenha seguido o roteiro que tu imaginou… ela continua acontecendo. Ainda dá tempo de recomeçar. Ainda dá tempo de escolher outro caminho. Às vezes… o maior milagre não é ter tudo perfeito. É ter coragem… de continuar. Mesmo depois da dor.

Amorosidade Estrela da Manhã
O QUE É MESMO QUE EU QUERIA SABER? DO QUE É QUE NÓS ESTÁVAMOS FALANDO?

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Jun 27, 2026 1:35


MiedoScopeMx
Historias de Miedo Junio 24 de 2026 EL CRISTO QUE QUERIA BAJAR

MiedoScopeMx

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 88:37 Transcription Available


No te pierdas los directos de lunes a viernes 10 pm Transmitiendo desde Cd Mante Si quieres hacer tu Donación PayPal: julio_azuara@hotmail.com COMPRA MIS LIBROS AQUI: HISTORIAS DE SUCESOS PARANORMALES PARA LEER EN EL BAÑO: https://a.co/d/c0aMiuw LA CASA GRIS: https://a.co/d/2KGSTUq UNA OPORTUNIDAD: https://a.co/d/53ykau0 EL SALTO: https://a.co/d/5XM3vtY EL BOLAS DE ORO: https://a.co/d/fR0i0SI ⭐️ Únete a nuestras Redes Sociales ⭐️

Eu só queria dizer que...
Eu só queria dizer que... esse é pra você!

Eu só queria dizer que...

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 42:40


Sem retorno triunfal, apenas uma demonstração de amor com um toque de criatividade, lágrimas e vergonha. Ele merece um episódio só pra ele e pra todos os quilômetros que ele toda a semana para estarmos juntos. Sem edição porque eu não achei mais um editor fácil e prático.

O Bom, o Mau e o Vilão
Não era o Luís que queria que o deixassem trabalhar?

O Bom, o Mau e o Vilão

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 7:30


José Manuel Bolieiro (que tem as ideias arrumadas), a guerra dos números (que já não faz sentido) e a troika do Estado (que vai sempre atrás da Seleção) são o Bom, o Mau e o Vilão.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Caça ao Voto
O Bom, o Mau e o Vilão. Não era o Luís que queria que o deixassem trabalhar?

Caça ao Voto

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 7:30


José Manuel Bolieiro (que tem as ideias arrumadas), a guerra dos números (que já não faz sentido) e a troika do Estado (que vai sempre atrás da Seleção) são o Bom, o Mau e o Vilão.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Amorosidade Estrela da Manhã
“EU SÓ NÃO QUERIA SER AMALDIÇOADO POR DEUS!”

Amorosidade Estrela da Manhã

Play Episode Listen Later Jun 7, 2026 9:51


Conversas com as Entidades sobre temas diversos

Quem Ama Não Esquece
QUERIA MUITO QUE NÃO FOSSE VERDADE | HISTÓRIA DO FRANCISCO | QUEM AMA NÃO ESQUECE 04/06/2026

Quem Ama Não Esquece

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 26:32


O Francisco e a Helena construíram uma linda história de amor por 42 anos. Criaram dois filhos, tiveram netos, até a Helena descobrir uma doença grave. Seu marido, dedicou a sua vida para cuidar dela até o último segundo. Já debilitada, ela pediu para conversar a sós com o Eduardo, marido da sua irmã e amigo da família. Logo, Francisco percebeu que existia um sentimento em segredo. Mesmo abalado, ele escolheu segurar a mão dela até a sua partida. Hoje, ele entendeu que embora a Helena guardasse um amor escondido, foi com ele que ela escolheu viver, construir uma família e compartilhar toda a sua vida.

Os Caminhantes
Ep. 158-IA e a mudança (ou ameaça) para o mundo

Os Caminhantes

Play Episode Listen Later May 30, 2026 28:49


Um dinossauro que habita minha cabeça nesses últimos dias e precisei colocar para fora, comentar com vocês...Ser classificada talvez como atrasada, retrógrada, mas vim colocar meus pontos, principalmente porque coincidentemente enquanto escrevia este textão que eu tô falando aqui, uma amiga, do outro lado do oceano me ligou (sim, ainda existem ligações telefônicas reais, vejam só) para compartilhar esses mesmos pensamentos.Não é engraçado, em tempos de tecnologia, de happy hour virtual, de trabalho remoto, tão avançado, cada vez mais estarmos distantes (ainda que morando sob o mesmo teto). Não seria um sintoma de um adoecer coletivo??Desta velocidade onde precisamos chegar cada vez mais rápido em algum lugar... de ter a produtividade maior, mais assertiva, mais entrega, mais resultado...E agora com a IA se especializando cada vez mais, para que mundo estamos caminhando??Sim, a capa ficou um contra-senso... a pintura retratada neste episódio é minha. Numa aula que estou fazendo, de aquarela, onde me entrego de corpo, alma e pensamento... 100% de mim empenhados enquanto estou no processo da pintura. Não foi usada IA nenhuma para a pintura. Só as minhas mãos, minha cabeça e meu olhar. Um pouquinho do que falo aqui: Os problemas que eu vejo com o uso da IA sem critério-Impessoalidade-Descaracterização-Falta de senso crítico-Preguiça mentalA base de tudo isso que eu falei está exatamente onde??Nas pessoas…A falta delas…Porque tudo isso que eu falei (e tem inúmeros outros casos), se resume a o que??Da nossa condição humana… que somos seres sociais, que precisamos do contato, da conversa, do olhar, da testemunha de outro ser humano para validar a nossa experiência aqui.Para que nos sintamos mais vivos, reais…humanos. Seja na área da saúde, da criatividade, das relações humanas.Queria compartilhar um diálogo (mais um pensamento) que é comum em casa.Pensa o seguinte (futuro distópico) será???Acabou a energia, não tem luz, não tem previsão de quando retornar, o que sobra??Sim, de serviço, de estrutura…a começar, desde as rotinas domésticas até profissões e serviços…quem fica e quem acaba junto com a energia???O que é real e o que perece se tudo o que conhecemos do mundo moderno se for???E outro jargão usado em casa também… o que salva o mundo??? As artes, a Ciência e… acrescentando um item nisto tudo…as pessoas… que pensam, que se conectam, que estudam, que questionam e que costumam usar, ainda que um pouco da sua própria inteligência, ainda que seja burra, mas é natural, pelo menos….-Nação DopaminaPor que o excesso de prazer está nos deixando infelizes e o que podemos fazer para mudar Dra. Anna Lembke  -Pedro Pacíficohttps://www.instagram.com/bookster/O moço dos livros, filmes e das viagens. https://vleymason.substack.com/https://www.instagram.com/vleymason/

Expresso - Blitz Posto Emissor
Fernando Ribeiro (Moonspell): “O Ricardo Araújo Pereira telefonou-me a dizer que queria uma versão heavy metal do Noddy. Eu não tinha filhos e fui ver o que era”

Expresso - Blitz Posto Emissor

Play Episode Listen Later May 29, 2026 110:18


Fernando Ribeiro é o mais recente convidado do Posto Emissor, numa altura em que os seus Moonspell se preparam para editar um novo álbum, “Far From God”. Na 283ª edição do podcast da BLITZ, o músico levantou o véu sobre o novo trabalho, falando igualmente de política, religião e o meio metálico onde se move há mais de 30 anos. Os espetáculos de Bad Bunny no Estádio da Luz, que tiveram lugar esta semana, são outros motivos de conversa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rico É Quem Tem Tempo
#82 — Ela queria organizar a vida

Rico É Quem Tem Tempo

Play Episode Listen Later May 28, 2026 0:56


Não entendeu nada desse podcast de 1 minuto? Escute o episódio #1 que eu explico tudo, bem rapidinho também.Quer mais conteúdos para cuidar melhor do seu tempo?Veja mais em ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ricodetempo.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Siga ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@lara.branco⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠no instagram e se quiser falar comigo manda um e-mail para ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠oi@ricodetempo.com.br⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ou me adiciona no ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Linked In⁠

Destino Saudade
«Para me contratar, o Boavista queria que eu casasse por conveniência» | DESTINO: SAUDADE

Destino Saudade

Play Episode Listen Later May 28, 2026 46:57


Chamavam-lhe o 'Lombardo de Barcelos', mas o nome real ecoa até hoje com mais força. Cacioli, um dos geniozinhos do futebol português nos anos 90, principalmente por tudo o que fez com a camisola do Gil Vicente. Os 'galos' apaixonaram-se pelo pé esquerdo e a carequinha de Cacioli, Cacioli respondeu com reciprocidade e em 2026 ainda é um orgulhoso barcelense - apesar de nascido no Brasil. Curiosamente, uma das histórias mais curiosas envolve um clube onde nunca jogou, o Boavista: «Para me contratar, o clube queria que eu casasse por conveniência, para não ocupar uma vaga de estrangeiro.»

Eli Suli
SHEMUEL I (Serie 11) ¿PORQUE EL REY SHAUL QUERIA MATAR A DAVID?

Eli Suli

Play Episode Listen Later May 26, 2026 49:40


Podcast Jajam Shlomo (Sally) Zaed SHEMUEL I (Serie 11) ¿PORQUE EL REY SHAUL QUERIA MATAR A DAVID? Conferencia

Eli Suli
SHEMUEL I, Serie 11, ¿PORQUE EL REY SHAUL QUERIA MATAR A DAVID?

Eli Suli

Play Episode Listen Later May 26, 2026 49:40


¿PORQUE EL RTEY SHAUL QUERIA MATAR A DAVID?

Estudo diario do Tanya Com Rabino Michaan
Tanya 5 Sivan Chinuch Katan 2 -O amor que Moshe queria inculcar em cada um e que pode ser cultivado

Estudo diario do Tanya Com Rabino Michaan

Play Episode Listen Later May 21, 2026 26:39


Tanya 5 Sivan Chinuch Katan 2 -O amor que Moshe queria inculcar em cada um e que pode ser cultivado

Reportagem
Coprodução brasileira 'Seis Meses no Prédio Rosa e Azul' é elogiada pela crítica em Cannes

Reportagem

Play Episode Listen Later May 21, 2026 6:46


A coprodução brasileira "Seis Meses no Prédio Rosa e Azul", do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, estreou em Cannes na mostra paralela Semana da Crítica. O longa é inspirado nas memórias do cineasta, mais precisamente no momento em que ele tinha 11 anos, nos anos 1990, quando o pai foi diagnosticado com o vírus HIV. Adriana Brandão, enviada especial da RFI a Cannes O longa foi elogiado pelo jornal Libération. “A memória vibrante do mexicano Bruno Santamaria Razo tem uma audácia incrível”, escreve o diário francês. Rodado em 16 mm, “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” é um filme híbrido, que mistura ficção e documentário. Com cores vivas e muita alegria, Bruno Santamaría Razo relembra a época de seu aniversário de 11 anos, quando começava a descobrir sua sexualidade e não compreendia completamente a situação após o diagnóstico do pai. A tensão do momento foi esquecida, como um trauma, durante quase 30 anos e veio à tona durante a pandemia de Covid-19. “Durante a pandemia, eu tinha uma sensação de medo, de estranhamento, de incômodo no corpo, e senti que isso tinha relação com a memória do passado. Entrevistei minha família para tentar entender e, depois de entrevistá-los, fiquei muito comovido, muito tocado por algo que tem a ver com a desconfiança. Fiquei muito mais confuso”, conta. Para entender melhor o que estava sentindo, começou a escrever as lembranças que tinha. “Ao escrever, percebi que a memória não era suficiente, como se eu não conseguisse acessar uma emoção real. E, de repente, percebi que comecei a inventar, a inventar deliberadamente, a imaginar. Entrelaçava memória, imaginação, entrevistas. Continuei fazendo isso repetidamente e percebi que estava escrevendo um roteiro de ficção. Naquele momento, me encantei com a ideia de fazer um filme para, a partir da imaginação, voltar a olhar algo que, de outra maneira, seria impossível”, lembra. Bruno Santamaría Razo revela que a tensão entre afeto e sofrimento foi retratada no filme com muita alegria, música e festa, muito presentes em sua família e na cultura mexicana. “Cresci ouvindo muita música salsa. Sou fascinado pela salsa, gosto de dançar, de ouvir. E algo que me emociona muito, que me arrepia, é que as letras falam de sofrimento, de traição, de dor, de morte, mas nós dançamos, cantamos, nos movimentamos. E essa sensação, para mim, era central para entender como vivemos na minha família. Apesar da dor e do sofrimento, colorimos as paredes e nos pusemos a dançar”, afirma. Passado e presente “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” tem duas camadas. O passado, reconstruído pela ficção, e o presente em uma linguagem documental, feito de entrevistas com a família de Bruno Santamaría Razo. O mexicano já trabalhava no cinema como diretor de fotografia e assina com “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” seu primeiro longa-metragem. “Queria deixar claro que o filme não é apenas compartilhar uma história, mas mostrar que existe alguém que quer voltar a olhar o passado, que está buscando, que está tentando sentir algo que de outra forma seria impossível no próprio corpo, mas também pela relação entre passado e presente. Ou seja, a encenação é o passado e as entrevistas são o presente. Então esse espaço tão grande de 30 anos entre a lembrança e o momento em que esse jovem decide fazer um filme me interessava muito que estivesse no centro da história”, explica. Rachel Daisy, da produtora Desvia, produziu o longa “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul”. “A gente chegou ao projeto em 2023. Já tínhamos trabalhado com o Bruno Santamaría, que foi diretor de fotografia em outro filme. Eu me apaixonei imediatamente pela história e pela maneira como ele queria contar essa história muito pessoal da família dele. Conseguimos acessar um fundo de coprodução no Brasil nessa altura, ganhamos e seguimos”, conta. Projeto coletivo O longa é uma coprodução do México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe). A pós-produção de “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” aconteceu principalmente no Brasil, concluindo um projeto “coletivo e colaborativo”, segundo a produtora. “Eu acho que fazer coprodução é muito bonito, porque temos essa possibilidade de troca, de olhares, cultura e maneiras de trabalhar que eu percebo que, no nosso trabalho, sempre beneficiam muito os projetos. O fato de ter uma participação grande brasileira na pós-produção, tanto na montagem quanto no som e nos efeitos especiais, traz a possibilidade de troca, de pensar o filme com um alcance maior. Com certeza contribuiu para o resultado tão lindo do filme”, diz Rachel. Os vencedores da Semana da Crítica foram anunciados nesta quarta-feira, 20. O grande vencedor foi “La Gradiva”, da francesa Marine Atlan. “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” não foi premiado na mostra paralela, mas o longa de Bruno Santamaría Razo ainda concorre a dois prêmios em Cannes, o Queer Palm e o Caméra d'Or, que recompensa o melhor primeiro filme apresentado em todas as mostras do festival.

Alta Definição
João Bettencourt: “Queria ser professor, piloto, cozinheiro. Até que Deus me indicou o caminho e disse para ir experimentar figuração”

Alta Definição

Play Episode Listen Later May 16, 2026 43:56


João Bettencourt, ator de 24 anos atualmente em destaque na novela ‘Páginas da Vida’, é o convidado de Daniel Oliveira no Alta Definição desta semana. Revela um lado íntimo e emocional numa conversa marcada pela ausência da figura paterna, um vazio que atravessou a sua infância e adolescência. Ao longo da conversa, sem ressentimento, o ator fala sobre a forma como aprendeu a aceitar com a distância paternal e a encontrar na mãe, na irmã e no avô os pilares afetivos que sustentaram o seu crescimento. A família surge como o lugar de proteção e equilíbrio que o ajudou a construir a própria identidade. Antes da representação, existia o sonho de ser futebolista, interrompido por problemas de saúde que o obrigaram a redefinir o futuro. A representação apareceu de forma inesperada e acabou por transformar a sua vida. O ator que encarna a personagem de Ricardo Dias, filho da vilã Marta em ‘Páginas da Vida’, fala ainda dos desafios de crescer num meio exigente, das dúvidas pessoais e de uma fase de desorientação que o levou a perceber a importância de se manter fiel a si próprio. Entre a fé, o trabalho e os valores que traz de casa, mostra-se consciente da pessoa que quer ser e da necessidade de preservar a sua essência, mesmo perante as pressões e mudanças da vida adulta. O Alta Definição foi emitido na SIC a 16 de maio.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Cinema angolano à procura de um lugar ao sol no Festival de Cannes

Convidado

Play Episode Listen Later May 16, 2026 15:39


O cineasta Mawete Paciência e o produtor e actor Kayaya Júnior integraram uma delegação privada angolana ao Festival de cinema de Cannes. Eles estiveram nos estúdios da RFI para comentar os resultados da sua visita ao certame do sul da França e para abordar a produção angolana da sétima arte. O actor e produtor Kayaya Júnior e o cineasta Mawete Paciência comentaram com a RFI os resultados dos respectivos encontros no Festival de cinema de Cannes. Mawete Paciência começa por admitir que se trata da sua primeira vez neste prestigioso certame de cinema. Mawete Paciência: É a minha primeira vez. Cannes é uma terra de estreias, não é?   Epa! É uma terra... É aquela coisa do tipo "Queria muito poder chegar cá nesta terra, queria muito poder conhecer esta cidade, queria muito poder estar cá nesta altura deste evento". Então são muitos anos à espera por uma oportunidade de trabalhar para podermos cá chegar. No entanto, está a ser muito bom para mim, está a ser maravilhoso. Enfim, todos os dias que saímos para as ruas temos estado a colher, a ver coisas diferentes, a perceber a dimensão deste evento, como ela movimenta a cidade em si. Então está a ser uma experiência magnífica mesmo !   Mas foi necessário prepará-lo. Isto foi longo, custoso, demorado também. Mas lá chegaram. Qual era o propósito mesmo de vir até cá? Kayaya Júnior:   Olha, o propósito da verdade é simples é a vontade de profissionais ligados ao sector do cinema, do audiovisual, em querer descobrir caminhos, em querer perceber como é que as coisas funcionam, como é que as dinâmicas funcionam para nós podermos, quem sabe, num futuro próximo, termos uma presença mais consolidada aqui no Festival de Cannes. O Festival de Cannes está a fazer 79 anos, 79 edições. São muitos anos de experiência. E nós sentimos que também temos um lugar aqui, temos um espaço. Então, de forma particular, privada, cada um de nós com os nossos recursos, o Mawete  é profissional de cinema e televisão. O Malef também. Eu faço produção, trabalho em rádio, televisão e sou actor. Então também mostrei interesse nesta ideia de vir descobrir o Festival de Cannes. Então começámos a trabalhar já há algum tempo atrás, em criar condições para podermos estar aqui. Não estamos aqui a título oficial. Vamos lá, se assim se pode dizer, de forma política. Mas estamos aqui, enquanto angolanos que querem descobrir como é que podemos, no próximo ano, nas próximas edições, marcar uma presença mais consolidada, tal como eu disse.   Há várias formas possíveis. Se calhar talvez um pavilhão próprio, no futuro ?   Quem sabe ! Estarmos numa varanda como esta, também a expor os nossos produtos, a produção nacional, a produção angolana, as nossas narrativas que há muitas e ainda bem que tem havido muitas produções. Nós, no primeiro dia, no dia de montagens e no primeiro dia do festival, já conseguimos fazer alguns contactos. Tivemos algumas reuniões com produtoras, com distribuidoras, por exemplo, falámos com a Loco Films, que é uma distribuidora francesa, falámos com a  K Movie Entertainment, que é uma distribuidora da Coreia do Sul, e o interesse manifestado por eles ao verem o que nós fazemos, porque nós trouxemos alguns trailers de produções do Mawete e do Malef, do Bumbo Negro do Ngouabi Silva, que também são angolanos e também produzem e eles mostraram interesse, pelo menos mostraram curiosidade. Foi possível também já ter uma abordagem com uma equipa, uma delegação do Canadá com a escola de cinema que está em Paris, a Escola Internacional de Cinema. Tivemos uma boa conversa também com a realizadora americana, produtora realizadora, que é a Carole Copeland, que já se mostrou interessada e disponível para fazer uma formação ou presencial ou online connosco com Angola. Então é assim se nós conseguirmos sair daqui com uma ideia de como podemos trazer a produção nacional à produção angolana nas próximas edições, já terá valido a pena.   Quais são os nomes que, apesar de tudo, ainda continuam a ecoar aqui do cinema angolano? Penso ainda em Zézé Gamboa, penso ainda em Dom Pedro. São esses nomes que vêm de forma corriqueira, que são citados pelos vossos interlocutores. O que é que já se conhece de Angola no cinema aqui?   É assim: eu não consegui ainda perceber se há algum conhecimento ou não nas abordagens que temos estado a fazer. Acho que não houve ainda nenhuma referência. Há um cinema angolano que tenha passado por aqui, o que quer dizer que houve uma paragem, houve uma pausa. E estes interregnos, claro, apagam muita coisa, não é? Eu penso que a última vez que Angola teve profissionais aqui foi em 2007, se não estou em erro. E de lá para cá não houve mais ninguém a participar. Nós viemos a título particular, mas viemos com o sentimento de que o que nós conseguirmos descobrir, vamos partilhar com Angola. Para que, para o ano, se calhar, em vez de estarem aqui três profissionais, estejam aqui seis, nove ou doze, sei lá. E que tragamos as nossas bandeiras, a nossa produção, para poder mostrar porque nós estamos a fazer exactamente isso. Estamos com os nossos tablets e temos estado a abordar os stands, os pavilhões e os profissionais a mostrar: "Olha, conhece isto? Tem curiosidade sobre Angola? Veja isto." E a reacção tem sido muito positiva.   E então, o cinema aqui, há cinema do mundo todo. No pouco tempo que ficaram cá, conseguiram ver outras propostas, por exemplo, cinema africano ? Conseguiram lidar com outras pessoas? O que é que conseguiram fazer? Mawete Paciência:   Temos estado a conhecer muita gente, Conhecemos um realizador e produtor sul-africano africano e conversámos rapidamente. Porque aqui percebemos uma coisa, aqui em Cannes, tudo é muito rápido, as coisas são muito dinâmicas, então temos estado a conhecer pessoas no sector, temos estado a conhecer africanos. Vamos agora fazer aí a visita no espaço. O espaço africano agora criado. Enfim, já estivemos lá. Vamos voltar agora aqui, para então chegarmos até ao cinema africano. Tivemos há pouco tempo com o realizador e produtor africano também antes de virmos cá à rádio. No entanto, temos aquilo que disse e muito bem nosso objectivo aqui é, na verdade, virmos conhecer um pouquinho, fazermos um networking, vermos como é que podemos nos próximos anos também fazermos parte desta corrida, estarmos aqui expostos, trazermos aqui os nossos conteúdos. Então é muita coisa nova para nós. Está sendo uma experiência boa porque estamos a absorver, não é, boas informações, estamos a colher aqui no Cannes, enfim, no festival nesse contexto ? Então acreditamos, nós que ainda temos tempo, ainda vamos a tempo de conversarmos mais, de conhecermos mais pessoas. E esse é o nosso grande objectivo aqui mesmo.   Pedir-vos -ia então que levantassem um pouco o véu sobre os projectos em que estão envolvidos e que estão a fazer. Se calhar começaria por si, Kayaya Júnior:. Pode apresentar-nos um pouco as obras em que já esteve implicado e aquelas em que pretende apostar ?   Eu, enquanto actor, tenho participado ultimamente, nos últimos quatro, cinco anos, mais activamente e voltando um bocadinho ao passado, eu fiz uma participação na primeira co-produção Portugal Angola Angola/Portugal, do realizador Jorge António. Também já trabalhei com a Maria João Ganga, com o Zezé Gamboa, em produções mais antigas. Ultimamente estou no filme que está agora a ser disponibilizado para o mundo, que é o "Perverso" do Mawete Paciência que já esteve no Festival da Suécia da Cinema África. Esteve também num festival na Hungria. Já foi apresentado em Portugal em Setembro do ano passado e estamos agora a trabalhar na possibilidade de ir a Moçambique. Também já esteve em São Tomé. Para além disso, também participei no filme de uma Films, que é uma curta sobre a problemática de um mercado que em Luanda o mercado muito famoso que é o mercado da Mabunda. Então o Malé Filmes produziu o filme que é "A Faca e o Peixe", que é um filme que já esteve o ano passado no Festival de Marselha, foi apresentado no Festival de Marselha e outros filmes que tem estado também a participar, como por exemplo o Pequenos Sonhos de um Guabi Silva cataléptico do Bumbo Negro, que são realizadores angolanos e mais recentemente estamos em fase de rodagem de uma série assinada também pelo Mawete, que é "O preço da verdade", que é uma série com algum problema social muito grande. A abordagem de problemas sociais.   Então tem um pé na televisão e no cinema, não é?   Está a ser produzida com o objectivo de ser apresentado para a televisão ou para as plataformas, mas poderá ser também apresentado em cinema. E enquanto produtor, eu estou, tal como eu, quase toda a gente que trabalha em cinema em Angola, numa área ou noutra, faz um bocado de tudo. Os actores acabam também sem produtores associados porque às vezes facilitam o trabalho logístico de uma produção através dos seus conhecimentos, através do seu apoio, do seu interesse. Então, eu acho que estar aqui no Festival de Cannes dá-nos uma visão muito mais alargada daquilo que nós temos que realmente fazer. O que é que temos que fazer para trazer, para tirar as nossas produções de Luanda? Porque o que nós precisamos em Angola é que os filmes saiam do Luanda e sejam vistos.   Precisam do mercado !   Precisamos do mercado, precisamos de ter oportunidade de mostrar. E é excatamente isso que nós viemos à procura fazer estes contactos para mostrar o nosso trabalho. Tivemos um breve encontro com um jornalista norte-americano que tem uma revista dedicada ao cinema e em cinco minutos de conversa ele ficou tão interessado que automaticamente fez logo questão de fazer ali uma nota. Lá está, se nós não tivemos a oportunidade de ir a estes mercados, estas feiras de conteúdos, estes eventos com a dimensão como um festival de Cannes, nós nunca poderemos dar nos a conhecer, porque viemos de forma muito intermitente, não é? Angola esteve aqui em 2007. De 2007 para cá nunca mais teve ninguém. Então este é o recado que nós vamos levar. Este é o desafio que nós queremos levar também para as nossas autoridades, principalmente para a cultura e para o turismo. Porque isto é turismo também. E agora nós temos um grande movimento à volta do desenvolvimento do turismo em Angola. Então vamos levar esta experiência e tentar partilhar com essas entidades para ver se para o ano nós estamos aqui com uma presença mais bonita, mais consolidada, mais dinâmica em Angola. Que se oiça música angolana aqui nos corredores do Festival de Cannes.   Então fizemos muita referência a um projecto seu em curso, Mawete Paciência. Pode-nos levantar um pouco o véu sobre do que é que se trata? Sobre o que é que versa o seu filme? Mawete Paciência:    Pois é, dentro de vários filmes que eu tenho, tem aí aproximadamente seis filmes. Tenho uma mini série, tenho algumas co-produções com países como Argentina, Brasil. Fiz agora em São Tomé um filme. Tenho também co-produção com México. No entanto, eu tenho filme que é "O Perverso", que já estaremos a ano passado e neste ano estamos agora a trabalhar a série, que é uma série televisiva que vai trazer conflitos nos lares. Como sempre, trazer problemas novos porque o nosso conceito de produção é mesmo identificar os nossos problemas, não é? Problemas que acontecem no nosso país e que acabam sendo transversais.   São os perversos, as pessoas tóxicas, é isso ?   Pode ser. Você vê, no entanto, na verdade, que é o seriado que nós vamos trazer, vai estar aí aproximadamente com 25 capítulos, não é? Trazendo todas essas histórias que acabei aqui falando, enfim, as nossas histórias, a nossa identidade, porque nós precisamos levar isso. Precisamos mostrar ao mundo quem nós somos. Angola é um país que eu sinto. Nós não nos mostramos muito ao mundo. Nós não temos uma presença muito fraca para o mundo. Então precisamos então activar esse lado. Precisamos, porque eu digo assim o mundo também não, não vai poder-nos localizar assim, do nada, se nós não nos mostrarmos efectivamente, criarmos algum barulho. Não é que desperte a atenção, nós não vamos ser localizados de nada. Então há esta vontade, É esta força toda que trabalhando nos nossos conteúdos. Enfim. E este é um seriado que acreditamos, nós que eu acredito, temos estado a fazer com muito gosto, de forma a podermos não produzir algo que se fixou por Angola, mas que vá para o mundo, que esteja disponível. Nas plataformas, nem que for para o YouTube. Quem sabe talvez conseguirmos outras plataformas de streaming e poderemos então colocar lá este conteúdo, inserir os conteúdos ? Acreditamos nisso. Nós acreditamos que o empresariado angolano precisa ser um pouco mais incentivado, porque tudo isso que nós temos estado a fazer tem sido por um esforço particular e não tem sido pelas nossas próprias lutas.   É mesmo, também, alguma forma de inconsciência ?!   Sim, de inconsciência. Timidamente vão aparecendo uma ou outra empresa a disponibilizar um pouquinho, mas nós, olhando para esse universo, olhando para esta realidade, começamos a perceber que o cinema não é um cinema mesmo muito para fazer. Cinema é uma industria e para fazer o cinema requer mesmo este pensamento do empresariado. Olhar aquilo como uma indústria e não olhar aquilo como uma mera diversão. Não é aonde ele pode colocar qualquer coisa, não. No entanto, esta visão, este conceito que nós estamos a beber aqui, estamos a ver aqui claramente. Nós vamos partilhar em Angola. Vamos replicar em Angola a informação e poder talvez começar a atiçar. E nós temos de atiçar um pouquinho mais o empresariado local, começar a perceber que é possível fazer alguma coisa que chegue até aqui. É possível, porque para um filme, chegar até aqui implica uma logística, implica uma mecânica, implica qualidade, implica um investimento e muita das vezes, os investimentos nós não conseguimos tirar do nosso Estado, do Estado. Nós não conseguimos ter esses investimentos e mesmo privado, quem nós vamos ter que contar para conseguirmos, talvez nas próximas edições, estarmos aqui com um produto que realmente nos dignifica e que possamos olhar e dizer "Viva Angola! Estamos presentes em Cannes, um festival de Cannes vai ser bom para nós". Vamos trabalhar para isso.   Muito obrigado a ambos. Resta me desejar vos um bom festival de Cannes. Obrigado por terem vindo até aqui. Kayaya Júnior:   Queria só deixar mais uma nota, porque é fundamental e nós também temos estado a trabalhar sobre isso. Eu já fiz algumas participações em anos anteriores em produções portuguesas e eu acredito que até parece estranho. Tão próximos que nós somos, mas não temos histórias contadas sobre nós. Então, eu creio que é fundamental começarmos a pensar neste intercâmbio. A primeira co-produção Portugal Angola foi feita em 92 do Jorge António e de lá para cá, não creio que tenha havido muito mais. Então é também o objetivo encontrar, por exemplo, caminhos que nos levem a essas coproduções, porque as nossas histórias, as nossas narrativas, acabam por se interligar numa intersecção qualquer do Oceano Atlântico, por exemplo. E é isso, pronto, vamos estar disponíveis, estamos disponíveis. Bem hajam e voltem sempre. Mawete Paciência: Obrigado, Obrigado mesmo pelo convite e é uma honra fazermos parte deste momento que é marcante para nós também.

Relatos do Além
"AQUELE ESPÍRITO QUE POSSUIU ELA, QUERIA NOS SEPARAR" | Relatos do Além - Conversa com Alexandre

Relatos do Além

Play Episode Listen Later May 13, 2026 48:35


(Atenção: esse foi um dos primeiros EPs que eu gravei, por isso a qualidade da camera ainda estava ruim! Desculpa por isso!)Neste episódio do Relatos do Além, Cris Zoucas apresenta um relato real e perturbador sobre possessão espiritual, entidades e fenômenos paranormais dentro de uma família. Alexandre conta como, ao longo dos anos, sua esposa passou a receber espíritos durante episódios intensos que resultavam em destruição dentro de casa, ataques emocionais e uma sensação constante de que aquelas entidades queriam destruir o casamento dos dois.Mesmo diante do medo, experiências espirituais ligadas a vidas passadas pareciam manter o casal unido, levando à formação da família e ao nascimento da filha, que também começa a demonstrar habilidades sobrenaturais desde pequena. Entre visões, contatos espirituais e manifestações inexplicáveis, surge uma figura misteriosa chamada “Deus Halloween”, revelando um dos relatos mais estranhos e inquietantes já contados no podcast.Um episódio sobre possessão, mediunidade, espiritualidade, entidades, obsessão espiritual e acontecimentos sobrenaturais que desafiam qualquer explicação racional.

Cuentos e Historias Infantiles
El lobo que queria cambiar de color

Cuentos e Historias Infantiles

Play Episode Listen Later May 5, 2026 5:14


un lobo que, aburrido de ser negro, intenta cambiar de color cada día de la semana (verde, rojo, rosa, etc.). Tras probar varias apariencias y no sentirse cómodo, aprende a aceptarse y valorarse tal como es, reafirmando su identidad originalMi instagram: https://www.instagram.com/cuentos_e_historias_infantiles?igsh=MW82OGs2eDZ6MnRrZQ==Mi Facebook: https://www.facebook.com/share/1BaLjQVv7n/

Oxigênio
#218 Rodrigo Alves: Bastidores e Futuro do Podcast

Oxigênio

Play Episode Listen Later Apr 30, 2026 44:35


No dia 25 de fevereiro de 2026, o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) teve a honra de receber a visita do jornalista e autor do podcast narrativo Vida de Jornalista, Rodrigo Alves, que ministrou uma oficina de podcast para os alunos da pós-graduação. Nesse episódio, você vai ouvir uma conversa que tivemos com o Rodrigo, antes da oficina, em que ele falou sobre a sua trajetória no jornalismo e a dedicação exclusiva na produção jornalística em áudio; sobre os processos de produção de podcasts; sobre as oficinas que ele vem ministrando online e presencialmente em cursos de Jornalismo pelo país e o futuro do gênero na produção jornalística. A entrevista foi comandada por dois integrantes da nossa equipe, a Lívia Mendes e o Marcos Ferreira. A conversa foi muito instigante para quem se interessa ou deseja saber mais sobre a produção de podcasts e a carreira jornalística. [áudio Rodrigo Alves] Livia: Esse aí é o Rodrigo Alves, jornalista, apresentador e roteirista de podcasts narrativos, como o Vida de Jornalista. Você talvez já tenha ouvido a voz dele no episódio #202 aqui do Oxigênio ou em algum dos podcasts que ele apresenta. Em fevereiro, a gente teve o prazer de conhecer o Rodrigo pessoalmente, já que ele esteve aqui no Labjor pra ministrar uma oficina de podcast pros alunos da pós-graduação. Marcos: Neste episódio, você vai ouvir uma conversa que tivemos com o Rodrigo, antes da oficina. Ele falou sobre a sua trajetória no jornalismo e a dedicação exclusiva a produtos em áudio; sobre os processos de produção de podcasts; sobre as oficinas que ele vem ministrando online e presencialmente em cursos de Jornalismo pelo país e sobre o futuro do gênero na produção jornalística. Livia: A entrevista foi conduzida por mim, Lívia Mendes, Marcos: e por mim, Marcos Ferreira. A conversa foi muito instigante pra quem já conhece e pra quem deseja saber mais sobre a produção de podcasts e a carreira jornalística. Então, continua com a gente e vem ouvir nosso bate-papo com o Rodrigo Alves. [Vinheta Oxigênio][música] Marcos: Bom, vou apresentar um pouco do Rodrigo. Como a gente já falou, ele é jornalista e autor do podcast narrativo Vida de Jornalista, que conta histórias e bastidores da profissão. É coordenador e roteirista dos podcasts Tramas Coloniais, Rio Memórias, Senado 200, Como Cobrir, e muitos outros. Editor da série No Rastro da Notícia, do podcast Jornalismo Sem Trégua, da Abraji. Desde 2021, ele se dedica exclusivamente à produção de jornalismo em áudio e a oferecer Oficinas de Podcasts. Antes de tudo isso, ele também foi comentarista de basquete no SporTV, repórter e editor em veículos como Globo Esporte e Jornal do Brasil. Cobriu desde eleições a Olimpíadas, até o Rock in Rio, e a gente vai falar um pouco sobre tudo isso com ele. Ah, também não podemos deixar de dizer que ele é fã de punk rock e torcedor do Fluminense. [música] Lívia: Eu queria destacar que ele participou de uma das nossas parcerias comemorativas de dez anos do podcast, lá no episódio #202, quem não ouviu pode procurar, que foi entrevista com a Sonia Bridi, um perfil lindíssimo, que ele comandou junto com a nossa coordenadora Simone Pallone. E, bom, a gente queria começar perguntando pro Rodrigo sobre a sua trajetória no áudio. A sua trajetória no jornalismo já é bastante sólida, né? Engraçado que várias pessoas, quando a gente compartilhou no Instagram que você viria aqui, visitar a gente no Labjor, lembraram de você como comentarista de basquete e disseram que adoraram. Além das coberturas de esporte, né? Como você conta lá na história do famigerado 7 a 1, Brasil e Alemanha, no segundo episódio do novo projeto, mas em que momento o áudio deixou de ser um projeto paralelo e se tornou uma dedicação exclusiva? Rodrigo: Ah, gente, primeiro obrigado pelo convite. Eu amo o Oxigênio, mas agora é diferente porque eu tô aqui presencialmente pra gente gravar. Então, foi um prazer fazer esse projeto em parceria, né, do episódio da Sônia Bridi, mas a gente fez no Rio de Janeiro e agora eu tô tendo a oportunidade de estar aqui pela primeira vez, conhecendo e tô amando. Então, poxa, obrigado demais. Eu gosto muito do Oxigênio que já tá nessa estrada aí há tanto tempo e acho que é super essencial. Então, obrigado demais. Rodrigo: E o áudio, assim, virou uma paixão desde não desde o início, né, quando eu comecei no jornalismo, porque eu trabalhei primeiro com o jornal impresso durante 8 anos e depois fui trabalhar na internet, trabalhei no site de esporte da Globo durante muito tempo. E aí no fim dessa trajetória na Globo eu trabalhei, como você falou, como comentarista de basquete. E isso é meio surreal mesmo porque de vez em quando alguém lembra assim, me vê assim,fala. Porque a televisão é impressionante, né? Tem um, mesmo sendo uma TV fechada, né? Eu trabalhei no SporTV, mas tem essa coisa meio, sei lá, um fascínio, né? Que eu acho super esquisito. Mas, enfim, é, foi super legal, foi uma experiência muito legal. E, e aí quando eu tava trabalhando como comentarista, eu já tava fazendo podcast. Então, o Vida de Jornalista, que é o meu primeiro projeto autoral em áudio, eu lancei em 2018. E nessa época eu ainda trabalhava no esporte da Globo, não era nem comentarista ainda, ainda tava trabalhando no site. Mas o áudio já era uma coisa que tava me fascinando, sabe? Eu queria começar a fazer jornalismo em áudio, mas era uma coisa ainda paralela com o meu trabalho. E eu fazia o Dois Pontos, que era um podcast de basquete também na Globo, que saiu 2 meses antes do Vida de Jornalista, quase ao mesmo tempo, que eu fazia com Rafael Roque, meu grande amigo que ainda trabalha lá. E aí ficava essa coisa meio paralela. E eu sempre ficava alimentando isso. Será que um dia vale a pena eu me dedicar só a isso, né? Sair do emprego, mas assim, é um emprego, né? Era um emprego na Globo, então tem toda aquela coisa de estabilidade, um salário, plano de saúde, você fica pensando essas coisas, mas o áudio estava muito e na época da pandemia eu tomei essa decisão de sair do emprego, ali na virada de 2020 para 2021, para me dedicar só à produção de áudio, não só ao Vida de Jornalista, mas fazer podcasts jornalísticos, narrativos. Então abri uma produtora, a Escuta Aqui e aí fui pegando assim um ou outro projeto que eu acreditava muito, que eu achava muito legal. E eu fiz o Rio Memórias, que é um podcast que eu fiz durante cinco temporadas e eu coordenava a produção e fazia os roteiros, não sou eu que apresento, é a Gabriela Montoni, historiadora. E fui fazendo outros, o Tramas Coloniais, enfim, foram aparecendo outros projetos. E em paralelo eu mantinha o Vida de Jornalista, como meu projeto pessoal, e agora em 2026 o Onde eu tava quando aquilo aconteceu, que é um projeto mais pessoal ainda, de histórias minhas pessoais e jeito de contar histórias, narrativa. Então, essa paixão pelo áudio, ela é antiga, mas eu passei a me dedicar mais a ela ali nessa virada de 2020 para 2021. Marcos: É, eu acho que uma próxima pergunta seria, então, para você comentar um pouquinho como foi essa transição pra você de sair de um espaço normalmente escrito, do jornalismo, para um em áudio. O que que muda na narrativa? Imagino que talvez o que você comentou agora de você poder contar uma coisa que é mais pessoal. Rodrigo: Eu acho que tem muito a ver com isso. Acho que podcast narrativo permite isso de você se colocar um pouco mais nas histórias, sabe? O jornalismo, às vezes, ele pede um rigor um pouco maior de, enfim, eu nem acho que o jornalismo necessariamente você tem que se afastar do assunto, acho que tem uma coisa de subjetividade que é interessante também e queajuda a gente a contar as histórias, mas, no podcast, você tem uma relação que eu acho que é mais um a um, sabe? É você e quem tá ouvindo. Eu, pelo menos, quando eu faço os roteiros, quando eu gravo as locuções, eu imagino que tem uma pessoa do outro lado me ouvindo e não falar assim para um público, sabe? Eu sei que tem um público ali, mas a narrativa é direta pra uma pessoa. Então, acho que ajuda você a pensar e se colocar um pouco mais, acho que cria uma interação ali melhor com a pessoa. Rodrigo: O que mudou pra mim foi talvez o jeito de escrever. Porque eu acho muito engraçado, às vezes as pessoas falam assim, você tem saudade de escrever? E na real, assim, eu nunca escrevi tanto na vida como eu escrevo hoje. Eu escrevo roteiros, podcasts são roteiros enormes e é texto, né? O Onde eu tava quando aquilo aconteceu é um exercício de roteiro pra parecer improvisado, mas eu tô lendo cada vírgula, assim, cada palavra, cada coisinha, então é tudo escrito, é tudo um trabalho de texto, que eu já tinha desde o início, né, como você falou, de trabalhar com o jornal impresso, no próprio site da Globo, trabalhava muito com texto também. Mas é um pouco diferente, sabe? Eu acho que o podcast dá um pouco mais de liberdade que no jornalismo tradicional você até consegue de vez em quando fazer, principalmente nesses projetos autorais, né? Porque aí não tem um chefe assim para falar: “Rodrigo, faz assim, faz assado”. Eu vou fazendo do meu jeito e a minha resposta é na minha cabeça mesmo. Isso tem um lado ruim, que é você não poder virar pro lado e falar: “Pô, dá uma olhada aqui no texto que eu fiz, vê o que que você acha, né? Dá uma olhada”. Quem vai ouvir é o público quando sair, né? Eu faço tudo sozinho. Mas, também tem um lado bom que é uma liberdade criativa que acho que não tem preço. Então, acho que nesse caso é isso. Mas, eu escrevo muito e gosto muito de escrever. Eu amo texto. Acho que são textos com características diferentes, mas que me dão o mesmo prazer, sabe? Marcos: Sim, sim, com certeza. Imagino que o saber também produzir um texto, um roteiro muito bom, seja um primeiro passo essencial pra você realmente ter um podcast legal. Rodrigo: É, claro que assim, a produção de podcast passa por várias etapas. Então, sei lá, às vezes a pessoa pode não ser do texto, mas vai fazer a locução ou vai fazer uma entrevista, vai fazer produção, vai editar. Tem várias etapas ali que eu acho que são importantes. A que eu mais gosto é o texto, é o roteiro, é o que me dá mais prazer de fazer, é o que me deixa mais, sei lá, mergulhado ali na coisa, sabe? É uma hora em que você pega a sua apuração ou a sua entrevista ou o que quer que seja que você fez e agora eu vou fazer o roteiro. Então, como que eu vou contar essa história que eu já tenho aqui. Como é que eu vou embalar? Como é que vai ser a embalagem dela pra entregar para quem vai ouvir? E aí eu posso fazer do jeito que eu achar melhor. Então é um momento de botar a criatividade pra jogo ali. Então, pra mim funciona muito bem. É o momento que eu mais gosto de fazer. Mas, não é o único, claro, né? No caso do Vida, do Onde eu tava eu faço todas as etapas. Então, também gosto de editar, de entrevistar, mas a hora de sentar o bumbum na cadeira ali para escrever o texto é uma hora que eu gosto muito assim. Lívia: E eu acho impressionante que os roteiros que você escreve ficam muito na linguagem falada, né? Isso acho que é a maior dificuldade. A gente aqui do Oxigênio, que trabalha também com podcast roteirizado, né? Essa dificuldade em fazer com que o roteiro seja palatável ali na linguagem. Você teria alguma dica? Rodrigo: É, tem uma dificuldade mesmo assim, eu acho que isso é prática, eu levei um tempo assim para conseguir ficar mais confortável nisso, sabe? Porque quando você pega um roteiro que eu faço de podcast narrativo, ele como texto escrito, ele não faz sentido assim. Se você publicar como uma reportagem, né? Ou sei lá, uma newsletter, ele não vai fazer muito sentido, ele tem que ter uma adaptação, porque ele é feito para funcionar na voz, para funcionar falado. E, aí assim, tem alguns truques, né, que a gente vai aprendendo. Por exemplo, eu faço muito o truque de escrever falando. Então eu tô escrevendo e tô falando a frase em voz alta, do que eu tô escrevendo, para ver se aquilo vai soar bem e ah, não soa bem, então eu volto no texto, dou uma mexida e dou uma ajeitada ali. Então, isso é uma coisa. E algumas coisas, no jornalismo que a gente tem muito cuidado, como regra gramatical, né, de escrever tudo na linguagem corretinha. No áudio, a gente pode abandonar um pouco isso, sabe? Então, até o jeito de falar as palavras, né? No áudio, quando a gente tá conversando, tipo, como a gente tá aqui agora, a gente não fala “para fazer”, a gente fala “pra fazer”, né? Eu não falo “eu estou aqui no Labjor”, falo “eu tô aqui, eu tava aqui”. Então, tudo isso você pode transferir pro texto, né, e deixar o seu texto desse jeito mais falado, assim, mais conversado. E uma coisa que eu acho que funciona bem também para o texto ficar com essa cara de falado, é você ter uma liberdade pra bagunçar o roteiro no sentido de marcar coisas. Então, por exemplo, bota uma palavra grifada quando você quer dar mais ênfase, quebra a linha, bota os parágrafos separados para você dar uma parada e dar uma respirada. Então, você pode mexer o texto de roteiro de podcast ou de qualquer roteiro não é um território sagrado, sabe? Que tem que ficar ali pra depois você botar num quadro, na parede. Não, ele é pra funcionar pra voz. Então, ele tem que ficar confortável pra quem vai ler e quem vai fazer a locução. Rodrigo: Acontece muito também de eu escrever pra outras pessoas, né? Tipo, o Rio Memórias, o Tramas Coloniais são podcasts que não sou eu que apresento. E eu faço o roteiro, então, eu tenho que escrever para uma outra pessoa gravar. E aí é mais difícil ainda, porque você tem que pegar o jeito da outra pessoa falar. E aí como é que você faz isso? Isso tem que ter uma prática ali, né? Até você entender como é que aquele texto vai caber na voz daquela pessoa. Não é simples, mas é um trabalho que eu acho muito gostoso de fazer, de tentar chegar nesse nível. E o Onde eu tava quando aquilo aconteceu é o projeto em que eu mais estiquei essa corda até hoje, cada roteiro, o primeiro episódio, por exemplo, o roteiro teve 10 versões, exatamente 10 versões. Eu escrevia e depois voltava nele, deixava mais falado, mais falado, mais falado, mais falado. Aí eu fui gravar, aí gravei o primeiro, editei, montei com a música e tal, joguei fora. Achei que não ficou falado o suficiente, conversado o suficiente. Aí ele teve três versões até ir para o ar do episódio inteiro. Então, eu vou puxando mesmo para ficar como se eu tivesse de fato contando uma história pra alguém, como eu estou conversando aqui com vocês. Aqui eu não tô lendo nada, né? A gente tá trocando uma ideia. Eu quero que esse projeto seja assim. E o maior elogio é quando alguém vem falar: “Nossa, mas é escrito, nem parece que você tá lendo”. E aí eu amo quando alguém fala isso, porque a ideia é exatamente essa. Lívia: É, isso que você falou do texto sacralizado, né? Eu que venho da área acadêmica, foi a minha maior dificuldade, assim, né? Porque você fica ali presa, de você quebrar parágrafo e deixar as palavras enfatizadas, né? Então tem essa diferença. Rodrigo: Dá um medinho de ficar mexendo no texto, né? Vou bagunçar esse texto todo, mas é isso, pode bagunçar, não tem problema. Marcos: Eu acho que isso é uma questão até para o podcast Oxigênio, porque em grande parte ele também é feito por cientistas da academia, que não tiveram tantas experiências. Então para a gente isso é riquíssimo. Rodrigo: Mas é um exercício, né? A gente vai pegando com o tempo e vai, enfim, ajustando coisas e, também, assim, cada um tem o seu estilo, sabe? Acho que tem podcasts até jornalísticos, narrativos, que tem uma pegada um pouco mais formal e que tem uma fala um pouco mais jornalística, que não é necessariamente cem por cento conversada e que funciona bem também. Então, acho que tem espaço pra todo mundo. Os que eu faço vão mais para essa linha da conversa, mas tem podcasts, você pega, por exemplo, um Projeto Humanos, né, que é um podcast muito conhecido, muito famoso, de muita audiência, do Ivan Misanzuki. Ele fala todos os “s”, todas as “vírgulas”, todas as “palavras”, tudo bonitinho, tudo ali muito formal e funciona, é um sucesso absoluto, né? Então, não tem muito certo e errado, é o estilo que você quer implementar ali, né? [música][áudio Perfis de bolso – Antonieta de Barros] Lívia: E agora falando sobre a produção mesmo, né? Queria saber como que vem a ideia da pauta, se é a partir dos personagens. Você já falou das suas experiências pessoais. Porque, pensando no Vida, né? Que é a forma carinhosa que você chama o Vida de jornalista, O Vida tem vários tipos de episódios. Tem os perfis, que foi um dos que a gente produziu junto, o da Sonia Bridi, tem os mais direcionados ao fazer jornalístico, teve a série Escolha que o ouvinte poderia escolher os caminhos que queria seguir. Como que você começa as ideias da pauta? Rodrigo: É, o Vida tem essa coisa também, como é um projeto meu pessoal e que sou eu que decido as coisas ali, não tem uma chefia para me guiar, não tem uma pauta para eu seguir. Eu também tenho essa liberdade de ir testando formatos, né? Então, acho que essa é a coisa que mais me fascina no jornalismo em áudio, é poder fazer formatos diferentes. Então, o Vida ele começa lá em 2018 com uma temporada de, sei lá, cinquenta e poucos episódios, de temas diversos, falando com jornalistas e sobre temas do jornalismo, mas depois eu começo a fazer temporadas temáticas. Então, tem séries que são específicas sobre alguma coisa, como algumas que você citou aí. E isso é bom porque eu não enjoo de fazer, sabe? Assim, cada série é uma coisa completamente diferente. Então, a série de perfis é completamente diferente da série Escolha, que é uma série interativa, que é uma outra linguagem, que não tem nada a ver com a série de perfis. E aí depois eu volto para fazer perfil e depois eu volto para fazer o episódio, que é discutindo algum tema do jornalismo. O Vida é muito sobre bastidores de jornalismo. Então, foco muito nisso também. E aí dá pra fazer de maneiras diferentes. Eu acho que isso é o que vai me fascinando. Então, é assim, quando eu termino uma temporada, eu já tenho lá o meu documento, lá no computador, que eu já vou jogando as ideias pra a próxima. E essas ideias envolvem não só temas e pessoas, mas envolve formatos também. Então, como que eu vou contar tal história? [áudio série Escolha] Rodrigo: A série Escolha, a ideia surgiu primeiro do formato pra depois pensar no tema. Geralmente, o certo é a gente pensar primeiro no tema, né, que a gente quer fazer e depois como que eu vou contar. No caso, a série Escolha, assim, eu queria fazer um podcast interativo, porque não tinha no Brasil, não tinha nem lá fora desse jeito assim jornalístico. E aí depois eu pensei, como que eu posso fazer dentro do Vida de Jornalista uma coisa interativa? Aí que eu fui pensar no tema, das escolhas éticas, das escolhas de carreira que a gente tem que fazer e acabei moldando ali. Esse foi um caso raro em que o formato veio antes, mas geralmente caminham juntos ali, sabe? De pensar quais vão ser os temas. Aí, claro que eu tenho que ter uma visão também de o que que tá rolando no jornalismo, né, quais são os temas mais necessários nesse momento. Então, essa última temporada tem um episódio sobre inteligência artificial, enfim, tem uma série de coisas ali que são meio urgentes da pauta factual, mas dá para escapar bastante dela também, né? Então, acho que no fim das contas fica mais gostoso de fazer, eu acho, desse jeito. Marcos: Sim. Ah, eu tenho uma pergunta um pouquinho derivada do que você acabou de comentar da produção do podcast Escolhas. Eu sei que vocês gravaram todos os episódios, que são mais de 20 episódios, né? E que provavelmente demorou um tempo bem grande e foram publicados ao mesmo tempo para que as pessoas pudessem fazer esse percurso. Como que você enxerga a funcionalidade desse tipo de podcast? Porque eu pessoalmente adorei, eu acho que é uma coisa incrível. Pensando até na comunicação, quando a gente estuda as propostas de comunicação pública da ciência, por exemplo, a gente tenta valorizar uma comunicação que seja participativa, democrática e não só de cima pra baixo, que acha que o ouvinte não sabe nada, enfim, que o que ele pensa não importa. Então acho que é um exemplo super interessante, mas aí eu fico pensando se você acha que funcionou, se você faria de novo esse modelo de produção de podcast. Como que foi, assim, essa experiência de produzir o Escolhas? Rodrigo: É, foi um risco, né? Porque as plataformas de podcast não tem essa função interativa, né? Então, assim, para quem não ouviu, o Escolha é uma série que tem vinte e cinco episódios publicados de uma vez, você escuta o primeiro e quando chega no fim do primeiro você tem uma pergunta e você tem que responder. Dependendo da sua resposta, você vai para o episódio 2 ou para o 3. Quando chega no fim do 2 ou do 3, você vai para o 4 ou para o 5 e por aí vai, né? O ouvinte é que vai definindo o caminho que ele vai seguir. No fim das contas, são 25 episódios no ar, mas a história, ela consome nove episódios. Então, o caminho até o fim, a pessoa passa por nove episódios. Quais são esses nove? Aí vai depender da pessoa, né? De quem vai escolhendo ali. Então, o Spotify, o YouTube, as plataformas em que a gente ouve podcast, a Apple, não tem essa função de você apertar um botão e ir para um episódio ou outro. Então, eu sei que eu tô dando um trabalhinho pra quem tá ouvindo, sabe? Quando chega no fim do episódio, a própria pessoa tem que ir lá e dar um play no episódio seguinte. Tem que ir lá no feed. Então, eu sei que eu tô exigindo um pouco do ouvinte, de quem tá ali escutando. Isso foi uma coisa que eu pensei bastante pra fazer, mas OK, já que é o jeito de fazer, vamos fazer dessa maneira. Acho que é colocar o ouvinte na cadeira de protagonista, sabe? De tentar fazer com que a história siga desse jeito. Foi uma primeira experiência, eu acho que assim, o Vida não é um podcast de grande audiência, né? Comparando aí com os grandes podcasts, ele tá muito longe disso. Ele é muito de um nicho do jornalismo. Essa série, ela não foi uma série de grande audiência, mas as respostas foram assim muito entusiasmadas, sabe? De quem ouviu e quem gostou do formato. E a gente quer fazer uma segunda temporada. Eu e a Flávia, né? A Flávia Santos que apresenta comigo, que é uma jornalista de Petrolina, de Pernambuco. A gente já está conversando sobre uma segunda temporada. Só que isso dá um trabalho que, assim, são 25 episódios, além dos episódios tem o roteiro, tem que criar um mapa da história, pra onde vai cada episódio. Então, é muito complicado de fazer e como tudo no Vida de Jornalista, eu fiz sem patrocínio, sem financiamento, sem nada, né? O Vida é feito no amor e no amor de alguns ouvintes também porque tem ouvintes assinantes, mas são poucos também, enfim, não dá pra, por exemplo, remunerar a Flávia, eu parto do princípio de que todo o trabalho de jornalismo tem que ser remunerado. Então, a Flávia, a gente até fala isso na série, né? A Flávia falou: “Não, não precisa me pagar”. Eu falei: “Precisa pagar, ué. É um trabalho, você tá apresentando uma série”. E aí eu tive que fazer isso assim meio do meu bolso, sabe? Porque não tinha um patrocínio ali. Então, o que eu gostaria era de conseguir um financiamento para uma segunda temporada mais robusta. E aí eu não quero vinte e cinco episódios, aí eu quero, tipo, cem episódios no feed, com uma história que realmente seja uma coisa toda intrincada, que você vai pulando de um pro outro e uma história mais longa, mas vamos ver, vamos ver se vai dar pra fazer. Não sei se em 2026 vai dar, mas quem sabe aí pra 2027. Eu ia gostar muito de fazer mais uma temporada dessa série. Marcos: Nossa, eu ia gostar também. Rodrigo: Então, quem tá ouvindo aí, ó, quem quiser patrocinar o Vida de Jornalista, vamos nessa. Lívia: É, eu fiquei lembrando, quem tem mais idade, tem aquela edição Vagalume, que tinha os livros assim, né, que você escolhia a página. Rodrigo: É, a inspiração foi meio essa. E é engraçado porque a Flávia é muito mais jovem que eu, né? E aí a gente tem referências muito diferentes. Então, a referência da Flávia é a série da Netflix, que é interativa e tal. A minha são os livrinhos de RPG antigos, que você ia pra página. A gente tem inclusive muitos embates geracionais durante a série. A gente se divertiu muito fazendo, porque as referências dela eu não pego, as minhas referências ela não pega e a gente ficava nesse embate ali o tempo inteiro. Foi engraçado também nesse sentido. [música] Lívia: E você falou sobre o financiamento, né? O modelo de financiamento de podcasts e de jornalismo em áudio tem modificado, a partir de assinaturas, apoio institucional. Eu vi que você tem utilizado essa coisa de somarplataformas, como o Substack, a Newsletter, o Apoia-se. Você podia falar um pouco pra gente quais são essas alternativas? Rodrigo: É, eu acho que pra quem faz podcast ou quem faz jornalismo independente, né, de forma geral, ou você dá sorte de conseguir uma cartada ali de um financiamento. Sorte que eu digo, obviamente ela vem de um esforço também de você tentar aquilo ali e conseguir, né? E saber os lugares certos pra procurar, um edital, um patrocínio de alguém. Mas, no geral, eu acho que geralmente funciona você jogar uma rede pra ver o que que vem. Então, é você abrir o leque e tentar esse financiamento de algumas formas diferentes, pra ver o que vai funcionar. Então, financiamento coletivo de ouvintes é uma coisa que muitos podcasts fazem e pra alguns funciona muito bem. Você pega um podcast como Rádio Escafandro, por exemplo, que é um dos melhores do país e o Tomás Chiaverini, ele hoje vive de financiamento dos ouvintes. Ele só tem esse financiamento, ele só tem esse emprego, ele não trabalha em outras coisas, ele consegue se dedicar só pra Rádio Escafandro, pra fazer da melhor forma ali os episódios e ele é realmente bancado, não só ele, mas ele contrata pessoas, enfim, só com o financiamento dos ouvintes. Então, eu acho que não precisa ser um fenômeno tipo a Déia Freitas do Não Inviabilize, que, aí assim, ela saiu do nada, um podcast totalmente independente e ela construiu quase um império. Hoje ela tá com muitos financiamentos, muitas marcas. Eu acho que é o maior fenômeno dos podcasts de contação de história, mas é um exemplo muito lá no alto, né? Então, você fala: “Pô, não vou conseguir o que a Déa conseguiu”. Mas às vezes dá para conseguir o que o Tomás conseguiu que não é a mesma coisa, mas ele já tá se financiando muito bem. E aí é isso, é você ficar de olho nos editais. Às vezes abre um edital, você escreve ali pra fazer uma temporada, né? E você não vai ter aquele financiamento pra sempre. Então, você tem Instituto Serapilheira, né? Tem um monte de podcasts, ligados aqui a Campinas, enfim, que passam também pelo Serrapilheira, desde o 37 graus, enfim, outros podcasts que são muito legais e que passam por esses editais, que vão abrindo ali, e você vai conseguindo. É muito chato de fazer, você ficar procurando coisas o tempo inteiro ali pra escrever, escrever em edital, não é uma coisa muito agradável, eu pelo menos não acho, mas é necessário, né? Você tem que tentar se remunerar, porque dá trabalho, exige tempo, exige custo, de fazer mesmo. Então acho que como tudo no jornalismo, acho que é necessário, é o mal necessário para a gente tentar se remunerar. Marcos: Voltando no tema de pensar um pouco na estrutura da produção dos podcasts, é a questão de quais são as etapas da produção completa de um podcast, e como as novas ferramentas que a gente tem disponíveis hoje, como as que são usam inteligência artificial, ah como elas têm impactado isso, se você tem utilizado ou não, o que que você pensa sobre?Rodrigo: É, eu acho que assim, se eu tivesse que resumir as etapas de produção de um podcast narrativo, você tem um planejamento, que quando você vai estudar ali qual vai ser a sua pauta, qual vai ser o tema, o formato, quem é o seu ouvinte, né? Aí você parte pra produção, que aí você vai atrás do material que você vai ter. Você vai gravar entrevista, você vai pra rua captar, enfim, dependendo de qual for o seu formato. A partir dali você tem a etapa de roteiro, que é como você vai pegar esse material e transformar aquilo numa história. Aí você tem uma gravação de locução, né, que geralmente também é bem comum em podcast narrativo, você tem uma narração e por fim uma parte de edição, que é você pegar tudo isso, botar no programa lá de edição. A gente, enquanto a gente tá gravando, a gente tá vendo aqui na nossa frente um programa de edição. É você pegar aquilo ali, juntar as partes, brincar de Lego, né, juntando as pecinhas ali e transformar aquilo de fato num conteúdo de áudio. É, falando assim, bem rápido, parece que não dá trabalho nenhum, mas dá muito trabalho e eu acho que a gente tem que ficar muito ligado em ferramentas que tão aparecendo, não só de inteligência artificial, mas de tudo. É, eu já tenho usado algumas coisas de IA e, assim, o que eu uso de IA é, basicamente, o Chat GPT, pra me ajudar a organizar a informação de pesquisa. Então, eu jogo pesquisa lá e peço para transformar em tópicos, sabe, esse tipo de coisa. Não uso o Chat GPT pra ajudar na escrita, nem nada desse tipo, mas pra ajudar na pesquisa eu uso, pra ajudar na formatação da pesquisa que eu já fiz, né? E tem uma ferramenta do próprio site da Adobe, a gente estava conversando aqui antes, que eu uso o software da Adobe, o Premiere pra fazer as edições e tem o de áudio também, que é o Audition, mas, a Adobe tem um site, Adobe Podcast, que você entra lá, que é tipo um estudiozinho, né, de podcast, que é gratuito. Você tem que ter uma conta, mas é uma conta gratuita e tem uma parte de melhorar o áudio que é inacreditável, assim, inacreditável. Mudou o meu jeito de trabalhar, porque antes eu ficava muito mais preocupado em como eu ia captar uma entrevista, por exemplo. Aí eu ficava usando aquelas ferramentas que gravam o som físico, mas aí às vezes pra pessoa é um pouco mais complicado. Eu não queria usar um Zoom, Google Meet, né, pra captar, que aí não fica naquela qualidade perfeita. Hoje eu gravo tudo no Zoom. Porque eu sei que depois é só jogar nesse site, que ele vai dar um filtro ali, parece que a pessoa tá dentro de um estúdio. É inacreditável, assim. É muito impressionante. É, inclusive, nas oficinas que eu faço, eu tô aqui porque eu também vou fazer uma oficina, né? Eu vou mostrar algumas coisas que esse site faz. Porque, sei lá, ele tira o barulho do vento. O vento até outro dia era o maior inimigo do áudio, bateu o vento, esquece. Aí estragou o teu áudio. Hoje até o vento você consegue resolver. Então, o que eu tô falando assim, pelo amor de Deus, gente, o que eu tô dizendo não é pra ninguém não cuidar da hora da gravação. Tem que cuidar da hora da gravação. Quanto mais você cuidar, menos dor de cabeça você vai ter na pós, na edição. Mas, se tem umacoisinha pra resolver ali, essas ferramentas ajudam. Então, como é que a gente vai abrir mão disso? A gente pode usar isso, vai poupar tempo, vai facilitar, vai aumentar a qualidade. Então, acho que tudo isso funciona bem. A gente tem que ficar bem ligado mesmo nessas ferramentas. Com todos os cuidados éticos que elas exigem, né, de inteligência artificial hoje, você consegue clonar uma voz e fazer um podcast. Não é o que eu faço, mas dá pra fazer. Então, tem que ter todas as implicações éticas aí pra gente também não se atropelar, né? Lívia: Sim. É, e eu venho da área de humanas, né? O pessoal tem um preconceito enorme com a tecnologia, eu sempre indico o episódio “Tem um robô me ajudando”, ficou muito legal, do Vida. [áudio – episódio “Tem um robô me ajudando”] Rodrigo: E eu e o Léo a gente conversa muito sobre tudo de jornalismo e tal. E uma das coisas que a gente conversava muito era sobre IA, de ficar testando coisas, até onde a gente pode ir, qual é o limite, o que que dá pra ajudar, o que não. Aí eu falei: “Pô, vamos fazer um episódio a gente levantando essas perguntas. Então, esse episódio, ele vai se construindo durante o episódio. A gente começa cheio de dúvidas e termina cheio de dúvidas também, mas a gente vai encontrando algumas respostas ali. A gente não é especialista em inteligência artificial nem nada, esses são só dois curiosos ali pra explorar o que que está acontecendo, né? Lívia: É, eu acho que a gente tem que explorar e aí você falou, com a ética, mas explorar porque são as ferramentas que a gente tem hoje em dia. Rodrigo: E esse episódio daqui a seis meses tem que fazer outro, porque as coisas vão mudando muito, né? Muito rápido. [música] Lívia: Acho que agora já caminhando pro final, a gente queria falar um pouco sobre a oficina que o Rodrigo veio aqui pra dar oficina pra gente, aqui no Labjor. Então, a gente queria saber o que que te motivou a criar essas oficinas de podcast. Eu sei que você tem feito bastante. E qual é o público que te procura hoje pra formação? Estudantes, jornalistas que já tem carreira ou comunicadores independentes? Rodrigo: É, quando eu tomei essa decisão de sair do meu trabalho na Globo, né? Ali no fim de 2020, pra me dedicar a isso, é claro que eu fiquei pensando em coisas assim, como é que eu vou me remunerar, como é que eu vou conseguir me manter e tal. E aí algumas pessoas já me falavam isso, né? “Pô, você podia dar aula de podcast, você tá fazendo e tal”. E eu nunca pensei muito nessa ideia, sabe? Porque assim, eu não sou professor, né? Eu sou jornalista, mas o Vida de jornalista acabou me dando uma condição de fazer todas as etapas. Então, eu faço tudo, planejamento, as entrevistas, o roteiro, a locução, a edição. E aí com o tempo, na prática, eu acabei, não sendo um especialista em tudo, mas entendendo como é que funciona. Então, me deu um certo conhecimento que eu queria compartilhar. E aí, a partir de 2021, comecei a fazer, finzinho de 2020, comecei a fazer a oficina de podcast narrativo em áudio, que é uma oficina online e que eu já fiz vinte e poucas turmas e já passaram uns 800 alunos pela oficina. É muita gente e gente de todos os estados do Brasil. Acho que essa é a vantagem de fazer online também, né? Você consegue chegar em muita gente e tem esse curso que é o curso que passa por todas as etapas, que é a oficina de narrativa em áudio e eu fui fazendo algumas outras específicas. Então, tem uma que é focada só em roteiro, outra que é focada só em entrevista e esse ano eu tô querendo fazer umas novas, eu tô querendo fazer uma que, eu vou jogar aqui para perguntar o que que vocês acham, que como eu trabalho sozinho, eu não tenho pra quem perguntar as coisas. Então, eu vou encontrando as pessoas e vou perguntando. Eu queria fazer uma oficina, vocês acham que funcionaria, de react de podcast, de botar cinco encontros pra gente ouvir episódios e destrinchar o que que tem naquele episódio, como é que é o roteiro, como é que é a entrevista, como é que foi feita a produção, é uma das minhas ideias pra esse ano e ir fazendo outras, de locução, enfim, eu acho que tem uma demanda ainda de gente querendo aprender a fazer e tem muita gente fazendo, né, o que eu acho ótimo, mas a oficina é o que me deixa mais assim, eu fico muito feliz de fazer, eu adoro fazer. Eu não queria no início e eu me arrependo de ter tido essa dúvida, porque hoje eu amo fazer, é uma das minhas principais fontes de renda hoje. Então, eu tô sempre abrindo turma nova. Então, já fazendo a propaganda aqui, quem quiser entra lá em oficinadepodcasts.com e lá tá sempre explicadinho quais são as turmas que vão abrir, enfim. É uma coisa que eu gosto muito de fazer. Agora é online essa oficina, o que eu acho ótimo, como eu falei, porque dá para todo mundo fazer do Brasil. Agora, quando eu estou fazendo uma presencial, que é o que vai acontecer aqui, o que quando vocês estiverem ouvindo já terá acontecido, mas é muito legal, né? Porque aí você está junto com as pessoas ali, entendeu? Trocando ideia na hora, é muito diferente. Então, eu adoro fazer oficina presencial também. Marcos: Sim, eu espero que venha aí a oficina de react de podcast. Rodrigo: Você acha que vai dar certo? Lívia: Eu acho que super funciona. Na disciplina, eu estava conversando antes da gente começar aqui com o Rodrigo, né? Que eu cursei uma disciplina de podcast aqui no IFCH, na Unicamp, e a gente fazia muito isso, de ouvir podcasts e pensar diferentes formatos. Rodrigo: É uma engenharia reversa, né, que chama isso. Na oficina de roteiro, tem uma das aulas que é assim, a gente ouve um episódio com a turma, a turma escolhe um episódio e a gente vai destrinchando o roteiro ali, mas aí é só sobre roteiro. Eu queria ampliar pra fazer, sei lá, cinco encontros, a gente ouvindo cinco episódios diferentes que a própria turma vai escolher, né? Então, às vezes é episódio que eu nem conheço, não sei. E acho que é sempre um aprendizado, eu gosto muito de ouvir coisas dos outros, só que quando você começa a fazer muito, você fica com esse vício, né? De sempre ouvir, mas pensando: “Pô, mas por que que essa música entrou aqui? Por que que ele abriu desse jeito? Por que que ela fez aquela pergunta? Por que, entendeu? E é legal, né? Mas é um pouco angustiante também. Às vezes eu gostaria de ouvir podcast assim tranquilo, sabe? Sem pensar em nada, mas é difícil. Marcos: E você comentou agora há pouco que tem várias pessoas hoje em dia produzindo podcast. Você acha que ainda tem espaço pra novos produtores, novas propostas? Você enxerga que vai ter um crescimento? Como que você avalia, assim, o futuro dessa área? Rodrigo: É difícil prever o futuro nisso, né, porque muda muito rápido. E eu acho que tem uma produção muito extensa desde os últimos anos, quando explodiu essa onda dos podcasts. Eu acho que o mercado já mudou muito nesse período. Então, por exemplo, os podcasts em vídeo meio que tomaram de assalto o mercado, né? Hoje, se você sair na rua aqui e perguntar, pegar qualquer pessoa: “Que que é podcast?”. A pessoa provavelmente vai responder: “Ah, é uma conversa em vídeo no YouTube, duas pessoas ali num estúdio conversando e tal”. Então, tem gente que acha que é só isso, que nem sabe que tem só em áudio, sabe? Eu, sinceramente, eu desisti dessa briga aí já. De se podcast em vídeo é podcast. Pra mim, não interessa. Cada um faz o seu, não tem problema nenhum. É aquele famoso “tem até amigos que são”. Então, assim, não tem problema, eu gosto de vários e beleza, não quero mais brigar. Mas, o que eu quero é tentar que as pessoas saibam o que eu faço, sabe? Conseguir explicar o que eu faço. Porque se eu só falo assim: “Ah, Lívia, vai escutar lá o meu podcast”. Você pode achar que é uma conversa sobre algum tema, né? Que é legal pra caramba, mas no meu caso não é isso, é uma outra coisa. Então, explicar é cada vez mais difícil, mas eu sempre acho que tem espaço pra quem quer fazer em todos os formatos. Quem tem uma coisa boa pra fazer, eu vou dar um exemplo aqui. Eu vim pra Campinas e no voo eu escutei um podcast novo que acabou de sair, que se chama Discípulos, que é do Mateus Marcolino, que é inclusive produtor da Rádio Escafandro. Que é sobre evangélico no esporte, porque que tantas pessoas no esporte seguem O Evangelho e falam muito de Deus e tal. Eu achei super legal o primeiro episódio que ele lançou e já tô ansioso pra ouvir os próximos. Um podcast tranquilo de ouvir, uma narração boa, uma investigação legal, entrevistas boas, sabe? Você sente que tem uma qualidade ali. É um podcast da Rádio Guarda-Chuva também, que é o grupo onde o Vida de Jornalista também tá, né? Que é um grupo de podcasts jornalísticos. E, então, assim, acabou de sair esse podcast e eu adorei. E beleza, acho que é isso, tem espaço pra quem quer fazer coisa nova. Eu acho que na universidade tem muita gente fazendo coisa muito boa, muito boa. Vira e mexe, eu pego um podcast assim de TCC que alguém manda: “Ah, você pode ouvir”. E eu vou ouvir, eu fico: caramba, assim, sabe? Coisas bem feitas, tecnicamente inclusive, não só na ideia. As ideias são geralmente muito boas, mas até tecnicamente assim muito bom. Então é isso. Eu acho que o mercado ele, claro vai ter a bolha, vai aumentar, vai diminuir, né? Isso é normal, as idas e vindas do mercado são normais, mas sempre tem espaço, eu acho pra quem quer produzir coisa boa em qualquer formato. [música] Lívia: Essa foi a nossa conversa com o Rodrigo. Eu espero que todo mundo tenha gostado e aprendido muito sobre a produção de podcasts narrativos e o formato de jornalismo em áudio. Mas, antes de terminar, a gente pediu pro Rodrigo dar alguns conselhos úteis pra quem está começando a trabalhar nessa área. Vamos ouvir quais foram os conselhos do Rodrigo. Rodrigo: Olha, eu acho que o primeiro conselho é fazer, porque às vezes a gente fica planejando muito. Olha eu aqui indo contra o planejamento, não é isso não. Eu acho que o planejamento é muito importante. Mas, às vezes a gente fica pensando muito em vez de começar a botar a mão na massa e é importante fazer, né? Hoje a gente tem ferramenta gratuita pra fazer. Você não precisa fazer investimento, comprar microfones. Dá pra começar com muito pouco. Então, colocar na praça pra você mesmo saber se tá legal, se não tá, acho que é importante. E, uma coisa que eu acho fundamental, que é uma dica talvez um pouco óbvia, né? Que é ouvir. Pra quem quer fazer podcast, assim, você tem que ouvir podcast e não necessariamente de assuntos que você gosta. Às vezes você vai ouvir um podcast só porque alguém comentou: “Você ouviu esse podcast aqui sobre esse tema? É legal”. Pô, mas eu não gosto muito desse tema. Mas vai lá, dá uma escutadinha, dez minutinhos. Não precisa ouvir o episódio inteiro. né? Ouve lá para ver como é que a pessoa faz. E ouvir com esse ouvido mais cuidadoso, de tentar prestar atenção no que que tá sendo feito ali e se você pode pegar referências, enfim. E pra tudo, né? Para como é que faz o roteiro, pra como é que é a fala da pessoa, como é que é a locução, se tá bem editado. Como é que é o uso da música? Como é que esse podcast aí tá usando música? Tá legal? Gostei? Ficou muito longo? No meu vai ser diferente. Pensar essas coisas, sabe? Então, fazer esse exercício de escuta, eu acho que é muito legal e botar a mão na massa e ir embora. Acho que tem muita coisa boa pra fazer. Não é ficar com esse medo de que no começo vai ser ruim. É, vai ser ruim. Vai ser ruim. Eu olho lá pros primeiros episódios do Vida de Jornalista, meu Deus do céu. Eu gostaria de tirar todos do ar. Eu não tiro porque eu amo as pessoas que estão lá, mas tecnicamente eu acho muito ruim. E é isso, gente. É isso. Depois a gente vai melhorando aos pouquinhos. Assim como daqui a cinco anos eu vou olhar pros episódios de hoje e talvez eu ache ruim também, sabe? Pô, faria diferente. Então, é normal, às vezes a gente fica muito inseguro. E por fim, um conselho que eu acho que vale pro jornalismo no geral, que é a gente não se cobrar tanto, sabe? Acho que a gente às vezes fica achando que a gente tem que trabalhar no nível máximo e fazer tudo perfeito e que tem que dar certo sempre e não vai dar certo sempre, vai ser frustrante de vez em quando e às vezes a gente vai ter que dar uma pisada no freio. Ó, vou dar uma parada aqui. Ah, mas eu tenho podcast, então tenho que produzir um episódio por semana. Calma, assim, se não der, dá uma freada de leve assim, dá uma respirada e daqui a pouco volta, porque a gente é meio que treinado a se cobrar demais. E aí a saúde mental vai pro espaço, aí a gente não cuida da gente. Então, é ir botar a mão na massa, mas devagar. Vamos ali com calma, que a coisa vai saindo, vai ser legal. Lívia: Legal. Bom, a gente queria agradecer imensamente a presença do Rodrigo aqui com a gente. Foi muito bom. Marcos: Foi uma aula particular. Super especial que a gente teve essa oportunidade de estar com o Rodrigo hoje. Rodrigo: Adorei, obrigado demais, gente, e parabéns pelo programa. Lívia: Obrigada, você. Marcos: Obrigado. [música] Lívia: Esse episódio foi gravado e editado por mim, Lívia Mendes e pelo Marcos Ferreira. A edição final foi feita pelo Daniel Rangel. A trilha sonora é da Biblioteca de Áudio do Youtube e a vinheta do  Oxigênio foi produzida pelo Elias Mendez. O Oxigênio conta com apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. Você encontra a gente no site oxigenio.comciencia.br, no Instagram e no Facebook, basta procurar por Oxigênio Podcast.Lívia: Pra quem chegou até aqui, tomara que você tenha curtido ouvir nossa conversa com o Rodrigo Alves! Agora você pode ir lá na sua plataforma de áudio preferida e procurar pelos novos episódios dos programas Vida de Jornalista e Onde eu tava quando aquilo aconteceu. Deixa também um comentário pra gente, contando o que achou. Vamos adorar te ver por lá! Até mais e nos encontramos no próximo episódio. [vinheta de encerramento]

Cuentos e Historias Infantiles
El gato que no queria tener pelo

Cuentos e Historias Infantiles

Play Episode Listen Later Apr 24, 2026 3:21


Eusebio es un gato al que no le gustan los pelos. Y que a un gato no le gusten los pelos es algo realmente INCREIBLE!Mi Instagram:   ⁠https://www.instagram.com/cuentos_e_historias_infantiles?igsh=MW82OGs2eDZ6MnRrZQ==⁠Mi Facebook:   https://www.facebook.com/CuentosHistoriasMexico 

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Getúlio Abelha: 'Para o que eu queria fazer não tinha um curso'

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Play Episode Listen Later Apr 23, 2026 35:47


Roberta Martinelli conversa com Getúlio Abelha sobre sua trajetória, disco e referências.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Inframundo Relatos (Historias De Terror)
EL CHARRO NEGRO ME QUERIA LLEVAR | Relato de Terror - Colaboracion Con Guerrero

Inframundo Relatos (Historias De Terror)

Play Episode Listen Later Apr 22, 2026 24:16


Historias de Terror, Relatos Paranormales y Cuentos Oscuros que podrían dejarte sin dormir esta noche.En este episodio escucharás una inquietante historia de terror sobre el Charro Negro, una de las figuras más temidas de la tradición popular en México. Lo que comenzó como una decisión impulsiva terminó convirtiéndose en una experiencia marcada por el miedo, la oscuridad y un pacto que jamás debió hacerse.Este relato reúne misterio, horror paranormal y leyenda mexicana en una historia donde el precio de un trato puede ser mucho más alto de lo que cualquiera imagina.#InframundoRelatos #RelatosDeTerror #HistoriasDeTerror #CharroNegro #TerrorNocturno #RelatosParanormalesLos relatos de esta ocasión están relacionados con:charro negro, historias de terror, relatos paranormales, leyendas mexicanas, pactos, apariciones, presencias oscuras, sucesos inexplicables, horror nocturno, relatos oscuros, historias reales de terror, cuentos de miedo.Versión más intensaHistorias de Terror, Relatos Paranormales y Cuentos Oscuros que podrían dejarte sin dormir esta noche.En este episodio escucharás la perturbadora experiencia de alguien que terminó haciendo un trato con el Charro Negro. Entre oscuridad, miedo y una presencia imposible de ignorar, comenzó una pesadilla que fue creciendo hasta convertirse en algo mucho más peligroso de lo que parecía al principio.Este relato mezcla leyenda, tensión y horror oscuro en una historia donde algunas decisiones pueden abrir la puerta a lo peor.

Cuentos e Historias Infantiles
El elefante que queria volar

Cuentos e Historias Infantiles

Play Episode Listen Later Apr 18, 2026 4:38


Toto, un elefantito que queria volar, pide ayuda a sus amigos, lo lograra?Mi Instagram:   ⁠https://www.instagram.com/cuentos_e_historias_infantiles?igsh=MW82OGs2eDZ6MnRrZQ==⁠Mi Facebook:   https://www.facebook.com/CuentosHistoriasMexico 

G1 ouviu - seu guia de novidades musicais
g1 Ouviu #331 – Tiago Iorc troca likes, memórias e experiências

G1 ouviu - seu guia de novidades musicais

Play Episode Listen Later Apr 17, 2026 60:25


Cantor foi entrevistado no g1 Ouviu, o podcast e videocast ao vivo de música do g1, no dia 14 de abril. Nele, o cantor relembrou sua trajetória, falou sobre o álbum comemorativo de ‘Troco Likes' dez anos após estouro, e deu detalhes sobre sua pausa no auge da carreira: ‘Queria me sentir desimportante'.

onda.podcast
#122 BARBARA BAYER - PRODUÇÃO INDEPENDENTE : DESEJO MATERNO, BUSCA DE DOADOR E SAÚDE MENTAL

onda.podcast

Play Episode Listen Later Apr 14, 2026 56:25


O que é o desejo materno? Como entender esse desejo tão particular de ter um filho?Bárbara é mãe de uma menina de 1 ano e 8 meses, que ela teve sozinha. O desejo de maternidade existia, mas não o parceiro. Então, ela construiu o próprio caminho. Chegou a cogitar ter um filho com um amigo, até escolher a produção independente. Queria gestar, viver no corpo a experiência de sentir um filho crescer dentro de si.Ela conta aqui a infância, o processo de escolha de um doador, as FIVs, a perda e, depois, a depressão no primeiro ano após o parto.Com ela, falamos de força feminina, da mãe imperfeita e do estranhamento de si.Obrigada, Bárbara, por lembrar que o cuidado com a saúde mental não vem depois da maternidade: ele é condição para responder ao que ela exige.

RobCast
O Vídeo Que Eu Queria Ter Visto, Quando Cheguei nos R$ 100 Mil

RobCast

Play Episode Listen Later Apr 6, 2026 10:27


⏱️ Capítulos do vídeo00:00 Você sente que não sai do lugar?00:33 Explicando o quadro: de 0 a R$ 1 milhão02:01 Por que os primeiros R$ 100 mil são os mais difíceis03:20 O efeito bola de neve: como os juros compostos aceleram tudo05:00 O funcionário que trabalha 24h por você de graça 06:15 O que fazer agora dependendo de onde você está08:04 Conclusão: a frase de Charlie Munger08:40 Os dois caminhos: RC Club e RC Wealth

Chutando a Escada
Ecologia da mente e extrema-direita

Chutando a Escada

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O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.

Diplomatas
Trump “queria mais do que uma guerra regional” no Médio Oriente e tentou envolver outros países

Diplomatas

Play Episode Listen Later Mar 19, 2026 31:14


Ao 19.º dia da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, o podcast Diplomatas voltou a focar-se nos últimos capítulos do conflito no Médio Oriente. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar analisaram os apelos de Donald Trump para o envio de navios de guerra dos aliados da NATO, e não só, para o estreito de Ormuz, assim como os possíveis efeitos da morte de Ali Larijani para a estratégia de sobrevivência do regime iraniano. A jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA anteciparam ainda as discussões de quinta-feira e sexta-feira no Conselho Europeu, em Bruxelas. No final do episódio, os analistas responderam a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas sobre o papel das “potências médias” nas alterações em curso na ordem internacional. Se tiver alguma pergunta para Teresa de Sousa e Carlos Gaspar ou sugestão de tema para debate no Diplomatas, envie um email para antonio.lima@publico.pt ou podcasts@publico.pt. Texto de António Saraiva LimaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ideias Feitas
Rita: a comunista que não queria sair do Aljube

Ideias Feitas

Play Episode Listen Later Mar 18, 2026 5:53


Alberto Gonçalves comenta a saída de Rita Rato da direção do Museu do Aljube.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Notícia no Seu Tempo
Vorcaro queria usar pareceres do BC em defesa do Master

Notícia no Seu Tempo

Play Episode Listen Later Mar 11, 2026 8:48


No podcast ‘Notícia No Seu Tempo’, confira em áudio as principais notícias da edição impressa do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ desta quarta-feira (11/03/2026): O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, planejava usar mensagens e documentos enviados pelos dois servidores do Banco Central cooptados por ele para tentar reverter a situação do Master na Justiça, informa Alvaro Gribel. A estratégia era mostrar que o BC acompanhava todos os passos do banco e que, por isso, o Master não poderia ter feito nada de errado sem o consentimento da autarquia. Na última semana, o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe da área de Fiscalização Belline Santana foram alvo da PF, suspeitos de receber benefícios de Vorcaro para ajudar o Master. Eles eram responsáveis por acompanhar o banco e repassar informações ao diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, que não participou do esquema. E mais: Economia: Filho de Ibaneis negociou com fundo ligado à Reag Política: Senado aprova projeto de lei que cria 17,8 mil cargos em ministérios Metrópole: Comando Vermelho executa membros do PCC no interior de SP Internacional: PCC e CV são ameaças à segurança regional, afirma governo dos EUA Esportes: Esquiador faz história com 1º pódio brasileiroSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Había una vez...Un cuento, un mito y una leyenda

Hacer click aquí para enviar sus comentarios a este cuento.Juan David Betancur Fernandezelnarradororal@gmail.comHabía una vez un hombre que había estudiado durante años sobre un tema que pocos en el mundo tomaban en serio. Este hombre vivía  y trabajaba en su laboratorio en un barrio a las afueras del pueblo. El polvo del barrio olvidado se adhería a las ventanas creando una atmosfera lugubre y desordenada, pero adentro, el mundo estaba hecho de geometría, paciencia y seda. El aracnólogo no era un científico común; era un coleccionista de lo imposible. Su estudio, oculto entre fábricas paralizadas, casas de lata y jardines marchitos donde ya no cantaban los pájaros, parecía flotar dentro de una nube gris de hierro y herrumbre . La poca luz que entraba por aquellas ventanas sucias estaba tamizada por miles de telarañas que él mismo, con el tiempo, había aprendido a cultivar.Con sus precisas pinzas de plata, el hombre pasaba las horas atrapando maravillas que desafiaban la biología en sus propias redes. Las había observado, sentido y finalmente atrapado. En frascos de cristal sin tapa, albergaba a sus mayores triunfos:·       La araña filosófica, que en lugar de moscas atrapaba silogismos en el aire y tejía redes en forma de interrogación.·       La araña crisantémica, cuyos hilos estallaban en flores amarillas y frágiles cuando la rozaba el viento frío del otoño.·       La temible araña de la fiebre delirante, que vibraba con un calor iridiscente, tejiendo pesadillas incomprensibles y que muchas veces se hacia presente en los momentos en que los hombres más necesitaban paz y tranquilidad·       La horrible araña paciente. Aquella que era capaz de esperar y esperar sin moverse por días, semanas y meses, sabiendo que algún día su presa caería en su telaraña.  El aracnólogo se creía el amo absoluto de los hilos Queria encontrar la forma de combinar algunas de sus arañas para así tener un ejemplar que al mismo tiempo llegara a ser increíble. Pasaba las madrugadas en blanco, encorvado sobre su escritorio, diseñando en su mente y en sus libretas nuevas especies de arácnidos, buscando la perfección absoluta entre el terror y la belleza.Hasta que una noche de tormenta seca, la gran red central que cruzaba de lado a lado su cuarto de trabajo tembló.No fue el tirón errático de una presa desesperada, ni el zumbido de un insecto atrapado. Fue una vibración rítmica, pausada, casi musical. El aracnólogo tomó sus pinzas, con el pulso acelerado por la curiosidad, y se acercó a la penumbra de los visillos de seda.Allí, suspendida en el centro exacto de su trampa más sutil, estaba la mujer araña.No era una aberración anatómica, sino un ser de una belleza abrumadora. Al ver al investigador acercarse con sus pinzas amenazantes, ella no se retorció. En lugar de luchar contra los hilos pegajosos, utilizó la tensión de la red como un escenario en el cual ella se presentaba con todas sus virtudes.  Sus extremidades, pálidas y precisas, comenzaron a trazar en el aire una danza seduciente. Era el baile atávico y antiguo de una mujer desnuda que no conoce el miedo, moviéndose al compás de una música que solo ella escuchaba.Cada giro, cada extensión de sus brazos, desbarataba las leyes de la telaraña. No estaba atrapada; estaba tejiendo un hechizo directamente sobre la mirada del hombre que solo podía pensar en aquel ritmo mágico y alucinante.El aracnólogo sintió, por primera vez en su vida, que el hilo de su propia voluntad se cortaba. Las pinzas de plata cayeron de su mano y golpearon el suelo de madera con un eco metálico, rompiendo el silencio del barrio de las cocheras vacías.Comprendió en ese instante que todos los diseños de sus libretas, todas las arañas irónicas y

JORNAL DA RECORD
04/03/2026 | 3ª Edição: Estados Unidos anunciam morte de um líder do Irã que queria matar Donald Trump

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Mar 4, 2026 3:44


Confira nesta edição do JR 24 Horas: O presidente americano, Donald Trump, vai participar de uma cerimônia para receber os corpos dos soldados mortos na guerra contra o Irã. A informação foi confirmada pela porta-voz da Casa Branca, que também reiterou o objetivo americano de destruir o programa nuclear do país. Trump e assessores já discutem planos para o pós-guerra. O secretário de Defesa informou que o homem apontado como responsável por planejar um ataque contra Trump foi morto nos bombardeios. E ainda: Últimos foragidos por estupro de adolescente se entregam à polícia no Rio.

WGospel.com
Uma alegria que ninguém pode roubar!

WGospel.com

Play Episode Listen Later Mar 4, 2026 4:45


TEMPO DE REFLETIR 01693 – 4 de março de 2026 João 14:27 – Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não a dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. Como diferem os dons de Deus e os dons deste mundo? Jesus afirma que Ele dá a paz, mas que o dom tem uma quantidade diferente das coisas que o mundo dá. Jesus ensinava continuamente os valores eternos. O mundo representa transição e mudança. Seus dons duram pela eternidade. Aqueles que aceitam as Suas dádivas não permitirão que o mundo os desvie ou desanime. Como muitos outros, ele apareceu na extremidade da multidão que rodeava Jesus. Ele ouviu. O ensino de Jesus o inquietou. Sentiu em Jesus algo que o mudaria por todo o tempo. Finalmente chegou o momento de fazer a pergunta: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Queria uma garantia de que herdaria as promessas feitas a Israel. Jesus apresentou-lhe as respostas costumeiras da época. Pela obediência o israelita fiel encontraria vida. Mas o príncipe não ficou satisfeito. Deveria haver mais do que isto. Não haveria alguma ação adicional que penderia a balança em seu favor? O príncipe permitiu que o mundo roubasse suas perspectivas de alegria. O Espírito o havia inquietado, levando-o a conhecer sua necessidade. Que momento de decidir-se! Ele perturbou-se, o mundo o perturbou, mas ele recusou a paz do concerto eterno. Dez anos a partir daquele dia, será que ele lembraria do seu momento de oportunidade? Ainda o mundo o perturbava? Ainda sentia ele aquela carência? Talvez ele não tenha feito mais qualquer pergunta. Tinha herdado a riqueza, devia lutar também pela vida eterna? Sim, os dons deste mundo podem insensibilizar os aguilhões do Espírito. Uma consciência calma não é necessariamente uma boa consciência. Os dons de Jesus não têm permanência. nEle o perturbado torna-se jubiloso. O jovem rico retirou-se com tristeza no coração. Mediu o preço da alegria e a rejeitou. Para ele, triste história, nunca haveria alegria após tristeza, mas haveria para sempre tristeza após tristeza. Reflita sobre isso no dia de hoje e ore comigo agora: Pai, todo o dia precisamos estar cientes das decisões que são tomadas. Que todas as decisões relativas ao mundo presente e futuro sejam de acordo com a Tua vontade. Por favor, em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Jogabilidade (Games)
DASH #174: Os Destaques de 2025

Jogabilidade (Games)

Play Episode Listen Later Feb 25, 2026 470:19


Fazemos um balanço dos altos e baixos de 2025, as maiores surpresas, decepções, as narrativas inesquecíveis, os momentos mais marcantes, os maiores injustiçados do ano e várias outras categorias! Além, é claro, de batermos o martelo sobre o tema do ano, conferirmos o saldo das previsões feitas pra 2025 e deixarmos registradas as apostas para 2026. 00:01:52 - Tema do ano 00:29:15 - Jogos que Queria ter Jogado Mais 00:56:27 - Melhor Jogo de Outro Ano 01:23:51 - Jogo Mais Bonito 02:04:38 - Melhor História 02:15:27 - Spoiler de Clair Obscur: Expedition 33 02:29:30 - Fim do Spoiler de Clair Obscur: Expedition 33 02:30:03 - Spoiler de Blue Prince 02:39:02 - Fim do spoiler de Blue Prince 02:39:13 - Spoiler de Silent Hill f 02:53:43 - Fim do spoiler de Silent Hill f 03:04:42 - Melhor Mecânica 03:50:53 - Coisa Mais Idiota 04:09:24 - Spoiler de Death Stranding 2: On the Beach 04:10:20 - Fim do spoiler de Death Stranding 2: On the Beach 04:19:59 - Maior Decepção 04:58:46 - Maior Surpresa 05:27:27 - Melhor Momento 05:46:19 - Spoiler de Blue Prince 05:53:44 - Fim do spoiler de Blue Prince 05:54:11 - Spoiler de Despelote 05:56:45 - Fim do Spoiler de Despelote 05:58:59 - Spoiler de Split Fiction 06:01:36 - Fim do Spoiler de Split Fiction 06:01:57 - Spoiler de SIlent Hill f 06:03:20 - Fim do Spoiler de Silent Hill f 06:06:04 - Spoiler de Clair Obscur: Expedition 33 06:18:31 - Fim Spoiler de Clair Obscur: Expedition 33 06:18:39 - Esquecidos do Ano 06:58:45 - Pontuando Apostas de 2025 07:01:22 - Resultado do Sushi 07:06:20 - Resultado do Rafa 07:11:53 - Resultado o André 07:14:53 - Resultado do Tengu 07:17:46 - Apostas de 2026 do Sushi 07:26:56 - Apostas de 2026 do Rafa 07:34:51 - Apostas de 2026 do André 07:42:21 - Apostas de 2026 do Tengu Contribua | Twitter | YouTube | Twitch | Contato

Había una vez...Un cuento, un mito y una leyenda

Hacer click aquí para enviar sus comentarios a este cuento.Juan David Betancur Fernandezelnarradororal@gmail.comHabía una vez un hombre que tenía  al mismo tiempor una gran arte y una gran frustración, siendo el gran escultor de Chipre todos reconocían en el su capacidad de crar hermosas figuras pero su gran frustración era que ninguna mujer en todo Chipre le parecía suficiente para su gusto. Ahora el se encontraba entrando a la oficina de aquel medico que supuestamente lo iría a tratar de alguno de sus males y allí la vio.  Ella estaba en la sala de espera, posiblemente ansiosa a que la hicieran pasar y El destino, que alguna vez había convocado a dioses y milagros lo llevaba a encontrarla en aquel lugar. Pigmalión la reconoció por el lóbulo de la oreja. Recordaba haber pasado tres días enteros puliendo ese lóbulo, eligiendo el grano más fino de la lija para que el mármol capturara la luz de la tarde. Ahora, sin embargo, esa oreja sostenía un pendiente de mal gusto  y la piel que la rodeaba tenía una pequeña mancha que denotaba el mal uso de aquel lóbulo perfecto«Se está estropeando», pensó él con la crueldad clínica de un artista. «Mi obra maestra se está echando a perder».La mujer que obviamente lo había visto ingresar se sintió perturbada por su presencia y aunque trataba de ignorarlo sentía  su mirada constante sobre ella. Su nombre era Galatea y era la más bella mujer de todo Chipre sin duda alguna. No necesitaba  levantar la vista para saber que él la estaba juzgando. Conocía muy bien como aquel hombre al que detestaba era quien mejor la podía observar y juzgar.. Era la misma densidad de la mirada  que sentía cuando él la miraba en su taller, no con amor, sino buscando dónde corregir hasta el mínimo detalle que ella pudiera tener. La veía siempre como una obra en proceso y ella realmente ya estaba perfecta. En su mente de mujer beldad pensaba —Sigue mirándome como si fuera un bloque de piedra —pensó ella, apretando la mandíbula—. Nunca quiso una mujer. Querías un ser que sirviera como reflejo de su propio ego. Queria la más perfecta mujer posible. El silencio entre los dos era espeso, el frio de sus miradas podía sentirse en toda la habitacion.Pigmalión recordó la historia de aquella mujer. Siendo el el gran escultor de su tiempo había llegado a la creación de la más bella y perfecta mujer y cansado de las imperfecciones de las mujeres de Chipre  sentía que ninguna era lo suficientemente perfecta para el. En cambio aquella era perfecta. Una figura como ninguna otra y con la mirada más enigmática que mujer alguna pudiera tener. Era ella toda suya era su Galatea. La perfección hecha piedra. Desesperado le hizo la plegaria a afrodita que le permitiera que aquella estatua de mármol fuera su propia mujer. Pigmalión recordó el momento exacto en que la piedra gracias a la intervención de la bella afrodita se volvió tibia bajo sus dedos. Sus ojos se posaron sobre el y su cuerpo frio y firme se convirtió en una figura dulce y suave. Fue el momento más glorioso de su vida. Pero ahora, viendo cómo ella tosía discretamente y se acomodaba el abrigo, se dio cuenta del error de cálculo en ese momento. El mármol era eterno; la carne al contario era  una decepción constante. El mármol no criticaba ni sentía celos, El mármol no tenía reclamos constantes sobre cosas pequeñas  y no te miraba con decepción cuando llegabas tarde.Ella por su parte al encontralo en aquella habigtacion recordaba aquel frio. Pero no el frio del marmo que antes podía sentir como su cuerpo. No Galatea recordaba El frío de no ser reconocida y ser ignorada en cada asunto de la vida. Recordaba como aquel famoso escultor la hacia sentir menos en cada ocasión social cuando se referia a ella como su creación. . A veces, cuando él l

Livros que amamos - histórias para crianças

“Criança que não sai do lugar está doente”, já diziam as avós. Andar, explorar e descobrir novos horizontes faz parte da infância tanto quanto cobrir os adultos com milhares de perguntas. Tudo isso por um motivo simples: aos poucos, os pequenos crescem e, para isso, precisam descobrir seus limites, até onde podem conquistar espaço e conhecimento. No livro O menino que queria ir, lançamento do selo Globinho, a experiência de ver o mundo encolher conforme a curiosidade infantil aumenta é contada com o texto suave da experiente Blandina Franco. Toda a ambientação poética parece mais intensa acompanhada das ilustrações de José Carlos Lollo, criador dos cenários dessa surpreendente viagem. Num convite para que as crianças usem sua curiosidade para descobrir até onde vão seus limites, a história de Blandina Franco mostra um simpático menino com olhos ávidos, que não tem nome, mas que tem muitas vontades. Testando suas aptidões, o menino começa um percurso que começa dentro da confortável barriga da mãe e vai ganhando novos horizontes, como o quintal de casa, a rua, a cidade, outros países... Nessa aventura movida por uma combinação de coragem e vontade de desvendar o mundo, o menino chega até ao espaço sideral, destino imaginário preferido pelas crianças que não conseguem (nem querem) parar quietos. Para acompanhar a história juntamente com as ilustrações do livro, compre o livro aqui: ⁠https://amzn.to/4jF6QbwSe vc gostou, compartilhe com seus amigos e me siga nas redes sociais! ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://www.instagram.com/podcast_livros_que__amamos/ E fiquem ligados, porque toda sexta-feira publico uma nova história. Até mais!

Ponchote Podcast
Yolanda lanza mensaje ¿Si queria? Alicia y su ginete, Lupita vs Bobo y Adame contra Chapoy

Ponchote Podcast

Play Episode Listen Later Dec 26, 2025 68:39


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