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No âmbito do programa literário internacional DISQUIET, organizado pelo CNC em parceria com a editora independente norte-americana Dzanc Books, publicamos a conversa (em inglês e em português) com António Lobo Antunes que decorreu na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, na primeira edição do programa em 28 de junho de 2011.
durée : 00:27:32 - Les émissions culturelles de France Culture - par : Marie Labory - Au programme de ce débat critique consacré à la littérature, deux romans posthumes : "Dictionnaire du langage des fleurs" de l'écrivain portugais António Lobo Antunes et "Notre sœur rabat-joie. Méditations obliques d'une Noire" de l'écrivaine ghanéenne Ama Ata Aidoo. - réalisation : Laurence Malonda, Boris Pineau, Aïssatou N'Doye, Jules Barbier, Zohra Vignais, Lise Ripoche, Mathi Adjinsoff - invités : Pierre Benetti critique littéraire, Copélia Mainardi Vous aimez ce podcast ? Pour écouter tous les épisodes sans limite, rendez-vous sur Radio France
durée : 00:17:39 - Les émissions culturelles de France Culture - par : Marie Labory - Considéré comme l'un des plus grands auteurs de littérature européens, mort le 5 mars 2026, l'écrivain portugais António Lobo Antunes livre un dernier roman d'outre-tombe. - réalisation : Laurence Malonda, Boris Pineau, Aïssatou N'Doye, Jules Barbier, Zohra Vignais, Lise Ripoche, Mathi Adjinsoff - invités : Pierre Benetti critique littéraire, Copélia Mainardi Vous aimez ce podcast ? Pour écouter tous les épisodes sans limite, rendez-vous sur Radio France
A comunidade As Nossas Finanças PT-DK organiza sábado uma sessão sobre como construir negócios na Dinamarca, aberta a todo o mundo. Maratona de leituras de António Lobo Antunes no Uruguai e Argentina.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A few pages of the following books will be read:The Enlightenment of the Greengage Tree by Shokoofeh Azar, translated from the Persian by an anonymous translatorHurricane Season by Fernanda Melchor, translated from the Spanish by Sophie HughesThe Land at the End of the World by Antonio Lobo Antunes, translated from the Portuguese by Margaret Jull Costa
Löffler, Sigrid www.deutschlandfunk.de, Büchermarkt
Hueck, Carsten www.deutschlandfunk.de, Büchermarkt
Neste magazine cultural falamos sobre Sally Rooney, mas também falamos sobre a morte do António Lobo Antunes, o fim de José Saramago como leitura obrigatória, Mário de Carvalho, a linkedinização da sociedade, "Powerbroker" de Robert A. Caro, James Joyce e outras coisas.Bilhetes para Viseu: https://www.ticketline.pt/evento/livros-da-pica-ao-vivo-101085Poderão subscrever o nosso patreon para apoiar o projecto e conteúdo extra: https://www.patreon.com/jcdireitaInstagram: https://www.instagram.com/livrosdapica/twitter: https://twitter.com/livrosdapicaimagem: https://www.instagram.com/tiagom__/Genérico da autoria de Saint Mike: https://www.instagram.com/prod.saintmike
No episódio de hoje, Afonso Borges conta um pouco da história do escritor António Lobo Antunes e destaca a sua importância para a literatura mundial. See omnystudio.com/listener for privacy information.
António Lobo Antunes morreu há 15 dias. Precisamente no mesmo dia de março e com a mesma idade em que partiu Helena Vieira da Silva. A literatura portuguesa nunca mais será a mesma.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No final da semana passada, a cantora de fado Katia Guerreiro deu um concerto caritativo em Massy, na região parisiense, a favor da luta contra o cancro pediátrico. A artista que celebrou há alguns meses 25 anos de uma carreira que para muitos segue o caminho trilhado por Amália Rodrigues, falou com a RFI algumas horas antes deste concerto. Nesta conversa, a fadista evoca as suas andanças pelo mundo e algumas das suas colaborações marcantes, nomeadamente a que teve com o músico e produtor José Mário Branco, falecido em 2019, ou ainda com o escritor António Lobo Antunes que nos deixou há poucos dias. Katia Guerreiro aborda igualmente o seu olhar sobre o fado depois de 25 anos nos palcos e fala da necessidade que tem, por vezes, de cantar algo diferente, como aconteceu por exemplo no seu mais recente álbum, "Mistura", lançado em 2024. A artista evoca também a sua acção como comissária de "Ponta Delgada - capital portuguesa da Cultura 2026". Um activismo que encara como uma "retribuição" por tudo o que tem recebido dos Açores, onde cresceu. Uma conversa que é também um reencontro, passados mais de vinte anos sobre um primeiro contacto, quando então estava no começo do seu percurso no fado. RFI: No ano passado, comemoraste 25 anos de carreira. Isto passou num instante. Katia Guerreiro: Foi a correr. Nós estávamos a fazer contas. Já não nos víamos há 20 anos, não é? E de repente, olha-se para trás e. E faz-se aqui uma retrospectiva, é um momento retrospectiva e que tem de ser mesmo celebrado. Porque efectivamente, acho que tenho motivos de orgulho grandes por andar aqui há 25 anos. Tudo aquilo que eu já construí, que já dei, mas é também uma responsabilidade acrescida, porque daqui para diante terei de continuar dentro desta minha linha de coerência e de consistência naquilo que faço, porque acho que é isso que o público continua a esperar de mim. São 25 anos muito, muito felizes. E eu comecei a comemorar no dia 18 de Junho no CCB (Centro Cultural de Belém em Lisboa), porque foi essa a data que encontrámos disponível para fazer este concerto naquela sala de que eu gosto muito. Mas efectivamente, foi no dia 6 de Outubro a data oficial de comemoração. Mas continuo a prolongar isto porque me sabe muito bem. Neste ano em particular, que estou muito dedicada a uma outra causa que é a capital portuguesa da Cultura em Ponta Delgada, poder continuar a levar a palco um repertório que construí ao longo destes 25 anos. E o meu plano para este ano é cada concerto ser diferente, construir concertos diferentes cada vez que subir ao palco. E revisitar o repertório que eu deixei de cantar. Porque os repertórios vão-se renovando e vamos deixando alguns temas para trás. Mas já tinha saudades de cantar alguns e então vou sempre recuperando alguma coisa em cada concerto e construindo espectáculos diferentes, o que me dá particular gozo não ter de fazer sempre a mesma coisa. Nunca fiz, mas agora de uma forma mais consciente. RFI: Olhando para trás, como é que vês a tua evolução? O que é que talvez mudou na tua forma de encarar o fado, de encarar o canto? Katia Guerreiro: Eu acho que vou tendo uma cada vez maior maturidade na forma como canto e acho que isso se nota na minha voz. Quando vou revisitar os temas antigos, eu percebo que a minha maturidade na voz vai crescendo. Mas procuro sempre que as palavras sejam cantadas com muita verdade. Mas a minha verdade hoje não é a mesma verdade de há 20 anos atrás ou há 25 anos. Portanto, há sempre aqui camadas que se vão acrescentando de histórias de vida que vão fazendo com que haja mais coisas por detrás das palavras que eu canto e, portanto, uma maior intensidade, mas também uma maior maturidade emocional ao lidar com elas. RFI: Foram muitas viagens, muitas voltas, muitas voltas ao mundo e muitas voltas também interiores. Como é que estas viagens influenciaram o teu trabalho? Katia Guerreiro: Influenciam muito, porque quanto mais eu conheço o mundo, mais me fascino com ele. Também tenho algumas desilusões perante tudo aquilo que nós vamos assistindo, que é a realidade das guerras. Isto perturba-nos a todos. Mas estas viagens que vou fazendo e -repara- quando eu toco neste tema, a mim custa-me horrores. Eu fui cantar a Moscovo pouco tempo antes da guerra, com a Ucrânia rebentar. E a mim dá-me particular pena que o mundo não veja que já chega de ganância. Todos têm a sua quota-parte no mundo e não faz sentido nenhum que continuem a lutar por quererem ter mais. Isso é ganância. Fui a Israel antes de rebentar a guerra com a Palestina. Estive na Palestina. Custa horrores imaginar que aquela gente está a sofrer e que se está a perder vidas todos os dias. Essa é a parte triste da vida, nós conhecermos o mundo e percebemos que o mundo está a ser destruído pela ganância humana. Mas ao mesmo tempo, lá está, mais uma vez, o exemplo de Israel e Palestina. Eu andei a circular livremente no país. Estive na Palestina e estive em Israel e as pessoas são todas iguais. Não há diferença dentro do ser humano, por muito que haja uma cultura diferente e uma forma de viver diferente. A verdade é que as pessoas são todas iguais e isso é o que me encanta no mundo. Perceber que por muito que nós encontremos diferenças na língua, na postura social, na cultura, na religião, a verdade é que depois, por dentro, somos todos iguais. Isso é tão bonito de receber e de partilhar. RFI: Tens trabalhado com grandes nomes, grandes nomes da música, grandes nomes também da literatura, grandes nomes como José Mário Branco. Como é que foi? Katia Guerreiro: Foi das experiências mais ricas que eu tive na minha vida. Em primeiro lugar, porque efectivamente, por preconceito meu ou receio eventualmente, achei que o Zé Mário nunca aceitaria trabalhar comigo, porque nós não nos conhecíamos, não tínhamos nenhuma ligação, não havia nenhuma relação. Mas a verdade é que o Zé Mário era um homem muito grande, de espírito, de alma. E é. O Zé Mário acolheu o meu pedido de trabalhar com ele. E na verdade, se no início havia uma relação estritamente profissional, no fim chegámos ao ponto de termos uma relação quase familiar, de muito carinho, de muito respeito. E o Zé Mário no fim, dizer-me que ganhou uma filha e dois netos, isso foi muito, muito gratificante. Chegar a esse lugar de conquista, não foi uma conquista, porque eu não trabalhei para ela. Foi muito natural, tal como ele é. Mas poder ter o privilégio de trabalhar com um homem maior, como era o José Mário Branco, que me transmitiu tanto conhecimento, tanta sabedoria, tanta maturidade, foi de facto muito enriquecedor e transformou-me profundamente. RFI: E como é que foi com António Lobo Antunes que nos deixou recentemente? Katia Guerreiro: Essa foi uma grande pena que tive também com esta perda, o António Lobo Antunes. A história com ele é muito engraçada. Em 2022, eu estava já a preparar o meu novo álbum e foi o João Mário Veiga que me mostrou um livrinho pequenino de poemas que ele tinha lançado como oferta de um dos romances que ele lançou, não me lembro qual. Tinha poemas absolutamente extraordinários. Tinha coisas muito cantáveis, porque eram formas poéticas muito usadas no fado, mas ele não escreveu para fado. Mas aquilo era tudo muito apetecível. E apeteceu-me imenso cantar aquilo. Mas eu, como sempre, tenho sempre o cuidado de sempre que há um autor vivo -já não posso pedir autorização ao Fernando Pessoa, nem ao Camões- mas quando há um autor vivo, eu tenho o cuidado de abordar o autor e de pedir autorização, porque acho que isso é o mínimo de respeito e educação. E andei atrás do António Lobo Antunes a tentar chegar até ele e tive meses nessa tentativa. Tive vários amigos que o conheciam, que lhe escreveram cartas, que lhe telefonaram. E a determinada altura, há uma carta que chega a bom porto e eu estava a gravar um documentário para o Japão -foram a Portugal gravar um documentário comigo- e estava no camarim a arranjar-me antes de ir gravar. E recebo um telefonema que começa assim "Boa tarde Katia Guerreiro. Daqui é António Lobo Antunes". E a minha resposta foi imediatamente "António!!!!!!". Parecia uma criança! Parecia que estava a ver o Mickey Mouse! Estivemos a conversar algum tempo e foi deliciosa aquela conversa. E a determinada altura eu disse-lhe "António, já sabe que eu quero cantar uns poemas seus, identifiquei este e este e este. Apetecia-me cantar tudo, mas tenho estes preparados. O António autoriza-me?". E ele diz "A menina pode cantar tudo!". E portanto, a partir daí, o António caiu nas boas graças e conhecemo-nos depois pessoalmente, muito pouco tempo depois, porque o Júlio Pomar lançou um livro que tinha o prefácio escrito pelo António Lobo Antunes. O livro ia ser apresentado pelo António Lobo Antunes e então conheci-o nesse dia de apresentação e cantei os poemas do António nessa noite. E pronto, fiquei assim com um carinho muito especial pelo António. Voltei a gravar poemas dele e continuo a cantar António Lobo Antunes sempre e com muito orgulho. E agora canto ainda com mais privilégio na alma. Era de facto um ser superior, com uma visão muito interessante da vida e do mundo, com um realismo muito profundo. E eu vou manter esta alegria de poder ter tido contacto com o António. Foi mesmo uma grande honra. RFI: Nas entrevistas que vais dando, falas muito de "fugir" ou não ao fado. Volta e meia também foges um pouco. Como é que encaras essa "fuga"? Katia Guerreiro: Não é bem fugir. Quando eu faço coisas diferentes, é dar um bocadinho azo à minha liberdade criativa. Eu sou fadista de corpo e alma. Mas eu sofro inspirações várias. Eu não oiço só fado. Eu não cresci, sequer a ouvir fado. Portanto, eu tenho outras referências musicais e elas também me inspiram, também me alimentam. E é uma sensação de respirar fundo e poder fazer diferente. Eu, no fundo, sou um espírito livre e vou fazendo aquilo que me apetece. Não vou só à procura de respeitar os cânones ou de ser uma artista metida dentro de uma caixa. Eu tenho as minhas asas soltas e vou voando em vários territórios musicais. E eu gosto muito disso. Dá-me muito prazer e enriquece-me também. Este ano, tenho feito precisamente aquilo que eu me predispus a fazer, que é não ter planos nenhuns e portanto, vou gravando aquilo que me apetece. Apresentam-me canções, apresentam-me temas que não têm nada a ver com fado e se me apetece gravá-los, eu gravo. Tenho tido esta liberdade criativa e artística. Acho que não tenho nada a provar a ninguém. Sou muito fadista e isso vê-se muito bem em cima das tábuas de um palco. RFI: Tens cantado músicas com o espírito do fado, mas que não são propriamente fados. Introduziste também o piano. Isto é uma novidade. Como é que isto surgiu? Katia Guerreiro: Foi surgindo exactamente pelos cruzamentos artísticos que nós vamos tendo. De repente, tenho o Toli César Machado, dos GNR, que me oferece um tema, o "Capitães da Areia" com letra do Helder Moutinho. Eles oferecem-me esta música e aquela música remete-me efectivamente para um ambiente intimista, acompanhado por um piano. Eu não conseguia ouvir guitarra portuguesa naquela história que cantei e, portanto, ainda mais conhecendo o João Bernardo, que é um pianista extraordinário, o meu conterrâneo açoriano. Apeteceu-me muito criar esta linguagem, com aquele tema, com aquela história que é tão bonita. Uma história de amor lindíssima. E apeteceu-me criar isto. Entretanto, aconteceu com outros temas que foram aparecendo. O Carlos Leitão oferece me o "É tão longe a minha casa", que é uma declaração de amor também à minha terra. E aí criou-se um ambiente muito misto, onde estão as violas da terra dos Açores. Fui voltar às minhas origens. Aparece o piano também aqui a fazer um contorno às violas da terra. Mas também tenho os meus músicos de fado a tocar, portanto, misturei aqui os diversos ambientes que me trouxeram todo o universo musical em que eu vou andando. Agora, mais recentemente, lancei o "Gracias a la Vida", porque acabo de celebrar 50 anos de vida. E eu tinha este tema há muitos anos. Cantei há muitos anos, num jantar oficial oferecido à Presidente Bachelet, em Lisboa. Quis oferecer-lhe esse mimo e fiquei, desde essa altura com vontade de gravar isto. Já lá vão 18 anos por aí. Fiquei com vontade de gravar este tema, não sabia quando. E fui guardando. E depois, entretanto, fui fazer uma turnê na América Latina. Cantei o "Gracias a la Vida" e foi um sucesso nos espectáculos que o público me pedia para gravar. Ainda assim, fui adiando, adiando. Até que agora, estava chegar aos meus 50 anos, há uns meses atrás e pensei "Sim, vou gravar o "Graças a la vida"". E então fui buscar não só o piano como a guitarra portuguesa, o contrabaixo, a viola. Mas depois trago um elemento da América Latina para compor este ambiente de uma canção que é da grande Violeta Parra. Lancei-o no Dia Internacional da Mulher, como uma homenagem a uma mulher muito inspiradora como a Violeta Parra, com um espírito muito livre. E sim, acho que é o momento de dar graças à vida por existir. RFI: Falaste do regresso às raízes, aos Açores. Participas este ano em 'Ponta Delgada, capital portuguesa da Cultura 2026'. Como é que é? Katia Guerreiro: É um grande desafio, mas uma enorme honra ter esta missão entre mãos. Há quem ache que eu sou embaixadora e que dou a cara pela capital portuguesa da Cultura. É um bocadinho mais do que isso. Sou mesmo programadora de todo o evento que decorre durante todo este ano de 2026, em Ponta Delgada, e que abraça todas as áreas da cultura ou pelo menos quase todas, porque a cultura é um conceito muito lato. Temos eventos na área das artes visuais, da arquitectura, da gastronomia, que é tão forte, tão importante, é uma identidade cultural muito forte nos Açores. A religiosidade também é uma das áreas que nós abraçamos. A antropologia e a etnografia porque, efectivamente há um lado de tradições muito importante. Mas depois a música, a dança, o teatro, as artes inclusivas. E temos ainda um programa muito importante na área do serviço educativo, que é de oferecer projectos culturais às crianças, às novas gerações, mas não só desde a primeira infância até aos mais velhos. Passamos pela universidade, temos projectos culturais em protocolo com a Universidade dos Açores e também para os seniores, e estamos a desenvolver projectos muito importantes que vão ficar para o futuro, porque é mais isso que me importa. No fundo, quando eu recebo este convite, eu não consegui voltar-lhe as costas, mesmo isso implicando eu reduzir alguma actividade artística minha. Porque é a minha terra. Tenho um grande amor pela minha terra e senti que era o momento de eu retribuir à minha terra tudo aquilo que ela me deu e me dá enquanto construção da minha identidade individual. É aquilo que eu me propus fazer. Foi levar toda a minha experiência, toda a minha visão do que eu tenho recebido pelo mundo fora, daquilo que a cultura pode oferecer e pode contribuir para um melhor desenvolvimento humano. E sim, eu acredito que a educação e a cultura são dois dos pilares fundamentais para o desenvolvimento humano. E neste momento, acho que acho que todos nós temos consciência da crise que existe, com uma certa aculturação das novas gerações que acabam por conduzir a seres humanos com menos sentido crítico, menos pensamento próprio, menos capacidade de decisão. Com a minha equipa -tenho uma equipa maravilhosa que constituí- tenho desenvolvido um trabalho que procura precisamente ir à raiz do problema, tentando deixar sementes para que as crianças, os jovens, tenham uma perspectiva de futuro diferente. Não nos esqueçamos que estamos a falar de um território ultraperiférico, muito isolado no meio do Atlântico, que tem menos acessibilidade a tudo aquilo que acontece no continente. E aquilo que nós nos propomos fazer é não só valorizar e projectar aquilo que se produz culturalmente no território que é muito rico, mas também promover no território projectos que dificilmente conseguem chegar, porque os custos para conseguir chegar, fazer levar projectos de grande envergadura ao território são muito, muito elevados. São quatro vezes superiores a fazer qualquer coisa no território continental. São as viagens, são os alojamentos, são as refeições. Tudo isto custa quatro vezes mais. E, portanto, este é o ano em que nós temos de aproveitar para oferecer à comunidade nos Açores uma programação diferenciadora e estamos muito orgulhosos pelo trabalho que estamos a desenvolver. O público está a aderir. Estão a querer acompanhar toda a nossa programação e mais do que isso, é chegar ao fim e dizerem "a vossa programação está a ser de excelência. Obrigada por isto". E portanto, ficamos mesmo muito felizes. O convite é: visitem Ponta Delgada, porque há muita oferta cultural a par da maravilha que é aquele lugar mágico em natureza e natureza humana também. RFI: Isto é o começo de um novo percurso. Katia Guerreiro: Não sei, não me parece. Eu acho que esta é uma experiência muito rica, muito enriquecedora. E acontece precisamente por eu querer, no fundo, contribuir para a minha terra, poder com tudo aquilo que eu tenho vivido, aprendido e crescido, poder contribuir, oferecer, devolver à minha terra um pouco daquilo que eu tenho ganho na vida. Não me parece que esse seja o percurso que eu vá seguir. Eu gosto muito do palco. Eu gosto muito de cantar e estar hoje aqui a cantar na ópera de Massy é de facto muito libertador, porque hoje tenho a possibilidade de libertar-me da responsabilidade de todo este trabalho, que é um trabalho minucioso, quase um trabalho de filigrana, que envolve muitas questões, nomeadamente contratação pública, temas com os quais eu nunca achei que ia ter de lidar na minha vida. Mas pronto, também estou a crescer com isto. Estou a aprender muita coisa, está a ser muito bonito. E mais do que tudo, é cruzar-me com pessoas maravilhosas. Tenho tido contacto com projectos culturais absolutamente incríveis. Acho que estou a crescer muito. Estou a ficar mais crescida ainda. RFI: Apesar de não haver planos. Há um plano relativamente, por exemplo, a essas gravações que vais fazendo. Há algo novo, que está a crescer, que está a nascer? Katia Guerreiro: Eu acho que sim. Este ano em que eu estou a seguir o não ter planos acaba por me ir ajudando a construir alguma coisa que é um caminho um bocadinho errático ou desconhecido. Agora apetece-me fazer isto. É o que eu vou fazer. Eu acabo de gravar o "Graças a la Vida" e cruzo-me com um fado tradicional que eu nunca tinha ouvido, porque são centenas de melodias tradicionais e já estou com vontade de explorá-lo e de encontrar palavras para ele e quiçá possa vir a ser o próximo tema que eu vou gravar. Mas é isto que eu estou a fazer e se calhar chego ao fim e gravo mais algumas coisas e posso lançar um álbum que é o resultado de tudo isto. Vamos ver se é coerente, se faz sentido. Mas eu acho que eu, estando neste momento com esta missão, quero dar asas de facto à minha criatividade, porque preciso muito dela para me alimentar e para ser feliz. Mas eu creio que também estou aos poucos a criar dentro de mim um plano para que depois eu volte à minha actividade regular artística. Eu não quero sair dos palcos, eu não quero desaparecer. Quero mesmo muito que as pessoas confiem que eu estou a fazer este caminho com um propósito. Ele está-se a definir. RFI: Quais são os próximos encontros no palco nestas próximas semanas, nestes próximos meses? Katia Guerreiro: Bom, agora estou aqui e estou muito feliz com o espectáculo que vou apresentar, mas tenho agora o que está previsto. Vou fazer uma turnê nas ilhas dos Açores. Não tem nada a ver com a programação da 'capital portuguesa da Cultura'. Foi um convite que me foi feito e vou cantar em sete ilhas dos Açores, o que é lindo, porque vou fazê-lo na minha terra. Aliás, vou cantar em ilhas onde nunca cantei e essa é uma turnê que me vai obrigar a estar de férias da capital, mais ou menos de férias porque nunca consigo estar de férias totalmente. Mas vou fazer essa turnê. Tenho várias coisas planeadas. Tenho também um concerto no Porto que me tem dado algum trabalho também, porque é algo complexo, mas depois disso tenho concertos pelo país. Vou a Roma também, vou voltar à Roma e vou seguindo!
Desaparecido recentemente, António Lobo Antunes foi referenciado por Brian Zahnd, um pastor americano.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Fado AlexandrinoVitorino musicou o poema homônimo de Lobo Antunes, que também dá título a um de seus romances mais viscerais.Escrita pelo próprio Lobo Antunes, a canção traz versos que brincam com o absurdo e o cotidiano: "Amanhã chegaste à minha vida / E disseste bom dia e era noite lá fora".A música captura perfeitamente o espírito do livro: a sensação de desajuste dos soldados que retornaram da guerra em Angola e não conseguem mais se encaixar na "normalidade" de Portugal.
Esta semana hablamos del duelo por el hijo real y de qué variables complican la situación de Irán.En las pistas culturales hablamos de la literatura de Lobo Antunes, de la película El mago del Kremlin y el documental MrNobody contra Putin.
Nesta sexta-feira 13, António Apolinário Lourenço e João Pedro Gonçalves fazem uma conversa de café à mesa da rádio onde o dia azarento não é esquecido, e a provar isso mesmo, até parece que um dos intervenientes confunde Paco bandeira com o grande Zeca. Claro que isso foi apenas para sublinhar a sexta-feira 13. O Mundo de Tramp e de outras pessoas não recomendáveis é, também, objeto da análise numa conversa que passa pelo novo presidente Seguro e assinala, a terminar, o desaparecimento de António Lobo Antunes e de Mário Zambujal.
O programa que foi ao ar ao vivo pelas ondas da SBS 2 na Austrália. As notícias do dia. Eleições no Brasil: cidadãos têm até 6 de maio para regularizar e transferir o título de eleitor - saiba como fazer. Mais: explicamos como funcionam as habitações públicas e comunitárias na Austrália. De Portugal, a posse do novo presidente António José Seguro, e o adeus ao escritor António Lobo Antunes, rival de José Saramago, e que morreu aos 83 anos. No Brasil, a discussão da redução da escala de trabalho 6 por 1 é uma das pautas principais.
Há conversas que ficam. Não porque sejam perfeitas nem porque digam tudo — mas precisamente porque deixam algo por dizer, qualquer coisa que continua a trabalhar em nós depois de fecharmos o ecrã ou sairmos da sala.Foi o que aconteceu naquela noite de 30 de setembro de 2017, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. No encerramento do FIC 2017, o escritor António Lobo Antunes e o filósofo Eduardo Lourenço sentaram-se frente a frente. Não para debater. Para conversar. E há uma diferença enorme entre as duas coisas.
Lobo Antunes recusa Panteão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
15 minutos a cada 15 dias.No episódio de hoje, Edmara Galvão comenta sobre a morte do escritor português António Lobo Antunes, faz um comentário sobre o Dia Internacional da Mulher com indicações de leitura e também comenta sobre um novo projeto de digitalização de um raro acervo.O episódio também traz uma Resenha Relâmpago do ouvinte Eduardo Gomes sobre "O infinito em um junco", de Irene Vallejo.---RecebidosO amor na sala escura, Clarisse Escorel - Editora Bazar do Tempo---Links citadosAcervo com obras raras impressas no Brasil do século 19 será digitalizadoPodcast Corpo Especulado
'O amor e a amizade são as únicas coisas boas da vida. O resto é treta', pregava o psiquiatra e escritor que superou a guerra em Angola, três tipos de cancro e cuja obra rivalizou com José Saramago. Ele morreu aos 83 anos em Portugal.
Piscas, António Lobo Antunes, outra vez Secret Story.
No episódio 203, analisamos a Jornada escaldante do último fim-de semana. Os 4 primeiros classificados anularam-se: Sporting empatou em Braga e o Porto fez o mesmo na Luz. Questão do título resolvida? Falamos também do possível despedimento de Luís Pinto do comando do Vitória SC, e abordamos também a época agridoce que os Vitorianos estão a ter. Projectamos os jogos Europeus que se avizinham para Sporting, Porto e Braga; e terminamos com mais um fora-de jogo, com 3 belas recomendações: o filme Tremors, a 2ª temporada da série Paradise, e o romance "Manual dos Inquisidores", de António Lobo Antunes.
“Pena que não tivesse ganhado o Nobel”, diz João Céu e Silva, autor de “Uma longa viagem com António Lobo Antunes”, que reviu há 2 anos, já com a demência. “Seduziu-me, como a todas as mulheres”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Espanha tem uma voz única na Europa e não autoriza a utilização de bases militares pelos Estados Unidos. Portugal cedeu a base das Lajes. Em França, Macron anuncia o desenvolvimento da estratégia nuclear. Quem está no caminho certo? É o tema central do Visto de Fora desta semana onde Begona Iniguez e Olivier Bonamici fazem o balanço da presidência Marcelo e esclarecem como António Lobo Antunes, que faleceu esta semana, é lido lá fora. Com moderação de Sérgio Costa.
Onde se apresenta uma transcrição de uma entrevista televisiva de 2001, onde o prestigiado escritor e psiquiatra António Lobo Antunes reflete sobre a sua vida e obra. O autor discute a sua experiência traumática na Guerra Colonial, a influência da educação rígida e a importância de figuras familiares, como o seu avô. A conversa aborda o seu processo criativo solitário, descrevendo a escrita como uma atividade árdua que visa aproximar-se da essência da realidade humana. Lobo Antunes partilha ainda a sua visão sobre o sucesso literário, a distinção entre fama e qualidade, e o seu trabalho com doentes psiquiátricos. Em última análise, o diálogo revela a profunda sensibilidade de um artista que encara a literatura como uma forma de salvação e autoconhecimento.
Onde se apresenta uma transcrição de uma entrevista televisiva de 2001, onde o prestigiado escritor e psiquiatra António Lobo Antunes reflete sobre a sua vida e obra. O autor discute a sua experiência traumática na Guerra Colonial, a influência da educação rígida e a importância de figuras familiares, como o seu avô. A conversa aborda o seu processo criativo solitário, descrevendo a escrita como uma atividade árdua que visa aproximar-se da essência da realidade humana. Lobo Antunes partilha ainda a sua visão sobre o sucesso literário, a distinção entre fama e qualidade, e o seu trabalho com doentes psiquiátricos. Em última análise, o diálogo revela a profunda sensibilidade de um artista que encara a literatura como uma forma de salvação e autoconhecimento.
Um clássico que só tem duas saídas possíveis: ganhar ou vencer. É ficar entre a ilusão e o tédio. Motivações não faltam.
(00:32) Der französische Fotograf Luc Delahyae hat in den 1990er Jahren das Grauen an Kriegsschauplätzen dokumentiert. Heute arbeitet er als Fotokünstler hauptsächlich an Panoramabildern, die er nachträglich am Computer verändert. Das Photo Elysée in Lausanne zeigt eine Schau mit seinen Bildern. Weitere Themen: (04:44) Kosmos und Klang: Das «Interfinity Festival» startet in Basel. (09:10) António Lobo Antunes ist tot – ein Meister der portugiesischen Literatur. (10:00) Wandel im Iran: Wie blicken iranischstämmige Kulturschaffenden auf die Angriffe der USA und Israel in ihrem Heimatland? (15:25) Berlinale-Sieger «Gelbe Briefe» von İlker Çatak läuft in Schweizer Kinos. (19:57) Welche Auswirkungen haben Diskussionen um Berlinale-Intendantin Tricia Tuttle auf die Zukunft des Filmfestivals? (24:06) Schlüsselwerk der österreichischen Moderne: Wiener «Villa Beer» nach Umbau für Öffentlichkeit zugänglich.
António Lobo Antunes escreveu durante mais de 40 anos e marcou a literatura portuguesa. Mas sabemos mesmo quem foi e sobre o que escrevia o autor? Conversa com Rodrigo Guedes de Carvalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Novelista de estructuras de acero narrativo murió a los 83 años; por desgracia, llevaba dos recluido en su casa, sin recuerdos, perdido en la desmemoria...
Publicamos a intervenção de António Lobo Antunes no final do "Dia António Lobo Antunes", organizado pelo Centro Nacional de Cultura em colaboração com o Centro Cultural de Belém, em 27 de outubro de 2013. (imagem de Rui Ochôa, 2011)
Comenzamos el repaso a las novedades culturales con una triste noticia: ha fallecido el escritor António Lobo Antunes. Y pasamos al cine, porque os traemos las novedades en cartelera. Continuamos el programa con la sección 'Ese éxtasis', en esta ocasión con motivo del 8M. Miren Tulsa nos habla de la película Las Sufragistas, y nos descubre a la poeta iraní Farough Farrojzad. Y como es viernes de música en directo, Bombín viene acompañado de Alba Blanco, vocalista de La Perra Blanco. Charlamos con ella, y escuchamos las canciones de su último disco al ritmo de R&B: 'Lovers and fears'.Escuchar audio
Presidente, Governo, figuras da cultura e amigos despedem-se do escritor. Marcelo diz que gostaria que António Lobo Antunes fosse para o Panteão Nacional. Funeral realiza-se amanhã.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Duas exposições de fotografia, uma com poesia pelo meio, são as sugestões em destaque no Ensaio Geral desta semana, em que abrimos um livro que marca a estreia de Inês Bernardo na literatura e escutamos o disco que o Expresso Transatlântico apresenta na Casa da Música e no Capitólio. Guilherme d'Oliveira Martins desvenda as suas sugestões culturais, na semana em que nos despedimos do escritor António Lobo Antunes.
Dee portugisesche Schrëftsteller Antonio Lobo Antunes ass gëschter am Alter vun 83 Joer gestuerwen. Nieft dem José Saramago zielt hien zu de bedeitendste portugisesche Schrëftsteller vun der Géigewaart. D'Valerija Berdi mat engem Portrait
Miguel Sousa Tavares comenta os dias de conflito no Médio Oriente: "a guerra vai abranger o mundo inteiro, com reflexos na economia mundial e vai ser trágica para países mais pobres". Sublinha ainda as diferenças para outras guerra com "o uso da IA no planeamento e na execução das operações militares". Sobram ainda criticas duras para Paulo Rangel por causa das Lajes e não só: "Os EUA estão a utilizar a base à revelia das condições que o governo português impôs e o Governo aceita". O cronista deixa elogios à politica externa de Espanha da qual confessa sentir "inveja", lança uma questão a José Luís Carneiro e conclui o podcast a lembrar a obra de António Lobo Antunes.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Jalisco cancela aumento al transporte público CNDH emite recomendación por caso Rancho Izaguirre Muere escritos portugués, António Lobo Antunes a los 83 años Más información en nuestro podcast
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Wenzel, Tobias www.deutschlandfunkkultur.de, Fazit
Ingendaay, Paul www.deutschlandfunk.de, Kultur heute
Bruno Vieira Amaral afirma que Lobo Antunes foi o escritor mais influente nos últimos 50 anos. Após a nota de pesar da editora Dom Quixote, diz que "é preciso contribuir para a preservação da obra".See omnystudio.com/listener for privacy information.
Maria da Piedade Ferreira recorda "cometa que rompeu panorama literário português". A editora de Lobo Antunes diz que "era a primeira pessoa a ler os livros" e afirma que a obra do autor está "viva".See omnystudio.com/listener for privacy information.
Alice Vieira recorda o escritor como um grande amigo, cuja homenagem é merecida. Lobo Antunes deixa um legado importante e "merece tudo". A escritora confessa: "Não há nada dele que eu não gostasse".See omnystudio.com/listener for privacy information.