Podcasts about guerra fria

1947–1991 period of geopolitical tension between the Eastern Bloc and Western Bloc

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guerra fria

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História em Versões
EP129 | A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA NO TERCEIRO REICH

História em Versões

Play Episode Listen Later Aug 15, 2026 25:27


Como a nação dos maiores gênios do mundo no início do século XX expulsou seus prisioneiros Nobel, perdeu a corrida pela bomba atômica e ainda assim conseguiu inventar mísseis balísticos, gás nervoso e os precursores da tecnologia espacial? Neste episódio, mergulhamos nas profundezas dos laboratórios do Terceiro Reich. Da invenção chocante das "Armas de Vingança" de Hitler aos horrores sem precedentes da medicina nazista nos campos de concentração. Descubra os bastidores das gravações secretas de Farm Hall e entenda como os Estados Unidos e a União Soviética "limparam" a ficha criminal de cientistas nazistas, na Operação Paperclip, para vencer a Guerra Fria e chegar à Lua. Até onde o conhecimento pode ir quando perde a alma?Contato: m7studiospodcast@gmail.comInstagram: @historiaemversoes

BoarDidi
Lançamentos e Notícias: A vida no campo com tapetes! | Fabuloso Podcast

BoarDidi

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 16:14


Didi Braguinha recebe Fabricio do Aftermatch e Osmar Campbell da Caixinha board game chegam para mais uma rodada de lançamentos, novidades e comentários do universo dos board games, passando por fazendas acolhedoras, heróis de caneta na mão, duelos infernais, espionagem em plena Guerra Fria, colônias de formigas, inteligências artificiais conscientes e tapetes disputadíssimos em Marrakesh.No episódio de hoje, o trio comenta jogos que estão chegando ao mercado brasileiro, incluindo Vida no Campo e Heróis: Escrever e Conquistar, da MeepleBR; Ace of Spades, Berlim 1960, Formigas e Compile 1, da Devir; além de Marrakesh, da Grok. Entre alocação de trabalhadores, gerenciamento de recursos, papéis escondidos, combos de pôquer, rainhas formigueiras e IAs tentando assumir a realidade, o papo passa por diferentes estilos de jogo, tendências de publicação nacional e aquela pergunta inevitável: quantas formas diferentes existem de transformar uma mesa em caos organizado?Infelizmente uma boa parte desse programa teve que ser descartada por problemas de audio durante a captura. Coisas que falamos mas vcs nunca vão ouvir: Formigas são melhores do que abelhas? Didi afirma seu amor pelos Jogos solos. O crescimento do mercado de Board Game na india e o impacto disso no mercado internacional de jogos de tabuleiro e pra finalizar Qual o sentido da vida. Para saber mais sobre este episódio e os jogos mencionados:-link em breve-⁠Nobi Nobi RPGSe você ainda não conhece ou faz parte, fale conosco no nosso ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Discord⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠.E para as redes sociais: Instagram do FabricioInstagram do Osmar⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Podcast no ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Podcast no YouTube⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Fabuloso Podcast no TikTok⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Para comprar camisa do Fabuloso (e outras):⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Deselegante⁠⁠

Toca Do Dragão
PROTOCOLO ESTRELA VESPERTINA | 04: Что лежит за пределами? (O que há além?)

Toca Do Dragão

Play Episode Listen Later Aug 1, 2026 167:32


Mostre que Você Apoia o Toca: https://apoia.se/atocadodragao#rpg #russia #URSS #ficçaocietifica #ficçaohistorica #scify #rpgdemesa #maddragonturbo #MDT #RPGdoToca #RPGSeguro #FarolDaHistoria"1966. O auge da Guerra Fria. A KGB designa três dos seus melhores agentes para desvendar o Mistério do desaparecimento da Dra. Alekseeva no Complexo de Pesquisa B12. Paranoia, traição e medo, rondam os jogadores a todo instante, nada é o que parece ser. A equipe Sigma-4 conseguirá descobrir o que houve no trágico evento, ou tudo ficará encoberto pela União Soviética? Descubra."Um RPG Do Toca Do Dragão

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Especial Verão | Magnífica Desolação: Acabou a lua-de-mel (EP. 10)

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Jul 30, 2026 18:42


Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.Três anos e meio depois de ter começado, a relação dos americanos com o programa Apollo acabou. Saía muito cara, e o fascínio e o entusiasmo inicial acabariam por dar lugar ao aborrecimento da banalidade. Mas os “filhos” dessa relação iriam mudar o mundoSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Oxigênio
Série Termos Ambíguos – #7 Globalismo

Oxigênio

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 35:47


Neste novo episódio da série Termos Ambíguos, o verbete abordado é o “Globalismo”, que ganhou destaque durante o primeiro governo Donald Trump, ao ser contraposto ao patriotismo e à liberdade em seu discurso político. Desde então, passou a integrar o vocabulário de movimentos antiglobalistas, influenciando também o governo Bolsonaro. No entanto, o conceito é complexo e controverso, envolvendo diferentes interpretações, atores políticos e relações com questões contemporâneas, especialmente no contexto brasileiro. Para apresentar um debate sobre o termo, entrevistamos a Sonia Corrêa, o Fernando Brancoli e o Douglas Sanque, que foi também o autor do verbete no Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia, disponível para download gratuito no site do Observatório de Sexualidade e Política. _________________________ Roteiro Ernesto Araújo: “Eu acho que o mais grave do globalismo é na mente, no pensamento. Eu acho que o globalismo é perigoso porque é sobretudo um sistema de pensamento, de anti pensamento. […] Tatiane Amaral:  Quem está falando aqui é Ernesto Araújo, ex-ministro de relações internacionais do governo Bolsonaro Sonora Ernesto Araújo: […] Eu vejo o globalismo muito como o processo pelo qual a ideologia marxista, a partir do começo dos anos 90 e sobretudo a partir dos anos 2000, ela penetra na globalização econômica e faz dela o veículo da sua propagação. Então, justamente através da globalização  começa a entrar com sua agenda em temas como ideologia de gênero, em temas como o ambientalismo distorcido, e outros. E começa sobretudo a controlar o discurso, a dizer o que você pode dizer e o que você não pode dizer, e cada vez o que você pode dizer é menos, ocupa um menor espaço. Então, eu vejo mais o globalismo assim, aquela ideia de que o marxismo descobriu que ele não precisa controlar os meios de produção econômica, quando ele pode controlar o meio de produção de ideias, que é o que já vinha acontecendo. E é através desse controle de ideias começa a capturar instituições e aí começa a partir dessas instituições tentar  agir para diminuir as identidades nacionais, e as identidades pessoais também. A fala pode até soar exagerada, parecer coisa de filme ou de teoria da conspiração… mas ela está se tornando cada vez mais presente em discursos políticos da ultradireita — seja no Brasil ou no mundo. E ela gira em torno de uma palavra: globalismo. Mas afinal, você sabe o que, de fato, é globalismo? Daniel Faria: Eu sou o Daniel Faria  Tatiane: E eu sou a Tatiane Amaral. E este é o sétimo episódio da Série Termos Ambíguos, uma parceria entre o Observatório de Sexualidade e Política e o podcast Oxigênio. Daniel: Juntos, vamos conduzir esta viagem pelo termo que tem estado cada vez mais presente nos discursos políticos globais e nacionais. Falei em viagem porque o termo se vincula a globo, a planeta, além de ser usado em muitos países. Mas também não deixa de ser uma viagem no sentido figurado mesmo, pois o termo como é usado pela extrema direita evoca um certo devaneio, ou até mesmo delírio.  Tatiane: O termo “Globalismo” é mais uma categoria acusatória fabricada pela extrema direita, assim como muitos outros espantalhos, alguns que a gente até já tratou aqui no Termos Ambíguos, como Ideologia de gênero, marxismo cultural,racismo reverso…  Daniel: A extrema direita usa esses e vários outros termos com objetivos específicos: Por um lado, eles querem provocar o medo e, sobretudo, a suspeita. De outro, criar confusão mesmo.⁠ No caso de Globalismo as confusões são muitas e muito sobrepostas, mas vamos tentar esclarecer algumas delas neste episódio. Tatiane: Pra começar, precisamos esclarecer que Globalismo não é a mesma coisa que Globalização. Eu sei que é confuso, mas vem comigo: Globalização é a denominação da transnacionalização intensificada de relações econômicas, culturais e sociais, que se registrou a partir do fim da Guerra Fria. Já o Globalismo pode ser descrito como uma desfiguração de globalização, que atribui a essas dinâmicas outros sentidos, em geral associados à dominação, a atores obscuros e à conspiração.  Daniel: No dicionário de termos ambíguos, que você pode encontrar aqui na descrição desse episódio o verbete escrito pelo Douglas Sanque, que vai aparecer na nossa conversa daqui a pouco, traça um histórico desse processo desde 1991, quando a União Soviética chegou ao fim e seus ex-membros foram integrados à nova ordem neoliberal global. É aí que se consolida a globalização, que foi uma integração via mercados ao redor do… Globo.  Tatiane: Esse movimento promoveu uma ampla abertura de mercados que intensificou a concorrência internacional. Nesse processo foram estimulados os acordos de livre comércio e a formação de blocos econômicos. Em tese, isso deveria favorecer todas as nações, mas vamo lá, né? A gente sabe que não foi bem assim. Claro que os países mais desenvolvidos e industrializados se deram melhor.  Daniel: Foi aí, no meio desse processo, que a União Europeia foi criada, a partir do chamado Mercado Comum Europeu. Foi esse mercado que ampliou a integração que era só, econômica para uma integração política e institucional. Após o fim da Guerra Fria, nos anos 90, a União Europeia se expandiu, incorporando países do Leste Europeu, que antes integravam a antiga União Soviética. Tatiane: Depois disso, foram surgindo blocos econômicos pelo mundo todo, como o Mercosul, por exemplo, que é o Mercado Comum do Sul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Tem também o Nafta, um Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá, assinado em 1994 e atualizado em 2020 como Acordo Estados Unidos-México-Canadá. Além disso, as Economias asiáticas também se fortaleceram nesse contexto, com destaque para os Tigres Asiáticos, formado por Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura. Sem falar da China, que também ampliou muito suas relações comerciais internacionais nesse período.  Daniel: A Sonia Corrêa, coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política e do projeto do Dicionário, já conversou com a gente em outros episódios do Termos Ambíguos, e dessa vez ela destaca um ponto importante desse processo da Globalização:a expansão do neoliberalismo. E ela lembra que o processo nunca foi tranquilo e nem poupado de críticas.  Tatiane: A Sonia comenta que o Neoliberalismo estava em expansão desde o final dos anos setenta. Com o fim da guerra fria e o desaparecimento do bloco soviético, todo esse espaço econômico passou a analisar (e sentir) os efeitos negativos da expansão do pensamento neoliberal nas desigualdades econômicas dentro dos países, ENTRE países e, mais especialmente, entre o NORTE e o SUL globais.  Daniel: Durante todo o processo, muitos acordos foram sugeridos, mas nem sempre as tentativas deram certo. Um bom exemplo foi a tentativa de implantação da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, que integraria os mercados de 34 países das Américas, exceto Cuba, eliminando as tarifas e os impostos de importação. A proposta era de George Bush, então presidente dos Estados Unidos, mas não foi pra frente, justamente por causa da grande disparidade de recursos e poder entre os países. Tatiane: Vale a pena a gente dizer que quando os países começaram a entrar nessa chamada “economia global”, muita coisa mudou internamente também. Por exemplo, várias indústrias saíram da Europa e dos Estados Unidos e foram pra lugares como a China ou o México, onde produzir é mais barato, principalmente por causa da mão de obra. Ao mesmo tempo, a globalização também trouxe a privatização de serviços públicos, como saúde e educação, reformas nas leis trabalhistas desfavoráveis a trabalhadoras e trabalhadores, assim como dos sistemas de aposentadoria. Também ativou novas formas ainda mais agressivas de extrativismo. Tudo isso contribuiu para o aumento das desigualdades. E foi nesse clima que a categoria acusatória “globalismo” prosperou e se aproveitou da atmosfera de contestação à globalização para impulsionar seu projeto político que não tem nenhum compromisso com a superação da desigualdade.    Daniel: Autores e autoras, como a Wendy Brown, analisaram como a expansão da lógica neoliberal teve efeitos negativos sobre a política e sobre a nossa forma de pensar e sentir, provocando dinâmicas de erosão da democracia, como estamos vivendo agora. O historiador Quinn Slobodian, autor do livro Globalistas: o fim do império e o nascimento do neoliberalismo, entende que o projeto  neoliberal  tem  como objetivo criar instituições para proteger o capitalismo da ameaça que a  própria democracia representa. E essas novas instituições serviriam para reorganizar o mundo como um espaço de Estados-competidores. Tatiane: Mas o espantalho do “globalismo” não se aproveitou apenas da crítica progressista e da insatisfação real com a globalização. Ele também acionou suas próprias assombrações. Para entender isso é preciso voltar no tempo, lá pros anos 1940, ao final da II Guerra Mundial. Na verdade, vamos voltar até um pouco mais, com a ajuda da Sonia Correa. Sonia Corrêa: Bom, para compreender essa posição dos globalistas há um aspecto que não pode ser perdido de vista. Para a direita, a ultra direita norte americana desde o começo do século XX, pelo menos, foi avessa a uma ordem institucional transnacional. E essa ultra direita raiz, fez uma enorme oposição à adesão dos Estados Unidos à Primeira Guerra Mundial. Tiveram posições contra a Liga das Nações e certamente fizeram pressão contra a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ou seja, tem um DNA muito profundo aí na ultra direita norte americana, que é contrário a existência de uma ordem internacional de regulação global. É porque eles a veem como um contraponto ou uma possível ameaça à ordem hegemônica dos Estados Unidos como império. Eu acho que um outro aspecto a considerar que, se isso é, são as correntes de ultra direita norte americana e outras correntes, como por exemplo, a posição do Dugin, o intelectual russo sobre isso e talvez de segmentos das correntes européias. E tem a ver com um repúdio. Como essas forças fazem um repúdio à ideia da modernidade, os princípios liberais de democracia e direitos humanos. E há uma conexão também por esse lado, que é, digamos, mais filosófica e menos estratégica política.  Tatiane: Além da cooperação multilateral econômica, os países criaram também um sistema para prevenir novos conflitos bélicos e promover a paz. Sim, estou falando da Organização das Nações Unidas, a ONU.  Daniel: No contexto dos giros políticos à ultradireita que tem varrido as Américas e a Europa hoje, os discursos anti-globalistas fizeram da ONU um de seus alvos principais. Seus detratores a descrevem como um aparato de dominação que quer impor sua agenda aos estados nacionais. Ao fazer isso ofuscam o que é de fato a ONU.  Não sei pra você, mas até aqui essa história de globalismo continua bem confusa pra mim. Então, pra gente continuar destrinchando esse termo, falamos com o  Fernando Brancoli. Ele é professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e adicionou elementos que nos ajudam a desarmar qualquer confusão que o termo globalismo possa provocar.  Fernando Brancoli: Bom, eu acho que um ponto interessante é a gente imaginar que o discurso antiglobalista, ele não é uma rejeição integral aos princípios da globalização, né? A gente está falando de uma reconfiguração seletiva no que seria uma espécie de dispositivo narrativo, né? Que separa, separaria, uma globalização boa para esses grupos de extrema direita, uma aproximação que permeia dimensões ligadas a interesses morais, econômicos, culturais e o que eles vão chamar muitas vezes de globalismo, né, que seria uma globalização ruim, que seria um conjunto de normas e procedimentos derivados principalmente do pós-guerra fria, que promoveria aí uma agenda ligada a valores liberais, a direitos sexuais, a direitos humanos, políticas ambientais, que de alguma maneira estariam violando então a soberania dos países, e na verdade tentando, dentro de uma teoria da conspiração bastante clássica, implementar uma agenda de uma espécie de camarilha internacional dos Illuminati e coisas parecidas, né? Tatiane: A professora de sociologia na Universidade de Oxford, Rita Abrahamsen, faz uma análise interessante sobre este tema do espaço transnacional. Pra ela a extrema direita é em si mesma global, ao mesmo tempo em que seus idealizadores ocultam de maneira muito hábil essa transnacionalidade. O Fernando também elaborou sobre essa dimensão oculta, o que nos ajuda a esclarecer uma outra confusão de que as vozes que propagam o fantasma do Globalismo reivindicam para si, como sujeitos nacionalistas ou soberanistas:  Fernando Brancoli: Muitas vezes a gente fala dessas redes antiglobalistas como se elas fossem necessariamente não transnacionais, o que não é verdade. O que elas estão fazendo é reconfigurando um pouco esse dispositivo narrativo. E acho que quem está acompanhando a gente talvez já tenha escutado essa história: “Ah, o Trump é um isolacionista”. Não necessariamente, né? A gente não está falando de uma antiglobalização de necessariamente fechamento completo das fronteiras. Você tem uma recalibragem dessa dinâmica, de um projeto novo de recentralização de poder. Então, sim, eu posso ter dinâmicas mais isolacionistas em alguma medida, construção de muros, expulsão de migrantes e refugiados, fechamento de trocas comerciais tipicamente liberais, mas ao mesmo tempo eu tenho aproximação para outros lados, né? Em que eu apoio ditaduras amigas, eu argumento que posso criar coletivos transnacionais de apoio a dinâmicas de moralidade. Então acho que esse paradoxo, no final das contas … Eu diria que é a grande força dela, que é criar essa espécie muito peculiar de uma internacional nacionalista.  Daniel: Fernando também recorre a uma metáfora  de verniz legitimador para explicar essa mistura paradoxal de discursos que juntam nacionalismo ou antiglobalismo para servir a interesses muito específicos:  Fernando Brancoli: Esse paradoxo é a grande força dentro desse processo. [03:30] A genealogia dessas dinâmicas já passa por think tanks dos Estados Unidos e a gente tem livros importantes acadêmicos já descrevendo como é que eles se expandiram pelo globo ao longo pelo menos nas últimas duas décadas, né? Então são grupos de pesquisa, são empresas que de alguma maneira promovem esse tipo de ideário. Tatiane: Pra entender melhor como esse paradoxo funciona, pedimos pro Fernando explicar como esses discursos colam, como eles têm aderência a uma massa bastante volumosa, que inclusive elege conscientemente essas figuras. Ao mesmo tempo em que batem no peito e dizem: “EU SOU patriota, EU VOU defender meu país”, entregam de mãos abertas a exploração das riquezas naturais brasileiras — como a Amazônia,os minérios e, agora, as Terras Raras do país — a uma potência imperialista como os Estados Unidos. Além disso, defendem intervenções externas, como a retirada forçada de um presidente, e apoiam movimentos extremistas que ameaçam o próprio país. Fernando Brancoli: Acho que essa aparente contradição, né, de uma internacional nacionalista, a ideia de como é que eu crio alianças entre partidos e grupos que são notadamente, introspectivos diante desse tipo de processo, eh, na verdade, é a maior força desses grupos. É a ideia de mobilizar esse paradoxo. E não se trata necessariamente de, uma dinâmica que vai gerar problemas na frente, eu vou tentar explicar porquê dentro desse processo. Acho que a primeira configuração é que sejam partidos de extrema direita no contexto brasileiro, sejam grupos não partidários, como, por exemplo, grupos evangélicos mais conservadores no contexto brasileiro, sejam grupos mega ortodoxos sionistas em Israel, ou seja, agora, o Partido Republicano nos Estados Unidos. Todos eles olham para o transnacionalismo como uma forma de ganhar poder e ganhar prestígio, então a gente tá falando de recursos que circulam nesse processo. A gente tem por exemplo grupos em Israel, grupos não tradicionais do Brasil como partidos ligados a lideranças religiosas e coisas parecidas que de alguma maneira olham para esse processo e veem a transnacionalização como uma ferramenta de ganhar poder e prestígio, seja simbólico ou material. Exemplo clássico que eu acho bastante interessante, parte importante dos grupos de extrema direita em Israel, dos mais ortodoxos, são financiados por capitalistas norte-americanos. Né? Isso não é uma teoria de conspiração, eles argumentam que essa grana seria interessante. Tem um trabalho interessante da Camille Rocha, né? Menos Marx e mais Mises, um livro fascinante em que ela descreve como é que os norte-americanos financiaram grupos liberais e anarco-capitalistas, sabe-se lá o que que é isso, no contexto brasileiro. Então, lembrar que esse transnacionalismo tem dimensões práticas muito claras, né? Daniel: Aqui, de novo fica claro que o transnacionalismo pode ter dimensões práticas, e que ele serve para alguns interesses. Ou seja, mesmo sendo nacionalista, dá pra ser transnacionalista quando você, ou o país, pode ter dividendos importantes. Brancoli usou o exemplo de Eduardo Bolsonaro para mostrar como contatos estratégicos com a ultra-direita ajudaram a movimentação para as taxações sobre produtos brasileiros e a suspensão de vistos para autoridades envolvidas na condenação do pai. Mas o professor dá outros exemplos, segundo ele mais simbólicos, como contatos pessoais, encontros ou declarações nos quais se aprende essa lógica transnacional.  Fernando Brancoli: Você tem encontro do Vox, por exemplo, que é o partido de extrema direita na Espanha, que eles têm uma sessão à tarde do último dia, que é para ensinar técnicas do que eles chamam engajamento digital. Em que você senta com lideranças políticas do globo inteiro numa mesa e te ensinam como é que você faz para, por exemplo, ter acesso mais interessante de pessoas, formar cortes e vídeos bacanas. Eu lembro que nos últimos 3 anos quem esteve lá foi o Nicolas, deputado é, federal de Minas, que é um cara, né, muito especializado em gerar cortes e coisas parecidas. Eu acho que ele já tinha uma capacidade de fazer isso, mas provavelmente ele aprendeu também nesse contexto. Repare como é que o transnacionalismo dentro dessa lógica gera esse tipo de prática. E por fim, o transnacionalismo, ele facilita algo que é muito típico de grupos autoritários que é a possibilidade de criar um mundo binário, né? De você criar um nós contra eles de maneira muito muito clara. Acho que, né, a gente que estuda relações internacionais, quem tem acesso, né, à imprensa, sabe que é muito difícil você criar uma narrativa muito clara de bonzinhos e malvados dentro de um contexto, né? Você vê nuances, você vê pessoas muitas vezes em busca da paz dos dois lados e coisas parecidas, né? Tatiane: E nessa disputa entre nós e eles, surgem dois pólos entre o bem e o mal. E quem é o bem? Quem é o mal? A ultra direita entende que está do lado do bem, de que quem defende a “família” e os valores tradicionais. Mas quem não defende a família, ou as famílias? A sua família? Os seus valores tradicionais, na sua tradição? E para quem está nesse campo da ultra direita, o mal é o socialismo, o comunismo, a esquerda. De novo aqui o Fernando:  Fernando Brancoli: Existe aqueles que do outro lado, que é o mal, que é o PT, o MST, o Foro de São Paulo e a Venezuela, que querem acabar com esses valores, querem destruir todos esses dessas menções. Aí repare como é que esses vetores se aproximam, né? Uma dinâmica de moralidade, uma dinâmica econômica, então vira um caldo complexo aqui dentro desse tipo de processo. Nós somos soberanos ainda, no caso brasileiro, estaremos tentando retomar essa soberania agora que foi roubada pelo PT e temos um governo aliado norte-americano que está tentando nos ajudar nesse processo.  Mas eu acho que esse paradoxo ele acaba sendo de alguma maneira articulado e promovido de maneira interessante. Ainda tem um paradoxo aqui, que é para você ser essencialmente nacionalista e mobilizar dinâmicas transnacionais. Mas acho que mesmo a tentativa de encontrar um meio-termo já facilita e já gera repercussões interessantes. E aí você tem em todo protesto no Brasil, cartazes em inglês, bandeiras dos Estados Unidos, bandeiras de Israel, você tem a a deputados fugindo para a Itália, onde seria supostamente, né, um lugar mais conservador. Ao que tudo indica a Zambelli não vai conseguir ficar por lá há muito tempo. Mas aí você tem o Eduardo Bolsonaro, né, indo para os Estados Unidos, você tem essas mobilizações, isso vai gerando repercussões e impactos e pelo menos são simbólicos gera mídia, a população fica engajada. Então, de alguma maneira tem algo interessante que a gente tá vendo e os manuais de ciência política e de relações internacionais estão todos passando mal por causa disso, que a esquerda tá se transformando por um lado numa defensora do multilateralismo. Daniel: Tem também a China se apresentando como defensora da OMC e contra tarifas praticadas pelos Estados Unidos. Isso também é uma mudança do contexto da esquerda, como disse nosso entrevistado.  A gente tem um deslocamento também, eu diria, do que vai ser o discurso progressista de esquerda ao longo dos próximos anos. A esquerda se apropriou mais de discursos ligados à proteção da indústria nacional, né, contra ALCA e o FMI, contra as empresas estrangeiras, e agora de alguma maneira a gente está vendo uma rearticulação desse tipo de processo. É, a gente está inaugurando uma forma nova de olhar para relações internacionais, em parte porque também está tendo uma rearticulação de como esses grupos de poder estão se configurando. Ninguém tem muita certeza para onde que a gente vai, mas acho que uma das certezas que a gente vai ter que os manuais de relações internacionais e ciência política vão ter que ser reescritos ao longo dos próximos anos, porque as coisas estão mudando de maneira bastante explícita, né? Muito. Tatiane: Sonia Corrêa diz que há duas saídas pra grande confusão que apresentamos aqui entre nacionalismo e globalismo. A primeira é o progressivismo internacionalista que remete para o internacionalismo histórico da esquerda, e a segunda é o que pode ser chamado de constitucionalismo de esquerda. Ela explica melhor do que se trata. Sonia Correa: O que importa é chamar a atenção para essa mélange de posições que requer clarificação, porque, de fato, a crítica do globalismo, ela chove num terreno fértil, que é a crítica do neoliberalismo e da ordem capitalista, não é? Ela ecoa nesse lugar. Ela move afetos, afetos legítimos de crítica. A racionalidade neoliberal e a ordem do capitalismo tardio. A diferença está como diz o Slobodan, em qual a saída? A diferença de visão ideológica é como você sai disso. Se você for para o campo do Dugin, que é a teoria da quarta transformação, é uma ordem. Uma proposição de um retorno a uma ordem de fato quase medieval, quer dizer centrada na terra, no território, numa cultura comum, numa ordem hierárquica. Se você olha para o campo da direita. Num certo sentido, Trump é a manutenção da ordem neoliberal e da racionalidade neoliberal extrema, demolição do Estado. Todo o poder às Big Techs. Aqui são os meus amigos Better Friend Ever, sob um invólucro, uma casca de nacionalismo extremado. Make American big again. Tatiane: Voltando um pouco atrás, no verbete para o Dicionário de Termos Ambíguos, e no tempo, Douglas lembrou da influência de Ernesto Araújo e de Olavo de Carvalho sobre o governo Bolsonaro, no sentido da adoção de uma posição antiglobalista. Vale lembrar que mesmo antes de ser eleito, Bolsonaro afirmava que a ONU não servia para nada e que iria tirar o Brasil do Conselho de Direitos Humanos. Em sua primeira aparição na Assembleia Geral da ONU em 2019, o ex-presidente fez a seguinte afirmação:  Sonora Jair Bolsonaro: “Não estamos aqui para apagar nacionalidades e soberanias em nome de um interesse global abstrato. Esta não é a Organização do Interesse Global! É a Organização das Nações Unidas. Assim deve permanecer!” Daniel: Douglas também escreveu no verbete que Ernesto Araújo afirmava que o caminho para reverter os efeitos negativos do globalismo seria adotar uma política pautada por deus, pátria e família. Com certeza vocês ouviram isso muitas vezes, né? Só pra lembrar, esse é o slogan da Ação Integralista, movimento fascista brasileiro da década de 1930, copiado do movimento fascista italiano.  Tatiane: Ainda segundo o verbete a espiritualidade cristã caracterizaria o ocidente e diferenciaria as nações ocidentais do materialismo asiático e do islamismo. Por outro lado, a família é definida como a célula basilar da nação, o apego à família  seria um traço fundamental do povo brasileiro o qual, nas palavras de Araújo, se vê hoje frontalmente atacado por “ideologia de gênero”, “gayzismo” e “abortismo”.  Daniel: O “globalismo”, na visão de Ernesto Araújo, seria um projeto de governo totalitário mundial, capitaneado pela China e com o apoio da Rússia. E nessa versão do antiglobalismo, existiria um complô entre as elites financeiras ocidentais e o Partido Comunista da China para a implantação de uma sociedade de controle. O ex-ministro ainda afirmava que a China controlava metade do parlamento brasileiro e toda a nossa agricultura, e queria controlar nossa Internet.  Tatiane: Bem, essa tentativa de controle da internet a gente já tá vendo que existe mesmo, mas não por acaso, esse controle não está na China, né? E além desta, qual outra afirmação, entre as muitas feitas aqui, parecem verdadeiras? E quais delas são pura fantasmagoria criada no meio das muitas confusões que esse termo cria? De quais fantasias ele depende para se manter? Bem, responder a tudo isso demandaria uma boa aula de muitas horas… Mas, podemos explicar aqui essa confusão entre os muitos alvos de ataque das vozes “antiglobalistas” Daniel: Mas nem todos os anti globalistas têm o mesmo inimigo. Há diferenças em relação aos alvos dos “antiglobalistas”. Nos Estados Unidos, por exemplo, Trump se utiliza do discurso “antiglobalista” para atacar as “elites liberais”, associadas ao partido democrata estadunidense. Já aqui no Brasil, Bolsonaro denunciava a “conspiração comunista” da qual participaria o PT, assimilando a visão “antiglobalista” ao discurso anticomunista. Douglas Sanque conta um pouco dessas forças globalistas. Tatiane: Douglas é professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a UERJ e é o autor do verbete sobre Globalismo do dicionário que estamos tratando aqui. Ele escreveu o verbete durante a pandemia do Covid-19, em pleno governo Bolsonaro, quando nele discursavam, pra não dizer doutrinavam, antiglobalistas assumidos como Olavo de Carvalho, professor e ideólogo de Bolsonaro, e Ernesto Araújo, que foi ministro de relações exteriores até 2021.  Douglas Sanque: Bom, em relação a essa noção de quem seriam as chamadas forças globalistas, primeiro, a ideia aqui é pensar que as forças globalistas teriam o objetivo de estabelecer um controle mundial, um governo global, totalitarista. E isso é, em alguma medida, uma perversão da ideia de aumento de influência que potências  econômicas sempre tentaram exercer de maneira mais ou menos ética. Mas não se tenta um governo global totalitário, assim inspirado naquela ideia de 1984 do George Orwell. O principal projeto globalista seria capitaneado pela China. Os chineses teriam essa ideia, teriam esse objetivo de longo prazo de controle mundial. Então, seriam as elites liberais do Ocidente que estariam nesse projeto junto ao Partido Comunista Chinês. Essa é a perspectiva, digamos, principal, que é adotada, por exemplo, pelo Steve Bannon e que guia o assim chamado antiglobalismo, ou o nacionalismo americano, que estaria combatendo essas próprias elites, representando o povo, o blue color, os trabalhadores e a classe média americana que, de fato, viu muita s perdas com o processo de desindustrialização dos Estados Unidos ao longo do século XX, e grande parte dessas plantas industriais foi para a China.  Tatiane: Claro que isso causou mudanças significativas na economia americana, que tem levado o país, de forma mais incisiva neste novo governo de Donald Trump, a criar estratégias de proteção econômica. Durante o governo Bolsonaro, quando o Olavo de Carvalho, exercia influência sobre ministros e filho do então presidente, tratou da versão caseira de teoria da conspiração, como nos conta Douglas. Douglas Sanque: O Olavo dizia que havia três projetos globalistas em curso. Em diferentes escalas e com diferentes objetivos. O primeiro seria esse tocado pela China, que tentaria ali uma ideia de governo global, mais ou menos nesses moldes que eu já mencionei. O segundo seria o projeto do Irã. O Irã também teria esse objetivo de governo global, a partir do espraiamento do islamismo, né? Na verdade, a ideia seria um governo global, totalitário islâmico e a principal força por trás desse projeto seria o Irã, que tem ali uma. População muçulmana xiita. Enfim, você tem uma pluralidade importante naturalmente no Irã, mas.    Daniel: O terceiro projeto seria tocado pelas elites financeiras ocidentais. Nessa perspectiva, representada por autores como o russo Aleksandr Dugin [DUGAN], a tentativa de estabelecer uma governança global teria origem no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos, vistos como a principal expressão da modernidade ocidental. Nessa visão, esse projeto deveria ser combatido por forças tradicionalistas que defendem a preservação de identidades culturais próprias e de modos de vida considerados mais enraizados nas tradições locais e rurais. Douglas Sanque: Então você tem pensadores, como o Olavo de Carvalho, o Steve Bannon e o Dugin, e os líderes daqui que conseguiram ascender, com esse pensamento, ao poder nos seus países. O Putin na Rússia, o Trump nos Estados Unidos e o Jair aqui no Brasil. A questão é que, como esse pensamento tem muito pouca, digamos, base material, ele vai se moldando pra acomodar os interesses políticos dos líderes. Então a gente pode pensar, por exemplo, no Brasil como o Bolsonaro, se se elege em oposição a um projeto que seria de esquerda e que, na opinião deles, é comunista. A ideia de liberalismo econômico é uma ideia que faz sentido e que pode ser defendida. Os russos têm um papel curioso, porque em diversas situações eles são vistos ali como como uma espécie de braço ou de sócio minoritário dos chineses. Mas ao mesmo tempo, estive vendo, um entende que os russos deveriam estar nessa luta por conta de uma certa essência da identidade russa. É como, como sendo da Igreja Ortodoxa nós teríamos a mesma alma cristã. E tudo se opondo então ao materialismo que caracterizaria o projeto chinês De extirpar a religião da da vida em comunidade. Então a gente percebe que há uma certa coerência no pensamento do globalismo, no sentido de criar uma ordem global que separa muito claramente quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Que coloca em uma nação específica. E normalmente é a China, a fonte de todo mal. E aí, contra isso, vale tudo. E nós estamos numa batalha aqui para salvar a nossa nação, para salvar as nossas tradições, para manter o nosso povo e por aí vai.  Tatiane: Pois é, as mudanças estão bastante evidentes e não sei se são para melhor. Desde que fizemos as entrevistas para este episódio, algumas coisas mudaram. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, um dos principais líderes da extrema-direita global, perdeu as eleições após 16 anos no poder. Estados Unidos e Israel estão promovendo uma grande guerra na Ásia Ocidental, atacando o Irã e o Líbano, sem contar o genocídio que Israel já vinha praticando na Palestina. Aqui na América Latina, os resultados das eleições presidenciais de 2026 em países como Colômbia, Peru e Chile não foram nem um pouco animadores. E neste ano também teremos eleições no Brasil, já com dois extremistas como candidatos: Ronaldo Caiado, pelo PSD, e Flávio Bolsonaro, herdeiro do legado do pai que foi condenado a 27 anos de prisão, e agora também envolvido em um processo de lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master. A extrema direita vem ganhando espaço em muitos países, sempre colocando em risco a democracia e os direitos civis.  Daniel: Este foi o sétimo episódio da série Termos Ambíguos, realizada em parceria com o Oxigênio, a partir do material do Termos Ambíguos do debate político atual: Pequeno Dicionário que você não sabia que existia, coordenado pela Sonia Corrêa. Esse é um projeto do Observatório de Sexualidade e Política (SPW) e do Programa Interdisciplinar de Pós-graduação em Linguística Aplicada da UFRJ e contou com vários autores na produção dos verbetes. Tatiane: A apresentação do episódio foi feita pelo Daniel Faria, estudante do curso de Midialogia, na Unicamp, que foi também o editor do áudio desse podcast, e por mim, Tatiane Amaral, doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas e da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, e editora do áudio desse podcast. As entrevistas foram feitas por mim e pela Stella Brucha Simões. O roteiro foi feito pela Simone Pallone, coordenadora do podcast Oxigênio e por mim. Daniel: A revisão do roteiro foi feita pela Nana Soares, da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, por mim, pela Tatiane, e pela Sonia Corrêa. Tatiane: A principal referência para o episódio foi o verbete produzido por Douglas Sanque para o Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia. Usamos também definições da Wikipedia para alguns conceitos.  Daniel: O áudio de Ernesto Araújo foi extraído de uma entrevista dada por ele ao Canal Poder Paralelo. A fala de Bolsonaro na Assembleia da ONU é uma reprodução do canal do jornal El País no YouTube.  Daniel: Você pode acessar os outros episódios da série Termos Ambíguos pelo site do podcast Oxigênio: www.oxigenio.comciencia.br ou pelas plataformas de áudio de sua preferência. Aproveite para indicar nossa série. Até mais!

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Especial Verão | Magnífica Desolação: Pink Floyd e a hipótese de uma tragédia (EP. 8)

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 11:28


Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.“O destino comandou que os homens que foram à Lua para explorar em paz vão ficar na Lua para descansar em paz.” Em julho de 1969, o presidente Richard Nixon já tinha um discurso preparado para o caso de Neil Armstrong e Buzz Aldrin ficarem presos na Lua e serem abandonados à morte. Não haveria qualquer hipótese de resgate. Michael Collins sabia que “iria regressar e ser um homem marcado para o resto da vida”. Este episódio começa e acaba com Pink Floyd. E pelo meio há... Pink FloydSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Especial Verão | Magnífica Desolação: Quando o mundo prendeu a respiração (EP. 6)

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Jul 26, 2026 14:56


Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.A 20 de julho de 1969 seiscentos milhões de pessoas estiveram quase sem respirar durante 12 minutos e meio. A dramática descida dos astronautas para a Lua teve de tudo: começou com quebras de comunicações, prosseguiu com alarmes do computador de bordo e terminou com o combustível no limite. E, no final, Neil Armstrong e Buzz Aldrin deram um novo mundo ao mundoSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Guerra Fria
“Os moderados no Irão estão entre a espada e a parede: dependem da boa vontade dos EUA e são ameaçados pela Guarda Revolucionária”

Guerra Fria

Play Episode Listen Later Jul 26, 2026 28:06


A guerra na Ucrânia expande-se para novos tabuleiros geopolíticos. Os ataques ucranianos no Mar Cáspio levantam questões sobre uma possível fusão entre o conflito com a Rússia e as tensões com o Irão. Teerão ameaça Kiev com mísseis de longo alcance, enquanto a divisão entre moderados e radicais no regime iraniano complica as negociações com Washington. Na frente diplomática, Zelensky chega à Casa Branca na terça-feira com objetivos concretos: mais sistemas Patriot, um regime de associação reforçado com a NATO e um convite formal para Donald Trump visitar Kiev. Nuno Rogeiro considera que “não há coincidências” entre os movimentos ucranianos no Cáspio e a aproximação a Washington. José Milhazes mantém-se pessimista quanto a avanços negociais, apontando que Putin “repetiu sempre a mesma coisa”. Surpreendeu o presidente do Cazaquistão, ao questionar publicamente as razões do conflito perante Putin, numa declaração que Nuno Rogeiro classifica como “extremamente importante” e que revela um desgaste crescente entre os aliados de Moscovo. Ouça a análise dos comentadores no Guerra Fria, emitido na SIC a 26 de julho. *A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da ImpresaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Brasil Paralelo | Podcast
18 PRODUÇÕES DA BP QUE VOCÊ PRECISA VER

Brasil Paralelo | Podcast

Play Episode Listen Later Jul 25, 2026 11:06


A Brasil Paralelo celebra o marco histórico de 10 anos de existência com uma retrospectiva de 18 produções essenciais para a compreensão do nosso país e do mundo. Ao longo desta jornada, a empresa manteve o compromisso de buscar o conhecimento sem a utilização de recursos públicos, investigando temas cruciais que afetam a vida de todos os brasileiros. O vídeo resgata obras icônicas como "Brasil - A Última Cruzada", série pioneira na narrativa da formação nacional, e os aprofundamentos na crise educacional através de documentários como "Pátria Educadora" e "Pedagogia do Abandono". Além disso, a retrospectiva passa por análises geopolíticas sobre guerras no Oriente Médio e a nova Guerra Fria, investigações profundas sobre as ideologias do século XX, e um retrato contundente da segurança pública no Brasil, com produções como "Entre Lobos".

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Especial Verão | Magnífica Desolação: A 'águia' que voou até à Lua (EP. 5)

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Jul 25, 2026 13:55


Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.Não tinha cadeiras, os motores eram mais pequenos do que os de um carro normal, e as janelas dois exíguos triângulos. Mas, ainda assim, “Eagle” aterrou dois homens na Lua há 50 anos e era, na altura, a nave mais sofisticada alguma vez construída. Neste episódio de “Magnífica Desolação” vamos perceber como foi construído o módulo lunar e contar ainda a história da qual, décadas depois, quase ninguém fala: quando a Apollo 11 chegou à Lua não estava sozinhaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Professor HOC
O COLAPSO DA UNIÃO SOVIÉTICA E O FIM DA GUERRA FRIA I Professor HOC

Professor HOC

Play Episode Listen Later Jul 23, 2026 25:44


Neste vídeo, eu conto como a União Soviética, um império de 290 milhões de habitantes, 11 fusos horários e milhares de ogivas nucleares, deixou de existir quase sem resistência — por meio de três assinaturas feitas em uma cabana no meio de uma floresta na Bielorrússia.A história passa pela queda do preço do petróleo, pela crise econômica soviética, pela guerra do Afeganistão, pelo desastre de Chernobyl e pelas reformas de Mikhail Gorbachev. Também mostra o golpe fracassado de agosto de 1991, a ascensão de Boris Yeltsin, o referendo de independência da Ucrânia e os bastidores do acordo que encerrou oficialmente a URSS.Mais do que explicar o colapso soviético, o vídeo mostra como as consequências de 1991 ainda moldam o mundo: o surgimento dos oligarcas, a chegada de Vladimir Putin ao poder, os conflitos no antigo território soviético, a questão nuclear ucraniana e a guerra atual entre Rússia e Ucrânia.Por fim, analiso como a China estudou obsessivamente o fracasso soviético — e transformou Gorbachev no exemplo do que o Partido Comunista Chinês jamais deveria permitir.Você já conhece o meu aplicativo? No HOC ACADEMY você tem acesso a cursos e aulas exclusivas, além do BUNKER DO HOC, um feed de notícias e análises em tempo real sobre as coisas mais importantes que acontecem no mundo. Clica no link e não fique de fora dessa!LINK HOC ACADEMY:https://lp.hocacademy.com.br/home-nova/#insiderstore #ukraine #russia #putin #zelensky #enem #história #urss #uniãosoviética #guerrafria #vestibular

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Especial Verão | Magnífica Desolação: Quando Apollo renasceu das cinzas (EP. 3)

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Jul 23, 2026 20:59


Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.Em janeiro de 1967, um trágico acidente vitimou os três astronautas da Apollo 1, após um incêndio dentro da cápsula ainda em terra. O programa espacial teve de ser completamente reformulado, mas pouco mais de dois anos depois a Apollo 11 estava a caminho da Lua. Neste episódio acompanhamos os acontecimentos do segundo dia de viagem dos astronautas e conhecemos a história das várias missões Apollo, desde o início trágico à conquista final do Homem caminhar na superfície lunarSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Especial Verão | Magnífica Desolação: O cientista nazi que ajudou a chegar à Lua (EP. 2)

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Jul 22, 2026 24:44


Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade.A 16 de julho de 1969, Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins partiram rumo ao Espaço no foguetão Saturno V. Anos mais tarde, Armstrong falou da sensação de se afastar do planeta Terra: "Foi espetacular. Do nosso ponto de vista parecia que estávamos parados e que a Terra é que se estava a afundar". Os três astronautas viajaram no maior e mais potente foguetão alguma vez construído. Mas os Estados Unidos não teriam conseguido chegar lá sem a ajuda de um cientista da Alemanha nazi que, após a II Guerra Mundial, se tornou quase tão mediático quanto os próprios astronautasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Expresso - Expresso da Meia-Noite
Especial Verão | Magnífica Desolação: Kennedy não queria ir à Lua (EP. 1)

Expresso - Expresso da Meia-Noite

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 29:31


Reedição do arquivo de podcasts do Expresso. Publicado originalmente em 2019, nos 50 anos da chegada do Homem à Lua, "Magnífica Desolação" é um podcast narrativo sobre uma das maiores aventuras da história da Humanidade. “Esta é a nossa prioridade, de outra forma não devíamos estar a gastar esta quantidade de dinheiro, porque eu não estou assim tão interessado no Espaço”. Em setembro de 1962, numa reunião na Casa Branca, o Presidente John F. Kennedy teve de convencer o administrador da NASA de que era preciso ir à Lua custasse o que custasse. Os Estados Unidos não poderiam voltar a ser humilhados pela União Soviética na corrida ao Espaço. Nesse mesmo ano, Neil Armstrong entrou no programa de astronautas da NASA. O primeiro episódio de “Magnífica Desolação” acompanha as histórias de vida de John F. Kennedy e Neil Armstrong, duas figuras decisivas para a missão Apollo 11, que levou o Homem à Lua pela primeira vez.“Magnífica Desolação”, afirmou o astronauta Buzz Aldrin ao ver a superfície lunar pela primeira vez a 20 de julho de 1969. Aldrin foi o segundo homem a pisar a Lua e fez parte da histórica tripulação da Apollo 11, juntamente com Neil Armstrong e Michael Collins. Meio século depois, o Expresso entra novamente a bordo da Apollo e segue, dia após dia, a maior aventura da história da Humanidade. Acompanhamos as comunicações entre os astronautas e Houston, ouvimos o testemunho de quem viveu de perto aqueles momentos, a explicação de especialistas e entusiastas do Espaço, mas também histórias menos conhecidas da viagem que marcou o século XXSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Brasil Paralelo | Podcast
A ORIGEM DO COLAPSO ELÉTRICO CUBANO

Brasil Paralelo | Podcast

Play Episode Listen Later Jul 20, 2026


Em julho de 2026, Cuba enfrenta um novo colapso total de seu sistema elétrico, deixando quase toda a sua população de 9,6 milhões de habitantes sem energia. Este documentário investiga as raízes estruturais e históricas dessa crise, indo muito além dos sintomas recentes. A atual escuridão em Havana é o reflexo de uma rede obsoleta, moldada pela dependência histórica de combustíveis externos desde a Guerra Fria. Com a desintegração da União Soviética em 1991, a ilha amargou o "Período Especial", uma crise que evidenciou a severa fragilidade de sua matriz energética. Décadas depois, a aliança com a Venezuela ofereceu um alívio paliativo, que também ruiu com o declínio econômico venezuelano.

História em Versões
EP127 | A QUEDA DO LEVIATÃ: REVOLUÇÕES, FOME E O SONHO LIBERAL

História em Versões

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 31:14


O que você tem em comum com um poeta do século XVII em Londres, revolucionários nas ruas de Paris e o Primeiro-Ministro do Irã deposto nos anos 1950? Todos tiveram suas vidas viradas de cabeça para baixo pela ideia mais perigosa do mundo moderno: o Liberalismo. No episódio de hoje, vamos mergulhar na gênese da ideia que afirmou que o poder não vem de Deus, mas do consentimento do povo. Acompanhe como o liberalismo inspirou desde constituições e a abolição da escravidão até o livre mercado das fábricas poluídas da Era Vitoriana, culminando nas gigantescas batalhas da Guerra Fria e nos conflitos contemporâneos pelo estado de bem-estar social.Contato: m7studiospodcast@gmail.com

Guerra Fria
Programa nuclear iraniano: o objetivo que ficou por alcançar

Guerra Fria

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 27:41


Neste Guerra Fria, José Milhazes e Nuno Rogeiro analisam os dois principais conflitos do momento: a guerra Irão/EUA e a guerra da Ucrânia. Sobre o Golfo, discutem a impossibilidade de uma vitória decisiva para os EUA ou Irão, as limitações militares americanas e as ameaças iranianas na região. Quanto à Ucrânia, abordam a crise interna causada pela demissão do ministro da Defesa, as oito "frentes de guerra" ucranianas — incluindo tecnológica, económica e simbólica —, e os desafios do inverno que se aproxima. Comentam ainda a queda de popularidade de Putin e o encerramento discreto da investigação sobre a morte dos líderes do grupo Wagner. Ouça aqui o programa em podcast, emitido na SIC a 19 de julho. Esta sinopse foi gerada com apoio de IA. Saiba mais sobre a sua aplicação nas redações do Grupo Impresa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Guerra Fria
“Russos alugam crianças com deficiências graves para passar à frente nas filas de combustível”

Guerra Fria

Play Episode Listen Later Jul 12, 2026 22:23


O Médio Oriente ferve com ameaças de retaliação iraniana contra os Estados Unidos, a China tenta costurar uma paz improvável na Ucrânia e a Rússia afunda — literalmente — noventa navios no Mar de Azov enquanto a sua população faz filas de horas por trinta litros de gasolina. Num mundo onde a imprevisibilidade se tornou a única certeza, analistas alertam que estamos a entrar numa fase de violência armada sem precedentes desde o fim da Guerra Fria.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Toca Do Dragão
PROTOCOLO ESTRELA VESPERTINA | 03: Лаборатория Алексеевой и вмешательство Наталии (O Laboratório de Alekseeva e a Intervenção de Nathalia)

Toca Do Dragão

Play Episode Listen Later Jul 11, 2026 139:28


Mostre que Você Apoia o Toca: https://apoia.se/atocadodragao#rpg #russia #URSS #ficçaocietifica #ficçaohistorica #scify #rpgdemesa #maddragonturbo #MDT #RPGdoToca #RPGSeguro #FarolDaHistoria"1966. O auge da Guerra Fria. A KGB designa três dos seus melhores agentes para desvendar o Mistério do desaparecimento da Dra. Alekseeva no Complexo de Pesquisa B12. Paranoia, traição e medo, rondam os jogadores a todo instante, nada é o que parece ser. A equipe Sigma-4 conseguirá descobrir o que houve no trágico evento, ou tudo ficará encoberto pela União Soviética? Descubra."Um RPG Do Toca Do Dragão

El Búho
OTAN: de la Guerra Fria a la guerra low-cost (Todos los oyentes)

El Búho

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 34:43 Transcription Available


García Domínguez, Cristina Losada y Eugenia Gayo analizan la cumbre de la OTAN celebrada en Ankara y los desafíos que tiene ante sí una alianza militar forjada en un marco geopolítico desaparecido.

História em Versões
EP125 | O ÚLTIMO INVERNO: A QUEDA DA UNIÃO SOVIÉTICA

História em Versões

Play Episode Listen Later Jul 5, 2026 20:30


Durante sete décadas, a União Soviética foi metade do mundo. Uma superpotência nuclear que mandou o primeiro homem ao espaço, derrotou o nazismo e prometeu uma utopia de igualdade. Mas no Natal de 1991, esse império simplesmente deixou de existir. Sem uma guerra mundial. Sem uma invasão alienígena. Apenas ruiu por dentro. Como um Estado tão poderoso pôde desmoronar tão rapidamente? Neste episódio de História em Versões, viajamos pelas filas geladas de Moscou, pelos corredores radioativos de Chernobyl e pelas ruas eufóricas de Berlim para entender as decisões, os medos e as pessoas comuns que viveram o fim de um mundo. Vista seu casaco. O inverno frio da Guerra Fria está prestes a terminar.Contato: m7studiospodcast@gmail.com

Fernando Ulrich
TRUMP VAI RESGATAR OPENAI E ANTHROPIC PARA COMPETIR COM A CHINA?

Fernando Ulrich

Play Episode Listen Later Jul 4, 2026 23:15


Guerra Fria da Inteligência Artificial! Descubra como modelos chineses ganham o mercado de IA com custos menores. Entenda os desafios da OpenAI e Anthropic, que enfrentam falta de lucratividade e adiam seus IPOs. Veja os impactos da intervenção do governo americano e os alertas sobre uma possível bolha. Assista e proteja seus investimentos!00:00 - Introdução: Competição chinesa e IPO da OpenAI01:12 - O avanço chinês na corrida tecnológica02:50 - Vantagens dos modelos chineses abertos e baratos03:54 - Modelos chineses dominam quase 50% do mercado04:55 - A falta de vantagem competitiva americana06:00 - Guerra de preços e esgotamento de orçamentos08:33 - O desafio financeiro e a falta de lucratividade10:05 - Consultoria financeira da Liberta Wealth11:22 - Bastidores e possível adiamento do IPO da OpenAI12:57 - Críticas sobre privacidade e uso de dados15:58 - Intervenção do governo americano e segurança nacional18:00 - Interesse do governo em participação nas empresas19:58 - Meta aluga capacidade ociosa e possíveis riscos22:08 - Conclusões sobre a corrida tecnológica e mercado

Paranormal FM
PNFM - EP170 - Os Espiões Psíquicos da Guerra Fria

Paranormal FM

Play Episode Listen Later Jun 27, 2026 78:46


Você já ouviu falar do Projeto Stargate? Se você é fã de Stranger Things, certamente vai curtir essa história! Vem ouvir!=== ACESSE NOSSO CANAL NO YOUTUBE ===https://www.youtube.com/@paranormalfm=== LOJA DE CAMISAS OFICIAS PNFM ===https://reserva.ink/paranormalfm=== APOIE O PARANORMAL FM ===Quer se tornar um apoiador deste projeto e nos ajudar a continuar melhorando a qualidade, além e se tornar uma peça importante na viabilização muitos outros projetos em diferentes mídias? Entre no nosso Apoia-se e faça parte da família Paranormal FM!https://apoia.se/paranormalfm=== Siga Paranormal FM nas redes sociais ===Instagram, Twitter e Facebook: @ParanormalFMEmail: paranormalfmpodcast@gmail.comSiga e avalie o Paranormal FM nas plataformas de streaming!Apresentação: Fernando Ribas e Leonardo MarquesVinhetas e Formato: Fernando RibasPauta: Luana MachadoEdição: Fernando RibasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Viracasacas Podcast
RT Comentado 60 – A CIA fez o Brasil ganhar a Copa de 1970

Viracasacas Podcast

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 26:35


Desta vez eu quero te convidar a olhar para outra Copa. Uma Copa que aconteceu há mais de cinquenta anos, no México, que produziu o que muitos consideram o melhor time de futebol da história e que pode ter sido palco de uma das operações secretas mais absurdas e improváveis já cogitadas no esporte.A gente vai falar sobre uma pergunta que, quando você ouve pela primeira vez, parece ridícula: a CIA envenenou Gordon Banks para que o Brasil ganhasse a Copa do Mundo de 1970?Eu sei. Eu sei como soa.  Mas quando você começa a puxar os fios dessa história, o que você encontra não é exatamente uma resposta. É um emaranhado de Guerra Fria, ditadura militar, política inglesa, futebol e uma garrafa de cerveja cuja tampa talvez alguém tenha aberto antes da hora.   Então hoje eu quero fazer exatamente isso: puxar esses fios com vocês.

Guerra Fria
Entre mísseis e drones: os bastidores da nova guerra fria no Golfo e na Europa

Guerra Fria

Play Episode Listen Later Jun 21, 2026 25:21


Nuno Rogeiro e José Milhazes debateram, em mais um Guerra Fria, as negociações entre o Irão e os Estados Unidos, sublinhando a seriedade das delegações e as divisões internas iranianas dentro da Guarda Revolucionária. Sobre a Ucrânia, analisaram os avanços militares de Kiev, incluindo ataques profundos em território russo e o desenvolvimento de armamento inovador. Abordaram ainda a tensão com a Bielorrússia, o desgaste das populações ucraniana e russa após anos de conflito, e os sinais de instabilidade interna na Rússia, num contexto de autêntica guerra fria. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa Link para Estatuto Editorial Expresso e Link para Estatuto Editorial SIC NotíciasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Kinea Investimentos
Kinea Reflexões: A Segunda Guerra Fria e a Crise do Ocidente

Kinea Investimentos

Play Episode Listen Later Jun 20, 2026 9:30


Por Ruy Alves, Sócio e Gestor de Investimentos.

História pros brother
O JAPÃO DEPOIS DAS BOMBAS!

História pros brother

Play Episode Listen Later Jun 18, 2026 53:25


Neste episódio Prof.Vítor Soares e Alexandre Nickel explicam de forma clara e descontraída a impressionante transformação do Japão após a Segunda Guerra Mundial. O debate gira em torno de como o país, após sofrer a devastação das bombas atômicas e o colapso de sua ideologia imperialista, conseguiu se reerguer e mudar completamente sua imagem global. Longe de ser um plano friamente calculado, a ascensão japonesa é analisada sob a ótica da forte influência geopolítica e do suporte financeiro dos Estados Unidos durante o contexto da Guerra Fria.Não esqueçam de dar uma passadelas lá no nosso apoia.se/historiaprosbrother !

História pros brother
O JAPÃO DEPOIS DAS BOMBAS!

História pros brother

Play Episode Listen Later Jun 18, 2026 53:25


Neste episódio Prof.Vítor Soares e Alexandre Nickel explicam de forma clara e descontraída a impressionante transformação do Japão após a Segunda Guerra Mundial. O debate gira em torno de como o país, após sofrer a devastação das bombas atômicas e o colapso de sua ideologia imperialista, conseguiu se reerguer e mudar completamente sua imagem global. Longe de ser um plano friamente calculado, a ascensão japonesa é analisada sob a ótica da forte influência geopolítica e do suporte financeiro dos Estados Unidos durante o contexto da Guerra Fria.Não esqueçam de dar uma passadelas lá no nosso apoia.se/historiaprosbrother !

Guerra Fria
Uma possível paz no Irão e uma fadista na Ucrânia: “Sara Paixão conquistou a alma dos ucranianos”

Guerra Fria

Play Episode Listen Later Jun 14, 2026 22:03


Depois de tantos meses de avanços e recuos, estamos próximos de um acordo entre o Irão e os EUA? “O memorando trata-se apenas de uma trégua temporária em que o Irão ganha tempo para restaurar a sua tecnologia”, prevê José Milhazes. Nuno Rogeiro confirma que estamos perto de um entendimento, garante que já estaria fechado caso Israel não tivesse bombardeado Beirute, mas mantém a mesma postura cética sobre o fim do conflito. Neste Guerra Fria, os comentadores discutem a possível paz que se aproxima, abordam a reaproximação de Washington à Ucrânia e terminam com uma nota cultural sobre um espetáculo improvável: a fadista Sara Paixão atuou em Kiev, cantando até uma canção ucraniana, simbolizando solidariedade em tempos de guerra. Ouça aqui o programa Guerra Fria em podcast, emitido na SIC a 14 de junho. See omnystudio.com/listener for privacy information.

15 Minutos - Gazeta do Povo
BYD, Alibaba e Baidu na mira dos EUA: a nova Guerra Fria da tecnologia e da espionagem

15 Minutos - Gazeta do Povo

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 14:54


Este episódio do Podcast 15 Minutos analisa a recente atualização do Departamento de Guerra dos Estados Unidos que incluiu gigantes chinesas como Alibaba, Baidu e a fabricante de carros elétricos BYD em uma lista de corporações que colaboram com o complexo militar de Pequim.

Toca Do Dragão
PROTOCOLO ESTRELA VESPERTINA | 02: Между змеями и товарищами (Entre Cobras e Camaradas)

Toca Do Dragão

Play Episode Listen Later Jun 6, 2026 165:52


Mostre que Você Apoia o Toca: https://apoia.se/atocadodragao#rpg #russia #URSS #ficçaocietifica #ficçaohistorica #scify #rpgdemesa #maddragonturbo #MDT #RPGdoToca #RPGSeguro #FarolDaHistoria"1966. O auge da Guerra Fria. A KGB designa três dos seus melhores agentes para desvendar o Mistério do desaparecimento da Dra. Alekseeva no Complexo de Pesquisa B12. Paranoia, traição e medo, rondam os jogadores a todo instante, nada é o que parece ser. A equipe Sigma-4 conseguirá descobrir o que houve no trágico evento, ou tudo ficará encoberto pela União Soviética? Descubra."Um RPG Do Toca Do Dragão

Brasil Paralelo | Podcast
O DESTINO MILITAR DA EUROPA

Brasil Paralelo | Podcast

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 12:53


A Europa enfrenta uma de suas maiores transformações geopolíticas desde o fim da Guerra Fria. Após três décadas colhendo os frutos de um longo período de paz, estabilidade e desarmamento, o continente acorda para uma nova e dura realidade de conflitos convencionais de alta intensidade. Impulsionados pela iminência de novos desdobramentos da guerra na Ucrânia e pelo profundo abalo na confiança histórica da proteção militar dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, as capitais ocidentais iniciaram uma corrida armamentista sem precedentes históricos recentes. Neste vídeo, a Brasil Paralelo analisa em detalhes os bastidores desse rearmamento continental. Entenda o impacto do plano "ReArm Europe / Readiness 2030" liderado pela Comissão Europeia, o aumento drástico e recorde dos gastos militares da Polônia e dos países bálticos, e a quebra de um tabu histórico definitivo: a decisão da Alemanha de construir o exército convencional mais forte da Europa sob o comando do Chanceler Friedrich Merz.

Chutando a Escada
81 anos depois: Rússia, Brasil e a memória da Segunda Guerra

Chutando a Escada

Play Episode Listen Later May 14, 2026


O que sobrou, 81 anos depois, da Grande Guerra Patriótica para a Rússia, do desembarque da Força Expedicionária Brasileira em Monte Castelo para o Brasil e do legado de Yalta para a ordem internacional contemporânea? Neste episódio em parceria com o Observatório Rússia e América Latina, Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Mariana da Gama Janot (INCT-Ineu) e Valdir da Silva Bezerra (@o_russianista), mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo e organizador, com Boris Zabolotsky, do livro 80 Anos da Vitória na Grande Guerra Patriótica (Blucher, 2025). A conversa atravessa a contribuição massiva (e hoje contestada) da União Soviética para a derrota do nazifascismo, a entrada do Brasil no conflito a partir das contradições do Estado Novo e o modo como a memória da guerra foi mobilizada, na era Putin, para preencher o vácuo de identidade aberto pelo colapso soviético. No bloco de notícias, Giovana Dias Branco e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, pesquisadores do Ruslat, repercutem o mês de abril: a reaproximação Rússia-Cuba em meio à crise energética da ilha, a suspensão temporária das exportações de fertilizantes russos e seu impacto sobre o agronegócio brasileiro, o relatório sobre o treinamento de mais de mil criadores de conteúdo latino-americanos com participação da RT em espanhol, e a Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0), projeto bipartidário que tenta requalificar o Grupo Wagner e seus sucessores como organizações terroristas no contexto da intervenção dos EUA na Venezuela. No último bloco, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Boris Zabolotsky (Unifacs) sobre a insegurança ontológica da Rússia no pós-Guerra Fria e indica três filmes incontornáveis para pensar a guerra sem glorificá-la. Aperte o play. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC Minas / Ruslat), Valdir da Silva Bezerra (Ruslat), Mariana da Gama Janot (Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas), Giovana Dias Branco (Ruslat), Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (Ruslat), Laura Schneider de Lima (Ruslat) e Boris Zabolotsky (Universidade Salvador – Unifacs / Ruslat). Capa do episódio: “Raising a flag over the Reichstag”, Yevgeny Khaldei, 2 de maio de 1945. Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio BEZERRA, Valdir da Silva; ZABOLOTSKY, Boris (orgs.). 80 anos da vitória na Grande Guerra Patriótica: memória, reconstrução e perspectivas. São Paulo: Blucher, 2025. Disponível em: https://www.blucher.com.br/bezerra-zabolotsky-os-80-anos-da-vitoria-na-grande-guerra-patriotica-memoria-reconstrucao-e-perspectivas. FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). 2003. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001295507. VAÏSSE, Maurice. As relações internacionais desde 1945. Lisboa: Edições 70. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/livro/as-relacoes-internacionais-desde-1945-HLQ-9833-000-BK. ESTADOS UNIDOS. Congresso. Câmara dos Representantes. Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0). Projeto de lei bipartidário, 2026. Disponível em: https://joewilson.house.gov/sites/evo-subsites/joewilson.house.gov/files/evo-media-document/wilssc_082_xml-20.pdf. KLIMOV, Elem (dir.). Vá e veja [Idi i smotri]. URSS: Mosfilm; Belarusfilm, 1985. 142 min. ROMM, Mikhail (dir.). O fascismo cotidiano [Obyknovennyy fashizm]. URSS: Mosfilm, 1965. 130 min. Documentário. BALAGOV, Kantemir (dir.). Uma mulher alta [Dylda]. Rússia: Non-Stop Production, 2019. 137 min. ASSAYAS, Olivier (dir.). O mago do Kremlin [The Wizard of the Kremlin]. França/Reino Unido, 2025. Mencionado em entrevista. Capítulos 00:00 — Abertura: 81 anos do fim da Segunda Guerra Mundial 00:04 — Valdir Bezerra: a Grande Guerra Patriótica e o legado soviético contestado 00:10 — Mariana Janot: Estado Novo, FEB e a memória disputada da participação brasileira 00:18 — Era Putin: memória, identidade nacional e renascimento militar 00:24 — O Brasil hoje: defesa, paz e o legado contra o fascismo 00:31 — Boletim Ruslat: Cuba, fertilizantes e a guerra informacional 00:37 — Leonardo Nascimento: Grupo Wagner, Venezuela e a geoeconomia do petróleo 00:44 — Boris Zabolotsky: insegurança ontológica, América Latina e três filmes contra a glorificação The post 81 anos depois: Rússia, Brasil e a memória da Segunda Guerra appeared first on Chutando a Escada.

História FM
235 Plano Marshall: o plano de reconstrução (de parte) da Europa

História FM

Play Episode Listen Later May 11, 2026 142:22


Ao final da Segunda Guerra Mundial, a Europa encontrava-se economicamente devastada, com cidades destruídas, sistemas produtivos desorganizados e graves crises sociais que ameaçavam a estabilidade do continente. Foi nesse contexto que os Estados Unidos lançaram, em 1947, o Plano Marshall, um amplo programa de assistência econômica voltado à reconstrução europeia e à contenção da influência soviética em meio ao início da Guerra Fria. Por meio de empréstimos, investimentos e envio de recursos, o plano buscava reativar economias nacionais, fortalecer mercados consumidores e consolidar alianças políticas no bloco ocidental. Seus impactos ultrapassaram a recuperação material imediata, influenciando processos de integração europeia, estratégias diplomáticas estadunidenses e a configuração geopolítica do pós-guerra.Convidamos Antonio Lassance para discutir os objetivos políticos e econômicos do Plano Marshall, suas relações com a Guerra Fria, os efeitos da reconstrução europeia e os debates historiográficos sobre os limites e resultados desse programa na reorganização do mundo após 1945.Instagram: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@iclesrodrigues⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠PIX: leituraobrigahistoria@gmail.comAdquira o curso História: da pesquisa à escrita por apenas R$ 49,90 ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CLICANDO AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Adquira o curso A Operação Historiográfica para Michel de Certeau por apenas R$ 24,90 ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CLICANDO AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Adquira o curso O ofício do historiador para Marc Bloch por apenas R$ 29,90 ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CLICANDO AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Colabore com nosso trabalho em ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠apoia.se/obrigahistoria⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Conforto é com a INSIDER! Meu cupom HISTORIAFM dá 10% de desconto pra cliente recorrente e 15% pra cliente novo! Acesse o site pelo link ⁠⁠https://creators.insiderstore.com.br/HISTORIAFM⁠⁠ e aproveite! #insiderstore

PodCast IDEG
Atualiza e Revisa #25 - ZOPACAS e o seu papel na Governança do Atlântico Sul

PodCast IDEG

Play Episode Listen Later Apr 28, 2026 20:45


A governança do Atlântico Sul voltou ao centro da agenda diplomática brasileira — e a ZOPACAS reaparece como um dos principais instrumentos dessa estratégia. Neste episódio do Atualiza e Revisa, Luiza Bringel parte da 9ª Reunião Ministerial da ZOPACAS, realizada no Rio de Janeiro em abril de 2026, para analisar o tema com profundidade: da origem na Guerra Fria às tentativas atuais de revitalização do mecanismo. Mais do que um fórum diplomático, a ZOPACAS revela como o Brasil articula normas, cooperação e estratégia em um espaço cada vez mais relevante para segurança energética, comércio e projeção internacional. Você vai entender: ● Como surgiu a ZOPACAS e qual seu objetivo estratégico ● O conceito de blindagem normativa e sua aplicação na prática ● O impacto da Guerra das Malvinas na construção da agenda sul-atlântica ● Por que a ZOPACAS não é uma organização internacional formal ● A leitura teórica: Realismo, Institucionalismo e Escola de Copenhague ● O papel do Brasil como “insulator” entre América do Sul e África ● O que muda com a nova Convenção ambiental de 2026 (soft law x hard law) Além disso, o episódio traduz tudo isso para o formato exigido pelo Instituto Rio Branco, com foco em como o tema pode aparecer na prova do CACD — tanto na objetiva quanto na discursiva.

Chutando a Escada
O Japão que não pode dizer não

Chutando a Escada

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 80:04


Em 2026, Donald Trump acusou o Japão de não ter participado da guerra contra o Irã — e na mesma cúpula bilateral evocou Pearl Harbor para responder a uma pergunta da primeira-ministra Sanae Takaichi. O Japão, que havia concordado em investir 550 bilhões de dólares nos Estados Unidos para evitar tarifas ainda mais severas, ouvia em silêncio. A quarta maior economia do mundo, cercada pela China, pela Rússia e pela Coreia do Norte, encontra-se estruturalmente incapaz de contrariar Washington. A pergunta que este episódio tenta responder é: como um país chega a esse ponto? Para entender o Japão de hoje, é preciso recuar até 1945. Com Jojô Neto (PUC-MG), percorremos o arco que vai da ocupação americana e da constituição pacifista redigida pelas forças de MacArthur, passando pela ascensão econômica japonesa e o pânico que ela gerou em Washington nos anos 1980 e 1990, até a guinada nacionalista deflagrada pelas declarações Kono e Murayama sobre as chamadas “mulheres de conforto”, o surgimento de grupos como o Nippon Kaigi, e a consolidação do revisionismo histórico como ferramenta política sob Shinzo Abe, cujo legado ambíguo ainda define os termos do debate político japonês. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Filipe Mendonça (UFU/AIA-NRW) e Jojô Neto (PUC Minas) Inserções de áudio: Guardian Australia  | Bloomberg Capa do episódio: Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), outubro de 2025 Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Gosta do whastapp? Faça parte de nosso canal clicando aqui Capítulos: 00:00 — O Japão que não pode dizer não: conjuntura e abertura 00:07 — O Japão do pós-guerra: ocupação americana e nova constituição 00:17 — O pacifismo como projeto de poder 00:24 — O Japão Imperial: anticolonial mas não decolonial 00:30 — Ascensão econômica e o “perigo amarelo” 00:42 — Os anos 1990: fim da Guerra Fria e guinada nacionalista 00:45 — As declarações Kono e Murayama e as “mulheres de conforto” 00:53 — Koizumi, Yasukuni e a extrema direita japonesa 00:57 — Shinzo Abe: dos dois mandatos ao legado ambíguo 01:15 — Abenomics, Cool Japan e o fim do governo Abe The post O Japão que não pode dizer não appeared first on Chutando a Escada.

CUBINHO
CUBINHO #213 - PECADOS - Guerra fria, pecado capital, quiz de basquet

CUBINHO

Play Episode Listen Later Apr 14, 2026 61:36


Carregado pelo Rei do Áudio, Ricardo Maria, terceiro de seu nome, príncipe das terras devastadas pelo vento, filho de mãe doida, jogador de basquetebol, rejeitado do Principado, ainda-não Rei do Vídeo, proprietário de abrigo, jogador da equipa Sénior de Basquetebol do Sport Lisboa e Benfica durante a época 25-26 num treino, possuidor de um pénis muy digno mas que não curte de falar disso, com soninho enquanto escreve isto, Rei de Punta, ainda o gajo que percebe mais de basket no Cubinho.Patreon⁠⁠https://www.patreon.com/CUBINHO⁠⁠BILHETES GENTIL:⁠⁠⁠⁠⁠https://linktr.ee/antonioacoutinho⁠⁠⁠⁠⁠BILHETES ARRAIAL:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://ticketline.sapo.pt/evento/-arraial-vitor-sa-99200?fromTopList=1⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠BILHETES LABS:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://ticketline.sapo.pt/evento/freakshow-labs-97913⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CUBINHO, o podcast do colectivo CUBO. António Azevedo Coutinho, Ricardo Maria e Vítor Sá arrancam com a segunda parte deste projecto a três frentes. CUBINHO, um podcast em que se garante boa disposição e alguém a embirrar com o Ricardo.António Azevedo Coutinho https://www.instagram.com/antonioacoutinho/https://twitter.com/antonioacoutinhRicardo Mariahttps://www.instagram.com/ricardotaomaria/https://twitter.com/ricardotaomariaVítor Sáhttps://www.instagram.com/savitorsa/https://twitter.com/savitorsa

Professor HOC
QUEM MANDA NO MUNDO?

Professor HOC

Play Episode Listen Later Apr 13, 2026 30:13


O poder no século XXI não se mede mais apenas por exércitos, territórios ou PIB. Ele se mede pela capacidade de mover mercados com uma frase, redesenhar fronteiras com uma decisão, influenciar eleições a milhares de quilômetros de distância e determinar o que bilhões de pessoas vão pensar, comprar e temer no dia seguinte.Em um mundo fragmentado entre potências em declínio, impérios em ascensão e atores não-estatais cada vez mais influentes, a pergunta "quem realmente manda no mundo?" deixou de ter uma resposta óbvia. Não são mais apenas presidentes e primeiros-ministros. São homens e mulheres que controlam fluxos de capital maiores que economias inteiras, que decidem o futuro da inteligência artificial, que comandam as rotas do petróleo, que moldam a opinião pública global — e alguns que operam nas sombras, longe dos holofotes, mas com influência que supera a de muitos chefes de Estado.Neste vídeo, apresentamos um ranking das 10 pessoas mais poderosas do mundo em 2026. A lista combina poder político formal, influência econômica, alcance militar, controle sobre tecnologias críticas e capacidade de determinar a direção dos acontecimentos globais. Algumas escolhas são óbvias. Outras vão surpreender. E a posição número 1 é um reflexo direto do momento geopolítico mais tenso desde o fim da Guerra Fria.Prepare-se para uma jornada pelos bastidores do poder real — aquele que não aparece nas manchetes, mas que define o mundo em que vivemos.

Chutando a Escada
Ecologia da mente e extrema-direita

Chutando a Escada

Play Episode Listen Later Mar 26, 2026 70:01


O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.

Bunker X
O GENERAL DOS OVNIs SUMIU (coincidência ou queima de arquivo?) | BUNKER X Podcast

Bunker X

Play Episode Listen Later Mar 17, 2026 35:14


No Boletim X, o telejornal interdimensional do Bunker X, Affonso Solano e Afonso 3D analisam algumas das notícias mais estranhas e intrigantes do momento.O destaque da edição é o misterioso desaparecimento do major-general aposentado William Neil McCasland, ex-oficial da Força Aérea dos Estados Unidos que esteve ligado a programas avançados de ciência e tecnologia militar.Ele desapareceu após sair para correr em uma trilha no Novo México — sem celular, sem relógio e sem deixar rastros. O caso mobilizou o FBI, autoridades locais e centenas de moradores em busca de imagens de câmeras de segurança.O detalhe que chama atenção: McCasland também esteve ligado a pesquisas conduzidas em instalações cercadas por décadas de especulações dentro da ufologia.Mas esse não é o único tema do episódio.Também falamos sobre:

Podtrash
Podtrash 810 – Águia de Fogo

Podtrash

Play Episode Listen Later Mar 7, 2026 66:51


Horror! Medo! Desespero! Hoje falamos do filme de TV que originou a série Águia de Fogo (Airwolf): helicópteros absurdos, conspirações da Guerra Fria e ação oitentista no talo. Também comparamos a calvície do Exumador com uma águia-careca em pleno voo.A ciência ainda investiga qual dos dois reflete mais luz. E claro… Bruno sumiu da gravação. […]

Outliers
#181 Nova Guerra Fria: como a geopolítica vai impactar seus investimentos?

Outliers

Play Episode Listen Later Feb 24, 2026 75:42


Na edição 181 do Outliers InfoMoney, Clara Sodré e Fabiano Cintra seguem falando sobre mercado global. Agora, focando na geopolítica internacional.   O convidado da vez é o diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, Christopher Garman. A conversa franca, técnica e de qualidade aborda qual o peso da geopolítica internacional no mercado financeiro, se os EUA ainda são o porto seguro do mundo e se a China quer substituir os EUA como nova líder global, com uma espécie de Guerra Fria no caminho.   Ao longo do episódio, eles discutem também a guerra entre Ucrânia e Rússia, Europa, Oriente Médio e a relevância do petróleo no meio de tudo isso. Além, claro, do momento do Brasil neste cenário, apontando os cuidados e os pontos de atenção que você, investidor, deve ter, especialmente em período eleitoral.   Acompanhe o bate-papo e entenda como investir melhor e com mais retorno. 

História em Meia Hora
Hiroshima e Nagasaki

História em Meia Hora

Play Episode Listen Later Feb 21, 2026 32:49


O História em Meia Hora agora é em VÍDEO! Nos últimos momentos da Segunda Guerra Mundial, os EUA lançaram pela primeira vez na História duas bombas atômicas em civis japoneses. Era realmente necessário? Impediu mais mortes ou foi apenas uma preparação para a Guerra Fria que viria a seguir? Separe trinta minutos do seu dia e aprenda com o professor Vítor Soares (@profvitorsoares) sobre o que foi o bombardeio atômico nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.-Se você quiser ter acesso a episódios exclusivos e quiser ajudar o História em Meia Hora a continuar de pé, clique no link: www.apoia.se/historiaemmeiahoraConheça o meu canal no YouTube e assista o História em Dez Minutos!https://www.youtube.com/@profvitorsoaresConheça meu outro canal: História e Cinema!https://www.youtube.com/@canalhistoriaecinemaOuça "Reinaldo Jaqueline", meu podcast de humor sobre cinema e TV:https://open.spotify.com/show/2MsTGRXkgN5k0gBBRDV4okCompre o livro "História em Meia Hora - Grandes Civilizações"!https://a.co/d/47ogz6QCompre meu primeiro livro-jogo de história do Brasil "O Porão":https://amzn.to/4a4HCO8PIX e contato: historiaemmeiahora@gmail.comApresentação: Prof. Vítor Soares.Roteiro: Prof. Vítor Soares e Prof. Victor Alexandre (@profvictoralexandre)REFERÊNCIAS USADAS:- ALPEROVITZ, Gar. The Decision to Use the Atomic Bomb. New York: Vintage Books, 1996.- DOWER, John W. Embracing Defeat: Japan in the Wake of World War II. New York: W. W. Norton & Company, 1999.- UNITED STATES STRATEGIC BOMBING SURVEY. The Effects of Atomic Bombs on Hiroshima and Nagasaki. Washington, D.C.: U.S. Government Printing Office, 1946.- WESTAD, Odd Arne. The Cold War: A World History. New York: Basic Books, 2017.

Diplomatas
“NATO 3.0”: EUA “autorizam Europa a ter Exército próprio para se defender da Rússia”

Diplomatas

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 37:16


O episódio desta semana do podcast Diplomatas foi dedicado à análise dos discursos dos principais líderes políticos norte-americanos e europeus na 62.ª Conferência de Segurança de Munique, nomeadamente Marco Rubio, Friedrich Merz, Volodymyr Zelensky, Ursula von der Leyen, Emmanuel Macron, Keir Starmer e Mark Rutte. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar tiraram lições do evento na Alemanha para reflectir sobre o actual estado das relações transatlânticas, destacando também a intervenção do subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby, na reunião de ministros da Defesa da NATO, e a visita de Rubio à Hungria, para apoiar a campanha eleitoral de Viktor Orbán. No âmbito das tensões com Moscovo, no contexto da guerra na Ucrânia, a jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA também assinalaram os 80 anos volvidos do “longo telegrama” do antigo embaixador dos EUA George Kennan, que estabeleceu as bases para a estratégia de “contenção” da então União Soviética durante a Guerra Fria. Houve ainda tempo para responder a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas sobre a influência do Projecto 2025, da ultraconservadora Heritage Foundation, na governação de Donald Trump, e sobre os próximos passos até às eleições intercalares norte-americanas, agendadas para Novembro. Por fim, falou-se de Jesse Jackson, figura de proa da luta pelos direitos civis nos EUA, que morreu no domingo, aos 84 anos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

BITACORA DEL SUR de Ramon Freire
Florencia pieza clave para entender la nueva guerra fria

BITACORA DEL SUR de Ramon Freire

Play Episode Listen Later Jan 8, 2026 13:08


Florencia pieza clave para entender la nueva guerra fria

História FM
224 Ditadura no Uruguai: os anos de repressão no país platino

História FM

Play Episode Listen Later Dec 22, 2025 86:34


Entre 1973 e 1985, o Uruguai viveu um dos períodos mais autoritários de sua história, marcado pela ruptura institucional, pela repressão sistemática e pela suspensão das liberdades democráticas. O golpe que fechou o Parlamento inaugurou uma ditadura cívico-militar que combinou a atuação direta das Forças Armadas com a presença de presidentes civis submetidos ao poder militar. Em nome da segurança nacional e sob o contexto da Guerra Fria, o regime perseguiu partidos políticos, sindicatos e organizações sociais, promoveu prisões em massa, institucionalizou a tortura e produziu desaparecimentos forçados. Ao longo dos anos, disputas internas no próprio regime, derrotas políticas em plebiscitos e eleições controladas, além da pressão social, abriram caminho para uma lenta transição que culminou no retorno do governo civil em 1985. Convidamos Rodrigo Castro para analisar o funcionamento da ditadura uruguaia, seus mecanismos de repressão e controle, as disputas internas do regime e os dilemas da transição democrática, discutindo também os impactos políticos e sociais desse período na história recente do Uruguai.Instagram: ⁠@iclesrodrigues⁠Adquira o curso História: da pesquisa à escrita por apenas R$ 49,90 ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CLICANDO AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Adquira o curso A Operação Historiográfica para Michel de Certeau por apenas R$ 24,90 ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CLICANDO AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Adquira o curso O ofício do historiador para Marc Bloch por apenas R$ 29,90 ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠CLICANDO AQUI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Colabore com nosso trabalho em ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠apoia.se/obrigahistoria⁠⁠⁠⁠⁠O melhor custo-benefício é na INSIDER. Com nosso cupom e os descontos do site seu desconto pode chegar a até 50%! Use o cupom HISTORIAFM para os melhores descontos, ou acesse o site pelo link ⁠https://creators.insiderstore.com.br/HISTORIAFM⁠⁠ #insiderstore

Empiricus Puro Malte
Hello, Brasil! | E06: SUL GLOBAL É FICÇÃO? Marcos Troyjo, BRICS e a nova Guerra Fria (China vs EUA)

Empiricus Puro Malte

Play Episode Listen Later Dec 17, 2025 60:33


Marcos Troyjo, ex‑presidente do Banco dos BRICS, fundador do BRICLab na Columbia e professor em Oxford, analisa o cenário geopolítico global e o lugar do Brasil na nova Guerra Fria entre China e Estados Unidos. Ele discute o conceito de “Sul Global”, explica a desglobalização e comenta como o país pode se tornar um ator “geopoliticamente pendular”.​Neste episódio de “Hello, Brasil! – o país no divã”, Troyjo fala sobre BRICS, disputa por terras raras e minerais críticos, o papel do agronegócio e da matriz energética brasileira e os bastidores de sua saída do Novo Banco de Desenvolvimento. Ele também aborda as escolhas diplomáticas do Brasil em temas como Venezuela, Oriente Médio, eleições americanas e a volta de Trump com uma nova leitura da Doutrina Monroe.​Na parte final, a conversa entra em 2026: “PT‑fadiga”, anti‑incumbência, o papel das elites brasileiras e o que o país precisa fazer para crescer 4% ao ano e fechar a distância em relação a economias como Portugal. Um diálogo franco, denso e técnico sobre como o Brasil é visto no mundo – e quais decisões podem destravar seu potencial nas próximas décadas.​Capítulos:00:00 – APRESENTAÇÃO E TRAJETÓRIA DE MARCOS TROYJO05:22 – BRASIL: O GIGANTE QUE VAI MAL NA ESCOLA13:04 – DESGLOBALIZAÇÃO: DO FIM DA HIPERGLOBALIZAÇÃO À GUERRA FRIA 2.018:40 – TERRAS RARAS E MINERAIS CRÍTICOS: A NOVA JOIA DA COROA BRASILEIRA24:45 – POR QUE MARCOS TROYJO SAIU DO BANCO DOS BRICS31:31 – SUL GLOBAL: POR QUE TROYJO DIZ QUE É UMA FICÇÃO35:08 – “PAZ QUENTE”: COMO O BRASIL NAVEGA ENTRE CHINA E EUA39:36 – DIPLOMACIA BRASILEIRA E O RISCO DE PENDER PARA UM LADO43:51 – “PT‑FADIGA” E OS CENÁRIOS POLÍTICOS PARA 202659:24 – ELITES BRASILEIRAS E O “KPI” DO BRASIL​Sobre Marcos Troyjo:Ex‑presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS, 2020‑2023), fundador do BRICLab na Columbia University, professor visitante na Blavatnik School of Government (University of Oxford) e ex‑Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia (2019‑2020).​

Viracasacas Podcast
RT Comentado 50 – Vampiros da CIA

Viracasacas Podcast

Play Episode Listen Later Nov 28, 2025 21:47


Olá, pessoas, hoje vamos falar de uma das operações mais bizarras da CIA durante a Guerra Fria. Imaginem a cena: Filipinas, início dos anos 1950. Um soldado guerrilheiro comunista desaparece durante uma patrulha noturna. Dias depois, seus companheiros encontram o corpo dele abandonado numa trilha. Duas marcas de furos no pescoço. O cadáver completamente sem sangue. O que aterrorizou esses guerrilheiros experientes?

Os Sócios Podcast
ESTADOS UNIDOS VS. VENEZUELA: OS EUA VÃO INVADIR A VENEZUELA? (Professor HOC) | Os Sócios 264

Os Sócios Podcast

Play Episode Listen Later Oct 9, 2025 98:53


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