Podcasts about provavelmente

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Arauto Repórter UNISC
O que a sua vida está ensinando?

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 4:15


Posso fazer algumas perguntas?Não precisa responder para mim. Responda para você.Quando foi a última vez que você exigiu dos outros algo que você mesmo não estava conseguindo entregar?Você cobra pontualidade… mas chega no horário?Cobra respeito… mas respeita?Pede comprometimento… mas demonstra comprometimento?Pede que as pessoas “vistam a camisa”… mas elas têm vontade de vestir a camisa de alguém que não dá o exemplo?É curioso como nós gostamos de ensinar.Hoje existem livros, cursos, palestras e milhares de pessoas dizendo como liderar, como educar, como empreender, como construir uma família melhor.Mas a vida continua ensinando uma verdade muito simples: palavras convencem por alguns minutos. O exemplo convence por uma vida inteira.Pense na pessoa que mais marcou a sua história.Provavelmente você não lembra de tudo o que ela disse.Mas lembra exatamente de como ela vivia.Os filhos observam.Os funcionários observam.Os colegas observam.As pessoas não seguem discursos. Elas seguem coerência.Talvez a pergunta mais importante desta manhã não seja: “O que eu estou dizendo?”Talvez seja: “O que a minha vida está dizendo quando eu fico em silêncio?”Porque falar… qualquer um fala.Agora, viver aquilo que se acredita… essa continua sendo uma das maiores demonstrações de liderança.Que hoje a gente fale um pouco menos… e inspire um pouco mais pelo exemplo.Um excelente dia para você.

Assunto Nosso
O que a sua vida está ensinando?

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 4:15


Posso fazer algumas perguntas?Não precisa responder para mim. Responda para você.Quando foi a última vez que você exigiu dos outros algo que você mesmo não estava conseguindo entregar?Você cobra pontualidade… mas chega no horário?Cobra respeito… mas respeita?Pede comprometimento… mas demonstra comprometimento?Pede que as pessoas “vistam a camisa”… mas elas têm vontade de vestir a camisa de alguém que não dá o exemplo?É curioso como nós gostamos de ensinar.Hoje existem livros, cursos, palestras e milhares de pessoas dizendo como liderar, como educar, como empreender, como construir uma família melhor.Mas a vida continua ensinando uma verdade muito simples: palavras convencem por alguns minutos. O exemplo convence por uma vida inteira.Pense na pessoa que mais marcou a sua história.Provavelmente você não lembra de tudo o que ela disse.Mas lembra exatamente de como ela vivia.Os filhos observam.Os funcionários observam.Os colegas observam.As pessoas não seguem discursos. Elas seguem coerência.Talvez a pergunta mais importante desta manhã não seja: “O que eu estou dizendo?”Talvez seja: “O que a minha vida está dizendo quando eu fico em silêncio?”Porque falar… qualquer um fala.Agora, viver aquilo que se acredita… essa continua sendo uma das maiores demonstrações de liderança.Que hoje a gente fale um pouco menos… e inspire um pouco mais pelo exemplo.Um excelente dia para você.

Radio Cinemaxunga
Passenger (2026)

Radio Cinemaxunga

Play Episode Listen Later Jul 16, 2026 7:19


Num ano rico em filmes chamados "Passenger", hoje falamos de um. Plot twist: não é dos melhores filmes de terror. Provavelmente nem entra num top 10 filmes de terror com "passenger" no título

Contra-Corrente
Chat Control é uma boa intenção ou ideia perigosa? — Debate

Contra-Corrente

Play Episode Listen Later Jul 14, 2026 97:54


Vamos viver todos sob suspeita? Provavelmente sim. Esta é a conclusão que se pode tirar do acontecido no Parlamento Europeu com a votação sobre o Chat Control 1.0.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gabinete de Guerra
Irão. "Provavelmente evitou-se aqui uma escalada maior"

Gabinete de Guerra

Play Episode Listen Later Jul 10, 2026 10:47


Bruno Cardoso Reis vê com bons olhos o regresso às negociações entre EUA e Irão. Ainda assim, o historiador alerta para o facto das decisões de Donald Trump serem muitas vezes pouco duradouras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

SBS Portuguese - SBS em Português
Por que a Austrália provavelmente não sediará uma Copa do Mundo masculina tão cedo

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 8:50


País se candidatou diversas vezes para hospedar o mais popular evento esportivo do planeta, sempre sem sucesso. Atualmente, custos, infraestrutura, interesses políticos e o fuso horário continuam sendo os principais obstáculos.

GameFM » Debug Mode – Podcast
30 ANOS DE APPLE PIPPIN - Debug Mode #584 - Podcast

GameFM » Debug Mode – Podcast

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 251:13


Você já ouviu falar no Apple Pippin? Provavelmente não. O bizarro "console" da Apple pode ser considerado um dos maiores flops da história dos games. E para comemorar seu aniversário, fizemos um episódio especial falando sobre sua bizarra origem, seus jogos e tudo o que deu errado. Confira!

Devocionais Pão Diário
DEVOCIONAL PÃO DIÁRIO | HOMEM HUMILDE

Devocionais Pão Diário

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 4:18


Leitura Bíblica Do Dia: EFÉSIOS 1:15-23 Plano De Leitura Anual: JÓ 3–4; ATOS 7:44-60  Já fez seu devocional hoje? Aproveite e marque um amigo para fazer junto com você! Confira:  Eles não achavam que Jorge, um agricultor, seria grande coisa. No entanto, apesar da sua visão fraca e outras limitações físicas, ele dedicava-se a orar pelas pessoas de sua aldeia, nas muitas noites em que a sua dor o mantinha acordado. Em sua caminhada de oração, ia de casa em casa, nomeando pessoas individualmente, até mesmo as que não conhecia. Elas gostavam de seu modo gentil e buscavam sua sabedoria e conselhos. Se Jorge não pudesse ajudá-los na prática, eles ainda se sentiam abençoados ao partirem, pois tinham sido alvos do seu amor. Quando Jorge faleceu, seu funeral foi o maior de todos na comunidade, apesar de ele não ter família na região. Suas orações produziram frutos além do que ele poderia imaginar. Esse homem humilde seguiu o exemplo de Paulo, que amava aqueles a quem servia e orava por eles enquanto estava confinado. Provavelmente, ele estava preso em Roma quando escreveu aos que estavam em Éfeso, rogando que Deus lhes concedesse “sabedoria espiritual e entendimento” e que o coração deles fosse “iluminado” (EFÉSIOS 1:17-18). Sua expectativa era de que conhecessem Jesus e vivessem com amor e união pelo poder do Espírito. Jorge e o apóstolo Paulo dedicaram-se a Deus, levando a Deus em oração aqueles que amavam e a quem serviam. Que possa mos considerar o exemplos deles na maneira como amamos e servimos aos outros hoje.   Por: AMY BOUCHER PYE

Convidado
Mundial de Futebol 2026 "será provavelmente aquele com maiores emissões de gases de efeito estufa"

Convidado

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 9:44


Nesta quinta-feira, no dia da abertura do Mundial de Futebol do Canadá, Estados Unidos e México, não podíamos deixar de evocar o arranque desta competição desportiva. Esta competição que decorre a partir deste 11 de Junho até ao dia 19 de Julho promete ser rica em emoções mas, desde já, tem sido marcada por várias polémicas. E isso bem longe dos relvados. Ainda nesta quarta-feira, a ONU apelou Washington a rever "profundamente" a aplicação da sua política migratória, na sequência de tensões resultantes da recusa de os Estados Unidos atribuírem um visto a Omar Artan, árbitro da Somália, as autoridades americanas tendo igualmente vedado a entrada a membros da comitiva iraniana, apesar de protestos da Federação Internacional de Futebol (FIFA). Outro aspecto problemático: a festa do desporto-rei não é para todos. Para um adepto ir ver um jogo, tem que gastar uma média de mil Dólares, o preço de alguns bilhetes podendo ultrapassar os seis mil Dólares. Para além do custo dos bilhetes, há também as despesas de viagem e estadia entre as diversas cidades, muito distantes umas das outras, que vão acolher os jogos: Toronto e Vancouver no Canadá, Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova Iorque, Filadélfia, San Francisco e Seattle nos Estados Unidos, bem como Guadalalajara, Guadalupe e a capital do México. Com estes destinos todos, 48 equipas em vez de 32 em edições anteriores, 104 jogos e uma dezena de dias suplementares para esta competição, este Mundial 2026, promete também ser um dos mais poluentes jamais organizados, apesar de a FIFA ter chegado a apresentar uma estratégia para limitar a sua pegada ambiental. Refira-se, entretanto, que dentro de quatro anos, adopta-se uma fórmula semelhante, com Marrocos, Espanha e Portugal a acolherem o Mundial 2030. Foi sobre estes aspectos que conversamos com Francisco Ferreira, líder da organização ambientalista portuguesa "Zero". RFI: Como se apresenta o Mundial de Futebol 2026? Francisco Ferreira: Efectivamente, nós estamos a falar de um Mundial que será provavelmente aquele que terá maiores emissões de gases de efeito estufa, praticamente o dobro das emissões daquele que foi o Mundial no Qatar. Porque eu vou ter que usar o transporte aéreo para deslocações de vários milhares de quilómetros entre cidades como Vancouver e Miami. Estamos a falar de 16 cidades sede e com o aumento de selecções, a necessidade de transportes vai ser muitíssimo maior. E estamos a falar de todo o continente norte-americano, não propriamente de três países relativamente próximos. 85/90% das deslocações vão ter que ser em transporte aéreo. E já agora, para se ter a noção, 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono, são aproximadamente 15 a 20% das emissões de Portugal durante um ano e, portanto, muito significativas. E, além disso, nós também devemos olhar para o clima, não apenas pelos prejuízos que estão a ser feitos com esta poluição, mas também pelo facto de nós estarmos no verão norte-americano com temperaturas e humidades que são extremas. Aliás, calcula-se que um quarto dos jogos serão em condições de stress, quer para os espectadores quer para os jogadores. Vamos ter um consumo de energia muito significativo. Com a climatização, os grupos mais vulneráveis vão estar em maior risco. Vamos ter um maior consumo de água e isso deve ser também uma preocupação. Obviamente, apesar de a FIFA ter anunciado uma estratégia para a sustentabilidade, há muitas dúvidas sobre aquilo que é uma efectiva redução, eu diria mesmo impossível, no consumo de recursos e na produção de resíduos associados à magnitude de um evento como este. E o futebol é aqui, infelizmente, um símbolo das contradições da sustentabilidade global. Ou seja, nós, em vez de mantermos um formato que poderia ter menos emissões, portanto, não passando das 32 para as 48 equipas e fazendo investimentos realmente muito significativos nas cidades sede, apesar de a FIFA apontar para os vários pilares da sustentabilidade, o económico, ambiental, a governança, os aspectos sociais, o que é facto é que nós temos exemplos de curtas melhorias, investimentos muito limitados associados a este Mundial e, portanto, o futebol que deveria ser aqui uma oportunidade absolutamente fantástica e espectacular, e temos tido bons exemplos de algumas realizações, quer de campeonatos mundiais, quer, por exemplo, dos Jogos Olímpicos. Como é que eu posso fazer este tipo de eventos desde o início até ao fim, ou seja, desde a construção até ao futuro daquilo que são os investimentos de uma forma mais amiga do ambiente e das cidades e das pessoas? Neste caso, do que conhecemos, a mais valia vai ser muito limitada. RFI: No fundo, o que se pode concluir relativamente à forma como tem sido organizado este Mundial em três países, com mais equipas, com uma duração maior, com mais jogos, é que efectivamente, a FIFA, o cálculo que fez foi sobretudo o lucro, em vez do respeito pelo meio ambiente. Francisco Ferreira: Exactamente. Portanto, logo o fundamental que tem a ver com o uso de recursos e de energia. E aqui estamos a falar, acima de tudo, dos combustíveis fósseis associados principalmente aos transportes. Estes aspectos que são, no fundo, que o que realmente interessa em termos de contribuição ou de minimização por parte da FIFA em relação a um evento desta natureza, acaba, sem quaisquer dúvidas, por vir a ter um impacto muito maior com esta expansão, onde acima de tudo foram os lucros associados que levaram a este desfecho de um aumento de 16 equipas nesta fase final do campeonato mundial. E portanto, se havia realmente um compromisso com a sustentabilidade por parte da FIFA, mais do que investimentos num ou noutro aspecto nas diferentes cidades sede, a primeira e mais importante decisão era não ter aumentado o número de equipas participantes. RFI: Relativamente a outro aspecto que desta vez tem a ver com um aspecto mais político, também houve polémica em torno do facto de os Estados Unidos continuarem a aplicar a sua política extremamente restritiva de entrada de estrangeiros no seu território e escolher a dedo quem vem, quem não vem. Há uma série de vistos que foram recusados, nomeadamente para um árbitro da Somália ou também pessoas que iam acompanhar a equipa do Irão. Francisco Ferreira: Estes aspectos são, obviamente de natureza política, mas enquadram-se numa das valências fundamentais da sustentabilidade que é a governança, bem como na componente social e com os bilhetes ao preço a que foram colocados e, obviamente com questões de participação que deveria ser completamente aberta a todos os espectadores e a todos os participantes, sejam eles directamente atletas ou dirigentes desportivos ou árbitros de futebol. Eu não poderia ter realmente restrições se quisesse estar alinhado com os princípios da sustentabilidade que a FIFA tão apregoa e que, pelos vistos, não estão a ser devidamente respeitados. RFI: Como é que vê este Mundial tendo em conta que já se antevê que para 2030 o figurino será mais ou menos o mesmo, ou seja, jogos dispersos por vários países também. Francisco Ferreira: Daí que tenha começado desde já há mais de um ano, a conversar com a Federação Portuguesa de Futebol, a olhar para os três países-chave da candidatura Portugal, Espanha e Marrocos para assegurar, por exemplo, que as deslocações que mesmo assim são muito mais próximas por comparação com o continente norte-americano, mas que possam ser feitas quer em termos de espectadores, quer em termos de equipas por comboio. E aqui até temos bons exemplos que é uma contradição que vale a pena assinalar desde já. É que, enquanto Marrocos já tem uma linha de alta velocidade, por exemplo, Portugal não tem qualquer linha nem dentro do país nem na ligação entre Portugal e Espanha. Portanto, temos quatro anos para garantir, mais uma vez, que o número de equipas é o decisivo. Mas eu tenho que fazer transformações rapidamente para minimizar aquilo que serão as actividades associadas à logística do Mundial 2030, mas que, como digo logo à partida, com um impacto menor, porque as distâncias entre Rabat, o Porto, Madrid e Lisboa são, mesmo assim, bastante menores. Ou seja, com menor impacto no ambiente, mesmo se tiver que usar o avião, do que no caso dos Estados Unidos.

FAMÍLIA DOS QUE CREEM
O que é o Homem? - Fabiano Krehnke (Salmos 8 - Série: Orando e Vivendo Salmos)

FAMÍLIA DOS QUE CREEM

Play Episode Listen Later May 20, 2026 59:52


Provavelmente estamos vivendo o período da humanidade com a maior crise de identidade de toda a história. Ouvimos tentativas de definições de todos os cantos, mas nenhuma é satisfatória ou congruente com a realidade — que nos exige transcendência. Enquanto as vãs filosofias humanas sequer arranham a superfície desse enigma, o Salmo 8 responde perfeitamente ao anseio das nossas almas. Não somos fruto do acaso, uma mera máquina biológica ou um aglomerado de células ambulante. Somos, sim, a imagem e semelhança de Deus. E é exatamente nisso que reside o mais alto grau de dignidade que podemos ter. O Salmo 8, ao afirmar que fomos coroados de glória e de honra e postos sobre as obras das mãos de Deus, não apenas revela nossa identidade, mas também nosso propósito: o de refletir essa realeza e a glória do Criador em toda a criação. __ #FAMÍLIADOSQUECREEM #SÉRIEORANDOEVIVENDOSALMOS Visite nosso site: https://fdqc.org Contribua financeiramente: https://fdqc.org/contribuir Ouça nossas músicas: https://open.spotify.com/artist/6aPdiaGuHcyDVGzvZV4LHy Siga-nos no Instagram: http://instagram.com/familiadosquecreem Curta-nos no Facebook: http://facebook.com/familiadosquecreem Siga-nos no Twitter: http://twitter.com/familiadqc

Fala, Maju
aceite ser criticado

Fala, Maju

Play Episode Listen Later May 19, 2026 27:19


arquivo 006 —Não sei se existe alguém no mundo que gosta de ser criticado. Provavelmente não. Mas será que as criticas precisam nos paralisar? Aceitar a critica de alguém, envolve entender o contexto e o embasamento daquilo, e eu sei que isso é quase impossível de fazer. Porém, acredito que quanto mais você se respeita, e investe no seu relacionamento consigo mesmo, menos as criticas te atravessam e tem poder sobre você.

Explicador
TSD. "Provavelmente, sentidos de voto seriam diferentes"

Explicador

Play Episode Listen Later May 9, 2026 20:22


Pedro Roque, presidente dos TSD, sugere que se fosse hoje os membros com assento no secretariado nacional da UGT, votariam de forma diferente a última versão das alterações ao código do trabalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fact Check
Explicador. TSD. "Provavelmente, sentidos de voto seriam diferentes"

Fact Check

Play Episode Listen Later May 9, 2026 20:22


Pedro Roque, presidente dos TSD, sugere que se fosse hoje os membros com assento no secretariado nacional da UGT, votariam de forma diferente a última versão das alterações ao código do trabalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Zoom
Explicador. TSD. "Provavelmente, sentidos de voto seriam diferentes"

Zoom

Play Episode Listen Later May 9, 2026 20:22


Pedro Roque, presidente dos TSD, sugere que se fosse hoje os membros com assento no secretariado nacional da UGT, votariam de forma diferente a última versão das alterações ao código do trabalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Estreito de Ormuz:"propostas de paz são compassos de espera antes de confronto a breve trecho"

Convidado

Play Episode Listen Later May 4, 2026 21:42


No fim-de-semana, o Irão apresentou um plano de paz em 14 pontos aos Estados Unidos. Neste documento, Teerão torna a fazer propostas já anteriormente rejeitadas por Washington, nomeadamente que os Estados Unidos se retirem do Golfo, que se levantem as sanções internacionais, que sejam pagas compensações de guerra e que um acordo de paz abranja o Líbano, actualmente sob fogo israelita, apesar de oficialmente vigorar uma trégua desde meados do mês passado. Todavia, antes mesmo de se debruçar sobre este documento, Donald Trump considerou que era pouco provável que respondesse às suas expectativas, o Presidente americano acabando por anunciar que o seu país passaria, a partir desta segunda-feira, a escoltar as centenas de navios comerciais que se encontram no Estreito de Ormuz. De acordo com o comando militar americano na região, esta operação denominada "Project Freedom" - "Projecto Liberdade", mobiliza 15 mil militares, mais de 100 aeronaves terrestres e marítimas, bem como navios de guerra e drones. O Irão que ainda hoje apelou os Estados Unidos para que "adoptem uma abordagem razoável" e "abandonem as exigências excessivas", proibiu hoje as forças americanas de se aproximarem do estreito de Ormuz, recomendando igualmente a todos os navios comerciais e petroleiros que evitem qualquer movimentação no sector sem se coordenarem com as forças iranianas. Trump, contudo, avisou que em caso de obstáculo à sua operação que descreve como um "gesto humanitário", ele "teria recurso à força". Num contexto em que se multiplicam os apelos a uma solução concertada, perante o risco de um reacender das hostilidades depois de menos de um mês de trégua, a RFI falou com o Major General Carlos Branco. RFI: Como se apresenta actualmente o panorama no Estreito de Ormuz? Major General Carlos Branco: Há duas questões. Começando pela proposta de acordo submetida ao mediador paquistanês, para depois ser apresentada aos Estados Unidos, essa proposta em 14 pontos não apresenta nada de inovador. Do lado iraniano, não há nenhuma cedência relativamente a qualquer das linhas vermelhas que os iranianos já tinham definido. Portanto, as propostas do lado iraniano não só não representam uma cedência, como não agradaram, naturalmente, ao Presidente Donald Trump. E isso coloca-se a vários níveis. Um deles tem a ver com o desbloqueamento do estreito. E o outro tem a ver com a negociação do pacote nuclear, onde os iranianos não fizeram cedências pura e simplesmente. Consideram que, para já, não deve ser discutido, porque haverá outros pontos na agenda que merecem ser tratados antes de discutir o problema do acordo nuclear. Agora, relativamente à resposta norte-americana sobre a escolta dos navios. Tudo isto depende do dispositivo naval que o presidente Trump colocar na região. Se mantiver o actual dispositivo, podemos dizer que será um saco com muitos furos que vai deixar passar muitas embarcações, que é aliás, o que tem acontecido até agora. Há de facto algumas embarcações que são interceptadas por parte dos navios norte-americanos. Mas a esmagadora maioria não é. E não é Porquê? Por um lado, porque os navios são poucos para uma área muito grande. E, por outro lado, porque muito desse trânsito marítimo se faz relativamente próximo da costa iraniana. E ao deslocarem-se nesta zona, acabam por estar protegidos pelo sistema balístico iraniano. O que significa que os navios norte-americanos não se conseguem aproximar da costa porque se eles se aproximam da costa, acabam por estar dentro do alcance dos mísseis antinavios iranianos. E, portanto, até este momento, não temos assistido a navios norte-americanos a assumirem esse risco. RFI: Neste domingo, o Irão desafiou, de certa forma, os Estados Unidos, dizendo que Trump deveria escolher entre um "mau acordo" ou então uma "operação militar impossível". Estava a referir-se ao facto de Donald Trump não poder ir além dos 60 dias de conflito sem consultar o Congresso? Major General Carlos Branco: Sim, há essa limitação que Trump, de uma forma expedita, está a procurar contornar e então auto-suspende as operações durante dois ou três dias, para depois recomeçar as operações e, portanto, procurar evitar esse impedimento legal do Congresso. Mas isso é um problema que Trump e os norte-americanos terão que resolver. Para já, o que me parece importante debater, são as opções que estão à frente dos nossos olhos. E, em primeiro lugar, temos aqui uma oposição, por um lado, dos israelitas que querem avançar quanto antes para uma operação militar. Por outro lado, os Estados Unidos que colocam algumas interrogações sobre isso. E a questão é sempre a mesma e é o tema que temos discutido desde o início destes combates: o que é que se pretende atingir com uma operação militar contra o regime iraniano? Seria uma mudança de regime, a substituição do regime dos ayatollahs por um outro regime que nós não conseguimos identificar. O que nesta altura poderia ser uma alternativa, a alternativa monárquica (Reza Pahlavi, herdeiro do trono iraniano, actualmente no exílio), não reúne consenso, nem do lado iraniano, nem do próprio lado norte-americano. Portanto, aqui temos uma questão que não foi resolvida e, deste modo, pode-se dizer que é uma derrota dos Estados Unidos, porque um dos objectivos de uma operação militar é subordinar o oponente à nossa vontade. E o que é um facto, é que não foi isso que aconteceu. Eu tenho muitas dúvidas que uma operação militar contra o Irão vá alterar esta situação. Temos, no entanto, que ver a oportunidade, do ponto de vista norte-americano. É claro para os Estados Unidos que este confronto está-lhes a sair muito caro. Quando eu digo caro, não é só do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista político. E há uma vontade do Presidente norte-americano de terminar com isto. E uma das soluções, soluções à Trump, é daquelas do expediente do último minuto, que é "bom, nós vamos fazer uma operação militar, destruímos uma série de instalações, vamos obliterá-las. Aliás, obliteramos várias vezes. Portanto, tivemos várias vitórias. Mas essas vitórias, pois, obrigam sempre a que se continuem os combates. Vamos embora e declaro vitória e a minha imagem internamente não será afectada". Isto sou eu a especular. E fica tudo na mesma e ficamos confrontados com uma guerra fria na região em que não houve alterações significativas. Bom, alterações significativas, coloco este problema com algumas interrogações. Nomeadamente, relativamente ao dispositivo militar norte -americano na região. Segundo informações que nesta altura são públicas, o aparelho militar norte-americano na região do Golfo, esse sim está obliterado, está destruído. Nalguns casos completamente destruídos, noutros com a sua operacionalidade significativamente afectada. Portanto, este é um dos temas que terá que ser discutido também no Acordo de Paz. Mas ainda não chegámos lá. Será numa fase mais avançada. Para já, é aqui que nos encontramos. Eu estou convencido que os Estados Unidos vão avançar para uma solução militar. Estas questões das propostas de paz e contrapropostas são, na prática, paliativos. É que não vão resolver nada. Não vão conduzir a uma solução política. São apenas compassos de espera em que uma e outra parte se preparam para o confronto que ocorrerá. Do meu ponto de vista, a breve trecho. RFI: Precisamente numa altura em que há fortes sinais de que as hostilidades poderiam recomeçar, os Estados Unidos anunciaram nestes dias que iriam retirar 5 mil militares americanos da Alemanha, que é um dos parceiros estratégicos dos Estados Unidos a nível militar, no seio da NATO e no seio da Europa. Isto não será, no fundo, também dar um tiro no pé? Major General Carlos Branco: Será um tiro no pé se os Estados Unidos implementarem essa decisão. É uma interrogação que nós temos, antes de mais, de colocar. Será que isso é apenas uma ameaça ou se vai concretizar? Mas vamos partir do princípio que se vai concretizar. Eu penso que a comunicação social e muitos políticos na Europa estão a reagir de forma exagerada a esse anúncio, porque sabemos perfeitamente que os Estados Unidos nunca vão abdicar da sua presença na Europa, apesar de se dizer isso de vez em quando e muito menos na Alemanha. A Alemanha é o local onde as forças americanas têm uma presença mais efectiva no teatro europeu. A maior base aérea norte-americana fora dos Estados Unidos é na Alemanha. é na Alemanha que estão uma série de estruturas de comando: o quartel-general do comando das forças norte-americanas na Europa, o comando das forças norte-americanas do AFRICOM e muitos outros. Por exemplo, um grande hospital militar próximo da base de Ramstein (sudoeste do país), onde são canalizados os feridos dos diferentes combates que os Estados Unidos têm travado, nomeadamente agora do Irão, há algumas dezenas, senão centenas de peritos que se têm dirigido a este hospital na Alemanha. Portanto, a Alemanha representa um nó de apoio logístico e de sustentação das forças que os Estados Unidos têm vindo a empregar e provavelmente continuarão a fazê-lo no Médio Oriente, na Ásia. E sabemos o que é que aconteceu desde o Iraque e desde os diferentes envolvimentos do Iraque ao Afeganistão. Portanto, estamos a falar de um assunto que, do meu ponto de vista, não é assunto. Para além disso, esses 5 mil soldados são marginais relativamente ao efectivo que os norte-americanos têm na Europa. Segundo uma autorização do ano passado, que foi aprovada no Congresso, os Estados Unidos têm que ter na Europa permanentemente um mínimo de 76 mil soldados. Nesta altura tem 68 mil. Estão autorizados a baixar esse número por um período de 45 dias. Depois tem que ser reposto. Nesta altura, 68 mil são os que se encontram na Alemanha. Aliás, no teatro europeu, partindo do princípio que este número não está subestimado, porque há uma série de presenças norte-americanas em vários locais que me levam a concluir que este número, nesta altura, é um número avaliado por defeito. Mas assumindo que é um número correcto, 5% representa menos de 10% desse total. E volto a dizer, há uma reacção exagerada, desproporcional relativamente às consequências que esta decisão, se for implementada, pode vir a provocar. RFI: Mas a nível da Alemanha, o governo tem apelado fortemente a rearmar a Europa, o que era uma posição que tradicionalmente a Alemanha nunca assumia. Era mais à França que defendia um sistema europeu autónomo em matéria de defesa. Por outro lado, outros parceiros tradicionais dos Estados Unidos parecem também ter tomado consciência de que precisam ter alguma segurança autónoma. Estou a referir-me, por exemplo, ao Japão, que pondera a hipótese de se rearmar e de, inclusivamente, mudar a sua Constituição para não pôr de parte completamente a sua capacidade de defesa autónoma. Major General Carlos Branco: Sim, temos dois assuntos distintos, embora eles tenham uma raiz comum. É um facto que houve uma alteração significativa na política externa norte-americana. Os Estados Unidos nunca abdicaram do seu projecto hegemónico. Essa afirmação dessa hegemonia, dessa liderança mundial, teria que ser feita recorrendo a aliados e, portanto, para recorrer a aliados teria que haver uma operação de captação das suas vontades, que não pode ser o que acontece nesta altura com o presidente Trump. O presidente Trump acha que pode concretizar esse projecto de liderança global, hostilizando tudo e todos, hostilizando os seus aliados. Falando primeiro dos europeus, a questão dos europeus tem aqui uma outra envolvente que se prende com o medo, do meu ponto de vista, sem justificação e mais uma vez exagerado de uma operação militar russa em território europeu. Em primeiro lugar, a Europa tem que decidir para que é que se quer armar. Eu percebo que a Europa se tenha que armar. Sou apologista dessa opção. Mas primeiro, tem que se explicar para quê? Se é para criar uma capacidade de dissuasão relativamente a outros pólos que se possam transformar numa ameaça. E, neste caso concreto, a Rússia. Pois claro, que a Europa tem que ter essa capacidade. Isso é absolutamente indiscutível. Outra coisa é a Europa querer armar-se, não para ter uma capacidade de dissuasão, mas para adquirir capacidade para atacar a Rússia e envolver-se numa confrontação com a Rússia. São necessários outros meios e envolventes políticas que são igualmente distintas e, portanto, ninguém ainda hoje na Europa foi capaz de clarificar exactamente esta questão. Há, de facto, muito discurso, muita narrativa, muita retórica sobre a ameaça russa. E nós sabemos que a Europa se está a armar. Mas convinha esclarecer isto. Eu, nesta altura começo a ficar preocupado, porque esse rearmamento da Europa não parece configurar-se no âmbito de criar capacidade de dissuasão, mas para a outra alternativa, e isso é algo que merece uma análise diferente, porque as consequências vão ser completamente distintas. Aliás, eu recordo que os europeus parecem ter memória curta e não perceberam ainda que guerras na Europa têm-se saldado sempre por resultados de soma negativa. E os europeus têm perdido sempre com estas guerras fratricidas no velho Continente e como é que isso contribuiu para reduzir a importância geoestratégica da Europa. Relativamente ao Japão, a situação tem que ser analisada numa primeira parte, coincidente com aquilo que eu já disse. Ou seja, os Estados Unidos têm hostilizado desnecessariamente os seus aliados. Mas há aqui outra componente, porque os aliados norte-americanos na Ásia, depois do que aconteceu no Médio Oriente, se calhar pensaram duas vezes. Ou seja, os norte-americanos provaram a sua incapacidade de honrar os seus compromissos securitários com os países do Médio Oriente. Por exemplo, relativamente a Arábia Saudita, os Estados Unidos não foram capazes de honrar os compromissos securitários, nem tiveram capacidade para defender as suas próprias bases, os seus navios saíram do Golfo Pérsico. Ou seja, não conseguiram sequer garantir a liberdade de navegação. Estamos a falar até agora no Médio Oriente. Imagine o que é que estará a passar na cabeça dos aliados na Ásia. E daí eu perceber que haverá uma preocupação acrescida no domínio da segurança desses países. Agora, há uma coisa que merece ser discutida: é se as alterações que querem introduzir nas suas arquitecturas de segurança serão as mais adequadas. E nós sabemos que o Japão, e isto não é de agora, está a alterar a sua narrativa e nomeadamente relativamente a Taiwan. Considera Taiwan como um Estado e considera que uma acção chinesa em Taiwan deveria ser considerada como um ataque também ao Japão. Portanto, isto é um outro tema que merece uma outra abordagem, mas que é extremamente preocupante, sobretudo porque a China de hoje não é a China de há dez anos e muito menos de há vinte anos. E isso tem que ser levado em consideração quando se fazem determinados cálculos estratégicos, porque erros de cálculo estratégico é o que tem prevalecido nas últimas décadas. O Afeganistão, mais uma vez, o Iraque, a Líbia, etc. E seria bom que se parasse, se respirasse e se pensasse antes de optar pela via bélica. Provavelmente, haverá outras alternativas do foro político e do foro diplomático que poderão resolver estes problemas. Isto transporta-nos para um outro tema que é o dilema da segurança. E isso conduz normalmente à conflitos, muitas das vezes quando eles não são desejados e os dirigentes políticos actuam exclusivamente com a necessidade de salvar a face. RFI: Voltando ao Médio Oriente e, mais concretamente, desta vez ao Líbano. Apesar de um cessar-fogo estar em vigor desde meados de Abril, Israel continua as suas operações no sul do Líbano, inclusivamente fora da área que definiu como sendo a zona de segurança e, portanto, saindo da mesa das negociações, saindo da possibilidade de haver um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão, que abranja também a situação do Líbano. Como é que ficamos? Major General Carlos Branco: A haver um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão, ele não ocorrerá a breve trecho. É algo que vai demorar e eu diria não só meses, mas se calhar anos. Porque há muitas questões de natureza técnica que têm de ser discutidas e, fundamentalmente, quando abordamos o dossier nuclear, isto é um dado importante antes de falar do Líbano. No Líbano, não há cessar-fogo. Os combates continuam. Mais uma vez, houve um erro de cálculo estratégico da parte de Israel, porque, aliás, isso é devidamente divulgado por analistas no Ocidente que diziam que o Hezbollah estava completamente fragilizado e que tinha perdido toda a sua capacidade de combate. O que temos assistido é exactamente o contrário. O Hezbollah está muito longe de estar debilitado e conseguiram superar os ataques à sua liderança, às suas chefias. Aliás, um pouco como o Irão o fez também. Depois, temos uma outra questão em causa que se prende com mais uma tentativa de Israel colocar forças no Líbano. Nós assistimos a isto desde 1982 e todas as intervenções de Israel no Líbano, umas demoraram mais tempo do que outras, mas saldaram-se sempre em derrotas e na retirada das forças israelitas do Líbano. Eu não consigo perceber o que é que os dirigentes israelitas viram agora de novo, que alteração qualitativa eles identificaram que vá fazer com que a história seja escrita de forma diferente. É que os israelitas, que andam já há mais de 40 anos a tentar estabelecer uma presença permanente no Líbano e que se tem saldado sistematicamente em derrotas. O que é que é agora novo e diferente? Que vai fazer com que possam sair vitoriosos para além daquilo que têm feito, que é uma coisa absolutamente inaceitável. Há regiões no sul do Líbano que se equiparam muito às de Gaza, completamente destruídas, e acho que a comunidade internacional já devia ter tomado uma posição mais assertiva relativamente a estes desenvolvimentos. Parece que há muita gente anestesiada. Mas, independentemente dos aspectos relacionados com condenações do que os israelitas estão a fazer no sul do Líbano, o que se coloca aqui no debate é saber se isto tem possibilidade de ser vitorioso, saldar-se por uma presença permanente de Israel no sul do Líbano. Recorrendo à história, diria que não, que é mais uma tentativa gorada ao fracasso. Mas isso, daqui a uns meses nós poderemos fazer um saldo definitivo destes desenlaces e procurar perceber até que ponto o que estou a dizer, tem fundamento ou não.

Economia
Inteligência artificial já reduz emprego de jovens e ameaça a formação dos profissionais do futuro

Economia

Play Episode Listen Later Apr 22, 2026 6:10


Um estudo realizado no Brasil confirma que a inteligência artificial já afeta o emprego e a renda dos jovens. Universidades como a prestigiosa Stanford previam que os recém-ingressos no mercado de trabalho estariam entre os mais atingidos pelo desenvolvimento da IA generativa. Lúcia Müzell, da RFI em Paris A pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, verificou que os jovens de 18 a 29 anos que atuam nos setores mais vulneráveis aos impactos da chegada da tecnologia têm quase 5% menos chances de conseguir um emprego do que antes da IA. As áreas consideradas mais expostas são serviços de informação, comunicação e financeiros. “Eles estão, justamente, em trabalhos que trabalhadores mais seniores usam para tomar as suas decisões. Você precisa de um jovem para montar uma tabela, um gráfico, escrever um resumo”, aponta Daniel Duque, pesquisador-associado do Ibre. “São trabalhos que podem até ser qualificados e exigir algum tipo de qualificação, mas são um tanto mais burocráticos e são os mais facilmente substituídos pela IA, que pode fazer as coisas mais rápido, mais barato e, muitas vezes, melhor.” Os profissionais com mais experiência e na etapa final da carreira parecem poupados – pelo menos por enquanto. A ánalise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrou que as faixas de 30 a 44 anos e de 45 a 59 anos foram pouco ou nada afetadas. Os cargos “sêniores” envolvem mais responsabilidade, capacidade de análise e tomada de decisão que, mesmo nas áreas mais vulneráveis, estão menos suscetíveis à substituição pela IA, salienta Duque. Já para os jovens, os impactos começaram a ser sentidos no ano seguinte ao surgimento da inteligência artificial generativa de massa, com o chatGPT, no fim de 2022, e se aprofundaram em 2024 e 2025, com a aparição de outros robôs, como Claude e Gemini. “Provavelmente só vai piorar”, aposta. “Um dos aspectos dessa grande mudança que a gente está vendo é que a adoção da IA está sendo mais rápida do que a adoção de várias outras tecnologias no passado. Tanto o computador, quanto a internet foram sendo adotadas muito mais lentamente do que a IA está sendo, e é por isso que o efeito no mercado de trabalho está sendo muito rápido.” Impacto imediato nos países desenvolvidos Nos países desenvolvidos, onde a automatização do trabalho é mais acelerada, o recrutamento de jovens desenvolvedores já chegou a cair até 20%, constataram pesquisadores do Laboratório de Economia Digital de Stanford, no Estados Unidos, em novembro de 2025. Em média, a queda da empregabilidade foi de 16% nos setores mais expostos. Na França, um estudo publicado em março pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) revelou números semelhantes, mostrando que as empresas europeias já delegam à IA uma parte do trabalho que costumava ser realizado pelos “júniores”, como tratamento de dados e redação. “O Brasil está um pouco menos exposto do que os países desenvolvidos, mas existem as questões da substituibilidade, que é o quanto a pessoa é altamente substituível pela IA, e da complementaridade, ou seja, o quanto o trabalho dela é complementar ao da IA. Nisso, o Brasil está um pouco pior, porque entre as ocupações expostas, há um maior grau de exposição por substituição”, aponta Daniel Duque. “É um problema que o país vai enfrentar.” Formação dos profissionais do futuro em risco  A razão é a baixa qualificação da mão de obra no país: para ser complementar à IA, é preciso ter o domínio da tecnologia. Na França, a Associação Nacional de Recursos Humanos (ANDRH) notou, ainda, que algumas empresas têm optado por diminuir o número de estagiários e, no lugar, incentivar os funcionários a aumentar o uso da inteligência artificial. O risco, nestes casos, é que a longo prazo os futuros empregados sêniores tenham menos competências. “É um problema grande, porque é muito bem documentado que essas primeiras experiências no mercado de trabalho vão determinar, em grande parte, a sua trajetória toda no mercado de trabalho. Se você tira os trabalhadores do mercado nesse momento mais cedo da carreira, eles não vão formar experiências, não vão ter uma liderança em quem se espelhar depois e, com isso, não vão aprender a tomar as decisões que os sêniores estão tomando”, explica o pesquisador. “No futuro, talvez a gente vá criar melhores modelos de IA que vão acabar podendo tomar decisões tão boas ou melhores que as dos humanos e, de fato, a gente não vai precisar de mais trabalhador nenhum.” É por isso que a democratização do acesso à IA e a distribuição dos seus benefícios para a produtividade em todas as camadas da sociedade estão entre os principais desafios para o futuro do mercado de trabalho, salienta o pesquisador brasileiro.

Consulta Aberta
Vacinas e exercício físico mas também cinema, teatro e museus: a prevenção é muito mais do que evitar a doença

Consulta Aberta

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 51:41


Prevenir é melhor que remediar e, provavelmente, dos ditados populares mais consensuais. Todos sabemos que é melhor evitar uma doença do que ter de a tratar. Ainda assim, 70 a 80% das doenças que mais contribuem para a perda de qualidade de vida em Portugal são doenças que poderiam ser evitadas. Afinal, sabendo tudo o que sabemos, porque é que é tão difícil prevenir? Porque é que continuamos a correr atrás do prejuízo? E o que é que depende de nós? O que é que depende do Estado e das políticas de saúde pública? E o que é que não depende de ninguém? Para nos ajudar a entender este paradoxo, Margarida Santos conversa com Miguel Arriaga, diretor dos Serviços de Prevenção e Promoção da Saúde da Direção-Geral de Saúde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os 3 Consultores
4 passos para baixar a prestação do crédito habitação (e o teu banco torce para não veres isto)

Os 3 Consultores

Play Episode Listen Later Apr 15, 2026 16:46


Ainda tens o mesmo crédito habitação de há 3, 4 ou 5 anos? Provavelmente estás a pagar mais do que deves.Neste vídeo mostro-te os 4 passos exatos para renegociar o teu crédito habitação — e o que fazer se o banco não ceder. Inclui as taxas mistas chegaram ao mercado e estão a provocar uma onda de transferências. Quem souber aproveitar, poupa. Quem não souber, continua a financiar o banco.O que vais aprender:→ Como conhecer as tuas condições reais (a maioria das pessoas não sabe)→ O que pesquisar no mercado antes de falar com o banco→ O que são taxas mistas e por que mudaram o jogo da renegociação→ Como escrever o email ao banco com prazo de 15 dias→ Quando (e como) transferir o crédito se o banco não mexerEscreve RENEGOCIAR nos comentários, envio os passos e o modelos do email para enviares para o teu banco——————————————

Sonhar Sem Limites Podcast
SSL 184: Ser uma mulher Multípla é muito mais desafiador do que parece!

Sonhar Sem Limites Podcast

Play Episode Listen Later Apr 15, 2026 25:16


“Tu precisas escolher um nicho”. “Tu precisas escolher um único assunto ou tema para falar e ser vista como especialista”. Provavelmente, tu já ouviste isso várias vezes de diversas pessoas diferentes e por mais que isso não seja uma mentira no seu todo, o próprio mercado tem, ultimamente, mudado um pouco esse discurso.Porquê? Porque com o avanço do tempo, das tecnologias e o amadurecimento do mercado, está cada vez mais claro que a multiplicidade, pode não ser o problema, mas a solução.Esse é o tema da nossa conversa de hoje. Pega um chá e vamos refletir juntas.Para saber mais sobre o meu trabalho visite: https://edulanycardoso.com/

Pre-Bet Show - Betano.pt
ANTEVISÃO AO DÉRBI, TÍTULO NA PREMIER E CHAMPIONS… ESTE FOI AUDAZ

Pre-Bet Show - Betano.pt

Play Episode Listen Later Apr 14, 2026 59:47


Provavelmente não é o melhor episódio de sempre do Pre-Bet Show Betano. Mas também não é o pior. Aliás, está mais perto dos melhores do que dos piores. A verdade é que não faltaram temas para tornar este episódio extremamente audaz. Fez-se antevisão ao dérbi, falou-se da provável (?) descida do Tottenham, do duelo que se avizinha entre City e Arsenal, que pode ser decisivo na luta pelo título na Premier League. Não menos importante, falou-se de competições europeias que estão ao rubro, com Sporting e FC Porto com aspirações de seguir em frente.

Mensagens do Meeting Point
32 A Caminho com Jesus

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Mar 26, 2026 2:00


Devocional Quaresma Ao entardecer, apareceu um homem rico, natural de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos mandou-lho entregar. Então José pegou no corpo, envolveu-o num lençol limpo, e pô-lo no seu túmulo novo que tinha mandado cavar na rocha. Depois rodou uma grande pedra para fechar a entrada e foi-se embora. Mateus 27:57-60 Aqui está um homem rico e poderoso a entrar na narrativa. José de Arimatéia era membro do conselho do governo. Provavelmente tinha tudo a seu favor: riqueza, poder, prestígio e influência. No entanto, arriscou tudo por Jesus. Arriscou a sua reputação. Apresentou-se numa altura em que ainda era perigoso, em que ainda podia ser ridicularizado, ou mesmo punido. No entanto, José de Arimatéia não apresentou desculpas. Ele expressou o seu amor através de ações. Pode acontecer um momento na nossa vida em que somos chamados a sair das sombras e fazer algo corajoso e grandioso por Deus. Isso pode envolver um risco que nunca imaginamos correr. Mas quando Deus nos chama, Ele nos equipa. A caminho de casa
 O que Deus está a pedir de mim hoje? Consigo ouvir a Sua voz acima da dissonância na minha vida? Estou disposto a dar um grande passo fora da minha zona de conforto por Ele? Oração
 Pai, ajuda-me a lembrar e a ser encorajado pelo facto de que a Tua graça é suficiente para todas as situações. Às vezes, sinto-me mais confortável escondido nas sombras, reticente na minha fé, preferindo não correr riscos. Mas Tu não me chamaste para estar confortável. Tu chamaste-me para pegar na minha cruz e seguir-Te. Oro para que o Teu Espírito me convença e me dê força. Amém. Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?

Economia
Choque energético acende temor de crise econômica global em 2026

Economia

Play Episode Listen Later Mar 25, 2026 6:14


A imprevisibilidade da guerra no Oriente Médio, com impactos globais nas cadeias de energia e suprimentos, acende o alerta para o risco de uma crise econômica em cascata. O petróleo em alta encarece toda a cadeia produtiva, com potencial de gerar inflação e afetar o crescimento econômico em 2026. Os países em desenvolvimento, com menos margem de manobra para reagir a essa espiral, são os mais vulneráveis. Lúcia Müzell, da RFI em Paris Os efeitos da alta dos preços do petróleo e do gás se espalham por toda a economia: transportes, indústrias, agricultura. A escalada inflacionária pode estar apenas começando. “O risco é muito importante. Quanto mais tempo os preços da energia ficam altos, mais temos a hipótese de que, depois, isso se torne uma inflação alta e generalizada”, observa Bruno de Moura Fernandes, analista de macroeconomia da seguradora Coface. “Depois, vai obrigar os Bancos Centrais a subir as taxas de juros, o que leva a que tenhamos menos consumo das famílias, menos investimento das empresas, mais insolvências.” O Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, permanece bloqueado desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, incluindo refinarias e depósitos desses produtos. A reação de Teerã, que passou a bombardear locais estratégicos de produção nos seus vizinhos no Golfo aliados dos norte-americanos, como o Catar, instala na região um clima de insegurança para o tráfego dos navios petroleiros. “É um país muito mais complexo e com muito mais capacidade de reação do que estava previsto, do ponto de vista estratégico”, salienta Silvia Matos, professora de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, responsável pela elaboração dos Cenários Macroeconômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre). “Estamos tendo um choque de oferta que poderá ser mais duradouro do que se imaginava.” Volta ao normal não será rápida As infraestruturas de produção e refino estão sendo visadas – o que significa que, independentemente da duração do conflito, levará tempo para as exportações se normalizarem. Nesse contexto, os preços dos combustíveis não param de subir mundo afora, e a tendência é a mesma para produtos essenciais do cotidiano, como o plástico. Alguns países, como Espanha e Portugal, anunciaram pacotes de subsídios para limitar os impactos. Mas, depois da crise da Covid e em meio à guerra na Ucrânia, a margem fiscal é limitada. “Alguns, como Bangladesh, um país obviamente mais pobre, estão a dizer às pessoas para não irem ao trabalho, fecharam as universidades. Alguns países vão ter que reduzir a demanda por energia porque não têm condições de comprar, de entrar nesse leilão em que basicamente os países dizem ‘eu pago tanto para esse barco de petróleo, para esse barco de gás'”, pontua. Exposição do Brasil O Brasil, apesar de ser importador de derivados de petróleo, é exportador líquido de petróleo bruto, o que tem permitido ao país atenuar os prejuízos do choque no mercado internacional, inclusive no câmbio. “Em um país produtor de commodities, a nossa taxa de câmbio é chamada commodity currency, porque a moeda também depende do preço do petróleo. Quando você tem aumento de preços, tem uma certa valorização da moeda”, salienta Silvia Matos. “É um movimento que ajuda a atenuar o choque sobre o preço internacional, em dólar.” A chave para determinar a extensão da bola de neve que se desenha na economia mundial é a duração do conflito – o que direciona as atenções para o papel dos Estados Unidos na guerra. Moura Fernandes avalia que a aproximação das eleições de meio de mandato no país, em novembro, será determinante para o presidente Donald Trump limitar a atuação norte-americana a, no máximo, dois a três meses. “Provavelmente vai ter que parar bastante antes das eleições para poder tomar outras decisões e mudar um pouco a dinâmica. Mas sabemos também que ele é imprevisível e, por isso, é muito difícil saber como ele vai pensar”, pondera. Crise mais grave que a de 2008? O economista norte-americano Richard Bookstaber, famoso por “prever” a crise financeira de 2008, alertou que o mundo pode estar diante de uma crise ainda maior do que aquela. Ele identifica uma confluência negativa de múltiplos fatores: além das guerras, a ampliação da oferta de crédito privado, a alta valorização dos mercados financeiros e a possibilidade de uma bolha da inteligência artificial. Silvia Matos também vê essa combinação com preocupação. “Os data centers e a inteligência artificial precisam de energia, então a grande preocupação com esse choque adicional é que, como esse setor é muito intensivo em energia, o risco do retorno mais baixo dos investimentos em inteligência artificial tenha maior probabilidade”, explica. “Essa combinação me preocupa bastante. Há um risco, sim, porque estamos em um mundo de juros altos e dívida alta. Fica bem mais complicado ter um choque de energia nesse contexto, em comparação com a crise de 2008”, afirma a professora da FGV.

Convidado
Da Wagner à África Politology: Julgamento expõe rede de Influência russa em Angola

Convidado

Play Episode Listen Later Mar 25, 2026 9:47


O julgamento de dois cidadãos russos - o consultor político Igor Ratchin e o tradutor Lakshtanov - foi adiado para 14 de Abril. Eles foram detidos em Agosto do ano passado, durante a manifestação dos taxistas em Angola, e são acusados de incitar protestos antigovernamentais, conduzir uma campanha de desinformação e tentar interferir nas eleições presidenciais do próximo ano. O presidente da Associação Justiça, Paz e Democracia de Angola, Serra Bango, alerta que o processo ocorre num momento particularmente sensível, após os tumultos de Julho, sublinhando que “é preciso que a acusação apresente provas concretas e não meras especulações”. Que acusações são feitas aos dois cidadãos russos? Estes dois cidadãos russos estariam a praticar actos que poderiam ser considerados como actos de subversão. Ou seja, dizia-se que pretendiam criar uma associação cultural para influenciar cidadãos. Iam recrutando jornalistas, e essa associação cultural funcionaria como uma “figura aparente” que encobria as reais intenções dos cidadãos russos. O consultor político Igor Ratchin e o tradutor Lakshtanov são acusados de terrorismo, espionagem e tráfico de influência... Exactamente. Portanto, a leitura que se faz, a ligação que se estabelece, é semelhante ao que se passou no Níger e no Burkina Faso. Esta é a leitura que o Governo fez e é a informação que pretendeu passar. Os advogados de acusação dizem que os russos agiram em nome da “África Politology”, uma rede obscura de agentes e oficiais dos serviços de informação em África, originária do extinto grupo Wagner, cujo fundador, Yevgeny Prigojine, morreu em 2023, num acidente de viação. No entanto, a defesa russa afirma não ter qualquer ligação à “África”, nem ao grupo Wagner, nem estar a agir em nome do Estado russo. Até que ponto estas alegações de ligação à “África Politology” e ao grupo Wagner têm fundamento? Provavelmente, isso será discutido em sede própria. A acusação deverá apresentar elementos de prova sobre estes factos, mas terão de ser provas irrefutáveis, concretas, claras e precisas, não meras especulações. Para além dos russos, há também dois angolanos a serem julgados. Trata-se do jornalista da TPA, Amor Carlos Tomé, e do activista político Francisco Oliveira. Quais são as acusações que são feitas aos dois angolanos? As acusações indicam que estavam ligados e facilitavam os contactos. Eram como que a “ponta de lança” dos russos. Mas está claro que é preciso situarmo-nos para sabermos em que fase e em que momento surge este processo. Isto surge na sequência dos acontecimentos que ocorreram nos dias 28, 29 e 30 de Julho. As manifestações dos taxistas… A paralisação dos taxistas e os tumultos que ocorreram no ano passado. A presença desses cidadãos russos criou um quadro de opinião favorável à opinião pública internacional e fez passar a ideia de que, de facto, aqueles cidadãos russos tinham essa pretensão. E que aquele movimento estaria ligado a essa pretensão da “África Politology”. Portanto, o contexto é este. E isto fez com que se desviasse a atenção do real problema para esta situação dos russos. O Presidente angolano, João Lourenço, tem-se aproximado do Ocidente. Já não se reúne com o homólogo russo, Vladimir Putin, desde 2019. A empresa mineira russa de diamantes e o banco VTB foram obrigados a abandonar Angola devido às sanções internacionais impostas com a guerra na Ucrânia.Há aqui uma preocupação da Rússia com o rumo que Angola está a tomar sob o governo de João Lourenço? O Governo angolano foi apanhado neste vendaval de disputas entre as duas grandes potências [EUA e Rússia] e procurou colocar-se do lado aparentemente mais forte, do ponto de vista económico, para evitar outros males. Como vimos, a administração americana usou o seu poder económico para condicionar todos aqueles que não se identificassem com as suas pretensões, quer na Europa, no Oriente ou em África. E o Presidente João Lourenço, de acordo com as suas pretensões, resolveu posicionar-se mais do lado americano do que do russo, com quem Angola tem uma relação de quase 50 anos, sobretudo no domínio da defesa e segurança. A Rússia tem, até agora, capacitado a dimensão político-militar de defesa e segurança do Estado angolano e de outros Estados em África. O Governo angolano quer fazer uma inflexão, da Rússia para os Estados Unidos da América. E isto, claro, faz com que a questão dos russos possa funcionar como uma forma de mostrar ao Ocidente que Angola está atenta e que não quer seguir o caminho do Burkina Faso, do Níger ou do Mali. E, portanto, que é um parceiro sério, responsável e confiável. Entre 2024 e 2025, os arguidos terão pago 24 mil dólares a jornalistas e especialistas como parte de uma alegada operação de influência para minar a confiança nos parceiros ocidentais, incluindo críticas ao corredor do Lobito e rumores sobre a guerra na Ucrânia. Isto prova uma tentativa de desacreditar a política externa de João Lourenço? Pode parecer que sim. Mas desacreditar a política externa não passa apenas por esses factos. Deverão existir outros. De qualquer forma, o Estado angolano deverá apresentar provas concretas. E, perante essas provas, as partes envolvidas poderão esgrimir os seus argumentos e nós, enquanto sociedade civil, poderemos perceber o que realmente se passa e de que lado está a verdade. As autoridades acusam os russos de contactos com membros do MPLA e da UNITA, nomeadamente Higino Carneiro e Adalberto Costa Júnior. A UNITA nega as alegações e alerta para o risco de utilização política da justiça. Há esse risco? Os cidadãos mencionados, quer do MPLA quer da UNITA, são vistos como figuras com ambições políticas. No caso do MPLA, alguns poderão querer concorrer à liderança do partido, o que torna estas acusações particularmente sensíveis. Isso pode servir para os fragilizar internamente e limitar as suas ambições. No caso da UNITA, pode também criar a percepção de que o seu líder está associado a tentativas de subversão. O julgamento foi adiado para 14 de Abril, e a defesa diz que não há matéria jurídica, que a acusação assenta em mera especulação. Acha que é disso que se trata? Vamos esperar que a acusação traga elementos substanciais, factíveis e contundentes, para que não se diga que estamos perante meras especulações. Por outro lado, estes processos também podem desviar a atenção dos cidadãos de problemas internos, fazendo com que, por momentos, deixem de exigir respostas do Estado. Existem muitas situações às quais o Governo angolano não consegue dar resposta e, nessas alturas, um processo como este pode ajudar a desanuviar e a desviar atenções. É conhecida a máquina de propaganda da Rússia. Numa altura em que João Lourenço se aproxima do Ocidente, poderá haver esta preocupação por parte da Rússia? É provável que sim. Tal como outros países, como a França ou os Estados Unidos, também se preocupam com mudanças de direcção em África. Ainda assim, estas disputas não podem levar à instrumentalização do sistema judicial. É preciso deixar a justiça angolana trabalhar? Sim, de forma independente e imparcial. É legítimo que o Estado se preocupe com a sua estabilidade e integridade. Mas não é legítimo criar factos que não estejam comprovados. Vamos esperar pelo desenrolar do processo.

Mensagens do Meeting Point
21 A Caminho com Jesus

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Mar 13, 2026 3:13


Devocional Quaresma Quando iam a caminho, encontraram um homem de Cirene chamado Simão e obrigaram-no a levar a cruz de Jesus. Mateus 27:32 Ele é mencionado apenas de passagem. No entanto, é mencionado pelo seu nome na Bíblia: Simão de Cirene. Embora tenha sido forçado pelos soldados romanos a carregar a cruz, será que ele também acabou por decidir voluntariamente ajudar Jesus? Ao carregar a cruz de Jesus, Simão de Cirene foi a última pessoa a ajudar Jesus. Sem saber, ele seguiu o ensinamento de Jesus de que quem quiser segui-Lo deve carregar a sua cruz. Neste caso, pode não ter sido a cruz de Simão, mas mesmo assim custou-lhe algo. Provavelmente foi ridicularizado e vaiado. Talvez tenha sido chicoteado pelos soldados romanos. A cruz era, claro, pesada e o caminho, longo. No entanto, ele caminhou com Jesus. E Jesus caminhou com ele. Por ter sido a última pessoa a ajudar Jesus, Simão é recordado. Sem dúvida, a vida de Simão deve ter mudado para sempre. Simão viu Jesus de perto, ferido e machucado, mas colocando um pé cambaleante na frente do outro. E sem proferir uma palavra de protesto. Não havia como ele sair daquele encontro, sem ter mudado. A caminho de casa
 Estou disposto a ser levado para uma narrativa muito maior do que eu havia planeado? Estou disposto a carregar a minha cruz e seguir Jesus por caminhos inesperados? Confio que Ele caminhará ao meu lado? Oração
 Jesus, fico maravilhado com a Tua força e graça ao percorrer o caminho para o Gólgota. Mesmo naquele momento, acredito que deste. Deste a Simão uma oportunidade de ter um encontro profundamente pessoal contigo. Teceste a história dele na Tua história maior. Mudaste a vida de um visitante anónimo de Jerusalém ao incluí-lo na narrativa da maior história de amor da história. Amém. Vamos afastar-nos de Mateus por alguns dias para refletir sobre as sete palavras de Jesus na cruz — palavras que encontramos nos quatro evangelhos. Estas palavras enriqueceram profundamente a fé cristã e, ano após ano, as igrejas reúnem-se na Sexta-feira Santa para refletir sobre as sete palavras de Jesus. Algumas das sete reflexões a seguir são pensamentos partilhados por importantes oradores e autores cristãos. Vale a pena repeti-las. Elas exigem uma reflexão. Exigem uma mudança no coração e uma mudança na vida. «Não foram os pregos que mantiveram Jesus naquela cruz miserável; foi a Sua resolução incondicional, por amor ao Seu Pai, de fazer a vontade do Pai — e foi o Seu amor por pecadores como eu.» — D.A. Carson Neste tempo, abrando o passo. Escolho caminhar com Jesus, mesmo quando o caminho aperta. Escuto o que Ele diz. Observo o que Ele faz. Entrego-Lhe as minhas resistências e os meus medos. Pergunto: onde preciso de parar hoje para caminhar contigo? O que preciso de largar para Te seguir mais de perto?

Oxigênio
#214 – Paisagens sonoras revelam mudanças climáticas

Oxigênio

Play Episode Listen Later Feb 26, 2026 34:22


  Neste episódio, Mayra Trinca fala sobre duas pesquisas que, ao seu modo, usam o som para estudar maneiras de enfrentamento à crise climática. Na conversa, Susana Dias, pesquisadora do Labjor e Natália Aranha, doutoranda em Ecologia pela Unicamp contam como os sons dos sapos fizeram parte das mesas de trabalho desenvolvidas pelo grupo de pesquisa para divulgação sobre esses anfíbios. Participa também Lucas Forti, professor na Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte. Ele conta como tem sido a experiência do projeto Escutadô, que estuda a qualidade do ambiente da caatinga através da paisagem sonora. ____________________________________________________________ ROTEIRO [música] Lucas: É incrível a capacidade que o som tem de despertar a memória afetiva. Mayra: Você aí, que é ouvinte de podcast, provavelmente vai concordar com isso. O som consegue meio que transportar a gente de volta pros lugares que a gente associa a ele. Se você já foi pra praia, com certeza tem essa sensação quando ouve um bom take do barulho das ondas quebrando na areia. [som de ondas] Mayra: O som pra mim tem um característica curiosa, na maior parte do tempo, ele passa…  despercebido. Ou pelo menos a gente acha isso, né? Porque o silêncio de verdade pode ser bem desconfortável. Quem aí nunca colocou um barulhinho de fundo pra estudar ou trabalhar? Mayra: Mas quando a gente bota reparo, ele tem um força muito grande. De nos engajar, de nos emocionar. [música de violino] Mayra: Também tem a capacidade de incomodar bastante… [sons de construção] Mayra: Eu sou a Mayra Trinca e você provavelmente já me conhece aqui do Oxigênio. Mayra: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre som. Mais especificamente, sobre projetos de pesquisa e comunicação que usam o som pra entender e pra falar sobre mudanças climáticas e seus impactos no meio ambiente. [música de fundo] Natália: E as paisagens sonoras não são apenas um conjunto de sons bonitos. Elas são a própria expressão da vida de um lugar. Então, quando a gente preserva uma paisagem sonora, estamos preservando a diversidade das espécies que vocalizam naquele lugar, os modos de vida e as relações que estão interagindo. E muitas vezes essas relações dependem desses sons, que só existem porque esses sons existem. Então, a bioacústica acaba mostrando como os sons, os sapos também os mostram, como que esses cantos carregam histórias, ritmos, horários, temperaturas, interações que não aparecem ali somente olhando o ambiente. [Vinheta] João Bovolon: Seria triste se músicos só tocassem para músicos. Pintores só expusessem para pintores. E a filosofia só se destinasse a filósofos. Por sorte, a capacidade de ser afetado por um som, uma imagem, uma ideia, não é exclusividade de especialistas. MAYRA: Essa frase é de Silvio Ferraz, autor do Livro das Sonoridades. O trecho abre o texto do artigo “A bioacústica dos sapos e os estudos multiespécies: experimentos comunicacionais em mesas de trabalho” da Natália. Natália: Olá, meu nome é Natália Aranha. Eu sou bióloga e mestra pelo Labjor, em Divulgação Científica e Cultural. Durante o meu mestrado, eu trabalhei com os anfíbios, realizando movimentos com mesas de trabalhos e com o público de diferentes faixas etárias. Atualmente, eu sou doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ecologia pelo Instituto de Biologia da Unicamp. MAYRA: A Natália fez o mestrado aqui no Labjor na mesma época que eu. Enquanto eu estudava podcasts, ela tava pesquisando sobre divulgação científica de um grupo de animais muitas vezes menosprezado. [coaxares] Susana: Os sapos, por exemplo, não participam da vida da maioria de nós. Eles estão desaparecidos dos ecossistemas.  Eles estão em poucos lugares que restaram para eles. Os brejos são ecossistemas muito frágeis. São os lugares onde eles vivem. Poucos de nós se dedicam a pensar, a se relacionar, a apreciar, a cuidar dessa relação com os sapos. Mayra: Essa que você ouviu agora foi a Susana, orientadora do trabalho da Natália. Susana: Meu nome é Susana Dias, eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, o Labjor, professora da pós-graduação em Divulgação Científica e Cultural, do Labjor/IEL/Unicamp. E trabalho com comunicação, artes, ciências, desenvolvendo várias metodologias de experimentação coletiva com as pessoas. Mayra: Mas, o interesse da Natália pelos sapos não começou no mestrado. Ela já era apaixonada pela herpetologia antes disso. [som de ícone] Mayra: Herpetologia é a área da biologia que estuda répteis e anfíbios. E eu posso dizer que entendo a Natália. Pra quem não sabe, eu também sou bióloga. E durante a faculdade cheguei a fazer um estágio na mesma área, porque também era um tema que me interessava muito. Mayra: Só que eu trabalhei mais com répteis, que são as cobras e os lagartos. E eu acabei desistindo da área em pouco tempo, apesar de ainda achar esses bichinhos muito legais. Já a Natália descobriu o amor pelos sapos num congresso de herpetologia que foi durante a graduação e, diferente de mim, ela segue trabalhando com eles até hoje. Natália: E eu me apaixonei. Eu digo que me apaixonei a partir da abertura do congresso, porque foi uma experiência muito legal que fizeram a partir dos sons, a partir de fotos e vídeos de vários pesquisadores realizando trabalhos de campo com esses animais. E, a partir desse momento, eu falei que era isso que eu queria fazer na minha vida. Mayra: Ah, e é importante dizer, que antes mesmo disso tudo, a Natália já tinha um interesse artístico por esses animais. Natália: E, como eu amo desenvolver pinturas realistas, esses animais são maravilhosos, quando você pensa nas cores, nos detalhes, nas texturas que eles trazem. Mayra: Porque foi dessa experiência que surgiu a ideia de trabalhar com divulgação científica, que acabou levando a Natália  até a Susana. Mas como ela também tinha interesse de pesquisa com esses animais, ela acabou participando dos dois grupos ao longo do mestrado: o de divulgação e o de herpetologia, com o pessoal da biologia. Susana: Foi muito legal justamente pela possibilidade da Natália habitar esse laboratório durante um tempo, acompanhar o trabalho desses herpetólogos e a gente poder conversar junto com o grupo de pesquisa, que é o Multitão, aqui do Labjor da Unicamp, que é o nosso grupo, sobre possibilidades de conexão com as artes, e também com a antropologia, com a filosofia. A gente começou a tecer esses emaranhados lentamente, devagarzinho. Mayra: Quando a Natália chegou no mestrado, ela tinha uma visão muito comum da divulgação científica, que é a ideia de que os divulgadores ou os cientistas vão ensinar coisas que as pessoas não sabem. Mayra: É uma visão muito parecida com a que a gente ainda tem de escola mesmo, de que tem um grupo de pessoas que sabem mais e que vão passar esse conhecimento pra quem sabe menos. Natália: E daí a Susana nos mostrou que não era somente fazer uma divulgação sobre esses animais, mas mostrar a importância das atividades que acabam gerando afeto. Tentar desenvolver, fazer com que as pessoas criem movimentos afetivos com esses seres. Mayra: Se você tá no grupo de pessoas que tem uma certa aversão a esses animais, pode achar isso bem esquisito. Mas criar essas relações com espécies diferentes da nossa não significa necessariamente achar todas lindas e fofinhas. É aprender a reconhecer a importância que todas elas têm nesse emaranhado de relações que forma a vida na Terra. Mayra: Pra isso, a Natália e a Susana se apoiaram em uma série de conceitos. Um deles, que tem sido bem importante nas pesquisas do grupo da Susana, é o de espécies companheiras, da filósofa Donna Haraway. Natália: Descreve esses seres com os quais vivemos, com os quais aprendemos e com os quais transformam como seres em que a gente não habita ou fala sobre, mas a gente habita e escreve com eles. Eles nos mostram que todos nós fazemos parte de uma rede de interações e que nenhum ser nesse mundo faz algo ou vive só. Então, os sapos, para mim, são essas espécies companheiras. Mas não porque eles falam na nossa língua, mas porque nós escutamos seus cantos e somos levados a repensar a nossa própria forma de estar no mundo. Mayra: Uma coisa interessante que elas me explicaram sobre esse conceito, é que ele é muito mais amplo do que parece. Então, por exemplo, bactérias e vírus, com quem a gente divide nosso corpo e nosso mundo sem nem perceber são espécies companheiras. Ou, as plantas e os animais, que a gente usa pra se alimentar, também são espécies companheiras Susana: E uma das características do modo de viver dos últimos anos, dos últimos 50 anos dos humanos, são modos de vida pouco ricos de relações, com poucas relações com os outros seres mais que humanos. E a gente precisa ampliar isso. Trazer os sapos é muito rico porque justamente abre uma perspectiva para seres que estão esquecidos, que pertencem a um conjunto de relações de muito poucas pessoas. Mayra: Parte do problema tem a ver com o fato de que as espécies estão sumindo mesmo. As mudanças climáticas, o desmatamento e a urbanização vão afastando as espécies nativas das cidades, por exemplo, que passam a ser povoadas por muitos indivíduos de algumas poucas espécies. Pensa como as cidades estão cheias de cães e gatos, mas também de pombas, pardais, baratas. Ou em áreas de agropecuária, dominadas pelo gado, a soja e o capim onde antes tinha uma floresta super diversa. Susana: Eu acho que um aspecto fundamental para a gente entender esse processo das mudanças climáticas é olhar para as homogeneizações. Então, como o planeta está ficando mais homogêneo em termos de sons, de imagens, de cores, de modos de vida, de texturas. Uma das coisas que a gente está perdendo é a multiplicidade. A gente está perdendo a diversidade. Mayra: Pensa bem, quando foi a última vez que você interagiu com um sapo? (Herpetólogos de plantão, vocês não valem). Provavelmente, suas memórias com esses animais envolvem pouco contato direto e você deve lembrar mais deles justamente pelo… som que eles fazem. [coaxares, música] Lucas: Eu comecei a pensar na acústica como uma ferramenta de entender a saúde do ambiente, e queria aplicar isso para recifes de coral, enfim, a costa brasileira é super rica. Mayra: Calma, a gente já volta pra eu te explicar como a Natália e a Susana relacionaram ciências e artes na divulgação sobre os sapos. Antes, eu quero te contar um pouco sobre outro projeto que tem tudo a ver com o tema. Deixa o Lucas se apresentar. Lucas: Pronto, eu me chamo Lucas, eu sou biólogo de formação, mas tive uma vertente acadêmica na minha profissão, em que eu me dediquei sempre a questões relacionadas à ecologia, então fiz um mestrado, doutorado na área de ecologia. Mayra: Sim, o Lucas, assim como eu, a Natália e mesmo a Susana, também fez biologia. Lucas: Os biólogos sempre se encontram em algum lugar. Mayra: A gente ainda vai dominar o mundo…[risadas] Mayra: Tá, mas voltando aqui. O Lucas esteve nos últimos anos trabalhando no Nordeste. Eu conversei com ele durante um estágio de professor visitante aqui na Unicamp. Lucas: Então estou passando um estágio de volta aqui às minhas raízes, que eu sou daqui do interior de São Paulo, então vim passar frio um pouquinho de volta aqui em  Campinas. Mayra: Essa entrevista rolou já tem um tempinho, em agosto de 2025. E realmente tava fazendo um friozinho naquela semana. Mayra: Eu fui conversar com o Lucas sobre um projeto que ele faz parte junto com o Observatório do Semiárido, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, no Rio Grande do Norte. Mayra: A ideia dessa pesquisa é criar um banco de dados sonoros e construir um algoritmo. Lucas: testar algoritmos, né, conseguir ter uma ferramenta na mão que possa ajudar a gente a detectar níveis de degradação no Semiárido com base em informação acústica. Mayra: Esse projeto é o Escutadô. Lucas: O projeto Escutadô, ele nasceu… assim, tem a história longa e a história curta. Mayra: Óbvio que eu escolhi a longa. E ela começa escuta só, com os anfíbios. Mayra: Coincidência? Lucas: Não, não tem coincidência nenhuma. Lucas: Mas eu comecei sim estudando o comportamento de anfíbios, e uma característica muito peculiar dos anfíbios é a vocalização, né? Então, os anfíbios me levaram para a acústica, e aí a acústica entrou na minha vida também para tornar as abordagens da minha carreira, de como eu vou entender os fenômenos através desse ponto de vista sonoro, né? Mayra: Isso é uma coisa muito comum na biologia. Tem muitos animais que são complicados de enxergar, porque são noturnos, muito pequenos ou vivem em lugares de difícil acesso. Então uma estratégia muito usada é registrar os sons desses animais. Vale pra anfíbios, pra pássaros, pra baleias e por aí vai. [sons de fundo de mar] Mayra: Inclusive, lembra, a ideia original do projeto do Lucas era usar a bioacústica, essa área da biologia que estuda os sons, pra investigar recifes de corais. Ele tava contando que elaborou essa primeira proposta de pesquisa pra um edital. Lucas: Aí a gente não venceu essa chamada, mas a gente reuniu uma galera com colaboração, escrevemos um projeto super lindo, e aí por alguma razão lá não foi contemplado o financiamento. Mayra: Isso também é algo muito comum na biologia. E em várias outras áreas de pesquisa. Mas, vida que segue, novas oportunidades apareceram. Lucas: O projeto Escutadô começou no mar, mas a gente conseguiu ter sucesso com a ideia mesmo, a hora que eu cheguei em Mossoró, como professor visitante na Universidade Federal Rural do Semiárido, abriu um edital da FINEP, voltado para a cadeias produtivas, bioeconomia, e a gente identificou que a gente poderia utilizar essa ideia, né, e aplicar essa ideia, mas aí eu já propus que a gente fosse atuar no ecossistema terrestre. Mayra: FINEP é a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O Lucas quis alterar a proposta inicial, primeiro, porque fazia mais sentido dentro do contexto que ele tava trabalhando. E, depois, porque a região tem uma forte dependência do ecossistema da caatinga pro sustento da população e pra preservação do seu modo de vida, a tal bioeconomia que ele citou. Mayra: Além disso, Lucas: a caatinga é o bioma que certamente tá sentindo mais os extremos, né, das mudanças climáticas, então isso trouxe uma contextualização muito interessante para o projeto, especialmente porque casava com a questão da bioeconomia, né, então a gente tentou embarcar nessa linha e transformamos essa tecnologia para pensar como ela poderia detectar níveis de degradação para a região do Semiárido, né, e aí deu certo. Mayra: Funciona mais ou menos assim, a equipe de pesquisa instalou uma série de gravadores espalhados, mais de 60 pontos no estado do Rio Grande do Norte e alguns pontos na Paraíba e no Ceará. Lucas: Então, quando a gente instala o gravador no ambiente, ele grava três minutos, dorme sete, grava três minutos, dorme sete e fica assim rodando, a gente tem duas rodadas de amostragem, uma que é feita durante a estação seca e outra que é feita durante a estação chuvosa, então o gravador fica em cada ponto por 20 dias e nesses 20 dias ele fica continuamente gravando três minutos e dormindo sete. Mayra: Essas gravações viram uma grande biblioteca sonora. O próximo passo é reconhecer quais sons representam áreas mais conservadas… [captação de área preservada] Mayra: E quais gravações foram feitas em áreas mais degradadas, principalmente com mais alterações antrópicas no ambiente. [captação de área antropizada] Mayra: Pra gente, até que é fácil reconhecer a diferença entre os sons. Agora, como a gente transforma isso, por exemplo, num aplicativo, capaz de identificar o nível de degradação do ambiente usando só o som daquele lugar? Lucas: Pois é, agora você tocou no ponto que eu acho que é o maior desafio do projeto e também o que torna o projeto, assim, inovador. A gente já tem hoje mais ou menos 16 mil horas de gravação, então a gente não tem como não usar uma ferramenta de aprendizado de máquina para ajudar no processamento desses dados. Mayra: A essa altura, você já deve saber o básico de como funcionam as inteligências artificiais. Elas comparam bases de dados gigantescas pra achar padrões. Mas, isso funciona bem pra texto ou pra imagens. Lucas: E a gente introduziu um conceito de aprendizado de escuta de máquina, ou seja, a gente não vai trabalhar sobre o ponto de vista da imagem, vai trabalhar sobre o ponto de vista da escuta, opa, pera aí, mas como é que a gente faz isso? Mayra: O Lucas explicou que o que eles tiveram que fazer foi, de certa forma, realmente transformar esses sons em imagens. Pra isso, eles usam os espectrogramas, que são aquelas representações visuais do som, eu vou deixar um exemplo lá no site e no nosso Instagram, depois você pode procurar pra ver. Mayra: Essa etapa do projeto, o treinamento da IA, tá sendo feita em parceria com o BIOS, o Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial aqui da Unicamp. A gente já falou um pouco desse projeto no episódio 201 – Um bate-papo sobre café. Se você ainda não ouviu, tem mais essa lição de casa pra quando acabar esse episódio, vale a pena, porque tá bem legal. [divulgação podcast SabIA!] [música] Mayra: Os sons captados pelo Escutadô, projeto que o Lucas faz parte, ou as gravações dos anfíbios que a gente tava falando com a Natália, nunca são sons isolados. Mayra: Esse conjunto de sons de um ambiente forma o que a gente chama de paisagem sonora. Lucas: Esses sons podem ter origens geofísicas, então o som do vento, o som da chuva, o som dos fluxos de corrente, riachos, cachoeiras, você tem os sons da própria biodiversidade, né, que é baseado nos sistemas de comunicação acústica da fauna, por exemplo, quando as aves produzem as vocalizações, os anfíbios, os insetos, os mamíferos, você tem todo ali um contexto de produção de sinais acústicos que representam assinaturas da presença da biodiversidade no ambiente. E você ainda tem a assinatura da presença das tecnofonias ou antropofonias, né, que são os sons que são produzidos pelos seres humanos, né, seja os sons das rodovias, das construções, das obras, das edificações, ou seja, que tem toda uma contextualização. Mayra: A ideia de usar o som, ou a paisagem sonora, pra entender a saúde de um ambiente, não é nada nova. Um dos livros mais importantes, praticamente fundador do movimento ambientalista nos Estados Unidos, é o Primavera Silenciosa, da Rachel Carson, e ele foi publicado em 1962. Lucas: Então ela já estava alertando para a sociedade acadêmica, especialmente, que o uso de pesticidas, né, as mudanças que o ser humano está promovendo na paisagem estão causando extinções sonoras, né, porque está alterando a composição das espécies na natureza, então a gente está embarcando um pouco nessa ideia que influenciou o que hoje a gente chama de soundscape ecology, que é a ecologia da paisagem sonora, ou ecologia da paisagem acústica. Natália: As pessoas automaticamente imaginam que o silêncio seja algo bom. Mas, esse silêncio é um sinal de alerta, porque ele mostra que as espécies estão desaparecendo e como os seus ciclos e modos de interação estão mudando. E que o habitat, o lugar, já não está dando mais condições impostas pelo clima. Eu acredito que os sons funcionam como uma espécie de termômetro da vida. Quando eles diminuem, é porque a diversidade está ali diminuindo. Mayra: A gente vai ver que a Natália usou noções de paisagem sonora pra criar atividades imersivas de divulgação, onde as pessoas puderam experimentar com diferentes sons e ver como era possível criar novas relações com os sapos a partir deles. Mayra: No caso do Lucas, a paisagem sonora funciona bem como a Natália descreveu, é um termômetro que mede a qualidade de um ambiente da Caatinga. Talvez você imagine esse bioma como um lugar silencioso, um tanto desértico, mas isso tem mais a ver com a imagem comumente divulgada de que é uma região de escassez. Lucas: Do ponto de vista das pessoas interpretarem ela como um ambiente pobre, enquanto ela é muito rica, em termos de biodiversidade, em termos de recursos naturais, em termos de recursos culturais, ou seja, a cultura das populações que vivem lá é extremamente rica. Mayra: Pra complicar ainda mais a situação, a Caatinga está na área mais seca do nosso país. Lucas: Ou seja, a questão da escassez hídrica é extremamente importante. E torna ela, do ponto de vista das mudanças climáticas, ainda mais importante. Mayra: A importância de se falar de grupos menosprezados também aparece na pesquisa da Natália com os sapos. Vamos concordar que eles não tão exatamente dentro do que a gente chama de fofofauna, dos animais queridinhos pela maioria das pessoas, mas não por isso projetos de conservação são menos importantes. Pelo contrário. Mayra: Pra dar uma ideia, na semana que eu escrevia esse roteiro, estava circulando nas redes sociais um estudo que mostrou que, em cinquenta anos, as mudanças climáticas podem ser responsáveis pelo desaparecimento completo dos anfíbios na Mata Atlântica. Mayra: Daí a importância de envolver cada vez mais pessoas em ações de preservação e enfrentamento às mudanças climáticas. Susana: Que a gente pudesse trazer uma paisagem sonora da qual os humanos fazem parte e fazem parte não apenas produzindo problemas, produzindo destruição, mas produzindo interações, interações ecológicas. [música] Mayra: Voltamos então à pesquisa da Natália. Mayra: Ela usou uma metodologia de trabalho que tem sido muito utilizada pela Susana e seu grupo de pesquisa, que são as mesas de trabalho. Susana: E elas foram surgindo como uma maneira de fazer com que a revista ClimaCom, que é uma revista que está tentando ensaiar modos de pensar, de criar, de existir diante das catástrofes, a revista pudesse ter uma existência que não fosse só online, que fosse também nas ruas, nas praças, nas salas de aula, nos outros espaços, que ela tivesse uma existência fora das telas. E que, com isso, a gente se desafiasse não apenas a levar para fora das telas e para as outras pessoas algo que foi produzido na universidade, mas que a gente pudesse aprender com as outras pessoas. Mayra: A ideia das mesas é reunir pessoas diversas, de dentro e de fora da universidade, pra criarem juntas a partir de um tema. Susana: Então, quando chegou a proposta dos anfíbios, a gente resolveu criar uma mesa de trabalho com os sapos. E essa mesa de trabalho envolvia diversas atividades que aconteciam simultaneamente. Essas atividades envolviam desde fotografia, pintura, desenho, colagem, grafismo indígena, até estudo dos sons. Mayra: A Susana estava explicando que durante essas mesas, elas conseguem fazer com que as pessoas interajam com os sapos de uma forma diferente, mais criativa. Criativa aqui tanto no sentido de imaginar, quanto de criar e experimentar mesmo. Susana: A gente propôs a criação de um caderno de estudo dos sons junto com as pessoas. A gente disponibilizou vários materiais diferentes para que as pessoas pudessem experimentar as sonoridades. Disponibilizamos um conjunto de cantos da fonoteca aqui da Unicamp, de cantos dos sapos, para as pessoas escutarem. E pedimos que elas experimentassem com aqueles objetos, aqueles materiais, recriar esses sons dos sapos. E que elas pudessem depois transpor para um caderno essa experiência de estudo desses sons, de como esses sons se expressavam. Mayra: Esse é um exemplo de como a gente pode aproximar as pessoas do trabalho dos cientistas sem que isso coloque a pesquisa feita nas universidades como algo superior ou mais importante do que outros conhecimentos. Escuta só a experiência da Natália: Natália: Através de diferentes materiais, de diferentes meios, é possível criar um movimento afetivo que vai além daquele movimento do emissor-receptor que traz uma ideia mais generalista, mais direta, de que você só fala e não escuta. Então, uma das coisas que mais marcou o meu trabalho nessa trajetória foi a escuta. Onde a gente não apenas falava com os anfíbios, mas também a gente escutava as histórias que as pessoas traziam, os ensinamentos de outros povos, de outras culturas. Então, essa relação entre arte e ciências possibilitou todo esse movimento que foi muito enriquecedor (6:14) Susana: As mesas de trabalho foram um lugar também onde as pessoas acessaram um pouco do trabalho dos herpetólogos. Entraram em relação com a maneira como os herpetólogos estudam os sapos. Interessa para eles se o som do sapo é mais amadeirado, é mais vítreo, é mais metálico. O tipo de som, se ele tem uma pulsação diferente da outra, um ritmo diferente do outro. Eles fazem várias análises desses sons, estudam esses sons em muitos detalhes. Mayra: Trazer essa possibilidade de experimentação é um dos principais objetivos das ações e das pesquisas realizadas pelo grupo da Susana aqui no Labjor. E o encontro com as práticas artísticas tem sido um meio de trabalhar essas experimentações. [música de fundo] Susana: Eu acho que a gente tem pensado muito ciências e artes no plural, com minúsculas, justamente para trazer uma potência de multiplicidade, de possibilidades não só de pesquisa e produção artística, mas de pensamento, modos diferentes de viver no mundo e de praticar a possibilidade de pensar, de criar, de se relacionar com os outros seres. Mayra: Mas, segundo a Susana, tem um desafio grande nesse tipo de trabalho… Susana: Porque é muito comum as pessoas, sobretudo os cientistas, acharem que as artes são uma embalagem bonita para as ciências. Então, o que as artes vão fazer vai ser criar uma maneira das pessoas se seduzirem por um conteúdo científico, de se tornar mais belo, mais bonito. A gente não pensa que esse encontro entre artes e ciências pode tornar as ciências mais perturbadoras, pode questionar o que é ciência, pode gerar coisas que não são nem arte nem ciência, que a gente ainda não conhece, que são inesperadas, que são produções novas. Mayra: Quando a Natália fala da possibilidade de criar relações afetivas com os sapos, ela não quer dizer apenas relações carinhosas, mas também de sensibilidade, de se deixar afetar, no sentido de se permitir viver aquela experiência.  De entrar em contato com essas espécies companheiras e, realmente, sair desses encontros diferente do que a gente entrou. Susana: Então, a gente está tentando pensar atividades de divulgação científica e cultural que são modos de criar alianças com esses seres. São modos de prestar atenção nesses seres, de levar a sério suas possibilidades de existir, suas maneiras de comunicar, suas maneiras de produzir conhecimento. É uma ideia de que esses seres também produzem modos de ser e pensar. Também produzem ontopistemologias que a gente precisa aprender a se tornar digno de entrar em relação. Mayra: Em tempos de crise climática, isso se torna especialmente importante. Quando a gente fala de comunicação de risco, sempre existe a preocupação de falar com as pessoas de uma forma que a informação não seja paralisante, mas que crie mobilizações. Mayra: Eu aposto que você, assim como eu, de vez em quando se sente bem impotente quando pensa na catástrofe ambiental em curso. A gente se sente pequeno diante do problema. Só que é necessário fazer alguma coisa diferente do que a gente tem feito ou veremos cada vez mais eventos naturais extremos que têm destruído tantas formas de vida. [encerra música] Susana: Acho que a gente tem pensado nesses encontros justamente como aquilo que pode tirar a gente da zona do conforto e pode gerar uma divulgação científica e cultural nesses encontros entre artes e ciências, que experimentem algo que não seja massificado, algo que escape às abordagens mais capitalizadas da comunicação e mais massificadas, e que possam gerar outras sensibilidades nas pessoas, possam engajá-las na criação de alguma coisa que a gente ainda não sabe o que é, que está por vir. Mayra: A única forma de fazer isso é efetivamente trazendo as pessoas para participar dos projetos, aliando conhecimentos locais e tradicionais com as pesquisas acadêmicas. Isso cria um senso de pertencimento que fortalece os resultados dessas pesquisas. Mayra: O projeto Escutadô, que o Lucas faz parte, também trabalha com essa perspectiva de engajamento. Lucas: A gente usa uma abordagem chamada ciência cidadã, onde a gente se conecta com o público, e os locais onde a gente vai fazer as amostragens são propriedades rurais de colaboradores ou de voluntários do projeto. Então, a gente tem toda essa troca de experiências, de informação com esse público que vive o dia a dia ali no semiárido, ali na Caatinga. Tudo isso enriquece muito a nossa visão sobre o projeto, inclusive as decisões que a gente pode ter em relação a como que essa tecnologia vai ser empregada ou como que ela deveria ser empregada. Mayra: Lembra que o projeto foi financiado a partir de um edital que considerava a bioeconomia? Então, pro Lucas, a pesquisa só se torna inovadora e significativa de verdade se tiver efeitos práticos pra população que ajudou a construir esse conhecimento. Lucas: Senão é só uma ideia bacana, né? Ela precisa se transformar em inovação. Então, a gente tem toda essa preocupação de criar essa ferramenta e de que essa ferramenta seja realmente interessante para mudar a forma com que a gente vai entender ou tomar as decisões de forma mais eficiente, né? E que isso se torne um recurso que seja possível, né? Para que as pessoas utilizem. Mayra: A ideia do projeto é que, a partir de um aplicativo com aquele algoritmo treinado, as pessoas consigam por exemplo avaliar as condições ambientais da região em que vivem. Ou que esses dados possam ser usados pra ajudar a identificar áreas prioritárias de conservação e com isso, contribua diretamente pra qualidade do cuidado com a Caatinga. [música] Mayra: As mudanças climáticas estão aí faz tempo, infelizmente. Mas seus efeitos têm se tornado mais perceptíveis a cada ano. É urgente pensarmos em outras formas de estarmos no mundo, diminuindo os impactos ambientais, antes que esse planeta se torne inabitável, porque, como a gente também tem falado aqui no Oxigênio, não é tão simples assim achar outro planeta pra morar. Susana: Então, acho que isso tem sido fundamental para a gente criar uma comunicação científica em tempos de mudanças climáticas, que não apenas fica na denúncia dos problemas, mas que apresenta possibilidades de invenção de outros modos de habitar essa terra ferida, essa terra em ruínas. [encerra música] Mayra: Eu sou a Mayra Trinca e produzi e editei esse episódio. A revisão é da Lívia Mendes. A trilha sonora tem inserções do Freesound e de captações do projeto Escutadô e do João Bovolon, que também leu o trecho do Livro das Sonoridades. Mayra: Esse episódio é parte de uma bolsa Mídia Ciência e também conta com o apoio da FAPESP. Mayra: O Oxigênio é coordenado pela Simone Pallone e tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. Estamos nas suas plataformas de áudio preferidas e nas redes sociais como Oxigênio Podcast. Te espero no próximo episódio! [Vinheta encerramento]

Leitura de Ouvido
João do Rio - O Bebê de Tarlatana Rosa (conto)

Leitura de Ouvido

Play Episode Listen Later Feb 13, 2026 34:33


“O bebê de tarlatana rosa” é conto de João do Rio (1881-1921) e está no livro Dentro da Noite (1910). Provavelmente, será o episódio com uma aventura de carnaval mais imprevista e horrorosa que você já viu. Vamos começar abrindo o título: bebê não se trata de um recém-nascido, mas uma variável para chamar as mulheres bonitas. Tarlatana é um tecido usado em encadernação, gravura, restauro, moda têxtil, decoração da casa, colagem e estuque. E a roupa da moça da história, era rosa, cor que transmite amor, carinho, romance, doçura, feminilidade e inocência. O narrador está numa sala com reunião de amigos, onde Heitor de Alencar conta a sua história de máscaras e imprevistos, que acontece na madrugada da terça-feira de Carnaval para a quarta-feira de Cinzas, quando estava envolvido nos “transportes da carne e do desejo”. O conto perpassa os quatro dias paranóicos da festa popular, sem poupar cenas de depravação e entusiasmos e leva a refletir sobre como os “valores" sociais podem mudar no Carnaval. Foi numa visita ao Baile Público do Recreio, no Rio, que avista o bebê pela primeira vez. A obra é um clássico do conto fantástico e decadente brasileiro, narra uma história macabra de carnaval. Boa leitura!✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:

O Homem Que Comia Tudo
O garrafão de azeite “daquele forte, como antigamente” é mesmo o melhor?

O Homem Que Comia Tudo

Play Episode Listen Later Feb 12, 2026 7:13


O que faz um azeite ser “topo de gama”? Ricardo Felner foi a uma prova de azeites e ficou encantado. As colheitas mais recentes, límpidas, deixaram-no impressionado, mas para muitos portugueses, azeite bom é azeite com tulha ou ranço. E está tudo bem com isso. Mas se alguém perguntar a Ricardo Felner se ele quer um garrafão de azeite “lá da terra”, ele vai, provavelmente, dizer que não.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Inteligência para a sua vida
#1468: DEUS NÃO SÓ FALA, ELE DESENHA

Inteligência para a sua vida

Play Episode Listen Later Feb 2, 2026 12:47


Há quem diga que a Bíblia tem muita letra e pouca ilustração, que é difícil de compreender.Mas, para os sedentos, Deus ilustra e fala claramente por meio da Sua Palavra.O problema não está na falta de ensinamentos. Provavelmente, o que falta é desenvolver uma fé inteligente para compreender e praticar o que está escrito.Neste vídeo, você vai compreender por que Deus permite processos, desertos antes da Terra Prometida, e como a murmuração atrai o destruidor, atrasando sonhos, conquistas e, principalmente, colocando em risco a vida eterna.Comece a semana confiando, e não murmurando.Quem crê, prevalece.Quem murmura, perece.Se este vídeo lhe ajudou, compartilhe para ajudar mais pessoas.

Taverna do Lugar Nenhum
Thirst (Park Chan-wook): O melhor filme de vampiros que você provavelmente não conhece

Taverna do Lugar Nenhum

Play Episode Listen Later Jan 2, 2026 10:31


Neste episódio, analiso Thirst (2009), filme de Park Chan-wook que transforma o mito do vampiro em uma investigação profunda sobre fé, desejo, culpa e colapso moral.Longe do romantismo tradicional do gênero, Thirst apresenta o vampirismo como patologia, contágio e degradação ética, articulando horror corporal, erotismo inquietante e uma crítica radical às estruturas morais da civilização.A partir de sua relação com o romance Thérèse Raquin, de Émile Zola, o filme revela como a liberação do desejo não conduz à liberdade, mas à dissolução dos limites éticos e do próprio sujeito.Para quem se interessa por cinema de horror, filosofia, estética do corpo e narrativas sombrias, este episódio propõe uma escuta lenta e reflexiva.Leia a crítica completa no site:https://tavernadolugarnenhum.com.br/resenha/thirst/

WGospel.com
Posso amar com o amor de Deus?

WGospel.com

Play Episode Listen Later Dec 1, 2025 4:53


TEMPO DE REFLETIR 01600 – 1 de dezembro de 2025 Romanos 5:5-8 (NVI) – Deus derramou Seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele nos concedeu. De fato, … quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente haverá alguém que morra por um justo, embora pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra Seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Você estaria disposto a morrer por um viciado em drogas com acusações múltiplas de abuso de crianças? Você poderia estar disposto a arriscar sua vida doando um órgão para salvar seu filho que morreria se você não fizesse a doação, mas você daria a vida pelo viciado estuprador? Provavelmente não. Deus, entretanto, deu Seu Filho para morrer “pelos ímpios”. Admire-se do fato de que “Deus derramou Seu amor em nossos corações”. “Quando ainda éramos fracos” para viver como Cristo viveu e amar como Cristo amou, Deus nos deu o Seu amor, para com ele podermos amar. Ele nos oferece o tipo de amor que Jesus teve quando “morreu pelos ímpios”. O tipo de amor com o qual Jesus amou quando bradou: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lc 23:34, NVI). Jac Colon, um pregador da Bíblia, antes de sua conversão era piloto de avião de caça da Força Aérea dos Estados Unidos no Vietnã. Em 1991, dirigiu uma série de reuniões evangelísticas em Riga, Látvia. Um dos batizados foi um piloto de caça soviético que havia servido no lado adversário no Vietnã. Durante as reuniões evangelísticas, o ateu entregou o coração a Jesus. No dia do batismo, ele disse a Jac: “Já fomos inimigos mortais, que teriam abatido um ao outro lá no céu, mas agora somos irmãos em Cristo.” Depois se abraçaram e choraram emocionados, em silêncio. Um milagre assim só aconteceu porque Deus “derramou Seu amor” no coração dos dois homens. “Quando os homens se ligam entre si, não pela força do interesse pessoal, mas pelo amor, mostram a operação de uma influência que é superior a toda influência humana. Onde existe esta unidade, é evidente que a imagem de Deus está sendo restaurada na humanidade, que foi implantada nova vida” (O Desejado de Todas as Nações, p. 678). Que diferença faz o amor – o amor de Jesus – no coração de uma pessoa! Reflita sobre isso no dia de hoje e ore comigo agora: Precisamos amar como Tu nos amas, Pai! Faz-nos mais parecidos contigo, por favor! Em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as mensagens diárias do Tempo de Refletir: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99893-2056 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: TELEGRAM AMILTON MENEZES . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: WHATSAPP CHANNEL Amilton Menezes . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Colunistas Eldorado Estadão
Eliane: "Provavelmente o Exército já sabia do Alzheimer de Heleno"

Colunistas Eldorado Estadão

Play Episode Listen Later Nov 28, 2025 23:57


A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com o pedido do general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para cumprir a pena de 21 anos no processo da trama golpista em casa. Em parecer enviado nesta sexta-feira, 28, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República Paulo Gonet defendeu a prisão domiciliar humanitária para o general. "Meses atrás, o Exército estava conversando com o STF, discutindo dois casos - um do general Teophilo (único absolvido por falta de provas) e a segunda questão era o Heleno. Ele era muito prestigiado na Força mas está com 78 anos. Provavelmente o Exército já sabia do Alzheimer - que ocorria desde 2018. Heleno foi chefe do GSI, com acesso às informações sigilosas do País, tendo Alzheimer. Isso é uma questão humanitária. Jair Bolsonaro tem mais de 70 anos, sua saúde é frágil e isso pode, mais adiante, ter um peso significativo para uma eventual prisão domiciliar. Inclusive porque o projeto da dosimetria não vai adiante; ninguém está interessado nisso e o ex-presidente é página virada", diz Cantanhêde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Eliane Cantanhêde responde
"Provavelmente o Exército já sabia do Alzheimer de Heleno"

Eliane Cantanhêde responde

Play Episode Listen Later Nov 28, 2025 23:57


A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com o pedido do general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para cumprir a pena de 21 anos no processo da trama golpista em casa. Em parecer enviado nesta sexta-feira, 28, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República Paulo Gonet defendeu a prisão domiciliar humanitária para o general. "Meses atrás, o Exército estava conversando com o STF, discutindo dois casos - um do general Teophilo (único absolvido por falta de provas) e a segunda questão era o Heleno. Ele era muito prestigiado na Força mas está com 78 anos. Provavelmente o Exército já sabia do Alzheimer - que ocorria desde 2018. Heleno foi chefe do GSI, com acesso às informações sigilosas do País, tendo Alzheimer. Isso é uma questão humanitária. Jair Bolsonaro tem mais de 70 anos, sua saúde é frágil e isso pode, mais adiante, ter um peso significativo para uma eventual prisão domiciliar. Inclusive porque o projeto da dosimetria não vai adiante; ninguém está interessado nisso e o ex-presidente é página virada", diz Cantanhêde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz
“O Governo pôs o carro à frente dos bois e agora está alarmado porque lhe disseram não, assim não brincamos”

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz

Play Episode Listen Later Nov 14, 2025 21:36


Sousa Tavares critica a forma como o Governo apresentou as alterações à legislação laboral, sem discutir com os parceiros sociais, mas acha que ainda há caminho para entendimentos, apesar da greve. Destaque ainda para a polémica que envolve a BBC e Trump: "Atacar a BBC é atacar o fundamento da democracia inglesa" See omnystudio.com/listener for privacy information.

Explicador
"Exercício do poder não pode nunca ser absoluto e tirânico "

Explicador

Play Episode Listen Later Nov 12, 2025 20:55


André Moz Caldas (PS), novo presidente da Assembleia Municipal, responde aos recados de Moedas: oposição em Lisboa não tem "dever de acatar tudo". E presidenciais? "Provavelmente" votará em Seguro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alta Definição
Francisco Pinto Balsemão (1937-2025): “Daqui a 200 anos serei provavelmente uma nota de pé de página. Não vale a pena termos temos grandes ilusões”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Oct 22, 2025 41:08


No dia em que a SIC celebrou o seu 20º aniversário, o fundador da primeira televisão privada em Portugal foi entrevistado por Daniel Oliveira. Memórias, emoções partilhadas e revelações inéditas nesta primeira ida de Francisco Pinto Balsemão, militante número 1 do PSD e também fundador do Expresso, ao Alta Definição. Recorde aqui a emissão de outubro de 2012.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sem Moderação
“O grande contributo que o PCP teve nestas eleições foi garantir a reeleição de Moedas e que provavelmente a esquerda nunca mais vai conseguir ganhar Lisboa”: comentário de Daniel Oliveira na Grande Noite Autárquicas SIC

Sem Moderação

Play Episode Listen Later Oct 13, 2025 3:42


Com 3241 freguesias apuradas de 3259, à 1h50 da noite eleitoral autárquica, Daniel Oliveira analisa os resultados praticamente fechados da reeleição de Moedas. “Para a esquerda não se trata de mais uma eleição que se perde, a mudança demográfica em Lisboa faz com que a esquerda tenha cada vez mais dificuldade em ganhar. Estas eram provavelmente as últimas eleições que a esquerda conseguiria ganhar na cidade”, afirma o comentador SIC.See omnystudio.com/listener for privacy information.

BBC Lê
Por que os alienígenas provavelmente existem — mas não vão nos visitar tão cedo

BBC Lê

Play Episode Listen Later Sep 13, 2025 8:21


Para cientistas, existência de vida em outro planeta 'é puramente uma questão de números. E probabilidade'.

Papo de Trilha
Ep 172: Oscar 1989

Papo de Trilha

Play Episode Listen Later Sep 8, 2025 213:41


Foi um daqueles anos de sonho, com tanta trilha boa que era difícil escolher a melhor. Imagina a Academia, então! Estamos falando do Oscar de Trilha Sonora de 1989, uma categoria tão acirrada que Mauricio e Gustavo precisaram da ajuda estelar do Carlos Quintão para cobrir tudo o que foi e o que não foi indicado. Provavelmente, o episódio mais longo deste podcast — e o mais cheio de medalhões!

5 Minutes Podcast com Ricardo Vargas
5 Ferramentas de IA para Projetos que Você Provavelmente Nunca Ouviu Falar

5 Minutes Podcast com Ricardo Vargas

Play Episode Listen Later Aug 24, 2025 5:05


Neste episódio, Ricardo apresenta cinco ferramentas de inteligência artificial pouco conhecidas que podem transformar o gerenciamento de projetos. A primeira é o Study Fetch, que cria tutores personalizados a partir de documentos, permitindo interações como se fossem com um professor. A segunda é o Granola, que grava reuniões, gera resumos e lista ações priorizadas automaticamente. A terceira é o Limitless (antes Rewind), um dispositivo que registra e indexa tudo o que a pessoa fala ou ouve, possibilitando buscas rápidas em memórias passadas. A quarta, Mylens, analisa imagens e vídeos para oferecer insights visuais sobre projetos. Por fim, o Emlo (Emotion Logic) avalia emoções em textos, áudios e reuniões, ajudando a identificar o clima emocional das equipes. Escute o podcast para saber mais. Acesse as ferramentas nos links a seguir: studyfetch.com granola.ai limitless.ai mylens.ai emotionlogic.ai

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
Zeferino Coelho (parte 2): “As fórmulas são úteis. Mas provavelmente não dão boa literatura. Escolho estar do lado dos livros”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Aug 9, 2025 86:39


Nesta segunda parte do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, o editor Zeferino Coelho, co-fundador da Caminho, assegura que ao longo da vida tem estado sempre do lado do livro e dos seus autores, em vez de seguir fórmulas que, a seu ver, dão bons resultados, mas provavelmente não dão boa literatura. Além da amizade com Saramago, fala aqui da relação próxima com vários outros escritores, que se tornaram seus cúmplices, como Sophia de Mello Breyner Andresen, Mia Couto, Alexandra Lucas Coelho, Patrícia Portela ou Joana Bértholo. E chega a partilhar o momento em que mandou parar as máquinas da gráfica, a pedido da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen, para se alterar uma só palavra no poema “As ondas”. Depois explica porque é que acha que Sophia não foi devidamente compreendida e valorizada enquanto pensadora, além do reconhecimento da beleza da sua poesia. Zeferino Coelho aproveita ainda para ler um texto de Sophia, fala da sua relação com a escritora Ana Maria Magalhães, sua mulher e co-autora da colecção “Uma Aventura”, que já vendeu cerca de 9 milhões de exemplares na Caminho. Depois partilha algumas das músicas que o acompanham e revela as tantas coisas que prepara para editar em breve. Aos 80 anos, Zeferino mostra-se preocupado com o estado do mundo, e apostado em continuar a intervir na sociedade através da literatura. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Altamont
Rádio Clube Altamont #43 - John Glacier | Kate Bush | Homem com H

Altamont

Play Episode Listen Later Aug 6, 2025 63:27


O que têm em comum John Glacier, Kate Bush e Ney Matogrosso? Provavelmente muito pouco, mas ainda assim decidimos juntá-los à mesa, para este novo episódio de Rádio Clube Altamont. O propósito foi, respectivamente, "Like a Ribbon", deste ano, "The Kick Inside", de 1978, e "Homem com H", acabadinho de chegar a um streaming próximo de si. Como sempre, esperamos que desfrutem desta parceria Altamont.pt e Futura - Rádio de Autor.

Papo de Trilha
Ep 167: Trilhas de filmes em novelas - com Nilson Xavier

Papo de Trilha

Play Episode Listen Later Jun 30, 2025 102:39


Pense numa cena de telenovela inesquecível. Provavelmente, há uma grande trilha sonora de cinema envolvida — especialmente se a novela for das décadas de 70 e 80. Neste episódio, convidamos Nilson Xavier, nosso membro honorário, para escolher as melhores trilhas de filmes surrupiadas para as novelas clássicas da Globo. Cada minuto desse Papo de Trilha vai ser um flash!

Expresso - Eixo do Mal
O reforço da AD, a crise no PS e uma nova oposição

Expresso - Eixo do Mal

Play Episode Listen Later May 23, 2025 51:11


Há uma semana estávamos longe de imaginar o panorama atual: que o Chega, tudo indica, deverá ser o próximo líder da oposição e que o PS anda à procura de secretário-geral e, provavelmente, terá de sustentar o novo governo da AD, que tem mais deputados do que toda a esquerda. Eis o resultado das últimas eleições. E é disso que nos vamos ocupar no Eixo do Mal de hoje, com Clara Ferreira Alves, Luís Pedro Nunes, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes. Emitido na SIC Notícias a 22 de abril. Para ver a versão vídeo deste episódio, clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Buongiorno San Paolo
#250 Qual é o melhor lugar para provar pratos italianos no Brasil? - Gianluca Aliotta Costa Crociere

Buongiorno San Paolo

Play Episode Listen Later May 12, 2025 15:06


Informações sobre os Cruzeiros italianos no Brasil - Costa Crociere: https://www.costacruzeiros.com/ (11) 2123-3692Episódio totalmente em italiano. Se preferir, ative as legendas automáticas do YouTube em português. Provavelmente o melhor lugar onde apreciar a cozinha regional italiana no Brasil é um cruzeiro italiano e dessa vez a fome bateu forte de verdade! :)Nesse episódio especial do Buongiorno San Paolo a bordo da Costa Crociere, entrevistamos o chef Gianluca Aliotta, Executive Chef do navio Costa Diadema.Diretamente das cozinhas em alto-mar, Gianluca originario de Palermo, nos conta como é possível manter a tradição e a excelência da gastronomia italiana a bordo de um gigante flutuante. Falamos sobre logística, ingredientes, receitas típicas e, claro, o sabor da Itália que viaja com os passageiros por todos os mares. Bateu fome? Faça um cruzeiro ;) L'ITALIA È QUI.

BBC Lê
Por que você provavelmente não está lavando suas toalhas com a frequência necessária

BBC Lê

Play Episode Listen Later Mar 27, 2025 8:45


Estudos demonstraram que as toalhas podem ficar rapidamente contaminadas por bactérias comumente encontradas na pele e até no intestino.

Canary Cast
Comp: Pioneering the "Service-as-a-Software" Business Model in HR and Compensation

Canary Cast

Play Episode Listen Later Jan 29, 2025 53:40


In this episode of the Canary Cast, Florian Hagenbuch, co-founder and partner at Canary, sits down with Christophe Gerlach, co-founder and CEO of Comp, a new kind of HR Tech that is rethinking the way businesses approach their total compensation strategies.From the origins of his entrepreneurial journey alongside Pedro Bobrow—delivering açaí to college students—to pioneering a "Service-as-a-Software" business model that leverages the combination of AI and human expertise, Chris shares details of his story and his vision for Comp's future. During the episode, he also reflects on the importance of thoughtful experimentation, building strategic trust when entering a new market, and the powerful impact of an intentional company culture.In this episode, we dive into: How Comp is helping companies be more strategic about every cent invested in labor costs Pioneering the "Service-as-a-Software" Business Model: How Comp is disrupting traditional compensation consultants and building the company at the intersection of technology and human expertise, where AI supports senior compensation executives to deliver personalized, effective solutions Comp’s approach to working closely with CEOs, CFOs, and CHROs to strategically manage compensation decisions during periods of expansion, restructuring, or business strategy shifts. Lessons learned about building a lean, high-performance team and why hiring A+ talent makes all the difference. Exceptionally, this episode was recorded in English, but we included a translated transcription below in the description of the episode. Whether you're a founder, business leader, HR professional, or just passionate about innovation, this episode is packed with insights at the forefront of compensation strategy and business-building. Tune in now to hear how Comp is not only solving today’s compensation challenges but also defining a new category in the HR landscape for the future. Guest:Christophe Gerlach Christophe Gerlach is the co-founder and CEO of Comp. Christophe graduated in Applied Economics and Management from Cornell University, where he met Pedro Bobrow. Together, they first founded Suna and are now building Comp. The company raised $4 million in a Seed round led by Kaszek, with participation from Canary, Norte, and 1616 funds, as well as 40 angel investors who are also executives from American companies and Brazilian startups such as Nubank, Creditas, and Caju. Follow Chris on LinkedIn Host: Florian Hagenbuch Florian is the co-founder and General Partner at Canary, a leading early-stage investment firm in Brazil and Latin America. Canary has invested in more than 100 companies since its founding in 2017. Previously, Florian founded Loft, a company that digitized and transformed the home buying experience in Brazil, bringing transparency, liquidity, and credit to millions of Brazilians. Before that, Florian also co-founded Printi, the leading online printing marketplace in Latin America. Follow Florian on LinkedIn Highlights: 00:00 - Opening01:50 - Personal Journey and the Beginning of Chris and Pedro's Partnership03:07 - Starting a Food Delivery Business in College07:25 - Transition to HR Tech and General Atlantic Experience08:37 - Labor Cost Challenges and Finding a thesis11:48 - Founding Comp and Initial Product Development13:30 - Comp's Value Proposition in the HR and Compensation Market18:29 - "Service-as-a-Software" Business Model and Strategic Use of AI for Software, Services, and Tools26:20 - Comp's Traction So Far28:44 - Building a team in a AI native company35:12 - Challenges along the way39:26 - Vision for the Future and Global Ambitions46:56 - Customer Success Stories and Impact51:56 - Closing RemarksEpisode Transcription in Portuguese: O mundo que estamos construindo é um em que um executivo pode vir e dizer: “Ei, em 2025, minha empresa vai crescer a receita em 25%. Precisamos alcançar o ponto de equilíbrio. Vamos abrir uma divisão de fintech, então precisaremos de novos tipos de talentos nessa área, e também vamos encerrar nossas operações no país X, Y, Z. Assim, gostaria que vocês me ajudassem a desenhar cada elemento do meu custo total de mão de obra." Quais benefícios eu devo oferecer? Quanto eu devo aumentar nos salários baseado nesse objetivo de ponto de equilíbrio, na minha retenção anterior, no índice de conversão de candidatos que já tivemos? Existe uma enorme quantidade de dados que podem ser usados, digamos, para otimizar essas decisões. E tudo isso pode começar a partir de um input estratégico de alto nível, como esse, composto por uma ou duas frases de um executivo, e, a partir daí, podemos fazer todo o trabalho e voltar com soluções para o cliente. Realmente acredito que é assim que as empresas tomarão decisões no futuro. E, honestamente, colocaria vocês nessa categoria. Não é fácil apontar para uma empresa específica, em outro lugar, fazendo algo verdadeiramente parecido com o que vocês estão fazendo. Vocês estão assumindo riscos reais de inovação e realmente estão na vanguarda do que é possível nessa área de atuação em que vocês trabalham. Chris, agora vamos mudar para o inglês para começar nosso episódio, já que temos um gringo aqui no programa hoje – gringo, como eu, de várias maneiras. Muito obrigado, Chris, por aceitar o convite de compartilhar um pouco sobre sua história e sua trajetória com a Comp. Estamos muito, muito empolgados em tê-lo aqui e ansiosos por essa conversa com você. Então, muito obrigado e seja bem-vindo. Chris: Obrigado pelo convite. Estou super animado para estar aqui e por essa conversa. Florian: Ótimo. Talvez comecemos com o comentário do gringo. Quando comecei minha carreira como empreendedor aqui no Brasil, havia muitos de nós. Era na época da Rocket Internet: tinha muitos alemães, americanos e franceses. E então, durante um tempo, eles meio que desapareceram. Provavelmente tem a ver com os altos e baixos econômicos do Brasil, mas eis que agora você está aqui, um gringo na cidade, construindo algo no Brasil. Algo realmente único e intrigante. Eu adoraria ouvir mais: você pode compartilhar um pouco sobre o seu passado, sua trajetória e o que o trouxe ao Brasil e à decisão de começar a Comp localmente? Chris: Claro! Que honra! Acho que sou o primeiro gringo no podcast, então estou honrado de ser o primeiro. Um pouco sobre mim – sou meio holandês e meio americano. Nasci na Holanda e cresci principalmente nos EUA. Quando jovem, meu sonho era jogar futebol profissional. Além de ser o “gringo” com quem você está conversando agora, meu segundo maior orgulho é que joguei contra o Mbappé na França quando eu tinha cerca de 14 anos. Mas, em certo ponto, percebi que não seria bom o suficiente para fazer disso uma carreira. Eu fui jogar na universidade e estudei na Cornell, em Nova York. Foi lá que conheci meu cofundador brasileiro, chamado Pedro, há mais ou menos uns 7 ou 8 anos. Estávamos em uma aula de comunicação empresarial, onde a tarefa era dar um discurso inspirador sobre algo que queríamos fazer em nossa carreira. Todo mundo na classe dizia que queria trabalhar no Goldman Sachs como banqueiro ou ser consultor na McKinsey. Pedro e eu fomos os únicos a falar sobre empreendedorismo. Achei que Pedro fez um discurso muito carismático e emocional sobre porque queria ser empreendedor. Mas o professor, depois do discurso dele, disse algo como: “Pedro, tenho certeza de que o que você disse foi ótimo, mas não consegui entender por causa do seu sotaque brasileiro. Você precisa melhorar isso se quiser passar nessa matéria." Após a aula, fiz uma brincadeira com ele, e acabamos nos tornando amigos por sermos os únicos da turma com mentalidade empreendedora. Começamos a almoçar juntos, a trocar ideias, etc. Durante nosso segundo ano de faculdade, começamos um negócio de entrega de comida. Entregávamos açaí para estudantes no campus e alguns outros itens de café da manhã. A inovação que criamos, entre aspas, foi que, diferente de plataformas como Uber Eats, iFood ou DoorDash, onde cada entrega é feita separadamente, nós coletávamos vários pedidos de uma vez para reduzir o preço da entrega. Em vez de uma pessoa da entrega pegar um pedido por vez, pegávamos, por exemplo, 8 ou 10 pedidos de uma só vez. Dessa forma, reduzíamos o custo para o consumidor e tornávamos o processo mais eficiente. Como muitos estudantes moravam próximos uns dos outros no campus, fazia sentido. Além disso, ajudávamos restaurantes fora do campus a atender os estudantes e a gerar mais receita durante as manhãs, quando eles tinham capacidade ociosa. Esse foi, basicamente, o nosso modelo de negócio. Chegamos a levantar capital de algumas aceleradoras, crescemos para uma equipe de 30 pessoas, aprendemos muito, mas tivemos o que chamamos de uma saída pequena. Não foi um grande sucesso financeiro, mas aprendemos que amávamos ser empreendedores. Até hoje, não sei explicar de forma 100% racional; foi mais emocional, e ainda é. Amamos construir algo do zero, trabalhar com colegas inteligentes e ambiciosos, enfrentar novos desafios todos os dias. Também aprendemos que adorávamos trabalhar juntos, e nos comprometemos a continuar trabalhando juntos por anos. Então, dessa experiência, não tivemos um grande retorno financeiro, mas conquistamos uma parceria de longo prazo entre mim e o Pedro. Depois de nos formarmos, trabalhei na General Atlantic, uma firma global de private equity focada em estágio de crescimento (Series B, Series C). Lá, me concentrei em empresas de tecnologia B2B e avaliei várias empresas de recrutamento, performance, folha de pagamento, compensação, etc. Foi um lugar fantástico para aprender e, eventualmente, acabei mergulhando fundo na área de tecnologia para RH, que encabeça o que fazemos hoje na Comp. Florian: Impressionante! Há muito o que explorar só nessa parte da sua trajetória, e também muitos aspectos em comum, Chris. Eu também joguei futebol, mas, infelizmente, não contra o Mbappé. Essa é uma ótima história! Você deveria contar isso mais vezes. Chris: Eu até contaria mais vezes, mas perdemos aquele jogo de 5 a 1. Florian: Ele marcou? Chris: Ele marcou três vezes. Florian: Uau. Já dava pra perceber que ele era incrível, né? Chris: Sim, dava pra ver que ele era fantástico. Florian: Então provavelmente você está em um daqueles vídeos caseiros onde o Mbappé destrói todo mundo, e você é um dos meninos tentando detê-lo no vídeo. Chris: Eu adoraria ver esse vídeo, por mais embaraçoso que fosse. Florian: Muito bom. Mas voltando ao que você mencionou, algo que capturou minha atenção foi quando você disse que, até hoje, não sabe muito bem por que quis começar uma empresa, dizendo ser um processo emocional. E, em muitos aspectos, isso se assemelha a ser uma criança querendo ser jogador de futebol, certo? É mais como um sonho, algo que você simplesmente quer fazer. E, como empreendedor, esperamos que você acabe se tornando mais um "Mbappé", do que "Chris". Mas, me conte um pouco mais sobre como vocês construíram a empresa na faculdade, venderam e seguiram em frente. Você sabia que ia começar outra empresa? E trabalhar na General Atlantic foi mais um “deixa eu olhar o mundo real e adquirir habilidades” ou algo mais? Como foi essa decisão? Para você, foi sempre óbvio que aquilo era algo temporário e que você voltaria a ser fundador? Chris: Sim, diria que foi algo assim. No último semestre da faculdade, Pedro e eu fizemos uma promessa um ao outro de que, em até 3 anos, iríamos começar um negócio juntos. Pedro foi trabalhar em um cargo de produto no Vale do Silício, enquanto eu fui para a General Atlantic, mas o plano era claro: trabalhar por alguns anos, ter experiências complementares em nossas trajetórias e aprender como é estar no “mundo real”. Queríamos construir um currículo sólido, mesmo que por apenas 1 ou 2 anos. Mas sabíamos, desde o dia em que paramos de trabalhar no negócio de entrega de açaí, que um dia voltaríamos. Florian: E vocês sabiam que seria vocês dois juntos novamente. Chris: Exatamente. Disso nós tínhamos certeza. Não sabíamos se seria uma empresa B2B, B2C, em qual setor, ou mesmo em qual geografia, mas sabíamos que seria nós dois. Acabamos indo para o mundo do tech para RH porque foi o foco do meu trabalho na General Atlantic, e posso aprofundar mais sobre isso. Florian: Legal, fale mais sobre isso. Acho muito interessante. Chris: Eu diria que existiam alguns temas principais. Na General Atlantic, como a maioria das empresas de investimento, o papel dos analistas juniores é basicamente buscar oportunidades e fazer diligências, no nosso caso, em empresas de tecnologia em estágios mais avançados (Series B em diante). Algo que me surpreendeu inicialmente – e lembro de comentar isso com o Pedro – foi que, ao fazermos diligência em empresas promissoras, percebíamos que a maioria dos CEOs tinha muita clareza sobre sua estratégia de mercado e visão do produto, mas, por outro lado, não tinham tanto domínio sobre a estratégia relacionada às pessoas que fazem todas essas coisas acontecerem. Perguntávamos coisas como: “Por que vocês têm essa divisão específica de salário fixo versus variável?”, ou “Quais são os custos associados à folha de pagamento nessa região ou país, se você contratar CLT ou prestadores de serviço?”. Também perguntávamos coisas como: “Como os gestores conseguem orçamento para novas contratações?” ou “Como vocês alocam o orçamento de aumento salarial anual?”. E a maioria dos líderes usava uma boa dose de intuição para responder a essas questões. Isso não é necessariamente errado, mas começamos a chamar isso de “estratégia de custo de mão de obra”. E ficou claro para nós que, mesmo em empresas modernas de tecnologia e serviços, onde 50% a 80% do orçamento operacional vai para folha de pagamento e benefícios, a abordagem usada para essas questões era baseada em “achismos”. O foco nessas decisões críticas parecia ser insuficiente. Outra coisa que eu aprendi na General Atlantic foi a operação do RH, ou seja, o lado operacional do RH, e não tanto o estratégico. Quando digo operacional, quero dizer as atividades diárias geridas, muitas vezes, em planilhas de Excel e PDFs. Observamos que esse era um espaço relativamente saturado globalmente. Em qualquer mercado grande (Latam, EUA, Europa, etc.), havia dezenas de empresas vendendo ferramentas de software que ajudavam as empresas a gerenciar diferentes partes da área de RH: desde folha de pagamento até recrutamento, desempenho, entre outros. Avaliamos que o lado operacional já tinha muitos concorrentes e seria muito difícil entrar nesse mercado com um SaaS tradicional. Além disso, percebemos que, enquanto o lado operacional era bem atendido, o lado estratégico – especificamente em relação a compensação e estratégia de custo de mão de obra – ainda dependia amplamente de consultorias como Mercer, Korn Ferry e Willis Towers Watson. Essas consultorias são extremamente caras e com NPS negativo. Foi um momento de “eureka” perceber que, apesar do custo alto, os resultados obtidos com essas consultorias não atendiam às expectativas. Além disso, muitas decisões relacionadas à compensação nas empresas ainda eram feitas de forma pouco transparente, tanto para recrutadores quanto para os próprios colaboradores. A compensação como um todo parecia ser um “problema cabeludo” tanto do lado da empresa quanto do colaborador. E foi aí que começamos a explorar a ideia de construir uma empresa que ajudasse outras empresas com suas estratégias de compensação total. Florian: Super interessante, Chris. Isso faz muito sentido. Por que você não nos conta um pouco mais sobre a evolução do produto da Comp e como a empresa começou? Também trabalhamos juntos nisso, então vi boa parte da jornada. Quando começaram, e quando investimos em vocês pela primeira vez, a ideia e o produto inicial eram, essencialmente, um banco de dados de compensação, com dados em tempo real. E foi incrível como vocês conseguiram atrair várias techs para participarem da plataforma, compartilhando, de forma anônima, os dados de compensação. Em troca, essas empresas recebiam benchmarks do mercado. Se minha descrição não for precisa, me corrija. Mas esse era o produto inicial. Como o valor evoluiu desde então? O que vocês aprenderam ao longo desses últimos anos e, agora, qual o principal valor que a Comp entrega? Chris: Certo! Há muita coisa para discutir aqui. Mas sim, começamos exatamente como você descreveu. Criamos um banco de dados de compensação, que é o primeiro produto. A proposta de valor para os clientes era: para tomar a maioria das decisões sobre salários, benefícios, bônus, e incentivos de longo prazo, eles precisariam de benchmarks do mercado. Quer dizer, dados específicos sobre o que os concorrentes diretos estão fazendo. E, claro, cada cliente precisa de benchmarks diferentes: por exemplo, uma empresa pode querer comparar seus engenheiros com Nubank e PicPay, mas precisa olhar para Itaú ou Bradesco quando se trata de analistas financeiros. O primeiro produto que criamos foi, basicamente, isso: um banco de dados com rede de dados altamente valiosa. Quanto mais empresas participam da base compartilhando seus dados anonimamente, mais robusto o banco de dados fica para todos. Por isso, disponibilizamos essa ferramenta gratuitamente – além do fato de que não existe orçamento tão significativo destinado apenas para a aquisição de benchmark. Hoje, temos mais de 1.000 empresas usando esse produto na América Latina, com foco no Brasil, além de algumas multinacionais que têm operações locais. Continuamos expandindo: começamos apenas com benchmarks de salário, mas já adicionamos dados sobre modelos de salário variável, benefícios, incentivos de longo prazo e até análises organizacionais como número médio de subordinados por gestor. Agora, ajudamos os clientes em duas frentes principais: estratégia e implementação. Sobre estratégia: hoje empresas nos contratam para desenhar ou revisar a estratégia de compensação. Isso inclui desde construir tabelas salariais até planos de bônus e benefícios. Por outro lado, também fornecemos ferramentas para implementar essas políticas, automatizando promoções, comunicação de benefícios, entre outras atividades. Florian: Super interessante, Chris. Isso faz muito sentido. Por que você não nos conta um pouco mais sobre a evolução do produto da Comp e como a empresa começou? Também trabalhamos juntos nisso, então vi boa parte da jornada. Quando começaram, e quando investimos em vocês pela primeira vez, a ideia e o produto inicial eram, essencialmente, um banco de dados de compensação, com dados em tempo real. E foi incrível como vocês conseguiram atrair várias techs para participarem da plataforma, compartilhando, de forma anônima, os dados de compensação. Em troca, essas empresas recebiam benchmarks do mercado. Se minha descrição não for precisa, me corrija. Mas esse era o produto inicial. Como o valor evoluiu desde então? O que vocês aprenderam ao longo desses últimos anos e, agora, qual o principal valor que a Comp entrega? Chris: Certo! Há muita coisa para discutir aqui. Mas sim, começamos exatamente como você descreveu. Criamos um banco de dados de compensação, que é o primeiro produto. A proposta de valor para os clientes era: para tomar a maioria das decisões sobre salários, benefícios, bônus, e incentivos de longo prazo, eles precisariam de benchmarks do mercado. Quer dizer, dados específicos sobre o que os concorrentes diretos estão fazendo. E, claro, cada cliente precisa de benchmarks diferentes: por exemplo, uma empresa pode querer comparar seus engenheiros com Nubank e PicPay, mas precisa olhar para Itaú ou Bradesco quando se trata de analistas financeiros. O primeiro produto que criamos foi, basicamente, isso: um banco de dados com rede de dados altamente valiosa. Quanto mais empresas participam da base compartilhando seus dados anonimamente, mais robusto o banco de dados fica para todos. Por isso, disponibilizamos essa ferramenta gratuitamente – além do fato de que não existe orçamento tão significativo destinado apenas para a aquisição de benchmark. Hoje, temos mais de 1.000 empresas usando esse produto na América Latina, com foco no Brasil, além de algumas multinacionais que têm operações locais. Continuamos expandindo: começamos apenas com benchmarks de salário, mas já adicionamos dados sobre modelos de salário variável, benefícios, incentivos de longo prazo e até análises organizacionais como número médio de subordinados por gestor. Agora, ajudamos os clientes em duas frentes principais: estratégia e implementação. Sobre estratégia: hoje empresas nos contratam para desenhar ou revisar a estratégia de compensação. Isso inclui desde construir tabelas salariais até planos de bônus e benefícios. Por outro lado, também fornecemos ferramentas para implementar essas políticas, automatizando promoções, comunicação de benefícios, entre outras atividades. Florian: Muito interessante, Chris. Notei que você não mencionou a palavra "IA" ao falar do produto, o que é curioso, porque vejo a Comp como uma empresa nativa de IA. Vamos falar um pouco sobre o que significa ser uma empresa nativa de IA, tanto no produto quanto na cultura. Como vocês estão utilizando IA para liderar essa categoria de "selling work"? Chris: Ótima pergunta. Talvez a primeira coisa a abordar seja por que não mencionamos IA ao falar da Comp. Diferente de outras empresas de "selling work", que tentam eliminar completamente a necessidade de humanos na operação, nós intencionalmente mantemos humanos no processo. Isso porque acreditamos que, em decisões estratégicas como compensação, é crucial ter um especialista humano envolvido. Nosso diferencial é que usamos IA para apoiar esses especialistas. A IA nos ajuda a analisar grandes volumes de dados, identificar padrões e fornecer recomendações baseadas em dados. Mas o toque humano ainda é essencial, especialmente em decisões estratégicas críticas. Florian: Faz sentido. E como vocês têm se saído em termos de tração e marcos importantes? Chris: Hoje, temos mais de 1.000 empresas usando nosso produto de benchmark e mais de 100 clientes pagantes utilizando nossos serviços de estratégia e implementação. Crescemos mais de 8x ano a ano em 2024 com uma equipe enxuta de 16 pessoas. Florian: Impressionante. E como vocês pensam sobre a cultura da empresa, especialmente em um ambiente de crescimento tão rápido? Chris: Temos sido muito intencionais sobre manter a equipe pequena e focada. Acreditamos que uma equipe menor e altamente qualificada é mais eficiente e ágil. Isso nos permite evitar burocracia e tomar decisões rapidamente. Também incentivamos uma cultura de colaboração e propriedade, onde cada membro da equipe é incentivado a assumir responsabilidade e contribuir ativamente. Florian: Muito interessante, Chris. E quais são os maiores desafios que vocês enfrentaram até agora? Chris: Um dos maiores desafios tem sido vender para compradores avessos ao risco, como o RH. É difícil convencê-los a adotar uma nova abordagem sem muita confiança. Investimos muito em construir nossa marca e estabelecer confiança com nossos clientes. Outro desafio é educar o mercado sobre o valor que oferecemos. Muitas vezes, os clientes não percebem que têm um problema até que seja tarde demais. Por isso, começamos com contratos menores e expandimos conforme ganhamos a confiança do cliente. Florian: E quais são os planos futuros para a Comp? Chris: Temos ambições globais. O problema que resolvemos é universal, e acreditamos que podemos levar nossa abordagem para outros mercados. Estamos apenas começando, mas estamos animados com o potencial de crescimento e impacto que podemos ter. Florian: Muito obrigado, Chris, por compartilhar sua história e insights. Foi uma conversa incrível, e estamos ansiosos para ver o que o futuro reserva para a Comp. Chris: Obrigado, Florian, e a toda a equipe da Canary pelo apoio. Estamos apenas começando, e há muito mais por vir. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Inteligência para a sua vida
#1256: NINGUÉM VAI PARA O INFERNO PORQUE PECOU, MAS...

Inteligência para a sua vida

Play Episode Listen Later Dec 2, 2024 12:33


Ninguém vai para o inferno porque pecou, mas porque não se arrependeu dos seus pecados. Deus não condena ninguém, é o próprio ser humano que, por meio de suas decisões, condena a si. Pense por um momento: você gostaria de ter alguém por perto que fizesse questão de te desagradar? Provavelmente, não. No entanto, é exatamente isso que muitos esperam de Deus — que Ele tolere tudo, mesmo sem haver um desejo genuíno de agradá-Lo.

Estadão Notícias
Pacote de corte de gastos sai ‘provavelmente realmente' esta semana

Estadão Notícias

Play Episode Listen Later Nov 26, 2024 36:55


No “Estadão Analisa” desta terça-feira, 26, Carlos Andreazza comenta sobre o corte de gastos que deve ser anunciado esta semana. Pressionado a materializar o pacote de austeridade que prometeu, ministro Haddad reagiu na semana passada divulgando a lista com beneficiários de incentivos fiscais no país. Leia: https://www.estadao.com.br/politica/carlos-andreazza/haddad-nao-entrega-corte-de-gastos-e-tenta-mudar-a-pauta-instrumentalizando-medida-virtuosa/  O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a reunião desta segunda-feira, 25, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi “definitiva” e que o governo deve apresentar ainda nesta semana o pacote de corte de gastos. O detalhamento das propostas será feito após a apresentação das medidas para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e para o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). “Fechamos o entendimento dentro do governo, o presidente já decidiu as últimas pendências”, afirmou. “Está tudo redigido já, a Casa Civil, para mandar com certeza essa semana. Agora, o dia, a hora, vai depender mais do Congresso do que de nós”, afirmou. Leia: https://www.estadao.com.br/economia/haddad-pacote-gastos-reuniao-definitiva-lula-supersalarios/ Apresentado pelo colunista Carlos Andreazza, programa diário no canal do Estadão no YouTube trará uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário, deixando de lado o que é espuma, para se aprofundar no que é relevante. Assine por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao conteúdo do Estadão. Acesse: https://bit.ly/oferta-estadao O 'Estadão Analisa' é transmitido ao vivo de segunda a sexta-feira, às 7h, no Youtube e redes sociais do Estadão. E depois, fica disponível no Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google podcasts, ou no agregador de podcasts de sua preferência. Apresentação: Carlos AndreazzaEdição/Pós-produção: Jefferson PerlebergCoordenação: Gabriel Pinheiro e Everton OliveiraSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Podcast Plenae
Marcela Barci em "Maternidade atípica"

Podcast Plenae

Play Episode Listen Later Nov 3, 2024 15:52


Há como parar uma mãe? Provavelmente não, muito menos a Marcela Bacci, mãe de três meninas, sendo duas crianças autistas. E nessa maternidade atípica, ela aprendeu tanto que decidiu dividir tanto conhecimento adquirido e as lições pelo caminho com todos nós, representando o pilar Propósito. Aperte o play e inspire-se!

Do Zero ao Topo
CRAS Brasil: o gosto amargo de uma demissão deu origem a um negócio de sabor

Do Zero ao Topo

Play Episode Listen Later Aug 16, 2024 50:06


O episódio #198 do #DoZeroaoTopo​ conta a história da CRAS Brasil. “Senti o gosto amargo da demissão, mas foi isso o que me impulsionou a montar o meu próprio negócio”. Provavelmente muitos empreendedores vão se identificar com a declaração de Rodrigo Chitarelli, fundador da empresa, cujo principal negócio é o processamento e a exportação de óleo de amendoim. A vida ganhou outro sabor para o fluminense de Petrópolis quando fundou o próprio negócio em 2011. A exportadora faturou R$ 474 milhões no ano passado e caminha para fechar 2024 com receita de mais de meio bilhão.