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Conversas intensas com quem pensa os grandes temas da Ciência, Sociedade, Economia, Política, Filosofia e muito mais. José Maria Pimentel - curioso por natureza e economista por formação - recebe para uma discussão descomprometida especialistas e pensadores de várias áreas. No 45 Graus não há temas…

José Maria Pimentel


    • Nov 24, 2021 LATEST EPISODE
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    #111 (pt 2) Alexandre Homem Cristo - O estado da educação em Portugal: os progressos e o que falta fazer

    Play Episode Listen Later Nov 24, 2021 54:52

    O convidado é uma presença regular no debate sobre políticas públicas de educação. Nos últimos anos, tem-se destacado como colunista no jornal Observador, onde publica regularmente ensaios sobre estes temas que se destacam pelo grau de profundidade da análise. Tem, além disso, várias publicações nesta área. Actualmente, é presidente da QIPP, uma organização sem fins lucrativos ligada às políticas públicas, e anteriormente, foi conselheiro do Conselho Nacional de Educação e desempenhou funções de assessor parlamentar no âmbito da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Nesta segunda parte da conversa, começámos por falar sobre as desvantagens de centrar o debate público nesta área nos rankings PISA. Falámos também de algumas insuficiências do nosso sistema de ensino, que estes rankings nem sempre mostram, tais como a falta de confiança de muitas famílias no ensino público, espelhada na enorme prevalência de recurso a explicações e no peso que tem o ensino privado (pago) em Portugal. Isso levou-nos a discutir algumas reformas que se poderia fazer nesta área, seja para aumentar a equidade do ensino, seja para elevar a sua qualidade, como, por exemplo aumentando a autonomia das escolas.  Como disse no episódio anterior, acho que a educação devia ser a nossa maior prioridade enquanto país. Por isso, se tiverem alguma sugestão de convidado/a, é muito bem vinda. Seja alguém com uma perspectiva sobre políticas públicas da do Alexandre seja um/a professor/a que tenha uma visão interessante sobre o ensino em sala de aula propriamente dito, com um olhar no futuro. _______________ Índice da conversa: (1:20) O outro lado: a desvantagem do peso que damos aos rankings PISA. | As reprovações funcionam? (4:59) Portugal é dos países da OCDE onde o “elevador social” funciona pior | As explicações e o ‘sistema educativo sombra' | A falta de confiança das famílias no ensino público espelhada também na maior % de alunos a pagar por ensino privado. Escolas com contrato de associação (17:03) O efeito da pandemia na educação. | Estudos feitos no EUA. | Estudos feitos na Holanda. (26:08) Reformas para aumentar a equidade: alargar a escolha das famílias dentro da rede pública como possível via para combater a desigualdade. (33:28) Reformas para aumentar a qualidade: dar autonomia das escolas para contratar professores e gerir avaliação e carreiras | Dificuldade em atrair alunos para a profissão  (44:47) E se as autarquias pudessem oferecer salários mais altos para atrair professores? | O papel dos sindicatos  (47:31) Documentário recomendado: Waiting for Superman | A dificuldade em Portugal de lidar com a incerteza. _______________ Obrigado aos mecenas do podcast: Julie Piccini, Ana Raquel Guimarães Miguel van Uden, José LuÍs Malaquias, João Ribeiro, Francisco Hermenegildo, Nuno e Ana, Nuno Costa, Galaró family, Salvador Cunha, JoÃo Baltazar, Miguel Marques, Corto Lemos, Carlos Martins, Tiago Leite Luis, Maria Pimentel, Rui Amorim, RB, Pedro Frois Costa, Gabriel Sousa, Mário Lourenço, Arune Bhuralal, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Filipe Bento Caires, Luí­s Costa, Manuel Martins, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, João Nelas, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, João Saro, Tomás Costa Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues _______________ Esta conversa foi editada por: Hugo Oliveira _______________ Bio: Alexandre Homem Cristo é presidente da QIPP, entidade parceira da Lexplore para Portugal, sendo o coordenador do projecto “Lexplore +Leitura”. É mestrado em Política Comparada pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Geriu projectos internacionais financiados pela Comissão Europeia, nomeadamente em Experimentação de Políticas Públicas na área da Educação, em parceria com vários ministérios da Educação de países-membros da UE. Foi conselheiro do Conselho Nacional de Educação e desempenhou funções de assessor parlamentar no âmbito da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. Tem várias publicações na área das políticas públicas de educação, entre as quais o estudo “Escolas para o Século XXI” (FFMS, 2013) e capítulos temáticos em obras colectivas – como “Ética Aplicada: Educação” (Edições 70, 2018) e “Lei de Bases do Sistema Educativo. Balanço e Prospetiva, Vol. 2” (CNE, 2017). Colunista do Observador, publica regularmente ensaios de análise a políticas públicas de educação. Integra o Conselho Consultivo da SEDES.

    #111 Alexandre Homem Cristo (pt1/2) - O estado da educação em Portugal: os progressos e o que falta fazer

    Play Episode Listen Later Nov 17, 2021 55:30

    O convidado é uma presença regular no debate sobre políticas públicas de educação. Nos últimos anos, tem-se destacado como colunista no jornal Observador, onde publica regularmente ensaios sobre estes temas que se destacam pelo grau de profundidade da análise. Tem, além disso, várias publicações nesta área. Actualmente, é presidente da QIPP, uma organização sem fins lucrativos ligada às políticas públicas, e anteriormente, foi conselheiro do Conselho Nacional de Educação e desempenhou funções de assessor parlamentar no âmbito da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A educação é, talvez, o melhor candidato que temos à prioridade número um de políticas públicas de qualquer país desenvolvido. O nível de educação da população tem uma correlação positiva com quase tudo aquilo em que pensamos quando pensamos num país desenvolvido: crescimento económico, igualdade de oportunidades, uma sociedade civil pujante e até a qualidade da saúde mental da população. No caso de Portugal, é comum ouvirmos muitas críticas ao sistema de ensino. Mas a verdade é que nas duas últimas décadas operou-se em Portugal uma espécie de revolução silenciosa no ensino. Se olharmos para os dados, nomeadamente os rankings PISA da OCDE (que é o indicador mais fiável para comparações internacionais), o retrato que emerge é de um país que é, nas palavras do director da OCDE para a educação, a “maior história de sucesso da Europa”, com uma progressão notável desde a viragem do século.  Estes progressos são um bom exemplo de como políticas públicas relativamente estáveis entre governos de cor diferente são essenciais para o desenvolvimento do país. Aliás, o lado político e institucional dessa proeza é um assunto que, provavelmente, valeria um episódio do podcast dedicado (ao estilo do que gravei com o João Goulão sobre a política das drogas).  Apesar desta evolução, continua, no entanto, a haver lacunas importantes no sistema de ensino português. Desde logo, continuamos a ter um nível elevado de reprovações e de alunos que deixam a escola antes do tempo. Por outro lado, estas melhorias na educação das novas gerações não tiveram equivalente na escolarização das pessoas mais velhas. Aqui, o legado anterior continua a pesar e em Portugal a percentagem de adultos sem ensino secundário é ainda quase metade da população, mais do dobro da média europeia. Para além disso, há aspectos estruturais do próprio sistema que continuam a restringir a qualidade do ensino em Portugal. Por exemplo, a capacidade das escolas em melhorar a sua oferta e adaptá-la às necessidades locais continua constrangida por um baixo grau de autonomia comparativamente com outros países, nomeadamente na contratação e avaliação de professores. Da mesma forma, os professores são hoje uma população envelhecida (menos de 1% tem menos de 30 anos), com reduzido prestígio social, baixo nível de autonomia e poucos incentivos ao desempenho, um estado de coisas que dificilmente nos pode deixar de preocupar ao olhar para o futuro. Esta conversa será dividida em dois episódios diferentes (o próximo sai para a semana). _______________ Índice da conversa: (3:54) PT, “a maior história de sucesso europeia nos rankings PISA” | As três fases de políticas públicas de ensino em PT. | TIMSS  (11:24) A importância do ensino pré-escolar (3-5 anos) (15:43) O mito de que o ensino perdeu qualidade nas últimas décadas (18:40) A dificuldade de fazer reformas na Educação: demoram tempo a ter efeitos  (23:13) A nova fase de políticas públicas de educação: lidar com a diversidade de necessidades e dar autonomia às escolas. | Suécia. Ascensão e queda de uma reforma educativa (30:34) Que competências devemos ensinar aos alunos para o Mundo do futuro? (45:34) O problema da falta de dados para avaliar políticas. | Exemplo da pandemia (48:35) Como são feitos os rankings PISA? | A evolução de Portugal _______________ Obrigado aos mecenas do podcast: Julie Piccini, Ana Raquel Guimarães Miguel van Uden, José LuÍs Malaquias, João Ribeiro, Francisco Hermenegildo, Nuno e Ana, Nuno Costa, Galaró family, Salvador Cunha, JoÃo Baltazar, Miguel Marques, Corto Lemos, Carlos Martins, Tiago Leite Luis, Maria Pimentel, Rui Amorim, RB, Pedro Frois Costa, Gabriel Sousa, Mário Lourenço, Arune Bhuralal, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Filipe Bento Caires, Luí­s Costa, Manuel Martins, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, João Nelas, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, João Saro, Tomás Costa Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues _______________ Esta conversa foi editada por: Hugo Oliveira _______________ Bio: Alexandre Homem Cristo é presidente da QIPP, entidade parceira da Lexplore para Portugal, sendo o coordenador do projecto “Lexplore +Leitura”. É mestrado em Política Comparada pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Geriu projectos internacionais financiados pela Comissão Europeia, nomeadamente em Experimentação de Políticas Públicas na área da Educação, em parceria com vários ministérios da Educação de países-membros da UE. Foi conselheiro do Conselho Nacional de Educação e desempenhou funções de assessor parlamentar no âmbito da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. Tem várias publicações na área das políticas públicas de educação, entre as quais o estudo “Escolas para o Século XXI” (FFMS, 2013) e capítulos temáticos em obras colectivas – como “Ética Aplicada: Educação” (Edições 70, 2018) e “Lei de Bases do Sistema Educativo. Balanço e Prospetiva, Vol. 2” (CNE, 2017). Colunista do Observador, publica regularmente ensaios de análise a políticas públicas de educação. Integra o Conselho Consultivo da SEDES. 

    #110 João Goulão - Como a estratégia portuguesa contra a droga se tornou uma referência mundial

    Play Episode Listen Later Nov 3, 2021 71:32


    O convidado é médico, é actualmente Diretor-Geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e é considerado o principal arquitecto e da “estratégia portuguesa contra a droga”. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Há poucos assuntos em que Portugal seja uma referência a nível mundial. E provavelmente não há nenhum em que o sejamos de forma tão notória e transversal como no caso da estratégia de luta contra a droga que Portugal implementou a partir de 2000/2001, quando o país enfrentava um enorme problema, visível no índice de infecções por HIV mais alto da UE. Esta abordagem, que ficou conhecida como a “estratégia portuguesa contra a droga” foi, à época, muito arrojada, com medidas como a descriminalização das drogas -- na altura sem paralelo em nenhum outro país do mundo. Os resultados foram, no entanto, manifestos, o que leva a que seja hoje frequentemente citada nos media internacionais e a que sirva de referência aos mais variados países que se deparam com problemas idênticos.  O convidado deste episódio, João Goulão, é considerado o principal arquitecto e implementador dessa nova abordagem. Depois de ter integrado a comissão que definiu a estratégia, o convidado presidiu ao principal órgão responsável pela gestão da política contra as drogas, o Instituto da Droga e da Toxicodependência. Actualmente, é o director-geral do sucessor desse organismo, o SICAD - Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências. A medida mais radical da estratégia portuguesa contra a droga foi a descriminalização das drogas. Mas a estratégia foi muito mais ampla do que isso, e são talvez ainda mais as outras medidas que explicam o seu sucesso. Com esta estratégia, houve, sobretudo, uma mudança radical na atitude em relação ao problema da droga, que passou a ser visto menos como um problema moral e um crime, e mais como essencialmente um problema de saúde pública. Assim, foram lançadas uma série de medidas com a finalidade de trazer os consumidores de drogas para dentro do sistema de saúde, minimizar a transmissão da SIDA, e disponibilizar substâncias substitutas para quem não conseguia largar o vício. Esta estratégia provocou uma diminuição visível em vários indicadores, sobretudo no número de mortes associado às drogas e no número de infecções por HIV. A prazo, levou também a uma diminuição no próprio consumo de drogas, sobretudo de heroína. Quando decidi convidar João Goulão para o 45 Graus, fi-lo, desde logo, porque o tema da droga e da saúde pública é, em si mesmo, interessante. Mas a minha principal motivação foi perceber melhor como foi possível conseguir apoio político para uma estratégia tão arrojada, e logo num tema tão sensível -- e que lições podemos tirar daí para tomar melhores políticas noutras áreas.  O episódio começa, como não poderia deixar de ser, com um pouco de História, para perceber o que fez com que Portugal chegasse ao final dos anos 1990 com um problema de drogas tão grave. Isso levou-nos à estratégia adoptada e às razões do seu sucesso. Mais à frente, falámos também de alguns dos desafios da política de drogas actual. Primeiro, apesar do sucesso, o problema nunca está resolvido, e há medidas, como as eternas salas de chuto, que podem ser tomadas. Depois há a questão da legalização da cannabis, que está agora em discussão. Depois há a questão do álcool, que, por razões culturais, vemos de forma benigna mas tem na verdade vários paralelos com as drogas. Perguntei também ao convidado o que acha sobre os psicadélicos. Episódio com Pedro Teixeira. _______________ Índice da conversa: (3:30) “A estratégia portuguesa para a droga”. Causas (da guerra colonial à SIDA) e medidas. (23:56) Resultados da política. Impacto nos consumos. Quando o nosso instinto moral nos trai. (28:26) Como foi possível ter apoio político transversal para uma política tão radical? (31:08) Reação da ONU. World Drug Report (32:31) A importância de ser um problema transversal à sociedade (incluindo a própria classe política) e o contraste com o que se passa com a Educação  (34:48) Que lições se podem tirar para conseguir levar por diante boas políticas públicas noutras áreas? (40:22) O que falta ainda fazer? Salas de chuto (a primeira inaugurada em 2019 Lisboa). Drug checking. (44:55) Legalização da cannabis para fins recreativos? Posição do SICAD. Potencial terapêutico vs riscos (e.g. psicose). Aumento da potência da cannabis nas últimas décadas. (51:43) Álcool  (54:08) Tabaco (55:54) O potencial dos psicadélicos. Episódio com Pedro Teixeira. (57:29) O que mudou nos consumos nos últimos 20 anos? Menos heroína mas aumento da complexidade. Pós-Crise da dívida soberana. Consumo de álcool nos jovens (1:07:02) Livro recomendado: Chasing the Scream: The First and Last Days of the War on Drugs, de Johann Hari. _______________ Obrigado aos mecenas do podcast: Julie Piccini, Ana Raquel Guimarães Miguel van Uden, José LuÍs Malaquias, João Ribeiro, Francisco Hermenegildo, Nuno e Ana, Nuno Costa, Galaró family, Salvador Cunha, JoÃo Baltazar, Miguel Marques, Corto Lemos, Carlos Martins, Tiago Leite Luis, Maria Pimentel, Rui Amorim, RB, Pedro Frois Costa, Gabriel Sousa, Mário Lourenço, Arune Bhuralal, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Filipe Bento Caires, Luí­s Costa, Manuel Martins, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, João Nelas, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, João Saro, Tomás Costa Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues _______________ Esta conversa foi editada por: Hugo Oliveira _______________ Bio: Médico da Carreira de Medicina Geral e Familiar, colocado no Centro de Saúde de Faro na sequência do Serviço Médico à Periferia cumprido naquele Concelho no início dos anos 80, desde cedo a sua carreira se orientou para a área das Toxicodependências, quando os serviços de Saúde se viam confrontados com os problemas por elas causados e que assumiam particular relevância na região do Algarve. Foi Presidente do SPTT (Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência) de 1997 a 2002 e Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência de 2005 até à sua extinção. Atualmente é o Diretor-Geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), e Coordenador Nacional para os Problemas das Drogas, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool. Foi membro da comissão que propôs a primeira estratégia nacional de luta contra a droga, aprovada em 1999, e que preconizava a descriminalização do consumo das drogas. Membro do Comité Científico do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência entre 1997 e 2002; representante de Portugal no Conselho de Administração daquela agência europeia desde 2005, foi eleito seu Presidente em 2009, tendo cumprido dois mandatos que terminaram no final de 2015. No primeiro semestre de 2021 presidiu o Grupo Horizontal Drogas, no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, e desde 2019  preside o Grupo Pompidou do Conselho da Europa.


    #109 Octávio Mateus - Dinossauros, evolução, História da vida na Terra & mais

    Play Episode Listen Later Oct 20, 2021 110:50

    O convidado é paleontólogo, professor na Universidade Nova de Lisboa, onde ensina, entre outras, evolução, paleontologia de vertebrados e répteis e -- a sua principal área de investigação -- dinossauros, sobretudo do Jurássico de Portugal. É autor ou co-autor de mais 200 publicações nesta área e já há três décadas que  participa e organiza escavações de dinossauros em Portugal, sobretudo em colaboração com o Museu da Lourinhã, conhecido por sua importante colecção de dinossauros.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Octávio Mateus é conhecido do grande público sobretudo enquanto especialista em dinossauros. Porque essa é, de facto, a sua principal área de investigação, mas também porque o imaginário destes répteis que dominaram a Terra até há 66 milhões de anos é, por motivos vários, o que mais atrai a atenção das pessoas. Mas a área do convidado, a Paleontologia, é muito mais do que simplesmente dinossauros. É uma área da ciência que vai beber simultaneamente à Biologia e à Geologia para tentar explicar a História da vida na Terra nos últimos (pelo menos) 3.5 mil milhões de anos, e nas suas mais variadas formas. Esta foi, como vão perceber, uma conversa cheia (o Octávio é um excelente conversador), na qual abordámos imensos temas. Falámos sobre a História da vida na Terra, desde os primeiros organismos unicelulares até aos dinossauros, aos mamíferos e ao homo sapiens. Falámos do processo da evolução por selecção natural, e do modo como ele é muitas vezes contra-intuitivo (um tema que já tinha abordado nos dois episódios que gravei com o PGM). Falámos também de fósseis, que são a matéria-prima principal de um paleontólogo.  E, claro, falámos (muito) sobre dinossauros: quantos eram, o que sabemos sobre eles, o que não sabemos, e ainda...o que é que os pássaros nos podem dizer sobre eles. Porque a verdade é que os pássaros descendem directamente dos dinossauros. Aliás, formalmente, os pássaros são um tipo de dinossauro, pois descendem (são, aliás, os únicos descendentes) do grupo ao qual pertencia nada mais nada menos do que o famoso tiranossauro rex. _______________ Índice da conversa: (02:57) O que é a Paleontologia? (05:46) É possível ressuscitar espécies extintas? | Lobo-da-tasmânia (08:49) O que é um fóssil? | Fósseis de tecidos moles. | Quais as condições ideiais para a fossilização? | Como se faz a datação de um fóssil? | Qual é o fóssil mais antigo? (25:51) Macro-história da evolução da vida na Terra | 890-million-year-old sponge fossil may be the earliest animal yet found | Explosão do Câmbrico. | Corrida ao armamento evolutiva (49:19) Quando surgiram os dinossauros? | Conseguimos saber quantas espécies havia? | Os mamíferos | Evolução da biodiversidade na Terra ao longo do tempo. | Os vários eventos de extinção. | paleontologia.pt (55:02) As três grandes famílias de dinossauros. | Debate em torno de paper recente saído na Nature (57:43) Porque é que os dinossauros (e os pássaros) desenvolveram sacos de ar no interior do organismo? (1:01:57) O modo como o passado evolutivo de uma espécie restringe as adaptações que pode desenvolver. | O exemplo do nervo vago | O exemplo das hemorroidas.  (1:06:49) Como era possível os saurópodes serem tão grandes? Comparação com os cavalos. “Corrida ao armamento evolutiva” | Lei de Cope | Porque foram os maiores dinossauros aqueles que se extinguiram?  (1:14:55) As peculiaridades das espécies nas ilhas. Elefantes anões (extintos) (1:17:03) Aves vs (outros) dinossauros: os dinossauros tinham penas | Exaptações | Escamas.   (1:20:36) Porque é que a taxonomia de Lineu deixa de fazer sentido numa visão global da história da evolutiva da Terra (1:23:34) O que nos dizem as aves (e os répteis) sobre como eram os dinossauros? | Phylogenetic bracketing | Como no filme Jurassic Park foi feito o rugido do T-rex  (1:26:19) O que sabemos sobre como eram os dinossauros (fisionomia, comportamento, etc)? | Os dinossauros eram de sangue quente ou frio? Qual é a vantagem do sangue quente? Porque evoluiu? (1:32:24) A principal interrogação do convidado sobre os dinossauros. | Quanto tempo dura cada espécie? | Known unknowns vs unknown unknowns  (1:37:15) O que causou a extinção dos dinossauros (Cretaceous–Paleogene extinction event) |  (1:43:30) Há esperança de encontrar DNA de dinossauros? | Possível descoberta de DNA de t-rex | Record de DNA (completo) mais antigo (mamute) (1:46:24) Livro recomendado: A Ascensão e Queda dos Dinossauros, de Steve Brusatte _______________ Obrigado aos mecenas do podcast: Julie Piccini, Ana Raquel Guimarães Miguel van Uden, José LuÍs Malaquias, João Ribeiro, Francisco Hermenegildo, Nuno e Ana, Nuno Costa, Galaró family, Salvador Cunha, João Baltazar, Miguel Marques, Corto Lemos, Carlos Martins, Tiago Leite Luis, Maria Pimentel, Rui Amorim, RB, Pedro Frois Costa, Gabriel Sousa, Mário Lourenço, Arune Bhuralal, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Filipe Bento Caires, Luí­s Costa, Manuel Martins, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, João Nelas, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, João Saro, Tomás Costa Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues _______________ Esta conversa foi editada por: Hugo Oliveira _______________ Bio: Nascido em 1975, é Professor Associado de Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa (FCT). É licenciado em Biologia (Univ. de Évora) e Doutorado em Paleontologia pela Universidade Nova de Lisboa. O seu principal tema de interesse é a paleontologia de dinossauros (ossos, ovos e pegadas), sobretudo do Jurássico de Portugal, mas também aborda outros répteis (mosassauros, plesiossauros, crocodilos, tartarugas, etc.). É autor ou co-autor de mais 200 publicações (capítulos de livros, artigos científios e resumos de conferências). Desde 1991 que participa e organiza em escavações de dinossauros em Portugal, sobretudo em colaboração com o Museu da Lourinhã, conhecido por sua importante colecção de dinossauros. Em Angola descobriu o primeiro dinossauro desse país no âmbito do Projecto PaleoAngola. O seu interesse por dinossauros já o levou a realizar escavações a Estados Unidos, Brasil, Gronelândia, Laos, Tunísia, Moçambique, Mongólia, Marrocos e Angola. É Investigador Associado do AMNH - Museu Americano de História Natural (New York) e do Museu da Lourinhã.

    #108 Aires Almeida - Para que serve a Arte?

    Play Episode Listen Later Oct 6, 2021 108:09


    O convidado é licenciado e mestre em Filosofia pela Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado sobretudo à filosofia da arte. Dirige a coleção Filosofia Aberta, da Gradiva e é autor de vários livros, entre os quais O Valor Cognitivo da Arte (2010) e A Definição de Arte: O Essencial (2019). -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Foi sobretudo este último -- sobre o que é, afinal, a arte -- o mote para a nossa conversa.  Já há muito tempo que queria falar sobre arte no 45 Graus. É um tema obviamente com muito pano para mangas; afinal, não há ninguém que não aprecie alguma forma de arte, seja ela a pintura, a música ou o cinema.  No entanto, faltava-me encontrar um convidado que tivesse a abordagem certa. Porque a verdade é que a arte, como depende muito da nossa sensibilidade individual, é um tema que se presta muito a análises, digamos, pouco… objectivas.  Ou é discutido numa lógica puramente subjectiva, do tipo: “adooooro o Tarantino” -- ou a Paula Rego (ou, pelo contrário eles “não me dizem nada”). Ou é discutido de uma forma quase religiosa, com uma admiração cega por tudo o que é de determinado artista, seja ele o David Bowie ou Picasso. (A nossa conversa começa precisamente por este ponto). Ou então, mesmo quando encontramos uma discussão acesa sobre arte, como é comum por exemplo na crítica de cinema, o que vemos, na verdade, muitas vezes, é uma discussão com superlativos a mais e objectividade a menos. De certa forma, pode dizer-se que estive este tempo todo à espera de um convidado como o Aires Almeida, que consegue falar sobre arte de forma cativante mas sem peneiras nem poses. O nome dele foi-me sugerido pelo Desidério Murcho, outro grande convidado do 45G, a quem agradeço. O ponto de partida para a nossa conversa foi o mais elementar de todos: o que é a arte? Que aspectos são comuns a formas tão diferentes de arte como a pintura, a música ou a literatura e que, no entanto, as distinguem de outras actividades humanas? E porque é que a arte é algo que consideramos valioso -- o que é que a arte nos dá? Dá-nos prazer, claramente, mas pode também ser uma fonte de conhecimento? Ou é simplesmente um tipo de experiência diferente dos outros todos? Foi uma longa conversa, na qual percorremos uma série destes aspectos da natureza da arte. _______________ Índice da conversa: (03:04) não devemos tratar a arte como algo sagrado, não tem valor intrínseco. (Noël Carroll, filósofo)  (12:34) Os vários problemas filosóficos em torno da arte | O que é arte? Diferentes tipos de definições. | Casos-fronteira. Gato Fedorento - Lusco Fusco | Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (25:09) Porque é que, enquanto sociedade, valorizamos tanto a arte e os artistas? | O que é a Arte?, de Lev Tolstói (29:19) Há muita arte má. A falácia da divisão. | Gerhard Richter | Muita arte poderia ser destruída.  (35:55) A arte enquanto fonte de prazer. Robert Nozick e a “máquina das experiências” | O entretenimento é inimigo da arte? (41:27) A arte enquanto fonte de conhecimento? Jerome Stolnitz on the cognitive triviality of art | A arte enquanto estímulo dos sentidos. | A arte enquanto fonte de uma ‘experiência estética' que é única. | A música é universal?  (54:30) A arte enquanto meio para experienciar emoções que de outra forma não teríamos (ou sem ter o custo associado). (Porque é que as pessoas ouvem música triste e vêem filmes de terror?) (01:01:01) O papel no valor que a Humanidade da arte da admiração pelo/a génio do artista. (01:06:17) Por que admiramos mais o talento do que o esforço? | A ‘regra' das 10,000 horas de treino | Livro “Guitar Zero”, de Gary Marcus | Livro “The Sense of Style”, de Steven Pinker  (01:14:04) A intenção do artista importa para o valor da obra? | Ensaio “A morte do autor”, de Roland Barthes |  (01:20:43) Quando a arte se torna um mero adereço social (a “pose” dos artistas e dos críticos de arte). | Música atonal. | Os Abba (01:23:43) Quando a mesma música ou o mesmo filme nos despertam reacções diferentes em momentos diferentes da vida. | “Voando sobre um ninho de cucos” | A dificuldade em apreciar devidamente obras marcantes antigas que foram revolucionárias na altura. | Pulp Fiction. | Filmes de Manoel de Oliveira. | Ulysses, de James Joyce (01:33:07) Obras falsas podem ser consideradas arte? Documentário Netflix “Made You Look”. | Han van Meegeren. O falsificador que engazopava nazis. | Nelson Goodman (filósofo) | O urinol de Marcel Duchamp  (1:39:19) ...de volta ao problema da Definição da Arte: como classificar a arte de vanguarda? | Anti-humor | Nick Zangwill (filósofo) (1:45:54) Livro recomendado: “Investigações Estéticas - Ensaios de filosofia da arte”, de Jerrold Levinson  _______________ Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues _______________ Esta conversa foi editada por: Hugo Oliveira _______________ Bio: Licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa, onde também obteve o grau de Mestre em Filosofia da Linguagem e da Consciência (2005), com uma tese sobre filosofia da arte. É professor de Filosofia do ensino secundário, colaborador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (Grupo LangCog) e, desde 2017, é membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Filosofia. É autor dos livros O Valor Cognitivo da Arte (2010) e A Definição de Arte: O Essencial (2019), coautor, com Desidério Murcho, de Janelas Para a Filosofia (2014, entretanto esgotado) e de vários outros livros didácticos de filosofia. Desde 2006 dirige a coleção Filosofia Aberta, da Gradiva Publicações. Vive em Portimão, mas é natural de Vila Nova de Foz Côa.


    #107 Filipe Teles - O imperativo da descentralização e as peculiaridades do poder local em Portugal

    Play Episode Listen Later Sep 22, 2021 79:45

    O convidado é doutorado em ciência política e professor na Universidade de Aveiro, onde também faz parte da equipa reitoral, enquanto pro-reitor. Filipe Teles é um investigador consagrado em temas relacionados com a governação local, com publicações em várias revistas académicas de referência, sendo actualmente presidente da European Urban Research Association.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O tema da nossa conversa foi descentralização e poder local em Portugal e o mote foi o ensaio com o mesmo nome que o convidado lançou este ano, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Para além disso, já tinha participado em 2018 na equipa responsável pelo estudo sobre a Qualidade da Governação Local em Portugal, publicado pela mesma fundação, e que também discutimos no episódio.  E porquê discutir o tema da descentralização política, ou seja a transferência de poderes do Estado central para as autarquias? Por vários motivos. Por um lado, porque, como iremos ver, Portugal é um país onde o poder está ainda muito concentrado no Estado central. Isto tem uma série de efeitos negativos, seja sobre a equidade da representação política seja sobre o próprio desenvolvimento do país, e é um modelo que faz pouco sentido no século XXI.  Por outro lado, porque apesar de nas últimas décadas já se terem tomado algumas medidas de descentralização, este continua a ser um tema pouco querido quer pela imprensa quer pelos políticos. Ainda no início deste mês, soube-se que o governo não tinha levado por diante a nova fase da descentralização que tinha originalmente planeado para o início do verão passado. E finalmente, claro, é uma boa altura para discutir este tema porque estamos a dias das eleições autárquicas, nas quais serão escolhidos os representantes dos cidadãos nos órgãos políticos teoricamente mais próximos da população. São, recorde-se, um total de 308 municípios e 3092 freguesias.  Começámos a nossa conversa pelo ponto de partida óbvio: saber como compara Portugal com outros países em termos de centralização do poder político. E, como veremos, compara mal. Mas o nosso centralismo, como também discutimos, não é só um problema de instituições: é também um problema cultural, com várias manifestações que todos mais ou menos conhecemos. A política nacional domina, de longe, a atenção dos politicos, dos media e da maioria das pessoas que se interessam pelo tema. Por outro lado, porém, também não ajuda a corrigir a este centralismo as insuficiências que a governação local muitas vezes tem. Essas limitações, como vamos ver, estão, em parte, relacionadas com algumas peculiaridades do nosso sistema eleitoral e de governo autárquico, que é complexo, pouco transparente e pouco amigo da participação da população.  Para não nos ficarmos só pelo lado negativo, abordámos também as melhorias que, apesar de tudo, têm sido conseguidas na qualidade do poder local e na promoção da descentralização em Portugal; e falámos das reformas mais relevantes que se podem tomar para continuar esse caminho.  Uma dessas reformas possíveis é, claro, a regionalização. Mas essa é, como refere o convidado, apenas uma forma, de entre várias, de promover uma maior descentralização no país.  _______________ Índice da conversa: (6:46) Quão centralizado é Portugal? (15:40) O problema de termos um modelo de governação local único, que não tem em conta a existência de municípios com dimensões e desafios muito diferentes (18:18) O centralismo de Portugal é também um problema cultural? | Lisboa não é a capital oficial | Livro “Viagens na Minha Terra”, de Almeida Garrett (28:51) As insuficiências do governo e da democracia local em Portugal. | As peculiaridades do nosso sistema de poder autárquico: o excessivo peso do(a) presidente de câmara, a falta de protagonismo das assembleias municipais, a existência de juntas de freguesia. (43:52) Os círculos por distrito no sistema eleitoral das Legislativas e outros problemas mais amplos da arquitectura do sistema político em Portugal.  (49:25) As regiões não podiam reclamar um papel mais activo no espaço público? | O aumento do associativismo municipal nos últimos anos, via comunidades intermunicipais. O papel dos fundos comunitários | O caso caricato de terem sido secretários de Estado (do governo central) a assegurar a coordenação regional do combate à pandemia (57:45) Principais melhorias no passado recente na qualidade do poder local e no aumento da descentralização (1:02:08) Que reformas faltam ainda fazer? A necessidade de aumentar a transparência da governação local (1:06:31) O que dizem os dados sobre as diferenças na qualidade da governação entre municípios? | Estudo sobre a Qualidade da Governação Local em Portugal (FFMS) (1:17:15) Livro recomendado: Uma Teoria da Democracia Complexa, de Daniel Innerarity  _______________ Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues _______________ Esta conversa foi editada por: Hugo Oliveira _______________ Bio: Docente no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território, na Universidade de Aveiro. Desempenha, actualmente, a função de Pró-reitor para o desenvolvimento regional e política de cidades. Doutorado em Ciências Políticas e membro da Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas, onde tem desenvolvido trabalho de investigação em governação e administração local e regional, reformas territoriais, liderança política e inovação. É autor e co-autor de vários artigos em revistas académicas de referência. As publicações mais recentes incluem o livro “Local Governance and Inter-municipalCooperation” (2016: Palgrave, UK) e a co-edição dos volumes “Close Ties in European Local Governance”, “Inter-municipal Cooperation in Europe: Institutions andGovernance” e “Sub-Municipal Governance in Europe: Decentralization Beyond the Municipal Tier”, em 2018, pela mesma editora. Coordena o Programa Integrado de I&D “CeNTER Redes e Comunidades para a Inovação Territorial” (CENTRO 2020) e o Projeto de IC&DT “DECIDE Governação Territorial Descentralizada” (FCT – POCI). Integra, ainda,as equipas de investigação dos projetos “Unalab: UrbanNature Labs” (Horizon 2020), “Ô: circular, integrated andsymbiotic use of water” (H2020), “Qualidade da Governação Local em Portugal” (Fundação Francisco Manuel dos Santos) e “Pegada Ecológica dos Municípios Portugueses”. É membro da Associação Portuguesa de Ciência Política(coordenador da Secção de Governação e Política Local), da Political Studies Association (UK), da AmericanPolitical Science Association, e – actualmente – integra o Steering Committee of the Local Government and Politics Standing Group do EuropeanConsortium for Political Research, e o Board do Research Committee on Comparative Studies on Local Governmentand Politics da International Political ScienceAssociation.

    #106 Catarina Vieira de Castro - Lobos, cães, métodos de treino e experiências com bebés

    Play Episode Listen Later Sep 8, 2021 97:27

    A convidada é bióloga de formação e actualmente investigadora no i3S – Instituto de Inovação e Investigação em Saúde, da Universidade do Porto, dedicando-se ao bem-estar e comportamento canino.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar No seu projecto de pós-doutoramento, que discutimos no episódio, a convidada investigou os efeitos dos vários métodos de treino no bem-estar de cães de companhia e na sua relação com o dono. Esta investigação despertou grande interesse na comunidade científica e teve destaque nos media internacionais. Para além de investigadora, a Catarina é também treinadora de cães, com formação na área. Esta dupla condição de investigadora e treinadora dá-lhe uma perspectiva invulgarmente sólida -- e retira-lhe, se calhar, alguns vieses que cada um dos campos inevitavelmente tem. Começámos a nossa conversa a tentar perceber como aconteceu a domesticação do cão a partir do lobo. É que o cão foi, por larga margem, o primeiro animal a ser domesticado pelos humanos. Não se tem ainda a certeza sobre exatamente quando. A estimativa mais conservadora aponta para 14 mil anos, portanto, antes da invenção da agricultura, depois da qual foram adoptados todos os outros animais que nos são familiares.  Os cães têm, por isso, desde sempre, uma ligação muito próxima aos humanos, e ao longo do tempo, o homem foi selecionando na espécie canina várias características para se adaptarem a nós (embora, como iremos ver, não todas as que os distinguem dos lobos). Falámos também sobre os diferentes métodos de treino, mais baseados em castigo ou em recompensas, e sobre o que a investigação mostra sobre, por um lado, qual dos métodos é mais eficaz e, por outro, quais os efeitos no bem estar dos animais. Isto levou-nos a discutir também a mente dos cães. O facto de serem, como nós, um animal social, e de viverem há milhares de anos numa relação muito próxima com os humanos faz com que tenham muitas parecenças connosco. Mas também têm mais diferenças do que às vezes queremos reconhecer.  E, no entanto, a verdade é que não param de surpreender. Já no final da conversa, falámos ainda de um tipo de treino inovador recente, que tem dado muito que falar, o chamado treino de imitação, em que, aparentemente, é possível ensinar um cão a imitar aquilo que fazemos, mesmo que nunca tenha visto aquele movimento antes. A confirmar-se, este tipo de treino permite não só ensinar muito mais rápido um determinado comportamento, face aos métodos tradicionais, como permite alargar o leque de acções que podemos ensinar aos cães. __________________________ Índice da conversa (carregar no indicador de tempo para saltar para esse mm:ss) (04:10) Como aconteceu a domesticação do cão a partir do lobo. Duas hipóteses concorrentes. | Cães ferais (selvagens) (16:00) Experiências de Dmitry Belyayev com raposas (21:52) O papel do brincar no desenvolvimento cognitivo dos cães (25:22) Métodos de treino de reforço negativo vs reforço positivo (castigo vs recompensa). | Os exageros que se criaram sobre as alcateias (e as matilhas) funcionarem com base numa hierarquia social linear rígida. Cesar Millan. | Método de Pavlov de condicionamento: associação entre estímulos vs método de Skinner: condicionamento operante. Treino de ‘clicker'. | Evolução da filosofia de treino dos cães acompanhou as mudanças na própria educação das crianças. (38:05) A importância da disciplina / autoridade no treino dos cães. | A hierarquia e a dominância entre os cães. Estrutura social das matilhas vs alcateias. (44:40) Por que não serve de nada castigar o cão quando chegamos a casa e ele fez asneira na nossa ausência. Experiência do ‘guilty look' (54:40) O que mostra a investigação da convidada sobre efeito dos métodos de castigo vs de recompensa no bem-estar do animal?. Experiências com copos. (1:06:13) Experiências de vinculação em cães adaptadas da investigação de vinculação em bebés (teste da situação estranha de Ainsworth). Efeito de base-segura.  (1:16:16) Treino de imitação (‘do as I do') | princípio da parsimonia na Ciência (1:28:22) Border collie que decorou 1022 palavras (1:31:35) Livros recomendados: The Domestic Dog: Its Evolution, Behaviour and Interactions with People, de James Serpell | Dog Sense, de John Bradshaw | Culture Clash, de Jean Donaldson __________________________ Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues __________________________   Esta conversa foi editada por: Hugo Oliveira Bio: Catarina Vieira de Castro, bióloga de formação, é atualmente investigadora no i3S – Instituto de Inovação e Investigação em Saúde, Universidade do Porto, Portugal. Desenvolve investigação científica em aprendizagem e comportamento animal desde 2008 e, mais recentemente, direcionou o seu trabalho para a área do bem-estar e comportamento canino. O seu projeto de pós-doutoramento recentemente concluído, onde investigou os efeitos dos métodos de treino no bem-estar de cães de companhia e no seu vínculo com o dono, despertou grande interesse na comunidade científica e também uma cobertura de destaque nos media a nível internacional. Catarina também já desenvolveu trabalhos como treinadora de cães, contando com diversas formações na área, e é uma apaixonada por desportos caninos.

    #105 [EN] Fons Trompenaars - Reconciling cultural differences (between countries and within organisations)

    Play Episode Listen Later Aug 5, 2021 90:13


    (The episode starts after a short introduction in Portuguese) O convidado é autor e consultor na área da gestão das organizações e da comunicação inter-cultural. Conhecido sobretudo pela autoria de um dos modelos de diferenças entre culturas nacionais mais conhecidos, que popularizou no livro "Riding the Waves of Culture", publicado em 1993.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O modelo de Trompenaars é -- juntamente com o modelo de Hofstede que já referi várias vezes no podcast -- uma das referências quando se trata de comparar culturas entre diferentes países. Nenhum dos dois modelos é perfeito -- até porque implicam necessariamente generalizar as culturas de países com milhões de pessoas com crenças e valores muito distintos --, mas a verdade é que há inegavelmente padrões nas culturas nacionais, e ler livros como o de Trompenaars muda a maneira como entendemos as reacções de pessoas de outras culturas. Ao longo da conversa, discutimos algumas das dimensões do modelo do convidado, como as culturas mais e menos emocionais, e mais e menos individualistas. Falámos também sobre como é possível ‘reconciliar' os dilemas que surgem quando diferentes culturas entram em conflito -- por exemplo dentro de empresas multinacionais. O autor tem adaptado este estudo sobretudo em aconselhar empresas que actuam entre vários países sobre como gerir as diferenças de culturas nos vários países em que operam. Como se adivinha, as organizações com maior sucesso são aquelas que mais bem conseguem articular estes desafios.    Índice da conversa: Fons Trompenaars Trompenaars Cultural Dimensions Modelo de Hofstede What is culture Ed (Edgar) Schein Model of Organization Culture Culture shocks Culture as the most persistent difference between countries Why are there different cultures to begin with? Charles Hampden-Turner Neutral vs emotional cultures The Civilizing Process, Norbert Elias Specific vs diffuse cultures On why both ends of a cultural trait have benefits On why compromise is not necessarily the best solution Dilema reconciliation Universalism vs Particularism The dilemma of the car crash  The ascension of China.  Fons's recent book: "Has China Devised a Superior Path to Wealth Creation? The Role of Secular Values" Is individualism good? Relation to inequality Milton Friedman's 1970 New York Times article: “The Social Responsibility Of Business Is to Increase Its Profits” Explaining performance of organisations by their ability to reconcile dilemmas Charles Handy On the problem of jobs which add a lot of value to society but are poorly paid American individualism Examples of dilemma reconciliation Apple,  Formula 1 Myers–Briggs Type Indicator (MBTI) How to assess individual performance in more collectivist cultures? How to avoid free riders without measuring individual performance? Shame-based vs guilt cultures The case of the Portuguese culture Can you change a national culture? The case of Royal Dutch Shell The case of Lee Kuan Yew in Singapore   Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Dr. Fons Trompenaars is recognised around world for his work as consultant, trainer, motivational speaker and author of various books on all subjects of culture and business. He has spent over 30 years helping Fortune 500 leaders manage and solve their business and cultural dilemmas to increase global effectiveness and performance, particularly in the areas of globalisation, mergers and acquisition, HR and leadership development. Listed regularly as one of the world's most influential, living, management thinkers, he has been awarded the International Professional Practice Area Research Award by the American Society for Training and Development. Fons was voted one of the top 20 HR Most Influential International Thinkers 2011 by HR Magazine. He is also ranked in the Thinkers50 2011, 2013 and 2015 as being one of the most influential management thinkers alive. He was inducted in the Thinkers50 Hall of Fame in 2017 which salutes distinguished Management Thinkers and their contributions whose names and legacies are added to the ranks of those who have arrived before them. They are distinguished thinkers who have all made a lasting and vital impact on how organizations are led and managed. They are the giants upon whose shoulders managers and leaders stand. Fons joined Shell in 1981 and moved into the Personnel Division for Shell in Rotterdam. From 1985, he worked in job classification and management development at the Shell Research Laboratories in Amsterdam. In 1989 he founded the Centre for International Business Studies, a consulting and training organization for international management. Since 1998 we operate as Trompenaars Hampden-Turner. Fons Trompenaars has worked as a consultant for Shell, BP, ICI, Philips, Heineken, TRW, Mars, Motorola, General Motors, Nike, Cable and Wireless, CSM and Merrill Lynch. Fons wrote Riding the Waves of Culture, Understanding Cultural Diversity in Business. This book sold over 120,000 copies and was translated into 16 languages amongst them, French, German, Dutch, Korean, Danish, Turkish, Chinese, Hungarian and Portuguese. He is co-author amongst others of Nine Visions of Capitalism: Unlocking the Meanings of Wealth Creation and Rewarding Performance Globally.


    #104 José Homem de Mello - Cães como nós

    Play Episode Listen Later Jul 21, 2021 85:15

    O convidado é juiz de exposições caninas internacionais (acreditado pela Federação Cinológica Internacional) e criador de cães da raça Basset Hound, tendo já criado 15 cães campeões do mundo e vencido o prémio máximo na Exposição Canina Mundial de 1995 (uma das únicas vitórias de um português nesta competição). -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Tirando partido da experiência do convidado enquanto criador e juiz de exposições internacionais, falámos sobretudo dos vários tipos de raças que existem (e são quase 400 no total!): das diferentes funções, da história e do temperamento de cada raça.  Na verdade, embora o ser humano tenha vindo a fazer há milhares de anos uma selecção artificial na espécie canina, selecionando os cães com melhores características para diferentes funções, a verdade é que as raças, tal como as conhecemos hoje, têm uma origem muito mais recente. Foi na Inglaterra do século XIX que surgiram as exposições caninas e, com elas, o movimento que levou à organização e ao apuramento das raças que originou a maioria das raças que conhecemos hoje.  O standard das exposições caninas é hoje definido pela Federação Cinológica Internacional, que divide as raças de cães em dez grupos (e ainda outro composto por raças que ainda não foram aprovadas e catalogadas).  Por isso, começámos o episódio a percorrer essa lista de dez grupos de raças para compreender o que distingue estes tipos de raças -- que vão dos cães pastores, aos de caça, passando pelos cães de companhia e os cães de guarda. Falámos do que distingue os vários tipos de raça em termos de história, função, aspecto, etc. Uma nota: logo no início desta descrição, o José enganou-se e começou pelo grupo 2, o dos cães de guarda, em vez do nº1 (dos cães pastores). Por isso não estranhem -- o convidado depois clarifica. A partir das funções das várias raças, a conversa levou-nos a falar sobre as raças portuguesas (e são várias) e sobre uma série de outros temas. Falámos sobre o exagero que houve no apuramento de algumas raças e que gerou cães com sérios problemas de saúde, como o bulldog (que tem até dificuldade em respirar). ...falámos também do movimento anti-corridas de galgos, das chamadas “raças perigosas”, das vantagens e desvantagens de escolher um cão rafeiro, da nova tendência de cruzar, propositadamente, cães de raças diferentes -- entre muitos outros temas.  Comecei por perguntar ao convidado: “de onde é que vem o cão, enquanto espécie?”   Índice da conversa: Origem do cão a partir do lobo cinzento Raças primitivas Pharaoh Hound Os 11 grupos de raças de cães reconhecidas pela Federação Cinológica Internacional Pastores Guarda Terriers Teckel (salsicha) Cães primitivos e spitz Porque não evoluíram mais os cães primitivos? Cães de caça: hounds de farejo Cães de caça: cães de parar Pointer descende do Perdigueiro Cães de caça: retrievers Labrador Golden vs labrador retriever Cães de companhia Caniche Cães de caça: galgos (hounds de visão; caça em velocidade) Movimento anti-corridas de galgos Valorizar o tipo (aspecto exterior) ou a função? Raças portuguesas em perigo de extinção O movimento de standardização das raças na Inglaterra do século XIX e o início das exposições caninas Estalão (standard) das diferentes raças Exageros no aperfeiçoamento estético das raças Raças mais generalistas vs raças mais especializadas Diferenças comportamentais entre raças Por que Obama escolheu um cão de água português? Uso de cães para novas funções (detecção de droga, doenças, protecção de pessoas doentes, etc) Cross-breeds (cruzamentos de raças) Labradoodle American bully Como escolher uma raça Simulador do American Kennel Club Rafeiros são boa ideia? Basset hound  Caes de raças perigosas Caes de guarda  Podengo português Weimeranan Border collie Inteligência dos cães Melhores Raças portuguesas Podengo Cão de água Perdigueiro Barbado da Terceira Cão do Barrocal Algarvio Cão de Água Português Livros recomendados: Livro de raças portuguesas,  The Kennel Club's Illustrated Breed Standards   Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Editor durante 41 anos, atualmente  reformado. Como seu hobby cria a raça Basset Hound desde 1984 tendo já criado 15 campeões do mundo e obtido inúmeros prémios a nível nacional e internacional, de entre os quais se destaca o melhor exemplar de todas as raças na Exposição Canina Mundial 1995, onde estiveram.

    Regresso & novidades

    Play Episode Listen Later Jul 3, 2021 3:15

    #103 Mafalda Pratas Fernandes - “Porque está hoje tão polarizada a política nos EUA?”

    Play Episode Listen Later Mar 19, 2021 139:39


    A convidada nasceu em Minneapolis, nos EUA, cresceu em Lisboa, e regressou à América em 2012, onde se licenciou em Economia e Ciência Política. Actualmente, está a terminar o doutoramento em Ciência Política na Universidade de Harvard, com uma tese sobre o efeito dos partidos políticos e das instituições no processo de representação, comparando a realidade nos EUA, no Reino Unido e na Europa continental. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Esta foi uma conversa bem longa em que percorremos um leque enorme de aspectos que caracterizam e explicam a política norte-americana. Comecei por perguntar à convidada como foi que chegámos ao nível actual de enorme polarização política. Para compreender devidamente este estado de coisas é preciso recuar aos anos 1960 e à aprovação do Civil Rights Act of 1964, no tempo do presidente Lyndon Johnson, que pôs fim à segregação racial que existia ainda em vários estados (sob aquilo que ficou conhecido como as ‘Leis de Jim Crow’). Para perceber as causas históricas da polarização actual é preciso, no entanto, compreender como funciona o sistema político americano, nomeadamente as instituições e regras que condicionam e influenciam a maneira como a vontade política dos cidadãos é reflectida na política. E foi disso que falámos durante o resto da conversa. A principal característica do sistema político americano é a estrita separação de poderes que a Constituição impõe. Há três poderes: legislativo, executivo e judicial. O legislativo é atribuído ao Congresso (o parlamento), e está também ele dividido entre duas câmaras: a Câmara dos Representantes e o Senado. O poder executivo, por seu lado, está no Presidente e no governo, enquanto o poder judicial está entregue aos tribunais e, em particular, ao Supremo Tribunal, que pode vetar leis aprovadas pelo congresso ou decretos presidenciais. A existência de duas câmaras no congresso é resultado em grande medida de se tratar de um sistema federal, isto é, em que os Estados têm um grau grande de autonomia. A ideia é que a Câmara represente os cidadãos no seu conjunto, uma vez que o número de representantes eleitos por cada estado é proporcional à respectiva população, enquanto o Senado tem uma ligação mais estreita aos Estados enquanto unidade política, uma vez que cada Estado é representado por dois senadores, independentemente da sua população. Há ainda uma série de particularidades do sistema americano de que falámos na conversa, e que influenciam a forma como a política funciona na prática. São exemplos destes o grande poder dos Estados em comparação com outros sistemas federalistas, a regra do ‘Filibuster’ no Senado, as eleições por círculos uninominais e o chamado ‘gerrymandering’, a existência de apenas dois partidos políticos (e com características diferentes dos europeus), a escolha dos candidatos presidenciais através de eleições primárias, o papel Colégio Eleitoral na eleição presidencial ou, ainda, os vários poderes do presidente, para lá daqueles que a Constituição define formalmente. Mais para o final da conversa, falámos ainda de algumas melhorias institucionais que podem a ajudar diminuir este clima de polarização, e melhorar o funcionamento da política, e a convidada partilhou a visão dela sobre o que pode ser o futuro próximo da política americana.    Índice da conversa: Como chegámos ao nível de polarização política actual Franklin D. Roosevelt (FDR) Mudanças nos anos 1960 Newt Gingrich Segregação racial: Brown v. Board of Education Leis de ‘Jim Crow’ Lyndon B. Johnson (LBJ) Porque é que o Partido Democrata agiu como agiu, sabendo à partida que ia perder eleitores no sul? ‘Southern strategy’ do Partido Republicano A polarização actual Estudos sobre polarização: ‘Polarized America’, de Nolan McCarty, Keith T. Poole e Howard Rosenthal Características e limitações do sistema político americano Sistema eleitoral Teorema do votante mediano Affordable Care Act (Obamacare) Supremo tribunal Pete Buttigieg (candidato às primárias do P.Democrata em 2020) Caso ‘Marbury v. Madison’ Juan Linz (cientista político) Senado e a regra do ‘Filibuster’ Eleições ‘Midterms’ Porque há tanta abstenção nos EUA? Círculos uninominais Gerrymandering  Colégio Eleitoral National Popular Vote Interstate Compact Convenção constitucional - ‘Virginia Plan’ Senado vs Câmara dos Representantes Federalismo e o peso dos Estados no sistema político dos EUA O poder do Presidente: ‘executive orders’ Dificuldade em criar um Estado Social nos EUA Alberto Alesina - ‘Why Doesn’t the United States Have a European-Style Welfare State?’ A questão racial Voting Rights Act de 1965 Decisão 2013 do Supremo Tribunal Juíza Ruth Bader Ginsburg (‘notorious R.B.G.) Potenciais reformas institucionais futuras Processo eleitoral  Representação proporcional  ‘Lei de Duverger Porque só há dois partidos nos EUA, mesmo com centenas de distritos eleitorais? Teoria de Jonathan Haidt sobre as causas da polarização Livro ‘Democracy for Realists: Why Elections Do Not Produce Responsive Government’ -- Christopher H. Achen e Larry M. Bartels Diferenças entre partidos americanos e europeus O poder oculto do Presidente: líder informal do partido.  Sistema de primárias  Eleições presidenciais de 2021. Joe Biden.  Bernie Sanders Futuro da polarização política  Recomendações da convidada: Breaking the Two-Party Doom Loop: The Case for Multiparty Democracy in America, de Lee Drutman How Democracies Die, de Levitsky & Ziblatt Mrs America (série)   Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Mafalda Pratas Fernandes nasceu em Minneapolis, MN (EUA), cresceu em Lisboa, e regressou aos Estados Unidos em 2012, onde se licenciou em Economia e Ciência Política na Universidade de Illinois Urbana-Champaign. Actualmente, é doutoranda em Ciência Política na Universidade de Harvard, onde está a completar a sua dissertação sobre o efeito dos partidos políticos e das instituições no processo de representação. Estuda, em particular, os contextos europeu, britânico e norte-americano em perspectiva comparada. Em Harvard, dá também aulas sobre Democracia, economia política e política comparada e participa ainda num novo projecto, liderado por Daniel Ziblatt e Steve Levitsky, que pretende analisar as crises dos establishments ao longo da história e nos dias de hoje.


    #102 Adolfo Mesquita Nunes - ‘A Grande Escolha’

    Play Episode Listen Later Feb 17, 2021 62:10

    O convidado é advogado, foi deputado pelo CDS, secretário de Estado do Turismo no governo PSD-CDS e é atualmente vereador da Câmara da Covilhã. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Foi um dos nomes mais votados  para regressar ao podcast (na altura do episódio 100). Eu próprio tinha já vontade de conversar com ele sobre o livro que lançou recentemente -- por isso, juntou-se o útil ao agradável e gravámos este episódio O livro chama-se 'A Grande Escolha' e é um manifesto apaixonado em defesa da globalização enquanto veículo de progresso económico e social. Mas o convidado reconhece que a globalização trouxe também enormes desafios às sociedades actuais, em áreas como o emprego, a habitação ou o modo como devemos lidar com as grandes empresas digitais e potências autocráticas como a China. Por isso, o grosso do livro dedica-se a tentar encontrar respostas a esses problemas, sempre na lógica de rejeitar soluções aparentemente fáceis mas que correriam o risco de levar consigo as próprias vantagens trazidas pela globalização. Durante a conversa, começámos por falar sobre o modo como este problema afecta Portugal, e sobre a necessidade de colhermos mais ainda os benefícios da globalização (gerando maior crescimento económico) mas resolvendo ao mesmo tempo os desafios que ela impõe, e que também já sentimos. No livro, o convidado cobre uma série destes desafios trazidos pela globalização. No resto da conversa, discutimos alguns destes e outros que não couberam no livro. Falámos do aumento da desigualdade nas últimas décadas, e sobre as medidas que os países devem tomar para garantir igualdade de oportunidades; falámos da necessidade de ter um mercado de trabalho dinâmico mas, ao mesmo tempo, com estabilidade para que as pessoas possam ter segurança em planear a sua vida; e, mais no final, discutimos a questão de a par da globalização económica não haver uma globalização política que possa resolver alguns destes problemas na esfera indicada.  Espero que gostem!   Índice da conversa: Livro ‘A Grande Escolha’ A Globalização enquanto mecanismo de geração de riqueza e progresso Como Portugal surge no debate sobre a globalização Desigualdade Thatcher Modelo escandinavo e a importância de gerar riqueza Como repôr a igualdade de oportunidades no mundo ocidental O problema do aumento do preços da habitação Desenvolvimento As vantagens pouco intuitivas de ter empresas grandes A importância de um ambiente concorrencial para a prosperidade A importância de um sistema de justiça funcional O impacto da globalização e da automação no mercado trabalho Polarização no mercado de trabalho, prejudicando os trabalhadores com qualificações intermédias “O país pode estar em média muito melhor mas haver situações individuais que têm que ser resolvidas” A necessidade de garantir estabilidade laboral para as pessoas poderem planear a vida e ter filhos Importância para a natalidade Rendimento Básico Universal? Milton Friedman Salários Será que a renovada aversão das pessoas ao capitalismo tem que ver com o facto de a globalização ter feito com que profissões socialmente úteis não sejam bem pagas? Benefícios da globalização na profissão que podemos escolher. Ausência de uma globalização política a par da globalização económica Ligação ao populismo Yuval Noah Harari - Homo Deus A União Europeia Como reconciliar as pessoas com a Globalização?   Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Adolfo Mesquita Nunes (1977) é licenciado em Direito (2000) e Mestre em Ciências Jurídico-Políticas (2008). Advogado de profissão há dezasseis anos, foi deputado à Assembleia da República (2011-2013) e secretário de Estado do Turismo (2013-2015). Militante do CDS-PP, partido do qual foi vice-presidente (2016-2019). Foi comentador e colunista na SIC, TSF, Visão, no Jornal de Negócios.

    #101 Cláudia Ribeiro e Óscar Afonso - Índice de qualidade das elites

    Play Episode Listen Later Jan 27, 2021 69:54

    Os convidados são professores e investigadores na Faculdade de Economia do Porto (FEP), e são os responsáveis em Portugal pelo estudo ‘índice da Qualidade das Elites’, de que falámos neste episódio. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Este índice da Qualidade das Elites foi desenvolvido por dois investigadores da Universidade de St. Gallen, na Suiça (Tomas Casas e Guido Cozzi) e propõe-se fazer algo inovador: medir a qualidade das elites de cada país, na esfera política e na económica. O golpe de asa do índice está em avaliar a qualidade das elites não directamente, o que seria bastante difícil mas medindo as consequências das suas acções em termos do desenvolvimento económico e humano que geram em cada país.  Os investigadores partem da premissa de que em qualquer sociedade existem elites, e que isso não acontece por acaso, porque as elites cumprem, ou podem cumprir, uma função útil na coordenação de recursos (sejam eles pessoas ou recursos económicos), o que é essencial para gerar crescimento e desenvolvimento. A metodologia assume que as elites procuram sempre aumentar o seu rendimento, mas podem fazê-lo de duas formas: ou aumentando a fatia da riqueza do país que conseguem abarcar, ou gerando desenvolvimento económico, o que aumentará tanto a riqueza que lhe cabe como o rendimento da sociedade como um todo. A primeira componente do índice mede isto: se as elites extraem ou sobretudo criam valor para a sociedade. A segunda componente do índice mede o poder das elites em cada país. A ideia é que o poder presente das elites é uma espécie de indicador da capacidade dessas elites para, no futuro, se tornarem extractivas. Ou seja, elites com muito poder podem mais facilmente (não quer dizer que o venham a fazer) abarcar com recursos para elas sem gerar qualquer desenvolvimento para o resto da população. Se vos interessar acompanhar o relatório de qualidade das elites, este ano irá sair uma nova versão do relatório, ampliada a mais países e com revisões metodológicas. Estejam atentos.   Índice da conversa: Indicador O que são elites? Daron Acemoğlu e Robinson - Porque falham as nações A metodologia do índice Mede o desempenho pelas consequências Valor: criação vs extracção de valor (‘rent-seeking’) Poder enquanto condição necessária para extracção futura de valor: alto vs baixo Esfera económica vs política Comparação desta teoria das elites enquanto principal driver do desenvolvimento com teoria das instituições Que indicadores são usados no índice (72 indicadores)? Elites económicas: indicadores de poder e valor Elites políticas: indicadores de poder e valor Fontes utilizadas Trade-off compatibilidade vs profundidade / exactidão Como é que as elites políticas podem criar valor (ou não o fazer)? Resultados: ranking dos países Singapura: nº 1 mas com elites com muito poder Afinal existem “déspotas esclarecidos”?  Comparação com China EUA e Reino Unido As melhores em poder (poder baixo), mas não geral valor correspondente Que efeito tem o aumento da Desigualdade nas últimas décadas? Portugal.  Porque é que as elites políticas geram tão menos valor face às elites económicas? O fraco desempenho das elites políticas Desigualdade regional e o centralismo lisboeta. ...de volta à metodologia do índice Limitações da metodologia: indicadores que beneficiam a classificação de um país mas não deviam Ex: poder económico -- o indicador de ‘posição dominante’ (de empresas num mercado) Melhorias futuras: que indicadores gostavam de acrescentar ou retirar? ...de volta a Portugal Economia paralela Indicador do observatório de Economia e Gestão de Fraude Comparação com outros países Corrupção: cifras negras Problema da falta de protecção de Investidores minoritários em Portugal Indicadores de destruição criativa (Schumpeter) Bottom-line: o que há a corrigir em Portugal   Obrigado aos mecenas do podcast: Tomás Fragoso, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Nuno Costa, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, Carlos Seiça Cardoso, José Luís Malaquias, Tiago Leite, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Galaró family, Nuno e Ana, João Ribeiro, Miguel Vassalo, Bruno Heleno Gonçalo Matos, Emanuel Gouveia, Ricardo Santos, Ricardo Duarte, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Sara Mesquita, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker , Gabriel Sousa, Gil Nogueira, Luis Brandão Marques, Abílio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, André Oliveira, Andreia Esteves, João Bernardino, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fonseca, Frederico Apolónia, André Abrantes, Henrique Vieira, João Farinha, Paulo Fernandes, Nuno Lages, João Diamantino, Vasco SÁ Pinto, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro , rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, João Moreira, José Oliveira Pratas, João Diogo Silva, Marco Coelho, Joao Diogo, Francisco Aguiar , Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Luis Filipe, Renato Mendes, António Albuquerque, Francisco Santos, juu-san, Fernando Sousa, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Nuno Almeida, Francisco Manuel Reis, Daniel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Miguel Mendes, Luis Gomes, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Cesar Correia, Susana Ladeiro, Gil Batista Marinho, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Miguel Palhas, isosamep, Robertt , Pedro F. Finisterra, Cristiano Tavares, Pedro Vieira, Jorge Soares, Maria Oliveira, Bruno Amorim Inácio, Nuno , Wedge, Pedro Brito, Manuel Botelho da Silva, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bios: Cláudia Ribeiro é doutorada em Finanças pela Warwick Business School, University of Warwick (Reino Unido). É professora auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) onde leciona nos três ciclos de estudos e é membro do CEFUP (Centro de Estudos em Economia e Finanças da Universidade do Porto). É autora de livros, de capítulos em livros e de artigos em revistas científicas internacionais. Tem realizado e coordenado diversos trabalhos de consultadoria. É, ainda, professora convidada e consultora da Porto Business School onde leciona formação executiva e presta soluções in-company e customizadas. Óscar Afonso é doutorado e professor associado com agregação da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP). Leciona nos três ciclos de estudos – licenciatura, mestrados e doutoramento. É membro fundador do NIFIP (Núcleo de Investigação em Finanças Públicas e Política Monetária) , do OBEGEF (Observatório de Economia e Gestão de Fraude, sendo atualmente seu presidente), CEFAGE-UBI (Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia) e CEFUP (Centro de Estudos em Economia e Finanças d Universidade do Porto). É autor de livros, de diversos capítulos em livros, de mais de 90 artigos em revistas científicas internacionais, de inúmeros working papers e de comunicações em congressos internacionais. Colabora com diversos jornais e revistas da imprensa portuguesa – em particular, Público, Expresso, Visão, Dinheiro Vivo, “i”. Tem realizado trabalhos de consultadoria, como membro da equipa técnica e como coordenador.

    [especial] Perguntas dos ouvintes

    Play Episode Listen Later Jan 13, 2021 56:10


    Episódio especial em que respondo às perguntas enviadas pelos ouvintes a propósito da comemoração do episódio #100. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar   Livros recomendados: Cultures and Organizations: Software of the Mind - Geert Hofstede  Porque Falham as Nações - Daron Acemoglu e James Robinson  The Righteous Mind - Jonathan Haidt Enlightenment Now - Steven Pinker Gifts Differing - Isabel Briggs Myers and Peter B. Myers Obrigado aos mecenas do podcast: João Baltazar, Tiago Leite, Carlos Martins, Joana Faria Alves, Galaró family, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Nuno Costa, Nuno e Ana, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, João Ribeiro, Miguel Vassalo Abilio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Andreia Esteves, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, João Bernardino, Sara Mesquita, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker, Ricardo Santos Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Hugo Correia, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro, rodrigo brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, João Moreira, isosamep, Telmo, José Oliveira Pratas, Jose Pedroso, João Diogo Silva, Marco Coelho, MANNA Porto, Joao Diogo, José Proença, Francisco Aguiar, Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Jose António Moreira, Luis Filipe, Sérgio Catalão, Alexandre Freitas, Renato Mendes, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Antonio Albuquerque, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, joana antunes, juu-san, Nelson Poças, Fernando Sousa, Francisco López Bermudez, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Carlos Silveira, Nuno Almeida, Diogo Rombo, Francisco Manuel Reis, Bruno Lamas, Daniel Almeida, Albino Ramos, Luis Miguel da Silva Barbosa, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Fábio Mota, Vítor Araújo, Miguel Mendes, Luis Gomes, Angela Martins, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Salomé Afonso, Cesar Correia, Cristiano Tavares, Susana Ladeiro, Pedro Miguel Pereira Vieira, Gil Batista Marinho, Jorge Soares, Maria Oliveira, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Maria Virginia Saraiva, João Pereira, Bruno Amorim Inácio, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Nuno , Rui Vilão, João Ferreira,  Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego


    #100 Carlos Fiolhais - Fronteiras da Ciência: buracos negros, exoplanetas, multiversos e muito mais

    Play Episode Listen Later Dec 16, 2020 86:39

    Carlos Fiolhais é professor catedrático de Física na Universidade de Coimbra, divulgador de ciência, escritor e historiador de Ciência.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Este é o episódio nº 100 do 45 Graus! Parece incrível, mas já lá vão uma centena de conversas e outros tantos convidados. Como se lembram, lancei há umas semanas um inquérito para voltarem no convidado anterior que gostavam de ouvir outra vez no podcast. A votação foi renhida e o grande vencedor foi, então, Carlos Fiolhais, que teve a simpatia de aceitar o repto. O que é, ao mesmo tempo, uma coincidência engraçada, porque tinha terminado o nosso episódio original, gravado há quase 3 anos, precisamente a desafiá-lo a regressar ao podcast.  Entre os outros nomes muito votados estiveram: Luís Aguiar-Conraria, Paulo Gama Mota e Adolfo Mesquita Nunes. Conto trazê-los também de volta ao 45 Graus um dia destes.   Índice da conversa: Livros do convidado saídos recentemente História Global de Portugal, com José Eduardo Franco e José Pedro Paiva  Apanhados pelo Vírus - Factos e mitos acerca da COVID-19, com David Marçal  A falta de progressos teóricos no século XXI (até agora) Teoria Quântica de Max Planck Teoria da Relatividade de Einstein Teorias quânticas de campos O desafio de unir a teoria da relatividade geral à teoria quântica Teoria das cordas Maiores progressos deste século na área da física (muitos progressos importantes na recolha de evidência via tecnologias mas pouco na teoria).  Lista de vencedores do Nobel da Física  Frase de Lord Kelvin (aparentemente apócrifa!) Ondas gravitacionais Exoplanetas e sinais de vida fora da Terra Lista de exoplanetas descobertos Descoberta de sinais de vida em Vénus Paradoxo de Fermi Equação de Drake Carl Sagan Contacto (filme) SETI (Search for Extraterrestrial life)  Estrelas de neutrões Blaise Pascal Demócrito Mistérios em aberto na Física Matéria escura CERN Bosão de Higgs Modelo-padrão da Física de partículas  Energia escura  Supernova (tipo de estrelas) Ligação à “constante cosmológica” de Einstein Teoria dos Multiversos Navalha de Ockham Teoria das cordas O papel da estética nas teorias científicas e a preferência pela simplicidade Metafísica (filosofia) Pode a beleza ser explicada pela Ciência? ‘Razão dourada’ (golden ratio) O génio de Einstein Buracos negros Como é que a Teoria da Relatividade prevê a existência de buracos negros  Stephen Hawking Tipos de buracos negros Gigante vermelha (tipo de estrela) Radiação Hawking A Teoria de Tudo (filme) O mistério da origem dos Buracos Negros Ligação ao Big Bang Prémio Nobel da Física 2020 A primeira fotografia de um buraco negro Roger Penrose Quase-cristais Quantum mind A teoria ‘panpsíquica’ Livros recomendados Ciclos de Tempo O Grande, o Pequeno e a Mente Humana Emily Dickinson   Obrigado aos mecenas do podcast: João Baltazar, Tiago Leite, Carlos Martins, Joana Faria Alves, Galaró family, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Nuno Costa, Nuno e Ana, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, João Ribeiro, Miguel Vassalo Abilio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Andreia Esteves, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, João Bernardino, Sara Mesquita, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker, Ricardo Santos Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Hugo Correia, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro, rodrigo brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, João Moreira, isosamep, Telmo, José Oliveira Pratas, Jose Pedroso, João Diogo Silva, Marco Coelho, MANNA Porto, Joao Diogo, José Proença, Francisco Aguiar, Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Jose António Moreira, Luis Filipe, Sérgio Catalão, Alexandre Freitas, Renato Mendes, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Antonio Albuquerque, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, joana antunes, juu-san, Nelson Poças, Fernando Sousa, Francisco López Bermudez, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Carlos Silveira, Nuno Almeida, Diogo Rombo, Francisco Manuel Reis, Bruno Lamas, Daniel Almeida, Albino Ramos, Luis Miguel da Silva Barbosa, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Fábio Mota, Vítor Araújo, Miguel Mendes, Luis Gomes, Angela Martins, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Salomé Afonso, Cesar Correia, Cristiano Tavares, Susana Ladeiro, Pedro Miguel Pereira Vieira, Gil Batista Marinho, Jorge Soares, Maria Oliveira, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Maria Virginia Saraiva, João Pereira, Bruno Amorim Inácio, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Nuno , Rui Vilão, João Ferreira,  Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego   Bio: Carlos Fiolhais nasceu em Lisboa em 1956. Licenciado em Física na Universidade de Coimbra e doutorado em Física Teórica na Universidade Goethe, em Frankfurt, Alemanha, em 1982, é professor catedrático de Física na Universidade de Coimbra. Foi professor convidado em universidades de Portugal, Brasil e Estados Unidos. Publicou mais de 30 livros, incluindo Física Divertida, Computadores, Universo e Tudo o Resto e A Coisa Mais Preciosa que Temos (Gradiva); Ciência a Brincar (Bizâncio); manuais escolares de Física e de Química (Gradiva e Texto Editores); Roteiro de Ciência e Tecnologia (Ulmeiro) e Fundamentos de Termodinâmica do Equilíbrio (Gulbenkian). É autor de cerca de 100 artigos científicos em revistas internacionais (um dos quais com 3500 citações) e de mais de 300 artigos pedagógicos e de divulgação. Participou em inúmeros encontros, conferências e ações promovendo a ciência e a cultura científica. Criou o portal de ciência www.mocho.pt. Ganhou em 1994 o Prémio União Latina/JNICT de tradução científica. Ganhou o Globo de Ouro de Mérito e Excelência em Ciência de 2004 atribuído pela televisão SIC e pela revista Caras em 2005. Investiga Física da Matéria Condensada e História das Ciências. Foi fundador e diretor do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, onde instalou o maior computador português para cálculo científico (Centopeia). Dirige a revista Gazeta de Física da Sociedade Portuguesa de Física e é membro da comissão editorial das revistas Europhysics News, da Sociedade Europeia de Física, e Física na Escola e Revista Brasileira do Ensino da Física, da Sociedade Brasileira de Física. Foi diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

    #99(b) Desidério Murcho - Populismo, elites, polarização e redes sociais

    Play Episode Listen Later Dec 9, 2020 75:31

    Desidério Murcho é professor de Filosofia na Universidade Federal de Ouro Preto, no Brasil, e autor de mais de uma dezena de livros, sobretudo nas áreas da lógica, ética e filosofia da religião. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Nesta segunda parte, demos um salto da lógica teórica para a lógica aplicada, para discutir os problemas actuais que vivem as democracias liberais, com polarização crescente do eleitorado (sobretudo no Brasil onde, recorde-se, o convidado vive), a ascensão do populismo, a difusão de fake news, etc. Em relação a este problema, o convidado tem uma visão muito original e propõe uma solução pouco convencional e até algo controversa. Mas que, sobretudo, que dá que pensar. Foi uma das discussões mais estimulantes que tenho tido aqui no podcast. Espero que gostem   Índice da conversa: Comunicação de David Hilbert sobre os problemas em aberto na matemática em 1900 Racionalidade Tribalismo Vieses cognitivos Liberalismo clássico Heterodox Academy O impacto das redes sociais no funcionamento das democracias liberais O sensacionalismo Mill “Temos que repensar a profissão de político” O meu “republicanismo aristotélico” “A pessoa comum não quer estar a tomar decisões políticas”  Como a divisão crescente do trabalho torna o nosso modelo de Democracia obsoleto As vantagens da internet O teste de Linda (falácia da conjunção) “O contexto cognitivo adequado é essencial para tomar decisões adequadas (também na política)” A importância de estar no ‘jogo’ a longo-prazo O modelo das ‘assembleias de cidadãos’ - o caso da Irlanda O perigo da exploração das fraquezas cognitivas humanas Livro recomendado: Enlightenment 2.0: Restoring sanity to our politics, our economy, and our lives - de Joseph Heath   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, João Baltazar, Tiago Leite, Carlos Martins, Joana Faria Alves, Galaró family, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Nuno Costa, Nuno e Ana, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, João Ribeiro, Miguel Vassalo Abilio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Andreia Esteves, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, João Bernardino, Sara Mesquita, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker, Ricardo Santos Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Hugo Correia, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro, rodrigo brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, João Moreira, isosamep, Telmo, José Oliveira Pratas, Jose Pedroso, João Diogo Silva, Marco Coelho, MANNA Porto, Joao Diogo, José Proença, Francisco Aguiar, Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Jose António Moreira, Luis Filipe, Sérgio Catalão, Alexandre Freitas, Renato Mendes, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Antonio Albuquerque, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, joana antunes, juu-san, Nelson Poças, Fernando Sousa, Francisco López Bermudez, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Carlos Silveira, Nuno Almeida, Diogo Rombo, Francisco Manuel Reis, Bruno Lamas, Daniel Almeida, Albino Ramos, Luis Miguel da Silva Barbosa, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Fábio Mota, Vítor Araújo, Miguel Mendes, Luis Gomes, Angela Martins, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Salomé Afonso, Cesar Correia, Cristiano Tavares, Susana Ladeiro, Pedro Miguel Pereira Vieira, Gil Batista Marinho, Jorge Soares, Maria Oliveira, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Maria Virginia Saraiva, João Pereira, Bruno Amorim Inácio, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Nuno , Rui Vilão, João Ferreira,  Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Desidério Murcho (1965) estudou Filosofia na Universidade de Lisboa e depois no King’s College de Londres. É professor na Universidade Federal de Ouro Preto desde 2007. Autor de Filosofia em Directo (2011), um êxito editorial com mais de 21 mil exemplares vendidos, Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer (2011), Pensar Outra Vez (2006), O Lugar da Lógica na Filosofia (2003) e Essencialismo Naturalizado (2002). Coautor dos livros Janelas para a Filosofia (2014), 50 Lições de Filosofia (2012-2013), entre outros, e organizador dos livros A Ética da Crença (2010), Viver para Quê? (2009) e Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos (2006), Desidério Murcho participa habitualmente em congressos e conferências internacionais.

    #99(a) Desidério Murcho - “Todos devíamos saber mais de Lógica para pensarmos melhor”

    Play Episode Listen Later Dec 2, 2020 60:42

    Desidério Murcho é professor de Filosofia na Universidade Federal de Ouro Preto, no Brasil, e autor de mais de uma dezena de livros, sobretudo nas áreas da lógica, ética e filosofia da religião. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Esta foi uma conversa muito longa (o que, vou percebendo, tende a acontecer quando entrevisto filósofos). Para além disso, a conversa tem duas partes claramente distintas. Por isso, decidi dividi-la em dois episódios: este e outro que sairá na semana que vem.  Nesta primeira parte falámos de lógica, a propósito do livro que o convidado publicou recentemente, chamado precisamente Lógica Elementar. A Lógica é uma área que nasceu originalmente na Filosofia, com Aristóteles, mas que deu um grande salto só no final do século XIX e é hoje estudada na matemática, e aplicada em áreas tão diferentes como as ciências da computação e a linguística. Na Filosofia, a lógica, na verdade, é tanto uma área de estudo como uma ferramenta que serve para conseguir raciocinar bem e que, por isso, é aplicadada para tratar problemas filosóficos de vários ramos, desde a ética à epistemologia. Conversámos, então, sobre porque é importante todos nós termos noções de lógica para pensarmos melhor, e falámos também da história da lógica, da relação com a ciência e da diferença entre dedução e indução, entre outros assuntos. Espero que gostem. Este é um tema por vezes árido, mas se há pessoa que o consegue tornar interessante é o Desidério, que junta, como vão ver, a profundidade de um filósofo à vivacidade de um apresentador de televisão.   Índice da conversa: Livro do convidado: Lógica Elementar Por que é importante termos noções de lógica, e por que é uma área tão pouco divulgada? A Lógica dedutiva aristotélica e a caricatura que foi feita dela durante a Idade Média Lógica dos estoicos Matematização da lógica a partir do sec XIX Validade (conceito) Advento da indução com a Revolução Científica no sec XVII Problema da indução Robin George Collingwood Contraste da postura de humildade epistémica da Ciência com a lógica com base em princípios gerais da Filosofia clássica Enciclopédia de Diderot O debate na Filosofia entre Racionalismo vs Empirismo David Hume Idealismo Hegeliano Diferença indução vs dedução A desorganização inerente à linguagem e a dependência do contexto A incerteza subjacente à indução Lógica dedutiva Teorema de Bayes -- por que nos é útil para fazer previsões e compreender o mundo Porque não há uma lógica universal? Thomas Kuhn   Obrigado aos mecenas do podcast: João Baltazar, Tiago Leite, Carlos Martins, Joana Faria Alves, Galaró family, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Nuno Costa, Nuno e Ana, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, João Ribeiro, Miguel Vassalo Abilio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Andreia Esteves, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, João Bernardino, Sara Mesquita, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker, Ricardo Santos Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Hugo Correia, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro, rodrigo brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, João Moreira, isosamep, Telmo, José Oliveira Pratas, Jose Pedroso, João Diogo Silva, Marco Coelho, MANNA Porto, Joao Diogo, José Proença, Francisco Aguiar, Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Jose António Moreira, Luis Filipe, Sérgio Catalão, Alexandre Freitas, Renato Mendes, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Antonio Albuquerque, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, joana antunes, juu-san, Nelson Poças, Fernando Sousa, Francisco López Bermudez, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Carlos Silveira, Nuno Almeida, Diogo Rombo, Francisco Manuel Reis, Bruno Lamas, Daniel Almeida, Albino Ramos, Luis Miguel da Silva Barbosa, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Fábio Mota, Vítor Araújo, Miguel Mendes, Luis Gomes, Angela Martins, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Salomé Afonso, Cesar Correia, Cristiano Tavares, Susana Ladeiro, Pedro Miguel Pereira Vieira, Gil Batista Marinho, Jorge Soares, Maria Oliveira, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Maria Virginia Saraiva, João Pereira, Bruno Amorim Inácio, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Nuno , Rui Vilão, João Ferreira,  Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Desidério Murcho (1965) estudou Filosofia na Universidade de Lisboa e depois no King’s College de Londres. É professor na Universidade Federal de Ouro Preto desde 2007. Autor de Filosofia em Directo (2011), um êxito editorial com mais de 21 mil exemplares vendidos, Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer (2011), Pensar Outra Vez (2006), O Lugar da Lógica na Filosofia (2003) e Essencialismo Naturalizado (2002). Coautor dos livros Janelas para a Filosofia (2014), 50 Lições de Filosofia (2012-2013), entre outros, e organizador dos livros A Ética da Crença (2010), Viver para Quê? (2009) e Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos (2006), Desidério Murcho participa habitualmente em congressos e conferências internacionais.

    #98 António Gomes - o eleitor português, o futuro dos jornais, big data e muito mais

    Play Episode Listen Later Nov 18, 2020 106:05

    António Gomes é director geral da GfK Metris, uma empresa que faz parte da multinacional de estudos de mercado GfK. O convidado tem uma carreira com mais de 25 anos nesta área de estudos de mercado, onde tem trabalhado para vários sectores e indústrias, destacando-se sector da Saúde, Comunicação Social, e estudos de opinião e político-eleitorais.  Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar ->Aqui o inquérito para (i) o/a convidado/a que gostavam de voltar a ouvir no podcast e (ii) enviarem as vossas perguntas para o episódio especial de ‘perguntas dos ouvintes’. Como sabem, pelo tipo de temas que abordo, acabo por conversar muitas vezes com académicos. Não me posso queixar nada do resultado, mas, lembrei-me de convidar o António para o podcast precisamente porque a experiência prática dele na área dos estudos de mercado o leva a ter uma visão diferente em relação a uma série de temas. Acho que vão perceber o que quero dizer.  E falámos, de facto, sobre imensos temas. Como o António tem estudado sobretudo os portugueses, nos nossos papéis diferentes de cidadãos, consumidores e espectadores, comecei por lhe pedir que descrevesse o que mostram os estudos sobre as nossas especificidades face a outros países. Daí partimos para discutir uma série de outros tópicos, desde as mudanças recentes no mercado audiovisual, com o surgimento do streaming, aos podcasts e ao futuro dos jornais, passando pela ameaça do big data à nossa privacidade e, ainda, como é a vida de quem gere uma empresa de estudos de mercado e tem que vender ideias muitas vezes arrojadas a clientes incautos (o António conta, quase no final, uma bela história sobre estas lides). De caminho, falámos ainda da visão do António em relação à ascensão do Chega, que, como sabem, apanhou desprevenidos a maioria dos opinion makers da opinião publicada. Atenção que a conversa foi gravada há 2/3 semanas -- ou seja, antes da polémica da última semana nos Açores...o que acaba por tornar ainda mais prescientes algumas observações do convidado.    Índice da conversa: O que mostram os estudos de preferências sobre o que distingue os Portugueses enquanto cidadãos, consumidor e espectadores? Eleitores O bom senso do eleitor-tipo português Ministro Carlos Borrego e a piada sobre os hemofílicos Consumidores O efeito da crise do euro Qual vai ser o efeito da pandemia? Espectadores O crescente peso do online e do streaming O espaço que existe sempre para conteúdos agregadores O caso dos podcasts  Serial, Joe Rogan Experience Podcast de NBA de Max Kellerman O que reserva o futuro para este meio? O futuro dos jornais Proposta de Gustavo Cardoso Economia comportamental  O problema da globalização das elites para os conteúdos em língua local A dificuldade em criar novos conteúdos no mercado português O caso do Chega e de André Ventura.  A polarização nas redes sociais Artigo Pedro Magalhães no Expresso: “Populismo em Portugal: um gigante adormecido” Especificidades culturais portuguesas A baixa ideologia do eleitor médio em Portugal  Programa ‘Terra Nossa’ O papel histórico da “poligamia” Comportamento endogâmicos nas elites As elites tradicionais na sombra em portugal Futuro da democracia: assembleias aleatórias de cidadãos? Iniciativa de Emmanuel Macron Os júris nos EUA Filme Gene Hackman: Runaway Jury O big data e a falta de privacidade O que sobra para os estudos de mercado tradicionais com as novas tecnologias de big data? Empresas de market research e a dificuldade em vender ideias originais aos clientes empresas Livros recomendados:  O Papa e Mussolini As Cruzadas Vistas pelos Árabes, de Amin Maalouf   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva.  Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: António Gomes, 51 anos licenciado em Sociologia. Director Geral da GfK Metris (, uma empresa do grupo GfK, uma multinacional de estudos de mercado), da qual foi fundador no ano de 1993. Tem uma carreira com mais de 25 anos em estudos de mercado trabalhando para vários sectores e indústrias, destacando-se sector da Saúde, Comunicação Social e estudos de opinião e político-eleitorais. Cumpriu dois mandatos como Presidente da Associação Portuguesa de empresas de Estudos de Mercado e Opinião. Ao longo de 20 anos foi Professor universitário leccionando Estudo de Mercado em diferentes universidades como Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da da Universidade Nova de Lisboa, Escola Superior comunicação Social de Lisboa, Universidade Católica, Porto Business School e Lisbon MBA.

    #97 Susana Peralta - Desigualdade(s) [versão editada & anotada]

    Play Episode Listen Later Nov 12, 2020 75:15

    Susana Peralta é professora de economia na Nova SBE e colunista no jornal Público. A convidada tem investigação sobretudo nas áreas da economia pública e economia política.  -> Aqui o inquérito para (i) o/a convidado/a que gostavam de voltar a ouvir no podcast e (ii) enviarem as vossas perguntas para o episódio especial de ‘perguntas dos ouvintes’. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O episódio que vão ouvir foi gravado ao vivo, e transmitido online, no âmbito do festival de podcasts ‘Podes’. Vejam aqui o vídeo da conversa   Índice da conversa: Porque falamos tanto hoje de desigualdade? Dados sobre desigualdade: World Inequality Lab; World Inequality Report 2018 Economia do desenvolvimento O crescimento económico vs pobreza Poupança Inquérito à Situação Financeira das Famílias (INE) Heterogeneidade na poupança e a necessidade de fazer “oversampling at the top” Problema da Iliteracia financeira em Portugal Aumento da desigualdade a nível mundial nas últimas décadas Livro: “Inequality: What Can Be Done”, de Anthony B. Atkinson Causas Globalização Efeito “winner-takes-all” Monopólios naturais Tecnologia Tecnológicas, artistas, desportistas J. K. Rowling, Ronaldo O problema da destruição dos empregos do meio Stiglitz e o mercado de trabalho enquanto um mundo de rendas Um aumento dos impostos para os rendimentos mais altos geraria uma diminuição da desigualdade mesmo no rendimento base. Salários dos CEOs Paper Thomas Piketty et al CEOs no mercado do petróleo Desigualdade de oportunidades (o que verdadeiramente interessa) Portugal: estudo da EDULOG sobre equidade no acesso ao ensino superior Londres: mapa ‘lives on the line’ Porque há tão poucos dados para estudo (microdados) em Portugal? BPLIM (Banco de Portugal) As especificidades da desigualdade em Portugal Dados sobre a desigualdade em Portugal Desigualdade comparada com outros países europeus Estudo Fundação Gulbenkian: “Só 24% dos jovens abaixo dos 30 anos têm casa própria” Monopsónio no mercado laboral O problema da educação Pesadelo na Cozinha Investigação de Francisco Queiró sobre o efeito da qualificação dos gestores no desempenho das empresas Luca David Opromolla e a importância da escala das empresas Em Portugal, a desigualdade é maior no rendimento ou no património? -> Sabemos como compara a desigualdade no património com os países europeus?  Faz sentido um imposto sobre o património? Justeza Limitações (e.g. evasão fiscal dos que podem) Distorções no comportamento das pessoas Ideia de um imposto negativo sobre o rendimento   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva.  Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Bio: Susana Peralta é professora Associada da Nova SBE desde 2004, doutorada em economia da Université catholique de Louvain, na Bélgica. Tem investigação publicada em temas de federalismo fiscal, economia política e concorrência fiscal, em revistas da especialidade, incluindo The Economic Journal, Journal of Public Economics, Journal of Public Economic Theory, Journal of International Economics, Regional Science and Urban Economics, e Journal of Urban Economics. É professora associada, com agregação, na Nova School of Business and Economics, à qual se juntou em 2004. Ensina ou ensinou Economia Pública, Teoria dos Jogos, Economia da Pobreza, Microeconomia. Já foi directora académica do Mestrado em Economia, do Mestrado de Investigação em Economia, e do Doutoramento em Economia na Nova SBE. Faz parte do Comité de Coordenação do Doutoramento em Economia. É co-organizadora da conferência bi-anual Lisbon Meeting on Economics and Political Science. Foi coordenadora da área científica de economia da Fundação Francisco Manuel dos Santos entre 2014 e 2018. É contribuinte regular do Jornal Público.  

    #96 Nuno Palma - “Afinal, quantos séculos tem o atraso económico de Portugal?”

    Play Episode Listen Later Oct 22, 2020 90:02

    Nuno Palma é professor de economia na Universidade de Manchester e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado sobretudo à área da História Económica, que foi o tema da nossa conversa. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Lembram-se do episódio com Henrique Leitão, que nos fez passar a ver de forma muito diferente a história da revolução científica? Esta conversa com o Nuno Palma suscitou-me a mesma reacção, mas em relação à história do desenvolvimento económico.  Graças à investigação do Nuno, hoje sabemos melhor como evoluiu a economia, e o nível de vida, dos países da Europa ocidental. Para além disso, temos também uma ideia melhor das causas que explicam porque uns sítios se desenvolveram mais do que outros; e ainda, tão ou mais importante, quando começou essa divergência de destinos entre países como Portugal e a Inglaterra.  Por exemplo, em relação a Portugal, o convidado fez, juntamente com Jaime Reis, um cálculo da evolução do PIB por pessoa desde 1527(!). E, como vão ver, há uma série de surpresas face ao que seriam, provavelmente, as vossas expectativas (e a minha). E como é que calcularam o PIB para uma época tão recuada? Não é fácil. Basicamente, tiveram de recorrer à informação que era recolhida na altura, sobretudo: livros de contabilidade de instituições como mosteiros, hospitais, ou a Universidade de Coimbra, onde constava informação sobre, por exemplo, preços e salários pagos.  Noutro trabalho, este feito com António Henriques, o convidado tentou medir já não o crescimento da economia, mas as suas causas, tentando aferir a evolução comparada da qualidade das instituições entre Portugal, Espanha e Inglaterra logo desde 1385(!), até 1800. Mais uma vez, os resultados foram surpreendentes.  Mas porquê medir a qualidade das instituições? Porque cada vez mais percebemos que o que determina o desenvolvimento económico dos países -- ainda hoje --, mais do que políticas económicas no papel, e para lá dos recursos naturais, é a qualidade das suas instituições. Instituições aqui significa, por exemplo, as limitações impostas ao poder executivo ou o cumprimento dos contratos. Em termos simples, desenvolvem-se os países cujas instituições permitem e encorajam as pessoas a dedicarem-se a atividades produtivas; não se desenvolvem aqueles onde o poder está concentrado nas mãos de uma elite, que vive à custa do resto da sociedade. Soa-vos familiar? Se têm curiosidade por estes temas, vão de certeza gostar desta conversa. Uma nota apenas para a qualidade do som: vão notar que o som do convidado está pior no último terço, pois tivemos um problema técnico. Nota-se uma diferença óbvia, mas creio que não afecta a compreensão.    Índice da conversa: Investigação do convidado Evolução das instituições e do PIB per capita português entre ~1500 e ~1750 Como comparava o PIB per capita português com o do resto da Europa Ocidental entre os secs XVI e XVIII Jaime Reis Qual foi a verdadeira importância dos Descobrimentos na economia portuguesa? Impacto do Brasil no sec XVIII Maldição dos recursos naturais Dutch disease  O ‘absolutismo’ no sec XVIII em Portugal  Efeito do terramoto de 1755 Marquês de Pombal Comparação com o efeito da Peste Negra na Idade Média A mentalidade das elites da época  Corrupção e captura do estado Rent seeking Livro: J. H. Elliott - Empires of the Atlantic World: Britain and Spain in America 1492-1830 A Mesta Daron Acemoglu e James A. Robinson - Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity, and Poverty Paperback António Castro Henriques O problema, os efeitos negativos da falta de diversidade cultural na área da história academia que levar A conquistas no Brasil à Holanda (Companhia das Índias Ocidentais) Evolução das instituições inglesas O que é que aconteceu em Inglaterra em enviados do século XVII para que as instituições subitamente melhorassem imenso? Guerra civil  Catarina de Bragança Luís de Meneses, Conde da Ericeira Tratado de Methuen Jorge Borges de Macedo Evolução das instituições de Portugal e Espanha Perda da independência em 1580 Os concelhos medievais Teoria populacional malthusiana O que aconteceu em Portugal depois de 1750 PIB per capita em 1850 era igual ao de 1530 As mudanças ocorridas no sec XIX O Estado Novo História Económica vs História tradicional  História contrafactual História Económica vs outras disciplinas da Economia Crítica a Melissa Dell & escola Acemoglu Blog do convidado: Portugal no longo prazo Recomendações Livro: Thomas Penn - ‘Winter King: The Dawn of Tudor England’ Artigo: Jaime Reis: ‘O atraso económico português em perspectiva histórica (1860-1913)’   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva.  Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Professor associado no Departamento de Economia da Universidade de Manchester, investigador do ICS da Universidade de Lisboa e investigador afiliado do CEPR. Anteriormente, foi Professor Auxiliar no Departamento de Economia, Econometria e Finanças da Universidade de Groningen, e Max Weber Fellow na European University Institute. Formado pela Universidade de Lisboa e pela London School of Economics. Principais interesses de investigação incluem história económica, macroeconomia e economia monetária, desenvolvimento e crescimento, e economia política.

    #95 Carlos Moedas - O presente e o futuro da União Europeia

    Play Episode Listen Later Oct 7, 2020 72:39

    Carlos Moedas dispensa grandes apresentações. Engenheiro de formação, é atualmente administrador da Fundação Gulbenkian e foi, até ao final do ano passado, comissário europeu com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, responsável pela gestão do maior programa de ciência do mundo (80 mil milhões de euros). Anteriormente, foi o responsável no governo de Passos Coelho pela coordenação do Programa de Ajustamento. Mas a carreira política veio só depois dos 40 anos - antes, teve uma carreira ligada à banca de investimento e investimento imobiliário. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O pretexto para esta conversa foi o livro lançado pelo convidado já este ano (mesmo antes da pandemia), ‘Vento Suão - Portugal e a Europa’, um livro que reúne as crónicas semanais que publicou durante os anos de comissário. Sendo o autor dessas crónicas comissário europeu, uma espécie de ministro do governo da Europa, está longe de ser um observador imparcial da União Europeia, mas, ao mesmo tempo, alguém que tem uma perspectiva rara dos meandros da Europa e, em particular no caso do convidado, alguém que tem uma visão para o projecto europeu. Foi essa visão que tentei compreender -- e também desafiar, a partir da minha posição também de europeísta, mas um não tão optimista em relação ao estado actual e ao potencial real da UE.  Durante esta hora e picos de conversa, falámos sobre vários aspectos da Europa, mas acabámos por regressar sempre a dois, em particular: um deles é a forma como a governação da UE está organizada, num quadro institucional peculiar que gera lentidão e uma tensão permanente entre as instituições comunitárias, como a Comissão, e os vários governos nacionais (como se viu ainda recentemente na negociação do pacote de estímulo pós-pandemia; por agora, a tensão desvaneceu, mas as causas mantêm-se). O outro aspecto de que falámos é menos tangível mas é o que verdadeiramente (às vezes quase nos esquecemos) é a base de qualquer projecto de integração política: uma noção de comunidade. Neste caso, será que temos dado verdadeiramente passos para construir uma comunidade cívica à escala da Europa, para lá dos velhos Estados-nação?    No último trecho, tivemos ainda tempo para discutir a visão do convidado sobre o futuro, em particular sobre o impacto das alterações que o digital veio trazer, nomeadamente sobre nas democracias, que terão de se reinventar se querem sobreviver. É uma altura interessante para ter desta discussão, uma vez que pandemia (e também falamos disso) veio tornar ainda mais presentes estas tecnologias   Índice da conversa: Livro de crónicas do convidado: Vento Suão - Portugal e a Europa União Europeia Porque é importante a UE Livro: The Brussels Effect: How the European Union Rules the World Kindle Edition, de Anu Bradford California effect Tensão Comissão Europeia vs. Conselho  -> Continua a faltar uma ‘nação’ europeia? A crise do Euro  O efeito da pandemia Pascal Lamy Stefan Zweig - Appels aux Européens Os frugais Europa lidera no top 10% de artigos científicos mais citados -> Que melhorias institucionais são necessárias na UE? Regra da unanimidade  Spitzenkandidat -> O que explica porque algumas áreas da governação foram transferidas para a UE e outras não? As audições aos futuros comissários no Parlamento Europeu O futuro da democracia representativa na era digital Experiência em França, com cidadãos a participar em assembleias deliberativas O papel do digital na sociedade pós-pandemia Livros recomendados The Usefulness of Useless Knowledge, de Abraham Flexner Philippe Aghion Kishore Mahbubani Breve História da Europa, de Simon Jenkins   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva.  Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues   Bio: Carlos Moedas nasceu em Beja, em 1970. É licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico. Frequentou a École Nationale des Ponts et Chaussées de Paris. Em 1998, obteve um MBA – Master of Business Administration – na Universidade de Harvard. Iniciou a carreira no grupo Suez, em França, trabalhou vários anos em Londres e criou a sua própria empresa em Portugal. Em 2011, foi eleito deputado e tornou-se secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro do XIX Governo Constitucional, com responsabilidade pela coordenação do Programa de Ajustamento. Em 2014, tornou-se o quinto português a exercer as funções de comissário europeu, tendo gerido o maior programa de ciência do mundo (80 mil milhões de euros). É o mais jovem membro da Academia de Engenharia de Portugal. É medalha de ouro da Ordem dos Engenheiros e membro honorário da Academia de Ciência Africana. Recebeu o doutoramento honoris causa em Direito pela Universidade de Cork, na Irlanda, e outro doutoramento honoris causa pela École Supérieure de Commerce de Paris. É hoje administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian.

    #94 Filipe Nobre Faria - Os limites evolutivos da (nossa) moral liberal

    Play Episode Listen Later Sep 24, 2020 104:39


    Filipe Nobre Faria é doutorado em Teoria Política (2016) pelo King's College London e professor na Universidade Nova de Lisboa, com investigação nas áreas de filosofia política e ética .  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Conversámos a propósito do livro recente do convidado, ‘The Evolutionary Limits of Liberalism’ (os limites evolutivos do liberalismo). É um tema que vem mesmo a calhar, tendo em conta que junta filosofia política à biologia evolutiva, precisamente dois assuntos que estou farto de discutir aqui no 45 Graus. Resumidamente, no livro o Filipe faz uma análise à sustentabilidade da moral liberal, típica das democracias ocidentais, à luz da teoria evolucionista de Darwin. Por ‘moral liberal’ entenda-se a primazia dada ao indivíduo, que está na base das ideologias dos principais partidos do sistema nos países ocidentais (e não só), que defendem, em maior ou menor medida, princípios como a democracia, mercados livres, estado de direito, direitos civis,  direitos humanos, secularismo, igualdade de gênero, igualdade racial , internacionalismo, liberdade de expressão, etc etc. Na sua análise, o Filipe tenta, então, medir directamente a ‘fitness’ evolutiva (i.e., a adaptabilidade) desta moral à luz da selecção natural: ou seja, avalia em que medida é que uma moral baseada no primado da liberdade individual gera ou não coesão e promove a natalidade dos grupos. As conclusões, já vão ver, não são as melhores para o paradigma liberal. Este é um trabalho oportuno, porque ajuda a enquadrar a raiz de alguns dos desafios que o modelo liberal enfrenta actualmente; sejam as ameaças que vêm de dentro, como a ascensão de movimentos populistas e anti-sistema, sejam as ameaças que vêm de fora, como a aparente perda de força das democracias no plano internacional face a Estados autocráticos como a China ou a Rússia, com a sua visão a longo-prazo e menores pruridos éticos.  Preparem-se: como todas as conversas filosóficas, que nos forçam a revisitar as fundações das nossas convicções, esta foi uma conversa desafiante e, por vezes, admito que algo confusa de seguir, tal o número de dimensões em cima da mesa e a complexidade do objecto de análise. No final, embora discorde de alguns aspectos da tese do Filipe, foi sem dúvida uma conversa muito estimulante, que me deixou a pensar nos dias a seguir.    Índice da conversa: Liberalismo Modelo de seleção de grupo (multinível) A função da moralidade Aptidão reprodutiva vs prosperidade Falácia naturalista Revolução cultural chinesa A vida nos Kibbutz Teoria do mismatch Gene-culture coevolution Hayek e a vantagem evolutiva do liberalismo Críticas contemporâneas ao liberalismo quer à esquerda quer à direita Jogos de soma positiva Lógica normativa vs naturalista O caso de Portugal, que é um país considerado colectivista (à escala europeia), mas tem das mais baixas taxas de natalidade Hofstede Taxas de natalidade Capital social Dados do World Social Capital Monitor A sedução dos regimes autocráticos Será que a teoria da selecção de grupo caiu em desuso após a II GM em virtude da aversão das sociedades a ideologias colectivistas? Teoria da escolha racional A União Europeia e a dificuldade em criar uma comunidade cultural à escala europeia A coexistência, nas sociedades contemporâneas ocidentais, da moral liberal com outras morais, colectivistas e/ou tradicionais Jonathan Haidt e a Teoria dos fundamentos morais O exemplo dos Amish: David Benatar - livro A (alegada) insustentabilidade do Liberalismo ajuda a explicar a ascensão dos movimentos populistas? Karl Polanyi Recomendações do convidado para gerar uma moral mais sustentável nas sociedades contemporâneas Livro recomendado: , de Joseph Henrich   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Rui Oliveira Gomes, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Rui Barbosa Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues, Filipe Melo   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Filipe Nobre Faria investiga e lecciona em filosofia política e ética na Universidade Nova de Lisboa. Anteriormente, obteve o seu doutoramento em Teoria Política (2016) pelo King's College London e o seu mestrado em Filosofia, Política e Economia (2011) pela Universidade de East Anglia. Leccionou também nas áreas de teoria política e de economia política no King's College London. O seu principal interesse de investigação reside em aplicar o conhecimento das ciências comportamentais e evolutivas a questões de filosofia social e política.


    #93 Alice Ramos - Estereótipos, preconceito e racismo

    Play Episode Listen Later Aug 5, 2020 91:36


    Alice Ramos é doutorada em Ciências Sociais, com especialidade em Sociologia pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde é actualmente investigadora. A convidada tem-se dedicado a analisar o impacto conjugado de factores individuais e contextos sociais nas atitudes face aos imigrantes e no preconceito racial. Desde janeiro de 2018, é também a Coordenadora Nacional do Inquérito Social Europeu e do Estudo Europeu dos Valores. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar E foi sobretudo isto que me fez convidá-la para o 45 Graus. O Inquérito Social Europeu é uma sondagem realizada a cada dois anos, desde 2001, com o objetivo de avaliar as atitudes e comportamentos dos cidadãos de 24 países europeus sobre um leque muito variado de assuntos.  Mas, no caso português, é sobretudo uma área específica que traz os resultados do inquérito para a ribalta: o nível do racismo em Portugal, porque o inquérito indica que é desconfortavelmente mais elevado do que tendemos a achar.  Os resultados da versão mais recente do inquérito foram foram divulgados há cerca de um mês e mostram que quase ⅔ dos portugueses manifestam pelo menos uma forma de racismo, e apenas cerca de 10% da população (repito: 10%) discorda de todas as crenças que o inquérito identifica como racistas. Como é fácil de adivinhar, estes números são como uma bomba que cai no debate público e na discussão sobre a dimensão do racismo em Portugal, um debate antigo mas que tem ganho tracção nos últimos anos, à boleia de estudos como este mas, talvez mais ainda, de um activismo crescente que chama a atenção quer para desigualdades estruturais quer para (alegada) violência policial sobre minorias e crimes com motivações racistas. Foi isso que aconteceu no caso recente do assassinato do actor Bruno Candé, que aconteceu (numa coincidência funesta) poucos dias depois de termos gravado este episódio… (sendo que, neste caso, tudo indica que o preconceito racista do homicida teve, no mínimo, influência no crime).  Avaliar a dimensão do racismo em Portugal é, evidentemente, um exercício muito complexo, até por ter várias dimensões, mas, claro, a discussão nas redes sociais rapidamente se encarrega, com a sua pulsão para o pensamento binário e comportamento tribal, de politizar a discussão e de a reduzir a um debate entre dois campos opostos: o dos que garantem que Portugal “é um país racista” (excluindo, claro, depreende-se, os virtuosos autores do diagnóstico) e o campo dos que continuam a negá-lo.  Por isso, decidi convidar a Alice Ramos para o 45 Graus, para não só tentar compreender, com a calma que um podcast proporciona, a dimensão, as expressões e, sobretudo, as causas do racismo em Portugal, mas também, de caminho, fazê-lo como deve ser, a partir da base, isto é, começando por tentar compreender por que existem e como funcionam aspectos quase universais da psicologia humana e da sociedade, como os estereótipos, o preconceito e os comportamentos discriminatórios. Nota: há alguns conceitos que a convidada usa aqui e ali, e que todos usamos correntemente mas que, nesta área têm um significado mais específico: Os valores são os princípios com que orientamos a nossa vida, são aquilo que nos permite distinguir o que é bom do que é mau Os nossos valores influenciam as nossas atitudes, que são predisposições para agir de uma determinada forma, avaliações sobre situações específicas; o preconceito é uma atitude, mas também o é a nossa opinião face à legalização do aborto ou face à intervenção do Estado na economia, etc. Finalmente, os comportamentos, são as atitudes em acção: é o que verdadeiramente fazemos. A discriminação é um comportamento.   Índice da conversa: O que são, e o que distingue, estereótipos, preconceito e discriminação? A utilidade dos estereótipos enquanto mecanismo cognitivo (heurística) Preconceito  Implicit Association Test Faça aqui! Eye track Como combater os preconceitos que temos, sem deixar de colher os benefícios dos estereótipos enquanto mecanismo cognitivo? Distância social enquanto proxy para o preconceito Diferentes tipos de preconceito Racismo Inquérito Social Europeu -- ESS Não há culturas melhores do que outras? Causas do racismo em Portugal “O problema do racismo é que não ensinamos os nossos filhos explicitamente a não serem racistas” Desigualdades no acesso à educação Deputados das colónias durante o Estado Novo Percepção de ameaça: realista e simbólica  Variáveis explicativas das diferenças individuais no racismo: idade, educação, diferenças de personalidade, valores, inteligência(?) Labelling experience  Experiências com “stereotype priming”  Experiência de Jane Elliot “A class divided” Série “Botched” Livros recomendados:  The Finer Points of Sausage Dogs, de Alexander McCall Smith  O Visconde Partido Ao Meio, de Italo Calvino -> O bizarro guia de conversação Português - Inglês   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Rui Oliveira Gomes, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Rui Barbosa, Sérgio Vicente Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego   Bio: Alice Ramos licenciou-se em Sociologia no ISCTE e obteve o mestrado em Ciências Sociais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Doutorou-se em Ciências Sociais, especialidade de Sociologia Geral, no ICS-UL, com a tese Human Values and Opposition towards Immigration in Europe, onde analisa o impacto de factores individuais e de contextos sociais nas atitudes face aos imigrantes, na percepção de ameaça a eles associada e no preconceito racial. Presentemente, é investigadora auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Os seus interesses de investigação têm-se centrado no cruzamento de duas linhas de pesquisa: a) o impacto da articulação entre factores individuais (valores e atitudes) e estruturas sociais no desenvolvimento de atitudes discriminatórias, nomeadamente face aos imigrantes e refugiados, numa perspectiva multinível; b) metodologias de estudos trans-nacionais e longitudinais. Desde janeiro de 2018 é Coordenadora Nacional do European Social Survey-ERIC e do European Values Study. Em conjunto com Jorge Vala e Cicero Pereira fundou em 2009 a Escola de Verão de Métodos Avançados em Análise de Dados do ICS-ULisboa. Actualmente, é Coordenadora das Escolas de Verão/Inverno e vice-presidente da Comissão de Estudos Pós-Graduados do ICS-ULisboa.


    #92 Henrique Leitão - Os mitos surpreendentes da História da Ciência

    Play Episode Listen Later Jul 22, 2020 104:46

    Henrique Leitão, doutorado em Física, Prémio Pessoa em 2014, é investigador em História da Ciência, sendo actualmente Presidente do Departamento de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Lisboa (FCUL). Interessa-se, em particular, pela história das ciências exactas nos séculos XV-XVII, pela história da ciência em Portugal e pela história do livro científico. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Foi uma conversa fascinante e surpreendente, esta, uma daquelas que me fizeram olhar com outros olhos para a História - neste caso a da Ciência - e até mesmo para o mundo em que vivemos. O Henrique já me tinha sido recomendado há muito tempo, mas confesso que fui hesitando, basicamente por recear que a História da Ciência fosse já um tema demasiado explorado, e sem grande matéria para discussão no podcast. Isto, claro, para além do interesse das descobertas científicas propriamente ditas e do trabalho das grandes figuras de referências.  Não podia estar mais enganado! Na verdade, a História da Ciência, sobretudo a História de como, a partir do século XVI houve uma transição para aquilo a que chamamos Ciência Moderna, tem muito que se lhe diga. E esta área da Historiografia ganhou uma nova vida nos últimos 50/60 anos; nova vida essa da qual, falo por mim, tinha pouca noção.  Neste último meio-século surgiu um debate intenso sobre uma série de factores que sobressaem numa análise mais fina e ampliada daqueles tempos e que eram, até ali, ignorados ou subvalorizados; aspectos que  que nos fazem perceber que as transformações que ocorreram naquele período são muito mais complexos do que a história que nos é habitualmente contada, do surgimento, quase que por geração espontânea, de um modo diferente de olhar e estudar o mundo natural.  Nesta conversa, percorremos uma série desses aspectos; por exemplo:  Será que os grandes nomes da chamada Revolução Científica pensavam como os cientistas actuais? O que dizer, por exemplo, da paixão de Newton pela alquimia, ou pela cronologia bíblica? Qual foi o motor daquela transição: um pequeno número de génios e momentos de inspiração, ou uma mudança mais transversal na organização da sociedade e na maneira como as pessoas olhavam o mundo? E essa transição ocorreu exclusivamente em alguns países do centro da Europa, ou foi um fenómeno pan-europeu? Que influência tiveram, por exemplo, os descobrimentos? E como é que áreas como a Astronomia já tinham dado o grande salto para a modernidade em meados do sec XVII, enquanto a Biologia, por exemplo, teve de esperar mais dois séculos para uma verdadeira mudança de paradigma? E, por fim, se a História é tão complicada e cheia de matizes, será que ainda faz sentido falarmos de uma Revolução Científica, ocorrida entre 1500 e 1700? Foram estas e outras perguntas que discutimos, numa conversa que foi um pouco mais ziguezagueante do que o habitual (sorry!).    Índice da conversa: Que tipo de História é, afinal, a História da Ciência? A visão simplista da História da Ciência, e da “Revolução Científica”, que ainda hoje nos é transmitida Limitação #1: Os primeiros cientistas não pensavam, em muitos aspectos, como nós O desconforto que nos cria o interesse de Newton pela alquimia Os preconceitos de Darwin Limitação #2: A influência do contexto cultural e social em que actuavam os primeiros cientistas no tipo de Ciência que fizeram Frances Yates (historiadora de ciência) Boris Hessen (historiador de ciência) - "As Raízes Sócio-Económicas dos Principia de Newton" O (alegado) papel do protestantismo no lançamento da Ciência Moderna A herança pré-moderna: Europa medieval, mundo Árabe Limitação #3: O papel fulcral dos artesãos na criação da Ciência Moderna Alexandre Koyré (historiador de ciência) Edgar Zilsel (historiador de ciência) Francis Bacon Limitação #3(b): As grandes descobertas científicas enquanto produto de saberes e debates partilhados num contexto social alargado O papel de Galileu Limitação #4: O papel da herança grega e da visão judaico-cristã na criação de um modo diferente de olhar para o mundo natural, já presente na Idade Média Os perigos e as limitações da pulsão relativizadora da Historiografia  Limitação #5: Como a ciência convive com teorias parcialmente erradas até encontrar melhor  Thomas Kuhn (filósofo de ciência) Ciência feita vs. o processo através do qual se faz ciência  Como é possível que a Revolução Científica tenha surgido precisamente num período tão marcado por conflitualidade e fechamento na Europa? Limitação #6: A transição para a modernidade científica enquanto fenómeno pan-europeu, e não apenas localizado num pequeno conjunto de países protestantes O papel dos descobrimentos na primeira fase desta transição (Sec XVI) Pedro Nunes, Frei Heitor Pinto A importância fulcral da experiência directa de milhares de pessoas com lugares distintos na mudança da relação mental com a natureza A revolução ocorrida na Iberian Science nas últimas décadas  Porque é que Portugal não fui, depois, um ator principal na ciência do século XVII em diante? O desenvolvimento da Ciência na Europa beneficiou de contributos do oriente (China, Japão)? O que é especial (ainda hoje) na cultura europeia  A importância da inscrição social da ciência e da curiosidade pelo mundo natural Limitação #7: As mudanças de paradigma não ocorreram na mesma altura e ao mesmo ritmo nos diferentes ramos da Ciência Sendo assim, ainda faz o não sentido falar de uma Revolução Científica? Mistérios em torno da Revolução Industrial Livro recomendado: Galileu, Cortesão - A Prática da Ciência na Cultura do Absolutismo, de Mario Biagioli   Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Rui Oliveira Gomes, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Rui Barbosa, Sérgio Vicente Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Henrique Leitão, a quem foi atribuído o Prémio Pessoa 2014, tem vindo a desenvolver intenso trabalho na área da história da ciência. É doutorado em Física e actualmente Presidente do Departamento de História e Filosofia da Ciência (FCUL). Interessa-se, em particular, pela história das ciências exactas nos séculos XV-XVII, pela história da ciência em Portugal e pela história do livro científico. É autor de vasta bibliografia sobre estes temas. É membro efectivo da Académie Internationale de Histoire des Sciences e é o representante de Portugal na Division of the History of Science and Technology, da International Union of History and Philosophy of Science. Entre outras associações nacionais, é sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e sócio emérito da Academia de Marinha. Coordena a comissão científica encarregue de publicar a obra completa de Pedro Nunes. Das suas traduções, destaca-se a tradução, pela primeira vez em Portugal, da obra emblemática de Galileu, Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas (Fundação Calouste Gulbenkian, 2010). Recebeu uma Advanced Grant do European Research Council em 2019.

    #91 Luís Aguiar-Conraria - A visão de um ‘liberal de esquerda’, a importância e apostar na educação & muito mais

    Play Episode Listen Later Jul 8, 2020 110:58

    Professor de Economia na Universidade do Minho, doutorado em Economia pela Cornell University, investigação nas áreas da macroeconomia e da economia política. Colunista regular na imprensa, actualmente no Expresso. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Este episódio é, de certa forma, duas conversas numa só. A primeira parte foi mais típica; falámos sobre alguma da investigação mais marcante do convidado nos últimos anos, que até é mais na área da ciência política. Por exemplo, o efeito de diferentes tipos de quóruns em referendos ou a interação entre o desempenho da economia e a justiça procedimental enquanto determinantes do voto nos governos incumbentes. Podem parecer temas algo áridos, mas garanto que as conclusões são bem interessantes. Estes papers foram feitos, aliás, em conjunto com Pedro Magalhães, que foi convidado logo no episódio seis do podcast. A segunda parte da conversa, isoladamente, podia ser um dos episódios da série Orientações Políticas que tenho gravado com diferentes convidados. Falámos sobre a visão do Luís, que se descreve como um ‘liberal de esquerda’, uma combinação invulgar que talvez explique porque é que consegue o feito raro de ter leitores de simpatias políticas muito diferentes. Isso e, talvez, o facto de não cair no perfil típico de muitos colunistas da nossa praça -- mesmo alguns dos mais persuasivos -- que apenas escrevem artigos de esquerda, ou de direita, ou contra o PS ou a defender o governo; isto é, apenas escrevem para a sua tribo, e tipicamente de uma posição moralmente superior. Esta segunda parte foi, por isso, muito mais uma discussão de ideias, sem um guião pré-definido. Falámos de temas tão diferentes como o salário mínimo e a flexibilidade do mercado de trabalho, as dificuldades do cronista regular de jornal e, a minha parte preferida da conversa, a importância da educação, e o modo como ajuda a explicar, mais ainda do que podemos achar, o atraso relativo do país.    Índice da conversa: Investigação do convidado Referendos (com Pedro Magalhães: um, dois Referendo em Itália em 2005 sobre fertilização invitro Voto económico Paper sobre o voto económico nas autárquicas Política e economia “O que é isso de ser um ‘liberal de esquerda’?” Economia pública vs Teoria da Escolha Pública Aumento do salário mínimo e Monopsónio.  Pedro Portugal Concorrência e concertação entre empresas Papel dos reguladores Fiscalidade A racionalidade (ou amoralidade) característica dos economistas Os desafios de escrever regularmente nos jornais Blog Ladrões de Bicicletas O tribalismo na política Mercado de trabalho “O mercado de trabalho em Portugal é demasiado rígido, ou, pelo contrário, já é mais flexível do que devia ser?” Texto de Ricardo Reis Mário Centeno - O Trabalho, uma visão de mercado O caso dos docentes universitários Educação / ensino “Temos um PIB alto para o nível de escolaridade da população” Escolaridade da população Público vs Privado Gestão da Escola Pública durante a pandemia e a evidência do impacto da ausência de aulas sobre o futuro dos alunos Os custos escondidos da pausa nas aulas Os benefícios de trabalhar numa empresa com um nível de escolaridade médio elevado Livro recomendado: “Beyond the Invisible Hand: Groundwork For A New Economics”, de Kaushik Basu   Obrigado aos mecenas do podcast:   Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Luís Aguiar Conraria é doutorado em Economia pela Cornell University, mestre pela Universidade do Porto e licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra. Desde 2005 que é professor de economia na Universidade do Minho. Já exerceu diversos cargos, dos quais se destaca o de director do Departamento de Economia. Actualmente é vice-presidente para a Investigação e Internacionalização da Escola de Economia e Gestão da UMinho. A sua investigação desenvolve-se na área de Macroeconomia, Economia do Ambiente, Economia Política e Métodos Quantitativos de Previsão. Recentemente começou a debruçar-se sobre a sustentabilidade da segurança social e os problemas da desigualdade de género no mercado laboral. Tem dezenas de artigos publicados em algumas das melhores revistas científicas internacionais, como o Journal of Money Credit and Banking, Energy Economics, American Journal of Political Science, Journal of Economic Dynamics and Control, entre várias outras. Em 2011 recebeu o Prémio Gulbenkian para a Internacionalização das Ciências Sociais. A nível de consultoria destaca-se a participação nas equipas que elaboraram o Estudo sobre a Poupança em Portugal — trabalho encomendado pela Associação Portuguesa de Seguradores em 2011 ― e o Parecer à Introdução à Conta Geral do Estado de 2009 — trabalho encomendado pelo Tribunal de Contas em 2010. 

    #90 Paulo Gama Mota - O mito de que a evolução produz adaptações perfeitas & muito mais

    Play Episode Listen Later Jun 24, 2020 109:05

    Como prometido, a 2ª parte da conversa com o biólogo Paulo Gama Mota. Paulo Gama Mota é biólogo, doutorado e professor na Universidade de Coimbra. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas. O convidado foi também Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra até 2015, e é actualmente presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Depois de, na primeira conversa, temos feito uma espécie de “viagem de reconhecimento” pela Biologia Evolutiva, nesta pudemos ir mais fundo em alguns aspectos deste fenómeno complexo. Começámos por falar de uma das áreas de investigação do Paulo: as causas evolutivas para os comportamentos característicos de cada espécie, muitos deles em resultado da selecção sexual — como vão ver, a variedade de comportamentos é imensa. Isso levou-nos a falar do desenvolvimento da inteligência, e do estranho caso de alguns cefalópodes, como o polvo, um animal espantosamente inteligente mas tão distante de nós que há quem lhe chame “o mais próximo de uma inteligência alienígena que podemos encontrar”. Na 2ª metade da conversa, falámos de aspectos mais gerais da evolução por selecção natural, onde as coisas nem sempre são o que parecem. Discutimos, por exemplo, o mito de que a selecção natural produz sempre adaptações perfeitas (o que está longe de ser verdade) e uma proposta ainda mais contra-intuitiva: será que há características que evoluíram por por acaso, e não por seleção? Tudo isto devidamente condimentado por exemplos e perguntas que continuam por responder.    Índice da conversa: Comportamento e ecologia comportamental Tipos de causalidade na Biologia Ensaio de Peter Medawar Seleção social (para lá da seleção sexual) Espécies que desenvolvem plasticidade de comportamento O cérebro enquanto adaptação flexível ao ambiente Os polvos que fundiam propositadamente as luzes do laboratório O que explica que o cérebro se tenha desenvolvido em algumas espécies (como a nossa)? Experiência referida de privação de comida: Minnesota Starvation Experiment O papel da sinalização na seleção sexual e noutros tipos de comportamento Papel da seleção por arrasto Sinalização sexual O caso dos auklets, aves do Alasca  Comportamentos “inter-específicos” (entre espécies) Exemplo das gazelas que sinalizam aos predadores Animais que imitam predadores Estratégias sexuais dos cabozes (peixes) Aspectos gerais da evolução  Mito de que a selecção natural produz adaptações perfeitas O caso do polegar do panda Livro: O Jogo dos Possíveis, de François Jacob  O caso do olho humano (também abordado no 1º episódio) Why every human has a blind spot - and how to find yours Outro teste Do it yourself do Exploratório de São Francisco Paisagem adaptativa O exemplo dos dodos Especialização e interdependência entre espécies  Órgãos vestigiais O caso do apêndice humano Porquê os tubarões não têm bexiga natatória (ao contrário dos peixes) Será que há características que evoluíram por deriva genética e não por seleção? A teoria da evolução por mutações neutras (Motoo Kimura) A tradição do  “mergulho para o solo” da tribo dos Vanuatu A tradição da tribo que come o cérebro dos adversários mortos A tribo que tem cegueira de cor Será o homo sapiens um caso neotenia (tipo de heterocronia)?  Sê-lo-ão os cães? Livros recomendados: A Evidência da Evolução, de Jerry A. Coyne Improbable Destinies: Fate, Chance, and the Future of Evolution (Inglés) First Edition Edición, de Jonathan B. Losos   Comentário do convidado sobre o ‘dilema obstétrico’ abordado no episódio anterior “Há dois aspectos que tiveram desenvolvimentos desde a hipótese do dilema obstétrico de Washburn, que sugeria uma relação entre tamanho da pélvis e nascimento precoce. A pélvis seria constrangida pela locomoção e o nascimento precoce por causa do canal. Estudos anatómicos sugerem que a pélvis mais larga não causa uma locomoção mais difícil. MAs, há outros aspectos relacionados com a tensão no colo do fémur, que não permitem conclusões definitivas. Por outro lado, as comparações com Australopitechus são difíceis, do ponto de vista da biomecânica. Mas, há uma nova hipótese que tem menos a ver com o parto e mais com a gravidez. Uma pélvis larga dá menos sustentação ao feto e pode mais facilmente originar partos prematuros. Nascimento precoce - Dunsworth propôs que o problema não seria o tamanho do feto, mas o custo energético. Do que li, faz sentido, mas não inviabiliza o problema do tamanho da cabeça, que é proporcionalmente enorme, na nossa espécie, às 36 semanas (junto artigo que dá uma ideia). E o custo energético também não explica porque há tantos partos que correm mal na nossa espécie, ao contrário dos outros primatas. Acho que a hipótese de Washburn continua de pé, ainda que não seja toda a explicação. Há um aspecto interessante que revela que o parto humano evoluiu em sociedades com sobreposição de gerações e forte apoio entre indivíduos do sexo feminino. Os nossos bébés são os únicos que nascem com a cabeça virada para a parte posterior da mãe. Em todos os outros primatas a cria nasce virada para o umbigo da mãe. E isso faz toda a diferença, porque esta pode ajudar o parto puxando para si. No caso humano isso poderia ser fatal, porque dobrava a cabeça para trás. Ou seja: o parto tem que ter ajuda de terceiros.”   Obrigado aos mecenas do podcast:   Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória, Margarida Varela Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino, Sara Mesquita, Nuno Tiago Samelo, Ricardo Ribeiro Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, João Aires, Gabriela, Carlos Silveira, Ricardo Campos, Sérgio Vicente, Nuno Almeida, Mauro Ribeiro, Francisco Rocha, Inês Braga, André Balsas, Francisco Manuel Reis, Ricardo Leitao, Bruno Lamas, Danel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Luís Barbosa, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Telmo Felgueira, Mike Osaka, Tiago Gameiro   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Doutorado pela Universidade de Coimbra e Professor Associado, com agregação, do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas, incluindo a nossa espécie. Em especial, interessa-se pela evolução de sinais sexuais, como a coloração nas aves, e a comunicação animal. Publica regularmente nas revistas mais importantes de comportamento animal e evolução. É investigador do CIBIO, onde coordena o grupo de investigação em Ecologia Comportamental e é Presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia. A par da sua actividade científica e de ensino, interessou-se pela comunicação de ciência, aspecto que considera essencial na actividade de um cientista. Foi director do Museu Antropológico da FCTUC, do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, e responsável pelo projecto e Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (2006-2015), que recolheu inúmeros prémios nacionais e internacionais, pela excelência do projecto e da sua actividade. Comissariou várias exposições de ciência e coordenou vários projectos de ciência cidadã, sempre com a preocupação de aproximar os cidadãos da ciência.

    #89 Paulo Gama Mota - Uma viagem pela teoria da evolução: Darwin, genes, selecção sexual e selecção de grupos

    Play Episode Listen Later Jun 11, 2020 109:06

    Paulo Gama Mota é biólogo, doutorado e professor na Universidade de Coimbra. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas. O convidado foi também Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra até 2015, e é actualmente presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Nesta conversa, fizemos uma viagem pela Biologia Evolutiva, percorrendo vários aspectos da teoria da evolução.  A evolução é um bom candidato à área mais fascinante da ciência. Como dizia o filósofo Daniel Dennett -- de quem falámos no episódio passado -- a descoberta de Darwin de evolução por selecção natural é, provavelmente, “a melhor ideia que alguém alguma vez teve”. Uma ideia muito simples de explicar, mas, na prática, com a imensa variedade da árvore da vida, incrivelmente complexa.  Compreender a lógica da evolução é fascinante por si só, mas também nos ajuda a compreender melhor uma série de outros aspectos, seja de outras áreas da ciência seja do nosso comportamento humano. Por isso, é um tema que já veio a propósito de vários temas que abordei no podcast; temas tão diferentes como genética, inteligência artificial, antropologia, psicologia evolutiva, doenças psiquiátricas, nutrição...e podia continuar. É, por isso, uma grande lacuna não ter ainda convidado um biólogo evolutivo para fazer uma viagem completa pelas teorias da evolução. Este episódio preenche essa lacuna. E, para compensar, não fica por aqui: no próximo episódio, o Paulo regressa para uma 2ª parte em que, depois desta panorâmica, falamos de vários outros aspectos que tornam a evolução um fenómeno tão complexo e, ao mesmo tempo, claro, fascinante.  Nesta primeira parte da conversa com o Paulo Gama Mota, fizemos, então, uma viagem pela biologia evolutiva. Falámos da teoria original de Darwin e do modo como foi complementada, já no século XX, pela visão da selecção como ocorrendo primariamente ao nível dos genes (e não apenas no indivíduo). E falámos também da chamada “selecção de grupo”, uma área controversa da Biologia, que propõe que a evolução pode também ocorrer um nível acima: ao nível dos grupos. Mas para haver selecção, não basta a um indivíduo ter maiores probabilidades de sobreviver mais tempo, tem que conseguir passar os seus genes para a geração seguinte. É aqui que entra a selecção sexual, de que falámos na última parte da conversa e que é uma das áreas de investigação do convidado. Nota: quando, a certo ponto, falamos de Egas Moniz, queremos obviamente dizer Martim Moniz.   Índice da conversa: Como funciona a evolução por selecção natural? Outros usos da lógica da evolução por selecção A síntese moderna Hamilton Haldane A visão da evolução centrada nos genes (ou teoria do gene egoísta) Richard Dawkins A explicação do infanticídio entre muitos mamíferos, e os primatas em particular. Transposões Quando a evolução produz resultados imperfeitos O pescoço da girafa Nos humanos: olho, próstata, o parto A visão da evolução centrada nos genes Seleção de parentesco  Green-beard effect Ajuda a explicar a origem evolutiva da homossexualidade? Grandmother hypothesis  Envelhecimento  Genes que evoluem por arrasto Diferença no tamanho de mãos e pés entre os dois sexos Seleção de grupo Edward Wilson (A mutação que nos permitiu beber leite em adultos) Evolução cultural Experiência Melissa Bateson Seleção sexual  Abetarda (pássaro) Modelo de Ronald Fisher (runaway selection) Modelo de bons genes (“sexy son hypothesis”) Modelo do handicap Livro: Evolution of beauty - Richard O. Prum (vídeo recém nascidos seguram-se sozinhos) Estímulos supranormais Modelo do sensory bias Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória, Margarida Varela Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino, Sara Mesquita, Nuno Tiago Samelo, Ricardo Ribeiro Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, João Aires, Gabriela, Carlos Silveira, Ricardo Campos, Sérgio Vicente, Nuno Almeida, Mauro Ribeiro, Francisco Rocha, Inês Braga, André Balsas, Francisco Manuel Reis, Ricardo Leitao, Bruno Lamas, Danel Almeida, Albino Ramos     Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Doutorado pela Universidade de Coimbra e Professor Associado, com agregação, do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas, incluindo a nossa espécie. Em especial, interessa-se pela evolução de sinais sexuais, como a coloração nas aves, e a comunicação animal. Publica regularmente nas revistas mais importantes de comportamento animal e evolução. É investigador do CIBIO, onde coordena o grupo de investigação em Ecologia Comportamental e é Presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia. A par da sua actividade científica e de ensino, interessou-se pela comunicação de ciência, aspecto que considera essencial na actividade de um cientista. Foi director do Museu Antropológico da FCTUC, do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, e responsável pelo projecto e Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (2006-2015), que recolheu inúmeros prémios nacionais e internacionais, pela excelência do projecto e da sua actividade. Comissariou várias exposições de ciência e coordenou vários projectos de ciência cidadã, sempre com a preocupação de aproximar os cidadãos da ciência.

    #88 Sofia Miguens - Filosofia da Mente & muito mais

    Play Episode Listen Later May 27, 2020 105:58


    Sofia Miguens é professora catedrática no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e fundadora do MLAG, dedicado à Filosofia da Mente, Linguagem e Acção. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Decidi convidar a Sofia para o 45 Graus porque há muito que queria abordar algumas das questões da área da Filosofia da Mente, em que ela se começou por especializar.  Como vão perceber, depois, como o leque de interesses da convidada dentro da Filosofia contemporânea é particularmente alargado, a nossa conversa acabou por se estender por outros terrenos igualmente interessantes. Abrimos as hostilidades a discutir uma peculiaridade da Filosofia Contemporânea que me vem intrigando já há algum tempo: o facto de coexistirem abordagens e estilos distintos na Filosofia actual -- por vezes tão distintos que nem parecem vir da mesma área do conhecimento. Há várias maneiras de organizar estas diferenças de estilo, mas a distinção mais comum é entre Filosofia Analítica e a Filosofia Continental, que correspondem também (e não por acaso) a tradições linguísticas específicas. Esta discussão levou-nos a discutir também um tema eterno: a relação da Filosofia com a Ciência: será que são, no fundo, a mesma coisa ou, pelo contrário, são irremediavelmetne incompatíveis? Na segunda parte da conversa, a partir sensivelmente dos 35 minutos, saltámos para problemas mais concretos da principal área de investigação da convidada: a Filosofia da Mente, da Linguagem e da Acção, como por exemplo o chamado “problema mente-corpo”. No último trecho da conversa, tivemos ainda tempo para discutir outro tema quente destas áreas: o campo crescente, composto por filósofos e cientistas, que declara que, por muito que nos custe, tudo indica que não temos livre arbítrio.    Índice da conversa: Livros da convidada Uma Leitura da Filosofia Contemporânea Filosofia da Mente - Uma Antologia The Logical Allien Filosofia Analítica vs Filosofia Continental Analítica: Frege, Russell, Wittgenstein  Continental: Husserl, Heidegger, Kant, Hegel, Nietzsche, Kierkegaard, Marx Quine e os "Dois Dogmas do Empirismo" Hilary Putnam Porque é que a Filosofia é tão dependente de autores individuais? Porque é que não há um corpo de conhecimento universal da Filosofia? A importância da linguagem Filosofia vs Ciência Quine e a Filosofia da Ciência Thomas Nagel e o papel do observador (“The view from nowhere”) Existencialismo Filosofia da Mente (& da Linguagem e da Acção) O que é? Daniel Dennett  David Chalmers Problema mente-corpo: onde está a nossa mente? Pensamento vs mente A Consciência  Experiências de pensamento clássicas da Filosofia da Mente Thomas Nagel - What Is It Like to Be a Bat?  Frank Jackson - Mary the super-scientist David Chalmers - o zombie filosófico Teoria de Dennett Qualia Inteligência Artificial  Racionalidade e Emoções David Hume Livre arbítrio A experiência de Libet Livros recomendados Stanley Cavell - The Claim of Reason: Wittgenstein, Skepticism, Morality, and Tragedy Robert Nozick - The Nature of Rationality   Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória, Margarida Varela Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino, Sara Mesquita, Nuno Tiago Samelo, Ricardo Ribeiro Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, João Aires, Gabriela, Carlos Silveira, Ricardo Campos, Sérgio Vicente, Nuno Almeida, Mauro Ribeiro, Francisco Rocha, Inês Braga, André Balças, Francisco Manuel Reis, Ricardo Leitao     Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Áreas de ensino e investigação: epistemologia, filosofia da mente, da linguagem e da acção, filosofia moral, história da filosofia contemporânea. Professora Catedrática no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O seu orientador de doutoramento foi o filósofo português Fernando Gil (FCSH-UNL - Lisboa, EHESS – Paris) No Instituto de Filosofia da Universidade do Porto criou em 2005 o MLAG (Mind, Language and Action Group,) que dirige até hoje e que tem levado a cabo sucessivos projectos de investigação externamente financiados (FCT, BIAL, DAAD, CNRS) e albergado o trabalho de mestrandos, doutorandos e investigadores de pós-doutoramento. No Instituto de Filosofia é ainda a responsável pela coordenação dos grupos de investigação da área de Filosofia Moderna e Contemporânea.  Foi visiting scholar na NYU – Nova Iorque (2000), no Instituto Jean Nicod, Paris (2007-2008). Foi Visiting Researcher na Universidade de Sydney – Australia (2013). Em 2017 foi Visiting Professor em Amiens. Tem lecionado cursos e feito conferências em vários países (Espanha, França, Alemanha, Áustria, Turquia, Suíça, Finlândia, Austrália, Polónia, Rússia, China entre outros). Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Foi Diretora do Departamento de Filosofia da FLUP e Diretora da licenciatura em Filosofia. É atualmente Diretora do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, uma Unidade de Investigação da FCT.  É autora de sete livros, Uma Teoria Fisicalista do Conteúdo e da Consciência – Daniel Dennett e os debates da filosofia da mente (2002), Racionalidade (2004), Filosofia da linguagem (2007), Será que a minha mente está dentro da minha cabeça? Da ciência cognitiva à filosofia (2008), Compreender a mente e o conhecimento (2009), Uma leitura da filosofia contemporânea – figuras e movimentos (2019).  Coordenou mais de duas dezenas de volumes colectivos em português e inglês, o último dos quais The Logical Alien (Harvard University Press, 2020). É autora de mais de 100 artigos em inglês, francês e português, alguns dos mais recentes: “Temptation and Therapy – Wittgensteinian responses to other minds scepticism” (Wittgenstein Studien, 2019) e “The Human Face of Naturalism – Putnam and Diamond on religious belief and the ethical ‘gulfs between us’” (The Monist, 2020).  


    [EXTRA] Remotamente Interessante - Martim Sousa Tavares: "5 músicas de que aprendi a gostar"

    Play Episode Listen Later May 19, 2020 34:56

    Muitos de vós têm pedido uma versão-podcast do "Remotamente Interessante" (programa da Fundação Francisco Manuel dos Santos que estou por estes dias a moderar). Enquanto o podcast do programa não é lançado autonomamente, deixo-vos aqui o episódio de ontem, em jeito de 'teaser' (até porque trata de um tema que ainda não abordei directamente no 45 Graus: música): Sinopse: A discussão sobre se há boa e má música é um debate eterno e provavelmente impossível de resolver. Há, certamente, pessoas a quem reconhecemos conhecimento e gosto para desvendar a boa música, mas esse gosto é um fenómeno misterioso e imprevisível. Neste episódio, a Fundação desafia o maestro Martim Sousa Tavares a partilhar cinco desses gostos improváveis. Veja o programa aqui: https://www.ffms.pt/conferencias/ciclo/4586/remotamente-interessante Ou aqui: https://www.youtube.com/user/ffmspt/videos Bio do convidado: Formado em Ciências Musicais e Direcção de Orquestra em Lisboa, Milão e Chicago. Trabalhou com orquestras de sete países, promovendo um repertório plural, da estreia mundial de obras contemporâneas ao resgate moderno de música antiga. Aos 28 anos, é uma voz activa na divulgação da música clássica, regenerando e multiplicando abordagens e formas de contacto com esta forma de arte. Coordenador de projectos educativos do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, é autor do programa semanal A Lira de Orfeu (Antena2) e tem sido ouvido enquanto comunicador em diversos contextos. No âmbito da criação e pensamento contemporâneos, foi curador do ciclo A Boca do Lobo, com uma série de concertos mensais de música clássica no Lux-Frágil em Lisboa.  

    [ANÚNCIO] Programa "Remotamente Interessante", da Fundação Francisco Manuel dos Santos

    Play Episode Listen Later May 13, 2020 1:36

    Veja o programa aqui: https://www.ffms.pt/conferencias/ciclo/4586/remotamente-interessante Ou aqui: https://www.youtube.com/user/ffmspt/videos

    #87 Alexandre Relvas - Como aumentar a competitividade da economia portuguesa

    Play Episode Listen Later Apr 22, 2020 110:03

    Alexandre Relvas é um empresário com participação activa na política e na sociedade civil. Enquanto gestor, nos últimos anos tem estado dividido entre a Logoplaste, de que é accionista e foi CEO até 2017, e um projecto família ligado à produção de vinhos, a Casa Relvas. Para além disso, é presidente desde 2013 do Conselho Fiscal da Comunidade Vida e Paz Já a participação cívica tem tomado várias formas. Politicamente, está ligado ao PSD, onde foi presidente do Instituto Sá Carneiro de 2008 a 2010. Antes disso, foi um dos promotores do “Compromisso Portugal” - um movimento que reunia um conjunto de pessoas, sobretudo gestores e economistas, com o objectivo de desenvolver propostas para aumentar o desenvolvimento económico do país (muito em linha com o que discutimos na nossa conversa).  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Esta conversa foi gravada pouco antes daquela fatídica semana de março em que de repente a pandemia tomou de vez conta do nosso espaço mental, das nossas preocupações. Por isso, por estarmos todos focados em problemas mais graves e imediatos, fui decidindo adiar a publicação deste episódio. Creio que agora é a altura certa. Não só porque estamos todos um pouco mais calmos como, sobretudo, porque estamos todos (eu, pelo menos) com vontade de pensar noutras coisas e começar a planear o futuro.  Futuro esse que passa, no imediato, por minimizar a recessão e relançar da economia, mas que não pode deixar de considerar aquilo que já era importante, e talvez se tenha tornado agora ainda mais: como tornar mais desenvolvida e competitiva a economia portuguesa.  Foi precisamente esse o mote para esta conversa com Alexandre Relvas, partindo da premissa de que o crescimento económico é uma condição necessária (embora não suficiente) para uma sociedade mais próspera para todos, e que esse crescimento depende, em grande medida, da competitividade externa das nossas exportações. Foi uma discussão extremamente interessante, em que passámos a pente-fino um leque enorme de aspectos que influenciam a nossa competitividade, positiva e negativamente, e o que fazer para corrigir estes últimos. Conceitos referidos durante o episódio: 1. O Alexandre refere, logo no início, a importância do “stock líquido de capital” para o potencial de crescimento da economia. Este “stock líquido de capital” é um indicador que mede a disponibilidade de um factor de produção específico, o capital, ou seja, máquinas, equipamentos, instalações, etc, e é portanto um determinante da capacidade de expansão da actividade pelas empresas. Se pegarmos no exemplo de uma fábrica, este stock aumentaria num determinado período se o valor das máquinas adquiridas fosse superior ao valor do desgaste das máquinas antigas. Ao ter mais máquinas em funcionamento disponível, a fábrica terá (com tudo o resto igual) capacidade para aumentar a produção. Se acontecer o contrário, claro, tenderá a diminuí-la. 2. Outro conceito de que falamos é o chamado sector não transacionável da economia. Este consiste essencialmente nas empresas que operam em sectores que não estão expostos a concorrência do exterior (por exemplo, a energia, as comunicações, a distribuição e muitos serviços, com a notória excepção do turismo). Estes sectores tendem, por isso (embora isso não seja uma consequência inevitável) a ser menos concorrenciais e, por isso mesmo, a ter empresas com lucros indevidos, as chamadas rendas.   Índice da conversa: O que correu mal nas últimas décadas em termos de competitividade da economia portuguesa vs o que correu bem Relatórios sobre a competitividade da economia portuguesa Doing Business do Banco Mundial IMD World Economic Forum -  Global Competitiveness Report 2019 Inquérito do INE aos custos de contexto das empresas portuguesas Qualificação do capital humano Infraestruturas Estabilidade das políticas Sectores não-transaccionáveis e sectores protegidos Medidas: reformas vs rupturas Lei das falências Capital social Sistema judicial Licenciamentos Acesso a financiamento Necessidade de maior consolidação de empresas (fusões e aquisições) Necessidade de uma mudança de mentalidade dos empresários  Papel das confederações patronais  Mercado de trabalho  Salário mínimo Atitude face ao empreendedorismo Artigo Isabel Stilwell - Só um tipo muito estúpido é que tem uma empresa Importância da educação e da sustentabilidade  Livros recomendados Steven Pinker - O Iluminismo Agora Hans Rosling - Factfulness - Dez razões pelas quais estamos errados acerca do mundo – e porque as coisas estão melhor do que pensamos Filantropia Artigo DN: Amancio Ortega ou Bill Gates? Portugal também tem mecenas, são é discretos Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória, Margarida Varela Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino, Sara Mesquita, Nuno Tiago Samelo, Ricardo Ribeiro Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, João Aires, Gabriela, Carlos Silveira, Ricardo Campos, Sérgio Vicente Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Alexandre Relvas nasceu em Luanda em 1956. É casado e tem cinco filhos. Licenciou-se em Administração e Gestão de Empresas na Universidade Católica Portuguesa onde exerceu actividade docente de 1978 a 1991. De 1991 a 1995 foi Secretário de Estado do Turismo do XII Governo Constitucional. É acionista e Administrador da Logoplaste. Foi CEO de 1997 a 2017. É acionista e Presidente da Casa Relvas, acionista e Administrador da Logotéis, proprietária dos hotéis Porto Bay no Algarve e Brasil e Administrador não Executivo da Nutrinveste e da Norfin. É também acionista fundador e Presidente da Assembleia Geral do Observador. É atualmente membro do Conselho Estratégico da Business School e do Conselho Estratégico do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Foi acionista fundador da Interfinança, adquirida pelo BCP, da Fonsecas & Burnay SGP adquirida pelo BPI, da E-Deal adquirida pela Sonae e da Norfin adquirida pela Arrow. É Presidente desde 2013 do Conselho Fiscal da Comunidade Vida e Paz. Membro desde 2013 do Conselho de Curadores do Museu Nacional de Arte Antiga. Foi Presidente da Associação dos Antigos Alunos da Universidade Católica em 1990 e 1991. Em 1998 e 1999 foi membro da Comissão Politica Nacional do PSD sendo Presidente o Professor Marcelo Rebelo de Souza. Em 2000 foi Diretor da campanha à Presidência da Republica do Professor Aníbal Cavaco Silva. Foi um dos promotores do Compromisso Portugal em 2004. Foi Presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro de 2008 a 2010 

    [ESPECIAL COVID-19] Gonçalo Gil Mata - produtividade e estabilidade emocional em tempos de isolamento e teletrabalho

    Play Episode Listen Later Apr 15, 2020 42:07


    Gonçalo Gil Mata colabora quer com pessoas quer com organizações para aumentar o desempenho dos indivíduos e dos grupos. Isto leva-o a explorar várias frentes, desde a produtividade, à motivação, passando por liderança e a comunicação entre pessoas nas organizações. Foi convidado do episódio #75 sobre gestão de tempo produtividade.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Vivemos actualmente um período de enorme incerteza em relação ao futuro, o que inevitavelmente nos afecta tanto na vida pessoal como no trabalho. Para além disso, muitos de nós estão há um mês em isolamento social e a trabalhar a partir de casa. Por isso, decidi abrir uma nova excepção ao lema habitual do 45 Graus, de evitar discutir assuntos da actualidade, para um episódio mais curto do que o normal sobre este tema.  Isto porque esta nova situação levanta uma série de desafios quer para a nossa produtividade (no trabalho e na vida pessoal), quer para a gestão das organizações, quer ainda (não menos importante) para o nosso bem-estar emocional, que é inevitavelmente afectado pela incerteza em relação ao futuro, pelo isolamento social e ainda, em muitos casos, pela presença de filhos durante o dia em casa. Achei, portanto, que era uma óptima oportunidade para trazer de novo o Gonçalo ao podcast, para uma conversa focada não só em compreender estes desafios mas sobretudo em perceber que soluções práticas podem adoptar as pessoas e as organizações para gerir estes tempos. Índice da conversa: O que mudou com o trabalho remoto em tempos de quarentena Efeitos sobre a produtividade  Quem tem filhos vs quem não tem Desafios para os líderes Dicas para aumentar o foco e a produtividade Dicas para delimitar trabalho e vida pessoal Métodos para trabalhar melhor em equipa Como usar as video-conferências Artigo do blog ‘A Terceira Noite’ que teletrabalho a trabalho de fábrica Reuniões em videochamada Processos de decisão Aulas à distância Efeitos sobre o bem-estar emocional  Limitações da socialização remota (e.g. whatsapp, videochamadas) Artigo da The Economist que refere analogia de Robin Dunbar Aproveitar o isolamento para as ocupações solitárias para as quais normalmente não temos tempo Causas de aumento da ansiedade, e o que fazer para a diminuir O aumento dos desafios (pessoais e profissionais) e o sentimento de culpa  Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória, Margarida Varela Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino, Sara Mesquita, Nuno Tiago Samelo, Ricardo Ribeiro Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, João Aires, Gabriela, Carlos Silveira, Ricardo Campos, Sérgio Vicente       Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Licenciado em Engenharia, com experiência em gestão de projetos a nível internacional, especializou-se em Performance Organizacional, Produtividade Pessoal e Interpessoal, Comunicação, Liderança e Psicologia Motivacional. Executive Coach certificado pela European Coaching Association, acumula certificações avançadas em Business, Life e Team Coaching, tendo treinado pessoalmente com nomes de relevo mundial como Robert Dilts, David Allen, Joseph O’Connor e Michael Neill, entre outros. Colabora com várias escolas de negócios, sendo nomeadamente responsável pelo módulo de Personal Productivity do The Lisbon MBA Executive, na Universidade Católica Portuguesa. Autor dos livros “Buena York”, 2007 e de “Ainda Não Tive Tempo”, 2015. Escreve regularmente no blog Whats The Trick e publica artigos sobre Produtividade e Performance na sua página de autor do Linkedin.


    #85 Pedro Teixeira - A nova vida dos psicadélicos como meio para compreender a mente humana e melhorar a saúde mental

    Play Episode Listen Later Apr 1, 2020 101:04


    Pedro Teixeira é professor de Nutrição, Exercício e Saúde na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar De há uns anos para cá, o interesse do convidado por formas de melhorar a nossa saúde -- mental e física -- juntou-se às experiências transformadoras que ele próprio teve com substâncias psicadélicas, o que o levou a envolver-se em várias iniciativas na área, incluindo a escrita de artigos e a participação em iniciativas de divulgação científica para o público em geral do potencial destas substâncias psicadélicos; um potencial ainda pouco divulgado e, sobretudo, que ainda está em grande parte por compreender. De facto, foi nos últimos dez, vinte anos que ressurgiu o interesse científico pelo potencial dos psicadélicos em vários campos da ciência. Mas, neste curto espaço de tempo (em termos científicos), a investigação tem vindo a revelar um enorme potencial destas substâncias não só para ajudar a compreender o funcionamento da mente humana (como o eterno mistério da consciência), mas também em aplicações com um impacto mais directo, como por exemplo no tratamento de uma série de doenças psiquiátricas, desde a adição à depressão e à ansiedade.  A par deste interesse crescente de neurocientistas e psicólogos -- que é ainda localizado mas está em franco crescimento --, vive-se hoje um entusiasmo cada vez maior também por parte de um público mais vasto, que é cativado pelo potencial de auto-descoberta destas substâncias. O ponto de viragem neste processo foi o livro “How To Change Your Mind”, que o jornalista e professor universitário Michael Pollan lançou em 2018, e que conta a História do uso e da investigação destas substâncias e da sua redescoberta pela investigação científica. A História dos psicadélicos é, aliás, fascinante em si mesma: Como falamos no início da conversa com o Pedro, já no passado a investigação nesta área tinha revelado sinais muito promissores, ao ponto de ter chegado a haver quem afirmasse que a descoberta do potencial dos psicadélicos para compreender a mente humana era comparável à revolução que significou, para a Biologia, a invenção do microscópio ou, para a Astronomia, a invenção do telescópio.  No entanto, o uso indiscriminado dos psicadélicos durante a contracultura dos anos 1960s e, sobretudo, uma campanha deliberada movida pelo Governo americano da época, conduziram à ilegalização destas substâncias em muitos países e, por conseguinte, à interrupção da investigação científica, que só no início dos anos 2000s foi retomada.  Na verdade, hoje sabe-se que os psicadélicos são, em geral, seguros do ponto de vista farmacológico, embora existam riscos psicológicos, quando o contexto de utilização não é adequado. Por exemplo, uma ‘trip’ mal enquadrada pode prejudicar a saúde mental da pessoa e há ainda casos, embora sejam extremamente raros, de pessoas que, num ‘estado alterado de consciência’ sem ninguém por perto tiveram acidentes.  Durante a nossa conversa, falámos sobre tudo isto e muito mais: explorámos, por exemplo, em mais detalhe o modo como os psicadélicos actuam na fisiologia e funcionamento do nosso cérebro, falámos de como é a experiência pessoal de tomar psicadélicos (foi muito interessante ouvir o convidado relatar as suas próprias experiências de viva voz). Falámos, também, de um aspecto particularmente curioso, que é o facto de muitas pessoas terem experiências ‘transcendentes’ com estas substâncias (e sobre o que isso pode (ou não) significar). Finalmente, abordámos a comparação deste com outros métodos que permitem ‘formas alteradas de consciência’, tais como a meditação, e falámos ainda do potencial da chamada ‘micro-dosagem’.    Índice da conversa: (Artigos do convidado no PÚBLICO) Livro: As Portas da Percepção, de Aldous Huxley  O que são substâncias psicadélicas? Os principais tipos de psicadélicos. Sandoz  Os Beatles e psicadélicos: Inside the Making of ‘Sgt. Pepper’ Timothy Leary A História dos psicadélicos: da ascensão - à ilegalização - à reabilitação nas últimas décadas Comparação com outras substâncias (e.g. álcool) Ben Sessa MDMA Toxicidade das substâncias psicadélicas Benefícios terapêuticos - doenças psiquiátricas Modo de actuação no cérebro Onde está o potencial dos psicadélicos? Experiência biográfica vs transcendental / espiritual Tipos de experiência (psicológica) com psicadélicos Robin Carhart-Harris O inconsciente Carl Jung Neurobiologia vs psicologia Como é a experiência de tomar psicadélicos? Rede de modo padrão (DMN, do inglês Default Mode Network) A dissolução do ego Livro: Stealing Fire: How Silicon Valley, The Navy Seals, And Maverick Scientists Are Revolutionizing The Way We Live And Work, de Jamie Wheal e Steven Kotler  Psicadélicos enquanto meio de acesso a “verdades transcendentes” Meditação Respiração holotrópica Outros métodos para gerar estados alternativos de consciência A frequência adequada para utilizar este tipo de substâncias? Efeitos sobre a personalidade: aumento da abertura à experiência Efeitos persistentes dos psicadélicos no cérebro Micro-dosagem Livro:


    [especial COVID-19] #84 Ricardo Mexia - “Que pandemia é esta e que medidas de Saúde Pública podem ser tomadas?”

    Play Episode Listen Later Mar 17, 2020 57:21

    Este é o segundo de dois episódios especiais sobre o novo Coronavirus (nome técnico SARSCov2). Nestes episódios procurei duas perspectivas complementares em relação à pandemia que vivemos, uma da virologia e outra da epidemiologia e saúde pública. A ideia foi aproveitar este período de quarentena para ajudar a divulgar mais informação sobre o vírus, usando este espaço para complementar a informação dos media generalistas uma vez que aqui podemos ter uma conversa com menos constrangimentos de tempo e com maior profundidade.  Ricardo Mexia é médico de Saúde Pública do Departamento de Epidemiologia (DEP) do Instituto Ricardo Jorge e Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP). E alguém que tem tido uma agenda muito intensa por estes dias. Agradeço-lhe, por isso, a gentileza de ter participado no podcast.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A conversa foi gravada domingo 15 de março e discutimos sobretudo as características desta pandemia e as medidas possíveis de resposta ao problema. Nesta quase 1 hora, cobrimos uma série de aspectos, desde o grau de contágio e letalidade do vírus, à importância de pôr em prática uma política de testes abrangente, às estratégias de resposta à pandemia que os diferentes países estão a seguir e ao que a História nos diz sobre a eficácia relativa dessas medidas e, finalmente, olhando para o futuro, o que será preciso para gerir da melhor forma uma futura pandemia. Infelizmente, não deu para cobrir tudo o que queria ter discutido. Teria sido interessante, por exemplo, abordar em mais detalhe a gestão operacional da resposta do sistema de saúde, desde a organização dos hospitais à gestão das linhas de atendimento. Já do ponto de vista da epidemiologia, outra questão importante sugerida por um ouvinte seria perceber se o contágio pode abrandar quando o tempo aquecer e, inversamente, se não existe o risco de um regresso em força se o inverno seguinte for particularmente frio.  Finalmente, um aspecto não menos importante da gestão desta crise é conseguir persuadir a população da dimensão real do problema, isto numa altura de descrença em instituições como a Ciência e tendo em conta que estamos a lidar com uma epidemia cujos efeitos maiores só se fariam sentir (se nada fosse feito) daqui a semanas ou meses. É preciso dizer, aliás, que o papel da comunicação social tem sido muito útil para reequilibrar este terreno de jogo inclinado, apelando habilmente (e, por uma vez, com efeitos positivos) a vários dos nossos vieses cognitivos: seja inundando-nos com uma torrente tal de informação que este passa a ser quase o único problema, seja provocando-nos medo com imagens da situação na China e na Itália seja, ainda, dando-nos acesso directo às pessoas por trás dos números, a quem dirigimos a nossa empatia.    Índice da conversa: Grau de contágio: R0 vs R efectivo. Diferença entre letalidade e mortalidade O caso da Coreia do Sul Porque é tão importante ter uma política de testes abrangente Casos efectivos va casos reais Jogo ‘Plague Inc’ Comparação com os vírus SARS e MERS Diferentes estratégias de combate à epidemia O imperativo de ‘achatar’ a curva epidémica O modelo do Reino Unido O modelo de Macau Imunidade de grupo Proteger os grupos mais suscetíveis Rastreio à entrada  Rastreio à saída Encerramento de escolas O que nos diz a História sobre a eficácia relativa das várias medidas que podem ser tomadas? Como gerir da melhor forma uma futura pandemia? A capacidade do Serviço Nacional de Saúde enquanto ‘bottleneck’ efectivo à capacidade de limitar a letalidade de uma pandemia Cenários para o futuro próximo em Portugal Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória,  Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado          Agradecimento especial: Ana Maranha, André Peralta Santos Bio: Ricardo Mexia é médico de Saúde Pública do Departamento de Epidemiologia (DEP) do Instituto Ricardo Jorge e Presidente da ANMSP - Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública desde Janeiro 2016. Assistente Convidado de Medicina Preventiva e Saúde Pública na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, desde 2014. Assistente convidado de Epidemiologia do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve, desde 2015. Assistente de Epidemiologia na Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, desde 2015. Coordenador de Saúde e Apoio Médico do Festival Rock in Rio Lisboa, desde 2008 Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ALIMENTA - Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares.

    [especial COVID-19] #83 Maria João Amorim - “Que vírus é este e como se comporta?”

    Play Episode Listen Later Mar 15, 2020 79:52

    Maria João Amorim é doutorada em Virologia na Universidade de Cambridge e líder do grupo de investigação em Biologia Celular da Infecção Viral no Instituto Gulbenkian de Ciência Este é o primeiro de dois episódios especiais sobre o novo Coronavirus (nome técnico SARSCov2). Nestes episódios procurei duas perspectivas complementares em relação à pandemia que vivemos, uma da virologia e outra da epidemiologia e saúde pública. A ideia foi aproveitar este período de quarentena para ajudar a divulgar mais informação sobre o vírus, usando este espaço para complementar a informação dos media generalistas uma vez que aqui podemos ter uma conversa com menos constrangimentos de tempo e com maior profundidade.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A convidada é, por isso, a pessoa ideal para compreender melhor este vírus, e fizémos uma viagem longa pelo mundo dos vírus e deste novo Coronavirus em particular. Falámos dos vírus em geral e de vários aspectos importantes do novo Coronavirus, como o surgimento do vírus, a letalidade e o grau de contágio do vírus, comparações com outros vírus, como o SARS1 e mesmo o da Gripe Espanhola de 1918, o que explica o maior grau de incidência em idosos e pessoas prévios de saúde, as expectativas que podemos ter em relação a tratamentos e ao desenvolvimento de uma vacina, e o futuro, o vírus tornar-se-á endémico ou à população vai tornar-se toda imune. Espero que gostem e que seja útil.    Índice da conversa: O que são vírus e como alguns nos fazem mal de onde veio o SARSCoV2 o que correu mal para o SARSCoV2 se tenha tornado uma pandemia? comparação com SARS1 taxa de letalidade Gráfico referido (5º da página) como vai evoluir a imunidade da população como é transmitido o vírus (contágio) período de incubação do vírus porque são os mais velhos afectados desproporcionalmente? O caso da Gripe ‘Espanhola de 1918 (a ‘Pneumónica’) Qual poderá ser a sazonalidade do vírus? A árvore filogenética do vírus: como o genoma se vai mutando Abordagens alternativas (e.g. inoculação) Que expectativas podemos ter em relação a tratamentos ou ao desenvolvimento de uma vacina? A importância de fazer o máximo de testes possível à população E no futuro, o vírus tornar-se-á endémico ou à população vai tornar-se toda imune? Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória,  Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado      Agradecimento especial: Ana Maranha, André Peralta Santos Bio: Durante e imediatamente após a licenciatura em Bioquímica pela Universidade do Porto, Maria João Amorim participou em 3 projetos em áreas diversas de Biologia e Biotecnologia: na Universidade de Wageningen na Holanda, em1998; na Escola Superior de Biotecnologia (1998-2000) e na Universidade Nova de Lisboa (2000-2001). O seu grande interesse em vírus, levou-a a desenvolver o seu doutoramento em Virologia na Universidade de Cambridge no Reino Unido entre 2002 e 2006, de onde se graduou em 2007. Seguiram-se três pós-doutoramentos em virologia e na estabilidade de RNA em levedura, todos no Reino Unido, até que em 2012 Maria João Amorim voltou para Portugal para liderar o grupo de Biologia Celular da Infeção Viral no Instituo Gulbenkian de Ciência. O seu grupo dedica-se à investigação fundamental e tenta compreender como é que o vírus da gripe interage com os vários hospedeiros que infeta, trabalho que resultou, no total, na autoria de 24 artigos científicos. Maria João Amorim, supervisiona(ou) 3 investigadores doutorados, 7 estudantes de doutoramento e vários estagiários e é frequentemente convidada para lecionar em Portugal e no Estrangeiro, bem como pra participar em conferências da especialidade e seminários. É também convidada para comissões ciêntíficas de avaliação de: projetos de financiamento ciêntífico (ERC, ANR, MRC, HFSP, Wellcome Trust) manuscritos para publicação em diversos jornais internacionais (e.g. J. Virology, PLoS Pathogens, Nature, Nature Communications, J. Cell Science, Philosophical transactions B) e avaliações de teses de mestrado e doutoramento. Finalmente, também gosta de se envolver em acções de divulgação de ciência para explicar ao público os progressos ciêntíficos que se vão fazendo em várias áreas, preferencialmente em Virologia.

    #82 Mónica Bettencourt Dias - A importância da investigação fundamental e o que ela nos tem mostrado sobre as causas do cancro

    Play Episode Listen Later Mar 4, 2020 58:47

    Mónica Bettencourt-Dias é uma premiada investigadora em Bioquímica e Biólogia Celular. É atualmente diretora do Instituto Gulbenkian de Ciência, onde também coordena um grupo de investigação.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Nesta conversa tentei explorar as várias peles da convidada: a de investigadora, claro, mas também a de comunicadora de ciência (também tem um diploma em comunicação de ciência) e a mais recente, enquanto diretora do IGC, um trabalho que implica a gestão de toda a investigação num centro de investigação de relevância global.  Começámos por falar da importância da investigação de base, ou fundamental, que é aquela a que o IGC se dedica; ou seja, investigação que não tem por objectivo gerar descobertas com aplicações práticas directas mas que é movida apenas pela curiosidade do investigador em torno de questões que possam trazer à tona princípios novos da Ciência.  Para terem uma ideia do que isso significa, no IGC, a convidada coordena o grupo que se dedica a investigar a “Regulação do Ciclo Celular”, um processo aparentemente básico, mas que é fundamental que corra bem, porque não só é o que permite ao nosso corpo crescer, e formar e fazer funcionar os nossos órgãos, como é precisamente aquilo que entra em descontrolo em muitas doenças.  E o que é o Ciclo Celular? É o conjunto de fases por que uma célula passa durante o processo em que uma célula se duplica para dar origem a duas células novas. Este ciclo é regulado na célula por vários agentes -- sobretudo proteínas -- que controlam o timing das várias fases e asseguram que não há erros e perdas de informação nesse processo de copiar uma célula para formar duas novas. Esses mecanismos são muito importantes, pois a divisão descontrolada das células pode, por exemplo, gerar células cancerosas. (Aliás, se ouviram a conversa com o Miguel Coelho, no episódio #76, falámos precisamente de um conjunto de genes que codificam algumas das principais proteínas envolvidas na regulação do ciclo celular.) Para além deste tema, da importância da investigação fundamental -- e também da investigação interdisciplinar --, falámos dos desafios para um cientista em fazer divulgação de ciência de um modo que seja simples mas não simplista. E falámos também do papel que devem ter os cientistas na sociedade.  Finalmente, como não poderia deixar de ser, tentei perceber um pouco melhor a investigação da convidada, que se debruça sobre alguns organelos de nome esquisito (organelos são estruturas da célula e que que estão para esta mais ou menos como os órgãos estão para o nosso corpo).  Uns dos que a convidada mais tem investigado são os centríolos, que, por sua vez, podem formar, dependendo da fase e do tipo de célula, outros dois organelos: os cílios, que funcionam como antenas em vários tipos de células, e os centrossomas, que têm um papel crucial no dito processo de divisão e duplicação das células.  É por isso que os centrossomas são suspeitos de estarem associados a algumas doenças complexas como o cancro. Isto porque normalmente existem dois centrossomas em cada célula, mas células cancerosas têm muitas vezes mais (por vezes, muitos mais). Uma das frentes de investigação da convidada tenta precisamente perceber porque é que isso acontece: será que foi esse aumento do número de centrossomas que causou o cancro; ou, pelo contrário, é o cancro que desregula a célula e leva à produção de centrossomas em excesso? E que novos tratamentos podem surgir destas conclusões?  Ouçam o episódio para ouvir a resposta!    Índice da conversa: A importância da Investigação fundamental Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) Investigação fundamental vs. investigação aplicada Como ter métricas de qualidade em investigação fundamental A importância da investigação interdisciplinar na Ciência Prémio IgNobel Investigador que ganhou tanto o IgNobel como o Nobel Da investigação fundamental às empresas de Biotecnologia As limitações das analogias A importância de trazer a discussão científica para a sociedade Comunicação de Ciência Grandes descobertas da última década Edição genética Papel dos micróbios Progressos na microscopia Mistérios que permanecem Progressos na investigação As funções dos cílios Como as células se coordenam para formar e fazer funcionar os órgãos O papel dos centrossomas “O aumento do número e do tamanho dos centrossomas é uma das causas do cancro?” Investigação da convidada: Regulação do Ciclo Celular Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro   Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes     Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa  Bio: Mónica Bettencourt-Dias é bioquímica e bióloga celular, líder do grupo de investigação de Regulação do Ciclo Celular no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). Desde fevereiro de 2018 é também Diretora Científica do IGC. A sua investigação envolve a regulação do ciclo celular, pela qual foi reconhecida com o Prémio Pfizer, o Prémio Keith Porter da Sociedade Americana de Biologia Celular e o Prémio Eppendorf Young European Investigator. Foi também selecionada como Jovem Investigadora em 2009 pela European Molecular Biology Organization (EMBO) e eleita membro da EMBO em 2015. Tem também um diploma em comunicação de ciência do Birkbeck College de Londres.

    #81 Joel Pinheiro da Fonseca - Compreender o Brasil: os erros dos governos do PT, a reacção ultra-conservadora e o papel das redes sociais

    Play Episode Listen Later Feb 19, 2020 94:25


    Joel Pinheiro da Fonseca é um economista e filósofo brasileiro, e uma presença frequente nos media do Brasil, com colunas de opinião no jornal Folha de S.Paulo e na revista Exame. Para além disso, tem um canal de Youtube onde se notabilizou pela análise regular à política brasileira.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Depois de acompanhar as opiniões do Joel durante algum tempo, fui-me apercebendo de que pensamos de forma muito similar, e por isso decidi convidá-lo para o podcast, para tentar compreender melhor o Brasil dos últimos anos. Se bem se lembram, conversei também sobre este tema aqui há uns meses, no episódio #70, com Cláudio Couto, cientista político, mas o tema ficou, obviamente, muito longe de ser esgotado. No actual ambiente polarizado que se vive no Brasil, o Joel distingue-se desde logo por se afirmar como liberal, o que significa que não é próximo nem dos governos do PT nem, muito menos, do actual Governo Bolsonaro. E, na minha opinião, distingue-se também por problematizar a política brasileira de uma forma que é simultaneamente rigorosa e muito original (dois atributos que, como sabe qualquer pessoa que lê colunas de opinião, parecem muitas vezes ser mutuamente exclusivos).  Durante a nossa conversa, percorremos uma série de aspectos que explicam as mudanças recentes na política brasileira. No episódio que gravei com o Cláudio Couto, comecei por lhe perguntar como chegámos aqui, isto é, o que correu mal para que alguém como Bolsonaro tenha sido eleito? E foi essa mesma pergunta que comecei por fazer também ao Joel; o que nos levou a discutir os erros dos governos do PT em relação à economia, desde a abertura aos mercados internacionais às políticas de educação. Olhando para o futuro, falámos sobre o governo Bolsonaro e o que se pode esperar, em particular, em termos de políticas económicas (visto que as políticas sociais são já hoje muito claras) (A propósito, queria corrigir um lapso: a capa da revista The Economist de que falamos a certo ponto não é de 2013 mas sim de 2009). De seguida, falámos de mudanças mais profundas, como a reacção conservadora que se vive no Brasil e perda de confiança dos cidadãos nas instituições e na Democracia. Estes são aspectos com um impacto bem mais profundo do que as flutuações da economia na opinião dos eleitores, até porque tocam em algo muito mais fundamental: a identidade. O impacto destes factores na mudança política que levou Bolsonaro ao poder tem aspectos que são particulares ao Brasil mas insere-se numa tendência transversal à ascensão de movimentos populistas, sobretudo de extrema-direita, nas democracias ocidentais.  Um aspecto com um impacto inegável na perda de confiança dos cidadãos nas instituições é a ‘desintermediação’ provocada pelo surgimento das redes sociais. No Brasil, destaca-se em particular o papel do Whatsapp, que passou, para muitas pessoas, a ser o único meio de obtenção de ‘informação’, transmitida por amigos e conhecidos; informação não-filtrada, claro, e que fechou as vias de informação tradicionais dos jornais e mesmo da televisão. Isto explica -- ou ajuda a explicar -- porque é que há hoje no Brasil (como nos EUA ) um movimento (com peso suficiente para dar que falar) de pessoas que afirmam acreditar que a Terra é plana... Discutimos, em particular, da ascensão dos movimentos populistas de direita. Aliás, falámos também do caso português (onde já temos um partido do género no Parlamento, que eu, quando gravámos, hesitei em qualificar como de ‘extrema’-direita -- mas isto, note-se, foi antes daquele comentário racista de há umas semanas...). Mesmo sobre o final do episódio, tivemos tempo ainda para falar um pouco sobre os desafios do liberalismo quer no Brasil quer em Portugal.   Ligações do convidado Canal de Youtube Coluna no jornal Folha de São Paulo Coluna na revista Exame Twitter Índice da conversa: Como chegámos aqui? O que correu mal para que tenha sido eleito alguém como Bolsonaro? Os erros em políticas económicas dos governos PT  Necessidade de abertura e liberalização da economia brasileira “Houve quem tivesse criticado o rumo da economia durante a bonança? Capa da revista The Economist Políticas de Educação Pr. Fernando Henrique Cardoso Olavo de Carvalho Secretário da Cultura (Ministro) brasileiro que copiou discurso de Goebbels Paulo Guedes (Ministro das Finanças de Bolsonaro) A perda de confiança dos cidadãos nas instituições, o novo populismo de Extrema-Direita e o papel das Redes Sociais Ensaio do convidado O papel da Identidade Vaga conservadora Tyler Cowen (economista americano) e o papel do estatuto social Os políticos fantasiados de cavaleiro medieval (cruzados) “A Democracia gera, inevitavelmente, uma certa fadiga nas pessoas com um processo que vêem como sujo e demorado?” Paper Latinobarómetro - Satisfação com a Democracia A aversão às Elites O futuro do Liberalismo no Brasil Pr. Fernando Collor de Mello “Pro market, not pro business” Livro recomendado: , de Jonathan Haidt    Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro   Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes     Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís Bio: Joel Pinheiro da Fonseca é formado em Economia (Insper) e em Filosofia (USP), e mestre em Filosofia também pela USP. Trabalha como escritor, palestrante, editor de uma publicação semestral de filosofia e arte e integrou o elenco do programa de rádio Jovem Pan 3 em 1. É colunista do jornal Folha de S.Paulo e da revista Exame.


    #80 Sandra Marques Pereira - Da evolução da casa e da sociedade no sec XX ao 'boom' imobiliário em Lisboa e Porto

    Play Episode Listen Later Feb 5, 2020 106:42


    Sandra Marques Pereira é doutorada em Sociologia pelo ISCTE-IUL, e investiga sobretudo questões relacionadas com Modos de Habitar, evolução da sociedade, arquitectura residencial e também Políticas Públicas de Habitação -- aliás, a Sandra tem tido nos últimos anos uma voz activa no debate em torno das políticas públicas de habitação, sobretudo na cidade de Lisboa.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A investigação da convidada segue uma abordagem original, que passa por estudar as transformações da sociedade através da habitação, olhando para a forma como se têm alterado quer a estrutura das casas quer o uso que fazemos delas.  Surpreendeu-me imenso, ao preparar este episódio, a quantidade de informação que se consegue para extrair da evolução da casa em relação às transformações que foram acontecendo ao nível da cultura, da demografia, da estrutura económica e, até, da organização política da sociedade.  Durante a conversa, começámos por fazer uma viagem por esta “Sociologia da Habitação”, percorrendo uma série de alterações que se deram na estrutura das casas e da sociedade ao longo do século XX, sobretudo a partir do Estado Novo. Acabámos por falar mais de Lisboa, porque é a cidade que a investigadora conhece melhor, mas passámos também pelo Porto e pelo campo, e... de resto, a cultura da época que a convidada descreve era semelhante em todo o país.  À medida que a conversa nos foi trazendo para os nossos dias, fomos dar inevitavelmente a um tema incontornável: os desafios actuais do preço da habitação nas grandes cidades, Lisboa e Porto, em que a tendência de redescoberta do Centro Histórico, ainda recente, se cruzou com o enorme aumento dos preços das casas que se tem verificado nos últimos anos.  Este é um tema complexo, e que ainda fará correr muita tinta, até porque é um caso típico em que os benefícios e os custos afectam muita gente, mas de forma diferente, em em que resolver ao mesmo tempo os desafios do curto e do longo-prazo não é nada fácil.  Para dar algum contexto, o que se passa é que desde 2016 que os preços nas grandes cidades têm vindo a subir vertiginosamente, a reboque de um círculo virtuoso - ou vicioso, dependendo de a quem perguntarmos - que se gerou entre o aumento maciço do turismo e o influxo de investimento estrangeiro, que chegou atraído sobretudo pelos vistos gold e pelos benefícios fiscais atribuídos a residentes estrangeiros, e que fez estas cidades entrarem no mercado global de imobiliário.  Durante este último trecho da conversa, tentei destrinçar as diferentes causas deste fenómeno, e, ao mesmo tempo, ouvir as soluções da convidada para resolver o problema de assegurar habitação acessível aos locais sem, ao mesmo tempo, como se costuma dizer, ‘deitar fora o bebé com a água do banho’.   Informação de contexto Livro da convidada ‘Casa e Mudança Social’ Índice da conversa: Descrição da área de estudo da convidada (Sociologia Urbana e da habitação; Modos de habitar) Evolução histórica da Habitação e dos Modos de Habitar em Portugal Arquitectura do Estado Novo (em particular em Lisboa) Gaioleiros Porto Ilhas do Porto Arquitecto Fernando Távora Aldeias, Bairros de lata Movimento Arquitectura Moderna Livro , de José Mattoso  Livro , de Bill Bryson  Evolução da casa e dos modo de habitar: causas Tecnologia, economia e mudanças culturais Casas populares na periferia das cidades Quarteirões Filme recomendado: Una giornata particolare (1977) O papel da história de vida e da personalidade no tipo de casa que escolhemos para viver. Lofts da Av. 24 julho em Lisboa Filme ‘Nove Semanas e Meia’ Filme ‘Flashdance’ Desafios da Lisboa actual - habitação acessível e uma cidade equilibrada A evolução do Centro Histórico ao longo das décadas Arq. Manuel Salgado Aumento generalizado dos preços pós-2014 Gentrificação Displacement: directo e indirecto Turismo Entrada de Lisboa nos mercados financeiros globais O fenómeno actual da enorme diferença de preços entre as grandes cidades e o resto do país Estudo Deloitte sobre o mercado europeu Imovirtual - Europe's Most Expensive HousingPolíticas públicas - que medidas tomar para resolver o problema?  Políticas públicas - que medidas tomar para resolver o problema? Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast:   Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel         Bio: Sandra Marques Pereira é doutorada em Sociologia pelo ISCTE (2010). Presentemente é investigadora do DINÂMIA'CET-ISCTE'IUL/ Grupo de Pesquisa Cidades e Territórios e professora assistente convidada do Mestrado Integrado do ISCTE (ISCTE-IUL), Doutoramento Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos (ISCTE-IUL) e Mestrado e Estudos Urbanos (FCSH-Universidade Nova/ ISCTE-IUL). As suas áreas de investigação são: habitação, mercado imobiliário, políticas públicas de habitação, modos de habitar e modelos habitacionais urbanos, trajectórias residenciais, transformações urbanas. Co-coordenadora do WG Southern European Housing do European Network for Housing Research/ENHR. Foi investigadora convidada do Institut National d'études Démographiques/ INED - Paris e membro de vários projectos FCT centrados sobre o tema da habitação. Autora de várias publicações nacionais e internacionais e vencedora de dois prémios para melhor tese de doutoramento (IHRU 2011 e André Jordan 2012) e de um prémio científico ISCTE-IUL no ano 2017. Coordenadora e membro da organização de vários eventos de divulgação científica de âmbito internacional. O seu trabalho tem acentuado a interdisciplinaridade, sobretudo com a área de arquitectura: co-orientação de teses, ensino e formação em contexto nacional e internacional, conferências e projectos de investigação.


    #79 Luana Cunha Ferreira - A psicologia das relações amorosas: intimidade, atracção e os desafios actuais

    Play Episode Listen Later Jan 22, 2020 87:25

    Luana Cunha Ferreira é psicóloga clínica, investigadora, doutorada em Psicologia da Família e professora  na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Desenvolve investigação sobre intimidade e desejo dos casais portugueses, assim como nas temáticas da parentalidade, resiliência, migrações e psicoterapia. Simultaneamente, dedica-se no consultório à terapia familiar e de casal. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Este tema é ao mesmo tempo interessante, pelo que permite compreender da psicologia humana, e relevante para...qualquer homo sapiens não celibatário. Ao mesmo tempo, porém, é extraordinariamente difícil chegar a conclusões muito nítidas, uma vez que há poucas coisas simultaneamente tão complexas e variáveis como a realidade das relações dos casais. Apesar desta limitação, há muito que descascar neste tema. Por um lado, a natureza humana, dos ímpetos às emoções -- essa sim possível de identificar apesar da variação entre indivíduos, e que tem aqui uma influência óbvia. Por outro lado, o modo como as nossas crenças e vontades hoje em dia (de liberdade, de igualdade, de intimidade) criam novas dificuldades nas relações e obrigam a repensar caso-a-caso os modelos que antes tomávamos por adquiridos. Durante a conversa, percorremos uma série de tópicos, de maneira livre, de tal forma que tive alguma dificuldade quer neste resumo quer, sobretudo, em dar um título ao episódio. Espero que gostem. Informação de contexto Página pessoal da convidada Terapia sistémica Índice da conversa: Experiência clínica da convidada; tipo de casos mais comuns David Schnarch Diferenciação do Self “A ‘compatibilidade’ entre pessoas é um mito?” Os ciúmes Papéis de género e parentalidade Atracção “Nunca fomos tão liberais como hoje, mas será que temos uma relação menos natural com o sexo?” Homoparentalidade Jorge Gato Poliamor Daniel Cardoso ‘Monogamish’ Dan Savage Novos modelos Realização, pertença, desejo  O ‘paradoxo da liberdade’ Esther Perel Quando o modelo-standard já não funciona: desafios das relações actuais “O que têm de diferente as relações felizes?” Evolução da taxa de divórcio Comparação com outros países europeus Divórcio “Por que traímos?” Relações felizes: entre a moral e o desejo de intimidade, e a importância de reconhecer realisticamente os nossos instintos Em Defesa do Erotismo, de Ana Alexandra Carvalheira  Alternativas sistêmicas: Bem Viver, decrescimento, comuns, ecofeminismo, direitos da Mãe Terra e desglobalização Livros recomendados   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória, Carlos Martins, Rui Oliveira Gomes, Corto Lemos, Rogério Jorge Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco Bio: Psicóloga clínica, Doutorada em Psicologia da Família (FPUL-FPCEUC), Professora Auxiliar Convidada na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Desenvolve investigação sobre intimidade e desejo dos casais portugueses, assim como nas temáticas da parentalidade, resiliência, migrações e psicoterapia. Iniciou o percurso profissional no Centro de apoio Familiar e Aconselhamento Parental (Associação Nós), no âmbito da formação parental e promoção da parentalidade positiva, e faz clínica individual, conjugal e familiar desde 2008, em contexto institucional e privado. É autora de diversos artigos científicos em revistas com revisão de pares internacionais, tendo colabora com equipas de investigação na Universidade de Manchester e City College New York. Tem formação em Terapia Familiar pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar. Possui CAP-CCP. Consultora em Metodologias Qualitativas. Especialista em Psicologia Clínica pela Ordem dos Psicólogos Portugueses e orientadora de estágios. Sócia fundadora da Casa Estrela do Mar.

    #78 Pedro Morgado - Doenças psiquiátricas: causas, tratamento e os mistérios que persistem

    Play Episode Listen Later Jan 8, 2020 89:01

    Pedro Morgado é médico psiquiatra, professor, também nas áreas de Neuronatomia e Comunicação Clínica, na Escola de Medicina da Universidade do Minho, da qual é também Vice-Presidente. Tem também prática clínica no Hospital de Braga e no Centro de Medicina Digital P5.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A Saúde Mental é, na verdade, um tema que já tardava no podcast. E, aliás, hei-de voltar a ele no futuro.  Nesta conversa escolhi o Pedro por ser psiquiatra, com experiência quer de investigação quer de prática clínica. Por isso falámos sobretudo de doenças psiquiátricas (que não esgotam minimamente o âmbito da Saúde Mental) e sobretudo sob a perspectiva da medicina. Hei-de voltar ao tema no futuro com a perspectiva de alguém de psicologia clínica. Foi um episódio em que aprendi imenso -- o Pedro não só sabe do que fala como é um óptimo comunicador. Durante a conversa, percorremos as principais doenças, falámos do eterno debate entre as causas biológicas e as psicológicas / sociais e ainda tivemos tempo para uma discussão mais livre sobre o que explica o facto quer de Portugal ser um dos países europeus com maior prevalência de doenças mentais quer o facto de termos um perfil de doenças mais e menos comuns muito diferente dos países vizinhos. Já sabem que podem encontrar um índice dos tópicos abordados e ainda leituras adicionais na descrição do episódio.    Temas abordados durante a conversa: Saúde mental e Doenças Psiquiátricas Depressão Causas: biológicas / físicas vs psicológicas & sociais Tratamentos Físicos Eletroconvulsoterapia Psicoterapia Cognitivo-comportamental Psicodinâmicas / Psicanálise Doenças cujas causas biológicas surgem muito antes dos sintomas (e.g. esquizofrenia)  TED talk: Thomas Insel: Toward a new understanding of mental illness Perturbação obsessiva-compulsiva (POC), uma “doença negligenciada” Taxonomia das doenças psiquiátricas Inc: Psicose vs Neurose Explicação evolutiva para doenças mentais (Ansiedade, Depressão + Psicopatia) Artigo Nature: The role of inflammation in depression: from evolutionary imperative to modern treatment target Diferenças entre países europeus na prevalência de doenças mentais Relatório da OCDE ‘Health at a Glance: Europe’ Especificidades e idiossincrasias da cultura portuguesa Livros recomendados pelo convidado Byung-Chul Han  Psicopolítica Topologia da Violência Oscar Wilde - O Retrato de Dorian Gray Filmes recomendados: Shutter Island Cisne Negro Joker   Agradecimento especial: Tiago Ramalho, Diogo Sampaio Viana, Hélder Miranda e Rui Passos Rocha  Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória, Carlos Martins, Corto Lemos Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, Rui Oliveira Gomes, José Jesus, Filipa Branco, Ana Sousa Amorim Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque Bio: Pedro Morgado é Professor de Neuronatomia, Psiquiatria e Comunicação Clínica na Escola de Medicina da Universidade do Minho e Médico Especialista do serviço de Psiquiatria do Hospital de Braga e do Centro de Medicina Digital P5. Desde 2017, é também Vice-Presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho. É licenciado em Medicina pela Universidade do Minho (2007) e doutorado em Medicina – Neurociências/Psiquiatria (2013), sendo investigador no Laboratório Associado ICVS/3B’s. É membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Comunicação Clínica em Cuidados de Saúde (SP3CS), da Alumni Medicina e da B-ACIS. É também membro dos corpos gerentes da Liga de Amigos do Hospital de Braga. Dedica-se à investigação dos mecanismos biológicos implicados nos efeitos do stresse crónico na tomada de decisão, bem como das bases fisiopatológicas de doenças como a Perturbação Obsessivo-Compulsiva, a Psicose Esquizofrénica e as Perturbações Aditivas. Tem também como interesse de investigação a comunicação clínica e a relação entre profissionais de saúde e doentes. Coordena um projeto de informação sobre doenças psiquiátricas para o Plano Nacional de Saúde Mental da Direção Geral de Saúde (DGS). É autor de mais de 40 artigos publicados em revistas internacionais com revisão de pares e 6 capítulos de livros. É Editor Associado do Frontiers in Psychiatry e do Jornal Brasileiro de Psiquiatria.

    #77 [série Orientações Políticas] João Costa - “Como criar uma sociedade mais justa?”

    Play Episode Listen Later Dec 26, 2019 82:06


    João Costa é coordenador do Mecanismo Nacional de Prevenção contra a tortura e maus-tratos. É também Doutorando na Universidade de Cambridge, com um projecto que passa por desenvolver uma ferramenta de resolução de conflitos armados em comunidades de zonas de conflito.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Durante a conversa falámos de uma série de temas. Começámos pela visão política do convidado, que nos levou a abordar questões marcantes dos tempos actuais, como a desigualdade económica, o progresso moral e questões de costumes, e também como construir uma sociedade onde o poder político tem legitimidade e evitar derivas populistas. A conversa levou-nos também à investigação do convidado, que é particularmente original, uma vez que junta conclusões da filosofia política -- como a Teoria de Justiça de John Rawls -- a evidência que vem das ciências sociais, sobretudo da área da psicologia, com o propósito de desenhar uma técnica de resolução de conflitos armados em zonas de conflito, em que os habitantes das comunidades locais são levados a compreender a posição do outro lado de forma a alterar o seu comportamento e gerar um acordo benéfico para todos. Embora a investigação nesta área estude sobretudo zonas de conflito, há paralelos óbvios entre esses conflitos acesos e a necessidade de aumentar o capital social e melhorar as instituições políticas das nossas sociedades.  A terminar a conversa, tivemos ainda tempo de voltar ao tema quente da justiça económica, em particular a tensão entre, por um lado, a necessidade de evitar uma desigualdade económica extrema e de promover a igualdade possível de oportunidades e, por outro, assegurar que o rendimento gerado legitimamente não é expropriado levianamente e que a sociedade é capaz de continuar a gerar prosperidade e crescimento económico.   Temas abordados durante a conversa: Origem do pensamento político do convidado Movimeto MUD juvenil David Hume - A Treatise of Human Nature: “It has been observed, that nothing is ever present to the mind but its perceptions; and that all the actions of seeing, hearing, judging, loving, hating, and thinking, fall under this denomination.” Problema de portugal: desigualdade de oportunidades vs desenvolvimento Como aproximar o cidadão médio das elites Como construir uma sociedade justa e estável, com poder político legítimo Jeffrey Sachs: Why Rich Cities Rebel Histórica Recente Evolução da desigualdade económica em Portugal Casamento homossexual Argumentos contra o voto das mulheres Abraham Maslow, Émile Durkheim A emoção enquanto alavanca de progresso moral Ligação à investigação do convidado Induzir emoções para obter resultados socialmente benéficos. Artigos (Intuitive Prosociality; Building peace through systemic compassion; The effects of induced emotions on pro-social behaviour; Gratitude as Moral Sentiment: Emotion-Guided Cooperation in Economic Exchange; Beyond Reciprocity: Gratitude and Relationships in Everyday Life) Racismo Democracia Étnica John McCain a defender Obama Progresso moral na sociedade John Rawls Legitimidade política Livro: Choosing Justice - An Experimental Approach to Ethical Theory, de Norman Frohlich e Joe A. Oppenheimer  Paper: Veil-of-ignorance reasoning favors the greater good, de Karen Huang, Joshua D. Greene e Max Bazerman Opting Out of War: Strategies to Prevent Violent Conflict, de Mary B. Anderson  e Marshall Wallace A Teoria de Justiça de John Rawls aplicada à resolução de conflitos Imposto sobre o património Crescimento económico enquanto jogo de soma positiva Estudo da OXFAM sobre desigualdade Argumento Wilt Chamberlain de Nozick Desigualdade e justiça económica Thick and Thin: Moral Argument at Home and Abroad, de Michael Walzer Why Things Matter To People - Social Science, Values And Ethical Life, de Andrew Sayer What I Believe, de Bertrand Russell Man's Search for Meaning, de Viktor E. Frankl Livros recomendados   Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória, Carlos Martins Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, Rui Oliveira Gomes, José Jesus, Filipa Branco Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima   Bio: João Costa é coordenador do Mecanismo Nacional de Prevenção contra a tortura e maus-tratos, resultante da ratificação, por Portugal, do Protocolo Adicional das Nações Unidas à Convenção contra a Tortura. É também Doutorando na Universidade de Cambridge, onde se encontra a desenvolver uma ferramenta de resolução de conflitos armados em comunidades locais, alterando o comportamento dos seus habitantes. João tem experiência no terreno e headquarters em peacebuilding, conflito e segurança e desenvolvimento. Como consultor, trabalhou em projetos em vários países Africanos, do Médio Oriente e da América do Sul, para clientes como o Banco de Desenvolvimento Africano, Ministérios dos Negócios Estrangeiros Holandês e Norueguês, Interpeace ou Anglo American. Foi, ainda, delegado do Comité Internacional da Cruz Vermelha na Colômbia, e parte do sistema das Nações Unidas em Haia, Genebra e Nova Iorque, em diferentes posições – a última das quais no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Jugoslávia. Completou um M.Phil em criminologia na Universidade de Cambridge (distinção) e mestrado e licenciatura na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (ambos como melhor aluno). Deu aulas na Faculdade de Direito da Universidade de Católica, em Lisboa. Publicou um livro e vários artigos científicos, tendo recebido vários prémios e bolsas.


    #76 Miguel Costa Coelho - Envelhecimento celular, cancro e biotecnologia anti-envelhecimento

    Play Episode Listen Later Dec 11, 2019 77:30

    Miguel Costa Coelho é doutorado em Biologia pelo Instituto Max-Planck, na Alemanha, e é actualmente investigador no departamento de Biologia Celular e Molecular da Universidade de Harvard, nas áreas do cancro e do envelhecimento celular. Recentemente, o Miguel lançou também um grupo de investimento em empresas de biotecnologia. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Durante a conversa, tentei compreender melhor dois fenómenos intimamente relacionados: o envelhecimento e o surgimento de cancro. No final, tivemos ainda tempo para falar de terapias promissoras para atrasar ou inverter o envelhecimento.  Se não ouviram na altura, vale a pena ouvir também o episódio #49, com Maria do Carmo Fonseca, em que abordámos muitas questões relacionadas, no campo da Genética e Biologia Molecular. Estes são temas simultaneamente relevantes e fascinantes. Que são relevantes nem é preciso explicar por quê. São fascinantes porque são uma porta para a incrível complexidade da nossa biologia. Porque é que a evolução levou a que envelheçamos como envelhecemos? E porque temos cancro? (por exemplo, embora não falemos disso durante a conversa, o cancro é muito comum em alguns animais, mas muito raro em mamíferos de grande porte como as baleias ou os elefantes). Foi, por isso, uma conversa desafiante e complexa. Aliás, no 45 Graus já sabem que é com isso que contam e não ia deixar o Miguel vir ao podcast sem mergulhar a fundo no tema. Por isso, este é um daqueles episódios que ganham em ter uma mini-aula na introdução: Antes de mais, a célula. Se ouviram a conversa com a Mª do Carmo Fonseca, que foi mais focada em genética, lembram-se que a célula é a unidade básica de todos os seres vivos, desde os micróbios aos seres complexos como nós. No núcleo de cada célula do nosso corpo está guardado o nosso genoma, uma espécie de livro, muito longo onde são escritas com moléculas de DNA as instruções para desenvolver e manter o nosso corpo. Cada ‘linha’ desse livro de instruções é um gene diferente, composto por várias moléculas de DNA, e que traz as instruções para produzir proteínas, o ‘material da vida’, pois é delas que são feitos todos os diferentes tecidos do nosso corpo.  E qual é a ligação entre as células e o envelhecimento e o cancro? Ao longo da nossa vida, logo desde o momento em que o nosso embrião foi formado (quando éramos apenas uma célula) começou um processo em que as células se foram dividindo e multiplicando, de modo a fazer-nos crescer e a manter-nos vivos e funcionais.  Ao longo desse processo, que dura a nossa vida toda, vão surgindo defeitos e erros de multiplicação, que afectam os genes e outras partes das células. Com o acumular desses erros, as células vão-se desgastando e dividindo mais lentamente o que vai prejudicando o funcionamento dos órgãos até que morremos. Mas isto é a versão boa, porque em alguns casos, antes de essa ‘morte natural’ acontecer, surgem nas células erros de replicação que afectam genes específicos e que se multiplicam descontroladamente até formar cancro. E isso, todos sabemos o resultado que tem. Esta foi, por isso, uma excelente conversa para compreender melhor estes fenómenos relacionados - envelhecimento e cancro - bem como os tratamentos com maior potencial para retardar o primeiro e evitar o segundo. Espero que gostem!   Temas abordados durante a conversa: Envelhecimento celular Envelhecimento cronológico vs envelhecimento replicativo Diferenças entre células do corpo: grau de especialização, complexidade, capacidade de regeneração Exemplos: pele, cérebro, coração, fígado Causa imediata: mutações genéticas Principais genes Supressores de tumor Proto-oncogenes Angiogénese Metástases Investigação do convidado: como começa o cancro Das células cancerígenas à formação de um tumor Instabilidade genética Tumores malignos vs benignos Teoria do ‘Disposable Soma’ Causa evolutiva: Causa das mutações(1) Cancro Diminuir os ‘azares’ vs abrandar o envelhecimento celular (ou, mesmo, rejuvenescer) Investigação do convidado sobre os micróbios que não envelhecem Experiência dos dois ratos PROTACs Investigação de ponta Aumento da longevidade  (1) Causa das mutações: o que aumenta a probabilidade de mutações Factores ambientais (e.g. Marie Curie) vs. predisposição genética (e.g. Angelina Jolie) Antigos (radioterapia, quimioterapia, ...) Novos (células CAR-T) Tratamentos Cancro Livro recomendado: The Gene: An Intimate History, de Siddhartha Mukherjee   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego   Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória, Carlos Martins Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, Rui Oliveira Gomes, José Jesus Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves Bio: Cientista, Investidor e Consultor de Biotecnologia, interessado em Cancro, Envelhecimento e Terapias Genéticas. Nascido em Lisboa mas filho de pais mirandelenses, estudou Bioquímica na Universidade de Lisboa e depois de um mestrado no Instituto Gulbenkian de Ciência, fez o doutoramento no Instituto Max-Planck, em Dresden (Alemanha). Associado do departamento de Biologia Celular e Molecular da Universidade de Harvard, nos EUA. Recentemente, saiu do mundo acadêmico para Wall Street em Nova Iorque, onde espera poder canalizar o conhecimento científico para oportunidades de investimento em biotecnologia, criando valor científico e financeiro.

    #75 Gonçalo Gil Mata - Gestão de tempo & produtividade: da importância do 'foco' ao papel do nosso inconsciente

    Play Episode Listen Later Nov 27, 2019 74:10


    Gonçalo Gil Mata colabora quer com pessoas quer com organizações para aumentar o desempenho dos indivíduos e dos grupos. Isto leva-o a explorar várias frentes, desde a produtividade, à motivação, passando por liderança e a comunicação entre pessoas nas organizações. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Um aspecto particularmente importante da produtividade, e que nos é familiar a todos, é a dificuldade em gerir o nosso tempo, isto é, em conseguir fazer tudo o que queremos fazer sem, ao mesmo tempo, pagar o preço em stress. Esse é, precisamente, o tema o tema do último livro do convidado, que serviu de mote à conversa. A ideia do livro é relativamente simples: compreender melhor a nossa mente e, com isso, não só pôr a nu os obstáculos que nos podem estar a impedir de gerir melhor o nosso tempo mas também, porque nunca conseguiremos fazer tudo, ser capaz de distinguir entre o que queremos realmente fazer e aquilo que não nos vai propriamente realizar.  Temas abordados durante a conversa: Por que queremos, realmente, gerir melhor o nosso tempo? É apenas fazer caber mais coisas nas 24h do dia? O “Paradoxo da Escolha” A “ciência da atenção” -- a importância (e a dificuldade) do “foco”, i.e., do trabalho concentrado.  A capacidade do trabalho concentrado em nos colocar num estado de “flow”, ou fluxo (aquilo a que em psicologia designa um estado mental de operação em que a pessoa está totalmente imersa no que está a fazer, caracterizado por um sentimento de total envolvimento e sucesso no processo da actividade) Como lidar com o stress Como lidar com interrupções e estímulos externos (como o email ou telemóvel): o sistema de “semáforos” do convidado  Porque é que precisamos de compreender o nosso inconsciente se queremos alterar hábitos (e perceber aqueles que, na verdade, não são importantes) Como lidar com aquela tarefa que achamos supostamente muito importante mas que, por algum motivo, estamos sempre a adiar (e porque é que a adiamos?) O que nos serve de referência externa e nos condiciona a satisfação? Porque devemos visualizar o objectivo, e os benefícios que nos traz? Micro-acções e partir o problema em pedaços Porque é que a “força-bruta da disciplina” é um método limitado para alterarmos hábitos ou atingir objectivos Truques práticos (que funcionou como uma espécie de resumo)   Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória, Carlos Martins Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão Esta conversa foi editada por: João Ervedosa   Referências abordadas na conversa: Livro do convidado: Ainda Não Tive Tempo Deepwork, de Call Newport Flow Getting Things Done, de David Allen Filme: A Vida Secreta de Walter Mitty  A importância de visualizar o objectivo What I Talk About When I Talk About Running: A Memoir, de Haruki Murakami Livro recomendado: De Dentro Para Fora - Uma Revolução Pessoal, de Michael Neill  Bio: Licenciado em Engenharia, com experiência em gestão de projetos a nível internacional, especializou-se em Performance Organizacional, Produtividade Pessoal e Interpessoal, Comunicação, Liderança e Psicologia Motivacional. Executive Coach certificado pela European Coaching Association, acumula certificações avançadas em Business, Life e Team Coaching, tendo treinado pessoalmente com nomes de relevo mundial como Robert Dilts, David Allen, Joseph O'Connor e Michael Neill, entre outros. Colabora com várias escolas de negócios, sendo nomeadamente responsável pelo módulo de Personal Productivity do The Lisbon MBA Executive, na Universidade Católica Portuguesa. Autor dos livros “Buena York”, 2007 e de “Ainda Não Tive Tempo”, 2015. Escreve regularmente no blog Whats The Trick e publica artigos sobre Produtividade e Performance na sua página de autor do Linkedin.


    #74 Pedro Galvão - Ética filosófica e Direitos dos Animais

    Play Episode Listen Later Nov 14, 2019 122:11


    Pedro Galvão é filósofo e professor na Universidade de Lisboa; investiga principalmente na área da Ética (também conhecida por Filosofia Moral) e foi sobretudo sobre isso que falámos. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O episódio tem duas partes facilmente separáveis: 1. Até aos cerca de 00:55 minutos, falámos sobre Ética filosófica no geral. O Pedro começou até por dar um passo atrás para explicar os vários campos da Filosofia e onde a Ética se situa nessa taxonomia. De seguida, falámos de algumas das principais correntes e também dos principais pontos de disputa entre quem pensa estas questões. Falámos da distinção clássica, mas ainda relevante, entre as perspectivas utilitarista e deontológica, da discussão sobre se o certo e o errado são factos objectivos ou apenas conceitos relativos (uma discussão com implicações práticas óbvias na política, por exemplo). E abordámos ainda outras questões, como se existe ou não progresso moral.    2. Na segunda parte, passámos da teoria à prática, ou pelo menos a um caso concreto, um tema de Ética aplicada: os direitos dos animais. É um campo que tem vindo a ganhar cada vez mais protagonismo. Nas últimas décadas, muitos filósofos morais (em particular, o mais mediático de todos, Peter Singer) têm argumentado que é necessário alargar as fronteiras da Ética para incluir não só os nossos deveres para com outros Seres Humanos, mas também em relação aos animais, em particular os animais ‘sencientes’, isto é, os animais que sentem de forma consciente.  Os pontos em contenda são mais que muitos. Será que temos, de facto, deveres em relação aos animais? E, se sim, que deveres? E isso implica que os animais têm direitos? (por exemplo, o convidado entende que temos deveres para com os animais, mas não acha que não se possa dizer que eles tenham direitos). E depois há as implicações práticas. O que devemos permitir, por exemplo, na indústria alimentar, ou na utilização da animais para experiências científicas, ou, ainda - tema inevitável - nas touradas? A ética dos animais é, como se percebe, um tema fascinante, mas que também nos força a diálogos internos difíceis. Por exemplo: ao contrário do convidado, inclino-me para achar que não é errado matar um animal ‘senciente’ para o comer, desde que se evite o sofrimento do bicho. Mas não será isto apenas uma racionalização minha para que possa continuar a comer carne de consciência tranquila? Na sociedade como um todo, parece que temos duas tendências de sentido contrário. Por um lado, é cada vez mais comum as pessoas tratarem os animais domésticos quase como filhos (e, mesmo quem, como eu, rejeita isso, é preciso admitir que não vemos as nossas obrigações éticas em relação aos nossos cães ou gatos de forma muito diferente das obrigações em relação aos nossos familiares). Por outro lado, (como longe da vista, longe do coração) continuamos - muitos de nós, pelo menos - a comprar e comer carne de produção intensiva, fechando os olhos ao modo como muitos destes animais são criados (basta uma pesquisa rápida no Google para perceber como).  Havia outros dois temas de Ética aplicada que queria ter abordado, mas faltou tempo. Um, o aborto, por ser muito desafiante filosoficamente; o outro, a Eutanásia, é talvez menos desafiante (porque os argumentos mais relevantes do contra são mais de índole prática do que filosófica), mas é mais actual, uma vez que, ao que tudo indica, está prestes a entrar na actualidade política. Talvez um dia volte a convidar o Pedro para terminarmos esta discussão. Fico também à espera do vosso feedback nesse sentido. Ora ouçam a conversa:   Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória Abilio Silva, António Padilha, Carlos Martins, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho,  Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego   Referências abordadas na conversa: Livros e artigos Livro do convidado: “Ética com Razões” (FFMS) Artigos do convidado sobre Direitos dos Animais:  um, dois Sam Harris - The Moral Landscape Metaethics, an Introduction, de Andrew Fisher Taking Life: Three Theories on the Ethics of Killing 1st Edition, Kindle Edition, de Torbjorn Tannsjo “What a Fish Knows: The Inner Lives of Our Underwater Cousins”  (livro sobre a senciência dos peixes) Reasons and Persons, de Derek Parfit Livro recomendado: Os Métodos da Ética, de Henry Sidgwick Filósofos Derek Parfit Henry Sidgwick Torbjörn Tännsjö John Stuart-Mill Jeremy Bentham Tom Regan Escolas de pensamento e problemas The Repugnant Conclusion (Parfit) Rule utilitarianism Non-cognitivism Moral relativism Teoria do Erro (Mackie) Moral constructivism André Silva: “Há características mais humanas num chimpanzé ou num cão do que numa pessoa em coma” Episódio do podcast da NPR ‘Hidden Brain’ em que se aborda a vida dos galos Bio: Filósofo e professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde é membro do grupo de investigação LanCog (Language, Mind and Cognition). O seu ensino e investigação situam-se sobretudo na área da ética filosófica. Escreve literatura de fantasia.


    #73 Miguel Farias - A Ciência da Meditação

    Play Episode Listen Later Oct 30, 2019 91:14

    Miguel Farias é psicólogo experimental, doutorado pela Universidade de Oxford e actualmente professor na Universidade de Coventry.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A investigação do convidado incide sobretudo na área da psicologia da crença e da espiritualidade e foi daí que resultou o livro de que é co-autor e  que serviu mote à conversa. Chama-se: , ‘The Buddha Pill’ ou, Como a Meditação Pode (ou não) Mudar a Sua Vida, e é uma análise aprofundada da ciência por trás da meditação. O livro é uma viagem pelo que a investigação científica permite concluir em relação aos efeitos da meditação: os benefícios reais, os benefícios que parecem francamente exagerados pelos promotores da meditação e mesmo os perigos que esta prática pode trazer a quem a pratica. A conversa foi muito livre, por isso andámos cá e lá entre vários temas: os efeitos da meditação, o enquadramento histórico, nas tradições espirituais hindus e budistas, a espiritualidade no geral e até a comparação entre a meditação e outras abordagens, como a psicoterapia ou simples técnicas de respiração.  O que é a Meditação? A meditação funciona basicamente usando uma determinada técnica de concentração para treinar a nossa atenção e aumentar a nossa consciência e, assim, atingir um determinado estado mental, diferente do normal. (E isto é a única coisa em comum aos vários tipos de meditação, porque quer a técnica específica quer estado que se pretende atingir variam muito.) A meditação é praticada desde a antiguidade, e por todo o mundo, até recentemente tipicamente num contexto religioso, e normalmente enquanto como parte do caminho de desenvolvimento espiritual. Esta meditação de origem oriental começou a chegar ao ocidente sobretudo a partir do século XIX. Já no século XX tivemos a entrada em força da Meditação Transcendental e, actualmente, é sobretudo do chamado Mindfulness que ouvimos falar (se ouviram falar de meditação nos últimos anos, foi quase de certeza desta técnica). Este Mindfulness tem origem no Budismo mas, na maior parte das aplicações actuais, usa-se apenas a técnica de concentração, sem a interpretação espiritual.  Nos últimos anos, esta prática vindo a ganhar adeptos muito para além a contra-cultura New Age que primeiro abraçou estas práticas. Aliás, é hoje em dia cada vez mais aplicada em contextos muito variados, como nos cuidados de saúde, no ensino e mesmo em empresas.  Para esta entrada do Mindfulness no mainstream tem contribuído muito o facto de a investigação científica parecer validar vários dos efeitos benéficos da meditação, que vão da redução da ansiedade até mesmo ao bem estar físico.  O livro do convidado, como já perceberam, é uma espécie de água na fervura sobre esta onda de entusiasmo. Como digo algures durante a conversa, já experimentei meditação, mas de forma muito limitada. A quantidade de gente em cuja opinião confio noutros temas e que diz que meditação melhorou muito a sua vida continua a fazer-me ter vontade de explorar melhor a meditação, mas a perspectiva a investigação do Miguel deixou-me, no mínimo, com uma visão mais matizada do tema.   [Artigo de opinião no Público: Oito desejos para um partido liberal em Portugal]   Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória Abilio Silva, António Padilha, Carlos Martins, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho,  Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego   Referências abordadas na conversa: Livro do convidado (com Catherine Wikholm): Original: The Buddha Pill Versão PT: Como a Meditação Pode (ou não) Mudar a Sua Vida Müller-Lyer illusion Accents Are Forever Tripiṭaka (Páli) Mircea Eliade Benny Shanon A ilusão da mão de boracha Timothy Leary Livro recomendado: A Queda Do Céu, de Davi Kopenawa Bio: Miguel Farias é um psicólogo experimental doutorado pela Universidade de Oxford. O seu livro sobre a ciência da meditação, 'The Buddha Pill: Can Meditation Change You?', foi traduzido em português pela Leya,  e actualmente prepara o Oxford Handbook of Meditation. Em 2017 ganhou o prémio William Bier, concedido pela Associação Americana de Psicologia, pelo seu trabalho sobre a psicologia da crença e da espiritualidade. Foi professor da Universidade de Oxford e é o diretor fundador do Laboratório 'Cérebro, Crença e Comportamento' na Coventry University.

    #72 [série Orientações Políticas] Mário Amorim Lopes - Desigualdade, liberalização económica, Estado Social e política identitária

    Play Episode Listen Later Oct 17, 2019 98:24

    Mário Amorim Lopes é docente universitário, investigador na área da economia e políticas de saúde, e alguém que se descreve de forma provocadora como “despudoradamente liberal”. O Mário tem sido uma presença activa no discussão pública, seja no blog O Insurgente, no Twitter, ou ainda através dos ensaios sobre a área da saúde que tem escrito no Observador. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Uma vez que nos identificamos ambos enquanto liberais - eu porventura mais “pudoradamente” do que o Mário -, e talvez, quem sabe, por eu ser um tudo-nada do contra, tentei puxar mais por temas em que previa que fôssemos discordar.  Resultou, por isso, numa conversa desafiante, embora até tenhamos discordado menos do que pensei inicialmente (o que mostra bem como não se deve reduzir as pessoas a rótulos).  Entre os temas em que estivemos alinhados destaco um que o Mário trouxe à conversa: o papel que os privados podem ter na saúde ou no ensino, e que não é, à priori, incompatível com um sistema de acesso universal.. Falámos também de questões que extravasam Portugal, como o aumento da concentração de riqueza em países como os EUA, e o aumento do poder de mercado de alguns gigantes tecnológicos; temas que me parece deverem suscitar no mínimo dúvidas entre liberais, visto que poder económico, esteja ele com indivíduos ou com empresas, facilmente converte-se em poder político. Discutimos ainda uma crítica que faço a uma parte relevante da direita liberal em Portugal, que, em muitos casos, fala muito em meritocracia mas parece, na prática, dar pouca atenção a tentar diminuir a desigualdade de oportunidades. Terminámos a discutir o que me parece ser um dos grandes desafios actuais para um progressista liberal: como fazer oposição às agendas políticas que vêm a reboque da expansão da política identitária e das tentativas de condicionamento do discurso sem deixar de reconhecer que existem, inegavelmente, problemas urgentes de injustiça social subjacentes que não se vão resolver sozinhos. No total, percorremos uma série de temas, uns mais sociais outros mais económicos: Origem do pensamento político do convidado;  A personalidade de um liberal A confusão entre desigualdade e pobreza A concentração de riqueza em indivíduos e o poder de mercado dos gigantes tecnológicos nos EUA. Os problemas gémeos de Portugal: falta de crescimento económico vs desigualdade de oportunidades O “preconceito ideológico” que impede a discussão sobre o fornecimento privado de saúde ou ensino com financiamento público Não está muita gente que se diz liberal ec defensora da meritocracia  na realidade mais preocupada com liberalizar mercados e menos com diminuir a desigualdade de oportunidades Estado Social Políticas identitárias Uma última nota ainda para a qualidade do som, que não é a melhor, visto que a conversa foi gravada remotamente, mas acho que não incomoda excessivamente.  Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória Abilio Silva, António Padilha, Carlos Martins, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho   Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Referências abordadas na conversa: The Constitution of Liberty -  Friedrich A. Hayek Atlas Shrugged - Ayn Rand Murray Rothbard The Virtue of Selfishness - Ayn Rand The Largest Study Ever of Libertarian Psychology - Jonathan Haidt John Rawls The Road to Serfdom - Friedrich Hayek The Economist - The dominance of Google, Facebook and Amazon is bad for consumers and competition Milton Friedman: ‘Pro free enterprise vs pro business” The Economist - “The Nordic countries, The next supermodel” David Brooks - The market and the welfare state go together. Modelo de Hofstede das diferenças culturais Lócus de controle Livros recomendados: Identity: The Demand for Dignity and the Politics of Resentment, de Francis Fukuyama Europe: The Struggle for Supremacy, from 1453 to the Present, de Brendan Simms Bio: Mário Amorim Lopes é docente universitário e investigador, com um percurso pessoal e profissional algo inusitado: forma-se primeiro em Engenharia Informática, tendo trabalhado em São Francisco e regressado a Portugal para fundar uma startup. Cessa a sua participação e vai viajar um ano pela Europa e América do Sul de mochila às costas, com pouco mais do que roupas e livros (D. Quixote era a obra apropriada para esta empreitada). Regressa e dedica-se um ano a uma banda de rock electrónico, em que faz composição, produção e toca baixo. Entretanto, tira o mestrado de Economia na FEP e muda de agulha. Do mestrado segue para o doutoramento, onde estudou questões de economia e políticas de saúde, realizando investigação e consultoria na área da saúde. Escreve no blog Insurgente e produz ensaios sobre temas da área da saúde para o Observador. É despudoradamente liberal.

    #71 [série Orientações Políticas] Pedro Lomba - O peso crescente da ideologia, os limites à integração europeia e a crítica à sociedade dos direitos

    Play Episode Listen Later Oct 10, 2019 69:01


    Pedro Lomba é advogado e professor universitário. A actividade política do Pedro está ligada ao PSD e foi Secretário de Estado do governo de Passos Coelho. Mas foi bem antes disso que o Pedro começou por dar que falar, quando, ainda nos primórdios da blogosfera, em 2003, integrou um dos blogues mais marcantes, conjuntamente com Pedro Mexia e João Pereira Coutinho, onde uma direita mais jovem começava a mostrar-se.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Este é o 1º episódio de uma nova edição da série ‘Orientações Políticas’ que fiz na temporada passada. Gravámos esta conversa ainda durante a campanha das legislativas mas como, sendo sobre política, não nos focámos nas eleições, decidi deixar passar o período eleitoral e publicá-lo só agora. Nesta 2ª edição da série ‘Orientações Políticas’ a minha ideia é a mesma dos episódios que publiquei anteriormente - conversar com pessoas com posicionamento político conhecido - mas desta vez vou tentar encontrar pessoas que actualmente estejam fora da política activa (como é o caso do Pedro). Da minha parte, enquanto anfitrião, a abordagem é a mesma da série anterior: por um lado, tento debater com o convidado as suas ideias e confrontá-las com a minha própria visão crítica; por outro lado, tento estar de mente aberta e aprender com os insights que o convidado traz (como faço nos episódios ‘normais’ do podcast). Isto é importante até porque, embora eu tente sempre ir atrás dos factos, quando falamos em política, a realidade é demasiado complexa para conseguirmos se 100% objectivos. Para além disso, os nossos valores variam entre indivíduos diferentes e influenciam sempre a nossa visão das coisas. Esta nossa conversa foi muito aberta. Fomos saltando de tema em tema sem um guião pré-definido. E, aliás, ao reouvi-la, percebi que foi mais o convidado quem definiu o rumo da conversa do que eu, o que nestas conversas é o ideal. O facto de ter sido um diálogo aberto implica, por outro lado, que houve temas que ficaram por concluir e, pelo menos da minha parte, reflexões que são mais um princípio de opinião do que uma opinião definitiva. Mas julgo que esse é o maior valor deste exercício: dar a quem ouve um acesso (quase) em bruto a uma conversa franca entre duas pessoas. Durante esta hora e pouco, cobrimos uma série de assuntos. Comecei por tentar perceber a origem do pensamento político do convidado e daí partimos para discutir outros temas, vários dos quais dão hoje muito que falar: (i) os limites à integração europeia numa Europa de Estados-nação com culturas específicas, (ii) as ameaças à liberdade de expressão nestes tempos em que o espaço público passou a abarcar as redes sociais, (iii9 e aquilo que o convidado vê como o problema do ressurgimento de novas ideologias em sítios como as Universidades. Mais para o final da conversa, discutimos também a crítica do convidado a uma sociedade por vezes demasiado focada nos direitos, um tema que em si mesmo dava uma conversa. Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória Abilio Silva, António Padilha, Carlos Martins, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus   Esta conversa foi editada por: João Torgal  Sugestões de leitura (e não só) referidas na conversa: Benjamin Constant Alexis de Tocqueville História Intelectual do Liberalismo, de Pierre Manent  Milton Friedman sobre o rendimento mínimo garantido Citação da série Chernobyl Adam Smith’s market never stood alone - Amartya Sen (FT) Livro recomendado: The Once and Future Worker: A Vision for the Renewal of Work in America, de Oren Cass Bio: Pedro Lomba é licenciado, mestre e doutorado em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa e Professor Auxiliar da mesma faculdade. Obteve o Doutoramento em Direito na mesma Faculdade, detendo também um Master of Research em Direito Comparado e Direito Internacional, pelo Instituto Universitário Europeu. É actualmente advogado na firma PLMJ, sócio nas áreas de Público e de Saúde, Ciências da Vida e Farmacêutico. Para além da prática como advogado, foi também Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional no XIX Governo Constitucional (2013-2015), Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares no XX Governo Constitucional (2015) e Assessor da Presidência do Conselho de Ministros (2003). Pedro tem tido uma vasta intervenção pública nos órgãos de comunicação social desde 2004, e é atualmente membro do Conselho de Opinião da RTP.  Foi colunista de vários órgãos de comunicação social, nomeadamente Público, I, Diário de Notícias, Diário Económico, O Independente, e comentador na RTP N. É autor dos livros «Teoria da Responsabilidade Política», Coimbra, 2008; «Constituição Portuguesa Anotada» - Vol. 3 (com Alexandre Sousa Pinheiro), Coimbra, 2008; «Direitos Fundamentais e Jurisprudência Constitucional - Materiais de Apoio às Aulas Práticas» (com Alexandre Sousa Pinheiro), 2006; e de numerosos artigos.


    #70 Cláudio Couto - Compreender o Brasil na Era-Bolsonaro

    Play Episode Listen Later Oct 2, 2019 101:22

    Cláudio Couto é cientista político, actualmente professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, no Brasil. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Falámos, claro, de política brasileira. Como não poderia deixar de ser, focamo-nos na conjuntura actual, em que se vivem tempos de grande instabilidade na sociedade brasileira, da qual é simultaneamente consequência e causa a tumultuosa presidência de Jair Bolsonaro. Como é hábito no podcast, deixámos de lado a espuma dos dias e tentámos sobretudo perceber os factores de fundo que explicam este estado de coisas, desde a história política recente do Brasil às particularidades do sistema político, passando por factores que influenciam directamente a satisfação dos eleitores, como como a economia, a corrupção, a criminalidade ou ainda, a um nível mais profundo, o peso crescentes da moral conservadora ligado à ascensão das igrejas evangélicas. Estes últimos factores são essenciais para perceber a situação actual. E se há alguns, como o preconceito em relação a minorias, que explicam mas, na minha opinião, não justificam o apoio do eleitorado a Bolsonaro, outros há - como o aumento da violência ou a queda da economia - que revelam claramente um falhanço das instituições para o eleitor brasileiro médio. Foi, então, sobre estes e outros temas que conversámos. Como já vão perceber, era difícil pedir melhor convidado para falar sobre estes assuntos, seja pelo grau de conhecimento do Cláudio, seja pela isenção com que relata a situação no Brasil seja, ainda, o que não é de somenos, por ser um um óptimo comunicador. E a conversa foi bem fluída, o que comprova mais uma vez que as diferenças linguísticas são uma barreira muito menor do que por vezes se pensa. (Apesar de algumas diferenças vocabulares que podem criar alguma confusão, aqui e ali, como por exemplo a designação Ministro da Fazenda, que é o equivalente ao nosso Ministro das Finanças.) E a propósito de pontos que podem criar confusão, quando o convidado fala, en passant, na chamada “era Vargas”, refere-se ao tempo de Getúlio Vargas, que foi presidente durante a 1ª metade do século XX e foi provavelmente o mais icónico político brasileiro desse século. Nota importante Fomos nomeados para o Prémio do Público do festival PODES. Obrigado a todos aqueles que votaram! Votem agora, por favor, para que o 45 Graus integre a shortlist de 5 a partir da qual será atribuído o prémio final. https://www.publico.pt/podes     Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória Abilio Silva, António Padilha, Carlos Martins, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral  Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos   Apoio à edição de Martim Cunha Rego    Referências abordadas na conversa: Getúlio Vargas Latinobarómetro 55% dos brasileiros não confiam em Bolsonaro, diz pesquisa CNI/Ibope Pesquisa da Transparência Internacional que mediu a percepção e a experiência com desvios na América Latina e Caribe Roberto DaMatta (Antropólogo) Cinco Homens que Abalaram a Europa - Jaime Nogueira Pinto  Livro recomendado: O Pêndulo da Democracia - Leonardo Avritzer Bio: Coordenador do Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas (MPGPP) da EAESP-FGV. Graduado em Ciências Sociais (1991), mestre em Ciência Política (1994) e doutor em Ciência Política (2000), todos os títulos obtidos pela Universidade de São Paulo. Realizou estágio de pós-doutorado na Universidade de Columbia (EUA) com apoio da CAPES (2005-6). É professor adjunto do Departamento de Gestão Pública da EAESP da Fundação Getúlio Vargas - SP e docente dos cursos de graduação em Administração Pública e Administração de Empresas. É do Núcleo Docente Permanente (NDP) do curso de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em Administração Pública e Governo, na linha de pesquisa de Política e Economia do Setor Publico. Foi Secretário Adjunto e, depois, Executivo da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais) nos biênios 2013-14 e 2015-16. Colunista eventual de Política dos jornais Valor Econômico e O Estado de S. Paulo e colunista fixo de política do site The Brazilian Report.

    #69 Joana Rato - Mente, Cérebro e Educação

    Play Episode Listen Later Sep 18, 2019 75:35

    Joana Rato é Psicóloga, doutorada em Ciências da Saúde e actualmente desenvolve investigação na Universidade Católica, com o projecto ‘Mente, Cérebro e Educação’. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A Joana publicou recentemente, juntamente com Alexandre Castro Caldas, o livro ‘Quando o Cérebro do Seu Filho Vai à Escola’. No livro, os autores explicam o que a ciência sabe hoje sobre o modo como o nosso cérebro aprende e o que isso implica para a maneira como ensinamos nas escolas. É um livro com muita informação, que nos ensina o que não sabemos e enquadra também alguns mitos e clarifica simplificações nesta área. Ao longo da nossa conversa, fomos percorrendo e discutindo vários aspectos referidos no livro, desde os melhores métodos para memorizar (que não são nada óbvios) à importância do sono para a memória e até mesmo ao papel da escola em ensinar-nos a pensar criticamente, a discutir ideias e a saber apresentar claramente o nosso ponto de vista -- tudo características fundamentais para uma sociedade aberta e dinâmica Notícia importante: Vai realizar-se no dia 9 de novembro (um sábado) o PODES, o primeiro festival de podcasts a realizar-se em Portugal. Passem por podes.pt/recomendar e nomeiem o 45 Graus para os prémios do festival (se acharem que merece, claro!).  Edição principal: João Torgal    Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória Abilio Silva, António Padilha, Carlos Martins, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes   Referências abordadas na conversa: Livro da convidada: Quando o Cérebro do Seu Filho Vai à Escola - Boas práticas para melhorar a aprendizagem, de Joana Rato e Alexandre Castro Caldas  Susan Gathercole The Illusory Theory of Multiple Intelligences Bio: Psicóloga da Educação desde 2003 e doutorada em Ciências da Saúde (na especialidade de Neuropsicologia) pelo Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa (UCP) desde 2014. Atualmente desenvolve trabalho de Pós-Doutoramento no Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde(CIIS) da UCP, com o projeto Mind, Brain and Education: A school-university partnership,onde orienta um grupo de trabalho em Mente, Cérebro e Educação constituído por uma equipa multidisciplinar. Em 2013 recebeu o Alumni Award da James S. McDonnell Foundation que permitiu a sua participação na 3rd Latin-American School for Educational, Cognitive and Neural Sciences e em 2015 ganhou o Prémio de Mérito da Fundação D. Pedro IV. Os seus interesses de investigação passam pela Neuropsicologia aplicada à Educação com destaque para a avaliação neuropsicológica de crianças e adolescentes.

    #68 Ricardo Araújo Pereira pt2 - Da sátira ao humor auto-depreciativo; da posição do humorista à do espectador

    Play Episode Listen Later Sep 11, 2019 87:29


    Neste episódio, como prometido, trago-vos a 2ª parte da conversa que gravei com o RAP sobre Humor.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Durante esta quase hora e meia fizemos uma viagem ainda mais alargada ao mundo do humor.  Falámos sobre os vários tipos e funções do humor, desde a sátira ao humor autodepreciativo; o que nos levou à dimensão da comédia enquanto transgressão e ao modo como, quando se faz de um determinado assunto terreno sagrado, isso o faz automaticamente, enquanto objecto de humor, ainda mais apetecível.  Conversámos também sobre o que está por trás desta nossa capacidade para achar graça, e que nalguns casos se pode descrever como uma ‘suspensão da compaixão ou da emoção’.  Isto levou-nos a um assunto que já tínhamos aflorado na 1ª parte da conversa: o papel da moral no humor. Isto é, se a ética do humorista (e do espectador), têm ou não influência no humor que o comediante decide fazer e naquilo a que achamos graça. Por exemplo, será que é verdade, como os comediantes insistem, que “dizem qualquer coisa para provocar o riso da audiência”. E, do nosso lado, espectadores, há temas ou abordagens restritos ou tudo é ingrediente para o humor? Esta questão toca em temas que podem dificultar a dita ‘suspensão da emoção’, como o piadas racistas ou xenófobas ou humor desviante. É uma discussão muito interessante, esta, e ao editar a conversa fiquei com a sensação de que a poderíamos ter aprofundado mais. No fundo eu partilho a perspectiva do Ricardo, mas acho que há algumas cambiantes que é interessante discutir.  E pronto, foi uma excelente dupla dose de conversa. A vantagem de ter sido uma conversa longa é que pudemos cobrir muitos assuntos. Mas havia ainda mais a discutir, como por exemplo os desafios da escrita humorística e do guionismo, ou a comparação do humor com outras formas de criação humana e de arte. Talvez numa próxima conversa!  Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos Joana Faria Alves, Joao Manzarra, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Salvador Cunha, Tiago Leite, Duarte Dória Abilio Silva, António Padilha, Carlos Martins, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Joao Salvado, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe. Agradecimentos especiais neste episódio: Paulo Ferreira, Luís Figueiredo, Tiago Diogo   Referências abordadas na conversa: Livro do convidado: A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar - Uma espécie de manual de escrita humorística A Guerra do Fogo Revisionist History - The Satire Paradox Fools Are Everywhere: The Court Jester Around the World  - Beatrice K. Otto Jim Carrey I'm Kicking My Ass | Liar Liar Dave Rubin Louis CK Sarah Silverman História do Riso e do Escárnio - Georges Minois “According to The Tramp and the Dictator, Chaplin arranged to send the film to Hitler, and an eyewitness confirmed he saw it. Hitler's response to the film is not recorded, but another account tells that he viewed the film twice.” John Cleese on Creativity In Management So, Anyway… - John Cleese Henri Bergson Livro recomendado: Do Éden ao Divã, Humor judaico - Moacyr Scliar, Etiahu Toker e Patricia Finzi  Hershel of Ostropol Bio: Ricardo Araújo Pereira (Lisboa, 1974) é licenciado em Comunicação Social pela Universidade Católica, e começou a sua carreira como jornalista no Jornal de Letras. É guionista desde 1998. Em 2003, com Miguel Góis, Zé Diogo Quintela e Tiago Dores, formou o Gato Fedorento. Escreve semanalmente na Visão (Portugal) e na Folha de S. Paulo (Brasil) e é um dos elementos do programa da TSF/TVI24 Governo Sombra. É autor e apresentador de Gente Que Não Sabe Estar (TVI). Com a Tinta-da-china, publicou seis livros de crónicas — Boca do Inferno (2007), Novas Crónicas da Boca do Inferno (Grande Prémio de Crónica APE 2009), A Chama Imensa (2010), Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno (2013), Reaccionário com Dois Cês (2017) e Estar Vivo Aleija (2018) —, além dos volumes de Mixórdia de Temáticas, que reúnem os guiões do programa radiofónico, e de um ensaio: A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar (2016, também publicado no Brasil). No Brasil está ainda publicada a coletânea de crónicas Se não entenderes eu conto de novo, pá (Tinta-da-china, 2012). Coordena a coleção de Literatura de Humor da Tinta-da-china, que publicou livros de Charles Dickens, Denis Diderot, Jaroslav Hasek, Ivan Gontcharov, Robert Benchley, S.J. Perelman, George Grossmith e, mais recentemente, José Sesinando. É o sócio n.º 12 049 do Sport Lisboa e Benfica.


    #67 Ricardo Araújo Pereira pt1/2 - Do Humor à Liberdade de Expressão, e vice-versa

    Play Episode Listen Later Jul 31, 2019 59:14


    No último episódio da temporada, e a pedido de várias famílias - que é como quem diz, de vários ouvintes - trago finalmente o tema Humor ao podcast, e logo com o convidado ideal para este tema: Ricardo Araújo Pereira.  -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Há muito que queria pegar neste tema no podcast, porque o acho fascinante e misterioso ao mesmo tempo. O humor está presente em muito do que fazemos - mas não em tudo - e pode ser extremamente básico mas também desafiantemente complexo. Perceber o que nos faz rir e, mais importante, por que nos rimos é algo em tenho pensado e esta foi uma óptima oportunidade para falar com alguém que não só é provavelmente o humorista português mais marcante do século XXI mas também uma espécie de filósofo do humor e um pensador de direito próprio sobre estes temas. O pretexto para a conversa foi um pequeno, mas muito interessante livro, que o Ricardo publicou há uns anos e que ele define como “uma espécie de manual de escrita humorística”. Este episódio é, na verdade, apenas a primeira parte da nossa conversa, porque gravámos em dois dias diferentes, o que permitiu ter uma conversa mais alargada do que o normal, em que pudemos discutir uma série de temas em profundidade.  Durante este episódio, começámos por discutir a resposta a uma pergunta simples mas que continua a ser misteriosa: por que rimos? Falámos de um livro muito interessante de Matthew Hurley, Daniel Dennett (Inside Jokes), que tenta dar uma explicação evolutiva para a nossa capacidade para achar graça e que vai muito ao encontro da visão que o Ricardo expõe no livro.” Para compreender este fenómeno do humor, passámos também pelas chamadas ‘Teorias do Humor’, que deste a antiguidade tentam explicar este fenómeno. Um tema inevitável que também discutimos é o número crescente de pessoas ferozmente criticadas, despedidas do trabalho ou mesmo processadas por mandar uma piada. Isto resulta do facto de o humor ser hoje visto, em alguns campos, como uma fonte de poder e um meio potencial de agressão. Discutimos, então, isso mesmo, se o humor pode ser agressão, falámos de liberdade de expressão e do papel do humor nas relações humanas e na sociedade como um todo.  Mas claro que para responder a estas perguntas precisámos de voltar constantemente ao início da conversa. Por isso a discussão sobre o que é o humor e porque achamos graça esteve sempre presente. O Quarenta e Cinco Graus regressa em setembro, com a 2ª parte desta conversa, um episódio mais longo em que pudemos explorar vários aspectos que ficaram de fora desta primeira parte. Fiquem atentos! Fotografia: DR Inquérito aos ouvintes: https://pt.surveymonkey.com/r/F7FQDDZ (obrigado por participarem!)   Obrigado aos mecenas do podcast: Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Tiago Leite, Joana Faria Alves Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, Rafael Melo, Alexandre Almeida, Carmen Camacho, João Nelas Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho, Marise Almeida; Gonçalo Martins, José Galinha, João Castanheira, Marta Madeira, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, Rui Passos Rocha, João Moreira, Vítor Filipe, isosamep, Telmo  Agradecimentos especiais neste episódio: Paulo Ferreira, Luís Figueiredo, Tiago Diogo   Referências abordadas na conversa: Livro do convidado: A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar - Uma espécie de manual de escrita humorística Inside Jokes: Using Humor to Reverse-Engineer the Mind - Matthew M. Hurley, Daniel C. Dennett, Reginald B. Adams Jr. Citação de William Hazlitt Umberto Eco - O Nome da Rosa (riso) Fernando Pessoa - Poema em linha recta Laughter Of The Oppressed - Jacqueline A. Bussie  Neil Simon Bio: Ricardo Araújo Pereira (Lisboa, 1974) é licenciado em Comunicação Social pela Universidade Católica, e começou a sua carreira como jornalista no Jornal de Letras. É guionista desde 1998. Em 2003, com Miguel Góis, Zé Diogo Quintela e Tiago Dores, formou o Gato Fedorento. Escreve semanalmente na Visão (Portugal) e na Folha de S. Paulo (Brasil) e é um dos elementos do programa da TSF/TVI24 Governo Sombra. É autor e apresentador de Gente Que Não Sabe Estar (TVI). Com a Tinta-da-china, publicou seis livros de crónicas — Boca do Inferno (2007), Novas Crónicas da Boca do Inferno (Grande Prémio de Crónica APE 2009), A Chama Imensa (2010), Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno (2013), Reaccionário com Dois Cês (2017) e Estar Vivo Aleija (2018) —, além dos volumes de Mixórdia de Temáticas, que reúnem os guiões do programa radiofónico, e de um ensaio: A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar (2016, também publicado no Brasil). No Brasil está ainda publicada a coletânea de crónicas Se não entenderes eu conto de novo, pá (Tinta-da-china, 2012). Coordena a coleção de Literatura de Humor da Tinta-da-china, que publicou livros de Charles Dickens, Denis Diderot, Jaroslav Hasek, Ivan Gontcharov, Robert Benchley, S.J. Perelman, George Grossmith e, mais recentemente, José Sesinando. É o sócio n.º 12 049 do Sport Lisboa e Benfica.


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