POPULARITY
A realizadora angolana Pocas Pascoal, foi distinguida a 9 de Agosto com o 'The Open Doors - OIF Francophonie Award', no âmbito do Festival de Cinema de Locarno na Suíça que decorreu de 5 a 15 de Agosto. Durante o festival, a cineasta, autora nomeadamente de fitas como 'Memórias de Infância' em 2000, ou ainda 'Alda e Maria' em 2011, projectou a sua curta-metragem 'Time to Change', um filme sob forma de denúncia do colonialismo e apresentou o projecto pelo qual foi premiada, em torno da figura da cineasta francesa Sarah Maldoror, conhecida designadamente por ter acompanhado em imagem a luta de libertação de Angola. Em entrevista à RFI, a realizadora, a viver em Portugal há cerca de nove anos, partilhou a sua alegria por ter sido distinguida, falou da sua experiência como cineasta em Portugal e também evocou o que pretende contar na fita sobre Sarah Maldoror. RFI: Como se sente com o prémio que recebeu em Locarno? Pocas Pascoal: Sinto-me muito bem! Acho que é um grande impulso também para a minha carreira, que já começou há muitos anos, mas continua a crescer. É um prémio que vai valorizar também o projecto que eu estou a escrever sobre a Sarah Maldoror, que vai de certeza permitir-me concluir o projecto que estou a escrever e espero eu que vai ajudar também a ter financiamentos. Portanto, eu acho que é assim uma coisa muito, muito importante, o que me aconteceu. Tive muita gente a contactar-me interessada no projecto depois deste prémio. Isto é um grande impulso. O Festival de Locarno em si, é um grande programa de encontro e que nos permite fazer contactos e relações que ficaram até para o resto da vida, de certeza. Portanto, já isso é muito, muito importante como festival, como plataforma mesmo de formação. Nunca aprendi tanta coisa sobre cinema em tão pouco tempo e nunca fiz tantos encontros em tão pouco tempo também. Portanto, o facto de estar no Festival de Locarno em 'Open Doors' já é um grande presente e um grande prémio, porque permite-nos projectar o meu projecto internacionalmente. Estive lá com o filme e, sim, há já algumas coisas que estão a avançar bem e penso que vamos assinar um contrato de co-produção. RFI: A curta-metragem que lhe deu essa chave para a próxima etapa é 'Time to Change'. O que é 'Time to Change'? Pocas Pascoal: É uma crítica à colonização, à colonização em geral, mas sobretudo à colonização portuguesa, que foi aquela que Angola viveu. Tento denunciar através deste filme aquilo que se passou. E faço uma ponte entre o passado e o presente, hoje, criticando a relação que os portugueses tiveram, que foi uma relação de repressão e de exploração. Em Portugal há uma mentalidade ainda que, infelizmente, continua. Continuam a pensar que a colonização portuguesa foi uma boa colonização, que foi uma colonização 'soft', que misturaram-se muito e que não foi assim tão grave. Mas foi grave, Foi muito grave. Este filme denuncia aquilo que foi a colonização e também denuncia o desequilíbrio dos ecossistemas que começaram naquele momento. Portanto, quando os portugueses chegaram, havia um equilíbrio, uma maneira de viver que os angolanos, o ser humano teve que modificar, teve que se adaptar àquilo que esses colonos quiseram que eles se tornassem. Mesmo a nível de habitação, a nível da arquitectura, tivemos que sair da nossa casa feita de madeira e de palha, que era uma coisa local. Houve várias coisas que se podem aprofundar em relação a isso e mudaram-nos completamente, a nossa maneira de ser, a nossa cultura, a nossa linguagem mesmo. A língua que tivemos que falar foi a portuguesa. E também a natureza, os animais. Para mim, esta alteração climática começou já nesse momento. Portanto, eu faço esta ligação do passado ao presente para denunciar as consequências desta colonização ainda hoje. RFI: Como é que é estruturado este filme? Portanto, é um filme que vai buscar imagens documentais. Por exemplo, uma imagem muito forte, muito simbólica, de caçadores. Pocas Pascoal: Eu utilizei imagens de arquivo no filme e não só. Também tem imagens dos dias de hoje. Essas imagens do caçador são imagens horríveis e acho que apercebemo-nos que naquela altura caçava-se muito de forma recreativa. Caçava-se para o homem se sentir mais forte, o mais forte do universo, mais forte do que os animais, mais forte do que o elefante, que é um animal gigante. Numa das fotografias, tem uns três caçadores com uns cinco ou seis Elefantes. é uma coisa horrível. E são animais que hoje em dia estão a desaparecer por causa disso. Por foram tão caçados às vezes só para poderem pôr um troféu na parede. E às vezes para poder se sentirem fortes. E para poderem utilizar o marfim. É uma coisa absurda, porque é uma mentalidade que infelizmente destruiu. E isto, acho que temos que tomar consciência. E lembrarmo-nos, continuarmos a lembrar o que foi e o que é que está a acontecer hoje. Portanto, é uma maneira para mim também de reavivar a memória. RFI: Falou da forma como Portugal encara o período colonial. Como é que ele é encarado em Angola? Pocas Pascoal: Ai, eu já não estou em Angola há 40 anos! E vou muito raramente a Angola. Seria difícil falar sobre este tema. Sei que em relação aos angolanos que estão na diáspora, é uma luta constante contra o racismo. Eu vivi vários anos em França e nunca vivi tanto racismo como vivo aqui em Portugal, infelizmente. Há coisas maravilhosas, mas há um racismo muito básico. Na verdade, é uma coisa que foi impregnada na mente das pessoas, que as pessoas negras são pessoas inferiores, que são pessoas que não têm instrução, que são pessoas que não têm meios financeiros, que são pobres também. Isto aconteceu-me. O racismo que eu tive aconteceu-me com várias pessoas de vários meios sociais. Por isso é uma coisa que está impregnada na mente das pessoas portuguesas e que não sai. E que eu acho que é um trabalho que se deve fazer. É um trabalho que talvez não tenha sido feito. Eu penso que não foi feito um trabalho que deve começar a nível das escolas, com as crianças, para tentar mudar esta mentalidade e é um trabalho político também. Eu acho que a Europa e Portugal, sobretudo, que é o país onde eu vivo, tem uma grande dívida com esses países que colonizaram. Mas esta dívida devia ser paga através de um trabalho de memória, de um trabalho de formação e de informação. É um trabalho que deve ser começado pelas crianças nas escolas, porque só a partir daí é que as mentalidades das pessoas brancas vão começar a mudar e a reconhecer que nós somos iguais. RFI: Como é que é fazer cinema em Portugal? Aquilo que acaba de me descrever também entra em linha de conta para a sua vivência em termos de trabalho? Pocas Pascoal: Claro, uma grande influência, infelizmente, é terrível. Eu vou contar-lhe uma coisa que eu por acaso falo muito raramente e não estou a falar do lado financeiro, porque o lado financeiro é realmente um problema com as mulheres, porque nós temos estado a lutar contra isso também. Eu faço parte de um grupo de mulheres no cinema que se chama 'Mutim' (Associação de Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento em Portugal). A 'Mutim' lutou muito para que haja nos júris do ICA (Instituto de Cinema e do Audiovisual) mulheres, que as mulheres sejam representadas também nos júris. Portanto, isto já muda muito, os financiamentos. E depois? Agora é chegar a mulheres negras, porque também é um problema de imaginar um filme onde só haja pessoas negras. Mesmo se eu não faço filmes só com pessoas negras, mas um filme onde haja uma maioria de pessoas negras, os júris podem ver aquilo muito mal. É um filme que não vai ter público. Um filme que vai ser mal distribuído, se calhar, porque se há uma mentalidade que ainda pensa que as pessoas negras não têm formação, não são instruídas, etc, no cinema também é uma coisa muito às vezes inconsciente. No cinema também, portanto, há uma luta contra isso. Há uma vitória pequenina, é verdade. Já se vê alguns filmes distribuídos nos cinemas com pessoas negras, mas são filmes americanos. É verdade. Negro e americano. Ok, já é melhor aceite. Mas o que eu queria contar há bocado é que aconteceu-me. Há uns anos atrás, fiz um telefilme. Fui convidada porque era uma mulher. E aceitei porque era uma oportunidade para mim de trabalhar na indústria portuguesa. Eu tinha acabado de chegar a Portugal e eu tinha feito um casting com pessoas negras, porque o filme passava-se nos subúrbios de Lisboa e aquilo foi uma luta. Foi horrível. Não consegui ter um casting só com pessoas negras. Foi uma luta terrível. Mas há um público e é um erro enorme, porque há um público, porque quando passa um filme na televisão com pessoas negras, as pessoas vêem os filmes. Há estatísticas, as pessoas vêm e é muito visto. Portanto, há um erro enorme em relação a isso. Isso também faz parte do trabalho para modificar isso. Faz parte deste trabalho, que é muito político e que as pessoas têm que fazer. Como eu disse há bocado, tem que começar nas escolas com as crianças, porque senão as coisas não vão mudar. RFI: Estava a mencionar o facto de ter também a expectativa de que o facto de ganhar esta visibilidade com este prémio também possa dar um impulso ao seu próximo projecto, que tem a ver com a figura da Sarah Maldoror, que faz a ponte entre a francofonia, porque ela era das Antilhas, com o mundo lusófono, uma vez que ela focou o seu olhar sobre a África lusófona, sobre Angola, sobre a Guiné-Bissau. O que é que a levou a interessar se por esta realizadora? Pocas Pascoal: É uma figura muito importante em Angola. Ela até é considerada angolana em Angola. Ela fez os dois primeiros filmes em Angola. A primeira vez que eu vi pessoas negras no cinema, era muito jovem, foi através de filmes da Sarah, o filme 'Sambizanga'. Portanto, eu era muito, muito jovem. Eu devia ter nove ou dez anos e foi a primeira vez que eu também começo a descobrir a história do meu país em relação à colonização. Eu tive a sorte de ter conhecido a Sarah. Eu estive com Sarah duas vezes. A primeira vez que eu ouvi a Sarah foi numa residência em França, na Normandia, onde a Sarah tinha a melhor amiga dela. Era proprietária da residência. Portanto, eu estava lá. Sarah veio visitar a amiga e eu conheci a Sarah. Eu era muito tímida naquela altura, portanto eu quase nem falei com ela. E a segunda vez que estive com Sarah, foi durante uma viagem para Angola. Nós fomos convidadas, várias pessoas foram convidadas, para um festival em Luanda. Acho que foi o segundo ano desse festival e a Sarah foi homenageada nesse festival. E como viajamos juntas, devem ter comprado os nossos bilhetes ao mesmo tempo. Estávamos sentadas uma ao lado da outra e foi muito engraçado. Fizemos sete horas juntas, uma ao lado da outra. Tivemos a oportunidade de conversar. A Sarah contou-me a história deste filme, que deveria ter sido o primeiro filme dela, a primeira longa-metragem ('Armas para Banta', Guiné-Bissau, 1970). E eu me interessei muito naquela altura. Interessei-me muito pela vida dela, porque tinha visto vários filmes feitos por ela. E, sobretudo, interessei-me muito por essa história, que é uma coisa de injustiça. A Sarah, que lutou a vida toda pela justiça social e pela igualdade de direitos. Este filme foi uma grande injustiça para ela. Eu nem sei se já tinha perguntado isso, mas o meu filme é sobre a Sarah nesse momento, quando ela vai à Guiné-Bissau, vai documentar a luta armada dos guineenses contra a colonização portuguesa. E ela, em vez de falar de um herói no filme, ela faz uma heroína. E quando ela volta para a Argélia, o filme não é aceite. Ela é expulsa da Argélia. Bom, estou a resumir, mas ela é expulsa da Argélia. E o filme lhe é retirado e desaparece até hoje. Portanto, eu interessei-me muito por este este momento da vida da Sarah, que também é o início da carreira dela. E também, para mim, é a oportunidade de falar dessas mulheres, porque ela vai filmar aquelas mulheres que foram realmente resistentes e estiveram na guerrilha durante muitos anos a lutar contra a colonização portuguesa. Portanto, para mim também, é a oportunidade de falar dessas mulheres. É claro que o foco é na Sarah e a Sarah interessa-me muito. Eu estudei muito, vi os filmes dela todos e interessam-me porque é uma pessoa que foi íntegra. Ela lutou a vida toda, fez mais de 40 filmes e através do cinema, ela lutou pela igualdade de direitos. Ela foi uma grande resistente. Ela foi uma grande activista e é uma para mim, um exemplo e uma referência de uma pessoa negra que conseguiu e sempre foi honesta com ela mesmo e com aquilo que ela fez. Íntegra. Portanto, para mim, é uma grande referência e um grande exemplo. E eu gosto do cinema dela. E também, eu penso muito no cinema dela, vejo filmes dela, quando faço os meus filmes. É uma grande referência. RFI: Essa história de Sarah Maldoror na Guiné-Bissau a tentar retratar as mulheres que participaram na luta de libertação e que foi um filme rejeitado. Isto, no fundo, também vai tocar na sua fibra feminista. Pocas Pascoal: Não vou generalizar porque a África é muito diferente, mas as mulheres em Angola são mulheres que foram muito valorizadas e que o são até hoje, que têm um grande poder na família e não só, também no trabalho. É claro que estamos a falar também de um sistema patriarcal. É evidente. Eu vivi depois da colonização, esta valorização das mulheres. As mulheres que lutaram contra a colonização portuguesa são mulheres que, muitas vezes, é verdade, pensando bem, são mulheres que ficaram na sombra. São mulheres que não foram muito faladas. Houve uma que se tornou heroína, mas falava-se muito pouco das mulheres. Portanto, a Sarah, ela tem este lado também feminista, mesmo se ela não se dizia feminista. Ela tem esse lado feminista porque ela, os personagens dela, no início da carreira dela, eram mulheres. Ela quis pôr em evidência as mulheres africanas, as mulheres negras, porque essas mulheres nunca eram os personagens principais nos filmes. Eu faço filmes sobre mulheres. É uma coincidência, mas porque são pessoas com quem eu me identifico mais facilmente, mais rapidamente, e são temas que me tocam imenso. RFI: Em que fase está? Pensa que este projecto em torno da Sarah Maldoror vai vingar quando? Pocas Pascoal: Francamente, eu penso que o filme agora e com este prémio também, que está a valorizar o projecto e que estava lá o Instituto de Cinema no Locarno, também eles viram, assistiram a isso, eu espero que não somente o ICA, mas outros fundos se interessem pelo projecto e já se estão a interessar. Espero rodar o filme em 2027 e espero que o filme em início de 2028 esteja acabado. Realmente, acredito que agora vai avançar rapidamente. Eu levei muito tempo a fazer pesquisa, vi e falei muito com as filhas da Sarah. Estive a tentar procurar qual era o melhor momento da vida da Sarah para eu poder pôr no cinema, porque não quis fazer um 'biopic' sobre a vida da Sarah, mas quis fazer sobre uma parte da vida dela que é enorme. O momento em que ela vai fazer este filme é o início da carreira dela também. Por isso passei muitos anos em pesquisa a tentar encontrar como é que eu ia falar sobre esta pessoa, que também não é muito fácil. Se seria documentário, ficção, falar desta pessoa que é uma pessoa que eu admiro muito e não me quero enganar. Portanto, acho que tenho um bom filme, foi aquilo que eu escolhi. Espero que nos próximos dois anos o filme esteja acabado. RFI: Tem outros projectos na forja ou é uma pessoa de um só projecto de cada vez? Pocas Pascoal: Não. Eu sou hiperactiva, portanto tenho vários projectos. Estou a acabar agora um filme, mas é uma curta também. Quando falo de hiperactividade não faço várias longas ao mesmo tempo, infelizmente. É uma questão financeira, mas enquanto estou à espera de financiamento para uma longa, estou a fazer curtas-metragens e tento fazer também instalações. Não faço muitas, mas tento participar em exposições e fazer instalações. E neste momento estou a fazer uma curta-metragem que, espero eu, estará nos festivais. Acho que no fim do ano já vou começar a mostrar o filme e também há uma curta-metragem feita com arquivos. Não vou revelar ainda a história porque ainda estou a montar e as coisas podem evoluir. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo.
Realizador luso-francês apresenta "Nunca Haverá Imagens Suficientes" em Monção onde foi filmado o documentário que fala das viagens e vida dos emigrantes. Confraria Grão Vasco de Londres, a criação já está em andamentoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Crescimento do Slake Adventure e importância para o esporte da região Estrutura, organização e experiência dos atletas Esporte, turismo, desenvolvimento econômico
Não se apoquentem se o vosso sensor aranha disparou. É normal. Estamos perante Gonçalo Almeida, realizador de "Atom & Void", uma curta-metragem pouco recomendável a aracnofóbicos que tem ganho prémios por todo o lado.Vamos conhecer a carreira do jovem alentejano que, para além da panca por filmar animais, tem também no cartório “Faz-me Companhia”, um filme sobrenatural inquietante com duas lésbicas e uma piscina maligna.
O filme “Aquí”, do realizador português Tiago Guedes, baseado na "Trilogia de Jesus" do escritor sul-africano e Prémio Nobel de literatura 2003 John Maxwell Coetzee, estreou na secção "Cannes Premières", fora da competição, no Festival de Cinema de Cannes, no sul de França, na passada segunda-feira. Com estreia prevista em Portugal a 3 de Dezembro, o filme falado em espanhol conta a história de David, uma criança refugiada que cria elos de amizade com Simón a bordo de um barco que se dirige para uma terra sem nome. Ao chegar, Simón conhece Inés e os três fogem para uma nova cidade onde David vai desenvolver habilidades estranhas. Em entrevista com a nossa colega da redacção Brasileira Adriana Brandão, o realizador Tiago Guedes evocou os temas que quis abordar neste filme e a emoção da primeira projecção, na presença do escritor J.M Coetzee que inspirou esta obra. "Já sabia aquilo que ele vinha, mas foi muito agradável poder mostrar -lhe o filme aqui em Cannes", começa por contar o cineasta ao referir que o escritor "no final lhe deu um abraço muito emocionado" e que , por isso, "imagina que ele tenha gostado". Questionado sobre o facto de o filme ser falado em espanhol, Tiago Guedes explica que tomou esta opção "porque é uma premissa dos livros. A língua que eles falam nos livros é o espanhol. É uma língua escolhida já pelo Coetzee. Uma das coisas que ele queria, era que se mantivesse essa relação com uma língua que não é a nossa primeira língua." Sobre a escolha de adaptar a "Trilogia de Jesus", o diz que "a razão é simples : porque é um livro que fala sobre todas as questões importantes para o ser humano, ou seja, o que é que nós estamos aqui a fazer? E fala de uma coisa que a mim me é muito querida, que é a forma como a infância e a imaginação que nós temos enquanto crianças, depois é triturada pela sociedade, pela normalização das pessoas." Outro aspecto realçado por Tiago Guedes sobre o livro que o inspirou é que "todos somos estrangeiros de alguma forma. Todos estamos a chegar a algum sítio. De alguma forma, isso está muito presente nos livros". Daí que ele sinta que "é sempre importante referir a importância desta mobilidade e da forma como somos aceites e vamos tentando integrar e descobrir o nosso espaço no mundo." Referindo-se às opções estéticas do filme, nomeadamente a mudança progressiva de um formato mais vertical para um formato mais quadrado da imagem, o realizador refere ter feito "uma divisão dos capítulos, tal como os livros e então no segundo capítulo (a imagem) vai fechando e no terceiro fecha mais. Tem a ver com a imersão dentro do Simón, do personagem. Ou seja, a forma como o mundo está a ficar mais focado sobre ele e eles começam a ficar também sem espaço". "Isso foi uma ideia que tivemos muito cedo com a directora de fotografia e eu achei interessante explorarmos isso de uma forma mesmo concreta. E é subtil porque há muita gente que nem repara", diz Tiago Guedes que a definir o filme considera que "é uma viagem existencialista". Com argumento de Tiago Guedes e Luís Araújo, a fita é co-produzida pela RTP, a produtora Actions Per Minute bem como a Alfama Films de Paulo Branco, e inclui no seu elenco actores como Manolo Solo, Patricia López Arnaiz, Lambert Wilson ou ainda Sergi López. Recorde-se que Tiago Guedes já participou noutras ocasiões no Festival de cinema de Cannes. Ele esteve na competição em 2019 com “A Herdade” e divulgou “Restos do Vento”, na Selecção Oficial há quatro anos.
O filme “Aquí”, do realizador português Tiago Guedes, baseado na "Trilogia de Jesus" do escritor sul-africano e Prémio Nobel de literatura 2003 John Maxwell Coetzee, estreou na secção "Cannes Premières", fora da competição, no Festival de Cinema de Cannes, no sul de França, na passada segunda-feira. Com estreia prevista em Portugal a 3 de Dezembro, o filme falado em espanhol conta a história de David, uma criança refugiada que cria elos de amizade com Simón a bordo de um barco que se dirige para uma terra sem nome. Ao chegar, Simón conhece Inés e os três fogem para uma nova cidade onde David vai desenvolver habilidades estranhas. Em entrevista com a nossa colega da redacção Brasileira Adriana Brandão, o realizador Tiago Guedes evocou os temas que quis abordar neste filme e a emoção da primeira projecção, na presença do escritor J.M Coetzee que inspirou esta obra. "Já sabia aquilo que ele vinha, mas foi muito agradável poder mostrar -lhe o filme aqui em Cannes", começa por contar o cineasta ao referir que o escritor "no final lhe deu um abraço muito emocionado" e que , por isso, "imagina que ele tenha gostado". Questionado sobre o facto de o filme ser falado em espanhol, Tiago Guedes explica que tomou esta opção "porque é uma premissa dos livros. A língua que eles falam nos livros é o espanhol. É uma língua escolhida já pelo Coetzee. Uma das coisas que ele queria, era que se mantivesse essa relação com uma língua que não é a nossa primeira língua." Sobre a escolha de adaptar a "Trilogia de Jesus", o diz que "a razão é simples : porque é um livro que fala sobre todas as questões importantes para o ser humano, ou seja, o que é que nós estamos aqui a fazer? E fala de uma coisa que a mim me é muito querida, que é a forma como a infância e a imaginação que nós temos enquanto crianças, depois é triturada pela sociedade, pela normalização das pessoas." Outro aspecto realçado por Tiago Guedes sobre o livro que o inspirou é que "todos somos estrangeiros de alguma forma. Todos estamos a chegar a algum sítio. De alguma forma, isso está muito presente nos livros". Daí que ele sinta que "é sempre importante referir a importância desta mobilidade e da forma como somos aceites e vamos tentando integrar e descobrir o nosso espaço no mundo." Referindo-se às opções estéticas do filme, nomeadamente a mudança progressiva de um formato mais vertical para um formato mais quadrado da imagem, o realizador refere ter feito "uma divisão dos capítulos, tal como os livros e então no segundo capítulo (a imagem) vai fechando e no terceiro fecha mais. Tem a ver com a imersão dentro do Simón, do personagem. Ou seja, a forma como o mundo está a ficar mais focado sobre ele e eles começam a ficar também sem espaço". "Isso foi uma ideia que tivemos muito cedo com a directora de fotografia e eu achei interessante explorarmos isso de uma forma mesmo concreta. E é subtil porque há muita gente que nem repara", diz Tiago Guedes que a definir o filme considera que "é uma viagem existencialista". Com argumento de Tiago Guedes e Luís Araújo, a fita é co-produzida pela RTP, a produtora Actions Per Minute bem como a Alfama Films de Paulo Branco, e inclui no seu elenco actores como Manolo Solo, Patricia López Arnaiz, Lambert Wilson ou ainda Sergi López. Recorde-se que Tiago Guedes já participou noutras ocasiões no Festival de cinema de Cannes. Ele esteve na competição em 2019 com “A Herdade” e divulgou “Restos do Vento”, na Selecção Oficial há quatro anos.
Projecto Global, do realizador Ivo M. Ferreira, mergulha num dos períodos mais marcantes da história recente portuguesa ao abordar o fenómeno das FP-25. Com uma abordagem intensa e cinematograficamente envolvente, o filme propõe uma reflexão sobre ideologia, memória e as consequências da luta armada, trazendo para o presente um capítulo complexo e ainda pouco debatido. Uma obra poderosa e indispensável para compreender este legado histórico.O realizador, Ivo M. Ferreira, concedeu uma entrevista à Rádio Latina, no programa MusicArte com Ana Cristina Gonçalves.O filme chega às salas de cinema do Luxemburgo a 29 de abril de 2026.Informações no site do Kinepolis Luxembourg no instagram da produtora Tarantula Luxembourg e instagram do Som e a Fúria.Créditos da foto: @SvenBeckerAtelierimages.
O processo de transição, o direito à dúvida, a escolha do nome, as propostas de lei no Parlamento, as perguntas das famílias, a sexualidade e o amor, o desejo de ser pai, as narrativas trans no cinema, a espiritualidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Consórcio vale a pena? Ou é só mais uma promessa do mercado?Neste vídeo, Reinaldo Domingos explica por que o consórcio pode ser uma das formas mais inteligentes de realizar sonhos como a casa própria, o carro ou até a independência financeira.Você vai entender:• Como funciona o sistema de consórcio na prática• Por que ele pode ser uma ótima alternativa ao financiamento da casa própria• O papel da Educação Financeira nesse processo• Como transformar parcelas em realização de sonhosReinaldo também compartilha sua própria experiência, mostrando como utilizou o consórcio ao longo da vida para construir sua independência financeira.
Brandon Lee, filho do lendário Bruce Lee, estava no caminho de se tornar na próxima estrela do cinema de acção quando, prematuramente, faleceu na rodagem de O Corvo. Mas antes disso deu nas vistas em Fogo Rápido, um filme de pancadaria e artes marciais feito à sua medida.Vamos por isso viajar até inícios dos anos 90 na companhia do realizador Dwight Little, que aceitou rever connosco algumas das cenas mais intensas do filme, e de Tiago Laranjo, que esperava muito mais do que Rapid Fire entrega.
O podcast de filmes e de séries da Rádio Comercial
Realizador premiado e multifacetado, o Sérgio tem uma carreira que cruza cinema, televisão e até produções internacionais. E o Sérgio leitor? Quais os livros que o marcaram, e que inspiraram o seu trabalho? É mais uma conversa que vale (muito) a pena.Os livros que escolheu:Memórias do Cárcere, Camilo Castelo Branco;Os Adeuses; Juan Carlos Onetti;O Princípio de Karenina, Afonso Cruz;O da Joana, Valério Romão.Outras referências:Edgar Allan Poe;Conan Doyle;Apneia, Tânia Ganho.O que ofereci:A Invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares.Os livros aqui:www.wook.pt
Não gosta do rótulo de "Hot Jesus" e garante que mais do que a fama ou o dinheiro, o que o move é servir as pessoas. Diogo Morgado reflete sobre a vontade de contar histórias e de inspirar os outros. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Não gosta do rótulo de "Hot Jesus" e garante que mais do que a fama ou o dinheiro, o que o move é servir as pessoas. Diogo Morgado reflete sobre a vontade de contar histórias e de inspirar os outros. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Julio Mandel (Realizador Cinematográfico, Dramaturgo, Guionista y Docente) Hora 15 @Hora15ECO
Era um edifício icónico na cidade de Vila Real. Uma panificadora conhecida como Panreal, erguida em 1965 e projetada pelo arquiteto Nadir Afonso.Esta construção acabou por ficar abandonada e, 50 anos depois, teve a morte anunciada com a sua iminente demolição. É aqui que entra José Paulo Santos, professor e realizador, que acompanhou os movimentos ativistas que lutaram para salvar este património arquitetónico. O resultado é um documentário chamado "1965 - Panreal, Um Edifício de Nadir Afonso".Conversámos com o autor.
Neste episódio, de regresso à Versão do Realizador, recuperamos a visão de um mestre que foi retalhada à data de estreia. Depois da ovação em Cannes, ‘Era Uma Vez na América', o derradeiro filme de Sergio Leone, foi editado com a mão pesada do estúdio para a estreia norte-americana. Para falar comigo destas duas versões, e da importância da preservação da visão artística, tenho o convidado recorrente e amigo do podcast Rui Alves de Sousa, radialista e autor de inúmeros programas na Antena 1, e autor do podcast ‘Imperdoável'. Se gostas do podcast, segue-me nas redes sociais! Estou no YouTube, onde encontras também este episódio seguindo esta ligação, no Letterboxd, no Instagram, no Facebook e agora também no BlueSky. A tua ajuda faz toda a diferença, por isso interage, comenta e partilha para fazer crescer a comunidade Segundo Take. Encontra aqui todos os links onde podemos continuar esta conversa sobre cinema: Site: https://www.segundotake.com/ YouTube: https://www.youtube.com/@segundotake Letterboxd: https://letterboxd.com/segundotake/ Facebook: https://www.facebook.com/segundotakepodcast Instagram: https://www.instagram.com/segundotake/ BlueSky: https://bsky.app/profile/segundotake.com Substack: https://substack.com/@segundotake Desde já, obrigado pelo teu apoio! Tema ‘Wonder Cycle' interpretado por Chris Zabriskie sob a licença CC BY 3.0
“O Extraordinário Percurso da Comunidade Portuguesa de França” é uma série documental em oito episódios que fala sobre os portugueses e lusodescendentes de hoje em França, mas também recorda os que fugiram de Portugal no século XVI, os que combateram na Primeira Guerra Mundial e os que participaram na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. A série é realizada por Carlos Pereira, director do mais conhecido jornal das comunidades por terras francesas, o LusoJornal, e está a ser difundida na RTP Internacional, ficando disponível online. RFI: “Por que é que a série se chama ‘O Extraordinário Percurso da Comunidade Portuguesa de França'? O que é que este percurso tem de tão extraordinário? Carlos Pereira, Realizador de “O Extraordinário Percurso da Comunidade Portuguesa de França”: “Eu acho que este percurso é, de facto, é extraordinário. A grande massa dos portugueses que chegaram nos anos 50, 60, não sabia ler, não sabia escrever. Eram, no melhor dos casos, iletrados, mas numa grande parte eram analfabetos e conseguindo dar a volta à situação, trabalhando muito, conseguiram impor-se e estar em França como se fosse quase em Portugal. Eu acho que este percurso é mesmo um percurso extraordinário. E depois, ao trabalhar sobre este percurso, apercebi-me que isto já vinha de antes dos portugueses que participaram na Primeira Guerra Mundial, que estiveram na Segunda Guerra Mundial e que fizeram um trabalho importante também de resistência durante a ocupação nazi. Procurando ainda melhor, vimos que já os judeus portugueses que chegaram cá durante a Inquisição fizeram um trabalho impressionante de integração em França. Iniciei aí este percurso que inicia no século XVI e que chegou até hoje.” Quantos portugueses e lusodescendentes é que vivem hoje em França? Ainda são uma “comunidade invisível” como outrora ficou conhecida? “Essa pergunta já responde, de facto, que é uma comunidade invisível, isto é, nós não sabemos dizer o número exacto de portugueses que moram em França. Hoje ninguém tem estes números. Isto é sintomático. Nem Portugal tem estes números, nem também França tem estes números, portanto não sabemos. É uma comunidade muito grande que está em todo o lado. Encontramos os portugueses na política, nas associações, no desporto, na cultura, os empresários... Agora, o número exacto, quantos somos, não sabemos responder a essa pergunta.” Muitas vezes os políticos falam em um milhão, um milhão e meio de portugueses em França... “Ouve-se de tudo. Fala-se entre um milhão e duzentos mil e um milhão e quinhentos mil. Já aí entra esta diferença que é bastante grande, mas estima-se que esta comunidade ande por aí. Há muitos lusodescendentes que não têm a nacionalidade portuguesa, que não estão registados, que podiam ser portugueses a qualquer momento. E depois também há as mulheres e os maridos de portugueses que também podiam ser portugueses a qualquer momento se fossem pedir a nacionalidade e isto faria certamente números muito maiores.” Como é que surgiu a ideia de fazer esta série documental? “Era importante contar esta história. O que nós fazemos no LusoJornal regularmente é contar esta história, a história contemporânea de portugueses que moram em França. Não há nada ou há muito pouco registado em vídeo, isto é, não há muitos documentários sobre os portugueses de França.” Há os documentários do realizador José Vieira. “Pois houve alguns documentários do José Vieira, mas há muito poucos documentários sobre os portugueses de França e são muito sobre a história, sobre ‘o salto', sobre antes do ‘salto' ou depois do ‘salto' e não tanto sobre os portugueses de hoje e eu quis dar a minha contribuição. Propus à RTP, a RTP também queria fazer um trabalho sobre isto, apareci num bom momento, na boa altura, a compra estabeleceu-se, fizemos este acordo e a série foi feita em oito episódios por enquanto. Espero que haja uma segunda série, era importante que se retratasse este percurso e, sobretudo, que se fizesse uma fotografia actual de uma comunidade enorme, como já dissemos, mas que é tão desconhecida em Portugal e em França. Ainda recentemente, neste último episódio sobre os judeus, houve muita gente que me ligou e que me disse que não conhecia esta história, nem portugueses nem franceses.” Qual é essa história dos judeus portugueses em França? “Os judeus saíram de Portugal durante a Inquisição e uma parte pequena, apesar de tudo, veio instalar-se em França, onde também não podia haver a prática judaica. O rei Henrique II decide permitir a instalação deles em Bordéus - ou na faixa entre Bordéus, Hendaye e Bayonne - dizendo que eles também não são judeus, porque tinham sido convertidos à força em Portugal, cristãos novos, e arranjando ali alguns argumentos decide autorizá-los a ficar. Dali foram-se expandindo no país inteiro e deram um primeiro-ministro Pierre Mendès France, o Georges Mendel, os irmãos Pereira, isto é, desenvolveram os caminhos-de-ferro em França, as termas, fizeram aqui impérios e depois chegou a Segunda Guerra Mundial e veio estragar um pouco esta comunidade já que muitos deles foram deportados e mortos. Ficaram uma sinagoga portuguesa em Paris, outra em Bordéus e outra em Bayonne, onde se pratica ainda agora o rito português que é um rito muito específico, embora já não sejam portugueses a ocupá-las ou muito poucos a frequentá-las e são os judeus da África do Norte que, entretanto, sendo também sefarditas, embora pratiquem um rito diferente, foram-se habituando a praticar o rito português, já que estas sinagogas obrigam, por estatuto, que se siga o rito português até ao fim dos tempos. Depois ficou um cemitério judeu em Bordéus e o primeiro cemitério judeu em Paris que ainda hoje é possível visitar se for pedida autorização ao consistório. Eu visitei e filmei. Ainda ficaram alguns rastos desta comunidade e eu acabo o documentário no Josué Ferreira, que é um lusodescendente que acabou por ser a primeira mulher rabina a ser ordenada em França e que depois mudou de nome e de sexo e agora é Josué Ferreira e é rabino na comunidade liberal em Montpellier. É um lusodescendente que se converteu ao judaísmo e hoje é um rabino.” Outro episódio, difundido em Junho, chama-se “Lusodescendentes e politicamente implicados em França”. O que é que representam estes luso-eleitos no mapa político francês em termos de números e em termos de visibilidade da própria emigração portuguesa? “Segundo a Cívica, portanto, a associação dos autarcas de origem portuguesa, há por volta de 8.000 autarcas de origem portuguesa. Este número também não é fácil de verificar. No LusoJornal verificámos uma boa parte, uns 80%, e este número não deverá andar muito longe daí. Isto chega-se lá através dos nomes, mesmo se depois há os Costas que até poderão ser espanhóis. Ou então, por exemplo, uma autarca que tinha o apelido francês devido ao casamento, mas que é portuguesa. Portanto, 8.000 representam muito e os portugueses - repito - chegaram cá praticamente analfabetos. Eles não conheciam o sistema francês e descobriram tudo. Houve aqui todo um trabalho de afirmação, digamos assim. Há os autarcas, depois há os deputados. Há quatro deputados actualmente na Assembleia Nacional Francesa e nós entrevistámos dois deles. Depois, entrevistámos os presidentes de câmara, vereadores em Paris, na região parisiense, mas também em Clermont-Ferrand, onde há uma comunidade grande portuguesa e há, aliás, uma deputada de lá. No fim, na altura em que filmámos, uma lusodescendente tinha chegado ao Parlamento português: era a Nathalie Oliveira e ela conta também esse percurso de como é que fazendo um percurso no PS francês, ela acabou por ser eleita deputada em Portugal, apesar de muitas dificuldades. Era o retorno, no fundo, da moeda, era o regressar a Portugal enquanto deputada.” Há outro episódio que tem como título “Associações Portuguesas de França - Uma teia de Influências”. Qual é que tem sido a importância do movimento associativo português em França? E por que é que de 900 associações portuguesas no final dos anos 90, hoje há muito poucas? “Hoje há muito menos associações portuguesas em França porque o problema hoje não é o mesmo. Nos anos 70 e 80, ainda não havia internet, ainda não havia redes sociais, ainda não era possível ver a televisão portuguesa em França e, por isso, as pessoas juntavam-se numa associação e a associação era o terreno que eles constituíam aqui. Hoje, isso já não é preciso, isso já não é prioridade. As pessoas iam a uma associação muitas vezes encontrar trabalho, encontrar casa, encontrar mulher ou marido, até nos grupos de folclore. Isso hoje já não é uma prioridade e, portanto, muda-se muito os objectivos e há muitas associações que não se souberam adaptar e que vão certamente acabar. Há muitas que já acabaram. Eu escolhi apenas grandes associações que fazem a diferença, já que evidentemente eu não podia entrevistar 900 e tal associações.” Quantas associações há hoje? “Não sei e esse é também um problema. É que nós não sabemos exactamente o número de associações que existem em França. Em França, é muito fácil criar uma associação, isto é, duas pessoas juntam-se e vão declarar a associação. Demora três ou quatro dias e custa 20 e tal euros. Há muitas associações que depois existem no papel e não existem na prática. Enfim, é completamente impossível dizer o número de associações portuguesas que há em França. Agora, eu escolhi umas oito ou nove e escolhi aquelas que se impuseram mais, ou porque construíram edifícios enormes que estão actualmente a dinamizar e a ceder às próprias Câmaras Municipais ou então, como em Dijon e em Clermont-Ferrand, ou a associação de Pontault-Combault que faz um festival enorme todos os anos que é já uma festa da própria cidade, embora seja organizada por uma associação portuguesa. Isso acontece em Clermont-Ferrand também. Também escolhi a Associação de Nanterre porque organiza uma feira de produtos portugueses e aqui há também esta dimensão comercial ou de promoção regional de produtos endógenos num outro país. Escolhi a associação O Sol de Portugal que foi a primeira associação juvenil a ser criada em França, é uma associação em Bordéus que tem a particularidade de até agora nunca nenhum homem a ter dirigido e sempre foi dirigida por mulheres e tem experimentado, de há uns anos para cá, uma nova fórmula que é uma co-presidência. Portanto, actualmente há três mulheres a presidir a esta associação.” De todos os episódios, quais são aqueles que mais o marcaram? “Eu gostei muito de realizar os episódios sobre a Resistência e sobre os judeus, já que eu tinha feito uma sinopse inicial e ela acabou por ser completamente alterada. Isto é, eu fui aprendendo tanta coisa nova durante a própria realização que fui alterando. Esses dois marcaram-me muito. Portugal é um país neutro na Segunda Guerra Mundial e afinal eu entrevistei famílias de pessoas que foram fuziladas devido a serem resistentes, de pessoas que foram levadas num comboio para campos de concentração alemães e morreram no comboio, deitaram-nos do comboio abaixo. Isto é, aprendi muito em relação a estes dois episódios um pouco mais históricos. O episódio sobre o fado eu gostei muito de o ter realizado. Há um mundo fadista português aqui. Eu mostrei esse mundo fadista e gostei bastante. E depois todos os outros. Gostei dos empresários, do desporto, da cultura. Esses ainda não passaram, ainda vão passar agora. São episódios muito engraçados que mostram coisas novas e o importante é que eu agora receba mensagens de gente que me diga ‘Nunca vi isto assim, com este olhar'. Um olhar global, digamos assim. Aprendi muito. Fico contente por saber isso e por ter conseguido dar esta imagem global e de levar coisas novas que as pessoas não sabiam.” Vamos a esse universo fadista em França. Que universo é? “É um universo muito feminino, mas isto é a circunstância do tempo porque houve já mais homens a cantar fado no passado, mas actualmente é um universo muito feminino e, portanto, eu fui buscar uma cantora que é a Mónica Cunha, que aprendeu a cantar em Portugal e que veio para cá dar aulas de português e acabou por se impor aqui também enquanto fadista. Também fui buscar uma jovem que já nasceu cá, que nunca viveu em Portugal e que, à força de corrigir o sotaque, ela impõe-se no meio fadista aqui como uma grande fadista, a Jenyfer Raínho. Fui buscar uma francesa, a Lizzie, que não tem absolutamente nada a ver com Portugal e que um dia viu na televisão uma reportagem, viu alguém a cantar e disse ‘Eu adoro esta música'. Hoje ela fala um português perfeito e canta muito bem. Fui buscar pessoas que vêm de outros horizontes, isto é, da bossa nova, por exemplo, como é o caso da Tânia Raquel Caetano e que se aproximou a seguir do fado. Fui buscar um músico como o Philippe de Sousa, que viveu até muito pouco tempo em Portugal, mas que é um fadista, ou melhor, ele toca viola inicialmente, depois descobre a guitarra de fado e hoje leva essa guitarra de fado a outros universos do jazz, portanto com outras músicas, de outros horizontes menos convencionais e isso interessou-me muito. Pelo meio, há o Jean-Luc Gonneaud, um especialista de fado, francês, que um dia foi a Lisboa, já há muitos anos, porque fez um estágio em Lisboa e apostou com um irlandês que iam cantar um fado. No dia em que iam cantar, o irlandês disse que não ia. Ele foi e cantou o fado ‘O Marceneiro'. Desde aí ele é muito conhecido no mundo fadista em Portugal também, e muitas vezes assume esta ponte entre a França e Portugal.” Fala-se muito nas histórias de sucesso de empresários portugueses... Também as aborda... “O meu objectivo não era ficar naqueles empresários que nós já conhecemos todos e que são empresários de sucesso. Eu fui à procura de nova gente e encontrei, por exemplo, o Michel Vieira, em Lyon, que ninguém conhece e é o maior empresário português de França. Ele já nasceu cá porque os pais vieram para cá, o pai era bate-chapas, a mãe era mulher-a-dias e resolveram instalar-se aqui por mero acaso. Ele conta a história no filme. Ele fez um CAP, que é um diploma de base a seguir à quarta classe, e aprendeu a ser electricista. Andou a trabalhar nas obras e não gostou, disse que tinha muito frio, voltou à escola e resolveram propor-lhe uma especialização em electrodomésticos. Ele começa a reparar máquinas de lavar a louça e a roupa e, a partir daí, entra numa empresa ainda estagiário, vai crescendo, chega a chefe técnico, chefe comercial, depois director-geral e compra a empresa ao patrão. A empresa devia ter uns 12 milhões de euros naquela altura e ele começa a comprar outras empresas e comprou uma por 500 milhões de euros - é até hoje o único empresário sem sequer o 12° ano a obter um crédito de 500 milhões de euros. E se tudo funcionar bem, como ele espera, agora em 2025 ele vai chegar ao fim do ano e vai ter mil milhões de volume de negócios. Portanto, será o maior empresário português em França a entrar no grupo das 300 maiores empresas francesas. É uma história impressionante. Ele costuma dizer: 'Só foi possível por eu ser português, porque eu não estou a ver como é que vão dar um crédito a uma pessoa assim que chega e que não tem estudos nenhuns, que vem pedir um crédito de 500 milhões de euros, é só mesmo por eu ser português e eles reconhecerem o facto de ser trabalhador.'” O Carlos Pereira também aborda os portugueses no mundo cultural francês... “Em relação à cultura, o meu objectivo não é de contar os portugueses que estão a dominar os centros culturais ou teatros aqui em Paris porque essa é uma história que já muita gente conhece. Fui buscar pessoas que estão em horizontes muito diversos. É muito difícil fazer um episódio como este sobre a cultura ou sobre o desporto, já que há tanta gente a fazer cultura, a fazer desporto em domínios diferentes. Fui buscar uma realizadora, a Cristelle Alves Meira, fui buscar um coreógrafo que tem uma companhia em Bayonne que está a funcionar muito bem, o Fábio Lopes, foi buscar um pianista, Ricardo Vieira... Isto é, fui buscar várias pessoas a trabalharem em ramos diferentes e juntei-as de maneira a mostrar precisamente a diversidade, sem ser um catálogo onde se mostra tudo. Há muita gente que infelizmente não consegui pôr, mas o objectivo era mostrar que há gente em várias áreas. Mostrei isso também no desporto. Não queria falar só sobre futebol. Isso é um grande erro, pensar que os portugueses de França são todos adeptos de futebol e fazem todos futebol. Há portugueses em muitas outras áreas, no futebol também, é evidente, mas os portugueses dominam o futsal francês, há modalidades mais pequeninas, como o bilhar, os matraquilhos e a pelota basca que tem uma federação portuguesa que nasceu em França. A minha ideia era mostrar a diversidade e não tanto fazer um inventário de quem faz o quê.” A série “O Extraordinário Percurso da Comunidade Portuguesa de França” pode ser vista no site da RTP.
Alberto Gonçalves comenta a recusa do realizador português Pedro Pinho em participar do Festival de JerusalémSee omnystudio.com/listener for privacy information.
O FEST - New Directors New Films Festival marcou em Junho sua 21ª edição. Numa rara ocasião em que nos é dada a oportunidade de sair da caverna e ver a luz do dia, fomos convidados a participar no 3º dia do evento com um episódio ao vivo, gravado no Centro Multimeios de Espinho.Scandar Copti, realizador palestiniano, fala-nos de Happy Holidays, um drama familiar israelita muito bem recebido pelo público. Fernando Vasquez, diretor de programação, conta-nos o que pôde ser visto nos 9 dias do certame.
Neste episódio, depois de umas pequenas férias não planeadas, voltamos à rubrica Versão do Realizador, desta vez com ‘Superman II'. Com a estreia de mais uma revisão do clássico super-herói oriundo de Krypton à porta, desta vez pela mão de James Gunn, aproveito para falar das novelas por detrás das câmaras que, depois do sucesso de ‘Superman' de 1978, levou ao despedimento de Richard Donner da produção da sequela, tendo sido substituído por Richard Lester. É um momento fascinante da história do cinema comercial norte-americano e, em 2006, tivemos um vislumbre do que poderia ter sido a versão do realizador original, substancialmente diferente do filme que vimos em 1981, com a edição no mercado caseiro de ‘Superman II: The Richard Donner Cut'. Para me ajudar nesta conversa convidei Daniel Louro e Paulo Fajardo, a dupla do premiado podcast VHS, um dos meus podcasts preferidos produzidos sobre cinema em Português. Se gostas do podcast, segue-me nas redes sociais! Estou no YouTube, onde encontras também este episódio seguindo esta ligação, no Letterboxd, no Instagram, no Facebook e agora também no BlueSky. A tua ajuda faz toda a diferença, por isso interage, comenta e partilha para fazer crescer a comunidade Segundo Take. Encontra aqui todos os links onde podemos continuar esta conversa sobre cinema: Site: https://www.segundotake.com/ YouTube: https://www.youtube.com/@segundotake Letterboxd: https://letterboxd.com/segundotake/ Facebook: https://www.facebook.com/segundotakepodcast Instagram: https://www.instagram.com/segundotake/ BlueSky: https://bsky.app/profile/segundotake.com Substack: https://substack.com/@segundotake Desde já, obrigado pelo teu apoio! Tema ‘Wonder Cycle' interpretado por Chris Zabriskie sob a licença CC BY 3.0
Neste episódio, voltamos à rubrica Versão do Realizador, desta vez com ‘O Abismo', a extravagância de ficção científica que demonstrou pela primeira vez o gosto de James Cameron pelas profundezas do oceano. ‘O Abismo' estreou em 1989 e, apesar das críticas favoráveis, foi apenas um êxito modesto nas bilheteiras, pelo menos pelo padrão do James Cameron. Privado, no lançamento original, de 30 minutos da sua duração, incluindo um final estendido que dá outra cor temática ao filme, O Abismo voltou aos cinemas em 1993 numa versão especial que repôs a visão integral do seu autor. Para falar comigo destas duas versões tenho um convidado que dispensa apresentações, pelo menos para os ouvintes e espectadores habituais deste estaminé. Tomás Agostinho é um dos co-apresentadores, comigo e com o José Carlos Maltez, do podcast Universos Paralelos, e um fã confesso de ficção científica. Se gostas do podcast, segue-me nas redes sociais! Estou no YouTube, onde encontras também este episódio seguindo esta ligação, no Letterboxd, no Instagram, no Facebook e agora também no BlueSky. A tua ajuda faz toda a diferença, por isso interage, comenta e partilha para fazer crescer a comunidade Segundo Take. Encontra aqui todos os links onde podemos continuar esta conversa sobre cinema: Site: https://www.segundotake.com/ YouTube: https://www.youtube.com/@segundotake Letterboxd: https://letterboxd.com/segundotake/ Facebook: https://www.facebook.com/segundotakepodcast Instagram: https://www.instagram.com/segundotake/ BlueSky: https://bsky.app/profile/segundotake.com Substack: https://substack.com/@segundotake Desde já, obrigado pelo teu apoio! Tema ‘Wonder Cycle' interpretado por Chris Zabriskie sob a licença CC BY 3.0
Neste episódio, dou o pontapé de saída a uma nova rubrica: Versão do Realizador. A escolha inesperada do meu convidado Hugo Gomes recaiu em ‘Hellraiser Bloodline', a quarta entrada da série ‘Hellraiser', da autoria de Clive Barker, renegada pelo seu realizador, Kevin Yagher, e da qual se veio a conhecer uma montagem preliminar rejeitada pelos produtores. Se gostas do podcast, segue-me nas redes sociais! Estou no YouTube, onde encontras também este episódio seguindo esta ligação, no Letterboxd, no Instagram, no Facebook e agora também no BlueSky. A tua ajuda faz toda a diferença, por isso interage, comenta e partilha para fazer crescer a comunidade Segundo Take. Encontra aqui todos os links onde podemos continuar esta conversa sobre cinema: Site: https://www.segundotake.com/ YouTube: https://www.youtube.com/@segundotake Letterboxd: https://letterboxd.com/segundotake/ Facebook: https://www.facebook.com/segundotakepodcast Instagram: https://www.instagram.com/segundotake/ BlueSky: https://bsky.app/profile/segundotake.com Substack: https://substack.com/@segundotake Desde já, obrigado pelo teu apoio! Tema ‘Wonder Cycle' interpretado por Chris Zabriskie sob a licença CC BY 3.0
Canta Angola é um documentário que Ariel de Bigault realizou há 25 anos. A realidade é que a idade só fez bem a este testemunho único sobre o património musical angolano e por isso a sua importância é cada vez mais reconhecida. Filmado em Luanda em Janeiro de 2000, num país em guerra, Canta Angola reflecte a alegria e a energia criativa de um povo que, em condições extremamente difíceis, resiste à violência.Juntando nomes incontornáveis do universo musical angolano, que são os mensageiros do caleidoscópio de tradições que se encontram no país, Canta Angola permite-nos o acesso a testemunhos e apresentações que, assim, passaram a fazer parte da história documentada de Angola.O documentário Canta Angola foi recentemente exibido na capital portuguesa, na Fàbrica de Braço de Prata. A RFI aproveitou a presença da realizadora francesa em Lisboa para uma entrevista onde, entre outros temas, fala-nos do passado, presente e futuro da música angolana e da série documental que vai filmar sobre a expressão dos artistas oriundos da emigração africana em Portugal. Canta Angola, um documentário de Ariel de Bigault com:Carlitos Vieira Dias, Paulo Flores, Lourdes Van Dunem, Carlos Burity, Moisés Kafala, José Kafala, Banda Maravilha, Moreira Filho, Marito Furtado, Simmons Massini, Galiano Neto, e os grupos Novatos da Ilha, Ndengues do Kota Duro, bem como Botto Trindade, Betinho Feijo, Kinito Trindade, Joãozinho Morgado, Chico Santos, Carlos Venâncio, João Sabalo, Zé Fininho, Sanguito, Kituxi, Ino, Antoninho, Raul Tolingas com a participação de Luisa Fançony, Jacques A. dos Santos e Iolanda Burity, Vissolela Conceição, Ana MachadãoSite da realizadora Ariel de Bigault: https://www.arieldebigault.com/canta-angolaExcerto do documentário Canta Angola: https://www.youtube.com/watch?v=pUMWu-8Ze-0Excerto do documentário Canta Angola: https://www.youtube.com/watch?v=6wx46GAbrMkExcerto do documentário Canta Angola: https://www.youtube.com/watch?v=3hcZe-7Ea3gExcerto do documentário Canta Angola: https://www.youtube.com/watch?v=MI7POCG8T4UExcerto do documentário Canta Angola: https://www.youtube.com/watch?v=0Z1dugFHOps
No cinema foi uma elegante, assertiva e convincente Snu Abecassis, no filme “Snu”, de Patrícia Sequeira e, em breve, na mini-série “Cara a Cara”, de Fernando Vendrell, interpreta uma candidata a deputada de extrema direita. A atriz Inês Castel-Branco recorda o longo caminho na televisão, na moda, e as várias resistências que teve de superar: “Agora já começo a dizer que ‘não’ e a escolher o que prefiro fazer”. Ouçam-na na primeira parte desta conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Realizador palestiniano vencedor de Óscar denuncia agressões sob custódia militar israelita
Nesta segunda parte da conversa em podcast o realizador, documentarista e visualista Tiago Pereira fala da sua relação intensa com o trabalho e desta longa viagem de 14 anos com o projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”. Um sonho de amigos que passou a projeto liderado por um homem só, que tomou para si uma missão social que o salvou emocionalmente e o ensinou a escutar e a respeitar o tempo dos mais velhos, a descobrir mais profundamente o país e a dar cabo de muitos preconceitos e elitismos. Tiago Pereira conta ainda como vive com a companheira na pequena vila de Serpins, na Lousã, fala da relação com os dois filhos, dá pistas sobre um futuro filme de ficção e a possibilidade de erguer uma “faculdade dos saberes”. E ainda nos dá música e conta quais são os seus maiores prazeres diários. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.
Escuche esta y más noticias de LA PATRIA Radio de lunes a viernes por los 1540 AM de Radio Cóndor en Manizales y en www.lapatria.com, encuentre videos de las transmisiones en nuestro Facebook Live: www.facebook.com/lapatria.manizales/videos
SADC marca cimeira extraordinária onde tensão pós-eleitoral em Moçambique deverá dominar agenda. No parlamento angolano prossegue discussão do Orçamento Geral do Estado para 2025, mas a UNITA já anunciou voto contra a proposta. Cabo Verde estreia-se no festival de cinema AFRIKAMERA. Neste jornal conversamos com o realizador cabo-verdiano Carlos Yuri Ceuninck.
Escuche esta y más noticias de LA PATRIA Radio de lunes a viernes por los 1540 AM de Radio Cóndor en Manizales y en www.lapatria.com, encuentre videos de las transmisiones en nuestro Facebook Live: www.facebook.com/lapatria.manizales/videos
Presidente dos EUA, Joe Biden, visita Angola entre 13 e 15 de outubro. O polémico caso do avião apreendido com 2,6 toneladas de cocaína em Bissau ainda não acabou, afirma responsável da ONU. Alemanha: Decorre a 21ª edição do Festival de filmes africanos, um evento que junta realizadores das antiga e nova gerações do continente africano.
Guiné-Bissau: Domingos Simões Pereira afirma, que na quinta-feira, deputados vão forçar entrada na Assembleia Nacional Popular. Moçambique: Pronunciamentos do candidato Daniel Chapo, que disse num comício que a educação e a saúde pertencem à FRELIMO, geram indignação. Realizador guineense Sana Na N'Hada no “Afrika Film Festival” de Colónia.
Hoy Edgar Hita nos ha traído un primer grabófono olímpico y, lo que más nos gusta: 'resumen de la Dolo'. Con Luismi Pérez hablamos del calor y de la contaminación. Marta Centella repasa la prensa y en La Contraportada nos habla de "hacernos una película". Con Darío García analizamos la actualidad deportivo y en los Juegos Olímpicos llegamos hasta Los Ángeles 1932. Acabamos la hora con política nacional.
Leonardo Mouramateus é natural de Fortaleza. Realizador audiovisual e pesquisador de dramaturgia em dança, Leonardo escreveu e dirigiu o longa “Antônio Um Dois Três” e os curtas “Fui à Guerra e não te Chamei” (2010), “Dias em Cuba” (2011), “Europa” (2011), “Charizard” (2012), “Mauro em Caiena” (2012) e “Lição de Esqui” (2013). Atualmente, Leonardo lança … Continue lendo "Primeiro Tratamento – Leonardo Mouramateus – # 313"
Conversa com Rúben Sevivas, Realizador e Director Artístico do Festival Entre Curtas, cuja primeira edição decorre de 15 a 18 de Maio em Chaves. Esta conversa ocorreu em directo através da nossa página no Instagram. #cinemaemportugal #entrecurtas #rúbensevivas #festivaldecinema #conversa #entrevista #directo #cinemaportuguês #chaves #podcast #festival Site: https://www.cinemaemportugal.pt/ Instagram: https://www.instagram.com/cinemaemportugal/ Email: cinemaemportugal@gmail.com
Puerto de Libros - Librería Radiofónica - Podcast sobre el mundo de los libros #LibreriaRadio
En esta oportunidad hablaremos con el realizador audiovisual, director cinematográfico y teatral, actor, productor, guionista, dramaturgo y docente Alejandro Palacio; quien sirvió de productor en la película "El Salto de los Ángeles", con quien conversamos sobre el cine venezolano y sus retos pasados y futuros. Alejandro es licenciado en teatro mención Actuación, licenciado en teatro mención docencia, licenciado en Artes Audiovisuales mención dirección, Diplomado en semiótica y semiología del lenguaje cinematográfico, estudios especializados en dirección de actores y actuación para cine. Ha sido guionista y realizador de las siguientes obras audiovisuales: Inserto, Sin Sueño, Me quedé mudo, Sol o Sol, Escarbando, Trans cito en la Libertador, Fin del juego, K-Torce, Tócame, El Funambulista, Alas de mariposa, Ellas hacen historia, Incomunicados y Animal Planes; también figura como guionista de las siguientes historias: Los Antiguos, Dispar a Matar, Los Yotuver, Como Comensal, Cadáver sin tiempo, El Último frijol, Tiempo de aguas, Patricia en el país de la patillas. Esperamos sus comentarios. Únete a nuestra comunidad en WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/F2pqEAZoNUf5lhtN3o91ts --- Support this podcast: https://podcasters.spotify.com/pod/show/libreriaradio/support
Para acceder al programa sin interrupción de comerciales, suscríbete a Patreon: https://www.patreon.com/elvillegas REVOLUCIÓN (2023) https://www.elvillegas.cl/producto/revolucion TSUNAMI (2016) https://www.elvillegas.cl/producto/tsunami LA TORRE DE PAPEL (2022) https://www.elvillegas.cl/producto/la-torre-de-papel ENVEJEZCA O MUÉRASE (2022) https://www.elvillegas.cl/producto/envejezca/ INSURRECCIÓN (2020) Chile https://www.elvillegas.cl/producto/insurreccion/ Internacional por Amazon: https://www.amazon.com/dp/B09WZ29DTQ JULIO CÉSAR PARA JÓVENES Y NO TANTO (2011) https://elvillegas.cl/producto/julio-cesar-para-jovenes-y-no-tanto/ TAMBIÉN APÓYANOS EN FLOW: https://www.flow.cl/app/web/pagarBtnPago.php?token=0yq6qal Grandes Invitados en Amazon: https://www.amazon.com/dp/B09X1LN5GH Encuentra a El Villegas en: Web: http://www.elvillegas.cl Facebook: https://www.facebook.com/elvillegaschile Twitter: https://www.twitter.com/elvillegaschile Soundcloud: https://www.soundcloud.com/elvillegaspodcast Spotify: https://open.spotify.com/show/7zQ3np197HvCmLF95wx99K Instagram: https://www.instagram.com/elvillegaschile
Um dos grandes vultos do cinema português, António-Pedro Vasconcelos recorda a sua vida e obra neste episódio do Alta Definição emitido originalmente em 2015. O realizador, que assinou filmes marcantes como “O Lugar do Morto”, “Call Girl”, “Os Gatos Não Têm Vertigens”, “Jaime” ou “Os Imortais”, recorda a sua carreira e revisita também episódios marcantes da história do cinema. Programa emitido originalmente em 21 de fevereiro de 2015.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Hollywood Express
Su podcast favorito, su podcast de confianza llega al final de su segunda temporada. Gracias por acompañarnos en 20 y tantos episodios y no cancelarnos (aun). En este episodio de final de temporada lo cerramos nominando en la casa de los HS y con una sorpresa al final. Episodio triunfal. Nos vemos el (3 DE SEPTIEMBRE) https://www.instagram.com/huesossecos... https://www.tiktok.com/@huesossecospo... https://www.instagram.com/rodgargut/ https://www.instagram.com/davomart/ https://www.instagram.com/chuybustama... Realizador: https://www.instagram.com/janoradke/ Producido por: https://www.instagram.com/l.gamax/
Amigos del mundo El podcast #1 del internet les trae en este episodio las respuestas a las preguntas mas sonadas en el mundo cristiano.. ME PUEDO CAMBIAR DE IGLESIA? CUANDO ES EL MOMENTO ADECUADO? CUALES SERIAN LOS MOTIVOS ACERTADOS? Episodio triunfal Nuestras Redes: https://www.instagram.com/huesossecos... https://www.tiktok.com/@huesossecospo... https://www.instagram.com/rodgargut/ https://www.instagram.com/davomart/ https://www.instagram.com/chuybustama... Realizador: https://www.instagram.com/janoradke/ Producido por: https://www.instagram.com/l.gamax/
En este episodio regresan Davo y el producer y hablamos de que a Ro lo han confundido con Adriel Favela, lo nuevo de Jesús Adrián Romero, la filosofía “come y bebe que la vida es breve”, la gratificación instantánea, si el cielo espera o no, ser piedra de tropiezo, El pastorado y la lucha libre. Episodio triunfal. Nuestras Redes: https://www.instagram.com/huesossecos... https://www.tiktok.com/@huesossecospo... https://www.instagram.com/rodgargut/ https://www.instagram.com/davomart/ https://www.instagram.com/chuybustama... Realizador: https://www.instagram.com/janoradke/ Producido por: https://www.instagram.com/l.gamax/
Angola: PGR promete divulgar na internet resultados de combate à corrupção.Na província moçambicana de Nampula, destruição do Mercado dos Bombeiros deixa vendedores indignados. Realizador Flora Gomes não acredita na realização das eleições legislativas a 4 de junho próximo na Guiné-Bissau. Chanceler da Alemanha quer que a União Africana seja membro do G20, tal como a União Europeia.
#082 Fernando Gallucci - Realizador Integral by Gustavo Pomeranec
En Ivoox puedes encontrar sólo algunos de los audios de Mindalia. Para escuchar las 4 grabaciones diarias que publicamos entra en https://www.mindaliatelevision.com. Si deseas ver el vídeo perteneciente a este audio, pincha aquí: https://youtu.be/OJgdjK7dMTo Eleva y expande tu energía psíquica por Fernando Perales, que tuvo lugar en Abril de 2019. Nuestro cuerpo posee centros de energía que pueden expandirse para objetivos específicos que tenemos en la vida, desde lo burdo y material, hasta lo espiritual. Aprenderemos en esta conferencia a reconocer y a practicar técnicas que nos permitan iniciarnos por este camino Fernando Perales Especialista certificado en lectura del Rostro Morfopsicología y Miang Xiang con certificación en Eneagrama. Psicomotivador e instructor en desarrollo cognitivo y control mental. Practitioner Diplomado en Programación Neuro Lingüística (PNL). Terapeuta Gestáltico. Graduado en el proceso Hoffman de la Quadrinidad - Argentina. Graduado en el proceso de Life Simphony e Insight.Realizador y productor de tecnologías de subliminales y binaurales. Docente de centros de enseñanza en universidades e institutos. Consultor en medios de prensa periodística y medios radiales y TV. #FernandoPerales #EnergíaPsíquica #Expansión ------------INFORMACIÓN SOBRE MINDALIA---------- Mindalia.com es una ONG internacional sin ánimo de lucro. Nuestra misión es la difusión universal de contenidos para la mejora de la consciencia espiritual, mental y física. -Apóyanos con tu donación mediante Paypal https://www.mindaliatelevision.com/ha... -Colabora con el mundo suscribiéndote a este canal, dejándonos un comentario de energía positiva en nuestros vídeos y compartiéndolos. De esta forma, este conocimiento llegará a mucha más gente. - Sitio web: https://www.mindalia.com - Facebook: https://www.facebook.com/mindalia.ayuda/ - Twitter: http://twitter.com/mindaliacom - Instagram: https://www.instagram.com/mindalia_com/ - Periscope: https://www.pscp.tv/mindaliacom - Twitch: https://www.twitch.tv/mindaliacom - Vaughn: https://vaughn.live/mindalia - VK: https://vk.com/mindalia *Mindalia.com no se hace responsable de las opiniones vertidas en este vídeo, ni necesariamente participa de ellas. *Mindalia.com no se responsabiliza de la fiabilidad de las informaciones de este vídeo, cualquiera sea su origen. *Este vídeo es exclusivamente informativo.
En Ivoox puedes encontrar sólo algunos de los audios de Mindalia. Para escuchar las 4 grabaciones diarias que publicamos entra en https://www.mindaliatelevision.com. Si deseas ver el vídeo perteneciente a este audio, pincha aquí: https://youtu.be/PJhmofXrRyw Cómo alcanzar la prosperidad sin límites por Fernando Perales, que tuvo lugar en Febrero de 2019. Esta conferencia contiene una mixtura de tecnologías, para que las personas puedan lograr identificar las 7 esferas del éxito para el logro de sus objetivos y aplicarlas. Reconocer y eliminar los obstáculos mentales, prácticas de la escritura, arengas y afirmaciones y visualizaciones Fernando Perales Especialista certificado en lectura del Rostro Morfopsicología y Miang Xiang con certificación en Eneagrama. Psicomotivador e instructor en desarrollo cognitivo y control mental. Practitioner Diplomado en Programación Neuro Lingüística (PNL). Terapeuta Gestáltico. Realizador y productor de tecnologías de subliminales y binaurales. Docente de centros de enseñanza en universidades e institutos. Consultor en medios de prensa periodística y medios radiales y TV. #FernandoPerales #Prosperidad #SinLímites ------------INFORMACIÓN SOBRE MINDALIA---------- Mindalia.com es una ONG internacional sin ánimo de lucro. Nuestra misión es la difusión universal de contenidos para la mejora de la consciencia espiritual, mental y física. -Apóyanos con tu donación mediante Paypal https://www.mindaliatelevision.com/ha... -Colabora con el mundo suscribiéndote a este canal, dejándonos un comentario de energía positiva en nuestros vídeos y compartiéndolos. De esta forma, este conocimiento llegará a mucha más gente. - Sitio web: https://www.mindalia.com - Facebook: https://www.facebook.com/mindalia.ayuda/ - Twitter: http://twitter.com/mindaliacom - Instagram: https://www.instagram.com/mindalia_com/ - Periscope: https://www.pscp.tv/mindaliacom - Twitch: https://www.twitch.tv/mindaliacom - Vaughn: https://vaughn.live/mindalia - VK: https://vk.com/mindalia *Mindalia.com no se hace responsable de las opiniones vertidas en este vídeo, ni necesariamente participa de ellas. *Mindalia.com no se responsabiliza de la fiabilidad de las informaciones de este vídeo, cualquiera sea su origen. *Este vídeo es exclusivamente informativo.