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Quase 5 milhões de brasileiros vivem no exterior (4.996.951), segundo a estimativa mais recente do Ministério das Relações Exteriores, de 2023. Quase metade (45%) está nos Estados Unidos, cerca de 34% na Europa e 13% na América do Sul, mas menos de menos de 1% escolheu a África. Pesquisador da diáspora brasileira, o PhD da Unigranrio Roberto Falcão desvenda o que aprendeu sobre o empreendedorismo brasileiro no exterior. Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris A maioria desses brasileiros saiu em busca de melhores condições de vida, para fugir da violência e da decepção política. Normalmente, as pessoas que emigram têm disponibilidade para viajar, boa adaptação a línguas, maior autonomia e não temem tarefas altamente desafiadoras. Alguns dos ramos mais escolhidos pelos brasileiros para empreender em outros países são culinária, estética e construção. Há oportunidades de mercado no chamado nicho étnico e também na venda para o consumidor local. A capoeira, por exemplo, está presente em 180 países. Churrascarias de rodízio, venda de produtos como açaí e pão de queijo e serviços como alisamento ou depilação à brasileira são outros exemplos recorrentes. Um dos atrativos é a saudade de casa. Do ponto de vista do financiamento, a maioria dos pequenos e médios negócios fundados por brasileiros no exterior depende de capital próprio ou de linhas de crédito disponíveis, quando o empreendedor já está integrado ao país escolhido. Esse é um retrato de quem são os brasileiros e onde eles formaram suas bases para empreender ao redor do mundo, segundo pesquisa da Unigranrio e da UFF (Universidade Federal Fluminense), apoiada pela FAPERJ (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Ao longo de uma década, o professor e sua equipe entrevistaram mais de 400 empreendedores de diversos perfis. Falcão esteve em Paris na terça-feira (3), onde deu uma palestra a convite da Câmara de Comércio do Brasil na França (CCBF) sobre o que leva esses brasileiros a vencer em outro país. “O primeiro passo para não fracassar é entender a legislação, as regras locais, a regulamentação, conhecer o público, os hábitos do consumidor local e, sobretudo, falar bem a língua para o atendimento. Se você tem uma loja, um negócio, e não falar bem o idioma local, será um entrave para empreender”, aponta Falcão. Em seu projeto de pesquisa, ele analisa o empreendedor, seu nível de educação e de informação, se ele fala línguas, o ambiente institucional e a regulamentação do país. No caso da empresa, a equipe busca entender possíveis diferenciais para conseguir se posicionar bem no mercado. Além disso, é preciso ter uma boa gestão, investir em marketing e divulgação do produto ou serviço, como em qualquer negócio. “O brasileiro é caracterizado como um povo que se comunica muito bem, tanto que ele tem muita habilidade, em geral, na parte de redes sociais e de marketing digital”, aponta. “Ele também é caracterizado como uma pessoa muito versátil, que se adapta a diversos tipos de trabalho, em diversas condições, e é multitarefa. Além disso, a cordialidade: o brasileiro sorri”, completa. Mas há um lado que dá menos orgulho. “Talvez nós tenhamos características negativas também. Emergiu na nossa pesquisa algo relacionado à sabotagem entre negócios, um jogando areia no negócio do outro ou criando denúncias falsas.” O sucesso no novo ambiente pode ser medido pelo grau de produtividade, mas também pela saúde e pela felicidade. Esse é o tripé da sustentabilidade de carreira, explica Falcão, antes mesmo do dinheiro. Conhecer a legislação e vencer a burocracia O mineiro Rodrigo Pinho Aragão sonha em abrir uma empresa de consultoria e contou à RFI sobre a dificuldade com a burocracia. “Eu vim para a França com visto de trabalho, pelo fato de ter diploma francês. Mas o visto não permite a criação de uma empresa ou abertura de uma conta empresarial”, lamenta. “Para poder criar a empresa, tenho que fazer a transição de visto e justificar a viabilidade econômica do projeto que desejo criar”, continua. Na França, há diferentes tipos de vistos de empreendedorismo: o mais focado em profissões liberais, comerciais e artesanais, e outro para empresas de maior porte, que visam contratar pessoas e ter escala. “Mas, nesse caso, tem que justificar um investimento de € 30 mil com disponibilidade imediata para investir na empresa. É um pouco a situação do ovo ou da galinha: você precisa justificar investimento em uma empresa que não existe e, para a empresa existir, você precisa do visto”, afirma. “Ao mesmo tempo, você precisa fazer com que a empresa exista: imaginar como ela vai ser, pensar nos clientes, no seu plano de negócios. Criar uma empresa já é uma trajetória desafiadora e, além disso, você precisa encontrar os caminhos, institucionalmente falando, para fazer essa transição de visto”, conclui. A validade ou não de diplomas, habilidades e experiências prévias também é fonte de preocupação. Outro desafio comum, além de documentos e moradia, são encontrar um limite entre ambiente profissional e familiar – os contornos são fluidos para o pequeno e médio empreendedor que têm sonho de crescer. Na França, mulheres são maioria entre imigrantes brasileiros Na Europa, Portugal encabeça a lista de países com mais imigrantes brasileiros: 500 mil, um número que Falcão acredita estar subnotificado. Na França, há entre 120 e 130 mil brasileiros residentes. Uma curiosidade apontada na pesquisa é que, entre os que vivem no território francês, 75% são mulheres e maioria está na faixa dos 30 anos. Cerca de 45% têm graduação e aproximadamente um terço é pós-graduada. Apaixonada por moda e vivendo na Europa há 22 anos, Patrícia Cordeiro já lançou sua marca, Madame Dumont, e sonha ainda mais alto. “Agora eu quero fazer um curso de chapéu, que é um nicho muito bom e é algo que foi sonhado no meu coração”, disse, à RFI. Ela afirma não estar encontrando muitas dificuldades no caminho. “Muito sinceramente, as portas têm se aberto e tudo tem fluído naturalmente, sem grande procura, sem forçar. Estou no lugar certo, no momento certo e com as pessoas certas”, comemora. “Estou investindo primeiramente no conhecer, no aprender e amadurecer; e depois vem essa segunda fase do dinheiro para expandir o negócio”, completa cheia de esperança.
Uma semana após a passagem da depressão Kristin, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, continua a visitar os concelhos mais afectados pela tempestade e aumenta a pressão sobre o Governo. Depois da crítica às explicações que foram sendo dadas pelo executivo – o que, no seu entender, “em muitos casos não correu bem” –, destacou a importância de fazer chegar às populações os apoios anunciados e, para garantir que há mão-de-obra para reconstruir casas e empresas, defendeu a abertura de “um canal de entrada” de imigrantes para esse efeito. Será que o Governo vai deixar que isso aconteça?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Raquel Carneiro - Diretora da ARTESP
Boletim: Sistema Anchieta-Imigrantes inicia instalação do Siga Fácil sem cobrança by Governo do Estado de São Paulo
Quer aumentar o lucro do seu restaurante?
A Polícia Federal deflagrou uma nova operação sobre o Banco Master e bloqueou R$ 5,7 bilhões. Os agentes fizeram buscas em endereços da família Vorcaro e apreenderam o celular do empresário Nelson Tanure. O ministro Dias Toffoli determinou que o material apreendido fique na Procuradoria-Geral da República. Os Estados Unidos fizeram manobras militares no Oriente Médio. O Irã ameaçou reagir e bombardear bases americanas na região. Alemanha, Suécia e Noruega decidiram enviar soldados para a Groenlândia. O governo americano suspendeu vistos de imigrantes de 75 países, incluindo o Brasil.
No programa desta semana, José de Pina fala do seu choque com a Comissão Nacional de Eleição (CNE), a propósito das próximas eleições presidenciais, e com a algazárra que se irá criar com os resultados da primeira volta: "Qualquer candidato que perca uma ida à segunda volta por mil votos vai logo contestar. Como é que não se montou uma taskforce de Norte a Sul do país para se fazerem boletins de voto novos e corretos?", questiona. Luís Pedro Nunes mostra um vídeo de uma influenciadora belga a viver em Lisboa, que criticou não conseguir falar português com os locais, para anotar: "Os portugueses não andam sempre a dizer que querem os imigrantes a falar a língua? Parece que não...". Já Luana do Bem deixa um apelo para se terminar com as "pessoas-relatoras" que, segundo a humorista, "minam" qualquer ida tranquila a um espetáculo ou jogo. Com moderação de Pedro Boucherie Mendes, o Irritações foi emitido a 9 de janeiro, na SIC Radical. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IASee omnystudio.com/listener for privacy information.
A situação arrasta-se há vários meses e agravou-se no período de Natal e Ano Novo. O governo anunciou, entretanto, a suspensão do novo sistema europeu de controle de fronteiras e mandou chamar, com carácter imediato, os militares da GNR. A ASPP acusa o toque, mas garante que não tem nenhuma responsabilidade pelos tempos de espera verificados. Para olhar para este problema que afecta a imagem do país, a vida de quem nos procura e as finanças das companhias de aviação, conversamos neste episódio com Paulo Geisler, presidente da RENA - Associação das Companhias Aéreas em Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A crise demográfica em Itália já está a afetar a economia e a obrigar e o Governo anti-imigração de Giorgia Meloni a ter de atrair imigrantes. Oiça aqui o último episódio do podcast O Mundo A Seus Pés com Pedro Góis, sociólogo da Universidade de Coimbra e investigador na área das migrações internacionais. Este episódio foi conduzido pela jornalista Mara Tribuna e contou com a edição técnica de João Luís Amorim.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O teor de conversas privadas de António Costa, enquanto era primeiro-ministro, veio esta semana a público. O Ministério Público acha que o que há a fazer não é apurar a origem da mensagem, mas processar o mensageiro. Ao mesmo tempo, os elementos das forças de segurança acusados de escravizar imigrantes no Alentejo saíram em liberdade por uma minudência processual. E o líder da força política que mais tem atacado os imigrantes, reivindicando para si o papel de defensor da ordem e das polícias, só com muito esforço foi capaz de dizer em surdina que a situação era condenável. Embora tenha publicado nas redes sociais um vídeo de maus-tratos a animais com a acusação de que seriam imagens da comunidade cigana. Na verdade, era uma filmagem de há sete anos, no Egipto, e sem ninguém nela de etnia cigana. Interrogado sobre se sabia que aquilo que publicou era uma falsidade, não respondeu. Enquanto isso, o mundo também continua sem resposta acerca das intenções de Trump para a Venezuela. O pretexto para a acção norte-americana é o narcotráfico, mas - ironia da ironias - Trump perdoou esta semana um antigo presidente das Honduras, condenado a 45 anos de prisão por… narcotráfico.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A expressão “fuga de cérebros” ganhou relevância quando, na crise do inicio da década anterior, muitos milhares de jovens portugueses acabavam os seus cursos e emigravam à procura de saídas que não encontravam em Portugal. A ideia parece ter cristalizado, mesmo perante uma realidade que mudou da noite para o dia. O episódio de hoje resulta da leitura de um texto de Manuel Caldeira Cabral, ex-ministro da Economia e professor na Universidade do Minho, publicado no Expresso: “Mais jovens portugueses estão a regressar a Portugal do que a sair do país”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O 25 de novembro deverá ser equiparado ao 25 de abril? Os atos de Ventura servem para espalhar a sua presença através do choque da sociedade? Devem ser ignorados? Quando as fora de segurança exploram, humilham e escravizam imigrantes, é sinal de que o Estado português está degradado? São sinais de algo muito feio que vem aí? Trump é um ativo russo? Quem vazou a informação? A quem interessa a confusão?
Dez militares da GNR, um agente da PSP e vários civis foram detidos na terça-feira, suspeitos de escravizarem e explorarem o trabalho de imigrantes ilegais. A maioria dos suspeitos manteve-se em silêncio no tribunal. O Governo vai criar uma Comissão de Combate à Fraude no SNS e escolheu o juiz Carlos Alexandre para a liderar. Numa sondagem do ICS/ISCTE feita para o Expresso e a SIC, Henrique Gouveia e Melo e André Ventura surgem como os favoritos a passar à segunda volta nas eleições presidenciais. Marques Mendes surgem em terceiro lugar, mas em empate técnico com os outros dois candidatos, numa altura em que ainda há uma grande percentagem de indecisos. São estes os temas do Eixo do Mal, em podcast, com Clara Ferreira Alves e Luís Pedro Nunes, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes. Emitido na SIC Notícias a 27 de novembro. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Eles chegaram aos Estados Unidos buscando segurança, estabilidade e o velho ideal do sonho americano. Mas, sob o endurecimento das operações migratórias do governo Donald Trump, muitos brasileiros agora fazem o caminho inverso: estão refazendo as malas, desfazendo planos e retornando ao Brasil antes da hora, movidos principalmente pelo medo de serem presos ou deportados. Luciana Rosa, correspondente da RFI de Nova York Medo, aumento do custo de vida e saudade dos que ficaram no Brasil. A história de Silvia Santos ajuda a ilustrar como fatores econômicos, familiares e emocionais têm pesado nas decisões de brasileiros que deixam os Estados Unidos. Moradora de Sarasota, na Flórida, ela embarca definitivamente no dia 10 de dezembro, levando consigo a filha de 9 anos. O destino é São Luís, no Maranhão, onde a mãe está gravemente doente e já perdeu movimentos, visão e parte da fala. O marido ficará nos EUA, trabalhando na área de logística, enquanto aguarda a aprovação do visto, um processo que se arrasta há meses. Silvia trabalhava fazendo entregas de comida nos horários de almoço e jantar, enquanto cuidava da casa, da filha pequena e mantinha uma filha adulta no Brasil, que depende da ajuda financeira da família. O orçamento, segundo ela, nunca fechou. “A gente vive para pagar conta. Não sobra”, diz. “E eu tenho a casa, as crianças, tudo nas minhas costas. Não tem comunidade aqui, não tem rede de apoio.” O medo das operações migratórias, no entanto, foi o que acelerou a decisão de voltar. Mesmo com número de Social Security e permissão de trabalho (work permit), Silvia conta que a insegurança só cresceu. “A gente já viu gente sendo deportada mesmo com processo em andamento. Eu não me vejo tão segura, sabe? Nesse momento, eu não ficaria ilegal aqui. Eu acredito que não vale a pena.” O temor maior é o de ser separada da filha em uma eventual abordagem. Ela cita casos recentes entre brasileiros na região. “A gente viu várias histórias de gente que já foi separada. Teve o caso de uma brasileira que foi presa e a filha não achava a mãe. Foi parar em outro lugar.” Para Silvia, o risco simplesmente “não vale a vida inteira”. A saúde da mãe, no Brasil, adicionou urgência ao plano. “Foi um conjunto de coisas. A doença da minha mãe, a família, tudo interferiu. Eu, hoje, não viria pra cá pra ficar na ilegalidade. Jamais”, reitera. Mesmo assim, Silvia diz compreender que os Estados Unidos precisam controlar suas fronteiras. “Eu concordo que tem que ter um controle, tem que ter critério”, afirma. “Mas a gente sabe que quem movimenta a economia é o imigrante: na construção, na limpeza, no delivery. E hoje até em áreas intelectuais. O meu marido é uma força intelectual que os Estados Unidos precisam.” Ela conta que tem visto, em Sarasota, sinais de deterioração social que antes não associava ao país. “Eu tenho percebido muito mais mendigo na rua. Muito mais do que quando cheguei”, observa. A decisão de voltar, diz Silvia, é também um gesto de proteção emocional. “Minha filha não tem infância aqui”, afirma. “A gente trabalha tanto que não vive. E eu quero que ela viva”, desabafa. ‘Eu saio de casa com medo' Geovanne Danioti desembarcou nos Estados Unidos em 2022. Ele vive com a esposa, que é brasileira com residência permanente, e os dois filhos pequenos no interior do estado de Nova York. No dia 1º de dezembro, a família embarca de volta para o Brasil. Com o visto expirado, Danioti relata viver sob tensão constante. “Eu saio de casa com medo. Vou só do trabalho para casa. Aqui onde eu moro você só vê carro do ICE. Todo dia prendem cinco ou seis pessoas”, conta. Ele diz ter sido parado várias vezes pela polícia por infrações de trânsito. O estopim foi o caso de um amigo que trabalhava no mesmo hotel e acabou deportado durante uma audiência por uma infração de trânsito, mesmo estando legalmente no país. O temor de ser detido e a possibilidade de perder a guarda dos filhos, ambos cidadãos americanos, fez a família decidir deixar o sonho americano para mais tarde. “A gente não quer que nossos filhos passem por isso. Vamos resolver tudo no Brasil e, quando estiver legal, voltamos no ano que vem. Começo de 2027 no máximo”, explica. Quando o sonho americano se desfaz Para além dos relatos individuais, pesquisas recentes ajudam a dimensionar o medo que tem levado muitos imigrantes, inclusive brasileiros, a reconsiderar a permanência nos Estados Unidos. Um levantamento nacional realizado pela KFF (Kaiser Family Foundation) em parceria com o The New York Times, e divulgado em novembro, mostra que o receio de ações migratórias deixou de ser pontual e passou a fazer parte do cotidiano. Segundo a pesquisa, um em cada cinco imigrantes afirma conhecer alguém que foi preso, detido ou deportado desde janeiro. O estudo também revela que quatro em cada dez dizem temer que eles próprios ou um familiar possam se tornar alvo de uma operação do ICE. O levantamento destaca ainda que imigrantes de diferentes perfis, incluindo cidadãos naturalizados e pessoas com visto válido, relatam se sentir menos seguros e passaram a evitar atividades fora de casa, algo que antes não fazia parte da rotina dessas comunidades. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra a força persistente do mito do sonho americano: cerca de 70% dos entrevistados disseram que, se pudessem voltar no tempo, fariam novamente a escolha de migrar para os Estados Unidos, apesar do clima atual. Entre brasileiros, os dados oficiais ainda são parciais, mas seguem na mesma direção. O Itamaraty registrou cinco repatriações em 2024, e o número de 2025 está em processamento. No cenário geral da imigração, o Departamento de Segurança Interna dos EUA estima que cerca de 1,6 milhão de pessoas solicitaram autodeportação ao longo deste ano, um mecanismo usado principalmente por quem teme uma detenção antes de conseguir regularizar sua situação. Apesar disso, nem todos que vivem sob risco decidem voltar ao país de origem. Uma reportagem recente da emissora pública npr.org mostra que muitos imigrantes em situação irregular estão optando por migrar internamente, mudando-se para estados onde a atuação do ICE é menos intensa. Trata-se de uma estratégia para ganhar tempo, manter o emprego e proteger os filhos nascidos nos EUA, ao menos, até que a próxima batida do ICE seja anunciada.
Em um contexto de leis de imigração cada vez mais restritivas em Portugal, uma iniciativa se destaca pela formação e integração de imigrantes. O programa Integrar, uma parceria entre o Departamento Nacional de Turismo, a confederação patronal do setor de hotéis, bares e restaurantes e a AIMA (Agência de Imigração e Asilo), visa formar um total 1.000 pessoas até o fim do ano para trabalhar nesses estabelecimentos. Com informações de Theo Raizon, da RFI O objetivo é selecionar estrangeiros, em situação legal ou em processo de regularização, para encontrarem emprego num setor que precisa de mão de obra. Na Escola de Hotelaria e de Turismo de Lisboa, acompanhamos uma aula sobre ovos. Laura, 34 anos, é angolana e aluna do curso de formação do programa Integrar. Ela não conseguiu emprego na sua área, psicologia do esporte, e teve de se requalificar. "Organizar minha documentação levou tempo. Por isso, recorri a este estágio. O que não é um problema, porque eu adoro cozinhar. Mas sem isso, seria difícil, porque a vida é complicada. Se você quer ficar aqui e não tem um emprego que lhe agrade, é difícil. O que eu amo são pratos quentes. Eu não tinha experiência, estou descobrindo, e é fascinante!", diz. Laura estava prestes a voltar para Angola e ficou feliz com a oportunidade. Ela faz um alerta a outros interessados em viver no país. "Não venha com visto de turista se pretende ficar no país. Venha com visto de estudante, visto de trabalho ou com uma situação que o ajude a evitar armadilhas. Imigrar já é difícil... Mas se não tiver o visto certo, ficará preso numa série de problemas, sem conseguir obter a documentação adequada ou regularizar a sua situação," diz. A jovem angolana é uma das 1.000 pessoas selecionadas para receber formação em turismo, hotelaria e gastronomia: três meses numa das 12 escolas de hotelaria de Portugal e um mês de estágio em uma empresa. Um programa que poderia parecer comum se não fosse pelo seu público-alvo específico. A motivação é fundamental, acredita João Antunes, instrutor de culinária. "São pessoas altamente motivadas. O que noto nestes grupos é que são pessoas muito interessadas. Pessoas mais velhas, com mais experiência de vida, que aproveitam estas oportunidades que lhes são oferecidas. É valorizado porque se vê claramente a vontade deles de aprender", destaca. O Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, é um dos 329 estabelecimentos parceiros do programa Integrar. Foi no restaurante do hotel que Raas, um indonésio, encontrou o seu lugar. Até então, ele tinha se contentado com trabalhos temporários. "Em Portugal, como indonésio, é difícil encontrar emprego por causa do idioma. Então, procurei um instituto que ensinasse português. Comecei o estágio há três ou quatro meses e agora falo um pouco de português. Antes, eu só podia comer em lanchonetes de fast food", conta. Raas está feliz. Ele é um dos 15 estagiários do programa Integrar a serem contratados em regime permanente — uma raridade na indústria hoteleira. Contrato permanente "Um contrato permanente oferece segurança. Tem um período de experiência e depois eles são efetivados aqui no hotel, e isso lhes dá segurança e a possibilidade de alugar um apartamento, comprar uma casa, fazer um empréstimo no banco", explica Victor Ferreira, o gerente assistente do Vila Galé Ópera. O hoteleiro, assim como seus colegas, enfrenta uma rotatividade significativa no setor. Poucos funcionários se comprometem a longo prazo. "É muito difícil ter funcionários fixos a longo prazo, porque eles precisam trabalhar no fim de semana, no mês de agosto, quando todo mundo vai à praia, e isso é difícil", acrescenta. Os salários também são alvo de críticas em um setor exigente. No Hotel Vila Galé Ópera, Raas, que está apenas começando, ganha 1.200 euros brutos por mês, o que representa 330 euros a mais que o salário mínimo — aproximadamente R$ 7.400. Catarina Paiva é responsável pelo programa Integrar, junto à Autoridade Nacional de Turismo. Ela considera o treinamento um sucesso e se mantém distante do debate político sobre imigração. "Temos uma visão otimista e muito positiva da integração dos migrantes em nosso setor. Como eu disse, não queremos nos envolver no debate político. Nosso papel é garantir que aqueles que obtêm status legal tenham a oportunidade de construir uma carreira. Trata-se de garantir as condições necessárias para que as pessoas possam ser formadas em todo o país e de prestar apoio personalizado a quem estiver determinado a viver em Portugal", afirma. O programa Integrar pode servir de exemplo a outros setores. "O objetivo final do programa, e ficaríamos muito felizes se fosse alcançado, é a sua replicação. Gostaríamos de aproveitar o sucesso da nossa experiência para que sirva de modelo a outros setores profissionais capazes de integrar migrantes", conclui. A parceria inédita entre o Departamento de Turismo de Portugal, empresários do setor e a agência de imigração será renovada em 2026. Isto representa um investimento de € 5 milhões para formação profissional no país.
A saúde e o bem-estar das comunidades multiculturais mais jovens na Austrália. Como construir espaços mais inclusivos, saudáveis para quem está começando uma nova vida por aqui? Conversamos com Ranielson Santana, presidente da BASA (Associação Brasileira da Austrália do Sul), Patrícia Alves de Araújo, coordenadora do Projeto Multicultural no Northern Grampians Shire Council e Junior Melo, do Centro Esportivo para Jovens Multiculturais (CMSport).
A rede desmantelada pela PJ esta semana cobrava mais a imigrantes que chegavam do Indostão. No pacote com tudo incluído, e que podia chegar aos 20 mil euros, constava um contrato de trabalho, número de contribuinte, número da Segurança Social, número de utente do SNS, certificação do registo criminal, abertura de conta bancária e atestado de residência. Neste episódio, conversamos com o jornalista Hugo Franco.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A comunidade do Brasil é a maior comunidade imigrante no nosso país e estão a crescer os comportamentos discriminatórios em relação aos brasileiros, seja no emprego, no arrendamento da casa, ou nas relações sociais. Preocupada, a diplomacia brasileira está a preparar uma campanha para combater o racismo e a xenofobia no nosso país. Neste episódio, conversamos com a presidente da Casa do Brasil, em Lisboa, Ana Paula Costa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nova lei de estrangeiros torna a vida de imigrantes mais difícil em Portugal. Presidente alemão chegou ontem à Angola. E a vida volta gradualmente à normalidade na Tanzania após protestos violentos.
André Ventura disse que o país precisa é de três Salazares e depois espalhou cartazes a dizer que “Isto não é o Bangladesh”' e que “Os ciganos têm de cumprir a lei”. O advogado Garcia Pereira não foi o único a reagir, mas foi o que foi mais longe: pediu a ilegalização do Chega. A Comissão Nacional de Eleições pediu a intervenção do Ministério Público, mas não é exatamente isto que Ventura pretende? E o que dizer da nova lei da nacionalidade? E dos cortes orçamentais na Saúde? Cortes não, que o primeiro-ministro não usa esta palavra: eficiência. São estes os temas do Eixo do Mal, em podcast, com Clara Ferreira Alves e Luís Pedro Nunes, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes. Emitido na SIC Notícias a 30 de outubro. Para ver a versão vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Tony Burke, ministro do Interior da Austrália, revelou que o governo está considerando mudanças para conseguir atender demanda de profissionais exigida no mercado de trabalho, e também combater o subemprego de profissionais qualificados que aguardam a validação do diploma no país.
Bruno Silva, o elemento de extrema-direita que foi detido por instigação ao ódio nas redes sociais e ameaças de morte a uma jornalista brasileira, ficou em prisão preventiva. As mensagens de ódio contra a comunidade brasileira têm estado a aumentar nas redes sociais e os imigrantes do Brasil são sujeitos a constante discriminação. Neste episódio, conversamos com o jornalista Hugo Franco.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Veja também em youtube.com/@45_graus Cátia Batista é Professora Catedrática de Economia na Nova School of Business and Economics (SBE), onde é também Fundadora e Diretora Científica do centro de investigação NOVAFRICA. Cátia tem um doutoramento em Economia pela Universidade de Chicago. Tem interesses de investigação relacionados com a migração internacional e fluxos de remessas, inclusão financeira, empreendedorismo, adopção de tecnologia, educação e avaliação de políticas. Tem realizado trabalho incluindo experiências aleatórias e de laboratório no terreno em países como Cabo Verde, Gâmbia, Irlanda, Quénia, Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe. _______________ Índice: (0:00) Introdução (4:19) Qual é o impacto da imigração nos países de destino? Imigrantes mais vs menos qualificados (16:32) O que sabemos do impacto actual em Portugal? (24:37) Parecer da convidada sobre a naturalização de imigrantes (30:11) Benefícios para as mulheres locais | Estudo que mostra que imigrantes em Portugal são mais qualificados do que locais (37:17) Impactos na criminalidade e nas contas públicas | O caso do ChileSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Cristina Rodrigues (CH) culpa o PSD de não viabilizar uma medida que retirasse o caráter suspensivo aos recursos. António Rodrigues (PSD) aponta culpas aos "prazos curtos" e às regras pouco claras.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em 2024, cerca de duas mil mulheres grávidas, mães recentes ou a amamentar perderam o emprego, seja porque o contrato a termo não foi renovado, porque foram dispensadas durante o período experimental ou mesmo porque foram, simplesmente, despedidas. O colunista do Expresso Henrique Raposo escreveu um artigo de opinião perguntando “quem defende as mulheres grávidas que são despedidas?” E é com ele que conversamos neste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Discurso de ódio contra as mulheres, os imigrantes e a comunidade LGBT repetem-se cada vez mais nas redes sociais. Ao Expresso, uma fonte oficial do Sistema de Informações da República Portuguesa diz que, muitas vezes, os conteúdos incentivam ao ódio e à violência e parece existir um sentimento de impunidade face ao que é uma leitura abusiva do direito à liberdade de expressão. Neste episódio, conversamos com Helena Bento e Hugo Franco, os autores da manchete deste fim-de-semana. See omnystudio.com/listener for privacy information.
AD e Chega chegaram a acordo para a nova lei dos estrangeiros, aprovada no Parlamento também com votos favoráveis da IL e do JPP. As ilegalidades rejeitadas pelo Tribunal Constitucional, na primeira versão da lei, parecem estar resolvidas, de acordo com o secretário-geral do PS José Luís Carneiro. No Antes Pelo Contrário em podcast, Daniel Oliveira aponta que “o governo integrou completamente um discurso do Chega que diz que o reagrupamento familiar é mau”, Francisco Mendes da Silva considera que “o que o Chega diz sobre o Tribunal Constitucional, ao responder à Trump, é inadmissível em qualquer democracia”. O programa foi emitido na SIC Notícias a 30 de setembro. Para ver a versão em vídeo deste episódio clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana tem estado reunida a Assembleia geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. E de tantos temas e discurso importantes o que ficou para as parangonas foram as escadas rolantes e o teleponto. Eis o estado da ONU, 80 anos depois. No Eixo do Mal em podcast, Clara Ferreira Alves, Luís Pedro Nunes, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes analisam ainda as mudanças na lei da imigração e a campanha rumo às eleições autárquicas. O programa foi emitido na SIC Notícias a 25 de setembro. See omnystudio.com/listener for privacy information.
As duas medalhas de ouro portuguesas no Mundial de Atletismo em Tóquio vieram com Pedro Pablo Pichardo (nascido em Cuba) e Isaac Nader (filho de marroquino). Contados apenas imigrantes ou filhos, 15 deles já deram pelo menos 133 podios desportivos com medalhas ao país.
Em França reina o caos, as manifestações contra os cortes orçamentais agravam as várias crises em que o país se encontra. Por cá, junto à Assembleia da República, André Ventura provocou os participantes de uma manifestação de imigrantes. Ouça a análise de Pedro Delgado Alves e José Eduardo Martins no Antes Pelo Contrário em podcast, emitido na SIC Notícias a 18 de setembro. Para ver a versão vídeo deste episódio, clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Porque o remédio para diabetes virou febre para emagrecer? Conversamos com mulheres imigrantes que tomaram Ozempic ou Mounjaro, e especialistas, sobre suas razões, uso, efeitos colaterais, resultados, prós e contras.
A Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras iniciou actividade faz hoje uma semana e já tem cerca de 100 mil processos pendentes para retorno voluntário ou coercivo de imigrantes. É a herança que recebe da AIMA, que já tinha recebido do SEF e até dos serviços que existiam antes. A UNEF quer recuperar o tempo perdido, começando por adquirir novo software. Toneladas de papel estão a ser transferidos das instalações da AIMA para a sede da nova unidade da PSP. Neste episódio, conversamos com a jornalista Raquel Moleiro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A decisão do Tribunal Constitucional sobre a lei de estrangeiros veio dar razão a várias das dúvidas levantadas pelo Presidente da República, que tinha enviado o diploma para o Palácio Ratton. Pelo meio, Marcelo até tinha admitido não usar o veto político, avisando o Governo de que será julgado pela história. O Tribunal permitiu a Marcelo um veto por inconstitucionalidade e o Presidente já devolveu o diploma ao Parlamento, mas os juízes dividiram-se e com estrondo. A esquerda aplaudiu a decisão. O Governo garante que vai assumir as responsabilidades. Na Comissão Política desta semana, debatemos a estratégia do Presidente, a divisão dos juízes e os efeitos na imagem do Tribunal Constitucional, mas também na alteração da legislação. A moderação é de Eunice Lourenço, editora de política do Expresso, com os comentários de o comissário residente Vítor Matos, o subdiretor de informação da SIC Martim Silva, e o diretor do Expresso, João Vieira Pereira. A ilustração é de Carlos Paes e a sonoplastia é de Gustavo Carvalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Governos do Brasil e Angola, países com grande número de imigrantes em Portugal, expressam preocupação com a proposta da direita ultra aprovada pelo governo Luís Montenegro. Presidente Marcelo Rebelo de Souza vê na nova lei problemas nos critérios de reagrupamento familiar de estrangeiros.
Um grupo de associações de imigrantes em Portugal pediu uma audiência urgente ao Presidente da República para pedir o chumbo dasalterações à lei de estrangeiros ou o envio do diploma para fiscalização do Tribunal Constitucional. Já o líder do Chega, André Ventura, fez pedido em sentido contrário: quer pressionar à promulgação.
Legalidade ou humanidade? As barracas de Loures mostram que o cimento no PS é frágil. Quem quer estar no altar ao lado do governo? Ventura diz que tem a chave de casa e o PS quer ver a cópia do contrato.
Pesquisa da Universidade de Melbourne com pessoas entre 15 e 30 anos constatou que um terço recebia 15 dólares por hora ou menos - o salário mínimo por lei atualmente é de 25 dólares. Imigrantes de países não-anglófonos são mais propensos a serem passados para trás pelo patrão.
RENAMO reafirma que Ossufo Momade fica na presidência do partido até à tomada de posse de sucessor. Analista diz que o atual líder "está a matar de vez a RENAMO". Na capital moçambicana, moradores ameaçam recorrer à ONU por danos ambientais e sociais causados por central de betão na Costa do Sol. Amnistia Internacional alerta para possíveis violações de direitos humanos nas demolições em Portugal.
O presidente da Assembleia da República diz que temos de ter a “capacidade de ouvir a coisa mais abjecta”. Nomes de crianças do pré-escolar, para as apontar a dedo como indesejáveis, contam? Como classificar a indignação por haver crianças a irem à escola? Entretanto, na câmara de Oeiras, a filha do presidente está ao serviço da autarquia há anos como psicóloga dos funcionários. Que tal estamos de incompatibilidades? E em que momento pode um jornalista tornar-se notícia? Se Sócrates critica a comunicação social, pode a comunicação social dizer que se recusa a “dar-lhe palco”? A capacidade de ouvir certas coisas está muito mal distribuída. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Imigrantes e Daniel Chapo criticam "radicalismos" sobre o tema migração em Portugal. "Bernardino Rafael pode ser responsabilizado criminalmente", defende jurista moçambicano. Acordo de paz entre a República Democrática do Congo e o Ruanda recebido com ceticismo.
O bajulador Mark Rutte convenceu os aliados a entregarem diretamente subsídio aos EUA, o maior vendedor no setor da defesa. E ainda a imigração: o "amor familiar" de primeira e de segunda para a AD. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Israel ataca Irão. Irão ameaça vingar-se. Moçambique quer apostar na agricultura. Especialistas dizem que é preciso investir em infraestruturas. Portugal: Jovens imigrantes oriundos de África enfrentam muitos e difíceis desafios. Situação política na Tanzânia está a gerar tensões com os países vizinhos.