Podcasts about africanos

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Convidado
Macky Sall "não é a pessoa certa para representar os interesses africanos” junto da ONU

Convidado

Play Episode Listen Later Mar 6, 2026 10:15


Esta semana, o Burundi, que exerce a presidência rotativa da União Africana, apresentou a candidatura do ex-Presidente senegalês ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Até agora, os Estados africanos ainda não reagiram oficialmente a esta proposta. A candidatura de Macky Sall não conta com o apoio do Senegal, uma vez que o ex-chefe de Estado é acusado pela nova liderança do país de ocultar dados económicos importantes, como a dívida pública. O último mandato do Presidente senegalês ficou ainda marcado por episódios de violência e repressão da população. Régio Conrado, professor de Ciência Política e Direito na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, afirma que “Macky Sall não é a pessoa certa para representar os interesses africanos”. Esta semana, o Burundi, que exerce a presidência rotativa da União Africana, apresentou a candidatura do ex-Presidente senegalês ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Que comentário lhe merece esta candidatura? É profundamente complicado que um Presidente que já foi chefe de Estado num país que não o reconhece como candidato oficial -e, portanto, não é apoiado pelas autoridades do seu próprio país -seja apresentado pelo actual presidente da União Africana, o Presidente do Burundi, e não necessariamente pela própria União Africana. Isto já significa que há um duplo problema. Por um lado, há um problema de legitimidade no próprio país de origem, onde foi chefe de Estado. Por outro lado, os restantes chefes de Estado do continente africano ainda não se pronunciaram sobre o assunto, o que mostra que esta é uma iniciativa particular do Presidente do Burundi. É muito provavelmente uma má iniciativa e Macky Sall está, provavelmente, à procura de uma saída internacional, talvez para escapar a eventuais responsabilizações que possam recair sobre ele, não só no plano interno do país, mas também como uma forma de sobrevivência política através de dinâmicas internacionais. O antigo chefe de Estado do Senegal é a pessoa certa para representar o continente africano nos fóruns internacionais? Não, ele não é a pessoa certa para representar os interesses africanos. Quando esteve na presidência do Senegal e mesmo na presidência rotativa da União Africana, esteve muito mais ligado aos interesses franceses, funcionando quase como um dispositivo operativo -um cipaio, digamos -não dos interesses africanos, mas sobretudo dos interesses franceses e, por consequência, dos interesses europeus. Não é uma figura que, no continente africano, possa ser vista como a mais razoável para ocupar este lugar neste momento. Precisamos de uma figura pan-africana, com uma percepção de independência profundamente entranhada. Alguém que tenha uma visão de África fora das relações de subordinação ou de neocolonialismo com o Ocidente. Portanto, uma figura que congregue e agregue respeitabilidade no plano da defesa dos interesses africanos. E quem poderia ser essa pessoa? A actual Presidente da Tanzânia poderia, provavelmente, sugerir alguém da sua máxima confiança para representar os interesses africanos. Temos também Carlos Lopes, que é uma grande figura no continente africano e que tem estado sempre na linha da frente da defesa dos interesses africanos. Para além da sua carreira académica, é uma figura que já trabalhou com vários secretários-gerais das Nações Unidas e que tem uma longa experiência dentro das estruturas da organização e da União Africana. É uma figura alinhada com a defesa dos interesses africanos. Carlos Lopes, antigo secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas em África , poderia reunir o consenso dos líderes africanos? Penso que ele tem todo o potencial para reunir muitos consensos. Primeiro, porque não se trata de uma figura amarrada a um determinado país. Mesmo sendo originário da Guiné-Bissau, é uma figura completamente pan-africana. Isso poderia evitar, talvez, algumas clivagens regionais. Agora, também sabemos que os processos de negociação para apresentar uma candidatura são sempre profundamente complexos. E, obviamente, esses processos nem sempre traduzem aquilo que são as verdadeiras convicções de todos os actores envolvidos. África tem reclamado uma maior presença nas diferentes organizações das Nações Unidas. Já houve dois secretários-gerais africanos, Boutros Boutros-Ghali e Kofi Annan. Há possibilidade de o próximo secretário-geral das Nações Unidas ser oriundo do continente africano? Fica muito difícil. O que podemos dizer é que, neste momento, tendo em conta aquilo que África tem defendido -uma maior presença nos diferentes organismos das Nações Unidas, e muito particularmente ao nível do Conselho de Segurança, essa reivindicação faz sentido. Estamos a falar de 54 países e de um continente com uma população que ultrapassa mil milhões de pessoas. É um continente que tem um peso muito profundo e determinante para o futuro do mundo. O problema é que o mundo em que vivemos hoje mostra que várias potências procuram também controlar as Nações Unidas. Até ao momento foram apresentadas duas candidaturas oficiais: a da ex-Presidente chilena Michelle Bachelet e a do responsável da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi. A Costa Rica também nomeou a ex-Presidente Rebeca Grynspan, mas a candidatura ainda não é oficial. Segundo uma tradição de rotação geográfica, que nem sempre é observada, o cargo estaria agora a ser disputado pela América Latina. Muitos países defendem também que uma mulher deveria ocupar este cargo. A organização está preparada para ter uma mulher na liderança? Neste momento, o continente que está melhor posicionado parece ser a América Latina, onde há quase um consenso generalizado. Grandes potências regionais como o Brasil e a Argentina, bem como outros países que orbitam à volta destas potências, podem ser determinantes para orientar a dinâmica da escolha do próximo secretário-geral. Na minha opinião, mais do que nunca ficou demonstrado que as mulheres têm capacidade para dirigir determinadas agências das Nações Unidas, grandes programas e a diplomacia de alto nível no sistema internacional. Não me parece irrazoável pensar que uma mulher possa reunir consensos para dirigir a organização. Seria também uma forma de chamar a atenção para a necessidade de confiar responsabilidades às mulheres que demonstraram competências, ao longo das suas carreiras, sobretudo quando se trata de figuras que têm estado empenhadas em temas centrais como a paz, o desenvolvimento e outras questões fundamentais da agenda internacional. Relativamente à questão da paz: de que forma o contexto actual, com uma guerra no Médio Oriente e outros conflitos em várias partes do mundo, pode influenciar a escolha do novo secretário-geral da ONU? Está cada vez mais evidente que as Nações Unidas precisam de uma reforma profunda para aprimorar a sua capacidade de resolução dos grandes conflitos. Com a emergência de novos conflitos, marcados pela força física e pela brutalidade nas relações internacionais, assistimos também à erosão do direito internacional e à fragmentação da capacidade das Nações Unidas para resolver problemas complexos. Veja-se, por exemplo, a situação envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos. Torna-se claro que chegou o momento de repensar a arquitectura das Nações Unidas, a arquitectura do Conselho de Segurança e o próprio sistema internacional de promoção da paz. O que é facto é que, neste momento, as Nações Unidas têm demonstrado limitações profundas - para não dizer fragilidades - na capacidade de conter os conflitos no mundo. Muitos dos conflitos em que a organização interveio continuam por resolver. São os membros do Conselho de Segurança que deverão iniciar o processo de selecção até ao final de Julho, em particular os cinco membros permanentes com poder de veto -Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França - que detêm, na prática, o futuro dos candidatos nas mãos. São conhecidas as divergências actuais. O que se pode esperar desta eleição? A Grã-Bretanha é hoje um país que pesa muito pouco no sistema internacional. Tem pouca capacidade de influenciar o processo. O verdadeiro debate vai acontecer entre as grandes potências. A China e a Rússia estão em confrontação directa com o Ocidente e encontram apoio em vários países do chamado Sul global, como o Brasil e a África do Sul, que são actores importantes. Há também países como o Irão e outros que defendem que não é positivo que haja uma dominação ocidental das instituições internacionais. Estas clivagens já existentes e o agravamento das tensões internacionais -como a situação envolvendo o Irão - vão certamente tornar o processo mais complexo. O que está em jogo nas próximas eleições para secretário-geral das Nações Unidas não é apenas a questão da eficácia, como defende a Grã-Bretanha. O que está em jogo é quem vai influenciar o rumo do sistema internacional nos próximos anos: sobre que bases serão tomadas as decisões, qual será a arquitectura das Nações Unidas e sob que orientação política actuará o próximo secretário-geral. Essas são as grandes questões. Que força terão os países africanos nesta escolha? Hoje não é possível pensar qualquer arquitectura das Nações Unidas sem considerar os 54 países do continente africano. O que será profundamente importante é perceber até que ponto os países africanos conseguirão articular posições comuns. Muitos deles estão hoje mais alinhados com o discurso do chamado Sul global, nomeadamente com posições defendidas pela China, pela Rússia e pelo Brasil, e menos próximos das posições do Ocidente. Infelizmente, há também divisões dentro do próprio continente. Existem países que estão mais alinhados com interesses externos. A Costa do Marfim, por exemplo, mantém uma forte proximidade com a França e, por consequência, com a União Europeia. Há também outros países pequenos que seguem essa linha. Mas há igualmente países com posições fortemente pan-africanas -como a África do Sul, o Quénia, a Tanzânia, Moçambique ou Angola -que podem defender um posicionamento mais autónomo do Sul global. O peso do continente africano dependerá da capacidade de coordenação política entre os seus líderes e da capacidade do presidente da União Africana de construir consensos entre os diferentes países e regiões. Mas tudo começa mal quando um presidente da União Africana decide avançar com uma candidatura sem um consenso mínimo, porque isso revela desde logo um processo de divisão desnecessária.

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial
¡UCRANIA Y LOS TRAIDORES AFRICANOS vs AES!

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial

Play Episode Listen Later Mar 4, 2026 30:01


¡UCRANIA Y LOSTRAIDORES AFRICANOS vs AES!Hoy es miércoles ytoca #LALLAVE. Escúchanos en nuestros canales de YouTube y Spotify: https://youtu.be/swmam0IWNX0 Ucrania ha estadoarmando a los yihadistas en el Sahel para desestabilizar a Mali y la Alianza delos Estados del Sahel (AES). Al mismo tiempo Ucrania como marioneta occidental,esta expandiendo su influencia en el área a través de formación militar y vendade drones a Ghana. El mismo Mahama (presidente de Ghana) juega a dos bandasaceptando la ayuda de Ucrania mientras apuñala a Ibrahim Traore por la espalda.Lo mismo con Tinubu (de Nigeria) que ayuda a expandir a AFRICOM mientras queRuto (de Kenia) permite la construcción de la mayor base militar en elcontinente. Este estrangulamiento de la AES por parte de Occidente y detraidores africanos necesita ser estudiado con cuidadosamente. En el programa dehoy analizamos:¿Qué papel juegaUcrania en el Sahel y por qué?¿Por qué se estaexpandiendo AFRICOM? ¿Cómo puedo la AESresistir y sobrevivir cuando es rodeada de traidores?¿Cómo podemosayudar?Como siempre acompañadode música:  ·       DJ Domi ·       E'muan Ven#SabiasqueÁfrica#OtraÁfricaesposible#AllAfricanpeoplerevolutonaryparty#allafricanwomenrevolutonaryunion#Neocolonialismo#Neoliberalismo#AES#IbrahimTraore#AssimiGoita#AbdourahamaneTchiani#Ucrania#AfricaCorp#AFRICOM

Especiais
Tradução Oral da Bíblia para africanos e povos indígenas

Especiais

Play Episode Listen Later Mar 4, 2026 52:09


Tema: Tradução Oral da Bíblia para africanos e povos indígenas Apresentação: Renata Burjato - Locutora Entrevistados: Nelson Sousa - Consultor de projetos da Tradução Oral da Bíblia Carlos Go Tchámi - Diretor do ITA (Instituto de Tradução e Alfabetização) em Guiné Bissau, mestre em missiologia e pastor. Contato: +55 61 9337-1881 (Whatsapp)Kayuna Mehinako - Missionário do povo Mehinako (Alto Xingu) e comunicador digital. Instagram: @kayomehinakoKaka Kamayura - estudante de Pedagogia Entre os dias 2 e 6 de março de 2026, acontece em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, a Consulta de Tradução da Bíblia Oral. O evento reúne participantes de diferentes regiões do país e do exterior. Confira a experiência de alguns participantes e de que forma a mensagem bíblica tem impactado suas comunidades. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Find Your Everest Podcast by Javi Ordieres
ORIGIN SANTAMADRE + ATLETAS AFRICANOS + SEGURIDAD MONTAÑA | FIND YOUR EVEREST PODCAST by Javi Ordieres

Find Your Everest Podcast by Javi Ordieres

Play Episode Listen Later Feb 3, 2026 117:32


ORIGIN SANTAMADRE + ATLETAS AFRICANOS + SEGURIDAD MONTAÑA | FIND YOUR EVEREST PODCAST by Javi Ordieres ️ En este episodio del Find Your Everest Podcast hablamos de: Anunciamos el calendario de los test de producto que haremos en la FYE Social Runs en los próximos meses. Comentamos la nueva colaboración entre RECCO y las Merrell Skyrunner® World Series, analizando cómo funciona este sistema de búsqueda y rescate y por qué puede marcar la diferencia en la seguridad en montaña y en carreras de trail. Green Trail Concept, la nueva certificación europea de sostenibilidad en el trail running, y su impacto real en la organización de carreras. Zegama-Aizkorri será la primera prueba confirmada para 2026. Repasamos el calendario de carreras de febrero, con pruebas nacionales e internacionales a tener muy en cuenta. Charlamos Alberto, CEO de Santamadre, sobre ORIGIN, el proyecto más ambicioso de la marca hasta la fecha. Nos cuenta desde dentro cómo es el día a día de los atletas en África, su estilo de vida, su mentalidad competitiva, las costumbres culturales y por qué este entorno es clave para llevar a deportistas al más alto nivel del running mundial. Una conversación llena de curiosidades, aprendizaje y visión a largo plazo. Repasamos los últimos fichajes, renovaciones y movimientos más relevantes del trail running. SECCIÓN DE MATERIAL TRAIL RUNNING Analizamos novedades y productos destacados: ADIDAS Zapatillas Adidas Agravic Speed 2: https://findyoureverest.es/products/zapatillas-adidas-terrex-agravic-speed-2-white-core-black-semi-impact-orange Zapatillas Adidas Agravic TT: https://findyoureverest.es/products/zapatillas-adidas-terrex-agravic-tt-white Carcaj portabastones Terrex Xperior: https://findyoureverest.es/products/carcaj-portabastones-adidas-terrex-xperior SAUCONY Zapatillas Saucony Endorphin Azura: https://findyoureverest.es/products/zapatillas-saucony-endorphin-azura-white-navy Zapatillas Saucony Hurricane 25: https://findyoureverest.es/products/zapatillas-saucony-hurricane-25-shadow-black LEKI Bastones Traveller Fx.One Carbon: https://findyoureverest.es/products/bastones-leki-traveller-fx-one-carbon COMPRESSPORT Calcetines Compressport Pro Racing v4.0 Trail: https://findyoureverest.es/products/calcetines-compressport-pro-racing-v4-0-trail-black-red Calcetines Compressport Pro Racing v4.0 Run High: https://findyoureverest.es/products/calcetines-compressport-pro-racing-v4-0-run-high-black-red Calcetines Compressport Ultralight Run High: https://findyoureverest.es/products/calcetines-compressport-pro-racing-v4-0-ultralight-run-high-white-norse-blue-neon-green Calcetines Compressport Ultra Trail V2.0: https://findyoureverest.es/products/calcetines-compressport-ultra-trail-v2-0-begonia-neon-pink Calcetines Compressport Pro Marathon v2.0: https://findyoureverest.es/products/calcetines-compressport-pro-marathon-v2-0-white-norse-blue-neon-green DICCIONARIO FYE En esta edición hablamos de los diferentes tipos de cordones y sistemas de ajuste en zapatillas de trail: cordones clásicos, estriados, quicklace y BOA. Ventajas, inconvenientes y ejemplos reales de modelos que los utilizan.

DW em Português para África | Deutsche Welle
26 de Dezembro de 2025 - Programa Especial

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Dec 26, 2025 20:00


Ciclones, secas, poluição. Florestas a desaparecer. Nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, a crise climática já não é uma ameaça distante - é uma realidade que custa caro. Mas há soluções. Este é um programa especial de rádio sobre clima, justiça ambiental e o futuro do planeta.

Ciência
Rede Lusófona para o Clima visa fortalecer cooperação climática entre países de língua portuguesa

Ciência

Play Episode Listen Later Dec 15, 2025 12:28


Foi oficialmente lançada em Novembro, à margem da COP30, a Rede Lusófona para o Clima, uma iniciativa conjunta da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável e da Oikos – Cooperação e Desenvolvimento, que pretende criar um espaço de cooperação entre países lusófonos na mitigação e adaptação às alterações climáticas. A primeira fase da rede foca-se em África, mas a ambição é estender a acção a toda a lusofonia, incluindo Brasil e Timor-Leste.   De acordo com o comunicado de lançamento, a iniciativa assinala a criação de uma nova aliança destinada a fortalecer a cooperação climática entre os países de língua portuguesa. A Rede Lusófona para o Clima nasce com o propósito de promover a acção climática conjunta entre organizações da sociedade civil, jovens líderes, activistas e representantes comunitários dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e de outros territórios lusófonos. O objectivo é reforçar a presença e a influência das vozes lusófonas nos processos globais de decisão sobre o clima, incentivando o diálogo, a partilha de conhecimento e o desenvolvimento de soluções sustentáveis alicerçadas em laços culturais e linguísticos comuns. “Como pode um espaço lusófono comum fortalecer a sociedade civil e as comunidades dos países de língua portuguesa na influência da política climática global, promovendo uma governação inclusiva e equitativa?” foi o ponto de partida para o debate que contou com a participação de Miguel de Barros director executivo da Tiniguena (Guiné-Bissau), Ilda Cerveja, da Youth for Climate Action Platform (Moçambique), Jédio Fernandes, coordenador do Colégio de Engenharia Ambiental da Ordem dos Engenheiros de Angola e em representação das organizações fundadoras, Francisco Ferreira, presidente da ZERO (Portugal), e José Luís Monteiro, da Oikos (Portugal). Miguel de Barros, director executivo da Tiniguena (Guiné-Bissau), destacou a urgência da cooperação: “Esta iniciativa é muito importante se tomarmos em consideração que só no ano passado nós tivemos cerca de 18% da população africana em situação de pobreza climática. Isso significa mudanças estruturais no sistema produtivo, no acesso à terra, na segurança alimentar, mas também provoca uma incidência muito forte na migração juvenil das zonas rurais, atendendo às dificuldades de inserção na agricultura familiar. A ausência de modernização da agricultura familiar tem levado a uma certa reconfiguração do espaço das cidades, com maior concentração, sobretudo nas zonas urbanas.” O investigador guineense sublinhou ainda os desafios da erosão costeira, da salinização dos campos agrícolas e da falta de tecnologias adaptadas: “As fragilidades existentes fazem com que esta oportunidade de lançamento da rede nos permita trabalhar numa perspectiva de harmonização de políticas públicas, detecção da variabilidade climática e adaptação às transformações, promovendo simultaneamente a transição energética e a educação para o clima.” Para Francisco Ferreira, presidente da ZERO (Portugal), a acção climática deve ser integrada e inclusiva: “Em Portugal temos de garantir que as políticas climáticas conseguem atingir os seus objectivos em termos de adaptação e mitigação. A responsabilidade é muito maior, porque somos um país desenvolvido, com excesso de emissões em vários sectores. Além disso, a CPLP é uma comunidade com uma elevada percentagem de áreas classificadas como Reserva da Biosfera, o que nos dá potencial para trabalhar nas várias linhas da biodiversidade, terrestre e oceânica.” Francisco Ferreira enfatizou ainda a importância do financiamento: “O financiamento deve ser uma prioridade. Temos apoiado Portugal, como ZERO, na negociação da dívida e na conversão da dívida em projectos climáticos em cada um dos países. É preciso que isso se expanda para além de Cabo Verde, que é o único institucionalizado. Já se falou em São Tomé e Príncipe, mas é necessário que haja financiamento de forma ampla, não apenas pelo sistema público, mas também pelo privado.” Ilda Cerveja, da Youth for Climate Action Platform (Moçambique), abordou a vulnerabilidade de Moçambique aos fenómenos climáticos extremos: “Moçambique é um dos países mais afectados pelos eventos climáticos extremos, principalmente os ciclones, que acabam resultando em cheias e secas. Pelo menos dois ciclones afectam o país por ano, o que compromete a capacidade de resposta a este desafio. O país é extremamente vulnerável devido à forma como a terra é usada, à ocupação e às infra-estruturas. A maior parte da nossa população são crianças e jovens, e este grupo é particularmente afectado pelos eventos climáticos extremos. Um dos principais desafios na nossa participação nos espaços de debate climático é a língua, o que limita a nossa capacidade de intervenção.” Jédio Fernandes, coordenador do Colégio de Engenharia Ambiental da Ordem dos Engenheiros de Angola, descreveu a situação no seu país: “Províncias como Cunene, Huíla e Namibe enfrentam a pior seca dos últimos 40 anos, com consequências graves para a vida das populações. A actividade económica destas regiões depende da produção de gado em massa. Sem vegetação e água, o gado morre. Isto força as populações a abandonarem as zonas rurais, aumentando a pressão sobre Luanda, que foi projectada para 500.000 pessoas e hoje acolhe cerca de 9 milhões. Vemos com bons olhos o lançamento da Rede Lusófona, que permite agir em bloco e comunicar com maior clareza na nossa própria língua.” Miguel de Barros acrescentou, ainda, que a rede deve focar-se na justiça climática e apoio a grupos vulneráveis: “Numa primeira instância, a própria rede tem de ser capaz de trazer esse diálogo na forma como quer estar e quer se posicionar. E nesse campo há duas perspectivas que, para mim são essenciais: a questão da responsabilização dos países emissores e, ao mesmo tempo, uma abordagem para a justiça climática; outra questão, que para mim é estrutural, é que, por exemplo, no caso africano, mais de 64% da mão-de-obra na agricultura familiar depende das mulheres. E quando vamos olhar o impacto das mudanças climáticas dos últimos cinco anos, há uma projecção de perda de pelo menos de 34% da mão-de-obra na agricultura, afectando sobretudo as mulheres. Então, devemos olhar por uma perspectiva de como é que a rede traz uma abordagem sobre os grupos vulneráveis, em particular as mulheres, permitindo, por um lado, salvaguardar os grandes biomas, mas também toda a transição ecológica em termos de emprego, educação, profissionalização e criação de colectivos.” José Luís Monteiro, da Oikos, reforçou a dimensão prática do projecto: “A rede existe para produzir resultados concretos, não apenas declarações. Queremos apoiar projectos, formação e formas de dar escala ao trabalho das comunidades dos PALOP”.

Sateli 3
Sateli 3 - Los LPs más africanos de Art Blakey: Holiday for Skins - 10/11/25

Sateli 3

Play Episode Listen Later Nov 10, 2025 60:05


Sintonía: "Sack-O-Woe" - The Mar-Keys 1.- "The Feast" 2.- "Aghano" 3.- "Lamento Africano" 4.- "O´ Tinde" 5.- "Swingin´ Kilts" 6.- "Reflection"Todas las músicas extraídas de la reedición en vinilo de los volúmenes 1 y 2 de "A Message from Blakey: Holiday for Skins" (Blue Note Records, 1958/Rat Pack Records, 2024)Todas las músicas interpretadas, a la batería, por Art BlakeyEscuchar audio

Alta Definição
Bonga: “Nós, africanos, celebramos tudo. Quando morrer, porque não celebrar? Cantem as minhas músicas, as músicas do cantor da alegria”

Alta Definição

Play Episode Listen Later Nov 8, 2025 44:46


Bonga foi o primeiro artista africano a conquistar um disco de ouro e de platina em Portugal. Neste episódio de ‘Alta Definição’, recorda a infância em Angola que moldou a sua música e o levou ao sucesso internacional. Conta que o som fazia parte do seu quotidiano — em casa, com o pai a tocar acordeão e concertina, ou nas ruas, onde a alegria se espalhava em batuques improvisados. “Se não somos nós a pôr música, é o vizinho. Até pedimos para aumentar. Ao contrário do que acontece cá nas europas, onde chamam a polícia”, diz logo na abertura da entrevista. A falta de música não foi a única coisa que Bonga estranhou nas “europas”. “Quando cheguei a Portugal, quis ir embora no dia seguinte. Senti que era cada um por si, as pessoas não falavam, na rua ninguém se cumprimentava”, desabafa. Ao longo da conversa com Daniel Oliveira, o músico partilha várias confidências sobre a dureza de ser imigrante. Esteve também na Holanda, onde lavou pratos e fez biscates, e em França, onde finalmente começou a gravar as suas primeiras músicas com reconhecimento. Bonga fala ainda da força dos laços familiares, da busca por justiça social e do orgulho em ser pai e avô. “A coisa mais importante que podemos passar aos nossos filhos é uma vivência verdadeira, com disciplina. Mas não é a regra da escola, da igreja, da política ou do vício. É aquele swing, aquilo que sentes”, garante. Sobre a companheira mais nova, com quem recentemente teve gémeos, reforça que, para si, mais do que a idade, “o que interessa é o respeito e o carinho”. No final do programa, depois de revisitar toda a sua história de vida, deixa um pedido para quando chegar a sua hora: “Nós, africanos, celebramos tudo. Quando morrer, porque não celebrar? Cantem as minhas músicas, as músicas do cantor da alegria.” Conheça aqui a sua história com a versão podcast do programa ‘Alta Definição’. Este episódio foi emitido a 8 de novembro na SIC e a sinopse foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial
Traoré Resiste: ¡Cuando África No Se Vende a Trump y al Neocolonialismo!

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial

Play Episode Listen Later Oct 14, 2025 25:24


Traoré Resiste: ¡Cuando África No Se Vende a Trump y al Neocolonialismo!El rechazo de Burkina Faso a la propuesta de deportación de Estados Unidos: una posición revolucionaria por la soberanía africana que Trump no va a pasar por alto. Hoy es miércoles y toca #LALLAVE. Escúchanos en nuestros canales de Youtube y Spotify: https://youtu.be/6rktZAo8y40 Mientras otros países africanos como Eswatini, Ruanda, Sur Sudán han cedido a Trump, la semana pasada Burkina Faso no cedió a las presiones de Trump de aceptar personas en proceso de regularización en EEUU. Como reprimenda Trump a suspendido el servicio de visas para el pueblo burkinabé. La respuesta de la Alianza de los Estados del Sahel no se ha hecho esperar.  En el programa de hoy analizamos: ¿Cuál es el programa de expulsión de los EEUU?¿Por qué los países Africanos son el objetivo de dichas deportaciones?¿Qué significado tiene la postura de Burkina Faso y la AES? Como siempre acompañadode música: -     Mista O-     God's Sun#sabiasqueÁfrica#otraÁfricaesposible#ICE#IbrahimTraore#AES#panafricanism #allafricanpeoplerevolutionaryparty#antineoliberalism#antineocolonialism #osagyefokwamenkrumah#sekoutoure#Kwameture#carmenpereira#lumumba#amilcarcabral#ThomasSankara

Universo Produção
CIRCULAÇÃO E COOPERAÇÃO NO CINEMA ENTRE BRASIL E PAÍSES AFRICANOS

Universo Produção

Play Episode Listen Later Oct 7, 2025 127:10


Este painel reúne profissionais do audiovisual com trajetórias diversas para refletir sobre os caminhos e desafios da circulação de filmes entre o Brasil e o continente africano. A conversa propõe repensar rotas, interesses e assimetrias que moldam os circuitos de distribuição entre o Sul Global, com foco na construção de alianças sustentáveis e criativas.A partir de experiências práticas e contextos institucionais distintos, os participantes discutirão formas de fortalecer a cooperação internacional, estratégias de coprodução, formação de redes e políticas públicas voltadas à presença dos cinemas africanos e brasileiros em seus próprios territórios e no cenário global. A língua portuguesa será considerada como uma das possíveis pontes nesse processo — mas o foco estará em ampliar perspectivas e imaginar novos modelos de colaboração entre América do Sul, África e além.Convidados:• Emerson Dindo – diretor executivo do DiALAB | Brasil • Jorge Cohen – produtor da Geração 80 Produções | Angola • Mário Borgneth – cineasta, produtor e coordenador executivo do Programa CPLP Audiovisual 2025 | Brasil • Romeo Umulisa – diretor do Creative Africa Lab | RuandaMediação: Tatiana Carvalho Costa – professora, curadora e Presidente da APAN | Brasil  *Debate em português e inglês sem tradução. Áudio original.

Debate Africano
Os afrodescendentes e os africanos em democracia.

Debate Africano

Play Episode Listen Later Oct 2, 2025 55:03


A importância, o papel e os obstáculos dos jovens africanos na integração nas respetivas sociedades e em Portugal.

Radio Segovia
Irene Martín, trabajadora Social Caritas Segovia, nos habla de cómo está actuando Cáritas con los africanos que están solicitando asilo en la comisaría de Segovia

Radio Segovia

Play Episode Listen Later Sep 25, 2025 5:10


Irene Martín, trabajadora Social Cáritas Segovia, nos habla de cómo está actuando Cáritas con los africanos que están solicitando asilo en la comisaría de Segovia

Recomendados de la semana en iVoox.com Semana del 5 al 11 de julio del 2021
Entrenadores muy breves y 'neocampeones' africanos

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Play Episode Listen Later Sep 24, 2025 58:11


Atlas58 | En esta guía del fútbol remoto Jordi nos trae al plusmarquista en salto de banquillo: 10 minutos y a la calle. Por su parte, a Aitor le da por fijarse en la Champions africana solo para después descubrir que un atlero ya le había sugerido ese mismo tema. Y seguimos con los amigos de WeFan buscando candidatos/as para el primer Atlas On Tour 'Millwall, qué hermosa eres'. Todo esto y mucho más, aquí en el podcast del fútbol internacional más alternativo. 📍Suscríbete a LaNews de Brazalete, el boletín semanal del true crime del balón y también del fútbol remoto: https://www.brazaletenegro.com 📍Reserva tu pack 'Millwall, qué hermosa eres' en aitorlagunas@panenka.org

Volta ao mundo em 180 segundos
19/09: Trump comemora suspensão de Jimmy Kimmel | Migrantes africanos processam Gana | Protestos tomam a França. E Síria negocia acordo com Israel

Volta ao mundo em 180 segundos

Play Episode Listen Later Sep 19, 2025 6:50


Donald Trump comemora a suspensão do programa Jimmy Kimmel Live!, pede que outros apresentadores de TV também sejam demitidos e ainda afirma que canais com apresentadores de programas noturnos que falam de forma muito negativa sobre ele deveriam ter as licenças de transmissão revogadas. Tem também:- Pela sexta vez, desde o início da guerra, Washington usa o poder de veto para proteger os interesses israelenses e impede aprovação de texto na ONU que pedia um cessar-fogo imediato e incondicional- 11 migrantes africanos deportados pelos Estados Unidos entraram com ações judiciais contra o governo de Gana, dizendo que estão sendo detidos ilegalmente no país, mantidos em um local secreto e sem acesso a advogados- Na França, milhares de pessoas foram às ruas em protesto contra os cortes orçamentários anunciados pelo governo- Presidente da Síria afirma que negocia um acordo comIsrael para reduzir as tensões na fronteira Ouça Juliane Gamboa no Spotify Vote no Mundo em 180 Segundos clicando aqui Notícias em tempo real nas redes sociais Instagram @mundo_180_segundos e Linkedin Mundo em 180 SegundosFale conosco através do redacao@mundo180segundos.com.br

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial
¡Guerra por la autosuficiencia alimentaria en África!

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial

Play Episode Listen Later Sep 4, 2025 40:53


¡Guerra por la autosuficiencia alimentaria en África!Hoy es miércoles y toca #LALLAVE. Escúchanos en nuestros canales de YouTube y Spotify: https://youtu.be/O1eOZvyiOPESe está gestando una "guerra marítima" frente a la costa de Gambia, impulsada por el conflicto entre los pescadores artesanales locales y los arrastreros comerciales extranjeros. El mar y la tierra africana se están explotando para el beneficio de grandes corporaciones y gobiernos extranjeros. Una pequeña elite africana se enriquece a través de las imposiciones y las políticas neoliberales del Fondo Monetario Internacional, Banco Mundial y los aranceles comerciales de la Unión Europea y Estados Unidos de América. China, India, los Emiratos Árabes están expropiando millones de hectáreas en África para alimentar a sus poblaciones y para biocombustibles, mientras desplazan y empobrecen a millones de Africanos de sus tierras ancestrales. El programa de hoy empieza un ciclo sobre la necesidad de la autosuficiencia africana desde una perspectiva anti-neocolonialista y panafricanista. En los proximos 3 podcasts exploramos los siguientes temas: 1. El legado histórico de la agricultura colonial2. La propiedad y el control de la tierra 3. Dependencia de las ayudas y las instituciones occidentales4. Control de insumos agrícolas5. Políticas comerciales y mercados mundiales6. Cambio climático e injusticia ambiental7. Soberanía cultural y epistémica8. Juventud, mujeres y empoderamiento rural9. Integración regional y solidaridad10. Resistencia y sistemas alimentarios alternativosComo siempre acompañado de música: - Midjé la Mía - Alu #sabiasqueÁfrica#otraÁfricaesposible#autosuficienciaalimentaria#africamustunite#amilcarcabral#kwamenkrumah#parati#fmi#imf#BM#WB#neocolonialismo#neoliberalismo#newscrambleforafrica#seawaringambia#AES

Massive NBA
TOP 10 Mejores jugadores africanos de la Historia del baloncesto | Episodio 1282

Massive NBA

Play Episode Listen Later Aug 11, 2025 48:18


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TOP 10 Mejores jugadores africanos de la Historia del baloncesto | Episodio 1282

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Convidado
Antiga MNE guineense integra equipa de conselheiros africanos do executivo de Madrid

Convidado

Play Episode Listen Later Jul 23, 2025 14:23


A antiga ministra guineense dos Negócios Estrangeiros Suzi Barbosa participou na semana passada, em Madrid, no lançamento do Conselho Consultivo Espanha-África, dirigido pelo chefe da diplomacia espanhola, José Manuel Albares. Em entrevista à RFI, a antiga governante revelou que acaba de ser nomeada para integrar este órgão a ser composto por 50 conselheiros africanos para ajudar Madrid na sua estratégia de cooperação com o continente. Ao referir ter sido convidada em 2024 para se juntar a esta equipa que reúne personalidades africanas, designadamente antigos presidentes, vice-presidentes e chefes da diplomacia, a antiga titular do pelouro dos negócios estrangeiros da Guiné-Bissau explica que a criação do Conselho Consultivo Espanha-África insere-se no reforço da cooperação deste país europeu com o continente no horizonte 2028. A residir actualmente em Portugal, a antiga governante respondeu por telefone ao nosso correspondente em Bissau, Mussa Baldé. RFI: Como é que surgiu a possibilidade para ser nomeada conselheira do governo espanhol para África? Como é que ocorreu este processo todo? Suzi Barbosa: Na verdade, a Espanha não foi nunca um país com muita presença em África. Isto tem sido uma estratégia que nos últimos anos aumentou. Começou sobretudo em 2006, quando se faz a primeira estratégia para a África não tão ambiciosa e, sobretudo, que era uma estratégia que era exclusiva para África subsariana, não incluía o Norte de África. A diferença é que esta estratégia cobre todo o continente africano, embora priorize, sem dúvida, a costa ocidental africana pela proximidade e pelo facto de ser o primeiro vizinho em África que a Espanha tem. Nós não podemos esquecer que Espanha tem territórios no continente africano. Estou a falar nomeadamente de Ceuta e Melilha, que estão no norte da África e pertencem ao Reino de Espanha e ainda do arquipélago das Canárias, onde eu tive a oportunidade de viver durante dez anos e conheço muito bem e que se situa mais ou menos a frente de Marrocos, mas que são também território do Reino de Espanha. Então Espanha tem toda esta proximidade geográfica com a África, tem alguma proximidade histórica e também tem um interesse comercial muito grande. Isto porque nós não podemos esquecer que, dada esta proximidade, Espanha vê em África uma grande oportunidade, porque África tem neste momento aquela que é a população mais jovem do mundo e é uma população muito grande. É uma população de quase 1,5 bilhões de habitantes, mas que é uma população que, segundo as Nações Unidas, tem previsão de crescer até 2050 para o dobro. Ou seja, nós temos perspectivas de ter uma população em 2050 em África de 2,5 bilhões de habitantes, o que significa que África não só terá a maior população jovem do mundo, mas terá também aquela que será a maior população de classe média do mundo. Ou seja, representam um poder de compra considerável. Então, a Espanha vê assim uma grande oportunidade e acha que desde agora deve começar a preparar o terreno no sentido de estreitar mais as relações com os países africanos, de aumentar a sua presença em África e intensificar essas relações de cooperação. Eu acho que é uma estratégia brilhante. Eu acho que Espanha tem uma oportunidade muito importante neste momento, tendo em conta alguma reviravolta a nível geoestratégico e geopolítico, sobretudo na costa ocidental africana, que nós acompanhamos mais de perto. Tendo em conta também o facto de os Estados Unidos, um grande doador que agora cancelou a USAID e vai redefinir a sua política de cooperação com África. E também tem o facto de em alguns países da costa ocidental africana ver-se um recuo da presença francesa, que foi sempre uma presença dominante nesse espaço e que há assim uma redução da cooperação. A Espanha vê sobretudo esse vazio como uma oportunidade de entrar e, ao mesmo tempo, aproveita o facto de haver uma intenção da União Europeia em aumentar a cooperação com África, dada também a proximidade e dada esta mudança, talvez da política dos Estados Unidos através daquele programa chamado 'Global Gateway'. O Global Gateway é um programa de cooperação da União Europeia que inclui a África e outros continentes, neste caso outros países do mundo, mas que tem um 'budget' muito elevado. Nós estamos a falar num 'budget' de aproximadamente 300 mil milhões de Euros, que é um valor muito alto que muitas das vezes não é aproveitado por desconhecimento. Então a Espanha, precisamente, pretende fazer esta ponte porque incrivelmente, a ideia que se tem em África da cooperação com a União Europeia é que é uma cooperação muito rígida, muito burocrática e de difícil acesso. Então, o objectivo de Espanha é usar não só o que é o orçamento espanhol para fazer esta operação, mas também ser talvez o elo de ligação entre a União Europeia e estes países africanos. E conta com uma grande vantagem: pelo facto de não ter sido um grande país colonizador, a Espanha tem uma imagem muito positiva em África, então tem conseguido realmente melhorar bastante as relações com os países africanos, precisamente porque não tem esta sombra de país colonizador, com a excepção da Guiné Equatorial, a Espanha não teve nenhum outro país que tenha colonizado no nosso continente. RFI: Já tem ideia do que é que poderão ser os seus primeiros aconselhamentos ao governo espanhol em relação a África? Quais são as temáticas em que se vai dedicar? A Espanha é um país muito presente em África, que está ainda a reforçar cada vez mais a sua presença em África. Quais são as temáticas em que se vai dedicar em termos de aconselhamento ao governo espanhol? Suzi Barbosa: O meu trabalho, especificamente, para além de integrar este gabinete restricto a este conselho restricto de 'experts' de elite, eu vou trabalhar directamente com o Ministério das Relações Exteriores da Espanha, nomeadamente directamente com a Direção África. E também faremos reuniões anualmente com o comité todo e serão reuniões que não serão só feitas em Espanha, serão também feitas em outros países africanos. Iremos fazer reuniões permanentemente, vamos reunir-nos tanto on-line como presencialmente, e eu farei uma presença mais permanente em Espanha, nomeadamente no Ministério das Relações Exteriores, onde poderei continuar a desenvolver o trabalho. A razão de não viver em Espanha neste momento tem a ver com o facto de eu estar a fazer um doutoramento em Portugal, um doutoramento precisamente em Estudos Africanos, e não me convém neste momento estar permanentemente em Espanha. Mas irei com muita frequência desenvolver o meu trabalho e posso dizer que -sim- já conto com uma assessora que reside em Espanha para me acompanhar nos meus trabalhos. Eu tenho que dizer que eu não sou apologista de maneira nenhuma desta política de relações de cooperação país-continente. Eu não sou apologista das cimeiras que se fazem Rússia-África, China-África. Eu acho que de certa forma, é desrespeitoso nós termos, enquanto continente, que responder a um país apesar do poderio económico e financeiro desses países. Correcto -sim- é que se façam as relações através das instituições, neste caso a União Europeia, a União Africana. E quando é feito de país a país, que se faça de maneira bilateral entre país e país. O que eu gosto precisamente nesta estratégia de Espanha é que, apesar de ser a Espanha a fazer a cooperação com África, eles fazem um plano de cooperação específico para cada país. Ou seja, é um plano de estratégia de cooperação 'Tailor made', feito à medida da realidade de cada país. Ou seja, tendo em conta a realidade desse país, tendo em conta as vantagens desse país e tendo em conta as prioridades desse país, é feito então um modelo de cooperação. Daí a necessidade de ter 'experts' de cada área geográfica da África e também trabalhar muito com os blocos económicos regionais africanos. De imediato, a grande parceira com quem vai trabalhar Espanha vai ser a CEDEAO. Vai trabalhar não só a nível de instituição, mas também com os países que compõem a CEDEAO. Mas aí está, não vai trabalhar só com Espanha-CEDEAO ou país-instituição, mas vai representar a União Europeia junto destas instituições e vai canalizar os fundos da União Europeia para os nossos países africanos. Posso dizer que todo este conselho será presidido pelo Ministro das Relações Exteriores, coadjuvado pelo Secretário de Estado das Relações Exteriores e Relações Globais, que é um excelente técnico e um excelente profissional. Conhece muito bem a área da cooperação e com quem tive o prazer de trabalhar ultimamente e fiquei bastante satisfeita com o conhecimento geral que tem da África. Já visitou acima de 35 países de África, conhece muito bem as realidades e penso que são pessoas que realmente estão muito motivadas a trabalhar e que estão motivadas que neste período, pelo menos de 2025 a 2028 se consiga este reforço e intensificação das relações de cooperação entre Espanha e África. RFI: E no caso da Guiné-Bissau, tem assim alguma ideia do que é que vai ser o seu aconselhamento sobre a política espanhola em relação a Guiné-Bissau? Algum dossiê especial? Meio Ambiente, pesca, a mulher, a saúde, educação, a imigração ilegal que é um problema muito caro ao governo espanhol? Quais são as suas prioridades em relação ao aconselhamento ao governo espanhol sobre a Guiné-Bissau como guineense? Suzi Barbosa: Tenho todo o interesse de tentar que a Guiné tenha o maior benefício possível. Eu tenho que ser muito justa e coerente e, sobretudo, ser imparcial no meu trabalho. Mas no que puder, enquanto guineense, eu vou tentar -sim- beneficiar a Guiné-Bissau. E eu, como sempre, defendo que a principal forma de ajudar a Guiné-Bissau, o principal sector em que se tem de apostar é na educação e na formação. E quando digo formação, digo formação sobretudo técnico-profissional, porque acredito que a Guiné-Bissau precisa de ter uma camada técnica ou profissional bem preparada, de forma a dar resposta às necessidades que nós temos. Não tem que ser necessariamente uma população licenciada apenas. Então, nesse sentido, estarei muito dependente de todas as oportunidades de educação. Até porque um dos grandes desafios do nosso continente, com este crescimento demográfico tão grande, torna-se um desafio também educar toda esta população. Como criar postos de trabalho também é outra grande preocupação. Penso que possa haver benefícios para a Guiné-Bissau nesse sentido de criar microempresas, apoiar a criação de empresas locais de transformação, agroindústria, agro-business, neste caso, projectos ligados ao ambiente que a Guiné-Bissau tem um potencial muito grande, projectos ligados ao turismo de forma a criar postos de trabalho que permitam empregar a nossa população e evitar que elas tendam a fazer esta imigração ilegal que já está a ser tão característica e que cada vez vem mais ao Sul. Portanto, se me perguntar da Guiné-Bissau, eu acho que os dois grandes sectores que eu apoiaria seriam estes, educação-formação e depois a criação de postos de trabalho nos diferentes sectores em que a Guiné-Bissau tem esta potencialidade. Sem dúvida, o turismo, o ambiente, o agro-business são áreas que eu tentarei apoiar muito na cooperação com a Espanha. Relativamente à imigração ilegal, permita-me dizer que a Espanha até tem uma política bastante diferente da tendência actual europeia, apesar de já começar a haver alguns focos de revolta contra a imigração em Espanha. Neste momento é um país que tem um grande número de imigrantes marroquinos. Temos quase 800.000 marroquinos a residirem em Espanha. Ou seja, é uma cifra muito grande e Espanha tem sido um país com muita imigração da América Latina. Ou seja, tem esta cultura de ter imigrantes, mas também porque talvez a sociedade espanhola, mais do que as outras, tenha percebido a necessidade desta mão-de-obra estrangeira. E claro está que esta é uma situação que quem não percebeu ainda vai acabar por perceber, porque daqui a 20 ou 30 anos não haverá mão-de-obra suficiente na Europa, como já não há. Mas será drástica essa ausência daqui a 20 ou 30 anos. O que vai acontecer, ao contrário do que se passa agora, é que os países europeus passarão a correr atrás dos imigrantes para que venham aos seus países, porque senão as indústrias vão parar. Vai fazer falta muita mão-de-obra. Ou seja, vão começar a fechar. Então haverá uma procura muito grande desta mão-de-obra migrante nos países europeus. Isto é uma situação que hoje pode parecer problemática a questão da imigração ilegal, mas cabe aos países europeus criar as condições para ter uma migração legal e organizada na Europa. Porque há realmente essa necessidade dessa mão-de-obra imigrante? Porque cada vez mais a população europeia envelhece. A média da população europeia actual é de 42 anos, enquanto que a média da população africana é de 19 anos. Há uma disparidade muito grande e a tendência é para aumentar. Então, o mais provável é que dentro desse horizonte de 20 a 30 anos, não haja mão-de-obra suficiente para aguentar a sociedade europeia. E, sem dúvida, para os governantes, a grande preocupação será onde ir buscar esta mão-de-obra e onde melhor do que em África? Pela proximidade, talvez pelos laços culturais, laços históricos, mas muito mais do que ir buscar, por exemplo, ao Sudoeste asiático. Então, nesse sentido, o governo espanhol também tem noção desta necessidade e começa desde já a criar condições nesse sentido. Eu sei que actualmente já existe um acordo de cooperação muito bom, de migração transitória ou sazonal com o Senegal, que resulta muito bem e tem sido muito elogiado.

Podcast Internacional - Agência Radioweb
Espanha teme novos atos de violência contra imigrantes

Podcast Internacional - Agência Radioweb

Play Episode Listen Later Jul 15, 2025 4:45


Situação é acompanhada de perto por autoridades.Esse conteúdo é uma parceria entre RW Cast e RFI.

Reporteros
Los reclutas de Putin: jóvenes africanos luchan por Rusia en Ucrania

Reporteros

Play Episode Listen Later Jul 14, 2025 13:26


Apodados los "Wagners negros", cientos de hombres africanos han sido reclutados por el Ejército ruso para luchar contra Ucrania. Atraídos por promesas de altos salarios, empleos o incluso pasaportes rusos, algunos han optado voluntariamente por unirse al Ejército de Vladimir Putin. Pero, para otros, la situación es mucho más compleja: decenas han sido manipulados o llevados a la fuerza. 

Daily Easy Spanish
Los países africanos que estarían siendo presionados por Trump para aceptar a deportados venezolanos

Daily Easy Spanish

Play Episode Listen Later Jul 11, 2025 18:25


El gobierno de Donald Trump estaría buscando acuerdos con naciones de África para designarlas como terceros países seguros y que puedan recibir a deportados, según diversas fuentes.

Mundofonías
Mundofonías 2025 #48: Recuerdos africanos y homenajes globales / African memories and global tributes

Mundofonías

Play Episode Listen Later Jun 23, 2025 57:23


Comenzamos explorando dos estupendas y nuevas recopilaciones que nos traen añejas y sabrosas músicas de Guinea y Zimbabue, para rendir después homenaje a un buen número de artistas que nos han dejado recientemente, como el gallego Emilio Cao; de nuevo el irlandés Alan Griffin, con el disco póstumo que le dedica su grupo Alboka, desde el País Vasco; el cantaor extremeño Ramón el Portugués; el clarinetista griego Petroloukas Halkias, y el artista judeo-yemení Aharon Amram. We begin by exploring two excellent and new compilations that bring us vintage and flavorful music from Guinea and Zimbabwe, and then pay tribute to a good number of artists who have recently passed away, such as the Galician Emilio Cao; once again the Irish Alan Griffin, with the posthumous album dedicated to him by his group Alboka, from the Basque Country; the flamenco singer from Extremadura Ramón el Portugués, the Greek clarinetist Petroloukas Halkias, and the Judeo-Yemeni artist Aharon Amram. - Bembeya Jazz National - Guantanamera / Seyni - Music for a revolution vol 1: Guinea's Syliphone recording label [V.A.] - Balla et ses Balladins - Sakhodougou - Music for a revolution vol 1: Guinea's Syliphone recording label [V.A.] - Thomas Mapfumo & The Acid Band - Chiiko chinotinetsa - Roots rocking Zimbabwe: The modern sound of Harare' townships 1975-1980 [V.A.] - Oliver & The Black Spirits - Anoshereketa - Roots rocking Zimbabwe: The modern sound of Harare' townships 1975-1980 [V.A.] - Emilio Cao - Romance do cego andante - Lenda da pedra do destiño - Alboka - The flat of my back / The red peril of Ormaiztegi / Barkatu, Pepe - The marker stone - Ramón el Portugués - Los campanilleros [+ Juan Habichuela] - Gitanos de la Plaza - Petroloukas Halkias & Vasilis Kostas - Palio zagorisio - The soul of Epirus - Aharon Amram - Eftakhá fi - Kiryá yafefiyá In memoriam: – Emilio Cao – Alan Griffin – Ramón el Portugués – Petroloukas Halkias – Aharon Amram 📸 Alboka: Joxan Goikoetxea & Alan Griffin (Ander Gillenea / Aztarna)

Mochileiros sem Pauta
#109 A odisseia dos vistos Africanos

Mochileiros sem Pauta

Play Episode Listen Later Jun 6, 2025 134:40


Será que obter os vistos em terras africanas é tudo o que falam por ai? Precisa mesmo de tantos documentos? E a tal "taxa extra" na fronteira, é mito ou verdade? Um episódio pra quem quer entender o que te espera antes de cruzar o continente.Bancada: Rafael Souza e Nataly Castro➡️ Apoie e ajuda a dividir o peso da mochila. E faça parta da comunidade. Através do ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠catarse⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Café & Corrida
PROVA PRIVILEGIOU ATLETAS AFRICANOS mas o universo conspirou a nosso favor

Café & Corrida

Play Episode Listen Later May 28, 2025 24:32


Meia-Maratona de Maricá pagou tudo para africanos e brasileiros tiveram que se virar. Ao menos o universo conspirou a nosso favor e brasileiro venceu a prova e converso com o Nishi sobre o caso da Maratona do Natal.#CriadorPorEsporte #corredores #corrida #corridaderua #corredoresderua #corridaderuabrasil

Jornal da USP
Conexões Afro-Lusófonas #02: Victor Hugo Mendes e os países africanos que têm em comum as lutas pela democracia

Jornal da USP

Play Episode Listen Later May 5, 2025 29:59


Desde 2018, o jornalista angolano Victor Hugo Mendes apresenta o programa semanal “Tem a Palavra” na RTP - Rádio e Televisão de Portugal, dedicado a temas relevantes dos países africanos de língua portuguesa

Daily Easy Spanish
Los papas africanos que cambiaron la cristiandad (y nos dieron el día de San Valentín)

Daily Easy Spanish

Play Episode Listen Later May 4, 2025 31:31


Según los historiadores hubo tres papas de ascendencia norteafricana, el último hace más de 1.500 años.

News in Easy Spanish - Hola Qué Pasa
La energía solar ayuda a los campesinos africanos a producir más comida

News in Easy Spanish - Hola Qué Pasa

Play Episode Listen Later Apr 12, 2025 3:12


Jornal da USP
Rádio USP inaugura conexões com países africanos de língua portuguesa

Jornal da USP

Play Episode Listen Later Mar 27, 2025 2:44


Estreia no próximo dia 4 de abril, às 17h, o podcast Conexões Afro-Lusófonas apresentando a cultura africana, desde suas tradições milenares até as expressões contemporâneas

SBS Spanish - SBS en español
Noticias positivas: Hallan evidencias de la presencia de Homo sapiens en bosques tropicales africanos

SBS Spanish - SBS en español

Play Episode Listen Later Mar 2, 2025 10:22


Este importante descubrimiento podría tener un gran impacto en las teorías del origen y distribución de los primeros Homo sapiens. Las herramientas de piedra encontradas datan de hace 150 mil años. Escucha esta y otras historias positivas.

ONU News
Guterres busca apoio de líderes africanos para acabar com crise na RD Congo

ONU News

Play Episode Listen Later Feb 6, 2025 1:55


Secretário-geral da ONU apelou por respeito à soberania e integridade territorial do país, que está sob ataque do grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda; população em áreas dominadas sofre com mortes, deslocamentos, saques, violência sexual, recrutamento forçado e falta de serviços essenciais. 

BELLUMARTIS PODCAST
DICTADORES AFRICANOS, lideres autoritarios subsaharianos * Emilio G. Carrillo de Albornoz *

BELLUMARTIS PODCAST

Play Episode Listen Later Feb 5, 2025 80:08


**** VIDEO EN NUESTRO CANAL DE YOUTUBE **** https://youtube.com/live/hzThED0fTIM +++++ Hazte con nuestras camisetas en https://www.bhmshop.app +++++ #historia #geopolítica Gracias a Emilio G. Carrillo de Albornoz conoceremos los pincipales dictadores africanos que gobernaron gran parte de los paises subsaharianos tras la descolonización. Os invito a ver " CRISIS DEMOGRÁFICA Y MIGRACIONES ¿un reto global? " https://youtube.com/live/HphuPHlsPiY ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- COMPRA EN AMAZON CON EL ENLACE DE BHM Y AYUDANOS ************** https://amzn.to/3ZXUGQl ************* ------------------------------------------------------------------------------------------------------- LOS LIBROS DE PACO https://franciscogarciacampa.com/libros/ ------------------------------------------------------------------------------------------------------ Si queréis apoyar a Bellumartis Historia Militar e invitarnos a un café o u una cerveza virtual por nuestro trabajo, podéis visitar nuestro PATREON https://www.patreon.com/bellumartis o en PAYPAL https://www.paypal.me/bellumartis o en BIZUM 656/778/825 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Conviértete en miembro de este canal y apoya nuestro trabajo https://www.youtube.com/channel/UCTtIr7Q_mz1QkzbZc0RWUrw/join -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- No olvidéis suscribiros al canal, si aún no lo habéis hecho. Si queréis ayudarnos, dadle a “me gusta” y también dejadnos comentarios. De esta forma ayudaréis a que los programas sean conocidos por más gente. Y compartidnos con vuestros amigos y conocidos.

DW em Português para África | Deutsche Welle
22 de Janeiro de 2025 - Jornal da Manhã

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Jan 22, 2025 20:00


Em entrevista à DW, Lutero Simango, líder do MDM, defende reformas estruturais em Moçambique. Em Angola, deputado da UNITA deve ser hoje suspenso por ter usado indevidamente viatura protocolar. Africanos estão divididos com regresso de Donald Trump à Casa.

ONU News
Países africanos têm “potencial enorme” para crescimento do português no mundo

ONU News

Play Episode Listen Later Dec 13, 2024 3:29


Vice-chefe da diplomacia de Portugal, Nuno Sampaio, acredita que mudanças demográficas na África tornam região o “continente do futuro”; para ele, a parceria com países africanos e Brasil é crucial para transformar português em língua oficial da ONU até 2030.

Noticentro
Feria de las Afores en Edomex estará hasta el 24 de noviembre

Noticentro

Play Episode Listen Later Nov 23, 2024 1:42


Bolsa Mexicana de Valores suspende acciones de Grupo ElektraEn Sinaloa van 9 leones rescatados en mal estado de saludEl Museo del Palacio de Bellas Artes cumple 90 años de existenciaMás información en nuestro podcast

ONU News
Centro-africanos retornam a casa após 10 anos de refúgio nos Camarões BR

ONU News

Play Episode Listen Later Nov 8, 2024 3:45


Acnur fornece apoio financeiro para cobrir despesas de transporte até ao destino, desafios iniciais de realojamento e custos básicos; programa de repatriamento voluntário vai apoiar regresso de 300 mil refugiados à RCA até 2028; em sete anos de vigência, 49 mil pessoas já regressaram a casa.   

ONU News
Conferência internacional busca doações para milhões de africanos em movimento

ONU News

Play Episode Listen Later Oct 25, 2024 1:16


Beneficiários são das regiões africanas do Sahel e da Bacia dos Grandes Lagos; chefe da ONU pede determinação global renovada para impulsionar um futuro mais seguro, próspero e digno para as populações que enfrentam diversas crises.

Boia
Boia 273 - Saquarema decide! Novo Calendário! Feitiços Africanos com tempero brasileiro!

Boia

Play Episode Listen Later Oct 17, 2024 116:26


O meu, o seu, o nosso episódio semanal do Boia. 13 ouvintes ensandecidos correndo em direção ao quebra-coco com o patinho bradando nas mãos. É sobre isso- entusiasmo. Miriam Makeba, imperatriz da canção africana, interpretando Xica da Silva (Salve Jorge!), EBTB com When All's Well, de 1985 e M dos ingleses do The Cure. Mais não disse!

Última Hora Caracol
Servicio de Energía en el Caribe, Asesinato de profesor en Medellín, Caracoles africanos en Risaralda, Bogotá sede del Negro Fest, Las notic

Última Hora Caracol

Play Episode Listen Later Oct 5, 2024 6:33


Resumen informativo con las noticias más destacadas de Colombia del sábado 05 de octubre de 2024 a la una de la tarde.

Cinco continentes
Cinco continentes - La relación de China con los países africanos

Cinco continentes

Play Episode Listen Later Sep 25, 2024 13:08


El foro China-África dio lugar a acuerdos entre China y más de 50 países africanos relacionados con industria y agricultura. El líder chino anunció que destinará 50.000 millones de dólares al continente en los próximos tres años. Analizamos en qué consiste esta relación con Louis Valentin Mballa, profesor de la Universidad Autónoma San Luis Potosí de México.Escuchar audio

Noticiário Nacional
19h Portugal vai doar vacinas contra a mpox a países africanos

Noticiário Nacional

Play Episode Listen Later Aug 29, 2024 14:13


Más de uno
Tertulia: ¿La gira de Sánchez por países africanos resolverá la crisis migratoria?

Más de uno

Play Episode Listen Later Aug 28, 2024 73:25


Con May Mariño, Javier Caraballo y Toni Bolaño comentamos la actualidad política. Empezamos analizando el contexto migratorio y la realidad de Mauritania, Gambia y Senegal con nuestro corresponsal en África, Alfonso Masoliver, a propósito del viaje de Sánchez para resolver la crisis migratoria. Además, entrevistamos al presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, para conocer la situación límite que vive la ciudad autónoma con la acogida de menores migrantes no acompañados. Al hilo de esto, debatimos sobre la responsabilidad del Gobierno y oposición para resolver la urgencia migratoria en lugar de lanzarse reproches políticos. Por último, comentamos si el Gobierno salvará los Presupuestos del 2025 y la posición de los independentistas al respecto.

Sports R Us Podcast
Puerto Rico cae ante Sur de Sudan en su debut en Paris

Sports R Us Podcast

Play Episode Listen Later Jul 29, 2024 44:54


Reaccionamos al partido de las Olimpiadas Paris 2024, de Puerto Rico vs Sur de Sudan, donde los Africanos se anotaron na importante victoria sobre los Boricuas, 90 a 79.Recuerden que nos pueden seguir en:Facebookhttps://www.facebook.com/sportsruspodcast?mibextid=LQQJ4dInstagram https://instagram.com/sportsruspod?igshid=YWJhMjlhZTc=Youtube https://youtube.com/@sportruspodcastTikTokhttps://www.tiktok.com/@sportsruspodcast

El Circo Podcast
Llegó el Circo de la Mega y Funky pendiente a documentales africanos

El Circo Podcast

Play Episode Listen Later Jul 24, 2024 9:44


El Circo Podcast
Llegó el Circo de la Mega y Funky pendiente a documentales africanos

El Circo Podcast

Play Episode Listen Later Jul 24, 2024 10:59


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Union Radio
Román Lozinski - Roberto Picón: Es positivo para el país tener tiempo suficiente para digerir el resultado desde julio a enero y negociar

Union Radio

Play Episode Listen Later Jun 17, 2024 18:45


Roberto Picón, exrector del Consejo Nacional Electoral, aseguró que la elección presidencial que se dará el 28 de julio, no se hizo en diciembre por las complejidades políticas, insistiendo en que el tema de tener un tiempo suficiente para digerir el resultado desde julio a enero y poder negociar ese nuevo periodo presidencial, es positivo para el país. Explicó que la elección es un catalizador del cambio político necesario para que Venezuela no repita el conflicto y no reconocimiento de las partes con el que estuvo signado este último periodo. «Necesitamos una elección que todo el mundo pueda reconocer» añadió. Picón recordó que el país está a 6 semanas de la elección, tiempo suficiente para armar equipos que cuiden la defensa del voto donde hay tres objetivos, que el voto fluya rápidamente, que la gente vote con libertad y secreto, y que se tenga una corroboración del resultado de la mano de las actas. Destacó que los miembros de mesa dirigen el proceso y el Plan República está subordinado a estos. «Creo que se pudo haber hecho más por el tema del Registro Electoral» acotó. El ex rector calificó las declaraciones del rector Delpino como «muy graves», ya que el CNE es un cuerpo colegiado donde, si bien el presidente tiene poder sobre unas decisiones administrativas, siempre es importante que se tomen decisiones consensuadas en la discusión del cronograma. Señaló que cada rector puede plantear puntos en la agenda para que se discutan, el presidente consolida esos puntos y debe convocar semanalmente en un momento tan importante como este. También indicó que el CNE debe informar a la colectividad las responsabilidades de los miembros de mesa. «Han confirmado algunas organizaciones latinoamericanas de expertos electorales y la Unión de Países Africanos, hemos hecho elecciones sin observadores internacionales y con observadores nacionales muy calificados en términos humanos» dijo.

Falando de História
Miscelânea Histórica #69

Falando de História

Play Episode Listen Later Jun 3, 2024 13:52


Esta semana falamos dos 180 anos da extinção do arau gigante, e dos misteriosos dodecaedros romanos (https://www.publico.pt/2024/05/06/culturaipsilon/noticia/objecto-romano-encontrado-inglaterra-intriga-arqueologos-2089416). Sugestões da semana 1. Thomas Earle - Crónica de D. Afonso V de Rui de Pina. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2024. Disponível online: https://monographs.uc.pt/iuc/catalog/view/441/1000/1770-1. 2. Arlindo Caldeira - O Apelo da Liberdade. Resistências dos Africanos à escravidão nas áreas de influência portuguesa. Lisboa: Casa das Letras, 2024. ---- Obrigado aos patronos do podcast: José Carlos Lopes; Andrea Barbosa, Bruno Ricardo Neves Figueira, Cláudio Batista, Isabel Yglesias de Oliveira, Joana Figueira, NBisme, Oliver Doerfler; Alessandro Averchi, Alexandre Carvalho, Daniel Murta, David Fernandes, Francisco, Francisco, Hugo Picciochi, João Cancela, João Pedro Tuna Moura Guedes, Jorge Filipe, Manuel Prates, Pedro Almada, Pedro Alves, Pedro Ferreira, Rui Roque, Vera Costa; Adriana Vazão, André Abrantes, André Chambel, Andre Mano, André Marques, André Silva, António Farelo, António Silva , Beatriz Oliveira, Carlos Castro, Diogo Freitas, Filipe Paula, Gn, Hugo Vieira, João Barbosa, João Canto, João Carlos Braga Simões, João Diamantino, João Félix, João Ferreira, Joel José Ginga, José, José Santos, Luis, Miguel Gama, Miguel Gonçalves Tomé, Miguel Oliveira, Nuno Carvalho, Nuno Esteves, Pedro Cardoso, Pedro L, Pedro Oliveira, Pedro Simões, Ricardo Pinho, Ricardo Santos, Rúben Marques Freitas, Rui Rodrigues, Simão Ribeiro, Sofia Silva, Thomas Ferreira, Tiago Matias, Tiago Sequeira, tope steffi. ----- Ouve e gosta do podcast? Se quiser apoiar o Falando de História, contribuindo para a sua manutenção, pode fazê-lo via Patreon: https://patreon.com/falandodehistoria ----- Música: "Hidden Agenda” de Kevin MacLeod (incompetech.com); Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License, http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 Edição de Marco António.

SBS Portuguese - SBS em Português
Condenação geral em Portugal por brutais ataques racistas a trabalhadores africanos

SBS Portuguese - SBS em Português

Play Episode Listen Later May 8, 2024 4:02


Mais de uma dezena de portugueses armados com facas invadiram a casa onde dormiam migrantes magrebinos durante a madrugada do sábado. As autoridades estão a averiguar eventuais ligações dos agressores a grupos de extrema-direita.

Café Brasil Podcast
Café Com Leite Especial - A lenda dos Tambores Africanos

Café Brasil Podcast

Play Episode Listen Later Jan 23, 2024 11:27


Assine o Café Com Leite em https://podcastcafecomleite.com.br  Bárbara e Babica contam uma lenda originária da Guiné-Bissau, que explica de onde teriam vindo os tambores africanos: da Lua!Uma lição sobre respeto aos compromissos que assumimos e de como mesmo nas situaçãos mais difíceis podemos encontrar maneiras de criar coisas especiais. See omnystudio.com/listener for privacy information.

The Wild Project
The Wild Project #248 ft Sani Ladan | ¿Está África invadiendo Europa?, MrBeast y los pozos africanos

The Wild Project

Play Episode Listen Later Dec 7, 2023 280:03


¿Estamos siendo invadidos por África? ¿El africano necesita nuestra ayuda para sobrevivir? ¿La colonización ya terminó o aún sigue? ¿China y Rusia tienen nuevo poder en África? ¿El africano odia al occidental? ¿Fue bonito que MrBeast construyera pozos en Kenia? Todas estas preguntas, y muchas más, las va a responder el experto en geoestrategia africana Sani Ladan, en una interesantísima charla que abrirá los ojos de muchos ante los secretos del continente más olvidado y vilipendiado de todos, África. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Noticentro
Inundaciones han desplazado a 700 mil africanos: ONU

Noticentro

Play Episode Listen Later Nov 25, 2023 1:51


Violencia política de género debe denunciarse: Agustín Ortiz PinchettiNo te pierdas La Noche de las Estrellas en las islas de CU IPN te invita la Noche de las Estrellas en la GAM