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Boa Noite Internet
O Império da IA — com Karen Hao

Boa Noite Internet

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 63:50


O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

Ideias Feitas
Guterres nomeia Sánchez: só se estraga uma ONU

Ideias Feitas

Play Episode Listen Later Jul 17, 2026 5:36


Alberto Gonçalves comenta a nomeação, feita por António Guterres, de Pedro Sánchez para copresidente dos Defensores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.See omnystudio.com/listener for privacy information.

CLM Activa Radio
CLM ACTIVA CON LA AGENDA 2030 T3 ODS 3 Salud y Bienestar ODS 11 Ciudades y Comunidades Sostenibles

CLM Activa Radio

Play Episode Listen Later Jul 17, 2026 15:16


️ ️❤️ Hoy viernes 17 de julio, en CLM Activa Radio continuamos nuestro recorrido por la Agenda 2030 con dos Objetivos de Desarrollo Sostenible que hablan, sobre todo, de personas. ODS 3: Salud y Bienestar ️ ODS 11: Ciudades y Comunidades Sostenibles ¿Qué significa realmente vivir bien? ¿Basta con no estar enfermos? ¿O también necesitamos ciudades accesibles, inclusivas, con espacios verdes, aire limpio y barrios donde nadie se sienta solo o excluido? Hablaremos de salud física y mental, de bienestar, de accesibilidad, de inclusión y de cómo construir comunidades donde todas las personas tengan las mismas oportunidades para vivir con dignidad. Porque cuidar de las personas es construir un futuro mejor. Porque una ciudad verdaderamente sostenible es aquella que no deja a nadie atrás. Te esperamos #ODS3 #ODS11 #Agenda2030 #CLMActiva #SaludYBienestar #CiudadesSostenibles #Inclusión #RadioSocial #NoDejarANadieAtrás

Venganzas del Pasado
La venganza será terrible del 13/07/2026

Venganzas del Pasado

Play Episode Listen Later Jul 14, 2026


San Justo / Feria del Libro de la Matanza Alejandro Dolina, Patricio Barton, Gillespie Introducción • 0:01:16 Presentación del programa en San Justo y en una carpa Segmento Inicial • 0:01:50 Trucos para arrasar en la primera cita • 0:04:28 Objetivos, estrategias y rituales previos a una cita • 0:08:20 Apariencia, depilación y exageraciones sobre la preparación personal • 0:11:20 Puntualidad, cita ciega y envío de un amigo como avanzada • 0:17:00 Primera impresión, lenguaje corporal y silencios incómodos • 0:19:05 Restaurante o café como mejor opción para una primera cita • 0:22:00 Gestos físicos, temas de conversación y manejo del misterio • 0:25:12 Sexo en las primeras citas y diferencias por edad • 0:27:12 Vías de escape para abandonar una mala cita Segmento Dispositivo • 0:30:03 El Congreso de la Intimidad y la consumación matrimonial en Europa • 0:32:07 Hechizos, impotencia y antecedentes legales y religiosos • 0:33:31 Gabriel de Estrées, Enrique IV y la nulidad del matrimonio con Nicolás d'Amerval • 0:36:10 La prueba pública del Congreso íntimo • 0:39:13 El caso del Marqués de Nanie y la abolición de la institución • 0:40:43 Dedicación irónica a los sometidos a esa prueba Intermedio musical • 0:41:28 "Golpeando las puertas del cielo" ♫ Segmento Humorístico • 0:45:43 Cómo convencer a alguien para que haga algo • 0:47:43 Emprendimientos, inversores y packaging reciclable • 0:54:31 Trabajo por objetivos, lenguaje empresarial y carisma para persuadir • 1:05:53 Consejos para enamorar a una mujer y crítica a las fórmulas de seducción • 1:07:03 Seguridad, duda y seducción • 1:10:30 Respeto, atención, alegría y pequeños gestos • 1:16:20 Ritmo de la relación, mensajes de texto y confesión de sentimientos • 1:20:50 Cierre: si ya no le gustás, ninguna estrategia sirve Sordo Gancé / Trío Sin Nombre • 1:23:16 Presentación del cierre musical • 1:24:04 "Drive My Car" ♫ • 1:29:12 "Eso no me arregla a mí" ♫ • 1:34:24 Despedida y última canción • 1:35:22 "When the Saints Go Marching In" ♫ (Resumen generado automáticamente con IA, puede contener errores)

Podcast : Escola do Amor Responde
3369# Escola do Amor Responde (no ar 07.07.2026)

Podcast : Escola do Amor Responde

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 25:20


Renato e Cristiane Cardoso iniciaram o programa de hoje compartilhando com os alunos que, segundo uma autora americana, é que o segredo para um casamento feliz é tentar dizer ‘sim, tudo bem' mais vezes para o seu cônjuge. Nesse sentido, o casal blindando abordou amplamente o assunto. Objetivos de vidaNa sequência, a aluna Gabriela, de 26 anos, que está casada há quatro anos com um homem de 30 anos, contou que, há pouco tempo, vem buscando uma transformação pessoal e gostaria de crescer espiritualmente e evoluir profissionalmente.Atualmente, ela faz faculdade e tem buscado crescimento e amadurecimento. Contudo, o marido não. Além disso, eles não estão na mesma sintonia. Segundo Gabriela, ela está em outra sintonia, o que a entristece muito. Ela perguntou o que fazer diante dessa situação.Bem-vindos à Escola do Amor Responde, confrontando os mitos e a desinformação nos relacionamentos. Onde casais e solteiros aprendem o Amor Inteligente. Renato e Cristiane Cardoso, apresentadores da Escola do Amor, na Record TV, e autores de Casamento Blindado e Namoro Blindado, tiram dúvidas e respondem perguntas dos alunos. Participe pelo site EscoladoAmorResponde.com. Ouça todos os podcasts no iTunes: rna.to/EdARiTunes

Por Falar em Correr
PFC Debate 883 - Dias chuvosos, objetivos do ano e corrida de montanha

Por Falar em Correr

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 50:02


Confira mais um episódio do PFC Debate, onde falamos de todos os assuntos possíveis, sobre corrida ou não, de um jeito que você não vai acreditar.⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠SEJA MEMBRO DO CANAL⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Neste episódio, conversamos sobre os desafios de manter a rotina de treinos durante períodos de instabilidade climática, compartilhando relatos sobre correr sob chuva e os percalços de treinar em esteiras. Falamos também dos objetivos para o segundo semestre, abordando a dificuldade de manter o foco após grandes provas no início do ano e a importância de encontrar motivação além das metas tradicionais. Duda traz um relato detalhado e divertido sobre sua participação em uma prova de corrida de montanha, destacando a complexidade do terreno e a superação física necessária. Também exploramos as dúvidas da audiência sobre o mercado de inscrições de maratonas, a confiabilidade de dados de GPS em treinos e a frustração com processos de inscrição em eventos gratuitos.⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Compre o livro da Camila⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Grupo de promoções da Thainara⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Siga quem faz o PFC Debate: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Enio⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Gigi⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Marcos⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Camila⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Duda⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Ana⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ e ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Thainara⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠.Use nossos cupons:KEEP RUNNING BRASIL - PFCFOCO RADICAL - PFC 10CADILE'S ESPORTES - PFC10CORRA BARATO - PFC⁠⁠⁠⁠⁠⁠JUNGLE/PLANTPOWER⁠⁠⁠⁠⁠⁠ - PFC⁠⁠⁠⁠⁠DA NUTRI SABORES⁠⁠⁠⁠⁠ - PFCCARAMELO - PFC10SPORTBR - PFC10MARATONA DE FLORIPA 2026 - PFCLIVE! RUN XP - PFC15RSF PRO EVENTOS - PFC 10CLUBE DE AUTORES - PFC 10

EL MIRADOR
EL MIRADOR T06C212 Niños de Los Garres diseñan la ciudad del futuro: el CEIP Antonio Díaz gana el concurso mODStegg (03/07/2026)

EL MIRADOR

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 10:30


El colegio Antonio Díaz de Los Garres ha resultado ganador de la quinta edición del concurso escolar mODStegg, una iniciativa coordinada por Amparo Sánchez que transforma los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) en personajes y retos para concienciar a los alumnos sobre la sostenibilidad urbana. Mediante una detallada maqueta en 3D elaborada con materiales reciclados, cerca de 40 estudiantes diseñaron una ciudad futura que integra energías renovables, autobuses eléctricos, vías ciclables y sistemas de recogida de agua de lluvia para reducir la contaminación. Como reconocimiento a este trabajo, el centro educativo recibió un premio económico destinado a financiar un proyecto sostenible en el propio colegio, en un certamen donde el CEIP El Niño de Lorca también fue galardonado con el segundo puesto.

CLM Activa Radio
CLM ACTIVA CON LA AGENDA 2030 T3 ODS 6: Agua limpia y saneamiento. ODS 14: Vida submarina.

CLM Activa Radio

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 18:50


️ Hoy en CLM Activa Radio seguimos nuestro recorrido por la Agenda 2030 hablando de dos Objetivos de Desarrollo Sostenible que están profundamente unidos por algo imprescindible para la vida: el agua. ODS 6: Agua limpia y saneamiento. ODS 14: Vida submarina. Abrimos un grifo y el agua aparece. Lo hacemos casi sin pensar. Pero ese gesto tan cotidiano sigue siendo un privilegio del que millones de personas aún no pueden disfrutar. Y ese mismo agua que utilizamos cada día continúa su camino hasta nuestros ríos, mares y océanos, donde la contaminación, los plásticos y el cambio climático amenazan uno de los mayores tesoros de nuestro planeta. Hoy reflexionaremos sobre por qué cuidar el agua es cuidar la salud, la igualdad y la dignidad de las personas. Y por qué proteger nuestros mares significa proteger también nuestro futuro. Porque cada gota cuenta. Porque cada pequeño gesto suma. Porque no existe un planeta de repuesto. Te esperamos esta tarde a las 17:30 horas en CLM Activa Radio. #ODS6 #ODS14 #Agenda2030 #CLMActiva #AguaLimpia #VidaSubmarina #RadioSocial #Sostenibilidad #NoDejarANadieAtrás

UNIFAL-MG OFICIAL
Conta pra gente: conheça a obra de bell hooks, escritora que celebra a identidade e ensina o respeito à diversidade desde a infância

UNIFAL-MG OFICIAL

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 6:39


O oitavo episódio da série Mulheres na Ciência, o podcast Conta pra Gente apresenta a obra A pele que eu tenho, da aclamada escritora e pensadora bell hooks. Com o tema Respeito e valorização da diferença, a narrativa convida as crianças a mergulharem em uma história que celebra a identidade e a diversidade de forma poética e acolhedora.Dedicado ao público infantil, o episódio explora a mensagem central de bell hooks, que convida os pequenos a olharem além da cor da pele e a celebrarem a individualidade e as diversas tonalidades que nos tornam únicos. A obra ressalta que a pele é apenas a "porta" para o que reside no interior do indivíduo, desafiando leituras superficiais e estereotipadas. Através de uma abordagem leve e envolvente, o podcast aproxima as crianças de temas como autoaceitação, respeito às diferenças e a importância de valorizar a beleza que existe em cada um, com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).O podcast é um projeto experimental vinculado ao Laboratório de Estudos Editoriais (LEE) e desenvolvido pelas alunas Roberta Kelly, Evelyn de Souza e Victoria Lima, do Bacharelado em Letras – Português da UNIFAL-MG. A iniciativa integra a disciplina Introdução à Divulgação Científica, sob coordenação da professora Flaviane Faria Carvalho e com suporte técnico do professor Wellington Lima.No próximo episódio, o podcast Conta pra Gente apresenta a obra Rafa, a Doutora Diversão, de Roberta Kelly. Prepare-se para conhecer a história de Rafa, uma menina com cabelo encaracolado como caracol, pele marrom como brigadeiro e olhos castanhos feitos caramelo, que sonha em ser médica e nos ensina sobre o cuidado, a dedicação e a importância de perseguir nossos sonhos.Os episódios estão disponíveis no canal oficial da UNIFAL-MG no Spotify.Outros podcasts podem ser acessados em: https://unif.al/nopotify 

Atlético Play
ATLÉTICO PLAY SUMMER #19: LOS GRANDES OBJETIVOS l GYOKERES, GREENWOOD, RODRI

Atlético Play

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 76:31


Análisis, debate y opinión del mercado rojiblanco

24 Horas | Showcast - Vía Pública
Teletón apunta a expandirse a Chiloé: "Es uno de nuestros grandes objetivos"

24 Horas | Showcast - Vía Pública

Play Episode Listen Later Jun 24, 2026 19:31


Respecto de este desafío, la directora general de la institución, María José Zaldívar, aseveró que "llegar de las islas a Puerto Montt es un traslado muy largo y sabemos que eso dificulta una atención más permanente de esos pacientes".

Meta Humanos
071 - Propósito, Filosofía y Objetivos

Meta Humanos

Play Episode Listen Later Jun 22, 2026 29:56 Transcription Available


La diferencia entre el propósito, la filosofía y los objetivos, podría cambiar sustancialmente tu bienestar y forma de vivir. Lo comparto contigo porque para ti, quiero que estés bien también y logres definir esto en pro de tu vida. 

Minuto TCE-GO
1° Conferência de Desenvolvimento Sustentável

Minuto TCE-GO

Play Episode Listen Later Jun 22, 2026 1:08


Bispa Cléo Rossafa
Grandes objetivos, grandes motivações | Palavra de Vida e Fé

Bispa Cléo Rossafa

Play Episode Listen Later Jun 21, 2026 117:06


Reunião realizada no Domingo, 21 de Junho de 2026

Buscadores de sentido
2095. Lo que realmente importa vivir

Buscadores de sentido

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 27:42


En este episodio hablamos de: * Crítica a decisiones sociales y económicas alejadas de la lógica humana y de proximidad. * Idea de que muchas prácticas actuales serán consideradas aberraciones en el futuro. * Crítica a la búsqueda del éxito, el estatus y la competitividad. * Defensa de una sociedad basada en la cooperación. * Confianza en la evolución ética de la humanidad. * Distinción entre la lógica económica y la lógica de la vida. * Prioridad de lo humano sobre el lucro. * Crítica a los modelos laborales que limitan la creatividad y el desarrollo personal. * Llamamiento a despertar y observar la realidad desde una perspectiva más humana. * Importancia de la conciencia individual para impulsar cambios sociales. * Responsabilidad colectiva en los problemas sociales y políticos. * La corrupción como reflejo del nivel ético de la sociedad. * Evolución social: violencia → democracia → democracia ética → sociedad del corazón. * El miedo como principal obstáculo para el cambio personal y social. * Diferencia entre “lo social” (creado por el ser humano) y “la vida” (lo que ya existía). * Crítica a la excesiva dependencia de ideologías, religiones y estructuras sociales. * Importancia de la ética como fuente de fuerza interior. * Importancia del amor como orientación vital. * Idea de que todo lo creado por el ser humano cambia y desaparece, mientras que las leyes de la vida permanecen. * Objetivos fundamentales de la vida: sobrevivir, vivir éticamente y amar. * Invitación a vivir con mayor coherencia, sensibilidad y humanidad. Música: 1. soundcloud.com/nhamer-garcia/hamer-metamorphosis 2. Valkiria. Nhamer García. https://www.youtube.com/watch?v=IwSu1nKgAo Si quieres invitarme a algo, puedes hacerlo aquí: 1. https://www.ivoox.com/support/36379 2. Paypal: contacto@buscadoresdesentido.es 3. Transferencia a nombre de Álvaro Gómez Contreras en la cuenta: ES98 1491 0001 2930 0007 5447 Si quieres contactarme puedes hacerlo en : contacto@buscadoresdesentido.es

Governo do Estado de São Paulo
Amiris de Paula - Objetivos com o cursos de empreendedorismo

Governo do Estado de São Paulo

Play Episode Listen Later Jun 18, 2026 0:42


Amiris de Paula - Subsecretária de Empreendedorismo da SDE - Qualifica SP - Empreenda oferece mais 500 vagas em curso de empreendedorismo

Al otro lado del micrófono
Objetivos, patrocinios y balance de la séptima temporada como productor de podcast

Al otro lado del micrófono

Play Episode Listen Later Jun 17, 2026 22:34


1397. Los objetivos cumplidos durante esta séptima temporada ocupan este episodio especial con el que sigo repasando todo lo que ha dado de sí este último ciclo de casi 200 capítulos antes de las vacaciones de verano. Igual que me gusta marcarme metas de cara al futuro, también necesito detenerme de vez en cuando, abrir la agenda y revisar todo aquello que he conseguido gracias al podcasting y a los proyectos que me rodean. En este capítulo echo la vista atrás para repasar asesorías, mentorías, eventos, directos, colaboraciones, producciones, clientes, campañas y oportunidades que han ido apareciendo a lo largo de estos meses. No lo hago tanto por presumir de ellas como por recordar algo que muchas veces olvidamos cuando estamos inmersos en el día a día: el trabajo constante suele dar resultados, aunque muchas veces no los percibamos hasta que nos detenemos a analizarlos con perspectiva. A lo largo de la temporada he participado en eventos como Podtalks, Podcast Days o Podnights Madrid, he impartido asesorías a creadores que buscaban orientación para sus proyectos, he acompañado nuevos podcast en sus primeros pasos y he seguido produciendo contenidos para clientes habituales y nuevos proyectos que se han incorporado durante estos meses. También he tenido la oportunidad de colaborar con iniciativas relacionadas con el podcasting, la comunicación y la creación de contenidos, algo que siempre considero una parte muy enriquecedora de mi trabajo. Este repaso también me sirve para poner en valor algo que suelo repetir con frecuencia: detrás de cada proyecto terminado, de cada cliente satisfecho o de cada colaboración exitosa suele haber una cadena de pequeños pasos previos. Muchas veces hablamos de grandes hitos, pero olvidamos que antes hubo conversaciones, correos, reuniones, pruebas, errores y mucho trabajo silencioso que rara vez se ve desde fuera. Además, hago balance de los objetivos personales vinculados al podcast, a la financiación colectiva mediante Ko-fi y a los equipos que he podido incorporar gracias al apoyo de quienes colaboran con este proyecto. Todo ello me ayuda a seguir mejorando la producción y a continuar construyendo un ecosistema propio alrededor de EOVE Productora y de este metapodcast diario. Una forma de recordar que muchas de las oportunidades que han surgido durante estos meses nacieron precisamente gracias a la constancia de publicar un episodio cada día, mantener una web propia, cuidar la comunidad y seguir apostando por el podcasting como herramienta profesional y creativa.Al final, este episodio es una especie de fotografía de todo lo ocurrido durante la temporada.Y quién sabe, quizás cuando dentro de un año vuelva a sentarme delante del micrófono para hacer este mismo ejercicio de repaso, también esté hablando de tu marca, tu empresa o tu podcast. Si llevas tiempo pensando en lanzar un proyecto, mejorar el que ya tienes en marcha, organizar una estrategia de contenidos o simplemente contar con alguien que te acompañe durante el proceso, este verano puede ser un buen momento para empezar a prepararlo. Puedes ponerte en contacto conmigo a través de la web de EOVE Productora y veremos cómo darle forma a esa idea para que la próxima temporada también forme parte de esta historia._____________ ¡Gracias por pasarte 'Al otro lado del micrófono' un día más para seguir aprendiendo sobre podcasting! Si quieres descubrir cómo puedes unirte a la comunidad o a los diferentes canales donde está presente este podcast, te invito a visitar https://alotroladodelmicrofono.com/unete Además, puedes apoyar el proyecto mediante un pequeño impulso mensual, desde un granito de café mensual hasta un brunch digital. Descubre las diferentes opciones entrando en: https://alotroladodelmicrofono.com/cafe. También puedes apoyar el proyecto a través de tus compras en Amazon mediante mi enlace de afiliados https://alotroladodelmicrofono.com/amazon La voz que puedes escuchar en la intro del podcast es de Juan Navarro Torelló (PoniendoVoces) y el diseño visual es de Antonio Poveda. La dirección, grabación y locución corre a cargo de Jorge Marín. La sintonía que puedes escuchar en cada capítulo ha sido creada por Jason Show y se titula: 2 Above Zero.  'Al otro lado del micrófono' es una creación de EOVE Productora.

Rincón de la publicidad pagada: Hadestra Marketing
¿En qué consiste un diagnóstico o auditoría de una cuenta publicitaria?

Rincón de la publicidad pagada: Hadestra Marketing

Play Episode Listen Later Jun 14, 2026 7:24


¿En qué consiste un diagnóstico o auditoría de una cuenta publicitaria? Contacto: https://josemorenojimenez.com Puntos vistos en el episodio: 0:00 Introducción 0:38 Diagnóstico de una cuenta publicitaria 01:05 Normas 02:39 Configuración de la cuenta publicitaria 02:42 Pixel de conversión 02:49 Públicos 03:41 Accesos y seguridad 04:37 Objetivos de las campañas de anuncios 05:03 Gestión de presupuestos 06:02 Segmentación de anuncios 06:19 Creatividades 06: 31 Costos por objetivo o costos por acción

Atlético Play
ATLÉTICO PLAY SUMMER #09: LOS TRES OBJETIVOS MUNDIALISTAS l EL MADRID SE ENTROMETE CON BERNARDO

Atlético Play

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 59:04


Análisis, debate y opinión sobre el mercado rojiblanco de fichajes

EL MIRADOR
EL MIRADOR T06C196 Astronomía con Fernando Ortuño. La misión Artemis III reorienta sus objetivos (11/06/2026)

EL MIRADOR

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 13:41


La tripulación seleccionada destaca por su gran experiencia, contando con figuras como el comandante Randy Bresnik, el piloto italiano Luca Parmitano y el especialista Frank Rubio, aunque no habrá presencia femenina en esta ocasión, ya que se espera que el hito de la primera mujer en pisar la Luna se reserve para la Artemis IV en 2028. En paralelo, Ortuño ha anunciado la organización de un viaje a Astudillo (Palencia) para presenciar el eclipse del próximo 12 de agosto, un lugar elegido estratégicamente por su baja nubosidad en la meseta. El evento ofrecerá una experiencia completa que incluye alojamiento rural, talleres de fotografía astronómica y la observación de las Perseidas a un precio muy competitivo.

objetivos la misi con fernando astronom ortu artemis iii el mirador luca parmitano perseidas randy bresnik fernando ortu
SER Gijón
Félix Baragaño, reelegido presidente Cámara Comercio Gijón, habla de objetivos

SER Gijón

Play Episode Listen Later Jun 10, 2026 0:25


Viração - ADUFPel
Viração 286 - Falsa sustentabilidade dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Viração - ADUFPel

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 41:35


Está no ar mais um episódio do Viração. Neste programa, falamos sobre a falsa sustentabilidade dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.Abordamos as críticas ao modelo de sustentabilidade que eles representam, a relação entre capitalismo, exploração da natureza e concentração de riqueza e destacamos a agroecologia e o papel das universidades públicas na construção de alternativas mais justas e sustentáveis.O entrevistado é o docente titular de Geografia Agrária da Universidade Estadual Paulista (UNESP), de Rio Claro, e doutor em Geografia Humana, José Gilberto de Souza. O programa Viração é uma produção da Assessoria de Imprensa da ADUFPel e vai ao ar todas às segundas-feiras, às 13h, na RádioCom 104.5 FM e em formato de podcast nas plataformas digitais. Siga nossas redes sociaisADUFPel:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ /⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ twitter⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ /⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ facebook⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Trilha: Attribution Code"Funky Boxstep" Kevin MacLeod (incompetech.com)Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Hoy bajo el Handicap | Podcast de Golf
Golf infantil, objetivos, clubes y sus complicaciones | Hoy Bajo El Handicap #229

Hoy bajo el Handicap | Podcast de Golf

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 28:36


¡Suscríbete!Mi ropa Siroko: https://srko.co/solans ¡Usa el código SOLANS para comprar con un 10% de DESCUENTO!Entra a https://antoniosolans.com y compra MI PLANTILLA EXCLUSIVA DE PUTT.Si necesitas algo: antoniosolyt@gmail.com

GE Santos
GE Santos #476 – Vitória antes da pausa no Brasileirão e objetivos de Cuca cumpridos

GE Santos

Play Episode Listen Later Jun 2, 2026 44:31


O Santos bateu o Vitória e entrou na pausa da temporada para a Copa do Mundo fora do Z-4 do Campeonato Brasileiro, atingindo o último objetivo traçado pelo técnico Cuca. Nesta edição, Bruno Gutierrez e Nagila Luz, a Voz da Torcida, repercutem a partida, os destaques individuais do Santos e a necessidade de equilibrar o elenco para o restante da temporada. Além disso, a votação do novo estatuto social do clube e possibilidade de um novo transfer ban. Dá o play!

ONU News
África precisa de reforçar o investimento em água e saneamento, diz ONU

ONU News

Play Episode Listen Later May 29, 2026 1:46


Investimento no setor terá de mais do que triplicar para cumprir metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; Comissão Econômica na África apela à mudança da forma de uso dos recursos hídricos no continente.

Lo que hay que saber
El Gobierno avanza con el achique de organismos descentralizados; EE.UU. atacó objetivos militares en Irán

Lo que hay que saber

Play Episode Listen Later May 26, 2026 2:07


Resumen de noticias de LA NACION de la mañana del 26 de mayo de 2026

BELLUMARTIS PODCAST
TERROR EN KIEV: Putin ataca a la Población Civil con Oreshnik mientras Ucrania ataca su Logística ¿HABLAMOS?

BELLUMARTIS PODCAST

Play Episode Listen Later May 25, 2026 75:53


** VIDEO EN NUESTRO CANAL DE YOUTUBE **** https://youtube.com/live/b73zNSpb9vE +++++ Hazte con nuestras camisetas en https://www.bhmshop.app +++++ En este nuevo análisis vamos a hablar con detalle y sin rodeos de lo ocurrido en las últimas horas en la guerra de Ucrania: el brutal ataque masivo ruso contra Kiev y los golpes cada vez más efectivos de Ucrania contra la logística rusa. Rusia lanzó misiles balísticos, incluyendo el nuevo sistema Oreshnik, contra la capital ucraniana. Iglesias evangélicas, museos, edificios residenciales y zonas civiles fueron alcanzadas. ¿Objetivos militares de alto valor? En la mayoría de los casos, no. Hablamos claro sobre lo que esto significa. Al mismo tiempo, Ucrania sigue ejecutando una estrategia inteligente y asimétrica: está desangrando las líneas de suministro rusas en profundidad. Carreteras clave como la de Rostov-Mariúpol están bajo constante presión, decenas de camiones y vehículos de apoyo destruidos, y nuevos ataques a instalaciones de combustible cerca de Moscú. ¿Es esto solo “VENGANZA” rusa o estamos ante una clara escalada del terror contra la población civil mientras pierden la guerra de logística? ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ MI LIBRO "UN MUNDO CONVULSO" ** https://amzn.to/4ux9SDy ** ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ En este vídeo analizamos con rigor: - El uso real del misil Oreshnik y por qué no es el arma “maravillosa” que vende la propaganda rusa - Los objetivos alcanzados en Kiev y su valor militar real - Cómo Ucrania está cortando las arterias logísticas rusas sin grandes ofensivas terrestres - El contexto histórico de esta dinámica de ataques y contraataques ¿HABLAMOS? SUSCRÍBETE a @BELLUMARTISACTUALIDADMILITAR y @BELLUMARTISHISTORIAMILITAR y apoya a Bellumartis Historia Militar: Patreon: https://www.patreon.com/bellumartis PayPal: https://www.paypal.me/bellumartis Bizum: 656 778 825 Síguenos: Instagram: https://www.instagram.com/bellumartis_historia_militar X / Twitter: https://twitter.com/BellumartisHM Compra en Amazon con el enlace de BHM y apóyanos: https://amzn.to/3ZXUGQl Libros de Paco firmados y dedicados: https://franciscogarciacampa.com/ Política de Privacidad https://franciscogarciacampa.com/politica-de-privacidad/ #GuerraUcrania #AtaqueKiev #TerrorEnKiev #Oreshnik #LogisticaRusa #UcraniaContraRusia #MisilesRusos #DronesUcrania #Bellumartis #ActualidadMilitar #Geopolitica #SlavaUkraini #InvasionRusa #guerra2026

Atlético Play
ATLÉTICO PLAY 8 x 61 (#38): ¡CUCURELLA Y BERNARDO SILVA SON OBJETIVOS DEL ATLETI! l INFO SOBRE MERCADO. LÍMITE SALARIAL

Atlético Play

Play Episode Listen Later May 22, 2026 88:29


Análisis, debate y opinión de los últimos días de temporada antes de iniciar el mercado

ONU News
Portugal abriga o primeiro bairro social do mundo embaixador dos ODS

ONU News

Play Episode Listen Later May 11, 2026 6:35


Zambujal, na Amadora, perto da capital do país, transformou as paredes dos prédios numa iniciativa ligada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; proposta incluiu moradores e artistas em processo que mudou forma como o bairro se vê e é visto.

FM Mundo
NotiMundo al Día - Inés Alarcón - Objetivos de la Ley de Fortalecimiento del Sistema Penitenciario

FM Mundo

Play Episode Listen Later May 6, 2026 7:13


NotiMundo al Día - Inés Alarcón - Objetivos de la Ley de Fortalecimiento del Sistema Penitenciario by FM Mundo 98.1

Daily Easy Spanish
”Podemos alcanzar objetivos a 2.000 km”: dentro de la base secreta de Ucrania que lanza drones que matan a miles de soldados rusos cada mes

Daily Easy Spanish

Play Episode Listen Later May 2, 2026 35:02


En una inusual entrevista con la BBC, el comandante Robert Brovdi explicó que su unidad es responsable de un tercio de todos los objetivos destruidos en el campo de batalla.

La Opinión Hoy
Trump y sus funcionarios, “probables” objetivos del tirador en la cena de corresponsales.

La Opinión Hoy

Play Episode Listen Later Apr 27, 2026 15:12


El fiscal general Todd Blanche detalló que el sospechoso logró romper el perímetro de seguridad del hotel Washington Hilton por apenas "unos pocos metros”.

Al otro lado del micrófono
Objetivos para tu podcast: la estrategia que puede cambiar tu futuro

Al otro lado del micrófono

Play Episode Listen Later Apr 23, 2026 30:32


1358. ¿Te has preguntado alguna cuáles son los objetivos para tu podcast? Puede parecer algo obvio, pero muchas veces grabamos episodios, publicamos contenido y seguimos adelante sin detenernos realmente a pensar hacia dónde queremos ir. En este episodio quiero hacerte reflexionar precisamente sobre eso: el futuro de tu podcast y el tuyo como podcaster. La idea surge después de leer una edición reciente de la newsletter Podcasting Bussines School de Adam Schaeuble, un creador digital estadounidense que lleva años enseñando a otros podcasters cómo mejorar sus proyectos y construir negocios alrededor del audio. En esa newsletter compartía una estrategia muy sencilla que me llamó mucho la atención y que creo que merece la pena traer a este metapodcast.Puedes suscribirte a 'Podcasting Bussines School' entrando en este enlace: https://www.podcastingbusiness.school/news La base de esa estrategia procede del libro The ONE Thing (Lo único), escrito por Jay Papasan y Gary Keller. En él se plantea una pregunta que puede cambiar la manera en la que planificamos nuestros proyectos: ¿Cuál es esa única cosa que, si la consiguieras, haría que todo lo demás fuese más fácil o más eficiente? A partir de esa pregunta, el sistema propone trabajar hacia atrás en distintos horizontes temporales: cinco años, tres años, este año, este mes, esta semana y hoy. La idea es muy simple: fijar un objetivo grande y dividirlo en pasos pequeños que podamos cumplir de forma realista. En el ejemplo que comparte Adam en su newsletter, el objetivo final es convertirse en podcaster a tiempo completo y generar más de 10.000 dólares al mes en ingresos recurrentes. Es una cifra muy habitual en el mercado estadounidense, aunque reconozco que trasladarla directamente al contexto español no es tan sencillo. Aquí monetizar un podcast es posible, pero el camino suele ser bastante más complejo. Por eso en el episodio también propongo adaptar esta estrategia a otras situaciones más realistas o más comunes dentro de nuestro entorno. Por ejemplo, utilizar el podcast como herramienta para crecer en audiencia o para posicionarse como referente dentro de un nicho determinado. Si el objetivo fuese crecer en audiencia, el recorrido podría empezar hoy dedicando una hora a buscar podcast similares con los que colaborar. La semana siguiente podríamos contactar con algunos creadores para proponer un crossover, al mes siguiente empezar a trabajar esas colaboraciones y, a lo largo del tiempo, construir una comunidad fiel que escuche cada episodio. Otra posibilidad es utilizar el podcast para posicionarte como una voz reconocida en tu sector. En ese caso el primer paso podría ser contactar con expertos de tu industria para invitarlos al programa. Con el tiempo, esas entrevistas pueden abrir puertas a eventos, colaboraciones y oportunidades profesionales. En realidad, todo este planteamiento es algo que yo mismo he vivido en diferentes momentos de mi trayectoria. Hoy puedo decir que vivo del podcasting, no de un único podcast, sino del ecosistema profesional que he construido alrededor de este medio. Además, con el paso del tiempo he tenido la oportunidad de participar en eventos, mesas redondas o encuentros donde hablar de podcasting, algo que demuestra que este camino también puede llevarte a convertirte en una referencia dentro de tu sector. Lo que más me gusta de esta estrategia es que te obliga a pensar en grande, pero al mismo tiempo te obliga a ser concreto. Porque al final todo empieza con algo tan sencillo como dedicar una hora hoy a investigar, a aprender o a contactar con alguien que pueda ayudarte a avanzar.¿Quieres que te ayude a convertir tu podcast en ese impulso que te ayude con tu objetivo único? Escríbeme a jorgemarin@eove.es y lo haremos realidad._____________ ¡Gracias por pasarte 'Al otro lado del micrófono' un día más para seguir aprendiendo sobre podcasting! Si quieres descubrir cómo puedes unirte a la comunidad o a los diferentes canales donde está presente este podcast, te invito a visitar https://alotroladodelmicrofono.com/unete Además, puedes apoyar el proyecto mediante un pequeño impulso mensual, desde un granito de café mensual hasta un brunch digital. Descubre las diferentes opciones entrando en: https://alotroladodelmicrofono.com/cafe. También puedes apoyar el proyecto a través de tus compras en Amazon mediante mi enlace de afiliados https://alotroladodelmicrofono.com/amazon La voz que puedes escuchar en la intro del podcast es de Juan Navarro Torelló (PoniendoVoces) y el diseño visual es de Antonio Poveda. La dirección, grabación y locución corre a cargo de Jorge Marín. La sintonía que puedes escuchar en cada capítulo ha sido creada por Jason Show y se titula: 2 Above Zero.  'Al otro lado del micrófono' es una creación de EOVE Productora.

En.Digital Podcast
Digitalizando el mundo físico: los Smart Lockers de Columat - con Georgina Coll y Carmen Velasco

En.Digital Podcast

Play Episode Listen Later Apr 15, 2026 76:10


ONU News
Zico e Flamengo juntam-se à iniciativa da ONU Futebol para os ODS, em Nova Iorque

ONU News

Play Episode Listen Later Apr 13, 2026 3:20


Ex-jogador é também o primeiro Campeão Brasileiro do “Futebol pelos ODS”; Zico recebeu título na sala da Assembleia Geral colocando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no centro da agenda desportiva.

Daily Easy Spanish
¿Consiguió EE.UU. sus objetivos de la guerra en Irán?

Daily Easy Spanish

Play Episode Listen Later Apr 9, 2026 41:49


Los objetivos clave de Estados Unidos al inicio de la guerra eran impedir que Irán obtuviera un arma nuclear y degradar su arsenal. ¿Cuánto logró avanzar en este sentido?

JORNAL DA RECORD
01/04/2026 | 4ª Edição: Trump afirma que os EUA estão ‘muito perto' de atingir objetivos na guerra contra o Irã

JORNAL DA RECORD

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 25:45


Confira nesta edição do JR 24 Horas: O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão muito perto de atingir os objetivos na guerra contra o Irã. O presidente deu detalhes sobre os próximos passos e disse que pretende intensificar os ataques nas próximas duas ou três semanas. E ainda: Exército americano apresenta a Trump plano militar para apreender urânio enriquecido no Irã.

Startup Inside Stories
Así funcionan los seguros | Tuio #421

Startup Inside Stories

Play Episode Listen Later Mar 30, 2026 95:19


Este episodio está patrocinado por MyTrafficAnaliza ubicaciones, flujo peatonal, tráfico y potencial comercial en segundos con Gini, la herramienta conversacional de MyTraffic.Disfruta de –10 % en la versión Pro con el código ITNIGPruébalo gratis ahoraDescubre más en la web de MyTraffic o haciendo clic en este enlace : https://hubs.ly/Q044FdNW0En este episodio del podcast de Itnig hablamos con Juan García, cofundador y co-CEO de Tuio, una insurtech española que está construyendo una nueva forma de vender seguros: más digital, más transparente y con una integración vertical muy poco habitual en el sector. Una conversación muy potente para entender cómo funciona realmente el negocio asegurador por dentro, desde el pricing y la siniestralidad hasta la distribución, la regulación y la gestión del riesgo. Durante el episodio repasamos cómo funciona Tuio a nivel operativo y económico: qué significa no ser solo un bróker, cómo reparten el valor de una póliza, cuánto pesa el marketing dentro del negocio, por qué el CAC puede destrozar la caja en seguros directos y cómo han conseguido crecer hasta cerca de 100.000 clientes y 15 millones en primas apostando por eficiencia, precio y control de toda la cadena de valor. También entramos muy a fondo en una de las partes más interesantes del episodio: el uso de inteligencia artificial dentro de una aseguradora. No solo para automatizar atención al cliente, sino para tomar mejores decisiones en suscripción, siniestros, reservas, comunicación proactiva y operativa interna. Además, hablamos de qué cubre realmente un seguro del hogar, por qué la responsabilidad civil es tan importante, cómo se gestionan casos absurdamente complejos como las goteras entre vecinos y qué errores cometen muchas aseguradoras en producto y experiencia de usuario. Más allá del negocio asegurador, este episodio también cuenta la historia de cómo se construye una startup en un sector durísimo: la trayectoria de los fundadores, las rondas de financiación, el uso de venture debt, la dificultad de levantar capital en insurtech, el lanzamiento de nuevos productos como auto o viajes, y la ambición de convertir Tuio en un gran jugador digital del sur de Europa.

BELLUMARTIS PODCAST
1 MES DE GUERRA EN IRÁN: BALANCE, ERRORES Y LO QUE VIENE ¿HABLAMOS?

BELLUMARTIS PODCAST

Play Episode Listen Later Mar 29, 2026 76:42


** VIDEO EN NUESTRO CANAL DE YOUTUBE **** https://youtube.com/live/iBe2PBn4JZY +++++ Hazte con nuestras camisetas en https://www.bhmshop.app +++++ Se cumplen 30 días desde el inicio de la guerra en Irán y el conflicto ha evolucionado desde ataques aéreos iniciales hasta una compleja guerra híbrida que combina presión militar, energética y económica. En este programa analizamos el balance real del primer mes de guerra: • Cómo comenzó el conflicto • El papel del Estrecho de Ormuz y el petróleo • La respuesta iraní con misiles y drones • El despliegue de fuerzas de EE.UU. • Los errores de ambos bandos • Los escenarios futuros Un análisis estratégico para entender hacia dónde se dirige la guerra. SUSCRÍBETE para no perderte ningún programa y únete a nuestra comunidad de apasionados por la historia militar, la geopolítica y los conflictos del mundo. Apóyanos para seguir creando contenido riguroso e independiente: Patreon: https://www.patreon.com/bellumartis PayPal: https://www.paypal.me/bellumartis Bizum: 656 778 825 Síguenos también en redes: Instagram: https://www.instagram.com/bellumartis Twitter / X: https://twitter.com/Bellumartis Bellumartis Historia Militar — Porque entender el pasado es prepararse para el futuro. Capítulos: 00:00 Introducción y bienvenida al directo 05:00 Contexto: 30 días de conflicto en Irán 12:30 Balance militar: Objetivos alcanzados y bajas 25:00 Análisis de errores estratégicos: ¿Qué falló en este primer mes? 40:00 Situación geopolítica actual y reacciones internacionales 55:00 Lo que viene: Próximos pasos y escenarios probables 1:05:00 Preguntas y respuestas con la comunidad 1:15:00 Conclusiones finales y cierre

Maxima Velocidad por Ahora TV
Automovilismo Mexicano: Retos, Decisiones y Objetivos para la Temporada 2026 de NASCAR México

Maxima Velocidad por Ahora TV

Play Episode Listen Later Mar 13, 2026 8:06


#DNACAST
Como Planejar METAS e OBJETIVOS Vencedores para 2026 (JOEL JOTA) | JOTA JOTA PODCAST #269

#DNACAST

Play Episode Listen Later Mar 10, 2026 24:35


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FM Mundo
NotiMundo al Día - Roni Kaplan - Operación ‘León Rugiente'; objetivos y resultados

FM Mundo

Play Episode Listen Later Mar 6, 2026 15:10


NotiMundo al Día - Roni Kaplan - Operación ‘León Rugiente'; objetivos y resultados by FM Mundo 98.1

ONU News
Moçambique busca cumprir metas globais após recessão e eventos extremos

ONU News

Play Episode Listen Later Mar 5, 2026 2:47


País saiu da recessão no trimestre passado e teve uma alta de 4,67% no período; presidente do Instituto Nacional de Estatística destaca apoio na recuperação pós-ciclone para incentivar cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Naruhodo
Naruhodo Entrevista #62: Verônica Bender Haydu

Naruhodo

Play Episode Listen Later Mar 2, 2026 80:28


Na série de conversas descontraídas com cientistas, chegou a vez da Professora Psicóloga, Mestra e Doutora em Psicologia, coordenadora do Laboratório de Análises e Tecnologias Comportamentais da UEL, Verônica Bender Haydu. Só vem! >> OUÇA (80min 28s) * Naruhodo! é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza. Edição: Reginaldo Cursino. http://naruhodo.b9.com.br * Verônica Bender Haydu é graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina, mestre e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP-SP). Realizou estágio pós-doutoral na UFSCar, junto ao programa de Psicologia.  Professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina. Coordena o Laboratório de Análises e Tecnologias Comportamentais. Acreditada pela ABPMC e é membro do Think Tank sobre cultura e análise do comportamento e do grupo Matemática e Análise do Comportamento (MATEMAC).  Lidera o Grupo de Pesquisa "Análise do Comportamento: Implicações Clínicas e Educacionais" cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, desenvolvendo pesquisas em cooperação com docentes e discentes da UEL, da UFES e da UFSCar. Desenvolve pesquisas ligadas às seguintes linhas: 1) Análise Experimental do Comportamento e Psicobiologia, 2) avaliação, desenvolvimento e aplicação de tecnologias comportamentais, 3) realidade e ambientes virtuais: aplicações clínicas e educacionais, 4) análise de comportamento verbal e de práticas culturais, com ênfase em questões ambientais. Suas atividades estão voltadas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mais especificamente o ODS 3 (Saúde e bem-estar) e o ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis). Lattes: https://lattes.cnpq.br/1726041421275880 * APOIE O NARUHODO! O Altay e eu temos duas mensagens pra você. A primeira é: muito, muito obrigado pela sua audiência. Sem ela, o Naruhodo sequer teria sentido de existir. Você nos ajuda demais não só quando ouve, mas também quando espalha episódios para familiares, amigos - e, por que não?, inimigos. A segunda mensagem é: existe uma outra forma de apoiar o Naruhodo, a ciência e o pensamento científico - apoiando financeiramente o nosso projeto de podcast semanal independente, que só descansa no recesso do fim de ano. Manter o Naruhodo tem custos e despesas: servidores, domínio, pesquisa, produção, edição, atendimento, tempo... Enfim, muitas coisas para cobrir - e, algumas delas, em dólar. A gente sabe que nem todo mundo pode apoiar financeiramente. E tá tudo bem. Tente mandar um episódio para alguém que você conhece e acha que vai gostar. A gente sabe que alguns podem, mas não mensalmente. E tá tudo bem também. Você pode apoiar quando puder e cancelar quando quiser.  O apoio mínimo é de 15 reais e pode ser feito pela plataforma ORELO ou pela plataforma APOIA-SE. Para quem está fora do Brasil, temos até a plataforma PATREON. É isso, gente. Estamos enfrentando um momento importante e você pode ajudar a combater o negacionismo e manter a chama da ciência acesa. Então, fica aqui o nosso convite: apóie o Naruhodo como puder. bit.ly/naruhodo-no-orelo

La Brújula
Pedro Rodríguez, experto en Relaciones Internacionales, sobre el "nuevo" Donald Trump: "Trump está planteando una guerra eterna... sin final a la vista, sin objetivos claros, sin una estrategia definida"

La Brújula

Play Episode Listen Later Mar 2, 2026 9:42


Pedro Rodríguez, experto en Relaciones Internacionales, sobre el "nuevo" Donald Trump: "Trump está planteando una guerra eterna... sin final a la vista, sin objetivos claros, sin una estrategia definida"

El Hombre Que Quieres Ser
379 - ¿Por Qué No Alcanzas Tus Objetivos? | 13 Razones Que Te Alejan Del Éxito

El Hombre Que Quieres Ser

Play Episode Listen Later Feb 25, 2026 10:23


hablaremos de los principales motivos por los cuales nos desviamos del camino hacia nuestras metas, motivos que debes erradicar para alcanzar lo que te propones. Esto te aleja de tu éxito.¿NUEVO POR AQUÍ?Soy Dante y me dedico a crear diversos contenidos en forma de videos, podcast y textos mostrando las herramientas, recursos e ideas más potenciadoras que pueden ser implementadas en su día a día.Si el video te gustó o te resultó de alguna ayuda, apreciaría mucho tu like y y tu suscripción. De esta forma ayudas a que este mensaje llegue a más personas.

Platicando con calma
Año del Caballo de Fuego: presencia, límites y acción para alcanzar tus objetivos

Platicando con calma

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 39:03


En este episodio platicamos sobre Año del Caballo de Fuego y la energía que trae consigo este nuevo ciclo lunar.No necesitas saber astrología ni filosofía china para entenderlo. Analicemos el compartimiento y particularidades tanto del caballo como del elemento fuego y como Reflexionemos sobre lo que este año nos pide a nivel personal: entrenarnos en algo nuevo, cuidar nuestra tribu, estimular la mente, habitar el presente y aprender a defender nuestros límites cuando es necesario.Analizamos la interacción del elemento fuego de este año con el elemento personal de cada quien. También hablo de las particularidades del fuego como la fuerza de voluntad, autoestima y motor de cambio, y de la importancia del movimiento físico como ancla para sostener esa energía durante el año. Inscríbete a Soul Journey y conectemos cada semana a meditar en vivo. Además sigue a tu propio ritmo el estudio para conocerte mejor y conectar con lo intangible. Amo saber lo que mueven los episodios en ti… mándame un mensaje por IG en @mujerconcalma o déjame tus preguntas o comentarios aquí abajo. Si todo lo que escuchas en este podcast resuena demasiado en tu energía, te recomiendo ampliamente explorar los cursos o experiencias que comparto para tener más claridad sobre tu diseño divino y tu proceso de transformación. Si te gusta hacer el trabajo interior a tu propio ritmo, inscribirte a SOUL JOURNEY y aprovechar todos los recursos a lo largo de un año. Su aún no has leído mi libro ES AHORA, te recomiendo comprarlo en tu librería favorita en México, Amazon.mx o en cualquiera de sus formatos digitales. -------------------------------------------------------- - Si vives en México, prueba los tés para meditar que diseñé para hacer de esta experiencia una más profunda: encuéntralos en Eurtoté.com - Te recomiendo algunos productos que considero muy valiosos con los cuales con tu compra, recibo una comisión, y por supuesto, tu, un descuento especial_ Muse headband: una maravilla para medir las ondas cerebrales y tener un entrenamiento personalizado para aprender a...

Os Sócios Podcast
METAS PARA 2026: OBJETIVOS, FOCO E RESULTADO (Com Renato Cariani e Marcelo Toledo) | Os Sócios 279

Os Sócios Podcast

Play Episode Listen Later Jan 15, 2026 97:15


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