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Semana em África
Intolerância política em Angola e preparativos para o referendo constitucional na Guiné-Bissau

Semana em África

Play Episode Listen Later Aug 14, 2026 14:04


No recapitulativo desta semana em África, o primeiro destaque vai para Angola, onde no passado fim-de-semana se deram incidentes no Uíge, no norte do país, entre a polícia e membros da Unita que estavam a realizar uma actividade junto da sua sede. O balanço da repressão policial, segundo este partido de oposição, foi de 31 feridos, dez dos quais em estado grave. O superintendente-chefe Freitas Zama, argumentou que a Unita estava a realizar a sua actividade "em local impróprio". Já o deputado da Unita, Nelito Ekuikui, alegou que a repressão policial não se limitou ao comício do partido no sábado, este responsável afirmando que dias antes, as forças da ordem e também militantes do partido no poder tinham tentado perturbar as suas actividades. Noutra tónica da actualidade em África, na Guiné-Bissau, arrancou formalmente na quinta-feira e decorre até ao dia 28 de Agosto a campanha de informação sobre a nova Constituição que vai ser submetida a referendo no próximo dia 30. Esta nova lei suprema já adoptada pelo Conselho Nacional de Transição, alarga as prerrogativas do Presidente da República. Este projecto de nova Constituição, bem como o próprio 'timing' do referendo, estão longe de fazer a unanimidade. Em vésperas de arrancarem as sessões de sensibilização, o dirigente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, sublinhou que este referendo é ilegal por decorrer entre a marcação e a realização das próximas eleições gerais de Dezembro. Este responsável também considerou que dado o tempo que falta até à votação e dada a época em que decorre, não haverá condições para os cidadãos estarem plenamente esclarecidos. Em São Tomé e Príncipe, terminou nesta sexta-feira o período para os partidos políticos formalizarem as suas candidaturas para as legislativas, autárquicas e regionais do próximo dia 27 de Setembro. As instâncias competentes devem agora analisar os documentos e, caso não haja reclamações, a 28 de Agosto, será conhecida a lista definitiva de candidatos habilitados a participar no pleito eleitoral. Esta também foi a semana em que o partido no poder em São Tomé e Príncipe, a ADI, elegeu os seus órgãos de direcção, num contexto de divisão, pouco depois de o Tribunal Constitucional ter legitimado a ala dirigida pelo actual primeiro-ministro Américo Ramos, face à outra ala dirigida pelo antigo chefe do governo Patrice Trovoada. Este último reagiu apelando ao boicote das legislativas de Setembro. Américo Ramos, não deixou de criticar esse posicionamento do seu adversário mais directo. Em Moçambique, o recente anúncio pela petrolífera francesa Total de que os jovens que integrar o megaprojecto de exploração de gás em Cabo Delgado vão seguir formação em Maputo e não naquela província, provocou descontentamento nos sectores económicos da zona. Noutra actualidade, continuaram ultimamente a regressar ao país centenas de moçambicanos vítimas de xenofobia na vizinha África do Sul. De acordo com o governo, na semana passada, chegaram quase 600 cidadãos moçambicanos, Maputo indicando ainda que Pretória pediu desculpa pelos ataques de que os imigrantes, nomadamente moçambicanos, têm sido alvo. Para finalizar, em Cabo Verde, um ano depois de São Vicente ter sido varrida pela tempestade Erin, as autoridades fizeram esta semana um balanço positivo do andamento das operações de reabilitação e realojamento. Depois de um ano em suspenso, também regressou à ilha o famoso festival 'Baia das Gatas' que terminou no passado domingo.

DW em Português para África | Deutsche Welle
Praça Pública - DW - 11 de Agosto de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Aug 11, 2026 19:59


Moçambique: Quem olha pelas crianças de Cabo Delgado? Organização denuncia recrutamento de mais 400 crianças em 2024. Moçambique: Pronunciamentos e sugestões do PR à população continuam a causar indignação. Angola: Pré-candidato à liderança do MPLA Higino Carneiro deverá comparecer amanhã no Tribunal Supremo.

Convidado
Incidentes no Uíge: "População tem que conhecer as leis e obrigar as autoridades a cumpri-las"

Convidado

Play Episode Listen Later Aug 10, 2026 13:48


No sábado, a polícia recorreu à força para inviabilizar uma actividade da Jura, o braço juvenil da Unita, no Uíge, no norte do país, alegando que o encontro estava previsto num "local impróprio". Contudo de acordo com a Unita que dá conta de 31 feridos, dez dos quais em estado grave, as forças da ordem usaram gás lacrimogéneo e munições "de caçadeira" contra militantes e populares, criando o que o secretário-geral desse partido de oposição qualificou de "estado de guerra" no Uige. Estes incidentes -em período pré-eleitoral- não deixaram de suscitar condenações de formações de oposição como a PRA Já, o Bloco Democrático ou ainda organizações como a 'Friends of Angola', sem mencionar o partido moçambicano Renamo, sendo que a própria Unita declarou que "iria deixar de apelar os angolanos à serenidade". Em entrevista concedida à RFI, a activista angolana Laura Macedo evoca o momento que se vive em Angola, dá conta de expressões de intolerância política e analisa os incidentes registados neste fim-de-semana. RFI: Como analisa os acontecimentos de sábado no Uíge? Laura Macedo: A intolerância por parte do governo, nós próprios, a sociedade civil, nós temos sentido quando tentamos organizar alguma coisa na rua. Nós cumprimos todos os procedimentos que a lei exige, a Lei n°16/91, que é a lei sobre o direito de reunião e manifestação. E nós vemos que as autoridades administrativas não querem saber. Eles não ligam nenhuma. Eles não cumprem. A lei, por exemplo, diz que as autoridades administrativas, em caso de algum impedimento, devem responder aos proponentes da acção em 24 horas. Isso nunca aconteceu. Eu nunca vi aqui, por exemplo, nós em Luanda, o pessoal de Benguela, da Huíla, a receberem uma resposta, uma carta das autoridades administrativas a dizerem que não é possível esta actividade "por isto, por isto, por isto". Eles deixam estar aquilo. Recebem a documentação, ignoram e depois, no dia ou na véspera, eles dizem que não, que não podemos fazer esse percurso. Com a Unita aconteceu precisamente a mesma coisa, desta vez no Uige. Eles informaram o governo da província o que é que ia se passar ali. Inclusive, na quinta-feira, que foi o dia da chegada do Adalberto Costa Júnior, o presidente da Unita, a população começou logo a ser impedida de circular na cidade. A polícia de choque estava ali para impedir que a população circulasse. Não entendi porquê. Naquela altura houve algum desconforto da parte de simpatizantes e militantes da Unita também. O MPLA teve o cuidado de durante a semana ir engalanar a cidade com bandeiras deles, fitinhas de bandeiras. Chegou inclusive a pôr uma bandeira perto da sede da Unita, o que causou um desconforto e uma revolta aos militantes e simpatizantes que nunca tinham visto aquilo ali, a não ser junto da sua sede. No acampamento da Jura, há vídeos a circular, houve uma tentativa por parte de jovens da JMPLA invadirem o acampamento da Jura, que era no Negage (no Uige). A Jura faz todos os anos o que eles chamam a "fogueira do militante". Eles fazem-na todos os anos e fazem-na sempre fora de Luanda. Vão sempre para uma província. E eu acho que o MPLA está tão desconfortável, está com tantos problemas dentro dele que tem medo de as comunidades se comecem a aproximar cada vez mais da Unita. Aliás, eles estão a ver as comunidades a cada vez mais apoiarem a Unita. RFI: E precisamente está a abordar a questão das divisões no seio do MPLA. Esta ocorrência, a seu ver, teria, por exemplo, o objectivo ou o efeito, pelo menos, de distrair as atenções sobre o facto de no seio do partido no poder, haver uma luta renhida para aceder à candidatura à presidência do partido e à Presidência também do país? Laura Macedo: O problema é que a ala de João Lourenço e eu vou-lhe chamar mesmo assim, não quer largar o poder. E eles sabem perfeitamente aquilo que João Lourenço fez a José Eduardo (dos Santos). Todos estamos lembrados que José Eduardo largou a Presidência da República, foi forçado e acabou por aceitar. E quando houve eleições e João Lourenço sentou na cadeira de Presidente da República, a primeira coisa que fez, foi tirar José Eduardo da cadeira do MPLA. Porque quem está na Presidência da República, quando o MPLA estiver na Presidência da República, se não mandar no MPLA, sabe que tem os dias contados. Portanto, vai ter que obedecer a quem estiver na cadeira do partido. Então, este é o grande problema. Eu já venho a denunciar há muito tempo de que, não havendo possibilidade de João Lourenço se manter na Presidência da República, porque são só dois mandatos, João Lourenço e os seus assessores e os seus sequazes iam tentar de todas as maneiras, provocar acções que pudessem levar antes das eleições, a uma situação em Angola que nos levasse a um Estado de sítio, onde ele pudesse continuar no poder. Esse é que é o grande problema. Nós vemos muitas coisas absurdas aqui. A Presidência da República está a tomar conta de espaço, está a ceder espaços inegociáveis, como pequenos bosques dentro da cidade, estão a ocupar, estão a ceder a grupos internacionais, com a participação de gente que está na Presidência da República. Nós vemos cada vez mais empréstimos, empréstimos, empréstimos. Ainda agora ouvimos falar de mais um empréstimo de mil milhões (o executivo angolano validou na semana passada um acordo de financiamento entre o Estado e o banco francês Société Générale no valor de mil milhões de Euros para programas de investimento público). Quer dizer, um homem que está em fim de mandato, está a fazer estes empréstimos. Ele sabe, ou devia saber, que não vai ficar mais lá, que não vai poder gerir estes empréstimos. Eu vejo é que eles estão a querer sugar o máximo de dinheiro possível ao Estado. Realmente é a mesma cena que aconteceu aquando da saída do Presidente José Eduardo. As pessoas que o rodeavam, que tinham grande influência sobre ele, também fizeram a mesma coisa. RFI: Relativamente aos acontecimentos deste fim-de-semana, a Unita reagiu dizendo que não iria mais apelar à população a guardar a calma. A seu ver, o que é que isto pode dar? Laura Macedo: Eu também ouvi. Quer dizer que a população tem que começar a agir, agir não atacando. Não é para atacar, é para se manter firme. A população tem que se manter firme, a população tem que conhecer as leis e obrigar as autoridades a cumprirem também a lei. Eu acho que é isto que a Unita quis dizer. Tenho plena certeza que foi isto. E é isto que eu digo sempre. Se a polícia não nos deixa passar aqui, nós ficamos aqui. Isto é uma forma de protesto. Nós fizemos isso o ano passado, quando foi daquelas três manifestações que foram organizadas pela sociedade civil. Eles não nos deixaram fazer o percurso também violando a lei, porque nós não fomos comunicados que não iríamos passar por ali. As autoridades administrativas não alteraram o percurso por nós marcado e, no dia, quiseram que nós mudássemos o percurso no momento e nós não aceitamos. Aconteceu, por exemplo, com a marcha do MEA (Movimento dos Estudantes Angolanos), na senda da subida dos combustíveis e a consequente subida das propinas. E nós paramos na zona do Zé Pirão, um cruzamento que é crucial dentro de Luanda. Estivemos ali quatro horas. O que é que nós vimos? As autoridades a cortarem o sinal da internet. Não houve confusão, não houve repressão por parte da polícia, Mas nós, pura e simplesmente paramos ali. E como é uma zona com muitos prédios, eles ficam com receio de reprimir, porque nós que estamos no chão, eles conseguem nos tirar os telefones. Mas a quem está dentro da sua casa, nas varandas a filmar, eles não conseguem ir buscar os arquivos dessas pessoas. Então eles ficam com receio que saiam as imagens, mas este é o procedimento usual das autoridades aqui do meu país. RFI: Tem observado, à medida que nos aproximamos do período eleitoral, algum nervosismo, manifestações de intolerância política? Laura Macedo: Tenho sim, principalmente por parte dos jovens afectos ao MPLA. A Unita esteve a fazer uma campanha de angariação de novos membros aqui em Luanda e os jovens da Unita andavam sob a égide do seu Secretariado Provincial de Luanda. Andavam com umas mesinhas, a sua bandeira, as fichas de inscrição e paravam em determinadas vias. E o absurdo foi que jovens do MPLA tentavam desmantelar estas mesas, tentavam que eles levantassem dali e, inclusive, usaram as autoridades Administrativas para proibir que estas bancas que a Unita foi montando um pouco por todo o lado, surtissem efeito, como forma de amedrontar a população. Então veja o ridículo. A fiscalização de algumas administrações resolveu aproximar-se destas bancas e pedir um alvará. A Unita não é um partido comercial. Queriam que aqueles jovens, aquelas pessoas da Unita que estavam ali, lhes apresentassem o seu cartão de vendedor ambulante. A Unita não estava a vender nada. A Unita não vende nada. E veja o absurdo, numa nítida provocação aos militantes que ali estavam e como forma de amedrontar quem quisesse se aproximar dessas bancadas. Portanto, isto é um acto de violação do direito do cidadão. E a lei dos partidos permite isso, porque o próprio MPLA faz isso. O próprio MPLA não faz nenhuma actividade, não há uma actividade do MPLA que eles não fechem ruas, por mais pequena que seja. O MPLA põe e dispõe. E aí está o grande problema de não haver eleições autárquicas. Daí, que o MPLA não quer eleições autárquicas, porque nenhum autarca iria permitir, nenhum autarca saído, por exemplo, da sociedade civil, iria permitir que um partido chegue e feche ruas. Os secretários provinciais são o governador provincial em todo o lado, o subsecretário municipal e o administrador. Quer dizer, há uma confusão entre o MPLA e o Estado. Daí que nós chamamos ao MPLA o "partido-Estado". O seu presidente é o presidente do partido, o governador é o secretário do partido, o administrador é o secretário do partido, lá onde ele estiver. E isso é errado. Tem que mudar. E para mudarmos isso, temos mesmo que ter eleições autárquicas. RFI: Entretanto, tudo isto acontece numa altura em que acaba de entrar em vigor a nova lei sobre a desinformação e as 'fake news'. Como é que reage à entrada em vigor deste texto, que desencadeou alguma polémica e uma forte oposição? Laura Macedo: O grande problema aqui com esta lei das 'fake news', como eles lhe conseguiram chamar, é quem é que produz 'fake news' aqui? É precisamente a gente do governo e a gente do MPLA. Nós vimos, por exemplo, só para ter uma ideia, a CNN fez uma matéria sobre os acontecimentos do Uige com a sua legenda própria. O que é que o pessoal do MPLA fez? Mudou a legenda. A legenda está em inglês. Mudou a legenda e colocou dizendo que "um partido da oposição queria tomar uma das províncias de Angola". Isto é que é 'fake news'. Quem produziu? Vamos ver as autoridades policiais a investigarem de onde partiu esta alteração a um pequeno vídeo que até veio lá de fora? Não vamos porque foi gente do MPLA que fez. Esse é que é o grande problema. No dia em que eu escrever alguma coisa, que eu puser alguma nota nas minhas redes sociais que não seja real, ou que eu partilhe alguma nota que não seja real, o que é que vai acontecer? Eles não vão procurar a fonte. Eles vão-me atacar a mim, porque eles andam mortinhos todos por nos calar. Esta lei é igual à lei do vandalismo, que é para nos parar, mas eles não nos vão conseguir parar. Nós estamos aqui, estamos firmes. Nós queremos mudança. Nós queremos um governo que cuide principalmente dos angolanos sem nada. A nossa preocupação é com estes angolanos. Eu não estou preocupada com a minha situação. Estou preocupada com a situação daqueles lá que não tem absolutamente nada.

DW em Português para África | Deutsche Welle
Radar DW - 7 de Agosto de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Aug 7, 2026 20:00


A candidatura de Higino Carneiro agita o MPLA. A luta de titãs com João Lourenço fortalece o partido ou expõe as suas fissuras?

Convidado
Problemas internos no MPLA expõem divisões e condicionam sucessão de 2027

Convidado

Play Episode Listen Later Jul 27, 2026 11:43


A exclusão da candidatura de Higino Carneiro à liderança do MPLA relançou o debate sobre a sucessão de João Lourenço, mas, para o analista político Sérgio Dundão, revela sobretudo um partido dividido quanto ao seu futuro. O investigador defende que o desalinhamento entre as elites do MPLA está a condicionar a preparação das eleições de 2027 e pode abrir caminho a uma separação inédita entre a liderança partidária e a chefia do Estado. A exclusão da candidatura de Higino Carneiro à presidência do MPLA ultrapassou o âmbito da corrida interna do partido para colocar em discussão um dos temas mais relevantes da política angolana: a sucessão de João Lourenço e a eventual separação entre a liderança do partido e a chefia do Estado. Para o investigador e analista político Sérgio Dundão, a alteração dos estatutos do MPLA criou um cenário inédito, obrigando o partido a adaptar-se a uma realidade que nunca antes enfrentou. "O MPLA agora tem de lidar com essa situação", afirma o analista, considerando que a possibilidade de o presidente do partido deixar de ser automaticamente o candidato à Presidência da República "gera dinâmicas internas na organização do poder que são bastante complexas". Na sua leitura, a questão fundamental já não é apenas saber quem vai liderar o MPLA, mas perceber quando poderá surgir uma divisão entre a liderança partidária e a chefia do Estado. Essa hipótese, que Sérgio Dundão designa por "bicefalia", poderá representar uma transformação profunda do sistema político angolano. O investigador explica que, embora o Presidente da República continue a deter os poderes executivos, a chefia do Estado e o comando das Forças Armadas, o líder do MPLA manterá influência decisiva na escolha do cabeça-de-lista às eleições gerais, na composição das listas de deputados e na indicação do Presidente da Assembleia Nacional. "Passaríamos de um presidencialismo ultraconcentrado para um presidencialismo com uma bicefalia: um pólo na Presidência da República e outro no partido", resume. Segundo Sérgio Dundão, esta redistribuição de poder pode colocar à prova mecanismos institucionais que nunca foram experimentados em Angola. "Nós nunca tivemos uma situação em que existisse bicefalia", observa, admitindo que um eventual conflito entre o Presidente da República e o líder do MPLA poderá provocar "situações de bloqueio institucional". Como exemplo, refere a possibilidade de o Presidente da Assembleia Nacional, politicamente próximo da liderança partidária, recorrer ao chamado "veto de gaveta", adiando a apreciação de iniciativas do Executivo, uma dinâmica que nunca ocorreu porque, até agora, o Presidente da República acumulou igualmente a liderança do partido. Na análise do politólogo, João Lourenço terá interesse em continuar a influenciar directamente a sucessão através do controlo do partido. "Penso que o Presidente João Lourenço quer estar envolvido directamente no processo de 2027 por via do partido", afirma. Essa posição permitir-lhe-ia, acrescenta, "condicionar a dinâmica do próprio MPLA e, por consequência, a dinâmica do futuro Presidente da República". Ainda assim, ressalva que o verdadeiro teste só vai surgir depois da eleição do próximo chefe de Estado, quando se perceber "se vai deixar-se condicionar ou se vai procurar libertar-se desse condicionamento do partido". Questionado sobre a exclusão de Higino Carneiro, Sérgio Dundão considera que a leitura segundo a qual a decisão evitou o aparecimento de um segundo centro de poder "faz sentido". Caso o antigo governador tivesse conquistado a liderança do MPLA, explica, "haveria uma desconcentração automática do poder". O Presidente da República deixaria de controlar toda a agenda política através do partido, alterando um equilíbrio que caracteriza o sistema angolano desde a aprovação da actual Constituição. "Se eventualmente deixa de ter o controlo do partido, não tem o controlo de toda a agenda política partidária", sintetiza. Mais do que a exclusão de um candidato, Sérgio Dundão identifica sinais de divisão entre as elites do MPLA. "Pela primeira vez, as elites estão desalinhadas em alguns aspectos", afirma, sublinhando que partidos politicamente coesos tendem a resolver internamente as disputas antes de apresentarem um candidato. "Os partidos gostam sempre de mostrar unidade porque a unidade é uma forma de mostrar que estão fortes. Quando um partido começa a debater candidaturas em público é porque está desalinhado." Na opinião de Sérgio Dundão, a própria candidatura de Higino Carneiro revela essa realidade, já que se trata de "uma figura marcante da história do MPLA", com experiência política, governativa e militar suficiente para conhecer profundamente a dinâmica interna do partido. O analista considera, ainda, que esta crise interna está a impedir o MPLA de concentrar esforços na preparação das eleições gerais de 2027. "Os partidos foram constituídos para conquistar o poder e não para gerir conflitos internos", observa, defendendo que o tempo actualmente consumido por disputas internas reduz a capacidade do partido para definir uma estratégia política para o próximo ciclo eleitoral. Apesar disso, Sérgio Dundão afasta a ideia de que exista um risco imediato para a estabilidade do país. Na sua perspectiva, o principal desafio vai caber ao candidato que vier a representar o MPLA nas próximas eleições. "A primeira missão desta figura será unir o partido", afirma, acrescentando que o futuro candidato terá de conquistar a confiança das diferentes sensibilidades internas. "Não precisa apenas da confiança dos camaradas; sobretudo não pode merecer a desconfiança", alerta. Caso contrário, conclui, "será muito difícil fazer uma campanha eleitoral", porque um candidato contestado internamente dificilmente convencerá o eleitorado de que está preparado para governar Angola.

DW em Português para África | Deutsche Welle
Praça Pública - DW - 22 de Julho de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Jul 22, 2026 20:00


Em Moçambique, Conselho Constitucional anula substituição do segundo vice-presidente do Parlamento e reconduz Fernando Jone.

DW em Português para África | Deutsche Welle
Praça Pública - DW - 21 de Julho de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Jul 21, 2026 20:00


Em Angola, MPLA anula candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido alegando irregularidades no processo.

DW em Português para África | Deutsche Welle
Praça Pública - DW - 9 de Julho de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Jul 9, 2026 20:00


Estará em curso um plano para adiar as eleições autárquicas moçambicanas de 2028 para 2029? A Comissão Nacional de Eleições (CNE) admite estudar a possibilidade da realização, de três eleições, no mesmo dia, em 2029. Eleições internas no MPLA: Está o partido pronto para eleições verdadeiramente competitivas?

DW em Português para África | Deutsche Welle
Praça Pública - DW - 7 de Julho de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 19:59


Guiné-Bissau: Cidadãos questionam a razão do referendo constitucional. Analista guineense defende que um referendo constitucional não deve acontecer em período de inconstitucionalidades, resultante de um golpe de Estado. Angola: Rafael Marques denuncia processo político no caso russos.

Invité Afrique
Emmanuel Dongala: «Quand l'imaginaire rencontre la réalité, ça fait vraiment plaisir pour un écrivain»

Invité Afrique

Play Episode Listen Later Jul 4, 2026 22:01


Ce mois de juillet 2026, l'une des grandes plumes de la littérature francophone aura 85 ans : l'écrivain congolais Emmanuel Dongala, né en 1941. Son parcours l'a fait traverser toute l'histoire du Congo-Brazzaville, de l'indépendance aux déchirements de la guerre civile, en passant par l'âge d'or de la littérature et du théâtre dans les années 70 à 90. C'est cette histoire qu'il a racontée à RFI, à la première personne. RFI : Vous êtes né en juillet 1941, il y a 85 ans. Est-ce que pendant votre enfance se mettent déjà en place des choses importantes pour votre vie d'écrivain ? Emmanuel Dongala : D'abord, quand j'étais petit, à l'époque, il n'y avait pas de télévision et le soir, en saison sèche, il faisait froid. On était dehors, autour du feu, sous le clair de lune, et notre mère, ma mère, nous racontait des histoires, des contes. Et ça me fascinait. Je me disais : « Il faut qu'un jour moi aussi je me mette à inventer mes propres contes. » Et c'est incroyable comme cette femme analphabète m'a poussé à devenir écrivain. Et mieux encore, mon père était instituteur et il avait des livres à la maison que je feuilletais. Je ne comprenais pas la moitié de ce qu'il y avait dans ces livres-là. Mais l'objet était là et fascinant… … Fascinant. Je lisais, je passais de la littérature aux sciences, vous savez, ces grosses encyclopédies de l'époque, Larousse. Je me souviens très bien. Et être fils d'instituteur a été très important pour moi. C'est ce qui a fait ce que je suis aujourd'hui. … Et être bercé par les contes de votre mère. Oui aussi. Il y a un conte qui vous a marqué ? Oui, plusieurs. Et quelquefois la grand-mère, qui était encore vivante, nous racontait ces contes-là sur les animaux de la brousse, les hommes et les sorciers. C'était vraiment fascinant. À lire aussiL'écrivain congolais Emmanuel Dongala Dans les années 70, vous devenez enseignant-chercheur en chimie à l'université de Brazzaville. Le pays est alors en pleine République populaire, pétri de principes marxistes-léninistes, sous la direction de Marien Ngouabi. Quel souvenir personnel est-ce que vous gardez de cette période révolutionnaire ? Ouh là là ! D'abord tout était caporalisé. Parti unique. « Le pouvoir est au bout du fusil » : c'est le slogan qu'on voyait partout dans les rues. « Le parti dirige l'État ». Même à l'université, au Conseil de l'université, il y avait un représentant du parti qui faisait face au recteur. Il y avait quand même une ferveur révolutionnaire. On croyait vraiment qu'on allait changer le monde. Mais à la fin, c'était beaucoup plus des slogans et de la répression qu'autre chose. Est-ce qu'il y a des anecdotes qui vous ont marqué sur ce quotidien pendant la période révolutionnaire ? Oui. Par exemple, une fois, il y avait un grand meeting du parti et le représentant du parti, habillé en col mao, se lève, crie : « À bas l'impérialisme ! » La foule répond : « À bas ! » « À bas le colonialisme ! » La foule crie : « À bas ! » « À bas le néocolonialisme ! » « À bas ! » « C'est bien, nous sommes maintenant libres », a répondu à la suite le représentant du parti. Voilà, c'était fini pour lui. La parole était performative. C'était marrant ! Et puis il y avait beaucoup de ces slogans-là qui nous font rire aujourd'hui. Par exemple : « Il faut se serrer la ceinture aujourd'hui pour mieux vivre demain. » Parce qu'il y avait la pénurie, il n'y avait rien, il y avait des retards de salaires. Donc pour amadouer la population ou pour expliquer, on disait : « Il faut se serrer la ceinture aujourd'hui pour mieux vivre demain. » À lire aussiRetour au Congo, avec Emmanuel Dongala Et quel était justement votre quotidien d'enseignant-chercheur dans ces années 70 à Brazzaville ? Moi, j'étais assez indépendant parce que j'étais en chimie. Mais mes collègues de philosophie, par exemple, disent que la philosophie marxiste primait sur tout. Les autres philosophes, les Kant, les Sartre, c'était des « philosophes bourgeois », ça ne comptait pas. Et c'était terrible cet encadrement de la pensée à l'époque pour des universitaires. Tout le monde devait être marxiste. Ils parlaient du socialisme scientifique et ils parlaient des lois du mouvement social, je ne sais pas quoi. Moi qui suis chimiste et physicien, je ne connais que les trois lois de Newton. Mais eux, ils avaient une loi du socialisme, etc. Il y avait une contrainte intellectuelle. L'espace intellectuel était assez restreint. Est-ce que c'est le moment où vous entrez en écriture ou est-ce que vous êtes entré en écriture plus tôt ? Ah non, j'ai commencé tout simplement, tout bêtement au lycée, en écrivant des poèmes – des mauvais poèmes. Parce qu'à l'époque on envoyait des poèmes aux filles, vous voyez ? J'ai commencé par ça : imiter les Baudelaire, Rimbaud, etc. Et je lisais beaucoup, énormément. C'est ça qui m'a donné vraiment le goût d'écrire. En 1973, vous publiez Un fusil dans la main, un poème dans la poche qui raconte le parcours d'un jeune révolutionnaire africain, de la lutte anticoloniale à l'exercice du pouvoir. Et vous montrez dans ce livre comment l'idéal de libération se déforme jusqu'à produire de nouvelles formes d'oppression. Comment ce texte a-t-il été accueilli à l'époque par vos lecteurs congolais et par le pouvoir ? Les lecteurs congolais, c'était extraordinaire. Une réception incroyable, parce que le livre a été publié par Albin Michel et après on ne le trouvait plus. J'ai vu des gens qui le faisaient circuler par photocopie. Et autre anecdote que je trouve très intéressante : le livre avait été traduit en portugais et des années plus tard, j'ai retrouvé des combattants du MPLA, le parti angolais, et il y en a un qui m'a dit : « J'ai lu votre livre dans le maquis. C'était vraiment très bien. C'était exactement ce qui se passait. Mais vous, vous étiez dans quel maquis ? » Moi j'ai dit : « Non, je n'ai jamais combattu. Je ne sais même pas par quel bout on tient un fusil ! » Il était étonné que j'aie si bien décrit la réalité du maquis. Quand l'imaginaire rencontre la réalité, ça fait vraiment plaisir pour un écrivain. Au Congo, le livre a été censuré, banni parce qu'il y avait une liste de livres interdits. Je ne sais pas pourquoi, je n'ai jamais compris. Autant je comprenais la censure pour Jazz et vin de palme, mais pour Un fusil dans la main, un poème dans la poche, je n'ai pas compris pourquoi c'était censuré. À lire aussi«Un fusil dans la main, un poème dans la poche», par Emmanuel Dongala De quand date votre engagement dans le théâtre, sur la scène brazzavilloise, et pourquoi le théâtre ? Et bien parce que ça fait partie de la littérature, de tout ce que j'aimais et de toute la vie qui était autour de moi. Parce que c'est très théâtral, la vie congolaise, la vie au Congo. Et c'était vraiment une période bénie, cette époque-là des années 70-90 où le théâtre congolais était vraiment florissant. Je ne prétends pas que c'est nous qui avons créé le théâtre congolais. Non, ça existait bien avant nous. Il y avait beaucoup de petites troupes. Il y avait le théâtre national. Mais vraiment, à cette époque-là, parmi les groupes qui existaient, beaucoup montaient plus des scénettes que du théâtre. Et il y a trois groupes qui ont émergé : la troupe de Sony [Sony Labou Tansi, NdlR]. Sony a fait un travail remarquable pour mettre le théâtre congolais sur la scène internationale. La troupe qui s'appelait Ngunga, de mon ami Matondo aussi, qui était très bien, et la mienne s'appelait l'Éclair. Et ça avait tellement d'impact sur les autres que les jeunes, les autres troupes, nous taquinaient ou se moquaient de nous – ils nous jalousaient un peu d'ailleurs – en nous qualifiant de « So-ma-do », acronyme de Sony, Matondo et Dongala. Et chacun de nos groupes travaillait de façon différente. Matondo était spontané, dur, pour confronter la réalité. Sony jouait ses très beaux textes. Il venait à Limoges tout le temps. Et moi je m'intéressais beaucoup plus au théâtre international. Mais j'ai joué des pièces congolaises de Sylvain Bemba et d'autres. Mais tout de suite, j'ai monté « Sartre ». Et quand un de mes livres, Le Feu des origines, a été traduit au Japon, j'ai été invité au Japon. Je me suis mis à lire la littérature japonaise et j'ai découvert une pièce de Yukio Mishima qui s'appelle « Sotoba Komachi », qui m'a plu. Je l'ai montée à Brazzaville. Donc voilà la différence un peu entre nous trois, mais c'était vraiment vibrant. C'était une rivalité fraternelle. Vous diriez qu'il y a eu un âge d'or du théâtre congolais dans ces années 70, peut-être 80 ? Jusqu'en 90, oui. Le théâtre continue aujourd'hui, je ne vais pas dire que ça n'existe plus, mais cette époque particulière a quand même marqué et a été une période importante parce qu'il n'y avait pas que nous. Je parlais du parti unique, il avait aussi des pièces révolutionnaires, et puis ça passait à la radio, c'était très populaire, très suivi. Il n'y avait pas qu'à Brazzaville, il y avait aussi à Pointe-Noire, à Dolisie et puis il y avait des scènes dans les lycées, il y avait des troupes. Jusqu'à aujourd'hui, le théâtre est très aimé au Congo. Est-ce que vous pouvez nous raconter l'histoire du théâtre de l'Éclair dont vous êtes le principal animateur dans les années 80 ? Comment est-ce qu'il est né ? Il y avait un embryon, une petite troupe qui était là, qui végétait un peu, et on est venu me voir. On m'a demandé de prendre la direction de cette troupe. On a commencé à travailler d'abord sur la gestuelle, parce qu'on a eu la chance d'avoir le mime Marceau qui est passé à Brazzaville et on a fait un petit stage avec lui. Ensuite, on a eu d'autres comédiens, d'autres metteurs en scène français qui sont passés à Brazzaville. Donc le théâtre de L'Éclair, ce qui le caractérisait aussi, c'était beaucoup la gestuelle, surtout quand j'ai monté « Sotoba Komachi » de Yukio Mishima, il y avait beaucoup de ces pas glissés. Je tenais beaucoup à ça. J'ai monté « Sartre », comme je l'ai dit tout à l'heure, ce n'était pas rien : « Les mains sales ». S'il y avait cette scène théâtrale aussi riche, ça veut dire aussi qu'il y avait un vivier d'acteurs importants dans le Brazzaville de l'époque ? Oui, oui. Le grand théâtre, à l'époque, c'était le théâtre national. Il était subventionné par l'État et les acteurs étaient payés, professionnels. Donc c'est pour vous dire que l'État donnait une importance à ça. Nous, on était des théâtres indépendants, des groupes indépendants. Moi, comme j'étais professeur à l'université, j'avais un peu d'argent, je finançais ça moi-même et les prix des billets étaient vraiment modiques, évidemment. À lire aussi2. Emmanuel Dongala Est-ce qu'il y a des anecdotes qui vous ont marqué sur cette période théâtrale ? Oui, absolument, parce qu'à cette époque-là, je vous ai dit, on vivait sous une dictature de parti unique et il y avait des flics partout. Ils venaient écouter ce qu'on disait, etc. Évidemment, ils ont mis quelqu'un pour suivre Sony. « Ce qu'il fait dans son théâtre, c'est suspect », disaient-ils. Et Sony les a repérés tout de suite. Ces gens-là, ils n'étaient pas malins et on les repérait tout de suite. C'est lui qui me raconte : il me dit qu'il a conçu une scène avec un comédien. Il allait parcourir trois mètres sur le plateau, s'arrêter, bailler, puis retourner et un autre refaisait la même chose, et la même chose… et la même chose. Et là, au bout d'une demi-heure, le gars commençait à s'ennuyer. Il a dit : « Mais si c'est ça le théâtre, pourquoi on nous demande d'espionner ? » Puis il n'est plus jamais revenu. Mais moi, mon plus grand coup, ce n'était pas dans le théâtre. C'était quand j'étais professeur de chimie à l'université de Brazzaville, directeur des affaires académiques. J'organisais des conférences académiques. Et à l'époque, il y avait un grand débat dans le parti pour savoir qui était de droite, qui était de gauche. Il y avait un combat idéologique dans le parti. Il se trouve que je suis professeur de chimie et en chimie, il y a des molécules qu'on appelle énantiomères. Ça veut dire tout simplement que les molécules sont exactement les mêmes. La seule chose qui les distingue, c'est que, quand vous faites passer la lumière, l'une dévie la lumière à droite, l'autre dévie la lumière à gauche. Donc ce sont des molécules droites et gauches. Donc je me suis dit : « Ah ah ah ! Je vais faire une conférence académique de chimie organique avec le titre "De la notion de droite et de gauche". » Voilà le titre de ma conférence. Oh là là… alors qu'il y a un débat qui était de droite, de gauche dans le parti, les gens se sont dit : « Ça y est, qu'est-ce qu'il va dire celui-là ? » Je n'ai jamais vu un tel engouement parmi les services de sécurité de Brazzaville, il y avait trois ou quatre agents dans la salle pour voir ce que j'allais dire, sur la notion de droite et de gauche. Je me suis bien amusé. Ils se sont ennuyés à mort. D'ailleurs, ils n'ont rien compris. Est-ce que vous pourriez nous parler de vos relations avec Sony Labou Tansi et Matondo Kubu Turé, qui étaient donc les deux autres grands animateurs de la scène théâtrale de l'époque ? Oui, ce sont des frères. Dans le théâtre, on a combattu ensemble, on a fait des choses ensemble. Et ce qui est remarquable, c'est que nous avions des divergences politiques profondes. Par exemple, Sony était dans un parti politique et moi je ne l'étais pas, etc. Mais ça, ça ne nous divisait absolument pas. On se retrouvait, on discutait quelquefois, on copiait un peu les uns sur les autres… parce que j'ai vu quelquefois que Sony piquait quelque chose chez Matondo par exemple. Donc c'est pour ça que ces trois groupes sont restés si emblématiques pour les jeunes Congolais. Il y avait une forme d'émulation aussi entre vous ? Absolument. Rivalité, jalousie fraternelle. Sony avait un peu plus de succès que nous parce qu'il était connu à l'étranger. Il avait des pièces qui étaient jouées à Paris et chaque année il venait à Limoges. Mais c'est bien, parce que ce succès nous a entraînés aussi, nous a fait travailler plus fort encore. Donc voilà ce que c'était le « So-ma-do ». Qu'est-ce que vous retenez de la scène littéraire de cette époque à Brazzaville ? C'est aussi la grande époque de la littérature congolaise. Il y avait des écrivains avant, je vais citer les Letembet Ambily, les Jean Malonga, etc. Mais là, notre génération, ce groupe d'écrivains, je cite quelques noms : Tati Loutard, Henri Lopez, Sony Labou Tansi, Sylvain Bemba, Tchicaya U Tam'si – Bon, il était un peu plus âgé que nous, il n'était pas tout à fait dans notre groupe – et j'en passe… C'est vraiment à ce moment-là qu'il y a eu un véritable corpus de la littérature congolaise, connu à l'étranger, parce qu'on commençait à gagner des prix à l'étranger, à être traduit. Je suis traduit dans une douzaine de langues, par exemple. Et ce qui est encore une fois très intéressant, c'est qu'on était sous la dictature et on arrivait quand même à produire ces œuvres… qui étaient censurées. Comme je vous ai dit, Jazz et vin de palme a été censuré. Sony Labou Tansi a eu des livres censurés, mais on produisait quand même. Il y avait une forme de tolérance, finalement, du pouvoir. Oui, c'est ça qui est paradoxal. En fait, le pouvoir ne savait pas trop. Comme on disait à l'époque : « Il censurait les livres, mais ne censurait pas les écrivains. » C'était ça la formule qu'on avait trouvée. Il y avait une sorte de tolérance et puis je dois dire, quelqu'un qui était très bien, qui était ministre, membre du parti, mais qui nous protégeait, c'est le poète Jean-Baptiste Tati Loutard. Il nous protégeait vraiment. Il a protégé Sony pendant longtemps. Sony était fonctionnaire. Quelquefois, il partait à Limoges pour le théâtre, il abandonnait son boulot… Mais il nous a protégé, Tati Loutard, et je lui suis très reconnaissant pour ça. Est-ce que vous vous rencontriez entre auteurs ? Est-ce que vous formiez un cercle de gens qui se retrouvaient régulièrement ? Oui, on se retrouvait quand un livre des nôtres paraissait et on en discutait. C'est pour ça que Sylvain Bemba a créé ce mot qu'il appelle « la phratrie », la fraternité des lettres entre nous. Et ça a tenu, malgré les guerres civiles, les répressions politiques. C'est le seul endroit où la politique ne nous a pas divisés. Jusqu'à la guerre civile de 98 où nous sommes partis. Sony était mort. Et puis nous sommes partis, dispersés. Quelles sont les anecdotes dont vous vous souvenez sur cette « phratrie » des lettres ? On faisait lire nos manuscrits, les uns aux autres. On se passait les manuscrits. Il y a un point central autour duquel nous tournions, c'était Sylvain Bemba. C'était lui, vraiment le patriarche, c'est lui qu'on allait voir pour passer nos manuscrits. Et j'avais créé aussi une revue, Les Cahiers de théâtre de L'Éclair, qui n'a produit que trois numéros, malheureusement. Dedans, il y avait les contributions de Sony et des autres intellectuels de la place qui s'intéressaient au théâtre. Voilà encore un lieu d'échanges. C'était ça l'époque. Mais bon, on rencontrait des difficultés quand même pour imprimer. Il fallait taper, dactylographier à la machine. Je ne sais pas si vous savez ce que c'est de taper à la machine avec le papier carbone. Et puis quand on voulait faire des tracts, il fallait ronéotyper avec de l'encre sale. Donc c'était difficile, mais on réussissait quand même à faire circuler nos manuscrits, nos idées, les discussions sur la place. Le parti unique avait ce qu'il appelait l'Union nationale des écrivains et artistes du Congo. Tout le monde devait y être, tous les artistes, les écrivains, etc. Et nous, on ne voulait pas faire partie de cette UNEAC caporalisée par le parti. Nous avons créé à part, de façon tout à fait indépendante, ce que nous appelions l'ANEC, Association nationale des écrivains du Congo. Et tous les bons écrivains y étaient… j'exagère, parce que Tati Loutard est resté à l'UNEAC. Mais tous les autres, les Sony, les Matondo, tous les autres écrivains étaient avec nous dans cette association pour laquelle je dis fièrement que j'étais le président et le cocréateur. Et le pouvoir a laissé faire ? Oui, je pense que c'est arrivé au moment où déjà le parti unique était en fin de course. Les années 90 voient une explosion de violence politique au Congo au travers des milices que vous décrivez dans l'une de vos œuvres majeures, Johnny chien méchant. Quelle expérience personnelle, intime, est-ce que vous avez eue de ces milices, vous, Emmanuel Dongala ? Je les ai vécues… Un beau jour, vous voyez dans la rue des gamins avec des fusils plus hauts qu'eux, qui intimident les adultes, qui les font s'agenouiller dans la rue, dans les barrages. Mais vous vous dites : « Dans quel monde nous vivons ? » C'était terrible. Donc, avec ma famille, nous avons fui pour aller vers Pointe-Noire à pied, à travers la forêt. C'est terrible. C'est ça qui m'a donné l'idée d'écrire Johnny, chien méchant. Des gamins comme ça qui ont terrorisé des adultes, leur première expérience amoureuse est un viol. Mais qu'est-ce qu'on peut faire des gamins comme ça ? Comment les récupérer ? C'était vraiment terrible à vivre. Et c'est là où j'ai vraiment vu la souffrance humaine, la cruauté humaine. En ce sens que, par exemple, j'ai vu à un barrage où, pour passer, il fallait donner une pièce de 100 francs. 100 francs CFA, ce n'est rien. Et il y a un pauvre vieil homme, à l'époque, qui n'avait pas d'argent du tout. Et je vois quelqu'un à côté de lui qui dit : « Il n'a pas d'argent, je vais payer, je paie à sa place. » Et le petit milicien, là, avec son fusil, dit : « Non, ce n'est pas ton argent qu'on veut, c'est SON argent à lui. » Vous vous rendez compte… Ils se sont mis à battre le vieil homme. C'était cruel. C'est quelque chose qui a complètement échappé aux politiciens. En plus de ça, ce qui m'a touché personnellement, c'est qu'il y a eu des pillages partout. Ma bibliothèque a été pillée. J'avais des livres signés d'Aimé Césaire, de Jorge Sabato, le Portugais. Et en plus de ça, j'avais de la correspondance parce que j'ai fait des études aux États-Unis à une époque où il y avait les Civil Rights, donc j'ai eu une correspondance avec Malcolm X. Tout ça, ça a été détruit. Mais dans tous ces trucs-là, il y a toujours des moments cocasses. Un jour, en me promenant dans un grand marché de Brazzaville qu'on appelle le marché Total, je vois par terre mes livres pillés. Je dis : « Ce n'est pas possible, il faut que j'aille appeler la police pour récupérer mes bouquins. » Je vais voir la police. Je dis : « Voilà, j'ai vu à Total par terre mes livres. Je veux que vous veniez avec moi en tant que policier pour récupérer mes livres », l'agent de police appelle son chef. Son chef vient, je répète. Il me dit : « Ah, attendez, précisons : vos livres, ils ont été pillés ou volés ? » Je dis : « Pardon ? ». « Ah oui, parce que si ça a été volé, d'accord. Nous faisons une enquête. Mais si ça a été pillé, c'est la guerre, on ne peut rien faire. » [Il rit] Donc, c'est ça la guerre civile… À lire aussiEmmanuel Dongala, une sonate des Lumières

Semana em África
Política e justiça marcam a semana nos PALOP

Semana em África

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 10:48


A semana fica marcada pela instabilidade política em São Tomé e Príncipe, pela eleição de Venâncio Mondlane para a liderança do Anamola, em Moçambique, pela acusação formal do general Higino Carneiro, em Angola, pelas críticas à reduzida representação feminina no novo Governo de Cabo Verde e pelo desmentido da CEDEAO sobre alegadas tentativas de suborno durante uma missão à Guiné-Bissau. Em São Tomé e Príncipe, o Conselho Nacional da ADI marcou para 26 de Julho o congresso do partido. A decisão é contestada pelo actual primeiro-ministro, Américo Ramos, que reafirmou a sua candidatura à presidência da formação política. Ainda no arquipélago, o Tribunal Constitucional confirmou a rejeição da candidatura do empresário e político Domingos Monteiro às eleições presidenciais de 19 de Julho, por considerar que nenhum dos seus pais é são-tomense. Permanecem na corrida cinco candidatos: o antigo primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, o líder parlamentar da ADI, Nito D'Abreu, o actual Presidente da República, Carlos Vila Nova, e os juristas Miques João Bonfim e Eugénio Tiny. Segundo dados provisórios da Comissão Eleitoral Nacional, estão inscritos 142.298 eleitores, mais cerca de 19 mil do que nas eleições de 2022. Em Moçambique, Venâncio Mondlane foi eleito presidente da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo, Anamola. Em entrevista à RFI, afirmou que pretende transformar a nova força política no maior partido da história democrática do país até 2029 e anunciou ainda a criação de uma "Escola Anamola". Entretanto, as autoridades moçambicanas repatriaram, nos últimos dias, mais de duas centenas de cidadãos do Malawi que tinham entrado ilegalmente no país para fugir aos ataques xenófobos na África do Sul. Em Angola, o general Higino Carneiro foi formalmente acusado pela Procuradoria-Geral da República dos crimes de peculato e branqueamento de capitais, alegadamente cometidos quando exerceu funções de governador do Cuando Cubango. A defesa afirma não ter sido notificada e acusa o Ministério Público de violar o segredo de justiça, considerando que o processo procura travar as ambições políticas do também candidato à liderança do MPLA. Ainda em Angola, o Tribunal da Comarca de Luanda iniciou o julgamento do influenciador digital Gerson Quintas, conhecido como "Man Genas", acusado de ofensas ao Presidente da República e de declarações dirigidas a altas patentes da Polícia Nacional. As alegadas ofensas foram proferidas quando se encontrava em Moçambique, de onde foi deportado em Fevereiro de 2024 por situação migratória irregular. Em Cabo Verde, os partidos da oposição e a presidente da Rede das Mulheres Parlamentares criticam a composição do novo Governo liderado pelo primeiro-ministro Francisco Carvalho, apontando a reduzida representação de mulheres e jovens nos principais cargos de decisão. Na Guiné-Bissau, a CEDEAO desmentiu as alegações de uma tentativa de suborno a membros da sua mais recente missão oficial ao país. A organização classificou as acusações como falsas e sem qualquer fundamento, depois de notícias divulgadas nas redes sociais e replicadas por vários órgãos de comunicação social darem conta de uma alegada entrega de cerca de 22 mil euros no quarto de hotel de um dos membros da missão. A delegação esteve na Guiné-Bissau entre 19 e 23 de Junho para acompanhar a implementação do mandato revisto da Missão de Apoio à Estabilização no país.

DW em Português para África | Deutsche Welle
Praça Pública - DW - 25 de Junho de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 20:00


Higino Carneiro "bate no peito" que quer subir ao "ringue" para enfrentar João Lourenço pela liderança do MPLA. Carneiro é único pré-candidato com "tarimba" para fazer frente ao JLO, diz analista. Algumas províncias angolanas enfrentam crise de eletricidade. No Diário do Mundial falamos de: Michel Nkuka Mboladinga, conhecido como “Lumumba Vea”.

Semana em África
A semana em que o Bispo de Quelimane foi assassinado na sua casa por homens armados

Semana em África

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 14:36


No recapitulativo desta semana em África, o destaque vai para Moçambique onde na madrugada do sábado passado, foi morto o bispo de Quelimane por indivíduos armados na sua residência. Este assassínio provocou uma onda de choque em todos os quadrantes no país e também no seio do Vaticano, o Papa Leão XIV tendo apela ao "fim dos actos violentos" em Moçambique. Na quarta-feira, o Presidente moçambicano garantiu que as autoridades do seu país iriam esclarecer o que a igreja moçambicana qualificou de "crime gravíssimo". Entretanto, na quinta-feira, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), anunciou a detenção de três suspeitos no âmbito da investigação sobre este assassínio. Após um primeiro interrogatório judicial, as autoridades decidiram mantê-los em detenção preventiva. Também na actualidade de Moçambique, estes últimos dias, o país continuou a monitorar o regresso progressivo dos moçambicanos vítimas de violências xenófobas na África do Sul. No começo da semana, chegou mais um grupo cujos relatos são de momentos de terror. Noutro quadrante, ao longo destes últimos dias, a RFI e um conjunto de outros órgãos de comunicação social, em coordenação com o consórcio "Forbidden Stories", publicou uma série de reportagens sobre a situação de Cabo Delgado. Um dos aspectos que indagaram foi o elo entre a exploração das riquezas da região, a corrupção, os abusos dos direitos humanos e a insurgência armada que afecta o extremo norte de Moçambique desde 2017. Micael Pereira, jornalista do Expresso em Portugal que participou nesta investigação, considerou que o extremismo presente naquela zona é também o reflexo das desigualdades aí persistentes. Outro dos jornalistas envolvidos nesse inquérito, Tomás Queface, do Zitamar News, explicou que a concentração das forças moçambicanas e ruandesas junto dos projectos de gás deixa outras zonas vulneráveis, permitindo aos insurgentes financiar-se através da exploração das minas de ouro. Noutra actualidade, em Angola, no final da semana passada, a subcomissão de candidaturas ao IX Congresso Ordinário do MPLA, no poder em Angola, anunciou a validação da candidatura de João Lourenço à presidência do partido, após a aprovação de um pouco mais de 98% das cerca de 11 mil subscrições que sustentam o seu dossier. O anúncio da validação desta candidatura mereceu resposta por parte dos restantes candidatos à presidência do MPLA que não descartam uma acção judicial. Também na actualidade angolana, Manuel Augusto, antigo ministro das relações exteriores de 2017 a 2020, faleceu no final da semana passada aos 68 anos numa unidade hospitalar de Luanda. Formado em Direito Internacional Público e especializado em direito diplomático, Manuel Augusto exerceu o essencial da sua carreira nessa área. Após a sua morte, foram numerosas as homenagens à acção que conduziu pelo seu país. Em São Tomé e Príncipe, entra-se progressivamente em período de pré-campanha. Depois de seis responsáveis políticos, nomeadamente o Presidente cessante, terem apresentado a sua candidatura para as presidenciais previstas a 19 de Julho, as autoridades fizeram um primeiro balanço do número de eleitores recenseados e habilitados a votar no próximo escrutínio. Na Guiné-Bissau, depois de o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel dizer esta semana que a CPLP está a empenhar-se para o regresso da normalidade constitucional na Guiné-Bissau, Fernando Vaz, porta-voz do Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau, fez na quarta-feira uma advertência diplomática ao Estado português, vincando que o seu país "não se vergará a exames de bom comportamento". Para finalizar não podíamos deixar de mencionar o arranque na passada quinta-feira do Mundial 2026 de futebol no Canada, Estados Unidos e México. Uma competição na qual a equipa cabo verdiana vai-se estrear-se neste 15 de Junho em Atlanta contra a equipa espanhola. Em entrevista à RFI, o seleccionador dos Tubarões Azuis, Bubista, falou do orgulho de representar o país nesta competição em que participa pela primeira vez.

DW em Português para África | Deutsche Welle
Radar DW - 5 de Junho de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 20:00


Angola caminha, a passos largos, para as eleições gerais de 2027. Até aqui, foram cinco eleições, um único vencedor. O MPLA governa Angola há 50 anos e em 2027 quer continuidade. A oposição promete mudança, mas divide-se nos bastidores. A UNITA propôs ao Presidente João Lourenço um Governo de Unidade Nacional. Lourenço recusou a proposta, segundo a imprensa local.

Convidado
"Legado de Mário Pinto de Andrade faz a intersecção entre a cultura e política"

Convidado

Play Episode Listen Later May 25, 2026 12:49


Por ocasião da celebração hoje do Dia da Libertação de África, esta segunda-feira e nos dias 28, 29 e 30 de Maio, decorre em Lisboa, um colóquio sobre o legado cultural e político de Mário Pinto de Andrade, líder independentista angolano, intelectual de vulto, contemporâneo de Aimé Césaire e Leopold Sédar Senghor, que escreveu obras designadamente sobre literatura e história e foi ministro da cultura da Guiné-Bissau, país onde se exilou em 1975. O evento que abrange conferências, projecções de filmes ou ainda exposições em Picoas, na Cidade Universitária e no Espaço Cultural Mbongi 67 nas imediações da Lisboa, é organizado nomeadamente pela associação dos amigos de Sarah Maldoror e Mário Pinto de Andrade, o Centro de Estudos Internacionais, a Casa da Cultura da Guiné-Bissau, ou ainda o Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral. Entre os estudiosos que participam no evento, estão presentes os sociólogos Cristina Roldão e Miguel de Barros, a universitária Inocência Mata ou ainda o historiador Julião Soares Sousa. Em entrevista à RFI, Sumaila Djaló, activista e estudioso guineense membro da organização desta série de encontros, evocou a figura de Mário Pinto de Andrade e o seu enorme legado intelectual. RFI: Nesta data em que se celebra o Dia da Libertação de África, o que os levou a escolher organizar um colóquio específico em torno de Mário Pinto de Andrade? Sumaila Djaló: Mário Pinto de Andrade é uma figura interessante, incontornável das lutas de libertação dos países africanos colonizados por Portugal. Nasceu em Angola, mas teve uma passagem por Portugal entre as décadas de 40 e 50 do século passado, onde conheceu com toda aquela malta da Casa dos Estudantes do Império, que veio das várias colónias portuguesas para estudar em Portugal e onde também esses encontros forjaram a consciência para o anticolonialismo. Liderou não só o MPLA como o seu primeiro presidente e um dos seus fundadores, mas as organizações unitárias das ex-colónias portuguesas em África. A partir destes espaços, também abriu possibilidades de alianças internacionais na Europa, na Ásia e em outros cantos do mundo desses movimentos de libertação. Por isso, a sua figura é muito importante não só para a independência de Angola, mas também para as independências de todos os outros países. Aliás, depois da independência, logo em 1975, exilado na Guiné-Bissau, desempenharia funções governamentais muito importantes nesse país também, para além de mais tarde, outras funções em organizações internacionais como a UNESCO. Portanto, a sua figura, na sua vertente militante, revolucionária, política, intelectual e cultural, é toda esta diversidade em torno do intelectual que é e é muito importante para as gerações actuais e para a historiografia, mas também a memória das lutas de libertação das ex-colónias de Portugal em África. RFI: Não dá, com certeza, para evocar, todos os acontecimentos que estão a ser organizados em torno da figura de Mário Pinto de Andrade. Mas se pudesse citar alguns, quais vão ser os pontos altos dessa série de eventos? Sumaila Djaló: Logo no dia 25 de Maio, em que é celebrado também o Dia da Libertação Africana, temos a abertura de uma exposição no Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral - CITAC, em Lisboa, Picoas, onde às 17 da tarde abre-se um painel em debate sobre a memória e os arquivos que também conduzem a esse legado cultural e político de Mário Pinto de Andrade. Uma exposição em que estará disponível para investigadores, para pessoas interessadas, estudantes e também jornalistas e todas as pessoas interessadas. Uma exposição que conduz ao arquivo do CITAC sobre Mário Pinto de Andrade. Livros, artigos sobre Mário Pinto de Andrade. Comunicações que também ajudam a compreender todo este seu percurso multifacetado. Depois, no dia 28 e dia 29, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, teremos durante esses dois dias conferências mesas redondas em torno desse mesmo legado cultural e político de Mário Pinto de Andrade, juntando investigadores, historiadores, ensaístas e pessoas que estudam o percurso político e cultural de Mário Pinto Andrade, mas também activistas e outras pessoas que se contactam com o seu legado de outra forma. No último dia, no dia 30, teremos na parte da manhã um passeio histórico intitulado de 'Itinerários de Mário Pinto de Andrade', que passa por diferentes espaços frequentados por Mário Pinto de Andrade durante a sua estadia em Lisboa nos anos 40 e 50. E, finalmente, à tarde, temos uma sessão cultural no Espaço Cultural Mbongi 67, no Monte Abraão, em Lisboa, também onde o contacto será com textos da literatura oral e tradicional angolana, mas também da literatura moderna angolana ao ritmo de Kora, uma mesa redonda de diálogo a partir do seu livro 'As origens do Nacionalismo Africano' e a partir desse livro debater o panafricanismo, desde as suas origens até hoje. São estas actividades que fazem o conjunto do colóquio a acontecer em quatro dias, que também visa a resgatar esta memória importante para os povos africanos de língua oficial portuguesa, mas para os povos que combateram o colonialismo português em África. RFI: Relativamente a, lá está, resgatar esta memória, Mário Pinto de Andrade marcou a época em que viveu. E como é que ele marca a nossa época hoje em dia? Sumaila Djaló: Mário de Andrade tem um legado interessante e diverso. Esse legado faz a intersecção entre a cultura e política. Ele não concebia a cultura fora de uma intervenção política que visa a transformação da vida das pessoas na sociedade e de toda a humanidade. Isto é um legado muito importante para os nossos dias, em que se tende a separar a acção cultural com a vida social e política que até certo ponto mais interessa a transformação da vida das pessoas e ao progresso da própria humanidade. Para ele não havia essa dicotomia entre política e cultura. Na medida em que se acrescentam, se complementam estas duas áreas e o seu legado intelectual, passando pela intersecção destas duas áreas, leva nos à literatura, à militância política, ao pensamento intelectual que não dissocia o acto de pensar a sociedade, o acto de reflectir sobre a vida das pessoas nas sociedades, da intervenção para a transformação dessas mesmas sociedades e para o bem da humanidade. Eu julgo que é o principal ensinamento que podemos retirar do legado de Mário de Andrade, mas também o esforço para a construção da união num sentido panafricano em termos de unidade entre os povos africanos, para a concretização do grande objectivo da construção do progresso de todos os povos africanos e a partir de África, para o benefício da humanidade. Isto é uma questão também muito presente no seu pensamento, pensar a partir de África. RFI: Isto é um evento de vulto em torno de África, em torno de uma figura africana de primeiro plano que está a acontecer em Lisboa. Como é que estamos em Portugal relativamente a este passado? Sumaila Djaló: Portugal tem vários desafios a enfrentar em relação às suas responsabilidades. Também com um passado colonial muito marcado por violências de vária ordem e por subalternizações que persistem até aos dias de hoje. O passado colonial ajuda a configurar questões muito presentes, como o racismo e o neocolonialismo que também se expressa de alguma maneira nas relações entre o Estado português e as suas ex-colónias. Por isso, a figura de Mário Pinto de Andrade, tendo passado por Portugal, onde estudou e onde iniciou a primeira fase da sua militância política, mas também passado por outros países da Europa, como a França, onde teve grande impacto nos círculos panafricanos que também viriam a influenciar os movimentos de libertação na sua construção ideológica, os movimentos de libertação africanos, mas também as dinâmicas do envolvimento directo no processo das lutas de libertação a partir de Conacri, a partir de Angola, a partir da Guiné-Bissau e do envolvimento com todas estas redes transnacionais de lutas anticoloniais, ajudam-nos hoje, a partir de Portugal, também a reflectir sobre o papel que o Estado português e a sociedade portuguesa têm para a sua mobilização no sentido de superar os resquícios do colonialismo manifestados hoje regularmente, através do racismo que é muito marcado na sociedade portuguesa e que tem esse desafio de superar o racismo, mas também nas relações do Estado português com as ex-colónias africanas, onde a relação de subalternização destas ex-colónias permanece nos nossos dias e onde o espaço chamado Lusofonia tem servido como um antro da manutenção desta relação de subalternização entre Portugal e as ex-colónias. Portanto, evocar Mário Pinto de Andrade nos dias de hoje também tem esse papel, essa função de chamar a sociedade portuguesa na sua pluralidade, ao diálogo que contraria os legados do colonialismo presentes na sua sociedade. RFI: Este colóquio conta com a participação de diversos intelectuais de primeiro plano a nível de África. Há um fervilhar em termos de estudos em torno da questão pós colonial. E há também uma passagem de testemunho. Há cada vez mais estudiosos jovens que vão tentar estudar de outra forma a história de África. Sumaila Djaló: Penso que o movimento intelectual que ajudou a configurar o espaço ideológico anticolonial em África e de que fez parte numa das suas fases mais salientes, Mário Pinto de Andrade tem um legado que persiste até aos nossos dias e por isso é que tudo o que jovens estudantes, investigadores e estudiosos africanos, mas também estudiosos e investigadores da Europa e de outros cantos do mundo vão fazer a partir dos legados destas figuras proeminentes das lutas de libertação, tem também a ver com uma forma de continuidade, uma linha de pensamento que pauta pelas sociedades mais plurais e democráticas, onde a liberdade do homem e da mulher nessas sociedades estará sempre no centro, mas também um pensamento que contraria todas as formas de subalternização de povos e de menorização de culturas. E por isso, a partir deste colóquio, mobiliza-se também pessoas de várias geografias, obviamente a partir de África. Como podemos ver no programa, assinalo aqui duas conferências, a da abertura e do encerramento, a serem dirigidas por dois intelectuais africanos que passam muito pelos estudos das várias formas de pensamento africano anticolonial a partir da literatura, a partir da cultura, como a professora Inocência Mata e a partir da história e da historiografia, com o professor Jean-Michel Mabeko Tali e de outros intelectuais que vão fazer os painéis, quer da nova geração, quer de uma geração mais antiga, de intelectuais africanos e de outros cantos do mundo.

Convidado
Encontro entre João Lourenço e Adalberto Costa Júnior "abre espaço para um diálogo permanente"

Convidado

Play Episode Listen Later May 20, 2026 9:46


O encontro entre João Lourenço e Adalberto Costa Júnior sobre o Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional proposto pela UNITA saldou-se com uma apreciação negativa do Presidente a esta proposta. No entanto, Agostinho Sikato, director do Centro de Debate e Estudos Académicos, considera que se trata de um "não" que abre a possibilidade a um diálogo interpartidário em Angola. Em Angola, o Presidente João Lourenço recebeu na terça-feira o líder da oposição, Adalberto Costa Júnior, de forma a analisarem em conjunto o Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional proposto pela UNITA. Poucas horas após o fim do encontro, a Presidência anunciou em comunicado que este pacto não faz sentido, já que não existem razões “objectivas, políticas ou institucionais” em Angola que justifiquem um acordo político desta amplitude. Em entrevista à RFI, o director do Centro de Debate e Estudos Académicos, Agostinho Sikato, analisou este encontro e considera que este "não" de João Lourenço abre as portas a um diálogo entre a UNITA e o MPLA em Angola. "Creio que é um não que abre a possibilidade para o debate, porque se fosse um não definitivo, creio que o Presidente João Lourenço nem sequer recebia em audiência o líder da oposição para ouvir e discutir. Acredito que o Presidente João Lourenço precisava informar o líder da oposição da sua posição, qual era a sua opinião em relação àquele pacto. Mas mesmo no próprio comunicado, nota-se que ele também reconhece a legitimidade da UNITA, tanto em poder continuar, no caso, utilizando outros mecanismos, no caso a Assembleia Nacional. Acredito que fora do próprio Pacto, abre-se também aqui um espaço para um diálogo permanente. O que faltava em Angola era essencialmente isto, porque existem muitos pontos fracturantes, desde a própria Constituição a outros temas importantes da vida do país que criava uma espécie de tensão. A discussão aberta acredito que pode frear um pouco. Acredito que foi neste sentimento de aproximação das partes que o presidente João Lourenço recebeu o líder da UNITA", explicou o analista político. Adalberto Costa Júnior já afirmou entretanto que levará este acordo à Assembleia Nacional, defendendo um amplo acordo em Angola sobre uma nova Constituição, mas também uma amnistia para quem cometeu crimes de corrupção mediante o pagamento de um parte do que teria sido roubado ao Estado. Uma medida que divide também a sociedade angolana. "A sociedade angolana está bastante dividida em relação a esta lei da amnistia económica. Há aqueles os adeptos de que todos aqueles que cometeram deveriam pagar, deviam restituir ao Estado aquilo que se apropriaram e deveriam pagar pelos seus actos. Há uma ou outra corrente à qual se associa, o maior partido político na oposição que defende que deve haver uma amnistia, claro. Houve uma discussão muito ampla sobre sobre este tema desde que João Lourenço chegou ao poder. Grande parte da franja da sociedade entende que a segunda opção seria melhor. Seria melhor no sentido de que também a amnistia permitiria uma espécie de reconciliação entre as partes. É uma espécie de um alerta de que atenção! Houve sim, amnistia para estes, estamos a começar a organizar o processo e de agora em diante, quem mais cometer, então vai pagar pelos seus actos. Portanto, é essencial porque a estrutura económica de Angola assenta essencialmente aqueles a quem se acusa de terem desviado o erário. E a perseguição a estes indivíduos para que restituam esses dinheiros do erário está a ser bastante inglória, porque não se consegue restituir fundamentalmente o dinheiro que já não está em Angola", concluiu Agostinho Sikato.

Artes
Produtora portuguesa Rosa Filmes garante estreia de filme francês em Cannes

Artes

Play Episode Listen Later May 17, 2026 11:15


"Les Roches Rouges" do francês Bruno Dumont é produzido pela portuguesa Rosa Filmes, a obra rodada essencialmente no sudeste francês, perto de Cannes, aborda temas de uma infância neste cenário de escarpas vermelhas, junto ao Mar Mediterrâneo. A película estreia na Quinzena dos cineastas. O produtor Joaquim Sapinho comentou à RFIa obra e este certame, em curso até 23 de Maio. Temos o privilégio de acolher de novo o Joaquim Sapinho da Rosa Filmes. Boa tarde! Bem vindo a mais uma edição do Festival de Cinema de Cannes. Estamos juntos para falar, nomeadamente do filme "Les Roches Rouges" de Bruno Dumont, com quem já tinham colaborado no passado. E é a Rosa Films, então produtora principal por detrás desta obra. Exacto. Nós tínhamo-nos conhecido no "L'Empire" e éramos co-produtores e quando chegou a oportunidade de fazer este filme, lá estávamos nós a querer colaborar e a ajudar. Mas as dificuldades de produção do filme obrigaram nos a nós a passar a produtores principais, porque todas as dificuldades de dinheiro e também de coordenação.... O realizador queria filmar este verão que passou. E, pela primeira vez na história das relações cinematográficas dos dois países, fez-se um filme em França com uma equipa inteiramente portuguesa. É muito ao contrário, habitualmente !   É sempre ao contrário. Portanto, foi uma coisa absolutamente mágica. Quando nós tomamos conta da produção, ficou uma arquitectura com filmagem em França. Filmagem em Portugal é filmagem em Itália. Mas toda a produção é portuguesa e os outros "partners" italianos, franceses e espanhóis ficaram apenas a ajudar. Portanto, foi uma experiência única. Nós já tínhamos vivido esta experiência com o filme do Magalhães, que tinha rodagens em Portugal.   No ano passado !   Com filmagens em Espanha e tinha filmagens nas Filipinas e também do lado espanhol. Tinha corrido tudo mal. Mandámos a equipa portuguesa depois nas Filipinas também correu mal. Mandámos também a equipa portuguesa. Portanto, aqui foi o mesmo. Foi só continuar esta estratégia, Se os outros não conseguem fazer, nós conseguimos. E então o filme é de facto rodado essencialmente no sul de França, na região onde nós nos encontramos um bocadinho, também em Itália, mas também em Portugal !? O filme também teve uma parte rodado em Portugal e é sempre este prazer de fazermos filmes cosmopolitas em que quer à produção quer às histórias, retratam esta Europa que nós amamos e não apenas a ideia de nacionalismos em que toda a gente está separada.   Bruno Dumont que já teve também projectos cá em Cannes no passado, já teve prémios cá, por exemplo, com "La vie de Jésus", "L'Humanité". Agora é um filme muito sobre a infância ou sobre uma parte do litoral do sul de França, onde a fotografia tem um papel absolutamente descomunal ! Eu acho que é só olhar à volta no sítio onde estamos a fazer esta conversa aqui em Cannes e ver este mar esmeralda. O que é que há de tão especial em Saint Raphaël ? É que para lá do mar esmeralda há umas rochas vermelhas. O filme em português chama se "Escarpas Vermelhas". Encontramos um título muito bonito em francês "Les Roches Rouges". Porque, digamos, é este espaço mágico, esta jóia que é a cor azul. Mas do lado da infância. Ou seja, é um filme sobre crescer, sobre como é que se cresce. Sobre as violências de crescer e sobre os amores também. É um filme... Sobre o bem e o mal? O bem e o mal., mas é um rapaz e uma rapariga que estão apaixonados. Fazem uma escapadela para Itália no comboio, mas têm só cinco anos. Portanto, o que é fascinante aqui é que nós somos humanos, logo a partir do momento em que nascemos e começamos a crescer apaixonados e a viver riscos. Portanto, é um filme, como direi? A dizer que a vida é apaixonante e que vale a pena correr riscos. E não lhe parece que eles eram, de facto, todos bastante precoces ? Teriam cerca de cinco anos. Efectivamente viajam juntos. Ele, de forma muito fácil, acaba por passar por cima do portão para ir ter com a namorada. Ele está muito determinado, não é o rapaz? O Géo está determinado ! Ele está determinado. E o que é bonito é que porque é que o filme também é "Les Roches Rouges" ? Não é apenas uma questão plástica. É porque essas rochas são umas rochas em que em França se faz uns saltos muito arriscados. E ele está sempre a demonstrar o seu valor saltando dessas rochas vermelhas. Saltos para mergulho ! Para mergulhar e, portanto, é um filme que defende a ideia de viver como uma ideia apaixonada. É uma ideia em que não podemos, digamos, estar esmagados pelo medo para viver, mas de que é possível viver com intensidade. E aqui o americano Carlos Alfonso Coral deve ter tido um papel preponderante em relação à questão da imagem, de captar este litoral e estas escarpas vermelhas? Ele é um director muito sensível, muito poético, tem trabalhado essencialmente com o Roberto Minervino, que tem tido também os filmes aqui em Cannes. Mas e vive neste momento em Los Angeles. Ele é do México e, claro, ficou. Nunca tinha estado aqui na Côte d'Azur. E estas cores e esta dramaticidade do filme, evidentemente, permitiram-lhe a ele também responder, dando estas cores e essa dramaticidade ao cinema. Que sabor tem, então, esta estréia aqui na Quinzena dos Cineastas com este filme ? A Rosa Filmes, desde 2016 tem sempre um filme seleccionado em Cannes. Nem sei se haverá outra produtora no mundo ? Desde 2016, portanto vamos para 11 anos, não é? Todos os anos sempre um filme, e já tivemos vários filmes em que éramos nós os produtores principais, mas estes dois últimos também, quer com o Magalhães, com o Gael Garcia Bernal, realizado pelo Lav Diaz, quer agora com este filme do Bruno Dumont isto se repete. Portanto, não há outra palavra. É um prazer ! Eu acho que Cannes é um festival em que a paixão pelo cinema se sobrepõe a tudo, a todas as outras questões. E toda a gente se sente atraída por isto e, portanto, é o sítio certo para mostrar os filmes que nós fazemos. E a nossa imagem de marca também está ligada a Cannes. Então e esta septuagésima nona edição do Festival interessa-o ? Se sim, que mais lhe interessa aqui neste certame? Eu acho que há um realizador francês extraordinário. Eu acho que é o grande jovem realizador francês que é o Arthur Harari e é a sua terceira longa metragem. Também ganhou o Oscar de melhor Argumento no ano passado. Está em competição nas longas metragens, na selecção principal ! Sim, na selecção principal, nas longas metragens. E é esse filme de que foi argumentista ganhou também a Palma de Ouro há dois anos. Eu acho que o grande realizador francês agora da Nova geração é este filme. Será o filme mais entusiasmante para ver. Muitos filmes franceses, precisamente na competição, Se calhar mais do que é habitual, portanto, também se calhar provar a boa forma do cinema hexagonal, neste momento, o que é que acha ? Muitos filmes franceses e também muitos actores e actrizes franceses nos filmes estrangeiros. Exactamente. Até em filmes estrangeiros, japoneses, austríacos ! Portanto, é uma grande... Eu acho que a França é o centro do cinema europeu e pouco a pouco está a tornar-se também o centro do cinema, porque a gente vê que os Óscares estão a copiar o modelo. Este modelo europeu de Cannes e portanto temos todos que nos adaptar uns aos outros. Mas dá me a impressão que este nosso modelo do cinema europeu que tem como centro a França e Cannes, é o que está mais vivo neste momento. E finalmente, o cinema português. No meio desta dinâmica toda, como é que o vê nesta altura? Eu bem sei que é sempre complicado. É sempre a mesma dificuldade de acesso a financiamentos. No entanto, surgem sempre propostas que vão singrando internacionalmente, não é?   Dou-lhe o meu exemplo vou filmar este ano em África. Fazer um filme sobre Angola. Eu acho que vai ser o primeiro filme em que um português vai fazer o ponto de vista do outro ponto de vista dos movimentos de independência e não um filme nostálgico sobre "Ah, que pena, Portugal perdeu África". Há uns filmes que são mais engraçados a falar desse assunto, outros mais dramáticos, outros mais melancólicos. Eu não estou interessado nisso. Estou interessado é o "como é que foi este conflito e qual é o ponto de vista do outro" ? E, portanto, vou fazer um filme pela primeira vez sobre como é que os movimentos de independência se confrontavam connosco. Mas o meu ponto de vista ainda é mais complexo. Esse confronto connosco era de portugueses com portugueses. Toda a gente tinha o mesmo bilhete de identidade. Portanto, tentar ter um ponto de vista que ajude a que Portugal possa viver com o seu passado, de outra maneira.   E vão rodar também na África Equatorial, nomeadamente. A dinâmica do cinema português está em cada filme que é feito. E de quem é o argumento ? É meu. É uma história extraordinária que eu descobri, já ando a preparar o filme há cerca de dez anos, porque descubro um dia um folheto em francês sobre cinco mulheres que tinham sido presas. Não pelos portugueses lá em Angola, mas sim pela UPA, que era um movimento rival que depois se transformou no FNLA. E essas mulheres são presas e depois são mortas. Portanto, é uma tragédia enorme. E, portanto, é a primeira vez que acontece. Cinco mulheres entram na guerrilha e entram. Vêm do Congo, no quadro do MPLA, entram em Angola e depois vão ser atacadas pela UPA e vão ser mortas. E portanto é contar esta tragédia do que é que estava a acontecer de complexo dentro dos movimentos de libertação. Quando eu descobri estas mulheres, a lider chama-se Deolinda Rodrigues. Ela é actualmente o símbolo da mulher angolana. Há um dia feriado que é o dia em que ela foi morta, esta Deolinda Rodrigues. E eu, desde que conheci esta personagem, esta pessoa, este fantasma, tomou posse de mim e passei a viver obcecado com esta história. E, portanto, filmá-la. E também libertar me deste fantasma.

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Radar DW - 15 de Maio de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later May 15, 2026 20:00


Guerra silenciosa no MPLA: João Lourenço enfrenta Higino Carneiro e outros pré-candidatos numa rara disputa pela liderança. O congresso do MPLA é em dezembro de 2026, mas a batalha já começou. Quem vence?

Semana em África
Contagem decrescente para legislativas em Cabo Verde

Semana em África

Play Episode Listen Later May 15, 2026 10:51


Esta semana, continuou a campanha para as eleições legislativas deste domingo em Cabo Verde, enquanto na Guiné-Bissau houve acordo entre a direcção do histórico PAIGC e o grupo de oposição interna. Em Moçambique, continuou a crise dos combustíveis e revelou-se que 2,4 milhões de crianças estão ou foram submetidas ao trabalho infantil no país, incluindo na mineração e garimpo. Em Nairobi, houve cimeira franco-africana e em Angola celebrou-se mais um título do Petro de Luanda. Este domingo, os cabo-verdianos são chamados às urnas para as eleições legislativas. Melhorias nos sectores dos transportes, da saúde e da educação são algumas das principais preocupações da população. Oiça aqui a reportagem da nossa enviada especial a Cabo Verde, Neidy Ribeiro na cidade da Ponta do Sol, na ilha de Santo Antão. Na Guiné-Bissau, a direção do histórico PAIGC e o grupo de oposição interna chegaram a “um entendimento” sobre a realização do próximo congresso. O acordo prevê a inclusão na comissão preparatória do congresso de dois elementos do grupo que contestavam a direcção: José Carlos Esteves, actual ministro das Obras Públicas, e Mário Musante, ministro da Energia. Em Moçambique, continua a crise dos combustíveis. No início da semana, os transportadores voltaram a paralisar a actividade em várias rotas e a exigir a revisão da tarifa do transporte ou do combustível, apesar do acordo alcançado entre o governo e a Federação Moçambicana da Associação dos Transportadores rodoviários para subsidiar o transporte. O Conselho da União Europeia prorrogou o mandato da Missão de Assistência Militar da UE em Moçambique por mais seis meses, até 31 de Dezembro de 2026. O anúncio foi feito, esta quinta-feira, em Maputo. Em Moçambique, cerca de 2,4 milhões de crianças em Moçambique estão ou já foram submetidas ao trabalho infantil, muitas delas em actividades consideradas perigosas, como a mineração artesanal e o garimpo. A situação preocupa o ministério do Trabalho, Género e Acção Social, que alerta para o agravamento do fenómeno nos últimos anos, sobretudo nas províncias de Nampula, Tete e Inhambane. A cimeira franco-africana de Nairobi, "Africa Forward", terminou esta terça-feira. Em entrevista à RFI, o Presidente francês falou nomeadamente sobre a situação na RDC e mostrou reservas sobre eventuais sanções europeias contra o Ruanda devido ao papel de Kigali na guerra no leste daquele país. Em Angola, o candidato à liderança do MPLA, Higino Carneiro, foi chamado, na quarta-feira, à Procuradoria-Geral da República para ser notificado sobre a reabertura de um processo, que já tinha sido arquivado, envolvendo uma alegada burla com viaturas. Higino Carneiro considera que há motivações políticas por detrás da convocação que surge dias depois de o Presidente angolano João Lourenço, ter formalizado a recandidatura à liderança do partido. No desporto, o Petro de Luanda sagrou-se Campeão de Angola pela quinta vez consecutiva, quando faltam ainda três jornadas para o fim da temporada. Ao microfone da RFI, Joaquim Valinho, treinador-adjunto do Petro de Luanda, disse que é uma “felicidade tremenda” ter novamente conquistado o Girabola.

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Praça Pública - 13 de Maio de 2026

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Play Episode Listen Later May 13, 2026 20:00


A corrida à liderança do MPLA está ao rubro. João Lourenço e Higino Carneiro figuram como fortes candidatos. Cabo Verde vai a votos, no domingo. Trump de visita à China.

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Praça Pública - 12 de Maio de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later May 12, 2026 19:57


Dezenas de manifestantes protestaram hoje em Maputo contra mais um assassinato de um dirigente do partido ANAMOLA, no fim de semana. O apelo para o protesto foi lançado pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que convocou três dias de luto. É sobre este tema que falamos hoje no programa Praça Pública. Junta-te a nós!

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Praça Pública - 11 de Maio de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later May 11, 2026 19:59


João Lourenço voltou a candidatar-se à liderança do MPLA. E como será nas eleições de 2027? É sobre este tema que falamos hoje no programa Praça Pública. Junta-te a nós!

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Praça Pública - 28 de Abril de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Apr 28, 2026 20:00


Em Angola há mais um candidato na corrida à liderança do MPLA: o jurista, escritor e académico José Carlos de Almeida. Gerir o salário exige uma “ginástica” cada vez maior ao angolano médio. Em Moçambique existe uma prática associada a poupança ou crédito rotativo conhecida como "xitiki".

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24 de Março de 2026 - Jornal da Manhã

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Mar 24, 2026 20:00


Começa o julgamento de cidadãos russos e angolanos acusados de terrorismo e de um alegado plano para desestabilizar o poder do MPLA. Organizações da sociedade civil em Angola exigem à CNE esclarecimentos sobre a atribuição à Indra da gestão tecnológica das eleições de 2027. Donald Trump anunciou que os Estados Unidos e o Irão têm tido “conversações muito boas e produtivas”. Teerão nega.

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23 de Março de 2026 - Jornal da Manhã

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Mar 23, 2026 20:00


Angola tenta recuperar no exterior mais de 1,9 mil milhões de dólares desviados, mas enfrenta entraves legais e resistência de outros países. Níger indignado com resolução Parlamento Europeu que exige a libertação do ex-presidente. Ouvimos mais um episódio do Learning by Ear – Aprender de Ouvido.

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17 de Março de 2026 - Jornal da Manhã

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Mar 17, 2026 20:00


Em Angola, Ana Dias Lourenço, primeira-dama, pode chegar à Presidência? Secretário-geral do braço juvenil da UNITA comentou à DW entrada de Ana Dias Lourenço no boreau político do MPLA. São Tomé e Principe vai este ano a eleições. A primeira votação será para as Presidenciais a 19 de julho. Os países africanos como Angola podem resolver a atual crise global do petróleo?

Krigshistoriepodden
265. Angolanska inbördeskriget del 3 – det långa krigsslutet

Krigshistoriepodden

Play Episode Listen Later Mar 15, 2026 66:59


I vårt mest utdragna avsnitt hittills knyter vi ihop säcken på angolanska inbördeskriget med den extremt utdragna (och blodiga) vägen mot någon form av fred. Detta är del tre av tre, så lyssna för all del på de två föregående delarna om du inte gjort det.Mattis inleder med att beskriva kriget fram till slutet av 1980-talet, vilket erbjuder otaliga försök till fredsfördrag som går på pumpen, det största slaget i Afrika sedan vk2 och en kubansk offensiv i riktning mot Namibia. Per tar sedan vid och går igenom kriget under 1990-talet fram till 2002. Eftersom alla utanför Angola nu slutat bry sig så blir kriget här mindre komplicerat, men för den sakens skull inte mindre rörigt.Dessutom: Jonas Savimbis spending spree, en hel del riktigt risig skit, kubanska specialförbanden slår till igen, Spökplumpen och Sommarskuggan startar en tankesmedja för superskurkar, SADF får storhetsvansinne, kubanerna är besvikna på MPLA, USA borde skärpa sig, och mycket mer!Support till showen http://supporter.acast.com/krigshistoriepodden. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

The Burnout Recovery Podcast
Moral Distress vs. Moral Injury vs. Burnout - Know the Difference

The Burnout Recovery Podcast

Play Episode Listen Later Feb 3, 2026 13:44


Are you experiencing burnout, or is something deeper happening when you feel that gut-wrenching sensation of knowing what's right but being unable to do it? In this episode, Dr. Jo Braid draws from her experience chairing an expert panel at the MPLA conference in 2025 to clarify the crucial distinctions between moral distress, moral injury, and burnout. Understanding these differences isn't just academic—it's essential for addressing what you're actually experiencing and finding the right interventions. You'll learn to recognize the physical and emotional signs of each condition, discover why moral distress often gets misdiagnosed as individual weakness when it's actually a system problem, and gain practical tools for responding appropriately to each situation. Join Dr. Braid as she gives you the vocabulary to name your experience and the framework to address it effectively, because when you can accurately identify what you're facing, you can take the right steps toward recovery. Join the free Healthcare Leadership Hub: https://bit.ly/3LAIDqq Connect with Dr Jo on Instagram: https://www.instagram.com/burnoutrecoverydr Connect with Dr Jo on LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/drjobraid Website: https://drjobraid.com Thank you to our sponsors:MIGA: https://miga.com.au & Heidi Health: https://heidihealth.com See omnystudio.com/listener for privacy information.

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2 de Fevereiro de 2026 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Feb 2, 2026 20:00


Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, alerta para riscos se a União Europeia não observar as próximas eleições em Angola. Irão diz que qualquer ataque dos EUA desencadeará uma guerra regional. E, neste jornal, acompanhe ainda mais um episódio da radionovela Learning bye Ear, Aprender de Ouvido.

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2 de Fevereiro de 2026 - Jornal da Noite

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Play Episode Listen Later Feb 2, 2026 19:59


Nomeação de Patrice Trovoada como enviado da União Africana à Guiné-Bissau está a ser criticada. Guineenses em Moçambique recusam novas eleições. Adalberto Costa Júnior insiste em missão eleitoral da União Europeia nas eleições angolanas. Passagem de Rafah reaberta.

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27 de Janeiro de 2026 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Jan 27, 2026 20:00


Com apenas uma candidatura, corrida à liderança do braço feminino do MPLA, Organização da Mulher Angolana (OMA), gera críticas. Em Angola, proposta de lei das ONG gera divergências no parlamento entre a oposição e o partido no poder. No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto conhecemos a historia de um sobrevivente.

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22 de Janeiro de 2026 - Jornal da Noite

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Play Episode Listen Later Jan 22, 2026 20:00


Guiné-Bissau: Jurista acusa o Alto Comando Militar de "forçar uma realidade" ao povo. Colapso da democracia na Guiné-Bissau só pode ser revertido com intervenção da comunidade internacional, defende ex-ministra guineense. Será que terminou "o sonho americano" para os angolanos e cabo-verdianos com as elevadas cauções impostas por Washington para o acesso ao visto?

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9 de Janeiro de 2026 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Jan 9, 2026 20:00


Governo moçambicano anuncia falta de verbas para o 13.º salário. Funcionários públicos reagem com indignação. Cidadão turco detido em Moçambique após pedido de extradição da Turquia vai aguardar julgamento em liberdade, mas caso continua nos tribunais. No norte da Tanzânia, novas reservas de caça para turismo estão a deslocar comunidades Maasai.

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8 de Janeiro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Jan 8, 2026 20:00


Angola parece estar novamente envolvida na mediação da República Democrática do Congo, mas analistas duvidam que consiga resultados concretos. Medida inédita em Quelimane: o edil Manuel de Araújo exonerou, de uma só vez, 37 funcionários do Conselho Autárquico. Um navio de guerra russo esteve em São Tomé e Príncipe sem o conhecimento do Parlamento.

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7 de Janeiro de 2026 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Jan 7, 2026 20:00


Assembleia Nacional de Angola começa hoje a discutir a polémica Lei do Estatuto das Organizações Não-Governamentais. Proposta está a gerar fortes críticas. Ativistas angolanos voltam a convocar marcha contra violência sexual. Faustin Touadéra foi eleito Presidente da RCA.

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6 de Janeiro de 2026 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Jan 6, 2026 20:00


O silêncio da CEDEAO após a cimeira de Abuja está a levantar mais dúvidas do que certezas na Guiné-Bissau. Entre acusações da oposição e críticas de especialistas, cresce a ideia de que a organização regional está a perder autoridade. Nesta emissão, damos conta dos mais recentes desenvolvimentos na crise da Venezuela e ouvimos a análise do angolano José Gama. Moçambique foi ontem eliminado da CAN.

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29 de Dezembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Dec 29, 2025 20:00


Em Angola, seis meses após o início dos tumultos da greve dos taxistas: O que se se sabe sobre este e outros casos dos "presos políticos"? No Sudão, a guerra em curso é a crise global mais negligenciada em 2025. Acompanhe mais um episódio do Learning by Ear - Aprender de Ouvido.

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16 de Dezembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Dec 16, 2025 20:00


Dois golpes de Estado e uma tentativa frustrada em apenas oito semanas – mesmo para a história recente de África, isso representa uma nova dimensão. A organização Internacional para as Migrações lançou em Lisboa o projeto MOVER para promover a mobilidade laboral segura com os PALOP. Donald Trump acredita que um acordo de paz na Ucrânia está "mais próximo do que nunca".

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15 de Dezembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Dec 15, 2025 20:00


Na Guiné-Bissau, a força de manutenção da paz da CEDEAO está autorizada a garantir a proteção dos líderes políticos e das instituições nacionais. Os nigerianos estão divididos quanto à intervenção do país no golpe no Benim. Learning by Ear - Aprender de Ouvido.

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9 de Dezembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Dec 9, 2025 19:59


General angolano Higino Carneiro ouvido no âmbito de processo de alegada burla qualificada. Petição pede maior contundência da CPLP perante situação política na Guiné-Bissau. Tentativa de golpe de Estado no Benim provocou vários mortos, avança Governo.

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8 de Dezembro de 2025 - Jornal da Noite

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Dec 8, 2025 19:59


Sociólogo acredita que só com sanções e pressão internacional é possível acabar com o golpe na Guiné-Bissau. O que levou a Suécia a anunciar o encerramento gradual da cooperação bilateral para o desenvolvimento com Moçambique. Angola: Cidadãos das províncias do Cuando e Cubango criticam o que chamam de "politização" dos líderes tradicionais.

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3 de Dezembro de 2025 - Jornal da Noite

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Play Episode Listen Later Dec 3, 2025 19:59


Na Guiné-Bissau, Fernando Dias, candidato que reclama vitória nas eleições presidenciais contra Sissoco Embaló, exige a divulgação dos resultados. Em declarações à DW, um jurista garante que ainda é possível reconstituir o processo eleitoral. Em Angola, serão as acusações contra o general Higino Carneiro uma estratégia política para impedir a sua candidatura à liderança do MPLA?

Kvartal
Inläst: Önskan att högerstämpla lika gammal som Kvartal själv

Kvartal

Play Episode Listen Later Nov 21, 2025 9:05


Dagens ETC:s chefredaktör Andreas Gustavsson anklagar Kvartal för att ”leka viskleken” och dölja någon slags politisk ambition. För säkerhets skull saltar han soppan med den obligatoriska SD-kopplingen. Denna gång mer långsökt än vanligt. Genom sina försök att kategorisera Kvartal på detta sätt sällar han sig till en snart decennielång tradition. Men högerstämpeln fäster aldrig och jag ska förklara varför, skriver Kvartals chefredaktör Jörgen Huitfeldt. Inläsare: Jörgen Huitfeldt

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18 de Novembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Nov 18, 2025 20:00


Na Guiné-Bissau, volta a ser questionado o papel das Forças Armadas nas eleições gerais. Em Angola, UNITA alerta para possível influência partidária na Assembleia Nacional após eleição de Adão de Almeida. Cúpula dos Povos: Africanos também desafiaram a narrativa da COP30, no Brasil.

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14 de Novembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Nov 14, 2025 19:28


Chegou o dia do Angola vs. Argentina. E no mesmo país, o Governo corta o orçamento previsto para a merenda escolar, para o próximo ano, e os encarregados de educação se contestam a medida. Em Moçambique, A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação afirma que o país vive um momento de estabilidade.

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14 de Novembro de 2025 – Jornal da Noite

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Play Episode Listen Later Nov 14, 2025 20:00


Jogo de futebol Angola – Argentina: Presente para os angolanos ou manobra de propaganda? MPLA indica Adão de Almeida, atual ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da Pública, para o cargo de presidente do Parlamento. Ambientalista guineense Miguel de Barros está na COP 30.

E o Resto é História
Os 50 anos da independência de Angola

E o Resto é História

Play Episode Listen Later Nov 11, 2025 48:04


No dia 11 de Novembro de 1975 foi proclamada a independência de Angola por Agostinho Neto, do MPLA, por Holden Roberto, da FNLA, e por Jonas Savimbi, da UNITA. Nesse mesmo dia começava a guerra civilSee omnystudio.com/listener for privacy information.

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11 de Novembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Nov 11, 2025 20:00


Há 50 anos, Agostinho Neto proclamou a independência de Angola. À DW, analistas consideram que o país continuará com os meus problemas e com mais custos. Em Moçambique, os professores ameaçam boicotar os exames finais do ensino público, se o Governo não pagar as horas extraordinárias dos últimos 3 anos. Fique a saber como o Gana está a reduzir a sua pegada de carbono com soluções indígenas.

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6 de Novembro de 2025 - Jornal da Manhã

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Play Episode Listen Later Nov 6, 2025 20:00


Arranca hoje, em Angola, o Congresso Nacional da Reconciliação, sem presença de João Lourenço. Presidente alemão visita hoje o corredor de Lobito. Em Moçambique, ativista crítica informe anual do Provedor da Justiça.

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6 de Novembro de 2025 - Jornal da Noite

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Play Episode Listen Later Nov 6, 2025 19:59


Vamos à boleia de comboio no Corredor do Lobito para acompanhar os últimos passos do Presidente alemão em Angola. Analistas angolanos esperam que o novo Juiz-Presidente do Supremo Tribunal restaure a credibilidade da justiça. Porta-voz do PAIGC comenta à DW a discordância que se vive dentro do partido. Ativista Gangsta apela aos que assistirem ao Angola x Argentina a manifestarem-se.