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Salvo

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Le interviste di Stefania D'Alonzo e Daniele Di Ianni
Da San Salvo con la caduta di Noemi e Capracotta per l'Arsura Festival

Le interviste di Stefania D'Alonzo e Daniele Di Ianni

Play Episode Listen Later Jul 20, 2026 1:15


Da San Salvo con la caduta di Noemi e Capracotta per l'Arsura Festival. Ci spiega tutto Daniele Di Ianni.

Boa Noite Internet
O Império da IA — com Karen Hao

Boa Noite Internet

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 63:50


O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

Ana Francisca Vega
Hay condiciones para recorrer Michoacán, salvo algunos zonas complejas

Ana Francisca Vega

Play Episode Listen Later Jul 16, 2026 9:10


Carlos Torres Piña, ex fiscal y actual aspirante a la Coordinación Estatal en Defensa de la Transformación de su partido, Morena, afirmó que es viable recorrer Michoacán, de cara al proceso interno de Morena, el PT y el Partido Verde, para elegir coordinador, salvo algunos puntos en donde los grupos delincuenciales se enfrentan, como la zona sur de Apatzingán y la región de Aguililla y Buenavista.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Palestras e Estudos do Ceasa
O que precisa o Espírito para ser salvo - 06.07.2026 - Sonia Gomes

Palestras e Estudos do Ceasa

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 57:50


Palestra do Evangelho Segundo o Espiritismo do CEASA - Sessão da tarde - Centro Espírita Abel Sebastião de Almeida - Rio de Janeiro - Brasil

Palestras e Estudos do Ceasa
O que precisa o Espírito para ser salvo - 06.07.2026 - Jailton Pinheiro

Palestras e Estudos do Ceasa

Play Episode Listen Later Jul 7, 2026 56:12


Palestra do Evangelho Segundo o Espiritismo do CEASA - Sessão da noite - Centro Espírita Abel Sebastião de Almeida - Rio de Janeiro - Brasil

All About Beer
AAB 094: 18th Century Beer: How The Colonists Shaped American Beer

All About Beer

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 70:36


Beer has been an important staple of humanity for millennia. But how was beer important to the American colonists starting a new life in a distant place? The colonies lacked the comforts and foods of their homeland. How did they adapt and through this adaptation, change the drink they loved so much? In this episode, we'll talk to British food historian Marc Meltonville about myths, foods, and brewing/distilling in both England and the newly formed United States. We'll also speak with Genesee Country Village and Museum senior director Brian Nagel and Rohrbach Brewing Co president Joel Will about their collaboration to brew 18th and 19th-century beer recipes to keep these interesting beer styles alive today. This is the perfect episode of the podcast for this month as the United States celebrates its 250th birthday!This Episode is Sponsored by:HopsteinerLet's talk brewhouse efficiency: Replacing pellet loads with Salvo cannot only boost aroma density, but reduce trub load and increase beer wart. Seems like simple math, but if it is still not obvious— replacing pellets with Salvo can give you MORE BEER per batch with BETTER brewhouse efficiency. Salvo —designed for brewers who are tired of sacrificing yield for aroma Explore flavor solutions at shop.hopsteiner.com.Escarpment LaboratoriesTired of inconsistent fermentations and off-flavors in your beer? It's time to strike back with Yeast Lightning Nutrient from Escarpment Labs. Unlike generic nutrients, Yeast Lightning is a balanced blend containing bioavailable zinc, magnesium, and B vitamins designed specifically for beer yeast. It's been proven to shorten fermentation times and improve final beer flavor. Plus, it helps you get more generations out of your yeast, saving you money on every batch. Whether it's a dry-hopped IPA or a crisp lager, give your yeast the fuel they actually need. Order your first pack today by emailing sales@escarpmentlabs.com. Mention the All About Beer podcast to get free shipping on your first order.Athletic BrewingYour first sip of Athletic Brewing Company's non-alcoholic beer is a game-changer – it tastes so good, you can't believe it's non-alcoholic. They've won 185 taste awards to prove it. From goldens, to IPAS, lite brews or their new Lime & Salt brew, they've got a flavor for whatever the mood calls for - which means great beer, no hangovers, and guilt-free drinking every day of the week. You can try Athletic's non-alcoholic brews for yourself at over 75,000 grocery or liquor stores, bars and restaurants nationwide. Or check out limited styles, exclusively on their website.Go to Athleticbrewing.com to find stores near you or get brews shipped right to your door! Get 15% off your first online order.Terms and conditions and certain limitations apply. Athletic Brewing Company. Fit For All Times.All About BeerAt All About Beer, we're honored to share the stories that define the beer community, and we couldn't do it without the generous support of our underwriting sponsors. Their commitment helps sustain independent beer journalism, allowing us to highlight the people, places, and passion behind every pint. Their partnership ensures these stories continue to inspire, connect, and celebrate the craft we all love. Join our underwriters today and help make an impact on independent journalism covering the beer industry.Hosts:  Em Sauter and Don TseGuests: Marc Meltonville, Joel Will,  and Brian NagelSponsors: Hopsteiner, Escarpment Laboratories, Athletic Brewing, All About BeerTags: History, BrewingPhoto:The following music was used for this media project:Music: Awesome Call by Kevin MacLeodFree download: https://filmmusic.io/song/3399-awesome-callLicense (CC BY 4.0): https://filmmusic.io/standard-licenseArtist website: https://incompetech.com ★ Support this podcast on Patreon ★

Mighty Wind Broadcasting Network Podcast (audio)
Nicole Ortiz | La Meta: Ser Salvo, No Solo Cristiano Glorioso TV11

Mighty Wind Broadcasting Network Podcast (audio)

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 24:40


La Meta no es ser Cristiano, es ser Salvo ¿Qué significa realmente ser cristiano? ¿Y si ser cristiano no es suficiente para ser salvo? Esta es una de las preguntas más importantes que toda persona debe responder. En este programa descubrirás lo que la Biblia enseña acerca de la salvación, la fe en Jesucristo, el arrepentimiento y la vida eterna. Analizaremos las Escrituras para entender la diferencia entre identificarse como cristiano y experimentar la transformación que Dios ofrece por medio de Cristo. Si alguna vez te has preguntado: • ¿Qué significa ser cristiano? • ¿Cómo puedo ser salvo? • ¿Qué dice la Biblia sobre la salvación? • ¿Qué enseñó Jesús acerca del Reino de Dios? • ¿Cómo tener una relación verdadera con Dios? Este estudio bíblico te ayudará a encontrar respuestas basadas en la Palabra de Dios y en las enseñanzas de Jesucristo. Nuestro propósito es compartir el evangelio con claridad, fortalecer la fe y ayudar a cada persona a comprender el plan de salvación revelado en la Biblia. Versículo clave: "Porque por gracia sois salvos por medio de la fe..." (Efesios 2:8-9). Si este mensaje fue de bendición para tu vida, compártelo con tu familia y amigos, suscríbete al canal y activa las notificaciones para recibir nuevos estudios bíblicos, enseñanzas cristianas y mensajes que te ayudarán a crecer en tu fe y en el conocimiento de la Palabra de Dios. Temas de este video: salvación, qué significa ser cristiano, cómo ser salvo, Jesucristo, evangelio, gracia de Dios, arrepentimiento, vida eterna, fe cristiana, Biblia, Reino de Dios, discipulado, estudios bíblicos en español.

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Nicole Ortiz | La Meta: Ser Salvo, No Solo Cristiano Glorioso TV11

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Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 24:40


La Meta no es ser Cristiano, es ser Salvo ¿Qué significa realmente ser cristiano? ¿Y si ser cristiano no es suficiente para ser salvo? Esta es una de las preguntas más importantes que toda persona debe responder. En este programa descubrirás lo que la Biblia enseña acerca de la salvación, la fe en Jesucristo, el arrepentimiento y la vida eterna. Analizaremos las Escrituras para entender la diferencia entre identificarse como cristiano y experimentar la transformación que Dios ofrece por medio de Cristo. Si alguna vez te has preguntado: • ¿Qué significa ser cristiano? • ¿Cómo puedo ser salvo? • ¿Qué dice la Biblia sobre la salvación? • ¿Qué enseñó Jesús acerca del Reino de Dios? • ¿Cómo tener una relación verdadera con Dios? Este estudio bíblico te ayudará a encontrar respuestas basadas en la Palabra de Dios y en las enseñanzas de Jesucristo. Nuestro propósito es compartir el evangelio con claridad, fortalecer la fe y ayudar a cada persona a comprender el plan de salvación revelado en la Biblia. Versículo clave: "Porque por gracia sois salvos por medio de la fe..." (Efesios 2:8-9). Si este mensaje fue de bendición para tu vida, compártelo con tu familia y amigos, suscríbete al canal y activa las notificaciones para recibir nuevos estudios bíblicos, enseñanzas cristianas y mensajes que te ayudarán a crecer en tu fe y en el conocimiento de la Palabra de Dios. Temas de este video: salvación, qué significa ser cristiano, cómo ser salvo, Jesucristo, evangelio, gracia de Dios, arrepentimiento, vida eterna, fe cristiana, Biblia, Reino de Dios, discipulado, estudios bíblicos en español.

La voce di Eutekne.info
Salvo il conferimento in natura senza perizia giurata

La voce di Eutekne.info

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 9:07


Perdite su crediti da Codice della crisi in attesa di certezze, conferimento in natura in srl senza perizia giurata, agevolazione per la costruzione in appalto della prima casa alla prova della moratoria biennale, le novità del DL 62/2026 convertito in tema di tirocini extracurriculari. A cura di Anita Mauro

Hablando a 24 Frames
Lobo ¿Salvo Supergirl? / Hablando PoP LIVE

Hablando a 24 Frames

Play Episode Listen Later Jun 30, 2026 60:52


Grabado desde GW-Cinco Studio como parte de GW5 Network #tunuevatelevisión. Puedes ver toda la programación en www.gwcinco.com. síguenos en instagram @gw_cincoPatreon:  patreon.com/bienabiertaspatreon.com/gw5networkpatreon.com/hablandopop

Le dirette Facebook di Ubitennis
Close Call, Wimbledon Day 2: Sinner salvo, altri sei azzurri in campi (30 giu 2026)

Le dirette Facebook di Ubitennis

Play Episode Listen Later Jun 30, 2026 44:54 Transcription Available


Dopo i cinque set di Jannik Sinner nell'esordio di lunedì, Vanni Gibertini e Luca Baldissera commentano la prima giornata dei Championships e rispondono alle domande degli spettatori --- Anche per il 2026 ritorna il GoFundMe per le trasmissioni di Vanni Gibertini e Luca Baldissera. Raccontare il tornei di tennis dal posto è un valore aggiunto insostituibile, ma i costi sono ormai diventati difficilmente gestibili senza un aiuto, anche piccolo, da parte degli appassionati che ci dovessero ritenere meritevoli. Le donazioni per le passate stagioni sono state fondamentali, un ringraziamento enorme, di cuore, va a chiunque sarà tanto generoso da continuare, o iniziare a partecipare a questa iniziativa. Per il 2026, abbiamo finalmente un titolo: "Close Call", il tennis raccontato da vicino.

Ainda Bem que Faz Essa Pergunta
AD e PS em sintonia: o Orçamento do Estado está salvo?

Ainda Bem que Faz Essa Pergunta

Play Episode Listen Later Jun 29, 2026 6:29


Ferro Rodrigues deu um mortal à retaguarda e já namora o Orçamento após o pacto do PS com o Governo. E ainda, o truque da imigração: o país está mais gordo, mas a sua fatia da pizza encolheu.See omnystudio.com/listener for privacy information.

The Careless Talk Climbing Podcast
E204: Roundtable with Hamish McArthur and Ethan Salvo

The Careless Talk Climbing Podcast

Play Episode Listen Later Jun 24, 2026 144:36


Two return guests coming back for a new look round table. We chat about a range of topics from social media, awkward crag interactions, Hamish's new not for profit, what climbing means to us, Dean Potter and of course our new favourite Ebird comes up from time to time. It's a bit of a sprawling chat and we have to chase Ethan down a few rabbit holes but we got somewhere in the end, actually we didn't, but we chatted about some things along the way. If you're enjoying the podcast and would like to support us, please consider checking out our patreon page: https://www.patreon.com/user?u=70353823Support the show

Eli Suli
SHEMUEL I (Serie 15) ABIGAIL, 400 ESPADAS DESENVAINADAS Y LA MUJER QUE SALVO AL FUTURO REY DE ISRAEL

Eli Suli

Play Episode Listen Later Jun 24, 2026 50:24


Podcast Eli Suli SHEMUEL I (Serie 15) ABIGAIL, 400 ESPADAS DESENVAINADAS Y LA MUJER QUE SALVO AL FUTURO REY DE ISRAEL Conferencia

Inteligência para a sua vida
#1541: O QUE FAZER PARA SER SALVO?

Inteligência para a sua vida

Play Episode Listen Later Jun 23, 2026 11:13


Você está preparado para o seu último dia?Existe uma resposta para a inquietação da alma, um caminho para o perdão e uma esperança capaz de vencer até mesmo o medo da morte.Neste vídeo, você vai entender por que a salvação não é uma questão de religião, boas obras ou mérito pessoal, mas de reconhecer a sua necessidade de Deus e invocar o nome do Senhor Jesus com fé e sinceridade.A eternidade é uma realidade. A decisão é sua.Se este vídeo lhe ajudou, compartilhe para ajudar mais pessoas.

Podcast Chiesa GCS Catania
Predicazione Pastore Salvo Foti del 21/06/2026

Podcast Chiesa GCS Catania

Play Episode Listen Later Jun 23, 2026 56:36


Salvo Foti , Pastore della Chiesa Gesù Cristo è il Signore di Belpasso (CT)

Rocio Santibañez Metodo Yuen
La llave Maestra Biológica: El Fortalecimiento Que Más Necesitas (Sentirse a Salvo)

Rocio Santibañez Metodo Yuen

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 8:04


¿Te despiertas por las mañanas sintiéndote cansada como si no hubieras dormido, vives con una sensación constante de prisa o ansiedad silenciosa, o sientes que tu mente siempre está esperando que algo malo suceda? Puedes intentar hacer afirmaciones, tomar suplementos o meditar, pero mientras tu sistema nervioso autónomo permanezca desregulado, tu biocomputadora seguirá atrapada en un bucle de colapso. Este es, sin duda, el fortalecimiento más importante y crítico que debes realizar antes de intentar transformar cualquier otra área de tu vida; es la llave maestra biológica.El problema no es tu falta de voluntad o de fe; es un comando de alerta encendido en tu amígdala. Cuando sufres traumas, traiciones, estrés financiero o pérdidas acumuladas, tu hardware físico se queda congelado en el modo supervivencia. Tu cerebro interpreta el entorno como una amenaza constante y satura tus células de cortisol y adrenalina. No importa que estés segura en tu casa: para tu sistema operativo, estás en medio de un campo de batalla. Vivir en desregulación constante bloquea de forma mecánica tu capacidad de recibir abundancia, debilita tu línea media y destruye tu salud física.En esta transmisión, realizamos una intervención profunda en la consola de comandos de tu sistema nervioso para apagar la alarma de la amígdala. Utilizando la precisión técnica del Método Yuen, ingresamos directamente a tu médula espinal para borrar las memorias de peligro, desactivar el software de alerta continua y programar tus células para que asimilen que es seguro relajarse, soltar el control y recibir.⚙️ Lo que desconfiguramos y neutralizamos con esta llave maestra:• Apagado de Alerta en la Amígdala: Neutralizamos la señal química de amenaza continua que mantiene a tu cuerpo en un estado de estrés invisible.• Reprogramación del Sistema Nervioso: Borramos el trauma acumulado y la necesidad inconsciente de vivir en modo defensa o hipervigilancia.• Activación de Estabilidad Central: Fortalecemos la línea media, el sacro y el líquido cefalorraquídeo para devolverle al cuerpo la neutralidad y la calma molecular.Escucha este fortalecimiento de manera diaria hasta que tu hardware asimile la verdadera neutralidad y tu sistema nervioso entienda que el peligro ya terminó. Es momento de recuperar tu soberanía biológica y activar la llave maestra de tu sistema.⚠️ AVISO IMPORTANTE: El contenido de este video se presenta exclusivamente como un fortalecimiento energético y alternativa de regulación nerviosa bioeléctrica. No constituye, ni reemplaza bajo ninguna circunstancia, un diagnóstico, consulta o tratamiento médico, psicológico o profesional.Mantén tu línea media firme, suscríbete al canal y asume el mando de tu biocomputadora.¿Lista para el cambio? Haz clic y comienza tu viaje hacia una vida sin límites.

Breaking News Italia - Ultime Notizie
Salvo Sottile sbotta contro Selvaggia Lucarelli: la replica che accende la polemica

Breaking News Italia - Ultime Notizie

Play Episode Listen Later Jun 18, 2026 2:31 Transcription Available


Salvo Sottile sbotta contro Selvaggia Lucarelli: la replica che accende la polemicaLo scontro tra Salvo Sottile e Selvaggia Lucarelli infiamma il dibattito sul caso Garlasco. Dopo alcune osservazioni pubblicate dalla giornalista sui social, il conduttore ha deciso di rispondere pubblicamente con parole molto dure. Un botta e risposta che sta facendo discutere il pubblico e che riporta sotto i riflettori il tema del rapporto tra giornalisti, fonti e cronaca giudiziaria.#SalvoSottile #SelvaggiaLucarelli #CasoGarlasco #Cronaca #Attualita

Asticharlas con Julio Astillero
Martes 16 de junio de 2025 | ¿Candidaturas conjuntas, salvo en SLP? ¿Cuánto cederá el guinda a PT y Verde?

Asticharlas con Julio Astillero

Play Episode Listen Later Jun 17, 2026 33:50


¿Candidaturas conjuntas, salvo en SLP? ¿Cuánto cederá el guinda a PT y Verde?Enlace para apoyar vía Patreon:https://www.patreon.com/julioastilleroEnlace para hacer donaciones vía PayPal:https://www.paypal.me/julioastilleroCuenta para hacer transferencias a cuenta BBVA a nombre de Julio Hernández López: 1539408017CLABE: 012 320 01539408017 2Tienda:https://julioastillerotienda.com/ Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Iglesia Bautista de Santa Ana (official)
¿Debe Usted Dejar Todos Sus Pecados Para Ser Salvo- (El Arrepentimiento Bíblico)

Iglesia Bautista de Santa Ana (official)

Play Episode Listen Later Jun 15, 2026 56:17


HECHOS 16:3131 Ellos dijeron: Cree en el Señor Jesucristo, y serás salvo, tú y tu casa.SAN JUAN 3:1616 Porque de tal manera amó Dios al mundo, que ha dado a su Hijo unigénito, para que todo aquel que en él cree, no se pierda, mas tenga vida eterna. SAN JUAN 5:2424 De cierto, de cierto os digo: El que oye mi palabra, y cree al que me envió, tiene vida eterna; y no vendrá a condenación, mas ha pasado de muerte a vida. SAN JUAN 6:4747 De cierto, de cierto os digo: El que cree en mí, tiene vida eterna. ==============================Iglesia Bautista de Santa AnaPastor Ringo Ayalahttp://santaanabaptist.orgContactenos en: info@santaanabaptist.orgRecursos: https://payhip.com/ContendiendoPorlaFe

SER Aventureros
SER Aventureros | Asturias se consolida como refugio climático: "Cada vez viene más gente buscando frescor y poder dormir por las noches"

SER Aventureros

Play Episode Listen Later Jun 13, 2026 1:58


El cambio climático y la búsqueda de temperaturas amables están redibujando el mapa del turismo en España, posicionando al Principado de Asturias como uno de los destinos más codiciados. El equipo de SER Aventureros, compuesto por José Luis Angulo, Ángel Colina, Raúl Ruiz y María Salvo, se ha desplazado hasta el municipio de Taramundi para pulsar sobre el terreno esta realidad. 

Eli Suli
SHEMUEL I (Serie 13) LAS FLECHAS DEL LASHON ARA “Una locura que salvo a David y una calumnia que destruyo Nob

Eli Suli

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 60:07


Podcast Eli Suli SHEMUEL I (Serie 13) LAS FLECHAS DEL LASHON ARA “Una locura que salvo a David y una calumnia que destruyo Nob Conferencia

Sermones Bíblicos de la Iglesia en Lobos
Qué debo hacer para ser salvo - Alejandro Peluffo - IBML

Sermones Bíblicos de la Iglesia en Lobos

Play Episode Listen Later Jun 7, 2026 71:46


Exposición de Lucas 10:5-37. Y he aquí un intérprete de la ley se levantó y dijo, para probarle: Maestro, ¿haciendo qué cosa heredaré la vida eterna? 26 Él le dijo: ¿Qué está escrito en la ley? ¿Cómo lees? 27 Aquel, respondiendo, dijo: Amarás al Señor tu Dios con todo tu corazón, y con toda tu alma, y con todas tus fuerzas, y con toda tu mente; y a tu prójimo como a ti mismo. 28 Y le dijo: Bien has respondido; haz esto, y vivirás.29 Pero él, queriendo justificarse a sí mismo, dijo a Jesús: ¿Y quién es mi prójimo? 30 Respondiendo Jesús, dijo: Un hombre descendía de Jerusalén a Jericó, y cayó en manos de ladrones, los cuales le despojaron; e hiriéndole, se fueron, dejándole medio muerto. 31 Aconteció que descendió un sacerdote por aquel camino, y viéndole, pasó de largo. 32 Asimismo un levita, llegando cerca de aquel lugar, y viéndole, pasó de largo. 33 Pero un samaritano, que iba de camino, vino cerca de él, y viéndole, fue movido a misericordia; 34 y acercándose, vendó sus heridas, echándoles aceite y vino; y poniéndole en su cabalgadura, lo llevó al mesón, y cuidó de él. 35 Otro día al partir, sacó dos denarios, y los dio al mesonero, y le dijo: Cuídamele; y todo lo que gastes de más, yo te lo pagaré cuando regrese. 36 ¿Quién, pues, de estos tres te parece que fue el prójimo del que cayó en manos de los ladrones? 37 Él dijo: El que usó de misericordia con él. Entonces Jesús le dijo: Ve, y haz tú lo mismo.Reina-Valera 1960 (RVR1960)

SER Aventureros
SER Aventureros | La Biosfera del Río Eo, Oscos y Terras de Burón

SER Aventureros

Play Episode Listen Later Jun 6, 2026 56:05


Viajamos hasta Taramundi en Asturias para hacer un programa especial junto con Lara Martínez, viceconsejera Turismo de Asturias y Cesar Villabrille, Alcalde de Taramundi. El equipo de SER Aventureros, José Luis Angulo, Ángel Colina, Raúl Ruiz y María Salvo han recorrido la zona en bici con Yoel García de EOactivos por la ladera del río y han visitado el museo de la Cuchillería junto a Juan Carlos Quintana. En Uno de los Nuestros hablamos con uno de los asturianos más ilustres, el periodista deportivo Antonio Lobato.

The Apologist‘s Bookshelf
Salvo | The Apologist's Bookshelf

The Apologist‘s Bookshelf

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 19:15


 This podcast looks at a magazine called Salvo, which discusses important recent developments in science, sex, and society. I discuss several interesting articles in a recent issue. People can access for free 20 years of Salvo magazine articles by going to salvomag.com.  Salvo magazine published by the Fellowship of St. James Website for the magazine here I'm Gary Zacharias, a professor of English, avid reader, and passionate follower of Jesus Christ. This podcast is for anyone curious about the intellectual foundation of the Christian faith. Each episode, I feature a key book on topics like the existence of God, the historical evidence for Jesus, science and Christianity, or the reliability of the Bible. These are the books that have earned a permanent place on my apologetics bookshelf—and I want to share them with you. Contact me: theapologistsbookshelf@gmail.com  

All About Beer
AAB: 93 The Budding Science of New Yeast Strains

All About Beer

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 53:50


Without yeast, there is no beer.  Yeast occurs naturally and for millennia, it operated mysteriously. After the invention of the microscope, scientists could see and start to isolate and control yeast.  Now, thanks to new scientific developments, there are new yeast strains, designed to work better in current breweries, with current ingredients and to produce currently in vogue flavors.There is probably no other area in brewing where science is making beer better.This Episode is Sponsored by:HopsteinerLet's talk brewhouse efficiency: Replacing pellet loads with Salvo cannot only boost aroma density, but reduce trub load and increase beer wart. Seems like simple math, but if it is still not obvious— replacing pellets with Salvo can give you MORE BEER per batch with BETTER brewhouse efficiency. Salvo —designed for brewers who are tired of sacrificing yield for aroma Explore flavor solutions at shop.hopsteiner.com.Escarpment LaboratoriesTired of inconsistent fermentations and off-flavors in your beer? It's time to strike back with Yeast Lightning Nutrient from Escarpment Labs. Unlike generic nutrients, Yeast Lightning is a balanced blend containing bioavailable zinc, magnesium, and B vitamins designed specifically for beer yeast. It's been proven to shorten fermentation times and improve final beer flavor. Plus, it helps you get more generations out of your yeast, saving you money on every batch. Whether it's a dry-hopped IPA or a crisp lager, give your yeast the fuel they actually need. Order your first pack today by emailing sales@escarpmentlabs.com. Mention the All About Beer podcast to get free shipping on your first order. Athletic BrewingYour first sip of Athletic Brewing Company's non-alcoholic beer is a game-changer – it tastes so good, you can't believe it's non-alcoholic.They've won 185 taste awards to prove it. From goldens, to IPAS, lite brews or their new Lime & Salt brew, they've got a flavor for whatever the mood calls for - which means great beer, no hangovers, and guilt-free drinking every day of the week. You can try Athletic's non-alcoholic brews for yourself at over 75,000 grocery or liquor stores, bars and restaurants nationwide. Or check out limited styles, exclusively on their website.Go to Athleticbrewing.com to find stores near you or get brews shipped right to your door! Get 15% off your first online order.Terms and conditions and certain limitations apply. Athletic Brewing Company. Fit For All Times.Visit FlandersReady for a getaway that blends culture, flavor, and centuries of tradition? Head to Flanders — the birthplace of Belgian beer culture.This year marks a decade since UNESCO recognized Belgian beer culture as an Intangible Cultural Heritage of Humanity, and there's no better moment to experience it firsthand. Explore Trappist monasteries, cozy beer cafés, and innovative breweries that keepBelgium's brewing legacy alive. Raise a glass to history, hospitality, and the spirit of Flanders — where every pour tells a story. Start planning at Visitflanders.com.All About BeerAt All About Beer, we're honored to share the stories that define the beer community, and we couldn't do it without the generous support of our underwriting sponsors. Their commitment helps sustain independent beer journalism, allowing us to highlight the people, places, and passion behind every pint. Their partnership ensures these stories continue to inspire, connect, and celebrate the craft we all love. Join our underwriters today and help make an impact on independent journalism covering the beer industry.Hosts:  Don Tse and Em SauterGuests: Richard Preiss, Nick HarrisSponsors: Hopsteiner, Escarpment Laboratories, Athletic Brewing, Visit Flanders, All About BeerTags: Yeast, Science, BrewingPhoto:The following music was used for this media project:Music: Awesome Call by Kevin MacLeodFree download: https://filmmusic.io/song/3399-awesome-callLicense (CC BY 4.0): https://filmmusic.io/standard-licenseArtist website: https://incompetech.com ★ Support this podcast on Patreon ★

JESUSgirl.ENT
New Interview Series entitled: ‘I Overcame' featuring Malvina De Salvo, CEO & Founder of Plateful

JESUSgirl.ENT

Play Episode Listen Later May 25, 2026 72:34


There are two series airing during this season of the JESUSgirlENT podcast:1) Teaching Series: GOD-Results2) Interview Series: I OvercameThe ‘I Overcame' interview series, will highlight the lives of men and women of GOD that overcame while trailblazing businesses, birthing ministries, breaking away from old habits and ultimately deciding to complete their goals in-spite of.Tonight's episode will begin with Malvina De Salvo, Founder and CEO of Plateful. Malvina De Salvo is the Founder and CEO of Plateful, an AI-driven pediatric nutrition platform designed to shape healthy eating behaviors in early childhood. Plateful combines smart hardware, mobile learning, and behavioral science to address one of the most persistent challenges in family health: picky eating and poor nutrition habits among young children.At the center of Plateful is a multi-zone “smart plate” that uses sensors, lights, and audio to guide children through a structured eating journey—encouraging engagement with nutrient-dense foods first and reinforcing positive behaviors in real time. Paired with a companion app that delivers short-form nutrition learning modules, Plateful creates a closed-loop system that connects education, behavior, and habit formation at the moment it matters most: mealtime.Malvina's work sits at the intersection of Food as Medicine, early childhood development, and digital health. She is building Plateful not only as a consumer product, but as a scalable behavior-change platform with applications across healthcare, public health, and food systems. By capturing real-time interaction data around how children engage with food, Plateful is generating a first-of-its-kind dataset that has the potential to inform clinical interventions, nutrition research, and population health strategies.In parallel, Malvina serves as a Project Manager and consultant for Feeding Illinois, where she is helping design and implement statewide Food as Medicine programs. Her work focuses on building scalable, financially sustainable models that connect food banks, healthcare systems, and payers to deliver medically tailored groceries and meals to high-need populations.Her approach emphasizes operational feasibility at scale—balancing clinical outcomes, cost constraints, and real-world food system capabilities, particularly across diverse and capacity-constrained environments.Plateful has demonstrated early traction through pilot testing, with strong engagement outcomes and high willingness among children to try new foods upon first use. The company is advancing toward broader pilot deployments, research collaborations, and commercialization, while actively raising capital to scale its platform.Malvina's broader vision is to build a foundational layer for pediatric nutrition behavior—transforming how children learn about, interact with, and ultimately choose food. By intervening early, she aims to shift lifelong health trajectories and reduce the burden of diet-related disease at a population level.Link to Plateful website found here: www.pl8ful.com(We pray that this helps. Yes you can. Keep going! #GoForth #Romans828)Link to article covering Sis. Malvina found here: https://jesusgirlent.org/2026/05/21/pl8ful-owner-shares-journey-to-entrepreneurship-on-jesusgirl-ent-podcast/Q

Centro Cristiano Internacional SA

Hello and welcome to the program Retornando a la Palabra. In today's sermon originally recorded on November 29, 2015, we listen to the founding pastor of Centro Cristiano Internacíonal, Pastor German Ballesteros. I'd like to encourage you to pull out your bible and continue listening to today's sermon.        We hope this message has encouraged you to seek the voice of God. We encourage you to discover the nature of God through his word the Bible. If you'd like to download this episode or share with someone you know remember you can do so by subscribing to the podcast which you can find by searching retornando a la palabra or ccichurchsa on your favorite podcast listening device.Thank you again for spending this time with us and until next time we'd like to leave you with a quote from our founding Pastor the late Pastor German Ballesteros, “Cambia tu mundo con Cristo en tu corazón.” May God bless you.    

SER Aventureros
SER Aventureros | La Torre de Don Borja

SER Aventureros

Play Episode Listen Later May 16, 2026 55:15


Hacemos el programa desde Santillana del Mar en Cantabria para conocer el Geoparque Costa Quebrada reconocido por la UNESCO en abril 2025. Hablamos con su alcaldesa Sara Izquierdo, con Lucía Dirube, coordinadora del Geoparque Costa Quebrada y con la directora del Zoo Maribel Angulo. Y como siempre José Luis Angulo, Ángel Colina, Raúl Ruíz, María Salvo... y mucho más

El Garaje Hermético de Máximo Sant
Los INMORTALES: 10 motores DIÉSEL diseñados para la eternidad

El Garaje Hermético de Máximo Sant

Play Episode Listen Later May 10, 2026 19:47


En la actualidad, el automóvil parece tener fecha de caducidad: baterías que pierden capacidad, sistemas de AdBlue que se bloquean y electrónica diseñada para durar lo justo. Sin embargo, existió una "Edad del Hierro" —entre mediados de los 80 y principios de los 2000— donde el objetivo de la ingeniería era la durabilidad extrema. Estos son los 10 motores diésel que, con un mantenimiento básico, pueden sobrevivir a varios dueños. ¿Por qué ya no se fabrican así? La clave está en el estrés mecánico. Antiguamente, un bloque de 2.5 litros entregaba unos conservadores 90 CV. Hoy, motores de 1.5 litros deben entregar 150 CV para cumplir con las normativas, lo que triplica el esfuerzo térmico de los materiales. Además, se ha sustituido la robusta fundición de hierro por aleaciones de aluminio para ahorrar peso, sacrificando la estabilidad térmica a largo plazo. Listado de los 10 motores "Inmortales": Mercedes-Benz OM602 (1984-2002): El cinco cilindros atmosférico que convirtió al W124 en leyenda. Su bomba inyectora mecánica Bosch, lubricada por el propio aceite del motor, lo hace inmune a fallos electrónicos. Nissan TD27 (1985-2007): Famoso por equipar al Terrano II. Su gran hito técnico es la distribución por cascada de piñones; no hay correas ni cadenas que cambiar, lo que elimina el mantenimiento crítico. Volkswagen 1.9 TDI (AFN/AVG) (1991-2010): El motor que redefinió el diésel. Con inyección directa y bloque de fundición, demostró en el sector del taxi que superar el millón de kilómetros era una meta alcanzable. Fiat 1.9 JTD (8 válvulas) (1997-2012): El pionero del Common Rail. Su culata de 8 válvulas es térmicamente más estable que las versiones modernas, ofreciendo una fiabilidad que le permitió sobrevivir en marcas como Opel, Saab o Alfa Romeo. Toyota 1HD-FTE (1998-2007): Un bloque de seis cilindros y 4.2 litros con componentes sobredimensionados. Es una mecánica de camión adaptada al Land Cruiser, capaz de entregar un par motor inmenso con un desgaste mínimo. PSA 2.0 HDi (DW10) (1998-2015): La cima de Peugeot y Citroën antes de la complejidad de los sistemas anticontaminación modernos. Un motor de gestión conservadora, famoso por su suavidad y su bajísimo consumo. BMW M57 (1998-2013): Un seis cilindros en línea que combinó rendimiento deportivo con longevidad. Salvo por el mantenimiento preventivo de las mariposas de admisión, es un motor capaz de devorar la Autobahn durante décadas. Volvo D5 2.4 (2001-2015): De diseño 100% sueco, este cinco cilindros destaca por su robustez ante climas extremos y una arquitectura diseñada para aguantar altas presiones sin fatiga. Honda 2.2 i-CTDI (2003-2009): Un prodigio de refinamiento japonés. Sin correas y fabricado con aluminio de alta presión, demostró que un diésel podía ser tan silencioso y equilibrado como un motor de gasolina. Mercedes-Benz OM642 V6 (2005-2021): El último gran V6 de la marca. Un motor diseñado para el confort de marcha y los trayectos infinitos, capaz de superar los 800.000 kilómetros manteniendo un estándar de lujo. Consejos para mantener un diésel eterno Para que estos motores alcancen su máximo potencial, es vital vigilar la acumulación de carbonilla mediante trayectos largos por carretera, no escatimar en la calidad del aceite y revisar el estado de los manguitos de caucho, que son los únicos componentes que envejecen antes que el metal del bloque. Conclusión Apostar por estas mecánicas es, en definitiva, una apuesta por la ingeniería que respetaba al propietario y se rebelaba contra la obsolescencia programada.

SER Aventureros
SER Aventureros | El fútbol como herramienta educativa y social

SER Aventureros

Play Episode Listen Later May 9, 2026 53:23


Pedro Ángel Muños es de la Asociación del Deporte para Niños Sin Recursos, una ONG vinculada al Club Unión Zona Norte que opera en Kibera, Nairobi. Y no salimos de África porque nuestro compañero Nico Castellano nos lleva a Mali. En 'Una de las Nuestras' hablamos con Noemi de Miguel, periodista deportiva y  presentadora del emblemático programa "El Día Después". Y comenzamos una nueva sección con María Salvo: 'Las Historias de María'.

EL PASQUÍN
Aquí todos son inocentes, salvo Inocencio que es un corruptazo.

EL PASQUÍN

Play Episode Listen Later May 8, 2026 283:58


iEn vivo!!! El pasquín 435. Rocha pide licencia, pero Harfuch dice que es inocente, Trump amenaza otra vez y otra vez el TACO, la derecha mexicana se le arrodilla a la española y mucho más en el único noticiero cumbia BTSÚNETE AL PATREON DEL PASQUÍN Y VUELA!!! https://www.patreon.com/elpasquin

24 horas
Gobierno canario: "El crucero continuará su tránsito sin detenerse en Canarias, salvo que fuera necesario"

24 horas

Play Episode Listen Later May 5, 2026 10:53


El Hondius, el crucero de lujo diseñado para expediciones polares y fondeado frente a la capital de Cabo Verde, mantiene a unas 140 personas confinadas tras un brote de hantavirus. Tres personas han fallecido, una cuarta está ingresada en Sudáfrica y las otras tres, los dos tripulantes que necesitan atención medica urgente, van a ser evacuados en avión a Países Bajos. Otra persona, un contacto estrecho, irá a Alemania, donde se monitorizará su situación.¿Qué dice el Gobierno Canario? Fernando Clavijo ha estado en comunicación con la ministra de Sanidad, según explica en 24 horas RNE Alfonso Cabello, portavoz del Gobierno canario: "El crucero parece que va a continuar su tránsito sin detenerse en Canarias, salvo que fuera necesario porque corriera riesgo para las personas dentro del barco". Si se diera el caso, indica el portavoz, con la coordinación de la OMS, habría que ir tomando decisiones: "Tenemos que estar muy atentos a la evolución de los pasajeros". Desde el Gobierno de las islas aseguran que están preparados: "Tenemos un sistema de primer nivel. Aquí toca tomar las decisiones y la responsabilidad en un primer término está en los organismos internacionales. Siempre garantizar, por nuestra parte, la integridad y seguridad del pueblo canario [...] Quedan días de navegación para seguir realizando seguimiento de cuál es la evolución". Escuchar la entrevista completa en RNE Audio.Escuchar audio

All About Beer
AAB 092: The Best Tasting Rooms Go Above and Beyond Beer

All About Beer

Play Episode Listen Later May 4, 2026 55:30


A third space is a place besides work and home. These function as many things: meeting room, church, dance hall, gym, clubhouse, etc. It's a space to get away, meet new people and focus on your passions and interests. Classic third spaces have been disappearing in the 21st century but nowadays, brewery tasting rooms are filling that void, catering to all sorts of people where the event is primary and beer is the perk. On this episode Don Tse and Em Sauter talk to two breweries who are navigating 2026 with new ideas on how to serve beer and how to get people in the door. This Episode is Sponsored by:HopsteinerLet's talk brewhouse efficiency: Replacing pellet loads with Salvo cannot only boost aroma density, but reduce trub load and increase beer wart. Seems like simple math, but if it is still not obvious— replacing pellets with Salvo can give you MORE BEER per batch with BETTER brewhouse efficiency. Salvo —designed for brewers who are tired of sacrificing yield for aroma Explore flavor solutions at shop.hopsteiner.com.Escarpment LaboratoriesEscarpment Labs is the official yeast partner of Pink Boots brews. Their Pink Boots Yeast is a versatile German Kölsch strain that works across different beer styles. In light beers, it delivers bright, white wine–like aromatics. In hop-forward beers, it drives clean, citrus-forward biotransformation. Every purchase supports the Pink Boots Society, with fifteen percent of proceeds funding scholarships and professional development for women and non-binary people in brewing. To place an order, email sales@escarpmentlabs.com.Athletic BrewingYour first sip of Athletic Brewing Company's non-alcoholic beer is a game-changer – it tastes so good, you can't believe it's non-alcoholic.They've won 185 taste awards to prove it. From goldens, to IPAS, lite brews or their new Lime & Salt brew, they've got a flavor for whatever the mood calls for - which means great beer, no hangovers, and guilt-free drinking every day of the week. You can try Athletic's non-alcoholic brews for yourself at over 75,000 grocery or liquor stores, bars and restaurants nationwide. Or check out limited styles, exclusively on their website.Go to Athleticbrewing.com to find stores near you or get brews shipped right to your door! Get 15% off your first online order.Terms and conditions and certain limitations apply. Athletic Brewing Company. Fit For All Times.Visit FlandersReady for a getaway that blends culture, flavor, and centuries of tradition? Head to Flanders — the birthplace of Belgian beer culture.This year marks a decade since UNESCO recognized Belgian beer culture as an Intangible Cultural Heritage of Humanity, and there's no better moment to experience it firsthand. Explore Trappist monasteries, cozy beer cafés, and innovative breweries that keepBelgium's brewing legacy alive. Raise a glass to history, hospitality, and the spirit of Flanders — where every pour tells a story. Start planning at Visitflanders.com.All About BeerAt All About Beer, we're honored to share the stories that define the beer community, and we couldn't do it without the generous support of our underwriting sponsors. Their commitment helps sustain independent beer journalism, allowing us to highlight the people, places, and passion behind every pint. Their partnership ensures these stories continue to inspire, connect, and celebrate the craft we all love. Join our underwriters today and help make an impact on independent journalism covering the beer industry.Hosts:  Em Sauter and Don TseGuests: Ben Castle, Colin McDonoughSponsors: Hopsteiner, Escarpment Laboratories, Athletic Brewing, Visit Flanders, All About BeerTags: Hospitality, Events, Tasting Room, Customer ExperiencePhoto:The following music was used for this media project:Music: Awesome Call by Kevin MacLeodFree download: https://filmmusic.io/song/3399-awesome-callLicense (CC BY 4.0): https://filmmusic.io/standard-licenseArtist website: https://incompetech.com ★ Support this podcast on Patreon ★

biblecast.net.br - A Fé vem pelo Ouvir
Estou Salvo, Tudo Bem! Nem Vem que não Tem!

biblecast.net.br - A Fé vem pelo Ouvir

Play Episode Listen Later May 3, 2026 39:44


Por Pr. Luiz Sayão. | 2 Coríntios 5.1-10 | https://bbcst.net/G9619

Igreja Batista Nações Unidas
Estou Salvo, Tudo Bem! Nem Vem que não Tem!

Igreja Batista Nações Unidas

Play Episode Listen Later May 3, 2026 39:44


Por Pr. Luiz Sayão. | 2 Coríntios 5.1-10 | https://bbcst.net/G9619

JossGreen Live
26. Pasando el tiempo rápidamente

JossGreen Live

Play Episode Listen Later Apr 29, 2026 0:59 Transcription Available


Este es el episodio 26 del podcast Minuto cero con Joss Green de @jossgreen, publicado el 29 de abril de 2026. Puedes dejar comentarios de texto y audio en este enlace. ¿Cómo pasa el tiempo verdad? Estaba viendo aquí lo gran de Foreigner que estuvo en la Ciudad de México ayer, estaba en un concierto en Palo Norte y recordé hace dos semanas que estuvo ACDC aquí en la Ciudad de México también. Yo los vi a ICDC En el 96 Que fue la primera vez que vinieron a México En el Palacio de los Deportes Esta vez no me dieron muchas ganas de verlo Salvo que Les abrió Taylor Momsen De Pretty Reckless Que me gusta mucho Bueno ella físicamente es una chulada Pero su música me gusta mucho Pero ¿Cómo pasa el tiempo? Angus Young tenía ya 70 años Haciendo cuentas cuando yo lo vi Hace 30, en el 96 Pues tenía 40 años Miren Yo era un jovenazo y sigo siendo un jovenazo Para que me desrueme

Iglesia Bautista de Santa Ana (official)
¿Tienes que PERSEVERAR para ser salvo- | Ringo Ayala

Iglesia Bautista de Santa Ana (official)

Play Episode Listen Later Apr 28, 2026 30:55


San Mateo 24:1313 Mas el que persevere hasta el fin, este será salvo.==============================Iglesia Bautista de Santa AnaPastor Ringo Ayalahttp://santaanabaptist.orgContactenos en: info@santaanabaptist.orgRecursos: https://payhip.com/ContendiendoPorlaFe

Hoy por Hoy
Las 8 de Hoy por Hoy | El Congreso tumbará el decreto de la prórroga de los alquileres, salvo sorpresa

Hoy por Hoy

Play Episode Listen Later Apr 28, 2026 16:10


El Congreso va a tumbar, salvo sorpresa mayúscula, el decreto de la prórroga de los alquileres que impulsó el Consejo de Ministros, hace un mes, a iniciativa de Sumar. La medida limitaba al 2% la actualización de los precios del alquiler y el Gobierno calcula que afecta a tres millones de personas. Sumar enfrenta una guerra interna entre Mónica García y Emilio Delgado que protagonizaron una tensa llamada telefónica en la que la ministra le avisaba de que anunciaría que será la candidata a las próximas elecciones autonómicas. En el juicio por el caso Kitchen, Soraya Sáenz de Santamaría alegó no acordarse de las preguntas que se le formularon sobre la trama policial para impedir la investigación de la caja B del PP. 

El Ritmo de la Mañana
Ni el más protegido está a salvo, tres atentados contra Donald Trump sacuden a Estados Unidos

El Ritmo de la Mañana

Play Episode Listen Later Apr 27, 2026 8:23 Transcription Available


Pod Awful
Rabbi Shmuley: BLOOD LIBEL - PODAWFUL PODCAST EO102

Pod Awful

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 263:31


https://podawful.com/posts/2645 Salvopancakes is making it unsafe for Jewish people to roam the streets and tunnels of New York City. Rabbi Shmuley waved a hankey at the police to have Salvo arrested for the crime of making unkosher comments. Salvo has been CURSED by the good Rabbi's ancient Hebrew magic of the BLOOD LIBEL, but fist, we need BLOOD. What better blood than that of the young goyim girl, victim of ZioHub, and worse, girlfriend of Ethan Ralph, Scarlett Hampton? The Sektur and Dabbleverse have collided and are now bloodthirsty, attempting to turn Scarlett into their next sacrifice. Also, Ethan and Scarlett have been gaslit into becoming the Earth's Jokers. PLUS: Elijah Schaffer responds about his divorce and affair with Sarah Stock (turns out, it was the Jews), and Gabe Hoffman's Kino Casino is bleeding out "catchphrase comedy." Get the POD AWFTER SHOW with More Elijah Schaffer coverage only in the PIZZA FUND: https://podawful.com/posts/2646 VIDEO: https://youtube.com/live/lJc0Fgb273A  Buy A Shirt: http://awful.tech PODAWFUL is an anti-podcast hosted by Jesse P-S

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Noticentro
Sheinbaum celebra que Trump y Melania estén a salvo

Noticentro

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 1:35 Transcription Available


Se mantiene Fase 1 de Contingencia Ambiental en ZMVMActivan Alerta Amarilla por calor en 12 alcaldías de CDMXBienestar despliega apoyos por lluvias en cinco estadosMás información en nuestro Podcast#grc

BULLY THE INTERNET
Rabbi Shmuley: BLOOD LIBEL - PODAWFUL PODCAST EO102

BULLY THE INTERNET

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 263:31


https://podawful.com/posts/2645 Salvopancakes is making it unsafe for Jewish people to roam the streets and tunnels of New York City. Rabbi Shmuley waved a hankey at the police to have Salvo arrested for the crime of making unkosher comments. Salvo has been CURSED by the good Rabbi's ancient Hebrew magic of the BLOOD LIBEL, but fist, we need BLOOD. What better blood than that of the young goyim girl, victim of ZioHub, and worse, girlfriend of Ethan Ralph, Scarlett Hampton? The Sektur and Dabbleverse have collided and are now bloodthirsty, attempting to turn Scarlett into their next sacrifice. Also, Ethan and Scarlett have been gaslit into becoming the Earth's Jokers. PLUS: Elijah Schaffer responds about his divorce and affair with Sarah Stock (turns out, it was the Jews), and Gabe Hoffman's Kino Casino is bleeding out "catchphrase comedy." Get the POD AWFTER SHOW with More Elijah Schaffer coverage only in the PIZZA FUND: https://podawful.com/posts/2646 VIDEO: https://youtube.com/live/lJc0Fgb273A  Buy A Shirt: http://awful.tech PODAWFUL is an anti-podcast hosted by Jesse P-S

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Small Efforts - with Sean Sun and Andrew Askins
Why AI Makes It Harder to Ship Good Products

Small Efforts - with Sean Sun and Andrew Askins

Play Episode Listen Later Apr 22, 2026 49:53


Andrew and Sean dig into Clawdgate, the growing developer complaints that Anthropic has been quietly throttling Claude's default thinking power after locking in enterprise deals. They also get into Sean's Salvo orchestration system, why waterfall specs do not work even with AI, and why scope creep is the silent killer hiding inside every AI coding workflow. Links:Andrew's Twitter: @AndrewAskinsAndrew's website: https://www.andrewaskins.com/MetaMonster: https://metamonster.ai/Slackletter: https://slackletter.com/Sean's Twitter: @seanqsunMiscreants: http://miscreants.com/Margins: http://margins.so/Sean's website: https://seanqsun.com/For more information about the podcast, check out https://www.smalleffortspod.com/.Transcript:00:00.76SeanWhat is up? My phone is gigantic.00:02.84AndrewI want to throw Claude out of the window.00:06.04SeanWhy? What's going on? How dare you speak about my boy, Claude?00:13.07AndrewHave you seen all the chatter online? Like there, I don't know if it's like just my feed or what, but I'm seeing a bunch of people complaining about Claude getting worse.00:15.63SeanYeah.00:23.62AndrewLike, uh, and like the, the hypothesis I've seen is that, that, um,00:23.98SeanTotally.00:30.65Andrewis that Anthropic has been kind of throttling down Claude's default thinking power, or like like basically how much time and resources it spends thinking to save money.00:45.99Andrewlike they The theory is that they like used the masses to get people excited and build hype for Claude so they could sell enterprise deals. And now that they've got the enterprise deals, they're like throttling down how good Claude is for the masses by default.01:03.27Andrewbut But I think you can still like adjust the settings to get it back to where it was. i haven't really tried to tinker with it.01:10.37SeanYou gotta make an ultra think, man. You gotta turn on ultra think.01:15.65AndrewWait, is that a thing? Is that a setting, UltraThink? Or is this...01:21.16SeanIf you type in ultra think, something will happen. But I think it's just called slash effort max now, not ultra think.01:26.29Andrewyeah, yeah, yeah.01:27.67Andrewyeah01:28.95Seanmaybe ultra think is still a thing though I'm not super sure I know that all of Facebook uses ultra think do you see that Facebook's and internally has a competition of like how like they're all token maxing because there's a leaderboard of how many tokens you're burning and one guy's burnt like01:44.88AndrewIs this why people are like making fun of, I've seen a bunch of people talking about how stupid it is to like reward people for like maximizing tokens.01:52.34Seanyeah01:53.92AndrewIs this where this is coming from?01:55.41SeanYeah, yeah, yeah. 100%. 100% it is. Yeah. But have you turned on your Claude buddy? Do you have your Claude buddy yet?02:05.24AndrewSo no, is this, is this like a default cloud thing or is it something you have to install?02:08.36SeanYeah. Yeah, yeah. No, Claude code, just type in slash buddy. You got like a random buddy. I got a common turtle. his name is His name is Flukish, but I like to call him fuckish.02:23.08Seanhe' He's kind of an asshole. Like, it tells you, like, a personality rating, and it's, like, everything else is not helpful. Like, ability to debug, like, zero. Ability to whatever, zero. Snarky, 95. Yeah.02:36.12AndrewSo sounds like you, they they cloned you.02:37.69Seanyeah I know.02:39.68Andrewthey somehow just interpreted you.02:42.32SeanI'm just a common turtle, man.02:43.62SeanHmm.02:44.22Andrewand So I use i exclusively use Claude inside of Conductor. And so I've never actually like looking directly at the Claude metal. Like I'm not and the Claude code interface.02:55.56AndrewI'm always seeing it inside of just the sort of conductor wrapping.02:58.95SeanYeah. Yeah.03:02.35AndrewAustin was just showing me a version, like an yet another03:07.92SeanYeah.03:08.88Andrewuh one of these things it's called superset which is apparently like conductor but you're more you're getting more of the direct cloud code experience which i don't know if i need or want03:13.18SeanOh, I saw that. Yeah, yeah.03:23.47SeanYeah.03:25.69AndrewBut yeah, what i have also i have not tinkered with my like default fault Clawed settings at all.03:25.81SeanYeah.03:35.42Andrewlike i I haven't done the EffortMax thing yet. I haven't messed around with my ClawedMD file. I've just been like just been rolling with with what I get out of the box. Austin also raves about a set of skills called superpowers that I heard Ian Lanceman talking about some recently too.03:56.24SeanHave you seen people talk about like impeccable? Okay.03:59.16AndrewOh, is this the is this kind of like the UI?03:59.36SeanU-I-S-H.04:02.80AndrewWell, I still don't, yeah, so no one knows what UiASH is going to actually be, but it seems like similar vibes.04:03.00SeanYeah. yeah04:10.84SeanYeah, someone... i saw a post yesterday about someone talking about how, like, a before and after they got to use UISH.04:19.21AndrewOh, sick. Yeah, I guess maybe they've started rolling out some invites, but it's still pretty small.04:20.21SeanYeah, yeah.04:24.92SeanYeah, it just looks like it knows how to use Tailwind.04:29.41AndrewIt's, yeah. I'm curious how they're going to charge for it, how they're going to charge for UISH, because if it is just a set of skills, it seems like that's going to be a hard thing to charge an ongoing subscription for, because like once people have the skills and04:30.51SeanYeah.04:33.07SeanYeah.04:46.68AndrewUnless the skills the skill files, unless you never actually get access to the skill files, it's like all remote.04:53.42SeanThat's terrible. I would not use, I would not use that. That's like, I would just, yeah.04:57.49AndrewYeah, it seems like it would be really slow.05:00.10Seanoh So I don't know how you would stop it from like just me going or just me going rebuild yourself, you know?05:02.79AndrewDownloading the files.05:08.24AndrewYeah.05:08.53SeanYeah. yeah05:10.96Andrewi It seems like there's gonna be a piece beyond, because I've also heard them talking about it kind of like a tool, so I'm wondering if there's more to it than just skill files.05:21.94SeanMaybe it's like, you know how like a lot of those like styled component libraries have like theme creators. I mean, you can download it. Maybe it's like you get access to that. You get to like theme tailwind and you download it as like a specialized skill just for you.05:36.66AndrewMaybe.

All About Beer
How Brewing with Salvo Can Improve Your Beer

All About Beer

Play Episode Listen Later Apr 13, 2026 53:10


For more than a decade, IPA, in all its variants, ruled the craft beer world.  It's a beer style built on hops.  While IPA ruled the world, so did hops.  But as the beer world has evolved, so have hop products.  No longer is it enough to throw a ton of the latest hop variety into a hazy beer.  New hop products can be used differently, add new flavors and aromas and change mouthfeel.In this bonus episode, sponsored by Hopsteiner, we talk about how brewers can think about hops in a whole new way–not just IBUs and oils, but texture and mouthfeel.  And while hop varieties were, for a while, chasing tropical flavors, new varieties are supporting the current trend toward lagers.Visit AllAboutBeer.com for more podcasts, to read original articles, and to get info on upcoming events.Click here to support independent journalism covering the beer industry.This Episode is Sponsored by:HopsteinerLet's talk brewhouse efficiency: Replacing pellet loads with Salvo cannot only boost aroma density, but reduce trub load and increase beer wart. Seems like simple math, but if it is still not obvious— replacing pellets with Salvo can give you MORE BEER per batch with BETTER brewhouse efficiency. Salvo —designed for brewers who are tired of sacrificing yield for aroma Explore flavor solutions at shop.hopsteiner.com.All About BeerAt All About Beer, we're honored to share the stories that define the beer community, and we couldn't do it without the generous support of our underwriting sponsors. Their commitment helps sustain independent beer journalism, allowing us to highlight the people, places, and passion behind every pint. Their partnership ensures these stories continue to inspire, connect, and celebrate the craft we all love. Join our underwriters today and help make an impact on independent journalism covering the beer industry.Host: Don TseGuests: Andy Link, Roger Herpst Sponsors: HopsteinerTags: Hops, Flavor, BrewingPhoto: HopsteinerThe following music was used for this media project:Music: Awesome Call by Kevin MacLeodFree download: https://filmmusic.io/song/3399-awesome-callLicense (CC BY 4.0): https://filmmusic.io/standard-licenseArtist website: https://incompetech.com ★ Support this podcast on Patreon ★

Fitness en la Nube
Como “hacer dieta” sin cocinar

Fitness en la Nube

Play Episode Listen Later Apr 9, 2026 8:55


Ir en el asiento del copiloto es mucho más cómodo que ir conduciendo. La parte mala de esto, es que el que controla el volante es el conductor, no el acompañante y será el conductor el que decida donde va el coche y por tanto donde vas tú. Y con la alimentación ocurre lo mismo. Es una utopía pensar en mejorar tu alimentación o incluso perder peso si no estás al mando de tu alimentación. Porque si eres de los que llega a su casa, se sienta en la mesa y le ponen un plato de comida delante, siento decirte que eres un pasajero de tu alimentación y que aunque sea muy cómodo ir a mesa puesta, es imposible que soluciones tu sobrepeso o tus problemas con tu alimentación cuando no eres tú quien controla tu alimentación. Así que mi consejo número 1 por supuesto es que si quieres mejorar tu forma física tienes que poder controlar tu alimentación y si no puedes o no quieres hacerlo, te va a costar mucho más trabajo. Punto. Esto no es discutible. Y si quieres bajar de peso comiendo los canelones de la mama y el cocido y la paellita de los domingos, pues no vas a poder. Salvo que tengas un sistema de control. Porque es posible que si vas a comer a casa de tus padres, que es algo bastante habitual, los abuelos recogen al niño del colegio y los padres cuando salen de trabajar se van a comer donde los abuelos y comen lo que la abuela pone en el plato. Quizás en esta circunstancia, tú no puedas escoger qué es lo que toca comer hoy, porque lo decide tu madre o tu suegra (aunque siempre tienes opción de hacerte tu comida que es lo ideal), pero si no quieres hacerlo porque eres un blando y un incoherente porque quieres perder peso pero al mismo tiempo te quieres comer los canelones de tu madre, hay otra opción que es controlar el cuánto. Es decir, si no puedes escoger el qué, sí que puedes controlar el cuánto comes. Sistema de Porciones Yo desarrollé un sistema que llamé sistema de porciones, que lo he usado con muchos clientes y aunque no es perfecto, es incluso mucho más deficiente que el planificador nutricional y usar este planificador siempre va a ser mejor, hay mucha gente que prefiere el sistema de porciones porque aunque sea menos preciso, es más simple. ¿Y qué es el sistema de porciones? Básicamente es hacer porciones equivalentes de diferentes elementos. Por ejemplo, yo uso solo 3 categorías, una que es fruta y verdura que es libre, y hay mucha gente traumatizada con la fruta porque tiene azúcar y bla bla bla, pero la realidad es que no he visto a nadie ponerse gordo por comer demasiadas manzanas, por eso realmente tema fruta y verdura es libre, pero luego hay 2 elementos, uno que llamo proteína y otro que llamo energía. Técnicamente esto no es correcto, porque todos los alimentos contienen aminoácidos y por tanto contienen proteína. Es decir, unas judías verdes serían proteína también, pero bueno de alguna forma hay que categorizar a los alimentos que proporcionalmente tienen más proteína. Y una vez que tienes esas 2 columnas (proteína y energía) y uso energía porque me da igual que ese alimento contenga más grasa o más carbohidratos, simplemente por simplificar y técnicamente también es erróneo porque la proteína también es energía, pero bueno. Esto es simplemente una forma de categorizar alimentos en energía o en proteína. Y ahora haces una equivalencia de todos esos alimentos, por ejemplo a 100 calorías. Es decir pechuga de pollo, ¿Cuántos gramos de pechuga de pollo son 100 calorías? Digamos 80 gramos. Pues ya sabes que una porción de pechuga de pollo son 80 gramos. Y así lo haces con todos los alimentos que vayas a consumir. Evidentemente no lo hagas con los cheetos porque no tiene mucho sentido, pero lo haces con el queso, con las legumbres, con el arroz, con la ternera, con el cerdo, con la merluza, con el salmón… con lo que vayas a comer. Y ya que tienes todo paquetizado en 100 calorías, ahora solo tienes que determinar cuántas calorías necesitas comer al día. Ponle que necesitas 2.000 calorías, pues ya sabes que eso son 20 porciones. Puedes hacer por ejemplo 10 de proteína y 10 de energía. Y ahora con esa información, cuando vayas a casa de tu suegra y te pongan filetes en salsa, con patatas, si sabes que en esa comida tienes que meter 2 porciones de proteína y 2 de energía, pues ya sabes que a lo mejor tienes que meter un par de filetes que serán unos 150 gramos y quizás 200 gramos de patata. Y comes lo que te pone tu suegra pero intentas adaptarlo a ti. Esto no es perfecto, porque especialmente las comidas de las madres o suegras sabemos que llevan mucha trampa y que probablemente lleven el doble de calorías que si hicieras tú esa comida en tu casa, pero al menos tienes un sistema de control y eso es lo importante, porque cuando tienes un sistema de control, si ves que no te está funcionando, puedes decir, vale pues en lugar de comer 2 porciones de proteína y 2 de energía voy a comer 2 de proteína y una de energía, o una de proteína y 1 de energía. Y observas que pasa. Al final este sistema de porciones es una manera de intentar tomar el control de algo que casi nadie tiene control que es su almentación y es una forma de hacerlo que está entre el caos más absoluto de comer lo que me ponen en la mesa sin ningún control y el control exhaustivo de diseñar tú tu alimentación que por supuesto es lo más efectivo, pero quizás por circunstancias no es para todo el mundo, y esta es la siguiente mejor opción. Que ojo, digo la siguiente mejor opción en términos de eficacia, pero si este sistema de porciones te sirve para ser constante controlando tu alimentación, eso ya hace este sistema más efectivo que el planificador nutricional, porque si el planificador nutricional no lo usas o te diseñas tu plan de alimentación pero no lo sigues porque te surgen 1000 cosas y comidas y eventos y demás, pues entonces es posible que para ti, sea mejor el sistema de porciones. Por eso en el programa 4×4 que es un programa para perder 4 kilos en 4 semanas, enseño los 2. Primero enseño a usar el sistema de porciones que lo tengo ya muy depurado con diferentes niveles para que las personas no tengan que pensar en nada simplemente determinar qué nivel usar, que eso también lo enseño en el programa evidentemente y luego cuando ya has determinado el nivel que vas a usar, ya tienes los alimentos con los gramos por cada porción para que no tengas que hacer cuentas ni nada, simplemente te sientas a la mesa y de lo que te pongan ya sabes que tienes que consumir X cantidad de proteína y X cantidad de energía. Y no es perfecto, pero funciona. Origen

All About Beer
AAB 091: Big Sky Moose Drool and Alaskan Amber Continue to Thrive

All About Beer

Play Episode Listen Later Apr 6, 2026 53:54


There's something about a beer that rises above the fray and becomes part of beer lore. We have memories of our first pints of these beers and it feels as though these beers have always been there for us, have lasted throughout the years and will continue to do so. This month on the All About Beer podcast, we take a peak at two such popular beers: Big Sky Moose Drool and Alaskan Amber, two beers that have been around for decades and yet continue to be incredibly successful. Why are these beers so iconic and what goes into producing them? Tune in to find out.Visit AllAboutBeer.com for more podcasts, to read original articles, and to get info on upcoming events.Click here to support independent journalism covering the beer industry.This Episode is Sponsored by:HopsteinerLet's talk brewhouse efficiency: Replacing pellet loads with Salvo cannot only boost aroma density, but reduce trub load and increase beer wart. Seems like simple math, but if it is still not obvious— replacing pellets with Salvo can give you MORE BEER per batch with BETTER brewhouse efficiency. Salvo —designed for brewers who are tired of sacrificing yield for aroma Explore flavor solutions at shop.hopsteiner.com.Escarpment LaboratoriesEscarpment Labs is the official yeast partner of Pink Boots brews. Their Pink Boots Yeast is a versatile German Kölsch strain that works across different beer styles. In light beers, it delivers bright, white wine–like aromatics. In hop-forward beers, it drives clean, citrus-forward biotransformation. Every purchase supports the Pink Boots Society, with fifteen percent of proceeds funding scholarships and professional development for women and non-binary people in brewing. To place an order, email sales@escarpmentlabs.com.Athletic BrewingYour first sip of Athletic Brewing Company's non-alcoholic beer is a game-changer – it tastes so good, you can't believe it's non-alcoholic.They've won 185 taste awards to prove it. From goldens, to IPAS, lite brews or their new Lime & Salt brew, they've got a flavor for whatever the mood calls for - which means great beer, no hangovers, and guilt-free drinking every day of the week. You can try Athletic's non-alcoholic brews for yourself at over 75,000 grocery or liquor stores, bars and restaurants nationwide. Or check out limited styles, exclusively on their website.Go to Athleticbrewing.com to find stores near you or get brews shipped right to your door! Get 15% off your first online order.Terms and conditions and certain limitations apply. Athletic Brewing Company. Fit For All Times.Visit FlandersReady for a getaway that blends culture, flavor, and centuries of tradition? Head to Flanders — the birthplace of Belgian beer culture.This year marks a decade since UNESCO recognized Belgian beer culture as an Intangible Cultural Heritage of Humanity, and there's no better moment to experience it firsthand. Explore Trappist monasteries, cozy beer cafés, and innovative breweries that keepBelgium's brewing legacy alive. Raise a glass to history, hospitality, and the spirit of Flanders — where every pour tells a story. Start planning at Visitflanders.com.All About BeerAt All About Beer, we're honored to share the stories that define the beer community, and we couldn't do it without the generous support of our underwriting sponsors. Their commitment helps sustain independent beer journalism, allowing us to highlight the people, places, and passion behind every pint. Their partnership ensures these stories continue to inspire, connect, and celebrate the craft we all love. Join our underwriters today and help make an impact on independent journalism covering the beer industry.Hosts:  Em Sauter and Don TseGuests: Marcy Larson, Geoff Larson, Bjorn NabozneySponsors: Hopsteiner, Escarpment Laboratories, Athletic Brewing, Visit Flanders, All About BeerTags: Brown Ale, Amber Ale, Smoked Porter, Malt, History, FlavorPhoto: by John HollThe following music was used for this media project:Music: Awesome Call by Kevin MacLeodFree download: https://filmmusic.io/song/3399-awesome-callLicense (CC BY 4.0): https://filmmusic.io/standard-licenseArtist website: https://incompetech.com ★ Support this podcast on Patreon ★

Aviva Nuestros Corazones

Serie: Seguro en casa: Un tributo a la vida de Robert Wolgemuth. Ep2. Se puede confiar en Dios para escribir nuestras historias.

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The RunOut Podcast
The RunOut #165: Chasing the big projects with Ethan Salvo

The RunOut Podcast

Play Episode Listen Later Mar 29, 2026


Ethan Salvo is a Canadian climber based in Squamish, who’s best known as the first Canadian to climb V16. That same week, he also climbed Dreamcatcher, Chris Sharma’s 5.14d. And this past he winter, he climbed Lucid Dreaming, the V15 in Bishop. But first, your lukewarm podcast hosts discuss a hot take: Was hang dogging a mistake? Our final bit is Jess Steven with a cover of “Black Flies” Show Notes Follow Ethan Salvo: https://www.instagram.com/ethansalvo Ethan Salvo on Substack: https://ethansalvo.substack.com https://blackdiamondequipment.com/blogs/stories/event-horizon Follow Jessica Steven: https://www.instagram.com/peace.and.choss Jessica Steven: https://jessicasteven.weebly.com/ This episode is sponsored by Patagonia. Check out their new Free Wall Kit: https://www.patagonia.com/free-wall-kit/ Become a RunOut Rope Gun! Support our podcast and increase your RunOut runtime. Bonus episodes, AMA, and more will be available to our Rope Guns. Thank you for your support! http://patreon.com/runoutpodcast Contact us Send ideas, voicemail, feedback and more. andrew@runoutpodcast.com // chris@runoutpodcast.com

The Libertarian Institute - All Podcasts
Ep 079 “Iran, Salvo Competition and the Inevitable Stalemate”

The Libertarian Institute - All Podcasts

Play Episode Listen Later Mar 17, 2026 43:53


I’ll discuss Iran and the grunt math of salvo competition. Buppert's Law of Military Topography: “Mountainous terrain held by riflemen who know what they are about cannot be militarily defeated.” For other insight on Iran, I recommend CG episodes 061 , 067 and 078. References: The Boogeyman of 21st-Century Warfare: Drones Why the US is facing strategic defeat Points of Resistance and Departure: An interview with James C. Scott Lester Grau and Charles J. Bartles Mountain Warfare and Other Lofty Problems: Foreign mountain combat veterans discuss movement and maneuver, training and resupply (Helion Studies in Military History) Lester Grau The Bear Went Over The Mountain: Soviet Combat Tactics In Afghanistan [Illustrated Edition] Lester Grau The Other Side of the Mountain: Mujahideen Tactics in the Soviet-Afghan War Mark Thompson The White War: Life and Death on the Italian Front 1915-1919 James C. Scott The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia Sun Tzu The Art of War Carl von Clausewitz On War Miyamoto Musashi A Book of Five Rings: The Classic Guide to Strategy H. John Poole The Last Hundred Yards: The NCO's Contribution to Warfare Christian Brose The Kill Chain: Defending America in the Future of High-Tech Warfare Qiao Liang & Wang Xiangsui Unrestricted Warfare: China’s Master Plan to Destroy America My Substack: https://t.co/7a8jn2Mmnx Email at cgpodcast@pm.me.