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Convidado
Carlos Vila Nova: “Governo será emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida”

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 29, 2026 15:01


São Tomé e Príncipe foi a votos no passado domingo, nomeadamente para eleger 55 deputados. Nesta segunda-feira, a Comissão Eleitoral anunciou resultados preliminares colocando o MLSTP, na oposição, em posição dianteira, mas com uma vantagem de apenas algumas centenas de votos em relação à ADI no poder, havendo agora indicação de que estariam numa situação de quase empate. A abstenção, o apelo ao boicote do escrutínio, os critérios para a indigitação de um governo e o futuro relacionamento institucional com quem irá governar, foram alguns dos assuntos que a RFI abordou em entrevista exclusiva nesta terça-feira com o Presidente São-Tomense, Carlos Vila Nova. RFI: Qual é a avaliação que faz da forma como decorreram as eleições? Carlos Vila Nova: É um exercício que se vai tornando cada vez mais frequente em São Tomé e Príncipe. Há cerca de 35 anos, optámos por viver em democracia e temos feito de cada acto eleitoral uma forma de consolidar a democracia em São Tomé. Nos últimos actos eleitorais, felizmente, vamos melhorando. Prevaleceu a serenidade neste concretamente, no dia 27 de Setembro. Penso que optou-se por muito mais mensagens do que outro tipo de comunicação. Por vezes a comunicação costuma ser mais folclórica, mais músicas, enfim. Há várias formas e em todas elas, o apelo à serenidade e à estabilidade. Portanto, foram panos de fundo que me deixaram bastante agradado. E quando vejo por parte dos observadores também que para São Tomé e Príncipe, não foram poucos, que quase os requisitos todos foram cumpridos e que, portanto, a transparência também faz parte, a Comissão Eleitoral Nacional já se pronunciou, embora não seja sua competência definir os mandatos. Já se pronunciou, o que mostra também celeridade. Também há algum profissionalismo e os meus apelos também têm sido sempre neste sentido e estou positivamente agradado com o acto eleitoral. RFI: Apesar dos apelos para uma grande participação dos eleitores. Estas eleições foram marcadas por uma abstenção de mais de 62%. Como é que interpreta este dado? Carlos Vila Nova: Bom, aí já não há regozijo. Pelo contrário, os apelos foram muitos, mas também, se recuarmos a actos eleitorais anteriores, a abstenção, sempre foi muito elevada. É verdade, desta vez ultrapassou. Mas quando nós olharmos para aquilo que é todo o processo eleitoral, nós olhamos para os progressos que temos feito em matéria de consolidação dos dados eleitorais. Repare que nas eleições presidenciais de 19 de Julho foi quando nós conseguimos fazer uma reconciliação entre os registos eleitorais, os dados existentes de forma electrónica com a Comissão Eleitoral Nacional. Nas presidenciais detectou-se um bocado mais de problemas técnicos e essa parte foi melhorada. Mas eu creio que a emigração também afectou. Não tenho a certeza, mas é algo que nesta legislatura vamos ter que trabalhar muito, entrar na lei eleitoral, fazer melhorias. Eu próprio pedi aos nossos parceiros da União Europeia que recebi para nos acompanharem neste processo, porque, ao que tudo indica, nem toda a movimentação emigratória para fora de São Tomé e Príncipe tomou-se em conta e os registos continuam nos cadernos eleitorais em São Tomé. Isto já é de si um motivo. E depois, politicamente, também houve apelos. Isto é antidemocrático. Deixe-me dizer-lhe que não vejo como é que alguém em perfeito estado normal, possa fazer apelo à abstenção. Portanto, não só é antidemocrático, mas é incorrer em erro enganar pessoas, eleitores. Nem todos nós temos o mesmo discernimento, mas temos de lidar com a questão. E nós vamos lidar positivamente com a questão. Eu tenho esperança que nesta legislatura conseguiremos, porque as forças políticas activas entenderam que não é um apelo que se faça. Tanto é que todos eles apelaram à votação em massa. Não aconteceu. Vamos lidar com a questão. Vamos olhar para ele e tentar corrigir para que os próximos actos sejam melhores. RFI: Precisamente, falou do apelo ao boicote a estas eleições. Pensa que Patrice Trovoada pode tirar algum benefício político desta situação? Carlos Vila Nova: Bom, eu nem consideraria boicote, porque quando num acto eleitoral um partido político quer boicotar, não é desta forma. Portanto, eu olho para os partidos políticos, para os seus dirigentes, para os seus representantes e não vejo a pessoa que falou. Portanto, não, não me diz nada. RFI: Ontem, a Comissão Eleitoral Nacional deu os primeiros resultados. São resultados provisórios destas eleições. E desde então, os partidos políticos têm andado a especular sobre o número de mandatos que têm, respectivamente. Inicialmente falou-se do MLSTP estar à frente e de ter mais mandatos do que a ADI. Depois, evoluiu para um empate e agora é um quase empate. Como é que avalia a forma como actuaram estes partidos políticos desde ontem? Carlos Vila Nova: Com alguma precipitação. Mas pronto, não vou entrar em muitos pormenores quanto a isso. Mas reconheço que com alguma precipitação da parte e de outra. Na mensagem que eu fiz à Nação, apelei à serenidade. A serenidade também diz aguardar calmamente pelo anúncio dos resultados. Eles ainda não são oficiais. A Comissão Eleitoral fez o seu papel, anunciou e nota-se que realmente há uma aproximação entre dois dos principais partidos. Há uma diferença. Respeitei. Agora cabe ao Tribunal Constitucional de facto, quem tem a competência de validar não só os mandatos, o vencedor das eleições e a partir deste momento, trabalharemos na Constituição, na formação e na organização de todas as instituições que foram democraticamente eleitas para que elas entrem em funcionamento. Falo da Assembleia Nacional, a sua composição, e dos governos. Sobretudo o Governo central, que é uma emanação directa do resultado das eleições. Portanto, eu penso que nos próximos dias, há um prazo legal a cumprir, o Tribunal Constitucional vai se pronunciar e a partir daí nós saberemos exactamente quem é o vencedor. Quais são os mandatos distritais, nacionais, para então constituirmos os órgãos democraticamente eleitos. RFI: Não receia que, dado o nervosismo que há entre certos partidos políticos, possa haver também alguma suspeita em relação ao Tribunal Constitucional que, ao longo deste processo, foi acusado de alguma parcialidade política? Carlos Vila Nova: Tem sido comum. Mas repare que eu dou-lhe um exemplo: qualquer cidadão individual ou, digamos, qualquer entidade individual ou colectiva, mas que encontra resposta nos culpados, que os terceiros são sempre os culpados dos seus problemas. Não é verdade. A lei não existe só quando ela nos é favorável. Ela existe para com serenidade, aceitarmos as decisões dos tribunais. E quando não concordamos, temos que encontrar espaço para recorrer e interpretar. Mas tudo quanto vier a acontecer, para responder directamente à sua pergunta, nada disso não poderá ser resolvido se continuarmos com o espírito aberto. O engajamento para o diálogo. Resolve-se tudo isso. Portanto, as suspeições, elas podem existir, mas é preciso respeitar as instituições e agirmos com base nas decisões que são de lei. RFI: Neste processo todo, tendo em conta que há um quase empate, pelo menos por enquanto, tem havido contactos políticos entre as várias forças para construir eventuais coligações para formar governo. Como é que vê precisamente esta perspectiva? Quais vão ser os seus critérios para aceitar uma ou outra coligação para governar? Carlos Vila Nova: Vejo como bom tom essa aproximação entre os partidos. Portanto, demonstra algum espírito de concertação e de diálogo que é bom. Não quer dizer que todos os contactos sejam traduzidos em resultados concretos. Pela minha parte, acompanho desde já com muita atenção. Se puder influenciar alguma coisa, todos os partidos sabem que estou à disposição para o fazer, mas a entrada em acção do Presidente da República é exactamente quando tiver o anúncio oficial dos dados, convidar o partido vencedor, ter uma conversa e pedir -eu sempre disse- a sustentabilidade do Parlamento. Ela tem que ser garantida. Antes de nomear o próximo governo, não é de todo factível que o próximo governo, no primeiro embate, seja um governo praticamente com os pés na rua. Não faz sentido. Nós não estaríamos a promover aquilo que todos apelamos, que é a estabilidade, um princípio de coesão nacional, um princípio de diálogo onde as pessoas conversem, tragam os problemas e pensem todos o país. Eu não vi nenhuma força política desde as eleições de 19 de Julho para as presidenciais e agora em Setembro, que não usasse um slogan que reflectisse ou colocasse São Tomé e Príncipe em primeiro lugar. Todos. E então temos que na prática demonstrar isso. Portanto, o próximo governo será uma emanação da sustentabilidade parlamentar que me for garantida. RFI: O que espera do futuro governo com o qual vai trabalhar, senhor Presidente? Carlos Vila Nova: Lealdade institucional. A primeira das condições. Espírito aberto para o diálogo permanente. Disponibilidade para trabalhar e coragem para reformar. Vamos ter que, de facto, introduzir muitas reformas para melhorar o funcionamento do país e a capacidade, ao nível da Assembleia, de se discutir honestamente, com sinceridade, as grandes questões do país. E não escondo, inclusive, a possibilidade de a revisão constitucional neste quadro, nesta legislatura. Através do diálogo. RFI: Uma das reformas que enunciou como sendo prioritárias quando tomou posse para o seu novo mandato foi precisamente a Justiça. Como é que encara essa reforma? Carlos Vila Nova: A justiça, de facto, tem sido meu denominador comum durante cinco anos. Foi onde eu mais intervim. Foi onde eu mais trabalhei, foi onde eu mais contribuí. Continuarei. Cheguei a fazer conselhos de Estado temáticos sobre a Justiça. Reuniões de alto nível. Várias delas. Mas repare. Ela é tão transversal, ela é tão importante para o Estado de Direito democrático e para a atracção de investimentos no nosso país que todos nós temos que nos dedicar. E foi também com bastante satisfação que eu vi nos programas e nas mensagens de muitos partidos políticos também o apelo à contribuição para melhorar a Justiça. Portanto, conto com o próximo governo para que juntos possamos melhorar ainda mais. Não é uma situação que pontualmente há um assunto concreto que se resolva. Ela é abrangente. Nós vamos ter que abordar de forma que ela seja mais célere, ela seja mais justa e que ela possa, sobretudo, ser mais orientada para a solução dos problemas, para o bem do país e do seu povo e dos investimentos. RFI: Tem havido muitos problemas aqui em São Tomé e Príncipe, nomeadamente no que tange ao fornecimento da electricidade, à saúde, ao acesso a água potável. O que é que pensa que se pode fazer juntamente com o futuro novo governo? Carlos Vila Nova: Sabe se ao longo desses anos tivéssemos pensado o país mais, digamos, nas pessoas, muitos destes problemas estariam resolvidos, porque São Tomé e Príncipe, como Estado, não é diferente de qualquer outro Estado. A nossa dimensão territorial não retira a capacidade de sermos um Estado com todas as suas instituições, todos os seus dados estatísticos, Mas a verdade é que há descontinuidade governativa. Houve diferentes interrupções, um factor que nos prejudicou bastante nos últimos anos. Em democracia, já temos conseguido uma estabilidade governativa melhor. Os últimos governos têm cumprido o seu mandato. Espero que este também o faça e que haja uma continuidade das acções do Estado. Eu recordo-me já com alguns dirigentes da oposição, com dirigentes ainda do actual governo, ter pedido uma lista de todos os projectos em curso, sobretudo no domínio das infra-estruturas, no domínio da saúde e da educação, para que, de facto, nós olhemos um bocado mais para dentro e não termos aquele apetite de criar coisas novas quando temos coisas em curso e que podem resolver o problema das pessoas. Isto é um primeiro passo. O segundo é preciso adaptar os recursos disponíveis às necessidades mais prioritárias das pessoas, das populações e do país. E é possível. A energia em concreto é algo que ao longo destes anos todos não conseguimos resolver. Mas é por aí. Não pode haver uma divergência de fundo entre as diferentes forças. O facto de eu estar na oposição, eu não posso estar contra um programa que o governo que está no poder queira fazer e que vá resolver o problema. Tenho que encontrar a forma de dar a minha contribuição. Eu também costumo dizer que o poder crítico dos cidadãos não deve ser usado para bloquear. Ele deve ser usado para construir. E é isso que eu espero. Sem a transição energética, este país não dará passos nenhuns. Sem olharmos devidamente para a saúde, repare, o nosso sistema Nacional de Saúde não é propriamente o que está em causa. É olharmos para o sector, porque o sistema que eu até considero bom em termos sustentabilidade económico-financeira e social para garantir. Este sistema a educação, nós temos índices muito bons, internacionalmente reconhecidos, mas será que a qualidade do ensino é aquela que desejamos? Portanto, são coisas que, dentro do poder, fora do poder, as forças políticas, que são o alicerce da democracia, têm que encontrar pontos de convergência para nós podermos avançar neste processo. RFI: Todo o país tem recebido o apoio do FMI e do Banco Mundial, que também fazem, preconizações. Até que ponto é que o futuro governo não vai estar bastante condicionado pelas preconizações das instituições internacionais? Carlos Vila Nova: Temos parceiros multilaterais que nos têm acompanhado ao longo desses anos, assim como os bilaterais. Há um conjunto, um quadro próprio que temos que respeitar para que possamos continuar a ter esses parceiros ao nosso lado. Não creio que qualquer que seja o governo que venha, que ponha directamente em causa, pode rever, pode encontrar outros mecanismos e, como digo, pode e deve sempre conversar. Se fechámos as portas do diálogo, então aí não avançaremos para lado nenhum. E este diálogo tem que ser com os parceiros e internamente também. Eu velarei para que internamente se abra um novo capítulo na história deste país, que é um diálogo mais permanente, mais sincero, mais directo. E depois, a partir daí, encontrarmos pontos de convergência para termos uma estratégia que possa pôr o país na rota do desenvolvimento. RFI: Por fim, senhor Presidente, qual é o seu apelo neste momento político que o país está a viver? Carlos Vila Nova: Serenidade, Confiança. O futuro é nosso. Depende de nós. Vamos construí-lo.

Convidado
Eleições são-tomenses: a crise energética e a transição para outro modelo

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 23, 2026 8:35


Em São Tomé e Príncipe, decorre a segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro. Entre as diversas temáticas evocadas pelos candidatos, figura a questão da energia, num momento crucial para o país ainda no rescaldo de dez meses de contínuos apagões. A saída repentina de um parceiro privado, estruturas antigas e a falta de manutenção, foram os motivos enunciados na época. Posik Espírito Santo, actual dirigente da empresa fornecedora EMAE, faz um balanço dessa crise. “O país sofreu dois processos ainda neste período de quatro anos. Houve um processo que se iniciou com uma empresa privada chamada Tesla (empresa turca). A saída da Tesla de uma forma repentina e as máquinas da EMAE, como estavam na altura todas a precisar de manutenção, não houve esse cuidado da parte da EMAE no sentido de recuperar as máquinas porque estavam confortáveis com a empresa Tesla. Com a saída de Tesla, naturalmente, houve esse desafio”, explica o dirigente para quem, ainda assim, “se conseguiu em pouco tempo recuperar o problema que foi uma avalanche durante quase um ano.” “No entanto, não podemos considerar que isto está totalmente resolvido, porque a nossa rede eléctrica é uma rede completamente também obsoleta. De vez em quando, acredito que poderão surgir alguns apagões, mas não propriamente devido à disponibilidade da potência, mas sim devido à fragilidade da rede eléctrica”, admite Posik Espírito Santo. Para o líder do sindicato dos trabalhadores da EMAE, Adélcio Costa, esta situação deu-se antes de mais devido a opções políticas erradas. “Isso tem a ver coma ingerência política e a má gestão daquilo que se pensa para poder melhorar o sector energético. Os governos que vão e vêm para governar o país, não vem com um plano já elaborado para melhorar o sector energético. Esses dez meses aproximadamente de crise energética, mostram muito o quão é perigosa a forma de fazer política para o sector. Vê-se mais improviso, improviso na compra de gerador, improviso nas parcerias, público privado, improviso em manutenções, improviso em tudo, quando essas coisas deviam ser “, denuncia o sindicalista. “A população sofreu. Houve mortes e incêndios. Houve a economia que praticamente perdeu o sustento, a economia é estabilizada pelo sector energético e pelo combustível. E quando não há energia, praticamente, a vida económica de São Tomé pára. Então houve hotéis, restaurantes, negócios que foram a pique. Estamos a recuperar. E essa recuperação vai demorar bastante tempo”, diz Adélcio Costa. Nestes últimos anos, no intuito de concretizar a sua transição para energias mais limpas, a EMAE tem apostado na energia fotovoltaica, com o apoio do Banco Mundial e parcerias com entidades privadas. Um processo acolhido com optimismo por Posik Espírito Santo. “Este processo da energia fotovoltaica, é um processo que está bem evoluído e nós já estamos na fase de terraplanagem e ao mesmo tempo no processo de gerir a parte administrativa de forma a receber esses painéis. Mas, por outro lado, é bom também que nós salientemos aqui o seguinte: nós olhamos para a fotovoltaica, ok, mas também há a necessidade de o Estado criar uma central de base de geradores de baixa rotação, de forma a suportar todo esse processo de transição. Porque a energia renovável é algo bom, é verdade, mas só a fotovoltaica não irá naturalmente resolver na totalidade as nossas dificuldades”, ressalva o dirigente. O sindicalista Adélcio costa também vê com bons olhos a procura de alternativas energéticas mais limpas. Contudo, ele mostra-se mais cauteloso relativamente às parcerias público-privadas preconizadas não só pelo banco mundial como por algumas formações candidatas às legislativas. “Esta fonte de energia é a melhor forma que nós podemos ter em São Tomé. Desta maneira, devemos apostar em grande medida nela porque realmente vai reduzir o consumo de combustível. Nós gastamos milhões de dólares em combustível para produzir energia quando devemos aproveitar renováveis para reduzir os custos com combustível e financiar mais o Orçamento geral do Estado”, diz o activista que, todavia quer mostrar-se prudente quanto às parcerias e privatizações no sector da energia. “Quem vem do sector privado deve também ter a consciência de onde está a chegar para fazer as coisas correctas, não cair nas emoções nem nos sonhos dos políticos são-tomenses. Muitos deles vendem sonhos e a conjuntura social, política, jurídica em São Tomé é muito frágil e isso muda de tempo a tempo”, considera. Adélcio Costa mostra-se também francamente céptico quanto à intenção anunciada recentemente de a EMAE operar uma restruturação implicando a privatização da sua central hidroeléctrica. “Faço parte do sindicato. Infelizmente, não há grandes reuniões do Banco Mundial com o sindicato. É mais com a direcção da empresa. Estamos muito apreensivos. É mesmo possível fazer uma greve se o Banco Mundial pegar a nossa Central Hidroeléctrica de Contador e privatizar (...) Já demos um alerta ao Banco Mundial e também ao governo que de maneira nenhuma vamos aceitar isto”, argumenta o sindicalista ao expressar o receio dos custos para os consumidores num país cuja “população vive com menos de um dólar por dia”. Durante este período eleitoral, também não deixaram de ser reiteradas as acusações de que a Empresa de Agua e Electricidade funciona como um foco de corrupção, o que o actual dirigente da empresa desmente. “Posso confessar que antes de entrar na EMAE, também tinha a mesma percepção, mas hoje, claramente conhecendo a EMAE, diria 99% eu considero essa uma lenda. Porque de facto isso não é verdade. E nós temos um sistema de software que faz gestão de recursos humanos e nas actividades também”, declara o director da empresa. Este não é contudo o figurino descrito pelo líder do sindicato dos trabalhadores da EMAE. “Nós não podemos dizer outra coisa. O são-tomense não gosta de ouvir a verdade, mas temos que falar a verdade. Em vários momentos das campanhas eleitorais, há muitas movimentações em compras de geradores, em compra disto. Não é deste governo, não é daquilo, é de todos que já passaram. Já vimos várias vezes. Um exemplo disso, é o contrato que veio da Turquia, ninguém sabe de onde veio. A fonte da Tesla, quando se vai pesquisar, não se vê nada. É um conjunto de coisas. Também houve outras empresas no passado”, refere o activista. “Nós apelamos a que a consciência humana aqui funcione. Quem governa esse país tem que ter em mente ‘nós estamos a trabalhar para o povo'”, insiste Adélcio Costa em jeito de conclusão.

Convidado
Eleições são-tomenses: a protecção do ambiente e o seu potencial turístico

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 23, 2026 9:25


A campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro, em São Tomé e Príncipe, está quase a terminar. Uma campanha marcada por debates em torno de um modelo de desenvolvimento que o país poderia seguir. Este modelo poderia assentar na combinação entre a protecção do meio ambiente e actividades económicas, como o turismo sustentável. Depois da ilha do Príncipe ter sido considerada pela UNESCO como Reserva da Biosfera, em 2012, foi a vez de o resto do território nacional ter igualmente este selo no ano passado, algo inédito no mundo. Esta distinção, tida como um reconhecimento, traz também maiores responsabilidades para o país em matéria de protecção ambiental. Em que estado está o meio ambiente no arquipélago e que trilho poderia seguir no futuro? Foi a questão que colocamos a Arlindo Carvalho, coordenador a nível nacional do projecto Waca, uma iniciativa regional financiada pelo Banco Mundial. RFI: Em termos gerais, como está o meio ambiente em São Tomé e Príncipe? Arlindo Carvalho: Em termos globais, a questão ambiental, podemos dizer que é satisfatória. Mas em alguns em termos específicos, em determinadas matérias, necessitamos melhorar bastante. Por exemplo, em termos de natureza, em termos da conservação, em termos da biodiversidade, o país é riquíssimo, quando conseguimos durante todos esses tempos, manter um pouco o equilíbrio ecológico ao nível do país. Mas também temos alguns desafios relacionados com as questões humanas. Fundamentalmente, todas as outras questões relacionadas com o saneamento básico, meio, a gestão dos resíduos sólidos urbanos, etc. É um desafio bastante grande, em que não podemos ainda dar-nos ao luxo de dizer que estamos muito avançados e a 100%. RFI: Desde 2012, a Ilha do Príncipe é Reserva da Biosfera e doravante é todo o país desde o ano passado, que efectivamente é também reserva da Biosfera. Isto coloca vários desafios e também algumas obrigações. Arlindo Carvalho: Podemos dizer que isto é um reconhecimento histórico da parte desta instituição internacional que é a UNESCO. Isto traz uma grande vantagem para o país em vários domínios. Permite-nos ter maior atracção turística, sobretudo ao nível de investigadores que querem investigar melhor todas as questões relacionadas com a biodiversidade. Nós podemos ter nos nossos produtos um selo ecológico que nos permite vender os nossos produtos com um pouco mais de qualidade, nomeadamente o cacau, o café e a pimenta, o pescado, inclusive. E depois temos toda a nossa zona costeira também, que tem uma grande atracção turística dentro da biosfera mundial. Portanto, isto traz uma grande reputação, mas no entanto, também traz uma grande responsabilidade, pois um país que se transforma em reserva total da biodiversidade tem que ter uma capacidade grande de fazer um ordenamento territorial e uma gestão do território, de forma a evitar que haja convulsões sociais, porque você não pode proteger sem na realidade, ter espaços para que a população possa desenvolver e satisfazer as suas necessidades sociais, económicas. Por isso mesmo, o ordenamento do território é fundamental e já temos passos importantes nesse sentido. Por exemplo, tudo o que diz respeito à questão do Parque natural, já temos um plano de gestão bastante bem concebido, onde temos as zonas que nós consideramos zonas de protecção total integral, onde o objectivo fundamental é fazermos toda a investigação científica. Mas por sua vez, também temos zonas que já foram definidas como zona tampão que protegem essas zonas de protecção, onde também deve se proteger de forma rigorosa, mas onde é permitido algumas actividades económicas de baixo impacto ambiental e também posteriormente temos muito cuidado também com todas as zonas de transição necessária, onde a comunidade e a população vive, onde desenvolve as suas actividades, que nós não podemos impedir que elas continuem a desenvolver as suas actividades agrícolas e pescas, etc. Mas acompanhando sempre para que essas actividades sejam feitas com regras e permitindo que tudo o que é o desenvolvimento não afecte o ambiente, mas também que o ambiente não crie um obstáculo ao desenvolvimento. RFI: Como fazer com que haja, por um lado, a protecção do meio ambiente e, por outro lado, um turismo sustentável? Arlindo Carvalho: Nesta vertente, nós temos o apoio de parceiros internacionais que têm-nos ajudado a trabalhar neste sentido. O nosso próprio projecto, que é um projecto que eu agora coordeno (Waca), que é um projecto de investimentos para a protecção das áreas costeiras e turismo sustentável, onde o Banco Mundial tem estado a financiar. Tem uma componente extremamente importante para o desenvolvimento do turismo sustentável. O que nós temos estado a fazer é associar o turismo a todo o processo de desenvolvimento e temos estado a trabalhar neste sentido, reforçando a capacidade das instituições nacionais que lidam com a questão do turismo, para que possam, na realidade, focar-se na questão do turismo sustentável. Tanto é que uma das componentes fundamentais é o reforço da capacidade, mas não só, da direcção do Estado que trabalha nesta questão, mas de todas as outras componentes da comunidade, a população que trabalha, como os guias turísticos, os condutores, os motoqueiros, etc. Existe uma componente de capacitação deste grupo todo para que eles possam lidar com a questão do turismo sustentável. Temos estado a trabalhar também com os investidores turísticos, de forma que todos os investimentos turísticos possam ser feitos em harmonia com a protecção ambiental. É o que temos estado a fazer. É precisamente incluir tanto turismo como a protecção ambiental, como a valorização ecológica. Não só isso, há outra questão. É o próprio reforço de algumas instituições, fundamentalmente, as autoridades locais que lidam com as questões de saneamento básico do meio. Eu acho que é extremamente importante. Começámos com a cidade capital, onde adquirimos alguns meios rolantes para fazer a recolha dos resíduos sólidos. Fizemos exportação de contentores especializados para poderem ser postos em várias artérias da cidade capital e capacitar os quadros das autarquias da Câmara de Água Grande, que é a que gere a cidade capital. Nós vamos começar com a capital e depois expandir para as outras capitais distritais, mas vamos começar aí, onde a situação é mais crítica, para podermos então expandir para as outras partes. Vamos fazer também investimentos em três grandes áreas turísticas, uma delas na Lagoa Azul. Vamos fazer um forte investimento turístico na Lagoa Azul, que é uma zona ecológica que tem um grande potencial turístico e que necessita de algumas infra-estruturas para que os turistas possam estar mais confortáveis naqueles lugares. Vamos fazer um grande investimento turístico na empresa Agostinho Neto, que é uma empresa agrícola em que vamos associar toda a questão do desenvolvimento agrícola com o turismo. E vamos também fazer um grande investimento turístico na ilha do Príncipe, que é o miradouro de Nova Estrela também, que tem uma paisagem muito linda, onde vamos fazer alguns investimentos naquela área, transformando este miradouro em grande potencial turístico para a Ilha do Príncipe. RFI: Como é que avalia as propostas dos diferentes candidatos relativamente à protecção do meio ambiente? Tem-se o sentimento que todos querem proteger o meio ambiente, mas não sabem como fazer. Arlindo Carvalho: Infelizmente tenho visto as propostas dos candidatos e quase que não vejo proposta nenhuma. Não vejo propostas porque não vejo nenhum dos candidatos, nenhum partido apresentar algum programa para o país que me convença. Estamos a falar sempre das mesmas coisas, de que vamos pôr água ou vamos resolver o problema da estrada. Isto não é, na realidade, um verdadeiro programa de desenvolvimento para o país e, portanto, são promessas meio vazias e que para alguém que queira governar e também que queira convencer o seu eleitorado, sobretudo algum eleitorado que tem alguma capacidade de reflexão, sente-se um pouco frustrado e vazio naquilo que tem ouvido. Eu sou um desses que considero que pode ser que tenha muito boa vontade e tem boa-fé de fazer, mas parece que não sabem bem como fazer e como é que estão a fazer e o que é que vão fazer. E portanto, continuo a estar um pouco com a interrogação de todos os candidatos. Não vejo na realidade uma estrutura coesa, ordenada, organizada, de programa, que possa dar uma certa esperança de retirar o país do marasmo que tem tido. Podemos dizer que 60% da população não está preocupada com isso. Estão mais preocupados em receber os candidatos. Mas há uns outros 30 ou 20 ou 40% que têm uma capacidade de poder analisar que necessitariam, pelo menos escutar e ouvir. Na realidade, o que é que vão fazer quando um país que necessita quase 80% de ajuda externa para poder fazer o seu desenvolvimento? É necessário também que digam quando oiço as pessoas dizer que vou aumentar não sei quantas pessoas mais, para dar subsídio, não é só com subsídios que vamos desenvolver o país. Vou fazer tal coisa, vou dar cartas, vou fazer. Então, são coisas que não têm muito sentido. Podem convencer aquele eleitorado que está ansioso, à espera da resolução das questões de forma imediata. O país não pode desenvolver-se com questões de problemas imediatos. Têm que ser coisas de curto, médio e longo prazo.

Economía
La millonaria suma que necesita Ucrania para combatir a Rusia en 2027

Economía

Play Episode Listen Later Sep 17, 2026 8:17


El Gobierno ucraniano prevé destinar una cifra sin precedentes a defensa, armamento y municiones en 2027, en medio de la guerra con Rusia. Casi la mitad de esos recursos dependería de la ayuda financiera de países occidentales, el G7, la Unión Europea, el Banco Mundial y el Fondo Monetario Internacional. El presupuesto militar ruso proyectado para el mismo año asciende a unos 152.800 millones de dólares.

En Perspectiva
Entrevista -Valeria Di Fiori -Representante residente del Banco Mundial en Uruguay

En Perspectiva

Play Episode Listen Later Sep 15, 2026 23:31


Entrevista -Valeria Di Fiori -Representante residente del Banco Mundial en Uruguay by En Perspectiva

Rádio Senado Entrevista
Economista polonês vê acordo Mercosul-UE como resposta ao protecionismo

Rádio Senado Entrevista

Play Episode Listen Later Sep 15, 2026 11:40


Diante da crise que a União Europeia enfrenta, a economia polonesa apresenta resultados surpreendentes, com números positivos, taxa de crescimento muito acima da média, além de atrair muitos investidores. Marcin Piątkowski, professor na Universidade Kozminski e economista do Banco Mundial, participou de uma conferência no Brasil e conversou com o jornalista Ivan Godoy sobre o sucesso econômico polonês. Ele acredita que a guerra tarifária atual pode acabar até o fim do mandato do presidente Donald Trump, mas o protecionismo deverá permanecer, através de políticas industriais. Piątkowsk defende a diversificação de parceiros comerciais e acordos como o do Mercosul com a União Europeia. Acompanhe a entrevista.

Convidado
'Movimento Basta' quer saúde preventiva, energias sustentáveis e reformas institucionais

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:03


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta segunda-feira, ouvimos Levy Nazaré, líder e cabeça de lista do Movimento Basta, na oposição. Rosto conhecido da vida política são-tomense por ter ocupado vários cargos, Levy Nazaré defende uma política de saúde preventiva, um investimento nas fontes de energia sustentáveis e reformas institucionais. RFI: Qual é o programa do ‘Movimento Basta'? Levy Nazaré: Primeiro, acima de tudo, é preciso um consenso nacional para se alterar a Constituição, mas não no sentido de criar um novo regime presidencialista. São reformas constitucionais que ajudam ao melhor funcionamento das próprias instituições do Estado. Mas para isso, é preciso consenso político. Nós também temos a reforma da Assembleia Nacional pela dimensão da Assembleia. Com 55 deputados, penso eu que hoje não se justifica termos tantos deputados. É preciso profissionalizar de facto a Assembleia Nacional, reduzindo o número de deputados, dar as condições necessárias para órgãos de soberania, melhorar os salários. A questão da mobilidade dos deputados, para que haja maior produtividade, nós propomos reduzir para 25 ou 30 deputados, não mais. Há a questão da reforma da Justiça. Também já se falou muito da reforma da Justiça, que é um cancro para o nosso desenvolvimento. Eu defendo sempre que a Justiça tem um papel muito importante a desempenhar para o São Tomé e Príncipe que se pretende, um São Tomé e Príncipe mais desenvolvido, mais justo, mais equitativo. Não pode ter a nossa justiça tão lenta, tão burocratizada, tão politizada como nos últimos tempos nós fomos assistindo. Nós precisamos de apoio dos nossos parceiros para permitir que haja uma cooperação a nível da Justiça, de modo que venham magistrados nos ajudar aqui ditar o direito. Não é para sempre e de uma forma transitória. Estabelece-se no espaço de cinco a dez anos, de forma que venham magistrados para um ou dois anos, porque eles não são de cá, eles não conhecem as pessoas, eles não têm relações familiares numa sociedade tão pequena. Para não entrar no vício, não pode durar muito tempo: dois anos, depois vem outro e assim sucessivamente. Por isso, essa é uma das propostas que nós temos. Não podemos ser só para umas coisas e outras coisas, não sermos soberanos. RFI: Nestes últimos meses, o país foi submetido a alguma pressão devido aos cortes de energia, tornando de facto esta questão, uma questão crucial. Quais são os vossos planos? Levy Nazaré: Aquilo que os nossos parceiros do Banco Mundial e não só, os nossos parceiros de Bretton Woods, têm sempre nos proposto. É essa a solução. Nós temos que renovar a nossa fonte energética. Não podemos continuar com energia a diesel, com geradores permanentemente. Esse tipo de energia também está dependente das variações do preço dos combustíveis no mercado internacional. Até há casos mesmo, como sabe, de ruptura de combustíveis por algum tempo na nossa sociedade. Logo, é preciso investir nas energias renováveis. Já há um processo a decorrer para a energia com painéis solares, mas também temos condições para energia eólica. Nem toda a energia tem de ser energia limpa, mas coadjuvado também com alguns geradores, caso haja um ou outro problema. RFI: Falou de energias limpas. Isto é uma transição para a questão ambiental. Há também uma expectativa internacional relativamente a São Tomé e Príncipe, que nestes últimos anos foi reconhecida, nomeadamente pela sua qualidade natural pela UNESCO. O que é que se pretende relativamente à questão ambiental em São Tomé e Príncipe? Levy Nazaré: Todo o território nacional já é património da Biosfera, como sabe. É transformar esse património num exemplo para o mundo e termos políticas de desenvolvimento sustentável e que esse desenvolvimento não venha pôr em causa as nossas condições de fauna e flora. Só que temos também de ter a capacidade de dizer aos nossos parceiros "ok, nós não podemos mais continuar, por exemplo, a desflorestação, a tirar areias nas praias para a construção. Então nós precisamos de ajuda nesse sentido'. Mas o grande problema que o país tem hoje é como tratar os resíduos. Nós importamos muito plástico. Há muito lixo. E como é que nós vamos transformar esses resíduos em fonte de energia e tornar a ilha mais limpa, mais consentânea com todas as políticas ambientais? Quer a ilha de São Tomé, quer a ilha do Príncipe estão a passos gigantes rumo a uma economia de turismo sustentável. Daí os desafios que nós também temos nessa área de tratamento dos resíduos. RFI: Relativamente também à questão do acesso à saúde. Isso é uma questão que é universal. Como tornar a saúde mais acessível a todos? Levy Nazaré: Temos que direccionar a nossa política de saúde acima de tudo, numa saúde preventiva. Estamos com uma política de saúde mais curativa, isto é, quando acontece os problemas, as pessoas já estão doentes, já estão enfermas, já estão hospitalizadas e nós agora temos que encontrar formas para curar essas pessoas, logo, direccionarmos a nossa política para uma saúde preventiva. Logo, eu aproveito já para falar da questão de água potável, porque muitas das nossas doenças são de origem hídrica, não havendo água potável para toda a população, para melhorar a questão do imunização da população, faz com que possamos diminuir os custos e os problemas que nós temos na saúde. É um desafio grande, mas tudo isso também tem a ver com o próprio desenvolvimento do país. Para nós, temos condições para construir o tal hospital de referência que tanto se fala também aqui, entrando também o turismo. O nosso Sistema Nacional de Saúde hoje não é consentâneo com o turismo que se pretende, o desenvolvimento do turismo que se preconiza. Logo, temos que criar todas as condições para termos um sistema Nacional de Saúde que dê resposta não só a toda a população nacional, em primeiro lugar, mas todos aqueles que nos visitam também. Também começar a formar técnicos especializados, não só médicos, como enfermeiros em todas as áreas de especialidade que o país precisa. Tem acontecido, já agora, não só nesta área, mas em todas. Mas já que estamos a falar de saúde, muitos enfermeiros, muitos técnicos de saúde, por questões que o país atravessa, têm emigrado, logo é preciso criar uma política para reter os nossos quadros, não só de saúde, como todas as áreas. Dar-lhes formação, termos mais técnicos especializados para darmos resposta aos desafios que o país enfrenta e que há-de enfrentar no futuro. RFI: Como financiar todas estas medidas que está a propor? Levy Nazaré: No nosso programa, também falámos da política fiscal. Primeiro, é preciso uma política fiscal que seja mais abrangente possível e não apenas ficar circunscrita ao sector formal. Nós temos uma informalidade muito grande na nossa economia. É preciso políticas tributárias específicas para massificar a tributação com taxas únicas para todo o sector informal. É preciso trazer o sector informal para sector formal. Baixar a taxa de imposto que nós temos, também uma política fiscal que não ajuda o surgimento de novos empresários ou aqueles que já estão no mercado para desenvolver. É preciso dar mais atenção àquelas pessoas que decidam enveredar por esse caminho que é do empresariado. É preciso um esforço interno, reduzir as despesas públicas. Melhor gestão das nossas finanças e dos apoios que nós recebemos. O combate à corrupção. É preciso investir na agricultura. Nós não temos terra suficiente para ter uma agricultura competitiva, mas nós temos uma marca que é a marca, o nome 'São Tomé e Príncipe'. Logo, desenvolver uma agricultura doméstica para abastecer o mercado interno, depois uma agricultura de transformação para exportação, mas exportar já produtos 'gourmet'. Já está a começar. Há pequenas células. E também direccionado para o mar, porque em vez de nós termos acordos de cooperação com a União Europeia, com o Japão, a China e outros países, de pesca nos nossos mares e que nós nem temos capacidade de controlo desta mesma pesca, porque não pedir apoios para termos aqui internamente pequenas empresas de transformação de pescado, como acontece com alguns países como Cabo Verde, que eu sei. Logo, todas essas políticas são políticas que poderão ajudar a encontrarmos formas de financiar esse desenvolvimento de que se falou. É preciso trabalharmos também mais. Nós temos um horário de trabalho da função pública, por exemplo, que não é compatível com as exigências do mundo moderno hoje. Mas tudo isso também, tem a ver com a própria reforma da nossa administração pública, que também faz parte do nosso programa.

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PCD quer reforma da justiça, diversificação da energia e mais atenção com saúde

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Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:04


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta terça-feira, ouvimos João Bonfim, líder e cabeça de lista do PCD - Partido da Convergência Democrática, na oposição. Ao defender reformas nomeadamente no sector da justiça, João Bonfim insiste igualmente sobre a necessidade de diversificar as fontes de energia e cuidar melhor das unidades de saúde ou ainda das estradas. RFI: Quais são as prioridades do vosso programa? João Bonfim: Recordo a situação das estradas nacionais, das ruas da cidade capital, que estão praticamente em estado de profunda degradação. Sem falarmos da questão da energia e da água que ocuparam o topo das nossas prioridades. Para além disso, os tradicionais sectores da saúde e da educação, especialmente para nós, a questão da educação terá uma importância muito grande, na medida em que nós precisamos, através da educação, defender o presente e preparar o futuro. Em relação à saúde, verificamos que há muitas doenças consideradas doenças curáveis no mundo, mas que matam em São Tomé e Príncipe, já não por haver falta de profissionais, mas faltam os meios de diagnóstico e faltam os medicamentos. Por esta razão, nós definimos estes sectores como sendo os prioritários no nosso projecto de governação. RFI: Detalhando agora alguns dos sectores, mencionou nomeadamente a questão da saúde. Disse que não é por falta de quadros. No entanto, alguns números vêm dizer o contrário. O facto de haver uma emigração massiva nestes últimos anos, fez com que vários quadros, nomeadamente no sector da educação e no sector da saúde, saíssem do país. E neste momento, o país enfrenta uma carência de quadros nestes sectores. João Bonfim: Pode se tratar de uma falsa questão. Na educação é bem mais evidente do que no sector da saúde. Os professores estão a abandonar o sistema educativo porque eles são mal remunerados e são dificilmente seguidos e apoiados. No sector da saúde, a situação não é tão igual. Eu dou-lhe um exemplo muito concreto. Estive a reunir-me com a população num distrito e estava uma senhora enfermeira presente e ela tomou a palavra para me dizer 'eu própria, já pedi até aos próprios doentes para se rebelarem, porque eu estou desesperada. Eu tenho gente doente que aparece aqui na minha instituição de saúde e eu sei que eu posso fazer alguma coisa por esta pessoa, mas nem sequer tenho um medicamento básico, como é o paracetamol, por exemplo'. Isto é triste e deprimente também para os profissionais de saúde, isso pode conduzir a alguma desistência. Mas o nosso principal problema, confesso, não está na falta de quadros. RFI: Relativamente a outro sector que enumerou no seu programa, falou nomeadamente da questão da energia, que foi um assunto bastante comentado nestes últimos meses devido à crise que o país atravessou. Quais são os vossos projectos? João Bonfim: O nosso projecto, sobretudo na área da energia, é fazer uma opção muito clara para a produção de energia por via de energias renováveis. O nosso país, claro, situado na linha do Equador, com grande disponibilidade de Sol e sendo um país de geografia limitada, o nosso país tem todas as condições para tirar o máximo proveito das energias limpas, das energias renováveis, designadamente da energia fotovoltaica. Nós conseguimos obter energia fazendo até -porque não?- instalações particulares, nos edifícios públicos, nalgumas habitações particulares, tudo isso de modo a que tenhamos a possibilidade de ter energia limpa. Mas também podemos utilizar e devemos recorrer à energia eólica. Devemos pensar profundamente nestas opções porque elas são um conhecimento de que o mundo dispõe e está, neste momento, também ao alcance de todos os países. Mas há também a possibilidade de recorrermos à produção energética por via dos cursos de água. Já há muito que se fala no aproveitamento dos vários cursos de água para criarmos uma rede de barragens que possam promover a acumulação de água que serviria para produção de energia, mas que serviria também para a distribuição à população e para utilização na agricultura, para a rega. E isso, o nosso país não tem feito. Mas são meios que estão ao nosso alcance. Todo o nosso sistema de distribuição e de gestão da energia foi apontado para uma população de 70 mil habitantes à data da independência. De lá para cá, e no preciso momento, a nossa população triplicou. Passámos de 70 mil para 210 mil. As propostas têm de ser outras. Queremos apostar muito na descentralização da distribuição e da gestão da energia. E nós queremos apostar numa separação do sector da água e do sector da energia, para que cada um deles, com o conjunto de problemas que enfrentam, possam estar mais concentrados nos problemas próprios, em vez da confusão que temos actualmente. RFI: O FMI e o Banco Mundial têm apoiado São Tomé e Príncipe, fazendo algumas preconizações. Entre essas, preconiza uma reforma da administração pública e também mais impostos. João Bonfim: A questão dos impostos é uma questão que tem que ser encarada, tem que ser discutida, porque o país é óbvio em qualquer lado. É preciso que, numa economia liberalizada também como aquela que nós defendemos, o Estado dificilmente arrecadará receitas através da participação em empresas. Não haverá tantos recursos da construção do Tesouro público a partir dos dividendos. Por isso, os impostos são a via preferencial para que o Estado possa construir o seu tesouro, através do qual fará investimentos na saúde, na educação, nas infra-estruturas, como, por exemplo, as estradas. Há dias aí, alguém me falou do seguinte: 'Se vocês forem governo, por favor acabem com o IVA'. E disse-lhe que infelizmente isso não pode acontecer porque o IVA, aparentemente parecendo ser um imposto cego, é o imposto actualmente mais generoso de que o Estado pode beneficiar. A única questão aqui a haver é uma avaliação dos montantes a cobrar e uma definição de áreas e de serviços que podem ficar isentos da cobrança do IVA. Os cidadãos, obviamente, não gostam de ouvir falar do pagamento de impostos, mas os impostos são a via preferencial que tem o Estado e os governos para constituírem o Tesouro público, que, por sua vez, é necessário para o investimento na saúde, na educação, com a aquisição de medicamentos e dos equipamentos de diagnóstico e outros, no sistema de saúde, na educação para sustentar as escolas públicas, embora nós não consideremos que toda a educação tenha de ser exclusivamente pública. Estamos disponíveis para encarar a possibilidade de haver uma intervenção do capital privado no sistema educativo. Os impostos são, de facto, um mal necessário, infelizmente. RFI: Outro dos assuntos que regressa sempre em qualquer campanha eleitoral é a questão das reformas institucionais e nomeadamente no sector da justiça. João Bonfim: O sector da Justiça é efectivamente um grande problema que nós enfrentamos. A nossa proposta para o sector da Justiça é ter uma formação muito sólida no sector da Justiça. Mas também não podemos dizer que seja exclusivamente por falta de formação que a nossa Justiça tem conhecido os problemas que são do domínio público. A questão é que há muita interferência política no funcionamento da Justiça. Por isso, o nosso lema principal para a justiça é a não politização da justiça e a não judicialização da política. Como é que vamos resolver isso? Introduzindo os mecanismos de inspecção no sistema judicial, recorrendo também à ajuda e à cooperação externa. Porque os compromissos que muitos agentes da nossa justiça têm com a actividade política prejudicam a administração da Justiça com toda a qualidade e, sobretudo, com confiança pela parte dos cidadãos. Os cidadãos não têm muita confiança na Justiça. Muitas vezes, o resultado de uma sentença decorre de uma encomenda, digamos assim.

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MDFM quer maior abertura a iniciativa privada, nomeadamente para energia

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Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:03


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta quarta-feira, ouvimos Moisés Viegas, líder e cabeça de lista do MDFM - Movimento Democrático Força da Mudança, na oposição. Entre as medidas preconizadas por esta formação, destaca-se uma maior abertura à iniciativa privada, nomeadamente no que tange à empresa de Água e Electricidade. RFI: Quais são as prioridades para o país a seu ver? Moisés Viegas: Por que é que nós não conseguimos dar a resposta a nível da questão do desemprego? Porque o Estado é o maior empregador, para não dizermos praticamente o único empregador. Uma economia que quer ser funcional, não pode ser refém do Estado. Nós temos que criar condições para que efectivamente o sector privado possa dinamizar. Claro que temos que criar condições a nível de grandes infra-estruturas e abrir o país para que efectivamente, quer nacional e quer as pessoas que vêm do estrangeiro, possam ter o mercado livre para fazer os seus investimentos. Nós falamos muito da questão do turismo. É preciso criar algumas infra-estruturas essenciais, como, por exemplo, a própria estrada. Se nós tentamos ligar agora a Zona Sul, que é muito forte em turismo e também agricultura, as estradas estão completamente degradadas e é preciso começarmos por aqui. Necessariamente, eu tenho que pensar nas vias de comunicação que vão fazer essa comunicação entre o meio rural e o meio urbano. RFI: Um dos pontos que também tem sobressaído muito nestes últimos meses é a questão da energia, dado que o país conheceu uma grande crise de energia. O que é que pensam fazer relativamente a esse aspecto? Moisés Viegas: O problema da energia em São Tomé é muito profundo e qualquer país que vive à base dos geradores, não vai conseguir ter sustentabilidade energética. É preciso nós pensarmos em fontes de energia primeiro, que têm um custo mais baixo, energias sustentáveis. Também a energia que nós neste momento utilizamos, que é à base de geradores é que tem contribuído, de certa forma, também para que haja aqui um espaço para a corrupção, desde o desvio de combustível, desvio das peças, sobrefacturação sobre as peças. Portanto, se nós continuarmos a depender da energia à base de gerador e sem transparência, teremos sempre o problema de energia. Eu entendo que a empresa EMAE (Empresa de Água e Electricidade) não deveria ser gerida pelo Estado. RFI: Mas está a falar de uma privatização ou de uma parceria público privado? Moisés Viegas: Eu vou pela privatização, porque eu entendo que quem deve gerir, fazer negócio, são os privados. O Estado está aqui para supervisionar, cobrar impostos e exigir, de certa forma, a qualidade do serviço. RFI: Relativamente a outros aspectos, mencionou, nomeadamente a saúde. Falou-se muito ultimamente da questão de se fazer um hospital de referência. Qual é o vosso ponto de vista sobre esta questão? Moisés Viegas: Pensar num hospital de referência não é mau, porque se tivermos um hospital de referência, isso de facto vai ajudar de certa forma, quer a impulsionar a própria economia, mas também a dar suporte ao turismo que nós tanto pregamos. Mas tem aqui um 'porém'. Eu não posso de maneira nenhuma pensar num hospital de referência, quando eu não consigo manter o hospital que eu tenho. Se conhece São Tomé, o Hospital Ayres de Menezes, que é o único que nós temos neste momento a nível de São Tomé, a cama onde dorme o paciente foi a cama que nós herdamos do colono. Até a botija de oxigénio é uma botija que já tem décadas. Portanto, eu não posso pensar num hospital de referência quando eu não tenho a capacidade de reformar e organizar aquilo que tenho na mão. E você também não pode pensar num hospital de referência sem investir nos recursos humanos, que é outro ponto também 'chave' a nível da saúde. Estou a falar, por exemplo, a nível dos médicos. Precisamos de mais especialistas. Daí que eu entendo que nós devemos descentralizar os serviços. A descentralização, já temos em alguns distritos. Mas precisamos criar melhores condições nesses postos médicos a nível distrital, para poder descongestionar um pouco o Hospital Ayres de Menezes. E a nível do Ayres de Menezes, precisamos de fazer uma reforma profunda para um melhor serviço para os utentes. Nós temos o problema dos cuidados básicos essenciais. E temos problemas até de medicamentos. Falta de coisas básicas, muitas vezes como álcool, como oxigénio, como luvas. Portanto, é preciso nós darmos uma atenção a tudo isso, mas acima de tudo, é preciso que haja uma administração transparente. RFI: Outro dos pelouros, também considerados 'chave' é a questão da educação. Qual é o vosso plano relativamente a este aspecto? Moisés Viegas: O MDFM tem uma visão de que a educação a nível de pré-escolar até pelo menos o oitavo ano, devia ser gratuita. O Estado devia criar condições para que do primário até ao oitavo ano, as crianças poderiam estudar gratuitamente. O Estado devia assumir essa responsabilidade. E podia aqui aliviar também os pais e criar uma oportunidade igual para todas as crianças. Porque, por incrível que pareça, em muitas comunidades, vai encontrar crianças que deviam estar na escola e não estão, porque os pais alegam não terem condições para poder matricular e dar o seu acompanhamento. Mas também eu entendo que a educação é muito mais do que isso. Temos que olhar para os professores. Eu penso que devemos dar uma atenção especial aos professores. RFI: Paralelamente, outro assunto que também está a ganhar cada vez mais importância é a protecção do meio ambiente, dado que nestes últimos meses São Tomé e Príncipe foi reconhecido como Reserva da Biosfera pela UNESCO. Portanto, isto significa também que, de facto, vai haver alguma pressão a nível internacional para São Tomé e Príncipe também fazer algo relativamente a este aspecto. Moisés Viegas: Nós entendemos que o facto de nós sermos reconhecidos como a reserva da biosfera, isso devia incutir a nós mais responsabilidade e a forma também como nós olhamos para o nosso país. Temos que dar uma melhor atenção ao nosso meio ambiente e, para isso, é preciso nós investirmos na descentralização, como é óbvio. Existem as câmaras distritais, mas é preciso que o governo central não deixe às câmaras de forma abandonada, porque muitas vezes as câmaras podiam fazer mais na perspectiva da organização, do saneamento do meio, cuidar melhor do ambiente, a limpeza das praias. Mas, por incrível que pareça, às vezes passa um ano e a Câmara não recebeu o financiamento que vem do governo central, que é do Estado. Claro que essa Câmara fica impossibilitada de exercer melhor o seu papel e cuidar melhor do seu distrito. Mas cuidar do ambiente é muito mais do que isso. É a responsabilidade de cada cidadão assumir-se como um protector do ambiente. Para que isso possa acontecer, é preciso investir mais em formação, em capacitação e acima de tudo, na informação. Porque muitos são-tomenses não sabem o que é que significa a Reserva da Biosfera. RFI: Outro dos assuntos que regressam invariavelmente nas campanhas eleitorais é a questão das reformas institucionais e nomeadamente no sector da justiça. O que é que o MDFM pretende relativamente a este aspecto? Moisés Viegas: A reforma a nível da justiça, ela está bastante atrasada, mas é muito mais profunda do que aquilo que muitas vezes nós falámos. Enquanto a justiça for ditada pelos políticos, nós estaremos sempre à mercê e não conseguiremos fazer as mudanças que nós precisamos. Eu entendo que São Tomé e Príncipe, no momento que nós estamos a viver, é preciso que haja a segurança jurídica, quer para o cidadão comum, quer para o investidor e quer até para a própria instituição. Nós entendemos que não devia ser o Parlamento, por exemplo, a indicar os juízes, por exemplo. Não devia ser, por exemplo, os políticos a nomearem os directores e o presidente da PJ, os comandantes da polícia. Na nossa perspectiva, isso devia ser feito pela carreira. A pessoa faz uma carreira e ascende a essa posição. Lança-se um concurso público e aquele que, na nossa perspectiva, estiver melhor preparado e cumprir os requisitos predefinidos, está em condições de exercer a sua função sem depender do político ou da orientação política. RFI: Todas as medidas que está a propor têm que ser financiadas de alguma forma. O FMI e o Banco Mundial têm fornecido algum financiamento ao país e têm feito também preconizações, nomeadamente de que haja uma maior tributação. Moisés Viegas: É verdade que a questão da tributação é um assunto que é preciso analisarmos com alguma ponderação. Quem paga o imposto é o povo e quanto mais aumentarmos a tributação, de certa forma deixamos o povo mais pobre. Eu penso que qualquer governo -e o MDFM estando no governo sob a minha liderança- teremos a sabedoria de analisar com a FMI, com os parceiros, renegociar e também sempre apresentar a nossa posição, desde que isso não deixe o nosso povo cada vez mais pobre. Essa é a nossa posição.

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ADI no poder quer dar realce à saúde e ao incremento da economia

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Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:03


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta quinta-feira, ouvimos Vasth Santos, secretária-geral da ADI -Acção Democrática Independente no poder, e candidata na lista encabeçada por Américo Ramos, líder do partido e primeiro-ministro cessante. Ao fazer um balanço positivo da governação do seu partido, apesar das divisões internas, Vasth Santos refere que o programa da ADI dá especial realce à saúde e às melhorias económicas. RFI: Qual é o teor do vosso programa? Vasth Santos: Nós dividimos o nosso programa em sectores e um deles é a saúde, como parte do sector social e melhorar, claro, as nossas finanças, o sector económico do país. Mas o enfoque mesmo é a melhoria da saúde. RFI: Qual é o balanço que a ADI faz enquanto força que esteve a governar o país, apesar das tribulações que houve pelo meio? Vasth Santos: Poderia ser 100% positivo se não tivesse essas tribulações internas, porque vimos que foram quatro anos de uma legislatura muito conturbada, onde viu-se claramente que a divisão interna e o problema interno da ADI estendeu-se a toda a governação, estendeu-se para o Parlamento, onde criou um bocadinho de perturbação, onde não se pôde cumprir por completo a agenda do ADI enquanto governação. Mas em termos gerais, foi positivo porque nós conseguimos continuar muitas coisas boas que nós começamos desde o governo passado. Não permitimos, claro, que a instabilidade que se instalou dentro da ADI fosse perturbar todo o resto do programa, mas conseguimos sim. Posso dizer que foi um balanço positivo, foi uma governação conturbada, mas conseguimos manter o equilíbrio e seguir algumas coisas que havíamos projectado no início dessa legislatura, que teve dois momentos. Um momento até Janeiro de 2025 e o segundo momento, de Janeiro de 2025 a agora, até ao fim dessa legislatura. Então podíamos fazer mais, mas fizemos um bom, um bom caminho até agora. O balanço de governação é bom. RFI: Como é que encaram este período eleitoral, dado que Patrice Trovoada apelou ao boicote do escrutínio? Vasth Santos: É um desafio bom e eu acredito que o povo são-tomense já atingiu uma maturidade política boa para não seguir esse apelo. Temos estado a constatar a maturidade do povo. Quando vamos ao terreno, conversamos com as pessoas. Eu acredito piamente que o nível de maturidade que atingimos do povo não vai responder a esse apelo, que é um apelo infeliz, porque em democracia não pode um democrata apelar às pessoas para não irem às eleições, não irem à assembleia de voto, a boicotar as eleições. Nós acreditamos na maturidade política do povo são-tomense e acreditamos que esse apelo não surtirá efeito e o povo não seguirá o apelo. Estamos a fazer todo o trabalho democrático de sensibilização para que este apelo não tenha a sua correspondência. RFI: Relativamente ao balanço que fazem da vossa governação, quais são os aspectos que gostaria de destacar relativamente àquilo que foi conseguido? Vasth Santos: Nós conseguimos três coisas, para mim, que mexem com a vida da sociedade: primeiro, nós conseguimos manter a estabilidade política, permanecer numa estabilidade onde houve envolvência de todos os outros partidos. Nós conseguimos, com o apoio e grande empenho do primeiro-ministro, ministro das Finanças, conter o aumento do valor do combustível, apesar de todo o cenário internacional. Nós conseguimos avançar e já está na fase final o concurso para a construção do Hospital de Referência. Um processo que vem desde 2017, creio eu. E é um processo que também não concluiu atempadamente por causa mesmo da questão da instabilidade política. Então, nós estamos a fazer coisas que respondem à expectativa do povo. RFI: Durante também o mandato da ADI no poder, tiveram o apoio do Banco Mundial e do FMI que fazem preconizações relativamente à governação e um dos aspectos é, designadamente, mais impostos. Vasth Santos: É tudo uma questão de governação. Acredito que o Governo, na pessoa do ministro das Finanças e do primeiro-ministro, têm sabido lidar com essa situação, com essas exigências do Banco Mundial. E atempadamente, conforme as nossas finanças permitirem alguma dessas obrigações, vamos fazendo as outras e vamos conciliando. RFI: Outro aspecto que também esteve no centro das atenções nestes últimos meses, foi a crise energética que atravessaram. Como é que encaram o futuro relativamente à questão energética? Como é que vão fazer com que se possa resolver definitivamente esse problema? Vasth Santos: Pronto, com o apoio do Banco Mundial, nós, graças a Deus, com a estabilidade política, também temos em carteira, já num processo quase final da instalação de quase metade da produção de energia limpa, quase metade da necessidade que temos de produção de energia limpa, para diminuir os custos com aquisição de combustível e da forma actual de produção de energia. Nós passamos por um período conturbado de quase 11 meses, se eu não estou em erro. Foi mesmo conturbado, mas nós conseguimos fazer aquisições de novos geradores. Mas nós sabemos que a aquisição de gerador, por si só, não resolve o problema de energia. Só estanca por um período porque os custos com a aquisição do combustível são muito elevados. Mas nós estamos a trabalhar e acredito que, nos próximos meses, já estará instalado no país para a produção de metade da energia que nós precisamos de forma limpa e energias renováveis. Então, esse é um dos caminhos que nós projectamos e estamos a conseguir concluir para a melhoria da energia em São Tomé e Príncipe, que vai baixar também provavelmente os custos e estancar a deficiência que temos com a produção. RFI: Nestes últimos meses também São Tomé e Príncipe foi considerado pela UNESCO como reserva da Biosfera, o que é uma responsabilidade para São Tomé e Príncipe. Como preservar o vosso meio ambiente reconhecidamente excepcional? Vasth Santos: É um desafio e um desafio que eu acredito que nós que estamos no governo e o governo também tem programas para mantermos o equilíbrio entre as nossas necessidades de construção e manter a nossa reserva da biosfera intacta, para que nós continuemos a ser uma reserva completa a nível mundial. Mas é um desafio que estamos, com a ajuda dos parceiros, a tentar manter. RFI: Enquanto a ADI esteve no poder, esse período coincidiu com uma saída bastante importante de cidadãos são-tomenses para fora. Como pensam fazer com que a população se possa fixar no país? Vasth Santos: Estamos a tentar trabalhar numa nova forma de governação, criar parcerias internas e externas, de forma a estimularmos e criarmos mais incentivo, tanto no empreendedorismo jovem como nalgumas empresas, para que possam entrar e criar empregos para a juventude de forma a estimularmos mais jovens, principalmente essa camada juvenil a ficar em São Tomé. É uma questão de tempo e nós temos esse projecto, tudo no nosso plano de governação, para os próximos anos. Agora estamos à espera que o povo volte a dar confiança à ADI, para continuarmos e executarmos. RFI: Como Vasth Santos encara esse período eleitoral em que é também candidata nas legislativas? Vasth Santos: É um período bastante delicado para o povo são-tomense, de muito diálogo interno, de muita conversação, onde requer de nós, principalmente de nós, os candidatos a deputados e os líderes políticos, muita maturidade, muito diálogo. Estamos todos a trabalhar para São Tomé e Príncipe com o interesse que São Tomé e Príncipe se desenvolva. E então o nosso apelo é mais em união e em paz. Que vença o melhor. E claro, eu gostaria que vencesse o meu partido para nós darmos continuidade ao nosso programa de governação e implementar os que ainda temos em carteira. Eu, enquanto mulher, deputada e líder política, também apelo a toda a população e irmos às assembleias de voto e votarmos e que esse período eleitoral corra em concórdia, muita paz, que saibamos que a democracia é ouvir o outro e discutirmos ideias, debatermos ideias, sem agressões, sem violência. Um apelo à paz completo. O nosso país é bonito e pequeno. Nós somos todos primos. Precisamos de nos unir e nos entender em nome de São Tomé e Príncipe.

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Partido 'Nossa Terra' quer privatização da EMAE e aposta em turismo de excelência

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Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:04


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe em está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Nesta sexta-feira, ouvimos Abnildo Oliveira, líder e cabeça de lista do partido Nossa Terra, na oposição. Rosto conhecido da vida política são-tomense por ter ocupado outros cargos, Abnildo Oliveira preconiza a privatização da Empresa de Água e Electricidade e uma reforma do sector da justiça. RFI: Quais são as prioridades do vosso programa? Abnildo Oliveira: Nós temos uma visão política assente na reforma do Estado em vários sectores, no domínio da defesa, no domínio da terra, no domínio da saúde, educação e particularmente no domínio da justiça, que é necessário que nós possamos dar garantias de segurança jurídica aos investimentos, sejam nacionais, mas sobretudo estrangeiros, para nós dinamizarmos a nossa economia. Porque se nós não investirmos fortemente de forma sustentável na economia do país, teremos poucas receitas para cobrir as despesas no sector social, como a saúde e a educação. RFI: O partido que tem estado no governo negociou com o Banco Mundial e o FMI para haver um envelope reservado para dinamizar o país. E o Banco Mundial e o FMI preconizaram precisamente uma série de reformas, nomeadamente na administração Pública, portanto uma diminuição dos custos e também um aumento dos impostos. O que é que acha dessas preconizações? Abnildo Oliveira: Primeiro, temos que saudar todas as parcerias. Nós precisamos manter e dinamizar a nossa parceria com o Banco Mundial e FMI e os programas que temos com essas instituições. Mas nos últimos anos, o crescimento económico de São Tomé e Príncipe foi fraco e o país continuou muito exposto às crises externas. Este acordo com o FMI, por si só, não vai ajudar a nossa economia. O aumento de impostos para uma população que já vive com um salário mínimo de cerca de 50 Euros, não sei se isto vai fazer com que a população tenha melhor saúde, melhor educação e sobretudo, garantir o básico que é a energia em casa, que é a comida na mesa e termos um governo limpo. Logo na nossa perspectiva, o aumento de impostos, mais uma sobrecarga à nossa população, não vejo isso, na minha opinião, neste momento, como uma medida de política que facilita o bem-estar da população. É verdade que nós temos que alargar a nossa base tributária. O que nós devemos fazer, sobretudo, é levarmos uma política, uma reforma, para que possamos fazer uma transição, diminuir aquilo que é a economia informal para a economia formal. Acreditamos que nessa transição para a economia mais formal, conseguiremos, obviamente, ter uma base tributária mais alargada, mas não sobrecarregar a população com mais impostos. RFI: Falou da necessidade de haver comida na mesa e também energia em casa. A energia foi uma das questões mais prementes destes últimos meses, devido à crise que o país atravessou. Como é que vê precisamente esse aspecto? O que é que prevêem no vosso programa? Abnildo Oliveira: A energia que nós produzimos hoje, ela não é suficiente. Ela não tem qualidade necessária e ela não é sustentável. Logo, se hoje ela está aquém das nossas capacidades de consumo, projectando o país para um desenvolvimento acelerado e sustentável, sobretudo no turismo que é um turismo de excelência, vai requerer um esforço adicional da parte do Estado no investimento no sector da energia. Para isso, vamos ter que abrir as possibilidades. Por essa razão, falamos há pouco tempo, daquilo que é dar as garantias jurídicas para a atracção de investimento externo no país por esta via. Temos como investir no sector da energia e há muitos parceiros interessados em investir no nosso sector de energia. Acredito eu que, desta forma, poderemos ter energia mais sustentável e satisfazer as necessidades, porque não podemos construir um Estado para daqui a um ano, dois anos. Temos de ver a construção de um Estado para daqui a dez, vinte anos. RFI: Ou seja, o que está a dizer, é que preconiza a intervenção do capital privado no sector da energia. Abnildo Oliveira: Obviamente, esta é a nossa visão e assumimos com coragem. O Estado, por si só, não vai assegurar. Não podemos continuar com o 'Estado Providência'. Nós preconizamos a diversificação das fontes de produção de energia, mas temos que dar um passo um pouco mais para a frente, na medida em que havendo uma possibilidade de parceria público-privado e, se for o caso, também avaliando as propostas até à privatização do sector energético. RFI: Outro pelouro que é sempre considerado uma prioridade é a saúde para todos os são-tomenses. Quais são as vossas preconizações? Abnildo Oliveira: Nós elegemos como o centro catalisador da nossa economia um turismo de excelência. E São Tomé e Príncipe, já de algum tempo a esta parte, é consensual da parte de todos os são-tomenses que façamos destas ilhas um centro de prestação de serviços. O nosso grande potencial é o turismo, até porque nós recentemente fomos classificados como o país da Biosfera da UNESCO. Todo o país é um elemento catalisador para o nosso turismo, mas levarmos o país para um estágio de turismo de excelência não seria compaginável sem o respaldo de um sector de saúde a um nível que dê confiança não só aos que nos visitam, mas também aos próprios são-tomenses. Logo, há a necessidade de olharmos para o sector da saúde como um elemento a par da energia. Da mesma forma que temos a necessidade de investir no sector da energia, temos de investir no sector da saúde ao mesmo nível, não só do ponto de vista das infra-estruturas, mas sobretudo na questão da formação e capacitação dos médicos. Sem descurar o assegurar do abastecimento permanente dos medicamentos e consumíveis necessários à nossa população. RFI: Nestes últimos anos tem-se constatado uma forte onda de emigração da população jovem, que constitui também a faixa maioritária no país. Como é que pensa fazer com que se possa reter essa população? Abnildo Oliveira: O Estado, por si só, não vai garantir empregos a toda a população, todos os jovens. A nossa visão é transformar realmente São Tomé e Príncipe como um centro de prestação de serviço, investindo num turismo de excelência. Obviamente que isto traz consigo uma aposta em diversos sectores. Para isso, nós propomos uma Zona Económica empresarial, uma Zona Tecnológica de Informação e também uma zona de educação e pesquisa, uma zona médica, uma zona de alta produção agro-alimentar e sem falar da zona de lazer e turismo. Acreditamos que nesses seis pontos da nossa visão, essas zonas especiais que nós propomos, serão catalisadores da criação de postos de emprego para manter e fixar os que cá estão e também abrir possibilidades para que os que saíram possam regressar e ter a possibilidade de trabalhar. Porque não basta só regressar, é necessário regressar e ter também como garantir o sustento das suas famílias. Quando olhamos para o sector da educação, é verdade que nós temos acesso à educação e muita gente sabe ler e sabe escrever. Mas estamos a falar da questão da qualidade. E nós propomos transformar São Tomé e Príncipe num país bilíngue. Estamos a falar numa questão de visão, um turismo de excelência. Logo, nós são-tomenses, precisamos falar muito bem a língua oficial portuguesa. E precisamos também de uma segunda língua. E a nossa aposta, tem que ser o inglês. Dito isto, claro que nós temos que fazer um investimento sério no sector da educação, no sector da defesa. Nós temos três ramos das Forças Armadas, nós estamos mais virados para o exército e temos uma guarda costeira. Mas é necessário ver, tendo em conta a nossa realidade enquanto ilhas, enquanto arquipélago, olharmos para São Tomé e Príncipe daqui a dez, vinte anos. E a nossa visão é uma aposta pela Marinha. Se nós olharmos para o custo que isto tem para a nossa realidade hoje presente, vamos cruzar os braços e não vamos fazer nada. Mas para quem quer deixar um legado para os seus filhos, tendo em conta que a nossa zona marítima, as nossas riquezas, estão mais no mar, então a nossa visão passa por olhar para as Forças Armadas, mas pela componente da Marinha, sem negar os custos que isto tem por detrás. Mas temos que assumir com coragem, por essa razão que nós colocamos em cima da mesa 'reforma com coragem'. Porque é disto que São Tomé e Príncipe precisa e não podemos olhar o país daqui a um ano, daqui a dois anos. Temos que olhar o país daqui a cinco, dez anos para deixarmos um bom legado para os nossos filhos e os nossos netos.

Convidado
Coligação MCI-PS/PUN quer dar prioridade à justiça, saúde e educação

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 10:04


A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação. Neste domingo, ouvimos Domingos "Nino" Monteiro, líder e cabeça de lista da coligação MCI-PS/PUN Movimento de Cidadãos Independentes - Partido Socialista / Partido de Unidade Nacional, na oposição. Figura também conhecida por liderar a Federação são-tomense de Futebol, Nino Monteiro estabelece como suas prioridades, a reforma da justiça, assim como a consolidação dos sectores da saúde e da educação. RFI: Quais são as suas prioridades? Nino Monteiro: As prioridades são vastas. Como sabe, o país não tem nada, mas principalmente a saúde, a educação, as infra-estruturas, a juventude que, como sabe, os jovens hoje estão completamente perdidos. Não vêem um espaço para triunfar e caminhar de facto, com os seus próprios pés. Tudo isso leva-nos a entrar nessa corrida para, junto da juventude, de todo o povo de São Tomé e Príncipe, todos nós juntos tentarmos credibilizar o país e dar-lhe o rumo que todos nós almejamos. RFI: Enumerou as suas prioridades. Uma delas é precisamente a juventude. Tem-se assistido nos últimos anos a uma saída importante de jovens são-tomenses para os caminhos da emigração. O que é que a sua coligação pretende fazer para que essas populações continuem em São Tomé e Príncipe e tenham perspectivas? Nino Monteiro: Muitos falam da emigração. Não estamos contra a emigração, até porque mesmo se a juventude quer também sair para conhecer outras realidades e aventurarem-se, obviamente, depois regressar ao seu país, o que nós queremos é preparar o país e acompanhá-los aonde eles estiverem. E, de facto, criar as condições no país para eles, quando entenderem que podem regressar, regressem com alguma esperança que o país melhorou e que vão conseguir também caminhar com sucesso e dar as suas contribuições para o país. Para nós, o importante é prepararmos o país para a juventude e aqueles que entenderem que devem contribuir aqui no país e não sair, que fiquem, mas que fiquem bem e aqueles que entenderem que devem sair, é normal, mas o governo tem que continuar a acompanhá-los, seja onde eles estiverem, para encorajá-los a regressar quando quiserem regressar e que o país esteja pronto para os poder receber. RFI: Relativamente a outra das suas prioridades, evocou a questão da saúde. O que é que tem nos vossos planos relativamente a esse aspecto? Nino Monteiro: Eu quero dar um exemplo : depois de 1975 (ano da independência), nos anos 80, 90, nós tínhamos hospitais em todos os cantos do país. Eu até costumo brincar que tínhamos mais hospitais do que população. Tínhamos hospitais em todo canto do país. Hoje temos apenas um único hospital, que é o Hospital Dr. Ayres de Menezes. Como deve saber, o país cresceu a nível de população e as condições desse hospital são de se lamentar. Eu nem considero que é um hospital. Eu digo às pessoas que aquilo não é um hospital, onde tu vais, tens os insectos a tomar conta do hospital. Não há medicamentos, não há reagentes. Quer dizer, não existe nada. E nós achamos que é fundamental nós resolvermos os problemas de saúde, encontrarmos financiamento, porque eu costumo dizer que as pessoas que vão ao hospital, chegam lá, e muitas das vezes, por falta de condições, acabam por falecer. Sabemos que os sucessivos governantes desse país, quando estão doentes, apanham o avião, vão para Lisboa, vão cuidar da sua saúde e as suas famílias, quando estão doentes, fazem a mesma coisa. Mas o povo quando está doente, vão para esse hospital e muitas das vezes, nem um paracetamol para dores o hospital tem para poder nos atender. É nesse contexto que eu dizia que nós temos que mudar e nós vamos de facto provar em quatro anos, se fomos eleitos, que é possível nós mudarmos. RFI: Nestes últimos meses, o país atravessou uma grande crise energética. O que é que a sua coligação pretende fazer para resolver definitivamente esse problema? Nino Monteiro: Os problemas energéticos nesse país não estão resolvidos e da forma como estão a pensar, jamais serão resolvidos, porque a única empresa energética que nós temos no país, que é a EMAE, é um saco azul para qualquer governo e as pessoas não estão interessadas de facto, em mudar a situação energética neste país. E hoje em dia, as energias renováveis são a melhor solução, porque enquanto continuamos a importar combustível e tivermos geradores que muitas vezes chegam já inoperantes, a despesa vai continuar a ser enorme com o combustível e mais enorme ainda, a fuga de combustível. E pior, nós entendemos que enquanto isso continuar, teremos problemas terríveis. E eu digo : não é apenas um governo, são todos os que passaram. E nós temos uma visão diferente para, de facto resolver os problemas que afectam todos nós. Como sabe, hoje, sem energia, não se faz nada e nós andamos aqui cerca de um ano e sete meses durante o qual nada funcionou neste país. As instituições não funcionam sem energia, os escritórios não funcionam sem energia. Quer dizer, houve muita gente que foi para falência. O povo, coitado, que tinha os seus pequenos negócios, as nossas mulheres que conservam os seus pescados. Quer dizer, isto foi uma calamidade. A situação energética também é outra prioridade. RFI: Em termos de política ambiental, o que é que pretendem a fazer, dado que agora São Tomé e Príncipe é reserva da Biosfera? Nino Monteiro: Obviamente, continuar a proteger e, como sabe, em toda a parte do mundo, se você não protege, está condenado. E a nossa visão, de facto, é de nós continuarmos a proteger e protegermos melhor. RFI: Relativamente ao pelouro da Educação? Nino Monteiro: É outro inferno. Fazer com que os educadores possam estar em condições de educar e dar melhor condições para que os professores possam ensinar melhor os alunos e que os alunos também estejam mais preparados para poderem aprender. Formação na educação. Para nós, é fundamental construir mais escolas, dar mais condições, construir mais universidades e dar condições também para aqueles que terminam o 12.º Ano e não podem continuar os seus estudos porque os pais não têm condições e nós encontrarmos uma forma de poder ajudar para que todos estudem. RFI: O FMI e o Banco Mundial têm prestado algum apoio a São Tomé e Príncipe, mas também têm feito uma série de preconizações, nomeadamente a luta contra a corrupção e uma reforma da administração pública, em termos de custos e em termos de impostos. Nino Monteiro: Nós sabemos disso e estamos muito atentos a isso. O sistema de corrupção e não só, a forma como gerem o que não é nosso, em vez de gerir pensando no povo. Os parceiros perdem a confiança nos governantes são-tomenses, porque têm ajudado muito e não vêem de facto a evolução. É um conjunto de coisas que nós vamos ter que mudar e que são urgentes. Ter a mão dura para mudar. A justiça não funciona. Obviamente que já se fala há anos da responsabilização das pessoas que fazem a justiça e nunca se vê. É preciso, de facto, termos coragem de reformar a justiça sem termos receio e sem perseguições a ninguém, porque aqui não se faz a reforma da justiça, aqui persegue-se as pessoas. Se eu não gosto de ti ou se tu não cumpres aquilo que eu quero que tu cumpras, então eu crio-te problemas. O maior culpado de tudo isto é quem nos governa. São os maiores culpados de tudo o que tem acontecido aqui nesse país e de a justiça também não funcionar. Não é porque nós temos pessoas que não entendem da justiça. Não é que toda gente que está na justiça é corrupta, não são. Temos pessoas honestas aqui nesse país, mas essas pessoas não têm espaço porque não são pessoas que vão para ditar à justiça. São pessoas que eles querem para ditar o que eles entenderem que deve ser ditado. As pessoas que vêm para ditar a justiça, ninguém quer aqui nesse país. Por isso mesmo que se formos governo, vamos fazer -repito- não uma reforma de perseguições, porque nesse país, nós entendemos que devemos estar todos unidos. Devemos colocar tudo em tábua rasa e trabalharmos com quem de facto quer trabalhar para desenvolvermos o país e mudarmos a vida deste povo que tanto merece.

Convidado
"O que dizem os emigrantes são-tomenses é que em São Tomé, não conseguem sonhar"

Convidado

Play Episode Listen Later Sep 14, 2026 20:38


Entramos na segunda e derradeira semana de campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe. Depois de ouvirmos os candidatos à governação do arquipélago, a palavra é dada a outras vozes do país, nomeadamente a sua diáspora em Portugal. Nestes últimos anos, o fenómeno da emigração são-tomense acentuou-se ao ponto que segundo o Banco Mundial, "as saídas do país aumentaram mais de 100%" desde 2020 e, por exemplo, "só em 2023, 24.156 pessoas deixaram o território nacional". Segundo a mesma instituição, Portugal tem sido o destino preferencial desta emigração, devido aos laços históricos e também em virtude do acordo de mobilidade em vigor no seio da CPLP, calculando-se que residam actualmente mais de 40 mil são-tomenses em terras lusas. Numa população que se eleva actualmente em cerca de 200 mil habitantes, esta onda de emigração representa um fenómeno significativo para São Tomé e Príncipe. Foi neste âmbito que conversamos com algumas figuras conhecidas da diáspora em Portugal, a activista são-tomense Solange Salvaterra Pinto, o dirigente da ACOSP, Associação da Comunidade de São Tomé e Príncipe, António Cádio dos Anjos Paraíso, assim como o economista e professor universitário, Armindo Espírito Santo. Em entrevista à RFI, este último não esconde a sua desilusão com o sistema existente no seu país de origem. "Eu vejo São Tomé como um sistema caótico. Um sistema em que os que dirigem o país, não fizeram nenhuma aprendizagem nos últimos 50 anos da independência. Um sistema em que os dirigentes políticos simplesmente não se empenharam para valorizar o homem são-tomense. (...) Investem em si próprios e nas suas próprias famílias", lamenta o estudioso. "Quando vou a São Tomé e Príncipe, ponho a mochila nas costas, vou visitando, vou vendo as pessoas, vou procurando saber o que pensam. São questões que eu coloco. Visito as escolas. Vejo, portanto, como é que os professores actuam junto aos alunos, as carências que existem, como é que transmitem os conhecimentos, que matéria transmitem aos alunos. São coisas que observo e eu vejo que nada mudou. Não há um projecto para desenvolver São Tomé e Príncipe", diz Armindo Espírito Santo para quem o fenómeno da emigração de são-tomenses é "uma fuga". "Vamos ser realistas, também os contextos insulares, como é o caso de São Tomé e Príncipe, são contextos em que as condições em geral são precárias. Porém, quando se sabe governar, essas situações de precariedade podem ser diminuídas, sabendo governar", considera o universitário ao referir que alguns emigrantes que se estabelecem em Portugal "dizem claramente que só vêm porque não conseguem um meio de vida satisfatório em São Tomé". Uma viagem com destino incerto Com ou sem formação universitária, os jovens que emigram para Portugal, por vezes, sem grandes apoios à sua espera, dizem que não conseguem vislumbrar um futuro em São Tomé e Príncipe, refere a activista Solange Salvaterra Pinto. "Quando se fala com os emigrantes, o que eles apontam e o que dizem é que em São Tomé, não há perspectivas, eles não conseguem sonhar. Em São Tomé não conseguem vislumbrar um futuro melhor e a solução é mesmo vir para Portugal para ver se conseguem melhores condições de vida, para chamar a família e, quem não tem família, para ver se consegue crescer em Portugal e formar a sua família aqui. Porque acham que aqui têm mais oportunidades a nível de educação, a nível de saúde", explica a activista. "Depois, há um outro fenómeno que é preciso também não esquecer. É que grande parte dos jovens que vêm para Portugal à procura de melhores condições de vida, não as encontram porque vêm sem uma rede de apoio. Conseguem pagar o seu bilhete de passagem, conseguem pagar o visto, vêm para Portugal, conseguem ficar em casa de familiares e amigos durante algum tempo, mas depois, como ainda não têm trabalho e não conseguem ajudar em casa da família ou dos amigos, eles acabam por ir viver para a rua. Temos alguns jovens, não diria muitos, mas temos alguns jovens -para o nosso universo já são muitos- que eu diria que são quase como sem-abrigo, porque eles dormem na Gare do Oriente, que é a estação de comboios aqui do Oriente (em Lisboa) e para se alimentar, ficam sempre à noite à espera da sopa que as associações vão levar para os sem-abrigo ou para aquelas pessoas que não têm condições de se alimentar convenientemente", realça Solange Salvaterra Pinto. Ao esboçar um retrato dos emigrantes são-tomenses que conseguem encontrar emprego, todos descrevem um cenário de precariedade. O economista Armindo Espírito Santo diz que "a esmagadora maioria sobrevive. A larga maioria tem salário mínimo. O salário mínimo permite pagar o quê? Pagar a renda da casa. E os poucos que têm casa, contam os tostões para sobreviverem. Até têm que pedir ajuda a terceiros para sobreviverem. É nessas condições que vivem e alguns vivem numa situação de elevada precariedade, de miséria". Por sua vez, Solange Salvaterra Pinto fala da "vida de qualquer imigrante com poucos estudos ou como ou com algum estudo, mas que chega de um país desconhecido. As mulheres estão quase todas nas limpezas ou estão a trabalhar nos restaurantes, nas cozinhas ou são camareiras de hotéis. E os homens, a maior parte deles, estão a trabalhar nas obras. Mas depois, é preciso também ter grande atenção que já não há obras de vulto em Portugal como havia há uns anos atrás. Então acaba por, não diria 60%, mas 40% se houver famílias, são as mulheres que conseguem levar o rendimento para casa porque há pouco trabalho para os homens". As contas por pagar e a ajuda a enviar Para além da escassez de empregos, os emigrantes são-tomenses fazem frente, como o resto de boa parte da população de Portugal, aos desafios de pagar as contas e sobretudo garantir o seu alojamento, diz o dirigente da ACOSP, António Cádio dos Anjos Paraíso. "Se o salário é baixo, em termos de habitabilidade, tem que então agregar-se duas ou três pessoas, às vezes alugar uma casa ou um quarto e depois alguma coisa que lhes resta, tem também transporte, a despesas da saúde, alimentação e se há algo que fica, é para mandar também para São Tomé e Príncipe, porque muitos deixaram os familiares. De facto, é uma precariedade que podemos dizer que, nos últimos tempos, nós estamos numa encruzilhada", diz o líder associativo. Segundo dados do Banco Central de São Tomé e Príncipe, apesar de os emigrantes são-tomenses não terem capacidade para injectar muito dinheiro dentro da economia do seu país de origem, as suas remessas, ainda assim, representam anualmente 4 a 5% do Produto Interno Bruto são-tomense. Para as famílias que ficaram no arquipélago, são uma ajuda importante sublinha Solange Salvaterra Pinto. "Em termos de remessas, então não sei se será tão rentável. Mas para as famílias, acaba por ser muito importante, porque mesmo que a pessoa esteja cá a trabalhar nas obras ou a trabalhar na cozinha, ela consegue mandar 50 ou 100 Euros para a sua família em São Tomé e Príncipe. Ela já está a ajudar imenso a família e ela consegue mandar medicamentos. Já está a ajudar imenso, porque ela consegue mandar roupa e materiais escolares para as crianças que estão em idade escolar. Acaba por ser uma grande valia e uma grande ajuda para as famílias. E quando as famílias vêem-se assim nestes termos protegidas, acaba por ser também menos encargo e menos preocupação para o Estado. Podem não enviar remessas, mas compensam de outra maneira", sublinha a activista. Emigrante também é cidadão Frequentemente esquecidas nos actos eleitorais, sejam de que origem forem, as diásporas não deixam de ser também parte das forças vivas de um país. António Cadió dos Anjos Paraíso evoca o sentimento de abandono que têm os emigrantes com quem está em contacto na sua associação. "As pessoas quando chegam aqui, também vêm revoltadas com a forma em que está a ser dirigido o país. 'Eu não quero voltar mais'. Eu digo "meus amigos, a nossa terra nunca nos fez mal. É importante que nos saibamos organizar. Nós temos que ter espírito patriótico. Porque é de lá que nós somos. E de facto, quando aparece cá, muita das vezes, um dirigente quando é a altura da campanha eleitoral e vem falar, eu como dirigente associativo, já propus muitas das vezes, nós temos que sentar, ter um plano, sobretudo a malta que está na diáspora. Isto porquê? Essa malta nova veio para vender a sua força de trabalho. Mas daqui algum tempo vamos estar idosos. Quando vamos regressar São Tomé e Príncipe, qual é a estrutura que está lá à nossa espera? São questões que a médio e longo prazo, vamos ter graves problemas. E mesmo quem está a dirigir em São Tomé e Príncipe não tem essa visão", constata o líder associativo que ao ser questionado sobre as eleições legislativas de 27 de Setembro, diz esperar apenas "mais do mesmo". Também na óptica de Solange Salvaterra Pinto, a descrença é o sentimento que predomina entre os são-tomenses de Portugal. "A maior parte das pessoas está muito desacreditada da política, está muito desacreditada da classe política, está muito desacreditada dos homens e mulheres que fazem política em São Tomé e Príncipe, porque uma das razões que os levou a sair de São Tomé e Príncipe é justamente a razão que eu indiquei, que não há perspectiva. Essa perspectiva, quem devia garantir o bem-estar do são-tomense e fazer com que eles não tivessem vontade de sair do país é a classe política, porque é o governo que tem as linhas mestras para o país", diz Solange Salvaterra Pinto. Ainda assim, a activista dá ênfase à importância de todos, dentro e fora do país, exercerem o seu direito de voto e não caírem na tentação de não se deslocarem às urnas. "Se nós não votarmos, alguém vai votar por nós. Então, se nós temos esse direito, é primordial que nós votemos, mas que votemos com consciência e que votemos nos partidos ou que escolhamos as pessoas que nós sabemos que vão ser uma mais-valia nas nossas comunidades. (...) Porque quer votemos quer não votemos, no dia 28 de Setembro, nós teremos um partido ganhador, com maioria relativa ou com maioria absoluta. Teremos um partido ganhador que vai formar o próximo governo ou sozinho, ou em coligação", remata a activista são-tomense.

Noticentro
Edomex y Banco Mundial alistan 53 proyectos urbanos

Noticentro

Play Episode Listen Later Sep 10, 2026 1:47 Transcription Available


Vinculan a proceso a dos por homicidio de tecladistaEE.UU. entrega a México más de 350 fugitivosMarco Rubio visita Perú en gira por SudaméricaMás información en nuestro Podcast#grc

'Y esto no es todo'
Convención Republicana en Texas. América Latina y las Pruebas PISA. Marco Rubio en Colombia

'Y esto no es todo'

Play Episode Listen Later Sep 9, 2026 17:41


Hablamos en Washington con la periodista Dori Toribio; en la misma ciudad con Andreas Blom del Banco Mundial, y en Bogotá con Daniel Pacheco, editor general de "La Silla Vacía"

Ana Francisca Vega
Banco Mundial apuesta por el empleo formal para combatir la pobreza - 07 septiembre 2026

Ana Francisca Vega

Play Episode Listen Later Sep 7, 2026 7:28


“Básicamente lo que dice Banco Mundial es: la forma más contundente de salir de la pobreza en América Latina y en el mundo es a través del trabajo”, explicó Luis Miguel González, editor de Economía, durante una entrevista con Ana Francisca Vega para MVS Noticias. “Y la forma más estable de salir de la pobreza es el trabajo formal”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial
¡ZAMBIA vs NEOCOLONIALISMO! Elecciones fraudulentas en Zambia 2026

LA LLAVE RADIO La Voz de los Sin Voz de Guinea Ecuatorial

Play Episode Listen Later Sep 2, 2026 25:14


¡ZAMBIAvs NEOCOLONIALISMO!Eleccionesfraudulentas en Zambia 2026¿Sabíasque… lo que está pasando hoy en Zambia no es solo una crisis política, sino elreflejo de un sistema global que sigue explotando a África mientras nuestrascomunidades luchan por soberanía, justicia y dignidad? Hoy esmiércoles y toca #LALLAVE. Escúchanos en nuestras plataformas de YouTube ySpotify: https://youtu.be/JMbDypZLXY8 Eneste nuevo episodio te llevo por un viaje profundo: empezamos analizando lasituación actual del país, seguimos con una comparación clara entre losprogramas políticos del gobierno y la oposición, desmontamos el papel del FMI yel Banco Mundial en la economía zambiana, exploramos cómo EE.UU., la UE eIsrael intervienen en sus recursos y su política, revisamos las riquezasnaturales del país y quién las controla, y cerramos con una reflexión sobre lalucha de clases, la sociedad civil y los movimientos panafricanistas que estánresistiendo en el terreno.Unanálisis contundente, crítico y necesario para entender cómo se defiende Áfricahoy.OTRA ÁFRICA ES POSIBLE#SabiasqueÁfrica#otraÁfricaesposible#allafricanpeoplerevolutionaryparty#Zambiaelections2026#ZAMBIA#IMF#WB#endneocolonialism

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¡ZAMBIA vs NEOCOLONIALISMO! Elecciones fraudulentas en Zambia 2026

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¡ZAMBIAvs NEOCOLONIALISMO!Eleccionesfraudulentas en Zambia 2026¿Sabíasque… lo que está pasando hoy en Zambia no es solo una crisis política, sino elreflejo de un sistema global que sigue explotando a África mientras nuestrascomunidades luchan por soberanía, justicia y dignidad? Hoy esmiércoles y toca #LALLAVE. Escúchanos en nuestras plataformas de YouTube ySpotify: https://youtu.be/JMbDypZLXY8 Eneste nuevo episodio te llevo por un viaje profundo: empezamos analizando lasituación actual del país, seguimos con una comparación clara entre losprogramas políticos del gobierno y la oposición, desmontamos el papel del FMI yel Banco Mundial en la economía zambiana, exploramos cómo EE.UU., la UE eIsrael intervienen en sus recursos y su política, revisamos las riquezasnaturales del país y quién las controla, y cerramos con una reflexión sobre lalucha de clases, la sociedad civil y los movimientos panafricanistas que estánresistiendo en el terreno.Unanálisis contundente, crítico y necesario para entender cómo se defiende Áfricahoy.OTRA ÁFRICA ES POSIBLE#SabiasqueÁfrica#otraÁfricaesposible#allafricanpeoplerevolutionaryparty#Zambiaelections2026#ZAMBIA#IMF#WB#endneocolonialism

Inteligência Ltda.
022 - GERENTE DO BANCO MUNDIAL REVELA QUE RAÇA ''NÃO HUMANA'' CONTROLA O MUNDO

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Play Episode Listen Later Aug 27, 2026 29:59


Será que uma ex-gerente do Banco Mundial realmente revelou que uma raça "não humana" controla o mundo e as finanças globais? O que as maiores instituições econômicas do planeta sabem e estão escondendo da humanidade a portas fechadas?Estaríamos sendo manipulados por uma elite oculta que opera além da nossa compreensão? Você vai descobrir com o especialista em conspirações THIAGO LIMA neste episódio de “Será Que É Verdade?”

Marchá con Moreno
LA VOZ EMPRESARIAL 11 08 2026 PROGRAMA 67

Marchá con Moreno

Play Episode Listen Later Aug 27, 2026 58:04


LA VOZ EMPRESARIAL | El ResurgirStreaming en Vivo | Una producción con la mística justicialistaEn tiempos en que la Argentina busca reencontrar su rumbo, una nueva edición de La Voz Empresarial se convierte en caja de resonancia de las ideas que vuelven a ponerse de pie.

La Estrategia del Día
Banco Mundial y la Fibra E, acciones de Moderna, Shein y la barbie Marilyn Monroe

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Play Episode Listen Later Aug 20, 2026 8:52


Muy buenos días, el relanzamiento de la Fibra E en México capta el interés de un organismo financiero internacional. Pasando a las historias que mueven al mercado, hablamos de las acciones de Moderna y la vacuna que emocionó a Wall Street. Y transportándonos en paquete hasta Hong Kong, ¿cuánto puede valer Shein en su próxima salida a bolsa? En el mundo del juguete, Mattel no olvida a los adultos y saca una nueva Barbie para la colección.Patrocinado | Aeroméxico, la aerolínea más puntual del mundo por segundo año consecutivo. Conoce más aquí. ⁠⁠⁠https://www.bloomberglinea.com/brandedcontent/aeromexico-es-la-aerolinea-mas-puntual-del-mundo-por-segundo-ano-consecutivo-segun-el-reporte-de-cirium/

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México destraba inversiones por 3 mil 500 mdd

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Play Episode Listen Later Aug 14, 2026 1:33 Transcription Available


Alertan por sobrecarga y violencia laboral en el Poder Judicial Santuario Jaguar Negro Tigre Blanco no tiene registro vigenteBanco Mundial destina 200 mdd a Colombia tras sismoMás información en nuestro podcast#grc

Jorge Borges
A tecnologia não ensina a ler sozinha

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Play Episode Listen Later Aug 4, 2026 27:32


Tecnologia educativa: o que realmente funciona, segundo uma síntese do Banco MundialUma nova nota de orientação do Banco Mundial reúne, pela primeira vez de forma sistemática, a evidência sobre que tipo de tecnologia educativa melhora efetivamente a leitura e o cálculo nos primeiros anos de escolaridade. O documento nasce de contextos de baixo e médio rendimento, mas as suas conclusões sobre o que faz uma ferramenta digital funcionar — ou falhar — dizem respeito a qualquer escola que hoje decida comprar uma aplicação, testar um chatbot ou adotar uma plataforma de leitura.

Jorge Borges
Tecnologia educativa: o que realmente funciona, segundo uma síntese do Banco Mundial

Jorge Borges

Play Episode Listen Later Aug 4, 2026 7:55


Uma nova nota de orientação do Banco Mundial reúne, pela primeira vez de forma sistemática, a evidência sobre que tipo de tecnologia educativa melhora efetivamente a leitura e o cálculo nos primeiros anos de escolaridade. O documento nasce de contextos de baixo e médio rendimento, mas as suas conclusões sobre o que faz uma ferramenta digital funcionar — ou falhar — dizem respeito a qualquer escola que hoje decida comprar uma aplicação, testar um chatbot ou adotar uma plataforma de leitura.

FM Mundo
NotiMundo al Día - Fausto Ortiz - Nuevo crédito del Banco Mundial para Ecuador

FM Mundo

Play Episode Listen Later Jul 31, 2026 12:36


NotiMundo al Día - Fausto Ortiz - Nuevo crédito del Banco Mundial para Ecuador by FM Mundo 98.1

Noticentro
Escuelas de EU usarán drones para evitar tiroteos 

Noticentro

Play Episode Listen Later Jul 29, 2026 1:33 Transcription Available


Retiran más de seis toneladas de basura de las playas de México Sheinbaum se reúne con el presidente del Banco Mundial No deje el paraguas, hay Alerta por lluvias en CDMX #grc

La Estrategia del Día
Ajay Banga en México, Apple, Visa, Barclays, State Street y UEFA contra FIFA

La Estrategia del Día

Play Episode Listen Later Jul 29, 2026 17:14


Muy buenos días, es la primera vez en más de cinco años que un presidente del Banco Mundial visita México. Ajay Banga está en el país. Apple entró por un breve momento al club de los cinco billones de dólares, Barclays se distancia de la fiesta de ganancias de los bancos y Visa da un anuncio agridulce. State Street compra el servicio de custodia de Santander en México, lo explicamos. Y para que no extrañemos al fútbol en este verano, la FIFA y UEFA escalan tensiones por fondos de capital privado. [Presentado por Novartis] ¿Cómo pueden la innovación y la IA transformar la salud en América Latina? Descúbrelo aquí: https://www.bloomberglinea.com/brandedcontent/reimaginando-la-medicina-juntos-especial-digital/

Noticentro
¡No guardes el paraguas! Las lluvias continúan este martes

Noticentro

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 1:53 Transcription Available


Banco Mundial desecha reclamos de Vulcan contra MéxicoMarina asegura más de 800 kilos de cocaína en ChiapasNetanyahu aborda con Trump seguridad e IránMás información en nuestro Podcast#grc

Meio Ambiente
Como o colapso da biodiversidade leva à perda de 20% do PIB mundial, segundo cientista francês

Meio Ambiente

Play Episode Listen Later Jul 16, 2026 6:08


Desde os anos 1990, fatores como a atividade humana, a poluição e as mudanças do clima amputaram o planeta de 40% dos seus estoques naturais. No começo do ano, um relatório do IPBES, a plataforma intergovernamental da ONU para a biodiversidade, alertou sobre os riscos desse declínio de seres vivos para a economia mundial e a estabilidade financeira.  O desaparecimento progressivo de plantas, animais, insetos, moluscos e micróbios gera um efeito dominó na agricultura e nas cadeias de valor que, para muitos países, representam a maior parte do PIB. Ao mesmo tempo, essa erosão em curso eleva os custos de produção – em outras palavras, riqueza que deixa de ser gerada, à altura de US$ 2,7 trilhões por ano até 2030, avaliou o Banco Mundial em 2021. Novos estudos apontam que os dois efeitos combinados já teriam resultado em um prejuízo de 20% do PIB mundial, adverte o biólogo Marc-André Selosse, professor e pesquisador do Museu de História Natural de Paris. Autor de diversas obras, ele acaba de publicar De la biodiversité comme un humanisme ("A biodiversidade como humanismo", em tradução livre), no qual detalha o alto custo da degradação da natureza e defende que preservar a natureza significa proteger o ser humano. “Na produção de groselha na Borgonha, por exemplo, a polinização é crucial. Só que as populações de insetos nessas áreas caíram 98% nos últimos 40 anos, então os produtores criam pequenas abelhas solitárias altamente eficazes, nos arbustos da groselha. Desta forma, eles conseguem impulsionar a produção, dobrando ou até quadruplicando, mas precisam manter essas colônias de abelhas, que custam caro”, cita o professor francês. “O que quero dizer é que, às vezes, conseguimos aplicar 'soluções rápidas', mas estamos começando a sobrecarregar o sistema com encargos secundários, simplesmente porque não podemos mais contar com as funções que a biodiversidade naturalmente proporcionaria.” Dependência da natureza que os homens destroem Selosse evoca um recente relatório das agências de segurança interna e externa britânicas, no qual o MI5 e o MI6 constatam que os danos aos ecossistemas considerados essenciais para o equilíbrio do planeta – da Amazônia às florestas boreais, dos manguezais aos recifes de corais – são uma ameaça direta à segurança alimentar no Reino Unido, que importa 40% do que consome. Alimentos, água, fertilidade dos solos, qualidade do ar são serviços ambientais proporcionados pela natureza, mas que a interferência humana está colocando em risco. Em abril, um estudo realizado pela seguradora Swiss Re apontou que 55% do PIB mundial depende de uma biodiversidade “saudável”. “Existem espécies de grupos de seres vivos que são bem catalogados, como plantas ou animais, nos quais vemos a diversidade despencar. Já perdemos 5% das espécies de vertebrados, 7% das espécies de moluscos. Estamos vendo o processo acontecer”, afirma, em entrevista ao programa C'est pas du Vent, da RFI. “Perdemos um pouco menos de plantas, mas estima-se que desde que o homem apareceu na Terra, a velocidade de extinção dos animais aumentou em pelo menos 5 mil vezes. A de plantas, 500 vezes. Estes são dados que temos.” Perda de diversidade genética ameaça a sobrevivência Selosse chama a atenção para alguns casos: 80% dos insetos desapareceram em 30 anos, o número de pássaros na Europa caiu 30% em 15 anos e o de morcegos, em igual proporção, em ainda menos tempo, apenas uma década. O pesquisador salienta os riscos dessa perda de populações para a sobrevivência dos seres vivos. O desaparecimento de indivíduos leva à redução progressiva da diversidade genética de cada espécie, que hoje já é de pelo menos 10%. “Isso é preocupante porque é nesta diversidade genética que se encontram os indivíduos que possivelmente estarão adaptados às condições de amanhã: quando um novo agrotóxico começar a ser usado, quando o clima estiver um grau mais quente ou quando a concentração de microplásticos subir, quem vai conseguir sobreviver?”, salienta. “É a adaptabilidade das espécies que está em jogo. A perda de diversidade genética representa um enfraquecimento das espécies. Ela anuncia a ampliação do mecanismo de extinção, que por enquanto ainda é limitado a entre 5 e 10%”, indica o cientista. A entrevista completa de Marc-André Selosse à RFI pode ser ouvida aqui, em francês. 

La ContraCrónica
La redefinición de la OTAN

La ContraCrónica

Play Episode Listen Later Jul 6, 2026 54:23


Hoy comienza la cumbre de la OTAN, que este año se celebra en Ankara. La agenda oficial pasa por revisar los avances que se han hecho desde la cumbre de La Haya, el gasto en defensa que los europeos se comprometieron a elevar hasta el 5% del PIB en 2035, un nuevo paquete de ayuda a Ucrania estimado en 70.000 millones de euros y la crisis del golfo Pérsico. Por debajo de esa agenda late algo mucho más serio, un asunto del que se habla sin parar desde que Trump regresó a la Casa Blanca hace año y medio. Está de moda un género que podríamos llamar obituario geopolítico, en el que cualquier ensayista firma con autoridad de forense el certificado de defunción del vínculo transatlántico, la alianza que ha sostenido el orden occidental durante casi 80 años. Los partidarios del fin de este vínculo aseguran que el mundo en el que nació el atlantismo ha desaparecido. Aquel orden surgió tras la segunda guerra mundial con Estados Unidos como garante y principal beneficiario de una comunidad de valores. La creación de la ONU, el FMI, el Banco Mundial o la propia OTAN fueron las materializaciones prácticas de esos valores compartidos. El hechizo, dicen, lo rompió Mark Carney en Davos cuando dijo hace unos meses que el padrino estadounidense ya no es liberal sino una potencia depredadora. La ruptura es doble. El llamado iliberalismo avanza dentro de Estados Unidos y el país ha cambiado su composición demográfica, los viejos patricios de la costa Este ya son muchos menos y eso afecta a las ataduras sentimentales con Europa. Biden fue, según esta versión, el último presidente atlantista, todos los que vengan después no lo serán porque EEUU ha cambiado. El problema de los obituarios prematuros es que el difunto suele levantarse del ataúd. La alianza atlántica nunca fue solo un proyecto de valores, sino una convergencia de intereses entre dos bloques que juntos suman el 43% del PIB mundial. Las alianzas perduran cuando sus miembros perciben una amenaza común y calculan que juntos les va mejor, como ocurrió entre Francia y el Reino Unido, enemigos acérrimos hasta que Alemania se unificó en el siglo XIX. Los valores adornan la fachada, pero es el interés el que sostiene el edificio. Ambas orillas del Atlántico siguen compartiendo intereses. El vínculo material, de hecho, lejos de deshacerse, se ha vuelto más denso. En 2025 los aliados europeos dispararon su gasto militar un 20% hasta los 574.000 millones de dólares, el mayor incremento anual de la historia de la OTAN, y los 32 socios superan ya el umbral del 2%. Alemania ha hecho saltar por los aires su freno constitucional a la deuda y Polonia camina hacia el 5%. Los 7,4 billones en inversión cruzada hablan una relación que no da señales de agotamiento. El cambio europeo es más psicológico que material. No estamos ante un divorcio, sino ante una redefinición de funciones, la primera en los 77 años que tiene la OTAN. Europa asumirá la defensa convencional del continente y Estados Unidos conservará los facilitadores estratégicos, la disuasión nuclear y el ataque de largo alcance. En ese reparto Ucrania emerge como pieza central, tienen el ejército terrestre más poderoso de Europa y mucha experiencia bélica. Esa factura no tardarán en cobrársela. Los europeos, en definitiva, han aprendido que su antiguo padrino no es del todo fiable, ni se puede contar con él para todo, una lección que deben agradecer a Trump. En La ContraRéplica: 0:00 Introducción 4:08 La redefinición de la OTAN 35:02 Trámites en los consulados 42:50 El fin del formato físico 49:31 Propiedad y licencias de software · Canal de Telegram: https://t.me/lacontracronica · “Contra el pesimismo”… https://amzn.to/4m1RX2R · “Hispanos. Breve historia de los pueblos de habla hispana”… https://amzn.to/428js1G · “La ContraHistoria del comunismo”… https://amzn.to/39QP2KE · “La ContraHistoria de España. Auge, caída y vuelta a empezar de un país en 28 episodios”… https://amzn.to/3kXcZ6i · “Contra la Revolución Francesa”… https://amzn.to/4aF0LpZ · “Lutero, Calvino y Trento, la Reforma que no fue”… https://amzn.to/3shKOlK Apoya La Contra en: · Patreon... https://www.patreon.com/diazvillanueva · iVoox... https://www.ivoox.com/podcast-contracronica_sq_f1267769_1.html · Paypal... https://www.paypal.me/diazvillanueva Sígueme en: · Web... https://diazvillanueva.com · Twitter... https://twitter.com/diazvillanueva · Facebook... https://www.facebook.com/fernandodiazvillanueva1/ · Instagram... https://www.instagram.com/diazvillanueva · Linkedin… https://www.linkedin.com/in/fernando-d%C3%ADaz-villanueva-7303865/ · Flickr... https://www.flickr.com/photos/147276463@N05/?/ · Pinterest... https://www.pinterest.com/fernandodiazvillanueva Encuentra mis libros en: · Amazon... https://www.amazon.es/Fernando-Diaz-Villanueva/e/B00J2ASBXM #FernandoDiazVillanueva #otan #defensa Escucha el episodio completo en la app de iVoox, o descubre todo el catálogo de iVoox Originals

Eduardo Ruiz-Healy en Fórmula
Trump es el mejor promotor de las energías renovables

Eduardo Ruiz-Healy en Fórmula

Play Episode Listen Later Jun 17, 2026 41:08


Emisión del martes 16 de Junio de 2026 El Brent rebasó los 112 dólares por barril en los picos del conflicto con Irán. Después corrigió hacia 80-90 dólares, pero el daño ya estaba hecho: el Banco Mundial calcula que los precios de la energía, el petróleo, el gas y el carbón serán, en promedio anual, 24% más altos que si la guerra no hubiera ocurrido. Un auténtico impuesto energético global que nadie votó. "Deja que tus oídos te abran los ojos." #RuizHealyTimes #AbriendoLaConversación www.ruizhealytimes.com

Noticentro
De sequías a lluvias torrenciales traerá El Niño

Noticentro

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 1:42 Transcription Available


Refuerzan vigilancia en zonas turísticas de CDMXK9 brinda apoyo emocional a aficionados en TolucaBM prevé crecimiento de 2.2% para la regiónMás información en nuestro Podcast#grc

Capital
Capital Intereconomía 8:00 A 9:00 12/06/2026

Capital

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 57:59


En Capital Intereconomía, la Tertulia Capital analiza los grandes temas económicos, empresariales y geopolíticos de la actualidad junto a Javier Sastre, profesor de ESIC Business & Marketing School; Ismael García de Santos, analista geopolítico; y José Ramón Álvarez, profesor de la Escuela Técnica Superior de Ingenieros Industriales. La mesa estará marcada por uno de los acontecimientos financieros más relevantes de los últimos años: la salida a bolsa de SpaceX, una operación que promete convertirse en la mayor OPV de la historia de Wall Street y que vuelve a situar a Elon Musk en el centro de atención de los mercados internacionales. Analizaremos las implicaciones para el sector tecnológico, la industria espacial y los inversores. También abordaremos las nuevas previsiones económicas del Fondo Monetario Internacional y del Banco Mundial, que apuntan a una moderación del crecimiento global en un entorno todavía condicionado por la inflación, los elevados tipos de interés y la incertidumbre geopolítica. La actualidad internacional tendrá igualmente protagonismo con el balance de la visita del Papa a España y la entrada en vigor del nuevo Pacto Migratorio de la Unión Europea, una reforma que busca reforzar la gestión de las fronteras comunitarias y redefinir la política migratoria europea. Además, analizaremos la situación del mercado inmobiliario tras los últimos datos de compraventa de viviendas y la evolución del transporte ferroviario de alta velocidad, que continúa enfrentándose a importantes desafíos operativos y de demanda. En la Entrevista Capital, conversamos con Paco González, CEO de Core Tech Capital, para profundizar en las claves de la histórica salida a bolsa de SpaceX, las valoraciones que maneja el mercado y el impacto que esta operación puede tener sobre el conjunto del ecosistema tecnológico y de innovación. Terminamos la hora con el análisis de preapertura de los mercados junto a Jesús Sánchez Quiñones, director general de Renta 4 Banco

Economia do Futuro
O Brasil e a nova geopolítica da energia

Economia do Futuro

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 30:55


**Este episódio teve o apoio e a colaboração do Instituto Clima e Sociedade**A gente já sabia que as nossas fontes de energia precisam mudar. A transição energética já estava em curso. Mas o que era urgente, agora ficou urgentíssimo.A guerra no Irã expôs a fragilidade de um modelo econômico baseado em combustíveis fósseis — recursos concentrados em poucas regiões do mundo e distribuídos por cadeias longas e vulneráveis.E agora a gente viu: o estrangulamento no Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, pressionou a inflação e desacelerou economias ao redor do planeta. Esse tipo de choque tem o potencial de reverberar por décadas — e o meu entrevistado explica como. Jorge Arbache é professor de economia da Universidade de Brasília e senior fellow do Instituto Clima e Sociedade. Ele já passou pelo BNDES e pelo Ministério do Planejamento, e também foi economista sênior do Banco Mundial e vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.Nesta conversa, Jorge explica as mudanças estruturais que estão em curso e a oportunidade histórica do Brasil: ao oferecer energia limpa para o mundo, o país pode se tornar protagonista de um novo modelo de desenvolvimento econômico.Para entrar em contato, escreva para: podcast@economiadofuturo.com

Noticentro
La FMF lanza Programa Nacional de Formación del fútbol

Noticentro

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 1:51 Transcription Available


Magisterio tiene mejoras salariales y beneficios laborales: SegobDólar se vende en un mínimo de 16 pesos con 53 centavos y  se compra en un máximo de 18.64 pesosFertilizantes disparan su precio por la guerra: BMMás información en nuestro podcast#grc

Hora América
Entrevista con Francisco Sagasti, expresidente de Perú

Hora América

Play Episode Listen Later Jun 3, 2026 17:16


Conversamos hoy con Francisco Sagasti, quien fue presidente de Perú durante el periodo de transición entre 2020 y 2021. Ingeniero y académico, ha desarrollado buena parte de su carrera en el ámbito internacional vinculado al desarrollo, la ciencia y la innovación, incluyendo su paso por el Banco Mundial. Desde su experiencia al frente del Ejecutivo en uno de los momentos de mayor inestabilidad reciente del país, analizamos con él la situación política actual de Perú, en la antesala de una segunda vuelta marcada por la polarización y la incertidumbre electoral.Escuchar audio

Noticentro
Explosión sacude zona de pirotecnia en Tultepec

Noticentro

Play Episode Listen Later May 23, 2026 1:46 Transcription Available


Dictan prisión preventiva a exfuncionarios de Morelos Universidad Autónoma de Tamaulipas se suma a combate gusano barrenadorBanco Mundial apoya respuesta contra ébola en ÁfricaMás información en nuestro podcast#grc

Cabeça de Vento
Cabeça de Vento 61 | Tensões geopolíticas globais e o impacto na indústria eólica

Cabeça de Vento

Play Episode Listen Later May 14, 2026 39:49


Cabeça de Vento 61 | Tensões geopolíticas globais e o impacto na indústria eólica Neste episódio do Cabeça de Vento, Elbia Gannoum, nossa presidente executiva e enviada especial de energia da COP30 conversa com o professor e economista Otaviano Canuto. Ele foi vice-presidente e diretor executivo no Banco Mundial, diretor executivo no FMI e vice-presidente no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Também foi secretário de assuntos internacionais no Ministério da Fazenda e professor da USP e da Unicamp. Atualmente é membro sênior do Policy Center for the New South, membro sênior não-residente da Brookings Institution, distinguished visiting sênior fellow e professor na Elliott School of International Affairs da George Washington University e professor afiliado na Universidade Mohammed VI Polytechnique. Elbia e Otaviano conversaram sobre tensões geopolíticas e o impacto nas renováveis e na indústria eólica. 

No hay Banderas en Marte
De manejar taxi en Bogotá a recoger frutas en España

No hay Banderas en Marte

Play Episode Listen Later May 6, 2026 97:42


María del Pilar Pardo creció viendo a su madre y a sus hermanos luchar por mantenerse a flote en Bogotá luego de que su padre los dejara. Años después, María se encontró frente al mismo espejo: sola, con dos hijos y la responsabilidad absoluta de sus vidas sobre sus hombros; ella estaba terminando su carrera en auxiliar de enfermería pero la necesidad la llevó a cambiar el uniforme por el volante de un taxi, recorría las calles de Bogotá en un esfuerzo agotador que, aún así, no era suficuente para llegar a fin de mes. En medio de la desesperación, la idea de migrar de forma irregular con el miedo que implica quedar atrapada lejos y no volver a ver a sus niños, empezó a rondar su cabeza como la única salida para romper el ciclo de la pobreza.Sin embargo, el destino le tenía guardada una tercera vía. A través de un programa de migración laboral circular difundido por el SENA, María encontró la oportunidad de viajar a Cataluña, España, donde hoy trabaja como agricultora. En esta conversación, desarmamos su historia para hablar del peso de los ciclos familiares, el dolor agudo de la crianza a distancia y ese alivio invisible pero gigante de trabajar en el exterior sabiendo que hay un tiquete de regreso.Este episodio hace parte de nuestra serie sobre movilidad laboral internacional, diseñada para entender la realidad de los convenios internacionales y las vidas de quienes, como María, representan el motor de estas iniciativas de cooperación. Para profundizar en el impacto de estos programas, el Banco Mundial lideró recientemente una evaluación del acuerdo de flujos migratorios Colombia y España. Conoce más sobre el estudio aquí:https://documents.worldbank.org/en/publication/documents-reports/documentdetail/099022026121033287

Tertulia y Dinero
Licencias a BCV y Banca Pública. ¿Con qué se come eso?

Tertulia y Dinero

Play Episode Listen Later Apr 26, 2026 50:17


Analizamos a fondo dos noticias que han sacudido el panorama económico venezolano: la flexibilización de las sanciones al Banco Central de Venezuela (BCV) y el reinicio de las relaciones con el Fondo Monetario Internacional (FMI) y el Banco Mundial.¿Realmente terminó la fase de estabilización como dicen las autoridades estadounidenses?. Nuestros tres expertos desglosan qué significan estas licencias, cómo impactan el flujo de caja del país y qué esperar de la llegada de las multilaterales para los servicios públicos y el sector privado.Lo que aprenderás en este capítulo:El fin de la "estabilización": ¿Por qué EE. UU. considera que esta fase terminó y qué opinan los economistas al respecto?Licencia del BCV y la Banca Pública: Cómo esto facilita los pagos internacionales, profundiza el mercado cambiario y beneficia a las empresas venezolanasEl rol del FMI y los Derechos Especiales de Giro (DEG): ¿Qué son estos fondos, por qué estaban bloqueados y cómo podrían ayudar a las reservas del país?El Banco Mundial y la infraestructura: Por qué su regreso es clave para la crisis de servicios públicos (luz y agua) en VenezuelaFinanciamiento para privados: Las oportunidades de crédito a largo plazo y bajas tasas que podrían abrirse para proyectos agroindustriales y tecnológicosLa Píldora del día: Una recomendación literaria sobre la historia global del petróleo en Venezuela✉️ Gracias a nuestros aliados:Bplus: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Web⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Saeplus: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Web⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠VCB Logistics Group: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Web⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Barako: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Jaumaster: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Reliabytics: ⁠⁠⁠⁠Web⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Nuestras redes:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠TikTok⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Sigue a los hosts:José Miguel Farías: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠IG⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠LI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠X⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Asdrúbal Oliveros: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠IG⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠LI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠X⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Jesús Leonett: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠IG⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠LI⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ | ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠X⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Union Radio
¿Qué rol tiene el Banco Mundial en Vzla? Román Lozinski en Agenda Económica con Asdrúbal Oliveros

Union Radio

Play Episode Listen Later Apr 22, 2026 21:45


Union Radio
Lo que debe saber del regreso de Venezuela al Banco Mundial y del FM | Román Lozinski entrevista

Union Radio

Play Episode Listen Later Apr 17, 2026 10:00


ONU News
Parceria do Banco Mundial quer alargar segurança hídrica para 1 bilhão de pessoas

ONU News

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 1:34


Instituição revelou nova plataforma global “Water Forward” ou Água Adiante, numa tradução livre; objetivo é impulsionar aumento do fornecimento de água para nações em desenvolvimento até o fim desta década.

Eduardo Ruiz-Healy en Fórmula
Cuando estabilizar desplaza al desarrollo: el dilema de México

Eduardo Ruiz-Healy en Fórmula

Play Episode Listen Later Apr 15, 2026 41:19


Emisión del martes 14 de Abril de 2026 Juntos, los reportes del Banco Mundial y el FMI ponen sobre la mesa una disyuntiva incómoda que no admite respuestas fáciles. No es crecimiento contra resiliencia porque eso simplifica demasiado el asunto. Es decidir entre la obsesión por cuadrar las cuentas fiscales cada año, cueste lo que cueste, y una apuesta distinta: buscar la estabilidad con inversión real en salud, educación, agua, conectividad e infraestructura básica. "Deja que tus oídos te abran los ojos." #RuizHealyTimes #AbriendoLaConversación www.ruizhealytimes.com

ONU News
ONU apoia articulação de países que sofrem com peso do endividamento externo

ONU News

Play Episode Listen Later Apr 15, 2026 1:38


Plataforma lançada às margens das Reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial reforça voz coletiva de países solicitantes de empréstimos; líder da ONU discursou no lançamento da iniciativa enfatizando oportunidade de alterar relações de poder. 

ONU News
Parceria do Banco Mundial com a Bahia fortalece geração de empregos

ONU News

Play Episode Listen Later Apr 8, 2026 2:02


A organização internacional aprovou operação para o Estado da Bahia voltada ao fortalecimento da competitividade econômica e à criação de postos de trabalho, por meio de reformas em infraestrutura, transformação digital e energia

DW em Português para África | Deutsche Welle
Praça Pública - 2 de Abril de 2026

DW em Português para África | Deutsche Welle

Play Episode Listen Later Apr 2, 2026 20:00


Moçambique: Crianças estudam lado a lado com prisioneiros na província de Nampula. A sociedade está indignada. Ministro da Justiça relativiza: "Estamos num centro de ressocialização, não é o fim da vida". Já o governador da província promete afastar o mais breve possível as crianças do ambiente prisional. Classificação de Moçambique como um dos mais pobres do mundo causa acesos debates.

Se Habla Español
Español con noticias 84: El banco mundial de semillas - Episodio exclusivo para mecenas

Se Habla Español

Play Episode Listen Later Mar 15, 2026 26:02


Agradece a este podcast tantas horas de entretenimiento y disfruta de episodios exclusivos como éste. ¡Apóyale en iVoox! Episodio exclusivo para suscriptores de Se Habla Español en Apple Podcasts, Spotify, iVoox y Patreon: Spotify: https://open.spotify.com/show/2E2vhVqLNtiO2TyOjfK987 Patreon: https://www.patreon.com/sehablaespanol Buy me a coffee: https://www.buymeacoffee.com/sehablaespanol/w/6450 Donaciones: https://paypal.me/sehablaespanol Contacto: sehablaespanolpodcast@gmail.com Facebook: www.facebook.com/sehablaespanolpodcast Twitter: @espanolpodcast Hola, ¿cómo estás? Espero que todo vaya bien por ahí. En mi caso, estoy un poco preocupado por lo que está sucediendo en el mundo en estos momentos. Y es curioso, pero este no es el episodio que tenía preparado para hoy. Ya había grabado uno, pero el ataque conjunto de Estados Unidos e Israel a Irán me ha obligado a cambiar de planes. Y es que, en ese episodio hablaba justo de lo que sucedió en el país persa en las pasadas navidades. Las protestas en la calle contra el régimen iraní dejaron miles de muertos, y quería aprovechar una noticia para reflexionar sobre ese tema. Pero ahora ya no tiene mucho sentido, la verdad. Así que, he borrado ese episodio y he buscado una información alternativa, una noticia que no tiene nada que ver con eso. Es posible que ya lo sepas, pero existe un lugar en el mundo donde se guardan copias de seguridad de las plantas que comemos. Como si fueran archivos importantes, pero en vez de documentos, hablamos de semillas. Ese lugar está en una pequeña isla del norte de Noruega. Se llama Banco Mundial de Semillas de Svalbard, aunque mucha gente lo conoce como “la bóveda del fin del mundo”. ¿Para qué sirve exactamente? Su función es muy sencilla de entender: proteger la agricultura del planeta. Allí se almacenan semillas de miles de cultivos diferentes para que, si algún día ocurre una gran catástrofe —como un desastre natural, una guerra o los efectos extremos del cambio climático—, podamos recuperar esas plantas y volver a cultivarlas. Es, digamos, nuestro último seguro para no perder especies que son esenciales para nuestra alimentación. El lugar es impresionante. Está construido dentro de una montaña de hielo y roca, bajo tierra, para mantener las semillas en condiciones perfectas: mucho frío, muy poca humedad y máxima seguridad. De hecho, incluso si se fuera la electricidad, el hielo del Ártico mantendría la temperatura baja durante mucho tiempo. Cada país puede enviar allí semillas de sus cultivos más importantes. Es como enviar un “duplicado” de aquello que no se quiere perder. Las semillas llegan en sobres sellados, con toda la información necesaria, y se guardan en cajas metálicas dentro de túneles muy largos. No se plantan, no se abren, no se tocan: solo están allí por si algún día hicieran falta. Lo más interesante es que no se trata de un banco normal. No es un lugar al que puedes ir y pedir semillas para plantar mañana. Es un depósito de emergencia, pensado para situaciones extremas, cuando todo lo demás haya fallado. Por eso se habla de él como “el último gran recurso de la humanidad”. Y lo que sorprende a mucha gente es que este banco ya guarda más de un millón de semillas diferentes procedentes de casi todos los países del mundo. Cada una de ellas representa una parte de la biodiversidad que necesitamos para alimentarnos. En resumen: el Banco Mundial de Semillas de Svalbard es como un gigantesco archivo de vida, creado para proteger el futuro de nuestra agricultura. Es un proyecto internacional que intenta evitar que, pase lo que pase en el planeta, perdamos para siempre las plantas que nos han acompañado durante miles de años. Pues bien, la noticia de hoy relaciona ese banco de semillas con España. Pero antes de escucharla necesito explicarte cuatro cosas que aparecen en la información. Por un lado, el CSIC es el Consejo Superior de Investigaciones Científicas de España. Allí trabajan miles de científicos que estudian todo tipo de temas: desde biología, química o medicina, hasta astronomía o ciencias sociales. En segundo lugar, la FAO es la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura. Es una agencia de la ONU que trabaja para luchar contra el hambre, mejorar la agricultura mundial y proteger los recursos naturales. En cuanto al Banco de Germoplasma de la Universidad de Córdoba, es un lugar donde se guardan semillas, plantas o material genético para conservar la biodiversidad. Y por último, el Consejo Oleícola Internacional es una organización internacional que reúne a países productores y consumidores de aceite de oliva y aceitunas. Bien, ahora sí que estamos preparados para escuchar la noticia de Radio Nacional de España. “Es un depósito en el que se almacenan semillas para cuidarlas y recuperar los cultivos en caso de catástrofe. Es como el último gran recurso de la humanidad. Bien, pues este banco subterráneo está en una isla de Noruega, contiene ya más de un millón de semillas, y las últimas en refugiarse allí son las del olivo español, que acaban de entrar. Sí, por primera vez un cultivo leñoso ha traspasado las puertas de esta cúpula del fin del mundo. Lo ha hecho en sobres, con 500 semillas seleccionadas en el Banco de Germoplasma de la Universidad de Córdoba para preservar así las 50 variedades más importantes del mundo. Pablo Morello es su responsable. El olivo se viene cultivando desde hace seis mil años. Actualmente existen cerca de 1.500 variedades de olivo y aquí en nuestro Banco de Germoplasma Mundial de Olivos de la Universidad de Córdoba conservamos cerca de 700 variedades distintas. El proyecto ha sido posible gracias al Ministerio de Agricultura, al CSIC y a las universidades de Córdoba y Granada, liderados por la FAO y el Consejo Oleícola Internacional. Jaime Lillo es su director ejecutivo. Conforman un auténtico tesoro de material genético de la diversidad genética del olivo. Todas las semillas que se guardan ya en Svalbard tienen su duplicado en los bancos de Germoplasma para salvaguardar esa biodiversidad frente a hipotéticas amenazas como desastres naturales, conflictos o efectos del cambio climático.” Muy interesante la noticia, ¿verdad? Pues ahora vamos con las palabras que pueden entrañar alguna dificultad. Por cierto, aquí “entrañar” quiere decir “suponer” o “significar” una dificultad, ¿vale? Depósito: es un lugar donde se guarda o se almacena algo para conservarlo. Puede ser un espacio físico, como un almacén, o un contenedor donde se guarda un material. –El agua de lluvia se recoge en un depósito para usarla después en el jardín. –El museo tiene un depósito donde guardan las obras que no están expuestas. Cultivos: son las plantas que se siembran y se cuidan para obtener alimentos o productos, como trigo, arroz, tomates o algodón. –En esta zona los agricultores trabajan sobre todo con cultivos de frutas y hortalizas. –El cambio climático está afectando a muchos cultivos que antes crecían sin problemas. Cultivo leñoso: es una planta que tiene tronco o tallos duros, como los árboles o los arbustos. A diferencia de las plantas herbáceas, estas tienen madera. El olivo, por ejemplo, es un cultivo leñoso. –La vid y el almendro también son cultivos leñosos. –Los cultivos leñosos viven muchos años y requieren cuidados diferentes a los de un cereal. Olivo: es un árbol típico del Mediterráneo que produce aceitunas, con las que se hace el aceite de oliva. Es una especie muy antigua y muy importante en España. –En el pueblo de mi abuelo hay olivos que tienen más de cien años. –El olivo necesita mucho sol y resiste bien la sequía. Sobre: es un pequeño envoltorio de papel que se usa para guardar cartas, documentos o, como en este caso, semillas. –La invitación llegó dentro de un sobre azul muy bonito. –Las semillas se enviaron en sobres herméticos para que no se estropearan. Preservar: significa proteger algo para que no se pierda o no se deteriore con el tiempo. Es una forma de conservar. –Es importante preservar las lenguas minoritarias para que no desaparezcan. –Los científicos trabajan para preservar especies en peligro de extinción. Salvaguardar: es parecido a preservar, pero un poco más fuerte. Significa defender o garantizar que algo siga existiendo, sobre todo cuando hay riesgos o amenazas. –La nueva ley pretende salvaguardar los derechos de los trabajadores. –Los bancos de semillas sirven para salvaguardar la biodiversidad agrícola. Hipotéticas amenazas: son peligros que todavía no han ocurrido, pero que podrían ocurrir en el futuro. No son reales en este momento, pero son posibles. –El plan de emergencia se creó para reaccionar ante hipotéticas amenazas como inundaciones o incendios. –Guardamos copias de seguridad por si en el futuro aparece alguna amenaza hipotética, como un fallo del sistema. “Es un depósito en el que se almacenan semillas para cuidarlas y recuperar los cultivos en caso de catástrofe. Es como el último gran recurso de la humanidad. Bien, pues este banco subterráneo está en una isla de Noruega, contiene ya más de un millón de semillas, y las últimas en refugiarse allí son las del olivo español, que acaban de entrar. Sí, por primera vez un cultivo leñoso ha traspasado las puertas de esta cúpula del fin del mundo. Lo ha hecho en sobres, con 500 semillas seleccionadas en el Banco de Germoplasma de la Universidad de Córdoba para preservar así las 50 variedades más importantes del mundo. Pablo Morello es su responsable. El olivo se viene cultivando desde hace seis mil años. Actualmente existen cerca de 1.500 variedades de olivo y aquí en nuestro Banco de Germoplasma Mundial de Olivos de la Universidad de Córdoba conservamos cerca de 700 variedades distintas. El proyecto ha sido posible gracias al Ministerio de Agricultura, al CSIC y a las universidades de Córdoba y Granada, liderados por la FAO y el Consejo Oleícola Internacional. Jaime Lillo es su director ejecutivo. Conforman un auténtico tesoro de material genético de la diversidad genética del olivo. Todas las semillas que se guardan ya en Svalbard tienen su duplicado en los bancos de Germoplasma para salvaguardar esa biodiversidad frente a hipotéticas amenazas como desastres naturales, conflictos o efectos del cambio climático.” Cada vez menos dudas, ¿verdad? Pues vamos con una versión modificada de la noticia, introduciendo el máximo número de sinónimos posibles. En una isla remota del norte de Noruega existe un almacén subterráneo donde se guarda y protege la diversidad agrícola del planeta. Es un depósito internacional donde se conservan miles de semillas para recuperar los cultivos si algún día la humanidad sufre una catástrofe, ya sea un desastre natural, una guerra o una crisis climática. Muchos lo llaman el último refugio vegetal del mundo. Este banco bajo tierra ya reúne más de un millón de muestras, y las más recientes en incorporarse han sido las del olivo español. Es un hecho histórico, porque es la primera ocasión en la que un árbol frutal atraviesa las puertas de esta especie de cápsula del fin del mundo. Las semillas viajaron hasta allí en sobres herméticos, un total de 500 unidades, escogidas cuidadosamente por el Banco de Germoplasma de la Universidad de Córdoba. Con ellas se pretende resguardar las 50 variedades de olivo más relevantes del planeta. El responsable del proyecto, Pablo Morello, recuerda que el olivo se cultiva desde hace seis milenios y que hoy se conocen cerca de 1.500 tipos distintos. Solo en su banco, en Córdoba, se custodian casi 700 variedades, lo que demuestra la enorme riqueza genética de este árbol mediterráneo. Esta iniciativa ha salido adelante gracias a la colaboración del Ministerio de Agricultura, el CSIC, y las universidades de Córdoba y Granada, bajo la dirección de la FAO y del Consejo Oleícola Internacional. Su director ejecutivo, Jaime Lillo, explica que este conjunto de semillas constituye un auténtico tesoro genético, una colección que refleja la amplia diversidad del olivo en el mundo. Además, todas las semillas enviadas a Svalbard tienen una copia en los bancos de germoplasma españoles. El objetivo es proteger esa biodiversidad frente a riesgos futuros, como fenómenos extremos, conflictos armados o los impactos del calentamiento global. En otras palabras, el depósito noruego funciona como un seguro de vida para las plantas que alimentan a la humanidad. “Es un depósito en el que se almacenan semillas para cuidarlas y recuperar los cultivos en caso de catástrofe. Es como el último gran recurso de la humanidad. Bien, pues este banco subterráneo está en una isla de Noruega, contiene ya más de un millón de semillas, y las últimas en refugiarse allí son las del olivo español, que acaban de entrar. Sí, por primera vez un cultivo leñoso ha traspasado las puertas de esta cúpula del fin del mundo. Lo ha hecho en sobres, con 500 semillas seleccionadas en el Banco de Germoplasma de la Universidad de Córdoba para preservar así las 50 variedades más importantes del mundo. Pablo Morello es su responsable. El olivo se viene cultivando desde hace seis mil años. Actualmente existen cerca de 1.500 variedades de olivo y aquí en nuestro Banco de Germoplasma Mundial de Olivos de la Universidad de Córdoba conservamos cerca de 700 variedades distintas. El proyecto ha sido posible gracias al Ministerio de Agricultura, al CSIC y a las universidades de Córdoba y Granada, liderados por la FAO y el Consejo Oleícola Internacional. Jaime Lillo es su director ejecutivo. Conforman un auténtico tesoro de material genético de la diversidad genética del olivo. Todas las semillas que se guardan ya en Svalbard tienen su duplicado en los bancos de Germoplasma para salvaguardar esa biodiversidad frente a hipotéticas amenazas como desastres naturales, conflictos o efectos del cambio climático.” Para terminar, quiero contarte algo que quizá no sabías. El banco de semillas de Noruega no es el único “gran almacén” pensado para proteger cosas importantes para la humanidad. En distintos lugares del mundo existen otros centros parecidos, aunque guardan materiales muy diferentes. Por ejemplo, no muy lejos del banco de semillas, también en Svalbard, existe un archivo mundial de código abierto, donde se conservan copias de proyectos digitales esenciales, como software libre o documentos científicos. Es una especie de “memoria digital” del planeta, pensada para que la información no se pierda aunque ocurra algún desastre tecnológico. En otros países también hay lo que se llaman bancos de genes o bancos de ADN, donde se guarda material genético de plantas, animales o incluso microorganismos. Su objetivo es parecido: mantener la diversidad biológica por si en el futuro alguna especie desaparece o necesita recuperarse. Y algo muy curioso: también existen bibliotecas de semillas a pequeña escala, gestionadas por agricultores o comunidades locales. Son como versiones más modestas del banco de Svalbard, pero cumplen una función muy importante: proteger las variedades tradicionales de cada región y evitar que se pierdan. Lo que todos estos lugares tienen en común es la idea de proteger lo más importante: la comida que nos alimenta, la información que hemos creado, la diversidad que sostiene la vida. Son como pequeñas cápsulas del tiempo donde se conserva lo mejor de nosotros para las generaciones futuras. Y en un mundo tan cambiante como el nuestro, saber que existen estos espacios de protección da un poco de tranquilidad. Eso sí, ojalá no necesitemos utilizarlos nunca. Venga, vamos a repasar lo que hemos explicado hoy. Depósito: es un lugar donde se guarda o se almacena algo para conservarlo. Cultivos: son las plantas que se siembran y se cuidan para obtener alimentos o productos. Cultivo leñoso: es una planta que tiene tronco o tallos duros, como los árboles o los arbustos. Olivo: es un árbol típico del Mediterráneo que produce aceitunas, con las que se hace el aceite de oliva. Sobre: es un pequeño envoltorio de papel que se usa para guardar cartas, documentos o, como en este caso, semillas. Preservar: significa proteger algo para que no se pierda o no se deteriore con el tiempo. Salvaguardar: es parecido a preservar, pero un poco más fuerte. Hipotéticas amenazas: son peligros que todavía no han ocurrido, pero que podrían ocurrir en el futuro. Escucha este episodio completo y accede a todo el contenido exclusivo de Se Habla Español. Descubre antes que nadie los nuevos episodios, y participa en la comunidad exclusiva de oyentes en https://go.ivoox.com/sq/171214