Podcasts about project o

  • 195PODCASTS
  • 440EPISODES
  • 35mAVG DURATION
  • 1EPISODE EVERY OTHER WEEK
  • Feb 19, 2026LATEST
project o

POPULARITY

20192020202120222023202420252026


Best podcasts about project o

Show all podcasts related to project o

Latest podcast episodes about project o

Diplomatas
“NATO 3.0”: EUA “autorizam Europa a ter Exército próprio para se defender da Rússia”

Diplomatas

Play Episode Listen Later Feb 19, 2026 37:16


O episódio desta semana do podcast Diplomatas foi dedicado à análise dos discursos dos principais líderes políticos norte-americanos e europeus na 62.ª Conferência de Segurança de Munique, nomeadamente Marco Rubio, Friedrich Merz, Volodymyr Zelensky, Ursula von der Leyen, Emmanuel Macron, Keir Starmer e Mark Rutte. Teresa de Sousa e Carlos Gaspar tiraram lições do evento na Alemanha para reflectir sobre o actual estado das relações transatlânticas, destacando também a intervenção do subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby, na reunião de ministros da Defesa da NATO, e a visita de Rubio à Hungria, para apoiar a campanha eleitoral de Viktor Orbán. No âmbito das tensões com Moscovo, no contexto da guerra na Ucrânia, a jornalista do PÚBLICO e o investigador do IPRI-NOVA também assinalaram os 80 anos volvidos do “longo telegrama” do antigo embaixador dos EUA George Kennan, que estabeleceu as bases para a estratégia de “contenção” da então União Soviética durante a Guerra Fria. Houve ainda tempo para responder a uma pergunta enviada por um ouvinte do Diplomatas sobre a influência do Projecto 2025, da ultraconservadora Heritage Foundation, na governação de Donald Trump, e sobre os próximos passos até às eleições intercalares norte-americanas, agendadas para Novembro. Por fim, falou-se de Jesse Jackson, figura de proa da luta pelos direitos civis nos EUA, que morreu no domingo, aos 84 anos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Projecto Votar Claro: A escola como laboratório da democracia

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 6, 2026 9:03


Criado em 2021 para colmatar uma “lacuna evidente” na formação cívica dos jovens, o projecto Votar Claro transformou a Escola Secundária de Rio Tinto num verdadeiro laboratório da democracia. A estudante e presidente do projecto, Sofia Ribeiro, destaca que a simulação eleitoral permite chegar às urnas “de forma mais consciente, exigente e responsável”, combatendo a abstenção juvenil. O projecto Votar Claro nasceu em 2021, numa altura em que o país voltava a entrar em campanha e as eleições legislativas antecipadas colocavam novamente a política no centro do debate. Na Escola Secundária de Rio Tinto, em Gondomar, a iniciativa partiu de uma ideia simples: a escola não pode limitar-se a ensinar conteúdos, tem também de preparar cidadãos. “Foi precisamente por sentirmos que havia uma lacuna a esse nível que avançámos com o projecto”, explica Paulo Lima, professor e coordenador do Votar Claro. O docente recorda que os alunos confirmavam essa falta e que a realidade não era exclusiva de uma escola: “Havia realmente uma lacuna na formação cívica dos alunos e penso que a maior parte das escolas portuguesas estaria a passar pelo mesmo.” O diagnóstico repetia-se nas conversas de corredor e nas salas de aula. “Os alunos verbalizavam muitas vezes dizendo simplesmente que não se interessavam por política porque não estavam suficientemente informados ou porque não conheciam”, afirma. Para Paulo Lima, o problema não era rejeição, mas ausência de ferramentas: “Ao mesmo tempo sentiam a falta de uma formação específica que os preparasse para assumir responsabilidades cívicas, onde se incluía o direito de voto.” O projecto foi desenhado a pensar nos alunos prestes a atingir a maioridade. “Muitos deles iriam fazer 18 anos dentro de pouco tempo e já estariam quase de malas aviadas da escolaridade obrigatória para outros desafios da vida”, sublinha o coordenador. Daí a decisão de “inventar este projecto para tentar fomentar um pouco mais a cidadania política”, uma área que, lamenta, “continua a ser pouco explorada mesmo nas escolas que têm grande investimento pelas questões da cidadania”. Cinco anos depois, Paulo Lima diz que o cenário mudou. “No microcosmos que é aqui a nossa escola, mudou completamente”, garante. Segundo o docente, “passou a haver mais formação e mais informação”, o que levou os alunos a perceberem que a política “merece ser conhecida e sobre a qual os alunos devem reflectir”. E hoje, assegura, “aqui na escola passou a ser um tema de conversa”. Uma das marcas do projecto é a forma como envolve a comunidade educativa. Paulo Lima destaca a adesão “dos professores, da associação de pais e dos órgãos de gestão”, num “envolvimento muito profundo” que fez com que o Votar Claro passasse a fazer “parte do nosso código genético”. A partir daí, tornou-se natural que os alunos discutissem política e que a escola promovesse debates com “actores reais, com candidatos e representantes de partidos”. No centro do projecto estão as simulações eleitorais, organizadas sempre que o país vai a votos. “Sentimos isso por dois motivos”, explica o coordenador: “Quanto mais próximo da realidade, mais práticas e úteis podem ser as lições que se retiram da experiência de cada aluno.” E há ainda uma razão estratégica: “Os alunos sentem-se mais interessados e mais atraídos por projectos que os abrem à experiência real da vida.” Daí a insistência em replicar o processo: boletins iguais aos oficiais, urnas e apuramento. “Não é um projecto faz de conta”, afirma Paulo Lima. Apesar de serem simulações, “eles reconhecem que são úteis” e percebem que estão a treinar para um acto que “vai acontecer mais a sério nas vidas deles em pouco tempo”. E, acrescenta, o voto é tratado como na realidade: “Aqui o voto é livre. Os alunos votam ou não votam conforme a sua decisão.” A abertura da escola aos partidos foi outro dos pontos que mais surpreendeu o coordenador. “Surpreendeu-me a rápida e positiva resposta da parte dos partidos”, diz, admitindo que havia receios de “invadirem o terreno da escola”. No entanto, garante que “têm tido um comportamento exemplar” e “percebem quais são os limites”, adaptando o discurso ao contexto escolar. Do lado dos alunos, a surpresa veio na postura: “Souberam colocar questões sensíveis, confrontar contradições e criticar aquilo que sentem que não está bem.” A mensagem final mantém-se constante: votar é uma afirmação de cidadania. Paulo Lima diz que tentam passar a ideia de que “todos os votos contam” e que “o voto de cada um é um pilar da democracia”, defendendo uma participação “consciente e responsável” mesmo quando há cansaço eleitoral. Sofia Ribeiro, presidente da Comissão Eleitoral do projecto, reforça essa urgência ao admitir que os jovens estão “saturados das eleições”, mas alerta que esse sentimento deve ser combatido: “Passa por uma banalização daquilo que é votar, daquilo que é a democracia”, insistindo que a democracia só se mantém “através do direito do voto, essencialmente”.

Convidado
Total em Cabo Delgado: "O risco é que o projecto vá operar em formato de enclave"

Convidado

Play Episode Listen Later Jan 29, 2026 15:02


Foram retomadas oficialmente nesta quinta-feira as actividades do megaprojecto para a exploração de gás liderado pela TotalEnergies em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, cerca de cinco anos depois da sua suspensão, por "motivos de força maior", devido aos múltiplos ataques terroristas naquela zona e, em particular, junto das suas instalações em Afungi, no extremo norte da província, em Março de 2021. Com um orçamento de 20 mil milhões de Dólares e uma capacidade projectada de produzir 13 milhões de toneladas por ano a partir da Bacia 'offshore' do Rovuma, a retoma deste projecto que suscita muitas expectativas no país, foi assinalada esta manhã numa cerimónia na qual participaram o Presidente moçambicano Daniel Chapo, e o líder da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, nas instalações do empreendimento, em Cabo Delgado. Após visitar as obras do megaprojecto, Daniel Chapo considerou que isto “representa a vitória, resiliência, coragem e determinação do povo moçambicano perante as adversidades”, o Presidente destacando igualmente o impacto económico que este empreendimento representa para o país: 35 mil milhões de Dólares de receitas para o Estado ao longo de 25 anos e a criação de 17 mil postos de trabalho na fase de construção, com 80% a serem ocupados por moçambicanos. Paralelamente a estas perspectivas florescentes para o Estado moçambicano e também para a petrolífera francesa, o regresso da TotalEnergies a Cabo Delgado acontece numa altura em que o conflito vigente desde 2017 naquela região ainda não está resolvido.  De acordo com as mais recentes informações da ACLED, organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, registaram-se seis ocorrências violentas nestas duas últimas semanas em Cabo Delgado, com um balanço de pelo menos três mortos, o que eleva  a 6.432, o número de mortos em oito anos de ataques constantes naquela zona. Em entrevista concedida à RFI, Borges Nhamirre, investigador do Instituto de Estudos de Segurança em Maputo, aborda esta questão, começando todavia por destacar a importância que a retoma deste projecto tem para Moçambique. RFI: O que representa a retoma das actividades da Total Em Cabo Delgado cinco anos depois da sua suspensão? Borges Nhamirre: No seu todo, a retoma das actividades é positiva porque o projecto significa um grande investimento para Moçambique. Há detalhes que não são satisfatórios, mas no geral, significa entrada de dinheiro para os cofres do Estado moçambicano e significa postos de trabalho para moçambicanos. O Presidente, no seu discurso de relançamento do projecto, disse que neste momento há cerca de 5000 pessoas que estão a trabalhar no acampamento da TotalEnergies e desses, 80% são moçambicanos e 40% são de Cabo Delgado. Portanto, é positivo para o uso do chamado 'conteúdo local', que inclui mão-de-obra e recursos locais. Então, no geral, é uma boa coisa. Agora, há detalhes que ainda têm que vir a público. Um dos mais importantes é o custo adicional do projecto, devido ao tempo da paragem. Este ponto não está esclarecido. O que veio a público é que a Total apresentou um custo adicional de 4,5 mil milhões de Dólares e o governo moçambicano pediu uma auditoria a estes custos. O projecto retoma hoje, sem que esta auditoria tenha sido concluída e os resultados apresentados. Não significa que o projecto não vai avançar, mas o custo total do projecto ainda não foi revelado. Isto eu penso que é o maior problema do ponto de vista de transparência deste projecto. RFI: A seu ver, quem é que vai pagar a conta a partir do momento em que se vai determinar o que de facto se perdeu durante estes anos todos? Borges Nhamirre: No final, quem vai pagar a conta são os moçambicanos, o Estado moçambicano, porque estes são os chamados 'custos dedutíveis', ou seja, Total a pagar pela Total. Dizemos Total porque é a operadora do projecto. Mas vamos dizer que os accionistas do projecto vão pagar no seu investimento o valor inicial já incorreram essas despesas. Na verdade, o que agora está em causa, é haver acordo entre a autoridade concedente, neste caso, o Estado moçambicano e a concessionária Total de que o valor gasto é este, para que este valor seja deduzido dos impostos que a Total iria pagar. Então não significa que o Estado moçambicano vá passar um cheque para a Total para pagar esses custos. Significa que a Total vai pagar menos impostos do que deveria pagar, deduzindo as despesas que já incorreu. Isto, parecendo que não, é um assunto muito sério, porque a factura que ela apresentou de 4,5 mil milhões de Dólares é aproximadamente um quarto de custo total inicial do projecto. Portanto, o valor que se tinha antes do custo inicial do projecto era cerca de 20 mil milhões. Então, se vai acrescentar 4,5 mil milhões, significa que é 25% mais caro do que se estava à espera. Isso automaticamente significa que Moçambique vai receber menos 25% daquilo que esperava receber em termos de impostos. E mesmo antes deste custo adicional, já havia muita contestação de que os ganhos que ficam para Moçambique destes recursos que são moçambicanos, são muito reduzidos. Mas de uma ou de outra forma, eu penso que este é o preço da guerra em Cabo Delgado. RFI: O Governo moçambicano argumenta que a Total decidiu suspender o projecto de "forma unilateral" e, no fundo, está a dizer implicitamente que não tem culpa da Total a ter interrompido o projecto. Borges Nhamirre: Eu penso que não. Essa leitura não está correcta, não da interpretação, mas da afirmação em si, porque a responsabilidade de garantir a segurança no território moçambicano é em primeira mão do Estado moçambicano. Portanto, se o Estado moçambicano tivesse garantido a segurança em território nacional, incluindo desse empreendimento económico, a Total não tinha como declarar "força maior", alegando razões de segurança. A responsabilidade de segurança dentro do território nacional é primeiramente do Estado moçambicano, seja para as empresas, seja para os cidadãos, seja para infra-estruturas do governo, seja lá o que for. Os outros detalhes dos custos, eu penso que esses já devem ser discutidos neste momento. Tecnicamente, não há elementos para argumentar se efectivamente a paragem custou este valor ou não custou, mas eu penso que não faz sentido dizer isto. E podíamos olhar para outras regiões. Por exemplo, temos outros projectos de exploração de gás para sul, na província de Inhambane. Não há conflito. Não houve suspensão dos projectos. Simples quanto isso. RFI: A Total, entre as condições que pediu a Moçambique, no âmbito da retoma das suas actividades, era que a sua concessão fosse prolongada por mais dez anos. O que é que se sabe exactamente sobre este aspecto das negociações? Borges Nhamirre: Sobre este aspecto, já há decisão do Conselho de Ministros. O que o Governo de Moçambique decidiu é que o período de extensão do projecto seria igual ao período da paralisação. Portanto, os quatro anos e meio, que é de Março ou Abril de 2021 até Outubro de 2025. Portanto, os dez anos de extensão que a Total estava a pedir, o Estado moçambicano não concedeu. Já emitiu um Boletim da República com o diploma do Conselho de Ministros a instruir nesse sentido. Portanto, esse aspecto já está ultrapassado. Poderia fazer sentido para a Total, para poder distribuir o custo adicional neste período de dez anos. Mas seria muito prejudicial para Moçambique porque o projecto é de Moçambique. A Total é só uma concessionária. Vamos compreender que seria uma espécie de capital. Está a arrendar o projecto. Então, quando o período de arrendamento termina, tem que terminar e se negociar um novo contrato se houver uma necessidade de extensão, com novas condições. Eu penso que a decisão tomada foi das melhores possíveis.   RFI: A Total retoma as suas actividades em Cabo Delgado, numa altura em que a situação está longe de estar resolvida, uma vez que continuam os ataques. Borges Nhamirre: Sim, esta questão tem dois lados que devem ser vistos e compreendidos. Primeiro, era importante que o projecto retomasse, porque uma das causas do conflito em Cabo Delgado é o subdesenvolvimento. Os jovens que são radicalizados para integrar no grupo da insurgência, são jovens que estão desempregados, que não têm meios de sobrevivência. Então, teoricamente, acredita-se que com o desenvolvimento económico da província, também isso vai beneficiar as pessoas. O desenvolvimento é um dos factores para a redução do conflito. Então, teoricamente, isso é positivo. Agora, o risco que há é que agora o projecto vá operar em formato de 'enclave'. Ou seja, todos os trabalhadores da Total e também das empresas subcontratadas estarão fechados no acampamento e afins e não terá comunicação com a economia circundante, com o mundo exterior. Então, isso significa que as pessoas que construíram hotéis ou outras casas para alojamento, a esperar que beneficiassem do projecto terão poucos benefícios. Significa que pessoas que construíram restaurantes e outros serviços ou serviços de transporte a esperar que fossem utilizados pelas pessoas que estavam a trabalhar para o projecto, pelos milhares de pessoas que vão trabalhar para o projecto, não irão ter esses benefícios. Isso tem o potencial de frustrar as pessoas. Aliás, já ouvimos muitas ameaças das comunidades locais, a dizer que vão manifestar contra o projecto precisamente pelo facto de o projecto estar a operar como se fosse um enclave fechado. Então isso é negativo e pode contribuir para que as pessoas fiquem mais radicalizadas, as pessoas desenvolvam um sentimento negativo de ódio para com o projecto e assim o projecto e a segurança na região ficam precários. RFI: Durante estes cinco anos de suspensão do projecto, houve um relatório com recomendações sobre a forma de actuar da Total em termos, por exemplo, de responsabilidade social em Cabo Delgado e uma das recomendações foi de "envolver as comunidades locais" no projecto. Julga que neste momento, alguma das recomendações desse relatório foi tomada em consideração? Borges Nhamirre: Nesse relatório, uma das principais recomendações que tinha, era a constituição de uma fundação e que essa fundação iria apoiar o desenvolvimento com um orçamento de milhões de dólares. Isto ainda não é visível no terreno, mas em parte também pode ser porque o projecto estava suspenso. Com o projecto suspenso, dificilmente se haveria de canalizar dinheiro para a responsabilidade social corporativa através dessa fundação. Agora, temos de ver nos próximos doze meses, agora que o projecto retomou oficialmente, se a fundação também está a trabalhar, está a apoiar as pessoas. Contudo, a situação de conflito em Cabo Delgado, é prevalecente sobretudo nas zonas um pouco afastadas do projecto, porque Palma, onde o projecto está, está relativamente seguro. Não há ataques registados nos últimos meses, nos últimos anos. No entanto, há um perímetro de 80 quilómetros ou 50 quilómetros. A insegurança está lá. É lá onde as comunidades estão. Será muito difícil desenvolver projectos de beneficência social para as pessoas de uma zona de conflito, simplesmente porque as empresas, as organizações, não quererão destacar os seus recursos humanos, os seus recursos materiais, para apoiar zonas em conflito. Não há segurança. Era muito importante que se estabilizasse não só Afungi e Palma, mas também a região toda a norte de Cabo Delgado e a província toda, para permitir que as pessoas tenham os benefícios. Mas, mais uma vez, essa não é tarefa da TotalEnergies. Essa é a tarefa do governo moçambicano. RFI: Sente que, de facto, há alguma vontade política para o Governo encontrar uma estratégia para estabilizar a situação em Cabo Delgado? Por exemplo, o Presidente, recentemente, disse que poderia entrar em negociações com as organizações que estão a disseminar a violência em Cabo Delgado. Julga que existem algumas pistas que se possam explorar? Borges Nhamirre: Sim, eu penso que essa é a saída. A insurgência está há oito anos. A guerra civil em Moçambique durou 15 ou 16 anos e terminou com negociações entre as partes, a luta de libertação de Moçambique durou dez anos e terminou com a negociação entre as partes, para falar dos exemplos concretos moçambicanos. Então, eu penso que o Presidente tem é de aceitar as várias iniciativas existentes, porque há várias iniciativas a nível local em Cabo Delgado, a nível nacional e a nível regional da África Oriental e até a nível internacional, que estão a apoiar o diálogo para a resolução do conflito em Cabo Delgado. O antigo Presidente, Filipe Nyusi, era muito relutante em avançar para estas iniciativas de diálogo. Agora, o Presidente Chapo tem incluído esta questão de diálogo no seu discurso. Espera-se é que passe para a prática, porque esta é uma das melhores saídas para acabar com o conflito. RFI: Julga que há essa vontade efectiva de avançar? Borges Nhamirre: Normalmente, o diálogo para a resolução de conflito acontece de uma forma secreta e quando a informação transparece ao público, muitos passos já terão sido dados. É assim que funciona para evitar sabotagens, para evitar que aqueles que se beneficiam do conflito, façam acções de obstrução do diálogo. Porque não podemos nos esquecer que, enquanto o conflito armado é um problema para a população, para a maioria das pessoas, beneficia certas pessoas de todos os lados, seja do lado dos grupos atacantes, nesse caso os insurgentes, que se beneficiam de economia ilícita, mas também da parte do governo. Os generais ficam mais importantes em tempos de guerra. A logística militar enriquece as pessoas. Então o diálogo, normalmente sendo um meio alternativo de resolução de conflito, acontece de uma forma silenciosa, até que alguns acordos importantes sejam alcançados e a informação, depois, aparecer em público. Neste momento, para quem faz o trabalho de campo e faz pesquisa, dá para notar que existem alguns movimentos no sentido de se fazer o diálogo. Existem organizações identificáveis que têm estado a fazer esses contactos das duas partes. Neste momento estou em posição de afirmar que há contactos já feitos das lideranças dos insurgentes e das lideranças do governo moçambicano, para que haja diálogo. Agora, o diálogo para resolver o conflito não é linear, tem altos e baixos, tem acordos, tem rupturas. Então, até que seja anunciado pelas autoridades competentes, não há muita coisa que se possa dar como garantido. Mas as palavras do Presidente, quando repetidamente diz que é importante dialogar, não me parece que sejam palavras vazias. São palavras que reflectem esses esforços existentes.

Ciência
Guiné-Bissau: Estudo sobre vacina da Hepatite B pode minar a confiança das mães

Ciência

Play Episode Listen Later Jan 19, 2026 9:19


Está previsto decorrer na Guiné-Bissau um projecto clínico que está a suscitar polémica e a levantar muitas questões. Trata-se de um estudo, financiado por fundos americanos - 1,600 milhões de dólares pagos pelo Centro de Controlo das Doenças americano (CDC) - sobre os efeitos não específicos da vacina contra a Hepatite B. Em entrevista à RFI, a antiga ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Magda Robalo, manifesta sérias reservas em relação ao estudo, alerta para fragilidades éticas, científicas e comunicacionais. O estudo, liderado pelo Projecto de Saúde de Bandim, pretende acompanhar 14.000 recém-nascidos ao longo de cinco anos, comparando dois grupos: um que recebe a vacina contra a Hepatite B nas primeiras 24 horas de vida e outro que segue a prática actual do país, recebendo a vacina apenas a partir das seis semanas de idade. E assim estudar os efeitos associados à vacinação contra a Hepatite B em função da data de administração da vacina. As recomendações da Organização Mundial da Saúde são claras: a vacina contra a Hepatite B é segura, sem efeitos adversos, e é mais eficaz quando administrada à nascença, sobretudo num país como a Guiné-Bissau, onde a prevalência da Hepatite B é elevada (18% da população está infectada). Actualmente, a Guiné-Bissau não administra a vacina contra a Hepatite B à nascença. No entanto, o Governo decidiu adoptar a vacinação universal de recém-nascidos a partir de 2028, em linha com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo os investigadores do Projecto de Saúde de Bandim, esta transição cria uma “janela de oportunidade” para comparar a política actual com a futura política já decidida, mas ainda não implementada. Durante o ensaio, todas as crianças recebem a vacina contra a Hepatite B às 6, 10 e 14 semanas, respeitando o plano nacional de vacinação. Metade, 7.000 recém-nascidos, vão receber uma dose adicional nas primeiras 24h de vida. Para alguns elementos da comunidade médica internacional, o interesse deste ensaio clínico é mais político do que sanitário, como demonstra o financiamento americano de 1,6 milhões de dólares, numa altura em que o secretário norte-americano da Saúde, Robert Kennedy, é conhecido pelas suas posições antivacinação. O Centro Africano de Controlo das Doenças anunciou, na semana passada, o cancelamento do ensaio clínico com base nas questões éticas. Todavia, a equipa que se encontra a liderar a investigação, contactada pela RFI, desmente o cancelamento ou a suspensão. Em entrevista à RFI, a antiga ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Magda Robalo, manifesta sérias reservas em relação ao estudo proposto pelo Projecto de Saúde de Bandim, alertando para fragilidades éticas, científicas e comunicacionais que podem ter consequências negativas duradouras na confiança da população nas vacinas. Segundo a ex-governante, o Comité de Ética da Guiné Bissau terá analisado o protocolo “com a maior das boas vontades”, mas condicionado por uma relação histórica de proximidade com o Projecto de Saúde de Bandim, que actua no país há cerca de 45 anos. Essa proximidade poderá, na sua opinião, ter limitado uma avaliação mais crítica e abrangente do impacto do estudo. Para Magda Robalo, faltou ao Comité de Ética uma análise da “dimensão externa” do protocolo, nomeadamente do seu alcance internacional e da real necessidade científica de testar uma vacina amplamente utilizada. “Estamos a falar de uma vacina contra a Hepatite B que é utilizada há 40 anos e que não precisa de ser testada nos recém-nascidos da Guiné-Bissau”, afirma. A antiga ministra acrescenta que a eficácia da vacina administrada à nascença está solidamente comprovada e é recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Num país onde se estima que 18% da população esteja infectada com Hepatite B e onde cerca de 11% das crianças já estejam infectadas aos 18 meses, Magda Robalo considera que o estudo pode ter um efeito contraproducente. “O grande efeito nefasto deste estudo é exactamente criar na mente das populações, nomeadamente das mães, a desconfiança relativamente a esta vacina.” A ex-ministra relata que já ouviu no terreno perguntas que revelam esse receio: “Mas porque é que nós vamos introduzir uma vacina que nunca foi testada na Guiné-Bissau?”. A resposta é clara: “Várias vacinas, se não todas, que estão a ser administradas na Guiné-Bissau, nunca foram testadas particularmente na Guiné-Bissau. Não precisam de ser testadas na Guiné-Bissau, porque foram testadas em vários outros países e em populações muito maiores.” Magda Robalo insiste que as recomendações da OMS resultam sempre de estudos alargados e da avaliação de múltiplos peritos, antes de serem integradas nas políticas de saúde pública. Ainda assim, alerta para o perigo de as mães se sentirem usadas como “cobaias”, o que pode levar à rejeição da vacina. “É o risco que nós corremos, que as mães pensem que não se deve dar esta vacina às crianças”, afirma. Outra questão que se levanta prende-se com o processo de consentimento informado, num contexto de fraca literacia em saúde. “Na Guiné-Bissau, o consentimento informado é problemático”, garante Magda Robalo, lembrando que 14 mil mães teriam de ser esclarecidas no âmbito do estudo. Na sua opinião, é pouco provável que a maioria compreenda plenamente as diferenças entre os grupos e as implicações da decisão. “Posso arriscar a dizer que a maior parte das mães não irá perceber exactamente o que é que se passa”, esclarece. Em resposta escrita à RFI, Isaquel da Silva e Frederik Schaltz-Buchholzer, investigadores responsáveis pelo estudo no Projecto de Saúde de Bandim, salientam que o ensaio “não retira vacinas dos participantes, pelo contrário, metade dos participantes receberá uma vacina que, de outra forma, não teria recebido”. Explicam que se trata de “um ensaio clínico para avaliar os efeitos não específicos das vacinas administradas no período neonatal. (...) O estudo não questiona a eficácia da vacina contra Hepatite B na prevenção da doença. A lacuna científica está nos efeitos não específicos das vacinas - impactos sobre mortalidade geral, resistência a outras infecções e saúde global da criança. Há evidências de que o momento da vacinação pode influenciar esses efeitos, mas faltam dados robustos em contextos africanos.” Os investigadores acrescentam que “o ensaio resultará num maior número de recém-nascidos vacinados (e protegidos) contra a Hepatite B” e ressalvam que “o estudo segue protocolos éticos e científicos, foi aprovado pelo Comissão de Ética na Saúde de Guiné-Bissau, e vai responder perguntas importantes antes da implementação universal”. Questionados sobre as críticas éticas levantadas por alguns especialistas, explicam que essas críticas estão baseadas “mal-entendidos e em informação incompleta.” Apesar do Centro Africano de Controlo das Doenças ter anunciado o cancelamento do ensaio clínico, a equipa do Projecto de Saúde de Bandim desmente o cancelamento ou suspensão e reitera que os preparativos continuam e que será feito um anúncio aquando do arranque do projecto.

Semana em África
Guiné-Bissau: A indignação à volta da nova Constituição aprovada pela Junta Militar

Semana em África

Play Episode Listen Later Jan 16, 2026 7:51


Esta semana, a Junta Militar na Guiné-Bissau aprovou uma nova versão da Constituição que reforça os poderes do Presidente, algo apontado como ilegítimo por juristas ouvidas pela RFI. Outro tema polémico a marcar a semana é o ensaio científico sobre a hepatite B em recém-nascidos na Guiné-Bissau. Por estes dias também se celebrou, em Angola, a notícia da ida do Papa ao país este ano, enquanto em Moçambique se falou em alegadas violações graves dos Direitos Humanos na zona de exploração mineira de Marraca, na província de Nampula. Bem-vindos à Semana em África, o programa em que revemos alguns dos temas que abordámos nos nossos noticiários. Na Guiné-Bissau, a Junta Militar que governa o país desde que tomou o poder à força, a 26 de Novembro, aprovou, esta terça-feira, uma nova Constituição que reforça os poderes do Presidente da República como chefe supremo do país, com poderes de representar o Estado, liderar o Governo, nomear ministros e secretários de Estado e ainda dissolver o Parlamento. A jurista e antiga ministra da Justiça da Guiné-Bissau, Carmelita Pires, disse à RFI que a reforma constitucional não tem efeito jurídico porque resulta de uma ruptura da ordem constitucional. Também a jurista portuguesa de origem guineense, Romualda Fernandes,  afirma que a alegada revisão constitucional adoptada pelos militares não tem base legal nem democrática. Romualda Fernandes foi consultora na última revisão da Constituição guineense e avisa que um governo de transição não tem legitimidade para fazer mudanças deste calibre. Também esta semana foi anunciado que o Governo de transição da Guiné-Bissau adiou a vacinação à nascença dos recém-nascidos contra a hepatite B para 2028. Entretanto, o Projecto de Saúde de Bandim, que deveria iniciar um ensaio científico sobre os efeitos nao especificados das vacinas contra a hepatite B em recém-nascidos na Guiné-Bissau, continua a levantar polémica. Magda Robalo, antiga ministra da Saúde da Guiné-Bissau, disse à RFI que se trata de um estudo problemático em termos éticos. Angola vai receber a visita do Papa ainda este ano. Leão XIV será o terceiro chefe da Igreja católica a visitar o país, depois de João Paulo II em 1992 e de Bento XVI em 2009. Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito de Lubango, diz que esta visita é uma "decisão natural" por Angola ter sido o primeiro país da Africa Subsariana a ser evangelizado. Em Moçambique, esta semana fez um ano que Daniel Chapo tomou posse como Presidente do país.   Num relatório preliminar publicado na quarta-feira, a plataforma Decide alertou sobre indícios de violações graves dos Direitos Humanos durante confrontos com a polícia na zona de exploração mineira de Marraca, na província de Nampula, no norte do país. Pelo menos 38 pessoas teriam morrido a 28 de Dezembro. De notar ainda que, esta sexta-feira, o Governo moçambicano reunia-se para avaliar a situação da actual época chuvosa, que já matou 94 pessoas no país desde Outubro. Também esta semana foi notícia, em Moçambique, o desabamento, na quinta-feira, de uma mina de ouro em Manica e houve, pelo menos, cinco vítimas mortais. No futebol, este domingo, Marrocos e Senegal jogam a final da CAN2025, o Campeonato Africano das Nações, em Rabat. O Egipto e a Nigéria lutam este sábado pelo terceiro lugar, em Casablanca.

Convidado
"A UE tem de deixar de olhar para África como um projecto de caridade"

Convidado

Play Episode Listen Later Nov 25, 2025 11:12


Termina esta terça-feira, 25 de Novembro, em Luanda, a 7.ª Cimeira União Africana–União Europeia, sob o lema “Promover a Paz e a Prosperidade através do Multilateralismo Eficaz”. Sérgio Calundungo, Coordenador do Observatório Político e Social de Angola, afirma que esta reunião de alto nível “é o palco ideal para se fazer um reset, dado o seu simbolismo pós-colonial, e criar uma parceria mais justa e equilibrada”. A cimeira de Luanda marca os 25 anos da parceria estratégica União Europeia–União Africana. Que balanço se pode fazer desta parceria? Devia haver o reconhecimento de que o modelo anterior, muito assente na ajuda dos países da União Europeia África, está esgotada do ponto de vista moral e político. Acredito que a cimeira de Luanda é o palco ideal para se fazer um reset, dado o seu simbolismo pós-colonial. Um reset para uma parceria mais justa, mais equilibrada? Sim. Eu acho que o sucesso desta cimeira, ao contrário do que se fazia anteriormente, já não se mede pelo volume de fundos prometidos, mas pela demonstração de que há uma clara mudança de mentalidade. Ou seja, há uma predisposição do lado da União Europeia para abordar a relação não mais como aquele projecto de caridade, como o grande doador, mas como um investimento estratégico, num parceiro que é fundamental para os desafios globais. Estamos a falar da segurança climática, do problema das migrações e da inovação digital. Há aqui uma clara tendência de mudança que deve evoluir de um instrumento de influência para um mecanismo de corresponsabilidade, porque muitas vezes a ajuda que era prestada a esses países era vista sobretudo como um instrumento de influência. E aí poderá estar o ponto de viragem. Esta reunião acontece numa altura em que a União Europeia tenta impor-se face a concorrentes como a China, a Rússia e outros países. Exactamente. Eu creio que deve haver um novo paradigma. Em vez de a União Europeia chegar com soluções ou com a sua agenda de interesses, a cimeira deve lançar bases para o diálogo permanente sobre temas específicos: transições energéticas; quais são os interesses dos países africanos? Quais são os interesses da União Europeia para haver uma transição energética justa? Criação de emprego jovem, governação em termos de assuntos globais. Penso que europeus e africanos, independentemente de depois virem os asiáticos, os norte-americanos ou outros povos, deviam estar nesta fase a desenhar juntos políticas e investimentos cujo objectivo final é uma parceria perceptível e benéfica para cidadãos comuns que estão em Luanda, em Paris, em Lisboa. Que as pessoas pensem que, desta parceria, os cidadãos dos diferentes Estados europeus e africanos sintam melhorias concretas. No centro da agenda está o mecanismo Global Gateway. Este mecanismo poderá contribuir para uma parceria mais justa? A expectativa é que este mecanismo global signifique também uma mudança não só de narrativa, mas sobretudo de mentalidade na interacção entre os povos. Mas, por enquanto, por mais queiramos ser optimistas, a prudência ensina-nos a dizer: “Está lançada uma base. Vamos ver como é que isto se materializa”. A presidente da Comissão Europeia afirmou que a economia global está mais politizada do que nunca, com tarifas e barreiras comerciais utilizadas de forma agressiva. Ursula von der Leyen admitiu que, face a este cenário, a resposta está numa parceria mais forte entre o continente africano e a Europa. O ponto de partida é o comércio. Acredita que esta é a melhor solução para os dois continentes? O comércio foi sempre o grande mote que impulsionou a interacção entre os povos. Quando os navegadores europeus se lançaram pelos mares e tiveram contacto com outros povos, foi exactamente o comércio a mola impulsionadora. Agora é urgente um outro tipo de comércio que assente em vantagens mútuas, dos vários países. Um comércio feito com corresponsabilidade de ambos os povos e assente noutras bases. É preciso que o continente africano também ganhe com este comércio? Eu acredito que há aqui elementos que têm de ser tidos em conta. O primeiro é que esta prosperidade gerada pelo comércio não foi partilhada historicamente - e esta é a grande queixa dos países africanos, ainda que também haja responsabilidades próprias. Não podemos culpar apenas os outros povos. A prosperidade rendeu para alguns povos e para algumas pessoas de ambos os lados; não foi é justamente partilhada. Portanto, a prosperidade partilhada, a responsabilidade com as questões ambientais e sociais inerentes ao comércio e aos projectos é essencial. Ou temos a capacidade de transformar o peso histórico das relações comerciais, que teve muitas vezes um peso negativo, ou não avançamos. É preciso uma parceria comercial entre entes verdadeiramente iguais - e isto nem sempre foi assim. A grande queixa de África é precisamente essa. Reconhecer as mais-valias do continente em termos de recursos minerais, energias renováveis e até também o seu papel nas questões de segurança. É isso a que se refere? Exactamente. É importante incluir abordagens como a capacitação humana. Os nossos recursos naturais são importantes, mas mais importantes ainda são os africanos, as pessoas, e as pessoas contam. É importante trazer ao debate a sustentabilidade, a igualdade de género. Mais do que recursos minerais, mais do que recursos naturais, importa considerar a implicação da exploração desses recursos na sustentabilidade. Que cada negócio com África tenha em conta, no mínimo, três elementos: se é economicamente viável, se é socialmente justo e se é ambientalmente sustentável. A questão migratória está também no centro desta cimeira. O que se pode esperar da política migratória da União Europeia para com o continente africano? A política migratória é incontornável. Há uma crise do paradigma da política migratória europeia. África está num impasse porque a migração foi sempre tratada como uma questão de segurança e controlo, e não como uma questão de desenvolvimento humano, de oportunidades. A nível da União Europeia, sobretudo na ala mais conservadora, o tema é movido pelo pânico político interno. Isto não é apenas uma questão de segurança e controlo de fronteiras; é uma questão de desenvolvimento humano e de oportunidades para os africanos. Há africanos retirados das condições básicas no seu próprio território, o que os obriga a migrar. E era importante deixarmos de olhar para isto com hipocrisia. Temos de debater as causas profundas. Que levam os africanos a deixar o país? Sim. As guerras em África têm uma dimensão internacional muito grande, com vários tipos de interesses. Muitas vezes podem não ser muitos Estados, mas há instituições e empresas ligadas à União Europeia com interesses… Ganham com a instabilidade no continente? Exactamente. Veja o que acontece na RDC, a exploração do Congo. Eu acredito que os países têm de olhar para isto sem grandes complexos e apontar as causas. E dar as respostas certas? Dar as respostas certas, sim. Acho que é isso. A cimeira é também uma oportunidade para se falar desses aspectos. O chefe de Estado de Angola, que lidera a presidência rotativa da União Africana, apelou a mecanismos de reestruturação da dívida mais justos e a uma reforma da arquitectura financeira mundial, dando mais peso aos países africanos nas instituições financeiras internacionais. O apelo de João Lourenço será levado em conta? Eu acredito que o Presidente esteve muito assertivo e corporiza muito do que várias vozes africanas têm defendido. E, antes de falar da reforma da arquitectura financeira internacional, fala-se já da reforma dos grandes sistemas - como o sistema das Nações Unidas. Não faz sentido termos um sistema montado desde 1945 ou 1947 pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial. A União Europeia tem vários países membros do Conselho de Segurança. Sem hipocrisias, poderia ser a primeira a dar o empurrão para que essa reforma ocorra. A segunda reforma necessária é claramente a do sistema financeiro internacional. Os africanos já perceberam que aquilo que recebem, como ajuda ou doação, é muitas vezes inferior ao que sai dos seus países, por vezes de forma ilícita. Há uma fuga enorme de capitais. Há um sistema internacional que, por vezes de forma ilegal, facilita isso. É uma hemorragia de recursos financeiros do nosso continente. Faz sentido, portanto, repensar. E há ainda a questão da Ajuda Internacional ao Desenvolvimento. Eu acho que o Presidente da República de Angola assume aqui um posicionamento que tem sido defendido por muitas vozes em África e também, embora minoritárias, na Europa. Ou seja, que seja reconhecido o peso do continente africano? Que seja reconhecido o peso e que seja reconhecida a necessidade de uma nova arquitectura financeira. No fim destas cimeiras fazem-se grandes promessas, renova-se a esperança e o compromisso. Mas, com este sistema financeiro, não chegamos lá. Há que o renovar. O sistema financeiro é um instrumento fundamental para materializar aquilo a que nos comprometemos neste tipo de cimeiras. A FLEC-FAC instou a União Europeia e a União Africana a tomarem medidas práticas para garantir o processo de descolonização de Cabinda, permitindo ao povo de Cabinda exercer o direito à autodeterminação. Acha que esta questão estará em cima da mesa? Tenho muitas dúvidas de que esta seja uma questão que estará em cima da mesa, até porque imagino que Angola, nesta cimeira, está reunida entre pares e, até onde sei, todos os países reconhecem o território angolano como uno e indivisível. Portanto, não vejo como poderá ser acolhida. Entendo que, para a FLEC, é sempre uma boa oportunidade para lançar ao público a sua reivindicação histórica. Mas não acredito que os líderes presentes nesta cimeira dediquem tempo a discutir isso, até porque este é um tema tabu e muitos entenderiam esta discussão como ingerência em assuntos internos do nosso país.

Convidado
Economia da Guiné-Bissau apresenta lacunas no sector industrial e haliêutico

Convidado

Play Episode Listen Later Nov 18, 2025 11:04


A Guiné-Bissau vai a eleições num contexto de crescimento económico, de cerca de 4% do PIB, mas em que mais de metade da população vive abaixo do limiar de pobreza, com menos de três dólares por dia, de acordo com o Banco Mundial. A instabilidade política recorrente, com três alegadas tentativas de golpes de Estado no último mandato presidencial dificultam a atracção de investimentos estrangeiros e o desenvolvimento económico do país. Um país muito dependente da exportação de castanha de cajú, mas que conta com recursos naturais inexplorados. Como alavancar a economia do país?  As promessas eleitorais que o economista José Nico, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas de Bissau (INEP) destaca prendem-se com a diversificação de práticas agrícolas. A Guiné-Bissau tem uma monocultura, a economia é muito dependente da exportação da castanha de cajú. Num país em que mais de metade da população depende do sector agricola, “seria necessário diversificar a agricultura”. Mas existe outra solução, aponta José Nico: transformar localmente a castanha de cajú. “Uma percentagem muito fraca da transformação da castanha de caju é feita na Guiné-Bissau, grande parte desta actividade é também exportada e feita no estrangeiro. Se um país tivesse condições de transformação local, não haveria tanto desemprego”. Sector da pesca é marginalizado Outro sector de importância para a economia guineense: o sector da pesca. A Guiné-Bissau tem grandes recursos haliêuticos, mas pouco explorados. A associação nacional de pescadores tem denunciado acordos passados com o Senegal, à margem do Parlamento, que trazem grandes desvantagens para os pescadores guineenses. Cerca de 90% do peixe pescado em águas guineenses é desembarcado em Dacar, por falta de um porto industrial e infrastruturas na Guiné-Bissau. Ainda de acordo com a associção de pescadores guineenses, o sector da pesca poderia render milhões de euros ao Estado anualmente. Porque razão tem sido este sector marginalizado? O economista José Nico diz que “não existem condições favoráveis”, o sector privado é “débil” na Guiné-Bissau, o que não atrai investimentos estrangeiros. A instabilidade política (Umaro Sissoco Embaló é apenas o segundo presidente a terminar o seu mandato) não permite que haja mudança e desenvolvimento do sector. Projecto de construção do Porto do Biomba representa “explosão” de oportunidades Mas o projecto de construção do porto comercial do Biombo - um dos grandes projectos de infrastruturas implementados por Umaro Sissoco Embaló - representa uma “explosão de oportunidades económicas para o país”. Este porto poderia oferecer condições de desembarque de navios de grande porte. Permitindo, consequentemente, o estabelecimento de ligações comerciais com países da região sem acesso a oceanos, como o Mali ou o Burkina Faso. “É uma das melhores decisões tomadas na Guiné-Bissau nos últimos cinco anos”, considera José Nico. O lançamento do projecto já foi oficializado, mas as obras de construção ainda não começaram. Que outros recursos naturais? Em Julho de 2025, Umaro Sissoco Embaló esteve nos Estados-Unidos, juntamente com outros chefes de Estado de Africa Ocidental.  Na Casa Branca, o presidente guineense disse a Donald Trump que a Guiné-Bissau é “rica em recursos naturais”, apelando o presidente dos Estados-Unidos a investir no país. Actualmente, não existe nenhuma infrastrutura para extracção de recursos naturais na Guiné-Bissau. Se a Guiné-Bissau é rica em recursos naturais, como os países vizinhos da região, como se explica que estes recursos ainda não tenham sido explorados para o bem da economia nacional? “Dizem que a Guiné-Bissau é rica em recursos naturais. Eu discordo: a Guiné-Bissau tem à disponibilidade da economia um conjunto de recursos. Mas isso ainda não é riqueza”, analisa o economista. “Para ser riqueza precisa de intervenção qualificada”. Intervenção essa que ainda não aconteceu, nomeadamente devido às crises políticas que o país vive desde a independência, considera ainda José Nico. Recordando que Umaro Sissoco Embaló é o segundo chefe de Estado a terminar o mandato presidencial (depois de José Mario Vaz em 2019) e que nestas condições, é difícil desenvolver uma indústria. De acordo com os últimos estudos realizados, a Guiné-Bissau tem petróleo, bauxite e areias pesadas.  

Ciência
De Bissau para Belém do Pará, activista guineense leva projecto de piscicultura à COP30

Ciência

Play Episode Listen Later Nov 3, 2025 9:21


De Bissau para Belém do Pará, o jovem activista e empreendedor Dembo Mané Nanque, director-geral da Mana Nanque Piscicultura e fundador do “Puder di Bentana”, prepara-se para participar na Cimeira do Clima das Nações Unidas (COP30), que terá lugar em Belém do Pará, no Brasil, onde pretende partilhar a sua experiência no terreno e defender políticas climáticas que cheguem às comunidades mais vulneráveis. Antes de ir para a COP30, Dembo Mané Nanque passou pela capital francesa para encontrar parceiros internacionais. O objectivo é exportar a farinha de peixe da Guiné Bissau para França: “Em França há uma comunidade africana enorme e acreditamos que até ao próximo ano o nosso produto poderá estar no mercado”. Apesar do entusiasmo, reconhece que o caminho ainda é desafiante. “Tudo o que fazemos é graças aos nossos pequenos recursos e ao apoio de alguns parceiros internacionais. Mas acreditamos que poderemos abastecer o mercado internacional de acordo com as suas demandas”. O jovem empresário é também fundador e director-geral do “Puder di Bentana”, uma iniciativa de piscicultura com forte impacto social. “‘Puder di Bentana' é um nome tradicional guineense. ‘Bentana' é o que cientificamente chamamos de tilápia”, explica. “Trata-se de um projecto de aquacultura que nasceu com o intuito de combater a insegurança alimentar, o êxodo rural e os efeitos das mudanças climáticas.” A tilápia, que é o nome comum dado a várias espécies de peixes ciclídeos de água doce, é consumida fresca ou transformada em farinha. “A farinha tem mais procura porque as infra-estruturas rodoviárias, na Guiné-Bissau, são fracas e o transporte do peixe fresco é difícil. Por isso optámos pela desidratação e embalagem, seguindo os padrões internacionais”, refere. O projecto enquadra-se numa lógica de economia azul e circular, e tem sido apresentado em fóruns internacionais como exemplo de inovação africana. “Queremos mostrar que, com criatividade e empenho, é possível criar soluções sustentáveis a partir da nossa realidade”, sublinha. Depois de Paris, Dembo Mané Nanque seguiu para Lisboa e prepara-se agora para participar na COP 30, no Brasil, onde irá participar num painel de Jovens Afro-descendentes: “A minha intervenção tem como objectivo mobilizar parceiros e impulsionar políticas que beneficiem as comunidades vulneráveis. Queremos garantir que as decisões tomadas nas cimeiras internacionais cheguem efectivamente às zonas rurais”. Para o jovem activista, estar na COP 30 representa muito mais do que uma oportunidade pessoal. “Quero mostrar que a Guiné-Bissau não é apenas sinónimo de instabilidade. Há uma juventude informada, inovadora e pronta para agir”. No entanto, o jovem empreendedor lamenta a falta de apoio governamental. “Existe um apoio limitado e dirigido apenas a determinados grupos. Muitas vezes, por ser activista ambiental e empreendedor, encontro resistência por parte das autoridades. O Estado ainda não compreende que não estamos a sabotar nada, estamos a propor soluções e a querer liderar os desafios climáticos”. A 30.ª Conferência das Partes (COP30) da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, decorre de 10 a 21 de Novembro, em Belém do Pará, no Brasil.

Jose Candeias - HÀ Conversa
Projecto Alquimia-Coliseu Porto Ageas-Serviço Educativo

Jose Candeias - HÀ Conversa

Play Episode Listen Later Oct 22, 2025 11:45


The Obsidian Table
CONSENSUS: Bull Market or Bear Market - Where are we?

The Obsidian Table

Play Episode Listen Later Aug 29, 2025 72:14


This week's episode of Consensus is the most jam packed yet!We cover:- Are we in the first 5 year cycle, are cycles over, or are we about to enter a bear market?- BTC & ETH ATH's and the rest of the market- Is retail going where we all hope they go?- Big players building their own chains instead of your fav L1s- Forgotten Playland Season ending & what you need to know- RemixGG's OpenSea jam sees insane metrics- Wildcard's Road to Dreamhack updates- Project O teases mobile version- Off the Grid's new Content Pack- Moonray launches iOS version of their game- Spellborne's expansion to Abstract and Ronin-inspired monsters- RavenQuest's expansion and economy changes- Game7's latest announcement & a reflection on ecosystems- duper announced DuperBowl- Castle of Blackwater goes FTP & targets mainstream- MaplestoryU's latest monthly update & huge revenue numbers- ReplyCorp airdrop and what you need to do- Shrapnel raises more money, good or bad for the space?- Immutable Play opens to Web2 games, bullish or nah?- DroegeDaniel's list of radio silent gamesThis and more, all in one episode! Listen and tell us what you think!As always, nothing we say is financial advice.

Jornal das comunidades
Jornal das comunidades

Jornal das comunidades

Play Episode Listen Later Aug 25, 2025 9:36


Menos lusodescendentes colocados em universidades portuguesas, na 1ª fase do concurso. Projecto sobre emigração portuguesa para França ganha bolsa artística da câmara de Torres Vedras. Edição Isabel Gaspar Dias

Jornal das comunidades
Música portuguesa nos EUA em Coimbra para projecto Inter-Artes

Jornal das comunidades

Play Episode Listen Later Jul 28, 2025 12:16


Instrumentista e professora nos EUA desenvolve intercâmbio entre universidade do Texas e Conservatório de Coimbra. Aplicação da IA no Ensino de Português no Estrangeiro. Edição Isabel Gaspar Dias

Operação Stop
Conhece o carro português que é um F1 autónomo?

Operação Stop

Play Episode Listen Later Jun 22, 2025 13:58


Equipa com 61 membros, do Instituto Superior Técnico, concebe há 25 anos fórmulas capazes de bater os melhores da Europa. Projecto nasceu a combustão, evoluiu para eléctrico e agora é autónomo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

DFL Before DNF
Lydia Oldham | 650km Projecto Portugal, Solo TSP, and How to Savor Big Accomplishments

DFL Before DNF

Play Episode Listen Later Jun 16, 2025 33:17


Lydia Oldham ran across Portugal (5 days, 17 hours) and did a solo TSP from Las Angeles to Las Vegas. Runners like Lydia almost make it look easy so long as you don't pause and contemplate the wild complexity of planning and near-impossible reality of actually executing it physically.Josh is starting to get the bug. (Wylder is now available on iOS + Android.)---- Partners ----Wylder - Host and find Run Clubs, schedule public and private group runs----Borderlands.cc | Instagram100+ | Articles | High Tones | Open Range Races | Videos

Jose Candeias - HÀ Conversa
Projecto PAlop,Gonçalo Monteiro

Jose Candeias - HÀ Conversa

Play Episode Listen Later May 29, 2025 12:34


Artist as Leader
Curator Coka Treviño Talks Big Medium, Huge Loss

Artist as Leader

Play Episode Listen Later May 7, 2025 26:14


It's no secret that arts non-profits across the country are struggling to survive, but few closures have hit their communities as hard as the recent shuttering of Big Medium in Austin, TX. For more than 20 years, Big Medium was one of the most influential visual-arts organizations in the city. It produced the beloved and sprawling Austin Studio Tour, presented exhibitions that championed historically marginalized artists and served as an essential convener for the city's creative community. At the heart of its work for many years was curator and, more recently, artistic director Coka Treviño, whose passion for equity and for platforming emerging artists helped shape the organization's inclusive mission.In this conversation, Coka, who continues her own curatorial work via her company The Projecto, reflects on her tenure at Big Medium and the complex web of challenges that led to its sudden closure. From shifts in city grantmaking priorities to the skyrocketing cost of living that made staffing nearly impossible, the interview offers a candid window into just how difficult it has become for arts organizations—even in culturally rich, economically booming cities like Austin—to maintain operations. https://www.theprojecto.org/

Podcast Talent Coach
Rich German and Living Your Purpose – PTC 542

Podcast Talent Coach

Play Episode Listen Later Apr 26, 2025 49:18


Are you struggling to find purpose in your journey or business? This week on Podcast Talent Coach, I sat down with entrepreneur and ocean conservationist Rich German to dive deeply into the connection between passion, purpose, and creating real impact with your platform. DEFINING PURPOSE FOR SUCCESS If you're searching for stronger work-life balance, or wondering how to blend your business with your life's calling, you're going to want to listen. We break down exactly how finding your true "why" can make the bumps in the road easier to overcome, and how it will magnetize listeners who share your mission. Rich German's journey from burnout to balance is one every entrepreneur should hear. He's led thousands of coaching calls, built the JV Insider Circle into a leading community for coaches and authors, and then made the bold leap into environmental activism and nonprofit leadership with Project O. He did all while designing a life that lets him spend every morning with the whales. VISION FOR YOUR LIFESTYLE What is Rich's secret? Set a vision for your lifestyle first, then build a business that funds your dream. Rich shares actionable steps to start your own transition, from group coaching models to automating your business, so you spend less time grinding and more time living your story. As a content creator, you know connecting deeply with your audience is everything. That starts by owning your origin story and weaving your "why" into every episode. In this interview, you'll learn why defining your greater purpose creates more powerful, profitable relationships with listeners. Your passion isn't just a background detail – It's your driving force! When you make your content about your unique mission, not just revenue, you'll sustain your efforts regardless of challenges, and attract raving fans who share your values. It's time to stop chasing trends and start building unforgettable bonds through your podcast. WORKFLOW TO SUPPORT PURPOSE Rich and I also discussed practical strategies to strengthen your workflow. Are you feeling stretched thin, working 24/7 without seeing the results you want? Rich's approach is a blueprint for efficiency and clarity: schedule your work around your life, not the other way around, eliminate busywork, and laser in on the 20% of actions that produce 80% of your results. We even explored why it's so hard for many business owners to “unhook” from the grind and fully step into their deepest calling. If you're craving more time, impact, and joy, these are lessons for every podcaster and entrepreneur. RESOURCES MENTIONED This episode is packed with actionable resources for you. Rich is offering his free Ungrind Assessment at podcasttalentcoach.com/rich. This is your first step to stopping the hustle and start building the life of your dreams. Plus, don't miss my upcoming Origin Story Masterclass where I'll help you clarify your purpose and craft it into stories that captivate your audience and set your show apart. Head to podcasttalentcoach.com/workshop for all the details. Remember: your podcast is just the vehicle, but the real goal is significance, impact, and lasting relationships. Let's get you there... one episode, and one purpose, at a time!   If you would like coaching help to craft your story and stragegy, you can get details at www.PodcastTalentCoach.com/apply.

Jose Candeias - HÀ Conversa
Évora-Projecto Harmonia Sem Fronteiras

Jose Candeias - HÀ Conversa

Play Episode Listen Later Apr 4, 2025 9:42


Com Joao Silva e Joao Marques

3x9? 27
[9_as vozes] - uma menina chamada resistência

3x9? 27

Play Episode Listen Later Mar 9, 2025 104:59


Neste episódio vamos ser levados pela mão para lugares onde a vida acontece de outra maneira, a vida toda acontece em cima de uma terra que treme, debaixo de um céu que rebenta, onde parece que nada é muito certo ou garantido. Vamos até ao Líbano, conhecer o Projecto Fratelli, pelos olhos e as vozes da Teresa e do Zé, casal missionário há quase um ano a viver em comunidade com os irmãos das duas congregações que criaram e desenvolvem o Projecto: os Irmãos de La Salle e os Irmãos Maristas.O que eles têm para nos contar, nós temos que ouvir. Os nomes e as histórias que eles trazem gravados na pele, nós temos que conhecer.O Projecto Fratelli alarga as as suas próprias fronteiras, e torna-se, ele mesmo, maleável, adaptável, resposta à ductilidade da terra onde tem as suas raízes. E são essas as histórias que a Teresa e o Zé nos vão contar, como é viver em zona de guerra, de conflito, em matrioskas de fronteiras: de terras, de culturas, de zonas seguras ou zonas de bombardeio. Como é viver em lugares assim e ver a Esperança a brotar por todos os lados, como erva daninha daquela teimosa que não deixa nunca de nascer.A nós só nos pedem uma coisa: que estejamos ligados, conectados, comungados com estes lugares onde a vida toda acontece de outra maneira.Não é pedir muito, pois não? Para saber mais sobre o Projecto Fratelli:https://www.facebook.com/FratelliProjecthttps://www.instagram.com/fratelliproject/Para quem desejar fazer algum donativo:https://www.lasallefoundation.org/https://fmsi.ngo/en/

Convidado
Instituto de Engenharia e Ciências do Mar: projecto de catalogação da biodiversidade de Cabo Verde

Convidado

Play Episode Listen Later Mar 7, 2025 11:47


O BioCatalog do Instituto de Engenharia e Ciências do Mar, da Universidade Técnica do Atlântico é um projecto de catalogação da biodiversidade de Cabo Verde e visa coleccionar todos os espécimes existentes no arquipélago. O BioCatalog é coordenado pelo Professor e Investigador especializado em Biologia Marinha, com Doutoramento em Biodiversidade, Genética e Evolução, Evandro Lopes. À RFI, o professor universitário explicou em que consiste, o projecto de catalogação da biodiversidade de Cabo Verde que pretende contribuir para implementação de um Museu de História Natural do país“O projecto BioCatalog é financiado pelo Fundo do Ambiente de Cabo Verde. Foi submetido pelo Centro de Observação e Investigação Ambiental, que é um centro de biólogos que está dentro da UTA. A partir daí, sediamos o projecto dentro da UTA para dar vazão à investigação científica que nós estamos a desempenhar desde há muitos anos. E o projecto visa coleccionar todos os espécimes e dar aquele carácter mais científico de identificação da biodiversidade de Cabo Verde e partilha da informação sobre a distribuição, localização e número de espécies que nós temos em Cabo Verde”.  O biólogo, Evandro Lopes, adiantou que o projecto de catalogação da biodiversidade de Cabo Verde surgiu de uma necessidade do país ter um espaço de caracter museológico para acondicionar as amostras recolhidas“O BioCatalog foi criado por uma necessidade. Muitos investigadores que vinham para Cabo Verde faziam a colecta e depois não tinham onde colocar as amostras. Também nós que trabalhamos no campo, muitas vezes não tínhamos onde colocar as amostras. Então surgiu com uma necessidade de ter um espaço com um carácter museológico para que nós possamos condicionar as amostras e que possam ser utilizadas para teses, para doutoramento, mestrado, outros cientistas que possam nos usufruir esse material” sendo que “o projecto começou com espécies marinhas, seguimos para espécimes terrestres, com roedores, neste momento estamos à volta de 700 espécimes, mas em termos de tecidos já estamos para mais de 3 mil amostras de tecidos, porque nós coleccionamos, tanto os tecidos como espécime,s e espécimes muito grandes, tipo atuns. Nós temos gatos, coelhos, muitas vezes não dá para colocar todos os espécimes num museu basicamente, mas colocamos também um tecido de cada um. Todos os espécimes que temos aqui em colecção são só espécimes que encontramos sem Cabo Verde, isso não quer dizer que nós temos espécimes que não possam estar em outro local, por exemplo, nós estamos num ecossistema muito interessante que é a Macaronésia, e dentro da Macaronésia tem muitas espécies que estão, por exemplo, em Madeira, Açores, e que chegam até a Cabo Verde”. As amostras foram todas recolhidas de Santo Antão a Fogo. Neste momento, os investigadores recolham amostras na ilha Brava e nos ilhéus Rombos. Evandro Lopes explicou que há perspetiva de transformar o BioCatalog num museu com a construção do novo campus da UTA para receber espécimes maiores “como tubarão ou uma lula gigante”e mostrar tudo o espólio existente atualmente.O primeiro espécime do projecto de catalogação da biodiversidade do Instituto de Engenharia e Ciências do Mar, da Universidade Técnica do Atlântico é o Lagarto Gigante - Chioninia coctei, uma espécie de réptil endémica de Cabo Verde que se extinguiu no século XX e que foi restituído ao país em Setembro de 2017 pelo Príncipe Alberto II do Mónaco e, desde então, permaneceu sob a tutela da Presidência da República, na cidade da Praia, mas que o actual Chefe de Estado, José Maria Neves, entregou no mês passado à Colecção BioCatalog da UTA.O espaço que recebe visita durante a semana de curiosos, estudantes ou investigadores, mas “para usar o espécime para fazer algum estudo deve ser feito um requerimento e damos apoios pode fazer a sua análise, depois o espécime continua aqui no laboratório” explicou Evandro Lopes que adiantou que há  amostras  repetidas temporalmente e repetidas geograficamente “Repetidas geograficamente, nós estamos a pensar uma amostra de uma espécie que foi capturada em São Vicente, muitas vezes tem alguma diferença genética com uma espécie que foi capturada na Ilha de Santiago, então a ideia é ter toda a diferenciação genética e a diferenciação fenotípica também a nível do arquipélago. A ideia é ter pelo menos uma espécie de cada local; mas também, nós muitas vezes temos espécimes que nós colectamos temporalmente, muitas vezes apanhamos um espécime num ano e, depois no outro ano, vamos apanhar outra vez e por aí adiante. Nós estamos a falar, por exemplo, de invertebrados que a nível genético muitas vezes podem alterar ano para ano, nós podemos ter a diferenciação genética. Até a nível dos peixes, para ver o stock, nós temos de apanhar todos os anos para ver como é que está a evoluir a diversidade genética, porque tem uma relação directa com a sobrepesca, a diversidade genética aumenta quando a pesca diminui, por exemplo, então há muito mais informação quando nós apanhamos muitos indivíduos do que quando apanhamos somente um”.O projecto Biocatalog nasceu a partir do Centro de Observação e Investigação Ambiental do ISECMAR -  Instituto de Engenharia e Ciências do Mar da Universidade Técnica do Atlântico que tem a sua sede na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente. Centro que segundo o director do Biocatalog dá vazão a projectos direccionados a associações, visto que a universidade não consegue aceder a fundos direccionados às organizações não governamentais. O biólogo, Evandro Lopes disse ainda que o projecto de catalogação da biodiversidade de Cabo Verde consegue boas parcerias com universidades internacionais.“A nível internacional o projecto é visto com bons olhos e nós temos parcerias principalmente com Portugal – universidades do Porto e do  Algarve e outras universidades europeias como de La Laguna, Las Palmas de Gran Canária, de Barcelona, de Vigo e de Mónaco.  A Universidade Nova de Lisboa (Portugal) já está muito interessada em enviar alguma coisa aqui também para o BioCatalog  para manter o projecto, dar mais visibilidade ao projecto”.Em Janeiro deste ano, o biólogo Evandro Lopes, Professor e Investigador do Instituto de Engenharia e Ciências do Mar da Universidade Técnica do Atlântico (ISECMAR-UTA), conquistou o prémio Cabo Verde Global Scientific Prize promovido pela Secretaria de Estado do Ensino Superior que reconhece projectos de investigação liderados por investigadores cabo-verdianos, tanto no país como na diáspora.O prémio foi atribuído ao projecto Biocatalog que tem como principal objectivo sistematizar informações e criar condições para uma partilha democrática e equitativa do conhecimento sobre a biodiversidade do arquipélago.

Expresso - Expresso da Manhã
Trump olha para Gaza como um projecto imobiliário e propõe o impensável à Jordânia e ao Egipto

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Jan 27, 2025 15:25


Donald Trump propõe que a Jordânia e o Egipto aceitem receber, “temporariamente ou a longo prazo”, cerca de um milhão e meio de palestinianos, ignorando as preocupações históricas, políticas, demográficas e de segurança que existem nestes dois países por causa do conflito entre israelitas e palestinianos. A ideia de Trump é limpar o terreno para reconstruir. O governo de Netanyahu foi o único a aplaudir a proposta, todos os outros a recusaram de imediato. Neste episódio, conversamos com Pedro Cordeiro, editor da secção Internacional do Expresso.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde implementam projecto de combate ao abuso sexual

Convidado

Play Episode Listen Later Jan 10, 2025 9:37


As Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde implementam a partir deste mês de Janeiro o projecto “Djunta Mô” que pretende ajudar no combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes.  As Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde implementam a partir deste mês de Janeiro o projecto “Djunta Mô”, que significa “só todos juntos conseguimos” para ajudar no combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes.“Este projeto nasce no seguimento de um diálogo político já realizado anteriormente pela União Europeia em Cabo Verde, em que os atores da sociedade civil, neste diálogo apontaram a questão do aumento da problemática do abuso sexual das crianças e adolescentes ou exploração sexual das crianças e dos adolescentes e que haveria a necessidade do seu combate, verificar, portanto, qual é a debilidade. Uma das debilidades encontradas é a questão da rede de proteção, portanto, estarei explicando que um dos objetivos, além do combate em si ao abuso sexual nas crianças e adolescentes, bem como a questão da exploração, mas um dos pilares e dos objetivos também é o repouso da rede de proteção para, portanto, se conseguir alcançar o segundo objetivo. Portanto, a partir deste diálogo político identificado, desta problemática, a União Europeia avançou uma consulta junto de organizações da sociedade civil e entendeu~que as aldeias infantis SOS estariam posicionadas para elaborar este projeto, obviamente juntamente com outros parceiros de implementação, e seguirmos neste trabalho até dezembro de 2027, ou seja, é um projeto de três anos” avançou o director nacional das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde, Ricardo Andrade.O projecto  “Djunta Mô” das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde para ajudar no combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes vai ser desenvolvido nos municípios de São Filipe, na ilha do Fogo, da Praia e de Santa Catarina em Santiago. Concelhos onde registam mais casos e mais denuncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes.Embora afirmou que os dados abusos sexuais estão desfasados da realidade, Ricardo Andrade, disse que é na ilha do Fogo há mais casos de abuso sexual contra menores“A Ilha do Fogo pelas razões claras porque lidera as questões das denúncias e também do abuso sexual em Cabo Verde. É de conhecimento de todos, são dados enunciados pelo ICCA e também na Ilha de Santiago, a sua tendência é de aumentar. Obviamente, a ambição seria alcançar todo o território internacional, por exemplo, esta problemática também tem uma incidência muito grande em Santo Antão, se fosse pelos números nós teríamos de chegar em termos local a Santo Antão, mas infelizmente pela limitação dos recursos não podemos chegar em termos de atuação local, mas estaremos chegando através da advocacy, através da comunicação via televisão, via redes sociais e também via rádio” disse Ricardo Andrade.Em termos de denuncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes adiantou que nos anos de 2021, 2022 e 2023 foram registados na ilha do Fogo, 52, 51 e 51 casos, recpectivamente.“Mas verdade nós sabemos, a questão do abuso é muito maior, porque na Ilha do Fogo a questão da denúncia ainda é uma problemática para se trabalhar e é onde nós vamos trabalhar, porque por um lado, as comunidades muitas vezes não sabem que é um crime público, qualquer pessoa deve denunciar; segundo, muitas vezes não se conhece bem os canais de denúncia, ou então há uma certa descrença nos canais de denúncia e na efectividade da justiça ou ainda tem a questão dos bairros em que toda a gente conhece toda a gente, existe um certo embaraçamento para se trazer estas denúncias à luz do dia, devido às relações familiares, de amizade ou então até interesses outros e que acabam por impedir. E, na verdade, estes são os dados oficiais, mas sabe-se que, no fundo, são muito maiores” argumentou.Em termos de Santiago Norte os dados oficiais mostram que nos anos 2021, 2022 e 2023, foram denunciados 26, 41 e 41 casos de abuso sexual de menores de idade. Já para Santiago Sul, houve um decréscimo face a 2021, que teve  44 denúncias, em 2022, 28 casos denunciados e em 2023, 23 denúnciasPara ajudar a combater o abuso sexual contra crianças e adolescentes, considerado um flagelo que continua muito presente na sociedade cabo-verdiana, as Aldeias Infantis SOS do arquipélago conta com a parceria do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), Associação de Crianças Desfavorecidas (Acrides), Associação Caboverdiana para a Proteção da Familia - Verdefam e Associação das Mulheres Juristas (AMJ): Ricardo Andrade,  disse que a proposta das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde é de trabalhar  num clima de parceria e rede de protecção no combate ao flagelo de abuso sexual contra menores“Cada um com o seu papel. O ICIEG estará trabalhando na questão da violência baseada no género e também desde crianças está intimamente ligado na questão da educação, numa fase muito prematura, educando as nossas crianças para esta problemática, o ICCA e a ACRIDES na questão da promoção dos direitos das crianças, a Associação  Verdefam na questão da saúde reprodutiva e a AMJ, que é a Associação de Mulheres Juristas, um estará trabalhando na questão de dar apoio jurídico às vítimas e também na questão preventiva e educativa, educando quais são os canais de denúncia, como se proceder e também a potenciais vítimas que podem estar em risco, demonstrar quais são as ações que devem tomar, quais são os canais que devem utilizar, para que no final nós tenhamos uma sociedade mais consciente, mas ao mesmo tempo, por exemplo, se no final nós tivermos um incremento de denúncias, que por um lado pode ser visto como mau, mas na verdade é apenas que são os casos que estão encobertos e que acabamos por trazer a luz do dia” disse.O director nacional das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde, Ricardo Andrade explicou ainda que a parceria com a Associação das Mulheres Juristas para implementação do projecto “Djunta Mô”, vai ajudar na desmistificação da ideia que a justiça não soluciona os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes.“Obviamente, aqui nós estaremos junto com os organismos, demonstrar que primeiro, se não houver denúncia, a justiça não poderá funcionar e depois nós temos que deixar que os mecanismos da justiça trabalhem para que possa haver resultados. Neste caso, nós podemos dizer que trazendo a Associação de Mulheres Juristas estará ajudando neste quesito porque, por um lado, estarão a dar apoio diretamente às vítimas e farão interligação junto nos órgãos da justiça para que os casos possam ser analisados, julgados e fechados”O projecto “Djunta Mô”, para ajudar no combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes é financiado pela União Europeia em 360 mil euros. O director nacional das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde, Ricardo Andrade, disse que o montante não é suficiente para materializar o projecto, mas proposta da organização de desenvolvimento social independente, não-governamental, é no fim do projecto ter uma rede de protecção no combate ao abuso sexual contra crianças“Não é suficiente, mas posso dizer que também é um projeto piloto. É um projeto piloto porque uma das grandes preocupações é o reforço da rede de proteção. Nesta área, portanto, aquilo que nós temos identificado, que é um dos outros resultados do diálogo político, aquilo que se entendeu é que os parceiros, vários parceiros, nomeadamente da organização da sociedade civil, têm trabalhado de forma individual. É necessário nós trabalharmos juntos para podermos recapitalizar os conhecimentos e os recursos e, neste caso, o grande objetivo também que se pretende é, no final, ter uma rede reforçada” afirmou o director nacional das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde, Ricardo Andrade que deu os  parabéns à União Europeia “pela audácia em financiar este grande projeto”. O projecto  “Djunta Mô” das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde para ajudar no combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes decorre de Janeiro deste ano até dezembro de 2027.

Expresso - Expresso da Manhã
“Sem fatalismo e sem resistência à mudança”, um projecto piloto para pôr as urgências de obstetrícia a funcionar bem

Expresso - Expresso da Manhã

Play Episode Listen Later Dec 17, 2024 13:21


Desde ontem, grávidas têm de ligar para linha SNS antes de irem às urgências. O primeiro dia teve alguns constrangimentos e a oposição fala de um plano desastroso. Chega e Bloco querem ouvir a ministra da Saúde no Parlamento. Vera Lúcia Arreigoso, jornalista do Expresso que acompanha esta área, defende que é preciso olhar para este projecto piloto “sem fatalismo”, porque para as urgências funcionarem é preciso “não resistir à mudança”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ciência
Projecto de ADN ambiental marinho assinala presença de 4.500 espécies em sítios protegidos

Ciência

Play Episode Listen Later Dec 10, 2024 7:21


O projecto de ADN ambiental marinho levado a cabo pela UNESCO em 21 sítios protegidos um pouco por todo o Mundo tira uma fotografia dos nossos mares que pode ser muito útil para perceber como os oceanos e a biodiversidade evoluem com os efeitos das alterações climáticas.  Com 500 amostras de um litro e meio de água do mar de diferentes partes do globo, os investigadores do projecto "Expedições de ADN ambiental" da UNESCO, foram identificadas cerca de 4.500 espécies desde peixes, a baleias, assim como tartarugas e tubarões. Esta técnica não envolve apanhar os animais e retirar amostras, apenas analisar os resíduos biológicos contidos nas amostras, um técnica ética, simples e com menos custos dos que as análises de ADN tradicionais como explicou Fanny Douvere, coordenadora do programa marinho do Centro de Património da UNESCO."O que é realmente interessante nesta técnica é que não estamos a retirar nada da água, excepto uma amostra de água, cerca de um litro meio. Portanto, não estamos a tocar em nenhuma espécie. É por isso que se trata de uma abordagem ética, porque estamos a deixar o ambiente em paz e estamos apenas a recolher a água e a filtrá-la para extrair o ADN. E para perceber o que lá está, que tipo de biodiversidade existe naquele lugar", disse a representante da UNESCO.Esta técnica inovadora identifica então as diferentes espécies marinhas comparando-as aos registos de ADN já conhecidos, um processo que se assemelha a uma investigação policial como exemplificou Ward Appeltans, que gere o OBIS, o Sistema de Informação da Biodiversidade Marinha."Penso que podemos ver isto como um género de projecto de polícia de investigação global dos mares, já que apenas com base no ADN, podemos saber se a espécie esteve nestes locais que estudámos ou não. Sabemos que o ADN, em média, sobrevive entre 24 a 48 horas na água antes de se fragmentar e ser destruído. Portanto, se conseguirmos apanhar uma sequência de ADN, sabemos que a espécie passou por aqui muito recentemente", indicou Appeltans."É realmente uma imagem instantânea. Portanto, sabemos os seres vivos que estavam lá naquele momento específico no tempo. E é por isso que também é muito importante repeti-lo ao longo do tempo. Porque se formos duas vezes por ano ao mesmo local, podemos começar a ver tendências", acrescentou Fanny Douvere. Para conseguir as amostras em 21 locais marinhos protegidos pela UNESCO, foram recrutados 250 mini-cientistas. A UNESCO trabalhou de perto com escolas desde o Banglhadesh, passando pela Austrália ou pelos Estados Unidos, incluindo também o Brasil de forma a incluir crianças a partir dos seis anos na recolha de amostras no mar, despertando o interesse sobre a biodiversidade marinha, mas também incluindo-as na luta contra as alterações climáticas."Uma das grandes vantagens desta iniciativa foi, de facto, trabalhar com crianças em idade escolar e com os professores. Por isso, contactámos as equipas de gestão locais responsáveis por estas áreas marinhas protegidas na Lista do Património Mundial da Unesco, que estabeleceram contacto com os seus professores dessas regiões. Assim, em muitos destes locais diferentes, os professores começaram por explicar às crianças porque é que íamos fazer aquilo. Também compreenderam que era um projecto não só naquele local, mas que acontecia em simultaneo em outros locais em todo o mundo. E o mais importante de tudo isto é que, sim, há uma grande ansiedade climática entre os jovens e nós estamos aqui para lhes transmitir uma mensagem de esperança. E não se trata apenas de uma história. Não se trata apenas de explicar coisas, mas de sair, ir para o terreno, ir para a água, fazer algo significativo com uma técnica que tem um método científico por detrás, mas é suficientemente simples para ser feita por uma criança de seis anos. No Brasil, por exemplo, quando fomos a Fernando de Noronha, a Área do Património Mundial e tínhamos crianças de seis anos e adoraram. Adoraram sair. Adoraram ser supervisionados pelos cientistas. Perceberam que não podia haver contaminação nas amostras, usaram luvas e puseram os óculos e compreenderam o que estávamos a fazer. Falámos com vários dos miúdos depois e eles sentiram-se muito ligados ao projecto, que o que estavam a fazer era algo significativo e não apenas conversa. Por isso, ainda estamos nesse processo, agora que temos estes resultados científicos e estamos a desenvolver folhas de informação que sejam adaptadas às crianças e que os professores possam utilizar para discutir o assunto na sala de aula"; explicou Fanny Douvere.Mas os mares ainda nos reservam muitas suprpresas. Estas amostras só permitiram identificar entre 10 a 20% das criaturas presentes nestes ecossitemas e algumas sequências de ADN encontradas ainda não foram identificadas, mostrando que ainda temos muito a aprender com os oceanos."Há provavelmente um milhão de espécies nos oceanos, e talvez um quarto seja descrito actualmente pela ciência. Por isso, ainda há muitas incógnitas e nem todas as especies já têm o seu ADN numa biblioteca de referência. É como uma lista telefónica. Nós recolhemos os números, mas com os números, temos de tentar saber a quem pertence esse número. E quanto mais a nossa lista telefónica for actualizada e melhorada, mais seremos capazes de referenciar esse número, ou seja, a sequência de ADN, a uma espécie. E isto levará alguns anos a ser melhorado. Mas tenho a certeza de que, no futuro, isto vai ser rapidamente melhorado. Portanto, dentro de alguns anos, espero que consigamos identificar todas as espécies", exemplificou Ward Appeltans.A ideia agora é expandir este programa a mais sítios protegidos da UNESCO, nomeadamente onde as técnicas cinentíficas possma ser melhoradas e mais cientistas treinados para conseguir levar a cabo estas análises. Nesta primeira fase, todas as amostras foram enviadas para um laboratório central na Bélgica, mas no futuro, a UNESCO quer que as análises sejam realizadas onde as colheitas são levadas a cabo, melhorando as capacidade de todos os países de cuidarem da sua biodiversidade."Qualquer material genético que seja enviado para o estrangeiro está sujeito a um protocolo internacional. Assim, há uma série de países, por exemplo, que não aderiram a esta iniciativa porque não era possível enviar o seu material genético para um laboratório central. Nós trabalhámos com o laboratório central porque queríamos ter um controlo de qualidade significativo. Queríamos também aprender sobre o assunto. Foi uma fase de teste piloto, mas é extremamente importante desenvolver essa capacidade, especialmente em países que não têm ainda acesso a esta tecnologia. Também existem técnicas que lhes permitem avançar para uma análise de dados potencialmente muito mais rápida do que a que conseguimos fazer actualmente, talvez mesmo no local. Por isso, como organização das Nações Unidas, é extremamente importante que formemos cientistas locais em todo o mundo nos laboratórios da eADN que possam aplicar o mesmo tipo de padrões de qualidade que conseguimos desenvolver nesta iniciativa. Assim, na próxima fase do projecto recolheremos amostras, caso o projecto prossiga, a ideia seria recolher material marinho dos locais Património Mundial em África e analisá-los lá", concluiu Fanny Douvere.Os resultados desta experiência estão disponíveis num site acessível a todos, fazendo com que seja possível através da ciência aberta partilhar o conhecimento adquirido nestes últimos três anos um pouco por todo o Mundo.

Se Rascó Así: El Manicomio Inhabitable
Episodio 235: Despelote 2024 (El Análisis Post-Mortem)

Se Rascó Así: El Manicomio Inhabitable

Play Episode Listen Later Nov 12, 2024 100:32


Un análisis completo y odioso de la elecciones en PR y Estados Unidos. Nadie pensaba que los resultados de estas elecciones serían de esta manera.En Puerto Rico el pueblo volvió a elegir como plataforma de gobierno al mismo partido quien permitió la muerte de 4,645 personas hace siete años y la nefasta situación de esconder suministros en almacenes en el área sur de la Isla.En los Estados Unidos, en pueblo americano selecciona masivamente a la misma persona responsable de los violentos eventos en el Capitolio Federal en el 6 de enero del 2021 y el único ex presidente que ha sido acusado de varios cargos a nivel federal y civil. El responsable mayor de la división social que persiste en América.¿Cómo será los próximos cuatro años en ambos países? ¿Trump hará realidad las promesas que salieron a la luz por internet sobre el Projecto 2025? ¿Será Jennifer González la nueva “panita” de Trump a pesar que le dijeron a la estadidad para Puerto Rico “No te vistas que no vas”? ¿Será justo el sacar a Nino Correa? ¿Comenzará la deportación masiva de indocumentados que tanto Trump prometió? ¿Qué tanto afectará todo esto en las situaciones que ocurren en Russia, Ucrania, China, Israel y Corea Del Norte?Con las participaciones de Marcos Rodríguez, Carlos "Voodoo Ranger" Solá, Deborah “RadioActive Girl” Mateo, Gustavo “El Carnepuerco” Caez, Gustavito “O.T.C.” Cáez, Giancarlo “La Maldad” Martínez , Mónico “Súper Estaka” Vázquez, Alberto “Sir Super Servo” Reyes, Sharon Solá y Christina Quayat.ADVERTENCIA: El material discutido en este programa no es apto para menores de 18 años y no representa la opinión de Spotify. Sugerimos discreción. ©2024 Se Rascó Así Productions. Derechos Reservados. --- Support this podcast: https://podcasters.spotify.com/pod/show/se-rasc-as/support

Convidado
Eleições americanas: "O projecto de Trump é um projecto autocrático"

Convidado

Play Episode Listen Later Nov 6, 2024 19:02


Contra todas as expectativas, com analistas a anteverem dias de incerteza quanto aos resultados das presidenciais de ontem nos Estados Unidos, o candidato republicano Donald Trump venceu o escrutínio com um resultado nítido, acima do patamar simbólico dos 270 grandes eleitores necessários para garantir a vitória face à candidata democrata Kamala Harris. Quatro anos depois de sair da Casa Branca em atmosfera de insurreição, após o assalto ao Capitólio, Donald Trump regressa vitorioso para quatro anos na presidência da República. Quatro anos durante os quais, já disse que pretende operar uma série de reformas a nível da administração do seu país e da sua economia, sendo que ele anuncia igualmente uma inflexão da sua política externa, nomeadamente no que tange à Ucrânia, ao Médio Oriente, ou ainda à questão do meio ambiente.Aspectos que abordamos com Álvaro Vasconcelos, antigo director do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, com quem começamos por analisar a dimensão da vitória de Trump, inclusivamente com os votos de camadas da sociedade que habitualmente votam nos democratas.RFI: Como se pode explicar que Trump tenha beneficiado nomeadamente dos votos de camadas da sociedade como os afro-americanos, o eleitorado latino e as mulheres?Álvaro Vasconcelos: As primeiras análises mostram que os afro-descendentes, em particular as mulheres, votaram por Kamala Harris em larga maioria. O Trump progrediu no sector dos afro-descendentes e progrediu porque eles também são vítimas da inflação. Também há muitos afro-americanos que são sexistas, que vêem com preocupação o aumento dos direitos das mulheres. Nós estamos a assistir àquilo que eu tenho chamado uma "contra-revolução cultural", ou seja, todos aqueles direitos que foram conquistados desde a Segunda Guerra Mundial, em particular desde os anos 70, da igualdade dos direitos reprodutivos das mulheres, o direito ao aborto. Todas essas conquistas extraordinárias que desconstruíram a sociedade patriarcal afectam as convicções, as tradições, a identidade, de homens que não são necessariamente todos brancos. Também os afro-americanos sentem essa transformação da sociedade. Também foram educados numa sociedade patriarcal. E quando a inflação e o covid -porque lembremos que Biden foi presidente também ainda com o covid- quando o convite e a inflação atingem esse sector da sociedade, eles sentem-se reforçados na sua oposição àqueles que, estando no poder, defendem direitos que eles consideram que diminuem os seus direitos. O que é extraordinário é que o Trump aparece ao lado de Elon Musk, como um candidato libertário, aliás, como a Milei na Argentina, ou a extrema-direita europeia, até em França. Fala-se de liberdade de expressão. E qual é a liberdade de expressão? é a liberdade para ser racista, para ser sexista. E tudo isso, acho eu, explica que não basta ser negro para votar contra o racismo.RFI: Um dos projectos de Donald Trump é reformar completamente aquilo que ele chama de 'Deep State'. Mudar todas aquelas camadas intermédias da administração americana. Para já, isto é concretizável? E o que é que isso pode implicar?Álvaro Vasconcelos: Isso é o que torna ainda mais inquietante esta segunda vitória de Trump. É que da primeira vez que Trump foi eleito, Trump tinha que lidar com um Partido Republicano que, no essencial, era tradicional. Nem era trumpista. Trump era um candidato anti-sistema, anti-sectores poderosos do Partido Republicano e que foram contrapoderes em relação a Trump, inclusive na sua própria administração. Lembre-se que o vice-presidente de Trump, o Mike Pence, um conservador, opôs-se ao que o Trump tentou a 6 de Janeiro (de 2021), quando perdeu as eleições, o assalto ao Capitólio, e o chefe do gabinete de Trump deu uma entrevista recentemente a dizer que Trump era um fascista. Ou, portanto, os sectores do Partido Republicano com quem Trump teve que se relacionar em 2016 eram sectores do Partido Republicano que não eram trumpistas. Hoje, Trump domina o Partido Republicano e vai ter uma maioria no Senado e na Câmara dos Representantes. Portanto, já mudou uma série de juízes do Supremo. Possivelmente ainda irá mudar mais. Tem como programa transformar a administração americana, ou seja, colocar homens "leais" em todos os lados. Ou seja, o projecto de Trump é um projecto autocrático e o projecto de transformar a América, uma grande democracia e uma das primeiras democracias do mundo, numa autocracia tem um conjunto de condições, com apoio em sectores dos oligarcas americanos. Hoje existe uma autêntica oligarquia também nos Estados Unidos. Tem apoio desses oligarcas e, portanto, estamos numa situação extremamente perigosa. RFI: E lá está, mencionou que, de facto, Donald Trump poderia também ter a maioria no Senado e também uma posição muito confortável na Câmara dos Representantes. Isto significa que, no fundo, restam poucas protecções a nível do Estado e a nível da lei nos Estados Unidos para travar eventuais projectos autocráticos de Donald Trump. Álvaro Vasconcelos: O que é que resta é a sociedade civil, o movimento das mulheres, o movimento anti-racista, uma sociedade civil muito forte, como constatámos mesmo nestas eleições. A capacidade de mobilização dos apoiantes do Partido Democrata, dos apoiantes de Kamala Harris, era muito maior que os de Trump, os indivíduos que iam as bocas das urnas tentar orientar o voto no sentido favorável ao Trump, por exemplo, na Pensilvânia -que foi um estado fundamental para a vitória de Trump- esses indivíduos eram pagos por Musk. Não eram activistas da sociedade civil. A campanha democrata era baseada num número impressionante de activistas. Portanto, a sociedade civil americana é uma sociedade civil muito forte. Eu diria mesmo que é a sociedade civil mais forte do mundo, em termos de activismo, de associações, de capacidade de mobilização. Lembre-se da Marcha das Mulheres depois da vitória de Trump em 2016: um milhão de mulheres nas ruas de Washington. Há uma grande capacidade. Lembremos o movimento Black Lives Matter. Têm uma capacidade enorme de mobilização da sociedade civil americana.  É aí que está alguma capacidade de oposição a Trump. RFI: Um dos projectos de Trump é baixar os impostos e também aumentar os direitos aduaneiros para os produtos importados, o que pode significar, a nível interno, menos serviços públicos, e a nível externo, uma economia também bastante mais fragilizada para os parceiros dos Estados Unidos e, nomeadamente a União Europeia.Álvaro Vasconcelos: Sem dúvida, Trump é um proteccionista e um nacionalista. É algo que nós ainda não falamos. Mas Trump é, em primeiro lugar, um nacionalista. "Make America Great Again" é um slogan nacionalista. O que Trump está a dizer aos americanos? Está a dizer "nós podemos ser de novo a nação hegemónica, a nação que não tem rival e, sobretudo, que não tem rival na China e na União Europeia". Mas hoje Trump considera a China um adversário muito mais poderoso do que a União Europeia, que tem mostrado, de facto, alguma incapacidade para se afirmar do ponto de vista político. E neste momento também está fragilizada com a subida da extrema-direita em muitos países europeus e, portanto, a política económica de Trump vai ser uma política económica que vai ser terrível para os sectores mais pobres da América, que vão perder parte da pouca protecção social que têm e vai agravar as desigualdades, com a facilidade que vai dar aos oligarcas americanos. Mas vai fazer uma guerra comercial terrível, nomeadamente contra a China, mas também contra a União Europeia. No fundo, a questão que hoje se coloca à Europa é uma questão existencial, porque tem a guerra da Ucrânia de um lado, tem o Trump do outro, que deixará de apoiar a Ucrânia, certamente. Mas sobretudo, terá um Trump claramente antieuropeu e procurando enfraquecer a União Europeia e enfraquecer as democracias europeias. E, portanto, estamos num momento, digamos, quase que existencial para a União Europeia. Eu diria existencial mesmo que, no fundo, haja uma esperança. Mas os dados não mostram que seja esse o caminho provável, que a União Europeia irá acordar. Hoje também há enormes fracturas na União Europeia, inclusive no campo democrático. É o momento de nos unirmos para enfrentarmos a ameaça existencial que Trump representa para a União Europeia.RFI: Mencionou, nomeadamente, o conflito na Ucrânia. Donald Trump não esconde qual é a sua posição relativamente ao conflito na Ucrânia: deixar de ajudar Kiev e fazer as pazes com a Rússia muito rapidamente.Álvaro Vasconcelos: Sem dúvida que Trump é um amigo de Putin. Tem uma relação boa com Putin há muitos anos. Putin apoiou a sua campanha eleitoral de 2016. Segundo a imprensa americana, também nesta campanha eleitoral houve uma série de acções de desinformação na Geórgia e de supostos ataques à bomba que eram notícias completamente falsas que tiveram a sua origem na Rússia. Trump quer que a guerra na Ucrânia acabe, já que ele não quer fazer nenhum esforço do ponto de vista económico ou militar para apoiar os ucranianos e acabar já a considerar que a Rússia, os territórios que já conquistou, devem ficar sob controlo russo e obrigar os ucranianos a um acordo de paz que termine a guerra com uma parte do território ucraniano conquistado pelos russos. E nem estou a falar da Crimeia ou dos territórios que a Rússia já tinha conquistado em 2014. Estou a falar do que conquistou no Donbass, nos últimos anos. E depois a Rússia irá consolidando a sua posição ali e logo veremos o que se passa a seguir, porque tudo isto é muito imprevisível.RFI: Está a pensar nomeadamente na Moldova e na Geórgia?Álvaro Vasconcelos: Hoje, se eu fosse moldavo ou georgiano, estaria altamente inquieto com a facilidade com que Putin vai poder, de facto, transformar a situação política interior desses países, apoiando os partidos que lhes são próximos e fazendo, no caso da Moldova e da Geórgia, uma extraordinária pressão exterior.RFI: Outro dossier que espera também Donald Trump a nível das relações externas é o dossier do Médio Oriente. Netanyahu já felicitou Donald Trump. Ele, de facto, tem motivos para celebrar?Álvaro Vasconcelos: Sim. Netanyahu agora terá todo o apoio de Trump para o seu projecto do "Grande Israel". Nós devemos dizer que esse foi um grande fracasso da administração Biden: o de não ter sido capaz de travar Israel e de apoiar os palestinianos como deveria. Depois do 7 de Outubro, a administração americana colocou-se, aliás como muitos líderes europeus e Estados europeus, ao lado de Israel, na indignação do 7 de Outubro. Mas depois daquilo que se passou em Gaza, do assassinato em massa de palestinianos, de um processo de limpeza étnica que leva ao genocídio dos palestinianos em Gaza e também do que se passa na Cisjordânia, a administração americana foi incapaz de travar Netanyahu. Sabemos que Biden dizia a Netanyahu que ele devia conter-se, que ele devia chegar a um acordo com o Hamas para a libertação dos reféns e para um cessar-fogo, mas nunca utilizou o instrumento, o único instrumento verdadeiramente poderoso que os Estados Unidos têm sobre Israel, que é acabar com a venda de armas a Israel. Isso nunca fez. E nunca fez por razões também de política interna, porque o lobby evangélico nos Estados Unidos, que é poderosíssimo e que dá um grande apoio a Trump, é o lobby mais poderoso pró-Israel. É muito mais poderoso do que o lobby judaico, onde há muitas correntes liberais que se opõem a Netanyahu e gostariam que Netanyahu caísse. Se Kamala Harris tivesse ganho as eleições, Netanyahu não teria em Kamala Harris uma pessoa de que é próximo. Pelo contrário, ela é uma pessoa que considera que Netanyahu é de extrema-direita e que era preciso contê-lo. Também não sabemos até onde é que ela iria nessa contenção, mas sabemos que teríamos um mundo diferente, em que as possibilidades de haver alguma coisa contra o Estado de Israel, nomeadamente contra Netanyahu, era muito mais forte. Hoje nada disso acontece. Pelo contrário, Trump e Netanyahu são da mesma corrente política, são da mesma ideologia e da mesma barbaridade na violência contra o outro e a mesma desumanização dos palestinianos. Nem mesmo as questões humanitárias estarão na agenda. E Trump terá uma capacidade maior de ligação às ditaduras do Golfo e do Médio Oriente. Porque aqui a maior parte dos países árabes do Médio Oriente são ditaduras que gostariam de terem uma boa relação com o Estado de Israel, mesmo com Netanyahu, apesar do que se passa na Palestina. Portanto, Netanyahu hoje tem o caminho aberto para a criação do "Grande Israel", o que é evidentemente uma tragédia para os palestinianos, uma tragédia para a defesa dos direitos humanos e uma tragédia, evidentemente, para todos nós, que acreditamos no direito dos palestinianos a viverem em liberdade e em dignidade.RFI: Outro aspecto que não mencionamos até agora é a questão do meio ambiente. Donald Trump já disse que tenciona impulsionar as energias fósseis, o que significa, como no primeiro mandato, um recuo em termos de defesa do meio ambiente.Álvaro Vasconcelos: Está a fazer, no fundo, a lista de todas as tragédias anunciadas, ou seja, do mundo apocalíptico em que nós parecemos estar a entrar. Porque se olharmos para a questão ambiental, com o aumento das temperaturas médias, nos últimos 16 meses, de um grau e meio, que era aquilo que os Acordos de Paris apontavam para se tentar prevenir que acontecesse apenas em 2050, percebemos como é urgente tratar da questão climática, como é urgente ter uma política global. E não pode ser só a política europeia ou americana, mas uma política global que faça do clima estável um património comum da humanidade. Ou seja, que se comece não só a cumprir o Acordo de Paris, mas de facto, a ir mais longe com o Acordo de Paris, que é começar a retirar CO2 na atmosfera. Ora, tudo isso é contrário à visão que o Trump tem da economia americana e do lugar da América no mundo. Passa exactamente como ele dizia na campanha por "furar, furar, furar", ou seja, abrir mais poços de petróleo sempre que for possível. Portanto, não só a nível interno americano, a transição energética que começou com Biden estará em sério risco, como a nível internacional, não há dúvidas nenhumas de que a administração Trump não irá favorecer respostas multilaterais para a questão ambiental. E isso, evidentemente, coloca-nos noutro domínio: no domínio apocalíptico. Evidentemente que nós hoje não podemos cair no pessimismo absoluto e temos que pensar como sair deste futuro tão sombrio que nos parece que será o nosso, o nosso sobretudo, o dos nossos filhos e dos nossos netos. Evidentemente que há caminhos para ir. É bom que a gente converse sobre eles também, mas evidentemente que neste momento é um momento de enorme preocupação.RFI: Relativamente à África, no seu primeiro mandato, Donald Trump não teve propriamente uma política externa dirigida ao continente africano. A seu ver, que consequências é que esta eleição pode ter para o continente africano?Álvaro Vasconcelos: É difícil dizer porque, de facto, não é uma prioridade da administração Trump. Também não foi uma grande prioridade da administração Biden e não tem sido uma grande prioridade das instituições americanas. E na competição com a China, certamente que a África aparecerá no radar da administração Trump. O que é que significa para a administração Trump? Significa que os autocratas em África podem ser parceiros importantes porque ele olha para o mundo pela visão da autocracia, pela visão dos homens fortes que impõem a sua vontade à população. E o que pensa Trump? Infelizmente, penso que há cada vez mais gente para quem é o caminho para o desenvolvimento económico e, portanto, o modelo a que podemos chamar o "modelo chinês", que vai ser o modelo de Trump. E isso é interessante. Trump revê-se no "modelo chinês" do ponto de vista político. Para o desenvolvimento económico, olhará para África, possivelmente, olhando para os ditadores africano, como olha para os ditadores do Médio Oriente, da Arábia Saudita em particular, como um aliado preferencial. O que significa para a África? Pensemos, por exemplo, no que se passa neste momento em Moçambique, com grandes manifestações pela democracia, depois do roubo terrível que foram as eleições e o assassinato de uma série de opositores. Temos assistido a enormes manifestações pela democracia em Moçambique. Elas não terão nenhum eco em Washington. E se nos lembrarmos que quando Bolsonaro tentou um golpe, depois de ter perdido as eleições e que Biden interveio para dizer imediatamente que Lula tinha ganho as eleições, com Trump isso não acontecerá. Não acontecerá na América Latina, como não acontecerá em África, como não acontecerá em lado nenhum. 

Delvis Griselle & Compañía
Sobre Mega Projecto Hotelero en Cabo Rojo

Delvis Griselle & Compañía

Play Episode Listen Later Oct 17, 2024 46:42


Organizaciones y comunidades exigen al DRNA vistas públicas sobre un mega proyecto hotelero que ocupará mas de dos mil cuerdas frente al mar y entre terrenos de valor natural en Cabo Rojo. Invitados: Luis García Pelatti y Ruberto Chaparro. 

Pastéis de Marketing's Podcast
O projecto Narnia 2.0 da Google, o eX-Twitter na UE, a parceria da TikTok e Amazon e muito mais… - e223s01

Pastéis de Marketing's Podcast

Play Episode Listen Later Aug 21, 2024


Neste episódio 223, falamos do projecto Narnia 2.0 da Google, o eX-Twitter na UE, a parceria da TikTok e Amazon e muito mais… 

The Game Informer Show
Helldivers 2, Mario Vs. Donkey Kong, And A Bunch Of Cool Indies | GI Show

The Game Informer Show

Play Episode Listen Later Feb 14, 2024


In this week's episode of The Game Informer Show, Kyle Hilliard takes over hosting duty with Alex Van Aken just being present to be part of the ride. Charles Harte is also in attendance, as is special guest Sarah Thwaites. We kick off the show discussing Helldivers 2 and Mario vs. Donkey Kong before jumping into a big discussion about a number of compelling indie games like Lysfanga: The Time Shift Warrior, Crow Country, Pepper Grinder, Helskate, Project O.R.C.S., and Nightingale. We also chat about the recent Tomb Raider Remaster collection before diving into the initial broadcast of our new recurring segment, The Lunch Break: Like A Dance Break but with Lunch (Working Title). Watch Our Weekly Gaming Podcast: Follow us on social media: Kyle Hilliard (@KyleMHilliard), Alex Van Aken (@itsVanAken), Charles Harte (@chuckduck365), Sarah Thwaites (@sarahathwaites). The Game Informer Show is a weekly gaming podcast covering the latest video game news, industry topics, exclusive reveals, and reviews. Join host Alex Van Aken every Thursday to chat about your favorite games – past and present – with Game Informer staff, developers, and special guests from around the industry. Listen on Apple Podcasts, Spotify, or your favorite podcast app. Matt Storm, the freelance audio editor for The Game Informer Show, edited this episode. Matt is an experienced podcast host and producer who's been speaking into a microphone for over a decade. You should listen to Matt's shows like the "Fun" And Games Podcast and Reignite, a BioWare-focused podcast. The Game Informer Show – Podcast Timestamps: 00:00:00 - Intro 00:02:26 - Helldivers 2 Review 00:20:46 - Lysfanga: The Time Shift Warrior 00:27:38 - Apex Legends Season 20, Breakout 00:32:33 - Mario vs. Donkey Kong Review 00:42:37 - Tomb Raider I–III Remastered 00:49:06 - Crow Country Demo 00:53:31 - Pepper Grinder Demo 00:54:57 - Helskate Early Access 00:57:10 - Project O.R.C.S. Preview 01:06:35 - Nightingale Preview 01:13:24 - Housekeeping 01:15:47 - The Lunch Break: Like A Dance Break but with Lunch (Working Title)

Programas - Cuerpo Corazon Comunidad
La Alfabetización Digital

Programas - Cuerpo Corazon Comunidad

Play Episode Listen Later Nov 15, 2023


Únase a nuestra anfitriona Doctora Juanita junto a invitadas especiales y expertos que compartirán información y recursos en el condado de Marín.  Sintonice la transmisión en vivo de Cuerpo Corazón Comunidad, un programa de entrevistas en español que ofrece recursos, información, y soluciones sobre salud y seguridad. Todos los miércoles a las 11 am.  En vivo por Facebook https://www.facebook.com/cuerpocorazoncomunidad,  en YouTube, y en la radio a KBBF 89.1 FM y KWMR 90.5 FM, y como podcast en Spotify. También síganos en nuestra cuenta de TikTok.  El programa se retransmite en Marin TV canal 26 en varias fechas.  Tema de la semana: La Alfabetización DigitalInvitadas:Angelica Almanza, Coordinadora de Alfabetización Digital y Participación Familiar, Proyecto de Servicios Para Padres Y Administradora del proyecto de la encuesta de acceso a Internet en Canal, Merit Network Tammy Sanchez, Una de las coordinadoras del programa de Impacto Tecnologico y Compromiso Familiar, Projecto de Servicios para Padres ►Escuche o vea los programas anteriores en  Website: http://www.cuerpocorazoncomunidad.org/   Facebook: https://www.facebook.com/cuerpocorazoncomunidad  YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdOpLdVlWQWQUVHnYLFCwWA  Spotify: (https://open.spotify.com/show/2TjYutchA23Uzqdy1DgKR0?si=d186b5f151d2489c)  TikTok: CuerpoCorazonComunidad ►Visite nuestra página del Centro Multicultural de Marin para obtener recursos e información: http://multiculturalmarin.org/ 

Perguntar Não Ofende
António Brito Guterres: o que nos esconde a cidade invisível?

Perguntar Não Ofende

Play Episode Listen Later Oct 17, 2023 112:00


Assistente Social com pós-graduação e doutoramento em Estudos Urbanos, António Brito Guterres coordenou projectos com jovens, foi director do Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira e chefe de Projecto da Iniciativa Bairros Críticos do Vale da Amoreira. Trabalho com a Fundação Aga Khan Portugal, coordenando projectos de desenvolvimento local, de expressão artística e cultural. Foi responsável por políticas públicas em territórios como Pendão, Bairro dos Navegadores, Outurela-Portela, Barronhos, Serra das Minas, Algueirão-Mem Martins, Tabaqueira, Alta de Lisboa, Curraleira, Portugal Novo, Eixo Almirante Reis em Lisboa, Quinta do Loureiro, Cabrinha e Liberdade/Serafina. O seu combate é o fortalecimento das organizações da sociedade civil nestes bairros. Conhece os bairros das periferias da região de Lisboa como as palmas da sua mão. Conhece a cidade invisível, para me socorrer do nome do programa em participa semanalmente na Antena 1, dando a conhecer as pessoas que não vemos em Lisboa. Nunca se acomodando a lugares de poder, é habitual vê-lo juntar a sua voz aos que realmente não têm voz nas nossas cidades. O que faremos hoje é uma curta caminhada numa pequena parte da cidade, para falarmos de casos e episódios que nos permitem falar de cidade, participação e democracia. De passeio, encontraremos, se tudo correr bem, alguns dos protagonistas dessa cidade, que o António nos dará a conhecer. O palco, ou melhor, a rua, é deles.  Pode ver a fotogaleria em Expresso.ptSee omnystudio.com/listener for privacy information.

The Lucra Life™
105. Rich German: The Ocean Activist

The Lucra Life™

Play Episode Listen Later Aug 16, 2023 54:18


Rich German is an entrepreneur and environmental advocate with an unyielding passion for the ocean. Since 1999, he has been a respected business coach, captivating speaker, and best-selling author of three transformative books. In 2010, Rich's fascination with stand-up paddleboarding ignited a journey that would shape his legacy. Having navigated an astonishing 30,000 miles— more than the circumference of the Earth— he has documented over 2,000 awe-inspiring interactions with dolphins and whales. His photographic work has been featured by National Geographic, The New York Times, NPR, The BBC and more. His latest book, Blue Laguna, is a visual testament to the captivating marine life he has intimately encountered from his paddleboard. Rich's passion led him to found Project O, a non-profit organization committed to the preservation and protection of our ocean and the fragile life within it. Through its innovative Blue City Network, his organization is at the forefront of guiding cities toward regenerative practices, harmonizing the progress of urban development with the needs of the environment. Rich's voice reaches further through his solution-focused podcast, Our Epic Ocean, where he engages with esteemed experts to address the world's most pressing challenges. For the past two years, Rich has also served as President of the nonprofit OneWhale, an organization working to establish an ocean reserve that will provide sanctuary for whales held in captivity, demonstrating his dedication to the well-being and freedom of marine life. Based in the breathtaking city of Laguna Beach, California, Rich exemplifies the remarkable potential of aligning passion and purpose. His journey stands as a testament to the transformative impact one individual can make through love for the planet and more importantly to the massive change possible utilizing the power of collaboration. Rich's dream is a world where humans learn to live in balance and harmony with the natural world. Follow him on Instagram: @richgermanlb

Rising Tide: The Ocean Podcast
Rising Tide #85 – From Paddle boards to Spy Whales with Rich German

Rising Tide: The Ocean Podcast

Play Episode Listen Later Jun 19, 2023 28:08


Today we speak with Rich German –photographer, paddle boarder, podcaster and founder of Project O.  Along with thousands of hours stand up paddling with Orcas, Blue whales, dolphins and seals, Rich has been instrumental in creating blue city standards for coastal communities while also working on the establishment of a whale sanctuary in Norway plus seeking to protect a Beluga spy whale presently swimming off of Sweden.   And yes, it's as strange as it sounds.  Rising Tide, the Ocean Podcast is co-hosted by Blue Frontier's David Helvarg and the Inland Ocean Coalition's Vicki Nichols-Goldstein. This podcast aims to give you information, inspiration and motivation (along with a few laughs) to help understand our ocean world and make it better. The ocean is rising, and so are we!Learn more at bluefront.org

Falando de História
#60 O Portugal Romano

Falando de História

Play Episode Listen Later May 15, 2023 58:49


Neste episódio especial falamos sobre o Portugal Romano com o arqueólogo Carlos Fabião, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador e diretor do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa / Uniarq. Tentamos perceber como era a Península Ibérica aquando da chegada do império romano, como é que se dá o processo de romanização - e o que se entende por romanização. Procuramos também compreender quem foi o famoso Viriato, como se dá o fim do período romano e que vestígios é que deixou. Sugestões de leitura: 1. Projecto de divulgação 'Portugal Romano', de Raul Losada: instagram.com/portugal.romano e facebook.com/portugal.romano. 2. Mary Beard - SPQR. Uma história da Roma Antiga. Lisboa: Bertrand Editora, 2016. 3. Lídia Fernandes - Viagem ao passado romano da Lusitânia. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2016 4. Jorge de Alarcão - A Lusitânia e a Galécia do séc. II a.C. ao séc.VI d.C. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2017. Disponível gratuitamente online: ucdigitalis.uc.pt/pombalina/item/55055 ----- Obrigado aos patronos do podcast: Andrea Barbosa; Luís Pinto de Sá,  Domingos Ferreira, Pedro Ferreira, João Félix, Vera Costa, Oliver Doerfler, Gilberto Abreu, Daniel Murta, João Cancela, Rui Roque; João Diamantino, Joel José Ginga, Nuno Esteves, Carlos Castro, Simão Ribeiro, Tiago Matias, João Ferreira, João Canto, António Silva, Gn, André Chambel, André Silva, Luis, João Barbosa, André Abrantes, António Farelo, Fernando Esperança, Pedro Brandão, Tiago Sequeira, Rui Rodrigues. ----- Ouve e gosta do podcast? Se quiser apoiar o Falando de História, contribuindo para a sua manutenção, pode fazê-lo via Patreon: https://patreon.com/falandodehistoria ----- Música: "Five Armies" e “Magic Escape Room” de Kevin MacLeod (incompetech.com); Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License, http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 A edição de áudio teve o apoio de Marco António.

Bewitching the Home
101: Artist Spotlight: Alexandra Carter

Bewitching the Home

Play Episode Listen Later Apr 27, 2023 44:34


In this Artist Spotlight, I welcome local artist and figurative painter Alexandra Carter. Alexandra's work currently explores fertility, motherhood, and the feminine. We talk about her journey to becoming an artist and a mother, her sources of inspiration, the unique material she uses, and how her journey with fertility has impacted her creative work. Her work is currently being shown at Oolong Gallery in Solana Beach, alongside her friend and fellow artist Christiana Updegraff. The show runs through May 6, 2023, and you can learn more about it here.In this episode, Alexandra mentions the acupuncturist she works with, Emily Marson. Learn more about her and her clinic, Aphrodite Fertility.Guest BioAlexandra Carter (b. 1985 in Boston) grew up in South Shore Massachusetts and now lives and works in San Diego, California. She received an MFA from Goldsmiths University of London in 2015 and a BA from Rhodes College in Memphis in 2009. Recent solo exhibitions include “Bumps & Grinds” at Rogers Gallery in Las Vegas, “A Sense of Heat in Her Brain” at Luna Anaïs Gallery Los Angeles, “Berries for Baubo” and “All gods are hot” both at Radiant Space Los Angeles. Other solo exhibitions include Fusion Gallery (Turin, Italy), Southfork (Memphis), Projecto'ace Foundation (Buenos Aires), and the Memphis Brooks Museum of Art. She has been selected for residency projects nationally and internationally, including the Kone Foundation's Saari Residence (Finland), Rogers Art Loft (Las Vegas), KulturKontakt Austria (Vienna), Qwatz (Rome), Graniti Murales (Sicily), Vice~Versa Foundation (Goa, India), RECSIM (Jashipur, India), Galerija-Muzej Lendava (Slovenia), and the Kentucky Foundation for Women (Prospect, KY).Featured in this episodeFeatured candle: Beeswax candle from Mithras CandleFeatured deck: Radiant Crystal Cards by Bouchette DesignConnect with AlexandraLinks:Alexandra & Christiana's Show at Oolong Gallery in Solana BeachWebsiteInstagramAre you an interior designer or are you interested in Holistic Interior Design? Check out my membership program, the Design Coven! This program is a real-world industry mentorship for Holistic Interior Designers that has everything you won't find in traditional design school curriculum. You'll learn from practicing interior designers working on real life projects, and get access to cutting edge vendors, suppliers, furniture makers, textile designers, and design resources that I've curated over my 17 years of design experience. As a member, you'll have the opportunity to build valuable relationships of your own. Learn more.Connect with Rachel LarraineWebsite

Writing With Ana Neu
talking about my books...all the details of my current WIPS ₊˚. ♡ character, plot, secrets/project.o

Writing With Ana Neu

Play Episode Listen Later Mar 30, 2023 15:03


let's have a chill chat about my books! today i will be talking about my current WIPS and my progress throughout some of my books! i talk about project.o to project.i first met you in a graveyard - giving you all the juicy details about my novels! so sit back and let's chat!

Bill Whittle Network
Project O'Keefe

Bill Whittle Network

Play Episode Listen Later Feb 24, 2023 15:42


Conflict with the Project Veritas board has forced James O'Keefe to resign from the organization that he built single-handedly into one of the last bastions of actual journalism in the country. What was Apple Computers without Steve Jobs? And what is next for this remarkable man? Bill, who knows him, speculates with Scott and Steve about his next move. Join our elite team of anti-elitists by becoming a Citizen Producer right here: https://billwhittle.com/register/

Chente Ydrach
SoLpresa! - ¿NUEVO PROJECTO DE KAROL?

Chente Ydrach

Play Episode Listen Later Jan 26, 2023 66:23


Bitcoin para todos
¿Cuál es la capa 2 de Bitcoin que puede competir con Ethereum? - Episodio #119

Bitcoin para todos

Play Episode Listen Later Jan 15, 2023 51:06


En este episodio hablamos con Francisco Calderon, desarrollador del ecosistema de Bitcoin focalizado en soluciones de lightning network. Nos cuenta que es RGB y sus posibles implicancias para el ecosistema de Bitcoin. Tambien nos habla de su proyecto peer-to-peer para intercambiar bitcoin por moneda Fiat, algo parecido a lo que se puede hacer en otras plataformas como el P2P de Binance pero en Telegram. Links: Wallets: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.iriswallet.testnet https://sparrowwallet.com/ RGB: https://www.rgb.tech/ Projecto: https://lnp2pbot.com https://mostro.network/ Host: Diego Towers Edición: Emanuel Arias Producción y Grafica: Martin 8a Voice Over: Yanina Alba Instagram: https://www.instagram.com/bitcoin_para_todos_/ Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCaHX81nmxyVYqh8YEKo4jAg Telegram Bitcoin para todxs: https://t.me/joinchat/GukzYtOdC1dlOTkx Twitter: https://twitter.com/Diego_Torres_ --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/diego-torres3/message

Pushermania Network Podcasts
Talk So Real with Matt Sonzala: Coka Trevino - Season 2 Episode 9

Pushermania Network Podcasts

Play Episode Listen Later Jun 1, 2022 68:21


Continuing on with my podcast series in which I sit down and talk with my friends who do dope things, on this episode I get to sit down with one of the dopest, Coka Trevino! I have known Coka for some years through the music scene here in Austin, we both tend to like good musics and such, and I have watched her ascent in the Austin art community from the moment we met. She is a super trooper in this city, state and world, bringing people together and showcasing artists who she finds to be amazing, and helping to give them the platforms that they need and deserve in a city that hasn't always embraced everyone equally - though through the work of many it is getting much better now. Seeing Austin open up and diversify (slowly but surely) is a beautiful thing and I am so thankful for organizations like The Projecto and Big Medium (and DAWA, Epistrophy Arts, HAAM y mas) for all of the work that they put in. On this episode we talk with Coka about moving to Austin from Monterrey, Mexico and her history in both cities, the Austin Studio Tour, life in Texas and how good it can be despite it also being quite fxxked, all sorts of things that two friends might talk about. That's what we are doing here with Talk So Real. Please like, subscribe, whatever you do on the internet and/or your phone. Also, as always, please tell a friend to tell a friend about Talk So Real... @theprojectoatx - @bigmediumaustin - @austinstudiotour - @texasbiennial

Talk So Real with Matt Sonzala
Talk So Real with Matt Sonzala: Coka Trevino - Season 2 Episode 9

Talk So Real with Matt Sonzala

Play Episode Listen Later May 30, 2022 68:21


Continuing on with my podcast series in which I sit down and talk with my friends who do dope things, on this episode I get to sit down with one of the dopest, Coka Trevino! I have known Coka for some years through the music scene here in Austin, we both tend to like good musics and such, and I have watched her ascent in the Austin art community from the moment we met. She is a super trooper in this city, state and world, bringing people together and showcasing artists who she finds to be amazing, and helping to give them the platforms that they need and deserve in a city that hasn't always embraced everyone equally - though through the work of many it is getting much better now. Seeing Austin open up and diversify (slowly but surely) is a beautiful thing and I am so thankful for organizations like The Projecto and Big Medium (and DAWA, Epistrophy Arts, HAAM y mas) for all of the work that they put in. On this episode we talk with Coka about moving to Austin from Monterrey, Mexico and her history in both cities, the Austin Studio Tour, life in Texas and how good it can be despite it also being quite fxxked, all sorts of things that two friends might talk about. That's what we are doing here with Talk So Real. Please like, subscribe, whatever you do on the internet and/or your phone. Also, as always, please tell a friend to tell a friend about Talk So Real... @theprojectoatx - @bigmediumaustin - @austinstudiotour - @texasbiennial #art #austin #theprojecto #EAST #WEST #Texas --- Send in a voice message: https://anchor.fm/pushermania/message

P24
A guerra na Ucrânia vai dar um novo fôlego ao projecto europeu?

P24

Play Episode Listen Later May 9, 2022 10:52


No Dia da Europa, ouvimos seis depoimentos sobre a União Europeia e o seu futuro. Este P24 contou com os testemunhos de (ordenados por ordem de aparição): Ana Lehmann, professora da Universidade do Porto especialista em investimento directo estrangeiro e internacionalização de empresas, Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, diplomata Francisco Seixas da Costa, presidente executivo da The Fladgate Partnership, Adrian Bridge, eurodeputada Margarida Marques e o presidente da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Tiago Mayan.

CARA A CARA
2022-04-22 - MARI PABLO - EL PROJECTO "THE EVANGELICAL CATHOLIC"

CARA A CARA

Play Episode Listen Later Apr 22, 2022 60:00


La predicadora católica Mari Pablo, nos presenta un nuevo proyecto llamado "The Evangelical Catholic".

El Show De Chiquibaby
Alejandra Guzman toco Fondo, Anuel deja a mujer embarazada, Comida rapida con empleados robots, Nuevo projecto de Eugenio Derbez!!!

El Show De Chiquibaby

Play Episode Listen Later Mar 21, 2022 70:51


BAJA NUESTRO APP EL SHOW DE CHIQUIBABY PARA IPHONE: https://apple.co/32s0aYN PARA ANDROID: https://bit.ly/2ZAwR4q COMUNICATE DIRECTO CON NOSOTROS VIA WHATSAPP EN USA +1-323-690-3557 TELEFONO = 323-988-3868 info@chiquibaby.com

El Show De Chiquibaby
Alejandra Guzman toco Fondo, Anuel deja a mujer embarazada, Comida rapida con empleados robots, Nuevo projecto de Eugenio Derbez!!!

El Show De Chiquibaby

Play Episode Listen Later Mar 21, 2022 70:50


BAJA NUESTRO APP EL SHOW DE CHIQUIBABY PARA IPHONE:https://apple.co/32s0aYNPARA ANDROID:https://bit.ly/2ZAwR4qCOMUNICATE DIRECTO CON NOSOTROS VIA WHATSAPP EN USA+1-323-690-3557TELEFONO = 323-988-3868info@chiquibaby.com

Rádio Comercial - Momentos da Manhã
Não faz lixo em casa, não faça na rua! Saiba mais sobre o projecto Phantalassa

Rádio Comercial - Momentos da Manhã

Play Episode Listen Later Jan 25, 2022 11:46


El Circo Podcast
La vida es un Circo: Carlos Baerga nos cuenta de su nuevo projecto

El Circo Podcast

Play Episode Listen Later Nov 8, 2021 7:35


Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

The MongoDB Podcast
Ep. 37 Open Source Project O-FISH with Sheeri Cabral

The MongoDB Podcast

Play Episode Listen Later Jan 13, 2021 41:10


Sheeri Cabral joins us today to talk about O-FISH. Sheeri is the Product Manager for O-FISH, an application created by MongoDB for WildAid. WildAid is a non-profit focused on ending wildlife trafficking. O-FISH leverages native mobile device capabilities to replace pens and paper notebooks used by wildlife enforcement agents. Sheeri shares her experience in managing databases, open-source projects, and the O-FISH project. More information on O-FISH is available at https://github.com/WildAid, and https://wildaid.org/tracking-illegal-fishing-theres-an-app-for-that/