Second-largest city of France and prefecture of Provence-Alpes-Côte d'Azur
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A diáspora cabo-verdiana em França reuniu-se na região de Paris, numa fan zone inédita, para apoiar os Tubarões Azuis contra a Espanha. Este evento reuniu mais de 1.500 pessoas, com animação, música e muita emoção na estreia de Cabo Verde no Mundial de Futebol 2026. Oficialmente, Cabo Verde conta em França com cerca de 30 mil dos seus nacionais, mas a realidade mostra outros números já que muitos descendentes de cabo-verdianos têm só nacionalidade francesa e muitos outros chegam a França com a sua nacionalidade portuguesa. Isto faz da diáspora de França, a terceira maior do arquipélago após Portugal e os Estados Unidos. Face ao apuramento dos Tubarões Azuis para o Mundial de 2026 e o jogo de estreia contra Espanha, várias associações da diáspora meteram mãos à obra para organizar um evento à altura deste acontecimento mundial. Com coordenação da Federação das Associações Cabo-Verdianas de França, a diáspora cabo-verdiana criou uma fan zone de Cabo Verde em Villiers-le-bel, a cerca de 40 minutos de Paris. Os bilhetes esgotaram, e não faltaram os ingredientes principais para o apoio à selecção: música, comida e muita animação. Como sublinha Fernanda Cabral Semedo, antiga presidente da Federação das Associações Cabo-Verdianas, os cabo-verdianos de França não quiseram ficar de fora nesta grande festa. "Quando vimos Cabo Verde apurado pela primeira vez na História, um país pequeno, assim seleccionado para a Copa do Mundo, é lógico. É um evento mundial e não podemos ficar de fora. Nós aqui em França, a Federação das Associações Cabo-Verdianas, através do nosso presidente Wilson da Graça, temos um staff por detrás desta organização em conjunto com as nossas associações. E nós aqui em França somos uma diáspora numerosa e não podemos ficar de fora. A ideia surgiu e a união faz a força", declarou a dirigente associativa. De transportes públicos ou de carro, os cabo-verdianos foram chegando a Villiers Le Bel, quase todos trajados a rigor com camisolas e bandeiras. Alguns vieram com amigos, muitos estavam em família e alguns vieram de longe, como explicou Alcides Gomes Semedo, presidente da Associação Domingos Ramos, que actua em Villeneuve-Saint-Georges, e participou na organização do evento. "Não houve nenhuma dificuldade na organização porque já temos uma rede a nível nacional, não só em Paris. Há pessoas que vêm de Marselha, de Nice também", indicou o presidente da associação Domingos Ramos. Dentro do pavilhão alugado para o evento, a energia foi contagiante do início ao fim. Antes do jogo houve batucada, durante o intervalo concertos e até um DJ. Cá fora, um campo de futebol destinado a entreter os mais jovens. Em França, muitas das associações cabo-verdianas consagram uma parte da sua actividade ao desporto, mobilizando os mais jovens para a prática de diferentes modalidades com destaque para o futebol tanto masculino como feminino. O grande objectivo é motivar os jovens, mas sobretudo, através do desporto, mostrar a importância da educação nos seus percursos de vida. Com mais de 60 voluntários num evento que acolheu 1.500 pessoas, o que implica o respeito de regras muito rigorosas, ainda não há um evento definido para os próximos jogos de Cabo Verde até porque os horários de difusão em França são de madrugada. Durante 90 minutos, os cabo-verdianos de França sustiveram a respiração a cada ataque espanhol e vibraram com as defesas de Vozinha. Para a diáspora, esta é uma selecção de ouro pelo seu talento, mas sobretudo, porque representa todos aqueles que longe do seu país continuam a torcer por Cabo Verde. E o primeiro objectivo deste Campeonato do Mundo já foi atingido: mostrar que Cabo Verde consegue! Após a apoteose do empate face à Espanha, os cabo-verdianos em França já só pensam em vitórias e na passagem à próxima fase do Mundial.
Bakir é um trio de música eletrônica formado em 2023 por Hicham Id Saïd, Alexandre Bellando e Yoan Guéraud. Baseados entre Marselha, Itália e Marrocos, eles combinam ritmos do Norte da África com batidas eletrônicas e letras de forte teor político. O grupo lançou recentemente seu primeiro EP, “All'Alba”. “All'Alba” (“Ao amanhecer”, em italiano), do selo francês Gros Oeuvre Records, reúne sete faixas que misturam texturas eletrônicas a instrumentos tradicionais marroquinos, cantadas em árabe, francês e italiano. Além de mergulhar na cultura do Magrebe, o EP aborda de maneira contundente alguns dos grandes desafios humanos contemporâneos: migrações, guerras, exílios e as lutas pela liberdade. Desde os primeiros segundos, a mensagem do Bakir se impõe. A faixa de abertura, “Printemps” (Primavera, em francês), traz o célebre slogan entoado pelos manifestantes da Primavera Árabe em 2011: “o povo quer a queda do regime”. Já “Tahia Palestine” denuncia as injustiças sofridas pelo povo palestino e a inação de parte da comunidade internacional ao longo de décadas. No conjunto, “All'Alba” é um trabalho que merece atenção tanto dos fãs de música eletrônica quanto de quem acompanha a produção cultural árabe contemporânea. Original e politicamente vibrante, o EP convida à consciência e ao engajamento por meio da música – lembrando que a cultura também é um espaço de memória, reflexão e mobilização. *** O Balada Musical vai ao ar todos os sábados nos programas da RFI Brasil e também pode ser ouvido no Spotify e no Deezer.
Um programa na região de Marselha quer conhecer e acelerar startups africanas em busca de expandir o seu negócio em França. Da economia azul à área da saúde, todas as startups podem concorrer ao Soft Landing Provence Africa Connect concebido pelo Accelerateur M, em Marselha. O Accelerateur M, em Marselha, existe para ajudar as startups a implementarem-se na região metropolitana da cidade que engloba também Aix-en-Provence. Para além de querer acolher mais jovens empresas francesas e europeias, o Accelerateur M, liderado pelo franco-português Franck Araújo, quer acolher o talento africano e tentar fixar no Sul de França novas empresas com projectos aliciantes. Para isso, esta entidade criou o programa Soft Landing Provence Africa Connect - Innovation que acompanha as empresas africanas a entrarem no mercado francês e a desenvolverem-se. "O programa Soft Landing para África Connect diz respeito a qualquer empresa de qualquer país dos 54 países africanos do continente. Nem mais nem menos. Diz respeito a todos. Aliás, como é que uma startup se pode candidatar? É muito simples. No nosso website podem encontrar o link que leva à plataforma internacional F6S e a partir daí vão submeter a candidatura. Ela vai ser pré-avaliada por um comité e depois dessa pré-avaliação, algumas vão ser pré-selecionadas ou vão a um júri. Vamos seleccionar no máximo 20 startups", explicou Franck Araújo. Uma primeira fase do programa passa-se em video-conferência, a seguir há uma imersão de uma semana em Marselha e e, numa terceira fase, as startups têm mais uma semana em França, mas em diferentes locais, consoante a especificidade do seu negócio. A experiência termina com um evento Emerging Valley para encontrar investimento e mentorias para as startups seleccionadas. Para concorrer é preciso uma boa ideia, como explica Franck Araújo. "Não há necessidade de ter lucros. Mas se a Prova de Conceito já estiver estabelecida, claro que vai facilitar a avaliação da candidatura e outros requisitos e até a capacidade da própria empresa para internacionalizar as actividades. Precisamos ver qual é a ambição, qual é a ambição da empresa e do projecto. Nós não vamos avaliar simplesmente a ambição de vir aqui a França. Isso não é o projecto. O projecto é qual é a sua trajetória? Onde é que quer ir e como é que nós vamos conseguir ajudar a atingir o seu objetivo?", detalhou o director do Accelerateur M. O programa tem actualmente as inscrições encerradas e voltará a ter uma nova edição dem 2027.
O cineasta Mawete Paciência e o produtor e actor Kayaya Júnior integraram uma delegação privada angolana ao Festival de cinema de Cannes. Eles estiveram nos estúdios da RFI para comentar os resultados da sua visita ao certame do sul da França e para abordar a produção angolana da sétima arte. O actor e produtor Kayaya Júnior e o cineasta Mawete Paciência comentaram com a RFI os resultados dos respectivos encontros no Festival de cinema de Cannes. Mawete Paciência começa por admitir que se trata da sua primeira vez neste prestigioso certame de cinema. Mawete Paciência: É a minha primeira vez. Cannes é uma terra de estreias, não é? Epa! É uma terra... É aquela coisa do tipo "Queria muito poder chegar cá nesta terra, queria muito poder conhecer esta cidade, queria muito poder estar cá nesta altura deste evento". Então são muitos anos à espera por uma oportunidade de trabalhar para podermos cá chegar. No entanto, está a ser muito bom para mim, está a ser maravilhoso. Enfim, todos os dias que saímos para as ruas temos estado a colher, a ver coisas diferentes, a perceber a dimensão deste evento, como ela movimenta a cidade em si. Então está a ser uma experiência magnífica mesmo ! Mas foi necessário prepará-lo. Isto foi longo, custoso, demorado também. Mas lá chegaram. Qual era o propósito mesmo de vir até cá? Kayaya Júnior: Olha, o propósito da verdade é simples é a vontade de profissionais ligados ao sector do cinema, do audiovisual, em querer descobrir caminhos, em querer perceber como é que as coisas funcionam, como é que as dinâmicas funcionam para nós podermos, quem sabe, num futuro próximo, termos uma presença mais consolidada aqui no Festival de Cannes. O Festival de Cannes está a fazer 79 anos, 79 edições. São muitos anos de experiência. E nós sentimos que também temos um lugar aqui, temos um espaço. Então, de forma particular, privada, cada um de nós com os nossos recursos, o Mawete é profissional de cinema e televisão. O Malef também. Eu faço produção, trabalho em rádio, televisão e sou actor. Então também mostrei interesse nesta ideia de vir descobrir o Festival de Cannes. Então começámos a trabalhar já há algum tempo atrás, em criar condições para podermos estar aqui. Não estamos aqui a título oficial. Vamos lá, se assim se pode dizer, de forma política. Mas estamos aqui, enquanto angolanos que querem descobrir como é que podemos, no próximo ano, nas próximas edições, marcar uma presença mais consolidada, tal como eu disse. Há várias formas possíveis. Se calhar talvez um pavilhão próprio, no futuro ? Quem sabe ! Estarmos numa varanda como esta, também a expor os nossos produtos, a produção nacional, a produção angolana, as nossas narrativas que há muitas e ainda bem que tem havido muitas produções. Nós, no primeiro dia, no dia de montagens e no primeiro dia do festival, já conseguimos fazer alguns contactos. Tivemos algumas reuniões com produtoras, com distribuidoras, por exemplo, falámos com a Loco Films, que é uma distribuidora francesa, falámos com a K Movie Entertainment, que é uma distribuidora da Coreia do Sul, e o interesse manifestado por eles ao verem o que nós fazemos, porque nós trouxemos alguns trailers de produções do Mawete e do Malef, do Bumbo Negro do Ngouabi Silva, que também são angolanos e também produzem e eles mostraram interesse, pelo menos mostraram curiosidade. Foi possível também já ter uma abordagem com uma equipa, uma delegação do Canadá com a escola de cinema que está em Paris, a Escola Internacional de Cinema. Tivemos uma boa conversa também com a realizadora americana, produtora realizadora, que é a Carole Copeland, que já se mostrou interessada e disponível para fazer uma formação ou presencial ou online connosco com Angola. Então é assim se nós conseguirmos sair daqui com uma ideia de como podemos trazer a produção nacional à produção angolana nas próximas edições, já terá valido a pena. Quais são os nomes que, apesar de tudo, ainda continuam a ecoar aqui do cinema angolano? Penso ainda em Zézé Gamboa, penso ainda em Dom Pedro. São esses nomes que vêm de forma corriqueira, que são citados pelos vossos interlocutores. O que é que já se conhece de Angola no cinema aqui? É assim: eu não consegui ainda perceber se há algum conhecimento ou não nas abordagens que temos estado a fazer. Acho que não houve ainda nenhuma referência. Há um cinema angolano que tenha passado por aqui, o que quer dizer que houve uma paragem, houve uma pausa. E estes interregnos, claro, apagam muita coisa, não é? Eu penso que a última vez que Angola teve profissionais aqui foi em 2007, se não estou em erro. E de lá para cá não houve mais ninguém a participar. Nós viemos a título particular, mas viemos com o sentimento de que o que nós conseguirmos descobrir, vamos partilhar com Angola. Para que, para o ano, se calhar, em vez de estarem aqui três profissionais, estejam aqui seis, nove ou doze, sei lá. E que tragamos as nossas bandeiras, a nossa produção, para poder mostrar porque nós estamos a fazer exactamente isso. Estamos com os nossos tablets e temos estado a abordar os stands, os pavilhões e os profissionais a mostrar: "Olha, conhece isto? Tem curiosidade sobre Angola? Veja isto." E a reacção tem sido muito positiva. E então, o cinema aqui, há cinema do mundo todo. No pouco tempo que ficaram cá, conseguiram ver outras propostas, por exemplo, cinema africano ? Conseguiram lidar com outras pessoas? O que é que conseguiram fazer? Mawete Paciência: Temos estado a conhecer muita gente, Conhecemos um realizador e produtor sul-africano africano e conversámos rapidamente. Porque aqui percebemos uma coisa, aqui em Cannes, tudo é muito rápido, as coisas são muito dinâmicas, então temos estado a conhecer pessoas no sector, temos estado a conhecer africanos. Vamos agora fazer aí a visita no espaço. O espaço africano agora criado. Enfim, já estivemos lá. Vamos voltar agora aqui, para então chegarmos até ao cinema africano. Tivemos há pouco tempo com o realizador e produtor africano também antes de virmos cá à rádio. No entanto, temos aquilo que disse e muito bem nosso objectivo aqui é, na verdade, virmos conhecer um pouquinho, fazermos um networking, vermos como é que podemos nos próximos anos também fazermos parte desta corrida, estarmos aqui expostos, trazermos aqui os nossos conteúdos. Então é muita coisa nova para nós. Está sendo uma experiência boa porque estamos a absorver, não é, boas informações, estamos a colher aqui no Cannes, enfim, no festival nesse contexto ? Então acreditamos, nós que ainda temos tempo, ainda vamos a tempo de conversarmos mais, de conhecermos mais pessoas. E esse é o nosso grande objectivo aqui mesmo. Pedir-vos -ia então que levantassem um pouco o véu sobre os projectos em que estão envolvidos e que estão a fazer. Se calhar começaria por si, Kayaya Júnior:. Pode apresentar-nos um pouco as obras em que já esteve implicado e aquelas em que pretende apostar ? Eu, enquanto actor, tenho participado ultimamente, nos últimos quatro, cinco anos, mais activamente e voltando um bocadinho ao passado, eu fiz uma participação na primeira co-produção Portugal Angola Angola/Portugal, do realizador Jorge António. Também já trabalhei com a Maria João Ganga, com o Zezé Gamboa, em produções mais antigas. Ultimamente estou no filme que está agora a ser disponibilizado para o mundo, que é o "Perverso" do Mawete Paciência que já esteve no Festival da Suécia da Cinema África. Esteve também num festival na Hungria. Já foi apresentado em Portugal em Setembro do ano passado e estamos agora a trabalhar na possibilidade de ir a Moçambique. Também já esteve em São Tomé. Para além disso, também participei no filme de uma Films, que é uma curta sobre a problemática de um mercado que em Luanda o mercado muito famoso que é o mercado da Mabunda. Então o Malé Filmes produziu o filme que é "A Faca e o Peixe", que é um filme que já esteve o ano passado no Festival de Marselha, foi apresentado no Festival de Marselha e outros filmes que tem estado também a participar, como por exemplo o Pequenos Sonhos de um Guabi Silva cataléptico do Bumbo Negro, que são realizadores angolanos e mais recentemente estamos em fase de rodagem de uma série assinada também pelo Mawete, que é "O preço da verdade", que é uma série com algum problema social muito grande. A abordagem de problemas sociais. Então tem um pé na televisão e no cinema, não é? Está a ser produzida com o objectivo de ser apresentado para a televisão ou para as plataformas, mas poderá ser também apresentado em cinema. E enquanto produtor, eu estou, tal como eu, quase toda a gente que trabalha em cinema em Angola, numa área ou noutra, faz um bocado de tudo. Os actores acabam também sem produtores associados porque às vezes facilitam o trabalho logístico de uma produção através dos seus conhecimentos, através do seu apoio, do seu interesse. Então, eu acho que estar aqui no Festival de Cannes dá-nos uma visão muito mais alargada daquilo que nós temos que realmente fazer. O que é que temos que fazer para trazer, para tirar as nossas produções de Luanda? Porque o que nós precisamos em Angola é que os filmes saiam do Luanda e sejam vistos. Precisam do mercado ! Precisamos do mercado, precisamos de ter oportunidade de mostrar. E é excatamente isso que nós viemos à procura fazer estes contactos para mostrar o nosso trabalho. Tivemos um breve encontro com um jornalista norte-americano que tem uma revista dedicada ao cinema e em cinco minutos de conversa ele ficou tão interessado que automaticamente fez logo questão de fazer ali uma nota. Lá está, se nós não tivemos a oportunidade de ir a estes mercados, estas feiras de conteúdos, estes eventos com a dimensão como um festival de Cannes, nós nunca poderemos dar nos a conhecer, porque viemos de forma muito intermitente, não é? Angola esteve aqui em 2007. De 2007 para cá nunca mais teve ninguém. Então este é o recado que nós vamos levar. Este é o desafio que nós queremos levar também para as nossas autoridades, principalmente para a cultura e para o turismo. Porque isto é turismo também. E agora nós temos um grande movimento à volta do desenvolvimento do turismo em Angola. Então vamos levar esta experiência e tentar partilhar com essas entidades para ver se para o ano nós estamos aqui com uma presença mais bonita, mais consolidada, mais dinâmica em Angola. Que se oiça música angolana aqui nos corredores do Festival de Cannes. Então fizemos muita referência a um projecto seu em curso, Mawete Paciência. Pode-nos levantar um pouco o véu sobre do que é que se trata? Sobre o que é que versa o seu filme? Mawete Paciência: Pois é, dentro de vários filmes que eu tenho, tem aí aproximadamente seis filmes. Tenho uma mini série, tenho algumas co-produções com países como Argentina, Brasil. Fiz agora em São Tomé um filme. Tenho também co-produção com México. No entanto, eu tenho filme que é "O Perverso", que já estaremos a ano passado e neste ano estamos agora a trabalhar a série, que é uma série televisiva que vai trazer conflitos nos lares. Como sempre, trazer problemas novos porque o nosso conceito de produção é mesmo identificar os nossos problemas, não é? Problemas que acontecem no nosso país e que acabam sendo transversais. São os perversos, as pessoas tóxicas, é isso ? Pode ser. Você vê, no entanto, na verdade, que é o seriado que nós vamos trazer, vai estar aí aproximadamente com 25 capítulos, não é? Trazendo todas essas histórias que acabei aqui falando, enfim, as nossas histórias, a nossa identidade, porque nós precisamos levar isso. Precisamos mostrar ao mundo quem nós somos. Angola é um país que eu sinto. Nós não nos mostramos muito ao mundo. Nós não temos uma presença muito fraca para o mundo. Então precisamos então activar esse lado. Precisamos, porque eu digo assim o mundo também não, não vai poder-nos localizar assim, do nada, se nós não nos mostrarmos efectivamente, criarmos algum barulho. Não é que desperte a atenção, nós não vamos ser localizados de nada. Então há esta vontade, É esta força toda que trabalhando nos nossos conteúdos. Enfim. E este é um seriado que acreditamos, nós que eu acredito, temos estado a fazer com muito gosto, de forma a podermos não produzir algo que se fixou por Angola, mas que vá para o mundo, que esteja disponível. Nas plataformas, nem que for para o YouTube. Quem sabe talvez conseguirmos outras plataformas de streaming e poderemos então colocar lá este conteúdo, inserir os conteúdos ? Acreditamos nisso. Nós acreditamos que o empresariado angolano precisa ser um pouco mais incentivado, porque tudo isso que nós temos estado a fazer tem sido por um esforço particular e não tem sido pelas nossas próprias lutas. É mesmo, também, alguma forma de inconsciência ?! Sim, de inconsciência. Timidamente vão aparecendo uma ou outra empresa a disponibilizar um pouquinho, mas nós, olhando para esse universo, olhando para esta realidade, começamos a perceber que o cinema não é um cinema mesmo muito para fazer. Cinema é uma industria e para fazer o cinema requer mesmo este pensamento do empresariado. Olhar aquilo como uma indústria e não olhar aquilo como uma mera diversão. Não é aonde ele pode colocar qualquer coisa, não. No entanto, esta visão, este conceito que nós estamos a beber aqui, estamos a ver aqui claramente. Nós vamos partilhar em Angola. Vamos replicar em Angola a informação e poder talvez começar a atiçar. E nós temos de atiçar um pouquinho mais o empresariado local, começar a perceber que é possível fazer alguma coisa que chegue até aqui. É possível, porque para um filme, chegar até aqui implica uma logística, implica uma mecânica, implica qualidade, implica um investimento e muita das vezes, os investimentos nós não conseguimos tirar do nosso Estado, do Estado. Nós não conseguimos ter esses investimentos e mesmo privado, quem nós vamos ter que contar para conseguirmos, talvez nas próximas edições, estarmos aqui com um produto que realmente nos dignifica e que possamos olhar e dizer "Viva Angola! Estamos presentes em Cannes, um festival de Cannes vai ser bom para nós". Vamos trabalhar para isso. Muito obrigado a ambos. Resta me desejar vos um bom festival de Cannes. Obrigado por terem vindo até aqui. Kayaya Júnior: Queria só deixar mais uma nota, porque é fundamental e nós também temos estado a trabalhar sobre isso. Eu já fiz algumas participações em anos anteriores em produções portuguesas e eu acredito que até parece estranho. Tão próximos que nós somos, mas não temos histórias contadas sobre nós. Então, eu creio que é fundamental começarmos a pensar neste intercâmbio. A primeira co-produção Portugal Angola foi feita em 92 do Jorge António e de lá para cá, não creio que tenha havido muito mais. Então é também o objetivo encontrar, por exemplo, caminhos que nos levem a essas coproduções, porque as nossas histórias, as nossas narrativas, acabam por se interligar numa intersecção qualquer do Oceano Atlântico, por exemplo. E é isso, pronto, vamos estar disponíveis, estamos disponíveis. Bem hajam e voltem sempre. Mawete Paciência: Obrigado, Obrigado mesmo pelo convite e é uma honra fazermos parte deste momento que é marcante para nós também.
Há jogadores que passam pelo Benfica. E há jogadores que ficam para sempre na história do clube.Neste episódio do Visão Vermelha, recebemos Vata, o avançado que chegou ao Benfica em 1988 vindo do Varzim e que rapidamente deixou a sua marca: foi melhor marcador do campeonato logo na primeira época, conquistou dois campeonatos nacionais, uma Supertaça, marcou 37 golos em três épocas e protagonizou um dos momentos mais marcantes da história europeia do Benfica.Falamos naturalmente do golo ao Marselha em 1990, que colocou o Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus. Um lance que continua a ser discutido 36 anos depois… e ao qual Vata responde diretamente nesta entrevista.Mas esta conversa vai muito além desse momento.Nesta entrevista exclusiva, Vata recorda:
A cidade de Marselha, à beira do Mar Mediterrâneo, no sul da França, é conhecida por sua herança histórica e suas belas praias. Na última década, graças à sua posição estratégica, a cidade agregou um novo atrativo: tornou-se um hub mundial de data centers. Mas a chegada de gigantes digitais à segunda maior metrópole francesa está longe de agradar a todos. A cidade, situada perto de capitais econômicas europeias como Paris, Frankfurt e Bruxelas e, ao mesmo tempo, porta de entrada para os mercados africano e asiático, tornou-se o sétimo local mais procurado do mundo pela indústria de dados. Marselha abriga uma dezena de centros de armazenamento de dados, de tamanhos variados. “Por trás dos cabos submarinos, há uma indústria familiar que os fabrica, que produz os repetidores óticos. Tem a indústria marítima que os instala no mar e faz a manutenção. Existe toda uma cadeia de valor que cria empregos em Marselha”, defende Guillaume Heras, diretor-geral da empresa de telecomunicações Telsam. “Somos uma empresa de 40 pessoas e há muitas outras como a nossa atuando neste setor”, disse ele à RFI. Metade desses centros está instalada na zona portuária, onde chegam os 17 cabos submarinos que conectam Marselha a cerca de 50 países. Mas também é ali que se concentra a área mais turística da cidade. Para muitos habitantes, a invasão dessas megaestruturas, onde cerca de 20 pessoas trabalham em média, gera preocupação. Eles avaliam que esse “boom digital” beneficia sobretudo as grandes multinacionais, como Google, Facebook e Amazon, e não os marselheses. Seis projetos de gigante americana A gigante americana Digital Realty, líder do setor, avança em seu quinto projeto na cidade, e um sexto acaba de ser anunciado: serão 26.000 m² de infraestruturas instaladas em um antigo depósito, na entrada do município. Um coletivo de habitantes está mobilizado contra essa expansão. “Marselha vai ter que lidar com essa sobrecarga em nossa rede elétrica e de água, além do impacto imobiliário. Estamos perdendo acesso ao mar”, critica Max, membro da associação. “A água potável está sendo entregue à Digital Realty para resfriar os seus data centers. No entorno do porto, a rede elétrica já está saturada. A luz funciona mal ali nas proximidades”, denuncia. Pesquisas de Clément Marquet, especialista em impacto social e econômico da indústria digital da Escola de Minas de Paris, constatam que os benefícios da instalação de data centers são, com frequência, invisíveis para as populações locais. “É difícil argumentar sobre as vantagens para os locais. Acho que um dos problemas é que eles se sentem ‘a serviço' de Paris, de um lado, e do resto do mundo, do outro. Ou seja, são um componente de uma cadeia muito maior”, afirma o pesquisador. “É como se não importasse muito o que se desenvolve em Marselha: aos olhos dos moradores, eles estão servindo mais à economia mundial, e os benefícios diretos não são vistos por eles.” Consumo de água e energia Os imensos armários metálicos, conectados a toneladas de cabos, demandam importantes infraestruturas do município para funcionar, principalmente energia e água. Um data center de 3 megawatts, considerado pequeno, consome o equivalente a 1.000 residências. O consumo de água e energia vai disparar com o desenvolvimento da inteligência artificial, mas este não é o único problema. Moradores como Nadia, consultora em gestão de projetos, lamentam que Marselha esteja contribuindo para uma tecnologia que ameaça milhões de empregos em todo o mundo. “Acho que eu poderei muito bem ser substituída pela inteligência artificial amanhã, e é assustador. Por um lado, a gente quer o progresso, mas por outro não quer ser uma vítima dele”, salienta Nadia. O governo francês vê o desenvolvimento de data centers e da IA como estratégicos para o país. Em 2025, Paris anunciou € 109 bilhões em investimentos nesses setores para os próximos anos.
O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.
Vitórias dos socialistas e dos verdes em Paris e Marselha, sem a França Insubmissa, trazem riscos. Quais? Crise energética não vai alterar calendário da privatização da TAP, garantia do Governo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A segunda volta das eleições autárquicas francesas deste domingo, 22 de Março, expôs um país politicamente fragmentado, onde nenhuma força reclama vitória clara. A esquerda resiste nas grandes cidades, mas perde influência territorial; a direita e o centro consolidam posições; e a extrema-direita cresce localmente sem conquistar grandes municípios. Para o politólogo Eric Monteiro, os resultados antecipam um cenário “incerto e competitivo” a um ano das presidenciais. A leitura dos resultados das autárquicas em França revela um paradoxo: todos os principais partidos reclamam vitórias, mas nenhum emerge como vencedor inequívoco. Segundo Eric Monteiro, docente em Ciências Políticas na Universidade de La Rochelle, esta ambiguidade decorre, em grande medida, do próprio sistema eleitoral autárquico francês. “O sistema atribui um bónus de maioria de 50% à lista vencedora, o que amplifica resultados e dificulta comparações com eleições nacionais”, explica. Assim, derrotas tangenciais traduzem-se frequentemente em maiorias confortáveis nos executivos municipais, distorcendo a leitura política. Esquerda urbana, mas em retração territorial A esquerda manteve bastiões emblemáticos como Paris, Lyon e Marselha, confirma a sua força nos grandes centros urbanos. Contudo, perdeu cidades relevantes como Estrasburgo, Clermont-Ferrand ou Brest, sinal da fragilidade fora dos grandes pólos metropolitanos. Eric Monteiro sublinha que esta dualidade expõe uma divisão estrutural: “A esquerda ganha nas grandes cidades, mas perde no território.” As alianças com a França Insubmissa (LFI) revelaram-se, na maioria dos casos, penalizadoras. O eleitorado mostrou-se relutante em seguir entendimentos considerados artificiais ou excessivamente ideológicos. Excepções como Nantes, onde houve uma coligação técnica sem integração efectiva da LFI no executivo, não alteram a tendência. Pelo contrário, reforçam a ideia de que a cooperação à esquerda permanece frágil. Direita e centro consolidam, sem triunfar À direita e ao centro, os resultados traduzem-se numa consolidação mais do que numa expansão. Sem grandes conquistas, estes campos políticos asseguraram reeleições estratégicas e beneficiaram das divisões à esquerda. Eric Monteiro destaca um factor decisivo: a recusa de alianças com a extrema-direita. “Quando a direita respeita a linha histórica de não pactuar com a extrema-direita, pode vencer”, afirma, evocando a tradição iniciada por Jacques Chirac. Ainda assim, casos isolados como Nice, marcados por rivalidades pessoais e alianças heterodoxas, mostram que a disciplina estratégica não é uniforme. Extrema-direita cresce, mas falha objectivos maiores A União Nacional (RN) não conseguiu conquistar grandes cidades, falhou objectivos simbólicos como Marselha, Toulon ou Paris. No entanto, ampliou a presença nas pequenas e médias cidades, beneficiando de uma participação eleitoral relativamente baixa. Este crescimento territorial, ainda que discreto, não deve ser subestimado. “Os extremos começam a ter uma implantação que antes não tinham”, alerta o docente, referindo tanto o RN como a esquerda radical. O sul de França permanece um bastião importante da extrema-direita, mas a incapacidade de conquistar grandes centros urbanos limita, para já, a sua projecção nacional. Quatro blocos e o regresso do “arco governativo” Contrariando previsões recentes, os partidos tradicionais: socialistas e republicanos, demonstraram resiliência. O sistema político francês mantém-se estruturado em quatro blocos: esquerda moderada, direita moderada, extrema-esquerda e extrema-direita. Eric Monteiro identifica um reforço do chamado “bloco republicano”, composto por forças de centro-esquerda e centro-direita com vocação governativa. Este espaço político beneficiou de um eleitorado mais pragmático, sensível a questões de gestão e rigor orçamental. “O eleitorado rejeitou promessas irrealistas e valorizou candidatos com credibilidade governativa”, observa. Ecologistas perdem centralidade Outro dado relevante destas eleições foi o recuo dos partidos ecologistas, que perderam várias autarquias conquistadas nas últimas eleições de 2020. Segundo Eric Monteiro, esta perda não representa um retrocesso da agenda ambiental, mas antes a sua integração transversal. “As questões ecológicas deixaram de ser monopólio dos ecologistas e passaram a fazer parte dos programas de governo”, afirma, interpretando esta evolução como um sinal de maturidade política. A faltar um ano das eleições presidenciais, o cenário permanece altamente aberto. Os resultados autárquicos sugerem uma competição intensa, com risco de os candidatos dos extremos dominarem a primeira volta. Eric Monteiro aponta para um dado preocupante: sondagens que colocam Jordan Bardella acima de potenciais candidatos moderados. Num sistema em que apenas dois candidatos passam à segunda volta, a fragmentação do centro pode favorecer a extrema-direita. Entre os nomes já posicionados, destaca-se o de Édouard Philippe, antigo primeiro-ministro de Emmanuel Macron, cuja candidatura assenta numa legitimidade local já testada.
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Em França, a primeira volta das eleições autárquicas ficou marcada por um aumento dos extremos tanto à direita como à esquerda, assim como pelo quase desaparecimento do partido do Presidente, Emmanuel Macron. O investigador Victor Pereira explica as tendências destas eleições. A primeira volta das eleições autárquicas em França decorreu no domingo e, especialmente nas grandes cidades, deixou muitos resultados em aberto, já que haverá uma segunda volta no dia 22 de março, onde se conhecerá o desfecho político para os próximos seis anos de cidades como Paris, Marselha, Lyon, Lille, Toulouse, Nice ou Bordéus. A subida da extrema-direita, através da União Nacional de Marine Le Pen, e da extrema-esquerda, com a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon, marcam esta primeira volta, assim como o desaparecimento do partido de Emmanuel Macron, como explicou Victor Pereira, investigador principal no Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em entrevista à RFI. "Assistimos ao quase desaparecimento do partido de Emmanuel Macron. Isto é, o centro à volta do Presidente da República quase não ganhou nenhumas cidades e as pessoas que estão nesse campo e conseguiram ter resultados é porque já traziam bons resultados antes. Outro ponto importante são os dois extremos. A extrema-direita, a União Nacional, consegue guardar várias cidades. O caso mais evidente é em Perpinhã, com Louis Aliot, que ganhou logo na primeira volta. Então a extrema-direita guarda as suas câmaras — o que não tinha sido o caso nos anos 90, por exemplo — e consegue ampliar os bons resultados, sobretudo no sudeste. Uma das principais surpresas do voto foi o resultado da França Insubmissa, que consegue bons resultados no norte da França; provavelmente vai ganhar Roubaix, tem um bom resultado em Lille e ganhou Saint-Denis, junto a Paris", detalhou o académico. Até terça-feira à noite, as listas com mais de 10% que passaram para a segunda volta vão tentar criar alianças ou desistir em prol umas das outras, de forma a afinar o escrutínio de dia 22. Com várias eleições onde passaram quatro, cinco ou até seis candidatos diferentes, todas as possibilidades estão em cima da mesa. "Vai haver vários casos. Nalguns casos, pessoas do mesmo campo político, seja esquerda, direita ou centro, talvez não vão encontrar soluções e vão manter-se. Na segunda volta não é preciso ter a maioria, é só preciso ficar à frente. Noutros casos, onde os candidatos se podiam manter, vão desistir para não permitir que o outro campo, direita ou esquerda, ganhe, e isso vai acontecer em vários sítios. Há ainda um terceiro caso, mais complicado, até porque há uma certa polarização, que é o caso das fusões. Isto é, de duas listas fundirem-se numa só. E isso implica negociações. Implica, às vezes, o sentimento de diluir os seus princípios e os valores", explicou Victor Pereira. Estas eleições autárquicas permitem já fazer algumas reflexões sobre as eleições presidenciais que se realizam em 2027. Parece haver um desinteresse dos franceses pela política e, também, o aumento da extrema-direita e da extrema-esquerda mostra já possíveis desfechos para a escolha do próximo Presidente. "Um ponto importante é a taxa de abstenção, que é muito alta, um bocadinho mais de 40%. As eleições municipais eram muitas vezes eleições em que as pessoas iam votar porque são as eleições do quotidiano, as eleições em que se fala do lixo, das ruas, da limpeza, e é bastante raro haver tanta abstenção, fora as últimas eleições por causa da Covid-19. Há um cansaço dos eleitores, que não vão votar e que acham que o voto já não faz assim tanta diferença. Depois, tanto a França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, como a União Nacional, de Marine Le Pen, veem estas eleições como um estímulo, já que conseguem ver os seus bastiões e a França Insubmissa vai ganhando cidades. Por outro lado, os candidatos mais centrais, mais moderados, parecem não conseguir ter bons resultados", concluiu.
O Fundo Regional de Arte Contemporânea de Marselha (Frac Sud), no sul da França, acolhe até 15 de novembro a exposição "Champ étoilé" (Campo estrelado), da dupla de artistas gaúchos Angela Detanico e Rafael Lain. A mostra é um mergulho na imensidão do universo, contemplando linguagem e instigando o público a refletir sobre os mistérios do cosmos. Daniella Franco, enviada especial da RFI a Marselha Composta por seis obras guiadas pela luz como elemento central, “Champ étoilé” articula peças que se entrelaçam para criar pontes entre beleza, poesia e ciência. O conjunto oferece um recorte emblemático da pesquisa de Detanico e Lain, marcada pela linguística e pela exploração da relação entre tempo e espaço. "É uma exposição que nos fala das nossas origens, dos seres vivos, desde o Big Bang. Mais de 13 bilhões de anos depois, essa luz que criou a vida na Terra, continua existindo. Então, essa reflexão nos convida a nos descentralizar e a compreender que, nesta cadeia ambiental e do universo, nós somos apenas um elo", diz a curadora da mostra e diretora do Frac Sud, Muriel Enjalran. Para ela, as obras de Angela e Rafael vão além da poesia do cosmos, abordando também o lugar dos seres humanos no mundo, algo que não é novo para os brasileiros. "O Brasil, com seus povos indígenas, reflete há muito tempo sobre essa intercorrelação dos astros, da natureza e da humanidade", ressalta. Angela Detanico explica que a ideia era colocar em diálogo diferentes momentos da história da luz e do universo. "As obras fazem um pouco esse passeio pelo tempo e pelo espaço, falando um pouquinho também de linguagem, que é um dos nossos temas de predileção. Então nós temos o sol, a lua, estrelas, galáxias muito distantes. A nossa ideia era realmente criar essas diferentes temporalidades", diz. "Para nós é importante a compreensão de que toda a matéria do universo estava, no passado, unida em um mesmo ponto. Então, tudo faz parte de um todo. Mesmo que a gente tenha a experiência e a consciência da individualidade, no fundo, nós somos todos parte de um sistema que se equilibra e que é interdependente", completa Rafael. Telescópios e campos de flores Entre as obras exibidas, está a monumental instalação "Floraison de la Lumière" (Florescimento da Luz), concebida no âmbito do Prêmio Marcel Duchamp 2024, a maior recompensa de artes plásticas e visuais da França, para o qual Angela e Rafael foram nomeados. A peça, exposta no ano passado no Centro Pompidou, em Paris, associa imagens de telescópios a fotografias de campos de flores feitas pelos artistas. Outro destaque da exposição é a instalação "Les Mers de lune" (Os Mares da Lua), projeções em um disco de pedras brancas, que reproduzem uma espécie de jardim zen. A instalação é acompanhada de uma etérea trilha sonora composta para uma peça de dança apresentada por Angela e Rafael em Marselha em 2013. Outras peças foram concebidas especialmente para a exposição "Champ étoilé" , como a luminosa tela "Souleu". A obra é uma representação do sol feita na língua provençal de Marselha. Já "Analema"é um trabalho em texto que evoca os 365 dias do ano. Angela e Rafael são naturais de Caxias do Sul (RS) e viveram mais de vinte anos na França, antes da recente decisão de retornar ao Brasil. Para eles, todo o trabalho desenvolvido se conecta com o país. "Tudo vem de lá e acaba lá, com essa natureza tão presente no Brasil, além desta conexão com os elementos que a gente carrega", observa Angela.
O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, está em França e após um encontro com o Presidente Emmanuel Macron disse estar "optimista e confiante" em relação ao futuro já que vê a mobilização de forças positivas para criar um Mundo melhor, numa altura marcada pela instabilidade internacional. Quanto à situação na Guiné-Bissau, o Presidente cabo-verdiano defende a sua actuação afirmando que o seu país tem trabalhado José Maria Neves, Presidente de Cabo Verde, está a cumprir uma visita de Estado a França, passando por Paris, Lyon e Marselha. O Presidente tem passado tempo com a diáspora cabo-verdiana, mas também com altas figuras do Estado na capital francesa, incluindo um almoço de trabalho com o Presidente Emmanuel Macron na sexta-feira. Após este encontro no Palácio do Eliseu, em entrevista à RFI, o chefe de Estado cabo-verdiano disse estar optimista quanto ao multilateralismo. RFI: Sai de Paris mais confiante no futuro da humanidade, tendo em conta a actual situação ao nível internacional? José Maria Neves: É preciso ser optimista e confiante. Há muitas forças contrárias e uma ruptura na ordem internacional, mas há muitas forças também que estão quotidianamente a trabalhar para que haja um mundo com regras. Para que o multilateralismo funcione, que a Carta das Nações Unidas seja respeitada e que o direito internacional também seja considerado em tudo o que nós fazemos no plano internacional. Estou optimista no sentido de que é possível mobilizar essas forças positivas para que tenhamos no futuro uma humanidade melhor. Nada se herda. Tudo é conquistado com trabalho árduo de todos os dias. E é esse trabalho que tem de se fazer. E saio de Paris muito mais optimista. No seu encontro com Emmanuel Macron foi exactamente sobre isso que falaram? Sobre essa construção de pontes num mundo muito dividido. Uma parte importante da nossa conversa foi sobre como trabalhar para termos o mundo onde o diálogo, a cooperação, a paz se imponham, onde haja parcerias solidárias para o desenvolvimento, onde o multilateralismo passe a ser o Valor que oriente o trabalho dos governos e dos diferentes Estados. Há uma vontade nesse sentido. Aliás, a intervenção do presidente Macron em Davos e a intervenção do primeiro ministro do Canadá mostram muito isto. A necessidade das pequenas e das médias potências, dos outros Estados trabalharem em comum para uma ordem internacional que beneficie a todos, para um mundo onde haja respeito pelas regras e onde haja mais humanidade. Esteve na UNESCO com o projecto que para Cabo Verde é muito importante a questão do Campo de Concentração do Tarrafal. Mas também temos de lembrar que a UNESCO é uma das organizações internacionais que faz um trabalho muito importante no âmbito da educação e da cultura, que foi abalada por este novo mandato de Donald Trump e que viu novamente retirado os Estados Unidos. Como é que foi essa troca com o novo director da UNESCO? Cabo Verde tem sempre em conta a sua história, a sua memória, o seu património natural e cultural. E o que nós podemos valorizar a memória e a história de todos os países. O trabalho conjunto que nós estamos a fazer com a UNESCO, enquanto patrono para a preservação do património natural e cultural da África, é precisamente no sentido de preservarmos toda a riqueza natural e cultural do continente africano e a partir desse cuidado construir uma África mais sustentável, com mais progresso e mais bem-estar para todos os africanos, independentemente das limitações e dos problemas existentes. A maioria dos membros da UNESCO tem neste momento a disponibilidade de trabalhar para preservar a UNESCO e permitir que ela cumpra a sua missão. E teremos o Tarrafal elevado a património da Humanidade até ao fim da década? Sim, temos um grande entusiasmo relativamente a este projecto. Na verdade, o campo de concentração do Tarrafal não é só de Cabo Verde, é também de Portugal e das outras ex-colónias. Já é um património da Humanidade que deve ser agora reconhecido pela UNESCO. E também os escritos de Amílcar Cabral que estão em curso no quadro de toda essa dinâmica, para conhecermos a nossa história e preservarmos a memória da luta de libertação. E da história política contemporânea de Cabo Verde. Já esteve aqui com os jovens da diáspora, estará com a comunidade nas várias cidades que vai visitar. Esteve também nos Estados Unidos, imagino também com a comunidade dos Estados Unidos. Esta questão dos vistos e esta questão da forma como os Estados Unidos estão a tratar Cabo Verde está a preocupar os cabo verdianos em Cabo Verde, mas tambem os cabo verdianos fora de Cabo Verde? Sim, muito. Cabo Verde é um Estado transnacional. Nós somos desterritorializados. Os cabo-verdianos estão em todo o Mundo. Há mais cabo verdianos fora do que dentro. Portanto, nós, tudo o que tem a ver com restrições à mobilidade, tudo o que tem a ver com a discriminação de imigrantes afecta enormemente Cabo Verde. Então temos é de trabalhar para defender os interesses dos cabo-verdianos. De um lado, ouvir os cabo-verdianos, ouvir os desafios ou ver os problemas, ter uma mensagem pedagógica e, do outro lado, também dialogar com as autoridades e procurar defender os interesses dos cabo-verdianos. Nós não queremos uma imigração ilegal, uma imigração clandestina. Nós queremos que a imigração se faça com base em regras de forma regulada. Que os cabo-verdianos que quiserem sair saiam, mas de forma legal. E nós temos que cooperar nesse sentido e defender os interesses dos cabo-verdianos. É nessa linha que nós estamos a trabalhar com preocupação em relação às medidas mais restritivas. Mas vamos falando com a diáspora, vamos falando com as autoridades dos países de acolhimento, mesmo lá onde haja medidas mais restritivas. Mostrar-lhes que Cabo Verde tem tido uma diáspora desde há muitos séculos e que tem contribuído grandemente para o crescimento dos países de acolhimento. É um povo pacífico, trabalhador e que respeita as regras dos países de acolhimento. E é nessa linha que vamos continuar a trabalhar. E o tom como se fala atualmente das comunidades lusófonas em Portugal preocupa-o? Estamos a falar já da segunda volta das eleições presidenciais, que acontece já para a semana. Esta eleição está a preocupá-lo? Não, não necessariamente. Acho que os portugueses farão a sua escolha no dia 8 de Fevereiro e, qualquer que ela seja, a escolha deve ser respeitada. E nós iremos é continuar a trabalhar, como já disse, para defender os interesses dos cabo-verdianos. Mas em Portugal, a nossa diáspora globalmente é bem integrada e espero continuar a contar com toda a disponibilidade das autoridades portuguesas e da sociedade portuguesa no sentido de maior integração da diáspora cabo-verdiana. Quando falamos de instabilidade não podemos deixar de falar da África e da instabilidade dentro dos países lusófonos, nomeadamente na Guiné-Bissau. Esteve para integrar uma missão da CEDEAO. A Guiné-Bissau preferiu não fazê-lo exactamente pela proximidade com a Guiné-Bissau. Arrepende-se ter feito isso ou acha que naquela altura era o que era necessário fazer para o problema da Guiné-Bissau se resolver o mais rápido possível? Nessas questões temos que ser muito pragmáticos e realistas e ver qual é a melhor maneira de ajudar. E achei que a melhor maneira de ajudar era trabalhar mais nos bastidores e de forma mais discreta. E é o que temos feito. Temos tido contactos, temos participado nas acções da CEDEAO, temos falado com os chefes de Estado, temos falado com as duas partes na Guiné-Bissau e temos ajudado muito dentro das nossas possibilidades. Temos aconselhado, temos sugerido, isso é o mais importante. Aqui é preciso muita paciência. Os fenómenos não são fáceis, são complexos, os contextos são muito difíceis, mas, gradualmente, as peças do puzzle estão a ser colocadas no sentido da realização do roteiro que foi fixado em Abuja, na última cimeira dos Chefes de Estado e Governo da CEDEAO. E, portanto, os presos políticos já foram libertos, já há um passo em relação a Domingos Simões Pereira, que passou a estar em prisão domiciliária. Mas já é um passo positivo. E vamos ver se o governo inclusivo será formado e depois, gradualmente, ir tomando outras medidas no sentido da concretização dos objectivos da CEDEAO. E do meu ponto de vista, é isto que é o mais importante. Se considerarmos toda a história da Guiné-Bissau, dos golpes, dos conflitos, dos problemas anteriores, percebemos que a complexidade da situação exige um trabalho diplomático muito inteligente e muito sereno para podermos atingir os resultados esperados. A ideia é então de realizar eleições em dezembro, mas antes disso, pensa que seria importante um esclarecimento cabal do que se passou no dia 26 de novembro de 2025, em Bissau? O importante neste momento é considerar a realidade existente. Houve o golpe, independentemente da sua natureza. Os resultados eleitorais não foram divulgados e houve prisões e já há a instalação de um regime militar. Agora temos de trabalhar no sentido da criação de um governo inclusivo com o envolvimento de todas as sensibilidades políticas e sociais na linha das decisões da CEDEAO e depois criar as condições para a realização de eleições livres, justas e transparentes. Tendo em conta toda a história da Guiné-Bissau, não podemos estar permanentemente em busca de uma reconciliação com o passado, mas temos de estar preocupados na realização de uma reconciliação no presente, para que o futuro seja um futuro de maior estabilidade e de maior tranquilidade e que permita a restauração do Estado e permita também a realização dos objectivos preconizados. Quando faz estas viagens, a ideia é a escuta. Ouvir cabo-verdianos na diáspora, quais são as principais queixas? O que é que acha que ainda poderia ser feito e que não foi? Por tudo o que eu já ouvi, se eu fosse um membro da diáspora, o que eu diria é que precisamos efectivamente resolver o problema dos transportes marítimos e aéreos inter-ilhas. Resolver o problema da mobilidade e da inserção de todas as ilhas na dinâmica nacional de desenvolvimento. Prioridade das prioridades. E teremos de mobilizar as tecnologias informacionais para conseguir, de forma muito mais rápida, resolver um conjunto de pequenas questões que são obstáculos ao investimento. São obstáculos à resolução imediata de um conjunto de pequenos problemas no relacionamento entre o cidadão ou entre uma empresa ou entre a sociedade civil e a administração. Eu acho que nós, nos 50 anos da nossa independência, Cabo Verde cresceu, deu um salto enorme. Agora, 50 anos depois, temos de sofisticar-nos um pouco, melhorar a qualidade da prestação dos serviços e sermos muito mais eficientes, muito mais eficazes nos resultados e para podermos andar mais depressa. As eleições presidenciais estão marcadas para Novembro. Senhor Presidente é recandidato a Presidente de Cabo Verde? Bom, ainda vamos ter às legislativas em Maio. É preciso aguardar a evolução das coisas. Espero que as legislativas corram bem e só depois das legislativas, da posse do novo Governo, é que irei decidir sobre esta matéria.
Após homenagear Jean Genet e Gustave Flaubert, o Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo de Marselha, o Mucem, no sul da França, continua sua série de exposições literárias celebrando um herói nascido na Espanha, que se tornou uma figura lendária em todo o mundo: Dom Quixote. A exposição Dom Quixote: entre a Loucura e o Riso destaca os aspectos cômicos, turbulentos e populares da obra, e sua presença constante nas artes e na cultura cotidiana. Com um percurso deliberadamente anacrônico, assim como o herói imortalizado por Cervantes, o Mucem apresenta mais de 200 peças de diferentes tipos e épocas, com curadoria de Aude Fanlo e Helia Paukner, que detalha a maneira encontrada para celebrar Dom Quixote junto ao público contemporâneo. "Dom Quixote nos encara pessoalmente por meio de uma marionete tradicional japonesa do tipo Bunraku, quase em tamanho humano. Ele está lendo, enquanto Dulcinéia voa acima dele em sua imaginação. Ele também aparece em frente à entrada, através de uma pintura de Célestin Nanteuil, que é um autorretrato dele como Dom Quixote. E, claro, como ele está lendo, ele se encontra no meio de sua biblioteca, de maneira semelhante à técnica de mise en abyme praticada por Cervantes. Aqui, então, reproduzimos essa mise en abyme, ou seja, esta provocação que conta uma história dentro de outra história, como um espelho: Dom Quixote se encontra cercado por múltiplos exemplares de Dom Quixote", detalha Helia Paukner. As duas curadoras optaram pour uma experiência imersiva, levando os visitantes para a narrativa, com salas que correspondem aos capítulos do romance. A primeira sala é dedicada à sua biblioteca e os livros apresentados em sua vitrine são versões - algumas delas feministas -, adaptações e também traduções de Dom Quixote, apresentando toda a amplitude do livro, traduzido em cerca de 140 linguas. "Escolhemos traduções surpreendentes, entre elas um pequeno livro escrito em caracteres árabes. É uma tradução persa de Dom Quixote. O mais impressionante é que essa obra, dos anos 1920 ou 30, é ilustrada com fotografias. É um belo objeto, que testemunha um encontro cultural, já que essas imagens foram tiradas de um filme de 1926 em que Dom Quixote e Sancho Pança eram interpretados na tela por Double Patte e Patachon, um famoso duo de comédia dinamarquês", precisa Paukner. O caráter internacional de Dom Quixote e seu alcance planetário está presente em toda a exposição, como mostra o percurso proposto na sala seguinte do Mucem. Exemplo disso é o documentário intitulado Tarzan, Dom Quixote e Nós, de Hassen Ferhani. Com esse filme, o diretor argelino mostra a que ponto Miguel Cervantes, autor de Dom Quixote, marcou a memória de sua cidade, Argel, como contam as curadoras. "Tudo parte, de fato, da vida de Cervantes, já que ele foi mantido em cativeiro por cinco anos em Argel e teria tentado várias vezes escapar, buscando refúgio numa gruta conhecida como Gruta de Cervantes, que acabou dando nome a todo o bairro", diz Aude Fanlo. Através do conjunto de suportes apresentados na exposição, de todas as épocas e países muito diferentes, compreendemos que o personagem pertence a todos. Isso motivou a curadora Aude Fanlo a lhe dedicar uma exposição completa. "Para todos nós, Dom Quixote é como uma lembrança perdida, mas que ainda temos na ponta da língua, algo que todo mundo imagina ou intui, mesmo sem ter lido, e é esse tipo de fantasma coletivo que queríamos fazer redescobrir em toda a sua vitalidade. É um fantasma muito vivo, muito divertido. É um velho que volta a ser criança. E é essa fantasia, essa incongruência, essa loucura divertida que queremos mostrar aos visitantes", diz. Entre os visitantes, Catherine observa um vídeo de Abraham Poncheval de 2018. Um Dom Quixote moderno atravessa o interior da Bretanha vestido com uma armadura medieval. "É a história, sim, de um homem um pouco louco que corre atrás de seus sonhos, por assim dizer. Acredito que ele faz parte daqueles heróis com os quais todo mundo, em algum momento, pode se identificar", acredita. "É uma imagem atemporal. Na verdade, Dom Quixotes certamente existem aos montes ao nosso redor. Ele está ali, com sua armadura, mas poderia ser qualquer pessoa caminhando pela estrada. Vemos muitos assim: pessoas andando ou simplesmente buscando algo dentro de si mesmas. É uma imagem que, na minha opinião, não tem a ver com uma época específica, mas com a natureza humana", conclui. As curadoras da exposição fazem questão de avisar os visitantes para se tomar cuidado com o compilado de "utopias" que colamos normalmente ao personagem de Dom Quixote. "Toda vez que o idealizamos, nós o ridicularizamos", diz Helia Paukner. E o que o faz permanecer no imaginário coletivo, segundo ela, não é o fato de se agarrar a um só ideal, mas "poder reencarnar diversos outros". A exposição Dom Quixote: entre a Loucura e o Riso fica em cartaz no Mucem de Marselha até 30 de março de 2026.
O Salão Internacional de Economia e Diáspora de Cabo Verde está de volta e acontece este ano em Marselha. Dina Mendes, empresária franco-cabo-verdiana que organiza este forúm de negócios entre Cabo Verde e a diáspora em França, diz que este é um momento de aproximar todos os cabo-verdianos. Na primeira edição do Salão Internacional de Economia e Diáspora de Cabo Verde, que aconteceu em 2023, em Paris, ficou a ideia de uma segunda edição deslocalizada da capital e que tocasse também outras cidades francesas. Marselha como cidade ligada ao mar surgiu como hipótese e fez todo o sentido para Dina Mendes, já que aqui há cerca de 5 mil cabo-verdianos recenseados nessa cidade e está também junto a Nice, onde a comunidade cabo-verdiana é relevante. Assim, este fórum de negócios, que apresenta empresas e oportunidades de investimento em Cabo Verde decorre este fim de semana, e conta este ano com a participação do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e de vários ministros do seu Governo. Estas figuras políticas de relevo vão falar à diáspora sobre a importância de apostarem no seu país de origem e de criarem laços fortes com Cabo Verde. "Esta edição tem como tema investir no futuro e queremos crias um laço forte entre a diáspora e Cabo Verde. Fazer com que a diáspora esteja entre os primeiros actores em matéria económica de promoção e de desenvolvimento sustentável inclusivo de Cabo Verde. É importante que se criem também condições para que cada jovem que tem interesse possa viajar, tenha emprego, formação. A juventude deve ser uma aposta de futuro de Cabo Verde", declarou Dina Mendes. Para animar os dois dias de encontros, também estará presente em Marselha o académico Charles Akibodé, conselheiro do Presidente da República e consultor da UNESCO para o património africano. Haverá ainda altos funcionários cabo-verdianos, autarcas de Cabo Verde e de França, assim como associações representada neste encontro da diáspora em França.
Falamos sobre o jogo da Champions League frente ao Marselha, e o jogo da 9ª jornada do campeonato diante do Tondela...
Reportagem e edição de Leonor Faria.Renúncia do presidente da Carris gera críticas políticas;Morreu Álvaro Laborinho Lúcio, antigo ministro da Justiça;Sporting vence Marselha com reviravolta na Liga dos Campeões.Design: Carlota RealSonoplastia: Nuno Viegas
A Tertúlia Bola Branca discute a festa da Taça, o Marselha de Roberto de Zerbi, o Newcastle de um bom gigante e aproveita para recordar Souness. Com Bruno Basto, antigo futebolista de Benfica e Bordéus, o treinador Afonso Cabral e o jornalista Rui Miguel Tovar, a moderação é o do Hugo Tavares da Silva
O antigo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi condenado a cinco anos de prisão efectiva por associação de malfeitores no caso do financiamento líbio da sua campanha em 2007. Para Jorge Mendes, advogado franco-português, está é uma sentença coerente já que os factos foram provados e Sarkozy é reincidente, tendo já sido condenado noutros casos ligados a abuso de poder e corrupção. Com as câmaras apontadas, após saber que passará cinco anos na prisão, Nicolas Sarkozy disse que os juízes do Tribunal de Paris tinham mostrado "ódio" pelos políticos e que se tratou de uma sentença "de uma gravidade extrema para o Estado". Jorge Mendes, advogado franco-português instalado em Marselha considera que o antigo Presidente "fez um ataque violento à separação dos poderes" já que tanto o facto de os cinco anos serem cumpridos em prisão e que a sentença tenha execução provisória - ou seja, o antigo Presidente vai para a cadeia mesmo que haja recurso - se deve a leis votadas pela Assembleia Nacional, por onde passou Sarkozy e outros políticos que criticam hoje a Justiça. "O que se está a aplicar a Sarkozy é exactamente a lei que foi votada pelos parlamentares. E não é nada de especial, a não ser a originalidade que claro que se trata de um antigo Presidente da República e que ainda por cima tem uma reacção contra a separação dos poderes criticando o ódio do juiz, o que é um escândalo, porque isso é um ataque violento à separação dos poderes. A justiça em França, quando condena um presidente da República, tem muita atenção ao que está a fazer e a lei a é a mesma para todos. É um ataque à democracia que está a ser feito. Quando ele ontem disse que o que foi feito era uma prova de ódio do juiz perante os políticos, eu acho que isto é um escândalo democrático. Está-se a fragilizar a separação dos poderes em França, sendo que o Presidente da República é o garante da separação dos poderes e da democracia. Penso que ele está a fazer muito, muito mal à democracia francesa, que já está em estado crítico", lamentou Jorge Mendes. Para além da condenação de Nicolas Sarkozy, também so seus antigos ministros e aliados, Claude Guéant e Brice Hortefeux, foram condenados a seis anos de prisão e dois anos, respectivamente. Publicamente, Marine Le Pen já veio criticar a decisão dos tribunais, sendo que ela própria está também a braços com a justiça no caso dos assessores parlamentares em que foi condenada a cinco anos de ineligibilidade para cargos políticos. Para Jorge Mendes, uma parte dos políticos franceses "não suportam" que as leis que votam no Parlamento se virem, um dia mais tarde, contra eles nos tribunais. No entanto, não são os juízes que inventam as leis e eles aplicam-nas mediantes processos judiciais onde há provas concretas dos delitos. "O juiz não inventa as leis. Se esta disposição da decisão provisória não existisse na lei, o juiz não a tinha aplicado. Portanto, tanto Marine Le Pen, como Sarkozy, foram parlamentares, votaram estas leis que hoje também se aplicam a eles. E é isso que eles não suportam. Não é só votar leis cada vez mais difíceis, mais duras, com mais penas de prisão, com mais violência e uma vez que estas penas chegam aos políticos, aos parlamentares que votaram, eles não compreendem e estão hoje a criticá-las. Sabendo que o Sarkozy foi condenado, o seu antigo primeiro ministro, François Fillon, foi condenado e Chirac, antigo Presidente da República, também já tinha sido condenado. Portanto, quando se aplica aos políticos é que eles descobrem a violência da justiça e a violência da lei", indicou o advogado. Nicolas Sarkozy deverá cumprir a sua pena na Prison de la Santé, em Paris, onde terá condições especiais devido ao cargo que ocupou, nomeadamente uma cela individual numa ala especial da prisão. "O presidente vai ter um tratamento especial, como todos os eleitos que já foram condenados e pessoas importantes. Ou seja, vai estar sozinho numa cela, o que é já um grande privilégio em França, onde hoje estão três pessoas numa cela de nove metros quadrados. Vai ter, portanto, o que se chama um acompanhamento psicológico reforçado. Na área da cadeia especial para as pessoas públicas, elas não estão misturadas com os outros condenados. Vai estar na cadeia, que é a privação de liberdade, mas com um tratamento um pouco específico, isolado", concluiu Jorge Mendes.
A temporada 2025/2026 do campeonato francês, a Ligue 1, começou oficialmente neste fim de semana. Dezoito equipes com diferentes ambições e um adversário em comum: o poderoso PSG, de Dembélé e Marquinhos. Campeão das últimas quatro edições e maior vencedor, com 13 taças, o Paris Saint-Germain continua sendo o grande favorito ao título. Renan Tolentino, da RFI, em Paris O PSG vive o melhor momento de sua história com a conquista da última Liga dos Campeões, além do próprio campeonato nacional. Para Felipe Saad, ex-jogador brasileiro com longa carreira no futebol francês e atualmente comentarista do torneio, o time de Luis Enrique terá um grande desafio para manter nesta temporada o futebol que dominou a Europa. “O Paris Saint-Germain, para começar, vai ter que defender o título da Liga dos Campeões, coisa que nunca aconteceu antes (…) A gente sabe que vai ser campeão da Ligue 1, tem grandes chances, mas em termos europeus é a equipe que vai ser caçada. Eles vão ter um status a defender que é o de campeão da Champions (…) Então, vamos ver quais vão ser as consequências disso na Ligue 1”, avalia Felipe. Paixão de € 30 milhões em Marselha Mas o campeonato francês vai além do PSG. Com a chegada de novos reforços, outros times tradicionais podem eventualmente surpreender e fazer frente ao clube de Paris. “Se eu pudesse apontar uma equipe que pode atrapalhar ou pelo menos atrasar um pouco o título do PSG, talvez seja o Olympique de Marselha (…) é um clube que está bem agressivo no mercado de transferências, já trouxe vários jogadores”, destaca Felipe. Para esta temporada, o Marselha fechou com o atacante brasileiro Igor Paixão, de 25 anos, que estava no Feyenoord, da Holanda. Ele chega como a contratação mais cara da história do clube, custando € 30 milhões. O elenco conta ainda com o gabonês Aubameyang, ex-Dortmund e Barcelona, e a promessa inglesa Greenwood, de 23 anos, ex-Manchester United. Recomeço de Pogba em Mônaco Também com caras novas, o Mônaco é outro clube que pode fazer sombra ao PSG. O time do principado aposta em dois nomes conhecidos do futebol europeu: o jovem espanhol Ansu Fati e, principalmente, o meia Paul Pogba, campeão do mundo em 2018 com a França. “No Mônaco, a gente pode destacar o recrutamento, com a chegada do Ansu Fati, que foi do Barcelona, e do Paul Pogba, que ficou mais de um ano e meio sem jogar e está vindo para uma redenção aqui em Mônaco, após uma suspensão longa. O Eric Dier (inglês), que também é um jogador experiente, de Premier League, jogou no Bayern de Munique”, detalha Felipe Saad. Em Mônaco, o francês planeja fazer seu grande retorno ao futebol, após ficar esse período afastado dos gramados cumprindo punição por doping. Na sua apresentação no clube, em julho, ele se mostrou bem emocionado e disse que sonha em voltar à seleção francesa. “Meu foco é jogar, performar e ter prazer em jogar. Voltar para a seleção francesa ainda é um sonho, claro, isso seria um bônus para mim. Mas vou estar focado somente dentro de campo. E só o que me importa hoje. Ainda gosto de dançar, de experimentar novos cortes de cabelo e estilo. Isso não mudou, sou o mesmo Paul Pogba, mas com outra determinação, talvez maior. Hoje estou feliz e me sinto à vontade no Mônaco”, comentou Pogba na época. Paris FC, novo rico do futebol francês Esta temporada, a capital francesa terá uma equipe a mais na elite nacional. O Paris FC é o mais novo clube rico da França e o novo vizinho do PSG, literalmente. Isso porque o time irá mandar seus jogos no estádio Jean-Bouin, que fica exatamente ao lado do Parque dos Príncipes, casa do rival mais famoso. No ano passado, o Paris FC foi comprado pela família Arnault, a mais rica da França, dona da Louis Vuitton. Apesar disso, o projeto do clube promete ser realista, sem extravagâncias financeiras, com foco na formação de jovens atletas. “Paris FC, que é o novo rico da Ligue 1, tem grandes investimentos, uma grande força política em Paris, até com o apoio do brasileiro que a gente admira tanto, o Raí, além da parceira técnica com a Red Bull. Então, o Paris FC pode ser uma surpresa nesta temporada, mesmo tendo subido recentemente da segunda divisão, mas com um orçamento muito coerente… com chances de terminar entre a 8ª e a 13ª posição (...) mas eu creio que essa primeira temporada vai ser de afirmação e de manutenção na primeira divisão”, pontua Felipe Saad, que jogou pelo Paris FC em 2019, além de ter defendido outros seis clubes franceses enquanto ainda atuava, entre 2007 e 2020.. O zagueiro brasileiro Otávio, de 23 anos, que estava no Porto de Portugal, foi um dos contratados do Paris FC para este ano. A pré-temporada foi de adaptação para o jogador, tanto no clube, como na nova cidade. "O grupo me recebeu super bem, o staff e todos os atletas. Como temos um elenco jovem, é melhor para se comunicar, se entrosar, mesmo ainda não falando francês. Mas já estou aprendendo algumas palavras e me sinto bem. O objetivo principal é alcançar os primeiros lugares da tabela e acredito que vamos fazer uma grande competição. Estou muito feliz e muito motivado. É um privilégio estar aqui fazendo parte desse projeto e temos grandes coisas no final da temporada nos esperando", conta Otávio. Craque candidato à Bola de Ouro Se Paris tem o melhor time da Europa, o PSG, tem também o jogador que é a grande estrela da Ligue 1 nesta temporada e candidato a melhor do mundo. “Acho que o Dembélé tem uma grande oportunidade de confirmar que merece o Ballon D'Or”, resume Felipe Saad, ex-jogador brasileiro e comentarista da Ligue 1 na França. O atacante francês é o grande favorito a levar a Bola de Ouro em 2025. Ele foi indicado ao prêmio da revista France Football junto com outros 29 atletas, sendo sete do PSG (incluindo o próprio Dembélé). A rodada de abertura da Ligue 1 começou na sexta-feira (15) e se encerra neste domingo (17), com mais cinco jogos, com destaque para Nantes e Paris Saint-Germain, que se enfrentam às 15h45 (horário de Brasília). Quem vai ser o campeão? Alguém vai surpreender e desbancar o poderoso PSG? A resposta, só saberemos daqui a 10 meses, quando termina o campeonato francês, no dia 16 de maio de 2026.
Carlos Pereira, diretor do Luso Jornal, relata as dificuldades enfrentadas pela população nas últimas horas em França. Fogo já consumiu mais de 700 hectares e autoridades "retiraram pessoas de casa". See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na segunda edição deste boletim você confere:- Alexandre de Moraes marca audiência com as testemunhas dos núcleos 3 e 4 da tentativa de golpe de Estado; - Lula se reúne com primeiro-ministro da Índia para assinatura de acordos digitais; - Incêndio florestal, na França, ameaça cidade de Marselha e fecha aeroporto.O Boletim Rádio Gazeta Online é um conteúdo produzido diariamente com as principais notícias do Brasil e do mundo. Esta edição contou com a apresentação da monitora Letizia Pitol Zanuso, do curso de Rádio, TV e Internet.Escute agora!
Uma pesquisa recente realizada por uma equipe de cientistas franceses mostrou que dois tipos de própolis colhidos em Ruanda, na África, são eficazes contra acne e podem se transformar em tratamentos para a pele no futuro. Taíssa Stivanin, da RFI em ParisA doença, que provoca espinhas no rosto e outras partes do corpo, atinge mais de 28% dos jovens entre 16 e 24 anos, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Os estudos foram coordenados pelo cientista francês Jean-Michel Brunel, do laboratório do Inserm (Instituto de Pesquisas Médicas da França) situado na Universidade de Marselha, no sul da França. As conclusões são resultado de uma colaboração com o Observatório francês de Apidologia, que se dedica à pesquisa, proteção e promoção da apicultura e da biodiversidade relacionada às abelhas e reúne diferentes tipos de amostras de própolis, mel e outros produtos. A própolis é uma substância elaborada pelas abelhas a partir de resinas secretadas pelas árvores e serve para vedar os espaços da colmeia. Suas propriedades antibacterianas protegem a colônia contra a entrada de parasitas e a proliferação de germes. “Atualmente temos acesso a cerca de 200 tipos de amostras de própolis do mundo inteiro. Em nosso laboratório, nós caracterizamos a atividade antimicrobiana da substância e rapidamente percebemos que algumas delas, principalmente aquelas que vinham de Ruanda, eram muito ativas contra o micróbio que causa a acne”. A equipe começou a ter acesso às amostras há cerca de dois anos e, desde então, tem se dedicado ao aperfeiçoamento das técnicas para extrair a própolis. “Extraímos as moléculas ativas da própolis e a partir daí pudemos realizar os testes antimicrobianos”, disse o cientista francês. A própolis é diferente em função do ecossistema e das árvores utilizadas pelas abelhas para sua fabricação. “É claro que as espécies de árvores presentes na Europa e na África são totalmente diferentes. Em Ruanda, existe uma floresta primária. Isso significa que lá existem espécies de árvores que não são encontradas em outros lugares”. Segundo o pesquisador francês, essa diversidade dá uma dimensão da riqueza das moléculas da própolis. “Toda vez que uma colmeia se instala em algum lugar, terá uma própolis com outra composição. São cerca de 150 moléculas que agem de forma diferente contra bactérias, células cancerígenas, ou de outros tipos.”Modelos bacterianosNo laboratório em Marselha, os cientistas testaram as amostras de própolis disponíveis em bactérias, com o intuito de verificar se elas eram ativas. Após essa pré-seleção, a equipe utilizou métodos específicos para detectar quais moléculas faziam parte da composição dos diferentes tipos de própolis. “Quando obtivemos a chamada ‘carteira de identidade' dessas própolis, analisamos as moléculas que já estavam disponíveis comercialmente, ou que já conhecemos, e testamos em nossos modelos bacterianos.” Após expor as bactérias patogênicas às própolis de Ruanda, os cientistas descobriram que elas inibiam o crescimento da C. acnes, micróbio responsável pelo desenvolvimento das espinhas da acne. Os pesquisadores também identificaram duas novas moléculas. Os cientistas franceses então testaram o efeito dessa substância em forma de creme, em camundongos, que desenvolveram uma pequena espinha após serem inoculados com o micróbio da acne. “Constatamos, como ficou documentado em nossa publicação, um efeito anti-inflamatório e antibacteriano”. A descoberta da equipe francesa pode ser uma alternativa à resistência aos tratamentos contra a acne disponíveis no mercado. A eficácia do creme desenvolvido pelos cientistas à base dessa própolis de Ruanda foi validada no laboratório. Para que o creme possa chegar às prateleiras, são necessários agora testes clínicos e parcerias com laboratórios farmacêuticos. O pesquisador lembra que as propriedades antibacterianas da própolis também são úteis para tratar cáries ou amigdalites, e outros produtos poderão ser desenvolvidos em forma de pomada ou spray.
A maioria dos católicos franceses, praticantes ou não, ficou agradavelmente surpresa com a escolha do americano Robert Francis Prevost para comandar a Igreja neste momento de guerras ao redor do mundo e incertezas sobre o futuro. Devido ao sobrenome de origem francesa, o papa Leão XIV está sendo considerado por genealogistas "o mais francês dos papas estrangeiros". O perfil multicultural do novo chefe da Igreja Católica, nascido em Chicago (EUA), de mãe espanhola, pai franco-italiano, e ainda moldado pela longa experiência missionária no Peru – e nacionalidade peruana –, foi acolhido com otimismo. Reportagens realizadas nesta quarta-feira (9) em igrejas e escolas católicas, em várias cidades francesas, mostram que a maneira como ele se apresentou ao público, no Vaticano, agradou.O novo líder dos católicos apareceu no balcão central da Basílica de São Pedro com uma fisionomia serena, sorridente, mas ao mesmo tempo visivelmente emocionado. Já na primeira frase, ele falou de paz, gerando muita empatia com o público. Os franceses gostaram de ouvir que ele irá atuar para "construir pontes" de diálogo, em busca de "justiça e paz". Nesta quarta, Leão XIV celebrou a primeira missa de seu pontificado, apenas para os cardeais que o elegeram. Na homilia, ele lamentou o "declínio da fé", preterida em favor de "outras seguranças, como a tecnologia, o dinheiro, o sucesso, o poder e o prazer". Para os praticantes que seguem o evangelho, acreditam na fraternidade e rejeitam o individualismo, esse discurso faz sentido. O jornal católico La Croix, bastante respeitado no país, afirmou em seu editorial que ao levar esse religioso americano de 69 anos para a chefia da Santa Sé, "os cardeais confirmaram a escolha de uma Igreja aberta, multicultural, globalizada e mais do que nunca comprometida com sua doutrina social", em continuidade à abertura iniciada pelo papa Francisco. A maioria dos católicos franceses quer que o pontífice americano continue trabalhando nessa direção. Ancestrais francesesPrevost é um sobrenome de origem francesa bastante comum. Com isso, o papa Leão XIV está sendo considerado "o mais francês dos papas estrangeiros". Desde ontem, genealogistas começaram a pesquisar os ancentrais do novo chefe da Igreja e acharam muitas informações. Apesar dele ter nascido nos Estados Unidos e do avô paterno ter origem italiana, a maior parte da família da avó paterna vem do noroeste da França, principalmente da Normandia. Segundo o genealogista Jean-Louis Bocarneau, que disse ter passado cinco horas na última madrugada pesquisando a árvore genealógica de Leão XIV, o papa tem ancestrais pelo lado materno que foram sapateiros em Nova Orléans, mas provenientes do oeste da França. Existe ainda uma ramificação da família em Marselha, no sul, e parentesco com alguns famosos. Leão XIV seria um primo distante da atriz Catherine Deneuve e do escritor Albert Camus. Desafios do pontificadoEspecialistas no Vaticano e católicos dizem que um dos maiores desafios de Leão XIV será a unificação da Igreja, impactada pelas divisões internas entre ultraconservadores, conservadores e progressistas. A polarização aumentou durante o pontificado de Francisco, e Leão XIV precisará encontrar maneiras de promover a unidade sem abandonar o legado de abertura do papa argentino.O La Croix traz uma lista de 12 trabalhos do papa Leão XIV, como se fossem os 12 trabalhos de Hércules, que envolvem, entre outros questionamentos, o lugar de mulheres e laicos na Igreja, uma abertura iniciada por Francisco em cargos administrativos, mas considerada insuficiente. Questões de ética sexual e familiar, como o acolhimento de famílias homoafetivas na Igreja e o enfrentamento dos escândalos de abusos sexuais, continuam muito sensíveis.Leão XIV precisará se posicionar sobre questões globais, como as mudanças climáticas, guerras, migrações e a pobreza extrema. Reafirmar os laços entre o Cristianismo e o Judaísmo, mantendo um posicionamento equilibrado sobre o conflito na Faixa de Gaza. Como pontífice americano, Leão XIV terá de ser cuidadoso com o presidente Donald Trump e com seu vice JD Vance, que ele criticou publicamente nas redes sociais antes de ser eleito. Outro dossiê urgente é sanear a crise financeira no Vaticano, que teria registrado um déficit de € 87 milhões (€ 554 milhões) no ano passado, segundo estimativas não oficiais. As receitas estão em queda há vários anos e existe um problema crônico de má gestão na Santa Sé, que o papa Francisco começou a tratar, mas não resolveu totalmente.
O anúncio da criação de super prisões para os líderes de redes de tráfico de droga em França gerou uma resposta por parte do crime organizado levando a vários ataques contra prisões e guardas prisionais. Estas grandes prisões podem não resolver os problemas da criminalidade no país, mas são uma medida há muito tempo aguardada pelos autarcas que lidam com o tráfico de droga e os seus efeitos no quotidiano das cidades. O mês de Abril em França foi marcado por uma série de ataques a prisões e a guardas prisionais, desde intimidação, a incêndios de carros de funcionários prisionais até ataques às portas de vários estabelecimentos um pouco por todo o país. Entretanto, cerca de 30 pessoas foram detidas por suspeitas de envolvimento nestes ataques e mais de 20 ficaram em prisão preventiva.Estes ataques são uma reacção à proposta do ministro da Justiça, Gerald Darmanin, de criar super-prisões para os líderes do narcotráfico, onde estes não teriam acesso a telemóveis ou computadores. Suspeita-se que hoje muitos dos gangues responsáveis pelo narcotráfico em França estejam presos, com acesso a meios que lhes permitem controlar todos as operações das suas organizações criminosas.Em entrevista à RFI, o advogado Jorge Mendes, que trabalha em Marselha, explicou como operam os narcotraficantes e porque é que mesmo as super prisões podem não conseguir resolver por completo o problema do tráfico de droga em França."Eu penso que o facto de criar estas prisões não terá nenhum impacto no tráfico. Estamos aqui numa organização internacional. Marselha, por exemplo, geograficamente está à frente da África do Norte, Itália e Espanha. O tráfico internacional vem e vai de barco. E claro que construir ou não novas prisões não tem impacto nenhum nisso. Aliás, em Marselha, construiíram duas novas prisões ao lado da antiga. E o tráfico nunca esteve tão forte em Marselha, com duas novas prisões que já estão cheias. Tudo, para mim, não tem nenhuma consequência sobre o tráfico. O verdadeiro problema do tráfico hoje é que a justiça dê mais meios à polícia para fazer buscas internacionais e com pessoal suficiente para responder a uma organização muito bem organizada, que hoje tem totalmente o poder. É a polícia e a justiça que estão hoje a correr atrás dos tráficos. E com muito atraso", explicou Jorge Mendes.Para Jorge Mendes, a França está no mesmo ponto em que Itália se encontrava há uma década, dominada pelo tráfico de droga e onde os líderes deste tráfico, mesmo estando presos conseguem controlar as operações das suas organizações criminosas."Tomam contra dos negócios com os telefones dentro da cadeia. Isto permite-lhes continuar o tráfico, mesmo eles sendo presos. É claro que com os telefones, com as redes sociais e com a internet dentro da prisão, isso permite continuar a viver, a fazer o tráfico e a ganhar dinheiro. Esse comércio continua a prosperar, mesmo com as pessoas na prisão. E esta organização muito bem organizada, não quer que os seus líderes fiquem fechados sem acesso a telefones ou cumputadores. Quer continuar a ganhar dinheiro e fazer tráfico", disse ainda o advogado franco-português que trabalha em Marselha.Já Paulo Marques, autarca na cidade de Aulnay-sous-Bois, na região parisiense, considerou em entrevista à RFI que, mesmo sob ameaça dos narcotraficantes, a criação destas prisões deve avançar."Nós verificamos que nos nossos territórios há claramente tráfico de droga. Há muitos anos que isto acontece e hoje a vontade do governo e do ministro é de erradicar ou pelo menos ter sanções muito mais fortes, nomeadamente com a criação de prisões que estejam mais seguras e muito mais fechadas para os grandes traficantes de droga. E, obviamente, como eles não querem perder terreno nos nossos territórios, há esta fase de violência e intimidação contra os guardas de prisões, contra as prisões e também contra o poder local. E isso, obviamente preocupa. Mas não abdicamos. Aliás, nós aqui em Aulnay-sous-Bois estamos perto de uma prisão e a directiva dos autarcas em geral é que não se deve voltar atrás sobre esta medida. Nós sabemos muito bem que a vontade dos narcotraficantes actualmente é de poderem continuarem com os seus territórios. É uma guerra entre os narcotraficantes e o Estado francês", indicou Paulo Marques.No parque de estacionamento da prisão de Villepinte, perto de Aulnay-sous-Bois, três carros foram incendiados e dois desses carros pertenciam a funcionários da prisão. Paulo Marques considera que há muito tempo o poder local já pedia a intervenção do Estado no tráfico de droga, especialmente à volta das grandes cidades, e que neste período todas as medidas de segurança estão a ser tomadas para poupar os guardas prisionais e a população em geral."O Estado está a acompanhar activamente os guardas prisionais, com as suas famílias e, obviamente, as actuais detenções que houve nos últimos dias. E todas as medidas estão a ser tomadas, nomeadamente de reforço de segurança nas prisões, às famílias e aos agentes na sua globalidade. É óbvio que não se deve abdicar contra os criminosos. E é a ideia fulcral. É a ideia geral desta iniciativa. É erradicar os narcotraficantes que nos nossos territórios, seja aqui na região de Paris, mas também em toda a França, que são claramente muito perigosos para os nossos jovens", defendeu o autarca franco-português.Cerca de 300 polícias levaram a cabo a investigação aos ataques ás prisões e detiveram nas últimas semanas cerca de 30 pessoas. Entretanto, 21 pessoas ficaram em prisão preventiva, entre eles dois menores de idade. Estão indiciados por crimes como "tentativa de morte em grupo organizado", "degradação e destruição através de meios perigosos" e "associação criminosa para a preparação de crimes e delitos".
O Festival do Livro de Paris está de volta ao icônico espaço parisiense do Grand Palais em 2025, com a presença de 450 editoras internacionais e cerca de 1.200 autores, consolidando-se como o grande encontro literário do ano na capital francesa até domingo (13). O Brasil marca presença no evento, a principal vitrine do setor na França, com diversos autores, lançamentos, artistas, tradutores e uma programação diversificada, apoiada pelo Ministério da Cultura e a Embaixada do Brasil em Paris. Destaque na temporada cruzada Brasil-França deste ano, a abertura do estande brasileiro nesta sexta-feira (11) contou com a presença do embaixador brasileiro em Paris, Ricardo Neiva Tavares, e do diretor para o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Jéferson Assumção, entre artistas, tradutores e escritores. Em sua participação no Festival do Livro de Paris, Assumção abordou temas cruciais para o desenvolvimento do setor no país. Em entrevista à RFI, ele destacou a importância da Lei nº13.696, que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita. Segundo o representante do Ministério da Cultura, o texto traz um elemento inovador ao enfatizar o desenvolvimento da escrita como porta de entrada para o universo da leitura e como forma de estimular o interesse pela literatura."A construção do novo Plano Nacional do Livro e Leitura, voltado para o período de 2025 a 2035, está em andamento e envolve uma articulação entre políticas de cultura, educação e outras áreas do governo, além da participação ativa da sociedade. Afinal, esse plano é também um pacto coletivo pela leitura, com o objetivo de ampliar o número de leitores no país e fortalecer a economia do livro de forma descentralizada", destacou. "Bibliodiversidade"Segundo ele, "o plano valoriza a bibliodiversidade, o desenvolvimento regional, o fortalecimento de bibliotecas, editoras e circuitos literários". "Essa ideia vai além da economia — porque se trata também de uma política de cidadania e de valorização simbólica, estética e criativa. A literatura, nesse contexto, ocupa um papel central, pois estabelece conexões com outras linguagens artísticas, como o cinema, o teatro, a música e as artes visuais", ressaltou Jéferson Assumção.Parceria com a França"A França sempre foi uma parceira importante do Brasil, e essa relação histórica facilita o diálogo sobre políticas de leitura", destaca Assumção. "Recentemente, estivemos no estande do Brasil conversando com representantes do sistema de bibliotecas públicas de Paris, buscando trocar experiências e aprender mutuamente. No Brasil, o fortalecimento das bibliotecas públicas é um grande desafio, tanto em termos quantitativos — com a necessidade de abrir e reabrir unidades — quanto qualitativos", diz.Clarice LispectorA atriz Maria Fernanda Cândido, uma das atrações do estande brasileiro durante o Festival do Livro de Paris de 2025, falou sobre sua participação no evento. "Eu vou ler três textos do livro A Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector", esclareceu. "Especificamente, 'As Águas do Mundo', 'Uma História de Tanto Amor' e 'Felicidade Clandestina', que dá título ao livro", contou."Em 2024, fui convidada para transformar esse livro em um audiobook. Nós fizemos a gravação e, no início de 2025, ele foi lançado. Então, a partir de agora, tenho a honra de fazer parte da biblioteca de vozes aqui da França", comemorou a atriz brasileira.Ela também falou sobre as trocas literárias possíveis entre os dois países nesta temporada cruzada de 2025."Eu sempre percebi a França e o Brasil como culturas muito complementares. Acho que eles têm algo importante para a gente, que não temos, e nós temos algo muito importante para eles. Essa troca de olhares tem sido muito importante para ambos os países, e eu acho que esses centros de produção que a periferia acabou se tornando no Brasil são extremamente interessantes e têm muito a contribuir com a cultura e a literatura francesa", finalizou Maria Fernanda.Periferias como centros de produção"A França tem um forte interesse pelas bibliotecas, inclusive nas periferias, e discutimos como essas instituições podem se conectar com as especificidades culturais desses territórios. As periferias, cada vez mais, devem ser reconhecidas como centros de produção literária e cultural. Esse intercâmbio é fundamental para pensar políticas de leitura mais inclusivas e eficazes", conclui o representante do Ministério da Cultura do Brasil.O embaixador brasileiro em Paris, Ricardo Neiva Tavares, destacou a importância estratégica do evento para a promoção da literatura brasileira no exterior. Segundo ele, a presença do país no festival representa uma oportunidade valiosa de ampliar a divulgação de autores nacionais, tanto por meio de edições publicadas no Brasil quanto em território francês.Neiva ressaltou que a iniciativa integra uma programação mais ampla, "composta por cerca de 300 eventos culturais organizados ao longo do ano, visando intensificar os laços entre Brasil e França". “É um marco significativo nesse esforço contínuo de aproximação e de fortalecimento da cooperação entre os dois países”, afirmou.A periferia brasileira em ParisEm entrevista à RFI durante o Festival do Livro de Paris, Michele Teles, fundadora da editora BR Marginalia, apresentou sua iniciativa focada na literatura marginal e periférica afro-brasileira. A editora independente, que reside em Marselha, no sul da França, onde a editora nasceu, destacou o lançamento do primeiro livro da BR Marginalia: uma tradução de Wesley Barbosa, escritor periférico de São Paulo.“Nossa periferia, nossos quilombos e nossos povos indígenas têm muito a ensinar ao continente europeu”, afirmou Teles, destacando o valor cultural e a riqueza dos saberes produzidos fora dos grandes centros urbanos. A participação da editora no festival reforça o compromisso com uma literatura plural, diversa e conectada com as raízes do Brasil profundo, ainda segundo Nichelle Teles.Dramaturgia e literatura brasileiras em ParisPresente na abertura do festival em Paris, o ator e diretor de teatro Alan Castelo falou sobre sua participação no evento. "Os textos de teatro que apresentamos aqui na França não são apenas palavras no papel, mas obras que ganharam corpo e voz no Brasil, com temporadas e apresentações reais", explicou.A proposta, segundo ele, vai além de simplesmente mostrar os textos: também é uma oportunidade de compartilhar o histórico por trás de cada obra. "Apresentamos não só a dramaturgia, mas o contexto histórico em que ela foi criada e vivida, incluindo as montagens realizadas e os artistas envolvidos", completou.O Festival do Livro de Paris fica em cartaz no Grand Palais, na capital francesa, até o dia 13 de abril de 2025, como parte da programação cultural da temporada cruzada do Ano do Brasil na França.
Como parte dos eventos da Temporada França Brasil 2025, o artista plástico Jonathas de Andrade, natural de Maceió e baseado em Recife, expõe oito obras na Comanderia de Peyrassol, vinhedo incrustrado na Provence, no sul da França. Inspirado pela obra de Clarice Lispector, a mostra foi batizada de "A arte de não ser voraz" e abre para o público nesta terça-feira (1°). Patrícia Moribe, enviada especial da RFI, à Comanderia de PeyrassolA Comanderia de Peyrassol foi fundada pela Ordem dos Templários no século 13 e hoje é um importante vinhedo e museu ao ar livre. Obras da espetacular coleção de Phillipe Astruy se espalham pela propriedade de 850 hectares, fincada na região da Provence, a cerca de 100 km de Marselha. O artista francês Daniel Buren, por exemplo, implantou uma coluna de flâmulas coloridas ao longo de vinhas. As obras se impõem, se integram ou se camuflam pelas edificações reformadas e vegetação. Um passeio pelo bosque ou pela galeria fechada revela trabalhos de Joana Vasconcelos, César, Arman, Tinguely, Niki de Saint Phalle, Antoni Tàpies, Robert Mapplethorpe, Pol Burty e muitos outros.Jonathas de Andrade foi convidado para conceber uma exposição com algumas de suas obras emblemáticas, além de criações especiais para a ocasião. O fio condutor vem de uma obra de Clarice Lispector, “A arte de não ser voraz”. O projeto faz parte da Temporada França Brasil 2025. “A voracidade não é só uma coisa concreta, que fala da fome, mas também uma voracidade que é um impulso humano que nos leva a tantas contradições, como civilização”, explica o artista. “A voracidade é a voracidade de possuir, de dominar, de usar a natureza e os meios da natureza como se não houvesse amanhã. E hoje a gente vive um pico dessas contradições, com consequências muito fortes para a gente. ”Além de dois vídeos – “O Peixe” e “A Língua” -, Jonathas de Andrade traz um grande mapa realizado em colaboração com mulheres kayapó da aldeia Tukano, registros de uma ocupação do Movimento Sem Terra, que questiona a problemática de grandes áreas improdutivas nas mãos de poucos.Trabalhando com vários suportes, o artista também apresenta “Maré”, uma tábua de mares invadindo as ruínas de um clube abandonado, explorando o confronto entre mar e arquitetura, e o fato de o local também ter sido propício para encontros clandestinos. A escultura vem no formato de uma enorme língua nadando em sangue, que fez parte do pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza de 2022. “Foi um projeto que eu fiz com expressões populares relacionadas ao corpo e que, nessa exposição e nessa discussão de voracidade, é uma língua que não só é uma língua da comida, do devorar, mas é uma língua também de uma censura que às vezes é um fantasma que está à espreita”, explica.O vídeo “O Peixe” (2016) foi exibido na Bienal de São Paulo. Filmado em 16mm, o filme é uma alegoria para temas caros para o artista, como o homem e as tradições nordestinas, a relação com o meio ambiente, e o antagonismo e embate entre opulência e necessidade. Nele, pescadores abraçam o peixe recém-pescado, como um ato amoroso, tenso. “A câmera passeia pela cena, ela parece devorá-la também, e o pescador que abraça o peixe agonizando também é uma cena de devoração entre as espécies.O artista conta que o trabalho do etnógrafo francês Jean Rouch teve um forte impacto em sua obra. “Jean Rouch deixa o olhar da etnografia clássica, distante, científico, e passa a propor situações em que a câmera parece estar jogando junto e criando com os protagonistas dos filmes".Jonathas de Andrade aproveita a passagem pela França para uma pesquisa sobre Jean Rouch, para outro trabalho que vai expor em junho, no Jeu de Paume, em Tours, também no contexto da Temporada França Brasil 2025.“A arte de não ser voraz” fica em cartaz na Comanderia de Peyrassol, no sul da França, até 2 de novembro de 2025.
Marselha, França. Um assassino profissional, Pierre Nicoli (Marcel Bozzuffi), mata um detetive francês. Paralelamente em Nova York, Jimmy "Popeye" Doyle (Gene Hackman), um detetive da polícia, e Buddy "Cloudy" Russo (Roy Scheider), seu parceiro, investigam discretamente Salvatore "Sal" Boca (Tony Lo Bianco), um pequeno comerciante, que está tendo gastos muito acima da sua renda. Cada vez existem mais indícios que grande parte da renda de Sal é ganha ilegalmente e, no processo, é ajudado pela esposa, Angie Boca (Arlene Farber). Isto os leva a descobrir que um grande carregamento de droga está para chegar no país, assim Popeye e Buddy recebem ordens para trabalhar com os agentes federais Bill Mulderig (Bill Hickman) e Bill Klein (Sonny Grosso). Acontece que Doyle e Mulderig têm desavenças, pois uma vez os instintos de Doyle falharam, o que provocou a morte do parceiro. O cérebro da operação é Alain Charnier (Fernando Rey), que esconde 60 quilos de heroína no Lincoln Continental, um carro de luxo que pertence a Henri Devereaux (Frédéric de Pasquale), um astro de cinema que, em razão da sua fama, não deverá ser importunado quando estiver filmando em Nova York. Alain contata Sal para organizar a venda da heroína, mas Doyle vigia Sal e logo começará um jogo de gato e rato.PIX: canalfilmesegames@gmail.comSiga o Filmes e Games:Instagram: filmesegames Facebook: filmesegames Twitter: filmesegamesSpotify: https://open.spotify.com/show/5KfJKthPodcast: https://anchor.fm/fgcastIntro - 0:00The Fresh Connect - 2:05O que é "Operação França"? - 2:34Notas dos agregadores - 3:00Tirando o bode da sala - 3:41Os Culpados - 46:56Premiações - 1:00:35Bilheteria - 1:02:30Notas do Filmes e Games - 1:03:12Momento Locadora: Parte 1 - 1:07:19Comentários da comunidade - 1:12:25Momento Locadora: Parte 2 - 1:16:08Revelação do FGcast #373 - 1:46:47Links para adquirir produtos relacionados - comprando por aqui, você ajuda o Filmes e Games a ganhar uma pequena comissão (sem pagar nada a mais por isso).
Quando criança, minha convidada teve o privilégio de contar com o incentivo dos pais para praticar muitos esportes. Ginástica artística, balé, basquete e handebol foram algumas as vivências que teve até a adolescência. Optou por cursar engenharia de produção para trabalhar na metalúrgica do pai, um ex-paraquedista do exército. Foi lá que teve sua primeira experiência profissional, antes de entrar para a Bosch, multinacional alemã de engenharia e tecnologia. Foram seis anos de muito aprendizado, até que em 2014, voltou a trabalhar com pai. Nessa época ela conheceu um box de crossfit que acabara de ser inaugurado em Paulínia, cidade onde mora. Se encantou com a novidade e aos poucos passou a incorporar um novo estilo de vida. Depois de uma puxada jornada de trabalho, treinava por horas e sua evolução foi o estímulo para começar a participar de competições. A rotina regrada, dieta blindada, marmitas balanceadas, sono regulado e os ganhos pessoais obtidos nesse processo, ela passou a registrar em seu perfil no Instagram. Foi uma via de mão dupla. Quanto mais ela inspirava seus seguidores, mais foco ela encontrava para crescer e seguir firme na rotina espartana que levava. Quando a quantidade de seguidores e a consequente responsabilidade dentro do universo digital ficaram enormes, decidiu mudar radicalmente de vida. Largou a posição que ocupava na metalúrgica do pai para se tornar influenciadora digital em tempo integral. Porém, já havia decidido que iria pegar mais leve no crossfit, que estava lhe estressando de mais, para ingressar no segmento do running. O foco ela manteve e continua transmitindo uma mensagem muito positiva do esporte aliado a um estilo de vida saudável, tanto física quanto mentalmente. Conosco aqui a metódica engenheira, crossfiteira casca grossa que em 2023 foi semi finalista da Copa do Mundo, energética influenciadora digital, palestrante motivacional e agora maratonista iniciante, a campinense Bruna Ianhez Pereira Dunder. Inspire-se! SIGA e COMPARTILHE o Endörfina através do seu app preferido de podcasts. Contribua também com este projeto através do Apoia.se. A Technogym está presente com seus equipamentos em 29 centros de treinamento dos Jogos Olímpicos de Paris. Na Vila Olímpica, em localidades nos arredores de Paris, em Marselha, Lille e até no Tahiti. A marca é fornecedora do evento pelo nono ano consecutivo e essa experiência, aliada aos investimentos em tecnologia, design e inovação se refletem na criação de produtos como a Technogym Run, esteira desenvolvida para treinos personalizados de alta intensidade, que contribuem para melhorar a potência, velocidade, resistência e força. 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ELENA DANAAN & NAÇÕES ESTELARES NOTÍCIAS EPISÓDIO 30 | Simone Skavrouski YouTube Simone Skavrouski Elena Danaan é uma arqueóloga de campo que passou muitos anos trabalhando no Egito e na França. Xamã hereditária, ela também estudou espiritualidade pagã, magia e alquimia. Ela foi treinada e ordenada como druida. Contatada extraterrestre desde a infância, Elena Danaan tornou-se emissária da Federação Galáctica dos Mundos. Seus best-sellers mundiais "A Gift From The Stars", "We Will Never Let You Down" e "The Seeders" marcaram nossos tempos e inspiraram milhões de pessoas. Nascida em Marselha, sul da França, filha de pai grego (o jogador de futebol profissional Adonis "Tony" Zacharias) e de mãe franco-gotelandesa (Christiane Pallu-Danaan), Elena cresceu como uma criança muito psíquica, estranha ao seu ambiente. Talentosa em todos os tipos de expressões artísticas, altamente intuitiva e dotada de capacidades extra-sensoriais, ela sabia desde o início que não se enquadrava numa sociedade crítica e tacanha. Muito cedo, Elena começou a devorar livros sobre ciências e paranormalidade, apesar do bullying de seus colegas de escola. Ela sempre soube que não era daqui.Elena sempre foi atraída pelas estrelas, passando horas olhando para o céu em busca de um lar. Ela desenvolveu uma paixão pela Astrofísica e pelas ciências, numa busca pessoal pela verdade.Elena Herdou duas fortes linhagens de sua mãe biológica: a linhagem real Madalena de seu avô francês e a linha Saami-Nórdica de sua avó gotlandesa, Marie Danaan, de quem ela mudou seu nome após a morte de seu pai, tornando-se legalmente Elena Danaan para abraçar esta herança genética como um caminho espiritual. Elena foi treinada desde tenra idade para o trabalho energético e adivinhação por meio de Tarôs e Runas. Este treinamento foi ministrado por sua avó, Marie Danaan, verdadeira vidente e xamanka "Vølve" .Este apelido, "Danaan", dado pela sua avó materna, tal como era suportado pelas mulheres sábias da linhagem Gotland da sua família, provém da mítica ilha no meio do Mar Báltico, Gotland. Dizia-se que era povoado por uma raça mágica de seres, que deu aos Tuatha De Dannan as ferramentas encantadas para lutar contra os Escuros. É daí que vem a herança xamânica de Elena, explicando sua habilidade natural de viajar com segurança e facilidade através de dimensões e reinos de Consciência.Esta herança de viajante interdimensional não veio apenas de seus ancestrais Xamãs Gotlandeses, mas também do povo das estrelas. Na verdade, a avó de Elena, Marie, foi levada a bordo de um navio do Conselho dos Cinco quando era jovem, onde foi inseminada com o material genético de um ser chamado Annax, um dos Cinco que representa a raça Egaroth de Alnilam. O objetivo deste projeto era criar o recipiente certo, adequado para a alma específica que estava por vir. Ainda não era hora de Elena nascer, pois o mundo não estava preparado para a missão que ela precisava cumprir. Assim, o fruto da união dos Tuatha de Dannan e das linhagens reais Egaroth foi depositado no ventre da filha de Marie: a mãe de Elena. Esta é a razão pela qual Elena chama Annax de seu “Pai Estrela”.
Neste episódio falamos sobre os jogos frente a Farense e Marselha. Participações de Nuno Picado, Filipe Teixeira e Flávio Melo.
A eliminação do Benfica em Marselha; Villas Boas apresenta nomes e a antevisão da jornada da Liga.
Rescaldo do encontro referente à segunda mão dos 1/4 final da Liga Europa frente ao Marselha. Com participação de Nuno Picado, João Nuno e Sérgio Engrácia. ----------- Site ▶ https://www.benficaindependente.com Loja Benfica Independente ▶ https://www.benficaindependente.com/loja Patreon ▶ https://www.patreon.com/slbindependente ----------- #BENFICA #benficaindependente #OMSLB
Neste episódio falamos sobre as vitórias frente a Moreirense e Marselha. Participações de Nuno Picado, Filipe Teixeira e um convidado surpresa. Temas: 00:00 - Introdução 00:18 - Início 04:26 - Benfica x Moreirense (3-0) 51:30 - MVP Benfica x Moreirense (3-0) 01:01:51 - Arbitragem Benfica x Moreirense (3-0) 01:10:03 - Contas do campeonato 01:16:26 - Benfica x Marselha (2-1) 01:55:51 - MVP Benfica x Marselha (2-1) 02:00:18 - Outros destaques 02:02:05 - Despedidas
Em mais um programa em directo da Rádio Barcelos, os nossos paineleiros foram unânimes: com 7 pontos de vantagem para o 2º lugar, só o Sporting é que pode perder este campeonato! Já a luta pelo 3º lugar está ao rubro: Porto, Braga e Vitória têm calendários complicados até ao fim e estão separados apenas por 2 pontos! Com um Dragão que tarda a endireitar, um Braga em transição de treinadores e um Vitória em grande forma, quem é afinal o favorito ao último lugar do pódio? O Benfica poupou na Liga a pensar no Marselha, que vem de 5 derrotas seguidas mas descansou este fim de semana. Num Vélodrome que deverá estar a fervilhar com a paixão (e a pressão!) dos marselheses, sedentos por uma vitória, será que a Águia passa ou deixa-se apanhar? Relaxem, sentem-se e juntem-se a mais uma sessão de futebol e outras coisas.
Benfica vence Marselha 2-1; Jesus conquista Supertaça e antevisão do Gil Vicente - Sporting.
Rescaldo do encontro referente à primeira mão dos 1/4 final da Liga Europa frente ao Marselha. Com participação de João Nuno e Sérgio Engrácia. ----------- Site ▶ https://www.benficaindependente.com Loja Benfica Independente ▶ https://www.benficaindependente.com/loja Patreon ▶ https://www.patreon.com/slbindependente ----------- #BENFICA #benficaindependente #SLBOM
O mais mais bonito e tocante na noite de futebol entre as equipas do Benfica e do Marselha, desta quinta-feira, a contar para a primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa aconteceu ao intervalo. Envolveu Sven-Goran Eriksson e a homenagem que o Benfica lhe fez em pleno relvado da Luz, a meio de uma noite europeia. O sueco foi, no começo dos anos 80, um dos treinadores mais marcantes da história do Benfica, ele revolucionou métodos e mentalidades, e os adeptos mostraram nesta hora dramática como gostam dele.
Antevisão ao encontro referente da primeira mão da eliminatória da Liga Europa frente ao Marselha. Com participação de João Nuno e Sérgio Engrácia. ----------- Site ▶ https://www.benficaindependente.com Loja Benfica Independente ▶ https://www.benficaindependente.com/loja Patreon ▶ https://www.patreon.com/slbindependente ----------- #BENFICA #benficaindependente #SLBOM
Annie Dine | XPAND: Elena Danaan - Entrevista Internacional legendada Demis Viana e convidados conversam sobre a transição planetária e o novos paradigmas de 5ª densidade Elena Danaan é uma arqueóloga de campo que passou muitos anos trabalhando no Egito e na França. Xamã hereditária, ela também estudou espiritualidade pagã, magia e alquimia. Ela foi treinada e ordenada como druida. Contatada extraterrestre desde a infância, Elena Danaan tornou-se emissária da Federação Galáctica dos Mundos. Seus best-sellers mundiais "A Gift From The Stars", "We Will Never Let You Down" e "The Seeders" marcaram nossos tempos e inspiraram milhões de pessoas. Nascida em Marselha, sul da França, filha de pai grego (o jogador de futebol profissional Adonis "Tony" Zacharias) e de mãe franco-gotelandesa (Christiane Pallu-Danaan), Elena cresceu como uma criança muito psíquica, estranha ao seu ambiente. Talentosa em todos os tipos de expressões artísticas, altamente intuitiva e dotada de capacidades extra-sensoriais, ela sabia desde o início que não se enquadrava numa sociedade crítica e tacanha. Muito cedo, Elena começou a devorar livros sobre ciências e paranormalidade, apesar do bullying de seus colegas de escola. Ela sempre soube que não era daqui.Elena sempre foi atraída pelas estrelas, passando horas olhando para o céu em busca de um lar. Ela desenvolveu uma paixão pela Astrofísica e pelas ciências, numa busca pessoal pela verdade.Elena Herdou duas fortes linhagens de sua mãe biológica: linhagem real Madalena de seu avô francês e linhagem Saami-Nórdica de sua avó gotlandesa, Marie Danaan, de quem ela mudou seu nome após a morte de seu pai, tornando-se legalmente Elena Danaan para abraçar esta herança genética como um caminho espiritual. Elena foi treinada desde tenra idade para o trabalho energético e adivinhação por meio de Tarôs e Runas. Este treinamento foi ministrado por sua avó, Marie Danaan, verdadeira vidente e xamanka "Vølve" .Este apelido, "Danaan", dado pela sua avó materna, tal como era suportado pelas mulheres sábias da linhagem Gotland da sua família, provém da mítica ilha no meio do Mar Báltico, Gotland. Dizia-se que era povoado por uma raça mágica de seres, que deu aos Tuatha De Dannan as ferramentas encantadas para lutar contra os Escuros. É daí que vem a herança xamânica de Elena, explicando sua habilidade natural de viajar com segurança e facilidade através de dimensões e reinos de Consciência. Esta herança de viajante interdimensional não veio apenas de seus ancestrais Xamãs Gotlandeses, mas também do povo das estrelas. Na verdade, a avó de Elena, Marie, foi levada a bordo de um navio do Conselho dos Cinco quando era jovem, onde foi inseminada com o material genético de um ser chamado Annax, um dos Cinco que representa a raça Egaroth de Alnilam. O objetivo deste projeto era criar o recipiente certo, adequado para a alma específica que estava por vir. Ainda não era hora de Elena nascer, pois o mundo não estava preparado para a missão que ela precisava cumprir. Assim, o fruto da união dos Tuatha de Dannan e das linhagens reais Egaroth foi depositado no ventre da filha de Marie: a mãe de Elena. Esta é a razão pela qual Elena chama Annax de seu “Pai Estrela”.
Talvez você nunca tenha pensado em visitar Marselha, cidade mais antiga da França. Pois nós também não e caímos aqui meio de paraquedas. Pois foi uma enorme surpresa. Uma cidade linda, cheia de charme, jovem, animada e com praias.
Bahia Bakari foi a única sobrevivente de uma queda de avião que vitimou os outros 152 passageiros. Sem saber nadar e sem colete salva-vidas. Nasceu em 1996, na comuna de Évry, na França, a mais velha de quatro irmãos, filha de um zelador e uma dona de casa. Em 2009, aos 12 anos, sua mãe decidiu levá-la a Comores para conhecer alguns membros da família que ficaram lá. O voo partiu de Paris, fez uma escala em Marselha e seguiu para o Iêmen, a partir de onde mãe e filha embarcaram no voo Yemenia 626 para chegar até Comores. A poucos minutos da aterrissagem, a aeronave passou a perder altitude subitamente, até se chocar contra o oceano. O avião se despedaçou no impacto, e Bahia Bakari foi arremessada de sua poltrona. Acordou enquanto se afogava no mar revolto, perdida no oceano entre os destroços. Bakari conta que, na noite em que ficou à deriva, conseguia ouvir os lamentos de outros sobreviventes, mas que os sons foram diminuindo com o passar do tempo. Sem saber nadar e sem colete salva-vidas, Bahia Bakari se agarrou a um pedaço de fuselagem que boiava; quando amanheceu, percebeu que estava sozinha no meio do mar, flutuando há horas sem água nem comida. Como o governo de Comores não tem embarcações próprias, barcos privados de civis fizeram-se ao mar para procurar sobreviventes; foi uma dessas embarcações que, mais de nove horas após o acidente, a encontrou. A garota foi levada a um hospital local e, no dia seguinte, voou até a França para reencontrar sua família; foi só então que ela descobriu que todos os outros 152 passageiros do voo, inclusive sua mãe, tinham morrido. Bahia Bakari passou três semanas internada para se recuperar dos ferimentos do acidente. Bakari foi apelidada pela imprensa de “a menina milagrosa”, e em 2010 publicou um livro sobre sua experiência, escrito com o auxílio de um jornalista, intitulado “Moi Bahia, la miraculée” (“Eu Bahia, a milagrosa”). Steven Spielberg teria tentado comprar os direitos do livro para produzir um filme sobre Bahia Bakari, mas a menina teria recusado.
Para além dos clichês que já transformaram os ratos de Paris até em estrelas de cinema, a prefeitura da capital francesa abriu um comitê de trabalho para avaliar como a cidade pode “coabitar” com os roedores – sem, necessariamente, exterminá-los. O governo municipal acatou uma demanda antiga de protetores de animais, que pedem que outras alternativas sejam adotadas antes da solução fatal. Nos metrôs, nas calçadas, nos parques e jardins, mas por vezes até sob a mesa em um restaurante: os ratos e camundongos fazem parte do cotidiano de Paris, principalmente nos bairros mais frequentados pelo turismo de massa, como Montmarte, Notre-Dame ou Torre Eiffel. Onde há gente, há comida, ao ponto que os roedores não temem mais sair à luz do dia em busca dos restos de alimentos deixados pelos humanos nas lixeiras ou em plena rua. Aos milhares, eles trocaram os esgotos por tocas abertas nos jardins parisienses, onde ficam mais próximos de fontes de alimentação. Os estudos sobre a população do animal são inconclusivos, mas a Academia Nacional de Medicina aponta que haveria entre 1,5 e 1,75 rato para cada humano residente na cidade, um índice semelhante ao encontrado em qualquer grande metrópole mundial, como Nova York ou Londres, ou até dentro da própria França, a exemplo de Marselha. Nos últimos anos, porém, vereadores parisienses da direita e subprefeitos de alguns distritos denunciam que Paris permitiu a proliferação dos roedores e que nunca houve tantos circulando, inclusive de dia, como hoje. Moradores chegam a organizar grupos voluntários para instalar ratoeiras nas saídas das tocas ou gelo seco, CO2 concentrado que asfixia os animais durante o sono. Em uma reunião no começo de junho, o subprefeito do 17º distrito, Geoffroy Boulard, cobrou da prefeita socialista Anne Hidalgo “um plano mais ambicioso contra a proliferação dos ratos”. A secretária municipal de Saúde, a ecologista Anne Souyris, respondeu que “a questão da coabitação está colocada”. “O principal desafio é limitar a reprodução dos ratos e a quantidade deles. Depois, o que devemos fazer quando há ratos em lugares específicos e que nos incomodam, como nas casas, nos comércios ou restaurantes. Mas nos espaços urbanos, como parques e jardins, nós avaliamos que não é muito grave”, disse Amandine Sanvisens, presidente a organização protetora Paris Animaux Zoopolis, que vai participar das discussões. “Devemos aceitar o fato de que há animais numa cidade: assim como as pombas, tem os ratos”, avalia.Morte depois de quatro dias de sofrimentoAs soluções de controle adotadas até agora incluem lixeiras fechadas – mas que só representam 10% do total – e ratoeiras químicas espalhadas pelos locais mais críticos. O veneno utilizado, um anticoagulante que provoca hemorragias internas e mata o animal em quatro dias, é criticado por organizações como Paris Animaux Zoopolis tanto pela crueldade, quanto pela ineficiência. “Nós temos animais que podem incomodar os humanos e por causa disso, nós fazemos eles sofrerem e os matamos em massa. E quando mortes assim acontecem, a reação é que eles se reproduzem ainda mais”, comenta Sanvisens. “Temos solução para coabitarmos juntos para que, de um lado, a gente não fique incomodado e, de outro, eles não sofram. Nós não queremos que ninguém tenha que viver com os ratos, mas queremos que uma reflexão seja colocada sobre as políticas públicas atuais, porque elas não funcionam.”A associação espera que a França utilize contraceptivos orais para os ratos, a exemplo dos que são usados para controlar as populações de pombas. Washington já experimenta um produto, cuja eficácia ainda não foi comprovada. Risco sanitário seria limitado, alega prefeituraQuanto aos riscos sanitários, a secretária municipal da Saúde argumentou que a presença visível dos roedores não representaria “um problema de saúde pública”. Souyris alegou que as contaminações por leptospirose, doença mortal transmitida pela mordida de ratos ou pelo contato com a urina contaminada, seriam limitadas e atingiriam sobretudo os coletores de lixo. Os profissionais, ressaltou, “podem tomar vacina” contra a infecção. “Mesmo assim”, frisou a secretaria, “não devemos deixar os ratos passeando na cidade”, afinal quanto maior o número de animais, mais elevado é o risco de transmissão de um total de sete doenças que eles podem passar para os humanos – incluindo ainda salmonela, gastroenterite e febre hemorrágica. Amandine Sanvisens, da ONGs francesa, afirma que a simples melhora da limpeza urbana e dos horários de passagens dos caminhões de lixo, antes do cair da noite, já seriam suficientes para reduzir a presença dos roedores nas ruas. “No Ocidente, nós temos claramente um problema cultural com os ratos. Na história, guardamos a imagem de que eles nos transmitiram a peste etc. Em outras sociedades, porém, pode ser bem diferente”, observa a ativista. “Na Índia, alguns ratos são adorados, como no templo de Deshnok. E mesmo aqui, quando nós fazemos manifestações e distribuímos folhetos de sensibilização, constatamos que as pessoas não querem a presença de ratos, mas também preferiam que eles não tivessem que sofrer.”
A União Europeia passou as últimas décadas a desenvolver uma rede de infraestruturas para permitir que, seja de que fronteira for, consegue importar, armazenar e transportar gás e petróleo e tê-lo à disposição dos Estados-membros e vizinhos. Até ao segundo semestre de 2021, a Federação Russa era responsável pelo abastecimento de cerca de metade do gás consumido nos 27. Mas a invasão da Ucrânia levou a Comissão Europeia a lançar o programa “REPowerEU”, destinado a - cito - “reduzir com celeridade a dependência dos combustíveis fósseis russos e avançar rapidamente com a transição ecológica”. Uma das metas era reduzir o consumo de gás natural em 15% entre agosto de 2022 e março de 2023, quando comparado com a média de consumo dos 5 anos anteriores.O Eurostat, o serviço de estatística da União Europeia, anunciou em meados de abril passado que o objetivo não só foi conseguido, como ultrapassado: a redução de consumo foi de 17.7%. Embora estes números sejam animadores, numa perspetiva de transição para energias não fósseis, o certo é que o REPowerEU prevê que uma enorme quantidade de dinheiro público seja ainda investido em combustíveis fósseis. Só em gás estão estimadas obras de 10 mil milhões de euros até 2030. Vão construir-se mais terminais de importação e exportação, gasodutos, unidades de armazenamento e regaseificação e haverá ainda apoios a novas infraestruturas para hidrogénio renovável. Alguns destes projetos já estavam em curso mas outros estavam mortos e enterrados e ganharam nova pujança. Vais ouvir falar de um deles neste quarto e último episódio: o gasoduto Celorico da Beira-Vale de Frades (em Bragança). Quando em 2019 publicámos Dá-lhe Gás, esta obra da REN Gasodutos, que seria a terceira ligação internacional com Espanha, tinha obtido um parecer desfavorável da Agência Portuguesa do Ambiente. Estava chumbada e sem viabilidade comercial. Mas com a invasão russa da Ucrânia, tudo mudou. O chamado H2med - Corredor de Energia Verde - quer unir Portugal, Espanha e França à rede energética da União Europeia e tem - para já - um custo anunciado de 2,85 mil milhões de euros. Supostamente, a ideia é a de que este corredor transporte hidrogénio e outros gases renováveis ainda que a infraestrutura também esteja a ser preparada e pensada para o transporte de gás fóssil. Assim, renasceu das cinzas o gasoduto Celorico da Beira-Vale de Frades, que há-de encontrar-se com a rede de gás espanhola em Zamora, e unir-se à europeia quando se construir outra obra mais complexa: o gasoduto submarino entre Barcelona e Marselha. Tudo planeado para estar em funcionamento em 2030. Embora António Costa, primeiro-ministro, tenha garantido em outubro de 2022, que um novo traçado do gasoduto portugues já estava em avaliação ambiental, não há nenhum procedimento de avaliação ambiental consultável no site da Agência Portuguesa do Ambiente, nem foi aberta qualquer consulta pública sobre o mesmo. Pequena nota: não te esqueças de que alguns dados que vais ouvir neste quarto episódio estão desatualizados. Segunda pequena nota: lembra-te de colocar auscultadores ou auriculares para aproveitares da melhor forma este capítulo final. Um abraço. Ajuda-nos a ser a primeira redação profissional de jornalismo em Portugal totalmente financiado pelas pessoas: https://fumaca.pt/contribuir/?utm_source=podcast+appSee omnystudio.com/listener for privacy information.
A vitória do Porto em Leverkusen, a derrota do Sporting com o Marselha e a antevisão do Braga na Liga Europa.
Vamos analisar a vitória do Sporting nos Açores para a Liga Portuguesa, fazer a antevisão do jogo em Alvalade diante do Marselha para a Liga dos Campeões e ainda o resumo das modalidades Leoninas.
O empate do Benfica contra o PSG; a vitória do Porto contra o Leverkusen e a derrota do Sporitng em Marselha.
Vamos analisar a vitória do Sporting diante do Gil Vicente, fazer a antevisão da deslocação do Sporting a França para o jogo da Liga dos Campeões diante do Marseille e a análise ao fim de semana desportivo das modalidades Leoninas pelo Tigas
A França, entre 82 e 86, montou um timaço-aço, dono de futebol atraente e muito técnico. Platini, Tigana, Giresse, Amoros, Fernandez, um quadrado mágico, uma derrota pesadíssima em Sevilla, a Batalha de Marselha em 84, a saga mexicana em 86 e uma geração que até hoje mexe fundo no coração francês.