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Enterrados no Jardim
Malcriados, malnascidos, estrangeiros e apátridas. Uma conversa com Diogo Nóbrega

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later May 22, 2026 279:08


“Também Diane Arbus nos deu, na sua fotografia,/ da loucura não o refúgio (o asilo) mas a corrida/ (atrevida) – ou o passo de dança (Disse, Dança?)./ ‘Pass through the fire to the light', de novo L. Reed.” Isto é uma costela dessas que arrancamos para palitar a boca que gostaríamos de refazer a cada par de meses, dominados por um assombro que nos leve a um tal grau de estranheza que não tenhamos notícias nenhumas de quem costumávamos ser. Lemos a poesia para cair longe, para desaparecermos, sermos desses que se dão como perdidos. E a tal costela, neste caso, arrancada de um poema de Fernando Guerreiro, segue-se a um desses começos tão auspiciosos por estarem lançados no meio da maior confusão, nessa sua alteração interminável do estilo, uma alegria de ter por objecto o acidente, de viver variado, ir sabendo de si como de algo extraviado, assim, um ser disponível ao trespasse, fantasma de outros, fora dos eixos da sua biografia, abrindo-se a uma temporalidade mais vasta, inquietante… E o tal poema, esse belo estafermo, arranca assim: “Nada de obras completas – apenas champanhe, na primavera e um romance./ Por vezes esquecemo-nos de como morrer é simples –/ de sopro, no coração ou mesmo de cancro./ Num poema de Lou Reed todas as arritmias do espírito/ seriam resolvidas no aneurisma fluido do ritmo.” E aqui vemos Kafka passar ao fundo, aditando uma brevíssima explicação dos seus modos tão esquivos: “Evito as pessoas não porque quero viver sossegadamente, mas sim porque quero morrer sossegadamente.” É um abandono próprio de quem nunca, na verdade, teve qualquer margem de recuo na existência, e entendeu que pelo menos tinha direito a uma morte que não desse espectáculo, que não viesse a servir de gala a larvas e moscas. Afinal, o abandono é a morada que resta àqueles que nunca conheceram neste mundo uma condição propriamente doméstica. Cícero recordava aqui há um bocado um belo dito de Anaxágoras… “este filósofo agonizava em Lâmpsaco e os seus amigos perguntaram-lhe se ele queria, caso acontecesse uma desgraça, que o transportassem para Clazómenas, a sua pátria: ‘É absolutamente inútil', disse Anaxágoras, ‘de onde quer que se parta para os Infernos, o caminho é o mesmo.' Mas voltemos à fotografia de Diane Arbus e ao poema de Guerreiro: “talvez seja isso a loucura/ um Haloween dos subúrbios – uma ronda dos espíritos/ em que cada um entra, antes de regressar ao seu túmulo,/ para ensaiar (invertido no seu negativo) uma contra-dança./ Todos juntos, a máscara é ao mesmo tempo o que une e distingue – a bata: o impulso da forma, por onde a carne s'adelgaça – e o corpo, avança.” De algum modo esta é uma sensação comum, a de que este tempo como está só nos oferece um adeus intencionalmente arrastado em duração, a urgência de fazer um tempo contra o mundo, cada um arrastando as correntes para se manter acordado, deixando um rasto húmido e negro, como lesma ulcerosa e maldita. E assim acaba o mundo, não como uma coisa realmente tenebrosa, mas como algo que se faz esperar, ao ponto de alguns se queixarem de até nessa última hora estarmos sujeitos aos atrasos, a ficar na fila que não avança. “Mas esta porra não anda?”, resmunga alguém. Llansol diz que teve conhecimento não sabe onde de rituais primitivos de enterro em que se esvaziava a cavidade ventral de todas as vísceras do morto e aí se depositavam bilhetes com votos escritos… Talvez um ritual desses pudesse devolver algum impulso ao que se escreve, e, por mais que frágeis, nesse bafio doce daquilo que se usa para rechear o morto, talvez isso despertasse uma outra urgência dos vivos para com a vida. Seria um esforço a favor de uma persistência menos ordinária, e isto num momento em que aquilo a que por estes dias se usa tomar como uma atitude culta não é mais que uma disposição para sacralizar disparates, para se entregar a esses tributos que a estupidez presta ao orgulho. Os autores morrem cheios de tesão. Alguém os convenceu de que algo subsistirá dos seus espíritos, e andam por aí convencidos de que essa vergonha de serem inteiramente devassados pela fome da terra, não só pelos nossos corpos, mas por todos os sinais da nossa existência, a eles não poderá roer tudo, uma vez que lhe vão impondo um certo limite. Leram em Steiner que leu em Baruck de Mezbizh… “Quando uma palavra é pronunciada em nome do seu autor, os lábios deste movem-se dentro do túmulo. E os lábios de quem profere a palavra movem-se do mesmo modo que os do Mestre já morto.” É fácil detectar essa gravidade dos que falam com a confiança de que alguém fará deles mestres num porvir de dar à corda, mas a subtileza dos espíritos, toda essa delicadeza dos que desejam repetir-se pela eternidade fora, é precisamente aquilo que mais nos cansa, quando começamos a suspeitar que o verdadeiro génio é a coisa menos talentosa que há. Não está dotado de um dom, mas da sua ausência, de uma maldição, de um sentido dilacerante do tempo, de uma ânsia de explorar a cada momento essas zonas que mais resistem, de mergulhar no interdito, aquilo “que não se deixa dizer e que, justamente nessa medida, é preciso, de cada vez, tentar dizer” (Diogo Nóbrega). O que tem faltado já nem é tanto uma razão, mas a veemência de quem constrói o seu desacordo deixando-se queimar para ver as coisas a uma outra luz, esses seres que se entregam à profundidade vazia, e alcançam o que lhes é exterior, o fora, o Outro, uma força de dar vida a personagens precisamente porque não se insistiu mais em si, no mesmo. William Hazlitt não tem dúvidas de que Shakespeare era um espírito sem educação, tanto na frescura da sua argumentação como na variedade das perspectivas. “Shakespeare não fora acostumado a escrever redacções na escola a favor da virtude ou contra o vício. A isto devemos o tom desinteressado, mas salutar, da sua moralidade dramática.” Neste episódio, alguém que costuma ouvir assiduamente o podcast, quis apontar a alguns aspectos que lhe foram ficando deste esforço excessivo para erguer por cá um mau caminho. Com um balanço tremendo em leituras recomplicadas, densas, e uma estupenda capacidade para aceitar os convites e ciladas que trama aquela potência do falso, Diogo Nóbrega veio também partilhar um percurso memorioso de vorazes leituras, e uma compreensão arguta de alguns dos nós em que vimos esbarrando e que se mostram tão difíceis de desatar.

Elektroauto News: Podcast über Elektromobilität
Was bremst E-Transporter im Handwerk? Hier gibt's die Antwort

Elektroauto News: Podcast über Elektromobilität

Play Episode Listen Later Mar 29, 2026 23:05


In dieser Podcast-Folge geht es um ein Thema, das in der Diskussion rund um Elektromobilität oft zu kurz kommt: E-Transporter im Handwerk. Während batterieelektrische Pkw längst zum Straßenbild gehören, verläuft die Umstellung im gewerblichen Bereich deutlich langsamer. Gemeinsam mit Tim Bittorf, Gebietsverkauf Transporter & Vans für Mercedes-Benz im Raum Hannover, ordne ich ein, woran das liegt – und warum die Technik häufig weiter ist als die Strukturen in den Betrieben. Ein zentrales Ergebnis des Gesprächs: Die Alltagstauglichkeit moderner E-Transporter ist in vielen Fällen längst gegeben. Viele Handwerksbetriebe legen zwischen 10.000 und 20.000 Kilometer pro Jahr zurück. Selbst bei konservativer Betrachtung der Reichweite sind damit Jahreslaufleistungen möglich, die den realen Bedarf deutlich abdecken. Modelle wie eVito, eSprinter oder EQV zeigen, dass Reichweite und Ladeleistung heute kein grundsätzliches Ausschlusskriterium mehr sind. Trotzdem bleibt die Zurückhaltung spürbar. Der Grund liegt weniger in der Fahrzeugtechnik, sondern im betrieblichen Umfeld. Ladeinfrastruktur, Zugang zu Wallboxen, Photovoltaik-Anlagen oder zentrale Ladehubs spielen eine entscheidende Rolle. Gerade im klassischen Handwerksbetrieb mit mehreren Mitarbeitenden stellt sich die Frage: Wer lädt wo? Und wie lässt sich das organisatorisch abbilden? Hinzu kommen rechtliche Aspekte wie 4,25-Tonnen-Zulassungen, Tempolimits oder Mautregelungen, die im Beratungsprozess berücksichtigt werden müssen. Ein weiterer Schwerpunkt der Folge ist die Wirtschaftlichkeit. Über die Vollkostenrechnung – inklusive Steuerbefreiung, THG-Quote und Betriebskosten – lassen sich elektrische Transporter sachlich bewerten. Gleichzeitig steigt der Beratungsaufwand im Vertrieb, da Elektromobilität erklärungsintensiver ist als ein klassischer Diesel. Auch die Rolle von Software und Vernetzung wird beleuchtet. Intelligente Navigationssysteme, Restreichweiten-Prognosen, Anzeige freier Ladesäulen und Ladeplanung mit Sicherheitspuffer erhöhen die Planungssicherheit im Alltag. Mit neuen, von Grund auf elektrisch entwickelten Plattformen wie dem kommenden VLE dürfte sich dieser Vorteil weiter verstärken. Die Folge bietet eine fundierte Einordnung für Handwerksbetriebe, Flottenverantwortliche und alle, die sich mit elektrischen Transportern, Ladeinfrastruktur und der Transformation gewerblicher Mobilität beschäftigen.

Chutando a Escada
Ecologia da mente e extrema-direita

Chutando a Escada

Play Episode Listen Later Mar 26, 2026 70:01


O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.

RFM - Ninguém POD comigo
Evito ao máximo contacto social | Ep. 316

RFM - Ninguém POD comigo

Play Episode Listen Later Mar 16, 2026 7:31


A Pipoca Mais Doce acredita que não há necessidade de beijar pessoas como forma de dizer olá. O aperto de mão também não está a valer porque corremos o risco de apanhar uma mão mole do outro lado.

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas
Vera Iaconelli (parte 2): “Não sei disputar. Não me interessa a competição. Destaco-me no que faço, mas quero é pertencer. Evito quem atua na inveja. Então faço uma seleção radical, e até sofrida”

Expresso - A Beleza das Pequenas Coisas

Play Episode Listen Later Mar 14, 2026 55:20


Ouça aqui a segunda parte da conversa com a psicanalista e escritora brasileira Vera Iaconelli, que aqui revela como está a ser para si a chegada dos 60 anos, na pós-menopausa. E como a idade a tem libertado mais nos desejos e no crescente prazer de escrever a partir da sua experiência pessoal, com a lente da psicanálise. E, apesar da imagem pública de ‘super mulher’, dá conta de alguns fracassos e fragilidades que fazem dela uma mulher autêntica, bem resolvida, sem querer ser quem não é. Vera reflete ainda sobre os extremismos que ocupam mais lugar no poder e a nova vaga de machismo e de violência de género no Brasil e no mundo, e o que espera do futuro, da sociedade e dos poderes. E ainda partilha as músicas que a acompanham e deixa várias sugestões culturais. Boas escutas! Músicas: "O que será à flor da pele" - Milton Nascimento/Chico Buarque "Só tinha de ser com você"- Elis e Tom Jobim "Its a long way" - Caetano Veloso - Transa "Love is Blindness", Jack White Livros: “O olho mais azul” Toni Morrison; “Paixão segundo GH” Clarice Lispector; “Os sertões” Euclides da Cunha. Filmes: “Valor sentimental”, Joaquim Trier; “Ainda estou aqui”, Walter Salles; “Mães jovens” dos irmãos Dardenne Podcast “Isso não é uma sessão de análise”, com Vera Iaconelli Série Succession (HBO - 4 temporadas) See omnystudio.com/listener for privacy information.

Bom dia, Obvious
fissuras #1: ruminando, com Marcela Ceribelli

Bom dia, Obvious

Play Episode Listen Later Feb 9, 2026 21:05


São quatro da manhã e meu corpo obedece à chamada da minha mente como um médico atende uma chamada de emergência. Levanto para ir ao banheiro, me enganando a ponto de acreditar que estou desperta apenas por necessidades fisiológicas. Evito acender a luz para que o corpo não ache que é dia, esquecendo que é minha mente que está no comando e, para ela, está na hora de despertar e ruminar.Deito a cabeça, tento encontrar algum conforto e tudo que encontro são pensamentos repetitivos: Por que eu aceitei? Por que eu não disse como aquilo me fazia sentir? Como essa pessoa teve coragem de me perguntar isso? Como vou lidar com a culpa das consequências de ter dito sim enquanto eu queria dizer não? A culpa é um estado feito para oprimir, pra nos manter sob controle. E eu me sinto totalmente controlada. Eu sou a Marcela Ceribelli. Esse é o primeiro episódio de Fissuras, um novo quadro do Bom Dia, Obvious em que eu pego aquilo que me persegue — um livro, uma música, uma cena — e tento transformar em linguagem antes que vire sintoma. A fissura de hoje é: seria a ruminação o custo corporal dos nossos consentimentos vazios?Espero que as minhas fissuras se deem bem com as suas.⁠⁠Para conteúdos exclusivos do Bom dia, Obvious, assine a newsletter da Obvious⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Nos acompanhe também: Marcela Ceribelli no Instagram: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@marcelaceribelli⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram da Obvious: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@obvious.cc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠TikTok da Obvious: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@obvious.cc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Chapadinhas de Endorfina: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@chapadinhasdeendorfina⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Ouça também, outros podcasts da Obvious:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Podcast Chapadinhas de Endorfina.doc⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Podcast Academia do Prazer⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Livros da Marcela Ceribelli:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Sintomas — e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Aurora: O despertar da mulher exausta⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Livros da Valeska Zanello: clique aquiOuça também:Novo álbum da Lily Alen: West End Girl

La Vida Biloba de la Dra. Nuria Lorite
Cómo evito ardor de estómago, dolor, gastritis, consejos | Dra. Nuria Lorite Ayan

La Vida Biloba de la Dra. Nuria Lorite

Play Episode Listen Later Nov 30, 2025 19:56


LVB 452: Un/a bilobero/a se toma tiempo para digerir eventos difíciles. ➡️ En La Vida Biloba hoy damos respuesta a VUESTRAS CONSULTAS sobre cómo cuidar del ESTÓMAGO. Exponemos factores físicos, mentales, emocionales, alimentarios… que pueden modificar el bienestar del estómago y provocarnos molestias, leves o intensas y muy fastidiosas. Si a ti te molesta el estómago, sea de modo puntual o más prolongado por épocas o en circunstancias concretas de la vida… Este episodio es para ti. ** Los productos complementos nutricionales que mencionamos son PAPAYAX, TRANSFERINE, GREEN, BIOMIC… de la marca Master Life, los puedes encontrar en www.biloba.es/tienda Si tienes alguna duda o pregunta, escríbenos. Tienes info especial al final de esta descripción. ¿Te ha servido? Apóyanos con un Like, Suscripción y Difusión Síguenos en redes: Instagram: @nurialoriteayan YouTube: www.youtube.com/nurialoriteayan Encuentra La Vida Biloba en las principales plataformas desde www.lavidabiloba.com LA VIDA BILOBA SE REALIZA GRACIAS A A ti, por apoyarnos con tu aportación en www.paypal.me/lavidabiloba ‍⚕️ Master Life: Suplementos para tu bienestar integral. Biloba: Formación, consultas y productos naturales. Biloba Ediciones: Te ayudamos con tu texto de salud y bienestar. Contamos con consultas gratuitas y programas de formación. ¡Contáctanos! ✨ ¡A vuestra salud y alegría, biloberas! Deja tu comentario Dra. Nuria Lorite-Ayán Directora y Presentadora | www.lavidabiloba.com | WhatsApp: +34 622 56 56 07 Información adicional: Ingredientes y complementos en www.biloba.es/tienda En el blog de Biloba: www.biloba.es/blog Pon “movimiento, equilibrio o elásticos” en el buscador. Te vas a sorprender. Sobre medicina china y alimentos: En el libro Las Bases de la Medicina China, volumen 1 y volumen 2, Nuria Lorite Ayán: En la tienda Biloba, se envían a tu país https://biloba.es/categoria-producto/libros/ Cuidados con alimentación según la medicina china (Formación para profesionales y también formación divultativa para cualquier persona que quiera aprender a cuidarse): https://biloba.es/alimentacion-y-dietetica-segun-la-medicina-tradicional-china/ Tienes textos gratuitos en la tienda, en la categoría de libros. (Los consejos son informativos y no sustituyen la consulta con un profesional de la salud)

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Deja de crear SLOP

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Play Episode Listen Later Sep 7, 2025 19:38


Bienvenidos a FailAgain, una newsletter / podcast sobre crear contenido y estrategia.En el episodio de hoy vamos a hablar sobre cómo mantenernos originales en un mundo donde la IA ha penetrado prácticamente en todas nuestras rutinas creativas haciendo que cada vez seamos menos nosotros mismos.Bienvenido al mundo del SLOPSLOPUn término en inglés que se traduce como a desperdicio alimenticio, pero que ahora ha comenzado a utilizarse para referirse a todo el contenido basura que se crea de forma indiscriminada en internet gracias a la IA.Yo soy muy culpable de crear SLOP en mayor o menor medida.Muchos de mis contenidos pasan por Claude o Gemini en su creación… pero cómo no hacerlo.Cuando sabes cómo funciona la IA, cuando has visto su potencial y el ahorro de tiempo que genera... no usarla te hace sentir un poco gilipollas.Un gilipollas lento.Y aquí es donde te tiro un vaso con agua fría: ese contenido que generas con IA ya no eres tú.Porque tú eres:* Tu historia completa* Tu forma de ver el mundo* Tu día a día* Tu estado de ánimo* La última película que viste ayer* …Por mucho que entrenemos a la IA con nuestro estilo, nunca va a sustituirnos al completo.Y el precio a pagar es perder la conexiónEn mi último vídeo de YouTube hablo de los cambios que se están dando en el sector de la creación de contenido.Uno de los puntos clave es la conexión.Para mantener o generar conexión con tu audiencia, hay que ser auténtico. Y en un mundo donde todo pasa por procesos de "unos y ceros", la autenticidad se nos está escurriendo entre los dedos.La conexión real requiere:* Autenticidad: Ser de verdad tú* Transparencia: Contar las cosas buenas y las no tan buenas* Humanidad: Que se te vea como el humano que eresEste combo es lo que va a enganchar más con tu audiencia de forma genuina.Cómo arreglamos estoDespués de reflexionar, dejar de usar IA no es una opción. Pero sí hay que redefinir en qué puntos debe entrar a trabajar.1. La IA no escribe ni crea por mí* Hasta ahora: Le daba vía libre para generar bloques de texto, escaletas completas, primeros borradores muy cercanos al producto final.* Ahora: La saco completamente del proceso de redacción y creación.2. Mi nuevo proceso de creaciónPara la fase de idea → primer borrador:* Me grabo audios donde desarrollo la idea* Hago brainstorming hablado* Me planteo preguntas en voz alta* Autoexploro mi punto de vista sobre el temaUso IA para:* Extraer puntos principales de esos audios* Resumir mis monólogos* Evitar el trabajo de "picar piedra" de reescuchar todo3. IA como herramienta de investigaciónSí uso IA para:* Buscar datos sobre temas específicos* Encontrar creadores que hayan hablado del tema* Extraer puntos clave de vídeos/podcasts/PDFs* Acelerar procesos de búsqueda4. Adiós a los guiones completosHe dejado de crear guiones palabra por palabra. Ahora trabajo con bullets y hablo "en directo".¿Por qué?* Evito la tentación de usar IA para textos largos* Hablo con mis palabras, mis formas de expresarme* Me trabo, me equivoco, meto muletillas... ese soy yoLas herramientas que uso para este nuevo flujo* Claude: Para análisis y extracción de información* Letterly: Para grabación y transcripción de audios* Recall: Para extraer puntos clave de podcasts, vídeos y PDFsEl punto clave que no puedes olvidarEl objetivo no es demonizar la IA, sino colocarla en los momentos correctos.La IA debe ayudarte a ser más eficiente, no a ser menos tú.Si tu audiencia conecta con una entidad que es "muy parecida" a ti, pero no eres tú... estás jodido. Estás construyendo una relación falsa que tarde o temprano se va a romper.La estrategia más importante ahora mismo es mantener tu humanidad en un mundo cada vez más sintético y automatizado.¿Te resuena esta reflexión?Responde a este email y cuéntame cómo estás gestionando tú el uso de IA en tu proceso creativo.Contenidos recomendados esta semanaPDSi estás en Factoría Creativa, ya sabes que voy a hacer un cambio en mi setup que va a ser bastante bomba.Stay tuned.Guillermo This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.guitermo.com/subscribe

Tribo Forte Podcast: Saúde. Boa Forma. Estilo De Vida!
TF Extra #514 - 4 Modinhas de Saúde Que Eu EVITO para Ser Saudável (FURADAS)

Tribo Forte Podcast: Saúde. Boa Forma. Estilo De Vida!

Play Episode Listen Later Jul 7, 2025 21:24


Eu mantenho minha saúde e boa forma fazendo o absoluto mínimo pra isso e com certeza evitando estas 4 bobeiras de saúde que ficaram tão populares hoje em dia... O mesmo vai pra minha esposa, meu filho e meus pais que estão ambos super saudáveis com 70 anos e sem tomar nenhum remédio, o que é raríssimo. Nosso corpo é uma máquina de cura e muito mais importante do que tentar ajudar ele a fazer isso é simplesmente parar de atrapalhar. Depois de 15 anos estudando a literatura científica de nutrição, testando de tudo em mim mesmo e ajudando milhares de pessoas a emagrecerem e recuperarem sua saúde, aqui está talvez a coisa mais importante que eu aprendi: Ser saudável não requer SOFRIMENTO. Requer apenas entendimento e disciplina. Agora vou te mostrar 4 bobeiras que viraram modinha saudável por aí que eu IGNORO completamente e que na minha modesta opinião, vc também deveria.   ▶ ️ Minisérie da Dieta do ATP: https://youtube.com/playlist?list=PL0ZwP-OIgrSxlLgg0wJsViiPLRWhUTvW1&si=WyLQ46doh6IYrrpt  

Los Dioses del Marketing
Los Dioses Responden: Ahora Herpes Zóster ¿Qué es? ¿A quién le da? ¿Cómo lo evito? Con Arturo Rodríguez, CEO de Vivien | Sí, todos nos tenemos que enterar | Sí, seguimos siendo un podcast de Marketing

Los Dioses del Marketing

Play Episode Listen Later Jun 30, 2025 13:02


Imagino que se están preguntando: ¿qué hacen estos señoros hablando de vacunas? Es que no podíamos dejar pasar la oportunidad de preguntarle a Arturo Rodríguez -quien vino a hablar del servicio a domicilio de vacunas de Vivien- que nos explicara con sencillez de qué van estas enfermedades. Seguimos con el susto al 100. Pero ya fuimos a vacunarnos.

Atareao con Linux
ATA 695 Como evito sustos con Docker (y tu deberías hacerlo también)

Atareao con Linux

Play Episode Listen Later May 19, 2025 23:51


rubadb es un contenedor #docker con el que crear #backup y copias de seguridad de bases de datos y volumenes docker de forma sencilla y programadaMe aterra la posibilidad de encontrarme un día con la desagradable sorpresa de haber perdido toda la información que tengo en atareao.es. Esto me ha llevado a buscar distintas soluciones para intetar evitar que esto se vuelva una realidad, y como ya te puedes imaginar, una de las estrategias que he implementado ha sido el uso de backups o copias de seguridad. Inicialmente la solución recaía en el proveedor del hosting, sin embargo, con el paso del tiempo, esto ha ido cambiando, pasando, al principio por soluciones mas manuales, para convertirse en procesos automáticos conforme he ido adquiriendo los suficientes conocimientos para hacerlo.Más información y enlaces en las notas del episodio

Sospechosos Habituales
ATA 695 Como evito sustos con Docker (y tu deberías hacerlo también)

Sospechosos Habituales

Play Episode Listen Later May 19, 2025 23:51


rubadb es un contenedor #docker con el que crear #backup y copias de seguridad de bases de datos y volumenes docker de forma sencilla y programadaMe aterra la posibilidad de encontrarme un día con la desagradable sorpresa de haber perdido toda la información que tengo en atareao.es. Esto me ha llevado a buscar distintas soluciones para intetar evitar que esto se vuelva una realidad, y como ya te puedes imaginar, una de las estrategias que he implementado ha sido el uso de backups o copias de seguridad. Inicialmente la solución recaía en el proveedor del hosting, sin embargo, con el paso del tiempo, esto ha ido cambiando, pasando, al principio por soluciones mas manuales, para convertirse en procesos automáticos conforme he ido adquiriendo los suficientes conocimientos para hacerlo.Más información y enlaces en las notas del episodio

El Show de Andrés Gutiérrez Podcast
¿Cómo evito que mis hijos sufran con el dinero?

El Show de Andrés Gutiérrez Podcast

Play Episode Listen Later May 6, 2025 43:38


¿Cómo evito que mis hijos sufran con el dinero? by Andres Gutierrez

hijos el dinero evito andres gutierrez
Reprograma tu mente PNL

TEST RÁPIDO: ¿QUÉ TIPO DE “IMPOSTOR” ESTÁS SIENDO?Contesta con sinceridad estas 5 preguntas. Por cada pregunta, elige la opción que más se parezca a ti. Al final, suma cuál elegiste más veces para conocer tu perfil predominante.1. Cuando cometo un error en algo que hice bien en general, yo…a) Me frustro muchísimo y no puedo dejar de pensar en el error.b) Me preocupa que los demás piensen que no sé lo que hago.c) Creo que si no me salió perfecto de inmediato, no soy bueno.d) Prefiero arreglarlo yo mismo sin pedir ayuda.e) Me exijo trabajar más duro para compensarlo.2. Antes de presentar un proyecto o hablar en público, yo…a) Reviso cada detalle 20 veces buscando que todo sea impecable.b) Siento que no estoy lo suficientemente preparado.c) Me siento inseguro si no domino el tema al 100%.d) Evito pedir consejos o apoyo; quiero resolverlo por mi cuenta.e) Me lleno de responsabilidades para demostrar que soy capaz.3. ¿Cómo reaccionas cuando alguien te felicita por tu trabajo?a) Pienso que podría haberlo hecho mejor.b) Me cuesta aceptar la felicitación; creo que solo tuve suerte.c) Siento que no merezco tanto elogio si no me costó hacerlo.d) Lo agradezco, pero no me permito celebrarlo con otros.e) Agradezco, pero me siento presionado a rendir aún más.4. ¿Cuál de estas frases se parece más a tu diálogo interno?a) “Si no lo hago perfecto, no vale.”b) “Seguro me descubren como un fraude.”c) “Si tengo que esforzarme mucho, es que no soy tan bueno.”d) “Si no puedo solo, es que no sirvo.”e) “Necesito trabajar más para demostrar que merezco esto.”5. ¿Qué sientes cuando algo nuevo se te complica?a) Frustración. Siento que fallé.b) Miedo a que los demás noten que no sé algo.c) Inseguridad total, debería haberlo hecho rápido.d) Rechazo la ayuda aunque esté disponible.e) Dudo de mí, pero compenso esforzándome al máximo.RESULTADOS:

En terapia con Roberto Rocha
Ep 266 La trampa de evitar el conflicto

En terapia con Roberto Rocha

Play Episode Listen Later Mar 31, 2025 25:21


Evito el conflicto con mi pareja porque tengo miedo de que eso haga que termine mi relación, tal vez sin saber que al hacerlo, de todas formas condeno mi relación. ¿Qué puedo hacer para que juntos empecemos a enfrentar los conflictos? Become a member at https://plus.acast.com/s/en-terapia-con-roberto-rocha. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

EV News Daily - Electric Car Podcast
29 Mar 2025 | GMC Sierra EV Gets Cheaper, Mercedes-Benz eVito Adds Range and BYD Yangwang U7 Goes Premium

EV News Daily - Electric Car Podcast

Play Episode Listen Later Mar 29, 2025 21:17


Can you help me make more podcasts? Consider supporting me on Patreon as the service is 100% funded by you: https://EVne.ws/patreon You can read all the latest news on the blog here: https://EVne.ws/blog Subscribe for free and listen to the podcast on audio platforms: ➤ Apple: https://EVne.ws/apple ➤ YouTube Music: https://EVne.ws/youtubemusic ➤ Spotify: https://EVne.ws/spotify ➤ TuneIn: https://EVne.ws/tunein ➤ iHeart: https://EVne.ws/iheart 2026 GMC SIERRA EV LAUNCHES NEW MODELS https://evne.ws/4l6v2Uv MERCEDES-BENZ EVITO RECEIVES EXTENDED RANGE UPGRADE https://evne.ws/3E1IbO7 BYD UNVEILS YANGWANG U7 FLAGSHIP SEDAN https://evne.ws/41R1yCO CHANGAN E07 ELECTRIC VEHICLE SET FOR EUROPEAN DEBUT https://evne.ws/4j8AowM SKODA TO UNVEIL ELROQ VRS ELECTRIC CROSSOVER https://evne.ws/4ce24yb BMW LAUNCHES NEUE KLASSE PRODUCTION IN HUNGARY https://evne.ws/3Y8Ac8F BMW ELECTRIC M3 PROTOTYPE TESTED AT NÜRBURGRING https://evne.ws/441z8qY HYUNDAI LAUNCHES $12.6B METAPLANT AMERICA FACILITY https://evne.ws/3E1Nptd US TARIFFS LITTLE THREAT TO CHINESE EVS https://evne.ws/42oCCT6 DAIMLER TRUCK ANNOUNCES TRUCKCHARGE NETWORK https://evne.ws/41NJZn1 IRS REVISES EV TAX CREDIT REPORTING https://evne.ws/4iPd1c1 PORSCHE TAYCAN 4 CROSS TURISMO SURPASSES EPA RANGE https://evne.ws/3RwIJhX

Tiempo de Pet Family
¿Cómo evito que mi gato arañe muebles y cortinas?

Tiempo de Pet Family

Play Episode Listen Later Mar 11, 2025 0:56


Arañar es un comportamiento natural de los gatos, que les permite afilar sus uñas, marcar territorio y estirarse. Sin embargo, cuando este hábito afecta muebles y cortinas, es importante redirigirlo a alternativas adecuadas. Aquí te damos estrategias efectivas para proteger tu hogar sin afectar la comodidad de tu gato. petfamily.com.co

Victor Losacco Conversando Com Você! Café Transpessoal.
Sou um lírio da paz, Evito pessoas negativas!

Victor Losacco Conversando Com Você! Café Transpessoal.

Play Episode Listen Later Feb 28, 2025 8:15


Por que alguém ou algo pode ser negativo? Como posso lidar com essa situação ?O Mundo é aquilo que eu acredito;Eu posso ser negativo para alguém ? o que fazer ?!

Mañanas BLU con Néstor Morales
Un policía, el héroe que evito que explosión de motocicleta bomba en Riofrío fuera peor

Mañanas BLU con Néstor Morales

Play Episode Listen Later Jan 30, 2025 9:09


El policía, de forma muy valerosa, tomó la decisión de mover la motocicleta que estaba justo en frente de un colegio con 250 niños dentro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

P4Cast
P4Cast 302 - Experiência Mística com Deus - Pr. André Leandro

P4Cast

Play Episode Listen Later Jan 29, 2025 62:30


Mensagem gravada em 26/01/2024 Pastor André Leandro Experiência Mística com Deus 2 Coríntios 12:1-10 NVI [1] É necessário que eu continue a gloriar-me com isso. Ainda que eu não ganhe nada com isso, passarei às visões e revelações do Senhor. [2] Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe. [3] E sei que esse homem—se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe— [4] foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar. [5] Nesse homem me gloriarei, mas não em mim mesmo, a não ser em minhas fraquezas. [6] Mesmo que eu preferisse gloriar-me não seria insensato, porque estaria falando a verdade. Evito fazer isso para que ninguém pense a meu respeito mais do que em mim vê ou de mim ouve. [7] Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. [8] Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. [9] Mas ele me disse: “Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. [10] Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte. https://bible.com/bible/129/2co.12.1-10.NVI João 1:14 NVI [14] Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade. https://bible.com/bible/129/jhn.1.14.NVI #Jesus #sobrenatural #dons #igreja #transformação #Jesus #ressurreição #PalavraDeDeus #DeusPai #EspiritoSanto #PAI #emoção #sentimentos #Mensagem #Pregação #Sermão #p4 #p4church #onLine Curta, compartilhe e inscreva-se para ficar atualizado com os nossos conteúdos! Para saber mais sobre nossa igreja: Site: https://igrejaprojeto4.com.br/ Faça seu pedido de Oração: https://igrejaprojeto4.com.br/pedidos Facebook: https://www.facebook.com/p4church/ Instagram:  https://www.instagram.com/igrejaprojeto4/ Podcast:  https://igrejaprojeto4.com.br/p4cast/ Youtube:  https://www.youtube.com/@IgrejaProjeto4 Culto online todos os domingos no YouTube!

Serendipias
Serendipias | Moure oye voces | ¿Cómo evito la diarrea del viajero?

Serendipias

Play Episode Listen Later Jan 13, 2025 11:25


Ricardo Moure responde en Serendipias a las consultas científicas de los oyentes

Serendipias
Serendipias | Moure oye voces | ¿Cómo evito la diarrea del viajero?

Serendipias

Play Episode Listen Later Jan 13, 2025 11:25


Ricardo Moure responde en Serendipias a las consultas científicas de los oyentes

En Conciencia con Martha Sánchez Navarro
3 - Etiquetas familiares ¿Cómo evito que me afecten?

En Conciencia con Martha Sánchez Navarro

Play Episode Listen Later Nov 29, 2024 31:36


Las etiquetas familiares o apodos pueden tener efectos negativos en el desarrollo de la persona. En un niño en formación, cuya autoimagen es su carta de presentación ante la sociedad y cuya madurez aún está forjándose, un sobrenombre puede causar desajustes emocionales, pero no solo eso, también afecta en la etapa de la madurez e incluso en la tercera edad. Identificar a tiempo si estas etiquetas familiares nos hacen daño es clave para sanar desde adentro y vivir una vida libre en el ambiente familiar.   Recuerda que “Nadie te puede hacer sentir inferior sin tu consentimiento”. Eleanor Roosevelt

Mi modo de vida saludable
¿Cómo evito subir peso en la menopausia?

Mi modo de vida saludable

Play Episode Listen Later Oct 30, 2024 8:00


Descubre cómo equilibrar tus hormonas durante la menopausia para evitar subir de peso. Consejos prácticos para mantener tu bienestar y salud. La entrada ¿Cómo evito subir peso en la menopausia? se publicó primero en MI MODO DE VIDA.

Sale el Sol
Danna EVITÓa hablar con la prensa MEXICANA porque tenía sueño

Sale el Sol

Play Episode Listen Later Oct 2, 2024 3:13


Danna EVITÓa hablar con la prensa MEXICANA porque tenía sueño  See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sale el Sol
Sabine Moussier EVITÓ hablar de la MANIPULACIÓN de Adrián Marcelo que vivió en el FAMOSO reality

Sale el Sol

Play Episode Listen Later Aug 30, 2024 3:14


Sabine Moussier EVITÓ hablar de la MANIPULACIÓN de Adrián Marcelo que vivió en el FAMOSO realitySee omnystudio.com/listener for privacy information.

PERROS
¿Cómo Evito que Mi Perro Ladre a Otros Perros?

PERROS

Play Episode Listen Later Jul 3, 2024 14:02


Este tema se puede tratar de diferentes maneras y me lo habéis preguntado de todas las maneras posibles. Voy a leer uno que está en el formulario. Si queréis participar, podéis ir a patedecudoracanina.com/podcastjulio y dejáis ahí vuestra pregunta. En estos días que estoy respondiendo preguntas, si cuadra, la contestaré. ¿Cómo evito que mi perro […] La entrada ¿Cómo Evito que Mi Perro Ladre a Otros Perros? se publicó primero en PAT Educadora Canina.

Programa del Motor: AutoFM
Ya hemos conducido la nueva Mercedes Clase V y su versión eléctrica Mercedes EQV

Programa del Motor: AutoFM

Play Episode Listen Later Jun 18, 2024 21:40


Mercedes-Benz ofrece una amplia gama de vehículos que abarcan desde el lujo hasta modelos estrictamente industriales. Sus valores incluyen calidad, confort, seguridad, innovación, conectividad, disponibilidad y sostenibilidad. La gama está compuesta por los modelos Citan, Vito, Sprinter, Clase T, Clase V y Marco Polo. El confort es fundamental tanto en la Clase V para pasajeros como en los vehículos industriales para los trabajadores. En términos de seguridad, Mercedes-Benz ha introducido numerosos sistemas de ayuda a la conducción. La innovación está estrechamente ligada a la electrónica y la usabilidad del vehículo con el sistema MBUX, que ofrece servicios digitales como wifi, geolocalización, climatización remota, estaciones de carga y gestión de flotas, todo integrado en la plataforma Mercedes Me. Para los vehículos comerciales, Mercedes-Benz tiene claro que el tiempo es oro. Por ello, ofrece servicios como taller móvil, tele diagnóstico y recambios en 24 horas para minimizar el tiempo de inactividad de los vehículos. En cuanto a sostenibilidad, la marca se compromete a ser neutra en carbono para 2040, adaptando sus fábricas con plantas solares y utilizando materiales sostenibles. Ya cuentan con una versión eléctrica para cada modelo de la gama y están trabajando en la segunda generación de vehículos eléctricos con una plataforma específica que llegará en 2026 y se fabricará en parte en Vitoria. La Mercedes Clase V y EQV se destacan por su lujo y nuevas características como una estrella física en el morro, diseño renovado, confort mejorado, mayor seguridad y funcionalidad avanzada. La Marco Polo se fabrica en Vitoria y se transforma en Westfalia. La Clase V, con versiones deportivas, familiares y business, incorpora un nuevo diseño delantero y trasero, una parrilla más grande, faros multibeam lead, salpicadero nuevo, cuadro de instrumentos digital de 12,3 pulgadas, nuevo volante multifuncional, luz ambiental en 64 colores, nuevos asientos confort, arranque sin llave y cargador inalámbrico. Hay varias versiones: Exclusive con estrella en el capó y asientos de lujo individuales calefactados y ventilados; AMG Line con parrilla deportiva y llantas nuevas; Avantgarde con un punto menos de deportividad; y Style con menos cromados y paragolpes del color de la carrocería. El EQV incorpora las novedades sin los acabados exclusivos, pero incluye un paquete exterior y elementos que mejoran el rendimiento. En cuanto a motores, Mercedes-Benz ofrece mecánicas diésel de 2.0 litros con 163, 190 y 237 CV. La novedad es un motor de gasolina 2.0 turbo con 231 CV y micro hibridación para la etiqueta ECO, disponible en Vito Tourer y Vito mixta, pero no en furgón. Este motor es más silencioso y suave y dispone de modo vela para circular sin prácticamente ruidos. La seguridad incluye 9 airbags, control de ángulo muerto, Attention Assist, cámara marcha atrás, freno de emergencia activo, detector de presencia de niños, asistente activo de distancia Distronic, control de presión de neumáticos, asistente de frenado activo, asistente de control de cambio de carril y asistente activo de dirección. Los precios van desde 74.870 euros para la V 220d Compacto hasta 112.084 euros para la V 300d Exclusive Largo, el vehículo más caro fabricado en serie en España. La Vito Tourer comparte tamaños y motores, incluyendo un motor diésel de 136 CV. El interior tiene menos pantallas y un cuadro de instrumentos analógico con pantalla de 5,5 pulgadas. Incorpora un portón eléctrico del maletero, nuevos faros multibeam lead y paquete de aparcamiento. Los espejos son negros y sin intermitentes, y el capó no lleva el anagrama de la estrella para diferenciarla de la Clase V. Los acabados son Base, Pro y Select, y la Clase V ofrece de 6 a 8 plazas, mientras que la Vito de 6 a 9 plazas. Los precios van desde 41.675 euros sin impuestos para la Vito de 136 CV hasta 63.450 euros sin impuestos para la eVito. La conectividad de Mercedes Me incluye servicios de protección, navegación, confort, carga, servicios remotos y productividad. Permite gestionar el estado del vehículo, mantenimiento, apertura y cierre de puertas, pago en gasolineras, y, en caso de robo, compartir la geolocalización con la policía y desactivar las llaves. La Vito incorpora MBUX y volante multifuncional de serie. Los precios del furgón empiezan en 32.000 euros sin impuestos, 39.000 euros en la mixta y 55.000 euros en la eVito. La Sprinter también se actualiza, con MBUX de serie y una pantalla multimedia de 12,3 pulgadas. La principal novedad es el lanzamiento de la eSprinter 2.0 con baterías de 56 kWh (233 km), 81 kWh (329 km) y 113 kWh (478 km). Las versiones con menor autonomía tienen un nivel de carga más rápido para profesionales que no necesitan tanta autonomía pero sí una recarga rápida. Andrés Orejón, Director General de Mercedes Vans España. Enrique Ruiz-Giménez, Jefe de Prensa Mercedes Vans España: https://www.linkedin.com/in/eruizgi/ Alfonso Herreo, Redactor Jefe Km77.com : https://www.linkedin.com/in/alfonso-herrero-reguart-0892829/ Puedes seguirnos en nuestra web: https://www.podcastmotor.es Twiter: @AutoFmRadio Instagram: https://www.instagram.com/autofmradio/ Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC57czZy-ctfV02t_PeNXCAQ Contacto: info@autofm.es

Minutos de vos
Dueña de tu dinero

Minutos de vos

Play Episode Listen Later May 16, 2024 11:45


Sinopsis: • “Nunca sé bien qué cantidad de dinero hay en mi cuenta osi me falta”.• “No tengo idea de cuánto cobrar mi trabajo”.• “Jamás me ocupé de ahorrar y menos de invertir”.• “Evito hablar de dinero; me da pudor y me angustia”.¿Te sientes reflejada en alguna de estas frases?Dueña de tu dinero te ayuda a desprenderte de tabúes y asincerar tu economía para transformarla por completo, demanera fácil y práctica. Autora: Helena Estrada Editorial El Ateneo

Vida en el Planeta
Montpellier, la ciudad francesa donde el transporte colectivo es gratuito

Vida en el Planeta

Play Episode Listen Later May 13, 2024 12:14


Cada vez son más las ciudades francesas que hacen gratuito el transporte público. Una medida presentada como un avance social y ecológico. Pero, ¿realmente reduce el uso del coche la gratuidad de los autobuses y tranvías? Reportaje en Montpellier, en el sur de Francia, la mayor ciudad de Europa que optado por la gratuidad del transporte público para los usuarios. Desde hace más de tres meses, el medio millón de habitantes de Montpellier goza de transportes colectivos gratuitos. Hasta ahora, ninguna ciudad tan grande había instaurado la gratuidad total para sus habitantes. Ciudadanos como Cécile o Mohamed que acabamos de escuchar tienen la posibilidad de subirse a cuatro líneas de tranvía y 30 líneas de autobús sin costo alguno. Solo basta con pedir un pase anual a la alcaldía. “Yo utilizo más el tranvía desde que se volvió gratuito. Es más agradable y me evito el estrés del auto”, se alegra Cécile, oriunda de una ciudad aledaña.“Yo usaba mucho mi auto. Y la gratuidad del tranvía me incitó a usar el transporte público. Cuando tengo que irme de compras en el centro de la ciudad, uso del tranvía. Es más ecológico”, asegura Mohamed, otro habitante de la región de Montpellier.Escuche el reportaje en versión audio:Julie Frêche, alcaldesa adjunta de la ciudad de Montpellier y responsable de asuntos de movilidad urbana en la metrópoli explica por qué se decretó la gratuidad del transporte en diciembre de 2023: “Hemos asistido a varias crisis sociales, las marchas de los jóvenes por el clima. Y con el alcalde notamos que las medidas a favor de la ecología eran percibidas de forma negativa, como una obligación”."Entonces decidimos que todas las medidas de nuestro periodo de gobierno municipal obedecerán al siguiente lema: no puede haber ecología sin bienestar social, y viceversa. Estamos convencidos que  es la mejor manera de abarcar a toda la población para lograr necesaria transición energética que debe ser solidaria”, justifica Frêche.La responsable política afirma también que la medida busca reducir el tránsito vehicular y frenarla contaminación atmosférica. “Montpellier está ubicada en la costa mediterránea y está rodeada por dos grandes autopistas: una que conecta Italia con España y otra que conecta el sur de Francia con París. Entonces padecemos contaminación del aire con óxido de carbono, óxido de nitrógeno, emisiones de gases de efecto invernadero. Entonces la gratuidad del transporte público fue decidida también para responder a esta problemática. En Francia cada año, 48.000 personas mueren por causa de la contaminación del atmosférica”.¿Pero sirve realmente la gratuita para reducir el tránsito vehicular? El economista y especialista en movilidad urbana Frédéric Héran estima que el gesto de la alcaldía de Montpellier es ante todo simbólico. “Los responsables políticos alegan que esta medida es buena para el medioambiente, pero nunca hicieron los cálculos. Ellos dicen que los conductores de autos optan por el transporte colectivo, pero esto en realidad es muy poco común, y muchas veces se trata de gente que era pasajeros de coches”, matiza Héran.“Además, hay peatones y ciclistas que no contaminaban y dicen usar con mayor frecuencia el transporte público. Entonces yo diría la medida es una medida neutra para el medioambiente, pero no ecológica”, agrega el académico retirado.Montpellier no es la única ciudad francesa donde tomar un bus o un tranvía es gratuito. Ciudades como Dunkerque Aubagne o Bourges también han tomado la misma medida. Los argumentos son varios: otorgar un nuevo derecho a desplazarse a los ciudadanos, reducir el costo de la vida para las familias, e incentivar el uso de los transportes colectivos para reducir el tráfico vehicular.A cuatro meses de la entrada en vigor de la medida, la alcaldía de Montpellier indica que el número de usuarios de la red de transporte público aumentó en un 23,7% durante el primer trimestre de 2024 con relación al mismo período en 2019."Ya no tengo miedo a que me multen"Más allá del debate, los habitantes de Montpellier que RFI entrevistó para este reportaje son entusiastas. “Actualmente soy estudiante y residente en Montpellier entonces no pago el transporte público. Eso me permite ahorrar mucho dinero. Un abono constata alrededor de 100 euros. Evito gastar en tickets, además de los otros gastos, de los estudios y de la renta. Poder moverse gratuitamente es una gran ventaja. Además muchas veces hay personal de la compañía que vigila, entonces viajar es seguro”, dice a RFI Lili San Juan.“Antes, no siempre pagaba mi ticket, entonces ahora ya no miedo a que multen”, admite Jade, otra estudiante “¡Deberían aplicar esta medida en todas las ciudades!”, exclama.Y si los usuarios ya no pagan, la metrópoli de Montpellier compensa el costo de esta medida con el llamado "impuesto movilidad", una tasa instaurada en los años 70 que obliga a las empresas francesas de más de 11 empleados a pagar un porcentaje calculado con base a la masa salarial para financiar el transporte público local. Julice Frêche asegura que las cuentas cuadran. “Los ingresos por la compra de tickets eran de 30 millones de euros. Los usuarios que no residen en la metrópoli de Montpellier y los turistas seguirán pagando su ticket. Y para equilibrar el resto de los gastos, contaremos con las empresas que pagan la tasa de movilidad. Tenemos muchas empresas en la región y su contribución pasó de 90 millones a 124 millones de euros, entonces cubre ampliamente el costo de la gratuidad del transporte”, detalla a RFI.Experiencias de otras ciudadesEn el pasado, ciudades de otros países también hicieron que el transporte público fuera gratis. Con resultados poco satisfactorios, indica el economista Frédéric Héran. “Estuvo muy de moda en los años 70 en Estados Unidos. Pero muchas de las ciudades que instauraron la gratuidad dieron marcha atrás. En Bélgica, la ciudad de Hasselt también decretó la gratuidad y finalmente la canceló unos años después porque limitaba las inversiones en la red de transportes. Boloña en Italia también aplicó esta medida en los años 70 y retrocedió. Queda por ver ahora qué harán todas estas ciudades que dan el paso de la gratuidad para complacer a los electores, pero sin visión a largo plazo”.El economista especializado en movilidad urbana afirma que solo medidas drásticas e impopulares como reducir la velocidad de los autos, reducir los espacios para estacionarse y las vías para automóviles son altamente eficaces.“La gratuidad del transporte debe ir de la mano con medidas que sí son buenas para el medioambiente: multiplicar las vías de buses urbanos. Y si se quiere impulsar una medida ética, es preferible instaurar tarifas preferenciales con criterios sociales”, preconiza Héran.El debate sigue en Francia para extender este tipo de medidas a otras ciudades. Y aunque el transporte gratuito se ha vuelto muy común en decenas de ciudades europeas, aun es poco común en las ciudades de Latinoamérica. La tarifa cero existe en algunas urbes brasileñas mientras que el metro de Ciudad de México es gratis para las personas de más de 60 años.

Flos Carmeli Podcasts
1613- Por uma Boa Bíblia (Orlando Fedeli)

Flos Carmeli Podcasts

Play Episode Listen Later Apr 12, 2024 2:06


Venho pedir uma sugestão para obter uma boa Bíblia... Sabe...tomo muito cuidado ao obter uma Bíblia.Evito de cara as Bíblias protestantes,porque observei modificações até no Novo testamento!(outra ocasião irei comentar com você) Infelizmente ,até as Bíblias católicas eu tomo cuidado.Certa vez comprei uma Bíblia que vinha com interpretações para cada versículo.É pura teologia da libertação! É uma Bíblia da Editora Paulus,Edição Pastoral..tem uma capa azul com um desenho de Jesus entrando em Jerusalém... Pelo que observei neste site,você têm bons conhecimentos e por isso peço uma sugestão para uma Bíblia segura..livre de heresias..

eMobility update
eMobility update vom 15.12.2023 – Umweltbonus – Opel - Mercedes - Hyundai – Dachser

eMobility update

Play Episode Listen Later Dec 15, 2023 9:12


Hallo zum „eMobility update“ am Freitag, den 15. Dezember! Bevor wir uns auf den 3. Advent freuen, wird's stressig - Los geht's! 00:31 Umweltbonus läuft wohl schon zum Jahreswechsel aus 02:43 Neuer Opel Vivaro Electric ab 47.000 Euro brutto erhältlich 04:05 Mercedes nennt Preise für Facelifts des eVito und EQV 05:51 N-Version des Hyundai Ioniq 5 startet bei knapp 75.000 Euro 07:21 Erste Elektro-Zugmaschine bei Dachser im regulären Fernverkehr Das waren die News und Highlights der Elektromobilität für diese Woche. Wir bedanken uns fürs Einschalten und wünschen Ihnen einen schönen dritten Advent! Am Montag sind wir mit dem „eMobility update“ zurück!

Alta Definição
Joana Marques: "Há sketches dos Gato Fedorento que hoje em dia seriam cancelados na hora"

Alta Definição

Play Episode Listen Later Nov 25, 2023 45:40


Joana Marques não poupa ninguém no seu Extremamente Desagradável: "Evito ao máximo ir a grandes eventos. Há pessoas que são muito simpáticas e que acompanham e gostam muito do programa e isso deixa-me desconfortável porque sei que mais dia, menos dia, chegará a vez de falar sobre elas". A humorista, que também faz parte da equipa do programa da SIC Isto é Gozar com Quem Trabalha, sente que caminhamos para a intolerância: "Há sketchs dos Gato Fedorento que hoje em dia seriam cancelados na hora". No entanto, não concorda quando os humoristas dizem que "hoje em dia já não se pode dizer nada". Joana Marques defende que "ainda se pode dizer tudo". Este Alta Definição em podcast é uma repetição do programa que foi emitido a outubro de 2021 na SICSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Six Sundays: An NFC East Podcast
Episode 55: Ommy Evito

Six Sundays: An NFC East Podcast

Play Episode Listen Later Nov 16, 2023 68:02


The guys are back for all the Week 10 action! Chase recaps a heartbreaking Commander’s loss to Seattle but is (semi) hopeful for the future. Brandon and Will break down yet another blowout between the Cowboys and the Giants. And Brandon comes to us with yet another angry rant about how sick he is of…More

Diálogos en Confianza
Diálogos en confianza (Saber vivir) - ¿Por qué evito a las personas? (15/11/2023)

Diálogos en Confianza

Play Episode Listen Later Nov 15, 2023 96:26


Muchas personas han experimentado timidez en su vida. Algunos se llegan a considerar introvertidos o poco interesados en la interacción social, pero ¿qué hay detrás de este comportamiento? El Trastorno de Evitación, es una condición que se caracteriza por experimentar diferentes síntomas de ansiedad ante la exposición a las relaciones sociales. El miedo a dar una mala imagen ante los demás puede llevar a la persona a aislamiento y a evitar interactuar con otros. ¿Cuáles son las causas de este trastorno?, y ¿hasta dónde pueden llegar sus consecuencias? En Diálogos en confianza, conozcamos más sobre ¿Por qué evito a las personas?

Marketing Digital
252: Cómo configuro y envío mi Newsletter “Secretos para emprendedores”

Marketing Digital

Play Episode Listen Later Oct 10, 2023 22:33


Cómo configuro y envío mi Newsletter “Secretos para emprendedores”Las 38 mejores herramientas de Email Marketing: https://borjagiron.com/mejores-herramientas-email-marketing/Las 7 Mejores Newsletters para Emprendedores: https://borjagiron.com/mejores-newsletters-emprendedores/Antes de empezar el episodio de hoy te traigo una herramienta de SEO gratuita que te ayudará a subir posiciones en Google.Podrás detectar fallos de tu web, revisar enlaces entrantes y salientes, realizar un análisis de palabras clave, analizar a la competencia y configurar alertas.Sólo tienes que entrar en https://borjagiron.com/ahrefs y empezar a usar la que posiblemente sea la mejor herramienta de SEO gratuita del mercado. Recuerda, borjagiron.com/ahrefs Te dejo el enlace en la descripción.Mejor hosting: HostingerPara crear tu web, blog o tienda online al mejor precioCómo comprar Hosting y Dominio con Hostinger al mejor preciohttps://triunfacontublog.com/mejor-hosting-wordpress/Consigue descuento: https://borjagiron.com/hostingerMuy buenas y bienvenido al podcast “Marketing Digital”, soy Borja Girón y cada martes aprenderás todo lo necesario para conseguir más clientes, visitas e ingresos en tu negocio online. Recuerda unirte a la Comunidad Emprendedores desde: https://borjagiron.com/comunidad y podrás acceder a las sesiones de Mastermind cada lunes conmigo y el resto de emprendedores, al podcast secreto, a los retos y las categorías dentro del grupo de Telegram sobre Instagram, RRSS, Finanzas, criptomonedas, salud, Inteligencia Artificial, marketing, podcasting, productividad y todo lo necesario para hacer crecer tu negocio.Y ahora sí…¿Estás preparado? ¿Estás preparada? ¡Comenzamos!1: Uso Benchmark EmailCurso: https://triunfacontublog.com/curso/email-marketing/2: Redacto y programo. Ideas en Notas.CTA. Historias, vídeos podcast, herramienta, aprendizajes…3: Evito spam sincronizo foto con GmailConfiguré DKIM y SPF4: Antes usaba sin formato5: Creo formulario landing:Plantilla, newsletter, resúmenes, secretos6: Creo contenido en RRSS, blog, vídeos, podcast y gano leadsEscucha el episodio anterior.Recibe mis secretos para emprender con éxito cada día en tu email: https://borjagiron.com/newsletterComunidad para emprendedores: https://borjagiron.com/comunidadRecuerda suscribirte al podcast para no perderte el resto de noticias, novedades, trucos y tendencias del Marketing. Si quieres seguir escuchando estos episodios compártelo, dale a me gusta, deja 5 estrellas o comenta el episodio.También puedes acceder a mis cursos de Marketing Digital desde https://triunfacontublog.com Recibe mis secretos para emprender con éxito cada día en tu email: https://borjagiron.com/newsletterSoy Borja Girón, has escuchado el podcast Marketing Digital, nos escuchamos en el próximo episodio.

Marketing Digital
252: Cómo configuro y envío mi Newsletter “Secretos para emprendedores”

Marketing Digital

Play Episode Listen Later Oct 10, 2023 22:33


Cómo configuro y envío mi Newsletter “Secretos para emprendedores”Las 38 mejores herramientas de Email Marketing: https://borjagiron.com/mejores-herramientas-email-marketing/Las 7 Mejores Newsletters para Emprendedores: https://borjagiron.com/mejores-newsletters-emprendedores/Antes de empezar el episodio de hoy te traigo una herramienta de SEO gratuita que te ayudará a subir posiciones en Google.Podrás detectar fallos de tu web, revisar enlaces entrantes y salientes, realizar un análisis de palabras clave, analizar a la competencia y configurar alertas.Sólo tienes que entrar en https://borjagiron.com/ahrefs y empezar a usar la que posiblemente sea la mejor herramienta de SEO gratuita del mercado. Recuerda, borjagiron.com/ahrefs Te dejo el enlace en la descripción.Mejor hosting: HostingerPara crear tu web, blog o tienda online al mejor precioCómo comprar Hosting y Dominio con Hostinger al mejor preciohttps://triunfacontublog.com/mejor-hosting-wordpress/Consigue descuento: https://borjagiron.com/hostingerMuy buenas y bienvenido al podcast “Marketing Digital”, soy Borja Girón y cada martes aprenderás todo lo necesario para conseguir más clientes, visitas e ingresos en tu negocio online. Recuerda unirte a la Comunidad Emprendedores desde: https://borjagiron.com/comunidad y podrás acceder a las sesiones de Mastermind cada lunes conmigo y el resto de emprendedores, al podcast secreto, a los retos y las categorías dentro del grupo de Telegram sobre Instagram, RRSS, Finanzas, criptomonedas, salud, Inteligencia Artificial, marketing, podcasting, productividad y todo lo necesario para hacer crecer tu negocio.Y ahora sí…¿Estás preparado? ¿Estás preparada? ¡Comenzamos!1: Uso Benchmark EmailCurso: https://triunfacontublog.com/curso/email-marketing/2: Redacto y programo. Ideas en Notas.CTA. Historias, vídeos podcast, herramienta, aprendizajes…3: Evito spam sincronizo foto con GmailConfiguré DKIM y SPF4: Antes usaba sin formato5: Creo formulario landing:Plantilla, newsletter, resúmenes, secretos6: Creo contenido en RRSS, blog, vídeos, podcast y gano leadsEscucha el episodio anterior.Recibe mis secretos para emprender con éxito cada día en tu email: https://borjagiron.com/newsletterComunidad para emprendedores: https://borjagiron.com/comunidadRecuerda suscribirte al podcast para no perderte el resto de noticias, novedades, trucos y tendencias del Marketing. Si quieres seguir escuchando estos episodios compártelo, dale a me gusta, deja 5 estrellas o comenta el episodio.También puedes acceder a mis cursos de Marketing Digital desde https://triunfacontublog.com Recibe mis secretos para emprender con éxito cada día en tu email: https://borjagiron.com/newsletterSoy Borja Girón, has escuchado el podcast Marketing Digital, nos escuchamos en el próximo episodio.

Dosis de Consciencia
¿Porqué evito CONVERSACIONES DIFÍCILES?

Dosis de Consciencia

Play Episode Listen Later Jun 24, 2023 22:37


Primero que nada el audio en este episodio no es el mejor, estoy desde mi cama recuperándome pero como ya me siento mejor quise grabar este episodio y parece que el micrófono se desconectó y no me dí cuenta. Sin embargo, como el tiempo es oro (jaja y no se puede desperdiciar el hecho de haber grabado 20 minutos de contenido) y el tema quedó muy bueno pues no lo quise descartar. Despues de todo, se entiende bien el mensaje y es lo importante.  Todas en algún momento hemos tenido conversaciones difíciles. Sin embargo, algunas personas lo evitan más que otras.  Hoy te hablo sobre 5 razones por las que puedes estar evitando tener este tipo de conversaciones que, aunque pueden resultar en beneficio para tí, no quieres enfrentarlas.  El episodio NO se llama ¿Cómo tener conversaciones difíciles? Y es porque mi intención no es enseñarte a hacerlo (por lo menos no en este episodio). Mi intención es que reflexiones si tú eres una persona que, a menudo, evitas este tipo de conversación. Y con esto quiero empoderarte para que te llenes de valentía y determinación cuando entiendas que es momento de tener una conversación difícil que te va a ayudar poner līmites saludables, darte a respetar y dejar claras tus opiniones o puntos de vista.  Siempre desde el amor y la bondad pero con firmeza!

UnaVidaMejorMX
T02 E20 Conmovedor

UnaVidaMejorMX

Play Episode Listen Later Jun 6, 2023 75:19


Las Ultimas Noticias 02 De Marzo 2023 1. Biden sanciona a red de fraude de tiempo compartido dirijida por CJNG. 2. Conmovedor rescate de perrito a tres semanas del sismo en Turkia. 3. Separan a seis funcionarios de Oaxaca de Juarez tras sustraccion y venta de mas de setecientos vehiculos del corralon. El Consejo De Dios Descripción de Inventario - Filipenses 4:8 Haga un inventario de las cosas en las que piensa. La Pregunta De La Semana Descripción de Como te sientes cuando piensas en tu futuro? Como te sientes cuando piensas en tu futuro? La pregunta tuvo tres respuestas donde el publico suscrito a www.youtube.com/pastorsamuelgarcia Entusiasmado, Preocupado, o Evito imaginarlo.

el CocoMike Podcast
una SENTENCIA de MUERTE no le evito hacer su Vida en Australia | E109

el CocoMike Podcast

Play Episode Listen Later Apr 26, 2023 4:56


Parece una contradicción, pero ser SENTENCIADO A MUERTE fue lo mejor que le pudo pasar a John Cadman, un convicto que hizo vida en el segundo edificio mas antiguo (finalizado en 1816) aun en pie, aquí en la ciudad de Sydney.

Hablando Pajas
Zaki - Abrir el concierto de BIZARRAP, la música evito que cayera en MARAS, firmar con URBAN ROOSTER

Hablando Pajas

Play Episode Listen Later Apr 4, 2023 75:53


Zaki es un rapero Salvadoreño que vino a Hablando Pajas, el mejor podcast de todos, a contarnos como a logrado firmar con URBAN ROOSTERS, participar en batallas de RedBull, posicionarse como uno de los mejores raperos en Centro America y ahora poder abrir el concierto de Bizarrap con Duki en el Salvador.Si queres tener acceso a contenido exclusivo dentro de el canal, unite en este link:https://www.youtube.com/channel/UC5lgy-cUzyrB8SrUAgVHrig/joinNo te olvides de suscribirte al canal de Momo donde todas las semanas tenemos episodios nuevos de Hablando P4jas, el mejor podcast de todos! y el After con Marce y Doggy...Seguinos en las redesIG @elcanaldemomoTT @elcanaldemomoIG @momourruIn this video, I'm going to show you how to watch BIZARRAP, sign up for URBAN ROOSTERS, and watch BATALLAS FREESTYLE from RedBull - Zaki.España, la vida moderna, argentina, puerto rico, cuánto dinero tienes? Si quieres saber todo sobre estas cuatro repúblicas, espera solo hasta este video! En él, te mostraré las noticias más importantes, las batallas más Interesantes y los artistas que se han estrenado en estas fechas Queres ser parte del mejor podcast de todos? https://plus.acast.com/s/hablando-pajas. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Luis Palau Responde
¿Cómo evito sus coqueteos? 5 / 6

Luis Palau Responde

Play Episode Listen Later Mar 9, 2023 4:31


Programa ¿Cómo evito sus coqueteos? 5 / 6 de Luis Palau Responde

Los Reyes De La Punta Podcast
Segmento Nuevo! Lo Evito por que Me Conozco #MoluscoyLosReyesDeLaPunta

Los Reyes De La Punta Podcast

Play Episode Listen Later Jan 20, 2023 14:22


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Triunfa con tu blog | Vive de tu pasión
140: Estás perdiendo tu tiempo

Triunfa con tu blog | Vive de tu pasión

Play Episode Listen Later Sep 23, 2022 27:07


Estas perdiendo tu tiempo. Hoy te explico por qué y cómo solucionarlo.- El dueño de mi casa se pasa el día cortando el césped de sus casas.Esas tareas son absurdas. Está todo el día trabajando haciendo cosas que no aportan ni ayudan.Pone césped artificial y tendría todas las mañanas libres. O lo quita y pone suelo.- Una vez cada 15 días invierte el día en traer un camión para recoger los desechos al ser una casa de campo y no haber alcantarilladoInstala un sistema de autolimpieza y pasaría a tener que revisarlo una vez al año.- Regar cada día. Sistema automático.Parece obvio pero esto está pasando. Desde fuera se ve más. Le dije lo del césped y me dijo que entonces no estaría tan frequito. A mí me da igual.Son sus creencias! En casa de mis padres hay césped artificial.Puede haber ciertos beneficios y desventajas.¿Cómo detectar estas tareas? Cuando estás dentro no las ves. ¿Cómo buscar alternativas?1. Escribe todo lo que haces en tu día a día. Todas las tareas. Por muy sencillas, obvias o tontas que parezcan2. Identifica las que son repetidas en días o semanas o meses3. Apunta las que te dan dinero por ellas directamente y las que no.4. Busca alternativas.5. ¿Qué pasa si no las haces o las retrasas? EJEMPLOS:- Enciendes el ordenador. Lo apagas. ¿Necesitas apagarlo? Lleva tiempo. Modo hibernar.- Lavarse dientes- Ducha: Me puedo duchar cada dos días, o solo una vez?- Poner lavadora: Servicio lavandería a domicilio. Evito ruido, tiempo, calidad agua, planchado. ¿Qué haría ese tiempo y con ese dinero?- Actualizar plugins WordPress- Revisar gastos banco- Pagas luz: Paneles solares- Pagas botellas butano: Cambias a vitrocerámica y calentador eléctrico- Mandar emails: Un día a la semana.- Buscar clientes: Creo afiliados.- Crear post: Actualizar los actuales.- Grabo podcast, edito, subo a distintas plataformas, creo audiograma: Lo soluciono con Spreaker. No edito, se sube solo a youtube, todos los podcasts en un único lugar.- Creo facturas: Quaderno o Holded.- Hago declaración: Contrato gestoría.- Creo newsletters: Las puedo automatizar? Las crea alguien? Más cortas? Cada menos tiempo? Puedo crear más? Puedo repetirlas?- Cocino: ¿Comida a domicilio? (No compensa dinero y salud)- Tardo en dormirme: Investigar cómo dormir rápido- Saco ideas de contenido.: ¿Alguien podría pasarme los temas de más actualidad? Google Trends- Pago el alquiler: Alquilo habitación, me mudo, compro casa.En definitiva, las PREGUNTAS son:1. ¿Puedo contratar a alguien? 2. ¿Se puede automatizar? ¿IA? Herramientas3. ¿Puedo cambiar el sistema por completo como pasa con el césped?4 ¿Alguien sabe mucho sobre ello? Experto en podcast, productividad, negocios...5 Y ahora: Calcula relación inversión/tiempo/salud. ¿Compensa? PriorizaOtro ejemplo:- Detecto que invierto mucho tiempo en mejorar calidad audio de mis podcasts. Incomodidad... Habitación. Me cubro con colcha o edredón o nórdico. Ahora cabaña con cojines de hamaca.¿Y si compro otro micrófono? ¿Y si me mudo de casa? ¿Monto estudio? ¿Y si me da igual? ¿Pregunta a la audiencia?- Prevenir. Copias de seguridad. Casos puntuales.- Cuidado con ahorrar ese tiempo y luego no hacer nada con él. Aunque siempre sería mejor que hacer algo que no sirve para nada.- En nuestro día a día pasamos horas respondiendo mensajes de gracias con de nada.- O no hacemos algo porque nos lleva mucho tiempo por ejemplo comentar en otras cuentas y escribir a todos nuestros seguidores uno a uno.Alternativas, automatizar, cambiar las cosas, priorizar.Patrocinadores y recursos:Prueba gratis Audible y escucha audiolibros desde https://borjagiron.com/audible Prueba Canva Pro 45 días gratis para crear diseños fácilmente: https://borjagiron.com/canva Hostinger: Mejor hosting WordPress al mejor precio: https://borjagiron.com/hostinger Semrush: Herramienta SEO y Marketing Digital todo en uno: https://borjagiron.com/semrush Sendinblue: Herramienta de Email Marketing: https://borjagiron.com/sendinblue Benchmark Email: Herramienta de Email Marketing: https://borjagiron.com/benchmark Manychat: Automatiza mensajes en Instagram: https://borjagiron.com/manychat Spreaker: Crea tu podcast: https://borjagiron.com/spreakerCursos Marketing Digital Gratis: https://triunfacontublog.com Blog: https://borjagiron.com Newsletter Privada: https://borjagiron.com/newsletter

AutoExpert
Sorry, Mercedes - Here's why your eVito electric courier van sucks

AutoExpert

Play Episode Listen Later Sep 20, 2022 15:56


Ford Australia will be celebrating the launch of Mercedes-Benz's new, wholly underdone excuse for an electric van - the eVito. Here's why it simply won't do the job… OLIGHT DISCOUNT! (These are awesome.) Get 12% off here >> Use code AEJC On Bullshit by Harry G Frankfurt >> F*#king Apostrophes textbook: https://amzn.to/3IpskpA Save thousands on any new car (Australia-only) by contacting me via AutoExpert.com.au here >> Help support my independent reporting, securely, via Patreon here >> AutoExpert discount roadside assistance package (with no joining fees) here >> Did you like this report? You can help support the channel, securely via PayPal here >>

Dale Black & Gold LAFC podcast
#116 McCarthy evito la Vergüenza

Dale Black & Gold LAFC podcast

Play Episode Listen Later May 14, 2022 26:30


Pablo y Lui hablan del terrible partido jugado en Colorado donde LAFC vivió una pesadilla de primer tiempo. El portero suplente fue el héroe por haber evitado la goleada. Canción: Guatemala - Doctor Nativo https://open.spotify.com/track/0Gnu6sK3vS6CfE0pJgSTYh?si=aaa8f38075f54b1d

Hoy por Hoy
La mirada | Evitar los espejos

Hoy por Hoy

Play Episode Listen Later Apr 20, 2022 2:05


Evito los espejos, sobre todo en los momentos más depauperados de mi anatomía. Sin embargo, creo que para cuantos permiten y estimulan el buitreo con los fondos públicos, y nos mienten y continúan mintiéndonos, mientras nos dan por saco, lo menos que podemos exigir, aparte de justicia, es que se encuentren un día, más pronto que tarde, ante el espejo de su degradación y de su infamia.

Negocio Legal SOS
Ep. 34: ¿Cómo evito problemas con la Tienda Online?

Negocio Legal SOS

Play Episode Listen Later Nov 8, 2021 6:01


Una de las preocupaciones principales de los dueños de Tiendas Online es cómo evitar tener problemas. Obviamente, cuando empezamos un negocio lo que queremos es que crezca y evadir a toda costa problemas legales que nos pongan en dificultades. El asunto tiene que ver siempre con el desconocimiento, no tanto con la falta de información sino el proceso de entender esa información y qué es lo que me aplica a mí. Es por eso que, en este episodio, titulado “¿Cómo evito problemas con la Tienda Online?”, quiero ayudarte a comprender y procesar información que te sirva para utilizar aquello que te aplica y descartar o aplazar aquello que no te corresponde en estos momentos.

Un click por el planeta
08-Es plástico, no fantástico

Un click por el planeta

Play Episode Listen Later Jun 30, 2021 5:07


La bolsa plástica se ha convertido en el símbolo del creciente problema de la contaminación global por plástico [1]. Evito utilizarlas, pero ¿cuál es el efecto de dicha acción frente a la escala del problema? --- Support this podcast: https://anchor.fm/unclickporelplaneta/support