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A meditação desta semana foi sobre “Quando as coisas dão errado”. E adivinha o que aconteceu com a gravação... Sim, deu errado! Acabou a memória da câmera no meio, depois fui regravar e ficou fora de foco. No fim, peguei da gravação de hoje o pedaço que faltava e colei na de ontem. Ficou meio pastiche, mas paciência. Às vezes as coisas dão errado... e esta meditação, pelo visto, quis dar exemplo prático do próprio tema. Quando a vida sai do roteiro, talvez o grande segredo para vencer seja aprender a perder com beleza. Como Mad Jack Churchill, o soldado inglês da Segunda Guerra que ia para a batalha com gaita de foles, arco, flechas e espada, até a derrota pode ser atravessada com alma grande. Capturado, ferido pelas circunstâncias e sem saída aparente, ele ainda encontra espaço para tocar uma música triste antes de cair nas mãos do inimigo. Há algo profundamente cristão nisso: não anestesiar a dor, não fugir dos limites, mas integrá-los, deixando que as cicatrizes se tornem ensinamentos gravados na alma.Diante dos fracassos, o caminho começa por parar e refletir. Como o homem perdido no mar que só descobriu a direção certa quando deixou de nadar desesperadamente e observou a correnteza, também nós precisamos frear o trem antes de gastar nossas forças na direção errada. Foi assim com o Filho Pródigo, que só começou a voltar para casa quando “entrou em si”. Depois vem a aceitação humilde: reconhecer a verdade sem se esconder como Adão, sem empurrar a culpa para os outros, mas fazendo um ato de contrição diante de Deus, que é Pai misericordioso e sempre abre uma porta de perdão, graça e recomeço.A partir daí nasce o propósito: pequeno, concreto, inteligente e possível. Não adianta transformar cada queda numa sentença de condenação, como se não houvesse mais jeito. É melhor olhar com serenidade para os recursos reais que temos e perguntar: o que dá para mudar agora? Talvez rezar em outro horário, estudar quando há mais energia, afastar a tentação da torta na geladeira, começar feio, mas começar. Star Wars nasceu depois de um primeiro roteiro confuso; Winston Churchill venceu o medo da tela em branco atacando-a com tinta; Rafael Nadal cresceu justamente porque encontrou cedo as derrotas que o ensinaram a lutar melhor. Para um algoritmo, o erro é algo a corrigir; para uma pessoa, pode ser o início de uma mudança profunda.No fim, a vida cristã é uma escola de esperança. “Todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus”, inclusive os tropeços, as gravações que dão errado, as perdas no balanço, as quedas, os recomeços e as telas em branco. Em Caná, quando o vinho acabou e tudo parecia caminhar para o vexame, Nossa Senhora estava presente e levou aquela falta até Jesus, que transformou a vergonha em alegria abundante. Que ela também esteja ao nosso lado quando as coisas derem errado, ajudando-nos a parar, aceitar, propor a mudança e lançar-nos de novo, com a confiança de quem sabe que a última palavra de Deus nunca é fracasso, mas redenção.___________________________Referências:"Mad" Jack Churchill, soldado britânico da Segunda Guerra MundialMagnifica Humanitas, n. 120 e n. 128Sobre: Richard Gasquet e Rafael Nadal: As virtudes do Fracasso, Charles Pépin.Sobre os 4 passos a tomar: https://www.artofmanliness.com/character/self-improvement/podcast-1120-how-to-try-again/ Outra entrevista com uma especialista sobre o assunto: https://www.artofmanliness.com/character/self-improvement/podcast-940-the-3-types-of-failure-and-how-to-learn-from-each/Brené Brown, reflexão sobre não anestesiar seletivamente as emoções: • The Power of Vulnerability | Brené Brown |...
Por Ruy Alves, Sócio e Gestor de Investimentos.
Existe um tipo de elogio que devia acender o sinal amarelo de quem o recebe. O Brasil acaba de ganhar um desses. Em abril, segundo o levantamento do PRC Leader sobre a estratégia chinesa para o sul global, o país virou o segundo maior fornecedor de petróleo da China. Não por mérito comercial nosso. Foi porque o Estreito de Ormuz estava bloqueado, o Golfo travado, e Pequim precisava de barril rápido vindo de um lugar que não dependesse do humor de Washington, nem de Moscou. Thiago de Aragão, analista político Some a soja a isso. Desde que a China reativou o boicote aos grãos americanos, ela realocou pedidos para o Brasil e para o resto da América Latina e fez o trabalho burocrático fino de garantir que nossos exportadores cumprissem as exigências fitossanitárias para vender em escala. O resultado é um Brasil que, em 2026, acumulou duas funções ao mesmo tempo: o posto de gasolina e o celeiro de emergência da segunda maior economia do planeta. Para o investidor, o número de curto prazo seduz. A demanda chinesa firme sustenta o preço das commodities, o superávit comercial e o fluxo que mantém o real ancorado. Petrobras, as graníferas, o agronegócio do Centro-Oeste, todos colhem o prêmio de serem o fornecedor que apareceu quando o resto do mundo fechou a porta. O problema mora numa palavra: reposição A China não comprou petróleo brasileiro em abril porque escolheu o Brasil como parceiro estratégico de longo prazo. Comprou porque o fornecedor preferido estava indisponível. Reposição é o que se usa enquanto a peça original não chega. No dia em que Ormuz reabrir, e Ormuz sempre reabre, a pergunta é se o barril brasileiro continua na cesta de compras de Pequim no mesmo volume ou se volta a ser a segunda opção que era antes da crise. A Venezuela já viveu esse filme, e convém olhar para o final dele. Durante a Segunda Guerra, Caracas se tornou o grande supridor de petróleo dos Aliados, a ponto de expandir a produção em 42% só entre 1943 e 1944 para cobrir o que a guerra exigia. Parecia consagração. Durou enquanto durou a escassez alheia. Quando o petróleo do Oriente Médio entrou no mercado em peso na metade dos anos 1950 e os Estados Unidos impuseram cotas de importação, a Venezuela viu o preço desabar e descobriu que tinha construído um país inteiro sobre uma demanda que era circunstancial. A resposta veio em 1960, quando Juan Pablo Pérez Alfonzo ajudou a fundar a Opep justamente para não depender mais da bondade de comprador nenhum. O fornecedor de emergência tem poder de barganha exatamente enquanto dura a emergência. Depois, ele negocia do chão. Aqui está o ponto que Brasília celebra e não examina. Ser indispensável numa emergência alheia não é a mesma coisa que ser estratégico. O fornecedor de ocasião manda no preço enquanto o fogo está aceso. Apagado o fogo, sobra a capacidade que ele instalou, a logística que ele montou e a dependência fiscal que ele criou em cima de um pedido que nunca foi para ficar. E a dependência é a parte que ninguém quer discutir. Quanto mais o orçamento da Petrobras, a balança comercial e a arrecadação passam a contar com o comprador chinês, menos margem o Brasil tem para dizer não a Pequim em qualquer outra mesa, seja 5G, seja porto, seja a próxima licitação de metrô que uma estatal chinesa vai ganhar, como ganhou a Linha 1 de Bogotá. O comprador que te salva numa crise é o mesmo que apresenta a fatura política depois. Repare no padrão, porque a estatal chinesa não improvisa. Ela compra petróleo quando precisa de petróleo, compra soja quando precisa contornar Washington e financia infraestrutura quando precisa de presença. Cada movimento chega ao lado brasileiro com cara de oportunidade isolada. Vistos juntos, formam uma arquitetura de dependência que o Brasil ajuda a erguer, um contrato de cada vez. O governo Lula trata a aproximação com a China como contrapeso aos Estados Unidos, e há lógica nisso enquanto Trump mantém a tarifa de 40% e a investigação da Seção 301 sobre a mesa. Mas contrapeso pressupõe que você consiga equilibrar os dois lados. Quem vira peça de reposição de um deles perde exatamente o equilíbrio que dizia procurar. Fica então a pergunta para quem olha o Brasil de fora com o cheque na mão. Você está comprando um país que diversificou seus compradores ou um país que está trocando uma dependência por outra e chamando isso de soberania? A China sabe a diferença. Falta saber se Brasília também sabe.
O que sobrou, 81 anos depois, da Grande Guerra Patriótica para a Rússia, do desembarque da Força Expedicionária Brasileira em Monte Castelo para o Brasil e do legado de Yalta para a ordem internacional contemporânea? Neste episódio em parceria com o Observatório Rússia e América Latina, Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Mariana da Gama Janot (INCT-Ineu) e Valdir da Silva Bezerra (@o_russianista), mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo e organizador, com Boris Zabolotsky, do livro 80 Anos da Vitória na Grande Guerra Patriótica (Blucher, 2025). A conversa atravessa a contribuição massiva (e hoje contestada) da União Soviética para a derrota do nazifascismo, a entrada do Brasil no conflito a partir das contradições do Estado Novo e o modo como a memória da guerra foi mobilizada, na era Putin, para preencher o vácuo de identidade aberto pelo colapso soviético. No bloco de notícias, Giovana Dias Branco e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, pesquisadores do Ruslat, repercutem o mês de abril: a reaproximação Rússia-Cuba em meio à crise energética da ilha, a suspensão temporária das exportações de fertilizantes russos e seu impacto sobre o agronegócio brasileiro, o relatório sobre o treinamento de mais de mil criadores de conteúdo latino-americanos com participação da RT em espanhol, e a Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0), projeto bipartidário que tenta requalificar o Grupo Wagner e seus sucessores como organizações terroristas no contexto da intervenção dos EUA na Venezuela. No último bloco, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Boris Zabolotsky (Unifacs) sobre a insegurança ontológica da Rússia no pós-Guerra Fria e indica três filmes incontornáveis para pensar a guerra sem glorificá-la. Aperte o play. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC Minas / Ruslat), Valdir da Silva Bezerra (Ruslat), Mariana da Gama Janot (Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas), Giovana Dias Branco (Ruslat), Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (Ruslat), Laura Schneider de Lima (Ruslat) e Boris Zabolotsky (Universidade Salvador – Unifacs / Ruslat). Capa do episódio: “Raising a flag over the Reichstag”, Yevgeny Khaldei, 2 de maio de 1945. Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio BEZERRA, Valdir da Silva; ZABOLOTSKY, Boris (orgs.). 80 anos da vitória na Grande Guerra Patriótica: memória, reconstrução e perspectivas. São Paulo: Blucher, 2025. Disponível em: https://www.blucher.com.br/bezerra-zabolotsky-os-80-anos-da-vitoria-na-grande-guerra-patriotica-memoria-reconstrucao-e-perspectivas. FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). 2003. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001295507. VAÏSSE, Maurice. As relações internacionais desde 1945. Lisboa: Edições 70. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/livro/as-relacoes-internacionais-desde-1945-HLQ-9833-000-BK. ESTADOS UNIDOS. Congresso. Câmara dos Representantes. Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0). Projeto de lei bipartidário, 2026. Disponível em: https://joewilson.house.gov/sites/evo-subsites/joewilson.house.gov/files/evo-media-document/wilssc_082_xml-20.pdf. KLIMOV, Elem (dir.). Vá e veja [Idi i smotri]. URSS: Mosfilm; Belarusfilm, 1985. 142 min. ROMM, Mikhail (dir.). O fascismo cotidiano [Obyknovennyy fashizm]. URSS: Mosfilm, 1965. 130 min. Documentário. BALAGOV, Kantemir (dir.). Uma mulher alta [Dylda]. Rússia: Non-Stop Production, 2019. 137 min. ASSAYAS, Olivier (dir.). O mago do Kremlin [The Wizard of the Kremlin]. França/Reino Unido, 2025. Mencionado em entrevista. Capítulos 00:00 — Abertura: 81 anos do fim da Segunda Guerra Mundial 00:04 — Valdir Bezerra: a Grande Guerra Patriótica e o legado soviético contestado 00:10 — Mariana Janot: Estado Novo, FEB e a memória disputada da participação brasileira 00:18 — Era Putin: memória, identidade nacional e renascimento militar 00:24 — O Brasil hoje: defesa, paz e o legado contra o fascismo 00:31 — Boletim Ruslat: Cuba, fertilizantes e a guerra informacional 00:37 — Leonardo Nascimento: Grupo Wagner, Venezuela e a geoeconomia do petróleo 00:44 — Boris Zabolotsky: insegurança ontológica, América Latina e três filmes contra a glorificação The post 81 anos depois: Rússia, Brasil e a memória da Segunda Guerra appeared first on Chutando a Escada.
As altas tensões na região do Golfo continuam. Project Freedom é o nome que o Comando Central dos EUA dá à nova operação militar que pode vir a ter um capítulo ofensivo, como de escolta naval armada para permitir o desbloqueamento do Golfo e do Estreito de Ormuz. Quantos navios de combate têm as forças norte-americanas na área? Podemos estar à beira da Segunda Guerra do Golfo, agora com o nome de Projecto Liberdade? Ouça o comentário de Nuno Rogeiro na versão podcast do programa Jogos de Poder, emitido na SIC Notícias a 5 de maio.Para ver a versão vídeo deste episódio, clique aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
O Massacre de Nanquim, ocorrido entre o final de 1937 e o início de 1938, figura entre os episódios mais violentos da Segunda Guerra Sino-Japonesa e da expansão imperial japonesa no Leste Asiático. Após a tomada da então capital chinesa pelas tropas japonesas, a cidade tornou-se palco de execuções em massa, abusos sistemáticos, saques e diversas formas de violência cometidas contra prisioneiros de guerra e populações civis. As estimativas sobre o número de mortos variam, assim como os debates em torno das fontes e da memória do episódio, mas o caso consolidou-se como símbolo da brutalidade da guerra moderna e das violações em larga escala contra civis. Ao longo das décadas seguintes, o Massacre de Nanquim também se tornou tema central nas disputas de memória, nas relações diplomáticas entre China e Japão e nos debates internacionais sobre responsabilidade histórica. Convidamos Jojo Netto e Mario Marcello Neto para analisar o contexto militar que levou à queda de Nanquim, a dinâmica das violências cometidas na cidade, os debates historiográficos sobre o episódio e os usos políticos de sua memória no cenário asiático contemporâneo.Instagram: @iclesrodriguesPIX: leituraobrigahistoria@gmail.comAdquira o curso História: da pesquisa à escrita por apenas R$ 49,90 CLICANDO AQUIAdquira o curso A Operação Historiográfica para Michel de Certeau por apenas R$ 24,90 CLICANDO AQUIAdquira o curso O ofício do historiador para Marc Bloch por apenas R$ 29,90 CLICANDO AQUIColabore com nosso trabalho em apoia.se/obrigahistoriaQuer mais desconto? O cupom HISTORIAFM dá 10% de desconto para cliente recorrente, 15% pra cliente novo, e comprando no Pix entre hoje e amanhã você leva mais 5%! Acesse o site pelo link https://creators.insiderstore.com.br/HISTORIAFM e aproveite! #insiderstore
Em 2026, quando Marilyn Monroe completaria 100 anos, a Cinemateca francesa apresenta uma exposição que revisita sua carreira, entre 1946 e 1962. Com figurinos, filmes e arquivos raros, a mostra Marilyn Monroe: 100 anos! conta como a atriz enfrentou contratos abusivos, censura e misoginia no auge de Hollywood. Morta em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, Marilyn permanece subestimada como intérprete, embora continue celebrada como mito absoluto da cultura do século 20. Na Cinemateca de Paris, principal instituição de preservação do cinema na França, a exposição “Marilyn Monroe, 100 anos” propõe um reencontro com uma figura tão conhecida quanto sistematicamente mal compreendida. Longe de repetir o culto fetichista que costuma cercar a atriz, a mostra parte de uma pergunta incômoda: que tipo de estrela hollywoodiana Marilyn foi, de fato, entre 1946 e 1962, no auge do sistema de estúdios dos Estados Unidos? “Posso ser inteligente quando isso importa, mas a maioria dos homens não gosta disso.” Dita em 1953 no filme Os Homens Preferem as Loiras, a frase escrita por Anita Loos e interpretada por Marilyn funciona como senha e síntese. Ela aponta para o paradoxo central de sua trajetória: celebrada como imagem absoluta de desejo, Marilyn continuou sendo tratada como intérprete menor, mesmo quando diretores e colegas reconheciam publicamente sua inteligência e disciplina. Alfred Hitchcock, por exemplo, resumiu a visão dominante ao afirmar que ela “carregava o sexo no rosto”. Henry Hathaway, em sentido oposto, enfatizava “a inteligência de uma atriz extraordinária, que trabalha muito e quer sempre fazer melhor”. Entre esses dois polos, erguia‑se uma carreira curta, filmada em Technicolor, promovida em telas panorâmicas e atravessada por contratos leoninos. No espaço expositivo, a exuberância visual dos anos 1950 se impõe. Materiais publicitários, figurinos, fotos assinadas por Eve Arnold, Richard Avedon e Andy Warhol compõem o retrato de uma indústria que fabricava glamour ao mesmo tempo em que restringia brutalmente a autonomia de suas estrelas. A curadora Florence Tissot explica que seu ponto de partida foi “mostrar qual estrela hollywoodiana Marilyn Monroe era, e o que isso significava na prática”. "No começo, eu confesso que fiquei bem insatisfeita, porque a gente se depara com uma quantidade enorme de análises que acabam sempre voltando para a biografia dela, interpretando – ou até exagerando – a leitura da vida pessoal. No fim, dá um pouco a sensação de que a gente fica girando em círculo. Então tem também essa questão: como se posicionar diante de todos esses relatos. E depois, outra dificuldade que eu senti foi conseguir acesso aos arquivos", afirmou. Estrela de marketing antes de ser atriz A exposição começa pelas imagens de uma jovem ainda chamada Norma Jean Baker, fotografada como pin‑up enquanto trabalhava em uma fábrica ligada à indústria aeronáutica durante a Segunda Guerra. O sorriso ingênuo, o enquadramento sugestivo e os objetos de conotação claramente fálica revelam, segundo Tissot, “toda a hipocrisia dos anos 50”, quando puritanismo e erotização coexistiam sem constrangimento. Os Estados Unidos viviam a ascensão da revista Playboy e a divulgação do Relatório Kinsey sobre sexualidade feminina. Mas, ao mesmo tempo, enfrentavam o rigor do Código Hays, um conjunto de regras morais que regulou o que podia ou não aparecer nos filmes produzidos por Hollywood durante mais de três décadas. Oficialmente chamado de Motion Picture Production Code, ele entrou em vigor em 1930, mas só passou a ser aplicado com rigor a partir de 1934, quando os grandes estúdios concordaram em submeter seus filmes a uma censura prévia. Leia tambémTemporada excepcional de leilões pode tornar retrato de Marilyn obra mais cara do século 20 Nesse contexto, Marilyn tornou‑se o rosto perfeito de uma sensualidade aceitável, desejável e, paradoxalmente, domesticada. Mas o estereótipo da “loira burra” embutia uma ideia profundamente misógina: a de que beleza, desejo e inteligência não poderiam coexistir em uma mulher. A própria Marilyn denunciou isso em uma rara entrevista à NBC, em 1955, ao afirmar que “as pessoas associam as loiras, verdadeiras ou falsas, à estupidez. Não sei por quê. É uma visão muito limitada”. Ainda assim, esse rótulo estruturou boa parte de seus papéis iniciais. Trabalho, estudo e um talento subestimado Ao contrário da imagem de improviso, Marilyn estudou intensamente, antes mesmo de ingressar no famoso Actor's Studio, em Nova York. "Na verdade, desde o começo ela já fazia aulas, por vontade própria. Estudou canto, dança, interpretação e mímica e pantomima", conta Florence Tissot. "Isso não é muito conhecido, mas é importante lembrar, sobretudo diante dessa imagem de atriz meio inconsequente que se criou em torno dela. Na prática, ela queria ser uma boa atriz – isso era fundamental para ela. Era uma pessoa muito determinada", aponta a curadora. Em filmes como Quando a Cidade Dorme e A Malvada, ambos de 1950, Marilyn aparece pouco, mas críticos como James Naremore identificam ali uma intérprete capaz de condensar medo, raiva, sedução e vulnerabilidade em poucos segundos. “Mesmo com cenas breves, ela empurra os limites dos personagens que lhe eram oferecidos”, observa Tissot. Essa dedicação raramente foi reconhecida. As histórias de bastidores, quase sempre narradas do ponto de vista dos diretores homens, consolidaram a imagem de uma atriz atrasada, indisciplinada e emocionalmente instável. Billy Wilder foi um dos que mais vocalizaram esse discurso, ecoado com especial força na crítica francesa do pós‑guerra. Contratos abusivos e uma batalha desigual Em 1953, no auge do sucesso de Os Homens Preferem as Loiras, Marilyn recebeu um salário significativamente menor que o de Jane Russell, sua parceira de cena. Os contratos de exclusividade de sete anos davam aos estúdios o poder de decidir se e quando uma atriz trabalharia. “Eram contratos abusivos”, afirma Tissot, “e Marilyn foi muito mal remunerada durante grande parte da carreira”. A partir de meados da década, ela passa a renegociar. Luta por salários mais altos, pelo direito de escolher papéis e diretores, e cria sua própria produtora. Conquista vitórias parciais, mas nunca alcança a autonomia de estrelas como Mae West. Mesmo em seu último projeto, Something's Got to Give, Marilyn ganhava menos que colegas homens e menos que Elizabeth Taylor. O preço dessa rebeldia foi alto. Segundo Tissot, a indústria responde com um backlash: a loira ingênua cede lugar à mulher neurótica, problemática, instável. Filmes como A Loira Explosiva ridicularizam justamente sua tentativa de se emancipar. Leia tambémLivro publica confissões e trechos de diários de Marilyn Monroe Entre a transgressão e o castigo A cena da saia branca levantada pelo metrô, em O Pecado Mora ao Lado, sintetiza esse conflito. Filmada em 1954, diante de milhares de curiosos, ela violava simbolicamente o Código Hays e gerou uma das imagens mais reproduzidas da história do cinema. Tissot optou por abrir a exposição não com o vestido da cena, mas com fotos da multidão, sublinhando o caráter espetacular e exibicionista da operação. A imagem eclipsou o próprio filme. “O material promocional da estrela passa a se sobrepor à obra”, observa a curadora. Marilyn era, ao mesmo tempo, instrumento de transgressão e alvo de punição moral. "No fundo, isso mostra toda a complexidade que envolve uma estrela como a Marilyn Monroe. Na França, algo parecido aconteceu com a Brigitte Bardot. É uma década cheia de contradições: ao mesmo tempo em que começa um movimento de emancipação das mulheres, existe um discurso constante que reduz essas figuras à sexualidade. E, no contexto norte-americano, isso se soma a um certo puritanismo. Então fica claro que a imagem da Marilyn Monroe está presa nessa espécie de armadilha", analisa Tissot. Nos anos finais, em filmes como Quanto Mais Quente Melhor e Os Desajustados, a vulnerabilidade passa ao primeiro plano. Sua morte, em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, encerra a carreira e inaugura outra coisa: a administração incessante de seu mito. Um mito sem arquivo A curta carreira e a morte precoce dificultaram o trabalho histórico, segundo a curadora. Os pertences de Marilyn foram leiloados e se dispersaram por coleções privadas. Contratos, cartas e objetos raramente estão acessíveis. “Isso explica por que as lendas continuam tão fortes”, diz Tissot. “Há excesso de discurso, mas pouco acesso aos documentos.” A exposição, ao contextualizar imagens, filmes e discursos, não busca absolver nem vitimizar, e, segundo a curadora, pretende recolocar Marilyn Monroe como sujeito histórico, atriz trabalhadora e figura central para entender como Hollywood fabricou suas estrelas – e como as descartou. A mostra fica em cartaz em Paris até 26 de julho de 2026.
Enquanto a AfD cresce nas pesquisas e nos resultados eleitorais, os alemães se questionam se o "cordão sanitário", criado após o fim da Segunda Guerra para que nenhum partido extremista governe o país novamente, estaria em risco. Até hoje, a AfD não fez parte de nenhuma coalizão governamental. Mas tanto eleitores quanto opositores do partido de ultradireita se perguntam: até quando?
Tem história, mistério e atualidade no ar: uma bailarina fantasma que intriga gerações, presidentes reunidos na Espanha discutindo o futuro, e uma bomba não detonada da Segunda Guerra que voltou a chamar atenção na França… Tudo isso com o nosso jeito inteligente, irreverente e descontraído de contar as notícias que estão dando o que falar! Vem sextar com a gente!
O que há em comum entre uma bateria antiaérea da Segunda Guerra Mundial, os algoritmos do WhatsApp e o bolsonarismo? Para Letícia Cesarino, professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, a resposta está na cibernética. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Letícia para discutir seu artigo recém-publicado na revista Current Anthropology: “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil“, no qual ela aplica o quadro teórico da ecologia da mente, desenvolvido pelo antropólogo Gregory Bateson, para reler o bolsonarismo como um sistema tecnopolítico. No bloco de notícias, David traz dois termômetros da extrema-direita global: os resultados das eleições municipais na França, que revelam o avanço territorial do Rassemblement National a despeito de um teto de vidro nas grandes cidades, e as eleições húngaras de abril, onde Peter Magyar desafia 15 anos de governo Orbán. E ainda tem, no último bloco, dica cultural. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Letícia Cesarino (UFSC), David Magalhães e Guilherme Casarões Capa do episódio: Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00 — Abertura 00:02 — Entrevista: ecologia da mente, cibernética e extrema-direita digital 00:32 — Bolsonarismo, populismo e públicos digitais artificiais 00:45 — Radicalização, a lacuna online-offline e os limites da etnografia 00:57 — Boletim: França — eleições municipais e o Rassemblement National 01:03 — Boletim: Hungria — Orbán e Peter Magyar às vésperas das eleições de abril 01:08 — Dica cultural: Feels Good Man (Amazon Prime, 2020) Citados no episódio CESARINO, Letícia. “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil”. Current Anthropology, 2026. BATESON, Gregory. Steps to an Ecology of Mind. Chandler, 1972. GALISON, Peter. “The Ontology of the Enemy: Norbert Wiener and the Cybernetic Vision”. Critical Inquiry, v. 21, n. 1, 1994. WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. MIT Press, 1948. MASSUMI, Brian. Ontopower: War, Powers, and the State of Perception. Duke University Press, 2015. SIMONDON, Gilbert. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. Jérôme Millon, 2005. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 1986. EASTON, David. A Systems Analysis of Political Life. Wiley, 1965. Documentário Feels Good Man. Direção: Arthur Jones. EUA, 2020. Disponível na Amazon Prime. Chute 391 — Transcrição Parceria Chutando a Escada e Observatório da Extrema Direita Publicado em 26 de março de 2026 Abertura David Magalhães: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da parceria entre o Chutando a Escada e o Observatório da Extrema Direita — o primeiro episódio de 2026. A partir de agora, nos encontramos sempre na última semana de cada mês com episódios dedicados a discutir a extrema-direita em suas dimensões globais, teóricas e também reagindo ao calor dos acontecimentos. Para quem já acompanha o podcast, vale lembrar que nosso programa segue dividido em três blocos. No primeiro, trazemos uma entrevista mais aprofundada com pesquisadores e pesquisadoras que estão na linha de frente desse debate. Depois, passamos para um boletim com as análises das principais notícias envolvendo a extrema-direita global. E, para fechar, uma dica cultural sempre conectada com o universo do extremismo de direita — pode ser um livro, um filme, uma série, uma produção musical. Peço que você fique conosco até o fim, porque a dica deste episódio está completamente relacionada com o tema da nossa entrevista. Vamos lá. Entrevista — Letícia Cesarino David Magalhães: Estou aqui com o meu amigo Guilherme Casarões para receber a nossa convidada deste episódio, que é a Letícia Cesarino. A Letícia é professora associada de Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina e também uma das novas integrantes do Observatório da Extrema Direita. Aproveitamos para dar as boas-vindas — é um prazer ter você conosco, não só no episódio, mas também no Observatório. Nos últimos cinco anos, a Letícia desenvolveu uma pesquisa bastante aprofundada e relevante sobre antropologia digital, extrema-direita e redes sociais. E, mais recentemente, ela acaba de publicar — acabou de sair do forno — um artigo bastante interessante e instigante na revista Current Anthropology. O artigo se intitula “An Ecology of Mind Approach to Far-Right Publics in Brazil” — algo como uma abordagem da ecologia da mente aplicada aos públicos de extrema-direita no Brasil. A ideia deste episódio é discutir esse novo artigo. Letícia, você mobiliza um quadro teórico bastante sofisticado, especialmente ao trazer a ideia de ecologia da mente — ecology of mind —, que vem do trabalho de Gregory Bateson, um antropólogo e linguista britânico importante do século XX. Confesso que não o conhecia; encontrei o livro dele em PDF na internet e li um pouco para me inteirar de como você adota e aplica esse quadro teórico para discutir redes sociais e extrema-direita brasileira. Fiquei bastante interessado no uso do termo “cibernético”, porque para ouvidos contemporâneos ele remete imediatamente ao universo digital, de redes e internet. Mas as principais obras de Bateson são publicadas logo após a Segunda Guerra, nos anos 1960 e 1970 — embora ele tenha iniciado seu desenvolvimento nos anos 1930 —, e ele não estava falando exatamente de internet. Isso me gerou dúvidas. Antes de falarmos da aplicação propriamente dita, você poderia nos explicar um pouco sobre essa abordagem e esse quadro teórico? Bateson propõe tudo isso muito antes da chamada terceira revolução industrial. Letícia Cesarino: Oi, David, Casarões. É um grande prazer estar aqui com vocês no podcast e também no Observatório da Extrema Direita como um todo. Obrigada pelo convite. Acho que esse artigo é um bom gancho para trabalharmos questões da minha abordagem mais específica para a extrema-direita, porque, diferente de muitos que trabalham nesse campo, eu não venho dos estudos da política. Sou uma antropóloga cuja área de origem é a antropologia da ciência e tecnologia — sempre foi assim, desde a graduação —, e nos últimos anos fui transitando para essas questões das mediações digitais, das plataformas e da cibernética. O meu olhar para a extrema-direita é, portanto, um olhar tecnopolítico. O meu interesse é entender essa dimensão relativamente pouco trabalhada nas ciências sociais: o papel das máquinas, o papel da técnica, o papel das infraestruturas técnicas na conformação dessa força política e, mais especificamente no caso desse artigo, dos ecossistemas digitais de extrema-direita. A ecologia da mente e o Bateson — nos últimos anos consolidei em torno da obra dele um arcabouço que remeto também a outros autores da antropologia e da área dos estudos de mídia e tecnopolítica, para desenvolver uma perspectiva que veja agência humana e maquínica juntas, de forma recursiva. E aí a cibernética — podemos começar por ela, esclarecendo o termo. O termo remete a computadores, o que faz sentido, porque a cibernética clássica dos anos 1940, a de Norbert Wiener, o matemático estadunidense que inventou o termo, também deu origem à indústria de tecnologia que temos hoje. Existe, portanto, uma continuidade entre o que chamamos de cibernética hoje e o que era a cibernética como superciência da comunicação e do controle, tanto nos sistemas maquínicos como nos sistemas animais, incluindo o humano. Gregory Bateson fez parte do grupo original das chamadas Conferências Macy, nos anos 1940. Mas depois da Segunda Guerra houve uma bifurcação: uma linha foi trabalhar o que chamo de cibernética das máquinas — Norbert Wiener, Von Neumann, todos os nomes precursores da indústria de tecnologia, da construção dos computadores, da inteligência artificial —, enquanto Bateson foi trabalhar a questão da cibernética dentro de uma chave mais próxima da teoria da evolução e da história natural, o que chamo de cibernética da vida. Ele tem um arcabouço que inclui a cibernética das máquinas, os princípios comuns do funcionamento de máquinas cibernéticas, humanos e animais, mas vai além, trazendo as camadas extras que o humano coloca na relação com a máquina. Nesse sentido, a ecologia da mente inclui a cibernética, mas é maior. É a partir desse ponto de vista que tenho olhado para a participação de máquinas cibernéticas — que, no fundo, hoje são basicamente algoritmos, e a evolução dos algoritmos são as inteligências artificiais — e como elas influem e participam em processos que entendemos como políticos, mas que, na verdade, são tecnopolíticos, porque têm cada vez mais a participação de agências não humanas, agências maquínicas. Guilherme Casarões: Letícia, eu também ficava intrigado com essa terminologia cibernética. Lembro que na faculdade, na aula de sociologia, tive contato com David Easton, que aplicava a cibernética aos sistemas políticos e aos sistemas humanos em geral. Sempre achei curioso que não tivesse a ver com computador — essa foi a maneira como sempre encaramos o termo. Mas toda teoria de sistemas convida a um tipo de abordagem cibernética, com essa linguagem muito interessante de inputs e outputs, de como os sistemas funcionam. Trazer isso de volta à discussão é fundamental. E você argumenta no seu texto que a infraestrutura das redes sociais carrega uma espécie de ontologia do inimigo, herdada dessa cibernética militar da Segunda Guerra Mundial. Como essa visão do ser humano como um servomecanismo — um animal a ser controlado por algoritmos — cria uma afinidade eletiva com a lógica da guerra e a desumanização do outro praticadas pela extrema-direita? Letícia Cesarino: Ótima pergunta. É um bom gancho para colocarmos mais camadas na questão da cibernética. O que tentaram fazer nos anos 1940 — e é importante notar que a cibernética nasce do esforço de guerra, do esforço de guerra dos americanos entrando na Segunda Guerra contra o nazifascismo; a primeira conferência foi em 1946, se não me engano — era produzir conhecimento básico, porque a cibernética é uma ciência que explicaria formas comuns de funcionamento de máquinas cibernéticas, de animais e de humanos. O que têm em comum entre o funcionamento desses sistemas? A cibernética gira em torno da ideia não só de input e output, mas principalmente do feedback — quando o output volta para o sistema como input. O coração da cibernética é essa questão da recursividade, ou causalidade circular, que é uma característica de qualquer organismo vivo e também de máquinas construídas à imagem e semelhança desses organismos, ou seja, máquinas que tomam decisões sozinhas. Essa é, para mim, a principal definição de máquina cibernética, porque os algoritmos fazem isso. Mas muito antes da indústria de tecnologia, outras máquinas já faziam isso — como a própria máquina a vapor de James Watt, que é a base do que Marx, no uso grundrissiano, chama de automata. Ele já identificou no século XIX que havia máquinas sendo incorporadas nas infraestruturas do trabalho que tomavam decisões sozinhas — ainda muito rudimentares, mas a ideia de que as máquinas começam a dar o ritmo do trabalho humano já estava colocada desde o século XIX. A cibernética dos anos 1940 traz para o centro essa questão da guerra, que é quando houve um pico na produção dessas máquinas antes da indústria de tecnologia propriamente dita. Peter Galison — um dos grandes historiadores da ciência, físico de formação — tem um artigo no qual trabalha a ontologia da cibernética de Wiener a partir do contexto de guerra. Ele vai elaborar o que seria essa ontologia do inimigo de guerra a partir da cibernética. Ele faz uma progressão que vale a pena resgatar brevemente aqui. Quando você está numa conjuntura de guerra — uma conjuntura de exceção, isso é importante —, você precisa desumanizar seu inimigo, porque assim vai torná-lo eliminável. Em modelos de guerra anteriores, até a Primeira Guerra, quando você tinha que confrontar seu inimigo no corpo a corpo com uma baioneta ou uma arma de fogo de curto alcance, a forma de desumanização era através de analogias com animais, com monstros. Galison trabalha, por exemplo, cartas de soldados americanos que representam os japoneses através de analogias com ratos, com vermes. Essa é uma forma de desumanização. A segunda forma seria a da Segunda Guerra, que compartilha com a cibernética essa ideia do servomecanismo — um híbrido de humano-máquina. Quando Norbert Wiener começou a desenvolver a cibernética para produzir artilharia antiaérea — máquinas que conseguissem calcular sozinhas a trajetória do caça inimigo para atirar antes de o avião chegar, e o projétil encontrar o alvo no meio da trajetória —, o que o servomecanismo significa? Por que essa imagem do inimigo desumaniza? Porque não interessa quem está dirigindo aquele avião. O que interessa é como aquele avião se comporta — e um comportamento que possa ser previsto e controlado. É um tipo de desumanização cibernética. E podemos pensar também em outras formas de desumanização que evoluem com a guerra, como essa guerra de videogame que temos hoje, onde o inimigo não é sequer visto — é quase como algo da fantasia dos videogames. Isso sempre acompanha a guerra. A cibernética é uma boa epistemologia para entender contextos de exceção, conjunturas de guerra, conjunturas de crise que não se superam, porque são conjunturas de grande instabilidade, de não linearidade, com essa tendência à bifurcação do corpo social. Essas são ferramentas melhores para esse tipo de conjuntura do que muitas das ferramentas clássicas das ciências sociais — Durkheim, por exemplo, desenvolveu ferramentas em sua maioria para contextos de estabilidade, de paz, onde o social está mais estruturado, mais previsível e regido por normas. Num contexto de exceção, de crise e de guerra, o social muda de modo de funcionamento. Uma das hipóteses do meu próximo livro é a de que o social de guerra, de exceção e de crise, funciona em outra dinâmica, e que a cibernética tem boas ferramentas para entender isso, inclusive as formas de desumanização que tendem a se proliferar nesses contextos. David Magalhães: Excelente. Acho que é um bom gancho para avançarmos para a parte do seu texto em que você enquadra todo esse arcabouço para compreender a extrema-direita em ambiente digital. As principais linhas interpretativas preocupadas em compreender a ascensão dessa onda ultradireitista global olham para a questão ideológica, para eleitores frustrados, para a relação desses eleitores com a globalização e com a crise da democracia liberal. Mas você propõe algo diferente: observar esse fenômeno como um grande organismo cibernético, um sistema no qual humanos — lideranças, influenciadores, seguidores — e máquinas — algoritmos do WhatsApp, do Telegram, de redes sociais — operam de maneira integrada, como parte de um ecossistema. O que ganhamos analiticamente ao fazer esse deslocamento? Letícia Cesarino: São muitas camadas. Uma das coisas que acho importante — sempre começo palestras com isso — é a questão do ciborgue. O que é o ciborgue? É um híbrido de humano-máquina, outra forma de falar no servomecanismo. Mas temos essa imagem fantasiosa do ciborgue que vem da ficção científica, a de que seria um indivíduo com partes de sua função fisiológica — alimentação, respiração — suplementadas por máquina. O Robocop seria o tipo ideal disso. O ciborgue da vida real, porém, não se parece em nada com o Robocop. O ciborgue da vida real somos nós. É qualquer um que acorda e a primeira coisa que faz é pegar o celular — para olhar o WhatsApp ou para desligar o alarme — e fica nessa relação de dependência com aquela máquina o dia inteiro, para questões de memória e de tomada de decisão. Por que isso acontece? Porque o Homo sapiens é uma espécie extremamente técnica — uma questão antropológica. Sobrevivemos como espécie, enquanto todos os outros hominíneos foram extintos, pela questão da técnica, da cultura. Precisamos ser suplementados. Como espécie biológica, precisamos ser suplementados o tempo todo pela cultura e pela técnica. Isso não significa que outros animais não tenham técnica — vários mamíferos têm, pássaros também. Mas para o sapiens, isso é existencial. Como Bateson diz, a mente não termina na pele; a mente humana é estendida para o seu ambiente. A unidade de análise da ecologia da mente nunca é o indivíduo sozinho — tentamos delimitar qual é o circuito relevante, e esse circuito de feedbacks é sempre maior que o indivíduo. Pode ser uma família, como no caso dos cães e de uma matilha; pode ser uma comunidade, algum território existencial qualquer. E o nosso território existencial hoje passa necessariamente por essas tecnologias. Os algoritmos, as máquinas, a agência maquínica fazem parte desse território existencial. Isso é um preâmbulo para chegar ao argumento que também faço em vários textos — inclusive nesse —: de que a extrema-direita, se a gente for transposto para a política, é uma força política nativa digital, pelo menos essa extrema-direita que conhecemos hoje. O nazifascismo histórico tem muita participação de mídia, embora isso não seja suficientemente notado. Há muitos estudos históricos que mostram o papel do rádio na capilarização do Terceiro Reich, para conformar esse grande território existencial imaginado e como isso atraiu os alemães comuns em torno daquele projeto. De certa forma, algo similar — similar, mas muito diferente também — está sendo recolocado hoje com relação à nova infraestrutura técnica midiática que são as plataformas digitais. Evito usar a palavra “mídia” porque quando falamos em mídia pensamos em máquinas específicas — televisão, rádio —, mas plataformas não são exatamente mídias. Elas se sobrepõem a todo tipo de infraestrutura técnica, não apenas midiática. Com a plataformização — uma tendência relativamente recente; a internet era muito diferente antes de 2010 — e com os smartphones, que foram um verdadeiro game changer, as primeiras áreas cujos efeitos foram sentidos foram a política eleitoral e a área da saúde. Mesmo antes da pandemia, pesquisadores já identificavam como o autocuidado começou a passar rapidamente por essas infraestruturas, com o “doutor Google”. Para não me estender, vou colocar os dois pontos principais que desenvolvo no artigo, porque são mais ontológicos: como essas máquinas mudam a própria relação espaço-temporal dos nossos sistemas sociotécnicos. O que os algoritmos fazem? Eles hiperaceleram — e esse é, para mim, o ponto central. Quando você hiperaccelera, desestabiliza a relação da mente humana com o seu ambiente. Fica aquele fluxo constante de eventos ao qual você tem que responder o tempo todo, e cognitivamente isso é lido como uma situação de crise, do ponto de vista da ecologia da mente — não só para o humano, para qualquer espécie. Quando há uma instabilidade muito grande do ambiente, isso tende a reverter para o modo crise. É o que Wendy Chun chama de situação de crise permanente que as plataformas jogam nos nossos sistemas sociotécnicos. Isso é, obviamente, uma base fértil para a instrumentalização por forças de extrema-direita. Um outro ponto que os algoritmos introduzem, relacionado à hiperaceleração — que seria uma dimensão mais temporal —, é uma dimensão mais espacial de bifurcação. Algoritmos programados para segmentar públicos, porque essa é a lógica do modelo de negócios da economia da atenção, acabam gerando — não sozinhos, mas na interação com os usuários humanos, porque a recursividade do humano-máquina vai para os dois lados — um efeito sistêmico não de segmentação pura e simples, mas de bifurcação. É aí que entra o código amigo-inimigo, a polarização, a sismogênese — todos esses processos de antagonismo extremo, o que chamo de “mundo do avesso”: um lado é o extremo oposto do outro, numa dinâmica de guerra em que só um pode prevalecer, porque o outro é visto como uma ameaça existencial. No ecossistema de extrema-direita, ele vai desde um polo mais moderado — Tarcísio, digamos — até um polo mais radicalizado — o pessoal do 8 de janeiro, o “tio França” que se explodiu na frente do STF. O que é a extrema-direita? Um lado? O outro? Agentes específicos? Discursos específicos? Não. Do ponto de vista da ecologia da mente, a extrema-direita é toda essa ecologia, todo esse ecossistema que cobre todo esse espectro e que inclui a agência maquínica como um dos seus principais motores. Primeiro porque ela desestabiliza o mundo real, com a hiperaceleração e todos esses processos. Mas ao mesmo tempo ela direciona — é como um rio que tem uma corrente que vai para um lado, e os agentes da extrema-direita são aqueles que nadam a favor da correnteza, porque as plataformas são um ambiente; elas não são variáveis. Elas mudam o ambiente no qual fazemos política. E esse ambiente tem vieses técnicos intrinsecamente favoráveis a uma força política como a extrema-direita. Por isso não é que eles estejam mais espertos ou inteligentes — é que a forma como fazem política converge com a lógica das redes de maneira subliminar, intrínseca. Como o Casarões disse, há uma certa afinidade eletiva com a lógica das plataformas. Mas essa afinidade não é aleatória — por isso foi importante voltarmos à cibernética dos anos 1940, ao esforço de guerra, à artilharia antiaérea. O próprio DNA dessa indústria de tecnologia se originou da guerra e nunca saiu da chave de guerra. Depois da Segunda Guerra, a cibernética se tornou parte da Guerra Fria, com a mesma lógica do controle indireto — fazer o inimigo fazer o que você quer que ele faça indiretamente —, que é essa ideia cibernética do controle numa chave sempre não linear, sempre recíproca. É o que o Trump exatamente tenta fazer agora, em outra versão. Houve um breve interregno onde se tornou uma indústria civil, nos anos 1980 e 1990, mas a lógica algorítmica, a lógica cibernética, continuou sendo a da guerra — só que agora, em vez de controlar o inimigo, você vai controlar o usuário, para fazê-lo clicar num anúncio e vender a atenção daquele usuário para os anunciantes. Há também uma convergência, especialmente durante a Guerra Fria, entre a lógica de guerra indireta, a lógica da propaganda e a indústria de publicidade que temos hoje. Não foi a publicidade que originou a propaganda política — foi a propaganda política que veio primeiro e depois se tornou uma indústria civil, que é o coração da lógica da economia da atenção. Mesmo essas plataformas que se colocavam como liberais sempre tiveram um DNA mais próximo da lógica de guerra, propaganda e controle indireto do que de algo parecido com democracia. Era, de certa forma, um pouco inevitável que as coisas se desenrolassem como estão se desenrolando, porque já estavam previstas na própria ontogênese dessa indústria — como Simondon chamaria —, uma ontogênese ligada à guerra, ao controle e à desumanização. As plataformas, os algoritmos, não nos veem como humanos. É exatamente a mesma coisa do caça com o piloto dirigindo: a máquina é incapaz de ver interioridade, incapaz de ver subjetividade. Ela só nos interpela no nível do controle, da previsão de comportamento. A política está se tornando isso — retroalimentando-se com os discursos da extrema-direita que ativam o senso comum na direção da regeneração, que é a lógica do fascismo histórico: seria possível vencer essa crise, resetar o sistema e construir o estereótipo de um inimigo que precisa ser derrotado para que a crise permanente seja superada. No fim das contas, é uma mistificação de processos reais e de problemas reais, numa linguagem nacionalista e nativista. Guilherme Casarões: Letícia, um outro conceito com que você trabalha no texto e na sua obra é o de populismo. Uma das passagens que mais me chamaram a atenção — e que acho fascinante — é que essa abordagem ecológica de Bateson ganha muita relevância frente ao populismo contemporâneo, justamente porque esse populismo se ampara em públicos que, como você diz no texto, são parcialmente artificiais. A passagem, para quem quiser ler depois, está na página 2 do texto: “os públicos que são produzidos por essa dinâmica são resultados transindividuais de uma agência que é humana e não humana, na medida em que os algoritmos coemergem permanentemente por meio de ciclos cibernéticos”. Essa questão da artificialidade do público é muito central para entender tanto a dinâmica amigo-inimigo quanto a maneira pela qual o populismo contemporâneo consegue controlar a construção narrativa e a mobilização de seu público. Queria ir mais especificamente para o caso que você estuda no texto, que é o bolsonarismo. Seu texto descreve o bolsonarismo não só como uma ideologia, mas como uma dinâmica mutante que oscila entre a moderação e a radicalização. Você traz o conceito de indecidibilidade rítmica — essa coisa de ir e voltar — e eu queria que você explicasse como o bolsonarismo, a partir dessa chave analítica, alterna entre o institucional e o antiestructural, e como isso permitiu ao ex-presidente Bolsonaro manter o sistema político num estado de antagonismo permanente sem chegar a uma ruptura total — o que só vai acontecer em 2023. Letícia Cesarino: O que tentei fazer nesse texto é reler parte do governo Bolsonaro até as eleições de 2022 a partir dessa lógica cibernética — ou seja, como ele performou uma dinâmica cibernética que é essa tecnopolítica moldada pelas máquinas. Casarões, você trouxe a questão do populismo, e acho que são etapas. Desde 2013 até 2018, temos essa invasão muito forte e muito rápida da agência técnica dessas mídias e desses dispositivos dentro da política — um movimento mais tectônico, de desestabilização. E aí essas figuras aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo: Modi, Trump, Bolsonaro, Duterte, Orbán — é aí que o conceito de populismo realmente faz mais sentido, nesse sentido dessa irrupção de uma política antiliberal, com uma norma mais afetiva, mais espontânea. É a política da exceção. E que, novamente, bate com a estrutura das plataformas, porque as plataformas também são políticas de exceção e de multidão. É importante termos isso em mente. A citação que você trouxe mostra como as plataformas fazem um tipo de prestidigitação: colocam uma coisa na interface, então o usuário tem a impressão de que é livre, de que é um indivíduo, enquanto o que está acontecendo atrás da tela é que esse indivíduo está sendo desagregado e reagregado com fragmentos de outros usuários em grandes multidões digitais. Ele não tem liberdade — ao contrário, está tendo seu comportamento indiretamente controlado, no sentido cibernético, pelos algoritmos. E esse social de multidão é o social de crise. Quem está imerso nesses ambientes está se colocando num modo crise — e a extrema-direita é a força política que mais combina com esse tipo de ambiente. Sem crise eles não são nada. Se você tirar a crise, a atmosfera de ameaça de que o Brasil vai acabar, eles não têm nada. Por isso não têm programa político: são uma força política na e da crise e da exceção. Daí esse paradoxo de como uma tecnopolítica de crise, de exceção e de guerra se rotiniza como um governo — que foi exatamente o paradoxo do governo Bolsonaro. E ainda teve a pandemia, que adicionou uma camada enorme de crise a isso. Ciberneticamente, faz muito sentido esse vai e vem — os ciclos de feedback positivo e negativo. O feedback positivo é o que acelera o viés que você já está; o negativo coloca um freio. Bolsonaro, enquanto governante, não podia ficar só no runaway, só no feedback positivo, porque o feedback positivo sozinho eventualmente leva a um colapso — tanto nos organismos vivos como nas máquinas. O que ele e o Trump fazem é colocar estrategicamente esses freios, esses recuos: avanço e recuo, feedback positivo e negativo. Tentei mostrar no artigo como isso se deu durante o governo e como esse processo perde o controle na eleição de 2022, redundando eventualmente no 8 de janeiro. O governo Bolsonaro não construiu nada — estava destruindo coisas, que é o que a extrema-direita faz — mas dosando até onde poderia ir na relação com os outros agentes: o Congresso Nacional, o público. E o público passou a ser medido através das redes sociais — pelas métricas das mídias digitais — e cada vez mais por pesquisas de opinião, que são outra forma de feedback que coteja com as mídias sociais. Bolsonaro foi assim sentindo, de forma propriamente recursiva, lidando com um ambiente de causalidades circulares, crises, etc. A linearidade só é possível em contextos de estabilidade e paz — e é exatamente o que o Trump está fazendo hoje. Agora, uma virada acontece, e aí é muito importante a questão do método. Esse artigo é baseado em pesquisa de métodos mistos, onde a abordagem qualitativa antropológica foi composta com uma abordagem computacional de grandes quantidades de dados, com os meus parceiros da Universidade da Bahia, do LabHD, onde fazíamos o mapeamento em tempo real dos públicos do Telegram. Foi muito interessante ver como, em meados de 2021, o comportamento desse ecossistema transindividual — que chamamos de públicos refratados, os públicos da extrema-direita — mudou. O comportamento pandêmico, ativado pela pandemia, e inclusive as teorias da conspiração começaram a diminuir. Isso foi bem na época da questão do voto impresso. Quando o voto impresso é enterrado, um conspiracionismo eleitoral começa a subir e se estabilizar. Por quê? As condenações do Lula tinham sido definitivamente canceladas, e eles, na mentalidade de guerra deles, já previam: “Está vindo um golpe que vai impedir o Bolsonaro de ganhar as eleições de 2022.” Isso mais de um ano antes da eleição. Já entraram no modo de contra-golpe. Que é outra característica desse social de crise — o que Brian Massumi, também batesoniano, chama de preempção: você passa a agir antecipando a ação do seu inimigo. É muito como a lógica da Guerra Fria entre os dois blocos. Por isso a extrema-direita está sempre reagindo — isso é uma característica muito consistente, inclusive dos ecossistemas misóginos, que estão sempre reagindo à suposta provocação ou traição da mulher. O bolsonarismo entrou nesse modo preemptivo, com a certeza de que haveria um golpe contra ele. Na cabeça deles, dessa grande mente transindividual controlada pelo Bolsonaro, o golpe deles era um contra-golpe: seria dado um golpe no Bolsonaro, e o que estavam fazendo seria a resposta. Quando você vê tudo o que fizeram ao longo desse tempo com esse olhar, tudo faz sentido — e o Bolsonaro, como depois ficou demonstrado, de fato estava tentando articular esse contra-golpe. Nas eleições de 2022, estavam nessa dinâmica de avanço e recuo, não deixando o sistema escalar demais, a temperatura subir demais, enquanto conspiravam. Quando ele finalmente desiste, vê que não ganhou a eleição — isso se arrasta por algumas semanas —, e quando realmente percebem que os comandantes das três forças não vão entrar, que o golpe não vai acontecer, Bolsonaro fica em silêncio. Ciberneticamente, isso foi muito importante, porque era ele que fazia a regulação cibernética entre a camada moderada e a camada radicalizada. Ele não deixava as coisas escalar. Era um agente de radicalização, mas também de moderação. Quando ele se retira, a coisa escala — e foi justamente o 8 de janeiro. Olha que interessante: quando aquela multidão invadiu o Congresso, o que aconteceu? Ficaram esperando para ver o que ia acontecer, porque confiavam no plano — só que o plano já tinha dado errado e eles não sabiam disso. Tem esse componente de um mundo de fantasia criado dentro das comunidades radicalizadas — o Bateson ajuda a entender isso, porque ele tem uma teoria cibernética da fantasia e do jogo. Foi aquele choque de realidade. Não houve mais regulação, não houve mais feedback negativo, a coisa escalou, a temperatura subiu — e é onde o artigo termina, fazendo essa releitura cibernética e ecológica dos eventos do segundo governo Bolsonaro e das eleições de 2022. David Magalhães: Ótimo, Letícia. Encaminhando para o fechamento: no finzinho do artigo você faz uma ressalva que achei bastante importante, ao apontar que a ecologia da mente é extremamente poderosa para entender essas dinâmicas sistêmicas mais amplas, mas que também tem limites — especialmente quando tentamos compreender a totalidade da vida cotidiana do sujeito. É justamente aí que você coloca a necessidade de retornar à etnografia tradicional, à etnografia offline. Queria te ouvir sobre esse desafio metodológico. Como a antropologia pode costurar essas duas pontes — de um lado, a visão de um sistema cibernético amplo no qual os indivíduos parecem agir quase como parte de um circuito, de maneira relativamente previsível; de outro, as trajetórias de vida, as experiências subjetivas, as dores concretas que não desaparecem. Como não reduzir essas pessoas a meros nós de rede? Letícia Cesarino: Ótima pergunta, porque é realmente um desafio metodológico. No caso da ecologia da mente, você nunca pode fechar só no indivíduo. Mas é possível — e é o que estou fazendo no livro novo — pensar como o indivíduo enquanto sistema, porque todo organismo individual é um sistema cibernético, com outras camadas além dele, mas ele próprio é uma camada de individuação bastante importante. Ele pode estar dividido entre dois territórios existenciais — e é um pouco como estou tentando trabalhar a questão da radicalização no livro novo. O online oferece um tipo de território existencial onde a persona online do sujeito está com interações específicas. É isso que gera o elemento de fantasia nas comunidades extremistas: no online é possível cultivar uma realidade e um tipo de estereotipação do inimigo, toda a questão da desinformação, que não é possível fazer no offline. Por isso o que aconteceu depois da invasão ao Congresso e ao STF: a realidade bateu. Eles achavam que a realidade era o que era cultivado na mente transindividual do online — e isso não bateu com o que estava acontecendo offline. Com a internet, não é mais preciso se deslocar fisicamente para se radicalizar. Você pode viver sua vida normalmente e, em parte do seu circuito, se radicalizar só no online. São muito esses casos que abordarei no próximo livro: adolescentes e jovens que estão no quarto jogando videogame, vivendo normalmente na escola, e estão fazendo coisas indescritíveis na internet — que você só vai descobrir quando a polícia bater na porta. Etnografar a radicalização é muito difícil, porque é um processo — você precisa acompanhar a pessoa desde o início, quando não estava radicalizada. É praticamente impossível, a não ser que alguém muito próximo passe por isso. Mas existem autorrelatos. Tenho trabalhado muito com o caso dos neonazistas, onde já há na Europa e nos Estados Unidos um repertório grande de testemunhos e autobiografias de pessoas que saíram dessas comunidades extremistas. No jihadismo também há bastante material; os manifestos de atiradores em escolas, por exemplo, muitas vezes trazem essa visão subjetiva da radicalização. Há um outro ponto que descobri e que não estava na pesquisa anterior: o que alguns estudos de radicalização chamam de reduplicação. Isso vem de um estudo histórico de Robert Lifton sobre médicos nazistas — como eles dividiam a personalidade. Quando estavam em Auschwitz, eram um tipo de pessoa; quando estavam em casa, com a família, eram completamente diferentes. Era uma reduplicação da personalidade em duas, como forma de resolver dissonâncias e contradições. O médico conseguia desumanizar as pessoas que selecionava para morrer em Auschwitz, enquanto em casa humanizava os seus. Algo assim parece acontecer também no nível da mente individual através da lacuna online–offline: as pessoas inconscientemente encontram formas de dividir a sua mente entre esses dois mundos, de forma que não precisem romper com familiares, amigos ou colegas de trabalho por razões políticas. Esse efeito da lacuna online–offline deve ser estudado — não é só uma questão metodológica, é a questão de qual é o efeito dessa própria separação, que é inédita: são as primeiras tecnologias que possibilitam essa divisão em ambientes existenciais separados, ainda que em relação recursiva. Isso pode ser um indutor de radicalização. Sabe aquele meme dos cachorros latindo no portão? Quando o portão abre, cada um vai para um lado. O humano tem um pouco disso: fica mais agressivo, fala coisas e faz coisas quando não está cara a cara com a pessoa — coisas que não faria no presencial. Isso é muito característico da extrema-direita: estão latindo, agressivos, no comportamento de ameaça, e quando a Polícia Federal bate na porta, revertem ao comportamento de autopiedade e vitimização — que é o que o Bolsonaro está fazendo agora na cadeia. Bateson trabalha isso muito bem, não só no humano, mas em outros mamíferos. A ecologia da mente, pegando inclusive insights de outros mamíferos — como o Bateson faz —, nos ajudaria a reincorporar o elemento biológico-evolutivo nas nossas explicações. E aqui chego a um ponto que acho muito importante: a extrema-direita tem todo um repertório do darwinismo social e da psicologia evolutiva para dizer que a forma como ela vê o humano é a forma real, a forma biológica, a forma natural. São leituras completamente erradas e enviesadas, mas para o senso comum são muito intuitivas. A questão de gênero, por exemplo: a ideia de que o homem é para um papel e a mulher para outro não tem apoio em estudos sérios de outras espécies ou da nossa. A antropologia, porém, abandonou esse campo — tornou-se etnografia, estudo da cultura, abandonou a natureza e a biologia, por razões relacionadas à história e à política interna da disciplina. Um dos meus objetivos é recuperar esse espaço de autoridade científica para falar do humano, do que é natural no humano, a partir de abordagens como a do Bateson — que é uma teoria da evolução que inclui a cultura — para competir também nesse campo da naturalização do comportamento humano. Eu diria que é talvez o campo mais persuasivo dos discursos da extrema-direita, porque a esquerda e as ciências sociais ficam só na desconstrução e no culturalismo, enquanto eles estão falando daquilo que é espontâneo, natural, atemporal. É assim que o fascismo mira, e precisamos competir nessa ordem de discurso, reivindicando uma abordagem científica mais universalista — um outro tipo de universalismo, não o positivista. A ecologia da mente é uma das principais vias que vejo para isso. No contexto desse artigo, foi também um subtexto: o artigo foi parte de um dossiê financiado pela Fundação Wenner-Gren, a maior fundação de antropologia dos Estados Unidos, e queria passar essa mensagem para os meus colegas antropólogos — a gente pode falar de universais humanos de uma forma mais refinada e rica, e competir com a extrema-direita nesse campo de discurso. Guilherme Casarões: Letícia Cesarino — incrível, tanto no pessoal quanto no profissional. E agora descobrimos, o que não deveria ser exatamente uma surpresa, que você é especialista em memes. Foi de longe uma das conversas mais eruditas que tivemos aqui, não só na colaboração com o OED, mas de todas as entrevistas que já fiz. Uma densidade impressionante, transmitida de forma didática. Tenho certeza de que os nossos ouvintes vão adorar esse papo. Quem está acompanhando, fiquem por aí — ainda temos a segunda parte da conversa, com o boletim de notícias e a dica cultural. Boletim — Giro de Notícias David Magalhães: Vamos ao nosso boletim com duas notícias envolvendo a ultradireita. França No próximo ano teremos eleições nacionais na França, que serão importantíssimas tanto para a Europa quanto para o futuro da direita radical no mundo. No dia 22 de março, domingo, ocorreu o segundo turno das eleições municipais francesas, que costuma ser um termômetro importante para medir o crescimento e a capilaridade da direita radical francesa, representada aqui pelo Rassemblement National. O resultado dessas eleições foi bastante ambíguo. O Rassemblement National, partido de Marine Le Pen e da estrela em ascensão Jordan Bardella, não conseguiu vencer em grandes cidades estratégicas — como Marselha e Toulon —, onde havia uma expectativa de vitória da direita radical. Por outro lado, o partido avançou de forma importante em outro nível: consolidou uma presença territorial, especialmente no sudeste e no nordeste do país, conquistando dezenas de prefeituras e ampliando de maneira bastante significativa sua base local. Hoje, de acordo com matéria do Le Monde de 23 de março, o Rassemblement National passa a governar aproximadamente 70 municípios e conta com cerca de 3 mil representantes locais — uma quantidade bastante considerável. Outro ponto central é um certo teto de vidro que tem impedido a vitória do RN em grandes cidades. Esses centros urbanos mais ricos, mais jovens e com maior nível educacional têm sido um desafio para a expansão da direita radical. Por outro lado, há um crescimento muito forte em áreas periféricas, regiões pós-industriais e comunas menores, geralmente marcadas por uma sensação de abandono e por um acúmulo de ressentimento — o que alguns autores chamam de left behinds, os que foram deixados para trás —, sentimento que a direita radical populista costuma explorar. Quero destacar ainda um fator que pode ser preocupante olhando para as eleições nacionais de 2027: não houve, ou houve em pouquíssimas cidades, a chamada frente republicana — também chamada de cordão sanitário. O cordão sanitário é o conjunto de alianças tradicionais de partidos com compromissos democráticos para barrar a direita radical no segundo turno das eleições. A quase inexistência desse cordão fez com que o RN conquistasse cidades onde, em eleições anteriores, havia sido bloqueado. No final das contas, essas eleições não deram o resultado que o RN esperava — um grande impulso nacional —, mas consolidaram uma base territorial sólida. Isso coloca uma questão relevante olhando para 2027: seria esse enraizamento local suficiente para sustentar uma vitória nas eleições presidenciais? Seguiremos acompanhando o caso da França. Hungria Passamos para a Hungria — continuamos falando de eleições, já que os húngaros vão às urnas em abril para decidir se encerram os 15 anos de governo de Viktor Orbán. No domingo, 15 de março, os dois principais atores políticos do país — Viktor Orbán, do Partido Fidesz, e o oposicionista Peter Magyar, do partido Tisza — realizaram grandes manifestações em Budapeste no Dia Nacional Húngaro. Mais do que uma comemoração histórica, os eventos funcionaram como um teste de força às vésperas das eleições de abril. Os dois lados reivindicaram vitória em termos de mobilização — como já vimos aqui no Brasil. O governo afirmou que foi uma das maiores marchas já realizadas no país, enquanto a oposição chegou a afirmar que reuniu meio milhão de pessoas. Ainda que sejam números exagerados, as estimativas independentes indicam que o Tisza, de Magyar, levou mais gente às ruas do que o Fidesz de Orbán, o que sinalizaria um possível avanço da oposição no campo urbano. Essas manifestações têm algo interessante: acontecem dentro de um calendário nacional, e foi possível observar uma disputa não só eleitoral, mas simbólica. Ambos os lados tentavam se apropriar da memória da Revolução de 1848. Orbán engendrou uma narrativa que associa o passado à luta contra o domínio estrangeiro, ao globalismo, à ingerência da União Europeia e à ameaça da guerra na Ucrânia. A oposição liderada por Peter Magyar utiliza os mesmos símbolos nacionais, mas com outros significados: para eles, a defesa da liberdade hoje se traduz em manter a Hungria dentro da União Europeia e vinculada à OTAN, além de restaurar o funcionamento das instituições democráticas do Estado húngaro — bastante prejudicadas nos anos de Orbán. As pesquisas de intenção de voto desde julho do ano passado mostram um quadro relativamente estável, com uma diferença de aproximadamente 10% em favor da oposição. É preciso ter cautela com essas pesquisas, no entanto, porque em 2011 Orbán fez uma importante reforma eleitoral que dá mais peso aos distritos rurais, geralmente mais conservadores. Além disso, ele concedeu cidadania a húngaros que vivem na Eslováquia, na Romênia e na Sérvia, uma população que tende a votar no governo. E há também uma mobilização ideológica mais incandescente da direita radical húngara, que pode fazer diferença nas urnas. Fato é que nenhum dos lados parece acreditar numa vitória esmagadora. Já se discute a possibilidade de alianças — o partido Jobbik, na Hungria, pode ser crucial para a formação de uma maioria no parlamento. No nosso episódio de abril, iremos repercutir o resultado dessa eleição. Dica Cultural David Magalhães: A nossa recomendação cultural deste episódio tem tudo a ver com a conversa que tivemos no primeiro bloco com a Letícia Cesarino. Se você se interessou pelo debate sobre internet, cultura digital, extrema-direita e disputa de narrativas, vale muito a pena assistir o documentário Feels Good Man, disponível na Amazon Prime. O documentário é de 2020, mas chegou recentemente a essa plataforma. O filme conta a história do Pepe the Frog, personagem criado pelo cartunista Matt Furie nos anos 2000. Originalmente era um sapo tranquilo, good vibes, que circulava numa tirinha independente. Com o tempo, porém, esse personagem foi sendo apropriado na internet — primeiro como meme, depois ganhando formas cada vez mais distorcidas, até virar um símbolo associado ao alt-right e a outros grupos de extrema-direita. O documentário é bastante interessante porque não trata isso como uma mera curiosidade da internet. Ele mostra como esse processo revela algo mais profundo: como essas comunidades online — fóruns, antigamente o 4chan, hoje um ecossistema bem mais complexo — funcionam como verdadeiros laboratórios de produção cultural e política, com uma lógica quase darwiniana de disputa por atenção, em que os conteúdos mais chocantes e extremos ganham mais visibilidade, com toda uma engenharia algorítmica por trás. O filme também acompanha o próprio criador do Pepe, que se vê completamente impotente diante da transformação da sua obra. E esse é um ponto central: na era da internet, a circulação de imagens e memes escapa completamente ao controle original — pode ser capturada e ressignificada por distintos atores políticos. O documentário tem um aspecto que dialoga diretamente com o que conversamos com a Letícia Cesarino: esses grupos utilizam o humor, a ironia, a ambiguidade e as trollagens para disseminar ideias racistas, misóginas e xenófobas, muitas vezes sob a aparência de brincadeira. Isso cria uma zona cinzenta que dificulta a crítica e, ao mesmo tempo, aumenta o alcance dessas mensagens de ódio. Feels Good Man nos ajuda a entender essa cultura digital e como ela se relaciona com a extrema-direita — e dialoga perfeitamente com os temas que trouxemos na entrevista do primeiro bloco. Até a próxima. The post Ecologia da mente e extrema-direita appeared first on Chutando a Escada.
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Confira na edição do Jornal da Record desta terça-feira (24): STF começa a julgar acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O JR mostra o trabalho de resgate em busca de sobreviventes e o drama dos desabrigados na Zona da Mata mineira. As consequências da chuva pelo Brasil. Uma pessoa morreu na Baixada Fluminense, e no litoral paulista as cidades estão em alerta. Guerra na Ucrânia completa quatro anos e já é o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra. E o Corinthians apresenta o marroquino Zakaria, indicado pelo amigo Memphis Depay.
A guerra na Ucrânia, a ameaça russa e a perda de confiança nos EUA mudaram os rumos militares na Europa, incluindo a Alemanha, que no século 20 manteve uma postura mais neutra e pacifista – essencialmente, devido à derrota e às barbáries cometidas pelo país na Segunda Guerra. Agora, o governo alemão investe para tornar a Bundeswehr o maior exército do continente europeu. Mas isso é possível?
Este é o segundo episódio da série de podcasts Ugo Giorgetti em 4 documentários e trata de dois médias-metragens: “Variações Sobre Um Quarteto de Cordas” e “Santana em Santana”, documentários produzidos pelo diretor e produtor, que também são muito diferentes entre si, mas que têm um ponto crucial em comum. No episódio, Liniane Brum e Mayra Trinca revelam como eles entrelaçam as trajetórias de vida de dois artistas, em meio ao desenvolvimento da cidade de São Paulo. _____________________________ Roteiro [Som de tráfego em cidade: buzinas, carros, ruídos de fundo.] Mantém em BG até entrada da música de transição. LINI: Esse é o segundo episódio da série de podcasts Ugo Giorgetti em 4 documentários. Meu nome é Liniane Haag Brum, sou doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp e realizei a pesquisa de pós-doutorado “Contra o apagamento – o cinema de não ficção de Ugo Giorgetti” também na Unicamp, no Labjor, com o apoio da Fapesp. Essa pesquisa surgiu da descoberta de uma lacuna. Percebi que não havia nenhum estudo sobre a obra de não ficção de Giorgetti. Apesar de ela ser tão expressiva quanto a sua ficção, e mais extensa. MAYRA: E eu sou a Mayra Trinca, bióloga e mestra em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor. Você já deve me conhecer aqui do Oxigênio. Eu tô aqui pra apresentar esse episódio junto com a Liniane. Nele, vamos abordar os médias-metragens “Variações sobre um Quarteto de Cordas” e “Santana em Santana”. [Música de transição – tirar da abertura de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] LINI: No primeiro episódio, apresentamos os documentários “Pizza” e “Em Busca da Pátria Perdida”, destacando os procedimentos e recursos de linguagem empregados pelo cineasta para retratar a complexidade da capital paulista. MAYRA: Em “Pizza”, as contradições de São Paulo surgem na investigação de pizzarias de diversas regiões, por meio de depoimentos de seus donos, funcionários, clientes e pizzaiolos. Já “Em Busca da Pátria Perdida” se concentra no bairro do Glicério, e registra a experiência de migrantes e imigrantes que encontram acolhida e fé na Igreja Nossa Senhora da Paz. Se você ainda não ouviu, é só procurar por “Ugo Giorgetti” no nosso site ou no seu agregador de podcasts. LINI: Nesse segundo episódio, vamos falar sobre dois médias-metragens: “Variações Sobre Um Quarteto de Cordas” e “Santana em Santana”, documentários que também são muito diferentes entre si, mas que tem um ponto crucial em comum. Vamos revelar como eles entrelaçam as trajetórias de vida de dois artistas, ao desenvolvimento da cidade de São Paulo. (pausa) Vinheta Oxigênio LINI: Se você não tem muita ligação com a música de câmara, seja tocando, estudando ou pesquisando o tema, é provável que nunca tenha ouvido falar em Johannes Olsner. “Variações Sobre Um Quarteto de Cordas” retrata a trajetória profissional desse violista que chegou no Brasil em 1939, vindo da Alemanha para uma turnê musical, e nunca mais voltou pra casa. MAYRA: Sobre esse documentário o crítico literário e musical Arthur Nestrovski escreveu o seguinte na Folha de São Paulo, em setembro de 2004: “O filme é muito simples. O que, no caso, é uma virtude: (…) a vida de Johannes Oelsner se confunde com a arte que praticou ao longo de quase 70 anos de carreira.” LINI: O violista alemão fez parte da formação inicial de músicos do que é hoje o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. [Música de transição – escolher excerto de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] MAYRA: Talvez você esteja se perguntando o que é um quarteto de cordas… Vamos por partes: Um quarteto de cordas é uma das formações mais emblemáticas da música de câmara e reúne quatro instrumentistas em dois pares: dois violinos, uma viola e um violoncelo. [Entra música de fundo: escolher excerto de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] [Sugestão – time code do Youtube – 09:32 até 10:42] A expressão “música de câmara” tem sua origem na “musica da câmera”, termo italiano que significa “música para a sala”. É originalmente um gênero de música erudita para ser tocada em ambientes privados e íntimos, como nos aposentos palacianos e gabinetes da aristocracia, – e não nas grandes salas de concerto. LINI: A música de câmara pode ter diferentes formações, como por exemplo um dueto ou um quinteto. Mas – sim! – o quarteto é a sua forma mais clássica. [Música de transição] Embora os quartetos de cordas se dediquem a um repertório de alto refinamento artístico, sua presença no Brasil é pouco comum. Foi pensando nisso que perguntei pra Ugo Giorgetti por que motivo ele decidiu fazer um documentário sobre um tema tão específico. Ouve só como foi a nossa conversa: LINI: Sobre o quarteto de cordas eu queria perguntar o seguinte: é um tema restrito? Fica um documentário mais assim, restrito, você acha? GIORGETTI: O Quarteto de Cordas é só um lado do documentário. Ele fala também de São Paulo, ele fala do Mário Andrade, ele fala do Prestes Maia, ele fala um monte de coisa. Ele fala da durabilidade do tempo, esse negócio se transformou em uma coisa que durou 37 anos tocando juntos. Esses caras envelheceram juntos. [Música de transição – trecho de “Variações Sobre um Quarteto de Cordas”] GIORGETTI: Quando eu fiz o documentário, esse quarteto já não existia mais naquela forma original. Já passou por outras formas, mas é sempre o Quarteto de Cordas do município de São Paulo. Então, nenhuma coisa é tão fechada assim. MAYRA: Retomando a trajetória de Johannes Olsner: sua formação como músico erudito começou cedo e se deu por meio do aprendizado do violino. Foi só mais tarde, quando já tocava profissionalmente, que ele chegou à viola que lhe acompanhou ao longo da vida. Escuta o próprio Johannes falando um pouco sobre isso: [trecho do documentário] – Johannes Olsner: Estudei primeiro violino, comecei com 9 anos o violino, então eu me apresentei no Conservatório Real de Dresden. Aí quem me ouviu foi o grande professor Henri Marteau, francês. Depois, com 13 anos, me deram uma bolsa de estudo integral. Eu me formei, depois ganhei o meu diploma, etc, etc. Isso foi em 1935, até 1937. [trecho de MOZART em violino] LINI: O violista já tocava no prestigioso Quarteto Fritzsche de Dresden, ainda na Alemanha, quando recebeu a notícia que iria sair em turnê para as Américas. No dia 9 de março de 1939, aos 24 anos, ele e seus parceiros musicais pegaram um navio, em Bremen, também na Alemanha. [Efeito de som do mar] Primeira parada: Panamá, por três dias. Depois Argentina, onde tocaram na escola alemã e permaneceram por semanas a fio. Em seguida Montevidéu, onde fizeram quatro concertos. E, finalmente, aportaram no Rio de Janeiro. [Efeito de som do mar] [trecho do documentário] – Johannes Olsner: Chegamos dia 26 de julho de 1939, com bastante atraso, mas aqui no Brasil. LINI: Veio a Segunda Guerra, ele e os colegas permaneceram em terras brasileiras. [trecho do documentário] – Johannes Olsner: A gente pode dizer mesmo o Deus é brasileiro, né? Eu tive sorte lá, com entrar no Quarteto e tudo assim, mas aqui, olha que, eu sempre digo para todos vocês que são brasileiros natos: pode ficar contente, porque é a melhor terra que tem. Fora de tudo que tem, olha que, é a melhor terra que tem. LINI: Olsner criou raízes em São Paulo. Em 1944, mesmo ano em que se casou, entrou para o Quarteto Haydn. MAYRA: O Quarteto Haydn do Departamento de Cultura de São Paulo representa a fase inicial e histórica do que hoje é o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Sua origem remonta a 1935, quando foi fundado por iniciativa de Mário de Andrade, que na época era o diretor do Departamento. A formação respondia a um antigo anseio do escritor, crítico musical, ensaísta e professor de música. Entre outras tantas lutas culturais, Mário de Andrade acabou se tornando um verdadeiro paladino da construção de uma cultura musical consciente e autônoma para o Brasil. A rememoração de Oelsner dá indícios dessa efervescência: EXCERTO MÁRIO DE ANDRADE: Oelsner: Um dos primeiros concertos, me lembro, era em frente do Teatro Municipal, a velas. E então, aí o Mário, como disse, como assistiu todos os concertos, um dia ele chegou também. Ele dizia, seria possível tocar uma vez com o nosso quarteto aqui do teatro, do departamento. Então, como eu já falei para o senhor, fizemos o quarteto de Mendelssohn [trecho do quarteto de Mendelssohn do documentário Variações(continuação do texto acima) ] LINI: Pausa para um esclarecimento. Você lembra que no primeiro episódio a gente falou da presença da literatura na obra de não ficção de Giorgetti? Pois é, “Variações sobre um quarteto de cordas” também revela essa face do diretor paulista. Na entrevista com Oeslner, ele não disfarça o interesse pelo escritor brasileiro Mário de Andrade. [trecho do documentário] Ugo Giorgetti: O senhor lembra do bem do Mário de Andrade? Oelsner: Sim, nós éramos amigos, que infelizmente eu tinha mais contato com ele de 44, quando eu entrei no departamento, até 45, e pobre Mário morreu em 45. Ugo Giorgetti Como ele era? Oelsner: Sempre alegre, sempre disposto, e qualquer coisa que o senhor disse, uma novidade, o senhor dizia, vamos ver. Sim, sim, sim. E marcava quanto se podia fazer. O Mário era formidável. LINI: Eu perguntei ao diretor se ele de fato – abre aspas “perseguiu” – a presença e a figura de Mário de Andrade, na entrevista com o Oelsner. Ele respondeu que sim. E fez o seguinte relato: [trecho do documentário] Ugo Giorgetti: Eu considero o Mário de Andrade o maior intelectual de São Paulo, de todos os tempos, porque ele era um grande poeta. Tem poemas que são fantásticos, citei um num artigo que escrevi sobre Abujamra, um poema dele, que dizia, “eu sou 300, sou 350, mas um dia eu toparei comigo.” Ele era um músico, ele dava aula no Instituto de Arte Dramática, professor, ele era um etnógrafo, ele saia pelo Brasil cantando folclore, ele era um professor, claro, político, na boa fase, na boa forma de político. Ele foi o primeiro secretário de Cultura de São Paulo. Eu procuro o Mário de Andrade, onde é possível achar. Eu tenho contos dele, o que ele escreveu para jornais, ele escreveu para jornais também, era um cronista, um cara fantástico. MAYRA: Johannes Olsner cultivou laços com Mário de Andrade e também com personalidades como os compositores e regentes Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri. Além disso, executou peças com as pianistas Guiomar Novaes e Magdalena Tagliaferro. Durante a formação mais longeva do Quarteto, de 1944 a 1979, ele tocou com Gino Alfonsi no primeiro violino, Alexandre Schaffman no segundo e Calixto Corazza no violoncelo. LINI: A gente pode dizer que Johannes Olsner é o biografado do documentário. Mas também podemos afirmar que essa peça audiovisual é um testemunho. Por meio de um único depoimento, o média-metragem: flagra o nascimento do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, – que é também um registro do florescimento da vida cultural e do desenvolvimento da capital paulista. MAYRA: Vislumbra uma linhagem de músicos alemães surgida em Dresden, berço musical em um dos momentos mais ricos, inovadores e contraditórios do Ocidente. LINI: Testemunha os efeitos da Segunda Guerra Mundial, quando centenas de cidadãos alemães se viram obrigados a imigrar para sobreviver. Esse ponto não está explícito no relato de Olsner, mas as imagens do documentário fazem referência ao fato. MAYRA: Revela a devoção de Johannes Olsner à música. LINI: Mesmo depois de aposentado, Johannes Olsner seguiu trabalhando como músico. Na época da gravação do documentário, em 2003, lecionava no Conservatório Villa Lobos, em Osasco, e tocava em eventos e festas de casamento. Ele jamais considerou parar com suas atividades musicais. Faleceu aos 94 anos, em São Paulo, no ano de 2010. [Bloco 2: documentário “Santana em Santana”] LINI: Santana em Santana, de 2007, foi realizado a partir de um edital da Secretaria Municipal de Cultura que visava a realização do projeto “História dos bairros de São Paulo”. A ideia por trás da chamada pública era fomentar o mapeamento audiovisual da capital paulista, por meio de documentários sobre os bairros que a compõem. MAYRA: Ugo Giorgetti, com sua produtora, a SP Filmes de São Paulo, foi selecionado com o projeto de documentário que propunha explorar a história do seu bairro de origem: Santana, localizado na zona norte da capital paulista. [Ruído de passagem de cena] LINI: Santana em Santana: de cara dá pra perceber que o título escolhido pelo cineasta é tanto uma provocação existencial e poética, quanto um convite à interpretação. MAYRA: A gente se pergunta: como assim Santana EM Santana? Existe um bairro dentro do bairro original? Isso seria um erro de grafia ou uma pista? Ou apenas um jogo linguístico para atrair a atenção do espectador? [Ruído de passagem de cena] LINI: Pois é, eu questionei o Ugo Giorgetti sobre o que o título do filme pretende revelar. Sua resposta acabou mostrando as motivações por trás do projeto original. Além, é claro, de elucidar esse “mistério”… Ele disse: UGO GIORGETTI: Bom, eu fiz pelo seguinte, também eu quis fazer. Se Santana realmente correspondia à minha concepção que eu tinha dela. Por quê? Porque eu ia na casa do meu irmão… Eu vou sempre na casa do meu irmão. Toda a vez que eu ia na casa dele, às vezes eu ia à noite, às vezes de dia, eu tinha a impressão que não tinha sobrado pedra sobre pedra do meu bairro. Era uma coisa sórdida, vulgar, ridícula, todas as construções iguais, uma coisa cafajeste, não sobrou nada do cinema, nada de nada. Eu não falava com ele sobre isso porque ele morava lá, ele também não falava. Então ficou essa ideia que estava cimentada na minha cabeça. E, para a minha surpresa, quando eu fiz o documentário, eu vi que não só restavam coisas, mas que restava muita coisa. Uma pessoa como eu, que conhecia muito bem o bairro, eu andava para aquele bairro o tempo todo, você procurando os lugares que você ia, em geral, eu achava o lugar. Não só achava o lugar, como alguns lugares intactos. [Ruído de passagem de cena: um carro passando] MAYRA: A escolha da linguagem cinematográfica mostra também esse interesse pessoal pelo tema. O principal recurso usado em Variações sobre Um Quarteto de Cordas se repete em Santana em Santana: o depoimento de um único artista, nesse caso, o próprio Giorgetti. Em Santana em Santana Ugo não é apenas o cineasta, mas assume também a posição de narrador-apresentador. Na cena que abre a narrativa, você vê um ambiente despojado, o diretor atrás de uma escrivaninha olhando para a câmera e falando o seguinte texto: [trecho do documentário Santana em Santana] Ugo Giorgetti: Santana sob o ponto de vista da história, do fato histórico, não é relevante, não há nada na história de Santana, que eu saiba, que mereça um registro significativo. Santana é uma região que fica ao norte da cidade, dividida pelo Tietê. Isto é, o Tietê é a primeira fronteira dela, que separa Santana da cidade. E o início dela, é o início mais ou menos costumeiro dos bairros de São Paulo. Quer dizer, é uma grande quantidade de terra, ocupada por uma associação entre o Estado, a Igreja e ricos proprietários. . Evidentemente essas proporções foram se desfazendo depois, principalmente os ricos proprietários, e se tornou um bairro, conforme ele se configurou, a partir de 1942”. LINI: A fala do cineasta sugere que o documentário vai investigar a história do bairro Santana. No entanto, à medida que a narrativa avança, o que se vê na tela é um percurso afetivo que pouco tem a ver com acontecimentos verificáveis, dados e informações precisas. Santana em Santana revela o cineasta à procura de sua própria história… MAYRA: Em cena, a escola que frequentou na primeira juventude, o Mirante de Santana, o cinema de bairro que hoje é shopping center. LINI: Ouve só como também é revelador esse trecho da conversa que tive com ele: GIORGETTI – O filme que mais me impactou que eu vi lá em Santa Ana foi um filme de 1960. Eu tinha 18 anos. É um filme maravilhoso não pelo, digamos assim, valor cinematográfico, é pequeno o valor cinematográfico, mas porque era um filme chamado O Julgamento de Nuremberg; o casting era inacreditável: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Montgomery Clift. Lini: É um bom filme. Ugo: Pô! MAYRA: Em entrevista, o diretor também expôs a importância do processo de produção do documentário, para o tema de que ele trata: GIORGETTI: Tem alguns planos nesse filme que eu gosto muito. Tem um plano que eu acho que é muito bom, que é um plano numa tempestade. Eu falei, se prepara que vai chover, se prepara que vai ter uma puta tempestade que ocorre nesse bairro. E, de repente, o que eu acho curioso é que, no meio da tempestade, o bairro ficou um bairro. Tudo ficou um pouco impreciso, como se o tempo tivesse passado, porém deixou como um quadro impressionista, contornos no meio daquela névoa da tempestade. Daí eu reconheci o bairro. Daí eu falei, esse é Santana. Casas meio aparecendo, outras não. Uma coisa mais na sombra, outra coisa mais evidente. Ficou muito legal aquilo. Mas tem outras coisas. Tem o meu irmão voltando da feira. Não sei se você viu. Ele está identificado como… Lini: Não, não. Ah, então eu não identifiquei. Acho que foi uma cena muito de passagem. É, o cara voltando da feira. O maestro Mauro Giorgetti com uma puta de uma cesta. Ele nem viu que ele estava lá. MAYRA: Essa atitude artística de Giorgetti em Santana em Santana, de individualizar a narrativa, ao invés de elucidar fatos e discursar sobre eles, faz parte de um – digamos – estilo. Segundo o diretor, ele nunca trata realmente do tema que se anuncia; ele afirma que o seu mote é, abre aspas, “ter sempre uma coisa que vista a cidade (…) você pensa que tá vendo uma coisa, mas é outra”. LINI: Ou seja, de acordo com o diretor, no fundo ele está sempre tratando de São Paulo. [Pausa.] OK, como você ouviu lá no primeiro episódio, é preciso considerar a visão do artista sobre seu próprio trabalho. Mas sem tirar de foco aquilo que a obra, ela mesma, mostra. No caso, o documentário – sobretudo – ativa a memória do diretor e a projeta no presente. Essa projeção oferece ao espectador uma realidade construída por um discurso que é uma espécie de auto-perscrutação dos primeiros anos de vida do artista em contato com a cidade. [Efeito sonoro de tráfego em cidade: buzinas, carros, ruídos de fundo] LINI: Uma investigação a partir do subjetivo…que é também um documento…. [trecho do documentário Santana em Santana] Ugo Giorgetti: Por isso que eu tento fazer uma coisa que deixe, pelo menos, uma impressão do mundo que eu vivi. Eu não estou fazendo poesia, não estou fazendo filmes fora, cabeça, mensagem. Isso não é comigo. [Efeito sonoro de tráfego em cidade: buzinas, carros, ruídos de fundo.] MAYRA: O roteiro desse episódio foi escrito pela Liniane Haag Brum, que também realizou as entrevistas. A revisão do roteiro foi feita por mim, Mayra Trinca, que também apresento o episódio. LINI: A pesquisa de pós-doutorado teve orientação do professor Carlos Vogt, e seu resultado é objeto de meu trabalho no âmbito do Programa Mídia Ciência, do Labjor, com supervisão da Simone Pallone. As reportagens referentes à divulgação de “Contra o apagamento, o cinema de não ficção de Ugo Giorgetti”, foram publicadas no dossiê “Ugo Giorgetti” da Revista ComCiência. A gente vai deixar o link e a ficha técnica dos documentários na descrição do episódio. LINI: A edição de áudio foi feita pela Carolaine Cabral e a vinheta do Oxigênio é do Elias Mendez. MAYRA: Este episódio tem o apoio da Diretoria Executiva de Apoio e Permanência, da Unicamp e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a FAPESP, por meio de bolsas e também da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. MAYRA: Você encontra a gente no site oxigenio.comciencia.br, no Instagram e no Facebook, basta procurar por Oxigênio Podcast. LINI: Se você gostou do conteúdo, compartilhe com seus amigos.
Aliados de primeira hora desde o fim da Segunda Guerra, a Europa e os Estados Unidos vivem um momento de estranhamento em suas relações. As duas potências globais entraram em embate diplomático após o governo dos EUA externar o desejo de controlar a Groenlândia, ilha que é parte do território da Dinamarca há mais de três séculos. Embora a temperatura tenha diminuído nos últimos dias, com um possível acordo para resolver a questão, o clima de instabilidade e desconfiança permanece. O que significa uma relação mais frágil entre americanos e europeus? No minuto 06:36, Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, também explica como os mercados globais têm reagido diante das notícias. Entenda, ainda: Acordo entre União Europeia e Mercosul encontra novo obstáculo; Inflação continua sendo um problema nos EUA; No Japão, juros ficam estáveis.
Lançada no mês passado, a epopeia “O Fim dos Estados Unidos da América” não é o retrato da América actual. Esta não é uma história determinada pelo que faz e não faz Donald Trump. Mas encontramos muita da América que é o que sempre foi, no que tem de bom e no que tem de mau. E, por arrasto, também lá pode caber o mundo todo, ou quase. Porque hoje é domingo, abrimos a revista do Expresso no tema de capa e espreitamos a conversa da jornalista Luciana Leiderfarb com o escritor Gonçalo M.Tavares.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta pergunta é um clássico da História Alternativa e chegou a hora de lhe responder: o que teria acontecido ao mundo se os países do Eixo tivessem saído vencedores da Segunda Guerra Mundial?See omnystudio.com/listener for privacy information.
En primer lugar, les ofreceremos una nueva entrega, la tercera y última, sobre la historia del bratislavense barrio de Petržalka. Si hace unas semanas veíamos, en el primer capítulo, el momento en que se construyó el barrio hasta configurar su aspecto actual, en el segundo en qué momento aparecieron las primeras referencias escritas al antiguo municipio que posteriormente el nombre de Petržalka, hoy, en esta tercera entrega hablaremos de la historia de la antigua Petržalka desde la finalización de la Segunda Guerra mundial hasta el inicio de la construcción del pobladísimo barrio que todos conocemos hoy en día. Para finalizar nos dedicaremos a un tema que evidentemente es de la máxima actualidad estos días. Así, veremos cómo acostumbran a invertir los eslovacos, de qué manera afrontan, desde el punto de vista económico nuestros compatriotas las fiestas de Navidad
Do fim do xogunato à rendição na Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão passou por uma transformação profunda que o levou de um país isolado para uma potência industrial, militar e imperialista. A Restauração Meiji desencadeou um processo acelerado de modernização que reorganizou o Estado, impulsionou a industrialização e fortaleceu as Forças Armadas sob a lógica de que apenas um país forte poderia evitar a submissão às potências ocidentais. Esse impulso expansionista ganhou forma em sucessivas guerras — contra a China, a Rússia e em campanhas pela Ásia-Pacífico — que consolidaram o Japão como ator central nas disputas imperiais do início do século XX. Sob crescente nacionalismo, militarismo e autoritarismo, o regime conduziu a população a uma mobilização total para a guerra e foi responsável por graves atrocidades. A derrota em 1945 representou o colapso do império, a ocupação aliada e a construção de um novo Japão sob bases constitucionais democráticas. Convidamos Jojo Netto para analisar o surgimento, a expansão e o declínio do Império Japonês, discutindo as tensões internas, os projetos nacionais e os impactos duradouros desse período na história contemporânea do Japão.Adquira o curso História: da pesquisa à escrita por apenas R$ 49,90 CLICANDO AQUIAdquira o curso A Operação Historiográfica para Michel de Certeau por apenas R$ 24,90 CLICANDO AQUIAdquira o curso O ofício do historiador para Marc Bloch por apenas R$ 29,90 CLICANDO AQUIColabore com nosso trabalho em apoia.se/obrigahistoriaPresente de fim de ano é com a INSIDER. Use o cupom HISTORIAFM ou o link à seguir para estar apto a conseguir até 30% de desconto + 20% de cashback: https://creators.insiderstore.com.br/HISTORIAFM #insiderstore
Embora Portugal tenha permanecido neutral durante a Segunda Guerra, as suas possessões a Oriente sofreram o impacto do conflito. Timor foi invadido pelo Japão e a vida em Macau alterou-se radicalmenteSee omnystudio.com/listener for privacy information.
¡Vótame en los Premios iVoox 2025! La Cofradía: Emboscada, es un relato de ciencia ficción steampunk/dieselpunk ambientado en el mismo universo de la novela La Cofradía, aunque concebido como una historia autoconclusiva. La trama transcurre en una Zaragoza alternativa y retrofuturista, durante el inicio de la llamada Segunda Guerra del Sitio. Allí, un sargento del ejército francés regresa malherido al campamento tras una patrulla de reconocimiento que ha salido mal. Obligado a rendir cuentas ante su superior, deberá enfrentarse no solo al peso de sus heridas y al fracaso de la misión, sino también a un interrogatorio que pondrá a prueba su resistencia física y mental. En la novela La Cofradía, la ciudad de Zaragoza se presenta como una urbe hiperindustrializada, donde el ponzoñoso aire se ha vuelto irrespirable, inundada de ingenios mecánicos y con los cielos plagados de dirigibles y ornitópteros. Esta tecnología está destinada al mantenimiento de la paz tras la devastadora guerra del Sitio, pero también es utilizada para el control y vigilancia a los ciudadanos por parte de un gobierno religioso corrupto. Accede a esta novela desde este enlace: https://www.amazon.es/dp/B0DGGV3943 - Narración: Juan Carlos Albarracín - Locución Sintonía: Antonio Runa - Música: Epidemic Sound, con licencia Los Cuentos de la Casa de la Bruja es un podcast semanal de audio-relatos de misterio, ciencia ficción y terror. Cada viernes, a las 10 de la noche, traemos un nuevo programa. Alternamos entre episodios gratuitos para todos nuestros oyentes y episodios exclusivos para nuestros fans. ¡Si te gusta nuestro contenido suscríbete! Y si te encanta considera hacerte fan desde el botón azul APOYAR y accede a todo el contenido exclusivo. Tu aporte es de mucha ayuda para el mantenimiento de este podcast. ¡Gracias por ello! Mi nombre es Juan Carlos. Dirijo este podcast y también soy locutor y narrador de audiolibros, con estudio propio. Si crees que mi voz encajaría con tu proyecto o negocio contacta conmigo y hablamos. :) Contacto profesional: info@locucioneshablandoclaro.com www.locucioneshablandoclaro.com También estoy en X y en Bluesky: @VengadorT Y en Instagram: juancarlos_locutor CONVOCATORIA ABIERTA – Los Cuentos de la Casa de la Bruja. ¿Eres escritor o escritora y te gustaría escuchar uno de tus relatos narrado en el podcast Cuentos de la Casa de la Bruja? Estoy abriendo la puerta a autores emergentes que quieran compartir relatos originales dentro del tono del programa: historias de terror y ciencia ficción con atmósferas inquietantes, elementos fantásticos, oscuros o insólitos, y una cuidada calidad literaria. ¿QUÉ TIPO DE RELATOS BUSCO? • Relatos de terror y ciencia ficción • Con una extensión de entre 3.000 y 4.000 palabras • Con una narrativa sólida, buen uso del lenguaje y que se presten a ser narrados en voz • Textos originales e inéditos (o que al menos no estén vinculados a compromisos editoriales) ¿CÓMO PARTICIPAR? Puedes enviar tu relato en formato Word o PDF a info@locucioneshablandoclaro.com con el asunto: Relato para el podcast. Acompáñalo, si quieres, de una pequeña nota biográfica para que pueda presentarte adecuadamente. IMPORTANTE: La recepción de un relato no garantiza su publicación. La selección dependerá de criterios narrativos, temáticos y de estilo, siempre con el objetivo de mantener la atmósfera y el nivel que caracterizan al podcast. ¡No se trata de emitir juicios definitivos sobre ningún autor o texto! Yo no soy crítico literario, ni pretendo serlo. Se trata de encontrar aquellos textos que mejor encajen con el universo del programa. Si tu relato es elegido me pondré en contacto contigo. En caso contrario agradeceré igual tu confianza y el gesto de compartir tu trabajo. Gracias por hacer crecer esta casa con tu obra. ¡Espero leerte! Juan Carlos “Corman” Albarracín Escucha el episodio completo en la app de iVoox, o descubre todo el catálogo de iVoox Originals
Sergio Alejo hoy nos desgrana la historia detrás de la Segunda Guerra Servil, ¡no te lo pierdas!
Jim Thompson tinha tudo: foi arquiteto em Nova York, espião na Segunda Guerra e virou o “Rei da Seda” na Tailândia. Milionário, influente, dono de uma das casas mais icônicas de Bangkok… até que, em 1967, saiu para uma simples caminhada na Malásia e nunca mais voltou.Instagram: @erikamirandas e @casosreaisoficialApoie o podcast e mande seu caso: https://apoia.se/casosreaishttps://casosreaispodcast.com.brRoteiro: Lucas AndriesEdição: Publi.tv - Produtora de vídeosFontes utilizadas neste episódio:- Wikipedia – Jim Thompson (designer): https://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Thompson_(designer)- Wikipedia – Disappearance of Jim Thompson: https://en.wikipedia.org/wiki/Disappearance_of_Jim_Thompson- Wikipedia – Jim Thompson House: https://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Thompson_House- Wikipedia – Cameron Highlands: https://en.wikipedia.org/wiki/Cameron_Highlands- TIME Magazine – História de Jim Thompson: https://time.com/4319751/jim-thompson-history/- TIME Archive – Artigo 1: https://content.time.com/time/subscriber/article/0,33009,843518-2,00.html- TIME Archive – Artigo 2: https://content.time.com/time/subscriber/article/0,33009,899490-00.html- TIME Archive – Artigo 3: https://content.time.com/time/subscriber/article/0,33009,810324-00.html- BBC News – The mystery of Jim Thompson: http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/6484761.stm- The Paris Review – Silk Thread: The Strange Mystery of Jim Thompson: https://www.theparisreview.org/blog/2013/04/15/silk-thread-the-strange-mystery-of-jim-thompson/- Nation Thailand – New film claims to have solved Jim Thompson mystery: https://www.nationthailand.com/in-focus/30333215- Bluefield Daily Telegraph (via archive) – Artigo sobre Jim Thompson: https://web.archive.org/web/20171021083746/http://www.bdtonline.com/news/entertainment/new-film-claims-to-have-solved-jim-thompson-mystery/article_676005d9-e6d5-5894-8963-c65010d3ac05.html- TripAdvisor – Jim Thompson House, Bangkok: https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g293916-d447276-Reviews-Jim_Thompson_House-Bangkok.html
Mira firme, respira fundo... e atira!
*** VIDEO EN NUESTRO CANAL DE YOUTUBE **** https://youtube.com/live/eg6xtoPcJmg +++++ Hazte con nuestras camisetas en https://www.bhmshop.app +++++ #Historia #AntiguaGrecia En este programa de Bellumartis Historia Militar, nos adentramos en los cruciales enfrentamientos de la Segunda Guerra Médica, analizando en profundidad la heroica defensa de las Termópilas y la batalla naval del Cabo Artemisio. Junto al historiador Óscar Hernández Abreu @historiaeweb , exploraremos el contexto estratégico de la invasión de Jerjes, la composición de los ejércitos y flotas, así como el desarrollo táctico de ambas batallas, que marcaron el destino de Grecia. Desde la resistencia espartana de Leónidas y sus 300 hoplitas hasta el enfrentamiento naval entre la armada griega y la persa, analizaremos el papel de cada bando en estos combates que se convirtieron en leyenda. Historia, estrategia y guerra en su máxima expresión. ¡No te lo pierdas! #HistoriaMilitar #SegundaGuerraMédica #BatallaDeLasTermópilas #BatallaDeArtemisio #Esparta #Jerjes #Leónidas #GuerrasMédicas #AntiguaGrecia #Bellumartis COMPRA EN AMAZON CON EL ENLACE DE BHM Y AYUDANOS ************** https://amzn.to/3ZXUGQl ************* Si queréis apoyar a Bellumartis Historia Militar e invitarnos a un café o u una cerveza virtual por nuestro trabajo, podéis visitar nuestro PATREON https://www.patreon.com/bellumartis o en PAYPALhttps://www.paypal.me/bellumartis o en BIZUM 656/778/825
Es conocido que los estimulantes fueron utilizados en los ejércitos de la Segunda Guerra, pero ¿a qué nivel? ¿Son realmente desproporcionadas las cifras que ofrecen algunos estudios? ¿O los efectos no era tan nocivos como parecen? ¿Qué efectos producían las drogas en el cerebro de los soldados? Te lo cuentan Esaú Rodríguez y Antonio Gómez. ⭐️ ¿Qué es la Edición Especial de Verano? Se trata de reediciones revisadas de episodios relevantes de nuestro arsenal, para que no pases el verano sin tu ración de Historia Bélica. Casus Belli Podcast pertenece a 🏭 Factoría Casus Belli. Casus Belli Podcast forma parte de 📀 Ivoox Originals. 📚 Zeppelin Books (Digital) y 📚 DCA Editor (Físico) http://zeppelinbooks.com son sellos editoriales de la 🏭 Factoría Casus Belli. Estamos en: 🆕 WhatsApp https://bit.ly/CasusBelliWhatsApp 👉 X/Twitter https://twitter.com/CasusBelliPod 👉 Facebook https://www.facebook.com/CasusBelliPodcast 👉 Instagram estamos https://www.instagram.com/casusbellipodcast 👉 Telegram Canal https://t.me/casusbellipodcast 👉 Telegram Grupo de Chat https://t.me/casusbellipod 📺 YouTube https://bit.ly/casusbelliyoutube 👉 TikTok https://www.tiktok.com/@casusbelli10 👉 https://podcastcasusbelli.com 👨💻Nuestro chat del canal es https://t.me/casusbellipod ⚛️ El logotipo de Casus Belli Podcasdt y el resto de la Factoría Casus Belli están diseñados por Publicidad Fabián publicidadfabian@yahoo.es 🎵 La música incluida en el programa es Ready for the war de Marc Corominas Pujadó bajo licencia CC. https://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/ El resto de música es bajo licencia privada de Epidemic Music, Jamendo Music o SGAE SGAE RRDD/4/1074/1012 de Ivoox. 🎭Las opiniones expresadas en este programa de pódcast, son de exclusiva responsabilidad de quienes las trasmiten. Que cada palo aguante su vela. 📧¿Queréis contarnos algo? También puedes escribirnos a casus.belli.pod@gmail.com ¿Quieres anunciarte en este podcast, patrocinar un episodio o una serie? Hazlo a través de 👉 https://www.advoices.com/casus-belli-podcast-historia Si te ha gustado, y crees que nos lo merecemos, nos sirve mucho que nos des un like, ya que nos da mucha visibilidad. Muchas gracias por escucharnos, y hasta la próxima. ¿Quieres anunciarte en este podcast? Hazlo con advoices.com/podcast/ivoox/391278 Escucha el episodio completo en la app de iVoox, o descubre todo el catálogo de iVoox Originals
Milton Teixeira fala sobre o dia 22 de agosto de 1942, quando Getúlio Vargas declarou guerra à Alemanha, Itália e Japão após ataques a navios brasileiros, marcando a entrada do país no conflito ao lado dos Aliados.
O que Donald Trump e Vladimir Putin estão tentando fazer é desmontar o mundo criado após a Segunda Guerra. Querem o retorno do mundo onde um Hitler foi possível, onde o forte manda no fraco.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Como que as igrejas, tanto a católica quanto as protestantes se comportarem durante o maior conflito da História? Os padres e pastores agiram de forma unificada ou se dividiram? Separe trinta minutos do seu dia e aprenda com o professor Vítor Soares (@profvitorsoares) -Se você quiser ter acesso a episódios exclusivos e quiser ajudar o História em Meia Hora a continuar de pé, clique no link: www.apoia.se/historiaemmeiahoraConheça o meu canal no YouTube, e assista o História em Dez Minutos!https://www.youtube.com/@profvitorsoaresConheça meu outro canal: História e Cinema!https://www.youtube.com/@canalhistoriaecinemaOuça "Reinaldo Jaqueline", meu podcast de humor sobre cinema e TV:https://open.spotify.com/show/2MsTGRXkgN5k0gBBRDV4okCompre o livro "História em Meia Hora - Grandes Civilizações"!https://a.co/d/47ogz6QCompre meu primeiro livro-jogo de história do Brasil "O Porão":https://amzn.to/4a4HCO8PIX e contato: historiaemmeiahora@gmail.comApresentação: Prof. Vítor Soares.Roteiro: Prof. Vítor Soares e Prof. Victor Alexandre (@profvictoralexandre)REFERÊNCIAS USADAS:- CORNWELL, John. O Papa de Hitler: a história secreta de Pio XII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.- FRIEDLÄNDER, Saul. Os anos do extermínio: a Alemanha nazista e os judeus, 1939–1945. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.- KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.- KERTZER, David. O Papa em guerra: as tramas secretas de Pio XII com Hitler e Mussolini. São Paulo: Editora Intrínseca, 2023.- LAPIDE, Pinchas. Três Papas e os Judeus. Rio de Janeiro: Imago, 1967.- PHAYER, Michael. A Igreja Católica e o Holocausto, 1930–1965. Rio de Janeiro: Imago, 2003.- RIEDEL, Dirceu. Pio XII e o Holocausto: um debate necessário. Petrópolis: Vozes, 2005.- RYCHLAK, Ronald. Pio XII e o Holocausto: a verdade oculta. São Paulo: Quadrante, 2001.- STEIN, Edith. A ciência da cruz. São Paulo: Loyola, 1998.
*** VIDEO EN NUESTRO CANAL DE YOUTUBE **** https://youtube.com/live/1XKmZeYywt8 +++++ Hazte con nuestras camisetas en https://www.bhmshop.app +++++ #historia #historiamilitar Gracias a Javier Martínez-Pinna, autor del #libro "Eso no estaba en mi libro de las guerras púnicas" ** https://amzn.to/40knWUy ** conoceremos la guerra total entre Roma y Cartago en Italia, Hispania y África COMPRA EN AMAZON CON EL ENLACE DE BHM Y AYUDANOS ************** https://amzn.to/3ZXUGQl ************* Si queréis apoyar a Bellumartis Historia Militar e invitarnos a un café o u una cerveza virtual por nuestro trabajo, podéis visitar nuestro PATREON https://www.patreon.com/bellumartis o en PAYPALhttps://www.paypal.me/bellumartis o en BIZUM 656/778/825
Recomendados de la semana en iVoox.com Semana del 5 al 11 de julio del 2021
El comisario más conocido del Imperio llega a La Voz de Horus para entender mejor todo lo que se sabe sobre él tanto en su juventud y madurez como en la Era Indomitus. Hoy conoceremos a Yarrick hasta su última aparición conocida y el informe de su muerte. En una nueva edición de nuestros programas dedicados a la vida y obra de grandes personajes de Warhammer 40k abordaremos al Héroe de Armageddon, al inspirador Comisario Sebastian Yarrick. Es el momento de conocerlo en detalle, incluyendo todo su trasfondo actualizado gracias a novelas y publicaciones de GW. ¿Te gusta lo que hacemos y quieres apoyarnos y de paso participar en el sorteo mensual de 400€ en material de Warhammer 40k? Dale al botón de "Apoyar" en iVoox. Tendrás una participación por 2,99€, tres participaciones por 4,99€, siete participaciones por 9,99€, y otras siete por cada bloque de 9,99€. Más detalle en nuestra web, https://www.lavozdehorus.com/ 00:00:00 Presentación e introducción 00:05:56 Juventud y carrera militar 00:30:43 Tras la Segunda Guerra de Armageddon 00:48:39 Informe de la Divisio Mortis del Officio Prefectus Escúchanos mientras pintas minis o mientras sacas el perro a pasear. No importa el momento, pero cuenta con nosotros para ser tu programa semanal de referencia sobre Warhammer 40.000. Toda la música de este podcast está licenciada en Jamendo y Dark Fantasy Studio. El corte de fondo inicial es licencia Creative Commons de Royalty Free Kings utilizada con permiso de su autor Mark Petrie. El tema 'The Summoning' es Creative Commons de Scott Buckley.
Você já pensou em fingir a própria morte?
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A Segunda Guerra Mundial terminou na Europa a 8 de Maio de 1945. O país estava destruído, invadido por tropas hostis, havia violações em massa. O que aconteceu aos alemães após o final da guerra?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio especial do Programa 20 Minutos, o historiador e professor Jones Manoel desmonta as narrativas distorcidas sobre o papel da União Soviética na Segunda Guerra Mundial.
Os russos desde o fim da Segunda Guerra tentam se apropriar da vitória na Segunda Guerra Mundial.Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília. Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado. Transmissão ao vivo de segunda a sexta-feira às 12h. Não espere mais, assine agora e garanta 2 anos com 30% OFF - últimos dias. 2 anos de assinatura do combo O Antagonista e Crusoé com um super desconto de 30% adicional* utilizando o voucher 10A-PROMO30 Use o cupom 10A-PROMO30 e assine agora: meio-dia ( https://bit.ly/promo2anos-meiodia) (*) desconto de 30% aplicado sobre os valores promocionais vigentes do Combo anual | Promoções não cumulativas com outras campanhas vigentes. | **Promoção válida só até o dia 31/05
Alexandre Garcia comenta a decisão do PDT de deixar a base do governo Lula, após a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência e critica a irrelevância dos ministros dos STF diante da superexposição do Supremo Tribunal Federal. Garcia também aborda a viagem de Lula a Moscou para participar das comemorações pela vitória soviética na Segunda Guerra, questionando o motivo pelo qual o presidente não presta homenagem, primeiro, aos brasileiros que também participaram do conflito.
El partido de Jesús Por: Pastor David Ingman Salmos 33:12: “Bienaventurada la nación cuyo Dios es Jehová, El pueblo que él escogió como heredad para sí.” En estos tiempos de elecciones en Ecuador, la conversación gira en torno a la pregunta: “¿Por quién deberíamos votar?”. Como cristianos, no solo debemos considerar este asunto desde una perspectiva política, sino también desde la perspectiva del Cielo, pues todo lo que hacemos en esta vida afecta el Reino Celestial. A menudo, escuchamos un dicho que algunos cristianos toman como una verdad bíblica, pero que en realidad no lo es: «La Iglesia no debe mezclar su enseñanza con decisiones políticas». Pero ¿de dónde viene este concepto? Aunque el apóstol Pablo instruyó a la iglesia a obedecer a las autoridades (Romanos 13:1-3), esta instrucción tiene excepciones. Por ejemplo, durante la Segunda Guerra, muchos cristianos resistieron al gobierno nazi, algunos incluso fueron ejecutados por ello. Se enfrentaron al mal cuando millones de judíos fueron masacrados. Veamos alguna pautas para votar con sabiduría: 1. Hagan de la Palabra de Dios su principal guía para votar. Salmos 119:105. 2. Oren antes de votar. Proverbios 3:5-6. 3. Voten por un candidato que defienda principios cristianos: libertad religiosa, matrimonio entre hombre y mujer, que no apoye agendas pro-aborto o transgénero. Romanos 1:32. 4. Elijan a un candidato que pueda gobernar con justicia. El candidato debe compartir la mayoría de tus valores espirituales y morales. 5. Consideren la capacidad del candidato para liderar bien. ¿Qué ha hecho para mejorar la economía? ¿Ha tomado medidas para reducir el crimen y mantener el orden? 6. Voten con una conciencia limpia. Ahora, solo hay dos candidatos y todos podemos ver la motivación detrás de cada uno y cuál es su verdadera agenda. consideremos cuál representa el mal mayor y actuemos con sabiduría. 7. Reconozcan la soberanía de Dios. Romanos 13:1. Génesis 45:8. Desde la eternidad, Dios ya ha ordenado quién será nuestro próximo líder político. 8. Si el candidato electo es inmoral… Dios puede usar incluso a líderes malvados para cumplir Su plan. Romanos 13:1-7. 9. Confíen en que Dios obra en todo para el bien de su pueblo. Romanos 8:28-29. 10. Eviten conflictos o peleas por política. Lamentablemente, hay opiniones divididas entre cristianos, aunque no debería ser así. Independientemente de quién gane, nuestra lealtad suprema es al Señor. Hechos 5:29. Al final del día, como cristianos, nuestro candidato no debe ser elegido por ideologías humanas, sino por los principios del Reino de Dios. Jesucristo es nuestro verdadero Rey. «Venga tu Reino. Hágase tu voluntad.» (Mateo 6:10 RV60). La entrada El partido de Jesús (II parte) – Ps. David Ingman se publicó primero en Comunidad de Fe.
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El partido de Jesús Por: Pastor David Ingman En estos tiempos de elecciones en Ecuador, la conversación gira en torno a la pregunta: “¿Por quién deberíamos votar?”. Como cristianos, no solo debemos considerar este asunto desde una perspectiva política, sino también desde la perspectiva del Cielo, pues todo lo que hacemos en esta vida afecta el Reino Celestial. A menudo, escuchamos un dicho que algunos cristianos toman como una verdad bíblica, pero que en realidad no lo es: «La Iglesia no debe mezclar su enseñanza con decisiones políticas». Pero ¿de dónde viene este concepto? Aunque el apóstol Pablo instruyó a la iglesia a obedecer a las autoridades (Romanos 13:1-3), esta instrucción tiene excepciones. Por ejemplo, durante la Segunda Guerra, muchos cristianos resistieron al gobierno nazi, algunos incluso fueron ejecutados por ello. Se enfrentaron al mal cuando millones de judíos fueron masacrados. En la Biblia, vemos profetas y siervos de Dios que se opusieron a gobiernos impíos: Juan el Bautista confrontó a Herodes por su relación adúltera (Mateo 14:3-4). Pedro fue arrestado y se le ordenó que no predicara el evangelio, pero desobedeció la ley inmoral del gobierno y continuó predicando (Hechos 5:28-29 RV60). El profeta Daniel desobedeció la orden del rey de no orar a Dios (Daniel 6:10 RV60). Nuestra obediencia a Dios está por encima de cualquier ley injusta. Pautas para votar con sabiduría: 1. Hagan de la Palabra de Dios su principal guía para votar. Salmos 119:105. 2. Oren antes de votar. Proverbios 3:5-6. 3. Voten por un candidato que defienda principios cristianos: libertad religiosa, matrimonio entre hombre y mujer, que no apoye agendas pro-aborto o transgénero. Romanos 1:32. 4. Elijan a un candidato que pueda gobernar con justicia. El candidato debe compartir la mayoría de tus valores espirituales y morales. 5. Consideren la capacidad del candidato para liderar bien. ¿Qué ha hecho para mejorar la economía? ¿Ha tomado medidas para reducir el crimen y mantener el orden? 6. Voten con una conciencia limpia. Ahora, solo hay dos candidatos y todos podemos ver la motivación detrás de cada uno y cuál es su verdadera agenda. consideremos cuál representa el mal mayor y actuemos con sabiduría. 7. Reconozcan la soberanía de Dios. Romanos 13:1. Génesis 45:8. 8. Si el candidato electo es inmoral… Dios puede usar incluso a líderes malvados para cumplir Su plan. Romanos 13:1-7. 9. Confíen en que Dios obra en todo para el bien de su pueblo. Romanos 8:28-29. 10. Eviten conflictos o peleas por política. Lamentablemente, hay opiniones divididas entre cristianos, aunque no debería ser así. Independientemente de quién gane, nuestra lealtad suprema es al Señor. Hechos 5:29. Al final del día, como cristianos, nuestro candidato no debe ser elegido por ideologías humanas, sino por los principios del Reino de Dios. Jesucristo es nuestro verdadero Rey. «Venga tu Reino. Hágase tu voluntad.» (Mateo 6:10 RV60). La entrada El partido de Jesús – Ps. David Ingman se publicó primero en Comunidad de Fe.
En el programa de hoy, se discutió la situación política en Alemania tras la elección de un nuevo canciller y el ascenso de partidos conservadores en Europa. Se analizó el impacto global del colapso del orden mundial post-Segunda Guerra y cómo los sistemas políticos y económicos se vuelven inviables con el tiempo. En Chile, se abordó el problema de las tomas de terrenos y la resistencia del Partido Comunista a desalojos, así como la permisología que frena inversiones millonarias. También se comentaron los niveles récord de criminalidad, el nepotismo en el gobierno y la crítica situación fiscal. Finalmente, se recomendó un libro sobre la caída del Imperio Romano y se discutió la imposibilidad de restaurar modelos políticos del pasado. Para acceder al programa sin interrupción de comerciales, suscríbete a Patreon: https://www.patreon.com/elvillegas 00:02:07 - Cambio político en Alemania 00:06:49 - Crisis del orden mundial 00:17:49 - Mega toma de San Antonio 00:31:00 - Permisología y fuga de inversiones 00:35:02 - Aumento de la criminalidad 00:36:12 - Nepotismo y crisis fiscal
Plano de investimento no Medicare no valor de A$8,5 bilhões quer garantir que 9 a cada 10 consultas médicas sejam gratuitas na Austrália até 2030. Nos três anos da invasão da Rússia à Ucrânia, governo australiano anuncia novas sanções a indivíduos que apoiam ações contra ucranianos. Papa Francisco expressa confiança no tratamento mas Vaticano diz que condição de saúde do pontífice continua crítica após dez dias de internação por pneumonia bilateral. Extrema-direita tem votação recorde na Alemanha desde a Segunda Guerra, mas projeções indicam Friedrich Merz, do CDU, como novo premiê.
Los cielos sirven de lienzo donde lo imposible dibuja su estela. Un escenario desde el que surgen y en el que se desarrollan todo tipo de historias. En un periodo sangriento como fue el transcurso de la segunda guerra mundial, las historias sobre lo absurdo y misterioso se desarrollaron en las alturas. En este programa, junto a Iván Castro Palacios, conoceremos algunas crónicas narradas por los pilotos de la época, donde criaturas y luces extrañan compartían el entorno del espacio aéreo. Bienvenidos a Misterio en Red. ¿Quieres anunciarte en este podcast? Hazlo con advoices.com/podcast/ivoox/172363
Despues de la Segunda Guerra mundial, los residuos del fascismo se organizaron para mantener sus ideales en pie, aunque sin mucho éxito durante lo que restó del siglo XX, sin embargo, con la llegada del siglo XXI y los grandes cambios en en mundo, la ultra derecha encontró nuevas oportunidades para propagar sus mensajes en contra de la inmigración, las minorías y el estado de bienestar. El cargo Historia de la Ultra Derecha – Bully Magnets – Historia Documental apareció primero en Bully Magnets.
Conheça curioso paradoxo detectado durante a Segunda Guerra e que envolve o anúncio prévio de um evento que supostamente deveria ser inesperado.
El Líder Chino, Xi Jinping, llegará a Perú para participar en la cumbre del Foro de Cooperación Económica Asia-Pacífico (APEC), mientras en Estados Unidos se dan a conocer los integrantes de la nueva administración de Donald Trump. Por el momento, el punto común de los cargos anunciados es su postura tajante contra el gigante asiático. El líder Chino participará en el Foro de Cooperación Económica Asia Pacifico (APEC) donde se entrevistará con el actual presidente de Estados Unidos, Joe Biden, entre otros, en un contexto álgido de guerra comercial y con temores de que las tensiones aumenten con la nueva administración de Donald Trump. Para Adolfo Chiri, economista y presidente de la sociedad de análisis Cambridge Insight, Massachussets, la lucha por América Latina va a ser intensa. “América Latina es una pieza en el tablero de ajedrez de la geopolítica mundial, donde los intereses predominantes son de los Estados Unidos y China como potencia emergente”, agregó. El líder chino Xi Jinping inaugura también en el marco de la cumbre, el puerto de Chancay, muy clave en la región, ubicado a unos 80 km al norte de Lima. Esto tiene un significado especial en este conflicto y para la APEC en particular. Chiri explica que este puerto de Chancay, es el más importante de la región, “es un puerto de aguas profundas que tiene capacidad para poder atender buques de alto tonelaje y un movimiento logístico de containers de distribución de carga de calidad mundial, de manera que China ha invertido mucho en infraestructura, sobre todo en América latina. Además, es el primer socio comercial de América del sur” agregó. Chiri subrayó que el 60% del puerto ha sido financiado por Cosco, que es una empresa del Estado chino, por lo que “los Estados Unidos no se encuentran muy contentos de que China tenga la exclusividad y la decisión de decidir a quiénes atiende en ese puerto”. Lo cierto es que China se ve bloqueada en varios ámbitos comerciales por su malas relaciones con Estados Unidos, entre otros, y busca nuevas oportunidades energéticas. El analista económico señala que el 75% del petróleo que importa China pasa por el Mar del Sur de China “ y es una zona muy peligrosa porque los aliados de Estados Unidos" indicó. Pues según él, países como Japón, filipinas. Nueva Zelanda, Australia, en una situación de conflicto, "podrían bloquear el suministro de petróleo a China, tenemos el recuerdo de la Segunda Guerra mundial, cuando se hizo lo mismo con Japón. Así que China tiene la necesidad y la urgencia de poder desarrollar su energía renovable por seguridad nacional” indicó. Este jueves inician los encuentros ministeriales en el foro APEC, seguidos de dos días de conversaciones entre los gobernantes. Cabe destacar que este foro congrega a líderes de 21 países que representan el 60% del PIB mundial.
A reconstrução da Europa pós Segunda Guerra aconteceu tanto com dinheiro quanto com medo americano! Separe trinta minutos do seu dia e aprenda com o professor Vítor Soares (@profvitorsoares) sobre o que foi o Plano Marshall. - Se você quiser ter acesso a episódios exclusivos e quiser ajudar o História em Meia Hora a continuar de pé, clique no link: www.apoia.se/historiaemmeiahora Compre o livro "História em Meia Hora - Grandes Civilizações"! https://www.loja.literatour.com.br/produto/pre-venda-livro-historia-em-meia-hora-grandes-civilizacoesversao-capa-dura/ Compre meu primeiro livro-jogo de história do Brasil "O Porão": https://amzn.to/4a4HCO8 Compre nossas camisas, moletons e muito mais coisas com temática História na Lolja! www.lolja.com.br/creators/historia-em-meia-hora/ PIX e contato: historiaemmeiahora@gmail.com Apresentação: Prof. Vítor Soares. Roteiro: Prof. Vítor Soares e Prof. Victor Alexandre (@profvictoralexandre) REFERÊNCIAS USADAS: - CINI, M. From the Marshall Plan to EEC: direct and indirect influences. In: SCHAIN, M. (org). The Marshall Plan: fifty years later. New York: Palgrave, 2001. - HOBSBAWM, E. A era dos extremos: o breve século XX 1914 – 1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. - MAGNOLI, D. Relações internacionais: teoria e história. São Paulo: Saraiva, 2004. - MARSHALL, G. The Marshall Plan Speech . Disponível em:
O Lado B aproveita o 7 de novembro para relembrar a Revolução Russa. O contexto pré-revolucionário, os desafios pós-revolução, a participação fundamental na Segunda Guerra, os dilemas internos da União Soviética e as lições que Lênin e sua turma de camaradas deixam pra gente mais de 100 anos depois. No Caô da Semana, como a volta de Trump à Casa Branca rebate no Brasil.
Dos povos germânicos, passando pelo Sacro Império Romano-Germânico, pelo Otto Von Bismarck, pelo você-sabe-quem na Segunda Guerra, até Angela Merkel! Separe trinta minutos do seu dia e aprenda com o professor Vítor Soares (@profvitorsoares) sobre a História da Alemanha. - Se você quiser ter acesso a episódios exclusivos e quiser ajudar o História em Meia Hora a continuar de pé, clique no link: www.apoia.se/historiaemmeiahora Compre o livro "História em Meia Hora - Grandes Civilizações"! https://www.loja.literatour.com.br/produto/pre-venda-livro-historia-em-meia-hora-grandes-civilizacoesversao-capa-dura/ Compre meu primeiro livro-jogo de história do Brasil "O Porão": https://amzn.to/4a4HCO8 Compre nossas camisas, moletons e muito mais coisas com temática História na Lolja! www.lolja.com.br/creators/historia-em-meia-hora/ PIX e contato: historiaemmeiahora@gmail.com Apresentação: Prof. Vítor Soares. Roteiro: Prof. Vítor Soares e Prof. Victor Alexandre (@profvictoralexandre) REFERÊNCIAS USADAS: - ANDREAS-FRIEDRICH, R. Diários de Berlim ocupada (1945-1948). São Paulo: Globo, 2012. - ARENDT, H. Eichmann em Jerusalém. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. - BAUER, Carlos. Pensando o fracasso da desnazificação | História da Ditadura - CLARK, Christopher. Os Sonâmbulos: Como a Europa foi à Guerra em 1914. São Paulo: Companhia das Letras, 2013 - HOBSBAWM, Eric J. Era dos Extremos: o breve século XX. - HADDAD, Rafael. Silêncio e esquecimento na Alemanha do Pós-Guerra (Artigo). In: Café História. Disponível em: em: https://www.cafehistoria.com.br/silencio-alemanha-pos-guerra/.