Podcasts about quilicura

  • 40PODCASTS
  • 88EPISODES
  • 31mAVG DURATION
  • 1MONTHLY NEW EPISODE
  • Jul 19, 2026LATEST

POPULARITY

20192020202120222023202420252026


Best podcasts about quilicura

Latest podcast episodes about quilicura

Boa Noite Internet
O Império da IA — com Karen Hao

Boa Noite Internet

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 63:50


O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

Traficantes de Cultura
De Quilicura pal mundo: "Matapanki" según su director, Diego Fuentes

Traficantes de Cultura

Play Episode Listen Later Apr 16, 2026 25:33


"Matapanki cuenta la historia de Ricardo, un joven punk de Quilicura cuya vida transcurre entre las fiestas, el alcohol y el cuidado de su abuela que está enferma. Sin embargo, esta premisa cambia cuando el protagonista toma una misteriosa mezcla de licores, que le activan superpoderes y lo convierten en una especie de héroe. Así, lo que comienza como un delirio personal, escala rápidamente cuando Ricardo comete un error que involucra al poder político y desata un conflicto de alcance mundial."Conversamos en el #TraficantesDeCultura con Diego "Mapache" Fuentes, director del largometraje Matapanki, actualmente en cartelera.El largometraje de egreso 2023 de Cine UDD y ópera prima de su director, ganó la Mención Especial del Jurado Internacional en el prestigioso Festival Internacional de Cine de Berlín.

Journal d'Haïti et des Amériques
Le président colombien affirme avoir échappé à une tentative d'assassinat

Journal d'Haïti et des Amériques

Play Episode Listen Later Feb 11, 2026 30:00


Lors du Conseil des ministres hier (mardi 11 février), Gustavo Petro a raconté que la veille, il n'avait pas pu atterrir comme prévu dans le département de Cordoba, dans le nord du pays, dans lequel opère le Clan del Golfo, son équipe craignant pour sa sécurité, rapporte le journal Semana. L'hélicoptère dans lequel il se trouvait avec ses enfants, aurait pu être visé par des tirs. ⇒ Le journal Semana. Le chef de l'État a également affirmé avoir échappé à un complot afin de l'empêcher d'assister à la rencontre prévue avec Donald Trump, la semaine dernière, explique El Tiempo. D'après le président colombien, un haut gradé de la police, le général Edwin Urrego, aurait reçu l'ordre de cacher de la drogue dans sa voiture. Actuellement à la tête de la police de Cali, il a auparavant dirigé la police de Barranquilla et a été directeur des Enquêtes judiciaires et d'Interpol, précise le journal. « C'est un homme irréprochable », indique une source policière consultée par El Tiempo. « Toute sa carrière est consacrée au renseignement policier, à la lutte contre le trafic de drogue et les bandes criminelles. » Le journal Semana ne croit pas non plus à cette histoire de complot et parle d'un « malentendu ». Le président a reçu de fausses informations, des informations anonymes qui viennent, en réalité, de trafiquants de drogue qui opèrent à Barranquilla et à Puerto Colombia et qui voulaient la chute du général Urrego, explique le journal qui s'appuie sur plusieurs sources policières. Une enquête est en cours, précise Semana. Gustavo Petro, lui, a demandé le renvoi d'Edwin Urrego. Il a également affirmé, comme il le fait depuis plusieurs mois, que des narcotrafiquants veulent sa peau. À l'approche des législatives et de la présidentielle, la situation se tend dans le pays. Comme le rapporte El Espectador, hier (10 février 2026), une sénatrice a été enlevée pendant quelques heures dans une zone du pays contrôlée par des dissidences des Farc.   En Argentine, la colère des policiers de la province de Santa Fe ne retombe pas Les policiers de la province de Santa Fe manifestent depuis lundi soir, (9 février 2026) à Rosario, pour réclamer de meilleurs salaires et le mouvement se poursuit ce mercredi matin, (11 février 2026), nous apprend La Nacion. Mouvement qui pourrait s'étendre à d'autres provinces, croit savoir Pagina 12 qui décrypte les raisons du mal-être des policiers : « des salaires de misère, la corruption et des mauvais traitements ». Voilà leur quotidien résumé par le journal. La rémunération est si peu attractive que les hommes préfèrent trouver un autre travail. « La majorité des policiers sont des femmes », explique Pagina 12. Ces policières ou policiers vivent souvent loin, dans le nord de la province où il y a peu d'offres d'emploi. Pour se rendre à Rosario, il leur faut parfois faire entre 200 et 600 km à bord de bus en mauvais état, fournis par l'institution ou faire du stop. Une fois au travail, ils doivent composer avec des chefs qui gardent pour eux le paiement des heures supplémentaires ou qui font semblant de lutter contre les trafics de drogue dans lesquels ils sont, en réalité, mouillés. « Ce mouvement de protestation était prévisible », estime Pagina 12 qui rappelle qu'au cours des huit derniers jours, il y a eu deux suicides au sein de la police de Santa Fe.   Les jeunes Haïtiens qui rêvent d'intégrer la police Le Nouvelliste est allé à la rencontre de ceux qui veulent rejoindre les rangs de la PNH. « Dans ce contexte de crise sécuritaire où les policiers sont en première ligne face aux gangs, parfois au péril de leurs vies, l'institution semble attirer de plus en plus de jeunes », constate le quotidien. Des jeunes qui ont envie d'aider leur pays, raconte le Nouvelliste, mais qui sont aussi poussés par la perspective d'un emploi stable. Souvent, ils doivent faire face à l'opposition de leurs familles qui ont une mauvaise image de la PNH. Rony, 23 ans, a dû convaincre les siens. « Je leur ai expliqué le Code de déontologie et je leur ai dit dans quel service je voulais travailler [...] Aujourd'hui, ce sont eux qui me motivent », a-t-il expliqué au Nouvelliste. La PNH espère former 4.000 policiers d'ici l'an prochain (2027), rappelle Gazette Haïti. Une première promotion de plus de 1.000 personnes a pris ses fonctions fin janvier 2026. Deux Haïtiens aux JO d'hiver Haïti participe aux Jeux olympiques d'hiver. Deux athlètes haïtiens, qui s'entraînent en Europe, se sont qualifiés en ski alpin et en ski de fond. Christophe Diremszian a pu rencontrer le patron de la Fédération haïtienne de ski, Jean-Pierre Roy, avant son départ pour Milan. Il explique que c'est l'occasion de « donner une image positive du pays, de faire connaître Haïti ».   L'intelligence artificielle latinoaméricaine, bonne ou mauvaise nouvelle ? Après Chat-GPT aux États-Unis, DeepSeek en Chine ou encore Mistral AI en France, voici Latam-GPT, une intelligence artificielle destinée à l'Amérique latine : Latam GTP a été lancé hier (10 février 2026). C'est le Chili qui en est à l'initiative, en collaboration avec 15 autres pays de la région. Son objectif est d'éviter une représentation trop uniforme de l'Amérique latine et de délivrer des informations plus pointues et précises sur chacun de ces pays ainsi que leurs cultures. Notre correspondante au Chili, Naïla Derroisné, nous en dit plus. On poursuit la discussion sur ce sujet avec Lucile Gimberg du service Envirronnement de RFI. Le stockage de toutes ces données prend de la place et consomme de l'énergie et de l'eau. Les habitants de la commune de Quilicura, au nord de Santiago du Chili, ont lancé une opération, il y a quelques jours, pour alerter sur le coût environnemental de l'IA. La zone humide située près de chez eux alimente en eau les systèmes de rafraîchissment des centres de données. Lorena Antiman a co-fondé la Corporation NGEN, l'une des associations à l'origine de cette initiative qui appelle à faire un usage responsable de l'IA. « L'idée c'est de générer une nouvelle habitude (...). Si je vais cuisiner des cupcakes, je demande la recette à l'IA ou bien je la demande à ma mère ? Demande plutôt à ta mère, tu vas te socialiser avec elle et tu éviteras une dépense en eau. Une question à l'IA consomme entre 0,5 et 2 litres d'eau ! » Le dernier samedi de janvier, ils étaient donc une trentaine de voisins dans le club-house du stade de Quilicura, pour une journée sans IA : infirmière, artiste, professeur, artisan, pâtissière, traductrice, réparateur de vélo, et même un adolescent fan de foot... Attablés devant leur PC, ils ont répondu à des milliers de questions culinaires, touristiques, voire philosopiques, envoyées depuis 70 pays, pour faire la promotion des échanges de « personne à personne ». Leur opération a aussi permis de montrer que derrière nos écrans et l'IA, il y a des communautés et des zones naturelles qui sont directement affectées. Pour répondre aux besoins exponentiels de stockage de données, les data centers poussent comme des champignons. Au Chili, il y en a plus de 20 et beaucoup d'autres en projet. Le fruit d'une politique volontariste du gouvernement Boric notamment. Mais le cadre réglementaire n'a pas évolué aussi vite, explique Nicolás Díaz, architecte qui travaille sur les centre de données de Quilicura et leur impact sur la zone humide de la commune. « Le plan d'urbanisme de la métropole de Santiago ne reconnaît pas les centres de données comme une catégorie particulière de bâtiments, ni leurs impacts spécifiques qui devraient engender des compensations. Alors les centre données sont autorisés à s'installer par le Service d'impact environnemental qui les considère comme des bâtiments qui stockent du combustible, pas comme des bâtiments qui consomment de l'énergie, de l'eau, qui peuvent générer de la chaleur ou de la pollution sonore. » Au Chili mais aussi en Uruguay et au Mexique, d'autres riverains se mobilisent pour réclamer des comptes aux entreprises comme Google, Microsoft ou Amazon. Certaines ont dû reculer. A Cerrillos au Chili, Google a dû revoir son système de refroidissement, après une procédure en justice. Certaines compagnies réalisent des projets de compensation mais ils manquent de sérieux, critique l'architecte Nicolás Díaz. « Les big tech disent qu'elles compensent en restaurant une mangrove en Colombie par exemple. Au Chili, Microsoft a un projet de récupération des eaux dans la commune de Maïpou. Mais les centres de données ne sont pas dans les mangroves colombiennes ou à Maïpou ! Pourquoi ne rendent-ils pas l'eau là où ils la prennent, dans les écosystèmes qu'ils affectent ? Ces projets manquent d'éthique, c'est du greenwashing, et on devrait en parler. »   Le journal de la 1ère Ce week-end, en Martinique, le carnaval aura lieu sous haute sécurité dans les rues de Fort-de-France.

Traficantes de Cultura
CCU en el arte: “Acercar el Arte a la Gente”

Traficantes de Cultura

Play Episode Listen Later Feb 11, 2026 23:06


Conversamos en el #TraficantesDeCultura⁠ con Claudia Verdejo, jefa del proyecto CCU EN EL ARTE, a razón de las exposiciones Momentos que refrescan nuestra historia y Travesía Textil. Mujeres de Quilicura, Vilcún, Antofagasta, Coínco y Limache.Conduce: Humberto Fuentes

Oxigênio
#208 – A infraestrutura da IA: o que são datacenters e os riscos que eles representam

Oxigênio

Play Episode Listen Later Dec 11, 2025 34:08


A inteligência artificial, em seus múltiplos sentidos, tem dominado a agenda pública e até mesmo o direcionamento do capital das grandes empresas de tecnologia. Mas você já parou para pensar na infraestrutura gigantesca que dê conta de sustentar o crescimento acelerado das IAs? O futuro e o presente da inteligência artificial passa pela existência dos datacenters. E agora é mais urgente que nunca a gente discutir esse assunto. Estamos vendo um movimento se concretizar, que parece mais uma forma de colonialismo digital: com a crescente resistência à construção de datacenters nos países no norte global, empresas e governos parecem estar convencidos a trazer essas infraestruturas imensas com todos os seus impactos negativos ao sul global. Nesse episódio Yama Chiodi e Damny Laya conversam com pesquisadores, ativistas e atingidos para tentar aprofundar o debate sobre a infraestrutura material das IAs. A gente conversa sobre o que são datacenters e como eles impactam e irão impactar nossas vidas. No segundo episódio, recuperamos movimentos de resistência a sua instalação no Brasil e como nosso país se insere no debate, seguindo a perspectiva de ativistas e de pesquisadores da área que estão buscando uma regulação mais justa para esses grandes empreendimentos.  ______________________________________________________________________________________________ ROTEIRO [ vinheta da série ] [ Começa bio-unit ] YAMA: A inteligência artificial, em seus múltiplos sentidos, tem dominado a agenda pública e até mesmo o direcionamento do capital das grandes empresas de tecnologia. Mas você já parou para pensar na infraestrutura gigantesca que dê conta de sustentar o crescimento acelerado das IA? DAMNY: O futuro e o presente da inteligência artificial passa pela existência dos data centers. E agora é mais urgente que nunca a gente discutir esse assunto. Estamos vendo um movimento se concretizar, que parece mais uma forma de colonialismo digital: com a crescente resistência à construção de datacenters nos países no norte global, empresas e governos parecem estar convencidos a trazer os datacenters com todos os seus impactos negativos ao sul global. YAMA: Nós conversamos com pesquisadores, ativistas e atingidos e em dois episódios nós vamos tentar aprofundar o debate sobre a infraestrutura material das IAs. No primeiro, a gente conversa sobre o que são datacenters e como eles impactam e irão impactar nossas vidas. DAMNY: No segundo, recuperamos movimentos de resistência a sua instalação no Brasil e como nosso país se insere no debate, seguindo a perspectiva de ativistas e de pesquisadores da área que estão buscando uma regulação mais justa para esses grandes empreendimentos. [ tom baixo ] YAMA: Eu sou o Yama Chiodi, jornalista de ciência e pesquisador do campo das mudanças climáticas. Se você já é ouvinte do oxigênio pode ter me ouvido aqui na série cidade de ferro ou no episódio sobre antropoceno. Ao longo dos últimos meses investiguei os impactos ambientais das inteligências artificiais para um projeto comum entre o LABMEM, o laboratório de mudança tecnológica, energia e meio ambiente, e o oxigênio. Em setembro passado, o Damny se juntou a mim pra gente construir esses episódios juntos. E não por acaso. O Damny publicou em outubro passado um relatório sobre os impactos socioambientais dos data centers no Brasil, intitulado “Não somos quintal de data center”. O link para o relatório completo se encontra disponível na descrição do episódio. Bem-vindo ao Oxigênio, Dam. DAMNY: Oi Yama. Obrigado pelo convite pra construir junto esses episódios. YAMA: É um prazer, meu amigo. DAMNY: Eu também atuo como jornalista de ciência e sou pesquisador de governança da internet já há algum tempo. Estou agora trabalhando como jornalista e pesquisador aqui no LABJOR, mas quando escrevi o relatório eu tava trabalhando como pesquisador-consultor na ONG IDEC, Instituto de Defesa de Consumidores. YAMA: A gente começa depois da vinheta. [ Termina Bio Unit] [ Vinheta Oxigênio ] [ Começa Documentary] YAMA: Você já deve ter ouvido na cobertura midiática sobre datacenters a formulação que te diz quantos litros de água cada pergunta ao chatGPT gasta. Mas a gente aqui não gosta muito dessa abordagem. Entre outros motivos, porque ela reduz o problema dos impactos socioambientais das IA a uma questão de consumo individual. E isso é um erro tanto político como factual. Calcular quanta água gasta cada pergunta feita ao ChatGPT tira a responsabilidade das empresas e a transfere aos usuários, escondendo a verdadeira escala do problema. Mesmo que o consumo individual cresça de modo acelerado e explosivo, ele sempre vai ser uma pequena fração do problema. Data centers operam em escala industrial, computando quantidades incríveis de dados para treinar modelos e outros serviços corporativos. Um único empreendimento pode consumir em um dia mais energia do que as cidades que os abrigam consomem ao longo de um mês. DAMNY: Nos habituamos a imaginar a inteligência artificial como uma “nuvem” etérea, mas, na verdade, ela só existe a partir de data centers monstruosos que consomem quantidades absurdas de recursos naturais. Os impactos sociais e ambientais são severos. Data centers são máquinas de consumo de energia, água e terra, e criam poluição do ar e sonora, num modelo que reforça velhos padrões de racismo ambiental. O desenvolvimento dessas infraestruturas frequentemente acontece à margem das comunidades afetadas, refazendo a cartilha global da injustiça ambiental. Ao seguir suas redes, perceberemos seus impactos em rios, no solo, no ar, em territórios indígenas e no crescente aumento da demanda por minerais críticos e, por consequência, de práticas minerárias profundamente destrutivas. YAMA: De acordo com a pesquisadora Tamara Kneese, diretora do programa de Clima, Tecnologia e Justiça do instituto de pesquisa Data & Society, com quem conversamos, essa infraestrutura está criando uma nova forma de colonialismo tecnológico. Os danos ambientais são frequentemente direcionados para as comunidades mais vulneráveis, de zonas rurais às periferias dos grandes centros urbanos, que se tornam zonas de sacrifício para o progresso dessa indústria. DAMNY: Além disso, a crescente insatisfação das comunidades do Norte Global com os data centers tem provocado o efeito colonial de uma terceirização dessas estruturas para o Sul Global. E o Brasil não apenas não é exceção como parece ser um destino preferencial por sua alta oferta de energia limpa. [pausa] E com o aval do governo federal, que acaba de publicar uma medida provisória chamada REDATA, cujo objetivo é atrair data centers ao Brasil com isenção fiscal e pouquíssimas responsabilidades. [ Termina Documentary] [tom baixo ] VOICE OVER: BLOCO 1 – O QUE SÃO DATA CENTERS? YAMA: Pra entender o que são data centers, a gente precisa antes de tudo de entender que a inteligência artificial não é meramente uma nuvem etérea que só existe virtualmente. Foi assim que a gente começou nossa conversa com a pesquisadora estadunidense Tamara Kneese. Ela é diretora do programa de Clima, Tecnologia e Justiça do instituto de pesquisa Data & Society. TAMARA: PT – BR [ Eu acho que o problema da nossa relação com a computação é que a maioria parte do tempo a gente não pensa muito sobre a materialidade dos sistemas informacionais e na cadeia de suprimentos que permitem que eles existam. Tudo que a gente faz online não depende só dos nossos aparelhos, ou dos serviços de nuvem que a gente contrata, mas de uma cadeia muito maior. De onde ver o hardware que a gente usa? Que práticas de trabalho são empregadas nessa cadeia? E então, voltando à cadeia de suprimentos, pensar sobre os materiais brutos e os minerais críticos e outras formas de extração, abusos de direitos humanos e trabalhistas que estão diretamente relacionados à produção dos materiais que precisamos pra computação em geral. ] So I think, you know, the problem with our relationship to computing is that, most of the time, we don’t really think that much about the materiality of the computing system and the larger supply chain. You know, thinking about the fact that, of course, everything we do relies not just on our own device, or the particular cloud services that we subscribe to, but also on a much larger supply chain. So, where does the hardware come from, that we are using, and what kind of labor practices are going into that? And then be, you know, further back in the supply chain, thinking about raw materials and critical minerals and other forms of extraction, and human rights abuses and labor abuses that also go into the production of the raw materials that we need for computing in general. DAMNY: A Tamara já escreveu bastante sobre como a metáfora da nuvem nos engana, porque ela dificulta que a gente enxergue a cadeia completa que envolve o processamento de tantos dados. E isso se tornou uma questão muito maior com a criação dos chatbots e das IAs generativas. YAMA: Se a pandemia já representou uma virada no aumento da necessidade de processamento de dados, quando passamos a ir à escola e ao trabalho pelo computador, o boom das IA generativas criou um aumento sem precedentes da necessidade de expandir essas cadeias. DAMNY: E na ponta da infraestrutura de todas as nuvens estão os data centers. Mais do que gerar enormes impactos sócio-ambientais, eles são as melhores formas de enxergar que o ritmo atual da expansão das IAs não poderá continuar por muito tempo, por limitações físicas. Não há terra nem recursos naturais que deem conta disso. YAMA: A gente conversou com a Cynthia Picolo, que é Diretora Executiva do LAPIN, o Laboratório de Políticas Públicas e Internet. O LAPIN tem atuado muito contra a violação de direitos na implementação de data centers no Brasil e a gente ainda vai conversar mais sobre isso. DAMNY: Uma das coisas que a Cynthia nos ajudou a entender é como não podemos dissociar as IAs dos data centers. CYNTHIA: Existe uma materialidade por trás. Existe uma infraestrutura física, que são os data centers. Então os data centers são essas grandes estruturas que são capazes de armazenar, processar e transferir esses dados, que são os dados que são os processamentos que vão fazer com que a inteligência artificial possa acontecer, possa se desenvolver, então não existe sem o outro. Então falar de IA é falar de Datacenter. Então não tem como desassociar. YAMA: Mas como é um datacenter? A Tamara descreve o que podemos ver em fotos e vídeos na internet. TAMARA: [ Sim, de modo geral, podemos dizer que os data centers são galpões gigantes de chips, servidores, sistemas em redes e quando você olha pra eles, são todos muitos parecidos, prédios quadrados sem nada muito interessante. Talvez você nem saiba que é um data center se não observar as luzes e perceber que é uma estrutura enorme sem pessoas, sem trabalhadores. ] Yeah, so, you know, essentially, they’re like giant warehouses of chips, of servers, of networked systems, and, you know, they look like basically nondescript square buildings, very similar. And you wouldn’t really know that it’s a data center unless you look at the lighting, and you kind of realize that something… like, it’s not inhabited by people or workers, really. DAMNY: No próximo bloco a gente tenta resumir os principais problemas socioambientais que os data centers já causam e irão causar com muita mais intensidade no futuro. [tom baixo ] VOICE OVER: BLOCO 2 – A ENORME LISTA DE PROBLEMAS YAMA: O consumo de energia é provavelmente o problema mais conhecido dos data centers e das IAs. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, a IEA, organização internacional da qual o Brasil faz parte, a estimativa para o ano de 2024 é que os data centers consumiram cerca de 415 TWh. A cargo de comparação, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, instituto de pesquisa público associado ao Ministério das Minas e Energia, o Brasil consumiu no ano de 2024 cerca de 600 TWh. DAMNY: Segundo o mesmo relatório da Agência Internacional de Energia, a estimativa é que o consumo de energia elétrica por datacenters em 2030 vai ser de pelo menos 945 TWh, o que representaria 3% de todo consumo global projetado. Quando a gente olha pras estimativas de outras fontes, contudo, podemos dizer que essas são projeções até conservadoras. Especialmente considerando o impacto da popularização das chamadas LLM, ou grandes modelos de linguagem – aqueles YAMA: Ou seja, mesmo com projeções conservadoras, os data centers do mundo consumiriam em 2030, daqui a menos de cinco anos, cerca de 50% a mais de energia que o Brasil inteiro consome hoje. Segundo a IEA, em 2030 o consumo global de energia elétrica por data centers deve ser equivalente ao consumo da Índia, o país mais populoso do mundo. E há situações locais ainda mais precárias. DAMNY: É o caso da Irlanda. Segundo reportagem do New York Times publicada em outubro passado, espera-se que o consumo de energia elétrica por data centers por lá represente pelo menos 30% do consumo total do país nos próximos anos. Mas porquê os datacenters consomem tanta energia? TAMARA: [ Então, particularmente com o tipo de IA que as empresas estão investindo agora, há uma necessidade de chips e GPUs muito mais poderosos, de modo que os data centers também são sobre prover energia o suficiente pra todo esse poder computacional que demandam o treinamento e uso de grandes modelos de linguagem. Os data centers são estruturas incrivelmente demandantes de energia e água. A água em geral serve para resfriar os servidores, então tem um número considerável de sistemas de cooling que usam água. Além disso tudo, você também precisa de fontes alternativas de energia, porque algumas vezes, uma infraestrutura tão demandante de energia precisa recorrer a geradores para garantir que o data center continue funcionando caso haja algum problema na rede elétrica. ] So, you know, particularly with the kinds of AI that companies are investing in right now, there’s a need for more powerful chips, GPUs, and so Data centers are also about providing enough energy and computational power for these powerful language models to be trained and then used. And so the data center also, you know, in part because it does require so much energy, and it’s just this incredibly energy-intensive thing, you also need water. And the water comes from having to cool the servers, and so… So there are a number of different cooling systems that use water. And then on top of that, you also need backup energy sources, so sometimes, because there’s such a draw on the power grid, you have to have backup generators to make sure that the data center can keep going if something happens with the grid. YAMA: E aqui a gente começa a entender o tamanho do problema. Os data centers são muitas vezes construídos em lugares que já sofrem com infraestruturas precárias de eletricidade e com a falta de água potável. Então eles criam problemas de escassez onde não havia e aprofundam essa escassez em locais onde isso já era uma grande questão – como a região metropolitana de Fortaleza sobre a qual falaremos no próximo episódio, que está em vias de receber um enorme data center do Tiktok. DAMNY: É o que também relatam os moradores de Querétaro, no México, que vivem na região dos data centers da Microsoft. A operação dos data centers da Microsoft gerou uma crise sem precedentes, com quedas frequentes de energia e o interrompimento do abastecimento de água que muitas vezes duram semanas. Os data-centers impactaram de tal forma as comunidades que escolas cancelaram aulas e, indiretamente, foram responsáveis por uma crise de gastroenterite entre crianças. YAMA: E isso nos leva pro segundo ponto. O consumo de água, minerais críticos e outros recursos naturais. TAMARA: [O problema da energia tem recebido mais atenção, porque é uma fonte de ansiedade também. Pensar sobre o aumento da demanda de energia em tempos em que supostamente estaríamos transicionando para deixar de usar energias fósseis, o que obviamente pode ter efeitos devastadores. Mas eu acredito que num nível mais local, o consumo de água é mais relevante. Nós temos grandes empresas indo às áreas rurais do México, por exemplo, e usando toda a água disponível e basicamente deixando as pessoas sem água. E isso é incrivelmente problemático. Então isso acontece em áreas que já tem problemas de abastecimento de água, onde as pessoas já não tem muito poder de negociação com as empresas. Não têm poder político pra isso. São lugares tratados como zonas de sacrifício, algo que já vimos muitas vezes no mundo, especialmente em territórios indígenas. Então as consequências são na verdade muito maiores do que só problemas relacionados à energia. ] I think the energy problem has probably gotten the most attention, just because it is a source of anxiety, too, so thinking about, you know, energy demand at a time when we’re supposed to be transitioning away from fossil fuels. And clearly, the effects that that can have will be devastating. But I think on a local level, things like the water consumption can matter more. So, you know, if we have tech companies moving into rural areas in Mexico and, you know, using up all of their water and basically preventing people in the town from having access to water. That is incredibly problematic. So I think, you know, in water-stressed areas and areas where the people living in a place don’t have as much negotiating power with the company. Don’t have as much political power, and especially if places are basically already treated as sacrifice zones, which we’ve seen repeatedly many places in the world, with Indigenous land in particular, you know, I think the consequences may go far beyond just thinking about, you know, the immediate kind of energy-related problems. YAMA: Existem pelo menos quatro fins que tornam os data centers máquinas de consumir água. O mais direto e local é a água utilizada na refrigeração de todo equipamento que ganha temperatura nas atividades de computação, o processo conhecido como cooling. Essa prática frequentemente utiliza água potável. Apesar de já ser extremamente relevante do ponto de vista de consumo, essa é apenas uma das formas de consumo abundante de água. DAMNY: Indiretamente, os data centers também consomem a água relacionada ao seu alto consumo de energia, em especial na geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas e termelétricas. Também atrelada ao consumo energético, está o uso nas estações de tratamento de água, que visam tratar a água com resíduos gerada pelo data center para tentar reduzir a quantidade de água limpa utilizada. YAMA: Por fim, a cadeia de suprimentos de chips e servidores que compõem os data centers requer água ultrapura e gera resíduos químicos. Ainda que se saiba que esse fator gera gastos de água e emissões de carbono relevantes, os dados são super obscuros, entre outros motivos, porque a maioria dos dados que temos sobre o consumo de água em data centers são fornecidos pelas próprias empresas. CYNTHIA: A água e os minérios são componentes também basilares para as estruturas de datacenter, que são basilares para o funcionamento da inteligência artificial. (…). E tem toda uma questão, como eu disse muitas vezes, captura um volume gigante de água doce. E essa água que é retornada para o ecossistema, muitas vezes não é compensada da água que foi capturada. Só que as empresas também têm uma promessa em alguns relatórios, você vai ver que elas têm uma promessa até de chegar em algum ponto para devolver cento e vinte por cento da água. Então a empresa está se comprometendo a devolver mais água do que ela capturou. Só que a realidade é o quê? É outra. Então, a Google, por exemplo, nos últimos cinco anos, reportou um aumento de cento e setenta e sete por cento do uso de água. A Microsoft mais trinta e oito e a Amazon sequer reporta o volume de consumo de água. Então uma lacuna tremenda para uma empresa desse porte, considerando todo o setor de Data centers. Mas tem toda essa questão da água, que é muito preocupante, não só por capturar e o tratamento dela e como ela volta para o meio ambiente, mas porque há essa disputa também com territórios que têm uma subsistência muito específica de recursos naturais, então existe uma disputa aí por esse recurso natural entre comunidade e empreendimento. DAMNY: Nessa fala da Cynthia a gente observa duas coisas importantes: a primeira é que não existe data center sem água para resfriamento, de modo que o impacto local da instalação de um empreendimento desses é uma certeza irrefutável. E é um dano contínuo. Enquanto ele estiver em operação ele precisará da água. É como se uma cidade de grande porte chegasse de repente, demandando uma quantidade de água e energia que o local simplesmente não tem para oferecer. E na hora de escolher entre as pessoas e empreendimentos multimilionários, adivinha quem fica sem água e com a energia mais cara? YAMA: A segunda coisa importante que a Cynthia fala é quando ela nos chama a atenção sobre a demanda por recursos naturais. Nós sabemos que recursos naturais são escassos. Mais do que isso, recursos naturais advindos da mineração têm a sua própria forma de impactos sociais e ambientais, o que vemos frequentemente na Amazônia brasileira. O que acontecerá com os data centers quando os recursos naturais locais já não forem suficientes para seu melhor funcionamento? Diante de uma computação que passa por constante renovação pela velocidade da obsolescência, o que acontece com o grande volume de lixo eletrônico gerado por data centers? Perguntas que não têm resposta. DAMNY: A crise geopolítica em torno dos minerais conhecidos como terra-rara mostra a complexidade política e ambiental do futuro das IA do ponto de vista material e das suas cadeias de suprimento. No estudo feito pelo LAPIN, a Cynthia nos disse que considera que esse ponto do aumento da demanda por minerais críticos que as IA causam é um dos pontos mais opacos nas comunicações das grandes empresas de tecnologia sobre o impacto de seus data centers. CYNTHIA: E outro ponto de muita, muita lacuna, que eu acho que do nosso mapeamento, desses termos mais de recursos naturais. A cadeia de extração mineral foi o que mais foi opaco, porque, basicamente, as empresas não reportam nada sobre essa extração mineral e é muito crítico, porque a gente sabe que muitos minérios vêm também de zonas de conflito. Então as grandes empresas, pelo menos as três que a gente mapeou, elas têm ali um trechinho sobre uma prestação de contas da cadeia mineral. Tudo que elas fazem é falar que elas seguem um framework específico da OCDE sobre responsabilização. YAMA: Quando as empresas falam de usar energias limpas e de reciclar a água utilizada, eles estão se desvencilhando das responsabilidades sobre seus datacenters. Energia limpa não quer dizer ausência de impacto ambiental. Pras grandes empresas, as fontes de energia limpa servem para gerar excedente e não para substituir de fato energias fósseis. Você pode ter um data center usando majoritariamente energia solar no futuro, mas isso não muda o fato de que ele precisa funcionar 24/7 e as baterias e os geradores a diesel estarão sempre lá. Além disso, usinas de reciclagem de água, fazendas de energia solar e usinas eólicas também têm impactos socioambientais importantes. O uso de recursos verdes complexifica o problema de identificar os impactos locais e responsabilidades dos data centers, mas não resolve de nenhuma forma os problemas de infraestrutura e de fornecimento de água e energia causados pelos empreendimentos. DAMNY: É por isso que a gente alerta pra não comprar tão facilmente a história de que cada pergunta pro chatGPT gasta x litros de água. Se você não perguntar nada pro chatGPT hoje, ou se fizer 1000 perguntas, não vai mudar em absolutamente nada o alto consumo de água e os impactos locais destrutivos dos data centers que estão sendo instalados a todo vapor em toda a América Latina. A quantidade de dados e de computação que uma big tech usa para treinar seus modelos, por exemplo, jamais poderá ser equiparada ao consumo individual de chatbots. É como comparar as campanhas que te pedem pra fechar a torneira ao escovar os dentes, enquanto o agro gasta em minutos água que você não vai gastar na sua vida inteira. Em resumo, empresas como Google, Microsoft, Meta e Amazon só se responsabilizam pelos impactos diretamente causados por seus data centers e, mesmo assim, é uma responsabilização muito entre aspas, à base de greenwashing. Você já ouviu falar de greenwashing? CYNTHIA: Essa expressão em inglês nada mais é do que a tradução literal, que é o discurso verde. (…)É justamente o que a gente está conversando. É justamente quando uma empresa finge se preocupar com o meio ambiente para parecer sustentável, mas, na prática, as ações delas não trazem esses benefícios reais e, pelo contrário, às vezes trazem até danos para o meio ambiente. Então, na verdade, é uma forma até de manipular, ou até mesmo enganar as pessoas, os usuários daqueles sistemas ou serviços com discursos e campanhas com esses selos verdes, mas sem comprovar na prática. YAMA: Nesse contexto, se torna primordial que a gente tenha mais consciência de toda a infraestrutura material que está por trás da inteligência artificial. Como nos resumiu bem a Tamara: TAMARA: [ Eu acredito que ter noção da infraestrutura completa que envolve a cadeia da IA realmente ajuda a entender a situação. Mesmo que você esteja usando, supostamente, energia renovável para construir e operar um data center, você ainda vai precisar de muitos outros materiais, chips, minerais e outras coisas com suas próprias cadeias de suprimento. Ou seja, independente da forma de energia utilizada, você ainda vai causar dano às comunidades e destruição ambiental. ] But that… I think that is why having a sense of the entire AI supply chain is really helpful, just in terms of thinking about, you know, even if you’re, in theory, using renewable energy to build a data center, you still are relying on a lot of other materials, including chips, including minerals, and other things that. (…) We’re still, you know, possibly going to be harming communities and causing environmental disruption. [ tom baixo ] YAMA: Antes de a gente seguir pro último bloco, eu queria só dizer que a entrevista completa com a Dra. Tamara Kneese foi bem mais longa e publicada na íntegra no blog do GEICT. O link para a entrevista tá na descrição do episódio, mas se você preferir pode ir direto no bloco do GEICT. [ tom baixo ] VOICE OVER: BLOCO 3 – PROBLEMAS GLOBAIS, PROBLEMAS LOCAIS YAMA: Mesmo conhecendo as cadeias, as estratégias de greenwashing trazem um grande problema à tona, que é uma espécie de terceirização das responsabilidades. As empresas trazem medidas compensatórias que não diminuem em nada o impacto local dos seus data centers. Então tem uma classe de impactos que são globais, como as emissões de carbono e o aumento da demanda por minerais críticos, por exemplo. E globais no sentido de que eles são parte relevante dos impactos dos data centers, mas não estão impactando exatamente nos locais onde foram construídos. CYNTHIA: Google, por exemplo, nesse recorte que a gente fez da pesquisa dos últimos cinco anos, ela simplesmente reportou um aumento de emissão de carbono em setenta e três por cento. Não é pouca coisa. A Microsoft aumentou no escopo dois, que são as emissões indiretas, muito por conta de data centers, porque tem uma diferenciação por escopo, quando a gente fala de emissão de gases, a Microsoft, nesse período de cinco anos, ela quadruplicou o tanto que ela tem emitido. A Amazon aumentou mais de trinta por cento. Então a prática está mostrando que essas promessas estão muito longe de serem atingidas. Só que aí entra um contexto mais de narrativa. Por que elas têm falado e prometido a neutralidade de carbono? Porque há um mecanismo de compensação. (…) Então elas falam que estão correndo, correndo para atingir essa meta de neutralidade de carbono, mas muito por conta dos instrumentos de compensação, compensação ou de crédito de carbono ou, enfim, para uso de energias renováveis. Então se compra esse certificado, se fazem esses contratos, mas, na verdade, não está tendo uma redução de emissão. Está tendo uma compensação. (…) Essa compensação é um mecanismo financeiro, no final do dia. Porque, quando você, enquanto empresa, trabalha na compensação dos seus impactos ambientais e instrumentos contratuais, você está ignorando o impacto local. Então, se eu estou emitindo impactando aqui o Brasil, e estou comprando crédito de carbono em projetos em outra área, o impacto local do meu empreendimento está sendo ignorado. YAMA: E os impactos materiais locais continuam extremamente relevantes. Além do impacto nas infraestruturas locais de energia e de água sobre as quais a gente já falou, há muitas reclamações sobre a poluição do ar gerada pelos geradores, as luzes que nunca desligam e até mesmo a poluição sonora. A Tamara nos contou de um caso curioso de um surto de distúrbios de sono e de enxaqueca que tomou regiões de data centers nos Estados Unidos. TAMARA: [ Uma outra coisa que vale ser lembrada: as pessoas que vivem perto dos data centers tem nos contado que eles são super barulhentos, eles também relatam a poluição visual causada pelas luzes e a poluição sonora. Foi interessante ouvir de comunidades próximas a data centers de mineração de criptomoedas, por exemplo, que os moradores começaram a ter enxaquecas e distúrbios de sono por viverem próximos das instalações. E além de tudo isso, ainda tem a questão da poluição do ar, que é visível a olho nu. Há muitas partículas no ar onde há geradores movidos a diesel para garantir que a energia esteja sempre disponível. ] And the other thing is, you know, for people who live near them, they’re very loud, and so if you talk to people who live near data centers, they will talk about the light pollution, the noise pollution. And it’s been interesting, too, to hear from communities that are near crypto mining facilities, because they will complain of things like migraine headaches and sleep deprivation from living near the facilities. And, you know, the other thing is that the air pollution is quite noticeable. So there’s a lot of particulate matter, particularly in the case of using diesel-fueled backup generators as an energy stopgap. DAMNY: E do ponto de vista dos impactos locais, há um fator importantíssimo que não pode ser esquecido: território. Data centers podem ser gigantes, mas ocupam muito mais espaço que meramente seus prédios, porque sua cadeia de suprimentos demanda isso. Como a água e a energia chegarão até os prédios? Mesmo que sejam usados fontes renováveis de energia, onde serão instaladas as fazendas de energia solar ou as usinas de energia eólica e de tratamento de água? Onde a água contaminada e/ou tratada será descartada? Quem vai fiscalizar? YAMA: E essa demanda sem fim por território esbarra justamente nas questões de racismo ambiental. Porque os territórios que são sacrificados para que os empreendimentos possam funcionar, muito frequentemente, são onde vivem povos originários e populações marginalizadas. Aqui percebemos que a resistência local contra a instalação de data centers é, antes de qualquer coisa, uma questão de justiça ambiental. É o caso de South Memphis nos Estados Unidos, por exemplo. TAMARA: [ Pensando particularmente sobre os tipos de danos causados pelos data centers, não é somente a questão da conta de energia ficar mais cara, ou quantificar a quantidade de energia e água gasta por data centers específicos. A verdadeira questão, na minha opinião, é a relação que existe entre esses danos socioambientais, danos algorítmicos e o racismo ambiental e outras formas de impacto às comunidades que lidam com isso a nível local. Especialmente nos Estados Unidos, com todo esse histórico de supremacia branca e a falta de direitos civis, não é coincidência que locais onde estão comunidades negras, por exemplo, sejam escolhidos como zonas de sacrifício. As comunidades negras foram historicamente preferenciais para todo tipo de empreendimento que demanda sacrificar território, como estradas interestaduais, galpões da Amazon… quer dizer, os data centers são apenas a continuação dessa política histórica de racismo ambiental. E tudo isso se soma aos péssimos acordos feitos a nível local, onde um prefeito e outras lideranças governamentais pensam que estão recebendo algo de grande valor econômico. Em South Memphis, por exemplo, o data center é da xAI. Então você para pra refletir como essa plataforma incrivelmente racista ainda tem a audácia de poluir terras de comunidades negras ainda mais ] I think, the way of framing particular kinds of harm, so, you know, it’s not just about, you know, people’s energy bills going up, or, thinking about how we quantify the energy use or the water use of particular data centers, but really thinking about the relationship between a lot of those social harms and algorithmic harms and the environmental racism and other forms of embodied harms that communities are dealing with on that hyper-local level. And, you know, in this country, with its history of white supremacy and just general lack of civil rights, you know, a lot of the places where Black communities have traditionally been, tend to be, you know, the ones sacrificed for various types of development, like, you know, putting up interstates, putting up warehouses for Amazon and data centers are just a continuation of the what was already happening. And then you have a lot of crooked deals on the local level, where, you know, maybe a mayor and other local officials think that they’re getting something economically of value. In South Memphis, the data center is connected to x AI. And so thinking about this platform that is so racist and so incredibly harmful to Black communities, you know, anyway, and then has the audacity to actually pollute their land even more. DAMNY: Entrando na questão do racismo ambiental a gente se encaminha para o nosso segundo episódio, onde vamos tentar entender como o Brasil se insere na questão dos data centers e como diferentes setores da população estão se organizando para resistir. Antes de encerrar esse episódio, contudo, a gente traz brevemente pra conversa dois personagens que vão ser centrais no próximo episódio. YAMA: Eles nos ajudam a compreender como precisamos considerar a questão dos territórios ao avaliar os impactos. Uma dessas pessoas é a Andrea Camurça, do Instituto Terramar, que está lutando junto ao povo Anacé pelo direito de serem consultados sobre a construção de um data center do TIKTOK em seus territórios. Eu trago agora um trechinho dela falando sobre como mesmo medidas supostamente renováveis se tornam violações territoriais num contexto de racismo ambiental. ANDREA: A gente recebeu notícias agora, recentemente, inclusive ontem, que está previsto um mega empreendimento solar que vai ocupar isso mais para a região do Jaguaribe, que vai ocupar, em média, de equivalente a seiscentos campos de futebol. Então, o que isso representa é a perda de terra. É a perda de água. É a perda do território. É uma diversidade de danos aos povos e comunidades tradicionais que não são reconhecidos, são invisibilizados. Então é vendido como território sem gente, sendo que essas energias chegam dessa forma. Então, assim a gente precisa discutir sobre energias renováveis. A gente precisa discutir sobre soberania energética. A gente precisa discutir sobre soberania digital, sim, mas construída a partir da necessidade do local da soberania dessas populações. DAMNY: A outra pessoa que eu mencionei é uma liderança Indígena, o cacique Roberto Anacé. Fazendo uma ótima conexão que nos ajuda a perceber como os impactos globais e locais dos data centers estão conectados, ele observa como parecemos entrar num novo momento do colonialismo, onde a soberania digital e ambiental do Brasil volta a estar em risco, indo de encontro à violação de terras indígenas. CACIQUE ROBERTO: Há um risco para a questão da biodiversidade, da própria natureza da retirada da água, do aumento de energia, mas também não somente para o território da Serra, mas para todos que fazem uso dos dados. Ou quem expõe esses dados. Ninguém sabe da mão de quem vai ficar, quem vai controlar quem vai ordenar? E para que querem essa colonização? Eu chamo assim que é a forma que a gente tem essa colonização de dados. Acredito eu que a invasão do Brasil em mil e quinhentos foi de uma forma. Agora nós temos a invasão de nossas vidas, não somente para os indígenas, mas de todos, muitas vezes que fala muito bem, mas não sabe o que vai acontecer depois que esses dados estão guardados. Depois que esses dados vão ser utilizados, para que vão ser utilizados, então esses agravos. Ele é para além do território indígena na série. [ tom baixo ] [ Começa Bio Unit ] YAMA: A pesquisa, entrevistas e apresentação desse episódio foi feita pelo Damny Laya e por mim, Yama Chiodi. Eu também fiz o roteiro e a produção. Quem narrou a tradução das falas da Tamara foi Mayra Trinca. O Oxigênio é um podcast produzido pelos alunos do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp e colaboradores externos. Tem parceria com a Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp e apoio do Serviço de Auxílio ao Estudante, da Unicamp. Além disso, contamos com o apoio da FAPESP, que financia bolsas como a que nos apoia neste projeto de divulgação científica. DAMNY: A lista completa de créditos para os sons e músicas utilizados você encontra na descrição do episódio. Você encontra todos os episódios no site oxigenio.comciencia.br e na sua plataforma preferida. No Instagram e no Facebook você nos encontra como Oxigênio Podcast. Segue lá pra não perder nenhum episódio! Aproveite para deixar um comentário. [ Termina Bio Unit ] [ Vinheta Oxigênio ] Créditos: Aerial foi composta por Bio Unit; Documentary por Coma-Media. Ambas sob licença Creative Commons. Os sons de rolha e os loops de baixo são da biblioteca de loops do Garage Band. Roteiro, produção: Yama Chiodi Pesquisa: Yama Chiodi, Damny Laya Narração: Yama Chiodi, Danny Laya, Mayra Trinca Entrevistados: Tamara Kneese, Cynthia Picolo, Andrea Camurça e Cacique Roberto Anacé __________ Descendo a toca do coelho da IA: Data Centers e os Impactos Materiais da “Nuvem” – Uma entrevista com Tamara Kneese: https://www.blogs.unicamp.br/geict/2025/11/06/descendo-a-toca-do-coelho-da-ia-data-centers-e-os-impactos-materiais-da-nuvem-uma-entrevista-com-tamara-kneese/ Não somos quintal de data centers: Um estudo sobre os impactos socioambientais e climáticos dos data centers na América Latina: https://idec.org.br/publicacao/nao-somos-quintal-de-data-centers Outras referências e fontes consultadas: Relatórios técnicos e dados oficiais: IEA (2025), Energy and AI, IEA, Paris https://www.iea.org/reports/energy-and-ai, Licence: CC BY 4.0 “Inteligência Artificial e Data Centers: A Expansão Corporativa em Tensão com a Justiça Socioambiental”. Lapin. https://lapin.org.br/2025/08/11/confira-o-relatorio-inteligencia-artificial-e-data-centers-a-expansao-corporativa-em-tensao-com-a-justica-socioambiental/ Estudo de mercado sobre Power & Cooling de Data Centers. DCD – DATA CENTER DYNAMICS.https://media.datacenterdynamics.com/media/documents/Report_Power__Cooling_2025_PT.pdf Pílulas – Impactos ambientais da Inteligência Artificial. IPREC. https://ip.rec.br/publicacoes/pilulas-impactos-ambientais-da-inteligencia-artificial/ Policy Brief: IA, data centers e os impactos ambientais. IPREC https://ip.rec.br/wp-content/uploads/2025/05/Policy-Paper-IA-e-Data-Centers.pdf MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.318, DE 17 DE SETEMBRO DE 2025 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/medida-provisoria-n-1.318-de-17-de-setembro-de-2025-656851861 Infográfico sobre minerais críticos usados em Data Centers do Serviço de Geologia do Governo dos EUA https://www.usgs.gov/media/images/key-minerals-data-centers-infographic Notícias e reportagens: From Mexico to Ireland, Fury Mounts Over a Global A.I. Frenzy. Paul Mozur, Adam Satariano e Emiliano Rodríguez Mega. The New York Times, 20/10/2025. https://www.nytimes.com/2025/10/20/technology/ai-data-center-backlash-mexico-ireland.html Movimentos pedem ao MP fim de licença de data center no CE. Maristela Crispim, EcoNordeste. 25/08/2025. https://agenciaeconordeste.com.br/sustentabilidade/movimentos-pedem-ao-mp-fim-de-licenca-de-data-center-no-ce/#:~:text=’N%C3%A3o%20somos%20contra%20o%20progresso’&text=Para%20o%20cacique%20Roberto%20Anac%C3%A9,ao%20meio%20ambiente%E2%80%9D%2C%20finaliza. ChatGPT Is Everywhere — Why Aren’t We Talking About Its Environmental Costs? Lex McMenamin. Teen Vogue. https://www.teenvogue.com/story/chatgpt-is-everywhere-environmental-costs-oped Data centers no Nordeste, minérios na África, lucros no Vale do Silício. Le Monde Diplomatique, 11 jun. 2025. Accioly Filho. https://diplomatique.org.br/data-centers-no-nordeste-minerios-na-africa-lucros-no-vale-do-silicio/. The environmental footprint of data centers in the United States. Md Abu Bakar Siddik et al 2021 Environ. Res. Lett. 16064017: https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/abfba1 Tecnología en el desierto – El debate por los data centers y la crisis hídrica en Uruguay. MUTA, 30 nov. Soledad Acunã https://mutamag.com/cyberpunk/tecnologia-en-el-desierto/. Acesso em: 17 set. 2025. Las zonas oscuras de la evaluación ambiental que autorizó “a ciegas” el megaproyecto de Google en Cerrillos. CIPER Chile, 25 maio 2020. https://www.ciperchile.cl/2020/05/25/las-zonas-oscuras-de-la-evaluacion-ambiental-que-autorizo-aciegas-el-megaproyecto-de-google-en-cerrillos/. Acesso em: 17 set. 2025. Thirsty data centres spring up in water-poor Mexican town. Context, 6 set. 2024. https://www.context.news/ai/thirsty-data-centres-spring-up-in-water-poor-mexican-town BNDES lança linha de R$ 2 bilhões para data centers no Brasil. https://agenciadenoticias.bndes.gov.br/industria/BNDES-lanca-linha-de-R$-2-bilhoes-para-data-centersno-Brasil/. Los centros de datos y sus costos ocultos en México, Chile, EE UU, Países Bajos y Sudáfrica. WIRED, 29 maio 2025. Anna Lagos https://es.wired.com/articulos/los-costos-ocultos-del-desarrollo-de-centros-de-datos-en-mexico-chile-ee-uu-paises-bajos-y-sudafrica Big Tech's data centres will take water from world's driest areas. Eleanor Gunn. SourceMaterial, 9 abr. 2025. https://www.source-material.org/amazon-microsoft-google-trump-data-centres-water-use/ Indígenas pedem que MP atue para derrubar licenciamento ambiental de data center do TikTok. Folha de S.Paulo, 26 ago. 2025. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/08/indigenas-pedem-que-mp-atue-para-derrubar-licenciamento-ambiental-de-data-center-do-tiktok.shtml The data center boom in the desert. MIT Technology Review https://www.technologyreview.com/2025/05/20/1116287/ai-data-centers-nevada-water-reno-computing-environmental-impact/ Conferências, artigos acadêmicos e jornalísticos: Why are Tech Oligarchs So Obsessed with Energy and What Does That Mean for Democracy? Tamara Kneese. Tech Policy Press. https://www.techpolicy.press/why-are-tech-oligarchs-so-obsessed-with-energy-and-what-does-that-mean-for-democracy/ Data Center Boom Risks Health of Already Vulnerable Communities. Cecilia Marrinan. Tech Policy Press. https://www.techpolicy.press/data-center-boom-risks-health-of-already-vulnerable-communities/ RARE/EARTH: The Geopolitics of Critical Minerals and the AI Supply Chain. https://www.youtube.com/watch?v=GxVM3cAxHfg Understanding AI with Data & Society / The Environmental Costs of AI Are Surging – What Now? https://www.youtube.com/watch?v=W4hQFR8Z7k0 IA e data centers: expansão corporativa em tensão com justiça socioambiental. Camila Cristina da Silva, Cynthia Picolo G. de Azevedo. https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/ia-regulacao-democracia/ia-e-data-centers-expansao-corporativa-em-tensao-com-justica-socioambiental LI, P.; YANG, J.; ISLAM, M. A.; REN, S. Making AI Less “Thirsty”: Uncovering and Addressing the Secret Water Footprint of AI Models. arXiv, 2304.03271, 26 mar. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.48550/arXiv.2304.03271 LIU, Y.; WEI, X.; XIAO, J.; LIU, Z.;XU, Y.; TIAN, Y. Energy consumption and emission mitigation prediction based on data center traffic and PUE for global data centers. Global Energy Interconnection, v. 3, n.3, p. 272-282, 3 jun. 2020. https://doi.org/10.1016/j.gloei.2020.07.008 SIDDIK, M. A. B.; SHEHABI, A.; MARSTON, L. The environmental footprint of data centers in the United States. Environmental Research Letters, v. 16, n. 6, 21 maio 2021. https://doi.org/10.1088/1748-9326/abfba1 Las Mentiras de Microsoft en Chile: Una Empresa No tan Verde. Por Rodrigo Vallejos de Resistencia Socioambiental de Quilicura. Revista De Frente, 18 mar. 2022. https://www.revistadefrente.cl/las-mentiras-de-microsoft-en-chile-una-empresa-no-tan-verde-porrodrigo-vallejos-de-resistencia-socioambiental-de-quilicura/. Acesso em: 17 set. 2025.

Nota de Voz de Mesa Central
Martes 12 de agosto: Fiscalía confirmó la detención de dos nuevos sospechosos por secuestro de empresario en Quilicura

Nota de Voz de Mesa Central

Play Episode Listen Later Aug 12, 2025 3:08


Martes 12 de agosto: La fiscalía informó en horas de la noche que hay otros dos detenidos por el secuestro extorsivo realizado el jueves contra un empresario plagiado en Quilicura. El plazo de la detención de los primeros dos involucrados rige hasta mañana.

Causa y Efecto, con Néstor Aburto y Nibaldo Mosciatti
Secuestros y sicariato: la nueva cotidianidad del crimen organizado en Chile

Causa y Efecto, con Néstor Aburto y Nibaldo Mosciatti

Play Episode Listen Later Aug 8, 2025 12:40


En la Región Metropolitana se investiga un posible secuestro empresarial en Quilicura, sumándose a otros casos en Chile, donde bandas criminales compiten y exigen rescates en efectivo o drogas. La normalización de esta violencia plantea desafíos para la autoridad y la policía, con la seguridad en debate y figuras públicas blindando sus vehículos, reflejando un cambio en la cotidianidad del crimen organizado en el país.

Causa y Efecto, con Néstor Aburto y Nibaldo Mosciatti
Alerta en seguridad: el secuestro se expande y cambia su perfil en Chile

Causa y Efecto, con Néstor Aburto y Nibaldo Mosciatti

Play Episode Listen Later Aug 8, 2025 11:49


El Ministerio Público alertó sobre un preocupante aumento del 2,4% en los secuestros este año. Destaca el caso de un empresario secuestrado en Quilicura, aunque fue liberado ileso. Se resalta la detención de implicados, desbaratando bandas, como en Rancagua. Se cuestiona la prevención gubernamental ante esta industria emergente, lucrativa y compleja, que antes afectaba principalmente a delincuentes.

Nota de Voz de Mesa Central
Viernes 08 de agosto: Hallaron con vida al empresario que había sido secuestrado en Quilicura

Nota de Voz de Mesa Central

Play Episode Listen Later Aug 8, 2025 3:00


Viernes 08 de agosto: Algo de tranquilidad vuelve porque el empresario secuestrado ayer en la mañana en la puerta de su fábrica fue liberado esta madrugada. Lo encontró un chofer de aplicación y fue llevado a un centro asistencial y luego a una comisaría de Carabineros.

Noticias de T13
Investigan presunto secuestro de empresario en Quilicura: Noticias 7 de agosto

Noticias de T13

Play Episode Listen Later Aug 7, 2025 2:30


Más detalles en T13.cl

Noticias de T13
Gobierno califica de “extremo riesgo” funeral narco en Quilicura: Noticias 29 de abril

Noticias de T13

Play Episode Listen Later Apr 29, 2025 2:32


Noticias de T13
Narco asesinado en Quilicura era padre de artista urbano y estaría relacionado con "El Aguja": Noticias 28 de abril

Noticias de T13

Play Episode Listen Later Apr 28, 2025 2:46


Nota de Voz de Mesa Central
Lunes 28 de abril: Incidentes y asesinato de un hombre en Quilicura provoca la suspensión de clases en la comuna

Nota de Voz de Mesa Central

Play Episode Listen Later Apr 28, 2025 3:13


Lunes 28 de abril: Quilicura fue el epicentro de la violencia ayer y hoy. Hubo un robo masivo y millonario, una especie de turba contra cuatro locales de un outlet de la comuna, pero lo principal, lo que no se puede dejar pasar como una cosa normal, es que en plena calle, y en lo que para la fiscalía parece un ajuste de cuentas, un conocido narcotraficante de la zona fue asesinado.

Radio Duna | Santiago Adicto
El 1er Congreso Hábitat y Salud y el programa Quilicura limpia y segura

Radio Duna | Santiago Adicto

Play Episode Listen Later Aug 20, 2024


Rodrigo Guendelman conversó con la arquitecta Pilar Giménez y el médico Antonio Vukusich, sobre el 1er Congreso Hábitat y Salud de la Universidad de Los Andes. Además, estuvo con Javier Vergara, de Ciudad Emergente, quien se refirió al programa Quilicura limpia y segura, que busca limpiar los territorios de basurales.

24 Horas | Showcast - La mañana informativa
Paulina Bobadilla, alcaldesa de Quilicura: "Enel es una empresa nefasta"

24 Horas | Showcast - La mañana informativa

Play Episode Listen Later Aug 9, 2024 10:42


"Mienten, entregan cifras falsas. Quiero que Enel sea consciente y empático, pero pareciera no importarle la gente", dijo la autoridad tras los extensos cortes de luz.

Sonar Informativo
Subsecretaria de la niñez por homicidio de niños: "Se ha ido generando una cultura agresiva"

Sonar Informativo

Play Episode Listen Later Jul 18, 2024 22:43


Verónica Silva abordó la situación de los niños y adolescentes asesinados en Quilicura, y el involucramiento de menores de edad en el crimen organizado.

El Diario de Cooperativa AM
Galilea sobre descontrol criminal: "Al que hay que exigirle resultados es al Presidente"

El Diario de Cooperativa AM

Play Episode Listen Later Jul 17, 2024 32:05


La alcaldesa de Quilicura, Paulina Bobadilla, lamentó en Cooperativa que su comuna no es "prioridad" para el Gobierno al no ser incluida en el Plan Calles sin Violencia, todo esto luego del cuádruple homicidio de adolescentes registrado este domingo en la población Raúl Silva Henríquez; Además hablamos con el presidente de Renovación Nacional (RN), el senador Rodrigo Galilea, quien emplazó este miércoles al Presidente Gabriel Boric por la ola de homicidios ocurrida en los últimos días en el país. Conduce Verónica Franco y Sergio Campos.

Sonar Global
Alcaldesa Paulina Bobadilla por crisis de seguridad en RM: "No se le dio prioridad a Quilicura".

Sonar Global

Play Episode Listen Later Jul 17, 2024 11:59


Paulina Bobadilla comentó los detalles tras la reunión que tuvo con la ministra del Interior, Carolina Tohá tras el homicidio múltiple que se registró en Quilicura durante este fin de semana.

Causa y Efecto, con Néstor Aburto y Nibaldo Mosciatti
Masacre en Quilicura agudiza miedo y preocupación por seguridad en Chile

Causa y Efecto, con Néstor Aburto y Nibaldo Mosciatti

Play Episode Listen Later Jul 16, 2024 9:55


El fin de semana recién pasado ocurrieron una serie de hechos violentos, que dejaron lamentables cifras. Uno de los eventos que que generó mayor impacto fue el de la comuna de Quilicura, en donde cuatro adolescentes fallecieron producto de una ráfaga de disparos. Si bien aún se están investigando las circunstancias en las que sucedió, se baraja la teoría de que podría haberse tratado de disputa territorial entre bandas de la zona. La Ministra Vallejo, al ser consultada por este tema, expresó que “nosotros tenemos grandes desafío en seguridad”, añadiendo que sin embargo, “no estamos al nivel que están nuestros países vecinos“. Esto no tardó en generar una importante polémica.

Lo Mejor De La Prensa
Conmoción por el crimen de cuatro jóvenes en Quilicura

Lo Mejor De La Prensa

Play Episode Listen Later Jul 15, 2024 4:48


Conmoción por el crimen de cuatro jóvenes en Quilicura by El Líbero

24 Horas | Showcast - La mañana informativa
Latorre por crímenes de las últimas horas: "No nos podemos acostumbrar (...) hay que hacer más"

24 Horas | Showcast - La mañana informativa

Play Episode Listen Later Jul 15, 2024 18:27


Cuatro adolescentes muertos por disparos en Quilicura o un hombre que recibió 47 disparos en Viña del Mar, son parte de los cruentos hechos ocurridos en las últimas horas. Al respecto el senador del FA, Juan Ignacio Latorre, señaló: "No sé si hay algún Estado que pueda garantizar que este tipo de crímenes no se cometan".

El Villegas - Actualidad y esas cosas
El intento de a***nato de Trump | E1408

El Villegas - Actualidad y esas cosas

Play Episode Listen Later Jul 14, 2024 44:45


En el programa de hoy, se discute el reciente intento de asesinato del candidato Donald Trump, ex presidente de Estados Unidos, señalando la hipocresía en las reacciones tanto nacionales como internacionales. Se comentan también los recientes episodios de violencia en Chile, con ataques armados en Quilicura y Huechuraba. Además, se analizan las preferencias electorales de los inmigrantes en Chile, destacando la inclinación hacia candidatos de derecha. Finalmente, se aborda la polémica por el permiso de trabajo otorgado a un imputado en el asesinato del teniente Ojeda, y la crítica a la gestión de la inmigración en el país. Para acceder al programa sin interrupción de comerciales, suscríbete a Patreon: https://www.patreon.com/elvillegas DEBUT & DESPEDIDA (2024) https://elvillegas.cl/producto/debut-despedida/ MOMENTOS MUSICALES EN YO MENOR (2023) https://elvillegas.cl/producto/momentos-musicales/ REVOLUCIÓN (2023) https://www.elvillegas.cl/producto/revolucion TSUNAMI (2016) https://www.elvillegas.cl/producto/tsunami LA TORRE DE PAPEL (2022) https://www.elvillegas.cl/producto/la-torre-de-papel ENVEJEZCA O MUÉRASE (2022) https://www.elvillegas.cl/producto/envejezca/ INSURRECCIÓN (2020) Chile https://www.elvillegas.cl/producto/insurreccion/ Internacional por Amazon: https://www.amazon.com/dp/B09WZ29DTQ JULIO CÉSAR PARA JÓVENES Y NO TANTO (2011) https://elvillegas.cl/producto/julio-cesar-para-jovenes-y-no-tanto/ TAMBIÉN APÓYANOS EN FLOW: https://www.flow.cl/app/web/pagarBtnPago.php?token=0yq6qal Grandes Invitados en Amazon: https://www.amazon.com/dp/B09X1LN5GH Encuentra a El Villegas en: Web: http://www.elvillegas.cl Facebook: https://www.facebook.com/elvillegaschile Twitter: https://www.twitter.com/elvillegaschile Soundcloud: https://www.soundcloud.com/elvillegaspodcast Spotify: https://open.spotify.com/show/7zQ3np197HvCmLF95wx99K Instagram: https://www.instagram.com/elvillegaschile

Sonar Global
Paulina Bobadilla en Sonar Global

Sonar Global

Play Episode Listen Later May 24, 2024 14:12


Rafa Cavada y Pablo Aranzaes conversan con la alcaldesa de Quilicura, Paulina Bobadilla, sobre el estado de la comuna tras las lluvias.

global sonar bobadilla quilicura pablo aranzaes
Nota de Voz de Mesa Central
DALE PLAY | Jueves 23 de mayo: La Gobernación de la Región Metropolitana solicitó una investigación por anegamientos en Quilicura

Nota de Voz de Mesa Central

Play Episode Listen Later May 23, 2024 2:52


Jueves 23 de mayo: Hoy finalizan las precipitaciones asociadas al sistema frontal que afectó Santiago y que dejó numerosos trastornos en la capital. Los problemas más graves se presentaron en el sector Lo Cruzat de Quilicura donde una veintena de viviendas se anegaron con más de 1 metro de agua. Los vecinos acusan al desarrollo inmobiliario en la zona y a la no construcción de una red de colectores de agua lluvia.

Equal Radio
Meet Up Mil Miradas

Equal Radio

Play Episode Listen Later Apr 10, 2024 7:18


Episodio 139 . Guión/Voz/Producción: Ulises Sanher (IG: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@usanher⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠) . Equal Music®2024 / IG ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@equal.music⁠ . Desde sus inicios, la música es y ha sido reflejo de la realidad compleja de nuestra existencia, las letras retratan momentos y situaciones históricas que deseamos se queden en memoria colectiva para aprender de ellas y no repetirlas nunca más. La disparidad en la música muestra sólo una parte del entorno global donde a diario se cometen injusticias, la lucha que se libra detrás de escritorios impacta en escenarios, en medios dispuestos a ofrecer una real paridad de exposición. Los números alientan y muestran que falta mucho por hacer, es importante el inicio pero sin seguimiento se queda como esfuerzo aislado que pudo ser más. No sólo en marzo es necesaria la visibilidad de la desigualdad, cada día, semana y mes del año son oportunidades para generar espacios seguros. Gracias al acercamiento con la Municipalidad de Quilicura en Chile y el trabajo en conjunto con el Centro de Producción Musical por segundo año consecutivo vamos de la mano con Javierusk, Nadia Granada, Tinyay y Natisú quienes a partir de intercambios profundos crearon Mil Miradas, canción que exige respeto e igualdad, Mujeres buscando tratos de personas aún en 2024. . Música en Meet Up: Semilla, Fuego y Libertad-Araceli Cantora, Audry Funk, Nina Inti, Sin amx Community- Niño (Sanher) Mil Miradas-Tinyay, Nadia Granada, Javii, Natisú, Camila Moreno . Suscríbete en ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠YouTube Equal Music⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ para más contenido --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/equal-media/message

Radio Duna | Santiago Adicto
Las novedades del nuevo centro Giri de Ambipar

Radio Duna | Santiago Adicto

Play Episode Listen Later Mar 25, 2024


Rodrigo Guendelman conversó con Andrés Jensen, gerente corporativo de desarrollo y nuevos negocios de Ambipar, quien habló sobre el centro de pretratamiento para la valorización de residuos, Giri que funcionará en Quilicura aportando al reciclaje de miles de productos.

nuevo centro novedades giri ambipar quilicura rodrigo guendelman
Radio Minagri Agropodcast
Lleve de lo bueno – Episodio 9: ASOF invita a colegas a participar del Día Nacional del Feriante 2023 en Quilicura

Radio Minagri Agropodcast

Play Episode Listen Later Oct 24, 2023 35:02


Froilán Flores, Presidente de ASOF, invita a colegas de todo Chile a participar de la Gran Fiesta Feriante a desarrollarse en el Estadio Municipal de Quilicura; también conversamos con la nutricionista Consuelo Cáceres, quien participó junto con ASOF Rancagua en activación saludable en CESFAM; por último, Paola Huenchuman, dirigente de Lota nos comenta crítica situación que viven feriantes en la zona y detalles de reunión con autoridades.

Nota de Voz de Mesa Central
Lunes 25 de septiembre: El Gobierno realiza hoy un nuevo consejo de gabinete para concretar el Presupuesto 2024

Nota de Voz de Mesa Central

Play Episode Listen Later Sep 25, 2023 3:37


Lunes 25 de septiembre: El Presidente Boric, ya de vuelta en el país tras su gira por Estados Unidos, asume su agenda encabezando un consejo de gabinete en La Moneda. Pasado el mediodía el Mandatario inaugurará la extensión de la Línea 3 del Metro de Santiago, que permitirá la llegada de trenes a la Plaza de Armas de Quilicura.

Radio Duna | Santiago Adicto
La inauguración de las extensión de la Línea 3 del Metro y el trabajo de Francisco Boetsch

Radio Duna | Santiago Adicto

Play Episode Listen Later Sep 25, 2023


Francisco Aravena se refirió a la ampliación de esta línea que conecta Quilicura con La Reina. Además, conversó con el fotógrafo y arquitecto que entregó detalles sobre este trabajo y sobre cómo ha ido ampliando su negocio a través de cuadros, tazones y puzzles, entre varios otros.

Nota de Voz de Mesa Central
Lunes 25 de septiembre: El Gobierno realiza hoy un nuevo consejo de gabinete para concretar el Presupuesto 2024

Nota de Voz de Mesa Central

Play Episode Listen Later Sep 25, 2023 3:37


Lunes 25 de septiembre: El Presidente Boric, ya de vuelta en el país tras su gira por Estados Unidos, asume su agenda encabezando un consejo de gabinete en La Moneda. Pasado el mediodía el Mandatario inaugurará la extensión de la Línea 3 del Metro de Santiago, que permitirá la llegada de trenes a la Plaza de Armas de Quilicura.

24 Horas | Showcast - Noticias 24
"Puede traer más problemas": Paulina Bobadilla y ausencia de Quilicura en plan Calles sin Violencia

24 Horas | Showcast - Noticias 24

Play Episode Listen Later Apr 25, 2023 13:54


La alcaldesa de Quilicura, Paulina Bobadilla, criticó la ausencia de su comuna en el plan 'Calles Sin Violencia', señalando que "no sabemos si nos van a quitar los pocos efectivos (de Carabineros) que tenemos para dar prioridad a otras comunas. Esto nos tiene bastante alerta y a nuestros vecinos bastante preocupados".

24 Horas | Showcast - Noticias 24
"Puede traer más problemas": Paulina Bobadilla y ausencia de Quilicura en plan Calles sin Violencia

24 Horas | Showcast - Noticias 24

Play Episode Listen Later Apr 25, 2023 13:54


La alcaldesa de Quilicura, Paulina Bobadilla, criticó la ausencia de su comuna en el plan 'Calles Sin Violencia', señalando que "no sabemos si nos van a quitar los pocos efectivos (de Carabineros) que tenemos para dar prioridad a otras comunas. Esto nos tiene bastante alerta y a nuestros vecinos bastante preocupados".

Equal Radio
Meet Up Semilla, Fuego y Libertad

Equal Radio

Play Episode Listen Later Apr 12, 2023 7:56


Episodio 114 . Guión/Voz/Producción: Ulises Sanher (IG: ⁠⁠@usanher⁠⁠) . Equal Media®2022 ⁠⁠@equal.music⁠⁠ .  Se fue marzo y con él el trending topic de la apuesta femenina, curiosamente de un día para otro el respeto hacia las mujeres, el reconocimiento a su trabajo, el valor de su aporte a la economía mundial y demás sumas se diluyeron por ya no ser tema de moda. La importancia de la mirada hacia percibirnos como iguales es prioritario pues no debemos esperar un año para seguir proyectando el arte como la sublimación y el espejo de lo que somos actualmente, con el paso del tiempo serán estos los testigos de una era donde el humano luchaba por reconocer como tal a minorías que durante siglos fueron segregadas a la nada. En el sector norte de Santiago, en Chile, existe una región llena de orgullo, tradición, arte y disidencia, Quilicura, rodeada de 3 cerros que la separan de Renca la comunidad ha apoyado artistas que amplifican el sentir y pensamientos de mujeres y disidencias a través de la música. . Música en Meet Up: Amanda Palmer: Berlin Ana Tijoux: 1977 Renee Goust- Querida Muerte Ana Tijoux & Molotov - Hit Me Araceli Cantora, Nina Inti, SinAmxs, Audry Funk: Semilla, Fuego y Libertad . Suscríbete en ⁠⁠YouTube Equal Music --- Send in a voice message: https://podcasters.spotify.com/pod/show/equal-media/message

Presentaciones Felipe Avello
Mi regreso Musical!!! - #FelipeAvello en #QUILICURA 2023

Presentaciones Felipe Avello

Play Episode Listen Later Feb 15, 2023 12:35


Distintas presentaciones de Felipe Avello. Un Podcast de momentos simpáticos de algunos shows, para que pases un muy buen día :)

24 Horas | Showcast - Noticias 24
Compromiso por barrios libres de violencia de género: "Es un incentivo a no tener miedo"

24 Horas | Showcast - Noticias 24

Play Episode Listen Later Nov 24, 2022 10:53


Con el fin de reducir la violencia de género, un grupo de municipalidades de la Región Metropolitana firmó un acuerdo para incentivar la denuncia y dar atención a las víctimas de estos delitos. Queremos conocer más, para eso estuvimos con Paulina Bobadilla, alcaldesa de Quilicura.

24 Horas | Showcast - Noticias 24
Compromiso por barrios libres de violencia de género: "Es un incentivo a no tener miedo"

24 Horas | Showcast - Noticias 24

Play Episode Listen Later Nov 24, 2022 10:53


Con el fin de reducir la violencia de género, un grupo de municipalidades de la Región Metropolitana firmó un acuerdo para incentivar la denuncia y dar atención a las víctimas de estos delitos. Queremos conocer más, para eso estuvimos con Paulina Bobadilla, alcaldesa de Quilicura.

24 Horas | Showcast - 24 AM
"El Metro cada vez se acerca a más comunas": cómo va el avance de la Línea 3

24 Horas | Showcast - 24 AM

Play Episode Listen Later Jun 3, 2022 8:05


Guillermo Muñoz, presidente del Directorio de Metro, analizó el proceso que permitirá unir a Quilicura con el centro de Santiago en 18 minutos.

24 Horas | Showcast - 24 AM
"El Metro cada vez se acerca a más comunas": cómo va el avance de la Línea 3

24 Horas | Showcast - 24 AM

Play Episode Listen Later Jun 3, 2022 8:05


Guillermo Muñoz, presidente del Directorio de Metro, analizó el proceso que permitirá unir a Quilicura con el centro de Santiago en 18 minutos.

24 Horas | Showcast - 24 Tarde
Subsecretario de Prevención del Delito: "Tenemos que cambiar la lógica en que buscamos soluciones"

24 Horas | Showcast - 24 Tarde

Play Episode Listen Later Apr 20, 2022 11:34


Preocupación sigue generando al aumento de delitos y balaceras a lo largo del país, como lo sucedido este martes en las afueras de un jardín infantil en Quilicura. El subsecretario de Prevención del Delito, Eduardo Vergara, sostuvo que "nuestra responsabilidad es que los recursos estén en los barrios donde más se necesita".

24 Horas | Showcast - 24 Tarde
Subsecretario de Prevención del Delito: "Tenemos que cambiar la lógica en que buscamos soluciones"

24 Horas | Showcast - 24 Tarde

Play Episode Listen Later Apr 20, 2022 11:34


Preocupación sigue generando al aumento de delitos y balaceras a lo largo del país, como lo sucedido este martes en las afueras de un jardín infantil en Quilicura. El subsecretario de Prevención del Delito, Eduardo Vergara, sostuvo que "nuestra responsabilidad es que los recursos estén en los barrios donde más se necesita".

The Box Podcast
T2 E2 Análisis de una Emboscada

The Box Podcast

Play Episode Listen Later Feb 14, 2022 54:35


Los hechos durante la emboscada Durante la primera semana de febrero se viralizó esta "encerrona" en la autopista Los Libertadores, sector de Quilicura, Chile. La circulación del registro permitió que una víctima de otro hecho similar reconociera el vehículo utilizado para cometer el delito. La reacción de la víctima descolocó a los delincuentes, ya que al percatarse de que le querían robar, apretó el acelerador y chocó a los atacantes tratando de huir. Lo sucedido tuvo lugar en la estrecha pista de una salida del autopista y a plena luz del día. Los individuos bajaron de un Citröen C5 Aircross SUV de color gris y amenazaron al conductor con armas de fuego. Debido a su reacción para seguir circulando, el afectado arrastró el vehículo que le impedía el paso. Logró despejar el camino y sin dañar a los delincuentes, pudo zafar del robo. Análisis de la emboscada Un punto clave durante este tipo de análisis es tratar de suponer lo menos posible porque nos da falso conocimiento sobre lo que debería de ser. Desmitificación de la herramienta: el vehículo ¿Por qué funcionó para él y no funcionaría para la mayoría de los casos? Porque dentro de cada vehículo hay una computadora con un acelerómetro que mide todo lo que se hace con el auto y en el momento que se recibe una fuerza de desaceleración detona las bolsas de aire para resguardar la vida de los ocupantes y se detiene el vehículo. Te puede interesar: Regla de oro de la seguridad, no permanezcas en un vehículo detenido Observación Este punto sí parte de la suposición; hay que decir que por la facilidad con que mueve el vehículo que hacía la emboscada, la camioneta que graba el hecho es una Silverado probablemente 2500 ó 3500, la cual es por mucho, más alta que la Citröen. Estas camionetas son muy altas, lo cual permiten que se empuje desde la parte superior. La diferencia de pesos entre ambos vehículos es de: Citroën: 1498 kg Silverado: 2196 kg Esto significa que la fuerza de empuje de la Silverado fue más grande que la fuerza de desaceleración que puedo haber recibido de impacto. No hay pérdida de Momentum. Para ejemplificar la transferencia de pesos, podríamos retomar la cuna o péndulo de Newton la cual demuestra la conservación de la energía y de la cantidad de movimiento. Si la Silverado pesa lo que tres bolas y la Citroën lo que dos, inevitablemente una de las bolas de finales se proyectará hacia adelante. ¿Qué se hizo bien durante la emboscada? Reconoce e identifica. No se queda congelado: reacciona primero hacía atrás y después hacia adelante para salir del riesgo. ¿Qué hizo mal? ¿Qué le faltó ver para evitar esa situación de riesgo? Siempre hay indicadores pre-eventoARCADIA COGNERATI Redes sociales AS3 Driver Training - Página Web e Instagram Combat MF - Página Web e Instagram

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Francisco Melo

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jan 20, 2022 33:34


Nuestro tercer invitado a la segunda temporada de Quilicura Teatro Podcast es el destacado actor nacional Francisco Melo. El intérprete ha sido parte de "Fantasmas borrachos en concierto" y "La verdad", ambas producciones han estado en la cartelera de Quilicura Teatro Juan Radrigán.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Carmina Riego

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jan 13, 2022 39:22


La destacada actriz Carmina Riego se suma a la segunda temporada de Quilicura Teatro Podcast. Estuvimos conversando sobre su participación en “Space Invaders” y mucho más.

Café Con Nata
Quilicura Teatro Juan Radrigán con Mauricio Novoa

Café Con Nata

Play Episode Listen Later Jan 11, 2022 77:55


Alcaldes entregaron una carta en La Moneda para instar al Gobierno a tomar medidas ante lo que ellos denominan una "crisis de seguridad" en varias comunas. Ayer se vivió una tercera jornada consecutiva con más de 4.000 casos diarios de Covid-19 y el Minsal confirmó que 944 casos de Ómicron provienen de viajeros. Hablamos también de la no vacunación de Bárbara Riveros y como no de la reciente historia de Novak Djokovic. Hemos venido hablando de Quilicura Teatro en estos últimos días y hoy recibimos en Café Con Nata a Mauricio Novoa, director ejecutivo de la CORPO.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Paulina Urrutia

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jan 6, 2022 42:02


Paulina Urrutia es nuestra primera invitada en la segunda temporada de Quilicura Teatro Podcast. La actriz se refiere a su participación en “Mentes salvajes”, obra que es parte del ciclo QT Juan Radrigán 2022.

SSSEGUROS LOS MEJORES SEGUROS DE CHILE
Seguro Automotriz en Quilicura

SSSEGUROS LOS MEJORES SEGUROS DE CHILE

Play Episode Listen Later Dec 27, 2021 0:22


Seguro Automotriz SSSEGUROS

Plaza Pauta
AgroUrbana: agricultura vertical de alta tecnología en Santiago

Plaza Pauta

Play Episode Listen Later Nov 18, 2021 39:12


95% menos de agua y 99% de suelo respecto del agro tradicional ocupa AgroUrbana, la startup que cultiva hojas verdes en Quilicura. Conversamos con Pablo Bunster, co-fundador y chief commercial oficcier de este proyecto. En su columna, el diseñador Osvaldo Luco perfiló a Luke Edward Hall, estrella británica del interiorismo.

Preciso y Conciso
“Pueden confiar en mi porque no respondo a ningún interés partidario”. Entrevista a César Leiva Rubio.

Preciso y Conciso

Play Episode Listen Later Nov 6, 2021 32:59


César Leiva Rubio, creador del popular personaje de la Contraloría General de la República, “Contralorito”, es candidato a diputado por el Distrito 8, que agrupa las comunas de Cerrillos, Colina, Estación Central, Lampa, Maipú, Pudahuel, Quilicura, Tiltil, en la Región Metropolitana (RM). Señala que su foco principal va a ser llevar una agenda con proyectos de ley que empoderen a las instituciones. La idea de su campaña y gestión apuntará a mejorar desde el Congreso la legislación sobre la probidad en el sector público y cree que la lucha contra la corrupción merece una focalización profunda, llevar una agenda con proyectos de ley que empoderen a las instituciones en un foco claro contra la corrupción y mejorar el estándar de probidad.

Amargadas
T2 Capítulo 25: RS Quilicura

Amargadas

Play Episode Listen Later Aug 25, 2021 60:40


Recibimos a Resistencia Socioambiental Quilicura, organización por la preservación del medio ambiente, con quiénes conversamos sobre los humedales, su importancia y su defensa.

tulo recibimos t2 cap quilicura
Café Con Nata
Quilicura Teatro + Terapia Grupal con Raffa di Girólamo

Café Con Nata

Play Episode Listen Later Aug 5, 2021 86:10


Sigue el debate por retrasar el toque de queda en la RM: Delegado presidencial pide tener “paciencia” y asegura que “esto va a ocurrir de aquí a 10 días o dos semanas”, según reporta La Tercera. Hoy comentamos las noticias más importantes de la jornada junto a nuestra editora Sol Abarca. Además recibimos a Paulina Bobadilla, alcaldesa de Quilicura, y a Mauricio Novoa, director ejecutivo de CorpoQuilicura. Con ambos hablamos sobre “El ritual que falta”, un homenaje de la comuna a las víctimas de Covid-19. Y como cada jueves, hablamos con Raffa di Girólamo sobre nuestras ansiedades y la necesidad fundamental de tener la mente ocupada con hobbies y distracciones.

Radio Touch TV
Hoy con José Luis Campos jugador de C.D.S.C QUILICURA BASKET CDS Quilicura Basket con quién analizaremos el inicio de los #playoffs y de lo que fue su temporada , Hablemos de Basquet Cap 33

Radio Touch TV

Play Episode Listen Later Aug 3, 2021 62:45


Hoy con José Luis Campos jugador de C.D.S.C QUILICURA BASKET CDS Quilicura Basket con quién analizaremos el inicio de los #playoffs y de lo que fue su temporada , Hablemos de Basquet Cap 33

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Isidora Stevenson

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jul 23, 2021 43:35


Último capítulo de la temporada, en donde pudimos entrevistar a Isidora Stevenson, dramaturga de "Hilda Peña", "Réplica" y "Niebla" (entre otras obras) ¿Qué recuerdos tendrá de su participación en nuestros ciclos y festivales? Te invitamos a disfrutar de esta gran conversación.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Belén Abarza

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jul 15, 2021 46:17


La destacada diseñadora escénica Belén Abarza habló con nosotros, pudimos conocer su experiencia al trabajar en "Lear, el rey y su doble", "Prefiero que me coman los perros" y "Junto al lago negro" entre otras apuestas. ¡Te invitamos a darle play a este entretenido episodio!

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Francisco Sánchez de Tryo Teatro Banda

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jul 8, 2021 45:55


Tryo Teatro Banda es una compañía teatral independiente e itinerante que nació en Santiago de Chile en el año 2000 con tres propósitos fundamentales: crear montajes de autores y/o temáticas chilenas, itinerar a lugares alejados de los circuitos artísticos y combinar las artes de la actuación con la literatura y la música original en vivo. Hablamos con Francisco Sánchez uno de sus fundadores.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Carla Zúñiga

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jul 1, 2021 37:51


Carla Zúñiga es la dramaturga del momento, que junto al director Javier Casanga y su compañía La Niña Horrible, han revolucionado la escena con una estética exagerada, grotesca y con un tipo de belleza muy particular.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Teatro de Ocasión

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jun 24, 2021 43:21


Fernanda Carrasco y César Espinoza, miembros fundadores de la compañía para la primera infancia Teatro de Ocasión, conversaron con nosotros y pudimos hacer un recorrido por sus bellos montajes en los que destacan "Radio Lucila" y "Una mañanita partí".

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Paula Zúñiga

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jun 17, 2021 45:29


La destacada actriz y docente Paula Zúñiga ha sido parte de "Quilicura Teatro" en múltiples ocasiones. Además su último trabajo teatral "Un montón de brujas volando por el cielo" integra la parrilla del ciclo digital Ariete. ¿Te gustaría conocer sus impresiones? Ponte cómodo o cómoda y a disfrutar de este nuevo episodio de Quilicura Teatro Podcast.

Cinescopio
Ciclo Digital Teatro Ariete

Cinescopio

Play Episode Listen Later Jun 15, 2021 16:18


Este jueves comienza el Ciclo digital Teatro Ariete, proyecto impulsado junto a la Corporación Cultural de Quilicura y centros de diversas comunas del país, que ofrecerá 10 obras de forma gratuita en las plataformas Quilicurateatro.cl y Teatroariete.cl. Jorge Letelier estuvo en Estación Central para recomendar las piezas, cómo este proyecto descentraliza el acceso a la cultura y qué ha pasado con el teatro en pandemia.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Jesús Urqueta

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jun 11, 2021 40:42


"Arpeggione", "Junto al lago negro" y "Lear, el rey y su doble" son algunas de las obras que el destacado director Jesús Urqueta ha dirigido en nuestros ciclos y festivales. Disfruta este nuevo episodio de Quilicura Teatro Podcast.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Manuel Morgado

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later Jun 4, 2021 34:43


El director teatral de "Yo también quiero ser un hombre blanco heterosexual" y "Un montón de brujas volando por el cielo" habló con nosotros. ¡No te pierdas esta entretenida conversación!

teatro morgado quilicura
Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Nona Fernández

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later May 27, 2021 37:27


Es una de las escritoras chilenas más destacadas de su generación, es también actriz, dramaturga y guionista. Nona Fernández ha hecho una destacada carrera, con aplausos que van más allá de las fronteras nacionales, por su dedicación a la memoria del país, sus traumas y los dolores que siguen impactando el hoy. Conversamos de su participación en nuestros ciclos y festivales.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Alexandra Von Hummel

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later May 21, 2021 41:55


La actriz y directora Alexandra Von Hummel desde 1999 lidera la compañía La María junto al dramaturgo, director y actor Alexis Moreno. Ha actuado en todos los montajes de la compañía, entre los que destacan Trauma (2001), Numancia (2005), Las huachas (2008) y Caín (2009). Además de actuar, también ha dirigido o codirigido varios montajes de la compañía, como Lástima (2002), Pelícano (2002), El rufián en la escalera (2004), La tercera obra (2005) y Abel (2007). En esta oportunidad hablaremos de las obras que han sido parte de Quilicura Teatro como "Isabel desterrada en Isabel" y "Oleaje", entre otras.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Mauricio "Malicho" Vaca

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later May 13, 2021 36:25


Entrevista al destacado actor, director y dramaturgo Mauricio "Malicho" Vaca, autor de "Reminiscencia" obra elegida por el Círculo de Críticos de Arte como la mejor apuesta digital del 2020 y también creador de "ReminiscenciaS Vol. II Proyecto Quilicura".

entrevista arte teatro vaca reminiscencia quilicura
Radio Touch TV
Pedro Sandoval del Ceb Pto Montt y Gustavo Noria de Quilicura en Hablemos de Basquet Capitulo 22

Radio Touch TV

Play Episode Listen Later May 12, 2021 60:32


Pedro Sandoval del Ceb Pto Montt y Gustavo Noria de Quilicura en Hablemos de Basquet Capitulo 22

Café Con Nata
Gepe + Quilicura Teatro Contemporáneo

Café Con Nata

Play Episode Listen Later May 7, 2021 79:48


Hoy hablamos sobre la posibilidad del Pasaporte Verde en Chile y sobre el despacho del Proyecto de Ley por el bono de 200 mil pesos para quienes tengan saldo cero en las AFP. Además, conversamos con Texia Cáceres y Mauro Vaca por el ciclo Quilicura Teatro Contemporáneo, y luego recibimos a Gepe para conversar sobre su EP “Ulyse, primer encuentro” y el documental en honor a Margot Loyola que se puede revisar en miradoc.cl.

Quilicura Teatro Podcast
Quilicura Teatro Podcast - Rodrigo Pérez

Quilicura Teatro Podcast

Play Episode Listen Later May 6, 2021 42:36


Rodrigo Pérez fue parte de Quilicura Teatro Juan Radrigán 2021 y está pronto a estrenar digitalmente "Ivanov" en el nuevo ciclo teatral dedicado a lo contemporáneo. ¡Te invitamos a ser parte de esta entretenida conversación!

teatro ivanov rodrigo p quilicura
Efemérides con Nibaldo Mosciatti
Caso Degollados: Carabineros asesina a militantes comunistas (1985)

Efemérides con Nibaldo Mosciatti

Play Episode Listen Later Mar 30, 2021 6:17


La madrugada del 30 de marzo de 1985 en una zona de Quilicura cercana al aeropuerto de Santiago, fueron asesinados los militantes del partido comunista José Manuel Parada, Manuel Guerrero Ceballos y Santiago Nattino, en el denominado "Caso Degollados", un crimen perpetrado por miembros de la Dirección de Comunicaciones de Carabineros, la Dicomcar.

DA LO MISMO
DLM Cap 21 - Héctor "El Piedras" Orellana Geógrafo/Paleoclimatólogo | Geociencia en Chile | Rocas, Paleohumedales y Fósiles

DA LO MISMO

Play Episode Listen Later Mar 24, 2021 61:42


Chile es un país rico en variedad de clima y terreno pero muchas veces ignoramos su importancia y lo interesante que puede ser estudiar nuestro terreno nacional. Hoy estamos con Héctor Orellana Cortés, con un PhD(c)Geografía, Profesor Universitario de la UMCE. Además es candidato a constituyente por el Distrito 8 por Pudahuel, Cerrillos, Estación Central, Maipú, Colina, Lampa, Quilicura y Tiltil. Aprendamos juntos sobre nuestro planeta, son las piedras lo mismo que las rocas? cuánto dura un estudio de terreno? todo esto y más lo sabrás en este podcast en terreno, donde terminamos la primera temporada de DA LO MISMO de una manera reflexiva y pausada para recuperarse y volver en la segunda temporada el 2021. En el próximo capítulo hablaremos sobre camping, con Héctor también. No olvides dar me gusta, subscribirte y darle a la campanita. Tenemos un programa a la semana. Un abrazo y mucha buena onda! Puedes seguirnos en: Spotify: https://open.spotify.com/show/3mkAvGKR2ffQJHS0Ot46Yh?si=kOyfMnwpR3C0hOia28yhHA IG: https://www.instagram.com/dalomismo.dlm YT: https://www.youtube.com/channel/UCAiQOqyjIN84q0cyKZtuRng https://anchor.fm/lighthome-media https://www.breaker.audio/da-lo-mismo https://overcast.fm/itunes1528984761/da-lo-mismo https://www.google.com/podcasts?feed=aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy9iMDFjMzQ0L3BvZGNhc3QvcnNz https://pca.st/rq054rc6 https://radiopublic.com/da-lo-mismo-G1P7lD IG de participantes: www.instagram.com/esteban.ligeti www.instagram.com/elnicomuena www.instagram.com/hector.constituyente www.instagram.com/geocienciachile www.instagram.com/horellanac

24 Horas | Showcast - 24 Tarde
24 Tarde - Martes 23 de marzo

24 Horas | Showcast - 24 Tarde

Play Episode Listen Later Mar 23, 2021 114:43


La muerte de una niña de 11 años a causa de PIMS, una balacera a una casa en Quilicura, y las disculpas públicas de la presidenta del Colmed tras polémicos dichos. Revive las informaciones más importantes de Chile y el mundo con Patricia Venegas.

chile revive tarde pims colmed quilicura
24 Horas | Showcast - 24 Tarde
24 Tarde - Martes 23 de marzo

24 Horas | Showcast - 24 Tarde

Play Episode Listen Later Mar 23, 2021 114:43


La muerte de una niña de 11 años a causa de PIMS, una balacera a una casa en Quilicura, y las disculpas públicas de la presidenta del Colmed tras polémicos dichos. Revive las informaciones más importantes de Chile y el mundo con Patricia Venegas.

chile revive tarde pims colmed quilicura
24 Horas | Showcast - 24 Tarde
24 Tarde - Miércoles 17 de marzo

24 Horas | Showcast - 24 Tarde

Play Episode Listen Later Mar 17, 2021 118:47


Una veintena de desconocidos robaron en bodegas de un mall en Quilicura, un grupo de pacientes vacunados con dosis de diferentes laboratorios en San Bernardo, y la hospitalización del ministro Delgado a causa del COVID-19. Revisa las noticias más importantes del día con Patricia Venegas.

24 Horas | Showcast - 24 Tarde
24 Tarde - Miércoles 17 de marzo

24 Horas | Showcast - 24 Tarde

Play Episode Listen Later Mar 17, 2021 118:47


Una veintena de desconocidos robaron en bodegas de un mall en Quilicura, un grupo de pacientes vacunados con dosis de diferentes laboratorios en San Bernardo, y la hospitalización del ministro Delgado a causa del COVID-19. Revisa las noticias más importantes del día con Patricia Venegas.

Cinescopio
Piola llegó a Netflix

Cinescopio

Play Episode Listen Later Mar 16, 2021 19:37


En su columna de series y películas para Estación Central, el periodista y crítico de cine Jorge Letelier comentó “Piola” (Luis Pérez, 2020), película chilena autogestionada que llegó este mes a Netflix y que retrata a tres adolescentes de Quilicura buscando nuevas oportunidades.

netflix lleg estaci quilicura jorge letelier
LOGIN
“Soy inocente de todo lo que viví en carne propia y por eso decidí estar en esta candidatura”

LOGIN

Play Episode Listen Later Mar 9, 2021 7:17


Una ajetreada agenda de actividades tuvo la Machi Francisca Linconao en su gira por la Región Metropolitana, quien en el marco del Día Internacional de la Mujer recibió un reconocimiento por parte de diputadas de oposición, dirigentas feministas y candidatas a la convención constituyente y que se realizó en el ex Congreso Nacional, en Santiago. En su intervención, la Machi Liconao, quien es la única Machi candidata a la convención constitucional y que va por escaños reservados, expresó que “he sufrido bastante, ustedes me conocen, soy la Machi Francisca, he sufrido de los Carabineros, la PDI, la fiscalía, por los montajes, por la mentira fui encarcelada. Soy una persona inocente de todo lo que viví en carne propia y por eso decidí estar en esta candidatura”. La autoridad ancestral -cuya primera lengua es el Mapudungún-, agregó que “ustedes me apoyan para esta candidatura, y también toda la gente que son mujeres feministas que están presentes aquí, también han sufrido mucho, sobretodo con Carabineros, con los que están matando a personas; con los que matan a mujeres, a niños chicos y eso no puede seguir así, alguien tiene que parar estas cuestiones, porque el Estado chileno hace lo que quiere, porque no hay participación de los Mapuche entonces yo quiero participar por eso”. En la ocasión, la Asamblea Feminista Plurinacional entregó un reconocimiento a la autoridad ancestral Mapuche, quien se mostró agradecida por el apoyo recibido y donde participaron las diputadas Karol Cariola (PC), Cristina Girardi (PPD), Catalina Pérez (presidenta de RD), Natalia Castillo (IND), Claudia Mix (COMUNES), Camila Rojas (COMUNES), Gael Yeomans (PCS), y Marcela Sandoval (RD). La diputada Karol Cariola dijo que “quiero sumarme a este reconocimiento que ha hecho la Asamblea Feminista Plurinacional y que de alguna manera tambien nos representa a todas quienes estamos acá, porque creo que la Machi Francisca se merece todo el reconocimiento de las mujeres chilenas, de las mujeres feministas, porque tal como las mujeres somos oprimidas, postergadas, violentadas por este Estado machista y patriarcal, la Machi ha vivido todas las consecuencias de lo que esto significa”. La parlamentaria comunista recordó la visita que realizó junto a la diputada Cristina Girardi cuando Linconao estuvo encarcelada y en huelga de hambre en Temuco, y agregó que “la Machi es la única autoridad ancestral, espiritual, la única mujer Mapuche que en nuestro país le ha ganado un juicio al Estado chileno y a uno de los más grandes terratenientes que hay en la novena región. Esa es la razón por la que la persiguieron, por la que la encarcelaron, es la razón por la que la Machi hoy quiere jugar un rol en este proceso tan importante que es el proceso de la nueva Constitución. Escribir una nueva Constitución sin el pueblo Mapuche, es mantener más de lo mismo”. Asistieron al actividad de reconocimiento a la Machi Francisca Liconao las concejalas Elena Salazar (Independencia), Judith Rodríguez (Cerro Navia); Carolina Garrido representante de la Asamblea feminista plurinacional, Coordinadora Ni Una Menos, Agrupación de Familiares de Víctimas de Femicidio; Carolina Arredondo, actriz, Ana María Gazmuri, directora de Fundación Daya, Daniela Aguayo, activista feminista; Alejandra Valle, candidata a concejala por Ñuñoa, Karina Oliva, candidata a Gobernadora por la RM, Paulina Bobadilla, candidata a alcaldesa por Quilicura; y las candidatas a constituyentes Doris González (D8), Haydee Oberreuter (D9), Michelle Peutat (D9), Luz Vidal (D9), Yiovana Roa (D10), Antonia Orellana (D10), Alejandra Jiménez (D10)

#TrichileTV
TrichileTV

#TrichileTV

Play Episode Listen Later Mar 8, 2021 49:40


Este lunes 8 de marzo en TrichileTV, conversamos con Rafael Cardus y Jorge Guerra, coach y cofundador del Team VLC (Valle Lo Campino), con sede en Quilicura, Santiago y creado principalmente para el triatlón en fases formativas

quilicura
Radio F5
Actualizando el medio junto a Marco Arellano, vocero de Resistencia Socioambiental Quilicura

Radio F5

Play Episode Listen Later Jan 15, 2021 24:38


En una nueva sesión de conversaciones de Actualizando el medio estuvimos con Marco Arellano, vocero de Resistencia medioambiental Quilicura para hablar de los humedales y rol de esta organización en su defensa de estos. Síguenos en nuestras redes sociales: Instagram: https://www.instagram.com/radio.f5/ Facebook: https://www.facebook.com/Actualizandoelmedio

Impacto En El Rostro
Impacto en el rostro - Especial Quilicura Teatro Juan Radrigán 2021

Impacto En El Rostro

Play Episode Listen Later Jan 7, 2021 55:15


Damos inicio al Festival Quilicura Teatro Juan Radrigán 2021 junto al periodista y asesor en programación, Javier Ibacache, al actor y director teatral Alejandro Trejo y a la dramaturga e hija de Juan, Flavia Radrigán.

24 Horas | Showcast - Noticias 24
Inauguran estación intermodal Los Libertadores

24 Horas | Showcast - Noticias 24

Play Episode Listen Later Nov 28, 2020 4:24


El proyecto ubicado en Quilicura beneficiará a cerca de 45.000 personas por día. Para profundizar en las instalaciones y servicios 24 horas conversó con Rubén Alvarado, gerente general de Metro.

24 Horas | Showcast - Noticias 24
Inauguran estación intermodal Los Libertadores

24 Horas | Showcast - Noticias 24

Play Episode Listen Later Nov 28, 2020 4:24


El proyecto ubicado en Quilicura beneficiará a cerca de 45.000 personas por día. Para profundizar en las instalaciones y servicios 24 horas conversó con Rubén Alvarado, gerente general de Metro.

La Ultima Luna
Cap.126 "We are the World"

La Ultima Luna

Play Episode Listen Later Sep 24, 2020 54:31


Jueves 24 de Septiembre de 2020 hoy conversamos acerca de cortarse el pelo , probamos helado de mote con huesillo y tuvimos un reporte directamente desde Concepción con toda la actualidad del Covid-19. Finalmente repasamos las diversas versiones de la famosa canción we are de World , llegando a Quilicura.

Madre e Hijo
Madre e Hijo, Cap.16 Quilicura Gay Parade

Madre e Hijo

Play Episode Listen Later Aug 23, 2020 27:07


La Lola y el Pepe rememoran sus experiencias con amigos homosexuales. Desde el prejuicio y la falta de conocimiento analizan sus maneras de ser con la diversidad, gays varoniles, gays locas, gays serios, gays tiernos, variedad y buen gusto. Por otra parte, la Isabel, vieja flaite y metiche, vecina de la Gloria en el pasado y gran enemiga del Pepe, va a marcar experiencias y cahuínes de todo tipo. A gozar,a gozar.

Crónica Estéreo
15/07/Newsletter: Baja importante en la Región Metropolitana

Crónica Estéreo

Play Episode Listen Later Jul 15, 2020 5:10


Chile sigue apareciendo en el sexto lugar de los países con más contagios totales a nivel global (321.205), mientras que los fallecidos suman 11.227 según el reporte del DEIS. Sin embargo, al menos en la Región Metropolitana se registra una baja importante en el número de casos. Este martes, por ejemplo, esta zona registró la menor cifra desde el 30 de abril, con 864 casos. Para tener una idea de la disminución, el domingo 14 de junio los casos nuevos informados ese día llegaron a 5.647 en la capital. Pero hay más. Los nuevos contagios en la Región Metropolitana llevan nueve días bajo los 2 mil, mientras que los casos activos bajaron 50% en un mes. Las comunas que lideran la baja en términos de porcentaje son Lo Barnechea (65,9%), San José de Maipo (64,9%), Quilicura (63,9%), La Pintana (63,7%), La Cisterna (61,4%) y Cerro Navia (60,1%). Justo cuando el país experimenta ciertas bajas en los contagios, ya se abrió el debate sobre cuándo y cómo los escolares y universitarios podrían retomar las clases presenciales. A juicio del ministro de Educación, Raúl Figueroa, las clases son irremplazables y el actual sistema online, solo aumenta la brecha educacional en el país, pero el retorno se hará “en la medida en que las condiciones sanitarias lo permitan”.

Crónica Estéreo
04/05/Newsletter: El virus es el mensaje

Crónica Estéreo

Play Episode Listen Later May 4, 2020 5:45


Primero fue la “nueva normalidad”, que rápidamente mutó a “retorno seguro”. También hubo otros traspiés comunicacionales del gobierno, como la pregunta del ministro Jaime Mañalich (“¿Qué pasa si el virus muta y se pone buena persona?”) o el consejo de la subsecretaria de Salud Pública, Paula Daza, quien días atrás dijo que era posible salir a tomarse un café con amigos. Ahora, el nuevo concepto para hacer frente al coronavirus es “la batalla de Santiago”. Sin embargo, la gran dificultad que reina por estos días es que estos conceptos chocan con una percepción algo distinta de la ciudadanía, ya que todo esto coincide con un aumento de casos y fallecidos por Covid-19 en el país. Precisamente en La Moneda están conscientes que es muy complejo hablar de “retorno seguro” y que la ciudadanía no vincule aquello con el alza de los contagios. Desde el Ejecutivo estiman que los nuevos casos (980 en las últimas 24 horas y más de 20 mil en total, además de 270 fallecidos) se explican por el aumento de los testeos y el incumplimiento ciudadano de las medidas. De hecho, durante el fin de semana largo se registró la salida de al menos 72 mil vehículos, de los cuales ocho mil fueron detenidos en los cordones sanitarios. Por todos estos motivos, se anunció que a partir de mañana martes a las 22:00, nuevas comunas entrarán en cuarentena total (Quilicura, Recoleta, Cerrillos y la totalidad de Santiago), mientras que se mantendrá la medida en Independencia, Quinta Normal, Estación Central, Pedro Aguirre Cerda, El Bosque y San Ramón, además de algunas zonas de Ñuñoa, La Pintana y San Bernardo.

Crónica Estéreo
03/05/Newsletter: De la “nueva normalidad” a la “batalla de Santiago”

Crónica Estéreo

Play Episode Listen Later May 3, 2020 6:59


El cambio de tono fue muy perceptible. Desde Valparaíso, el ministro de Salud, Jaime Mañalich, fue explícito en varias ocasiones para señalar que el panorama del coronavirus en la Región Metropolitana es complejo. Incluso acuñó un término para el escenario que muestra a la capital chilena con tres mil nuevos casos confirmados en 72 horas: “La batalla de Santiago”. “Nos preocupa enormemente la Región Metropolitana”, afirmó Mañalich, añadiendo que las medidas que se han tomado “no han sido respetadas”. Si necesitaba un ejemplo, no pudo caerle uno más a la mano: la noche previa, un grupo de 400 personas fue sorprendido realizando una fiesta clandestina en Maipú. Con ese escenario sobre la mesa, el ministro realizó una poco común segunda conferencia de prensa pasadas las 5 y media de la tarde, donde anunció medidas: desde el martes en la noche habrá cuarentena total para las comunas de Cerrillos, Quilicura y Recoleta, además de incorporar a la parte de la comuna de Santiago que hasta hoy estaba excluida de la medida. Además, en la zona norte se sumarán dos municipios a la medida por su alto número de casos: Antofagasta y Mejillones. En el panorama general, los casos en Chile se acercaron hoy a los 20 mil, y los muertos llegaron a las 260 personas. Ambas cifras aún son muy lejanas respecto a las que muestran los países más afectados por la pandemia, como Estados Unidos, Gran Bretaña, España, Italia y el vecino Brasil. En esos lugares, la discusión sigue estando en cuáles son los límites para monitorear casos y dónde entra en juego la privacidad de las personas. Un debate que en Chile se acerca paso a paso. Este domingo se cumplieron dos meses desde que se registró el primer contagiado por coronavirus en el país. En este contexto, el ministro de Salud, Jaime Mañalich, entregó un nuevo balance de la situación en el país en medio de la pandemia. Según informó Mañalich, la cifra de nuevos contagios por Covid-19 es de 1.228 personas, el segundo número diario más alto, de las que 1.112 presentaron síntomas y 116 fueron asintomáticos. Además, hubo 13 muertos, todos en la Región Metropolitana.

Mesa Central - Columnistas
Mujica, Guzmán y Joignant, conversaron sobre los enigmas del coronavirus, la selección de directores de colegios y el caso de los haitianos en Quilicura

Mesa Central - Columnistas

Play Episode Listen Later Apr 23, 2020 36:54


Kike Mujica, Alfredo Joignant y Eugenio Guzmán, conversaron sobre los nuevos enigmas que deja el coronavirus, la selección de directores de colegios y los casos de hacinamiento en el país.

Podcast Chile a todo Color
Chile a todo Color - Capítulo 9 Temporada 3 'Conmemoración Día del Refugiado'

Podcast Chile a todo Color

Play Episode Listen Later Jun 23, 2016 57:04


La Oficina de Migración y Refugio de Quilicura, junto al Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (ACNUR) y la Fundación de Ayuda Social de las Iglesias Cristianas (Fasic), invitan a la conmemoración del día del Refugiado, en el centro cultural municipal de la comuna. La actividad se llevará a cabo el domingo 19 de junio, desde las 12 horas, y contará con música en vivo, comidas típicas y una ceremonia ecuménica para orar por los refugiados en el mundo. Compartimos la conversación con Gonzalo Blanco, encargado de la oficina de migrantes y refugiados de Quilicura, quien profundizó sobre la actividad en Chile a Todo Color.

Podcast Chile a todo Color
Día del Refugiado en Quilicura

Podcast Chile a todo Color

Play Episode Listen Later Jun 17, 2016 16:56


La Oficina de Migración y Refugio de Quilicura, junto al Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (ACNUR) y la Fundación de Ayuda Social de las Iglesias Cristianas (Fasic), invitan a la conmemoración del día del Refugiado, en el centro cultural municipal de la comuna. La actividad se llevará a cabo el domingo 19 de junio, desde las 12 horas, y contará con música en vivo, comidas típicas y una ceremonia ecuménica para orar por los refugiados en el mundo. Compartimos la conversación con Gonzalo Blanco, encargado de la oficina de migrantes y refugiados de Quilicura, quien profundizó sobre la actividad en Chile a Todo Color.

Podcast Chile a todo Color
Chile a todo Color - Capítulo 14 'Movimiento de Acción Migrante y Oficina de Migrantes y Refugiados de Quilicura'

Podcast Chile a todo Color

Play Episode Listen Later Sep 12, 2014 70:51


El Movimiento de Acción Migrante es una iniciativa que aglutina a una serie de organizaciones de migrantes en Chile, que han decidido trabajar en conjunto en pos de los Derechos de las distintas comunidades migrantes que viven en Chile. Álvaro Álvarez y Wilson Charry conversaron con los voceros del MAM, y , quienes hablaron de la organización y de temas tan relevantes como la Amnistía Migratoria. De igual manera, Jorge Rizik conversó con la hermana Yamile Cabrera sobre la Oficina de Migración y Refugio de Quilicura, su génesis y desafíos. Los invitamos a escuchar un nuevo capítulo de Chile a Todo Color.