POPULARITY
Sabia que 45% dos casos de demência podem ser evitados? Será que viver mais anos implica perder capacidades cognitivas? A neurologista Raquel Gil-Gouveia e Filipa Galrão analisam os processos cerebrais – naturais e patológicos - à medida que a idade avança.Estima-se que, em 2050, cerca de 90 milhões de pessoas no mundo terão Alzheimer. Numa população cada vez mais envelhecida, o aumento de casos de demência parece inevitável. Mas qual é a fronteira entre o envelhecimento normal e as doenças neurodegenerativas?Nesta conversa, a neurologista explora os sinais de alerta dos processos patológicos do cérebro e explica o que distingue a demência das doenças neurodegenerativas.Entre fatores genéticos e a influência do estilo de vida, a especialista fala sobre a importância da alimentação, do exercício físico, do controlo cardiovascular e da estimulação cognitiva na redução do risco de demência.Além do impacto nos doentes, a dupla aborda também o peso emocional e físico sentido por cuidadores e familiares. São milhares os casos de exaustão e cerca de um terço desenvolve sintomas depressivos.Entre conselhos práticos, há ainda espaço para revelar os avanços científicos mais recentes e as novas terapêuticas que estão a transformar o tratamento do Alzheimer, a doença neurodegenerativa mais comum.Para saber como proteger a saúde cerebral não perca este episódio [IN]Pertinente.LINKS E REFERÊNCIAS ÚTEIS«Alzheimer – os avanços da ciência contra a doença do esquecimento» (Segredos do Cérebro, National Geographic, 2024)«Annual U.S. Dementia Cases projected to rise to 1 million by 2060» (Scientific American)«Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission» (The Lancet, 2024)«Controversial New Alzheimer's Drugs Offer Hope—But at a High Cost» (Nature, 2025)«Still Alice», Filme sobre Alzheimer, de Richard Glatzer«Robin's Wish», Documentário sobre Doença Corpos Lewy, de Tylor NorwoodAssociações de doentes: - https://alzheimerportugal.org/- https://parkinson.pt/BIOSRaquel Gil-GouveiaDiretora do serviço de Neurologia do Hospital da Luz Lisboa, professora na Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa e investigadora clínica.Filipa Galrão Estudou Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica. Depois da Mega Hits e da Renascença, é agora uma das novas vozes da Rádio Comercial. Já deu à luz 1 livro infantil - Que Estranho! - e 2 filhos.
Com a popularização dos vídeos curtos e da inteligência artificial, surgem problemas sérios que afetam o raciocínio, a memória e a concentração, como o brain rot – ou apodrecimento cerebral –, a ansiedade e a depressão.Nesse contexto, a estimulação cognitiva passa a ser uma questão de saúde para todos. Fundamentada no conceito de neuroplasticidade, ela parte da ideia de que o cérebro é moldável e responde ao aprendizado, podendo gerar melhorias na cognição e trazer resultados duradouros. Neste episódio do DrauzioCast, o dr. Drauzio Varella recebe a dra. Sônia Brucki, neurologista e coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas (HC) da USP e Bárbara Perpétuo, vice-presidente do Supera Estimulação Cognitiva, para discutir como funciona a estimulação cognitiva, quais são seus limites, e que hábitos podem ajudar a estimular o cérebro.Conteúdo produzido em parceria com a Supera.Veja também: Como a memória funciona e que fatores podem afetá-la
A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira uma resolução que declara a escravatura como o "Crime mais grave contra a Humanidade" e defende o princípio de reparações históricas. Sobre os 193 Estados-membros da ONU, uma maioria de 123 votou a favor desta iniciativa lançada pelo Gana em nome da União Africana. 52 Estados, entre os quais países europeus como a França, o Reino Unido, Espanha e Portugal, antigos colonizadores, optaram pela abstenção, enquanto três outros países, os Estados Unidos, Israel e a Argentina votaram contra a resolução que, apesar de não ser vinculativa, abre a via para reparações, pedidos de desculpas, compensações para os descendentes das vítimas, restituição de obras de arte e objectos com significado documental, espiritual ou simbólico que foram pilhados. Reconhecida como "Crime contra a Humanidade" em 1998 pelo Tribunal Penal Internacional e em seguida pela ONU em 2001, a escravatura e o tráfico de seres humanos escravizados envolveu, segundo estimativas da UNESCO, 15 a 20 milhões de africanos que foram deportados para a América e as Caraíbas entre os séculos XV e XIX. Apesar de os países que colonizaram e praticaram o tráfico de seres humanos escravizados reconhecerem paulatinamente este passado, a França tendo votado em 2001 uma lei qualificando a escravatura como "Crime contra a Humanidade", enquanto o antigo Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa pediu desculpa pela colonização em 2023, sobra muito caminho por percorrer. Para Benigna Zimba, historiadora moçambicana especialista da História da escravatura, o passo dado ontem é de grande importância. RFI: O que representa a resolução votada ontem na Assembleia Geral da ONU? Benigna Zimba: Esta aprovação de uma resolução com este conteúdo é um passo extremamente grande e eu diria, de uma dimensão quase que incalculável, porque nós estamos a falar de escravização. Este conceito, que é também relativamente novo, durante décadas, sempre viemos falando de escravos e são as próprias Nações Unidas que nos levaram a este passo de uma certa "Humanização" de todo este processo. A partir de agora, todo aquele crime, tudo aquilo que está ligado ao processo que nós, durante muitos anos, chamamos de escravização, de tráfico de escravos, de tráfico de pessoas, passa a ter o estatuto de crime agravado a nível mundial. Está certo que aqui em África e é em África onde nós temos a maior incidência para aquilo que a partir de agora é considerado como crime agravado. Mas este crime só se agrava com a intervenção dos outros intervenientes, para onde os escravos foram e eram levados. E aqui permitam-me que volte de novo, um pouco atrás. O primeiro passo que as Nações Unidas deram, não o primeiro, um dos passos importantes que as Nações Unidas deram neste processo que permite hoje que coloquemos este crime como um dos mais agravados para toda a Humanidade, foi precisamente esta conceptualização sobre a maneira de olhar para o assunto. Permitiu que nós passássemos a falar realmente de pessoas humanas, aquelas que em algumas enciclopédias, em alguns escritos, ainda não tinham estatuto de pessoa, passassem a ter o estatuto de pessoa e, tendo estatuto de pessoa, já lhes permite que elas possam entrar dentro de um quadro jurídico-legal que possa ser assumido e tratado como pessoa. De 2024 para 2025, a União Africana decretou todo um ano de "justiça e reparação" para este tipo de crimes. E agora este crime tem um quadro legal porque é um crime contra uma pessoa e não uma mercadoria, que é assim que era considerado. Isto é de uma importância incalculável. RFI: A escravatura foi já considerada Crime contra a Humanidade pela justiça internacional em 1998 e também foi reconhecida como Crime contra a Humanidade pela ONU em 2001. O que é que o facto de considerar que é o "Crime mais grave contra a Humanidade" acrescenta? Benigna Zimba: Acrescenta precisamente esta expressão "mais grave". E estas convenções de 1998 e 2001 não tinham este aspecto em que o escravo não era mera mercadoria especial, mas era pessoa humana. Então, quando nós já 2022 para cima, não foi exactamente num único momento, mas foi um momento gradual, relativamente rápido que nós passamos a ter este conceito. Tanto assim que a própria UNESCO também mudou o nome: já não é a "rota do escravo", mas a "rota de pessoas escravizadas". E trata-se também de assuntos sobre racialização, racismo agravado e etc. Um pouco neste contexto. Então, quando se diz que é o mais grave ou extremamente agravado, isto dá-nos a oportunidade de olhar e contextualizar historicamente de uma outra maneira. Quer dizer que se você escravizou, se você se tornou alguém escravizado, isto significa que a eventual forma de criminalizar este crime tem um quadro jurídico, mas também agravado. Tem penalizações com maior gravidade, é todo um contexto legal, jurídico e histórico. Coloca-se que aqueles que estiveram envolvidos, tanto pessoas individuais, instituições -pessoas individuais, não são muitas- nós estamos a falar aqui de sistemas económicos, de países para países. Estamos a falar de um quadro de colonização, nós estamos a falar de um sistema complexo, que é político, que é económico e social, com bases ideológicas fortes, que sustentaram todo este sistema da escravização e da venda de pessoas escravizadas a vários níveis, interno, intercontinental, internacional, etc. Então, quando nós chegamos a um ponto em que as Nações Unidas, que são a instituição e o organismo máximo que tem a palavra e o poder para dizer isto, nós atingimos um ponto analítico de máxima e extrema importância, permite-nos a nós também estudiosos, estudar este fenómeno de uma outra maneira, abordá-lo de uma outra maneira, e as eventuais "comissões de verdade e Justiça" que vão existindo cada vez mais ao nível dos países e a nível regional, principalmente em África, já tivemos uma nas Maurícias que praticamente cumpriu a sua missão, já tivemos uma parecida, no entanto ligada à escravização, mas de uma certa maneira ligada a estes fenómenos que na África do Sul, são os países expoentes máximos. Neste sentido, permite que outros países também possam começar politicamente a abordar este aspecto. Aqui não se trata de estar a apontar dedos acusadores. Pelo menos não é essa a perspectiva que eu, como estudiosa, defendo. Eu defendo a perspectiva analítica, segundo a qual permite uma interacção diferente entre aqueles que foram os actores do processo de escravização e os que foram escravizados. E permite colocar os termos justiça e reparação num outro quadro interactivo mais positivo. RFI: Relativamente à questão das reparações, fala-se, por exemplo, de um pedido de desculpas formais, compensações para os descendentes das vítimas, políticas de luta contra o racismo, restituição de bens culturais e espirituais. Como é que encara precisamente este processo de restituição e de reconhecimento do que foi a escravatura? Benigna Zimba: Indo ao fundo da questão que é a escravatura, agora considerada como crime mais agravado com este quadro todo ele complexo, há uma outra maneira de conversar entre as partes envolvidas. Primeiro, não olhar, não apontar. Era isto que eu estava a dizer. Não apontar o dedo acusador. Esta não é melhor forma de interagir, mesmo que seja considerado o crime mais agravado, mas uma forma interactiva, onde é possível e onde realmente se justifica, que não é a maior parte dos casos, reparações financeiras devidamente identificadas, justificadas e que não criem lugar e espaço para outros problemas que normalmente o dinheiro costuma provocar. As instituições, sob o ponto de vista de arquivos, documentos, objectos de arte, que é uma parte substancial de um legado cultural que acabou indo para fora, principalmente do continente africano, nestas condições, de todo o processo de escravização e tráfico de seres humanos escravizados que se encontra a abordagem, primeiro "sentar de igual para igual". Quando digo "entre aspas", quero dizer que deve se olhar como ser humano. Não somos nós, não sou eu, Benigna Zimba, que fui escravizada. Eu estou a falar em memória dos antepassados que sofreram isto. Mas quando alguém olha para mim ainda neste patamar, é isto que dificulta a interacção. E a agravação do crime chama uma maior responsabilidade daqueles que têm toda esta herança da colonização e do processo de escravatura. Chama a uma maior responsabilidade, porque, afinal de contas, não foi só levar alguém. Isto é o crime mais grave que pode existir em toda a Humanidade no âmbito dos sistemas políticos e, assim sendo, permite também que a África, os antigos colonizados, também tenham formas mais interactivas e mais positivas de olhar para esta questão. Pode parecer pouco, mas a restituição dos documentos, isto é extremamente importante. Se o documento pertence a um determinado país, então que volte para lá. Se este monumento, este objecto de arte, deve ir para lá. Se há um acordo entre as partes que isto deve ser restituído, vai ser restituído, Não vai restituir a pessoa que morreu durante o tráfico transatlântico. Mas vai restituir uma parte de todo um processo que criou toda esta mentalidade colonial. É um processo gradual de descolonização mental por parte dos antigos colonizados e também dos antigos colonizadores, para que sentem numa mesa onde os dois têm as mesmas cadeiras, o mesmo patamar, isto é, que poderá fazer com que se possa olhar para uma forma de restituição, construção económico-cultural com base numa reconstrução cultural, por assim dizer, da própria Humanidade. RFI: Como é que encara o facto de esta resolução não ser vinculativa? Esta é uma resolução que, concretamente, corre o risco de ficar por aí e não ser seguida de efeitos, uma vez que não é obrigatória. Benigna Zimba: Este tem sido um dos grandes assuntos. Eu não diria problema. Tem a ver com a natureza das próprias Nações Unidas. Hoje em dia, muito do que está escrito nas Nações Unidas, as nações não cumprem. Para este caso depende muito, principalmente dos próprios países, que são, "as vítimas". A União Africana decretou praticamente um ano e, para mim, um ano não é praticamente nada. Se olharmos para trás, o que é que foi feito neste ano da "reparação e justiça" neste sentido? Em termos palpáveis, eventualmente criaram-se bases para passos seguintes, mas não é tempo suficiente para que todas as nações africanas tenham aquilo que em inglês se diz "awareness", que tenham consciência e seja o momento oportuno. Debatem-se com tantos constrangimentos para o desenvolvimento económico e cultural, para que possam olhar para este assunto com a devida atenção. Então, aqui é mesmo uma questão de contexto e de oportunidade e nós podermos dizer já existe este instrumento tal e qual quando surgiram as abolições da escravatura. Para o caso do Império colonial português, houve várias abolições. Havia decretos de abolição que muitos dos traficantes de escravos nunca chegaram a conhecer e eles achavam que estavam dentro da legalidade, porque eles tinham papéis. Eles faziam este comércio. Então, quando surgem estes documentos, o papel da disseminação, o papel da normatização, o papel da conscientização, é o faz com que os Estados estejam politicamente interessados e cria mecanismos para que isto seja uma norma. Para que isto seja adquirido, para que isto seja uma prática, depende muito de nós. Também não interessa estar somente no papel, interessa é a maneira como nós encontramos criativamente, positivamente, uma maneira de implementar, porque o instrumento está lá e se ele não é vinculativo legalmente, nós temos aqui uma base para o torná-lo vinculativo legalmente. Há alguém acima das Nações Unidas neste sentido que pode falar para as nações? Não tem. RFI: Evocou precisamente Portugal. Portugal fez parte dos países europeus que se abstiveram durante a votação de ontem. Qual é a sua reacção? Benigna Zimba: Aqui é um pouco difícil dizer quais seriam os motivos. Portugal é um país soberano e Portugal é aquele que, nos tempos que já lá vão, teve um dos maiores, senão o maior império colonial em termos de tempo, foi o maior império colonial de todos os tempos, extensão também, se olharmos para os continentes que abrangeu ao mesmo tempo num determinado período histórico. O país terá tido as suas razões, que não cabe a mim, na qualidade de moçambicana, eventualmente fazer algum juízo e eu seria um pouco cautelosa em comentar esta questão. Em alguns momentos históricos, os países podem não sentir-se em condições de se pronunciar sobre determinados eventos. Portugal foi um dos que mais escravos fez. As abolições de Portugal levaram vários tempos. Eventualmente, Portugal ainda não tenha encontrado as palavras e o momento para subscrever algo de tamanha envergadura, onde ele próprio, como antigo país colonizador, esteve envolvido. Então também não estou aqui a defender Portugal. Mas gostaria de ser o mais neutra e cautelosa possível e respeitar a posição de Portugal que certamente como país idóneo que é e com excelentes relações que tem com os antigos países colonizados, terá os seus motivos para ter tomado esta posição. RFI: Também houve três países que se pronunciaram contra esta resolução. Os Estados Unidos fazem parte dos países que votaram contra, apesar de nos próprios Estados Unidos, a questão da escravatura ser de facto, também uma questão essencial. Há textos de lei também que estão na gaveta à espera de serem aprovados para também haver esse reconhecimento. Como é que encara esse voto contra dos Estados Unidos? Benigna Zimba: Talvez para os Estados Unidos seja relativamente mais fácil a nossa compreensão. Nós estamos aqui, do lado de fora do teatro jurídico, ali dentro. Nós olhamos para os Estados Unidos do hoje, para o papel que têm dentro e fora do seu território. Seria relativamente um pouco mais fácil entender o voto contra dos Estados Unidos à luz daquilo que tem sido a sua política. E não estamos a falar nada contra, não estamos a criticar, simplesmente estamos a olhar para o papel dos Estados Unidos hoje. Para ir hoje ou daqui a alguns dias, para os Estados Unidos, vai ser necessário pagar um visto de 15.000 Dólares, em moeda moçambicana é um milhão de Meticais. Isto é uma restrição imediata e são 50 países envolvidos. Países lusófonos estão nesta lista. Estaremos vedados a ir para lá eventualmente. Os que estão lá vão ter que encontrar um meio relativamente rápido de voltar para as suas terras, por causa da falta de mobilidade que irá existir. Então, temos elementos palpáveis da actual política interna e externa dos Estados Unidos que nos abre uma janela para entendermos por que eventualmente não concordar com esta qualificação. E eles, concordando, estariam no lugar de concordar com um grande processo dos Estados Unidos que aconteceu por causa do tráfico das escravaturas. A Carolina do Sul de hoje não existiria sem o tráfico de escravos e o tráfego também triangular. Aqueles que não pararam na América do Sul. Estamos a falar do Brasil, que é um autêntico continente e seguiram depois para as Américas, para os Estados Unidos. Uma boa parte da população que é conhecida como afro-americana, não existiria se não fosse esta escravatura, este tráfico dinâmico para lá. Então a posição dele, a ter sido eventualmente mais clara e mais transparente, dizem que não concordam. Os Estados Unidos são soberanos e tiveram a coragem de dizer que não. Nestes acórdãos internacionais, à medida que o tempo vai passando, nós temos hoje "muitas guerras no prato" que nos fazem entender muito melhor como surgiu uma Primeira Guerra Mundial, como surgiu uma Segunda Guerra Mundial. É-nos mais fácil este entendimento e o entendimento também de cada país neste teatro. Então, neste momento, para mim, é fácil entender a posição dos Estados Unidos. Acho que eles foram corajosos, foram transparentes, falaram que não, que não concordam, porque eles fazem parte disto. Não têm como. Isto teria algumas implicações, eventualmente, sob o ponto de vista do respeito das normas do Direito Internacional, que aparentemente neste momento não estão a respeitar. Eles defendem-se da maneira como eles se defendem. RFI: Outro país que também votou contra esta resolução é Israel. E aí coloca-se nomeadamente a questão da concorrência das memórias, que é falada já há muito tempo. Benigna Zimba: No teatro político, Israel e Estados Unidos, neste momento, pelo menos da porta para fora, são aliados. Pode ser uma aliança temporária, mas são aliados. Podem ter os seus pontos de desacordo, mas são aliados. E grandes aliados para determinados propósitos. Então é muito fácil perceber, na minha opinião, porque é que os Estados Unidos, votando contra, também Israel vota contra. Pode ter havido até um pré-consenso, que é o que muitas vezes acontece quando se trata de votação para este tipo de acordos. E estes são países, tanto Israel como Estados Unidos, nós não estamos aqui a falar da memória popular, não estamos aqui a falar de heranças, de tradições, etc, estamos a falar de sistemas políticos que estão ali no poder neste momento. É isto que conta ali no teatro das Nações Unidas. Não é um voto popular, não é uma voz que se está a levantar. Eventualmente também Portugal terá sido cauteloso ao colocar-se como neutro ou abster-se. Nós temos que olhar aquilo que é o hoje, os interesses políticos e de expansão e de territorialização e de afirmação do poderio político e monopólio a nível internacional. Onde é que estão os principais focos e como é que eles olham para algo do passado que, se eles aprovassem, não estaria a colocá-los numa situação extremamente complicada se eles aceitassem que isto é o "crime mais grave"? Eventualmente iriam ter que aceitar amanhã que a invasão a um determinado país também é o crime mais grave. É claro que eles não vão votar a favor. RFI: Mas para falarmos, por exemplo, de um argumento que foi ouvido durante a sessão de ontem, que foi expressado nomeadamente pelo Reino Unido, era a questão de recusar estabelecer uma hierarquia entre os Crimes contra a Humanidade. Julga que aí está-se de facto a estabelecer uma hierarquia e que isto está a prejudicar outras memórias que, por exemplo, têm a ver com o genocídio dos judeus na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, ou outros acontecimentos trágicos da história da Humanidade? Benigna Zimba: Eu não percebi porque é que o Reino Unido colocou esta questão de hierarquização. Não concordo com este termo por uma razão muito simples: as Nações Unidas estão a partir do princípio de que isto é realmente generalizado. Não há continente neste planeta Terra que, directa ou indirectamente, não tenha sido afectado pelo tráfico de pessoas escravizadas. Nesse sentido, nós estaríamos a globalizar positivamente este fenómeno. Ela aconteceu em todo lugar. Também temos genocídios, infelizmente, em muitos países do mundo. Mas este é um ponto comum e, de certo modo, de partida. E foi este ponto que fez também que muitos se desenvolvessem à custa do subdesenvolvimento do outro. E hoje somos chamados de países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. E essas conotações duram décadas. Nunca se sai daí. Então, ao globalizar este crime, eu penso que aqui não se deve estabelecer hierarquia. Porquê hierarquizar? Eu confesso que eu não entendi. Eles também fizeram parte. Os primeiros abolicionistas foram os britânicos. Então todos estes países estão dentro deste contexto e são as maiores potências hoje. Então, respondendo de novo à questão, eu não concordo com esta questão da hierarquização. Foi colocado com base numa determinada constatação. Foi bem fundamentado. Era difícil fundamentar melhor, porque também quem faz a fundamentação tem heranças que estão dentro deste processo. Isto é um pouco complicado. Eu de facto não concordo que este termo seja objecto de discussão. Isto desvia os focos daquilo que as Nações Unidas querem atingir e as Nações Unidas também sabem que vão ter dificuldades, que isto simplesmente leva anos. Pode levar décadas, mas em algum momento nós temos que ter a capacidade de cada vez mais que o tempo passa, de utilizar estes instrumentos para que nós possamos fazer jus a tal verdade e justiça que se quer atingir.
Entramos na teia de paranoia e poder de O Agente Secreto, o novo thriller político de Kleber Mendonça Filho. Ambientado no Recife de 1977, em plena ditadura militar, o filme acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor que volta à cidade e se vê tragado por uma rede de vigilância, repressão e interesses corporativos.Rafael Arinelli recebe Carissa Vieira e Marcelo Miranda para uma conversa que destaca a abordagem singular de Kleber: o autoritarismo aparece não só como grande aparato repressivo, mas como uma camada cotidiana - a violência que se naturaliza nas pequenas rotinas, nas relações de vizinhança e nas instituições. A perseguição sofrida por Marcelo expõe a cumplicidade entre elite, negócios e aparelho estatal, sugerindo que as estruturas de poder permanecem inquietantemente atuais.Falamos do uso do suspense em modo “slow burn”, que intensifica a sensação de claustrofobia e observação constante; da contundência da atuação de Wagner Moura, feita de micro-silêncios e olhares; e do alívio moral e humor seco trazido por Dona Sebastiana (Tânia Maria), a síndica que transforma o prédio em porto seguro para exilados.Também discutimos como o filme encara preconceitos regionais - xenofobia e racismo contra o Nordeste - e a fascinante ambivalência da admiração por violências estrangeiras. O Agente Secreto funciona, assim, como espelho incômodo: mais do que “sobre a ditadura”, o filme mostra a ditadura na vida cotidiana, e nos pergunta quanto disso persiste hoje.Dê o play e acompanhe nossa análise aprofundada de O Agente Secreto que mistura memória, política e cinema em estado de tensão permanente.• 04m26: Pauta Principal• 1h11m13: Plano Detalhe• 1h20m30: EncerramentoOuça nosso Podcast também no:• Spotify: https://cinemacao.short.gy/spotify• Apple Podcast: https://cinemacao.short.gy/apple• Android: https://cinemacao.short.gy/android• Deezer: https://cinemacao.short.gy/deezer• Amazon Music: https://cinemacao.short.gy/amazonAgradecimentos aos padrinhos: • Bruna Mercer• Charles Calisto Souza• Daniel Barbosa da Silva Feijó• Diego Alves Lima• Eloi Xavier• Flavia Sanches• Gabriela Pastori Marino• Guilherme S. Arinelli• Thiago Custodio Coquelet• William SaitoFale Conosco:• Email: contato@cinemacao.com• X: https://cinemacao.short.gy/x-cinemacao• BlueSky: https://cinemacao.short.gy/bsky-cinemacao• Facebook: https://cinemacao.short.gy/face-cinemacao• Instagram: https://cinemacao.short.gy/insta-cinemacao• Tiktok: https://cinemacao.short.gy/tiktok-cinemacao• Youtube: https://cinemacao.short.gy/yt-cinemacaoApoie o Cinem(ação)!Apoie o Cinem(ação) e faça parte de um seleto clube de ouvintes privilegiados, desfrutando de inúmeros benefícios! Com uma assinatura a partir de R$30,00, você terá acesso a conteúdo exclusivo e muito mais! Não perca mais tempo, torne-se um apoiador especial do nosso canal! Junte-se a nós para uma experiência cinematográfica única!Plano Detalhe:• (Carissa): Livro: Monstros o dilema do fã• (Marcelo): Filme: O Magnífico• (Rafa): Loja: KoffiEdição: ISSOaí
Dia Nacional da Consciência Negra, Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha: o que estas efemérides têm em comum? Para Vantuil Pereira, professor associado do Núcleo de Estudos e Políticas Públicas Suely Souza de Almeida e decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ, elas expõem uma agenda de lutas da sociedade civil que passa pela cultura e pela educação.Reportagem: Júlio Cezar Rodrigues.Edição: Thiago Kropf
O jornalista foi preso, torturado e assassinado pelo Estado, em 1975, no contexto da ditadura militar. A manifestação ocorre na sexta-feira, 24 de outubro, às 17h, em frente à sede da Associação Brasileira de Imprensa: rua Araújo Porto Alegre, 71, Centro do Rio.Reportagem: Beatriz FonsecaEdição: Vinicius Piedade
Uma experiência imersiva pelos fios da memória está em cartaz no Espaço Cultural Sergio Porto, até 19 de outubro. A atividade, conduzida pela artista Lu Lessa, vai das 15h ás 19h. Mais informações na reportagem, no site fil.art.br e nas redes sociais @filfestival.Reportagem: Valentina DavidEdição: Thiago Kropf
Por meio do projeto Mora na Filosofia, a Festa Literária das Periferias vem realizando, ao longo de 2025, uma formação itinerante que integra rodas de samba e rodas de conversa, batuque e palavra, memória e potência. Na edição especial de setembro, o evento reuniu a pesquisadora Angélica Ferrarez e o músico Arlindinho Cruz, em um encontro mediado por Vanessa Pereira. Entre histórias de vida, pesquisa, resistência e música, o encontro mostrou como o samba é mais do que ritmo: é herança cultural, literatura, filosofia popular e identidade preta.Reportagem: Carolina Trevizan e Vitória ViegasEdição: Thiago Kropf
O cinema brasileiro não para de surpreender, e desta vez vamos explorar um dos grandes destaques da produção nacional: Malu, filme inspirado na vida da atriz Malu Rocha e dirigido por seu filho, Pedro Freire.Uma obra intensa e emocionante, Malu atravessa três gerações de mulheres: avó, mãe e filha - em relações marcadas por afeto, conflito e memórias da ditadura militar. O episódio discute como a repressão atravessa não só a protagonista, mas também a própria estrutura familiar, revelando as marcas históricas que ainda ecoam no presente.Rafael Arinelli, Fabiana Lima, Cecília Barroso e Alan Alves analisam a força dramática do longa e destacam as atuações poderosas de Yara de Novaes, Juliana Carneiro da Cunha e Carol Duarte, com ênfase na visceralidade que remete à grande Gena Rowlands. Também comentam a sensibilidade de Pedro Freire atrás das câmeras, os símbolos escondidos na “casa bagunçada” e até a influência de Bergman em “Sonata de Outono”.E tem mais: o episódio também olha para a recepção internacional do filme, que conquistou prêmios em festivais pelo mundo e já desponta como candidato a representar o Brasil no Oscar 2026.Então já sabe: se prepare para um papo cheio de emoção, spoilers e reflexões sobre família, memória e os ciclos de amor e dor que nos conectam. Dá o play e venha se aprofundar com a gente em Malu, um filme que não vai ser esquecido tão cedo.• 05m32: Pauta Principal• 1h23m53: Plano Detalhe• 1h43m18: EncerramentoOuça nosso Podcast também no:• Spotify: https://cinemacao.short.gy/spotify• Apple Podcast: https://cinemacao.short.gy/apple• Android: https://cinemacao.short.gy/android• Deezer: https://cinemacao.short.gy/deezer• Amazon Music: https://cinemacao.short.gy/amazonAgradecimentos aos padrinhos: • Bruna Mercer• Charles Calisto Souza• Daniel Barbosa da Silva Feijó• Diego Alves Lima• Eloi Xavier• Flavia Sanches• Gabriela Pastori Marino• Guilherme S. Arinelli• Thiago Custodio Coquelet• William SaitoFale Conosco:• Email: contato@cinemacao.com• X: https://cinemacao.short.gy/x-cinemacao• BlueSky: https://cinemacao.short.gy/bsky-cinemacao• Facebook: https://cinemacao.short.gy/face-cinemacao• Instagram: https://cinemacao.short.gy/insta-cinemacao• Tiktok: https://cinemacao.short.gy/tiktok-cinemacao• Youtube: https://cinemacao.short.gy/yt-cinemacaoApoie o Cinem(ação)!Apoie o Cinem(ação) e faça parte de um seleto clube de ouvintes privilegiados, desfrutando de inúmeros benefícios! Com uma assinatura a partir de R$30,00, você terá acesso a conteúdo exclusivo e muito mais! Não perca mais tempo, torne-se um apoiador especial do nosso canal! Junte-se a nós para uma experiência cinematográfica única!Plano Detalhe:• (Cecília): Filme: Dan Da Dan• (Cecília): Álbum: As Noites Estão Cada Dia Mais Claras• (Fabi): Artigo: A experiência Cassavetes• (Fabi): Filme: Amantes• (Fabi): Podcast: Marília: O outro lado da sofrência• (Alan): Novela: Guerreiros do Sol• (Alan): Novela: Capitu• (Alan): Livro: Cinema brasileiro: propostas para uma história• (Rafa): Série Documental: A Mulher da Casa AbandonadaEdição: ISSOaí
Antes de ser chamado “pai da história”, Heródoto foi o herdeiro de um mundo em ruínas. O século V a.C., em que viveu, testemunhou o colapso das antigas hegemonias, a ascensão e queda de impérios, e a constante oscilação entre ordem e desordem. Heródoto não escreveu apenas para relatar o que foi, mas para preservar as causas e sentidos do que aconteceu. Sua obra "Histórias" nasce da vocação de compreender a realidade humana à luz da memória, da justiça e do destino. Para ele, a história era o campo em que se revelavam as tensões entre a hubris (arrogância) e o limite; entre o poder e a fragilidade; entre a glória e a decadência. Assim, sua narrativa não era neutra: era carregada de intenção moral, pedagógica e filosófica. Cada povo, cada guerra, cada governante era um espelho — um reflexo das escolhas humanas diante dos desígnios invisíveis. Ao considerar Heródoto em diálogo com a estrutura de governo e liderança da Igreja Adventista do Sétimo Dia, emerge uma tensão fecunda: de um lado, a valorização da história como advertência e aprendizado; de outro, a necessidade de transcendê-la por meio de uma escatologia viva, que recusa o fatalismo cíclico e reafirma a direção divina do tempo. A IASD, diferente do mundo antigo, não repousa sua esperança em heróis nem em ciclos, mas em um Deus que age na história e conduz Seu povo com estrutura, profecia e missão.
Se, em sua essência, a curadoria vem para “cuidar”, a curadoria cinematográfica parece traçar um caminho que vai muito além de apenas escolher filmes: envolve um olhar especial para a experiência cinematográfica como um todo, oferecendo ao espectador um gesto, um território e um afeto.Hoje, Rafael Arinelli recebe Leandro Luz para falar com Carol Almeida, pesquisadora, curadora e professora de cinema. Carol compartilha sua trajetória, da crítica ao trabalho de curadoria, revelando que curar vai além da simples seleção de obras: trata-se de construir pontes entre os filmes e o público, criando espaços de encontro, escuta e reflexão.Além disso, o trio discute o papel histórico dos cineclubes como berço da curadoria no Brasil e como essas práticas ajudam a formar olhares críticos e sensíveis. Também percorre os bastidores dos festivais, destacando a importância de respeitar territórios, públicos e contextos políticos e culturais na hora de montar uma programação.É uma conversa sobre os desafios contemporâneos do curador diante da avalanche de imagens na era digital, a urgência por políticas públicas de exibição e a tensão entre liberdade artística e interesses de financiamento.Quer entender como a curadoria pode preservar a memória do cinema, ampliar repertórios e resistir a visões eurocentradas? Então esse episódio é pra você. Dá o play e vem com a gente descobrir o que há por trás das escolhas que moldam nossas experiências cinematográficas!• 03m06: Pauta Principal• 1h22m00: Plano Detalhe• 1h31m49: EncerramentoOuça nosso Podcast também no:• Feed: https://bit.ly/cinemacaofeed• Apple Podcast: https://bit.ly/itunes-cinemacao• Android: https://bit.ly/android-cinemacao• Deezer: https://bit.ly/deezer-cinemacao• Spotify: https://bit.ly/spotify-cinemacao• Amazon Music: https://bit.ly/amazoncinemacaoAgradecimentos aos patrões e padrinhos: • Bruna Mercer• Charles Calisto Souza• Daniel Barbosa da Silva Feijó• Diego Alves Lima• Eloi Xavier• Flavia Sanches• Gabriela Pastori Marino• Guilherme S. Arinelli• Katia Barga• Thiago Custodio Coquelet• William SaitoFale Conosco:• Email: contato@cinemacao.com• Facebook: https://bit.ly/facebookcinemacao• BlueSky: https://bit.ly/bskycinemacao• Instagram: https://bit.ly/instagramcinemacao• Tiktok: https://bit.ly/tiktokcinemacaoApoie o Cinem(ação)!Apoie o Cinem(ação) e faça parte de um seleto clube de ouvintes privilegiados, desfrutando de inúmeros benefícios! Com uma assinatura a partir de apenas R$5,00, você terá acesso a vantagens incríveis. E o melhor de tudo: após 1 ano de contribuição, recebe um presente exclusivo como agradecimento! Não perca mais tempo, acesse agora a página de Contribuição, escolha o plano que mais se adequa ao seu estilo e torne-se um apoiador especial do nosso canal! Junte-se a nós para uma experiência cinematográfica única!Plano Detalhe:• (Leandro): Filme: Eunice, Clarice, Thereza (1979)• (Leandro): Site: Cinelimite• (Carol): Diretor: Lincoln Pericles• (Carol): Petição: Profissionais do audiovisual brasileiro em defesa do povo palestino• (Carol): Filme Nossa Música• (Carol): Livro: Mahmoud Darwish - Da presença da ausência• (Rafa): Livro: Em busca de mimEdição: ISSOaí
O até agora único humorista da freguesia de Colmeias e Memória, no município de Leiria, propõe-se a ir de falha em falha até à vitória final. Em 2022, criou, com o produtor Bolinha e os humoristas António Azevedo Coutinho e Vítor Sá, o podcast "Cubinho". Com cada vez mais público nas redes sociais, no início de 2024 subiram a palco com vários espetáculos ao vivo esgotados pelo país, incluindo seis sessões lotadas no Casino de Lisboa. Agora é a vez de mostrar-se no primeiro solo de stand-up comedy, com “Falha Minha”. De regresso ao Humor À Primeira Vista, com Gustavo Carvalho, explica de que forma uma dívida uniu os membros de "Cubinho", relata algumas das suas "falhas" que têm resultado em histórias inimagináveis que leva a palco, narra as dificuldades de criar uma série e recorda a primeira entrevista que deu no Humor À Primeira Vista, em 2021, e alguns dos arrependimentos do início da carreira.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O presidente Lula tratou Silvio Santos como o maior comunicador da TV brasileira.
Conheça a história do maior nome da televisão brasileira
Armando Ribeiro era chamado “comandante” pelos companheiros e “falsificador” pela PIDE. Foi um dos fundadores da LUAR, Liga de União e de Acção Revolucionária, e, aos 80 anos, conta-nos algumas das acções deste grupo de resistência armada à ditadura portuguesa. Armando Ribeiro viveu seis anos na clandestinidade, escapou à prisão, transportou armas 3.000 quilómetros Europa fora, participou na tentativa frustrada de tomada da Covilhã e no assalto a Consulados de Portugal para obter passaportes. Nos 50 anos do 25 de Abril, a RFI falou com vários resistentes ao Estado Novo. Neste programa, ouvimos Armando Ribeiro, um dos fundadores da Liga de União e de Acção Revolucionária (LUAR).Os que o conheciam de perto chamavam-lhe “comandante”. Os que o queriam prender vociferavam: “Esse falsificador!”. Nesses tempos de clandestinidade e de luta contra a ditadura portuguesa, poucos sabiam o nome deste homem, hoje com 80 anos.O Inácio Afonso, que era um tipo da PIDE, dizia: ‘Esse fulano! Esse falsificador! A gente até vai buscá-lo a Paris se for preciso!'. Mal eles sabiam que se a gente quisesse os tínhamos liquidado! ‘A gente vai buscá-lo a Paris, esse falsificador!'. Nem conhecia exactamente o meu nome. Só conhecia ‘comandante'. Ninguém sabia o meu nome. Eu acho que nem o Palma sabia o meu nome completo.Chama-se Armando Ribeiro e foi um dos fundadores do movimento antifascista LUAR, a Liga de União e Acção Revolucionária. Um dos dirigentes do grupo era Hermínio da Palma Inácio que, em 1947, participou na sabotagem de aviões da Força Aérea; em 1961, também participou no desvio de um avião para lançar panfletos contra a ditadura sobre Lisboa e outras cidades, junto com Camilo Mortágua. Este já tinha estado no desvio do paquete Santa Maria, no mesmo ano. Ambos estiveram na linha da frente do assalto à agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, em 1967. E foi o assalto à agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz que levou à fundação da LUAR, em Paris, onde já se encontrava Armando.O jovem tinha deixado Portugal três anos antes. Estudante do Instituto Comercial do Porto, onde era dirigente da associação académica, Armando Ribeiro ficou em Paris durante uma visita de estudo de finalistas em Março de 1964 porque recusava ir para a guerra colonial combater pessoas que lutavam pela sua independência. Inscreveu-se na escola de Arts et Métiers e trabalhava à noite no PBX de um prédio. Poderia estudar durante o dia, ter uma vida boémia, mas trocou o conforto pela luta.Muito novo ainda, foi o braço direito de Hermínio da Palma Inácio, em Paris, dirigente do Conselho Superior do movimento e criador do seu símbolo - o “L”, com uma seta ascendente. Comprou armamento, transportou um arsenal de armas 3.000 quilómetros Europa fora, participou no assalto a consulados para obter passaportes e ajudou a preparar os chamados “confiscos” para custear muitas vidas na clandestinidade. Como os companheiros, pôs a vida em perigo nome de um ideal e esse ideal chamava-se LUAR.“A LUAR foi uma organização que começou pela luta armada porque todas as pessoas que integravam a LUAR já tinham participado em coisas de luta armada, como o desvio do Santa Maria. Portanto, foi aí que comecei, foi com essa gente toda”, começa por explicar, sublinhando que era uma organização apartidária, claramente “fora do Partido Comunista Português” e que defendia a acção directa e o recurso às armas para o derrube da ditadura e a restauração da democracia. As origens da LUARConta, ainda, que na génese do movimento estiveram personalidades como Henrique Galvão e até Humberto Delgado, com iniciativas de acção directa contra o regime, nomeadamente depois do “terramoto” da candidatura presidencial do “General Sem Medo”. Humberto Delgado esteve directamente envolvido na Revolta de Beja na passagem de ano de 1961 para 1962. Henrique Galvão esteve em várias outras acções com impacto internacional de grande peso, para as quais contou com o apoio essencial da dupla Palma Inácio e Camilo Mortágua.A 23 de Janeiro de 1961, exilado na Venezuela, Henrique Galvão fez tremer o regime com o assalto e desvio do paquete Santa Maria, considerado o primeiro sequestro político de um transatlântico na história contemporânea, uma acção em que participou também Camilo Mortágua. Depois, a partir do Brasil, Henrique Galvão preparou a Operação Vagô, na qual, em Novembro de 1961, Palma Inácio participou no primeiro acto de pirataria aérea da história: o desvio de um avião comercial da TAP, que fazia o percurso Casablanca-Lisboa, e o lançamento sobre Lisboa e outras cidades de panfletos contra o regime. A bordo do avião estava também Camilo Mortágua.Depois do assassínio do General Humberto Delgado, a 13 de Fevereiro de 1965, os opositores que estavam refugiados no Brasil, decidem voltar para a Europa para continuarem a acção contra o regime a partir do exterior.O Palma e uma meia dúzia que tinham participado no avião vieram para a Europa e diziam que a partir do Brasil não se pode fazer nada, é muito longe estar no Brasil e ter acções em Portugal e vieram-se instalar, sobretudo, em França e na Bélgica.A LUAR nasce quando o opositor Emídio Guerreiro, refugiado em Paris, enviou um comunicado ao jornal francês Le Monde, no qual que a LUAR reivindicava o assalto à agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, em 1967.A LUAR não existe antes do banco da Figueira da Foz. Quem deu o nome à LUAR foi depois do banco da Figueira da Foz e foi o professor Emídio Guerreiro, que estava aqui refugiado há muito tempo, mas que não pertencia à LUAR porque a LUAR não existia. Ele tinha contacto com os membros da LUAR, especialmente com o Palma Inácio e o Camilo Mortágua. Quando ele soube, quer dizer, ele imaginou que quem poderia fazer aquilo só poderia ser o Palma, não é? E então ele inventou – e bem, que é um nome bonito, LUAR - e mandou um comunicado ao Le Monde a dizer que tinha sido a LUAR que tinha feito.Armando Ribeiro participou, depois, na reunião de fundação da LUAR na casa de Emídio Guerreiro, em Paris. Dissensões internas levariam ao afastamento de Emídio Guerreiro, a que não foi alheio o destino do dinheiro da agência do Banco de Portugal da Figueira da Foz que lhe tinha sido entregue. Porém, uma parte significativa dos 29 mil contos era constituída por notas ainda não postas em circulação e só 4,7 mil contos por notas usadas, tendo outra parte sido recuperada pela PIDE com a colaboração de um infiltrado [Ernesto Castelo Branco] e apenas uma pequena parte do dinheiro se poderia cambiar por caminhos travessos.A LUAR foi um marco na história da resistência armada ao regime ditatorial português. E se um punhado de homens e mulheres dedicaram parte da sua vida a organizar acções revolucionárias para derrubar a ditadura, o preço da coragem era, muitas vezes, pago com a prisão, a tortura, o exílio. Armando não chegou a ser preso, mas, quando ia a Portugal, usava uns sapatos com uma serra no interior para poder serrar as grades da cadeia caso lá fosse parar.Sobreviver na clandestinidade implicava fintar as autoridades e isso também passou pela falsificação de passaportes e bilhetes de identidade. Armando foi um dos responsáveis por essa tarefa que passou pelo assalto a consulados de Portugal em Roterdão e no Luxemburgo em Abril e Junho de 1971. O objectivo era obter documentos de identificação, formulários e selos brancos. Na PIDE, ele ficou conhecido como “falsificador”.Em Roterdão, quando a gente lá foi, a gente não sabia que era o dia da rainha da Holanda e o Consulado estava fechado. De maneira que a gente até teve que abrir a porta ilegalmente porque não estava aberto. No Luxemburgo já foi diferente, estava a funcionar. Tomámos o Consulado e trouxemos passaportes que era o que nos fazia falta. Mais tarde, com os meios financeiros que tínhamos, criámos todo um sistema de contrafacção dos documentos. Tínhamos uma panóplia de documentos perfeitamente iguais.Os documentos falsos eram, depois, usados para os combatentes circularem e, sobretudo, como medida de precaução caso fossem controlados pela polícia.Armando Ribeiro conta, ainda, que só houve um caso em que a polícia neutralizou resistentes da LUAR sabendo, de antemão, que eram da organização. Foi depois da “Operação Primavera” [a 30 de Abril de 1969 e que consistiu na sabotagem de pilares de alta-tensão no Porto e numa explosão junto ao Consulado Americano do Porto] que a PIDE estava à espera em Irun e deteve Seruca Salgado, Júlio Alves e José Paulo Lima Matias. Mas a polícia espanhola não autorizou a extradição porque tinha bem presente o assassínio, pela PIDE, do general Humberto Delgado em território espanhol [13 de Fevereiro de 1965].Serviam para a gente, quando estava em Portugal, com vários nomes, se viesse a autoridade pedir, num controle normal - porque é evidente que se já soubessem que a gente era da LUAR não valia de nada. Mas nunca tivemos esse problema porque, contrariamente ao que se diz, nunca ninguém da LUAR foi presa com a PIDE a saber onde a gente estava. Só houve um caso, mas a prisão foi executada em Hendaia, Irun. Estava lá o Sacchetti, que era o diretor PIDE, à espera deles e eles foram presos em Espanha [Seruca Salgado, Júlio Alves e José Paulo Lima Matias]. Eles pensavam que os espanhóis os iam entregar directamente à PIDE, mas os espanhóis nessa altura não autorizaram que a PIDE pegasse neles e os levasse para Portugal porque, entretanto, o General Delgado tinha sido encontrado assassinado em Espanha. Então, eles não entregaram e esses indivíduos ficaram presos em Espanha e depois foram julgados, foram dados como políticos e, portanto, não foram extraditados para Portugal e foram recambiados para a Argélia que os recebeu. “A gente transportou armas sem nunca ter nenhum problema ao longo de 3.000 quilómetros”Poucos meses depois de vários membros da LUAR terem vivido o Maio de 68 em Paris, inclusivamente participando na ocupação da Casa de Portugal na Cidade Universitária, prepararam nova acção revolucionária: a tentativa de tomada da cidade da Covilhã, em Agosto.A Covilhã é um centro de lanifícios, industrial, e a gente ia tomar a rádio e íamos atacar os bancos todos lá, a guarda republicana, a polícia, íamos tomar a cidade e tínhamos uma declaração para fazer na Rádio Covilhã ao país e à Covilhã. E depois íamos evacuar. Não lhe posso dizer o que é que se ia passar porque nunca chegámos a isso porque o Palma, entretanto, foi preso.Ainda assim, Armando Ribeiro nega que a operação tenha sido um fracasso e diz que foi o azar que levou à detenção de Palma Inácio porque a polícia política estava longe de imaginar o que se iria passar.Não foi fracasso nenhum. Houve vezes em que a gente teve sorte, outras vezes teve azar. A intersecção deu-se em Torre de Moncorvo. Eles tinham saído para tomar um café porque não tinham comido há muito tempo. Foram ao café e, depois, o Palma meteu-se no carro em que vinha, o polícia pediu-lhe os documentos e o Palma não tinha a carta de condução. Ameaçou com uma arma e fugiu com o carro e só depois é que o carro foi interceptado. Veio a guarda republicana e pensavam que eram passadores ou contrabandistas.Armando não foi preso porque iria chegar mais tarde à Covilhã. Ele e outros transportavam “todo um armamento do último grito comprado na Checoslováquia”, com o dinheiro dos “confiscos” aos bancos e aos veículos de transporte de fundos.Fomos várias pessoas que conduziram o carro e os detonadores e todo o material bélico que a gente tinha e plástico que é um explosivo altamente sofisticado que ainda hoje se utiliza, que se chama semtex. Arranjámos automóveis com esconderijos especiais para isso e a gente trouxe. A gente não veio directo, mas de Praga a Paris são 1.000 quilómetros, de Paris a Portugal são mais ou 1.700 - 2.000 praticamente, com os caminhos ‘détournés' que a gente fez. Portanto, a gente transportou armas sem nunca ter nenhum problema, nunca foram capturadas ao longo de 3.000 quilómetros. São 3.000 quilómetros, é muita coisa, portanto, estávamos relativamente bem organizados.Depois da tentativa frustrada da tomada da Covilhã e perante a prisão dos companheiros, Armando entra na clandestinidade até à Revolução dos Cravos. Um período em que continuou a acreditar que a LUAR poderia derrubar a ditadura, tanto é que se a tomada da Covilhã tivesse funcionado, o regime poderia ter tremido: “O que se diz é que o Salazar ficou preocupado e que ainda gritou lá com os tipos da PIDE a dizer “O Palma outra vez?! Outra vez o Palma?!” A LUAR quis ser “o detonador da revolução”Na “nova concepção de luta” da LUAR, estava a violência revolucionária e acções armadas contra o regime, também com sabotagem de meios usados na guerra colonial. Porém, era rejeitado o recurso a actos terroristas e o assassínio de pessoas, mesmo se fossem agentes da PIDE. A prová-lo estão alguns episódios que Armando Ribeiro nos conta.Aqui em Paris, havia rapazes que trabalhavam em hotéis e havia um hotel que era o Lisboa que era de um tipo da PIDE. A gente tinha lá um tipo que trabalhava, que era da LUAR, e eles iam lá dormir e ele viu que eram da PIDE, uma brigada, eram três ou quatro da PIDE. Ele telefonou ao Palma a dizer: ‘Estão lá os tipos da PIDE, o que é que a gente faz? Damos-lhes um tiro?' e o Palma: ‘Não vamos dar tiro nenhum. Só nos traz problemas e não vamos resolver problema nenhum.'O mesmo aconteceu com um informador da PIDE no restaurante Ribatejo, mas Hermínio da Palma Inácio rejeitava matar pessoas porque “não se faz a revolução dessa maneira”. Um membro da LUAR chegou a ter à frente um agente da PIDE que tinha torturado barbaramente uma companheira do movimento, mas “não conseguiu disparar”.Na LUAR nunca existiu a coisa dos tiros, da violência pela violência. A gente nunca pôs bombas para matar pessoas.Depois de novas prisões, incluindo mais uma vez do chefe histórico Palma Inácio, foi preciso reafirmar os grandes princípios norteadores da organização. O objectivo era continuar a luta, avançar com acções para alertar a opinião pública nacional e internacional e continuar a publicar o jornal Fronteira, a partir de Paris. Em Janeiro de 1974, a LUAR publica o manifesto “Por uma utilização correcta dos novos métodos de luta, pela Revolução Socialista”, redigido sobretudo por Armando Ribeiro, Fernando Pereira Marques e Rui Pereira. “A gente não queria a ditadura do proletariado, éramos pela democracia directa”, reitera o seu co-autor.No fundo, a LUAR queria ser “o detonador da revolução” em Portugal e a revolução acabou por chegar, mas através do Movimento das Forças Armadas.A gente pensava que íamos conseguir ser o detonador da revolução. Quer dizer, o MFA foi isso. Eles fizeram aquilo que, se calhar, não estavam à espera. Ninguém estava à espera no 1° de Maio que houvesse um milhão de pessoas em Lisboa. O 1° de Maio foi logo a seguir ao 25 de Abril e ninguém estava à espera.O ‘comandante' afirma, mesmo, que “o programa do MFA é uma cópia do primeiro documento que a LUAR mandou para a rua, o documento número 1, com o que a gente queria fazer” e os objectivos eram “democratizar, dar a independência às colónias, acabar com a guerra colonial”.Em Abril de 1973, Hermínio da Palma Inácio e Armando Ribeiro foram à Conferência Internacional de Apoio às Vítimas do Colonialismo, em Oslo, onde se encontraram com Agostinho Neto e Manuel Jorge do MPLA, Marcelino dos Santos, da Frelimo, e os irmãos de Amílcar Cabral que já tinha sido assassinado. A revolta de Armando ainda se lê no rosto e na voz quando diz que a PIDE matou “um dos maiores dirigentes africanos do século 20” e “o maior amigo dos portugueses”. Não o conheceu, mas lembra que “houve malta da LUAR que desertava da Guiné e que o conheciam porque os desertores eram enviados para Argel e Argel é que distribuía e via se eles eram pessoas infiltradas, se eram pessoas que pura e simplesmente não estavam de acordo com a guerra, ou se se tinham lá chateado com os capitães ou com alguns tipos militares, estilo generais do tempo do Spínola e antes do Spínola”.O capitão Ernesto Melo Antunes, membro da direcção do MFA e co-autor do seu programa político, chegou a encontrar-se com Palma Inácio e Armando Ribeiro em Paris.O Melo Antunes veio falar com o Palma e disse: ‘Vocês não façam nada, eu sei que vocês estão equipados, mas vocês não façam nada porque isto agora vai mesmo para a frente'. E o Palma disse: ‘Olha, a primeira vez que eu que eu me meti nisso foi em 1947' [O Palma tomou parte e sabotou os aviões da base de Sintra em 1947] ‘Em 1947, já me vieram com essa conversa, mas está bem. Ficamos assim, vocês façam lá, andem para a frente que a gente apoia-vos'. Que eles fizessem, mas que nós íamos continuar a fazer aquilo que a gente achava porque, desde 1947, ele tinha-se metido nisso e o exército, no último momento, tinha sempre falhado.A Revolução acabou mesmo por ser feita pelo Movimento das Forças Armadas, com o apoio em massa do povo.“Os tanques todos na rua e milhares de portugueses na rua e fez-se uma revolução que é das coisas mais espectaculares que existe na segunda metade do século 20. E o resto é conversa. O 25 de Abril foi uma coisa exemplar”, resume.Depois do 25 de Abril, Armando Ribeiro fez parte da Comissão da Extinção da PIDE-DGS, ao lado, nomeadamente, do companheiro de luta também exilado em Paris Fernando Oneto. Desarmar, tratar dos arquivos e interpelar agentes da PIDE eram algumas das funções. Armando diz que, pessoalmente, só prendeu Silva Pais, que era o director da PIDE/DGS, o agente Domingues que era “o assassino do pintor Dias Coelho que a PIDE tinha morto a tiro” e um português em Paris “que era o Manuel não sei quantos que andava com o “Portugal Livre” e que andava a enganar as pessoas, a dizer que era antifascista e era um tipo que era pago pela PIDE”. Houve, ainda, um agente infiltrado da PIDE na LUAR, Ernesto Castelo Branco, que acabou por ser entregue ao MFA.Quanto aos torcionários das prisões do fascismo, Armando Ribeiro só pode condenar a actuação da justiça portuguesa: “O sistema judicial português, que ainda hoje é aquela miséria que a gente conhece, puseram-nos na rua e os PIDES todos que foram presos, depois fugiram e fizeram 30 por uma linha!”Durante mais de um ano, Portugal viveu e acreditou na sua revolução, com comissões de trabalhadores, associações de moradores, ocupações de terras e de empresas, nacionalizações, etc. Porém, a demissão, em Setembro de 1975, do primeiro-ministro Vasco Gonçalves, Capitão de Abril e rosto do Processo Revolucionário em Curso, anunciava o fim de uma época. Armando Ribeiro percebeu que o ideal revolucionário acabara e decidiu deixar novamente Portugal e instalar-se em França, onde ficou até hoje e onde nos recebe. Meio século depois, avisa: “É no solo podre que nascem os cravos”.
Assine o Café Brasil em https://canalcafebrasil.com.br No episódio anterior do Café Brasil falamos de como convenientemente esquecemos certas lições que deveríamos ter aprendido ao ler as mídias, lembra? Parece que todos aplicamos uma espécie de esquecimento global involuntário.Mas a ideia de gerenciar e preservar a memória é fascinante, não é? Afinal, existe uma memória que fica em algum lugar no cérebro, como um arquivo que podemos recuperar sem esforço? Ou a memória é um processo ativo e exigente,? Vamos nessa praia hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Ancestralidade, oralidade, magia e ciência: estes e outros temas guiaram a mesa “Devolvam nossas histórias – vozes de um tempo espiralar”, realizada pela Festa Literária das Periferias. No dia 19 de outubro, a Flup reuniu as intelectuais Célia Tupinambá e Leda Maria Martins num debate que impulsionou o conhecimento dos povos indígenas e pretos.Reportagem: Luís Gustavo CarmoEdição: Thiago Kropf
Estudos científicos comprovaram que o cérebro pode fabricar vivências, incluindo detalhes que nunca existiram.
A Casa da Ciência da UFRJ recebeu, nos dias 26 e 27 de setembro, o I Encontro de Ouvintes e Parceiros da Rádio MEC. Uma realização da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o evento fez parte das comemorações dos 100 anos da emissora e teve como objetivo discutir caminhos de fortalecimento mútuo entre as rádios que compõem a Rede Nacional de Comunicação Pública. Estiveram presentes trabalhadores pioneiros da MEC, artistas e representantes de emissoras do Distrito Federal e de estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.Reportagem: Patrícia da Veiga e Natália QueirozEdição: Gustavo Silveira
O projeto reúne a memória de comunidades quilombolas de Valença, Pinheiral, Piraí, entre outras localidades do sul fluminense. A produção, que resgata 32 pontos centenários, foi apresentada pela primeira vez no sábado, 23 de setembro, no Viaduto Negrão de Lima, em Madureira. A proposta do álbum é preservar a cultura do jongo entre gerações e dar visibilidade aos territórios. A Rádio UFRJ ouviu a jongueira Maria Amélia, o idealizador e curador Marcos André e a servidora pública Valeria Lima.Reportagem: João Vitor PrudenteEdição: Gustavo Silveira
O Pr Marcelo Farias da Missão Batista Boas Novas em Jd Glaucia - Belford Roxo traz uma palavra baseada em Lamentações 3:21-26 O que pode nos dar esperança? O que estamos trazendo a memória? Devemos lembrar da cruz de Cristo, do Poder de Deus e do seu sacrifício por nós. Ouça este podcast, aprenda mais com essa palavra, e seja um canal de benção compartilhando
Neste episódio, a entrevistada é Rosana Barros dos Santos, autora da dissertação "Nós Fumo e Encontremo Alguém: resquícios de italianidade no território Brás e Mooca", defendida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP
Em França, estreou, esta quarta-feira, o filme "Tirailleurs", do realizador Mathieu Vadepied, que conta a história dos fuzileiros da África Ocidental e Central que participaram na Primeira Guerra Mundial. Um filme de reconciliação entre a memória francesa e africana ou de despertar de feridas nunca fechadas? O investigador Régio Conrado espera que o filme contribua para a “reconstrução da dignidade africana” e para a “desconstrução de mitos” ligados à história das duas guerras mundiais. Teriam sido mais de 200 mil os chamados “tirailleurs sénégalais” [“fuzileiros senegaleses”] na Primeira Guerra Mundial, o conflito retratado no filme que estreia hoje em França. O contingente foi criado no final do século XIX no Senegal - daí o nome - e abarcava soldados da África ocidental e central que participaram também na Segunda Guerra Mundial (cerca de 150 mil), na guerra da Indochina (cerca de 60 mil) e na guerra da Argélia. Régio Conrado, investigador moçambicano associado ao Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Bordéus, começa por destacar que o filme permite “uma revalorização da participação destes africanos do oeste e da África central durante a Primeira Guerra Mundial”, mas também uma “desconstrução dos mitos à volta das duas guerras mundiais em que que os africanos participaram e deram uma grande contribuição para a vitória dos aliados, em particular da França”. “Os franceses, durante muitos anos, desconsideraram a participação destes negros. Nós vimos a forma como foram recebidos aquando da entrada das tropas francesas e americanas em Paris [no desfile de vitória] em que os negros foram praticamente excluídos. Quer dizer que a França tentou renegar uma parte importante da sua história. Sem a participação destes negros, negros africanos, a sua vitória ou o seu desempenho militar teria sido muito fraco”, lembrou o também professor na Universidade Eduardo Mondlane Mondlane, em Maputo. Além disso, o filme faz mais do que interrogar “aquilo que são as diferentes memórias e as diferentes narrativas históricas”. O filme vem introduzir-se na trajectória da reconstrução da dignidade africana porque, com a ideia que os africanos participaram activamente na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial, obviamente que dá uma dignidade aos africanos, dizendo que nós participámos para a protecção da liberdade. Régio Conrado explica que “durante a guerra, os africanos eram usados como carne para canhão” e, como se vê no filme, “a morte de africanos na frente de combate não criava tantos sobressaltos comparativamente ao que podia acontecer aos brancos franceses”. Ou seja, o filme abre a possibilidade de “rediscutir uma parte da memória francesa, que não quer ser discutida, que é o problema do racismo estrutural que estava presente tanto da parte do Estado francês, assim como dos próprios oficiais superiores das Forças Armadas francesas”. “Tirailleurs” tem como protagonista o conhecido actor francês Omar Sy e é dos primeiros filmes a falar abertamente dos “tirailleurs”. Em 2006, “Indigènes” de Rachid Bouchareb, contava a participação na Segunda Guerra Mundial de soldados das antigas colónias francesas, mas apenas oriundos do Magrebe. Porquê este silêncio? "Porque a França não queria reconhecer o papel determinante que esses soldados africanos tiveram no seio da guerra. Porque a França foi derrotada e só veio a estar no campo dos vencedores não tanto porque conseguiu participar de forma estruturante para derrubar o exército alemão, mas, em parte, por causa da utilização massiva dos africanos. Temos os ‘tirailleurs sénégalais' mas também temos os que vinham da Argélia, da Tunísia, de Marrocos e que participaram activamente para que a França tivesse alguma capacidade de projecção militar", responde Régio Conrado. Este filme abre, assim, a possibilidade de reconciliação entre as memórias francesa e africana, por um lado, e, por outro, o despertar de feridas nunca fechadas: "Há duas possibilidades. A primeira é uma luta da reconstrução e desconstrução de uma narrativa que consistia em não reconhecer os ‘tirailleurs sénégalais' que foram determinantes neste processo. O segundo aspecto é que vai abrir feridas porque estas pessoas que deram a sua vida a favor da França não recebiam as pensões correctas e eram - ou são, para alguns ainda vivos - desprezados. Tudo isto vai questionar a relação profunda que a França tinha com as suas colónias”, acrescenta o investigador, lembrando que esses soldados “foram obrigados a participar numa guerra que não era deles". No dia em que o filme chega às salas, o governo francês informou que estes antigos combatentes vão poder regressar aos seus países e continuarem a receber as pensões de reforma. Até agora, eles eram obrigados a viver metade do ano em França para poder aceder a essa ajuda financeira. Uma “grande vitória”, considera Régio Conrado, ainda que admita que “vem tarde”. Em França, estima-se que só estejam vivos cerca de 40 antigos ‘tirailleurs' e têm mais de 90 anos.
Daniel Mira tem na arte o seu oxigênio e na filosofia um caminho para entender o outro. Dono de uma fala calma, quase sempre num tom daqueles que já entenderam que a vida é um longo processo em construção, ele busca no imaginário, nos tons mais sutis da natureza, as respostas para uma jornada humana com mais sentido. Artista, professor de artes visuais nas áreas de arte, fotografia, cinema, design, comunicação social e especializado em poéticas visuais, ele já expôs suas obras no Brasil, Nova York, Barcelona, Berlin e muitos outros lugares. Neste papo com o '45 Do Primeiro Tempo", o também apresentador do podcast Imago, que traz quinzenalmente um olhar sobre a importância da construção daquilo que vemos, sentimos e expressamos imageticamente, contou sua trajetória de vida no cerrado brasileiro, trouxe à memória momentos importantes vividos com a arte, nos levou até a Floresta Amazônica, onde conviveu com a população ribeirinha, e foi categórico: "o caminho para uma vida mais plena passa por integrar a lógica com o sensível".See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio, conversamos com André Frazão Helene, professor do Instituto de Biociências da USP, que explica quais são os mecanismos do cérebro humano que nos permitem aprender e memorizar
Falamos sobre o episódio em que foi ateado fogo a uma estátua que homenageia Borba Gato, responsável pela morte e escravização de índios e negros no passado.Lembramos que um dos líderes do "ataque" se apresentou espontaneamente à polícia junto com sua esposa (que não participou do ato) e ambos tiveram decretada prisão temporária. Questionamos a legalidade dessa prisão e também a desproporcionalidade das acusações que podem levar, a até 15 anos de prisão.Questionamos qual seria a melhor forma de se lidar com símbolos que remetem a fatos ligados a crimes.Comparamos o caso com vários incêndios de Museus que vêm acontecendo no Brasil há anos e para os quais nunca houve punição dos responsáveis.
Anna Penido tem certeza de uma coisa: o amor não morre. Ela embarcou no ano passado numa viagem cuja paisagem é a memória e dessa profunda jornada ofereceu ao mundo um dos relatos mais bonitos e emocionantes de que viver vale a pena, apesar de todas as dores e nossa incapacidade de enxergar sentido em tudo que nos cerca. Em "Os últimos melhores dias da minha vida", obra póstuma do jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, falecido em maio passado vítima de câncer, Anna Penido organizou os relatos do marido e sua experiência durante a travessia da doença e, a quatro mãos, como faz questão de lembrar, lançou o livro que tem ajudado muita gente a olhar a vida por uma outra perspectiva. Neste papo com o podcast "45 Do Primeiro Tempo", a também jornalista e educadora relembra momentos marcantes de sua vida com Gilberto e ressalta que as conexões mais importantes de nossa vida acontecem muitas vezes num nível mais sutil em que a razão não é capaz de detectar: "A vida nos dá sinais o tempo todo". See omnystudio.com/listener for privacy information.
Conheça o novo supercomputador da Petrobras.
Conheça a nova descoberta que pode armazenar centenas de terabytes por décadas.
A televisão brasileira completa 70 anos neste dia 18 de setembro. Foi nesta data em 1950 que o jornalista e empresário Assis Chateaubriand realizou o sonho de trazer essa nova tecnologia para o país. Ao longo dos anos, a TV evoluiu e criou produtos de sucesso genuinamente tupiniquim, como as telenovelas, famosas em todo mundo até hoje. Entretanto a chamada TV aberta enfrenta hoje fortes concorrentes na atenção das pessoas, como a televisão por assinatura e os serviços de streaming, como a Netflix. Por causa disso, assistimos a mais uma etapa da evolução da nossa TV: aquela em que o telespectador escolhe o que assistir e quando assistir. Afinal, qual horizonte se apresenta para a tv brasileira? Na edição de hoje, conversamos com o autor de livros e pesquisador na área de comunicação e diretor do memoria Abert, da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Elmo Francfort. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Ouça os destaques do Caderno 2 desta segunda-feira (04/11/19)See omnystudio.com/listener for privacy information.
Confira as principais notícias do Caderno 2 desta segunda-feira (12/08/19)See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio, vamos filosofar sobre o que faz uma foto perfeita. Por que gostamos tanto de algumas fotos e outras não? Qual é a essência da fotografia? O filósofo francês Roland Barthes irá nos ajudar a pensar sobre este tema através do livro A Câmara Clara. //-------------------------------------// ** Ajude o Bora Pensar a crescer. Dê um "joinha" no vídeo e compartilhe esse vídeo nas suas redes sociais, nos seus grupos de whatsapp, inscreva-se no canal e ative o sino para ficar sabendo das novos episódios. Lista de e-mail: Assine para ficar por dentro de novidades e conteúdo exclusivo. https://mailchi.mp/21dee36d0a69/cadastro Site : http://www.borapensar.com.br Redes Sociais : Facebook - https://www.facebook.com/borapensarfilosofia/ Instagram - https://www.instagram.com/borapensarfilosofia/ Twitter - https://twitter.com/borapensarfilo/ PodCasts: Spotify - https://spoti.fi/2sqE3Pa SoundCloud - https://bit.ly/2Fzg2gz Itunes - https://apple.co/2Cm3x4N //-------------------------------------// Bibliografia: Roland Barthes, A câmara clara: nota sobre a fotografia, trad. Júlio Castañon Guimarães, 9o ed (Editora Nova Fronteira, 1984). https://amzn.to/2TxJXOo Materia de apoio (fotos): Alexander Garder https://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Gardner_(photographer) Koen Wessing https://g.co/kgs/SgQ7r2 https://bit.ly/2TJIowj
Primo ospite della puntata è Tonino Perna, autore del libro La memoria e la luce - La ricerca di un cristiano del XXI secolo edito nel dicembre 2018 da Claudiana.L'autore riflette sul senso dell’essere cristiani nel nostro mondo iperconnesso, ipertecnologico e biotecnologico. Cosa significa essere cristiani oggi? Come relazionarsi con i fatti quotidiani, la cronaca, l'evolversi delle tecnologie rimanendo ai principi etici e morali?Giustizia sociale, la salvaguardia del pianeta, dell’ecosistema sono temi che devono rimanere alla base.Dai temi della memoria, della luce contrapposta all'ombra, della contemplazione fino alla realtà empirica umana, alle cose piccole quotidiane. Si citano grandi ed importanti persone e piccole persone, sconosciute, ma che fanno grandi cose. Proseguiamo la puntata con la pastora valdese Dorothee Mack che ci parla del Gustav-Adolf-Werk, opera della Chiesa evangelica in Germania. Fondata nel 1832 a Lipsia, in Germania, è un'opera che finanzia e sostiene progetti legati alle chiese protestanti, tra cui anche la chiesa valdese.La pastora Mack ha partecipato all'incontro dei referenti dei circuiti del GAW che si è svolto il 21 e 22 gennaio scorsi. Il tema che conduceva i lavori e gli approfondimenti era "La responsabilità delle chiese in Europa".Tra i progetti finanziati dal GAW in Italia segnaliamo quelli alla Casa delle Culture di Mediterranean Hope a Scicli, che potete ritrovare anche in questo articolo di Radio Beckwith.
Primo ospite della puntata è Tonino Perna, autore del libro La memoria e la luce - La ricerca di un cristiano del XXI secolo edito nel dicembre 2018 da Claudiana.L'autore riflette sul senso dell'essere cristiani nel nostro mondo iperconnesso, ipertecnologico e biotecnologico. Cosa significa essere cristiani oggi? Come relazionarsi con i fatti quotidiani, la cronaca, l'evolversi delle tecnologie rimanendo ai principi etici e morali?Giustizia sociale, la salvaguardia del pianeta, dell'ecosistema sono temi che devono rimanere alla base.Dai temi della memoria, della luce contrapposta all'ombra, della contemplazione fino alla realtà empirica umana, alle cose piccole quotidiane. Si citano grandi ed importanti persone e piccole persone, sconosciute, ma che fanno grandi cose. Proseguiamo la puntata con la pastora valdese Dorothee Mack che ci parla del Gustav-Adolf-Werk, opera della Chiesa evangelica in Germania. Fondata nel 1832 a Lipsia, in Germania, è un'opera che finanzia e sostiene progetti legati alle chiese protestanti, tra cui anche la chiesa valdese.La pastora Mack ha partecipato all'incontro dei referenti dei circuiti del GAW che si è svolto il 21 e 22 gennaio scorsi. Il tema che conduceva i lavori e gli approfondimenti era "La responsabilità delle chiese in Europa".Tra i progetti finanziati dal GAW in Italia segnaliamo quelli alla Casa delle Culture di Mediterranean Hope a Scicli, che potete ritrovare anche in questo articolo di Radio Beckwith.
Papel fundamental de Giordano Bruno no Renascimento do século XV, um cientista muito à frente de seu tempo, adiantando conceitos consagrados hoje como o Heliocentrismo, a infinitude do Universo e até planetas desconhecidos. Um mártir da Ciência, comprometido com a busca da Verdade sobre as conveniências temporais, que o tornaram praticamente incompreensível para a época, mas muito atual para os dias de hoje. Participantes: Uibirá Barreto e Danilo Gomes Trilha Sonora: Wolfgang Amadeus Mozart – Concerto para Trompa e Orquestra No 1, K.412 em Re Maior.
A Kamila Almeida é jornalista e uma das fundadoras da empresa Conta pra mim Filmes. A produtora transforma histórias pessoais e empresariais em documentários. Qualquer história. Porque a Kamila não tem dúvidas: todas as vidas valem um filme, todas as histórias são especiais. Ela é apaixonada por ouvir, é movida por uma curiosidade verdadeira por entender como os outros lidam com seus desafios e conquistas. Ela também faz Doutorado em Ciências Sociais na PUC-RS. Nós trabalhamos no mesmo jornal, em Porto Alegre, por quase 10 anos. Durante a entrevista, conversamos sobre algumas das reportagens mais marcantes que ela produziu enquanto estava lá. Falamos também sobre a transição de carreira, de repórter com carteira assinada para empreendedora. O Paulo, marido da Kamila, também saiu recentemente de uma grande empresa para dedicar-se à Conta pra mim Filmes. Conversamos sobre construção de memória, persistência de repórter, batalhas entre repórteres e editores em uma redação, empatia, a capacidade de escutar a dor do outro, o documentário Infância Falada (sobre violência e infância em áreas de vulnerabilidade do Brasil), a busca por qualidade de vida. Muita coisa. Encontre a Kamila, a Conta pra mim Filmes e o documentário Infância Falada: Site: http://www.contapramimfilmes.com.br/ Facebook Conta pra mim: https://www.facebook.com/contapramimfilmes/ Facebook Infância Falada: https://www.facebook.com/infanciafalada/ Instagram da Kamila: https://www.instagram.com/kkamila_almeida/ E-mail da Kamila: kamila@contapramimfilmes.com.br WhatsApp Conta pra mim Filmes: (51) 92741429 -- Coisas que a gente cria é um podcast de entrevistas criado por mim, Barbara Nickel. Eu sou uma jornalista de Porto Alegre e resolvi entrevistar pessoas que considero inspiradoras. Para saber mais sobre o projeto e conferir links sobre os temas desta entrevista, acesse www.coisasqueagentecria.com Vou adorar receber teu feedback sobre o podcast. Meu e-mail é barbara.nickel@gmail.com. Agora temos página no Facebook: https://www.facebook.com/coisasqueagentecria