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Javier Bardem

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Boa Noite Internet
O Império da IA — com Karen Hao

Boa Noite Internet

Play Episode Listen Later Jul 19, 2026 63:50


O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open'. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de valores, sua língua, e projeta a hegemonia do inglês. Isso influencia boa parte do conhecimento que a gente vai produzir daqui pra frente, porque cientistas e educadores usam essas plataformas e acabam perpetuando essas mesmas ideologias e valores.E o quarto e último paralelo é que impérios sempre se agarram a uma narrativa existencial ou moral sobre por que precisam existir. Essas empresas fazem a mesma coisa. Dizem que são o “império do bem”, numa missão civilizatória de trazer progresso e modernidade pra toda a humanidade, competindo contra um “império do mal” que ameaça mandar a humanidade pro inferno.Quando você conversa com algumas pessoas dentro dessas empresas, ou que as lideram, elas dizem: se você nos deixar construir uma inteligência artificial geral, que elas de alguma forma moldam como um deus, a gente vai acabar numa espécie de utopia, um paraíso onde a mudança climática é resolvida, o câncer é curado, a pobreza é aliviada.Mas, se os caras maus conseguirem isso antes, a gente pode acabar com todos os humanos mortos — um risco de extinção pra todos nós.Cris: E eles vêm dizendo isso há quase dez anos, e ainda usam como ferramenta. A gente está num país que foi influenciado por três impérios ao longo da história: Portugal, Inglaterra e agora os Estados Unidos. Então a gente olha pra essas empresas de um jeito meio cínico: sim, sim, já conhecemos essa história.Mas, ao mesmo tempo, ano passado, o Pew Research Center fez uma pesquisa sobre como o mundo enxerga a IA, e o sul global é bem mais otimista do que o norte. Uma das razões é a ideia de democratizar — não só informação, mas: ah, finalmente eu posso montar uma startup, sair desse lugar de exploração e criar o unicórnio de um bilhão de dólares. Os números são grandes na China. Países em desenvolvimento veem muito mais benefício do que risco na IA.China, 83%. Tailândia, 77%. Holanda, 36%. Canadá, 40%. Será que a gente está deixando passar alguma coisa? A gente está certo? Isso está democratizando mesmo? Até que ponto?Karen Hao: Provavelmente tem duas razões. Uma é que muitos dos danos que a indústria de IA causa à maioria global são bem escondidos. Ela se esforça muito pra esconder como polui o ambiente dessas comunidades, como explora e devasta a mão de obra, deixando traumas psicológicos — como documento no livro.E, recentemente, li um artigo de opinião no New York Times que trazia um bom ponto: muitas economias desenvolvidas estão especialmente atentas ao potencial da IA de desmontar oportunidades de emprego de tempo integral. A gente começa a ver isso cada vez mais. Já na maioria global, muito mais gente vive em economias informais, e aí a ideia de que a IA vai tomar um emprego de tempo integral não pesa tanto.Então os danos mais visíveis — a erosão do emprego formal de tempo integral — pesam mais no norte global, ou pelo menos é lá que as pessoas se sentem mais ansiosas. E os danos invisíveis, que atingem o sul global, ninguém percebe tanto, justamente porque são invisíveis. É meio por isso que tanta gente sente essa divisão que aparece na pesquisa do Pew.Cris: Eu tenho acompanhado as notícias sobre IA no Brasil, e toda semana tem um novo data center sendo construído em alguma cidade. Isso é vendido como uma coisa boa: que ótimo investimento, gera emprego. E me fez pensar de novo — a gente passou por três impérios, mas algumas famílias no Brasil, e aposto que em outros lugares também, estão no poder há 500 anos ao longo da história do país.Então, ao mesmo tempo, a gente pensa: é, estamos sendo explorados, é a mesma coisa. Eu já não tenho emprego, então deixa eu usar essa tecnologia pra melhorar minha vida. Mas as pessoas que realmente tomam as decisões, de novo, nos últimos 500 anos, se perguntaram: como a gente ajuda esse pessoal a explorar nosso país de um jeito que nos mantenha no poder e nos dê muito dinheiro?Mas também foi verdade que, sei lá, a Volkswagen abre uma fábrica no Brasil e aquilo gera emprego, contrata gente pro chão de fábrica e pros escritórios. Como é que isso é diferente com a IA?Karen Hao: De certa forma, não é diferente. Existe um fenômeno parecido: a indústria de IA terceiriza muitos dos trabalhos que ela não quer dentro dos centros de poder, e joga isso pra comunidades empobrecidas, do mesmo jeito que outras multinacionais fizeram por décadas.Mas também é diferente, porque a escala dos impactos trabalhistas e ambientais da IA é completamente outra, muito maior que a da indústria automobilística ou da moda. E a velocidade é outra, porque são tecnologias digitais que atravessam fronteiras muito rápido.E é diferente porque a maioria das pessoas não percebe que a IA, mesmo sendo tecnologia digital, tem uma cadeia de suprimentos muito física e intensiva em mão de obra manual.Quando você compra roupa, café, um carro, é mais óbvio que existem materiais que precisam ser extraídos e depois manuseados por pessoas pra criar aquele produto. Já com a IA, a maioria aceita a narrativa que o Vale do Silício projeta: a de que isso vem da “nuvem”, desses espaços etéreos que parecem nem existir no planeta. E a verdade é exatamente o oposto.Ela depende de uma quantidade extraordinária de extração mineral. Depende da construção de infraestruturas enormes — data centers, instalações de supercomputação espalhadas pelo mundo. E depende de muita, muita mão de obra manual: trabalhadores de dados que limpam, preparam e moderam o conteúdo dos sistemas de IA que chegam até você quando usa o ChatGPT.É isso que a torna tão diferente. E há também uma ideologia completamente diferente sustentando a expansão da IA. Quando você conversa com executivos da moda, eles não vão dizer: se você não comprar nossa roupa, vai pro inferno.Já a indústria de IA diz: se você não nos deixar capturar cada vez mais terra, mais recursos e mais mão de obra pra produzir essas tecnologias, vamos ter uma destruição civilizacional. Isso é, ao mesmo tempo, retórica política usada como arma pra moldar o debate público e a cabeça de quem formula políticas, e também está enraizado num sistema de crenças — algumas pessoas dentro dessas empresas realmente acreditam que, se uma AGI fosse construída, e construída nas mãos erradas, isso levaria mesmo a esse tipo de destruição.E é isso que move a sede cada vez maior da indústria por mais capital, mais recursos e mais terra.Cris: Eu quero falar sobre AGI, mas antes: ano passado, a OpenAI estava sendo processada no Reino Unido por violação de direitos autorais, basicamente todos os livros do mundo digitalizados e usados pra treinar modelos. E um dos executivos disse ao júri: bem, se a gente não puder fazer isso, fecha as portas. Me chocou que muita gente reagiu com um “ah, tá, o que a gente pode fazer? Eles vão fechar as portas”.Em parte porque a gente já está acostumado com essa narrativa. Outro dia, numa conferência, um ex-CEO dizia: a gente teve que usar embalagem de plástico porque é mais barata que papel, senão prejudicaria nosso resultado. E a plateia reagia: ah, então é só fechar as portas — a sociedade não pode arcar com isso.Mas isso também, como você disse, se conecta à ideia de uma grande missão, uma missão de salvar o mundo, que a gente precisa cumprir antes que seja tarde, senão estamos condenados. OpenAI está literalmente no nome — só que em português não é tão direto: é “inteligência artificial aberta”.Foi criada a partir de um sonho, um projeto que era pra ser uma coisa pro bem comum. Em 2019, num tempo bem distante, antes da pandemia, você cobriu a OpenAI, foi até o escritório deles, ficou lá dentro. O que você viu? E, mais importante, como essa missão mudou? O Elon Musk os processou outro dia justamente por mudarem a missão. Isso alguma vez foi verdade? Em algum momento eles pensaram mesmo “ah, a gente vai salvar o mundo”?Como essa narrativa de ser aberta funciona com a OpenAI?Karen Hao: Quando comecei a cobrir a OpenAI, levei a sério o que eles diziam — que tinham sido recrutados com a missão de beneficiar toda a humanidade. E aí, quando me infiltrei na empresa, fui ficando bem mais cética, porque via como eles operavam de um jeito completamente diferente, portas adentro, do que diziam em público.Diziam que iam publicar todas as pesquisas e abrir o código de tudo, e na prática eram uma das organizações mais secretas que já cobri. Eram muitas discrepâncias, e, na época, presumi que tinha havido algum tipo de corrupção que os levou a abandonar a missão original. Depois de cobrir a empresa por mais alguns anos e de trabalhar neste livro, mudei de ideia até sobre a missão original.Não acho mais que ela era um esforço sincero e generoso de beneficiar a humanidade. A missão foi criada pra dar à empresa — na época, uma organização sem fins lucrativos — uma margem de manobra extraordinária pra depois levantar muito capital, acumular muito talento e perseguir a força motriz de verdade por trás de tudo aquilo: se tornar a força dominante no desenvolvimento de IA.E penso assim agora porque, quando você olha pras narrativas de cada nova empresa de IA no começo — a Anthropic, a xAI, a Safe Superintelligence do Ilya Sutskever, a Thinking Machines Lab da Mira Murati —, todas usam a mesma narrativa da OpenAI: nós somos os mocinhos, eles são os bandidos.É por isso que precisamos criar uma nova empresa que avance a IA do nosso jeito, não do deles. E você começa a perceber, por esse padrão, que eles repetem a mesma coisa em parte porque acreditam nela até certo ponto, mas também porque ela funciona muito bem com a imprensa, com o público, com quem formula políticas.No livro, eu reproduzo os e-mails internos que Elon Musk, Sam Altman e Greg Brockman trocavam nos primeiros dias da OpenAI. Eles tinham plena consciência de que estavam criando uma missão que soasse bem para o público. E o propósito de verdade, que também deixaram registrado nesses e-mails, era vencer o Google. Viam o Google como a força dominante em IA e queriam ser eles essa força.Não gostavam de ver o Google na frente, então inventaram justificativas: o Google é uma empresa com fins lucrativos, então nós vamos ser sem fins lucrativos. Mas, no fundo, acho que era puro ego: tem que ser a gente, não eles, a gente quer ser quem lidera isso.E aí passaram um tempão moldando essa missão pública, que acabou sendo super útil pra recrutar o primeiro grupo de pesquisadores e turbinar o avanço deles.Cris: Então agora é um bom momento pra falar de AGI, a inteligência artificial geral. Muita gente pergunta: o que é AGI? O que “geral” quer dizer? E a impressão que peguei lendo seu livro é que, por design, isso nunca fica claro de verdade, porque é um alvo móvel. Essas empresas um dia vão dizer “chegamos, alcançamos a AGI”? Ou o plano é sempre “não, não, ainda não chegamos, me dá mais dinheiro, me dá mais poder”?Qual é o papel da AGI na narrativa dessas empresas?Karen Hao: Já que a gente está falando de ficção científica, eu costumo usar a analogia de que o mundo da IA é meio como Duna. Em Duna, o personagem principal, Paul Atreides, entende, ao chegar no planeta Arrakis, que o povo de lá foi semeado com um mito: o de que um dia viria um Messias pra libertá-los. Ele sabe que é um mito, mas decide entrar nele e agir como se fosse o Messias pra controlar melhor aquele povo.E, vivendo, respirando e encarnando esse mito dia após dia, ele começa a perder a noção de que é um mito. Passa a se perguntar se o mito era mesmo verdadeiro ou se foi ele quem o tornou verdadeiro. É essa confusão entre mito e realidade — ele vive num espaço intermediário, sem ter mais certeza do que é verdade e do que é ficção.E trago isso pra responder sobre a AGI porque a AGI é, ao mesmo tempo, um mito e algo que os líderes e os trabalhadores dessas empresas vivem, respiram e encarnam dia após dia, a ponto de perderem a noção do que é mito e do que é realidade. É a ideia de um sistema de IA teórico que um dia igualaria as capacidades humanas. Só que a gente nem tem consenso científico sobre o que é inteligência humana.Por isso, de certa forma, por design, é um termo bem maleável, que deixa essas empresas fazerem o que quiserem. Elas definem e redefinem a AGI conforme a necessidade, movem a trave pra onde quiserem. E, ao mesmo tempo, isso é sustentado por uma crença genuína de certas pessoas lá dentro, por causa dessa confusão entre mito e realidade. Pelas minhas contas, a OpenAI já usou pelo menos quatro definições diferentes de AGI.A primeira está no site deles: “sistemas altamente autônomos que superam humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”. É uma definição de automação do trabalho — eles dizem, de forma explícita, que estão atrás dos empregos mais bem pagos. A segunda apareceu no contrato com a Microsoft, por um tempo a maior investidora deles: ali, a AGI virou um sistema que geraria 100 bilhões de dólares em receita.Ou seja, uma definição feita pra incentivar a Microsoft a investir. Já o Sam Altman disse ao Congresso que AGI é um sistema que cura o câncer e resolve a mudança climática — uma definição de benefício social, muito útil quando você quer que os reguladores não te regulem.E, por fim, quando falam com o consumidor, dizem que vai ser o melhor assistente digital que você já teve — porque, claro, estão tentando vender o produto.E aí você percebe duas coisas. Primeiro, que é um conjunto de definições completamente incoerente. Segundo, que eles trocam de definição conforme o público que querem convencer. Mas também tem gente nessas empresas que acredita de verdade que está construindo uma tecnologia capaz de dar conta das quatro coisas.Então é uma realidade bem confusa e complicada: o que a AGI de fato é, e pra que ela serve, para essas empresas, para a agenda delas e também para as crenças delas.Cris: Como ex-funcionário da Meta — entrei em 2013 —, a missão era unir o mundo e torná-lo mais aberto e conectado. É uma missão incrível. E tem uma coisa que eu sempre digo, porque muito amigo meu vem falar comigo, “ah, esse cara da OpenAI, ou a própria Meta, são maus”. Eu conheci muita gente na empresa. Nunca conheci uma pessoa mal-intencionada.Todo mundo, independente da missão, era gente boa tentando entregar o melhor produto possível, pra dar poder a quem tem um pequeno negócio, por exemplo. Tenho amigos pessoais que construíram a empresa deles em cima da publicidade do Facebook e do Instagram. E esse é justamente o problema, porque ainda assim é uma corporação muito má, pelo que ela causa ao mundo pra bater as metas de negócio.Ou seja, você não precisa de um vilão tipo Lex Luthor pra causar um estrago desse tamanho no mundo. E adorei a referência a Duna. Duna é engraçado: é o livro que eu mais reli na vida que não foi escrito pelo Tolkien. Li o primeiro Duna umas três vezes, e toda vez é como se fosse um livro diferente. Na primeira, eu era adolescente, e era só o Paul Atreides, o cara durão.Na segunda, eu morava no Canadá e li com olhos de estrangeiro, pensando em colonização. E na terceira vez foi quando os filmes do Denis Villeneuve saíram, e aí era: ah, o Bene Gesserit criou esse mito, isso é meio pós-moderno. Narrativamente, fico me perguntando o que vai significar pra mim se eu ler uma quarta vez.Karen Hao: Eu ia te perguntar isso. Quando você disse que cresceu numa época cheia de ficção científica falando das maravilhas da tecnologia, fiquei curiosa: que histórias você estava lendo? Porque muita coisa que saiu nos anos 70 e 80 dizia exatamente o oposto. E muita gente já apontou que os executivos de tecnologia de hoje, que vivem citando essas histórias, interpretam elas justamente ao contrário da intenção original.Cris: Concordo plenamente. Mas, respondendo: foi basicamente Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. E é por isso mesmo — os executivos de tecnologia, e o Elon Musk mais que todos, leem esses livros como receita, não como aviso. O livro de que eu mais me lembro, nem lembro o título, era um do Asimov em que ele descreve o elevador espacial que aparece na série da Apple TV, Fundação.E o enredo é: eu sou esse engenheiro brilhante, quero construir essa coisa no Sri Lanka, mas o governo trava tudo com regulação — eu sou um gênio e a regulação é a vilã. Hoje eu leio e penso: ah, sei. Mas, quando garoto, era só “olha, um elevador espacial, que genial, a gente nem precisa de foguete”. E aí você começa a entender. E aí eu parei de ler esses caras.E passei a ler gente com uma visão completamente diferente: o Ted Chiang, que entrevistei ano passado, a N.K. Jemisin, o Cory Doctorow, de quem sou muito fã. E talvez eles sejam mais explícitos, pra gente burra como eu entender: “não, bobo, a analogia é essa”. Mas Duna era incrível — vermes gigantes de areia, o tal garoto durão, e aquela coisa do “eu não aceito o meu destino”.Tenho esse grande destino, mas não quero ele. Do resto da série eu já não gosto tanto. Mas o mais importante de tudo: Duna gerou o melhor GIF de filme de todos os tempos, o “Lisan al Gaib” do Javier Bardem — que eu devia ter colocado durante a sua explicação, aquele “uau, ele está cumprindo a profecia, agindo como o profeta”.Mas, de novo, falando de vilões: você mencionou que essas empresas se colocam como o bem contra o mal, feito impérios antigos. Só que elas também jogam a carta da China, né? “Se a gente não fizer, a Rússia faz primeiro.” Só que a Rússia começou uma guerra e está ocupada demais. “Mas a China chega lá, e é por isso que a gente tem que ser fechado.” É por isso que Mythos e Fable e agora o GPT-5.6 foram proibidos pelo governo. Isso tem fundamento?Quero saber se é possível a China competir — quero mesmo essa resposta — mas também porque, desde toda essa conversa do Fable-Mythos, países como Índia e Brasil vêm dizendo que precisam de um modelo soberano. Dá pra fazer, ou a OpenAI, a Anthropic e o Google estão tão à frente que já não dá?Karen Hao: Sobre a China: você está certíssimo, o Vale do Silício usou por anos a carta do “e a China?” pra escapar de qualquer responsabilização de verdade. Fizeram muito isso na era das redes sociais.A Meta fez muito isso, com o Mark Zuckerberg dizendo ao governo dos EUA: vocês não podem nos regular, senão a gente perde. Mas, se a gente ganhar, vai ter um efeito liberalizante no mundo e nas democracias em todo lugar. E, infelizmente, o que a gente viu foi que jogar essa carta repetidamente produziu exatamente o efeito contrário do que o Vale do Silício prometeu.Uma das empresas de rede social dominantes dessa era é a ByteDance. Ou seja, mesmo sem regulação das redes sociais nos EUA, existe uma empresa chinesa de rede social bem dominante. E as redes sociais estadunidenses acabaram tendo um efeito antiliberal no mundo — é bastante consensual que enfraqueceram democracias em todo lugar. E aí, na era da IA, elas seguiram jogando a mesma carta.Mas o que eu sempre aponto é que a gente definitivamente não devia acreditar nelas. Já existe evidência significativa de que tudo o que elas dizem está, de novo, se provando o oposto. Elas disseram: não regulem a gente como empresas de IA, regulem a China, via controles de exportação — um mecanismo do governo dos EUA com alcance extraterritorial.Só que as empresas chinesas agora estão produzindo modelos de IA de código aberto extremamente eficientes, que viraram super populares no próprio Vale do Silício. Existe um monte de startup de lá que prefere usar modelo chinês a OpenAI, Anthropic ou Google.Então, nesse sentido, é um conjunto de evidências bem decisivo, acho, pra mostrar que a gente devia simplesmente responsabilizar essas empresas, não importa o que digam sobre “ah, vamos perder pra China”. No fim das contas, é só retórica política. Não é um argumento real que elas consigam sustentar pra escapar da responsabilização.Responsabilizá-las vai fortalecer a democracia pelo mundo, vai trazer mais direitos humanos, trabalhistas e de privacidade de dados pras pessoas — é sempre o contrário do que elas dizem que aconteceria. E, sobre a sua pergunta em torno da IA soberana: acho a ideia realmente importante, mas acho também que muitos países estão meio confusos sobre o que querem dizer com isso.Muitos governos, hoje, pensam a IA soberana pela pergunta: a gente consegue construir o nosso próprio ChatGPT? O nosso próprio grande modelo de linguagem, o nosso sistema de IA generativa? Estão olhando só pro modelo que o Vale do Silício já definiu e tentando descobrir como recriar aquilo.E o que eu digo pra quem formula políticas é: defina pra que a IA serve no seu país, no seu contexto. Quais são, no fim das contas, os objetivos do seu país? Os objetivos do seu povo? E também os nossos objetivos coletivos, entre países?Porque a gente tem, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Já definimos coletivamente que há coisas que precisamos resolver juntos: superar a crise climática, reduzir a pobreza, melhorar a educação.E, enquanto o Vale do Silício adora dizer que está fazendo tudo isso, na prática não está. Mas a gente poderia — poderia desenvolver, de forma colaborativa, sistemas de IA que realmente avançassem em cada um desses objetivos coletivos que já acordamos.E cada país também devia fazer o exercício: quais objetivos você quer alcançar, e que tipos de sistema de IA você poderia desenhar pra chegar lá — sistemas que talvez não se pareçam em nada com um grande modelo de linguagem. Se os países fizessem isso, acho que descobririam que a maioria dos sistemas de que precisam exigiria muito menos recursos.Ou seja, contextos como o Brasil, a Índia e outros, quando não precisam competir construindo essas infraestruturas de computação gigantescas e gastando centenas de bilhões de dólares, na verdade já têm, localmente, todos os recursos necessários pra desenvolver um sistema de IA soberano.Cris: Quando ouvi falar do seu livro pela primeira vez, uma amiga me disse que você não poupa ninguém — fala mal do Sam Altman, mas também do Dario Amodei. E as pessoas costumam escolher um lado. Eu sou time Claude, odeio o ChatGPT, essas coisas. Então cheguei no livro pensando: ah, é mais um livro dizendo que a IA é terrível, que a gente não devia usar IA.Mas, conforme fui lendo, e ouvindo outras entrevistas suas, me pareceu que o seu problema é justamente o que você acabou de descrever: a forma como essa tecnologia é feita. E, em especial, a palavra escala — a ideia de que a solução é a escala. O que você quer dizer com isso?Karen Hao: Eu costumo usar a analogia de que “IA” é como a palavra “transporte”: na verdade se refere a uma coleção de tecnologias que vão da bicicleta ao foguete. São tipos bem, bem diferentes de tecnologia, que exigem insumos diferentes pra se desenvolver e depois têm impactos diferentes na sociedade.E você está certo: sou especificamente crítica ao que chamo de “foguetes da IA”, os sistemas que os impérios da IA estão desenvolvendo, aqueles que exigem uma quantidade enorme de exploração de mão de obra e extração ambiental.E sou bem otimista com o que chamo de “bicicletas da IA”: sistemas especializados, eficientes, com bom custo-benefício, governáveis pelas pessoas, cujo desenvolvimento pode ser participativo. Países como o Brasil, o Chile, a Índia, qualquer contexto, têm recursos pra desenvolver e se autodefinir, em vez de simplesmente herdar um sistema criado pelos dois únicos centros do mundo capazes de gastar uma quantidade extraordinária de capital: o Vale do Silício e o ecossistema tecnológico chinês.E o motivo pelo qual eu acho tão corrosivo o que os impérios da IA estão desenvolvendo é exatamente o que você disse: a forma como eles fazem isso, por um mecanismo de força bruta pra avançar as capacidades da IA em escala. Eles vão simplesmente empurrando cada vez mais dados de treinamento nesses modelos, e isso exige corroer a privacidade das pessoas, tomar a propriedade intelectual delas e, ainda por cima, baixa a qualidade dos dados que entram nos modelos — o que leva aos danos de exploração de mão de obra, porque aí você tem que dar conta da moderação de conteúdo.E aí você tem pessoas psicologicamente traumatizadas por serem expostas a todo aquele conteúdo horrível que se tenta “lavar” através desses modelos.E aí vem o problema dessas infraestruturas de computação enormes, com impactos ambientais que aumentam a conta de luz das comunidades que as hospedam e agravam a crise de custo de vida. Elas precisam ser alimentadas por fontes fósseis, que jogam mais carbono na atmosfera e mais poluição no ar dessas comunidades.Então todos os problemas que eu identifico, no que têm de corrosivo, derivam inteiramente da abordagem deles pro desenvolvimento de IA. Por que não descartar a abordagem, em vez de descartar a tecnologia? Redefinir e redesenhar de que tipos de sistema de IA a gente precisa de verdade, com uma cadeia de suprimentos fundamentalmente diferente. E isso não é exclusivo da IA.A gente já viu muitas outras indústrias que começaram com uma cadeia de suprimentos bem ruim. A moda, por exemplo: muita degradação ambiental, muita exploração de mão de obra.Com muita organização, protesto, ação de consumidores, regulação governamental e cooperação entre governos, a gente conseguiu criar mercados novos pra moda sustentável e ética, cadeias de suprimentos novas e inovações pra fazer roupa mais saudável pras pessoas e pro planeta.E é basicamente isso que eu defendo: transformar a indústria de IA do mesmo jeito que transformamos a moda, e as cadeias de suprimento de alimentos. Assim a gente fica com os benefícios da tecnologia, ajuda ela a avançar os objetivos que importam pra gente, sem jogar uma fração enorme da população mundial numa condição atrasada e numa qualidade de vida pior.Cris: O Brasil está agora, no Congresso, discutindo a escala de seis dias por semana. A regra atual é: você trabalha seis dias e descansa um. E muitas empresas, o comércio principalmente, dizem “vamos fechar as portas”, e os trabalhadores respondem “isso é problema seu, não meu”. É mais ou menos a mesma narrativa dessas empresas de IA: se eu não usar a sua água, a Idade das Trevas está chegando.Falando em Idade das Trevas, e falando em bicicleta: a sua analogia me lembrou uma coisa. Eu gosto de jogo de zumbi, de mundo aberto, e em nenhum deles tem bicicleta. Num desses jogos, instalei um plugin que deixava andar de bicicleta — você acha uma e sai pedalando. E aí entendi por que não tem bicicleta: desbalanceia tudo. Parte da graça do jogo é você precisar achar um carro, e daí pneu, gasolina, comida pra carregar. De bicicleta, você vai a qualquer lugar.E eu pensei: ah, é. Meio que estraguei o jogo pra mim, porque agora tenho uma bicicleta, é incrível. Enfim, em termos práticos: no fim do ano passado, uns meses atrás, a revista Wired publicou um artigo pedindo pra jornalistas de tecnologia contarem como usam IA no trabalho. E cada um usava de um jeito. Você usa IA no seu trabalho? Como?Karen Hao: Eu não uso nenhum sistema de IA generativa no trabalho — nem ChatGPT, nem Gemini, nem Claude. Por três motivos. O primeiro é uma postura ética, depois de tanto investigar essas empresas. O segundo é privacidade de dados: eu investigo essas empresas.Não quero que elas conheçam todo o meu raciocínio enquanto eu apuro o livro, literalmente investigando elas. E o terceiro é que, no meu caso específico, a força do meu trabalho está na capacidade de construir relações fortes com as fontes, pela empatia, e de contar histórias envolventes, pela narrativa. E os grandes modelos de linguagem simplesmente não são a ferramenta certa pra nenhuma das duas coisas.Não vão melhorar a minha empatia nem a minha escrita. Então eu não perco nada com essa postura ética: simplesmente corto essas ferramentas e sigo fazendo o meu trabalho muito bem. Pra outros jornalistas pode ser diferente, e pra quem está em outras áreas o cálculo pode ser outro.Mas eu incentivo as pessoas a pensarem primeiro: quais são as suas forças no trabalho? Quais são os seus objetivos? E aí ir de trás pra frente pra descobrir se a IA é a ferramenta certa, qual tipo de IA é a ferramenta certa, e qual fornecedor você quer de fato usar, apoiar, votar com os pés. Agora, eu uso, sim, IA preditiva.Aquelas ferramentas de IA especializadas, as “bicicletas da IA”, digamos. No livro, tinha um detalhe que eu queria muito ilustrar: como a OpenAI deu um salto quando passou de organização sem fins lucrativos a um empreendimento bancado pela Microsoft. Percebi que as cadeiras do escritório ficaram bem mais caras. Então fotografei as cadeiras de um escritório e as do outro.E joguei tudo na busca reversa de imagens do Google, que é um sistema de IA especializado — não é baseado em grandes modelos de linguagem, não é IA generativa. Assim descobri quanto essas cadeiras costumam custar. No primeiro escritório, cerca de 2 mil dólares por cadeira. No segundo, eram cadeiras de um designer brasileiro famoso, uns 10 mil dólares cada.Coloquei esse detalhe no livro pra ilustrar o tipo de riqueza e de concentração de recursos de que a gente está falando. Esses são alguns dos jeitos como eu uso IA, ainda que de forma bem limitada, sempre pontual, quando acho que vai ajudar. E, claro, uso ferramentas de transcrição por IA — outra IA especializada — em todas as minhas entrevistas.Cris: Essa foi uma das partes em que a minha cabeça explodiu, eu nunca tinha percebido: a OpenAI criou o Whisper. Deixa eu dizer de outro jeito, do meu ponto de vista. A OpenAI liberou abertamente essa ferramenta incrível de transcrição, o Whisper, em que eu jogo o áudio e ela me devolve as palavras que as pessoas disseram. E eu pensei: ah, que generoso da parte deles.Mas o motivo real de terem criado a ferramenta foi pegar todos os vídeos do YouTube, transcrever e alimentar a máquina. E aí é: ah, claro. Enfim, falando de ferramentas e de otimismo — a gente está chegando ao fim da conversa. Eu tenho uma regra desde o episódio dois deste programa, há oito anos: de novo, como eu disse do seu livro, não pode ser só uma lista de reclamações e coisa ruim. E a gente tem se saído bem até aqui.Você falou de caminhos e de bicicletas, mas eu quero ser mais específico. Se isso aqui fosse uma reunião de negócios: qual é o plano de ação, quais são os próximos passos? Só que uma das coisas que eu repito bastante, na vida e neste programa, é que problema sistêmico não se resolve com ação individual. Se eu tomar banhos mais curtos, isso nunca vai salvar o planeta do aquecimento global.E muitos amigos meus simplesmente: não quero falar de IA, não quero usar IA. Voltando aos videogames: leram que tal jogo usa IA e pronto, não vão jogar. E a minha primeira pergunta pra você é: como a gente ocupa esses espaços da IA generativa — ChatGPT, Gemini e por aí vai? Porque o que a gente viu com as redes sociais foi: ah, o Facebook é do mal, vou sair do Facebook. Ah, vou sair do Twitter.E, na esperança de quê, sei lá, talvez alguém diga: ah, sinto falta do Cris, cadê ele? Ah, está no Bluesky. Mas isso deixa o espaço aberto pra os radicais entrarem e postarem o que quiserem, sem ninguém contrapor ou tornar aquilo um lugar melhor. Então como a gente ocupa o espaço da IA — seja qual for a definição de “espaço da IA” que você preferir — com todos esses problemas que a gente vem discutindo?Karen Hao: Acho que tem duas categorias de ação pra gente pensar. Uma é desmantelar o império. A outra é investir e construir novos tipos de sistema de IA, que se tornem alternativas às tecnologias do império. Quando eu digo desmantelar o império, não estou dizendo que quero que a OpenAI, o Google, a Anthropic, seja quem for, simplesmente deixem de existir.É que eu não quero que elas sejam imperiais. Não quero que fiquem extraindo uma quantidade extraordinária de valor sem redistribuir nada em troca. Se elas voltassem a ser negócios que praticam uma troca justa de valor com o mundo, eu ficaria perfeitamente feliz com qualquer tecnologia que estivessem desenvolvendo.E a forma de desmantelar o império, acho, se resume a muita organização de base, que vai pressionar os governos a regular e responsabilizar essa indústria. No último ano, a gente viu uma quantidade incrível dessa organização de base florescendo pelo mundo.Recentemente, lancei com um grupo de jornalistas, pesquisadores de IA e acadêmicos críticos um projeto chamado AI Resist List, que busca documentar parte dessa organização de base pelo mundo. A gente encontrou cerca de 30 exemplos, de todas as regiões, de ações individuais, institucionais e movidas pela comunidade.Tinha ação artística, ação política. E isso mostra bem o seu ponto: não dá pra contar só com a ação individual, mas o indivíduo pode, sim, ter impacto. Até uma ação pequena pode gerar um grande efeito cascata. Claro que se juntar com os vizinhos pra protestar contra o data center é ainda mais eficaz. Se juntar dentro da sua escola ou universidade pra protestar contra a parceria dela com uma empresa de IA também é mais eficaz.Se juntar com os colegas de trabalho de um setor pra barrar a adoção de uma IA que corrói os direitos trabalhistas é mais um jeito eficaz. A gente tem um monte desses exemplos. Um dos meus favoritos é o de uma comunidade sobre a qual escrevi no livro, Quilicura, no Chile, na periferia de Santiago. É uma comunidade da classe trabalhadora, bem pobre, que vem sendo alvo incessante da expansão de data centers.E por isso protestaram de forma bem aguerrida contra essa expansão, porque não acharam bom negócio hospedar essas instalações sem tirar nenhum benefício, enquanto elas consomem uma parte significativa dos recursos naturais da região.E, logo depois que escrevi sobre eles, foram além na resistência e criaram uma plataforma chamada Quili.ai. É um site em que você entra e que parece um chatbot, parece o ChatGPT: tem uma interface de chat pra você digitar. Só que, quando você faz uma pergunta, em vez de um modelo de IA responder, a mensagem é encaminhada pra alguém que mora em Quilicura, no Chile. Aí, se você pede “quero a imagem de um cachorro”, aquilo vai pro artista local deles, o Benji. Ele pega um pedaço de papel, desenha um cachorro, tira uma foto e te manda de volta.Eles fizeram isso essencialmente como um projeto de arte performática, pra fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de usar IA generativa pra bobagem. A mensagem era: ei, quando você fica brincando com essas ferramentas em pedido besta, isso afeta comunidades como a nossa, drena os recursos de que a gente precisa pra viver bem.E também queriam levar as pessoas a pensar: por que não perguntar pra alguém da sua própria comunidade aquela receita que você procurava, ou pedir aquela imagem? Porque aí você reconstrói as conexões que estão tão em falta na sociedade — a falta delas é o que nos deixa mais vulneráveis a esse tipo de colonização do império.Eles deixaram o projeto aberto por 24 horas, e qualquer pessoa no mundo podia mandar um pedido. Receberam uma quantidade extraordinária deles. Viralizou de vez. E essa cidadezinha conseguiu uma virada enorme de narrativa sobre a suposta inevitabilidade e necessidade dessa tecnologia, sobre tudo o que o Vale do Silício diz — que, se você não usar, vai ficar pra trás de quem usa.E esse é só um exemplo, entre muitos, de como pessoas comuns, não importa a sua posição na sociedade, podem ter impacto real no debate, na consciência pública e até na regulação. A gente está vendo isso agora com os protestos contra data centers. Nos EUA, em 2025, cerca de 150 bilhões de dólares em projetos de data center foram travados.Isso virou uma das questões políticas mais quentes nos EUA para as próximas eleições de meio de mandato. Tem gente eleita sendo literalmente tirada do cargo por ter aprovado data centers, contrariando a vontade do povo. E isso já está tendo efeito real sobre as empresas e sobre a trajetória do desenvolvimento de IA.A OpenAI teve que encerrar recentemente a sua ferramenta de geração de vídeo, o Sora. Quando lançaram, apresentaram como o segundo produto mais importante desde o ChatGPT. O que aconteceu entre o lançamento e o fim? Uma reportagem do Wall Street Journal apontou três motivos, todos moldados por ação de base. Um: um gargalo enorme de capacidade de computação.Muitos dos data centers travados ou parados eram da OpenAI. Dois: um cenário financeiro bem mais incerto. A OpenAI está se preparando pro IPO, o que significa ficar mais exposta a Wall Street — e Wall Street está cada vez mais nervoso com a capacidade dessas empresas de cumprir o que prometem.E aí a OpenAI teve que reforçar alguns projetos paralelos pra fazer o balanço parecer um pouco melhor aos olhos de Wall Street. E, terceiro: os consumidores simplesmente não estavam usando o produto — o que também é ação coletiva de consumidores. Então, por todo esse tipo de resistência, de várias formas, de baixo pra cima, as pessoas estão de fato tendo impacto real na indústria e responsabilizando ela.Essa é a primeira categoria de ação. A segunda é: ok, que tecnologias de IA a gente usaria como alternativa? E aí a gente precisa investir mais nelas. Muitas vezes, quando converso sobre o livro, a pessoa diz: ok, me convenci de que não quero usar ChatGPT, não quero usar Claude — mas então uso o quê no lugar?E o problema é que eu não tenho muitas respostas pra essa lista de alternativas. Tem umas poucas aqui e ali, uma plataforma, uma empresa.Cris: Dá pra rodar o modelo no seu próprio computador, como o Cory Doctorow faz, mas aí é limitado e…Karen Hao: Exatamente, exige mais habilidade técnica. Mas, pra quem consegue instalar modelos de código aberto no próprio computador, eu incentivo 100%. Só que a gente também precisa de mais gente desenvolvendo interfaces bem fáceis pra esses modelos de código aberto, pra que qualquer pessoa consiga usar.A gente também precisa de mais gente desenvolvendo “bicicletas da IA”, de investidores e governos investindo mais nesse tipo de solução, e de talento — pesquisadores de IA, desenvolvedores e outras pessoas dispostas a sacrificar um pouco e abrir mão dos pacotes de remuneração enormes.Cris: Eu estava começando a achar que agora as empresas precisam ter menos lucro — e isso nunca vai acontecer.Karen Hao: Não, não é a empresa ter menos lucro. É o trabalhador topar abrir mão do pacote de milhões de dólares pra levar o talento dele pra outro lugar. Mais fácil, bem mais fácil. Eu converso com muito pesquisador de IA cansado da abordagem da indústria, porque ela é completamente sem criatividade intelectual.Eu conversei com pesquisadores que não passaram seis anos num doutorado em IA só pra ficar empurrando mais dados na máquina — pra eles, é o trabalho mais chato do mundo. E depois automatizar a programação, que era justamente o que eles gostavam de fazer. Converso com tanta gente que já não acha graça nenhuma nisso. Estão meio presos por “algemas de ouro”.E estão tentando descobrir, dentro de si, que carreira alternativa poderiam ter. Eu costumo incentivar esses pesquisadores a gastar o talento deles construindo um tipo diferente de empresa, que trabalhe com “bicicletas da IA”. E a gente já começa a ver cada vez mais desse talento indo por aí.E a gente precisa que todas as facetas da sociedade invistam num ecossistema muito mais robusto e rico de tecnologias de IA, capaz de substituir as que hoje dominam. Eu ainda tenho as cicatrizes das minhas próprias “algemas de ouro”, mas concordo plenamente.Cris: E as redes sociais são o exemplo — veja o que aconteceu com elas. Tem aquela frase famosa: as mentes mais brilhantes da minha geração passam o tempo fazendo as pessoas clicarem em anúncios. E ainda dizem: ah, isso pode ser o futuro. Pois é.Você contou a história do Quili.ai e isso me lembrou um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil, o Cid Não Salvo. Uns 10, 15 anos atrás, ele tuitou o seguinte: “Gente, eu disse pro meu pai que, sempre que ele precisar pesquisar alguma coisa na internet, é pra ir no Twitter.com e digitar a pergunta na caixa”. E olha que ele tinha milhões de seguidores.E, por uns bons dias, quase um mês, você entrava no Twitter do pai dele e via perguntas tipo “onde eu compro pizza?”. Era engraçadíssimo. No fim, ele contou pro pai — ou talvez não. Mas eu adoro essa ideia. Antes de a gente terminar: você já deve ter respondido isso mil vezes, mas vai continuar cobrindo IA? O que está na sua cabeça, o que vem por aí? Turnê mundial? O que vem pela frente?Karen Hao: Com certeza estou pensando em como continuar responsabilizando essas empresas. Estou envolvida em várias colaborações, com gente incrível, em diferentes projetos ligados a isso. O AI Resist List foi um deles. Também co-criei um programa chamado AI Spotlight Series, com o Pulitzer Center, uma organização jornalística sem fins lucrativos que financia jornalismo investigativo pelo mundo.É um programa que treina jornalistas do mundo inteiro a cobrir IA por uma lente de responsabilização. Até agora, já treinamos mais de 3 mil. E eu sigo pensando em como construir mais capacidade dentro do jornalismo, da sociedade civil, de outros contextos, pra mobilizar ainda mais essa organização de base — pra conter de verdade os impérios da IA e ajudar a desmantelá-los.Cris: Adorei o seu exemplo da moda. É possível, já foi feito. Ou até a indústria automotiva. Ou o grande exemplo que a gente não mencionou, e que o pessoal da OpenAI vive citando: o Projeto Manhattan, a energia nuclear.O mundo não acabou. Quando eu era criança lendo Asimov, achava que ia tudo acabar num fogo nuclear. Enfim — alguma última palavra, alguma mensagem, algum palpite pros jogos do Brasil na Copa, alguma coisa que você queira dizer antes da gente encerrar?Karen Hao: No fim das contas, o que eu espero que fique desta conversa e do livro é o seguinte: neste momento, o Vale do Silício está concebendo a IA como um projeto político. E a característica central desse projeto é tirar a autonomia de todo mundo — a autonomia de moldar de verdade o próprio futuro e o nosso futuro coletivo. Mas, no instante em que você reconhece que já tem uma autonomia significativa pra resistir, o império começa a desmoronar.Então espero que as pessoas encontrem a própria voz, a afirmem, conquistem o seu lugar à mesa e se conectem com os vizinhos, com a comunidade, com os colegas de trabalho, pra criar mais movimentos juntos.Cris: Que ótimo. Karen Hao, o seu livro é O Império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total. Obrigado por vir ao Brasil conversar com a gente. Foi um prazer.Karen Hao: Muito obrigada.Uma das primeiras perguntas que anotei quando comecei a pensar nessa conversa foi justamente a do final, a da ocupação de espaços. Porque, como eu disse, quando as redes sociais chegaram para ficar, muita gente falou “ah, não vou usar, é do mal” — e aí as pessoas ruins, vamos chamar assim, acabam ocupando esse espaço e falando o que bem entendem. A gente precisa aprender essa lição agora, no mundo da IA.Fora que vejo muita gente falando de IA sem nunca ter usado — ou que usou, sei lá, dois anos atrás, acha que continua tudo igual e já diz que não quer chegar perto.E por quê? Porque essa abordagem de ocupar espaços é o que eu e a Ana Freitas buscamos fazer no IA em Curso, nossa comunidade de letramento contínuo em IA. Foi, aliás, uma conversa que tive com a Karen antes da entrevista: ao mesmo tempo que a gente fala do impacto da IA no mundo, também precisa focar no que é prático, no que dá para fazer hoje com IA, sem vender sonho nem desastre. A analogia que usei foi a de que é que nem quando a gente fazia curso de Word e Excel — é o que eu faço agora que vai facilitar minha vida, me fazer ganhar tempo, botar a IA para me ajudar. Quem viu minha conversa com a Ana aqui no Boa Noite Internet, no fim de 2025, sabe do que estou falando. Se não viu, volta lá e confere.Desde que a gente lançou este episódio, o IA em Curso já passou de 400 pessoas. Tem muita gente colocando projetos pessoais incríveis na rua, tirando do papel aquela ideia que rondava a cabeça há um tempão. E a comunidade tem mentoria ao vivo, aula gravada, newsletter, banco de agentes, grupo de Telegram… que mais? O que não falta é jeito de passar para você o conhecimento sobre IA de que você precisa hoje, agora. Quero te dar a bússola para navegar nesse universo.Se esse é o tipo de abordagem que você quer ter com a IA, passa lá no iaemcurso.com.br e usa o cupom BNI2026 para ganhar 20% de desconto no plano anual. Mas corre, porque daqui a duas semanas vou apagar esse cupom — não é todo dia que a gente dá um desconto desses.É isso. Boa Noite Internet, temporada 2026 começando — como todo ano, com mudança, ideia, projeto. Ou, como diz minha citação preferida de todos os tempos: “vivemos uma fase de transição, como sempre”. Espero ver você por aqui e lá no IA em Curso.Obrigado pelo seu tempo e pela sua atenção. Até o próximo episódio. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

QueIssoAssim
Reflix 177 – Cabo do Medo – S01E05

QueIssoAssim

Play Episode Listen Later Jul 4, 2026 15:52


O Reflix acompanha mais um capítulo da nova adaptação de Cabo do Medo, produzida pela Apple TV+. No episódio 177, debatemos os acontecimentos do quinto episódio, que marca um novo avanço na escalada de tensão envolvendo Max Cady e a família Bowden. À medida que a trama evolui, alianças são colocadas à prova, segredos ganham novas camadas e as consequências das escolhas dos personagens se tornam cada vez mais difíceis de ignorar. Durante o programa, analisamos os principais acontecimentos do episódio, a evolução dos personagens, o trabalho de Javier Bardem, Amy Adams e Patrick Wilson, além das decisões de roteiro que ajudam a construir o clima constante de suspense psicológico. Também discutimos como a série administra seu ritmo, quais elementos diferenciam esta adaptação das versões anteriores e o que esperar dos próximos episódios. Se você está acompanhando Cabo do Medo, este episódio do Reflix reúne tudo o que você precisa para aprofundar a discussão sobre a série.

Reflix
Reflix 177 – Cabo do Medo – S01E05

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Crónica Rosa
Crónica Rosa: Rosalía y Penélope se vuelcan con la selección, Bardem menos

Crónica Rosa

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 54:32


Federico e Isabel González comentan toda la actualidad del corazón con Beatriz Cortázar, Daniel Carande y Tico Chao.

NO ENCORE
TOP 5 CYBERPUNK MUSIC ft. Brian Lloyd

NO ENCORE

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 122:30


Grab your best leather trenchcoat and modified handgun as we take a trip into the artfully gleaming yet logically miserable world of CYBERPUNK - and, of course, its sonic stylings. And if you fancy donating some of your hard-earned Eurodollars to the NO ENCORE Patreon, we'd encourage you to plug into our bonus episode feed right here. ACT ONE: Dave reports back from Manchester with a review of the hardcore festival that was OUTBREAK 2026 - well, some of it, at least. Sweat, bruises and circle pits, oh my!ACT TWO (46:04): Screenland host and entertainment journalist Brian Lloyd joins the show in time for a largely gig-focused news section that takes in Taylor Swift and Travis Kelce's expensive nuptials, Lily Allen's contentious West End Girl live tour, Harry Styles' unique seven-city jaunt, Noah Kahan's bowel-upsetting pledge, Javier Bardem's sick music taste, and Michael's continued cinematic dominance. ACT THREE (1:25:07): Top 5 Cyberpunk Music. Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

Oscars & Himbeeren - der ntv Filmpodcast
"Heldin": Pflege am Limit

Oscars & Himbeeren - der ntv Filmpodcast

Play Episode Listen Later Jul 3, 2026 39:31


Diese Woche bei Oscars & Himbeeren:Mit “Heldin” steht eines der meistdiskutierten deutschen Krankenhausdramen der vergangenen Monate auf dem Programm. Leonie Benesch spielt eine Pflegefachkraft, die während einer einzigen Schicht an ihre körperlichen und psychischen Grenzen gerät und damit einen schonungslosen Einblick in den Klinikalltag gibt.Außerdem sprechen wir über “Das Meer in mir”, in dem Javier Bardem den querschnittsgelähmten Ramón Sampedro verkörpert. Der vielfach ausgezeichnete Film erzählt dessen jahrelangen Kampf um das Recht auf einen selbstbestimmten Tod und gehört bis heute zu den bekanntesten Filmen über Sterbehilfe.Mit “50/50” widmen wir uns einer ganz anderen Perspektive auf das Thema Krankheit. Joseph Gordon-Levitt spielt einen jungen Mann, der unerwartet die Diagnose Krebs erhält. Der Film verbindet ernste Momente mit trockenem Humor und basiert auf einer wahren Geschichte.Abgerundet wird die Folge durch die Serie “Doc” mit Molly Parker. Im Mittelpunkt steht eine Ärztin, die nach einem schweren Schicksalsschlag in ihren Beruf zurückkehrt und sich nicht nur medizinischen Fällen, sondern auch den Folgen ihrer eigenen Vergangenheit stellen muss.Oscars & Himbeeren - wie immer: schonungslos auf den Punkt gebracht.Hört rein!Wenn euch der Podcast gefällt und ihr tiefer einsteigen wollt, findet ihr auf Substack weitere Texte, Porträts und Filmkritiken vonRonny Rüsch – Filmkritiker. Lasst gern ein Abo da.Und wenn ihr unsere Arbeit unterstützen möchtet, freuen wir uns über eine kleine Kaffeespende via PayPal.Streaming-Plattformen, die die Inhalte dieser Episode anbieten (Stand: Juli 2026):“Heldin” - HBO Max“50/50” - Netflix“Das Meer in mir” - Prime Video“Doc” - RTL+/Prime Video Get full access to Ronny Rüsch - Filmkritiker at hausmeisterronny.substack.com/subscribe

Hoy por Hoy
Amigos Alegres | Eva Amaral: "Es bonito al principio ver como con trabajo se van abriendo todas las puertas"

Hoy por Hoy

Play Episode Listen Later Jul 2, 2026 18:34


Con el ingreso de la cantante Eva Amaral, después de seis temporadas, echamos el cierre al Club de Amigos y Amigas Alegres por el que han pasado casi doscientas personalidades como Javier Bardem, Penélope Cruz, Maribel Verdú, Jorge Valdano, Manuel Vicent o Luis Tosar. Ha sido lugar de encuentro de confidencias y secretos revelados desde el afecto y la diligente dirección de Luis Alegre. Así ha sido el último abrazo de este universo afectivo. 

Hey Julie! A Big Brother Fan Podcast
BB28 Rumor Silly Season + Apple TV takeover: Cape Fear, Schmigadoon, Mosquito Coast & more!

Hey Julie! A Big Brother Fan Podcast

Play Episode Listen Later Jun 28, 2026 63:01


BB28 Silly Szn has completely taken over the blogosphere. A leaked Chinese language sales deck has thrown the BB universe into a tizzy. There are rumors of a partial returners cast. People are doing forensic research on IG posts. It's crazytown out there and nothing is confirmed. Brett & Dani open the pod talking about the final full week of BB28 rumors, all of which are completely unsubstantiated. Later, we unexpectedly talk about a trio of media which all has a primary, or at least tangential, relationship to the Apple TV+ streaming service: Dani talks about the recent Cape Fear series starring Javier Bardem, Amy Adams and personal Hey Julie favorite Patrick Wilson.Brett took in Schmigadoon on Broadway, based off of the Apple TV+ show of the same name.Dani watched The Mosquito Coast, a steamy Harrison Ford 1980s head-scratcher which was later adapted to Apple TV+ four decades later.All of that, David Strathairn and your listener questions on today's Hey Julie.Follow Hey Julie on Bluesky and submit your questions ⁠⁠@HeyJulieBB⁠⁠.bsky.social, our ⁠⁠Discord server⁠⁠, or email us ⁠heyjuliebigbrother@gmail.com⁠!Watch Hey Julie on ⁠⁠YouTube⁠⁠Follow Brett ⁠⁠@BrettRader⁠⁠.bsky.socialFollow Danielle ⁠⁠@DingDongDani.bsky.social

House of Crouse
NICHOLAS SHAKESPEARE + LEE KUHNLE + NATHAN RADKE

House of Crouse

Play Episode Listen Later Jun 28, 2026 37:37


On the Saturday June 27, 2026 edition of The Richard Crouse Show we meet Nicholas Shakespeare. He is a prize-winning British novelist, biographer, and journalist widely regarded as one of the finest English writers of his generation. A former literary editor at the Daily Telegraph and The Times, he is the author of eight novels, including the acclaimed “The Dancer Upstairs” (adapted into a film starring Javier Bardem), “The Vision of Elena Silves” (winner of the Somerset Maugham and Betty Trask Awards), and “The High Flyer.” He has also written acclaimed biographies of Bruce Chatwin and Ian Fleming. He returns to bookstores with “Frame 37” — a gripping, fast-paced political thriller in which ex-journalist John Dyer uncovers a dangerous conspiracy to bring his friend's killer to justice in a world where proof is power and nothing is as it seems. Then, we meet Lee Kuhnle and Nathan Radke, authors of “Uncover Up: How To Think Clearly In An Age Of Conspiracies,” a new book that offers sociological, historical, philosophical, and literary perspectives on conspiracy theories, allowing us to cut through the fog of misinformation. We'll talk about the truth behind false conspiracy theories, critical thinking in an age of information overload and why lies travel further and faster.

The Colin McEnroe Show
The Nose looks at the new ‘Cape Fear' and Boots Riley's ‘I Love Boosters'

The Colin McEnroe Show

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 49:00


Apple TV’s new limited series version of Cape Fear is the third screen adaptation of the John D. MacDonald novel The Executioners. It is the second remake of the 1962 movie directed by J. Lee Thompson and written by James R. Webb. And it’s the first remake of the 1991 movie directed by Martin Scorsese and written by Wesley Strick. It’s executive produced by Scorsese and Steven Spielberg and stars Amy Adams, Javier Bardem, and Patrick Wilson. And: I Love Boosters is writer-director Boots Riley’s followup to his sci-fi comedy Sorry To Bother You. It is a sci-fi heist comedy and an adaptation of the song “I Love Boosters!” by Riley’s group The Coup. It stars Keke Palmer, Taylour Paige, Naomi Ackie, LaKeith Stanfield, Don Cheadle, and Demi Moore. GUESTS: Rebecca Castellani: The co-founder of Quiet Corner Communications and the director of marketing at Washington Montessori School Illeana Douglas: The Official Movie Star of The Colin McEnroe Show and the author of three books, including the forthcoming Jungle Red! The Making of MGM’s The Women Shawn Murray: A stand-up comedian, writer, and the host of the Fantasy Filmball podcast Lindsay Lee Wallace: A writer and journalist covering culture, health, technology, bats, and anything else people will answer her questions about Music featured (in order): The End – Elmer Bernstein Linger (2026 Stephen Street Stereo Mix) – The Cranberries Hi Ho – Tune-Yards Text Message Unsent – Keke Palmer And When I Die – Blood, Sweat & Tears Support the show: http://www.wnpr.org/donateSee omnystudio.com/listener for privacy information.

QueIssoAssim
Reflix 176 – Cabo do Medo S01E04

QueIssoAssim

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 27:24


A tensão atinge um novo patamar em Cabo do Medo, e o Reflix continua destrinchando cada detalhe dessa perturbadora adaptação da Apple TV+. No episódio 176, Brunão e Baconzitos mergulham no quarto capítulo da série. Se o início foi de preparação, agora o jogo psicológico de Max Cady se transforma em ameaça real, testando os limites e as rachaduras da família Bowden. A narrativa acelera, deixando claro que ninguém está seguro e que o passado não pode mais ser ocultado. Durante o programa, debatemos os momentos mais impactantes do episódio, as reviravoltas no roteiro e a evolução da dinâmica implacável entre os personagens de Javier Bardem, Amy Adams e Patrick Wilson. Também analisamos a direção de arte, o ritmo desta metade de temporada e o que esse ponto de não retorno significa para os próximos episódios. Max Cady cruzou a linha definitiva? Como a família Bowden vai reagir agora que as cartas estão na mesa? Aperte o play e confira nossa análise completa!

Humor en la Cadena SER
Especialistas Secundarios | Primera obra de teatro en 3D. Un espectador denuncia que fue agredido y robado por los actores.

Humor en la Cadena SER

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 6:04


En Todo por la queja un oyente alerta de una versión polémica de Muerte de un viajante. Otro lamenta el doble rasero que se aplica entre él y Javier Bardem.

La Ventana
Especialistas Secundarios | Primera obra de teatro en 3D. Un espectador denuncia que fue agredido y robado por los actores.

La Ventana

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 6:04


En Todo por la queja un oyente alerta de una versión polémica de Muerte de un viajante. Otro lamenta el doble rasero que se aplica entre él y Javier Bardem.

The Revenge Of Podcast
Flesh-Toned Panties & See-Through Shorts

The Revenge Of Podcast

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 39:06


The crew goes live for a chaotic post-inventory survival meeting as Kenzie steps into the studio to replace a bedridden Coral. Between industry spike cancellations and a literal betrayal at the movie theater bucket line, the group checks in on the neighborhood's toxic entertainment habits and a very questionable fashion choice. This Week's Insanity:The Week From Hell: Jeff, Joe, and Kenzie calculate a brutal seven-day stretch that included a massive store inventory count and a smoky La Zilla market where the city smelled like it was on fire. Breezy Bottoms: Jeff breaks down his questionable wardrobe choices for the market, completely see-through mesh shorts paired with flesh-toned panties, and maps out a terrifying plan to wear a full mesh crop-top outfit to Disneyland.Vampire Lore Takeover: Kenzie completely surrenders to the AMC+ Interview with the Vampire hype train, aligning with Jeff and Joe over Lestat's musical genius and Louis's timeline transformation from a pining bookworm into a cutthroat businessman . Popcorn Bucket Craze: A heavy-hitting analysis of current theater marketing gimmicks, highlighting the dick-shaped Supergirl cup, the IMAX camera bucket, and Kenzie's deep psychological scars over missing out on the Dune sandworm bucket . Movie Brain: The group tracks the Netflix "spike cancellation" of The Burrows, the campy Evil Dead-style gore of They Will Kill You, and Javier Bardem's oddly magnetic prison-tat energy in Cape Fear . Coral's Corner (Sickness Check): The crew patches a sick Coral directly into the studio line to check her pulse, only to be greeted by a sound Jeff can only characterize as a "weak ass fart" that mimics wet meat slapping on a table. Truncated, unhinged, and completely unfiltered, this episode proves that summer in LA is an endurance sport. New episodes every week.Only at Revenge Of — where the shorts are see-through, and the popcorn cups are highly questionable.

Especialistas Secundarios
Especialistas Secundarios | Primera obra de teatro en 3D. Un espectador denuncia que fue agredido y robado por los actores.

Especialistas Secundarios

Play Episode Listen Later Jun 25, 2026 6:04


En Todo por la queja un oyente alerta de una versión polémica de Muerte de un viajante. Otro lamenta el doble rasero que se aplica entre él y Javier Bardem.

The Ringer F1 Show
Revisiting 'F1: The Movie' One Year Later

The Ringer F1 Show

Play Episode Listen Later Jun 24, 2026 88:55


Meg and Spanners revisit 'F1: The Movie' one year after its release, comparing their first impressions with a more critical at-home rewatch. They celebrate the film's immersive racing footage, real F1 integration, driver cameos, and technical ambition while debating how well it succeeds as a classic sports movie. (00:00) Intro (03:35) Impressions on rewatch (17:23) A grand opening (23:06) Javier Bardem too hot? (54:36) Chaos from Sonny Hayes Hosts: Megan Schuster and Spanners Ready Senior Producer: Steve Ahlman Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices

QueIssoAssim
Reflix 175 | Cabo do Medo – s01e03

QueIssoAssim

Play Episode Listen Later Jun 19, 2026 18:40


O suspense continua crescendo em Cabo do Medo, e o Reflix acompanha cada passo dessa nova adaptação produzida para a Apple TV+. No episódio 175, Brunão e Baconzitos analisam o terceiro capítulo da série, que amplia a influência de Max Cady sobre a família Bowden e aprofunda as consequências emocionais dos acontecimentos apresentados nos episódios anteriores. A narrativa passa a explorar de forma mais intensa os temas de culpa, responsabilidade e manipulação, enquanto o cerco psicológico construído por Cady se torna cada vez mais sufocante. Durante o programa, discutimos os principais acontecimentos do episódio, as escolhas de roteiro, o desenvolvimento dos personagens e o desempenho do elenco liderado por Javier Bardem, Amy Adams e Patrick Wilson. Também avaliamos como a série está administrando o ritmo da temporada e quais caminhos podem ser seguidos nos próximos capítulos. O terceiro episódio representa um ponto de virada para a trama? A série está conseguindo sustentar a tensão proposta em sua estreia? Aperte o play e confira nossa análise completa. Reflix #CaboDoMedo #CapeFear #AppleTVPlus #AppleTV #JavierBardem #AmyAdams #PatrickWilson #Series #Podcast #Review #Streaming #Suspense

Cuerpos especiales
La actualidad de Cuerpos especiales - jueves 18 de junio de 2026

Cuerpos especiales

Play Episode Listen Later Jun 18, 2026 5:34


Javier Bardem se convierte en el primer español en dejar sus huellas en el Paseo de la Fama de Hollywood y un estudio concluye que dormir ayuda a generar músculo. Eva Soriano y Nacho García comentan la actualidad del jueves 18 de junio de 2026.

¡Buenos días, Javi y Mar!
09:00H | 17 JUN 2026 | ¡Buenos días, Javi y Mar!

¡Buenos días, Javi y Mar!

Play Episode Listen Later Jun 17, 2026 60:00


¡Buenos días, Javi y Mar! informa sobre la primera ola de calor del verano, con altas temperaturas y posibles lluvias en el norte. Zapatero declara en la Audiencia Nacional como imputado. El último paciente de hantavirus recibe el alta. Un estudio revela un aumento del 30% en la venta de libros juveniles y románticos durante los mundiales. Javier Bardem pone sus manos en el Paseo de la Fama de Hollywood y el programa repasa sus películas. Se propone una "misión posible" colaborativa, y Lucía desea ser cuidadora de animales. Los oyentes comparten manías como no abrir la puerta sin avisar o experiencias con parejas con cejas muy depiladas. Se debate sobre el nombre de la raíz de regaliz, "palulú" o "padoluz". Musicalmente, suenan Cristina Aguilera, Katy Perry, Lady Gaga, Justin Bieber, Juanes con Morat, Britney Spears y se celebra el regreso de "Thriller" de Michael Jackson al número uno.

El Gordo y La Flaca
¿Luis Miguel sigue hospitalizado?

El Gordo y La Flaca

Play Episode Listen Later Jun 17, 2026 27:00


Lionel Messi anotó hat trick y le dio la victoria a Argentina, contrario a CR7 que empató su juego y no pudo anotar. Daddy Yankee perdió una de las batallas legales contra su ex Mireddys González en la demanda por la liquidación de bienes comerciales en su divorcio.  Gustavo Adolfo Infante y Alfredo Adame volvieron a verse las caras en los juzgados y volvieron a decirse de todo. Menudo celebra su aniversario número 50 y para ello festejará con una gira en la que reunirá a varios de sus antiguos integrantes.  

Pilot TV Podcast
House Of The Dragon and The Light In The Hall: Still Waters. With guest Javier Bardem

Pilot TV Podcast

Play Episode Listen Later Jun 15, 2026 103:03


Thanks to the world cup (and a handful of embargoes), there are only two shows we can cover this week, but that's okay because not only is one of the triumphant return of Game Of Thrones prequel spin-off House Of The Dragon (1:15:43), but the other is Welsh drama The Light In The Hall: Still Waters (1:01:38), which also exists under the Welsh name Y Golau: Dŵr, which James does attempt to say, albeit with a little assistance. Plus Javier Bardem joins us on the show to chat bringing Max Cady back to our screens in Apple's adaptation of Cape Fear (35:07-46:23).Note: time stamps are approximate as the ads throw them out, so are only meant as a guide. If you want to avoid this and would like the podcast entirely ad-free (as well as 17 hours early, with a second weekly show and spoiler specials) then sign up to Pilot+!

Fuera de Series
CAPE FEAR| Capítulo 3 | Análisis CON SPOILERS | Apple TV

Fuera de Series

Play Episode Listen Later Jun 15, 2026 19:53


¿Es realmente Max Cady el villano de la historia o estamos asistiendo al mayor error judicial de Cape Fear? En este programa analizamos con spoilers el episodio 3 de Cape Fear, la nueva serie de Apple TV+ protagonizada por Javier Bardem. Repasamos todas las claves del capítulo: la millonaria indemnización recibida por Max, los nuevos misterios sobre su pasado, la aparición de la inquietante mujer que parece seguirle, las dudas sobre su culpabilidad y los secretos que Anna y Tom siguen ocultando. Además, comentamos nuestras teorías sobre el verdadero papel de la joven que se está infiltrando en el entorno de la familia, el significado de los flashbacks de la infancia de Max y las pistas que la serie sigue dejando sobre el crimen que desencadenó toda la historia. ¿Estamos viendo a una víctima destruida por diecisiete años de prisión o a un hombre extremadamente peligroso ocultando su verdadera naturaleza?

The TV Dudes Podcast
TVD595 CAPE FEAR

The TV Dudes Podcast

Play Episode Listen Later Jun 13, 2026 73:30


This week, Les and Nick take a trip down south to Georgia and the Carolinas for Apple's new thriller series, CAPE FEAR! It's based on an awesome novel and two great movies, so let's see how the new adaptation holds up! Amy Adams, Patrick Wilson, Javier Bardem and a slew of narrative changes await us. Let's go! Plus, Les checks out the spooky-Cocoon vibe of The Boroughs, while Nick catches up on the new eps of Vox Machina and the old eps of Homicide: Life on the Streets! And you know we gots to talk FROM... 1:20-42:20 TV Diaries 7:42-11:25 Vox Machina 11:25-16:14 The Boroughs 16:25-30:08 Homicide  30:08-42:20 From 44:15- Cape Fear

Estamos de cine
"El Día de la Revelación": Spielberg desvela su verdad +Un talento único + BSO "El Cabo del Terror" vs El Cabo del Miedo

Estamos de cine

Play Episode Listen Later Jun 13, 2026 79:59


La espera ha terminado. En este nuevo capítulo de Estamos de Cine abrimos los sentidos para analizar uno de los acontecimientos cinematográficos más esperados de la temporada: el regreso del icónico Steven Spielberg al género que ha marcado su carrera. Ya está agitando las salas de todo el mundo 'El día de la revelación'. A sus casi 80 años, el director con mayor apego e interés por el fenómeno alienígena promete volver a sacudir nuestras certezas sobre la vida exterior en una obra que invita a no apartar la mirada del cielo. ¿Llevan ya mucho tiempo entre nosotros? Analizamos lo nuevo del Rey Midas de Hollywood sin perder de vista uno de los pocos estrenos que se atreven a ser alternativa al Día de la Revelación. Una coproducción entre Canadá y Estados Unidos os devuelve a la gran pantalla al oscarizado Dustin Hoffman. En esta ocasión, interpreta al mentor de Leo Woodall (The White Lotus) en una comedia con toques thriller sobre un afinador de pianos con un don tan extraordinario para la música como para abrir cajas fuertes. Raquel Hernández y Alberto Luchini ponderan y califican también novedades como la china The Furious, la francesa Duse, la japonesa El guardián del árbol de alcanfor y la noruega y preferida de Luchini Solomamma. Y para acabar, duelo de titanes en 'El diván de la música': Ángel Luque afina las notas del misterio para revivir el espíritu de 'El cabo del miedo'. Nos sirve de excusa el papelón de Javier Bardem en la miniserie de Apple 'Cape Fear' —recogiendo el testigo de Robert Mitchum y Robert De Niro— y nos permite valorar y contrastar las dos grandes adaptaciones musicales de la novela de John MacDonald: la obra de Bernard Herrmann (1962) contra la de Elmer Bernstein (1991). Dos joyas de la sugestión y la venganza hechas partitura para dos conceptos muy diferentes de El Cabo del Miedo.

QueIssoAssim
Reflix 174 – Cabo do Medo – S01E01E02

QueIssoAssim

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 27:38


PAM PAM PAM PAM, PAM PAM PAM PAM!!! Reflix está de volta para analisar uma das estreias mais comentadas do ano. Em seu episódio 174, Brunão e Baconzitos debatem os dois primeiros capítulos de Cabo do Medo, nova adaptação do romance The Executioners, que já havia dado origem aos filmes clássicos de 1962 e 1991. A série da Apple TV+ atualiza a história para os dias atuais e coloca Amy Adams no centro da trama como Anna Bowden, advogada que ajudou a condenar Max Cady, personagem interpretado por Javier Bardem. Após passar 17 anos preso, Cady é libertado e inicia uma campanha de perseguição e terror psicológico contra a família Bowden. No programa, discutimos as mudanças em relação às versões anteriores, a construção do suspense, a atuação de Javier Bardem, os temas de culpa e justiça que permeiam a narrativa e os elementos modernos incorporados à história. Também avaliamos se a expansão para uma série de dez episódios fortalece ou enfraquece a premissa clássica. Será que Cabo do Medo tem potencial para se tornar mais um sucesso da Apple TV+? Ou estamos diante de uma releitura desnecessária de um clássico absoluto? Aperte o play e descubra.

Węglarczyk o serialach
Serial Apple z plejadą gwiazd. Obowiązkowa pozycja do obejrzenia

Węglarczyk o serialach

Play Episode Listen Later Jun 12, 2026 80:31


W tym tygodniu jeden serial porywa nas wyjątkowo - "Cape Fear" na Apple TV. Produkcja, w której główne role grają Javier Bardem, Amy Adams i Patrick Wilson, od pierwszych minut wciąga swoim niezwykle mrocznym klimatem. Czy twórcom uda się utrzymać poziom przez cały sezon? O tym, a także m.in. o finale "Znajomych i sąsiadów", filmie "Masters of the Universe" i "Pełna przyjemność gwarantowana", dyskutujemy w nowym odcinku podcastu "O serialach".

Front Row
Review: Steven Spielberg's alien film Disclosure Day

Front Row

Play Episode Listen Later Jun 11, 2026 42:14


Film producer Jason Solomons and Guardian columnist Zoe Williams join Tom Sutcliffe to discuss Steven Spielberg's Disclosure Day – a film which looks at whether aliens are really out there. John D. MacDonald's psychological thriller The Executioners has inspired two Cape Fear films and now there's a 10-part TV series starring Amy Adams and Javier Bardem. Jason and Zoe give their verdicts. They also talk about M. C. Escher's major exhibition at Somerset House. Famous for drawing optical illusions, impossible buildings, and endless patterns, the Dutch artist's work has inspired film scenes in Labyrinth and Christopher Nolan's Inception. Plus we will be revealing the winners of the Women's Prize for Fiction and Non-Fiction.Presenter: Tom Sutcliffe Producer: Claire Bartleet

Oh Brother
Cape Fear Review — Javier Bardem, Amy Adams & Patrick Wilson (Apple TV+)

Oh Brother

Play Episode Listen Later Jun 10, 2026 39:51 Transcription Available


Send us Fan MailWe're two episodes into Apple TV+'s new adaptation of Cape Fear, and we have some thoughts. The series, which dropped its first two episodes on June 5th, stars Javier Bardem as Max Cady, Amy Adams as attorney Anna Bowden, and Patrick Wilson as her husband Tom — a family now living under the shadow of a man they may have wronged. Scorsese and Spielberg are both on board as executive producers, which raises the bar considerably.We came in with full knowledge of the source material. Mike read John D. McDonald's original novel, and both films — the 1962 version with Robert Mitchum and Gregory Peck, and Scorsese's 1991 remake with Robert De Niro and Nick Nolte — are part of the conversation throughout. What we were hoping to see is a reimagining that earns its place alongside those films. What we got, at least in these first two episodes, is something we're still trying to make sense of.The issues start early. Javier Bardem's portrayal of Max Cady lacks the menace that both Mitchum and De Niro brought to the role in very different ways. His introduction at the fundraiser gala — rambling speech, handed the microphone without hesitation, no security in sight — was hard to take seriously. The violence skews gratuitous in a way that feels less like intensity and more like a substitute for it. There are subplots involving the teenage son, an online chat that's clearly not what it seems, and a mysterious masked figure in a green trench coat that we couldn't make heads or tails of. The series also appears to be steering toward a version of events where Max Cady may actually be innocent — which, if true, is a significant departure from everything that makes this story work.We also noticed an Easter egg worth mentioning: Wesley Strick, who wrote the screenplay for the '91 film, shows up in a cameo as an ER doctor.We're essentially split after two episodes — one of us is out, the other is holding on to see what episode three brings. We'll check in again if the series turns things around — and if you don't see another Cape Fear episode on the channel, that's probably your answer.If you've seen the films, read the book, or are watching the series yourself, we want to hear from you — especially if you're a Javier Bardem fan and think he's bringing something to the role we're not seeing yet.Support the showOh Brother Podcast:Support the Show! (Be The First to Listen with Early Access)Listen on all podcast platformsSubscribe on YouTubeFollow us on Instagram

The Ben and Skin Show
TV News: Cape Fear

The Ben and Skin Show

Play Episode Listen Later Jun 10, 2026 7:15 Transcription Available


KT reviews the first episode of the new Apple tv show Cape Fear, starring Amy Adams and Javier Bardem. 

The Talking Pictures Podcast
Lily Collias & Joe Anders - Cape Fear

The Talking Pictures Podcast

Play Episode Listen Later Jun 10, 2026 5:29


Actors #LilyCollias & #JoeAnders chat about their new #AppleTV series "Cape Fear." The series stars #AmyAdams #PatrickWilson and #JavierBardem 

The Nick D Podcast on Radio Misfits
Nick D – TV Talk With Dan Fienberg, and That’s Kim Possible!

The Nick D Podcast on Radio Misfits

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 107:00


Nick welcomes The Hollywood Reporter TV critic Dan Fienberg back to the podcast to talk about the latest television news, recap the Tony Awards, and catch up on Top Chef. They also discuss a couple of reality shows they believe are broken, along with some ideas on how to fix them. Dan reviews two new documentaries, one about the legendary Earth, Wind & Fire and another about Mario Cuomo, and shares his thoughts on the new Cape Fear miniseries starring Amy Adams and Javier Bardem. Later, Esmeralda Leon joins Nick to recap the weekend, talk about some great tribute bands, and take a quiz on weird and memorable kids’ TV shows. From Kim Possible to Dexter’s Laboratory and beyond, it’s a fun trip down memory lane with plenty of laughs along the way. [Ep 462]

Today's Episode
Cape Fear (S01E01-02)

Today's Episode

Play Episode Listen Later Jun 9, 2026 32:26


If you don't know Cape Fear, every generation seems to get its own version. A dangerous man strolls into town looking for revenge. In 1962, it was Robert Mitchum. In 1991, it was Robert De Niro. And in 2026, Robert Pattinson... jk, Javier Bardem takes the reins as the next grim reaper.With Martin Scorsese and Steven Spielberg executive producing, this version takes the classic story, fleshes it out, blows it up, while also filtering it through a modern thermal lens. Warning, if you're not a horror junkie some of these scenes are a bit hard to stomach... On the podcast, we break down the first two episodes, make our comparisons, talk pros, cons, stray thoughts, and give our rating. Welcome to Today's Episode!

Needs Some Introduction - House of the Dragon/The Patient
'Cape Fear' Episodes 1 and 2 Review and Recap

Needs Some Introduction - House of the Dragon/The Patient

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 106:15


Victor kicks off a week-to-week deep dive into Cape Fear, the new Apple TV+ adaptation from producer Nick Antosca (executive produced by Scorsese and Spielberg). Before bringing in co-host Sona, Victor walks through the full history of the source material — from the 1957 novel and the 1962 Hitchcock-adjacent adaptation, through Scorsese's celebrated 1991 film, all the way to this new ten-episode series. The conversation covers what makes this version distinct: a new crime at the center of Max Cady's imprisonment, a defense attorney protagonist played by Amy Adams who may have a far more complicated history with Cady than anyone knows, and a modern-day anxiety layer involving home security systems, online manipulation, and the very real fear that someone is already inside your house. Javier Bardem's magnetic, unsettling performance as Max Cady is a major topic, as is whether the show's relentless, uncut dread — and its considerable gore — will sustain itself over a full ten-episode run. Sona joins to share her firsthand perspective on the accuracy of the innocence project storyline, weigh in on the performances, discuss the show's overwhelming sense of dread, and debate the many dangling mysteries of episodes one and two — including who (or what) is living in the Bowden house, what really happened between Anna and Max during the trial, and just how many secrets this family is hiding. The episode closes with a recommendation for Maximum Pleasure Guaranteed, a new Tatiana Maslany thriller that may be airing in parallel. Join our Patreon for more Content https://www.patreon.com/cw/NeedsSomeIntroduction Mailto:needssomeintroduction@gmail.com 00:00 Welcome and Introduction 00:58 Cape Fear Adaptation History 01:50 Scorsese's 1991 Version 04:51 Nick Antosca's New Adaptation 07:18 Modern Anxieties and Themes 10:36 Episode One Recap Begins 11:36 The Bowden Family Introduction 13:03 Max Cady's Girlfriend Suicide 16:12 Max Cady's Release 20:11 Family Tensions and Secrets 23:49 Technology and Home Invasion 26:03 The Gala Event 28:55 Javier Bardem's Entrance 34:19 Max Confronts the Family 38:01 Episode Two Flashback 39:55 Discovery in the House 40:30 Natalie's Classmate Encounter 41:05 The Toe Revelation 41:27 Family Tensions Rise 42:48 Max's Prison Visit 43:35 Katie's Traumatic Past 45:15 Anna's Phone Trick 45:42 The Interview Performance 47:06 Episode Two Ending 47:59 Max Rents a House 48:34 Series Length Concerns 49:10 Innocence Project Realism 53:12 Show's Disturbing Tone 53:41 Bardem's Grounding Performance 55:32 Horror Elements Discussion 56:36 New York Apartment Detour 57:47 Sustaining the Tension 58:26 The Toe Scene Reaction 59:50 Bardem's Magnetic Performance 01:00:41 Katie's Villainous Nature 01:02:03 Cape Fear Comparisons 01:03:31 The Son's Mental State 01:04:52 Male Loneliness Themes 01:05:22 Husband's Secrets 01:08:13 Patrick Wilson's Performance 01:09:14 Physical Threat Balance 01:11:46 Amy Adams Discussion 01:13:37 Gore Level Debate 01:15:43 Husband's Affair Mystery 01:16:00 Affair Speculation and Comparisons 01:16:53 Parentage Mystery Discussion 01:19:11 The Son's Strange Behavior 01:21:53 Missing Toe Investigation 01:22:54 Mystery Woman and Acolytes 01:24:16 Too Many Mysteries 01:25:56 Dosing Theory Speculation 01:27:52 Animal Symbolism Analysis 01:29:27 Plot Potential and Concerns 01:31:52 Southern Setting Atmosphere 01:34:23 Unreliable Narration Hints 01:36:59 Maximum Pleasure Guaranteed Introduction 01:38:33 Cam Boy Mystery Plot 01:40:08 Bathtub Scene Reveal 01:43:32 Corporate Blackmail Theory 01:45:24 Final Thoughts and Wrap-Up Hosted by Simplecast, an AdsWizz company. See pcm.adswizz.com for information about our collection and use of personal data for advertising.

Must Watch
TWO WEEKS IN AUGUST | RAFA | CAPE FEAR

Must Watch

Play Episode Listen Later Jun 8, 2026 45:46


Scott Bryan, Ali Plumb and Naga Munchetty review the week's biggest new TV and streaming releases.First up this week, the BBC holiday drama Two Weeks in August. It follows Zoe who goes on holiday with her friends and family in the Mediterranean, only to find herself trapped on a Greek Island.Next, there's a new Netflix documentary following the life and career of Rafa Nadal. The former world number one opens up on his influences and journey to the very top of international tennis and eventually becoming the greatest Spanish tennis player of all time.Finally, Apple TV+ has brought us a remake of the psychological thriller Cape Fear, starring Javier Bardem as the sinister Max Cady and Amy Adams and Patrick Wilson as the pair of unfortunate lawyers caught in his path.Remember you can email mustwatch@bbc.co.uk to have your say.

The Strategic Whimsy Experiment
Frame By Frame | No Country for Old Men (2007): Coin Toss Scene

The Strategic Whimsy Experiment

Play Episode Listen Later Jun 7, 2026 19:07


Jen and Sarah dive into the coin toss scene in ‘No Country for Old Men.' They discuss Javier Bardem's Oscar-winning performance, the impactful cinematography, and the use of silence in this iconic scene. Click here to watch this scene. Remember to leave a rating and review of this episode. Connect with Movies & Us on Instagram, Threads, and Bluesky @moviesanduspod or by email at moviesanduspod@gmail.com. Check out andusmedia.co for the latest on Movies & Us and TV & Us. And subscribe to Movies & Us on YouTube for full video episodes and more. Join the & Us Living Room for early access to ad-free episodes, exclusive bonus content, and more! Movies & Us is part of the Movie Archer Podcast Network. Learn more at moviearcher.com. 

El Cine en la SER
Javier Bardem deslumbra en 'El cabo del miedo', la serie que actualiza el clásico de venganza

El Cine en la SER

Play Episode Listen Later Jun 7, 2026 24:29


'Euphoria' ha acabado para siempre y no íbamos desencaminados cuando dijimos que esta temporada final no pintaba bien. En este episodio analizamos esta despedida y, sobre todo, comentamos la versión televisiva de 'El cabo del miedo' de la mano de Javier Bardem. El actor español da vida a ese ex convicto que en su día interpretó Robert de Niro en la nueva serie de Apple TV.

Es Cine
Es Cine: La gamberrada de 'Scary Movie', la picaresca española y el regreso de He-Man

Es Cine

Play Episode Listen Later Jun 6, 2026 106:17


Sergio Pérez y Alma Espinosa hablan de Scary Movie, He-Man, entrevistan al equipo de Cada día nace un listo. Además, Lo que viene y Do-Re-Film.

The Prestige TV Podcast
‘Cape Fear' Series Premiere Recap: A New Terror

The Prestige TV Podcast

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 64:14


Joanna Robinson and Rob Mahoney use a complex string of emoji to recap the two-episode premiere of 'Cape Fear,' an Apple TV crime thriller starring Amy Adams and Javier Bardem. (0:00) Intro (4:24) Source Material (11:40) Should This Be a TV Show? (25:44) Max Cady (29:26) Anna Bowden (33:56) Tom Bowden (36:18) Zack Bowden (43:14) Natalie Bowden (47:50) Loose Ends Email us! prestigetv@spotify.com Follow us on IG and TikTok! Subscribe to the Ringer TV YouTube channel here for full episodes of ‘The Prestige TV Podcast' and so much more! Hosts: Joanna Robinson and Rob Mahoney Producers: Kai Grady, Devon Renaldo, and Cameron Dinwiddie Additional Production Support: Justin Sayles and Jacob Cornett Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices

Needs Some Introduction - House of the Dragon/The Patient
'Your Friends & Neighbors' S2 Finale + 'Cape Fear' Preview

Needs Some Introduction - House of the Dragon/The Patient

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 60:58


On this episode, Sona and I break down the season finale of Season 2 of Your Friends & Neighbors and react to where the show lands heading into Season 3. We also talk Knicks playoff excitement and Ticketmaster frustrations, then preview our next weekly series, Apple TV's Cape Fear. Victor and Sona open with Knicks fandom, ticketing issues, and how broken live-event pricing has become. Victor then gives spoiler-free impressions of Apple TV's Cape Fear adaptation, highlighting Nick Antosca, producers Scorsese and Spielberg, and a cast led by Javier Bardem, Amy Adams, and Patrick Wilson, plus the show's tense horror staging and intriguing “innocence project” irony. They move into Your Friends & Neighbors' finale, praising the cold open and some character moments while criticizing contrivances around the cover-up, cameras, the lake sequence, and unresolved plot threads, yet noting stronger thematic focus and confirming Season 3 is in production. Join our Patreon for more Content https://www.patreon.com/cw/NeedsSomeIntroduction Mailto:needssomeintroduction@gmail.com 00:00 Podcast Welcome 00:26 Knicks Ticket Chaos 03:39 Broken Ticketing System 05:42 Next Show Cape Fear 08:06 Cape Fear Premise Cast 09:32 Bardem Steals Scenes 12:37 Horror Tension Moments 13:13 Finale First Impressions 15:00 Cold Open Cleanup Hijinks 16:27 Coverup Logic Problems 19:57 Cameras And Contrivances 25:21 Lake Crash And Logistics 31:51 Coop and Mel Truths 34:08 Ego and Lifestyle Motives 36:48 Season Three Casting Talk 38:35 Sister Reunion Scene 40:21 Affair Advice Debate 44:13 Elena Robbery Fallout 49:24 Barney Marriage Breaking 49:36 Money Math and Loose Ends 53:01 Cricket Puppet Master Theory 54:59 Season Three Hopes and Wrap Hosted by Simplecast, an AdsWizz company. See pcm.adswizz.com for information about our collection and use of personal data for advertising.

Si amanece nos vamos
Primera hora | Actores españoles de todos los tiempos

Si amanece nos vamos

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 51:25


Los viernes son de Mikel Lejarza, de series y de Laura Martínez con cine y muchos estrenos. En esta ocasión hablamos de actores españoles a raíz de la nueva serie de Javier Bardem, 'el cabo del miedo'. 

El Cine en la SER
'Backrooms', el fenómeno de un youtuber de 20 años que ni es tan moderno ni tan original

El Cine en la SER

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 61:53


Semana interesante en la cartelera con el estreno de 'Backrooms', la película de terror de un youtuber veinteañero que ha puesto patas arriba Hollywood. En este episodio analizamos este fenómeno (y comentamos si es para tanto) y además os recomendamos otros títulos, como 'La luz', la nueva película de Fernando Franco con Alberto San Juan como un cura pederasta arrepentido. A los cines llegan también otras propuestas, como 'Rebuilding' con Josh O'Connor, la nueva comedia de Arantxa Echevarría o el documental de Carolina Yuste y Afioco Gnecco. En televisión, acabó la tortura de 'Euphoria' y llega uno de los grandes estrenos del año, la serie de 'El cabo del miedo' con Javier Bardem.

Es Cine
De 'La Casa del Dragón' al malísimo Javier Bardem: los grandes estrenos de series en junio

Es Cine

Play Episode Listen Later Jun 5, 2026 7:19


Plataformas como HBO, Disney+ y Apple TV+ renuevan sus catálogos estivales con el regreso de aclamadas ficciones y esperados thrillers.

RNZ: Nine To Noon
Screentime: Tuner, Cape Fear, Dear England

RNZ: Nine To Noon

Play Episode Listen Later Jun 3, 2026 12:04


Film and TV reviewer James Croot joins Kathryn to discuss new film Tuner (cinemas), which is a crime thriller about a piano tuner whose skills also lend themselves to safe cracking and stars Leo Woodall and Dustin Hoffman. Cape Fear (Apple) updates the 1962 and 1991 adaptations and stars Javier Bardem and Amy Adams. And Dear England (TVNZ+) is a four-part drama series with Joseph Fiennes portraying England football manager Gareth Southgate. James Croot is a TV Guide and The Press film and television reviewer

Le masque et la plume
"L'être aimé" : Rodrigo Sorogoyen explore la relation père-fille avec une très grande justesse, selon Le Masque

Le masque et la plume

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 8:58


durée : 00:08:58 - Le masque et la plume - par : Rebecca Manzoni - Avec "L'Être aimé", Rodrigo Sorogoyen explore la relation entre un metteur en scène exigeant et sa fille. Porté par Javier Bardem et Victoria Luengo, le récit interroge les rapports de pouvoir au sein de l'industrie cinématographique. Le Masque a été globalement conquis. - réalisation : Stéphane Le Guennec, Ilinca Negulesco Vous aimez ce podcast ? Pour écouter tous les épisodes sans limite, rendez-vous sur Radio France

Hora 25
Coordenada 25 | Pepa Blanes carga contra Cannes por ignorar a Javier Bardem: "Es un tongo"

Hora 25

Play Episode Listen Later May 27, 2026 14:37


La jefa de Cultura de la SER, Pepa Blanes, narra en Coordenada 25 el histórico paso del cine español por el Festival de Cannes, que ha proporcionado reconocimiento internacional y un nuevo fenómeno cultural alrededor de 'Los Javis'

Rock N Roll Pantheon
Ugly American Werewolf in London: Iron Maiden - Burning Ambition

Rock N Roll Pantheon

Play Episode Listen Later May 23, 2026 74:25


Iron Maiden has earned their spot as one of the biggest touring acts of the new millenium through an unwavering work ethic and delivering quality in every way to their legion of dedicated fans. As they prepare to come to North and South American to wrap up their Run For Your Lives Tour, they released a career spanning documentary, Burning Ambition, for a limited theater run before the inevitable release on DVD/streaming. As the boys have reviewed most of Maiden's 80's output and a few live reviews on their favorite heavy metal band, you knew they were going to check this out and tell you what they thought. But Maiden have offered up many documentaries over the decades (12 Wasted Years, The Early Years Part 1, 2, 3 and Flight 666) so they were curious as to how this one would be different and how many new tidbits they'd be able to glean from this one-night doc. The movie spans their whole career starting in 1975 and talks about the vision and work ethic of one Steve Harris, the founder and leader of Maiden since its inception. Because of the huge amount of time to cover, the film didn't dive deep into the making of albums, chart success or tours but gave everyone a voice (off-screen) using footage from the 50 years of the band's career. The hardcore fans may not have learned too much but to hear the stories of famous fans like Brian Slagel (a guest of UAWIL), Javier Bardem and Tom Morello of Rage Against The Machine was a nice touch. Plus, they included past members, crew members and fans from around the world sharing their stories of why they are so loyal to Iron Maiden. For the most part, they highlighted how bringing new members into the band change the music for the better (and sometimes worse), how that affected their popularity and draw as a life act and how (and why) they're still going today. They hit the highest of highs in the 1980s but burned themselves out in the process. Thanks to grunge and significant lineup changes in the 90s, they went backwards a bit, especially in America where they sometimes found themselves playing to 500 people. But the reunification with Bruce Dickinson and Adrian Smith on Brave New World and beyond propelled them back to the top - a place they haven't left in 25 years. And of course, there's lots of Eddie in his many incarnations - perhaps the greatest marketing image in the history of heavy metal or even recorded music. While the hardcore fans may lament a lack of details or stories about the albums, it's a cool journey to see where they came from, how they rose to the top, fell down near the bottom and rose again to be the biggest (and in our opinion best) heavy metal band in the world. Check out our new website: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Ugly American Werewolf in London Website⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Visit our sponsor ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠RareVinyl.com⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ and use code UGLY to save 10% off one ENTIRE ORDER! ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠bit.ly/UAWILROCKS⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Twitter⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Threads⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Instagram⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠YouTube⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠LInkTree⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠www.pantheonpodcasts.com⁠⁠ Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Gaslit Nation
Hey JD Vance, Ukraine is Winning (And Putin is Petrified)

Gaslit Nation

Play Episode Listen Later May 20, 2026 27:10


Ukraine is winning, and a botox-bloated Putin looks like a dead-man walking. While the spineless MAGA right still tries to block aid, Ukrainian innovation has turned Russia's imperialist delusion into an embarrassing nightmare, as predicted on Gaslit Nation at the start of the full-scale invasion. Award-winning war reporter James Verini, author of The Theater: Courage and Survival in the Defining Atrocity of the Ukraine War, joins Gaslit Nation to discuss the desperation rattling Moscow. Putin wanted a grand Cold War rematch, but instead, he's trapped in a catastrophic, modern-day Afghanistan with a staggering one million Russian casualties. The reality the MAGA death cult and isolationists ignore? Ukraine is the true vanguard of global democracy. They are out-innovating Goliath with world-leading drone technology and defending the open society while MAGA lackeys play craven partisan games. Putin's radical, Dugin-fueled imperial ego has officially broken Russia, much like Trump's is breaking the U.S. To beat Big Tech censorship, subscribe to Gaslit Nation's Patreon at the Truth-Teller level or higher today. Thank you to everyone who supports the show and joins our lively Monday salons–recordngs are available, only on Patreon. EVENTS AT GASLIT NATION: Gaslit Nation Salons take place Mondays 4pm ET over Zoom and are recorded and shared on Patreon.com/Gaslit for our community New! There's now a California Signal Group for Gaslit Nation listeners to find each other and connect in that state. Join on Patreon.  The Gaslit Nation Outreach Committee discusses how to talk to the MAGA cult. Join on Patreon.  Minnesota Signal group for Gaslit Nation listeners in the state to find each other. Join on Patreon.  Vermont Signal group for Gaslit Nation listeners in the state to find each other. Join on Patreon.  Arizona-based listeners launched a Signal group for others in the state to connect. Join on Patreon.  Indiana-based listeners launched a Signal group for others in the state to join. Join in Patreon.  Florida-based listeners are going strong meeting in person. Be sure to join their Signal group, join on Patreon.  As always, keep it kind in our chat groups, extend grace and assume good faith. A culture of care is how we build a better world. Join our community of listeners and get bonus shows, ad free listening, group chats with other listeners, ways to shape the show, invites to exclusive events like our Monday political salons at 4pm ET over Zoom, and more! Discounted annual memberships are available. Become a Democracy Defender at Patreon.com/Gaslit Show Notes: Opening clip: Spanish actor Javier Bardem at the Cannes Film Festival, saying what needs to be said: https://bsky.app/profile/hannibal.bsky.social/post/3mm4eomatbk2t The Theater Courage and Survival in the Defining Atrocity of the Ukraine War By James Verini https://www.simonandschuster.com/books/The-Theater/James-Verini/9781668062203 Russia in No Mood for Celebration on Kremlin's Biggest Day of the Year: As the country heads into Victory Day, the economy is stalling, internet restrictions are growing and the Kremlin is fearing Ukrainian attacks. https://www.nytimes.com/2026/05/08/world/europe/russia-mood-victory-day.html?unlocked_article_code=1.jlA.mQvz.bsjmfvh1AxHe&smid=url-share Ukraine is forging the future of war: https://www.nytimes.com/2026/05/17/world/killer-robots-ukraine-ebola-qatar.html?unlocked_article_code=1.jlA.Tkdm.TaPFOgd0QcG8&smid=url-share Kyivan Rus, then and now: How has Russia distorted the history of Kyivan Rus? https://kyivindependent.com/kyivan-rus-then-and-now/ The men who could succeed Vladimir Putin https://theweek.com/feature/briefing/1024619/putins-potential-successors Democrats bypass Mike Johnson on Ukraine aid with GOP help https://www.axios.com/2026/05/13/ukraine-aid-discharge-petition-mike-johnson-kiley Putin health fears as Russian president appears at victory parade with 'swollen' face https://www.msn.com/en-us/health/other/putin-health-fears-as-russian-president-appears-at-victory-parade-with-swollen-face/ar-AA22ZIE7

The Last Thing I Saw
Ep. 396: Eric Hynes on Cannes 2026: Club Kid, The Beloved (El Ser Querido), Clarissa, Propeller One-Way Night Coach

The Last Thing I Saw

Play Episode Listen Later May 19, 2026 29:11


Ep. 396: Eric Hynes on Cannes 2026: Club Kid, The Beloved (El Ser Querido), Clarissa, Propeller One-Way Night Coach Welcome to The Last Thing I Saw, with your host, Nicolas Rapold. With the 2026 Cannes Film Festival in full effect, I sat down again with Eric Hynes, critic and director of film curation and programming at the Jacob Burns Film Center. First we discussed two very different Competition titles about parent-child entanglements: Club Kid (directed, written by, and starring Jordan Firstman) and The Beloved (aka El Ser Querido, directed by Rodrigo Sorogoyen, starring Javier Bardem and Victoria Luengo). Then we exchanged films that only one of us had seen: Clarissa, from Directors' Fortnight, a Mrs. Dalloway adaptation directed by Arie & Chuko Esiri; and then John Travolta's directorial debut, Propeller One-Way Night Coach. Subscribe/follow for more on the latest movies premiering at Cannes! Please support the production of this podcast by signing up at: rapold.substack.com Photo by Steve Snodgrass

Significant Lovers
148. When Penélope Cruz Met Javier Bardem

Significant Lovers

Play Episode Listen Later May 13, 2026 108:54


Do you believe in the concept of “right person, wrong time”? Well, Penelope Cruz and Javier Bardem may be one of our greatest examples of that phenomenon. This week, we're chronicling their decades-long relationship that begins further back than you might think — way back in 1991. Today we know Penelope and Javier as glittering stars on the red carpet, both award-winning actors from Spain. But who are they really? That's what we're trying to find out — and we discover a lot of PDA pictures on the way. Plus, we count how many of our Hall of Flames couples, like Javier and Penelope, are still together today. P.S. Kell apologizes for repeatedly pronouncing the ‘j' in “jamon” the Scandinavian/German way. Oops! About Significant LoversSignificant Lovers is a true-love podcast exploring couples throughout history and pop culture, hosted by cousins Kelly Anderson, Melissa Duffy, and Kaitlyn Anderson. Follow us on Instagram and TikTok @significantlovers, listen on YouTube, and contact us at significantlovers@gmail.com.Copyright Disclaimer Under Section 107 of the Copyright Act 1976, allowance is made for ‘fair use' for purposes such as criticism, comment, news reporting, teaching, scholarship, and research. Fair use is permitted by copyright statute that might otherwise be infringing. Non-profit, educational or personal use tips the balance in favor of fair use.