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Neste episódio, Mayra Trinca fala sobre duas pesquisas que, ao seu modo, usam o som para estudar maneiras de enfrentamento à crise climática. Na conversa, Susana Dias, pesquisadora do Labjor e Natália Aranha, doutoranda em Ecologia pela Unicamp contam como os sons dos sapos fizeram parte das mesas de trabalho desenvolvidas pelo grupo de pesquisa para divulgação sobre esses anfíbios. Participa também Lucas Forti, professor na Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte. Ele conta como tem sido a experiência do projeto Escutadô, que estuda a qualidade do ambiente da caatinga através da paisagem sonora. ____________________________________________________________ ROTEIRO [música] Lucas: É incrível a capacidade que o som tem de despertar a memória afetiva. Mayra: Você aí, que é ouvinte de podcast, provavelmente vai concordar com isso. O som consegue meio que transportar a gente de volta pros lugares que a gente associa a ele. Se você já foi pra praia, com certeza tem essa sensação quando ouve um bom take do barulho das ondas quebrando na areia. [som de ondas] Mayra: O som pra mim tem um característica curiosa, na maior parte do tempo, ele passa… despercebido. Ou pelo menos a gente acha isso, né? Porque o silêncio de verdade pode ser bem desconfortável. Quem aí nunca colocou um barulhinho de fundo pra estudar ou trabalhar? Mayra: Mas quando a gente bota reparo, ele tem um força muito grande. De nos engajar, de nos emocionar. [música de violino] Mayra: Também tem a capacidade de incomodar bastante… [sons de construção] Mayra: Eu sou a Mayra Trinca e você provavelmente já me conhece aqui do Oxigênio. Mayra: No episódio de hoje, a gente vai falar sobre som. Mais especificamente, sobre projetos de pesquisa e comunicação que usam o som pra entender e pra falar sobre mudanças climáticas e seus impactos no meio ambiente. [música de fundo] Natália: E as paisagens sonoras não são apenas um conjunto de sons bonitos. Elas são a própria expressão da vida de um lugar. Então, quando a gente preserva uma paisagem sonora, estamos preservando a diversidade das espécies que vocalizam naquele lugar, os modos de vida e as relações que estão interagindo. E muitas vezes essas relações dependem desses sons, que só existem porque esses sons existem. Então, a bioacústica acaba mostrando como os sons, os sapos também os mostram, como que esses cantos carregam histórias, ritmos, horários, temperaturas, interações que não aparecem ali somente olhando o ambiente. [Vinheta] João Bovolon: Seria triste se músicos só tocassem para músicos. Pintores só expusessem para pintores. E a filosofia só se destinasse a filósofos. Por sorte, a capacidade de ser afetado por um som, uma imagem, uma ideia, não é exclusividade de especialistas. MAYRA: Essa frase é de Silvio Ferraz, autor do Livro das Sonoridades. O trecho abre o texto do artigo “A bioacústica dos sapos e os estudos multiespécies: experimentos comunicacionais em mesas de trabalho” da Natália. Natália: Olá, meu nome é Natália Aranha. Eu sou bióloga e mestra pelo Labjor, em Divulgação Científica e Cultural. Durante o meu mestrado, eu trabalhei com os anfíbios, realizando movimentos com mesas de trabalhos e com o público de diferentes faixas etárias. Atualmente, eu sou doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ecologia pelo Instituto de Biologia da Unicamp. MAYRA: A Natália fez o mestrado aqui no Labjor na mesma época que eu. Enquanto eu estudava podcasts, ela tava pesquisando sobre divulgação científica de um grupo de animais muitas vezes menosprezado. [coaxares] Susana: Os sapos, por exemplo, não participam da vida da maioria de nós. Eles estão desaparecidos dos ecossistemas. Eles estão em poucos lugares que restaram para eles. Os brejos são ecossistemas muito frágeis. São os lugares onde eles vivem. Poucos de nós se dedicam a pensar, a se relacionar, a apreciar, a cuidar dessa relação com os sapos. Mayra: Essa que você ouviu agora foi a Susana, orientadora do trabalho da Natália. Susana: Meu nome é Susana Dias, eu sou pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, o Labjor, professora da pós-graduação em Divulgação Científica e Cultural, do Labjor/IEL/Unicamp. E trabalho com comunicação, artes, ciências, desenvolvendo várias metodologias de experimentação coletiva com as pessoas. Mayra: Mas, o interesse da Natália pelos sapos não começou no mestrado. Ela já era apaixonada pela herpetologia antes disso. [som de ícone] Mayra: Herpetologia é a área da biologia que estuda répteis e anfíbios. E eu posso dizer que entendo a Natália. Pra quem não sabe, eu também sou bióloga. E durante a faculdade cheguei a fazer um estágio na mesma área, porque também era um tema que me interessava muito. Mayra: Só que eu trabalhei mais com répteis, que são as cobras e os lagartos. E eu acabei desistindo da área em pouco tempo, apesar de ainda achar esses bichinhos muito legais. Já a Natália descobriu o amor pelos sapos num congresso de herpetologia que foi durante a graduação e, diferente de mim, ela segue trabalhando com eles até hoje. Natália: E eu me apaixonei. Eu digo que me apaixonei a partir da abertura do congresso, porque foi uma experiência muito legal que fizeram a partir dos sons, a partir de fotos e vídeos de vários pesquisadores realizando trabalhos de campo com esses animais. E, a partir desse momento, eu falei que era isso que eu queria fazer na minha vida. Mayra: Ah, e é importante dizer, que antes mesmo disso tudo, a Natália já tinha um interesse artístico por esses animais. Natália: E, como eu amo desenvolver pinturas realistas, esses animais são maravilhosos, quando você pensa nas cores, nos detalhes, nas texturas que eles trazem. Mayra: Porque foi dessa experiência que surgiu a ideia de trabalhar com divulgação científica, que acabou levando a Natália até a Susana. Mas como ela também tinha interesse de pesquisa com esses animais, ela acabou participando dos dois grupos ao longo do mestrado: o de divulgação e o de herpetologia, com o pessoal da biologia. Susana: Foi muito legal justamente pela possibilidade da Natália habitar esse laboratório durante um tempo, acompanhar o trabalho desses herpetólogos e a gente poder conversar junto com o grupo de pesquisa, que é o Multitão, aqui do Labjor da Unicamp, que é o nosso grupo, sobre possibilidades de conexão com as artes, e também com a antropologia, com a filosofia. A gente começou a tecer esses emaranhados lentamente, devagarzinho. Mayra: Quando a Natália chegou no mestrado, ela tinha uma visão muito comum da divulgação científica, que é a ideia de que os divulgadores ou os cientistas vão ensinar coisas que as pessoas não sabem. Mayra: É uma visão muito parecida com a que a gente ainda tem de escola mesmo, de que tem um grupo de pessoas que sabem mais e que vão passar esse conhecimento pra quem sabe menos. Natália: E daí a Susana nos mostrou que não era somente fazer uma divulgação sobre esses animais, mas mostrar a importância das atividades que acabam gerando afeto. Tentar desenvolver, fazer com que as pessoas criem movimentos afetivos com esses seres. Mayra: Se você tá no grupo de pessoas que tem uma certa aversão a esses animais, pode achar isso bem esquisito. Mas criar essas relações com espécies diferentes da nossa não significa necessariamente achar todas lindas e fofinhas. É aprender a reconhecer a importância que todas elas têm nesse emaranhado de relações que forma a vida na Terra. Mayra: Pra isso, a Natália e a Susana se apoiaram em uma série de conceitos. Um deles, que tem sido bem importante nas pesquisas do grupo da Susana, é o de espécies companheiras, da filósofa Donna Haraway. Natália: Descreve esses seres com os quais vivemos, com os quais aprendemos e com os quais transformam como seres em que a gente não habita ou fala sobre, mas a gente habita e escreve com eles. Eles nos mostram que todos nós fazemos parte de uma rede de interações e que nenhum ser nesse mundo faz algo ou vive só. Então, os sapos, para mim, são essas espécies companheiras. Mas não porque eles falam na nossa língua, mas porque nós escutamos seus cantos e somos levados a repensar a nossa própria forma de estar no mundo. Mayra: Uma coisa interessante que elas me explicaram sobre esse conceito, é que ele é muito mais amplo do que parece. Então, por exemplo, bactérias e vírus, com quem a gente divide nosso corpo e nosso mundo sem nem perceber são espécies companheiras. Ou, as plantas e os animais, que a gente usa pra se alimentar, também são espécies companheiras Susana: E uma das características do modo de viver dos últimos anos, dos últimos 50 anos dos humanos, são modos de vida pouco ricos de relações, com poucas relações com os outros seres mais que humanos. E a gente precisa ampliar isso. Trazer os sapos é muito rico porque justamente abre uma perspectiva para seres que estão esquecidos, que pertencem a um conjunto de relações de muito poucas pessoas. Mayra: Parte do problema tem a ver com o fato de que as espécies estão sumindo mesmo. As mudanças climáticas, o desmatamento e a urbanização vão afastando as espécies nativas das cidades, por exemplo, que passam a ser povoadas por muitos indivíduos de algumas poucas espécies. Pensa como as cidades estão cheias de cães e gatos, mas também de pombas, pardais, baratas. Ou em áreas de agropecuária, dominadas pelo gado, a soja e o capim onde antes tinha uma floresta super diversa. Susana: Eu acho que um aspecto fundamental para a gente entender esse processo das mudanças climáticas é olhar para as homogeneizações. Então, como o planeta está ficando mais homogêneo em termos de sons, de imagens, de cores, de modos de vida, de texturas. Uma das coisas que a gente está perdendo é a multiplicidade. A gente está perdendo a diversidade. Mayra: Pensa bem, quando foi a última vez que você interagiu com um sapo? (Herpetólogos de plantão, vocês não valem). Provavelmente, suas memórias com esses animais envolvem pouco contato direto e você deve lembrar mais deles justamente pelo… som que eles fazem. [coaxares, música] Lucas: Eu comecei a pensar na acústica como uma ferramenta de entender a saúde do ambiente, e queria aplicar isso para recifes de coral, enfim, a costa brasileira é super rica. Mayra: Calma, a gente já volta pra eu te explicar como a Natália e a Susana relacionaram ciências e artes na divulgação sobre os sapos. Antes, eu quero te contar um pouco sobre outro projeto que tem tudo a ver com o tema. Deixa o Lucas se apresentar. Lucas: Pronto, eu me chamo Lucas, eu sou biólogo de formação, mas tive uma vertente acadêmica na minha profissão, em que eu me dediquei sempre a questões relacionadas à ecologia, então fiz um mestrado, doutorado na área de ecologia. Mayra: Sim, o Lucas, assim como eu, a Natália e mesmo a Susana, também fez biologia. Lucas: Os biólogos sempre se encontram em algum lugar. Mayra: A gente ainda vai dominar o mundo…[risadas] Mayra: Tá, mas voltando aqui. O Lucas esteve nos últimos anos trabalhando no Nordeste. Eu conversei com ele durante um estágio de professor visitante aqui na Unicamp. Lucas: Então estou passando um estágio de volta aqui às minhas raízes, que eu sou daqui do interior de São Paulo, então vim passar frio um pouquinho de volta aqui em Campinas. Mayra: Essa entrevista rolou já tem um tempinho, em agosto de 2025. E realmente tava fazendo um friozinho naquela semana. Mayra: Eu fui conversar com o Lucas sobre um projeto que ele faz parte junto com o Observatório do Semiárido, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, no Rio Grande do Norte. Mayra: A ideia dessa pesquisa é criar um banco de dados sonoros e construir um algoritmo. Lucas: testar algoritmos, né, conseguir ter uma ferramenta na mão que possa ajudar a gente a detectar níveis de degradação no Semiárido com base em informação acústica. Mayra: Esse projeto é o Escutadô. Lucas: O projeto Escutadô, ele nasceu… assim, tem a história longa e a história curta. Mayra: Óbvio que eu escolhi a longa. E ela começa escuta só, com os anfíbios. Mayra: Coincidência? Lucas: Não, não tem coincidência nenhuma. Lucas: Mas eu comecei sim estudando o comportamento de anfíbios, e uma característica muito peculiar dos anfíbios é a vocalização, né? Então, os anfíbios me levaram para a acústica, e aí a acústica entrou na minha vida também para tornar as abordagens da minha carreira, de como eu vou entender os fenômenos através desse ponto de vista sonoro, né? Mayra: Isso é uma coisa muito comum na biologia. Tem muitos animais que são complicados de enxergar, porque são noturnos, muito pequenos ou vivem em lugares de difícil acesso. Então uma estratégia muito usada é registrar os sons desses animais. Vale pra anfíbios, pra pássaros, pra baleias e por aí vai. [sons de fundo de mar] Mayra: Inclusive, lembra, a ideia original do projeto do Lucas era usar a bioacústica, essa área da biologia que estuda os sons, pra investigar recifes de corais. Ele tava contando que elaborou essa primeira proposta de pesquisa pra um edital. Lucas: Aí a gente não venceu essa chamada, mas a gente reuniu uma galera com colaboração, escrevemos um projeto super lindo, e aí por alguma razão lá não foi contemplado o financiamento. Mayra: Isso também é algo muito comum na biologia. E em várias outras áreas de pesquisa. Mas, vida que segue, novas oportunidades apareceram. Lucas: O projeto Escutadô começou no mar, mas a gente conseguiu ter sucesso com a ideia mesmo, a hora que eu cheguei em Mossoró, como professor visitante na Universidade Federal Rural do Semiárido, abriu um edital da FINEP, voltado para a cadeias produtivas, bioeconomia, e a gente identificou que a gente poderia utilizar essa ideia, né, e aplicar essa ideia, mas aí eu já propus que a gente fosse atuar no ecossistema terrestre. Mayra: FINEP é a Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O Lucas quis alterar a proposta inicial, primeiro, porque fazia mais sentido dentro do contexto que ele tava trabalhando. E, depois, porque a região tem uma forte dependência do ecossistema da caatinga pro sustento da população e pra preservação do seu modo de vida, a tal bioeconomia que ele citou. Mayra: Além disso, Lucas: a caatinga é o bioma que certamente tá sentindo mais os extremos, né, das mudanças climáticas, então isso trouxe uma contextualização muito interessante para o projeto, especialmente porque casava com a questão da bioeconomia, né, então a gente tentou embarcar nessa linha e transformamos essa tecnologia para pensar como ela poderia detectar níveis de degradação para a região do Semiárido, né, e aí deu certo. Mayra: Funciona mais ou menos assim, a equipe de pesquisa instalou uma série de gravadores espalhados, mais de 60 pontos no estado do Rio Grande do Norte e alguns pontos na Paraíba e no Ceará. Lucas: Então, quando a gente instala o gravador no ambiente, ele grava três minutos, dorme sete, grava três minutos, dorme sete e fica assim rodando, a gente tem duas rodadas de amostragem, uma que é feita durante a estação seca e outra que é feita durante a estação chuvosa, então o gravador fica em cada ponto por 20 dias e nesses 20 dias ele fica continuamente gravando três minutos e dormindo sete. Mayra: Essas gravações viram uma grande biblioteca sonora. O próximo passo é reconhecer quais sons representam áreas mais conservadas… [captação de área preservada] Mayra: E quais gravações foram feitas em áreas mais degradadas, principalmente com mais alterações antrópicas no ambiente. [captação de área antropizada] Mayra: Pra gente, até que é fácil reconhecer a diferença entre os sons. Agora, como a gente transforma isso, por exemplo, num aplicativo, capaz de identificar o nível de degradação do ambiente usando só o som daquele lugar? Lucas: Pois é, agora você tocou no ponto que eu acho que é o maior desafio do projeto e também o que torna o projeto, assim, inovador. A gente já tem hoje mais ou menos 16 mil horas de gravação, então a gente não tem como não usar uma ferramenta de aprendizado de máquina para ajudar no processamento desses dados. Mayra: A essa altura, você já deve saber o básico de como funcionam as inteligências artificiais. Elas comparam bases de dados gigantescas pra achar padrões. Mas, isso funciona bem pra texto ou pra imagens. Lucas: E a gente introduziu um conceito de aprendizado de escuta de máquina, ou seja, a gente não vai trabalhar sobre o ponto de vista da imagem, vai trabalhar sobre o ponto de vista da escuta, opa, pera aí, mas como é que a gente faz isso? Mayra: O Lucas explicou que o que eles tiveram que fazer foi, de certa forma, realmente transformar esses sons em imagens. Pra isso, eles usam os espectrogramas, que são aquelas representações visuais do som, eu vou deixar um exemplo lá no site e no nosso Instagram, depois você pode procurar pra ver. Mayra: Essa etapa do projeto, o treinamento da IA, tá sendo feita em parceria com o BIOS, o Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial aqui da Unicamp. A gente já falou um pouco desse projeto no episódio 201 – Um bate-papo sobre café. Se você ainda não ouviu, tem mais essa lição de casa pra quando acabar esse episódio, vale a pena, porque tá bem legal. [divulgação podcast SabIA!] [música] Mayra: Os sons captados pelo Escutadô, projeto que o Lucas faz parte, ou as gravações dos anfíbios que a gente tava falando com a Natália, nunca são sons isolados. Mayra: Esse conjunto de sons de um ambiente forma o que a gente chama de paisagem sonora. Lucas: Esses sons podem ter origens geofísicas, então o som do vento, o som da chuva, o som dos fluxos de corrente, riachos, cachoeiras, você tem os sons da própria biodiversidade, né, que é baseado nos sistemas de comunicação acústica da fauna, por exemplo, quando as aves produzem as vocalizações, os anfíbios, os insetos, os mamíferos, você tem todo ali um contexto de produção de sinais acústicos que representam assinaturas da presença da biodiversidade no ambiente. E você ainda tem a assinatura da presença das tecnofonias ou antropofonias, né, que são os sons que são produzidos pelos seres humanos, né, seja os sons das rodovias, das construções, das obras, das edificações, ou seja, que tem toda uma contextualização. Mayra: A ideia de usar o som, ou a paisagem sonora, pra entender a saúde de um ambiente, não é nada nova. Um dos livros mais importantes, praticamente fundador do movimento ambientalista nos Estados Unidos, é o Primavera Silenciosa, da Rachel Carson, e ele foi publicado em 1962. Lucas: Então ela já estava alertando para a sociedade acadêmica, especialmente, que o uso de pesticidas, né, as mudanças que o ser humano está promovendo na paisagem estão causando extinções sonoras, né, porque está alterando a composição das espécies na natureza, então a gente está embarcando um pouco nessa ideia que influenciou o que hoje a gente chama de soundscape ecology, que é a ecologia da paisagem sonora, ou ecologia da paisagem acústica. Natália: As pessoas automaticamente imaginam que o silêncio seja algo bom. Mas, esse silêncio é um sinal de alerta, porque ele mostra que as espécies estão desaparecendo e como os seus ciclos e modos de interação estão mudando. E que o habitat, o lugar, já não está dando mais condições impostas pelo clima. Eu acredito que os sons funcionam como uma espécie de termômetro da vida. Quando eles diminuem, é porque a diversidade está ali diminuindo. Mayra: A gente vai ver que a Natália usou noções de paisagem sonora pra criar atividades imersivas de divulgação, onde as pessoas puderam experimentar com diferentes sons e ver como era possível criar novas relações com os sapos a partir deles. Mayra: No caso do Lucas, a paisagem sonora funciona bem como a Natália descreveu, é um termômetro que mede a qualidade de um ambiente da Caatinga. Talvez você imagine esse bioma como um lugar silencioso, um tanto desértico, mas isso tem mais a ver com a imagem comumente divulgada de que é uma região de escassez. Lucas: Do ponto de vista das pessoas interpretarem ela como um ambiente pobre, enquanto ela é muito rica, em termos de biodiversidade, em termos de recursos naturais, em termos de recursos culturais, ou seja, a cultura das populações que vivem lá é extremamente rica. Mayra: Pra complicar ainda mais a situação, a Caatinga está na área mais seca do nosso país. Lucas: Ou seja, a questão da escassez hídrica é extremamente importante. E torna ela, do ponto de vista das mudanças climáticas, ainda mais importante. Mayra: A importância de se falar de grupos menosprezados também aparece na pesquisa da Natália com os sapos. Vamos concordar que eles não tão exatamente dentro do que a gente chama de fofofauna, dos animais queridinhos pela maioria das pessoas, mas não por isso projetos de conservação são menos importantes. Pelo contrário. Mayra: Pra dar uma ideia, na semana que eu escrevia esse roteiro, estava circulando nas redes sociais um estudo que mostrou que, em cinquenta anos, as mudanças climáticas podem ser responsáveis pelo desaparecimento completo dos anfíbios na Mata Atlântica. Mayra: Daí a importância de envolver cada vez mais pessoas em ações de preservação e enfrentamento às mudanças climáticas. Susana: Que a gente pudesse trazer uma paisagem sonora da qual os humanos fazem parte e fazem parte não apenas produzindo problemas, produzindo destruição, mas produzindo interações, interações ecológicas. [música] Mayra: Voltamos então à pesquisa da Natália. Mayra: Ela usou uma metodologia de trabalho que tem sido muito utilizada pela Susana e seu grupo de pesquisa, que são as mesas de trabalho. Susana: E elas foram surgindo como uma maneira de fazer com que a revista ClimaCom, que é uma revista que está tentando ensaiar modos de pensar, de criar, de existir diante das catástrofes, a revista pudesse ter uma existência que não fosse só online, que fosse também nas ruas, nas praças, nas salas de aula, nos outros espaços, que ela tivesse uma existência fora das telas. E que, com isso, a gente se desafiasse não apenas a levar para fora das telas e para as outras pessoas algo que foi produzido na universidade, mas que a gente pudesse aprender com as outras pessoas. Mayra: A ideia das mesas é reunir pessoas diversas, de dentro e de fora da universidade, pra criarem juntas a partir de um tema. Susana: Então, quando chegou a proposta dos anfíbios, a gente resolveu criar uma mesa de trabalho com os sapos. E essa mesa de trabalho envolvia diversas atividades que aconteciam simultaneamente. Essas atividades envolviam desde fotografia, pintura, desenho, colagem, grafismo indígena, até estudo dos sons. Mayra: A Susana estava explicando que durante essas mesas, elas conseguem fazer com que as pessoas interajam com os sapos de uma forma diferente, mais criativa. Criativa aqui tanto no sentido de imaginar, quanto de criar e experimentar mesmo. Susana: A gente propôs a criação de um caderno de estudo dos sons junto com as pessoas. A gente disponibilizou vários materiais diferentes para que as pessoas pudessem experimentar as sonoridades. Disponibilizamos um conjunto de cantos da fonoteca aqui da Unicamp, de cantos dos sapos, para as pessoas escutarem. E pedimos que elas experimentassem com aqueles objetos, aqueles materiais, recriar esses sons dos sapos. E que elas pudessem depois transpor para um caderno essa experiência de estudo desses sons, de como esses sons se expressavam. Mayra: Esse é um exemplo de como a gente pode aproximar as pessoas do trabalho dos cientistas sem que isso coloque a pesquisa feita nas universidades como algo superior ou mais importante do que outros conhecimentos. Escuta só a experiência da Natália: Natália: Através de diferentes materiais, de diferentes meios, é possível criar um movimento afetivo que vai além daquele movimento do emissor-receptor que traz uma ideia mais generalista, mais direta, de que você só fala e não escuta. Então, uma das coisas que mais marcou o meu trabalho nessa trajetória foi a escuta. Onde a gente não apenas falava com os anfíbios, mas também a gente escutava as histórias que as pessoas traziam, os ensinamentos de outros povos, de outras culturas. Então, essa relação entre arte e ciências possibilitou todo esse movimento que foi muito enriquecedor (6:14) Susana: As mesas de trabalho foram um lugar também onde as pessoas acessaram um pouco do trabalho dos herpetólogos. Entraram em relação com a maneira como os herpetólogos estudam os sapos. Interessa para eles se o som do sapo é mais amadeirado, é mais vítreo, é mais metálico. O tipo de som, se ele tem uma pulsação diferente da outra, um ritmo diferente do outro. Eles fazem várias análises desses sons, estudam esses sons em muitos detalhes. Mayra: Trazer essa possibilidade de experimentação é um dos principais objetivos das ações e das pesquisas realizadas pelo grupo da Susana aqui no Labjor. E o encontro com as práticas artísticas tem sido um meio de trabalhar essas experimentações. [música de fundo] Susana: Eu acho que a gente tem pensado muito ciências e artes no plural, com minúsculas, justamente para trazer uma potência de multiplicidade, de possibilidades não só de pesquisa e produção artística, mas de pensamento, modos diferentes de viver no mundo e de praticar a possibilidade de pensar, de criar, de se relacionar com os outros seres. Mayra: Mas, segundo a Susana, tem um desafio grande nesse tipo de trabalho… Susana: Porque é muito comum as pessoas, sobretudo os cientistas, acharem que as artes são uma embalagem bonita para as ciências. Então, o que as artes vão fazer vai ser criar uma maneira das pessoas se seduzirem por um conteúdo científico, de se tornar mais belo, mais bonito. A gente não pensa que esse encontro entre artes e ciências pode tornar as ciências mais perturbadoras, pode questionar o que é ciência, pode gerar coisas que não são nem arte nem ciência, que a gente ainda não conhece, que são inesperadas, que são produções novas. Mayra: Quando a Natália fala da possibilidade de criar relações afetivas com os sapos, ela não quer dizer apenas relações carinhosas, mas também de sensibilidade, de se deixar afetar, no sentido de se permitir viver aquela experiência. De entrar em contato com essas espécies companheiras e, realmente, sair desses encontros diferente do que a gente entrou. Susana: Então, a gente está tentando pensar atividades de divulgação científica e cultural que são modos de criar alianças com esses seres. São modos de prestar atenção nesses seres, de levar a sério suas possibilidades de existir, suas maneiras de comunicar, suas maneiras de produzir conhecimento. É uma ideia de que esses seres também produzem modos de ser e pensar. Também produzem ontopistemologias que a gente precisa aprender a se tornar digno de entrar em relação. Mayra: Em tempos de crise climática, isso se torna especialmente importante. Quando a gente fala de comunicação de risco, sempre existe a preocupação de falar com as pessoas de uma forma que a informação não seja paralisante, mas que crie mobilizações. Mayra: Eu aposto que você, assim como eu, de vez em quando se sente bem impotente quando pensa na catástrofe ambiental em curso. A gente se sente pequeno diante do problema. Só que é necessário fazer alguma coisa diferente do que a gente tem feito ou veremos cada vez mais eventos naturais extremos que têm destruído tantas formas de vida. [encerra música] Susana: Acho que a gente tem pensado nesses encontros justamente como aquilo que pode tirar a gente da zona do conforto e pode gerar uma divulgação científica e cultural nesses encontros entre artes e ciências, que experimentem algo que não seja massificado, algo que escape às abordagens mais capitalizadas da comunicação e mais massificadas, e que possam gerar outras sensibilidades nas pessoas, possam engajá-las na criação de alguma coisa que a gente ainda não sabe o que é, que está por vir. Mayra: A única forma de fazer isso é efetivamente trazendo as pessoas para participar dos projetos, aliando conhecimentos locais e tradicionais com as pesquisas acadêmicas. Isso cria um senso de pertencimento que fortalece os resultados dessas pesquisas. Mayra: O projeto Escutadô, que o Lucas faz parte, também trabalha com essa perspectiva de engajamento. Lucas: A gente usa uma abordagem chamada ciência cidadã, onde a gente se conecta com o público, e os locais onde a gente vai fazer as amostragens são propriedades rurais de colaboradores ou de voluntários do projeto. Então, a gente tem toda essa troca de experiências, de informação com esse público que vive o dia a dia ali no semiárido, ali na Caatinga. Tudo isso enriquece muito a nossa visão sobre o projeto, inclusive as decisões que a gente pode ter em relação a como que essa tecnologia vai ser empregada ou como que ela deveria ser empregada. Mayra: Lembra que o projeto foi financiado a partir de um edital que considerava a bioeconomia? Então, pro Lucas, a pesquisa só se torna inovadora e significativa de verdade se tiver efeitos práticos pra população que ajudou a construir esse conhecimento. Lucas: Senão é só uma ideia bacana, né? Ela precisa se transformar em inovação. Então, a gente tem toda essa preocupação de criar essa ferramenta e de que essa ferramenta seja realmente interessante para mudar a forma com que a gente vai entender ou tomar as decisões de forma mais eficiente, né? E que isso se torne um recurso que seja possível, né? Para que as pessoas utilizem. Mayra: A ideia do projeto é que, a partir de um aplicativo com aquele algoritmo treinado, as pessoas consigam por exemplo avaliar as condições ambientais da região em que vivem. Ou que esses dados possam ser usados pra ajudar a identificar áreas prioritárias de conservação e com isso, contribua diretamente pra qualidade do cuidado com a Caatinga. [música] Mayra: As mudanças climáticas estão aí faz tempo, infelizmente. Mas seus efeitos têm se tornado mais perceptíveis a cada ano. É urgente pensarmos em outras formas de estarmos no mundo, diminuindo os impactos ambientais, antes que esse planeta se torne inabitável, porque, como a gente também tem falado aqui no Oxigênio, não é tão simples assim achar outro planeta pra morar. Susana: Então, acho que isso tem sido fundamental para a gente criar uma comunicação científica em tempos de mudanças climáticas, que não apenas fica na denúncia dos problemas, mas que apresenta possibilidades de invenção de outros modos de habitar essa terra ferida, essa terra em ruínas. [encerra música] Mayra: Eu sou a Mayra Trinca e produzi e editei esse episódio. A revisão é da Lívia Mendes. A trilha sonora tem inserções do Freesound e de captações do projeto Escutadô e do João Bovolon, que também leu o trecho do Livro das Sonoridades. Mayra: Esse episódio é parte de uma bolsa Mídia Ciência e também conta com o apoio da FAPESP. Mayra: O Oxigênio é coordenado pela Simone Pallone e tem apoio da Secretaria Executiva de Comunicação da Unicamp. Estamos nas suas plataformas de áudio preferidas e nas redes sociais como Oxigênio Podcast. Te espero no próximo episódio! [Vinheta encerramento]
O que é um animal exótico? Um mesmo animal pode ser exótico em algum lugar mas noutro não? E o que seria um animal selvagem? E silvestre? Essa semana conversamos sobre essas definições todas e como esses animais podem estar presentes no nosso dia a dia. Além disso, quais os impactos de termos esses animais à disposição em nosso país? Como acontece o mercado e quais as consequências para os animais, para o meio ambiente e para nós, humanos? Patronato do SciCast: 1. Patreon SciCast 2. Apoia.se/Scicast 3. Nos ajude via Pix também, chave: contato@scicast.com.br ou acesse o QRcode: Sua pequena contribuição ajuda o Portal Deviante a continuar divulgando Ciência! Contatos: contato@scicast.com.br https://twitter.com/scicastpodcast https://www.facebook.com/scicastpodcast https://www.instagram.com/PortalDeviante/ Fale conosco! E não esqueça de deixar o seu comentário na postagem desse episódio! Expediente: Produção Geral: Tarik Fernandes e André Trapani Equipe de Gravação: Tarik Fernandes, Marcelo Pedraz, Rita Kujawski e Caio Ferreira Citação ABNT: Scicast #680: Animais Exóticos. Locução: Tarik Fernandes, Marcelo Pedraz, Rita Kujawski e Caio Ferreira. [S.l.] Portal Deviante, 23/02/2026. Podcast. Disponível em: https://www.deviante.com.br/podcasts/scicast-680 Imagem de capa: Unsplash Perguntas do Episódio Abdalla, A. V. D. (2007). A proteção da fauna e o tráfico de animais silvestres (Dissertação de mestrado). Universidade Metodista de Piracicaba. http://www.dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp055586.pdf Albuquerque, U. P., Araújo, E. L., Souto, A., Bezerra, B., Freire, E. M. X., Sampaio, E., Casas, F. L., Moura, G., Pereira, G., Melo, J. G., Alves, M., Rodal, M., Schiel, M., Neves, R. L., Alves, R. R. N., Azevedo-Júnior, S., & Telino Júnior, W. (2012). Caatinga revisited: Ecology and conservation of an important seasonal dry forest. The Scientific World Journal, 2012, 205182. https://doi.org/10.1100/2012/205182 Anderson, C. (2014). Wildlife poaching: Causes, consequences and solutions. Araújo, V. C. de. (2019). Um retrato do tráfico de animais silvestres em São Paulo e alternativas para combatê-lo. Segurança Ambiental On-line, 5(1), 1–10. https://www.policiamilitar.sp.gov.br/unidades/ambiental/SegAmb/ed5/ed5art6.pdf Araújo, V. C. de. (2021). O tráfico de animais silvestres no estado de São Paulo: aspectos legais, sociais e econômicos do traficante (Dissertação de mestrado). Universidade de São Paulo. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100136/tde-19112021-225828/pt-br.php Borges, R. C., Oliveira, A., Bernardo, N., & da Costa, R. (2006). Diagnóstico da fauna silvestre apreendida e recolhida pela Polícia Militar de Meio Ambiente de Juiz de Fora, MG (1998 e 1999). Revista Brasileira de Zoociências, 8(1), 23–33. Brasil. (1998). Portaria n° 93, de 7 de julho de 1998. Ministério do Meio Ambiente. http://www.ibama.gov.br Brasil. (2008). Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Chavan, A. S., & Muley, E. D. (2023). Animal trafficking and poaching: A global concern. Journal of Entomology and Zoology Studies, 11(5), 45–49. https://www.entomoljournal.com/archives/2023/vol11issue5/PartA/11-5-45-197.pdf Cunha, G. B., et al. (2022). Fauna silvestre recebida pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres e encaminhada para o hospital veterinário da Universidade de Brasília. Ciência Animal Brasileira, 23, e-72818. https://doi.org/10.1590/1809-6891v23e72818 Destro, G. F. G., et al. (2012). Efforts to combat wild animals trafficking in Brazil. In Biodiversity (Vol. 1, Cap. XX). ISBN 980-953-307-201-7. Duffus, A. L. J., Waltzek, T. B., Stöhr, A. C., Allender, M. C., Gotesman, M., Whittington, R. J., Hick, P., Hines, M. K., & Marschang, R. E. (2015). Distribution and host range of ranaviruses. In M. J. Gray & V. G. Chinchar (Eds.), Ranaviruses: Lethal pathogens of ectothermic vertebrates (pp. 9–57). Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-319-20928-9_2 Doukakis, P., Pikitch, E. K., Rothschild, A., DeSalle, R., Amato, G., & Kolokotronis, S.-O. (2012). Testing the effectiveness of an international conservation agreement: Marketplace forensics and CITES caviar trade regulation. PLoS ONE, 7(7), e40907. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0040907 Duffy, R. (2016). Security and conservation: The politics of the illegal wildlife trade. Routledge. Financial Action Task Force (FATF). (2020). Money laundering and the illegal wildlife trade. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/9789264313565-en Fischer, M. C., & Garner, T. W. J. (2007). The relationship between the introduction of the American bullfrog (Lithobates catesbeianus) and the decline of native amphibians in Brazil. Conservation Biology, 21(6), 1551–1560. https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2007.00759.x Freitas, V. P. de, & Freitas, G. P. de. (2006). Crimes contra a natureza: De acordo com a Lei 9.605/98 (8ª ed.). Revista dos Tribunais. Hernandez, E. F. T., & Carvalho, M. S. de. (2006). O tráfico de animais silvestres no Estado do Paraná. Acta Scientiarum: Human and Social Sciences, 28(2), 257–266. https://www.redalyc.org/pdf/3073/307324782008.pdf Lima, R. (2007). O tráfico de animais silvestres. In RENCTAS (Ed.), Vida silvestre: O estreito limiar entre preservação e destruição — Diagnóstico do tráfico de animais silvestres na Mata Atlântica: Corredores Central e Serra do Mar (pp. 1–79). Brasília: Dupligráfica. Machado, A. B. M., Drummond, G. M., & Paglia, A. P. (2008). Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção (Vol. 1–2). Fundação Biodiversitas. Maximo, A. B., Lima, L. S., & Almeida, C. O. (2021). Exotic amphibians in the pet trade: Risks of invasion and disease transmission in Brazil. Biological Invasions, 23(6), 1825–1838. https://doi.org/10.1007/s10530-021-02462-4 Mittermeier, R. A., Fonseca, G. A. B., Rylands, A. B., & Brandon, K. (2005). Uma breve história da conservação da biodiversidade no Brasil. Megadiversidade, 1(1), 14–21. Nascimento, C. A. R., Alves, R. R. N., & Mourão, J. S. (2015). Trends in illegal trade of wild birds in Amazonas state, Brazil. Atualidades Ornitológicas, 126, 14. Oliveira, V. M., Matias, C. A., Rodrigues, D. P., & Siciliano, S. (2012). Wildlife trade in Brazil: A focus on birds. TRAFFIC Bulletin, 24(2), 85–88. Pagano, I. S. A., Sousa, A. E. B. A., Wagner, P. G. C., & Ramos, R. T. C. (2009). Aves depositadas no Centro de Triagem de Animais Silvestres do IBAMA na Paraíba: Uma amostra do tráfico de aves silvestres no estado. Ornithologia, 3, 132–144. Pereira, G. A., & Brito, M. T. (2005). Diversidade de aves silvestres brasileiras comercializadas nas feiras livres da Região Metropolitana do Recife, Pernambuco. Atualidades Ornitológicas, 126, 14. Rehbein, K. D. S. (2023). Tráfico de animais silvestres: Limites e possibilidades de atuação dos órgãos competentes (Dissertação de mestrado). Universidade de Passo Fundo. Rehbein, K. D. S., Martinez, G., & Prestes, N. C. (2023). O combate ao comércio ilegal de animais silvestres no Brasil. Planeta Amazônia: Revista Internacional de Direito Ambiental e Políticas Públicas, 15, 282–301. https://periodicos.unifap.br/index.php/planeta Ribeiro, L. B., & Silva, M. G. (2007). O comércio ilegal põe em risco a diversidade das aves no Brasil. Ciência e Cultura, 59(4), 20–23. http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252007000400002 Ruggeri, J., Ribeiro, L. P., Pontes, M. R., Toffolo, C., Candido, M., Carriero, M. M., Zanella, N., Sousa, R. L. M., & Toledo, L. F. (2019). Discovery of wild amphibians infected with Ranavirus in Brazil. Journal of Wildlife Diseases, 55(4), 897–902. https://doi.org/10.7589/2018-10-276 Salati, E., Santos, A. A., & Klabin, I. (2007). Relevant environmental issues. Estudos Avançados, 21(60), 107–127. https://doi.org/10.1590/S0103-40142007000200008 Scheele, B. C., Pasmans, F., Skerratt, L. F., Berger, L., et al. (2019). Amphibian fungal panzootic causes catastrophic and ongoing loss of biodiversity. Science, 363(6434), 1459–1463. https://doi.org/10.1126/science.aav0379 Souto, W. M. S., Torres, M. A. R., Sousa, B. F. C. F., Lima, K. G. G. C., Vieira, L. T. S., Pereira, G. A., et al. (2017). Singing for cages: The use and trade of Passeriformes as wild pets in an economic center of the Amazon—NE Brazil route. Tropical Conservation Science, 10, 1–12. https://doi.org/10.1177/1940082917689895 TRAFFIC. (2014). TRAFFIC Bulletin, 26(2). https://traffic.org/publications/traffic-bulletin/ Zardo, E. L., Behrm, E. R., Macedo, A., Pereira, L. Q., & Lovato, M. (2014). Aves nativas e exóticas mantidas como animais de estimação em Santa Maria, RS, Brasil. Revista Acta Ambiental Catarinense, 11(1), 33–42.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O que é um animal exótico? Um mesmo animal pode ser exótico em algum lugar mas noutro não? E o que seria um animal selvagem? E silvestre? Essa semana conversamos sobre essas definições todas e como esses animais podem estar presentes no nosso dia a dia. Além disso, quais os impactos de termos esses animais à disposição em nosso país? Como acontece o mercado e quais as consequências para os animais, para o meio ambiente e para nós, humanos? Patronato do SciCast: 1. Patreon SciCast 2. Apoia.se/Scicast 3. Nos ajude via Pix também, chave: contato@scicast.com.br ou acesse o QRcode: Sua pequena contribuição ajuda o Portal Deviante a continuar divulgando Ciência! Contatos: contato@scicast.com.br https://twitter.com/scicastpodcast https://www.facebook.com/scicastpodcast https://www.instagram.com/PortalDeviante/ Fale conosco! E não esqueça de deixar o seu comentário na postagem desse episódio! Expediente: Produção Geral: Tarik Fernandes e André Trapani Equipe de Gravação: Tarik Fernandes, Marcelo Pedraz, Rita Kujawski e Caio Ferreira Citação ABNT: Scicast #680: Animais Exóticos. Locução: Tarik Fernandes, Marcelo Pedraz, Rita Kujawski e Caio Ferreira. [S.l.] Portal Deviante, 23/02/2026. Podcast. Disponível em: https://www.deviante.com.br/podcasts/scicast-680 Imagem de capa: Unsplash Perguntas do Episódio Abdalla, A. V. D. (2007). A proteção da fauna e o tráfico de animais silvestres (Dissertação de mestrado). Universidade Metodista de Piracicaba. http://www.dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp055586.pdf Albuquerque, U. P., Araújo, E. L., Souto, A., Bezerra, B., Freire, E. M. X., Sampaio, E., Casas, F. L., Moura, G., Pereira, G., Melo, J. G., Alves, M., Rodal, M., Schiel, M., Neves, R. L., Alves, R. R. N., Azevedo-Júnior, S., & Telino Júnior, W. (2012). Caatinga revisited: Ecology and conservation of an important seasonal dry forest. The Scientific World Journal, 2012, 205182. https://doi.org/10.1100/2012/205182 Anderson, C. (2014). Wildlife poaching: Causes, consequences and solutions. Araújo, V. C. de. (2019). Um retrato do tráfico de animais silvestres em São Paulo e alternativas para combatê-lo. Segurança Ambiental On-line, 5(1), 1–10. https://www.policiamilitar.sp.gov.br/unidades/ambiental/SegAmb/ed5/ed5art6.pdf Araújo, V. C. de. (2021). O tráfico de animais silvestres no estado de São Paulo: aspectos legais, sociais e econômicos do traficante (Dissertação de mestrado). Universidade de São Paulo. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100136/tde-19112021-225828/pt-br.php Borges, R. C., Oliveira, A., Bernardo, N., & da Costa, R. (2006). Diagnóstico da fauna silvestre apreendida e recolhida pela Polícia Militar de Meio Ambiente de Juiz de Fora, MG (1998 e 1999). Revista Brasileira de Zoociências, 8(1), 23–33. Brasil. (1998). Portaria n° 93, de 7 de julho de 1998. Ministério do Meio Ambiente. http://www.ibama.gov.br Brasil. (2008). Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Chavan, A. S., & Muley, E. D. (2023). Animal trafficking and poaching: A global concern. Journal of Entomology and Zoology Studies, 11(5), 45–49. https://www.entomoljournal.com/archives/2023/vol11issue5/PartA/11-5-45-197.pdf Cunha, G. B., et al. (2022). Fauna silvestre recebida pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres e encaminhada para o hospital veterinário da Universidade de Brasília. Ciência Animal Brasileira, 23, e-72818. https://doi.org/10.1590/1809-6891v23e72818 Destro, G. F. G., et al. (2012). Efforts to combat wild animals trafficking in Brazil. In Biodiversity (Vol. 1, Cap. XX). ISBN 980-953-307-201-7. Duffus, A. L. J., Waltzek, T. B., Stöhr, A. C., Allender, M. C., Gotesman, M., Whittington, R. J., Hick, P., Hines, M. K., & Marschang, R. E. (2015). Distribution and host range of ranaviruses. In M. J. Gray & V. G. Chinchar (Eds.), Ranaviruses: Lethal pathogens of ectothermic vertebrates (pp. 9–57). Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-319-20928-9_2 Doukakis, P., Pikitch, E. K., Rothschild, A., DeSalle, R., Amato, G., & Kolokotronis, S.-O. (2012). Testing the effectiveness of an international conservation agreement: Marketplace forensics and CITES caviar trade regulation. PLoS ONE, 7(7), e40907. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0040907 Duffy, R. (2016). Security and conservation: The politics of the illegal wildlife trade. Routledge. Financial Action Task Force (FATF). (2020). Money laundering and the illegal wildlife trade. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/9789264313565-en Fischer, M. C., & Garner, T. W. J. (2007). The relationship between the introduction of the American bullfrog (Lithobates catesbeianus) and the decline of native amphibians in Brazil. Conservation Biology, 21(6), 1551–1560. https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2007.00759.x Freitas, V. P. de, & Freitas, G. P. de. (2006). Crimes contra a natureza: De acordo com a Lei 9.605/98 (8ª ed.). Revista dos Tribunais. Hernandez, E. F. T., & Carvalho, M. S. de. (2006). O tráfico de animais silvestres no Estado do Paraná. Acta Scientiarum: Human and Social Sciences, 28(2), 257–266. https://www.redalyc.org/pdf/3073/307324782008.pdf Lima, R. (2007). O tráfico de animais silvestres. In RENCTAS (Ed.), Vida silvestre: O estreito limiar entre preservação e destruição — Diagnóstico do tráfico de animais silvestres na Mata Atlântica: Corredores Central e Serra do Mar (pp. 1–79). Brasília: Dupligráfica. Machado, A. B. M., Drummond, G. M., & Paglia, A. P. (2008). Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção (Vol. 1–2). Fundação Biodiversitas. Maximo, A. B., Lima, L. S., & Almeida, C. O. (2021). Exotic amphibians in the pet trade: Risks of invasion and disease transmission in Brazil. Biological Invasions, 23(6), 1825–1838. https://doi.org/10.1007/s10530-021-02462-4 Mittermeier, R. A., Fonseca, G. A. B., Rylands, A. B., & Brandon, K. (2005). Uma breve história da conservação da biodiversidade no Brasil. Megadiversidade, 1(1), 14–21. Nascimento, C. A. R., Alves, R. R. N., & Mourão, J. S. (2015). Trends in illegal trade of wild birds in Amazonas state, Brazil. Atualidades Ornitológicas, 126, 14. Oliveira, V. M., Matias, C. A., Rodrigues, D. P., & Siciliano, S. (2012). Wildlife trade in Brazil: A focus on birds. TRAFFIC Bulletin, 24(2), 85–88. Pagano, I. S. A., Sousa, A. E. B. A., Wagner, P. G. C., & Ramos, R. T. C. (2009). Aves depositadas no Centro de Triagem de Animais Silvestres do IBAMA na Paraíba: Uma amostra do tráfico de aves silvestres no estado. Ornithologia, 3, 132–144. Pereira, G. A., & Brito, M. T. (2005). Diversidade de aves silvestres brasileiras comercializadas nas feiras livres da Região Metropolitana do Recife, Pernambuco. Atualidades Ornitológicas, 126, 14. Rehbein, K. D. S. (2023). Tráfico de animais silvestres: Limites e possibilidades de atuação dos órgãos competentes (Dissertação de mestrado). Universidade de Passo Fundo. Rehbein, K. D. S., Martinez, G., & Prestes, N. C. (2023). O combate ao comércio ilegal de animais silvestres no Brasil. Planeta Amazônia: Revista Internacional de Direito Ambiental e Políticas Públicas, 15, 282–301. https://periodicos.unifap.br/index.php/planeta Ribeiro, L. B., & Silva, M. G. (2007). O comércio ilegal põe em risco a diversidade das aves no Brasil. Ciência e Cultura, 59(4), 20–23. http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252007000400002 Ruggeri, J., Ribeiro, L. P., Pontes, M. R., Toffolo, C., Candido, M., Carriero, M. M., Zanella, N., Sousa, R. L. M., & Toledo, L. F. (2019). Discovery of wild amphibians infected with Ranavirus in Brazil. Journal of Wildlife Diseases, 55(4), 897–902. https://doi.org/10.7589/2018-10-276 Salati, E., Santos, A. A., & Klabin, I. (2007). Relevant environmental issues. Estudos Avançados, 21(60), 107–127. https://doi.org/10.1590/S0103-40142007000200008 Scheele, B. C., Pasmans, F., Skerratt, L. F., Berger, L., et al. (2019). Amphibian fungal panzootic causes catastrophic and ongoing loss of biodiversity. Science, 363(6434), 1459–1463. https://doi.org/10.1126/science.aav0379 Souto, W. M. S., Torres, M. A. R., Sousa, B. F. C. F., Lima, K. G. G. C., Vieira, L. T. S., Pereira, G. A., et al. (2017). Singing for cages: The use and trade of Passeriformes as wild pets in an economic center of the Amazon—NE Brazil route. Tropical Conservation Science, 10, 1–12. https://doi.org/10.1177/1940082917689895 TRAFFIC. (2014). TRAFFIC Bulletin, 26(2). https://traffic.org/publications/traffic-bulletin/ Zardo, E. L., Behrm, E. R., Macedo, A., Pereira, L. Q., & Lovato, M. (2014). Aves nativas e exóticas mantidas como animais de estimação em Santa Maria, RS, Brasil. Revista Acta Ambiental Catarinense, 11(1), 33–42.
Paris homenageia o legado do fotógrafo Sebastião Salgado com uma grande exposição na Prefeitura de Paris, aberta ao público a partir deste sábado (21). Com curadoria e cenografia de sua companheira de vida, Lélia Wanick Salgado, a mostra reúne cerca de 200 obras, a maioria vinda do acervo da Maison Européenne de la Photographie (MEP), de Paris. Patrícia Moribe, em Paris O casal se instalou em Paris em 1969, fugindo da ditadura militar brasileira. Economista de formação, a fotografia surgiu no percurso de Sebastião Salgado por acaso através de Lélia, que comprou uma câmera em Paris para seus estudos de arquitetura. "Ele inclusive nunca tinha feito fotografia. Fui eu que comprei a máquina aqui, porque eu estudava arquitetura e precisava fazer fotos. E então foi aí que ele pegou uma câmera pela primeira vez e gostou tanto que roubou minha câmera! Aí, quando eu queria sair para fazer foto, ele dizia: 'Não, eu saio com você, eu faço com você'", conta, rindo. A trajetória profissional de Salgado se consolidou na sua passagem por agências de renome mundial, como Sygma, Gamma e Magnum Photos. O fotojornalista viajava o mundo em coberturas e flagrou, inclusive, a tentativa de assassinato do então presidente americano Ronald Reagan, em 1981. Trajetória Lélia lembra que os primeiros anos exigiram muito esforço e auxílio mútuo, numa época em que ela percorria as redações de Paris em uma mobilete para entregar os filmes do marido. “A vida de um fotógrafo é muito difícil antes de ele se afirmar como profissional”, explica. Em 1994, o casal fundou sua própria agência, a Amazonas Images, que se tornou o quartel-general do trabalho do artista. A exposição também destaca o compromisso ético e ambiental que marca a obra de Salgado. Lélia ressalta que o objetivo do marido era sempre desenvolver temas com um propósito claro, como no caso dos fluxos migratórios: "Ninguém sai de sua casa porque quer. Todo mundo sai porque tem um objetivo, tem uma dificuldade... Então, essa é a mensagem." Da mesma forma, projetos como Gênesis e Amazônia foram criados como alertas para a preservação, relata a curadora. Instituto Terra O legado pela defesa do meio ambiente do casal se materializa de forma prática no Instituto Terra, um projeto de reflorestamento na Mata Atlântica, atualmente administrado pelo filho mais velho, Juliano. A iniciativa começou com uma área desmatada herdada por Salgado, que foi totalmente resgatada e segue se expandindo. Lélia comemora o crescimento impressionante do projeto, de 3.500 árvores plantadas inicialmente para 30 milhões em breve. A exposição em Paris encerra esse percurso de forma íntima, apresentando as obras do filho caçula, Rodrigo, que tem síndrome de Down, e um vídeo com as últimas imagens capturadas por Sebastião no Instituto Terra, em dezembro de 2023. A visita à homenagem de Paris a Sebastião Salgado é gratuita, mas a reserva é obrigatória pelo site oficial. A exposição fica em cartaz até 30 de maio de 2026.
Neste episódio do Sons da Terra os repórteres do programa conversam com biólogo Luciano Lima sobre uma ave exclusiva da Mata Atlântica que é muito mais escuta do que observada, o macuquinho (Eleoscytalopus indigoticus).A espécie que mede cerca de 11 cm costuma percorrer o solo de matas mais fechadas e devido ao comportamento rasteiro e ao tipo de habitat em que vive não é considerada uma ave fácil de ser observada.Apesar disso, o canto do macuquinho pode ser escutado com frequência na floresta e pode ser confundido com o som de um anfíbio, não à toa ele é conhecido também pelo nome de macuquinho-perereca. Uma curiosidade é que a ave utiliza o oco de árvores para que seu canto seja amplificado na mata. E você sabia que o macuquinho e outras espécies da família Rhinocryptidae são considerados amostras vivas de como a Mata Atlântica está conectada com os Andes? Assista ao episódio completo e confira esse e outros detalhes!Foto: Leonardo Vilela/TG
Sua ligação com a bicicleta começou cedo em sua vida. Pedalava com os amigos pelas ruas do bairro e viveu a mania do BMX no Brasil. Na escola, jogou voleibol, mas destacou-se mesmo em matemática e física, desenvolvendo interesse por eletrônica e computação. Cursou Engenharia Naval na Escola Politécnica da USP e, nesse período, praticou mergulho livre e autônomo, além de ginástica olímpica recreativa. Iniciou a vida profissional estagiando e depois trabalhando no marketing de multinacionais, ao mesmo tempo em que passou a se aventurar no mountain bike, que dava seus primeiros passos no Brasil. A partir do início dos anos 1990, passou a se envolver de forma mais intensa com a bicicleta. Com Daniel Aliperti, um amigo de infância, fundou a loja Pedal Power, que logo se tornou referência no mercado. Algum tempo depois, deu início à importação de marcas icônicas do segmento, como Ritchey, Santa Cruz e Rocky Mountain. Profissionalmente e pessoalmente, sua ligação com a bicicleta só aumentava. Abriu uma loja em Campos do Jordão e aproveitou para explorar as oportunidades locais no mountain bike, trekking e aventuras ao ar livre. Em 1997, começou a participar de enduros a pé e das primeiras corridas de aventura realizadas no Brasil. No ano seguinte, ao lado da esposa, integrou a melhor equipe brasileira na primeira edição da Expedição Mata Atlântica e participou da lendária Southern Traverse, na Nova Zelândia. Ao longo dos anos seguintes, competiu em mais algumas corridas de aventura até se voltar novamente ao mountain bike, geralmente em dupla com sua esposa. Em 1999, sua importadora, a Proparts, passou a representar outras marcas fortes, como RockShox e SRAM. Nos anos seguintes, ao lado de Giancarlo Clini, idealizou o que viria a se tornar a Aliança Bike, associação que presidiu por dois mandatos consecutivos. Depois, conquistou a representação da Specialized e implantou a subsidiária da marca no Brasil. Quase uma década depois, conquistou a Mavic, a Zipp e, posteriormente, a gigante Garmin. Em 2018, decidiu então mudar-se com a família para o Canadá e, no ano seguinte, deixou a Pedal Power, focando exclusivamente no fortalecimento e crescimento das marcas que representa e em agregar novas marcas ao seu portfólio, como Vittoria, Shokz e Orbea. Conosco aqui, o engenheiro naval com pós-graduação em administração, empreendedor que tem um portfólio com 14 marcas representadas no Brasil, um dos melhores corredores de aventura brasileiros do final dos anos 1990, um amante do ciclismo e da vida ao ar livre, o paulistano Marcelo de Barros Dantas Maciel. Inspire-se! Um oferecimento @2peaksbikes A 2 Peaks Bikes é a importadora e distribuidora oficial no Brasil da Factor Bikes, Santa Cruz Bikes e de diversas outras marcas e conta com três lojas: Rio de Janeiro, São Paulo e Los Angeles. Lá, ninguém vende o que não conhece: todo produto é testado por quem realmente pedala. A 2 Peaks Bikes foi pensada e criada para resolver os desafios de quem leva o pedal a sério — seja no asfalto, na terra ou na trilha. Mas também acolhe o ciclista urbano, o iniciante e até a criança que está começando a brincar de pedalar. Para a 2 Peaks, todo ciclista é bem-vindo. Conheça a 2 Peaks Bikes, distribuidora oficial da Factor, da Santa Cruz e da Yeti no Brasil. @2peaksbikesla SIGA e COMPARTILHE o Endörfina no Youtube ou através do seu app preferido de podcasts. Contribua também com este projeto através do Apoia.se. SIGA e COMPARTILHE o Endörfina no Youtube ou através do seu app preferido de podcasts. Contribua também com este projeto através do Apoia.se.
Paranapiacaba é uma charmosa vila histórica no município de Santo André, na Grande São Paulo, conhecida por sua arquitetura de influência inglesa e seu passado ferroviário. Vila ferroviária: Construída no século XIX pela companhia britânica São Paulo Railway, a vila serviu de lar para os trabalhadores da ferrovia que ligava o interior paulista ao porto de Santos.Patrimônio preservado: Tombada como patrimônio histórico pelo IPhan, em 2008, somados aos tombamentos estadual (1987) e municipal (2003), a vila é um museu a céu aberto com suas construções de madeira e edifícios característicos da arquitetura britânica da época.Museu do Castelinho: Uma das construções mais icônicas é o Castelinho, antiga residência do engenheiro-chefe da ferrovia, que hoje funciona como museu. Atrações turísticasExpresso Turístico: Nos fins de semana e feriados, um trem antigo da CPTM parte de São Paulo e leva os visitantes para a vila, proporcionando uma viagem no tempo.Trilhas e natureza: Cercada pela Mata Atlântica, a região oferece trilhas ecológicas, cachoeiras e mirantes com vistas panorâmicas.Pontos de interesse: Outros locais que valem a visita incluem a Estação Ferroviária, o Pátio Ferroviário com antigas locomotivas e o relógio inspirado no Big Ben de Londres. Clima e lendasClima peculiar: Situada no alto da Serra do Mar, a vila é frequentemente coberta por uma névoa que contribui para a sua atmosfera misteriosa.Histórias assombradas: O clima de neblina e a história de mortes durante a construção da ferrovia alimentaram lendas sobre espíritos de operários e o "trem fantasma". Festivais e eventosEventos culturais: Paranapiacaba é palco de diversos eventos ao longo do ano, como o Festival de Inverno e festivais temáticos, como o Medieval Paranapiacaba, o Halloween e o Steam Punk.Links úteisPortal do Iphan CPTMPq. Natural Municipal das NascentesInstagram importantes: https://www.instagram.com/paranapiacaba_oficial/https://www.instagram.com/aquamaisturismo/https://www.instagram.com/estudiocristinateles/
Uma ação integrada entre a Polícia Militar Ambiental de Laguna e a Fundação Ambiental Municipal de Lauro Müller (FAM) resultou no resgate de 93 aves silvestres que eram mantidas de forma irregular em cativeiro no município. A operação, realizada na última segunda-feira (10), vistoriou quatro propriedades e também apreendeu dezenas de gaiolas e equipamentos utilizados para o aprisionamento das aves. Entre os animais encontravam-se diversas espécies nativas da Mata Atlântica, incluindo três exemplares classificados como ameaçados de extinção. Segundo a Polícia Militar Ambiental, o volume de animais apreendidos faz desta ação a terceira maior ocorrência do ano em Santa Catarina envolvendo resgate de fauna silvestre mantida ilegalmente. As aves passaram por avaliação técnica dos biólogos da Fundação Ambiental Municipal. Parte delas, após constatação de condições adequadas, já foi reintegrada ao habitat natural. As demais seguem em observação e cuidados especializados até que seja possível o retorno seguro à natureza. A Engenheira Ambiental da Fam, Taise Fortunato, em entrevista ao repórter Álvaro Souza, contou detalhes da operação.
Ainda que haja ganho de vegetação jovem, o bioma encontra-se em em situação crítica
O presidente Lula fez um balanço do encontro com Donald Trump e afirmou que os dois países devem fechar um bom acordo. Já o americano disse que não sabe se algo vai acontecer. Depois da vitória política na eleição parlamentar, o presidente argentino Javier Milei anunciou que vai negociar reformas com governadores. As defesas dos réus do núcleo crucial da trama golpista apresentaram recursos à condenação na Primeira Turma do STF. Bancos adotaram regras mais rigorosas para impedir fraudes e golpes e devem identificar e fechar contas suspeitas. Esperança e meio ambiente: na estreia de uma série de reportagens, nossos repórteres visitaram fazendas que estão reflorestando trechos da Mata Atlântica e a aldeia indígena que está renascendo junto com a floresta.
Nesta edição do "CBN Meio Ambiente e Sustentabilidade", com o comentarista Marco Bravo, o destaque são as Unidades de Conservação (UCs), áreas delimitadas pelo poder público para proteger a natureza e a biodiversidade. O comentarista explica que as Unidades de Conservação são áreas naturais criadas pelo poder público com o objetivo de preservar a biodiversidade, os recursos hídricos e o equilíbrio ecológico, garantindo também oportunidades de pesquisa, educação ambiental e turismo sustentável. Elas representam um dos instrumentos mais importantes da Política Nacional de Meio Ambiente, prevista na Lei nº 6.938/1981.Localmente, o Espírito Santo celebrou 40 anos da criação do Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça, localizado entre Alegre e Ibitirama, a primeira Unidade de Conservação estadual. Criado em 1985, o parque protege cerca de 27 km² de florestas, nascentes e quedas d'água, incluindo a imponente Cachoeira da Fumaça, com mais de 140 metros de altura. Além de sua beleza cênica, o parque tem papel estratégico na conservação da Mata Atlântica e dos recursos hídricos do Caparaó, sendo também um símbolo da história da conservação capixaba. Quem participa da conversa é o doutor e mestre em Ciência Florestal, Luiz Fernando Schettino. "Quarenta anos depois, o legado do Parque da Cachoeira da Fumaça reforça a importância de ampliar e consolidar as unidades de conservação como pilares de sustentabilidade, adaptação climática e qualidade de vida para as presentes e futuras gerações", explica o comentarista. Ouça a conversa completa!
A disparada dos preços do cacau nos últimos anos dá o que falar na Amazônia e impulsiona um movimento tímido, porém crescente, de produtores rurais que decidem reduzir o rebanho de gado e apostar na matéria-prima do chocolate. Na economia da floresta em pé, o cacau desponta não apenas como uma alternativa promissora de renda, como pode ser vetor de recuperação de áreas desmatadas. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Marabá, Assentamento Tuerê e Altamira (Pará) Na região de Marabá, na fronteira leste do desmatamento da Amazônia no Pará, restam apenas vestígios do que um dia já foi tomado pela floresta. Dos dois lados da rodovia Transamazônica, obra faraônica do período da ditadura militar, predominam extensas áreas de pastagens para a criação de gado. É neste contexto que culturas agrícolas alternativas à pecuária, ou pelo menos complementares, aparecem como um caminho para conter este processo de avanço da agricultura em direção à mata. O cacau é uma das que melhor se associa à floresta nativa da Amazônia. Sob a copa de árvores como cumaru e andiroba, e com manejo adequado, a planta é mais resistente às pragas, tem maior durabilidade e dá frutos de melhor qualidade, com maior valor de mercado. Ao contrário de outros grandes produtores mundiais, em especial na África – onde a monocultura de cacau “a pleno sol” leva ao desmatamento –, no Brasil o plantio do fruto hoje ocupa áreas já degradadas ou em consórcio com outras culturas. O pequeno agricultor Rubens Miranda, 73 anos, chegou a Marabá aos 17 e, desde então, trabalha na roça e cria gado. Mas desde 2016, a área de pasto da sua propriedade de 27 hectares está cada vez menor – dando lugar a uma variada produção em sistema agroflorestal (SAF), da qual o cacau é estrela. "Estou com só 25 cabeças agora. Eu tinha 70 quando eu comecei a investir no plantio", conta ele. Produção de cacau por agricultores familiares No Pará, líder nacional no setor, mais de 80% da produção do cacau vem da agricultura familiar e 70% se desenvolve em sistemas agroflorestais como este, de acordo com um levantamento de 2022 da Embrapa Amazônia Oriental. Mas nem sempre foi assim. Na era dourada do cacau na Bahia, que alçou o país a maior produtor mundial no século 20, a produção em monocultura empobreceu a Mata Atlântica no nordeste. As lições da história agora servem de alerta para o avanço da cultura na Amazônia. "O que a gente vê no cacau é um exemplo de retorno de atividades agrícolas rentáveis trazendo árvores para o sistema. A gente entende que os consórcios são muito bem-vindos, fazem bem para a cultura do cacau, e são uma solução mais adequada para o que a gente está vivendo, especialmente as mudanças climáticas", indica João Eduardo Ávila, engenheiro agrônomo do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola). O instituto é um dos que levam capacitação técnica para os pequenos agricultores não repetirem os mesmos erros do passado. "A cacauicultura tem um potencial enorme de renda para as famílias, para que elas não fiquem só dependentes da pecuária", frisa. A cultura também exerce um papel positivo contra a crise climática: com manejo adequado e à sombra de outras árvores, tem potencial de acumular até 60 toneladas de carbono por hectare no solo, operando como sumidouro de CO2 em regiões que sofrem cada vez mais as consequências do desmatamento. Retorno financeiro é maior, mas não imediato Mas o cultivo do fruto exige paciência e dedicação: a safra demora cerca de quatro anos para começar, a poda é trabalhosa e, para sair pelo melhor preço, a amêndoa precisa ser fermentada. No final, o retorno financeiro compensa – o quilo é comercializado a cerca de R$ 60, podendo chegar a R$ 90, conforme a qualidade. Os preços fazem os olhos de Rubens Miranda brilhar. Agora que consegue produzir mais no mesmo espaço de terra, ele se arrepende de, no passado, ter aberto tanta mata para criar gado. "Se fosse hoje, em uns cinco hectares eu trabalhava. Teria sido suficiente." Organizações da sociedade civil e outras instituições, como a Embrapa e o Ministério Público, além do governo do Pará, fazem um trabalho de longo prazo para convencer os agricultores familiares a migrarem para práticas agrícolas mais sustentáveis. Os gargalos são muitos: conhecimento técnico, logística, dificuldade de acesso aos mercados e, principalmente, recursos limitados para viabilizar a transição. "Nessa nossa região, é muito importante essa quebra de paradigmas, mostrar que é um resgate a um sistema produtivo que foi se perdendo ao longo do tempo. O monocultivo e a pecuária aqui na região é muito forte por questões históricas: aquela ideia de que você precisaria desmatar tudo para instalar um sistema novo", comenta Gilmar Lima Costa, engenheiro agrônomo do Ministério Público do Pará. " Você vê muitas extensões de áreas degradadas justamente pela falta de manejo adequado nas pastagens. Não faz a adubação, não faz a correção do solo, não faz a divisão das pastagens e, sempre que é possível, eles adentram e fazem a abertura de uma nova área, sendo que não era necessário fazer isso." Batalha pelo sustento do dia seguinte Os técnicos do Instituto de Desenvolvimento Florestal e Biodiversidade do Pará (Ideflor Bio) percorrem o Estado para acompanhar a transição destes agricultores e oferecer mudas de espécies nativas da Amazônia, e assim estimular a recomposição florestal. Mas Marcio Holanda, gerente do escritório regional em Carajás, reconhece que os que trabalham em SAF ainda são uma minoria. "Hoje, com as mudanças climáticas, a gente tem que incentivar, apoiar e buscar condições, buscando parceiros, se juntando para que os sistemas agroflorestais cumpram também a missão ambiental, num processo de reflorestamento, e na questão da geração de renda desses agricultores, porque já é comprovado que é viável", afirma. A 300 quilômetros a oeste, a organização Solidaridad busca aumentar a conscientização na região de Novo Repartimento e no Assentamento Tuerê, conhecido como o maior da América Latina. Historicamente, os assentamentos de terras registram índices superiores de desmatamento do que outras áreas da Amazônia – uma herança da campanha de ocupação da região por meio da devastação, a partir dos anos 1960. Para grande parte dos pequenos produtores, a maioria imigrantes de outros estados do Brasil, a principal preocupação é garantir o sustento do dia seguinte, salienta Pedro Souza dos Santos, coordenador de campo da entidade. "Isso é um desafio para nós. Quando a gente vê como era antes, o que é hoje, com o marco do Código Florestal, e o que pode ser no futuro, a gente tem que colocar tudo isso para o produtor, que antes ele não enxergava. Ele enxergava só o agora", diz. "A gente vem colocando na cabeça do produtor que ele pode produzir sem agredir, sem desmatar e que, nessa área aberta, ele pode ter o uso das tecnologias para ele avançar e ter uma produção sustentável. Mas ainda falta muito. Nós somos um pingo na Amazônia, tentando fazer essa transformação, dia após dia, ano após ano, fazendo aquela insistência, voltando lá de novo, dando acompanhamento", afirma Santos. Cacau como ferramenta de regeneração florestal O agricultor Jackson da Silva Costa, na localidade de Rio Gelado, simboliza essas vulnerabilidades da região. Desde o ano passado, a venda da produção de gado dele está embargada por desmatamento ilegal. Para voltar ao mercado, Jackson precisará recuperar a mata que derrubou ilegalmente em 2023. Nos seus 24 hectares de terra, ele já produz cacau há muito tempo. Agora, o aumento da área destinada ao fruto vai ser o caminho para a regularização do passivo ambiental gerado pela pecuária. "O entendimento que a gente tem é o seguinte: 'você não pode desmatar'. Só que chega um ponto em que é assim: 'eu vou fazer aqui e depois eu vou ver o que vai dar'", relata Costa. "Eu tenho consciência de que eu fui errado e por isso eu perdi. A conta chega e não tem para onde correr. Eu vou ter que pagar o que eu devo." Pagar o preço, para ele, significa isolar os 5 hectares desmatados e deixar a floresta se regenerar. Em consórcio, poderá plantar cacau e outros frutos compatíveis com a mata, como o açaí ou o cupuaçu. "Esse capim aqui já não vai me servir. Eu vou deixar ele já para iniciar o processo de reflorestamento", indica, ao mostrar uma área entre o local onde ele já plantava cacau e o que restou de floresta virgem na sua propriedade. "Eu vou deixar que árvores nativas cresçam. Mas com o cultivo do cacau que vai vir, com certeza vai dar uma rentabilidade maior. E quando eu for replantar, eu já quero colocar cacau de qualidade." Histórias de sucesso do chocolate da Amazônia Os encontros com a equipe da Solidariedad são importantes para manter a motivação de agricultores como Jackson, em meio às dificuldades de uma vida com poucos confortos. Nas conversas, Pedro traz as histórias de sucesso de cacauicultores da região, que conquistaram até prêmios no exterior pela qualidade do chocolate produzido na Amazônia. "O entendimento de que o produtor tem que esperar o momento certo para as amêndoas chegarem no ponto, tem que mandar uma amostra para teste e só depois vender, demora. A maioria aqui são produtores pequenos, que querem colher, processar todo o manejo rapidamente e logo vender", ressalta. "Mas quando ele faz o cacau fino, que é uma minoria muito baixa, e vende por um preço melhor, ele não quer sair mais. " Há cerca de 10 anos, a produção do Pará superou a da Bahia, antiga líder histórica do setor no Brasil. Na região de Altamira, maior polo produtor do Estado, a fabricante Abelha Cacau transforma o produto da região não apenas em chocolate, como explora o universo de 30 derivados possíveis do cacau – mel, suco, chá, manteiga, adubo e até cerveja. "De um quilo de cacau seco, a gente consegue extrair, em média, quase metade de manteiga, que hoje está a R$ 200. Ou seja, só esse derivado já tem mais de 100% de lucro", explica. "E se eu pego o que resta para fazer cacau em pó, vai vir mais R$ 200 o quilo. Ou seja, eu estou vendendo a R$ 60, onde eu poderia tirar 400. E se eu transformo isso em barras de chocolate, eu multiplico isso por mais dez. O valor agregado só vai escalonado". O Brasil hoje oscila entre o sétimo e o sexto lugar entre os maiores produtores mundiais da commoditie. O setor busca recuperar posições no ranking, mas sob bases diferentes das que impulsionaram os prósperos ciclos do cacau nos séculos 19 e 20. A meta é dobrar a produção atual e chegar ao fim da década com 400 mil toneladas por ano. "A gente está vendo que isso está acontecendo, não só a ampliação da área, mas também novas tecnologias, variedades mais produtivas existentes, adubação, orientação técnica, tecnologias de equipamentos para beneficiar as amêndoas de cacau", salienta João Ávila, coordenador do programa Cacau 2030, do Imaflora. Um dos objetivos do programa é promover a rastreabilidade da cadeia, essencial para garantir a sustentabilidade do cacau brasileiro. "Ainda é muito incipiente, quando comparada as outras cadeias, como café, por exemplo", reconhece Ávila. "Mas a gente já tem uma cartilha com um passo a passo mais claro, para que todo mundo tenha sua participação responsável, tanto no ambiente fiscal quanto socioambiental." * Esta é a quarta reportagem da série Caminhos para uma Amazônia sustentável, do podcast Planeta Verde. As reportagens, parcialmente financiadas pelo Imaflora, vão ao ar todas as quintas-feiras até a COP30 em Belém, em novembro.
O convidado é o promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema), Fábio Ottoni
Desde o ano passado, os casos de febre Oropouche têm disparado no Brasil. Somente em 2024, foram confirmados 13.856 casos da doença, um aumento de mais de 1500% em relação a 2023, que identificou 834 ocorrências, segundo dados do Painel Epidemiológico do Governo Federal. O que chama a atenção de especialistas é o fato de que, historicamente, o vírus era restrito à região amazônica. Hoje, porém, ele se espalhou pelo Brasil. O Espírito Santo, por exemplo, se destaca na lista de estados com maior incidência: 42% dos casos do Brasil foram contabilizados em solo capixaba no ano passado. Para entender essa expansão, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) desenvolveram um estudo inédito que permitiu identificar seis linhagens distintas do Oropouche em circulação no Estado. Pela primeira vez, foi documentada a expansão do vírus para regiões da Mata Atlântica. Os mecanismos de sua rápida dispersão na região Sudeste do Brasil também foram analisados. Esse trabalho, inclusive, foi reconhecido nacionalmente e recebeu uma premiação de melhor trabalho em genética evolutiva.A CBN Vitória entrevista o professor do Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas da Ufes, coordenador do Laboratório de Genômica e Ecologia Viral da Universidade e orientador do estudo, Edson Delatorre. Ouça a conversa completa!
O novo episódio do podcast STJ No Seu Dia já está no ar e trata de um tema essencial para a preservação do meio ambiente e para a consolidação da reparação integral no Brasil: a indenização por danos morais coletivos em casos de degradação da natureza.Em conversa com o jornalista Thiago Gomide, a especialista em direito ambiental Luciana Lanna repercute recente decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que fixou sete critérios objetivos para identificar quando há direito à indenização por danos morais coletivos decorrentes de lesões ambientais.No bate-papo, a convidada explica conceitos importantes como a presunção do dano imaterial, a responsabilização de múltiplos agentes pela macrolesão ecológica e a diferenciação entre a reparação material e moral dos danos causados à coletividade.Também são discutidos casos emblemáticos julgados pelo STJ, especialmente aqueles relacionados à proteção de biomas considerados patrimônio nacional, como a Amazônia, a Mata Atlântica e o Pantanal, além do fortalecimento do dever de reparação mesmo quando a degradação ocorre em áreas de pequena extensão.STJ No Seu Dia Produzido pela Coordenadoria de TV e Rádio do STJ, o podcast traz entrevistas com linguagem simples e acessível sobre questões institucionais e/ou jurisprudenciais do Tribunal da Cidadania.O conteúdo é veiculado às sextas-feiras, às 21h30, na Rádio Justiça (104,7 FM – Brasília) e também está disponível no canal do STJ no Spotify e em outras plataformas de áudio.
Atenção senhoras e senhores ouvintes! O nosso voo acabou de decolar! E o comando desse episódio foi a integrante Roberta Piancó. Neste voo abordamos as notícias sobre a Elysium Sociedade Cultural comemora centenário do circuito Art Déco, a segunda fase de recuperação do bioma da caatinga é iniciada, nova lei facilita os proprietários de veículos com débito no IPVA, e Lauro de Freitas recebe mudas de espécies de Mata Atlântica. A nossa torre de controle, no comando de Guilherme Cardoso, trouxe uma dica cultura muito interessante! Nesse sábado, dia 13 das 18hrs ás 21hrs vai acontecer a JAM, no Museu de Arte Moderna, na Avenida Contorno. A entrada é gratuita e irá contar apresentações musicais, dança e improvisos da banda Geleia Solar! Então, aperte o play e confiram notícias!
Uma decisão da Advocacia-Geral da União (AGU) trouxe alívio a milhares de famílias que vivem há décadas na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, no litoral catarinense. No parecer, a instituição concluiu que não existe conflito jurídico entre a Lei da Mata Atlântica e a Lei da Regularização Fundiária Urbana (Reurb), abrindo caminho para a regularização das moradias na região. A manifestação atende a um pedido da deputada federal Geovânia de Sá (PSDB-SC), que levou à AGU a preocupação das comunidades ameaçadas de despejo. Até então, o entendimento do ICMBio era de que a Reurb não poderia ser aplicada na área por se tratar de Mata Atlântica, apoiando-se em parecer anterior que restringia a consolidação de ocupações em áreas de bioma protegido. Com o novo posicionamento, a AGU esclareceu que a decisão de 2023 tratava apenas de áreas rurais, e não se aplica automaticamente ao contexto urbano. Assim, tanto a Reurb-S (para famílias de baixa renda) quanto a Reurb-E (para ocupações específicas) poderão ser aplicadas, desde que acompanhadas de estudos técnicos e compensações ambientais. A decisão representa o fim de um ciclo de insegurança vivido por moradores que já chegaram a ser tratados como invasores. A orientação da AGU agora servirá de referência a municípios e órgãos ambientais, permitindo que projetos de regularização urbana avancem na APA da Baleia Franca. Na prática, famílias que antes viviam sob risco de remoção passam a ter reconhecido o direito à moradia digna, em harmonia com a preservação ambiental. Em entrevista ao Cruz de Malta Notícias desta segunda-feira (8), a deputada federal Geovânia de Sá, ressaltou a importância da decisão.
“É missão da Gencau e está nos nossos valores o apoio a agricultura familiar, ao pequeno produtor, principalmente nos biomas da Amazônia e Mata Atlântica. Então a gente vê que se apoia o produtor familiar ele vai manter a floresta em pé, manter os recursos naturais e ter uma qualidade de vida excelente. Ele não vai precisar abrir mais áreas para produzir cacau. Dentro daquela mesma área ele vai produzir mais” - Lucas Cirilo - diretor de sustentabilidade e marketing da Gencau Lucas ainda fala sobre os programas de remuneração aos cacauicultores, o incentivo para a melhora de qualidade e o aumento de produtividade
“Quando a gente olha para a produção de cacau nas áreas tradicionais elas são altamente sustentáveis. A gente tem no sul da Bahia e Espírito Santo principalmente o que a gente chama de modelo cabruca, que é a produção de cacau embaixo da Mata Atlântica. Aqui na Bahia, onde tem Mata Atlântica tem cacau” - Anna Paula Losi, presidente executiva AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau)O novo episódio do Podcast Renata Maron Entrevista - Especial ExpoCacau 2025 - traz em pauta a cacauicultura brasileira e seus principais desafios e oportunidades
Se você já percorreu áreas de montanhas preservadas da Mata Atlântica certamente ouviu o canto da tovaca-de-rabo-vermelho (Chamaeza ruficauda). Essa espécie endêmica dessa floresta úmida vive em altitudes mais elevadas e é fácil de ser reconhecida pelo canto alto e contínuo.A dificuldade porém, está na visualização desse bicho. Assim como outras parentes, essa ave é extremamente arisca, o que dificulta o avistamento na mata. Além disso, ela vive em ambientes mais fechados e escuros. A espécie de 20 centímetros tem o hábito terrestre e se alimenta de insetos, sementes e pequenos frutinhos.Apesar de não ser fácil de ser encontrada, existem locais no Brasil que conseguem atrair essa ave para perto. Essa dica e outras curiosidades você confere no episódio completo!Fotos: Regina Manzur
O motivo foi o desmatamento ilegal da Mata Atlântica, em região de campos de altitude
No novo episódio do Vozes do Planeta, Paulina Chamorro conversa com Jorge Ferreira e Caio Antunes, autores do recém-lançado Guia de Plantas Medicinais da Mata Atlântica. Primeiro volume de uma série dedicada à biodiversidade brasileira, o guia reúne 50 cartas ilustradas que resgatam o saber ancestral sobre os usos tradicionais e medicinais das plantas nativas e naturalizadas da Mata Atlântica.Na entrevista, Jorge e Caio compartilham os bastidores do projeto, que nasceu do encontro entre memória, arte e natureza, e refletem sobre como a coleção busca inspirar crianças e adultos a se reconectarem com a floresta, os quintais e os saberes que atravessam gerações. Neste episódio, você também ouve o Rap da Água, das autoras e intérpretes da letra, Sofia Schnoor e Lila Medeiros. Prepare-se para uma conversa que une ciência, afeto e cultura, celebrando a riqueza da nossa biodiversidade e o valor de aprender diretamente com a natureza.
O gelato autoral criado pela capixaba Gabriela Ayres Maretto Zorzal, da Blu Gelatos, feito com gabiroba gigante e castanhas da Mata Atlântica, frutas vermelhas e mel de uruçu, conquistou o paladar do público exigente da maior feira de Panificação e Confeitaria da América Latina, Fipan 2025, onde aconteceu, na última semana, a Grande Final Nacional do Gelato Festival Brasil. A sobremesa, apesar de não vencer a competição e conquistar uma vaga para a etapa internacional na Itália, ficou com o primeiro lugar na avaliação do júri popular do evento, formado por especialistas do setor.
A revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Vila Velha está em curso. Foi aprovado, no final de junho, na Câmara Municipal, o projeto de Lei nº 2.427/25, de autoria do próprio Executivo municipal, que cria a chamada Comissão Técnica Municipal de Estudos para Revisão do Plano Diretor Municipal (PDM). A última atualização do PDM de Vila Velha aconteceu em 2018. Segundo informações da administração municipal, a nova Comissão será vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade (Semdu). O que será discutido? Entre os objetivos da revisão estão, de acordo com a prefeitura, atualizar regras urbanísticas para estimular crescimento urbano sustentável, com foco em desenvolvimento social e humano – ajustar padrões do Plano aos avanços ambientais e políticas de proteção da Mata Atlântica e áreas de preservação permanente. "Bairros como Jockey de Itaparica estão se transformando com novos condomínios e empreendimentos – a revisão pretende adequar o PDM a esse dinamismo". Vale lembrar que o Plano Diretor é o principal instrumento de planejamento territorial da cidade e sua revisão periódica é obrigatória por lei. Em entrevista à CBN Vitória, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade, Joel Rangel, fala sobre o assunto. Ouça a conversa completa!
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O esporte o acompanhou desde os primeiros anos — ainda nos tempos de escola, era daqueles alunos que se envolviam em tudo: das corridas de velocidade ao handebol, passando até pela patinação. Aos 11 anos, tornou-se sócio do Esporte Clube Pinheiros, onde mergulhou de vez no universo esportivo. Foi bicampeão paulista de handebol depois dedicou-se ao karatê Kyokushin, conquistando o título de vice-campeão brasileiro na faixa azul. Seu mestre deixou nele marcas indeléveis — como a filosofia do espírito de guerreiro, a disciplina e o desejo de superação. Nos anos 1990, antes da popularização do ecoturismo, explorava as trilhas e cavernas do PETAR, no sul do estado de São Paulo. Aquela conexão com a natureza e com o desconhecido despertou algo que ele ainda não sabia nomear, mas que viria a se tornar sua grande paixão esportiva: as corridas de aventura. Participou das icônicas Southern Traverse, em 1998, e do Eco-Challenge Bornéu, no ano 2000 — experiências que o marcaram não apenas pela exigência física, mas também pela complexidade emocional. Foi diretor técnico da Expedição Mata Atlântica nos anos de 1999 e 2000. Com a bagagem de quem viveu intensamente a linha de frente e os bastidores, decidiu transformar essa vivência em plataforma para outros atletas. Idealizou e conduziu a Brasil Wild, uma das corridas de aventura mais emblemáticas já realizadas no país. Entre 2005 e 2009, aliou cenários deslumbrantes a desafios técnicos, tornando seus eventos referência e símbolo de ousadia em um momento decisivo para a modalidade no Brasil. Seu olhar de organizador era ao mesmo tempo rigoroso e sensível — atento à experiência completa de atletas, comunidades e imprensa. Há seis anos, mudou-se com a família para Portugal, onde participou de dez meias maratonas como forma de conhecer diferentes cidades do país. Hoje, pratica padel e mantém alguns dias de natação por semana, buscando o equilíbrio e o bem-estar. Conosco aqui, ele que é formado em Direito, com pós-graduação em Administração, ex-proprietário da Pousada das Cavernas e guardião de memórias de jornadas selvagens que viveu e ajudou a criar — histórias que continuam ecoando nos corações e mentes de uma geração de aventureiros — o paulistano Júlio José Fantauzzi Pieroni. Inspire-se! Um oferecimento da Meia do Corredor Lupo Sport. Compre com desconto clicando aqui. @luposportoficial A 2 Peaks Bikes é a importadora e distribuidora oficial no Brasil da Factor Bikes, Santa Cruz Bikes e de diversas outras marcas e conta com três lojas: Rio de Janeiro, São Paulo e Los Angeles. Lá, ninguém vende o que não conhece: todo produto é testado por quem realmente pedala. A 2 Peaks Bikes foi pensada e criada para resolver os desafios de quem leva o pedal a sério — seja no asfalto, na terra ou na trilha. Mas também acolhe o ciclista urbano, o iniciante e até a criança que está começando a brincar de pedalar. Para a 2 Peaks, todo ciclista é bem-vindo. Eu convido você a conhecer a 2 Peaks Bikes, distribuidora oficial da Factor e Santa Cruz Bikes no Brasil. @2peaksbikes @2peaksbikesla SIGA e COMPARTILHE o Endörfina através do seu app preferido de podcasts. Contribua também com este projeto através do Apoia.se.
Irã e Israel desrespeitaram o cessar-fogo de Donald Trump e, depois de doze dias de bombardeios, os dois países se declararam vitoriosos. Imagens de satélite registraram cicatrizes de fogo e revelaram um recorde na destruição da Amazônia e da Mata Atlântica no ano passado. No Rio Grande do Sul, milhares de desalojados pelos alagamentos enfrentam o frio. O governo propôs um calendário para devolver o dinheiro descontado ilegalmente de aposentados e pensionistas. Numa entrevista exclusiva ao Jornal Nacional, o príncipe William, da Inglaterra, explicou porque o Brasil sediará um dos prêmios de sustentabilidade mais importantes do mundo. A ação penal que investiga a tentativa de golpe teve acareações no STF. Veja também os gols e os confrontos da fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. E terminou em morte o acidente da brasileira Juliana Marins em um vulcão da Indonésia.
Nos últimos anos, os projetos de créditos de carbono para a proteção de florestas, chamados de REDD, enfrentaram revezes. Depois de acusações de que muitos desses projetos não entregam o que prometem, a demanda por créditos no mercado voluntário caiu e ainda não recuperou o patamar do início desta década.Pois eis que agora surge um novo tipo de projeto, que voltou a atrair a confiança tanto de grandes investidores quanto de grandes compradores. Aqui, não se trata de proteger florestas do desmatamento, mas de restaurar áreas que já foram destruídas.Startups dedicadas ao reflorestamento foram criadas recentemente e começam a anunciar seus primeiros negócios. A re.green tem entre seus sócios a família Moreira Salles, do Itaú; a Gávea Investimentos, de Armínio Fraga; e Guilherme Leal, um dos controladores da Natura.A re.green já se comprometeu a vender mais de 6 milhões de créditos para a Microsoft. A Mombak, fundada por ex-executivos do Nubank e do aplicativo de transporte 99, fechou acordos com Google e Microsoft. E a Biomas, resultante da parceria entre Itaú Unibanco, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale, anunciou seu primeiro projeto: restaurar 1.200 hectares de Mata Atlântica.Mas o que, exatamente, explica a maior atratividade dos projetos de restauração? Não que eles não sejam necessários: o Brasil tem dezenas de milhões de hectares de áreas degradadas. Mas recuperar florestas e outros ecossistemas leva décadas e exige uma construção financeira particular. É exatamente isso que eu exploro neste episódio, em uma conversa com Cristiano Oliveira, diretor de desenvolvimento de negócios e sustentabilidade da Biomas.*Para quem quiser aprender ainda mais sobre a restauração florestal:"As Construtoras de Florestas” do podcast Carbono Zero, do Reset.For scandal-ridden carbon credit industry, Amazon restoration offers redemption, do site Mongabay “O fim do mercado voluntário de carbono,” do Economia do Futuro.Support the showO Economia do Futuro é publicado quinzenalmente às quintas. Para apoiar, envie este episódio para um amigo por Whatsapp. Para entrar em contato, escreva para podcast@economiadofuturo.com
Segundo pesquisadora do Inpe, apesar do número, desmatamento ainda é considerado pequeno quando comparado com outros biomas
Senadores ofenderam a ministra Marina Silva durante um debate sobre proteção ambiental na Amazônia. Um estudo revelou que menos de 10% da Mata Atlântica estão em unidades de conservação. Outra pesquisa mostrou o que mudou nas escolas com a proibição do uso do celular. O governo americano suspendeu novos agendamentos de vistos para estudantes estrangeiros. Donald Trump disse que Vladimir Putin está brincando com fogo em relação à Ucrânia. A Rússia reagiu e falou em risco de uma terceira guerra mundial.
Hoje, No Pé do Ouvido, com Yasmim Restum, você escuta essas e outras notícias: Ibama aprova plano de ação da Petrobras para vazamentos na Margem Equatorial. Trump e Putin conversam por duas horas, mas guerra na Ucrânia continua. Novo plano para Mata Atlântica prevê cerco judicial a desmatadores. MEC define cursos de medicina e direito em formato exclusivamente presencial. Ligação de irmão de Lula com escândalo do INSS preocupa Planalto. Denzel Washington é surpreendido com Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes. E morre Yuri Grigorovich, lendário bailarino do Teatro Bolshoi, aos 98 anos. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Ricardo Cardim, botânico e paisagistab apresenta análises e comentários sobre a agenda verde nas cidades. Quadro vai ao ar na Rádio Eldorado às quintas, ao vivo, às 07h45, no Jornal Eldorado; e em boletins às segundas e quartas, às 12h30 e 16h.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Confira nesta edição do JR 24 Horas: Em 2024, o desmatamento no Brasil teve uma redução de 32,4% em relação ao ano anterior. Cinco dos seis biomas brasileiros apresentaram queda, com destaque para Pantanal, Pampa e Cerrado. A Amazônia e Caatinga também apresentaram queda. Apenas a Mata Atlântica viu o desmatamento crescer no ano passado. E ainda: Turismo mantém alta e cresce mais de 5% nos primeiro três meses do ano.
Fundador da Caiman, Pantanal, Roberto Klabin é empresário, ambientalista e advogado formado pela USP. É fundador e vice-presidente da Fundação SOS Mata Atlântica e proprietário da Caiman, uma das principais iniciativas de ecoturismo e conservação no Pantanal. No bate-papo com o publicitário Geraldo da Rocha Azevedo, ele conta sobre sua atuação há décadas na preservação ambiental no Brasil, especialmente em biomas como o Pantanal e a Mata Atlântica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Marcelo Tas recebe o paisagista e botânico Ricardo Cardim. No bate-papo, ele discute a criação de uma graduação em paisagismo no Brasil, explica a importância das plantas nativas, sugere a criação de um museu da Mata Atlântica e muito mais.Entre as provocações de Marcelo Tas, Cardim afirma que o paisagismo é uma das profissões que mais exigem responsabilidade atualmente: "no Brasil, de cada dez brasileiros, nove moram em cidades. Quem decide pelo verde que vai nas cidades? É, em grande parte, o paisagista, seja na área pública ou privada."O botânico também detalha os motivos para utilizar plantas nativas no paisagismo e a importância dessa relação entre as espécies e a fauna.Em outro momento da entrevista, ele defende a criação de um museu da Mata Atlântica, destacando a riqueza de sua biodiversidade, além de discutir a predominância de árvores não nativas no Brasil e seu impacto sobre a vegetação original do país.
Você sabia que tem um passeio de trem que sai do centro de São Paulo e vai até Paranapiacaba, uma antiga vila inglesa no meio da Mata Atlântica?Rafael Carvalho e Adolfo Nomelini contam toda a experiência sobre esse passeio, valores e dão dicas de como conseguir os ingressos, que são muito disputados! Além disso, o que fazer em Paranapiacaba, onde comer e muito mais!Assista ao vídeo de ParanapiacabaPerfil do @expressoturisticocptmTrilhas:- For Podcast by DayNigthMorning - Free Music Archive (CC BY-NC-ND)- 2010 Pop by Akira Sora - Free Music Archive (CC BY-NC-ND)
Um dos cinco focos do Fórum Econômico de Davos este ano é impulsionar soluções para o enfrentamento da crise climática para “salvar o planeta”. Os revezes na política ambiental dos americanos já começaram no primeiro dia da volta de Donald Trump à Casa Branca, mas muitas empresas garantem que não darão marcha à ré neste processo – e o Brasil poderá se beneficiar dessa movimentação de recursos. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI Brasil a DavosO governo brasileiro foi à Suíça para vender o potencial do país e atrair investimentos – contando também com a fuga de alguns deles dos Estados Unidos nos próximos quatro anos. "Eu acho que o retrocesso na agenda ambiental e climática é ruim, não importa se você tem oportunidades ali ou não. Nós não temos tempo: precisamos fazer as coisas com velocidade”, destacou Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio e que agora atua em investimentos na economia verde."A temperatura está subindo e o fato de o Brasil eventualmente se beneficiar de uma coisa ou outra é importante, é bom para o país, mas não devemos celebrar muito, não. O que nós queremos é que a agenda ambiental e climática caminhe, e caminhe rápido”, disse Azevêdo, presidente global de operações da Ambipar, multinacional líder de soluções ambientais para as cadeias de negócios.O Brasil é uma potência ambiental pelas suas florestas, biodiversidade, clima e matriz energética. Além disso, acumula conhecimento científico e tecnológico nestes setores, incluindo o que há de mais moderno em agricultura sustentável e monitoramento de desmatamento."Acho que todos os setores precisam participar desse processo. Obviamente, o Brasil é uma liderança em energia limpa, mas a gente vem avançando em uma agricultura com recursos vindos de economia circular, com integração, agrofloresta”, complementou o vice-presidente de sustentabilidade da Ambipar, Rafael Tello. "Temos aí uma série de oportunidades.”O Instituto Arapyaú, filantropia com mais 15 anos de atuação, faz a ponte para viabilizar projetos de bioeconomia e soluções baseadas na natureza. A CEO Renata Piazzon aposta que "um vácuo" vai ser deixado pelos Estados Unidos, e avalia que a realização da COP 30 esse ano no país coloca o Brasil em um momento de "muita relevância".“A gente é a única filantropia brasileira que faz parte de um grupo maior de filantropos, Funders Table, que investe mais de US$ 4 bilhões na agenda de mudanças climáticas. Já teve sinalizações de mudança de uso do recurso para países em desenvolvimento – muito do recurso da filantropia global em clima que seria usado para apoio a projetos nos Estados Unidos, parte dele deve migrar para outros países emergentes”, avaliou. "Eu acho que esse é o caso do Brasil, então acho que é um ano que a gente precisa mostrar soluções, coisas que já deram certo e que o Brasil já colocou em escala. Restauração é uma das coisas”, frisou.Desconfiança nos projetosAgroecologia, agricultura regenerativa e soluções tecnológicas para um agro mais sustentável, como biofertilizantes, também têm potencial de atração, sublinha Piazzon. Mas nos diferentes painéis sobre o tema em Davos, dois bloqueios para apostar no país foram repetidamente evocados: confiança nos projetos e segurança regulatória, jurídica e institucional.“Nada disso vai acontecer de forma natural e espontânea. Não é uma dádiva divina. Você tem os recursos, mas você precisa ter políticas públicas que ajudam nesse sentido”, explicou Azevêdo. "Precisa ter um ambiente internacional que favoreça o trânsito dos serviços e mercadorias que são transacionados na economia verde brasileira e para o mundo. E, sobretudo, precisa trazer para o exterior uma narrativa mais sofisticada sobre o que acontece no país”, notou.A Re.green é uma das empresas que atua para atrair capital privado para a restauração de florestas no Brasil. O CEO Tiago Picolo reconhece que "não é fácil” transmitir a segurança da qual os investidores precisam."Pelo lado da iniciativa privada, eu acho que você precisa ter uma proposta de valor e uma equipe muito bem estruturada. Não tem segurança política suficiente para compensar um projeto mal feito ou pessoas que não têm experiência ou não estão estruturadas, uma equipe estruturada para fazer isso”, disse. "Na Re.green, a gente focou muito nisso, em trazer os cientistas que realmente conhecem do assunto, trazer as pessoas da área florestal para gerar essa segurança."Leia tambémCOP29: gastar mais em energias fósseis do que na transição "é suicídio planetário", diz Carlos NobreRenata Piazzon, do Instituto Arapyaú, recomenda que o país consolide um a visão de longo prazo sobre a sustentabilidade, independentemente do governo no Planalto."O Brasil precisa olhar para além de COP 30, porque o mundo não acaba em Belém. Falta a construção de uma visão de país para os próximos dez anos, a visão do Brasil que vai estar aí depois das eleições de 2026”, afirmou.Interesse no mercado de carbono brasileiroA perspectiva do mercado regulado de carbono é outro aspecto que impulsiona o fluxo de recursos externos para o país desenvolver projetos socioambientais. No fim do ano, o governo aprovou no Congresso e sancionou a lei que cria as bases para essas transações.Pela sua diversidade ambiental, o Brasil é apontado como o país com maior potencial do mundo na geração de créditos. Durante o fórum, a Microsoft anunciou a ampliação de um projeto de restauração de áreas de floresta nativa na Mata Atlântica e na Amazônia, passando de 16 mil para 33 mil hectares."Não é uma coisa de curto prazo, vai demorar. Passou uma lei, mas tem um monte de regulamentações que têm que ser desenvolvidas nos próximos anos. Mas é um sinal bem positivo”, comentou Tiago Picolo.Leia tambémEm Davos, ministro Silveira diz que Brasil abrirá mão do petróleo quando países ricos cumprirem promessasMas para que este mercado realmente funcione – e não seja apenas uma espécie de licença para as empresas continuarem a emitir livremente gases de efeito estufa –, é preciso garantir a integridade da oferta e da demanda dos projetos."Esse negócio da baixa integridade no mercado é uma faca de dois gumes, porque, por um lado, muitas pessoas – as empresas – ficam fora do jogo, sentam no banco de reserva esperando para entrar no campo, e me gera um trabalho de ter que explicar como é que eu me diferencio”, observou. "Por outro lado, quem quer estar no jogo aumentou muito o sarrafo, então são poucos que conseguem transmitir essa confiança, essa integridade."Rafael Tello salienta que a capacidade de auditar os resultados dos créditos que o Brasil negociar "vai ser cobrada”. "A gente precisa trabalhar com essa realidade, mas tem, sim, interesse. Precisa de cooperação, de transparência, precisa de seriedade. É uma visão de longo prazo”, pontuou também o executivo da Ambipar. "A gente não vai resolver isso de um dia para o outro, então a gente precisa trabalhar passo a passo, de forma consistente, para materializar essa potência que a gente tem no Brasil”, resumiu.
Com menos repercussão que as conferências internacionais sobre clima ou a biodiversidade, a 16ª COP da Desertificação fecha o ciclo dos grandes encontros ambientais das Nações Unidas em 2024. O evento em Riad, na Arábia Saudita, desloca as atenções para os lugares mais impactados por um clima cada vez mais quente e seco. No Brasil, o semiárido da Caatinga é a região mais sujeita a um processo irreversível de degradação. Lúcia Müzell, da RFI em Paris"Toda a área na Caatinga está na área mais suscetível à desertificação. O aquecimento global e as mudanças climáticas fazem o ambiente perder umidade. Temos um solo sem vegetação, com sol e uma temperatura muito intensa, e sem disponibilidade de água. Ali é um ambiente muito oportuno para a degradação da terra e, por consequência, de desertificação”, explicou Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente do Brasil.O desmatamento das florestas, as queimadas e uso ineficiente da água na produção agrícola aceleram esta transformação. O agronegócio brasileiro é, ao mesmo tempo, causador e vítima deste fenômeno.O uso intensivo da terra por monoculturas e pecuária degradam os solos e afetam a sua fertilidade. As mudanças do clima modificam o regime de chuvas, o que intensifica as secas e afeta as lavouras, causando prejuízos milionários ao setor.Mas Pires observa que não é apenas o agro que demora a reagir diante destes riscos: a sociedade brasileira como um todo e os governos nas três esferas de poder não acordaram para a ameaça da desertificação, que atinge cerca de 38 milhões de pessoas no nordeste, entre elas 42 povos indígenas.Em paralelo, os demais biomas brasileiros sofrem com o aumento das secas – a Amazônia experimentou neste ano a estiagem mais severa da história. Mesmo assim, na última COP sobre a Desertificação, em 2022, apenas duas pessoas compunham a delegação brasileira."As secas não são mais um fenômeno apenas da região nordeste, do semiárido brasileiro, mas todo o país está sofrendo, assim como outros países que não sofriam agora estão, em função das mudanças climáticas. A gente espera chegar a um acordo sobre um protocolo, uma declaração na qual os países partes da Convenção de Combate à Desertificação consigam pensar em uma estratégia para tratar o tema das secas, que é também uma agenda climática”, salientou, em entrevista à RFI.Gargalo do financiamento também na COP da DesertificaçãoComo nas demais reuniões internacionais, o financiamento das ações de recuperação dos solos e adaptação a um clima mais seco é um ponto de fricção entre os 196 países reunidos em Riad.Em escala global, 1,5 bilhões de hectares de terra precisam ser restauradas em cinco anos, a um custo estimado em US$ 2,6 trilhões até 2030 – dos quais US$ 191 bilhão por ano apenas para África, onde o combate à desertificação é uma questão de segurança alimentar. Os valores são altos, mas especialistas garantem que o custo de deixar o problema aumentar será ainda maior.Nas negociações na COP16, os países se dividem em grupos: de um lado, África, Ásia, América Latina e países mediterrâneos, mais afetados pela degradação dos solos, exigem um protocolo legalmente vinculante sobre o tema, como o de Kyoto balizou as negociações climáticas. Diante deles, o grupo da Europa ocidental e outros países do norte, como os Estados Unidos, alega ser pouco ou não ser atingido e resiste à ideia de mais um acordo ambiental.Duas visões de sistemas agroalimentares também se confrontam: uma baseada na intensificação das culturas e da pecuária e no uso de produtos fitossanitários, amplamente subsidiada desde meados do século 20; e a outra, agroecológica, utilizada em todo o mundo, mas de forma mais fragmentada e localizada, muitas vezes devido à falta de apoio político e financeiro nos países.Leia tambémTirar os lobistas resolveria? Quais as pistas para as Conferências do Clima darem mais resultados"É exatamente na faixa de terras secas suscetíveis a desertificação no planeta onde estão os maiores índices de pobreza, de insegurança alimentar, mas é também onde estão grande parte dos agricultores camponeses, comunidades locais produtoras de alimentos saudáveis”, observou Pires, um dos representantes do Brasil na conferência.Desmatar é mais barato que recuperarNo Brasil, o diálogo entre as pastas do meio ambiente e da agricultura em busca de melhores práticas agrícolas, mais eficientes para garantir a qualidade dos solos, ainda precisa evoluir. Derrubar florestas é uma solução mais barata do que recuperar as áreas degradadas.No semiárido, a situação é ainda mais grave: cerca de 207 mil quilômetros quadrados de solos encontram-se em estado severo ou crítico de degradação."Investir na restauração e na recuperação desses 20 milhões de hectares é muito mais custoso do que a gente evitar o processo de desmatamento do Cerrado, da Caatinga ou de qualquer bioma, mas estes dois são os mais afetados pelo processo de desertificação”, ressaltou.Além das zonas mais críticas ou ocupadas pela agricultura, em estudo de julho deste ano o Mapbiomas revelou que até 25% da vegetação nativa do Brasil pode estar degradada – ou até 135 milhões de hectares. A maior parte fica no Cerrado, seguido da Amazônia. Mas proporcionalmente ao seu tamanho total, a Mata Atlântica é o bioma mais danificado.A COP16 termina no dia 13 de dezembro.
Polícia Federal conclui que Jair Bolsonaro planejou golpe de Estado, que só não foi executado por fatores externos. Carrefour se retrata após pressão política e comercial do Brasil. Joe Biden anuncia cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, mediado pelos EUA e França. Mata Atlântica foi bioma mais afetado pela ação humana no Brasil entre 1985 e 2023, segundo Mapbiomas. Atriz Fernanda Torres é destaque em reportagem da revista americana Vanity Fair. Anatel anuncia que 5G está disponível em todos os municípios do Brasil. Para saber mais sobre as iniciativas do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), apresentadas na editoria Evolução Energética, visite alemdasuperficie.org. Essas e outras notícias, você escuta No Pé do Ouvido, com Yasmim Restum.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Dans l'État de Rio de Janeiro, la réserve écologique de Guapiaçu est un exemple de conservation environnementale de la Mata Atlântica. Cette ancienne ferme, qui avait déboisé afin de créer des pâturages pour le bétail et des champs de café et canne à sucre au début du XXᵉ siècle, est redevenue une forêt riche en biodiversité, où 800 000 arbres ont été replantés. Le terrain de 8 000 hectares a été restauré par les héritiers anglais de la ferme. Il est aujourd'hui un centre de conservation et de recherche, un espace d'éducation environnemental pour les enfants et d'éco tourisme, avec des hébergements sur place. On y compte près de 700 espèces d'arbres et 500 espèces d'oiseaux. de notre correspondante, Mauricio s'écarte du sentier pour entrer dans une forêt un peu plus dense : « En marchant, je viens de tomber sur des graines assez rares. On appelle ça populairement les 'yeux de chèvre' ».Mauricio da Conceição connaît bien les espèces de la région, car il en est lui-même natif. Il est aujourd'hui en charge de la pépinière de la réserve écologique de Guapiaçu. Mais avant d'être employé par l'ONG, il y a vingt ans, il était chasseur. Tout comme son collègue, Messias Gomes, qui a découvert cette année un arbre encore inconnu, baptisé « la cerise de Guapiaçu » : « J'ai toujours aimé la forêt, et je m'y déplace très facilement. Sauf qu'aujourd'hui, je suis là pour la protéger. Je suis contre la chasse. Je décourage tous mes proches à chasser, je leur explique qu'on n'a pas besoin de faire ça, et que les animaux aussi ont le droit de vivre dans la forêt ».Après 100 ans d'extinction dans l'État de Rio, des tapirs ont pu être réintroduits sur le territoire.Impliquer les communautés locales a été primordial dans le processus selon Micaela Locke, coordinatrice des projets scientifiques au sein de la réserve écologique : « Ce fut une stratégie pour attirer les premiers chasseurs. C'était aussi un avantage parce qu'ils ont des connaissances empiriques incroyables sur la forêt. Les chasseurs sont ceux qui sont le plus en contact avec cette forêt, ils y vivent ! Donc, on avait besoin de ces personnes pour nous emmener sur les chemins, nous aider à faire des sentiers de randonnée ».À lire aussiBrésil: des abattoirs et des éleveurs condamnés pour la déforestation d'une réserve protégéeDes projets comme celui-ci sont souvent financés par des fondations internationales. Pour Aline Damasceno, ingénieure forestière, le Brésil manque encore d'ambition sur les sujets environnementaux : « Pour restaurer/récupérer la quantité de territoire dont le Brésil a besoin, il faut un réel investissement. Des politiques publiques, des incitations financières, parce que les personnes pour effectuer ce travail, nous les avons. Des gens qui sont motivés, qui ont les connaissances et les capacités nécessaires ».La Mata Atlantica est le biome le plus menacé au Brésil, mais aussi le plus peupléC'est la raison pour laquelle l'accent est mis sur les nouvelles générations et le tourisme durable au sein de la réserve. Dès leur naissance, les enfants sont impliqués dans plusieurs projets, comme l'explique Leandro Nunes, biologiste : « Ça ne sert à rien de reboiser ou restaurer ces territoires si nous n'avons personne pour les conserver. L'éducation environnementale, ce n'est pas seulement de venir ici et de s'amuser dans la nature. C'est leur faire comprendre que tout ça commence aussi par une bonne gestion des déchets, mais aussi par leur vote pour tel ou tel candidat ».Moins médiatique que l'Amazonie, la Mata Atlantica est le biome le plus menacé au Brésil, mais aussi le plus peuplé. Près de 70 % de ses forêts ont été détruites.À lire aussiBrésil: la région du Cerrado, victime oubliée de la déforestation
Após uma série de ataques aéreos contra o Hezbollah, que já provocaram mais de 550 mortes e deslocaram aproximadamente 500 mil pessoas, Israel afirma estar em preparação para uma ofensiva terrestre contra o Líbano. Um adolescente brasileiro e seu pai morrem no sul do Líbano em consequência dos ataques aéreos. Ministério da Fazenda expressa preocupação com rápida expansão dos jogos e apostas online no país, pelo potencial de endividamento que eles têm. Entre os destaques das estreias da semana no cinema, a atriz Dira Paes estreia na direção e conta a história de uma bióloga que se redescobre durante projeto na Mata Atlântica. Essas e outras notícias você escuta No Pé do Ouvido.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O relatório anual da MapBiomas, apresentado nesta terça-feira, 28, revelou uma redução de 12% no desmatamento no Brasil em 2023, a primeira diminuição desde 2019. Durante o mandato de Bolsonaro, entre 2019 e 2022, a área desmatada alcançou 35 mil quilômetros quadrados, um aumento de quase 150% comparado aos quatro anos anteriores. Sob a gestão de Marina Silva na pasta do Meio Ambiente e Mudança do Clima, houve redução no desmatamento na Amazônia, Mata Atlântica e no Pampa, segundo o relatório da MapBiomas. No entanto, houve aumento na devastação de outros biomas como Cerrado, Pantanal e Caatinga. Pela primeira vez em cinco anos, o Cerrado superou a Amazônia em área desmatada, com 1 milhão e 110 mil hectares destruídos, um aumento de 68%. Em contraste, a Amazônia teve uma redução de 62% na perda de vegetação, com 454 mil hectares desmatados. Quase metade da perda de vegetação nativa ocorreu na região de Matopiba, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, devido ao avanço da agropecuária. A área desmatada nessa região aumentou 59% de 2022 para 2023. No entanto, o relatório trouxe um dado positivo: a redução da perda de vegetação nativa em Unidades de Conservação e Terras Indígenas. O governo planeja lançar novos planos de proteção para os biomas até setembro, expandindo ações bem-sucedidas da Amazônia para outras regiões. Afinal, como reverter o aumento desenfreado do desmatamento no Cerrado? É possível mirar o desmatamento zero na Amazônia? Para falar sobre a pesquisa e as principais mudanças no cenário de desmatamento no país, convidamos Ane Alencar, coordenadora da equipe Cerrado e Diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). O ‘Estadão Notícias' está disponível no Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google podcasts, ou no agregador de podcasts de sua preferência. Apresentação: Emanuel Bomfim Produção/Edição: Gustavo Lopes, Jefferson Perleberg e Gabriela Forte Sonorização/Montagem: Moacir BiasiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Howdy! Estamos de volta com um episódio inédito com uma entrevista SENSACIONAL com o grande cientista, Prof. Dr. Mauro Galetti! Mauro Galetti é um renomado cientista brasileiro, reconhecido internacionalmente por suas contribuições significativas no campo da ecologia e biodiversidade. Sua trajetória acadêmica e profissional é marcada por uma busca incessante pelo entendimento dos impactos humanos na fauna e nos ecossistemas naturais. Graduou-se em Biologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em 1991, dando início a uma jornada que o levaria a se destacar como uma das principais mentes científicas do país. Logo após sua graduação, em 1992, concluiu o mestrado em Ecologia também pela UNICAMP, consolidando sua base acadêmica. Sua busca por conhecimento o levou além das fronteiras brasileiras, rumo à Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde obteve seu Ph.D. em Ciências Biológicas entre os anos de 1992 e 1996. Como pós-doc, ainda em Cambridge, teve a oportunidade de trabalhar na Ilha de Bornéu, na Indonésia, enriquecendo sua experiência com a biodiversidade global. Retornou ao Brasil como bolsista Jovem Pesquisador da FAPESP, iniciando uma fase prolífica em sua carreira científica. Sua expertise e paixão pela pesquisa o levaram a colaborar com instituições de renome mundial, como o Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) em Sevilha, Espanha, e o Center for Latin American Studies na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Ao longo dos anos, Mauro Galetti demonstrou sua versatilidade como pesquisador, atuando como professor visitante em universidades ao redor do mundo, incluindo a Aarhus Universitet, na Dinamarca, e a Universidade de Miami, nos Estados Unidos, onde exerceu o cargo de professor associado e diretor do Gifford Arboretum. Em sua terra natal, contribuiu significativamente para o avanço da pesquisa científica como um dos diretores do Centro de Dinâmica da Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CEPID) e como curador do maior banco de dados de biodiversidade da Mata Atlântica, o Atlantic Data Papers. Como bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e um dos cientistas brasileiros mais citados na área de Ecologia e Evolução, Mauro Galetti tem deixado uma marca indelével no cenário científico nacional e internacional. Sua influência vai além das publicações em periódicos renomados, estendendo-se às suas palestras como keynote speaker em diversas universidades ao redor do mundo. Além de sua atuação como pesquisador, Galetti é também um dedicado divulgador científico, tendo participado de programas de TV, podcasts e contribuído para jornais, compartilhando sua paixão pela natureza e pelo conhecimento científico. Em 2023, lançou seu primeiro livro, "Um Naturalista no Antropoceno", uma obra que reflete não apenas sua formação como biólogo, mas também suas experiências em alguns dos lugares mais selvagens do planeta, destacando sua preocupação com os desafios ambientais enfrentados pela humanidade neste século. Mauro Galetti continua a ser uma figura proeminente no campo da ecologia e biodiversidade, inspirando estudantes e colegas com seu compromisso inabalável com a ciência e sua incansável busca por respostas para os desafios ambientais do nosso tempo. Baixe o ebook ou compre a edição impressa do livro "Um naturalista no Antropoceno: um biólogo em busca do selvagem": https://editoraunesp.com.br/catalogo/9786557144541,um-naturalista-no-antropoceno Siga o perfil do Prof. Mauro nas redes sociais: @dr.mauro_galetti Dá uma força para manter o DesAbraçando online e com episódios no cronograma contribuindo financeiramente com nosso projeto: O DesAbraçando é um projeto independente e conta com o apoio dos ouvintes para se manter online e pagar a edição de áudio. Se você curte o projeto, considere apoiar financeiramente. Você pode contribuir a partir de R$ 1,00 no www.apoia.se/desabrace Segue a gente lá nas redes sociais: