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Para encerrar 2025, selecionamos as melhores reportagens e entrevistas exibidas ao longo do ano. No hospital Gustave Roussy, nos arredores de Paris, as novas técnicas de medicina nuclear já garantem mais precisão no diagnóstico e no tratamento, beneficiando diversos pacientes. Taíssa Stivanin, da RFI em Paris O centro pretende expandir esses procedimentos para vários tipos de tumores malignos, como os da próstata, da mama e do sistema digestivo, explicou Désirée Deandreis, especialista em medicina nuclear aplicada à oncologia e chefe do setor no instituto. “A ideia é testar novas moléculas para vários tipos de câncer. Por ora, os tratamentos se restringem aos cânceres raros e de próstata. Começamos também a utilizá-los em cânceres de mama e, neste inverno europeu, vamos testá-los nos cânceres digestivos. Queremos também detectar doenças que ainda não contam com opções terapêuticas. A meta é desenvolver pesquisas e encontrar moléculas eficazes.” Sedentarismo: problema de saúde pública O sedentarismo tornou-se um problema de saúde pública, e o mais preocupante é que a prática regular de atividade física não elimina os riscos associados ao hábito de passar várias horas sentado por dia. Esse foi o tema do nosso papo com a endocrinologista e fisiologista francesa Martine Duclos, chefe do setor de medicina do esporte do Hospital Universitário de Clermont-Ferrand, no centro da França. “Quando estamos sentados, os músculos das pernas não se contraem, e o fluxo do sangue diminui. Ele se mantém em certo nível, já que é necessário levar oxigênio aos músculos, mas é reduzido, o que diminui a pressão exercida nas paredes das artérias.” Vírus da Covid-19 afeta o cérebro Um estudo realizado no Instituto Pasteur, em Paris, revelou que o vírus SARS-CoV-2, além de atingir o cérebro, pode permanecer ativo no tronco cerebral por até 80 dias após a infecção. A descoberta, feita pelo pesquisador brasileiro Guilherme Dias de Melo e uma equipe de cientistas do instituto, identificou alterações em mecanismos cerebrais relacionados à dopamina, neurotransmissor envolvido em doenças neurodegenerativas como o mal de Parkinson. A presença do vírus da Covid-19 no cérebro está associada a sinais de depressão, distúrbios de memória e ansiedade, além de mecanismos que podem levar ao desenvolvimento da Covid longa. “Fizemos um estudo de longo prazo, dez semanas após o fim da fase aguda. E vimos que, durante todo esse tempo, os animais apresentavam sintomas, não os respiratórios clássicos da Covid-19, mas relacionados ao sistema nervoso central, como ansiedade e perda de memória. Mesmo após 80 dias, o vírus ainda estava presente”, explica Guilherme. Casos de chikungunya crescem na França A chikungunya é uma doença que vem crescendo rapidamente na França, com a proliferação do mosquito-tigre. Esse aumento já era esperado após meses de epidemia na Ilha da Reunião, no oceano Índico, e com a chegada do verão europeu em junho, que favorece a reprodução do inseto. Mas o rápido avanço da doença preocupa as autoridades francesas. Segundo a infectologista Émilie Mosnier, especialista em saúde pública que atua no hospital universitário de Saint-Pierre, na Ilha da Reunião, as condições climáticas, aliadas à densidade populacional e à quantidade de mosquitos, determinam a intensidade das contaminações. “É um risco cada vez maior e deve ser enfrentado coletivamente. A população precisa ser informada para evitar a reprodução do mosquito em áreas residenciais, reduzindo o risco de epidemias de chikungunya, mas também de dengue e zika.” Café pode ajudar a prevenir demência? A neurocientista portuguesa Luísa Lopes, pesquisadora do Instituto Gulbenkian de Ciência Molecular e da Faculdade de Medicina de Lisboa, faz parte do grupo de especialistas que busca entender como a cafeína atua na saúde dos neurônios – e os resultados são surpreendentes. Ela melhora o desempenho cognitivo e diminui a inflamação. “Houve há pouco tempo estudos de ressonância magnética funcional em humanos, com a cafeína. Eles foram feitos em Portugal, em Braga, e mostram que esse efeito cognitivo é real e a cafeína aumenta a concentração e a atenção. E o efeito de hiperatividade, com o consumo crônico, desaparece. Tanta gente toma que é como se estivéssemos em um grande ensaio clínico em tempo real. Podemos observar os efeitos colaterais, se ao longo da vida há algum problema, e é uma substância segura, não há grandes problemas em relação ao consumo de cafeína. Isso é uma ótima notícia para brasileiros e portugueses também, porque adoramos café!” Como o açúcar afeta a atividade cerebral O neurobiologista francês Xavier Fioramonti estuda como os açúcares podem afetar a atividade cerebral.Ele é diretor de pesquisa do Instituto Nacional para a Agricultura, a Alimentação e o Meio Ambiente (INRAE), na França, e codirige atualmente uma equipe de oito pesquisadores no laboratório Nutrineuro, da Universidade de Bordeaux, no sudoeste da França. Xavier concentra seus estudos na frutose, um açúcar naturalmente presente nas frutas, que contêm fibras e vitaminas e têm efeito benéfico para o organismo. O problema é que a frutose está cada vez mais presente de forma isolada em alimentos ultraprocessados, tanto doces quanto salgados. “A frutose, como já foi demonstrado nos últimos anos, induz transtornos metabólicos, como o diabetes. Quando consumimos esse tipo de açúcar, o fígado não sabe muito bem como utilizá-lo. Nenhuma célula do corpo sabe metabolizá-lo para convertê-lo em energia.” Museu de hospital psiquiátrico francês promove arte como terapia O acervo do Museu de Arte e História do Hospital Psiquiátrico Sainte-Anne, no 14º distrito de Paris, reúne cerca de 1.800 obras de 196 artistas-pacientes de vários países, incluindo o Brasil. As produções vão do século 19 aos dias de hoje. Uma das missões do museu, diz Anne Marie Dubois, responsável científica do estabelecimento, é derrubar o estigma da “loucura” dos pacientes psiquiátricos. “Claro que há pacientes que exprimem situações angustiantes, mas isso não é sistemático. É muito importante que as pessoas venham ao museu com o espírito livre de qualquer tipo de interpretação, sem questionar qual doença os pacientes tinham.” Projeto Prisme O projeto Prisme, uma plataforma de cooperação científica assinada entre a França e o Brasil, fez parte do calendário de eventos do Ano do Brasil na França. “A força da plataforma é reunir pesquisadores, instituições, representantes de programas nacionais de pesquisa, sociedade civil e associações de pacientes, além de organizações internacionais e financiadores”, explicou Marion Fanjat, representante do departamento de estratégias e parcerias da ANRS, a agência francesa de pesquisa sobre Aids e hepatites virais, que também monitora doenças infecciosas emergentes. “Após o lançamento oficial, os parceiros agora trabalham para definir um plano de ação, as prioridades nas pesquisas e ações concretas que serão operacionalizadas. Por enquanto, somos um consórcio de parceiros fundadores e estamos decidindo o que vamos fazer em termos operacionais nos próximos meses.”
A França e o Brasil lançaram oficialmente, em outubro, em Fortaleza (CE), a Plataforma Internacional de Pesquisa em Saúde Global França-Brasil, conhecida pela sigla Prisme. A iniciativa integra a temporada do Ano do Brasil na França e envolve os governos, as agências de saúde, instituições e pesquisadores dos dois países. Taíssa Stivanin, da RFI em Paris O objetivo da iniciativa é transformar a pesquisa em ações concretas para a saúde pública, além de promover trocas científicas sobre doenças como tuberculose, hepatites virais e infecções sexualmente transmissíveis. Uma das metas é colocar em prática projetos na Guiana Francesa e no Amapá, onde França e Brasil compartilham uma fronteira. A ANRS, agência francesa de pesquisa sobre Aids e hepatites virais, que também monitora doenças infecciosas emergentes, está diretamente envolvida no projeto. De acordo com Marion Fanjat, representante do departamento de estratégias e parcerias da ANRS, um dos focos do Prisme é agregar todos os parceiros nas decisões, ultrapassando as colaborações binacionais. “Queremos que todos possam se sentar em torno da mesma mesa”, diz. “A força da plataforma é reunir pesquisadores, instituições, representantes de programas nacionais de pesquisa, sociedade civil e associações de pacientes, além de organizações internacionais e financiadores”, explicou a representante da ANRS, sediada na região parisiense. “Após o lançamento oficial, os parceiros agora trabalham para definir um plano de ação, as prioridades nas pesquisas e ações concretas que serão operacionalizadas. Por enquanto, somos um consórcio de parceiros fundadores e estamos decidindo o que vamos fazer em termos operacionais nos próximos meses”, diz. Saúde pública A representante da agência francesa lembra que a Guiana Francesa e o Brasil compartilham muitos “desafios de saúde pública”, incluindo a gestão de epidemias pontuais, como a da dengue. A doença já é transmitida localmente na França há alguns anos, com a propagação do mosquito-tigre, facilitada pelo aquecimento global. “Faz todo o sentido termos parceiros da Guiana Francesa, e estamos muito satisfeitos de poder contar com o Instituto Pasteur da Guiana entre os membros fundadores. Já temos alguns projetos em comum em andamento, que envolvem temas como saúde sexual. Mas muitos outros serão desenvolvidos sobre temas muito importantes na área amazônica, como as arboviroses”, explica Marion Fanjat. Outro projeto visa criar uma rede comum de análise das águas residuais entre a França e o Brasil para prevenir epidemias, como a da Covid-19. “Esse é um grande projeto que deve ser desenvolvido nos próximos anos entre a equipe da Guiana e da França. Toda essa área amazônica está muito envolvida nessas pesquisas com o Brasil”, explica. Neste contexto, a plataforma poderá contar com o apoio do centro franco-brasileiro pela biodiversidade amazônica, que promoverá a colaboração na área da saúde entre a Guiana Francesa e os estados brasileiros próximos, como Amapá, Amazonas e Roraima. A prevenção e a gestão das doenças infecciosas também ocupam papel preponderante na plataforma. “Ela vai permitir a promoção de pesquisas de preparação, prevenção e respostas a epidemias, além de avaliar o impacto das mudanças climáticas na saúde humana, na segurança alimentar e nutricional”, destaca. Transformar a pesquisa em ações concretas para a saúde pública e promover o intercâmbio entre pesquisadores também estão entre as prioridades da cooperação. “Já existem bolsas de mestrado ou doutorado, propostas pela Embaixada da França, ou estágios na área da saúde. São parcerias entre o Ministério da Saúde do Brasil e a Embaixada da França”, conclui.
Dom Pedro II, o segundo e último imperador do Brasil, faria 200 anos neste dois de dezembro de 2025. O bicentenário é uma boa ocasião para relembrar a vida do monarca que governou o país por quase 50 anos e teve uma relação privilegiada com a França. Para o especialista Leandro Garcia Rodrigues, professor da UFMG, o imperador brasileiro deixou “um legado de estadista, tradutor e mediador cultural” entre a França e o Brasil. Mas a cultura brasileira divulgada por ele refletia o espírito eurocentrista da sociedade do século 19. Adriana Brandão, da RFI em Paris Dom Pedro II foi um soberano culto e erudito. O imperador brasileiro, que subiu ao trono em 1840 antes de completar 15 anos, compreendia 15 línguas, entre elas o sânscrito e o hebreu. Ele é reconhecido como um intelectual do século 19, que apreciava a arte, a literatura e a ciência. O monarca tinha uma relação privilegiada com a cultura francesa. “A França era uma espécie de pátria intelectual” não só de Pedro II, mas da elite brasileira desde a independência do país de Portugal, em 1822, lembra Leandro Garcia, autor de um pós-doutorado sobre a relação do imperador com a França. O tema foi abordado em um webinário organizado pela Biblioteca Nacional da França (BNF) e ministrado pelo professor para celebrar o bicentenário de nascimento de Pedro II. O fascínio dele pela cultura francesa fica evidente na numerosa correspondência que mantinha. “Foram mais de 30 correspondentes ativos”, revela o professor de teoria literária e literatura comparada da UFMG. Leandro Garcia Rodrigues detalha que a rede de sociabilidade epistolar do imperador era composta por cientistas e literatos. “No caso dos cientistas, especialmente aqueles ligados à egiptologia, porque um dos fascínios de Dom Pedro II era pela cultura egípcia e, na França, especialmente em Paris, havia um núcleo de egiptólogos muito forte no século 19. No mundo dos literatos, foram especialmente poetas.” Viajante incansável Viajante incansável, o imperador realizou três grandes viagens internacionais durante seu reinado, em 1871, 1876 e 1887. A cada vez, esteve na França, e aproveitou para conhecer pessoalmente os intelectuais ou cientistas com os quais se correspondia. “Um dos nomes mais importantes para a França e para o Brasil foi o Louis Pasteur, que foi amigo pessoal de Dom Pedro II. Inclusive, Dom Pedro II é um dos fundadores do Instituto Pasteur”, conta Leandro Garcia Rodrigues. Entre os cientistas, vale também destacar o nome de Henri Gorceix, francês fundador da Escola de Minas em Ouro Preto. Outro correspondente de peso foi o poeta e escritor Victor Hugo, “um dos maiores nomes da literatura francesa”. Dom Pedro II “conheceu Victor Hugo e foi à casa dele pessoalmente em Paris”, relembra o professor. A rede de correspondentes literatos do imperador tem ainda nomes como Chateaubriand, Ferdinand Denis, George Sand, Sully Proudhomme, Alphonse Lamartine, Alexandre Dumas (filho), Stéphen Liégeard que “são nomes importantíssimos para a cultura francesa,”, ressalta. Divulgando a cultura brasileira “A relação de Dom Pedro II com esse mundo intelectual não era uma relação passiva”, salienta Leandro Garcia Rodrigues. As trocas regulares contribuíram para aumentar os conhecimentos do imperador e para divulgar a cultura francesa no Brasil, mas também para promover a cultura brasileira na França. “Ele não apenas recebia textos literários, poemas, romances, não só da França como de outros países, mas também enviava, mandava textos da literatura brasileira traduzidos nessas línguas, no caso traduzidos para o francês, para serem publicados e divulgados na imprensa francesa”, afirma. Segundo ele, um exemplo dessa mediação foi a divulgação da obra do poeta Gonçalves Dias na França. “Na época, no século 19, o Gonçalves Dias era considerado o mais importante poeta do Brasil. Ele foi amplamente traduzido para o francês a pedido de Dom Pedro II e publicado na imprensa francesa”, informa o professor. No entanto, a cultura brasileira divulgada pelo imperador carregava valores muito diferentes dos atuais e refletia o espírito da sociedade eurocentrista do século 19. Como criticava o grande escritor português Alexandre Herculano, a literatura brasileira dessa época “era escrita no Brasil, mas com umbigo na Europa”. “No século 19, o eurocentrismo era um sentimento muito forte, não se libertava fácil, até porque a gente era uma ex-colônia de um país europeu, no caso, Portugal. Então, a nossa literatura brasileira ainda tinha muitas feições europeias, embora tivesse, por exemplo, elementos nacionais, como no caso do indianismo. Mas eram alguns personagens indígenas, com características morais europeias. Isso era o comum. Eu acho até que não tinha como ser diferente porque a Europa realmente era um parâmetro para os nossos literatos”, contextualiza. Funeral nas ruas de Paris A França foi o país escolhido por Pedro II como terra de exílio depois da Proclamação da República em 1889. Ele morreu em Paris em 5 de dezembro de 1891, aos 66 anos, e foi homenageado com honras de Estado pelo governo francês. Seu funeral repercutiu em toda a imprensa francesa, relata Maud Lageiste, responsável pelo arquivo em português da Biblioteca Nacional da França e pelo site França-Brasil. “O interessante é que no nosso acervo podemos encontrar artigos da imprensa nacional da época sobre o grande funeral em Paris, na Igreja Madalena, em 1891, na imprensa regional. Ou seja, não foi um evento divulgado somente na capital, mas no país inteiro”, indica. O acervo da Biblioteca Nacional da França é rico em documentos que atestam a presença e a relação de D. Pedro II com a França. “São quatro tipos de documentos na BNF em relação ao imperador. Tem várias fotografias de quando ele estava na França, feitas pelo Ateliê Nadar. Nos arquivos de jornais, tem vários artigos sobre sua presença no país. Há também escritos do imperador, como, por exemplo, a tradução das poesias hebraico-provençais. Este livro, publicado em 1891, ilustra bem o homem de cultura humanista que falava 15 línguas. E temos reproduções de cartas do imperador e de seus diários de viagem”, elenca Maud Lageiste. Todos esses documentos estão disponíveis no site da biblioteca digital da BNF. Em Paris, alguns vestígios lembram a passagem do imperador brasileiro pela cidade, como o busto de D. Pedro II na Galeria dos Fundadores do Instituto Pasteur ou a placa em frente ao Hotel Bedford, onde ele morreu, no oitavo distrito de Paris, perto da Igreja da Madeleine. Duzentos anos depois de seu nascimento, o legado deixado pelo segundo e último imperador do Brasil é, de acordo com Leandro Garcia Rodrigues, o de “um estadista, intelectual, tradutor e mediador cultural”. Ele traduziu obras como “As Mil e Uma Noites”, partes da “Divina Comédia” e do “Corcunda de Notre Dame”, além de poemas do romantismo dos Estados Unidos. “O imperador tradutor, a tradução como mediação cultural, é importante e o grande legado dele é no mundo intelectual, especialmente nessa rede de sociabilidade cultural que ele fez”, avalia. Pedro II é lembrado como estadista, “porque sempre realmente colocou o país acima dos seus próprios interesses pessoais”, conclui o professor da UFMG.
Alicia Aniorte nos habla sobre sus investigaciones acerca de neurociencia y neuroprótesis realizadas durante cinco meses de prácticas en el prestigioso Instituto Pasteur de París. Pero no solo eso, sino que también nos traslada cómo "se buscó" la oportunidad abordando directamente en un congreso científico al investigador Brice Bathellier, que fue quien le abrió las puertas del centro parisino.
Um estudo realizado no Instituto Pasteur, em Paris, revelou que o vírus SARS-CoV-2, além de atingir o cérebro, pode permanecer ativo no tronco cerebral por até 80 dias após a infecção. A descoberta, feita pelo pesquisador brasileiro Guilherme Dias de Melo e uma equipe de cientistas do instituto, foi publicada no final de julho na revista científica Nature Communications. Taíssa Stivanin, da RFI em Paris A presença do vírus da Covid-19 no cérebro também está associada a sinais de depressão, distúrbios de memória e ansiedade. O estudo identificou alterações em mecanismos cerebrais relacionados à dopamina, neurotransmissor envolvido em doenças neurodegenerativas como o Mal de Parkinson. Segundo o cientista, a infecção pode causar uma desregulação metabólica com mecanismos semelhantes aos observados em certas disfunções cerebrais crônicas. A reportagem da RFI Brasil foi até o Instituto Pasteur conversar com o pesquisador brasileiro, que se dedica ao estudo, em modelos animais e celulares, dos mecanismos que podem levar ao desenvolvimento da Covid longa. “O vírus persiste no cérebro por bastante tempo e continua a contaminá-lo. Ele infecta várias células e altera o metabolismo e o funcionamento dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina, além de afetar enzimas, que parecem estar reduzidas. Todo o funcionamento desse sistema é comprometido durante a infecção”, explica Guilherme. De acordo com o pesquisador, o SARS-CoV-2 entra pelas vias olfativas e atinge o sistema respiratório. “Na cavidade nasal, ele infecta neurônios olfatórios, que são responsáveis por detectar cheiros”, diz, ressaltando que essa é a principal porta de entrada do vírus no cérebro. O estudo foi realizado com hamsters dourados, que se contaminam naturalmente pelo SARS-CoV-2 e possuem o mesmo receptor que os humanos. Uma das conclusões é que os sintomas persistiam por várias semanas após a infecção. Estudo demonstra sintomas relatados por pacientes “Fizemos um estudo de longo prazo, 10 semanas após o fim da fase aguda. E vimos que, durante todo esse tempo, os animais apresentavam sintomas, não os respiratórios clássicos da Covid-19, mas relacionados ao sistema nervoso central, como ansiedade e perda de memória. Mesmo após 80 dias, o vírus ainda estava presente.” Segundo Guilherme, um dos objetivos da pesquisa foi identificar os mecanismos da Covid longa e demonstrar a existência de sintomas relacionados ao vírus, relatados por pacientes. Muitos deles já enfrentaram o ceticismo dos médicos e da família ao associá-los a uma contaminação pelo SARS-CoV-2. “Descrevemos, em um modelo completamente independente do humano, que a Covid longa existe. Com os animais de laboratório, precisamos realizar testes específicos para avaliar sintomas específicos. Fizemos testes para ansiedade, depressão e perda de memória, mas não para cansaço ou outras manifestações clínicas que algumas pessoas podem apresentar”, ressalta. Sintomas variados “Na Covid longa, cada paciente apresenta sintomas diferentes, então nos concentramos nos que estão relacionados à nossa linha de pesquisa. Nosso objetivo, daqui para frente, é entender ainda mais profundamente essa disfunção do sistema nervoso central e encontrar biomarcadores ou moléculas que possam ser considerados alvos terapêuticos”, conclui. O pesquisador brasileiro também alerta para a queda na taxa de vacinação, que pode levar ao aumento de casos com sintomas persistentes. “Mesmo que a circulação global esteja baixa, o vírus ainda está presente”, lembra. “Não sabemos como essa doença continuará evoluindo.”
¿Y si las bacterias tuvieran el secreto de nuestra propia inmunidad? Un equipo de científicos identificó una proteina inmune en el humano, SIRal, que en realidad, tiene un pariente lejano en las bacterias, la proteína SIR2, la cual tiene una función en la respuesta inmune. Los científicos han llamado a esta nueva área de estudio "inmunidad ancestral" y abre en un futuro nuevas pistas en la inmunoterapia. Por Ivonne Sánchez Las bacterias y los humanos podríamos tener más cosas comunes de lo que pudiéramos pensar: una proteína recién identificada en el hombre, de nombre SIRal, tendría su ancestro en otra, la SIR2, presente en las bacterias. Inmunidad "ancestral" Este hallazgo abre una faceta desconocida de nuestro propio sistema inmunitario. Investigadores del Instituto Curie, el INSERM y el Instituto Pasteur, exploraron estos mecanismos de defensa, poco conocidos hasta ahora y que representan una nueva area en el estudio de la inmunología, la inmunidad ancestral. Los resultados de esta investigación han sido publicados en la revista Science. Pedro Hernández es jefe de laboratorio en el Instituto Curie en el departamento de genética y biología del desarrollo y es el coautor de esta investigación: Proyecto EvoCure Esta investigación forma parte del proyecto EvoCure, que busca hacer una "cartografía" del legado bacteriano relacionado con la inmunidad. Un proyecto que incluye a cinco equipos dirigidos por el Dr. Enzo Poirier y la Dra. Aude Bernheim, seleccionado para recibir una financiación de tres millones de euros durante 48 meses ,con el fin de explorar los mecanismos inmunitarios ancestrales comunes a las bacterias y a los eucariotas, como los mamíferos. El objetivo, identificar nuevas proteínas inmunitarias, modulables en terapia, que puedan abrir el camino a tratamientos innovadores. Pinche aquí para ver el video en francés. Entrevistado: Pedro Hernández, jefe de laboratorio en el Instituto Curie en el departamento de genética y biologia del desarrollo, en París. Canción al final del programa: Demain Viendra, de la banda Bajo Cielo. Uno de sus integrantes es precisamente el científico Pedro Hernández. Leer tambiénLa banda franco chilena Bajo Cielo presenta nuevo EP en París
A cientista Miria Ricchetti, coordenadora do setor de Mecanismos Moleculares do Envelhecimento Patológico e Fisiológico do Instituto Pasteur, em Paris, explica como a ciência atua para identificar elementos, genéticos ou ambientais, associados às modificações celulares que ocorrem na terceira idade. Taíssa Stivanin, da RFI em Paris Em 2022, uma pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional do Envelhecimento dos EUA (NIA) mostrou que descendentes de famílias longevas apresentavam taxas mais altas de sobrevivência e envelhecimento saudável do que a média da população. Eles teriam menor probabilidade de desenvolver doenças crônicas como diabetes, patologias cardiovasculares e demência, comuns na velhice. O estudo, chamado Long Life Family Study (LLFS), acompanhou cerca de 5.000 pessoas de 539 famílias. A pesquisa mapeou fatores que contribuem para a longevidade, relacionados ao meio ambiente ou à genética. Os dados genômicos foram processados em centros especializados e sugerem a existência de variantes genéticas associadas à vida longa em boa forma física e mental. “Longevidade significa viver com boa saúde, como resultado do nosso estilo de vida e dos nossos genes. Esse é, claro, um objetivo para todos nós. Todo mundo quer viver o maior tempo possível, com a melhor saúde possível”, diz Miria Ricchetti. Mas será que a possível existência dessas variações genéticas seria a resposta que faltava para explicar por que algumas pessoas envelhecem com saúde e outras não? Não exatamente, segundo a cientista do Instituto Pasteur. “Não pense que amanhã os cientistas vão descobrir uma pílula mágica que fará com que você envelheça perfeitamente e chegue aos 100 anos deitado no sofá comendo batata frita”, brinca. No estudo divulgado pelo instituto americano, o objetivo era identificar elementos genéticos e ambientais associados à longevidade. Para isso, os cientistas utilizaram um grupo de controle, formado por participantes com longevidade considerada normal. Os pesquisadores então mediram parâmetros essenciais para o envelhecimento saudável, como força muscular e memória. Miria Ricchetti comentou a pesquisa a pedido da RFI e elogiou a metodologia aplicada pelos cientistas americanos. No entanto, ressalta que o envelhecimento é multifatorial e inclui a questão genética. Uma das dificuldades, segundo ela, é justamente entender o papel de cada elemento nesse processo, em nível individual. Segundo ela, novos testes sanguíneos já são capazes de mostrar, por exemplo, a velocidade de envelhecimento dos órgãos de um indivíduo, que não ocorre de forma simultânea. “Vários estudos indicam que nosso corpo não envelhece de maneira linear. Todos nós temos pontos fortes e fracos”, salienta. No futuro, será importante conhecer essas fragilidades individuais para melhorar a qualidade de vida na terceira idade. “Não há mais dúvidas de que a genética e o meio ambiente atuam em conjunto na maneira como envelhecemos. O que não sabemos exatamente é em qual proporção esses fatores influenciam”, reitera. "São três fatores que estão envolvidos no envelhecimento: a genética, o meio ambiente e a interação entre eles", reitera. O maior risco, lembra, continua associado às predisposições genéticas combinadas com um estilo de vida inadequado. Envelhecimento celular O que acontece nas células quando envelhecemos? "Durante o envelhecimento, o número de células senescentes aumenta. Não sabemos se isso ocorre porque há mais células desse tipo, se elas não são eliminadas em quantidade suficiente, ou ambos”, explica a pesquisadora. Células senescentes são aquelas que deixam de se renovar, mas não morrem. Esse processo é uma resposta natural a diferentes tipos de estresse celular. Outro fator importante nas etapas que influenciam o envelhecimento é o estreitamento dos telômeros, estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos que protegem o material genético durante a divisão celular. Com o tempo, os telômeros se desgastam, levando à senescência ou à morte celular. Outros elementos incluem a estabilidade genômica, o metabolismo, entre outros. O processo, em termos moleculares, ainda não foi totalmente explicado pela ciência, ressalta Miria Ricchetti. Doenças raras podem trazer respostas Uma das pesquisas coordenadas pela cientista envolve doenças que aceleram o envelhecimento, como a síndrome de Cockayne (CS), causada por uma mutação genética rara que torna os pacientes hipersensíveis à luz. As causas da degeneração celular e do envelhecimento precoce, mesmo quando os pacientes estão protegidos da exposição solar, ainda são desconhecidas. “Tentamos entender o que ocorre com essas pessoas que, na maioria dos casos, aparentemente nasceram normais”, explica. A equipe agora se dedica a estudar três casos no mundo em que os pacientes, apesar de apresentarem mutações semelhantes, não desenvolvem envelhecimento precoce. “Estamos muito interessados nesses casos, porque essa resistência está relacionada a fatores de proteção”, conclui.
¿Cuántas mujeres conocen que trabajen en tecnología, en ingeniería, que sean tecnólogas o científicas? Quizá hoy sea un poco más fácil responder a esta pregunta… Incluso, quizá la pandemia puso a muchas mujeres científicas uruguayas en primera plana, en los medios y la gente las empezó a conocer, es cierto. Pero también es cierto que los hombres siguen copando los puestos destacados en esas áreas. En el país hay distintas iniciativas para revertir esa realidad y una de ellas es el premio Ada Byron a la mujer tecnóloga del año, que se entregará por tercera vez y que ya tiene sus inscripciones abiertas. En Perspectiva apoya esta iniciativa de la Universidad Católica del Uruguay (UCU). Puede ser que muchos de ustedes las recuerden, ya que nos visitaron cuando resultaron ganadoras: Fiorella Haim, ingeniera electricista por la Universidad de la República y Master of Science por la Universidad de Maryland, fue la primera ganadora del Premio Ada Byron, en 2021; y en 2023 el galardón fue para la Bioinformática e investigadora del Instituto Pasteur, Lucía Spangenberg. Veremos en este 2025 para qué especialidad y a qué candidata se va el premio. Sonia Cozzano, exdecana de la Facultad de Ingeniería y Tecnología de la UCU Conversamos En Perspectiva con Sonia Cozzano, exdecana de la Facultad de Ingeniería y Tecnología de la UCU y se desempeña como coordinadora del premio.
"Ya hace unos años desde que terminó la pandemia, pero el coronavirus no ha desaparecido. Hemos aprendido a vivir con él o, al menos, lo estamos intentando. Pero para ello tenemos que entender realmente qué era, cómo nos afecta y cómo han mejorado nuestros fármacos y vacunas.Para hablar de ello tenemos con nosotros a Luis Enjuanes es virólogo y lleva 36 años estudiando los coronavirus. Actualmente es Profesor de Investigación y Jefe del Laboratorio de Coronavirus en el Centro Nacional de Biotecnología del CSIC y profesor de Virología de la Universidad Autónoma de Madrid y del Instituto Pasteur de París. Ha sido nombrado “Virólogo Senior Distinguido” por la Sociedad Española de Virología, Académico de la Real Academia de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales, Académico de la “Academia Norteamericana de Microbiología” y de la Academia Nacional de Ciencias de EE UU. Además de esto, Enjuanes ha recibido la Encomienda de Sanidad por sus contribuciones en este campo, la medalla al Mérito en la Investigación y en la Educación Universitaria concedido por el Ministerio de Ciencia e Innovación, el Premio Nacional de Biotecnología 2022 y, recientemente, El Premio Nacional a la Investigación Científica en Medicina Gregorio Marañón, entre otras distinciones."
Pocas enfermedades despiertan tanto miedo como las neurodegenerativas. Perder el control sobre los movimientos del propio cuerpo, como con el Parkinson o con las parálisis progresivas de la ELA (la esclerosis lateral amiotrófica). O no darse cuenta del deterioro, negarlo incluso, mientras se va perdiendo noción hasta de quién somos, como en el Alzheimer. No son, además, enfermedades raras. Por tomar la más conocida: el Alzheimer afecta a una de cada nueve personas mayores de 65 años; en Uruguay se calcula que son unos 50.000 pacientes. Si bien todos seguramente conocemos a alguien que padece una de estas enfermedades, no somos tal vez conscientes del impacto económico que implican: por ejemplo, en 2010, el costo social mundial de las demencias, incluyendo el Alzheimer, era equivalente aproximadamente al 1% del PIB mundial. Son también de las enfermedades más engimáticas para los investigadores. Pero las investigan, desenriedan la compleja madeja del sistema nervioso para entender qué ocurre y por qué, y ni que hablar para luego buscar curas, fármacos o tratamientos. Y por eso es el tema para una nueva Mesa de Científicos. ¿Qué son las enfermedades neurodegenerativas? ¿El envejecimiento de la población explica la percepción de que hoy hay más que antes? ¿Y cómo avanza el objetivo último de lograr combatirlas? Conversamos En Perspectiva con Elena Dieguez, médica neuróloga y neurofisióloga, especialista en Parkinson y trastornos del movimiento; Leonel Gómez, médico, doctor en Ciencias Biológicas, neurocientífico especializado en investigación en neurociencia cognitiva, percepción y sistemas sensoriales; profesor en la Facultad de Ciencias de la Udelar, donde dirige la Licenciatura en Biología Humana; y Luis Barbeito, doctor en Medicina, exdirector de laboratorios de investigación en Neurociencia en el Instituto de Investigaciones Biológicas Clemente Estable y en el Instituto Pasteur de Montevideo, cuya principal línea de investigación ha sido el estudio del origen y los mecanismos de enfermedades neurodegenerativas como la ELA y el Alzheimer. Último recipiente del Premio Nacional de Ciencia, además, el año pasado. Como siempre, también con Héctor Musto, doctor en Ciencias Biológicas y coordinador de La Mesa de Científicos.
En tiempos en los que se repite que el intestino es el segundo cerebro del cuerpo, varios estudios científicos han señalado que personas con autismo pueden sufrir problemas gastrointestinales con más frecuencia. Por ejemplo, mayor permeabilidad intestinal, lo que puede permitir que toxinas, bacterias u hongos ingresen al torrente sanguíneo y afecten el cerebro. En este contexto, un grupo interdisciplinario del Instituto Pasteur, la Escuela de Nutrición de la Udelar y el Centro Hospitalario Pereira Rosell trabaja desde 2023 en un proyecto financiado por ANII para desarrollar herramientas más precisas para diagnosticar el trastorno, idealmente mediante “biomarcadores de salud intestinal”. Y, a partir de eso, poder pensar en dietas que puedan contribuir a mejorar la calidad de vida de niños con autismo. ¿Qué tan relevante es la microbiota en las funciones del cuerpo humano? ¿Por qué la alimentación puede ser importante en enfermedades que tienen que ver con el cerebro? ¿Qué diferencia encuentran en la microbiota de niños con autismo y niños sin autismo? Abordamos En Perspectiva estas y otras preguntas con Paula Mendive, nutricionista y profesora grado tres de la Escuela de Nutrición de la Udelar, y con Nadia Riera, microbióloga del Instituto Pasteur. *** Para las familias con niños que tengan diagnóstico de TEA (Trastornos del Espectro Autista) y quieran participar del proyecto contactarse a proyectoautismomicrobiota@gmail.com
Dados do Centro Nacional de Referência dos Meningococos mostram um aumento dos casos de meningites e de outras infecções causadas pela bactéria no país, após o fim das medidas sanitárias adotadas durante a epidemia de Covid-19. Taíssa Stivanin, da RFI em ParisSegundo a agência de saúde francesa Santé Publique France, em 2023 foram notificados 560 casos de meningite meningocócica - um aumento de 72% em relação a 2022. Deste total, 44% estavam relacionados ao meningococo B, 29% ao W e 24% ao Y.Esta alta é preocupante, pois a taxa de mortalidade de uma meningite bacteriana é de 10%, mesmo com um tratamento adaptado. Em média, a cada cinco pacientes, um terá sequelas graves, como explica o clínico-geral Samy Taha, pesquisador do Centro Nacional de Referência dos Meningococos do Instituto Pasteur, em Paris. A doença, transmitida por gotículas e secreções do nariz e da garganta, como tosse, espirro e troca de saliva, ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central. Ela atinge em uma proporção maior bebês de menos de dois anos, adolescentes e idosos acima de 75 anos. De acordo com o pesquisador francês, o distanciamento social e o uso de máscaras durante a epidemia diminuíram, de forma geral, a circulação dos micróbios, incluindo as bactérias que causam as meningites. Houve também uma queda de 20% nas vacinações, que influenciaram a imunidade de parte da população. Cerca de 10% das pessoas carregam os meningococos nas vias respiratórias, lembra Samy Taha, sem desenvolver infecções, mas podem transmiti-los.Jovens retomaram vida normal mais rápido após a epidemiaA alta de casos na França após a pandemia de Covid-19 atinge principalmente adolescentes e se explica por várias razões, como a vida social mais intensa e a circulação entre populações de faixas etárias diferentes.“Há muitos fatores que entram em jogo. Mas é provável que, após o fim das medidas restritivas, as primeiras pessoas que retomaram a vida social, incluindo viagens ou outros grandes eventos, tenham sido os adolescentes e jovens adultos. É por isso que aumento de número de casos atingiu primeiramente essa faixa etária”, diz o pesquisador francês. Segundo ele, após a pandemia de Covid-19, outros sorogrupos de meningococos, antes raros no território francês, se tornaram mais frequentes nessa população. “Essa é a grande novidade. Depois do fim das restrições relacionadas ao Covid, houve um aumento importante das meningites relacionadas ao sorogrupo W e Y, principalmente na faixa etária entre 15 e 25 anos”. Como os dois sorogrupos provocam infecções graves, as autoridades de saúde francesas decidiram modificar o calendário e a recomendação vacinal na França. As novas regras entraram em vigor no dia 1º de janeiro. “O que mudou é que a vacina contra o sorogrupo C foi substituída pela tetravalente, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y. Ela será obrigatória, com uma dose aos seis e aos 12 meses", explica o pesquisador francês."A Alta Autoridade de Saúde também recomenda um reforço da vacina tetravalente para adolescentes entre 11 e 14 anos, e uma atualização no máximo antes dos 25 anos, com uma dose única. A vacina contra o tipo B, que era apenas recomendada, tornou-se obrigatória para os bebês, em três doses: aos três, cinco e 12 meses”, detalha. Antes, os bebês se vacinavam apenas contra o sorogrupo C, que hoje circula menos na França - apenas oito casos foram registrados em 2022. O sorogrupo B ainda é o mais comum e representa mais de 50% das infecções.Sorogrupos W e Y provocam infecções invasivas mais letaisSegundo Samy Taha, os sorogrupos W e Y provocam um número maior de infecções invasivas por meningococos consideradas “atípicas”, que são doenças diferentes das meningites. "Essas infecções, relacionadas aos sorogrupos W e Y, são mais letais e podem atingir o sistema digestivo e as articulações. São formas mais difíceis de serem diagnosticadas e, infelizmente, estão associadas a uma mortalidade maior, principalmente nas primeiras horas”. Ela destaca que a meningite é apenas uma das formas de infecções graves provocadas pelos meningococos, apesar de ser a mais frequente. “Este é um trabalho de sensibilização que deve ser feito junto à população e aos profissionais de saúde. É importante ter essa noção”. O pesquisador relembra ainda que é essencial também para pais e profissionais suspeitar de uma infecção invasiva diante de certos sintomas, que no início podem ser banais, como: pés e mãos gelados, febre alta, arrepios, intolerância à luz e ao barulho, dores musculares e nas articulações. Muitos vírus estão por trás desses incômodos, mas em função do estado geral do paciente, a infecção pelo meningococo não deve ser totalmente descartada. No caso da meningite, existem outros sinais de alerta mais específicos, como rigidez no pescoço, dor de cabeça forte, vômitos, confusão mental e sonolência também devem alertar. “As infecções invasivas causadas pelos meningococos são mortais sem tratamento. E mesmo se tratadas corretamente, com antibióticos e outros cuidados recebidos no Pronto-Socorro e nas UTIs, elas continuam apresentando uma taxa de mortalidade de 10%, com sequelas graves, neurosensoriais ou que levam a amputações. A melhor maneira de se proteger é a vacinação”, alerta Samy Taha.
Trechos retirados de palestras e do livro “Happiness”, de Matthieu Ricard. Matthieu Ricard é escritor, tradutor, fotografo e monge do Budismo Tibetano. Filho do filósofo Jean-François Revel, Matthieu nasceu em Aix-les-Bains, em 1946, e cresceu em meio aos círculos intelectuais da França. Aos 21 anos, fez sua primeira viagem à Índia. Aos 26, decidiu abandonar a tese de doutorado em biologia molecular no renomado Instituto Pasteur para se dedicar a uma vida de contemplação como monge budista. Então, passou a viver no Himalaia estudando com Kangyur Rinpoche e outros grandes mestres, se tornando o estudante mais próximo e assistente de Dilgo Khyentse Rinpoche até sua morte. Matthieu Ricard foi um dos primeiros ocidentais a explorar em profundidade os tesouros espirituais do budismo dos Himalaias. Em 2012, pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, declararam que Matthieu Ricard era o homem mais feliz do mundo. O grupo de cientistas constatou que seu cérebro produzia um nível de ondas gama nunca antes relatado no campo da neurociência. O estudo revelou que, graças à meditação, Matthieu conquistou uma capacidade incrivelmente anormal de sentir felicidade e uma propensão reduzida para a negatividade Em seu ensino, Matthieu Ricard enfatiza a importância da atenção plena e da meditação como ferramentas para cultivar a consciência e a presença em nossas vidas diárias. Ele ensina técnicas de meditação que ajudam a desenvolver maior clareza, foco e uma compreensão mais profunda sobre nossos pensamentos e emoções.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou a Mpox como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) em agosto e os países agora se preparam para a chegada da nova variante da doença, o clado 1b. Ele foi identificado em julho na República do Congo e está se propagando rapidamente. Taíssa Stivanin, da RFI em ParisCerca de um milhão de doses da vacina Jynneo, desenvolvida pelo laboratório dinamarquês Bavarian Nordic, devem ser encaminhadas em breve para conter o surto na região. Em todo o continente africano, já foram oficialmente diagnosticados cerca de 5 mil casos, de acordo com as últimas estimativas - 20 mil se os dados consideram as infecções "prováveis".Até o momento, o Brasil ainda não registrou contaminações com o novo subtipo, mas desde o início do ano, foram registradas mais de 800 infecções da outra variante, a clado-2, que se espalhou em 2022. Por que a nova linhagem é considerada mais preocupante pela OMS e qual a diferença entre os dois subtipos? A RFI Brasil conversou sobre o novo surto de Mpox com o virologista Olivier Schwartz, diretor do Departamento de Vírus e Imunologia do Instituto Pasteur, em Paris.Segundo ele, poucos casos de infecções do subtipo clado 1b, que já chegou à Europa, foram descritos pela comunidade científica. Na Suécia, uma pessoa que voltava da República do Congo foi testada positiva em agosto. Desde então, os pesquisadores do país analisam o caso para dividir as informações em nível europeu, explica o virologista francês.“O paciente foi atendido e as amostras analisadas e sequenciadas. Os pesquisadores suecos agora estão tentando 'ampliar' o vírus para poder estudá-lo, analisar suas características e dividir os dados com outros laboratórios, entre eles o Instituto Pasteur", detalhou o especialista.Na França, as autoridades reforçaram os diagnósticos e preparam a campanha de vacinação. O Instituto Pasteur é um dos cerca de 200 centros preparados para aplicar as doses, e poderá também realizar o teste PCR que confirma a infecção. Segundo o cientista, apesar do sistema de saúde francês estar em alerta e preparado desde o primeiro surto de Mpox em 2022, a expectativa é que não haja uma explosão do número de casos, devido à imunidade adquirida pela população. Antes de 1980 a vacinação contra a varíola, um vírus da mesma família do Mpox, era obrigatória. Além disso, parte da população considerada a risco na época foi imunizada em 2022. Uma das questões agora é estabelecer a eficácia do imunizante, que contém um vírus vivo atenuado, ou seja, enfraquecido, contra a infecção pelo novo subtipo. “Sabemos que a vacina é eficaz contra o clado 1 em testes com animais, feitos em laboratório, e em testes celulares. Mas por enquanto, a eficácia contra o novo subtipo ainda é desconhecida. Mas, sabendo como o imunizante funciona e conhecendo o sequenciamento do vírus clado 1, esperamos que a vacina possa combatê-lo. Os estudos mostram uma eficácia de 70% a 90% de redução de infecções graves após duas doses”.Clado x VarianteQual a diferença entre um clado e uma variante? De acordo com Olivier Schwartz, o clado é um grupo de vírus e uma variante é uma “cepa em particular”. Segundo ele, “no caso do Mpox, esses grupos são definidos por análises de sequências genômicas. Percebemos, ao reconstituir a árvore filogenética, ou seja, a árvore genealógica dos vírus que circulavam, que existiam dois ramos principais: o grupo ou clado 1 e o grupo ou clado 2. Eles são próximos”.Segundo o virologista do Instituto Pasteur, também não há grandes diferenças entre os dois clados em termos de mortalidade, apesar do clado 1 ser um pouco mais virulento. O cientista lembra que é difícil saber em que proporção as condições sanitárias ou ambientais contribuem para o aumento do número de formas graves da doença.TransmissãoO vírus Mpox é transmitido principalmente através do contato próximo e prolongado com pessoas doentes que tenham bolhas, feridas, erupções cutâneas, crostas e fluidos, como secreção e sangue. O Ministério da Saúde alerta que objetos recentemente contaminados também podem transmitir a doença.Já a carga viral presente na saliva expelida quando duas pessoas conversam, por exemplo, é bem menor. “Provavelmente há casos, mas talvez não seja a principal forma de transmissão. Por hora, não temos evidências. Que eu saiba, não há provas de que o clado 1b é transmitido de maneira eficaz pela respiração”, esclarece o virologista.A transmissão do vírus por pessoas assintomáticas também ainda não foi confirmada. Segundo Olivier Schwartz, é possível que pessoas vacinadas contra a varíola no passado desenvolvam formas extremamente leves da doença e possam ser contagiosas, mas essa hipótese deve ser confirmada por estudos comparativos de carga viral.Pacientes imunossuprimidos correm mais risco de desenvolver formas graves e, nessa situação, o diagnóstico é fundamental para evitar complicações. A prevenção passa pelo isolamento rápido dos casos positivos. Os sintomas aparecem entre 3 e 21 dias após a contaminação e incluem, além das erupções cutâneas, febre alta, dor de cabeça e cansaço. Pais de crianças pequenas devem ficar atentos para não confundir a doença com a Catapora, que provoca o aparecimento de bolhas parecidas. Por isso é importante realizar o diagnóstico o mais cedo possível.Antiviral está sendo testadoDe acordo com o virologista francês, o antiviral Tecovirimat está sendo testado contra a doença. Estudos mostram que ele pode acelerar a cicatrização das lesões, mas exigem aprofundamento, já que os primeiros resultados foram decepcionantes.“Sabemos que é uma molécula antiviral que funciona muito bem nos modelos animais e em cultura celular nos laboratórios. Então é muito cedo para saber se, no homem, a falta de eficácia demonstrada no estudo está relacionada a outros parâmetros”.Entre esses parâmetros, o especialista do Instituto Pasteur cita o momento do início da terapia e compara com o Paxlovid, um dos antivirais usados contra o vírus da Covid-19. Para frear a infecção e a transmissão, ele deve ser prescrito entre dois e três dias após a contaminação.
Con un plan faraónico que inició en 2018, la capital francesa quiere desinfectar las aguas del río Sena para hacerlo apto para las pruebas de natación olímpica. Pero las lluvias abundantes de los últimos meses tornan esta meta muy incierta. Reportaje a orillas del río parisino. ¿Nadar en el Sena, el río que atraviesa París? La idea no convence a los parisinos que hablaron con RFI en esta tarde de verano. De cara a los Juegos Olímpicos de París que debutan el 26 de julio, las autoridades lanzaron un plan ambicioso para mejorar la calidad del río Sena, donde está prohibido nadar desde hace más de un siglo en razón de la presencia de bacterias. A pesar de estos esfuerzos, el Sena no goza de una muy buena fama."No quiero ni siquiera imaginar lo que puede flotar en el Sena", dice a RFI Anaëlle, una joven entrevistada a orillas del Sena. "Yo vengo del campo, de modo que el Sena no me atrae", responde cuando le preguntamos si se atrevería a darse un chapuzón.Roger tampoco se muestra muy entusiasmado: "Nunca tuve la oportunidad de bañarme en el Sena, no me apetece mucho. Pero si algún día crean espacios para nadar, sí lo haría, sería una buena iniciativa", aclara.Otros parisinos entrevistados por RFI sí ven con buenos ojos la posibilidad de nadar en las aguas del río de la capital francesa, aunque la perspectiva parezca remota. "A mí sí me gustaría mucho nadar en el Sena. Hay muchas ciudades grandes donde los ríos sí son aptos para hacerlo. Pero quisiera estar segura de que las aguas no son tóxicas", precisa Tanina.Para revertir la imagen de río sucio asociada al Sena, el estado francés invirtió 1.400 millones de euros en infraestructuras de saneamiento. Es un mega plan que apunta a reducir la concentración de bacterias en el Sena para que los atletas olímpicos puedan competir en el río en julio y agosto.Se trata principalmente de eliminar las bacterias fecales E. Coli y enterococo provenientes de los alcantarillados y cuyas tasas superan a veces los estándares en vigor. Un estudio del Instituto Pasteur sobre la contaminación del rio Sena, publicado en mayo y basado en análisis tomados en 2023, subraya que los atletas corren el riesgo de padecer gastroenteritis, diarreas e infecciones si se bañan en el Sena. Esta situación ya se vivió en 2023 en la ciudad británica de Sunderland: 88 de los 200 nadadores que participaron en un triatlón presentaron una diarrea aguda.Embalses y tratamiento con ultravioletasComo parte de su plan para mejorar el tratamiento de las aguas residuales, Francia construyó varios embalses como la cuenca de Austerlitz que permite almacenar 50.000 m3 de aguas pluviales.RFI visitó también otra cuenca de almacenamiento de aguas pluviales en Noisy-le-Grand, a pocos kilómetros de la capital francesa. Un embalse edificado para ampliar la capacidad de tratamiento de una planta depuradora de aguas residuales. La capital francesa quiere prevenir la eventualidad de lluvias intensas que saturen el sistema de alcantarillado: la red se desbordaría y las aguas residuales contaminarían el río."Nuestro plan tiene dos tipos de medidas: la desinfección, lo que vemos aquí en esta planta, para eliminar lo más posible las bacterias fecales E Coli y enterococo, cuya concentración en el agua determinan si la gente se puede bañar o no en el Sena. Estas bacterias las eliminamos con rayos ultravioletas", detalla François-Marie Didier, quien preside el sistema de depuración de las aguas de la región de París."La otra medida tiene que ver con la lluvia. Cuando llueve demasiado, los alcantarillados se desbordan, entonces vertemos el agua en el río. Estas cuencas de almacenamiento permiten retener las aguas pluviales, y cuando disminuye el nivel del agua en las plantas de tratamiento, las liberamos hacia las plantas, las tratamos, para no verter aguas sucias al Sena", explica Didier.Otra medida consistió en conectar los edificios de la región a la red de alcantarillado. Dichas obras incluyen también las famosas barcazas parisinas, las "péniches", que son viviendas flotantes aparcadas en el río todo el año. "Algunos edificios a orillas del río Sena no estaban conectados al sistema de alcantarillado. Lo mismo pasa con las barcazas: para que no contaminen, tienen que estar conectadas, de modo que sus aguas sucias no sean vertidas en el río", explica a RFI Jean-Pierre Molina, uno de los prefectos de la región capitalina, y quien está a cargo de las obras publicas. "Para ello, hemos tenido que realizar obras en los muelles del Sena y conectar todas las barcazas. En dos años conectamos 263 barcos a la red de alcantarillado", afirma el funcionario.Confiando en que las lluvias cesen Este conjunto de obras faraónicas, sin embargo, no garantiza que el Sena sea apto para las olimpiadas durante toda la duración del evento. Hay todavía un factor aleatorio: la lluvia. La calidad del agua se puede degradar en todo momento a causa de las lluvias. En junio, precisamente, los niveles de bacterias seguían siendo demasiado altos para que los deportistas pudieran bañarse, lo que generó inquietud en París."Hemos tenido una primavera muy lluviosa. Los análisis indicaban que las condiciones no estaban reunidas para nadar en el Sena. Pero la situación se mejorará en los próximos días y, a partir del 26 de julio, para las olimpiadas, podremos bañarnos en el Sena", confía Jean-Pierre Molina.La ministra Oudéa-Castéra se le adelanta a la alcaldesa HidalgoPues bien, el sábado 13 de julio la ministra de Deportes francesa Amélie Oudéa-Castéra se bañó en el río Sena, a dos semanas del inicio de los Juegos de París-2024.Acompañada por uno de los abanderados del equipo paralímpico francés, el paratriatleta Alexis Hanquinquant, la ministra, equipada con una combinación y gorro de baño, se zambulló en las aguas del Sena a la altura del puente de los Inválidos, cerca de donde está previsto la disputa de las pruebas olímpicas de natación en aguas abiertas y el triatlón.Oudéa-Castéra se adelantó así a la alcaldesa de París, Anne Hidalgo, que tiene programado bañarse en el Sena el 17 de julio.Tras los Olímpicos, todos al SenaMás allá de las olimpiadas, las autoridades francesas quieren que los parisinos puedan bañarse en el río a más largo plazo. "A partir del año 2025, abriremos varios espacios para nadar en el Sena, para que el conjunto de los parisinos pueda reapropiarse el Sena, donde está prohibido bañarse desde hace más de un siglo!", indica el funcionario.Y en caso de que las lluvias saturen el sistema parisino de depuración de las aguas, las pruebas acuáticas de las olimpiadas se realizarán en un sitio alternativo en el río La Marne. A mediados de julio, la alcaldía de París compartió con optimismo los últimos resultados de los análisis: el agua llegó, por fin, a niveles satisfactorios para bañarse. Esto indica que, poco a poco, el Sena recobrará su buena salud.La alcaldesa Anne Hidalgo y el presidente Emmanuel Macron prometieron incluso meterse al agua durante el verano para cumplir una vieja promesa de Jacques Chirac que había prometido, en vano, bañarse en el Sena en los años 90 cuando era alcalde capitalino.Entrevistas: >Pierre-Antoine Molina, prefecto y encargado de políticas públicas en la región de Ile-de France.>Jean-Philippe, habitante en una barcaza en el río Sena, en el centro de París.>François-Marie Didier preside el sistema de depuración de las aguas de la región de París.
“Ingeniería de proteínas”. A veces la ciencia suena tan avanzada que lo deja a uno sin palabras. Más todavía cuando es ciencia uruguaya. Scaffold Biotech, una empresa nacional, se apoya en la “ingeniería de proteínas” para caminar hacia una “nueva frontera en el diseño racional de vacunas”. Sus investigadores trabajan hoy en una vacuna contra la garrapata que afecta seriamente a las vacas. El objetivo es entrenar a las células y los anticuerpos del sistema inmunológico de los propios animales para que se defiendan por sí solas contra esos parásitos. Y a futuro, también prevén aplicar esta tecnología para producir vacunas para seres humanos. Scaffold Biotech es una de las startups seleccionadas en la primera serie de Lab+ Venture Builders, la “aceleradora” que estableció el Instituto Pasteur de Montevideo en alianza con la firma financiera Ficus Advisory. Conocimos a otras dos de las cuatro primeras seleccionadas por Lab+: Guska y LoCBio. Ahora proponemos conocer esta. ¿Cómo es eso de la ingeniería de proteínas? ¿Cómo funciona esta tecnología nueva? Conversamos En Perspectiva con los creadores de esta empresa, el bioquímico Agustín Correa y el biofísico Matías Machado, ambos doctores en Ciencias Biológicas.
Vários países enfrentam atualmente uma epidemia de dengue e este é o caso do Brasil, da Guiana Francesa e do Burkina Faso. De acordo com estimativas da OMS, em 2023 a doença pode ter contaminado entre 50 e 100 milhões de pessoas no mundo. A dengue pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti, o mais comum no Brasil e na Guaiana, por exemplo, e pelo Aedes albopicus, conhecido como mosquito Tigre, presente na América do Norte e na Europa, incluindo a França. O país já registra casos autóctones, ou seja, que não foram importados.“O mosquito Tigre chegou na Europa em 1990 e em 2004 na França. Vinte anos depois, ele está presente em todas as regiões do país e não vai desaparecer. Sua própria biologia o obriga a se manter no território para sobreviver”, explicou Anna-Bella Failloux, diretora responsável da Unidade arbovírus e insetos vetores do Insituto Pasteur em Paris, ao programa Priorité Santé, da RFI.Segundo ela, o Aedes aegypti e o albopicus são espécies invasivas. “Os ovos do mosquito Tigre são capazes de suportar as secas e as baixas temperaturas no inverno. Ele espera as boas condições climáticas para que os ovos eclodam e se transformem em larvas adultas, que são responsáveis pela transmissão de certos vírus.”A Europa então poderá enfrentar epidemias da dengue nas próximas décadas, como o Brasil? Para a especialista do Instituto Pasteur, o mosquito Tigre continuará colonizando o continente, o que favorecerá a circulação do vírus e gerará cada vez mais casos autóctones, ou seja, contaminações que ocorrem quando duas pessoas adoeceram dentro do próprio território.Segundo Anna-Bella Failloux, outro problema é que a população europeia está menos preparada para lutar contra o mosquito da dengue e ignora certos reflexos já adquiridos em outros países, como não deixar água parada dentro de um recipiente, por exemplo.Mudanças climáticas e atividade humanaComo e por que os vetores estão se espalhando tão rapidamente por todo o planeta? O aquecimento global, mas também a atividade humana, explicam em parte a situação, diz a cientista do Instituto Pasteur.“As atividades humanas são a primeira causa da proliferação dos mosquitos e dos vírus transmitidos por esses mosquitos. Esses insetos vivem onde há pessoas. Então, a partir do momento em que moramos no térreo, nas cidades, e mantemos locais propícios para que esses mosquitos reproduzam e piquem os humanos, criamos um coquetel explosivo que vai gerar surgimento de casos urbanos”, diz.O crescimento demográfico, ressalta, cria também um ambiente favorável à doença. A metade da população mundial, observa Anna-Bella Failloux, vive nas cidades e muitas vezes está exposta à precariedade.Os problemas de estocagem, evacuação e abastecimento de água potável também são fatores que facilitam a reprodução do mosquito. Há ainda o aquecimento global, que altera a mobilidade do inseto, fazendo com que ele colonize cada vez mais regiões do hemisfério norte.Quatro tipos de vírusExistem quatro tipos de vírus da dengue, que utilizam os mosquitos como vetores. “Eles se comportam de maneira diferente em relação ao inseto, que não vai transmitir com a mesma eficácia os quatro patógenos. Isso faz que algumas combinações, dependendo do tipo do vírus e do mosquito, sejam mais eficazes”, explica Anna-Bella Failloux.Algumas infecções evoluem para formas mais graves, como a hemorrágica, e podem gerar complicações. Os sinais de alerta são edemas em todo o corpo e sangramentos. Mas, apesar desses riscos, essas situações são relativamente raras e a mortalidade relacionada à doença é baixa, representando menos de 5% dos casos.O infectologista francês Paul Le Turnier atua no Centro Hospitalar de Caiena Andrée Rosemon, na Guiana Francesa. Ele lembra que a vacina Qdenga, já usada no Brasil, deve em breve estar disponível também na Guiana, o que será uma maneira eficaz de lutar contra a epidemia. Além da vacinação, a única maneira de lutar contra o mosquito é mecânica, frisa Le Turnier. Por isso é importante educar a população e realizar campanhas de dedetização. Além disso, há evolução nos tratamentos. “Há pistas terapêuticas com novos antivirais, mas que só devem estar disponíveis dentro de muitos anos”.
Quatro anos depois do início de uma das piores epidemias da história da humanidade, pesquisadores em todo o mundo continuam analisando a evolução das variantes e outros dados obtidos durante o surto de Covid-19. O objetivo é prevenir e preparar a comunidade internacional no caso do surgimento de uma nova pandemia. Desde o aparecimento do vírus SARS-CoV-2 em dezembro de 2019 até janeiro de 2024, a estimativa é que mais de 360 milhões de pessoas tenham contraído a doença, provocando, oficialmente, cerca de 7 milhões de mortes, segundo a OMS. Mas, na realidade, dados mostram que a Covid-19 matou cerca de 25 milhões de pessoas, isso sem contar os efeitos indiretos da epidemia. Entre eles, o aumento do número de casos de depressão, por exemplo, ou o impacto econômico gerado pelas medidas de lockdown e distanciamento social, no auge da crise.Além disso, a probabilidade da emergência de um novo vírus dessa gravidade aumenta com as mudanças no meio ambiente, provocadas pelo aquecimento global. Neste contexto, a coordenação internacional e científica é essencial, ressalta Arnaud Fontanet, chefe da unidade de epidemiologia das doenças emergentes do Instituto Pasteur. “Progredimos muito e em muitos aspectos. O planeta conheceu uma crise que não ocorria há muito tempo. Os pesquisadores se mobilizaram em todo o mundo e o avanço mais extraordinário foi a descoberta da vacina a base de RNA mensageiro, uma pesquisa que já existia, mas nunca tinha ido para a frente”, disse o cientista em entrevista ao programa Priorité Santé, da RFI.O especialista lembra também que o aparecimento de antivirais como o Paxlovid, que reduz a gravidade dos sintomas e o risco de complicações, representou outro avanço. O medicamento é recomendado para pessoas com mais de 65 anos e outras patologias. “É preciso consultar rapidamente, porque ele deve ser prescrito cinco dias após o início dos sintomas. Nesse caso, o risco de complicação diminui em cerca de 80%”, ressalta. Ele lembra que a Covid-19 não é uma doença benigna, e que, graças às vacinas e aos tratamentos, milhões de vidas foram salvas.Rapidez na propagaçãoO que diferencia a Covid-19 de outras epidemias no passado? A rapidez da propagação do SARS-CoV-2 foi sem dúvida um aspecto inédito, lembra Clotilde Biard, especialista em ecologia evolutiva da universidade Sorbonne e pesquisadora do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica da França). Outros vírus, lembra, se espalham atualmente em silêncio, com potencial epidêmico similar ao do SARS-CoV-2. “Há novos vírus e doenças transmissíveis que estão surgindo, relacionadas à atividade humana e ao impacto dessa atividade nos ecossistemas”, diz. Os vírus respiratórios, ressalta, são mais monitorados pelos cientistas porque se propagam mais rapidamente e têm mais potencial epidêmico para “parar o mundo”, como foi o caso do SARS-CoV-2.Risco hipotéticoPara o especialista do Instituto Pasteur, após a Covid a comunidade científica compreendeu as graves consequências que uma pandemia poderia trazer para o planeta em pleno século 21.Esse risco era, até então, hipotético, observa. “Para mim, antes da epidemia, esse era um exercício acadêmico: saber como lidar com o perfil hipotético de um vírus “vilão”, que provavelmente nunca veria na minha vida”, diz.Mas, esse cenário se tornou real e obrigou a comunidade científica a se organizar melhor, ressalta o pesquisador do Instituto Pasteur. Ele lembra que os cientistas, as autoridades e os profissionais da saúde nos hospitais tiveram que enfrentar uma crise inédita.Dinamarca teve a melhor gestãoQuatro anos depois, Arnaud Fontanet afirma que o país europeu que melhor gerenciou a epidemia foi a Dinamarca. O governo "fechou" todo o país antes que os hospitais ficassem lotados. Os dinamarqueses também fizeram uma campanha massiva de vacinação e só relaxaram as medidas de distanciamento com a chegada da variante ômicron, em 2021. Neste momento, a população já estava mais imunizada e preparada para lidar com o vírus. O cientista francês reitera que a Covid-19 continua sendo uma doença grave. “Não temos dados recentes, mas sabemos que em 2022 a Covid-19 matou cerca de 40 mil pessoas, quatro vezes mais do que a gripe sazonal. Também não temos dados de 2023, mas o vírus continua muito presente e não se transformou ainda em um vírus totalmente sazonal. A estação tem uma influência, há um número maior de transmissões no inverno, mas ele se adapta e pode ser transmitido durante todo o ano”, conclui Arnaud Fontanet.
O Brasil registrou este ano um recorde histórico de casos de dengue, superando em três meses o número de casos de 2023 inteiro. E as previsões para as próximas semanas não são nada animadoras. Segundo especialistas, o pico de contágio deve ocorrer no final de Abril. Quais os fatores que fizeram com que chegassemos a essa situação? O que faz com que o mosquito da dengue seja tão difícil de se combater? Para falar sobre os desafios da dengue, recebemos a bióloga ROSA MARIA TUBAKI, pesquisadora científica do Instituto Pasteur e o epidemiologista FRANCISCO CHIARAVALLOTI NETO, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Participa, também, por meio de vídeo pré-gravado, o infectologista ESPER KALLÁS, diretor do Instituto Butantan.
Trecho do livro “Why Meditate: Working with Thoughts and Emotions”, de Matthieu Ricard. Matthieu Ricard é escritor, tradutor, fotografo e monge do Budismo Tibetano. Filho do filósofo Jean-François Revel, Matthieu nasceu em Aix-les-Bains, em 1946, e cresceu em meio aos círculos intelectuais da França. Aos 21 anos, fez sua primeira viagem à Índia. Aos 26, decidiu abandonar a tese de doutorado em biologia molecular no renomado Instituto Pasteur para se dedicar a uma vida de contemplação como monge budista. Então, passou a viver no Himalaia estudando com Kangyur Rinpoche e outros grandes mestres, se tornando o estudante mais próximo e assistente de Dilgo Khyentse Rinpoche até sua morte. Matthieu Ricard foi um dos primeiros ocidentais a explorar em profundidade os tesouros espirituais do budismo dos Himalaias. Em 2012, pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, declararam que Matthieu Ricard era o homem mais feliz do mundo. O grupo de cientistas constatou que seu cérebro produzia um nível de ondas gama nunca antes relatado no campo da neurociência. O estudo revelou que, graças à meditação, Matthieu conquistou uma capacidade incrivelmente anormal de sentir felicidade e uma propensão reduzida para a negatividade Em seu ensino, Matthieu Ricard enfatiza a importância da atenção plena e da meditação como ferramentas para cultivar a consciência e a presença em nossas vidas diárias. Ele ensina técnicas de meditação que ajudam a desenvolver maior clareza, foco e uma compreensão mais profunda sobre nossos pensamentos e emoções.
¿Qué se puede hacer para que haya más empresas uruguayas basadas en la tecnología y el conocimiento? ¿Cómo se hace para transformar investigaciones científicas en negocios de alto potencial en el mundo? El Instituto Pasteur de Montevideo viene dando pasos concretos en esa dirección. En 2021 esta institución lanzó Lab+Venture Builder, una “aceleradora” destinada a apoyar empresas que sean capaces de generar productos para el mercado global en el área de las ciencias de la vida. A través de esta iniciativa el Instituto Pasteur promueve compañías que resulten atractivas para inversores locales y regionales. Para eso, se asoció con la firma financiera Ficus Capital, que creó un fondo de inversiones destinado a apalancar la creación y el despegue de estas empresas a nivel global. La primera ronda de capitalización ya terminó y ayer el Instituto Pasteur anunció las primeras cuatro start ups que serán impulsadas con ese fondo. Estas empresas se enfocan en el desarrollo de productos, métodos y/o terapias para combatir enfermedades humanas como el cáncer y otras que afectan animales. Vamos a conocer más de este paso. Conversamos En Perspectiva con Carlos Batthyány, director ejecutivo del Instituto Pasteur Uruguay; y Gonzalo Moratorio, uno de los creadores de Guska, un de las empresas seleccionadas en esta primera etapa.
O ano de 2023 foi marcado pelo fim da pandemia de Covid-19. O SARS-CoV-2 não desapareceu e ainda provoca picos de contaminações, mas a vida voltou ao normal após três anos de restrições e graças ao desenvolvimento de vacinas que evitam formas graves e mortes pela Covid-19. A tecnologia do RNA mensageiro, usada nos imunizantes da Pfizer e da Moderna, que permitiram o controle da doença, recebeu o prêmio Nobel de Medicina em 2023. A cientista húngara Katalin Karikó, de 68 anos dividiu a recompensa com o pesquisador americano Drew Weissman.Karikó descobriu, em 2005, como impedir o sistema imunológico de desencadear uma reação inflamatória contra o RNA mensageiro fabricado em laboratório. As pesquisas da bioquímica foram a base do desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19, que permitiram o controle epidêmico.Trabalho remoto só traz vantagens?Em 2023, algumas transfomações sociais geradas pelas medidas adotadas durante a circulação mais ativa do vírus, entre 2020 e 2022, foram incorporadas definitivamente ao cotidiano de milhões de pessoas em todo o mundo. Uma delas é o trabalho remoto, que em alguns países tornou-se comum para algumas categorias da população.Trabalhar em casa, entretanto, não traz apenas vantagens. Para muitas mulheres, que sofrem de carga doméstica e mental no dia a dia, ele pode ser uma armadilha, alerta a psicóloga francesa Aline Nativel Id Hammou, autora do livro “Burn Out Parental”.“Em casa, todas as tarefas da vida cotidiana ficam 'gravitando' em torno do computador, enquanto trabalhamos. Podemos, às vezes, nos sobrecarregar. Na hora do almoço, por exemplo, como não estamos na empresa, há a tentação de se ‘obrigar' a fazer as tarefas domésticas, ou do cotidiano, pelo fato de estar em casa”, alerta.Ao longo de 2023, o trabalho remoto vem sendo mantido em muitas áreas, mas muitas empresas também estão exigindo o retorno dos seus funcionários para o escritório.Uso do Ozempic preocupa autoridadesOutro assunto que virou notícia em 2023 é o Ozempic, um medicamento contra o diabetes lançado em 2019, que controla a glicose e ajuda na perda de peso. Por ser eficaz contra o emagrecimento, ele passou a ser usado de maneira deturpada – uma prática que se popularizou e viralizou em vídeos no TikTok. Por conta disso, muitas pessoas têm usado o remédio sem indicação médica, explica Rodrigo Lamounier, endocrinologista professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).“Ele melhora a eficiência da ação da insulina nas pessoas que têm diabetes e é muito eficaz em melhorar o controle da glicose”, diz. Além disso, o remédio tem o efeito de gerar saciedade. “Ele causa um retardamento do esvaziamento gastrointestinal, provocando saciedade. E age também no hipotálamo, no centro da fome, provocando inibição da fome, perda de apetite e diminuindo, assim, a ingesta alimentar”, diz, ressaltando que o remédio deve ser usado em casos específicos.Cresce incidência do câncer do intestinoO aumento da incidência do câncer do intestino, o segundo que mais mata em todo o mundo, também foi destaque durante ano de 2023. Se descoberto no início, o câncer colorretal tem 100% de chances de cura, explicou o gastroenterologista francês Michel Ducreux, do instituto francês Gustave Roussy, um dos maiores centros de combate ao câncer no mundo, situado em Villejuif, nos arredores de Paris.“O teste imunológico permite a detecção de 80% dos cânceres e dos tumores benignos, que estão se 'modificando', crescendo e que vão provavelmente se transformar em cânceres. Neste caso, podemos, durante a colonoscopia, retirar os pólipos e evitar o câncer. É uma política que pode trazer resultados, mas se houver adesão”, ressalta.Clones de cânceres podem ajudar pacientes com tumores gravesEm busca de soluções contra cânceres e tumores graves, cientistas do mundo todo trabalham nos laboratórios em estudos que buscam, cada vez mais, individualizar os tratamentos.No Instituto Gustave Roussy, um grupo de pesquisadores, liderado pela especialista em gastroenterologia, genética e biologia molecular, Fanny Jaulin, fabrica em laboratório cópias biológicas de cânceres a partir das células dos pacientes. O objetivo é lutar contra tumores em fase terminal, propondo tratamentos individualizados.“Nosso desafio é recriar os tumores dos pacientes com câncer, com foco em novos tratamentos. Nós nos especializamos na criação desses organóides, cultivados em laboratório a partir de uma pequena biópsia, feita com uma simples agulha”.Brasil abandona uso da AstraZenecaA RFI também divulgou em primeira mão, neste ano, a notícia de que desde o final de 2022 o Ministério da Saúde recomenda que as vacinas de vetor viral, como a AstraZeneca e a Janssen, não sejam mais aplicadas como reforço contra a Covid-19. A recomendação vale a partir da terceira dose, na população com menos de 40 anos. O motivo da decisão é o risco aumentado de trombose, principalmente em mulheres.Até janeiro de 2002, a vacina já tinha sido usada em cerca de 115,6 milhões de pessoas no país. A notícia foi confirmada pelo infectologista Julio Croda, especialista da Fiocruz, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Faculdade de Saúde Pública de Yale, nos Estados Unidos.“O Brasil tem, dentro do seu programa nacional de imunização, um sistema de farmacovigilância que é justamente feito para avaliar os eventos adversos associados às diversas vacinas. Através desse monitoramento, foi identificado um aumento de risco, eventualmente, para trombose, principalmente em pessoas jovens, abaixo de 40 anos e mulheres”, explicou o infectologista. “Isso é bastante similar ao que foi identificado em outros países, como no Reino Unido, no caso da vacina da AstraZeneca, e nos Estados Unidos, no caso da vacina da Janssen.”Os segredos do microbiotaA Ciência está apenas começando a compreender como o microbiota, os micróbios (incluindo bactérias, vírus e fungos) que moram no nosso corpo, principalmente no intestino, atuam nas funções orgânicas. Estudos mostram que eles podem estar envolvidos até mesmo em processos cerebrais e no desenvolvimento da depressão.A oncologista brasileira Carolina Alves Costa Silva, integra há cinco anos uma equipe do instituto francês Gustave Roussy e estuda o microbiota humano. Em um dos seus projetos, a pesquisadora busca entender a influência sua na resposta aos tratamentos contra o câncer, e, a longo prazo, como pode se tornar um aliado na prevenção da doença. “Há evidências de que essas bactérias e outros micro-organismos podem atuar na diminuição da resposta imune e impedir que alguns tipos de tratamento contra o câncer funcionem bem”, disse Carolina em entrevista à RFI.Vacina freia cânceres da cabeça e do pescoçoNeste ano, nosso programa deu destaque para vacina terapêutica TG4050, da biotech francesa Transgene. O produto é uma nova arma, inédita, na luta contra a recaída de cânceres precoces, e geralmente graves, da cabeça e do pescoço e tem dado bons resultados, como explicou o CEO da empresa, Alessandro Riva, à RFI.“Fizemos um estudo randomizado de fase 1 e comparamos os pacientes que tinham recebido a nossa vacina individualizada e personalizada com outros que não receberam. Por hora não temos recaídas, e esse follow-up, ou acompanhamento, começa a ser considerável. Os pacientes tratados na fase 1 têm uma resposta imunitária contra as proteínas e mutações que selecionamos, e na qual estão baseadas as vacinas", diz. "É uma reviravolta para a empresa, mas também em relação a tudo que envolve vacinas individualizadas e personalizadas.”O cérebro fabrica falsas memóriasOutro destaque em 2023 é o avanço dos estudos sobre como cérebro é capaz de criar falsas memórias. Ao longo das últimas décadas, diversas pesquisas científicas comprovaram que nossa mente pode fabricar vivências, incluindo detalhes que nunca existiram. Este foi um dos temas dos nossos programas em 2023. O neurobiologista Pascal Roullet, da Universidade Paul Sabatier, em Toulouse, é um dos maiores especialistas franceses no assunto. Em entrevista à RFI, ele explicou como nosso cérebro arquiva e transforma uma memória antes dela ser definitivamente arquivada. "A informação é tratada em termos neurobiológicos. Nos animais, sabemos que esse processo vai demorar entre seis e dez horas, o tempo necessário para que essa memória possa ser armazenada na memória de longo prazo.”Vírus da Covid-19 contamina o sistema nervoso centralNeste ano de 2023, diversas pesquisas sobre o vírus da Covid-19 tentaram entender seu funcionamento. Uma delas foi feita por uma equipe do Instituto Pasteur e publicada na revista Nature Communications. O médico veterinário brasileiro Guilherme Dias de Melo integra o projeto desde 2020. O objetivo era verificar se o SARS-CoV-2 era capaz de infectar os neurônios e provocar algum problema no cérebro, o que acabou sendo confirmado pela equipe.“A mensagem principal é: o SARS-CoV-2 é capaz de infectar os neurônios e utilizá-los como uma rota de acesso ao sistema nervoso central. E a manifestação clínica na fase aguda não necessariamente vai influenciar uma manifestação clínica na fase longa.”
Esta foi a conclusão de um estudo feito por uma equipe do Instituto Pasteur, em Paris, publicado na revista Nature Communications. O médico veterinário brasileiro Guilherme Dias de Melo integra o projeto desde 2020.
O vírus SARS-CoV-2, que provoca a Covid-19, continua sendo alvo de descobertas surpreendentes. A última delas envolve sua capacidade de contaminar o sistema nervoso central, mesmo em casos assintomáticos. Esta foi a conclusão de um estudo feito por uma equipe do Instituto Pasteur, no 15º distrito de Paris, publicado em julho na revista Nature Communications. O médico veterinário brasileiro Guilherme Dias de Melo integra o projeto desde 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19. Taíssa Stivanin, da RFIEm entrevista à RFI no laboratório do instituto francês, onde atua desde 2014 como pesquisador, Guilherme Dias de Melo contou que o aparecimento do SARS-CoV-2 deu início a uma “revolução” em centros de pesquisa em todo o mundo para compreender melhor a doença e as sequelas causadas pela infecção. “Quando a pandemia foi declarada, o Instituto Pasteur criou uma força-tarefa e todas as equipes interessadas foram mobilizadas para ajudar nas pesquisas para entender como o vírus atuava", diz. "Nosso objetivo era verificar se o SARS-CoV-2 era capaz de infectar os neurônios e provocar algum problema no cérebro”, explicou o cientista brasileiro, que tem o know-how de pesquisas envolvendo o vírus da raiva, uma zoonose que atinge o cérebro. Um dos principais sintomas da primeira cepa da Covid-19, detectada em 2019 em Wuhan, na China, era a anosmia (perda do olfato). Essa característica “inesperada” do vírus foi o ponto de partida do estudo, conta Guilherme. “As pesquisas começaram com a cepa original em 2020 e a produção de modelos celulares e animais. Queríamos entender os sintomas e como o vírus se comportava no sistema nervoso central", explica. "Com o passar do tempo, vimos que o SARS-CoV-2 foi evoluindo e surgiram as variantes alpha, beta, gamma e delta. Ao longo do tempo, nós as integramos aos estudos para ver se causavam os mesmos sintomas com a mesma severidade”, explicou. O estudo publicado há cerca de cinco meses inclui a análise da variante P1 (gamma), que se espalhou no Brasil, da delta e da ômicron BA.1 – a primeira da linhagem que ainda hoje é dominante e já sofreu várias mutações que facilitam o contágio. O objetivo, diz Guilherme, foi entender como o vírus chegava ao cérebro e verificar se as variantes faziam esse “trajeto” até o sistema nervoso central de maneira similar, independentemente dos sintomas ou da gravidade da doença. A pesquisa incluiu testes in vivo, como são chamados os estudos com animais, realizados em função do aparecimento das variantes. Eles aconteceram dentro do próprio Instituto Pasteur, que possui laboratórios de segurança de nível 3 e isoladores adaptados, e levaram cerca de dois anos. A equipe utilizou grupos de oito hamsters para analisar o comportamento do vírus no organismo após a infecção. “Para o SARS-CoV-2, o melhor modelo é o Hamster dourado. Assim como os humanos, eles sofrem da infecção, ficam doentes e se recuperam, e também podem desenvolver uma forma severa ou moderada. Esses animais também perderam o olfato na fase aguda da infecção após a contaminação pela cepa original, identificada em Wuhan.” Os cientistas do Instituto Pasteur também buscaram entender por que só algumas pessoas perdiam o olfato e por que essa perda variava em dependendo da variante envolvida no contágio. Para isso, contaminou os hamsters com o vírus da Covid-19 em laboratório e fizeram uma análise diária, verificando se haviam perdido o olfato. A conclusão é que, nos animais, apenas algumas variantes geravam a anosmia, em formas mais ou menos intensas. Mas, em todos os casos, independentemente da cepa em questão, o vírus chegava aos bulbos olfatórios, uma parte do sistema nervoso central. Essa constatação levou os pesquisadores a dissociarem a neuroinvasão, ou seja, a migração do vírus para o sistema nervoso, da anosmia. “O sistema olfativo é bem complexo e tem duas partes. A mucosa olfativa fica no fundo da cavidade nasal, onde estão nossos neurônios olfativos. Os axônios, o corpo dos neurônios, vão conectar o cérebro a essa cavidade nasal. Temos então uma porta de entrada muito acessível para um vírus respiratório. Foi isso que estudamos: o caminho usado pelo vírus para chegar ao cérebro", descreve Guilherme. Para validar essas conclusões, os pesquisadores cultivaram neurônios humanos em laboratório e visualizaram a difusão das partículas virais ao longo dos axônios. Ou seja, observaram o trânsito do vírus dentro dos neurônios.O objetivo era verificar sua capacidade de utilizar as células nervosas como uma “pista de acesso” ao cérebro. De acordo com Guilherme, o próximo passo agora é descobrir se o vírus consegue infectar outras regiões do cérebro e permanecer no órgão a longo prazo. Essa pode ser uma das explicações para o aparecimento da Covid longa. Os cientistas também questionam se a presença das partículas virais no sistema nervoso central pode afetar as funções cerebrais ou gerar sintomas como ansiedade, depressão ou perda de memória, que aparecem em alguns casos após a infecção. Essa hipótese é plausível porque o bulbo olfatório está próximo do tronco cerebral, onde estão localizados centros nervosos responsáveis por funções vitais e áreas relacionadas ao comportamento. “Este é o centro que processa todas as informações do cérebro e está muito perto do lugar onde o vírus se instala”, acrescenta o cientista brasileiro. Ansiedade e depressãoA equipe de Guilherme desenvolve atualmente testes de ansiedade, depressão e memória que serão aplicados nos hamsters contaminados há bastante tempo pelas diferentes variantes da Covid-19. A meta é tentar reproduzir em laboratório os sintomas da Covid longa e avaliá-los sem a influência do meio ambiente, para provar que esses sintomas são puramente orgânicos. “Se nos testes o animal apresentar um sintoma de depressão tendo como único fator causal a infecção ocorrida há muito tempo atrás, isso pode ser relacionado com a Covid longa”, resume. A próxima etapa é definir se os sintomas cognitivos estão relacionados à presença do vírus no cérebro e compreender o mecanismo fisiológico que faz com que eles se manifestem. Guilherme Dias Melo lembra que o SARS-CoV-2 ainda é um vírus “muito recente e dinâmico”. Por isso, serão necessários anos para entender como ele age dentro do organismo. “A mensagem principal é: o SARS-CoV-2 é capaz de infectar os neurônios e utilizá-los como uma rota de acesso ao sistema nervoso central. E a manifestação clínica na fase aguda não necessariamente vai influenciar uma manifestação clínica na fase longa”, conclui.
Trechos do livro “Happiness: A Guide to Developing Life's Most Important Skill”, Matthieu Ricard. Matthieu Ricard é escritor, tradutor, fotografo e monge do Budismo Tibetano. Filho do filósofo Jean-François Revel, Matthieu nasceu em Aix-les-Bains, em 1946, e cresceu em meio aos círculos intelectuais da França. Aos 21 anos, fez sua primeira viagem à Índia. Aos 26, decidiu abandonar a tese de doutorado em biologia molecular no renomado Instituto Pasteur para se dedicar a uma vida de contemplação como monge budista. Então, passou a viver no Himalaia estudando com Kangyur Rinpoche e outros grandes mestres, se tornando o estudante mais próximo e assistente de Dilgo Khyentse Rinpoche até sua morte. Matthieu Ricard foi um dos primeiros ocidentais a explorar em profundidade os tesouros espirituais do budismo dos Himalaias. Em 2012, pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, declararam que Matthieu Ricard era o homem mais feliz do mundo. O grupo de cientistas constatou que seu cérebro produzia um nível de ondas gama nunca antes relatado no campo da neurociência. O estudo revelou que, graças à meditação, Matthieu conquistou uma capacidade incrivelmente anormal de sentir felicidade e uma propensão reduzida para a negatividade Em seu ensino, Matthieu Ricard enfatiza a importância da atenção plena e da meditação como ferramentas para cultivar a consciência e a presença em nossas vidas diárias. Ele ensina técnicas de meditação que ajudam a desenvolver maior clareza, foco e uma compreensão mais profunda sobre nossos pensamentos e emoções.
Na Bélgica já é possível utilizar bacteriófagos, os vírus das bactérias, para combater doenças nos seres humanos, mas esta tecnica não é reconhecida na União Europeia, colocando de lado uma opção que ao contrário dos antibióticos não cria resistência e visa directamente a causa de muitas doenças infecciosas. Joana Azeredo, professora universitária e investigadora, está a tentar que esta terapia seja também reconhecida em Portugal. Descobertos no início do século XX pelo investigador franco-canadiano Félix d'Hérelle, que trabalhava no Instituto Pasteur em Paris, os bacteriófagos, ou seja, vírus que conseguem destruir bactérias, foram uma tecnologia rapidamente posta de parte pelos países ocidentais quando se tornou possível a produção em massa de antibióticos. Agora, devido à sobre-utilização destes medicamentos, uma grande parte bactérias apresenta resistência aos antibióticos, mostrando aa utilidade dos bacteriófagos.No entanto, na União Europeia, esta não é uma terapia reconhecida pela Agência Europeia de Medicamentos e pelas agências nacionais, tornando difícil o acesso a esta tecnologia. A Bélgica conseguiu encontrar uma forma de os legalizar, recebendo casos de todo a Europa, incluindo cerca de uma dezena de portugueses, com Joana Azeredo, professora no Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho a explicar em entrevista à RFI a importância desta terapia."É uma terapia dirigida a doenças infecciosas causadas por bactérias e esta terapia utiliza como princípio activo os bacteriófagos que são os virus que infectam e matam bactérias. Estamos a falar de infecções urinárias, infecções crónicas respiratórias, infecções da pele e infecções mais graves como septicémias, quando estas são provocadas por bactérias. Em situações limite podemos ter doentes com doenças infecciosas graves e quando essas bastérias são resisteentes aos antibióticos, os bacteriófagos são o último recurso", indicou Joana Azeredo.A investigadora espera agora que como na Bélgica, esta terapia passe a ser legal em toda a União Europeia, tendo lançado um apelo com outros investigadores aos deputados da Assembleia da República em Portugal para que este pedido seja ouvido e reconhecido também pelo próprio Infarmed, que supervisiona o mercado de medicamentos e dispositivos médicos em terras lusas."Nós, os investigadores, a minha equipa, médicos e doentes subscrevemos um apelo para a utilização da terapia fágica em Portugal. Este apelo foi divulgado e foi entregue à Assembleia da República e aos vários grupos parlamentares, já conseguimos uma reunião. Eu acho que a classe política está interessada, mas é preciso uma coordenação entre a classe política e o Infarmed, como aconteceu na Bélgica", concluiu.
“Antes da tempestade” é o nome da nova exposição da coleção Pinault no espaço do prédio histórico da Bolsa do Comércio, no centro de Paris. A mostra convida a uma reflexão sobre o atual tema das mudanças climáticas. Patricia Moribe, com entrevista de Muriel MaloufHá obras emblemáticas, tiradas da enorme coleção privada de François Pinault, um dos homens mais ricos da França. Há também instalações feitas especialmente para a ocasião. O artista vietnamita-dinamarquês Danh Vo se apropria do espaço central da rotunda, criando um sombrio jardim, Tropeaolum, onde árvores castigadas são sustentadas por estruturas de apoio. A instalação parece inspirada pelo espírito coletor e transformador de Frans Krajcberg. O alagoano Jonathas de Andrade apresenta o estranho e belo vídeo O Peixe, realizado com pescadores do nordeste em 2016, uma reflexão sobre o homem e o animal. Já o paulistano Lucas Arruda preenche uma sala com seus horizontes que provocam tensão entre abstração e figurativo, entre aparição e vazio. A artista de origem vietnamita Thu Van Tran fez duas instalações gigantes, refletindo sobre a exploração do Vietnã através da cultura da borracha, mais tarde arrasada pela guerra. A artista literalmente arremessou látex nas paredes brancas da sala, que se transformou em um enorme quadro efêmero, que vai mudando com o tempo. Ela explica a Muriel Malouf, jornalista da RFI:“A borracha é um material com muito significado para mim na história do Vietnã. Ela é literalmente projetada nas paredes brancas do museu, na autoridade representada por essa brancura, essa parede branca. E o encontro dos dois, deixa essa mancha, essa penetração. A borracha acompanha a história da dominação do mundo moderno. A borracha foi plantada no Vietnã no início do século 20 pelos primeiros colonos franceses. A semente foi trazida do Brasil com o auxílio do Instituto Pasteur. As primeiras extrações das seringueiras revelam uma borracha viável e competitiva. O Vietnã cederá a maior parte de suas terras férteis ao ocupador, o que se chamou de concessões, consolidando a presença estrangeira e sua exploração, ou seja, seu sistema de exploração sobre o solo vietnamita, com desmatamento, privação de liberdade em algumas plantações. Em troca, os nativos recebiam lotes, alojamentos, assistência médica, para que viessem com a família. Isso a fim de aproveitar ao máximo a mão de obra nativa.”Thu Van Tran explica seu uso de cores vibrantes:“Essas cores são originalmente aplicadas com intensidade porque me remetem a manchas, a contaminações. Elas se referem às dioxinas que foram despejadas nos solos do Vietnã durante a guerra americana. O Exército usou até seis dioxinas ao mesmo tempo em operações pesadas, chamadas de pesticida Arco-Íris. As dioxinas eram identificadas pelas cores dos tambores que as continham. O agente mais conhecido é o Agente Laranja. Mas o exército tambem usou agentes branco, rosa, verde, roxo. Eu aplico essas cores uma em cima da outra. É realmente uma técnica de afresco que absorve as primeiras cargas de tinta, mas elas ressurgem na superfície do inevitável cinza que aparece à medida em que o revestimento avança.”A artista conta como busca a beleza no sombrio:“O que eu procuro é transcrever a intensidade, a violência ou as injustiças que me atingem, com a mesma intensidade. Mas eu trabalho no campo estético, da contemplação, da beleza. É a intensidade dessas emoções, eu diria, que estou tentando trazer à tona.”"Antes da Tempestade" fica em cartaz na Bolsa de Comércio, em Paris até 11 de setembro de 2023.
La bacteria que originó la Peste Negra que mató a decenas de millones de personas en Europa durante la Edad Media todavía sigue activa en algunas zonas del mundo como Madagascar, China, Estados Unidos, Brasil o Perú. El científico costarricense Javier Pizarro-Cerdá del Instituto Pasteur ha descubierto, junto a otros investigadores, que las personas que sobrevivieron a la peste tenían un gen de resistencia a la bacteria en su sistema inmunitario y este gen se ha transmitido hasta hoy. La peste es una enfermedad causada por una bacteria, el bacilo Yersinia pestis, descubierto por el pasteuriano Alexandre Yersin en 1894. La bacteria se encuentra principalmente en los roedores y se transmite al humano por las pulgas. La peste es una enfermedad fulminante, una persona puede morir en 24 horas si no recibe el tratamiento necesario con antibióticos. De momento, no existe ninguna vacuna eficaz para prevenir la infección. “Con colegas de Chicago, Montreal hemos estado investigando esqueletos de gente que murió en Londres entre 1347 y 1350, época de la peste; y otros esqueletos que murieron después de 1352 y hemos identificado un gen que permite desarrollar una respuesta inmune mucho más fuerte. Tenemos la pista muy importante de que este gen, probablemente, protegió a una gran parte de la población humana de la peste”, asegura Pizarro-Cerdá. Junto a su equipo están trabajando con miles de bacterias y gracias a las técnicas actuales de secuenciación de ADN tienen acceso a bacterias muy antiguas y que vienen de todas las partes del mundo. “En el Pasteur tenemos más de 2.000 cepas que estamos secuenciando y analizando su ADN, tenemos colaboraciones también con arqueólogos que trabajan con bacterias antiguas que han rescatado de cementerios de hace 1000, 2000, incluso 5000 años trazando toda la historia de esta bacteria que al principio causaba una enfermedad intestinal y luego fue cambiando a este patógeno que conocemos hoy en día”, nos explica en Escala en París. Las mutaciones del gen que han identificado y que protegió a parte de la población contra la peste tiene, sin embargo, “un lado oscuro”. “Hemos visto que algunas personas que hoy desarrollan la enfermedad de Crohn, que es una inflamación del intestino, tienen este gen. Nuestra hipótesis es que una enfermedad como la de Crohn es el precio que estamos pagando por haber sobrevivido a la peste en el pasado”, asegura el científico cuya investigación está siendo revisada para publicarse en la revista Nature. La peste sigue siendo hoy en día tan agresiva como hace unos siglos. Pero el bacilo que provoca la peste no siempre fue tan agresivo. Al principio provocaba una enfermedad intestinal, pero luego se convirtió en un verdadero monstruo. Gracias también a las técnicas de secuenciación, Javier Pizarro-Cerdá y su equipo han logrado identificar el bacilo en cuestión. “Tenemos muchas pistas sobre este bacilo tan mortal. Es realmente como un rompecabezas. Ya hemos visto diferentes moléculas que ayudan a causar esta enfermedad tan grave y en este momento estamos poniendo juntas las piezas de este rompecabezas para tener la imagen global de la bacteria”, nos adelanta el costarricense sobre el resultado de esta investigación que podría explicar por qué en el Medioevo la peste fue tan brutal. “La bacteria infecta los ganglios y luego pasa a todo el cuerpo y hay una variante que puede llegar a los pulmones y se puede transmitir exactamente como el Covid y pensamos que, tal vez, durante algunas pandemias del Medioevo se pudo transmitir esta bacteria vía la tos. En ese caso se vuelve una enfermedad muy peligrosa”, explica. El pase sanitario ya se usó en Italia durante la epidemia de peste Los gestos de distanciación social que se han venido aplicando desde que comenzó la pandemia de coronavirus ya se aplicaron en el pasado cuando hubo episodios de epidemias de peste. “El pase sanitario ya se estableció en el siglo XVIII en Italia para viajar del norte al sur. Con el Covid, nos hemos acostumbrado a lavarnos las manos con el gel hidro alcohólico, pues en Inglaterra existen piedras en los centros de las ciudades que son como un tubo con un espacio donde se ponía vinagre, entonces la gente cuando transitaban se lavaban las manos. El término cuarentena se inventó en 1377 en Croacia y se aplicaba a los barcos”, declara el científico costarricense. Si bien en muchas partes del mundo la peste ya no existe por las medidas de higiene, en lugares como Madagascar hay rebrotes recurrentes por lo que hay que estar muy alerta para evitar que se expanda, sobre todo si es pulmonar, porque podría producirse un contagio masivo como con el SARS-CoV-2. “En 2017 en Madagascar hubo un brote de peste pulmonar y aquí en París tanto los hospitales como los aeropuertos estuvieron muy alerta en el caso de que hubiera casos de peste que vinieran de Madagascar”, asegura. El Instituto Pasteur también está trabajando en una vacuna contra la peste. Aunque sí que hay tratamientos con antibióticos, no existe una vacuna lo suficientemente eficaz. Escala en París también está en redes sociales. Un programa coordinado por Florencia Valdés, presentado por Aída Palau y realizado por Souheil Khedir, Vanessa Loiseau y Fabien Mugneret.
La bacteria que originó la Peste Negra que mató a decenas de millones de personas en Europa durante la Edad Media todavía sigue activa en algunas zonas del mundo como Madagascar, China, Estados Unidos, Brasil o Perú. El científico costarricense Javier Pizarro-Cerdá del Instituto Pasteur ha descubierto, junto a otros investigadores, que las personas que sobrevivieron a la peste tenían un gen de resistencia a la bacteria en su sistema inmunitario y este gen se ha transmitido hasta hoy. La peste es una enfermedad causada por una bacteria, el bacilo Yersinia pestis, descubierto por el pasteuriano Alexandre Yersin en 1894. La bacteria se encuentra principalmente en los roedores y se transmite al humano por las pulgas. La peste es una enfermedad fulminante, una persona puede morir en 24 horas si no recibe el tratamiento necesario con antibióticos. De momento, no existe ninguna vacuna eficaz para prevenir la infección. “Con colegas de Chicago, Montreal hemos estado investigando esqueletos de gente que murió en Londres entre 1347 y 1350, época de la peste; y otros esqueletos que murieron después de 1352 y hemos identificado un gen que permite desarrollar una respuesta inmune mucho más fuerte. Tenemos la pista muy importante de que este gen, probablemente, protegió a una gran parte de la población humana de la peste”, asegura Pizarro-Cerdá. Junto a su equipo están trabajando con miles de bacterias y gracias a las técnicas actuales de secuenciación de ADN tienen acceso a bacterias muy antiguas y que vienen de todas las partes del mundo. “En el Pasteur tenemos más de 2.000 cepas que estamos secuenciando y analizando su ADN, tenemos colaboraciones también con arqueólogos que trabajan con bacterias antiguas que han rescatado de cementerios de hace 1000, 2000, incluso 5000 años trazando toda la historia de esta bacteria que al principio causaba una enfermedad intestinal y luego fue cambiando a este patógeno que conocemos hoy en día”, nos explica en Escala en París. Las mutaciones del gen que han identificado y que protegió a parte de la población contra la peste tiene, sin embargo, “un lado oscuro”. “Hemos visto que algunas personas que hoy desarrollan la enfermedad de Crohn, que es una inflamación del intestino, tienen este gen. Nuestra hipótesis es que una enfermedad como la de Crohn es el precio que estamos pagando por haber sobrevivido a la peste en el pasado”, asegura el científico cuya investigación está siendo revisada para publicarse en la revista Nature. La peste sigue siendo hoy en día tan agresiva como hace unos siglos. Pero el bacilo que provoca la peste no siempre fue tan agresivo. Al principio provocaba una enfermedad intestinal, pero luego se convirtió en un verdadero monstruo. Gracias también a las técnicas de secuenciación, Javier Pizarro-Cerdá y su equipo han logrado identificar el bacilo en cuestión. “Tenemos muchas pistas sobre este bacilo tan mortal. Es realmente como un rompecabezas. Ya hemos visto diferentes moléculas que ayudan a causar esta enfermedad tan grave y en este momento estamos poniendo juntas las piezas de este rompecabezas para tener la imagen global de la bacteria”, nos adelanta el costarricense sobre el resultado de esta investigación que podría explicar por qué en el Medioevo la peste fue tan brutal. “La bacteria infecta los ganglios y luego pasa a todo el cuerpo y hay una variante que puede llegar a los pulmones y se puede transmitir exactamente como el Covid y pensamos que, tal vez, durante algunas pandemias del Medioevo se pudo transmitir esta bacteria vía la tos. En ese caso se vuelve una enfermedad muy peligrosa”, explica. El pase sanitario ya se usó en Italia durante la epidemia de peste Los gestos de distanciación social que se han venido aplicando desde que comenzó la pandemia de coronavirus ya se aplicaron en el pasado cuando hubo episodios de epidemias de peste. “El pase sanitario ya se estableció en el siglo XVIII en Italia para viajar del norte al sur. Con el Covid, nos hemos acostumbrado a lavarnos las manos con el gel hidro alcohólico, pues en Inglaterra existen piedras en los centros de las ciudades que son como un tubo con un espacio donde se ponía vinagre, entonces la gente cuando transitaban se lavaban las manos. El término cuarentena se inventó en 1377 en Croacia y se aplicaba a los barcos”, declara el científico costarricense. Si bien en muchas partes del mundo la peste ya no existe por las medidas de higiene, en lugares como Madagascar hay rebrotes recurrentes por lo que hay que estar muy alerta para evitar que se expanda, sobre todo si es pulmonar, porque podría producirse un contagio masivo como con el SARS-CoV-2. “En 2017 en Madagascar hubo un brote de peste pulmonar y aquí en París tanto los hospitales como los aeropuertos estuvieron muy alerta en el caso de que hubiera casos de peste que vinieran de Madagascar”, asegura. El Instituto Pasteur también está trabajando en una vacuna contra la peste. Aunque sí que hay tratamientos con antibióticos, no existe una vacuna lo suficientemente eficaz. Escala en París también está en redes sociales. Un programa coordinado por Florencia Valdés, presentado por Aída Palau y realizado por Souheil Khedir, Vanessa Loiseau y Fabien Mugneret.
No somos solo personas, sino verdaderos ecosistemas. Junto a nuestras células humanas viven millones de otros organismos que conforman la llamada microbiota o microbioma, y entender su impacto en la salud es uno de los campos de investigación más prometedores de la ciencia actual. El microbioma de los latinoamericanos es diferente debido a peculiaridades en la dieta, las costumbres y la situación socioeconómica. POR QUE ES IMPORTANTE TENER UN REGISTRO LATINOAMERICANO? Iraola creó y dirige el consorcio Latinbiota, una red de colaboradores en ocho países de América Latina que buscan comprender la composición y variabilidad del microbioma humano en la región. Gregorio Iraola / Científico uruguayo Responsable del Laboratorio de Genómica Microbiana en el Instituto Pasteur de Montevideo. @goyoiraola
Investigadores del Instituto de Salud Carlos III han conseguido el primer borrador del genoma del virus de la viruela del mono. La secuencia confirma que pertenece a un grupo filogenético de África Occidental, que es el de menor virulencia entre los conocidos y el que se ha identificado por el momento en la mayoría de los casos registrados en España y en otros países de nuestro entorno. José Antonio López Guerrero, director del grupo de Neurovirología de la Universidad Autónoma de Madrid, nos ha explicado como es el virus, las formas de transmisión, tratamiento y prevención. En la universidad de Salamanca hay bóveda con una espléndida pintura del siglo XV que representa el firmamento. Durante años se pensaba que era el cielo que se veía en esa ciudad castellana en agosto de 1475 aunque nuevos estudios sugieren que es la representación del universo del griego Ptolomeo. Hemos entrevistado a Guillermo Sánchez, miembro del Instituto de Física y Matemática de la Universidad de Salamanca. Bernardo Herradón nos ha hablado del silicio, el segundo elemento químico más abundante de la naturaleza, de sus propiedades físico-químicas y de su papel en la historia de la Química. Con Javier Ablanque al mando de nuestra máquina del tiempo hemos viajado al Berlín de 1936 para presenciar un partido de fútbol, ver como Hitler abandonó el estadio indignado y conocer como los jugadores aplican las leyes de Newton, aunque no sean conscientes de ello. En nuestros destinos con ciencia, Esther García nos ha llevado de visita al Instituto Pasteur de Paris, que cuenta con un museo dedicado al científico francés, fundador del a microbiología y pionero de la medicina moderna. Y hemos reseñado los libros “La edad del vidrio”, coordinado por Alicia Durán y John M.Parker (CSIC-Catarata); “La salud planetaria”, de Fernando Valladares, Xiomara Cantera y Adrián Escudero(CSIC-Catarata); “El Lunático de Lichfield. Erasmus Darwin, 1731-1802”, de José Manuel Echevarría Mayo (Sicomoro); “Historia de los volcanes”, de Nahúm Méndez-Chazarra(Guadalmazán) y “El límite de Roche”, de María Jesús Peregrín (Letrame). Escuchar audio
Um grupo de cientistas do Instituto Pasteur, do Centro Hospitalar de Psiquiatria e Neurociências de Paris e da Fundação Oswaldo Cruz identificou um circuito cerebral que, ativado, pode gerar ansiedade, depressão e outros sintomas em sobreviventes de uma sepse bacteriana. Essa reportagem é uma parceria da Agência Radioweb e da Rádio França Internacional.
Como uma infecção aguda grave pode influenciar a longo prazo o funcionamento cerebral? Um grupo de cientistas do Instituto Pasteur, do Centro Hospitalar de Psiquiatria e Neurociências de Paris e da Fundação Oswaldo Cruz identificou um circuito cerebral que, ativado, pode gerar ansiedade, depressão e outros sintomas em sobreviventes de uma sepse bacteriana. Taíssa Stivanin, da RFI A sepse é uma infecção grave, geralmente desencadeada por uma bactéria ou vírus, que frequentemente leva à hospitalização em UTI. Os pacientes muitas vezes precisam ser intubados ou usar ventilação mecânica. Em um estudo divulgado recentemente pela revista científica Brain, uma equipe de pesquisadores franceses concluiu que a ativação desse circuito neuronal nas primeiras horas após a infecção poderia induzir transtornos de ansiedade e outros sintomas, cerca de 15 dias depois da cura. A pesquisa durou, no total, cerca de dez anos. O grupo de neurônios que integra o processo está localizado na amígdala e em um núcleo da estria terminal (stria terminalis), um feixe de fibras situado no lobo temporal do cérebro, atrás das orelhas, que integra o chamado sistema límbico. Ele é responsável pela regulação das nossas emoções. “Nós já sabíamos que nosso cérebro poderia ser sensível a uma reação do sistema imunológico. Quando temos uma infecção, ele reage produzindo citocinas”, explicou um dos autores do estudo, o neurocientista Gabriel Lepousez, pesquisador do Instituto Pasteur, em entrevista à RFI. As citocinas são peptídeos que agem na regulação do sistema imune inato e adaptativo. Elas são liberadas durante as infecções e podem afetar o cérebro de diferentes maneiras. “O cérebro capta a presença de citocinas no sangue e isso funciona como um alerta para a existência de uma infecção”, explica o pesquisador francês. Gabriel Lepousez ressalta que, quando iniciou o estudo em laboratório, a equipe já sabia da existência desse circuito neuronal e do seu envolvimento na resposta imunológica. Ao longo da pesquisa, os cientistas descobriram que, no caso de uma sepse, a inflamação é tão severa que esse circuito reagia de maneira mais forte do que de costume – e essa é uma grande descoberta. “Esse circuito é ativado de maneira muito, muito forte, e essa ativação deixa um registro nesse circuito cerebral, gerando modificações duradouras”, completa. Fotografando neurônios A ideia do estudo, completa Lepousez, surgiu de uma observação do neuroanestesista Tarek Sharshar, que trabalha no setor de neuroreanimação do hospital Saint-Anne, em Paris. Ele notou que alguns de seus pacientes, vítimas de sepse, deixavam o hospital curados e tinham exames normais, mas apresentavam transtornos cognitivos, quadros de ansiedade e depressão e até problemas de memória, alguns meses depois. O clínico perguntou ao especialista francês se sua equipe poderia realizar uma pesquisa, com animais, para tentar entender o que acontece no cérebro desses pacientes após a infecção e o que poderia desencadear esses sintomas. A equipe do neurocientista então levou o projeto adiante e reproduziu em laboratório o que havia ocorrido na vida real. Eles provocaram uma septicemia nos ratos e analisaram quais estruturas do cérebro haviam sido afetadas, e em qual ordem. Os pesquisadores utilizaram técnicas para “fotografar” o conjunto de neurônios envolvidos no cérebro dos camundongos usados na pesquisa. A conclusão foi que o circuito neuronal ativado após a sepse era responsável por desencadear, por exemplo, sintomas como ansiedade, medo e depressão. E esse circuito ficou deteriorado depois da cura. “Temos técnicas para olhar dentro do cérebro e observar sua atividade como um todo, em tempo real. Elas nos permitem também tirar uma foto e verificar qual parte é mais ativada, em comparação a outra”, explica Gabriel Lepousez. No caso de humanos, os cientistas usam a ressonância magnética para obter as imagens cerebrais. Nos camundongos, a análise foi histológica e mais apurada: o cérebro do animal foi retirado após a cura da septicemia e os cientistas puderam marcar fisicamente a área onde estavam localizados os neurônios e verificar quais foram ativados ou não. “Tiramos uma foto, com resolução celular da ativação, e foi nessa hora que pudemos confirmar que a região da amígdala central, ligada a outras regiões do cérebro, foram bastante ativadas”, reitera o cientista francês. Pista para estudar Covid longa Além de identificar o circuito cerebral que geram os sintomas emocionais, os pesquisadores do Instituto Pasteur também identificaram uma molécula, o Levetiracetam, que poderia preveni-los. Trata-se de um antiepilético que já é comercializado e que agora será testado em um estudo clínico com humanos. A descoberta também pode ajudar a entender a síndrome de Covid longa e as sequelas deixadas pela infecção. Segundo Gabriel Lepousez, ainda não está claro como o corpo reage à inflamação aguda pelo SARS-COv-2, que também pode provocar uma sepse, mas viral. “Não testamos especificamente nesse contexto pós-viral, mas há, claramente, conexões que são interessantes e podem ser feitas”, diz. “Há algo que acontece no cérebro, e essa é uma boa pista”.
A França se prepara para virar mais uma página da pandemia de Covid-19. Na próxima segunda-feira (16), uma das últimas medidas da crise sanitária ainda em vigor deixará de ser obrigatória: o uso de máscaras nos transportes em comum. Esse pode ser um sinal do início do fim da pandemia de Covid-19, ainda que as autoridades peçam para a população manter a vigilância. Segundo o Ministério da Saúde da França, a restrição deixará de ser obrigatória nos metrôs, ônibus, trens, aviões e táxis. No entanto, a exemplo de todos os locais fechados, a máscara continua sendo "recomendada". Para os franceses, a decisão é a prova de uma importante melhora da situação sanitária, já que os transportes em comum são locais de grandes aglomerações, junto com os locais de trabalho, onde as contaminações mais ocorriam. A quantidade de contágios vem diminuindo nas últimas semanas, embora permaneça num patamar elevado. No país inteiro, a média de infecções é de 36 mil por dia, um número que chegou a quase 400 mil contaminações diárias em fevereiro. Desde o final de abril, a quantidade de doentes também segue em queda nos hospitais. Atualmente, cerca de 20 mil pessoas estão hospitalizadas por Covid na França – um número ainda distante do nível mais baixo de doentes desde o início da pandemia. Antes da chegada da ômicron, no segundo semestre do ano passado, a quantidade de pacientes hospitalizados era de 6.500. As UTIs francesas contabilizam mais de 1.300 pessoas em estado grave, mas a taxa de ocupação dos hospitais baixou de quase 50%, em março, para 26%. Já o índice de óbitos continua estável desde março: a média é de 100 mortes por dia, um número considerado ainda alto por especialistas. "A pandemia não terminou" "A situação epidêmica está melhorando. A pandemia não terminou, mas o número cotidiano de novos diagnósticos diminui e nós consideramos que não é mais adaptado manter essa obrigação do uso da máscara nos transportes em comum", afirmou o ministro francês da Saúde, Olivier Verán, na quarta-feira (11). Durante uma coletiva de imprensa no Instituto Pasteur, em Paris, a virologista Sylvie van der Werf fez disse acreditar que, diante do nível de imunização dos franceses, é possível passar para uma "fase de transição". Médicos e especialistas também fazem um apelo para que a população não deixe de lado as medidas básicas de proteção. O temor é que as contaminações voltem a subir, principalmente no caso do surgimento de uma nova variante do coronavírus. Não é à toa que o governo francês não descarta determinar a volta das restrições, caso uma nova onda de Covid-19 ocorra. Verán fez alusão à possibilidade de impor uma quarta dose da vacina anticovid no segundo semestre deste ano. Atualmente, os cidadãos com mais de 60 anos podem ter acesso a esse reforço opcional. Poucas medidas seguem em vigor Com o levantamento da obrigatoriedade das máscaras nos transportes em comum, os franceses poderão retomar uma vida quase normal. Poucas medidas anticovid seguirão em vigor, por precaução. O passaporte sanitário e a máscara continuarão sendo exigidos para ter acesso a hospitais, centros de saúde e casas de repouso para idosos. Quem testar positivo à Covid deverá continuar cumprindo isolamento de pelo menos uma semana. A suspensão dos profissionais de saúde que não quiseram se vacinar também continua valendo, pelo menos até o início do verão na França, dia 21 de junho. Embora a Agência Europeia da Segurança Aérea também tenha anunciado que deixará de exigir, a partir de segunda-feira, o uso de máscaras nos aviões que fazem trajetos dentro da União Europeia, a medida pode seguir permanecer em voos com destino a países que ainda mantêm essa restrição. Caberá às companhias aéreas comunicarem aos passageiros sobre a necessidade ou não da máscara.
No dia 25 de fevereiro de 1888, se estabelecia no Rio o Instituto Pasteur, graças à amizade do imperador D. Pedro II com Louis Pasteur, médico higienista, inventor da vacina antirrábica e do método de pasteurização.
Dois anos depois do início da epidemia de SARS-CoV-2, o mundo ainda vive no ritmo das ondas provocadas pelo novo coronavírus e o aparecimento de novas variantes. Com a chegada da ômicron, mais de 1,5 milhão de casos são detectados todos os dias – o nível mais alto desde o surgimento do vírus, em 2020, segundo dados da plataforma Our World in Data, especializada no recenseamento de dados oficiais internacionais. Na França, segundo a agência Santé Publique France, mais de 52 milhões de pessoas estão totalmente vacinadas contra a Covid-19, o que representa 78,5% da população, e mais de um milhão aguardam a segunda injeção. Mas, segundo o Instituto Pasteur, um retorno à vida normal não será possível sem que pelo menos 90% da população esteja vacinada. Mas, com a chegada da ômicron, que gera sintomas mais benignos em comparação à delta, a tão sonhada imunidade coletiva seria possível? Os governos europeus apostam no início de uma fase endêmica da epidemia de SARS-CoV-2 após a quinta onda. Isso significa que, a exemplo da gripe, ele se tornaria um vírus sazonal. A OMS, recentemente, admitiu essa possibilidade. O diretor do escritório regional da organização, Hans Kluge, disse que o continente pode estar se aproximando do fim da crise sanitária. Segundo a OMS, 60% dos europeus podem pegar a ômicron até março. Após uma fase de circulação intensa, combinada à vacinação e à imunidade proporcionada pela infecção natural, é esperado um período de calmaria, confirma Jean-François Saluzzo, ex-diretor do Instituto Pasteur em Dakar, no Senegal, e autor do livro “A Saga das Vacinas contra os Vírus”. Segundo ele, as epidemias terminam “sozinhas”, sem intervenção da medicina, e “pode-se esperar uma fase endêmica”, mas é preciso prudência. “Podemos ser surpreendidos”, diz. “O vírus circula intensamente na população vacinada. Ele pode mudar e escapar totalmente à imunidade gerada pelas vacinas. Podem surgir subtipos diferentes, que seriam por exemplo, Covid 1, Covid 2, Covid 3, Covid 4, etc. é pouco provável, mas não deixa de ser uma hipótese”, diss em entrevista ao programa Priorité Santé, da RFI. O aparecimento de uma nova variante insensível aos imunizantes obrigaria as autoridades a adotarem novamente medidas rígidas para controlar a circulação viral. Essa possibilidade é real, principalmente levando em conta a baixa taxa de vacinação em alguns países. “Pela lógica, a epidemia perderá força, progressivamente, e passaremos a um estado endêmico. Mas é preciso ser prudente, observar o que acontece ao redor, porque esse vírus, como eu disse, sempre pode nos surpreender. ” O benefício gerado por uma infecção que provoca sintomas leves e reforça a imunidade é contrabalanceado pelo risco de uma alta circulação do vírus, que facilita o surgimento de novas cepas. Monitorar os testes em países com menos acesso aos imunizantes também permitirá antecipar uma reação comum dos países, além de uma distribuição mais igualitária das vacinas. Coexistência com a delta preocupa Os imunizantes, como já se sabe, atenuam a circulação do vírus, que deve ser limitada, para que seja possível atingir uma imunidade coletiva a longo prazo. Em pessoas vacinadas com três doses, uma infecção pela ômicron se parece com uma rinofaringite ou uma gripe. A contagiosidade, entretanto, gera um número muito maior de casos, o que acaba, proporcionalmente, levando a muitas hospitalizações. Um outro ponto preocupante revelado pela quinta onda epidêmica é a coexistência da cepa delta, mais perigosa, que ainda não desapareceu, com a ômicron, que infecta a população vacinada com facilidade. Segundo o infectologista Christophe Rapp, membro do Conselho de Saúde Pública e presidente da Sociedade Francesa de Medicina de Viagem, a grande maioria dos pacientes internados na UTI hospital americano, onde ele atua, foi infectada pelo variante delta. Contrariamente à ômicron, que atinge principalmente o trato respiratório superior, poupando os alvéolos pulmonares, a delta pode provocar as graves pneumonias que levam pacientes para a UTI. Para evitar esses dramas, a única solução é aumentar, ainda mais as taxas de vacinação em todos os continentes, fazendo o possível para distribuir os imunizantes em países com pouco acesso. “O objetivo principal da vacinação é limitar as hospitalizações, as formas graves e os óbitos. Para prevenir as complicações, é necessário tomar duas doses da vacina, e um reforço com a terceira. Isso já sabemos e é evidente. Além disso, quanto mais vacinamos, mais as pessoas estarão protegidas e menos o vírus vai circular. Essa é a noção, um pouco complexa, de imunidade coletiva”, conclui.
El científico franco español Lluis Quintana-Murci dirige la Unidad de Genética evolutiva humana en el Instituto Pasteur de París. Acaba de publicar el libro ‘Le peuple des humains' (El pueblo de los humanos), en la editorial francesa Odile Jacob. Una especie de enciclopedia, fruto de años de investigación, en la que se dan muchas claves para entender de dónde venimos a través del análisis del genoma. “La genética nos da la oportunidad de estudiar nuestro genoma entero y comparando los genomas de diferentes poblaciones podemos reconstruir completamente la historia de nuestra especie, ahí están las huellas de nuestras migraciones, las huellas de cómo nos hemos adaptado al frío, a los patógenos, las huellas de cómo nos hemos mezclado con otras especies o simplemente entre diferentes poblaciones humanas”, explica Quintana-Murci. La especialidad de su laboratorio en el Instituto Pasteur de París es leer en nuestro genoma cuáles han sido los patógenos que han dejado huellas y dónde han dejado huellas ya que cuando nuestros ancestros homo sapiens llegaron de África a Europa hace unos 60.000 años encontraron un ambiente muy frío y con muchos patógenos, con el mestizaje con los neandertales adquirieron mutaciones genéticas que, según el científico, “les permitieron sobrevivir a las enfermedades infecciosas causadas sobre todo por virus ARN como la gripe o el Covid-19”. Esas mutaciones genéticas que se han producido a lo largo de miles de años han sobrevivido hasta nuestros días. Pero no todos los humanos tenemos las mismas mutaciones. Y eso tiene una influencia en cómo reaccionamos ante enfermedades infecciosas como el Covid-19. “El 16% de los europeos tenemos una serie de mutaciones neandertales que aumentan en un 60% el hecho de desarrollar un Covid severo, pero no todo es tan simple porque el 30% de los europeos tenemos otras mutaciones del hombre de Neandertal que en ese caso nos protegen y disminuyen de un 22% las chances de desarrollar un Covid servero. La herencia neandertal de nuestro genoma es un poco doble”, aclara el investigador del Instituto Pasteur. ¿Cómo eran los primeros europeos? Gracias a los estudios de genética se sabe que tenían la piel oscura y los ojos azules. "Los ojos azules llegaron ante que la piel clara y luego empezaron a perder la pigmentación de la piel porque la vitamina D se sintetiza gracias al sol y en ciertas latitudes donde hay mucho menos sol que en África necesitamos perder la pigmentación de la piel y es por eso que hoy la tenemos clara”, declara. Pueblos aún sin identificar entre la población africana Sabemos que hubo mestizaje entre Sapiens, que vinieron de África, Neandertales, que estaban en Europa, y Denisova, en Asia. Gracias a los estudios genéticos se ha identificado que alrededor del 2% del genoma de los europeos viene del hombre Neandertal y que en Asia tienen un 2% o 3% de Denisova. Sin embargo, hay otros pueblos aún no identificados en el genoma de los africanos. “Hay una parte en su genoma que viene de otra forma humana pero que aún no se ha descubierto, esto ha sido posible saberlo gracias a los estudios genéticos”, dice Quintana-Murci Una mutación genética que permite estar en apnea 13 minutos En el libro ‘Le peuple des humains' hay muchos datos sorprendentes, uno de ellos nos lleva hasta Indonesia en donde hay un pueblo, los Bajau, que tienen un bazo más grande lo que les permite aguantar más debajo del agua sin salir a la superficie a respirar. “Nosotros podemos aguantar bajo el agua uno o dos minutos. Este pueblo pasa el 60% del día haciendo pesca submarina. Han adquirido una mutación genética y gracias a ella pueden pasar 13 minutos bajo el agua". "Se trata de un ejemplo inédito de adaptación extrema”, nos cuenta el científico que insiste en que una modificación de este tipo necesita mucho tiempo para que se instale.“Para que un gen se adapte, tiene que aparecer una mutación y esa mutación aparece en un individuo y para que esa mutación pase a la población son miles de años”, concluye. #EscalaenParís también está en Facebook. Un programa coordinado por Florencia Valdés y Melissa Barra; realizado por Souheil Khedir, Fabien Mugneret y Vanessa Loiseau.
Oh Oui! así se llama este nuevo tipo de pastelería concebida por Delphine Cousseau y Fanny Barbe, dos francesas quienes, apoyadas por el Instituto Pasteur de Lille, han logrado confeccionar recetas adaptadas para personas con diabetes o que quieren cuidar su ingesta de azúcar. El concepto de esta pâtisserie francesa es proponer pastelitos con un índice glicémico bajo, tres veces menor que el de los pasteles habituales, y sin recurrir a edulcorantes artificiales.Reportaje de RFI. Reportaje en la Rue du Bac de París. El local de Oh Oui! donde se encuentran estas delicias, es bastante discreto y pequeño. Sin embargo, es un proyecto que llevó tres años de preparación con el Instituto Pasteur de Lille, al norte de Francia, en colaboración con el doctor Jean Michel Lecerf, responsable del servicio de nutrición y actividad física de este organismo. El objetivo, proponer postres típicos de la gastronomía francesa, pero con un índice glicémico bajo, para evitar el pico de insulina que se da cuando se ingieren carbohidratos simples, como el azúcar o las harinas refinadas, provocando que la glucosa entre rápidamente en el torrente sanguíneo y en grandes cantidades. Al darse esto, el páncreas busca bajar este aumento súbito y se pone a fabricar insulina en fuertes cantidades. Se da entonces el efecto contrario, el azúcar baja muy rápido. Y es por eso que nos sentimos cansados después de tomar algo con mucha azúcar. Los valores del índice glicémico, (IG por sus siglas), se dividen en tres categorías: el índice glucémico bajo: de 1 a 55, el mediano de 56 a 69 y el alto, de 70 para arriba. Los pasteles clásicos franceses, como una tarta de chocolate, por ejemplo, superan este índice de 70… Detalle de la investigación (documento en francés): Según los estudios del Instituto Pasteur de Lille, los pasteles propuestos por Oh Oui! tienen un índice glicémico entre 7 (Madeleine fleur de sureau) y 18 (Finger Citron). Los otros postres oscilan entre 10 y 16 y en los estudios realizados, no se registró ningún pico de insulina en las personas que consumieron estos postres. Estos postres aunque al origen buscan ser una opción para personas con diabetes, también están pensados para aquellos que buscan pastelitos menos dulces y más sanos. El secreto para lograr esto, es utilizar azúcares de absorción lenta como el azúcar de coco (IG 35), azúcar de uva (IG 20) y el jarabe de agave (IG 15). Y en harinas, utilizar harinas con fibra como la harina de trigo semi completa (T110), harina de garbanzo y salvado de avena. Oh Oui! ha optado por no utilizar edulcorantes artificiales como el aspartame o el acesulfamo de potasio. Ni tampoco azúcares alcohólicos como el sorbitol, maltitol o xilitol. Estos pastelitos Oh Oui! se pueden comprar en un pequeño local de la graciosa Rue du Bac, en pleno París...RFI fue hasta allá para conocerlos y de paso, probarlos también. El resultado, tanto en el sabor como en la textura, es sorprendente… Una turista entró al local para preguntar durante nuestro reportaje: “Lo que pasa es que mi hermana es diabética, yo soy brasileña y tengo un pequeño departamento cerca y paso seguido por aquí…está muy lindo este lugar, estos postres tan bonitos, ¡son unas verdaderas maravillas! en París hay muchas pastelerías muy bellas, pero los postres que proponen tienen demasiada azúcar y eso no es nada bueno....” Delphine Cousseau, co-fundadora de esta nueva marca, junto con Fanny Barbe, explica el proyecto a largo plazo de Oh Oui! : “Queremos proponer una pastelería sana... hace un año que comenzamos, el negocio es rentable, pero nuestra idea es que la marca Oh Oui! sea conocida en toda Francia, no sólo para los diabéticos pero también para las personas que quieren darse un gustito sin culpabilizar, queremos convertirnos en la marca de referencia de pastelería de índice glicémico bajo y poder distribuir nuestros pasteles en todo el país, este local es más bien para darnos a conocer...tenemos varios proyectos en preparación y bueno, ésa es la idea, desarrollar nuestra marca a nivel nacional”. Escuche aquí el reportaje en su versión completa: Entrevistadas: Marie Jacqueau, joven francesa quien participó en la génesis de este proyecto, Delphine Cousseau, co-fundadora de Oh Oui! y una turista brasileña. Otros temas relacionados: Los enlatados: conservas que pueden ser saludables y gastronómicas Gastronomía light: comer bien y bajar de peso a la vez
O ano de 2021 começou em plena onda epidêmica da variante alpha do SARS-CoV-2 e com populações do mundo todo sendo submetidas a medidas de restrição rígidas. Com previsões pessimistas, agora 2021 termina com a chegada da variante ômicron e questionamentos sobre a eficácia das vacinas contra a nova cepa. O primeiro Ano Novo na França após o início da epidemia, em 2020, foi celebrado com toque de recolher: as pessoas não podiam sair de casa entre oito da noite e seis da manhã. Festas também foram proibidas e, em casa, a regra era ter apenas seis convidados à mesa. O fim de 2020 marcou, desta forma, o começo da era epidêmica, que mudaria o cotidiano do mundo nos próximos anos. Mas o surgimento das vacinas contra a Covid-19 no final de 2020 alimentou a esperança de que a vida poderia, após quase um ano de restrições, voltar ao normal. No início do ano passado, o acesso aos imunizantes era raro e, na maior parte dos países, a população aguardava com ansiedade a possibilidade de se vacinar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores ao redor do mundo constatavam cada vez mais casos de doentes que, meses após a contaminação, apresentavam sintomas como falta de ar e problemas de concentração e cansaço, que muitas vezes impediam as pessoas de executarem suas tarefas normalmente no cotidiano. Covid longa Os clínicos e pesquisadores passaram a se interessar mais de perto pela síndrome que ganhou um nome: Covid longa. Em Paris, o hospital Foch constatou o fenômeno após o primeiro lockdown na França, de maio de 2020, e criou um setor especial para receber os doentes. Na época, Nicolas Barizien, especialista em Medicina Esportiva no estabelecimento, explicou que a maior parte dos pacientes tiveram versões leves da Covid-19, não foram hospitalizados, mas relataram o retorno dos sintomas, como se a doença tivesse se tornado crônica. Os resultados dos exames, entretanto, eram normais. “Os pacientes relataram um impacto real na qualidade de vida, no cotidiano. Os sintomas muitas vezes fazem com que sejam incapazes de levar uma vida normal. Eles descrevem, por exemplo, uma sensação de falta de ar, mesmo com um esforço mínimo”, disse. As pesquisas continuaram e, alguns meses depois, a OMS reconheceu a síndrome e criou uma definição para a Covid longa: uma doença que ocorre em pessoas que foram diagnosticadas positivas, com sintomas que não podem ser explicados por outro diagnóstico. Fascínio e desconfiança Neste início de 2021, as vacinas a base de RNA mensageiro, produzidas pela Pfizrer e a Moderna, haviam acabado de chegar ao mercado e causavam, ao mesmo tempo, fascínio e desconfiança na população. A tecnologia, ainda pouco conhecida, despertava curiosidade, mas também questionamentos. No dia 13 de janeiro, o papa Francisco, 84 anos, foi imunizado no Vaticano. Em uma declaração simbólica, ele disse que a oposição à vacina era um “negacionismo suicidário”, incitando à imunização. Em uma mensagem em espanhol divulgada alguns meses mais tarde, em agosto, ele incitou a população a se vacinar – o que, em suas palavras, representava "um ato de amor". Na corrida pelo estoque de vacinas, Israel se antecipou e adquiriu antecipadamente milhões de doses da Pfizer. O Reino Unido também foi um dos primeiros países a generalizar a imunização, utilizando principalmente o soro do laboratório AstraZeneca. A tática utilizada pelo primeiro-ministro Boris Johnson, ele mesmo vítima da Covid-19, foi a de aplicar uma dose do imunizante e esperar alguns meses antes do reforço – nessa época, uma dose já combatia com eficácia a cepa alpha. Desta forma, mais pessoas poderia ser imunizadas. O efeito da vacinação se tornou visível rapidamente. O Reino Unido reabriu escolas em março e a vida aos poucos foi voltando ao normal. Invejado no início por muitos, o imunizante da AstraZeneca passou a gerar desconfiança após o aparecimento de casos de trombose. Alguns países, como a França, só autorizaram seu uso para maiores de 55 anos. Aos poucos a vacina foi perdendo espaço para os imunizantes a base de RNA na Europa. Despreparo A União Europeia se mostrou despreparada no início da campanha da vacinação e as doses eram raras, reservadas no início apenas para os mais idosos com patologias pré-existentes. A Covid-19 também revelou a falta de coordenação das autoridades mundiais para gerenciar pandemias, como lembrou o virologista Christian Brechot, professor de Medicina da Universidade da Flórida, ex-diretor do Inserm (Instituto Nacional francês de Saúde e Pesquisa Médica) e do Instituto Pasteur. “Penso que o controle de uma pandemia passa pela vacina, por novos tratamentos, mas também pela capacidade de usar melhor os progressos tecnológicos que foram feitos na área diagnóstica", declarou. Um dos erros da epidemia, diz, foi justamente a lentidão dos diagnósticos. É preciso ter uma maior reatividade, lembra. “Isso permite manter uma vida econômica, apesar da pandemia." Epidemia de doenças mentais Em 2021, uma outra epidemia surgiu, paralelamente à da Covid-19. As dificuldades provocadas pelo vírus geraram uma explosão de casos de depressão e outras doenças mentais, provocadas pelo distanciamento social, o isolamento e outras restrições. Em alguns casos, o medo de pegar a doença se transformou em fobia, como explicou o psiquiatra francês Eric Malbos à RFI. Encostar na maçaneta de uma porta, por exemplo, tornou-se um desafio para alguns pacientes. Alguns deles já tinham fobias e o quadro foi agravado pela epidemia. Em outros casos, as pessoas desenvolveram o temor de ficarem doentes, um transtorno ansioso. Eric Malbos criou um método para ajudar os pacientes a se desvencilhar desses medos, utilizando a realidade virtual. Eles são confrontados a seus temores em ambientes que simulam, por exemplo, uma exposição ao vírus. As preocupações com a epidemia também afetaram o sono da população mundial e de muitos franceses. Um estudo realizado após primeiro lockdown na França, entre março e maio de 2020, concluiu 47% dos 2.000 mil entrevistados tinham problemas de sono – quase 17% mais que nos períodos anteriores à epidemia. Para a psiquiatra Sylvie Roland Parola, o problema é que, durante o lockdown, as pessoas dormiam e acordavam cada vez mais tarde. Esse tipo de comportamento, explica, é observado em períodos de isolamento. “O tempo passado diante das telas também aumentou de forma dramática, em todas as faixas etárias, e principalmente à noite, o que atrapalha o sono”, recorda. Passaporte sanitário A partir de abril de 2021, com o avanço da vacinação, os países europeus começaram a avaliar a possibilidade de criar documento para vacinados, que facilitaria a circulação entre fronteiras. Em junho, surgiria o certificado europeu de vacinação. A França adotou o passaporte sanitário, que autoriza, desde julho, o acesso a bares, restaurantes, museus, cinemas, academias e outros locais públicos. No início do verão europeu, a população europeia estava otimista em relação ao futuro pandêmico. As vacinas funcionavam, estavam disponíveis no continente e havia esperanças concretas de que, aos poucos, a vida poderia voltar ao normal. Mas, uma nova variante jogaria um balde de água fria no mundo: a aparição da delta, uma cepa mais contagiosa e mais resistente aos imunizantes, gerou dúvidas sobre a possibilidade de obtenção de uma imunidade coletiva e o fim das restrições, com o avanço da imunização. Havia ainda outros problemas: o acesso desigual aos imunizantes nos países mais pobres, o que poderia facilitar a emergência de novas cepas, mais contagiosas e com escape imunitário. A esses fatores, somou-se o fato de que os menores de 12 anos ainda não podiam ser imunizados, mas as escolas, em muitos países, continuaram abertas, como foi o caso francês. Por isso, em setembro de 2021, início do ano letivo no hemisfério norte, uma das principais preocupações era como o vírus iria circular entre não vacinados e crianças – dois redutos epidêmicos. Na época, a especialista francesa em Saúde Pública Hélène Rossinot lembrou que a circulação do ar nas salas de aula, com sensores de CO2, seria essencial para lutar contra a propagação – um equipamento raro na maior parte das escolas públicas francesas. "Para mim, é uma aberração que as crianças não sejam mais protegidas", ressaltou. Nova onda epidêmica Neste mês de setembro, a euforia que antecedeu o verão cedeu espaço à preocupação. Os casos cresceram com a chegada do outono, apesar da alta taxa de vacinação no continente europeu, e os países começaram a enfrentar novas ondas epidêmicas. Na Alemanha, o número de contaminações superou os ínidices da primeira onda, em 2020. Na França, a situação nas escolas foi um prenúncio do que o inverno reservaria para a população. Um número cada vez maior de classes fechou as portas, e muitos cientistas questionaram se o controle da epidemia seria possível sem a vacinação infantil. A resposta foi não: no final de outubro, a FDA, a agência americana de medicamentos, aprovou o imunizante da Pfizer para crianças entre 5 e 11 anos. Os Estados Unidos começam a vacinar os menores dessa faixa etária em novembro, apesar das reticências em muitos países, como é o caso na França. A presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, Christèle Gras-Le Guen, afirma que a doença nunca foi perigosa para essa faixa etária. "Não me preocupo com a saúde das crianças, que não são, de forma nenhuma, alvo das formas graves da Covid-19", disse. Ômicron: o retorno à estaca zero Neste fim de novembro de 2021, o aparecimento da ômicron, a variante detectada na África do Sul, colocou fim à esperança de que o mundo poderia voltar a ser como antes em 2022. Mais contagiosa, a cepa parece se propagar tão rapidamente que as ondas epidêmicas se transformam em tsunamis, como rapidamente mostrou a situação no Reino Unido. As mutações da ômicron na proteína Spike, que o coronavírus utiliza para entrar na célua, a tornam menos sensível às vacinas. Atualmente, já se sabe que, sem uma terceira dose, a proteção seria insuficiente contra infecções sintomáticas – mas os dados preliminares não permitem ainda afirmar se o esquema vacinal com duas doses protege completamente de formas graves, nem por quanto tempo. A Pfizer já anunciou que prepara um imunizante específico para a cepa. Neste contexto, o ano de 2022 começa na expectativa de como a Europa, a França e o mundo vão enfrentar essa nova ameaça, e se ela servirá de lição para uma distibuição mais igualitária dos imunizantes.
"La población joven no es tanto más radicalizada como los los segmentos generales de la población" de lo que conversamos con Nicolle Etchegaray, académica Escuela de Periodismo UDP sobre la Encuesta Jóvenes y Participación UDP que destaca que casi un 40% de los jóvenes ha admitido apoyar funas en redes sociales; El periodista Jorge Espinoza Cuellar nos cuenta que La Convención Constitucional planea aplazar sus semanas territoriales de verano; "Tenemos un virus que al no tener cobertura de vacunación importante sobre el 70%, el virus va a encontrar lugares donde replicar, mutar" nos explica Gonzalo Moratorio, científico uruguayo parte del Congreso Futuro, virólogo responsible del laboratorio de evolución experimental de virus del Instituto Pasteur de Montevideo. Conduce Jorge Lira.
O Instituto Pasteur é inaugurado em Paris em 14 de novembro de 1888. Financiado por uma subscrição internacional, este centro de pesquisas sobre as mais diversas espécies de vírus encheu de felicidade o mais popular dos sábios que a humanidade conheceu.Veja a matéria completa em: https://operamundi.uol.com.br/historia/32411/hoje-na-historia-1888-e-inaugurado-o-instituto-pasteur----Quer contribuir com Opera Mundi via PIX? Nossa chave é apoie@operamundi.com.br (Razão Social: Última Instancia Editorial Ltda.). Desde já agradecemos!Assinatura solidária: www.operamundi.com.br/apoio★ Support this podcast ★
Alguns governantes, cientistas e adeptos das teorias da conspiração defenderam publicamente que o Sars-CoV-2 foi criado em laboratório. Os melhores argumentos científicos para defender esta hipótese se baseavam na ausência de um vírus "similar" na natureza. Mas virologistas do Instituto Pasteur e pesquisadores do Laos coletaram saliva, fezes e urina de 645 morcegos em cavernas do Laos. Eles descobriram três vírus chamados de BANAL-52, BANAL-103 e BANAL-236, que são mais de 95% idênticos ao coronavírus. O artigo relatando estas impressionantes descobertas científicas está sendo considerado para a revista Nature Portfolio e se encontra atualmente no formato preprint (você pode acessá-lo no link abaixo). A evolução parece ter acontecido diante dos nossos olhos. Então Vem Cienciar conosco! https://www.researchsquare.com/article/rs-871965/v1 Coronaviruses with a SARS-CoV-2-like receptor-binding domain allowing ACE2-mediated entry into human cells isolated from bats of Indochinese peninsula
Um estudo produzido no Instituto Pasteur, da Universidad de la República, no Uruguai, indica que a dose de reforço com a vacina da americana Pfizer em pessoas com duas doses da Coronavac, do instituto chinês Sinovac, pode gerar vinte vezes mais anticorpos contra a Covid-19. O assunto é destaque no comentário de Tom Barros e Paulo Oliveira
En las células, la transmisión de la información genética no se da de manera continua, sino de manera “estocástica” o aleatoria, por intermitencias. Este fenómeno, conocido como "ruido celular o de expresión", desempeña un papel fundamental en muchos procesos biológicos. Investigadores del IGMM, el Instituto de Genética Molecular de Montpellier, al sur de Francia, buscaron conocer mejor este mecanismo gracias al estudio de embriones de la mosca Drosophila. Las imágenes obtenidas son fascinantes. El ruido celular está implicado en muchos procesos biológicos, por ejemplo, en el rebote de la carga viral al interrumpirse la triterapia contra el VIH, pero también en el desarrollo embrionario. Un equipo de investigadores del Instituto de Genética Molecular de Montpellier, el IGMM, al sur de Francia, quiso comprender mejor algunos aspectos de este ruido celular. Los resultados fueron publicados en dos artículos, uno más centrado en la biología y el otro en modelos matemáticos, en la revista Nature Communications. Las investigaciones fueron hechas por un equipo transversal, entre biólogos, matemáticos y físicos. El italiano Antonio Trullo es analista de imágenes y forma parte del equipo del laboratorio dirigido por la bióloga Mounia Lagha del IGMM. Antonio Trullo conversó con RFI sobre estas investigaciones. Escuche aquí la entrevista en su formato largo: Los investigadores observaron al microscopio y captaron en imágenes las primeras horas del desarrollo de un embrión de la mosca Drosophila Melanogaster (embriogénesis). Las imágenes son muy gráficas y parecieran muchos puntos que se mueven y se dividen a su ritmo, casi como un ballet. Los pequeños puntos amarillos son los genes al activarse. Dos modelos para un mecanismo Lo novedoso de esta investigación es que, para comprender mejor este fenómeno aleatorio de expresión genética, se basaron en dos modelos, uno usando un etiquetado fluorescente del ARN mensajero implementado por la bióloga Virginia Pimmet y otro basándose en modelos matemáticos, gracias a la colaboración del equipo del matemático Ovidiu Radulescu de la Universidad de Montpellier. En particular, los científicos se interesaron por el proceso de "pausa" de la transcripción genética, que corresponde a una pausa temporal del ARN polimerasa II, mejor conocido como ARN Pol II, una enzima que asegura la transcripción de los genes, y en particular estudiaron el llamado promotor, una parte del ARN responsable de iniciar o “empujar” la transcripción de un gen. Los investigadores demostraron que "la modulación del ruido de expresión en las células infectados por el VIH y en los embriones de Drosophila utiliza un mecanismo común la llamada “pausa proximal” en el promotor del ARN Pol II." Sobre el laboratorio de Mounia Lagha En este laboratorio dirigido por la bióloga Mounia Lagha (medalla de bronce CNRS 2017), se estudian los mecanismos que regulan la expresión de los genes implicados en el desarrollo embrionario, en concreto, el desarrollo temprano de la mosca Drosophila, en las primeras 4 horas de embriogénesis. Mounia Lagha, ingeniera agrónoma y formada en biología del desarrollo, realizó su doctorado sobre la formación del tejido muscular en el embrión de ratón en el Instituto Pasteur. Para desarrollar enfoques mecanicistas, la joven bióloga cambió de organismo modelo durante su formación posdoctoral: se incorporó a la Universidad de Berkeley en 2010 para trabajar en el embrión de la mosca de la fruta Drosophila, interesándose en el proceso de "pausa" de la transcripción, que corresponde a una detención temporal de la polimerasa, la enzima que asegura la transcripción de los genes. Desde su contratación en el CNRS en 2014, año en que recibió el Premio Paoletti, ha continuado su trabajo en el Instituto de Genética Molecular de Montpellier. Un ambicioso proyecto de investigación, apoyado por una beca del ERC Starting Grant del Consejo Europeo de Investigación y llevado a cabo por jóvenes científicos de diferentes disciplinas. Entrevistado: el físico Antonio Trullo, analista de imágenes del laboratorio de Mounia Lagha, del Institute de Génétique Moléculaire de Montpellier (IGMM) del CNRS. Otros temas que le pueden interesar: Descubren nuevo componente de la sangre: las mitocondrias Científicos descubren nuevo hallazgo sobre cómo se afianzan nuestros recuerdos
El año 2020, seguramente quedará marcado en la memoria de todos, como el ano donde todo cambió. Cambió nuestra manera de trabajar, socializar, aprender, estudiar y de ver la ciencia. En este contexto las empresas de la ciencia de la vida pasaron a tener un rol fundamental, incluso esencial, en muchos casos. Sin estas empresas, su dedicación a la investigación, innovación y desarrollo, no tendríamos hoy, por ejemplo, vacunas contra el coronavirus.Según J.P. Morgan el año 2020, inversiones en empresas de ciencias de la vida batieron records en casi todos los sectores, a pesar de un contexto de negocios con grandes desafíos. Además, en Estados Unidos, rondas capital de más de USD 100 millones de dólares continuaron creciendo, teniendo un rol fundamental en el fondeo del ecosistema. Si bien la industria de capital de riesgo o Venture capital esta muy desarrollada en Estados Unidos, por estas latitudes, no tanto. En Uruguay y la región contamos con científicos de primer nivel que obtienen reconocimiento mundial y publicaciones en las revistas de ciencia más prestigiosas, pero son pocas las oportunidades comerciales. Muchos optan por emigrar o ir por la ruta académica, quizás no por falta de interés en aplicaciones comerciales de sus conocimientos, sino por falta de fondos, u oportunidades.Es aquí donde Lab+ viene a cerrar esa brecha. Lab+ es un Venture Company Builder, enfocado en proyectos asociados a ciencias de la vida, y el descubrimiento de nuevos fármacos o tratamientos. Lab+ está respaldada por el Instituto Pasteur de Montevideo y Ficus. La idea es levantar USD 35 millones para invertir en empresas en una etapa temprana con un potencial global. Para los inversionistas también es una oportunidad única de invertir en proyectos científicos de impacto real con un potencial retorno interesante.Escuchá la charla para conocer los detalles del fondo, como seleccionan a los emprendimientos, que apoyo brinda el Instituto Pasteur y Ficus, que necesita saber un potencial inversor y mucho más…
Con la ayuda de dos especialistas, el Dr. Fabio Grill Díaz (infectólogo) y el Dr. Álvaro Fajardo (virólogo del Instituto Pasteur) presento esta receta para lidiar con el animal más dañino del siglo XXI: los negacionistas. Como estas personas son cazardores irracionales de clicks, adictos a las redes, presento un mpetodo alternativo al que ya se probó inútil: razonar con ellos. Aclaro que de las opiniones polémicas me hago cargo en exclusividad, mis invitados solamente aportaron información profesional. HISTORIAS RANDOM PODCAST 08-07-2021
La pérdida del olfato o anosmia ha sido uno de los síntomas más frecuentes de la Covid-19 pero hasta ahora no sé sabía muy bien el porqué. Un grupo de investigadores en Francia ha logrado observar los mecanismos implicados que explican este síntoma y por qué algunas personas tardan más en recuperar este sentido. El secreto está en el epitelio olfativo y en sus cilios, y así también en las neuronas sensoriales olfativas que se encuentran en este epitelio. ¿Por qué muchas personas infectadas con el Sars-Cov 2 pierden el olfato? Un grupo de investigadores del Instituto Pasteur, del CNRS, del Inserm, de la Universidad de Paris y de sus hospitales públicos (Assistance Publique - Hôpitaux de Paris) quiso comprender cuáles son los mecanismos implicados en este tipo de anosmia, provocada por la Covid-19. Los científicos descubrieron que este coronavirus infecta las neuronas sensoriales olfativas y provoca una inflamación persistente en el epitelio olfativo, esto es, la mucosa olfativa que se encuentra en la cavidad nasal, afectando al sistema nervioso olfativo. Las investigaciones permitieron también explicar por qué algunas personas infectadas con la Covid 19 tardan más en recuperar el olfato. En ocasiones, este proceso puede tomar hasta dos años. Imagenes en blanco y negro obtenidas al microscopio electrónico donde se ve el epitelio olfativo y ciertas partes de ella sin cilios, que son como filamentos que están involucrados en el proceso olfativo. Aquí con más detalle, en diferentes etapas. Los puntitos redondos son los virus Sars-CoV-2. Aquí un esquema que ilustra las diferentes capas del epitelio olfativo y cómo es "desorganizado" al ser atacado por el Sars-CoV-2. Guilherme Dias de Melo participó en este estudio. Él es veterinario e investigador del Instituto Pasteur y co-autor de esta investigación publicada en la revista Science Translational Medicine. RFI conversó con el investigador sobre estos importantes hallazgos. Escuche aquí nuestro programa de radio con Guilherme Dias de Melo. Otros temas relacionados que le pueden interesar: La anosmia, cuando se ha perdido el olfato Cuando se pierde el olfato por la Covid 19, reeducarlo a través de los aceites esenciales Talleres olfativos para trabajar la memoria o suscitar emociones
Luis Enjuanes es un científico virólogo que se ha desarrollado en este campo durante más de 40 años, 35 de ellos especializado en coronavirus. En la actualidad se centra en el estudio de los mecanismos de recopilación, transcripción, virulencia e interacción virus-huésped de los coronavirus. Durante su carrera, Enjuanes ha sido editor jefe en “Virus Research” y ha publicado más de 235 artículos en revistas internacionales y un total de 58 capítulos en diferentes libros científicos. Además, Enjuanes ha sido “Fogarty Visiting Fellow” en los Institutos Nacionales de Salud en EE.UU. (NIH) y científico visitante en el Centro de Investigaciones sobre el Cáncer (FCRC). Se dedica a transmitir sus conocimientos como profesor de Investigación y es jefe del laboratorio de Coronavirus en el Centro Nacional de Biotecnología del Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC). También es profesor de Virología de la Universidad Autónoma de Madrid y del Instituto Pasteur de París. Varios títulos respaldan su gran trayectoria: “Virólogo Senior Distinguido” por la Sociedad Española de Virología, académico de la Real Academia de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales, académico de la Academia Norteamericana de Microbiología y consultor experto de los NIH y de la Organización Mundial de la Salud. En nuestro país, Luis Enjuanes ha recibido la medalla al Mérito en la Investigación y en la Educación Universitaria concedido por el Ministerio de Ciencia e Innovación. El Dr. Enjuanes vive a contrarreloj desde hace un año. A sus 76 años, lidera un equipo de 16 personas cuyo objetivo es terminar la que podría ser una de las mejores vacunas contra el SARS-CoV-2. Por varias razones: 1) Es autoamplificable, lo que significa que la dosis de ARN que se inyecta puede multiplicarse por 5.000 veces dentro del organismo. 2) Genera una inmunidad esterilizante, es decir, las personas vacunadas no solo no enferman, sino que tampoco se infectan ni transmiten el virus. 3) Su administración podría ser intranasal, lo que da mayor protección en las vías respiratorias, la principal puerta de entrada del coronavirus. Enjuanes, que desarrolla su actividad en el Centro Nacional de Biotecnología (CNB-CSIC), prevé que su vacuna estará lista en un año. “Saldremos más tarde, pero con todo actualizado”. Se refiere, por ejemplo, a que en los ensayos han incorporado las mutaciones de las variantes del SARS-CoV-2 de Reino Unido, Sudáfrica y Brasil.
El viernes 5 de junio de 1981, exactamente 39 años atrás, el Reporte Semanal de Mortalidad y Morbilidad publicado por el Centro para el Control y Prevención de Enfermedades de EEUU, publicó 5 casos de neumonía muy curiosos. Sin saberlo, las autoridades de salud de EEUU publicaron ese día el primer reporte oficial que describía a una nueva enfermedad, una que ha matado a 32 millones de personas en los últimos 40 años. El descubrimiento de la causa de esa enfermedad vino acompañado de una enorme polémica, generando un enfrentamiento entre dos grupos de investigadores y una batalla legal entre los gobiernos de EEUU y Francia por los derechos comerciales de un sistema de detección del virus que la causaba, asunto que solo fue zanjado gracias a la mediación de los presidentes de ambos países. La polémica no se detuvo ahí y se extendió hasta la entrega del Premio Nobel de Medicina del año 2008. Hoy en la ciencia pop les voy a contar una historia que es una mezcla de confusión, ego científico y testarudez, que costó años desenmarañar. Hoy les voy a contar la historia tras bambalinas del descubrimiento del virus de la inmunodeficiencia humana, el VIH * La Ciencia Pop cuenta con el auspicio de CGESTA, gerenciamiento e inspección técnica de alta eficiencia para proyectos de construcción, con más de 2 millones de metros cuadrados de experiencia en los ámbitos de retail, industrial, oficinas, salud, educación e inmobiliario. Para más información, visite la página www.cgesta.cl * Support the show (https://www.patreon.com/LaCienciaPop)