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Arauto Repórter UNISC
Conviver é uma das maiores escolas da vida

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Aug 3, 2026 4:11


Todos nós encontramos pessoas difíceis. Mas, antes de concluir que o problema está sempre no outro, vale lembrar que, em algum momento, nós também somos o desafio na vida de alguém.Por isso, escolha as palavras com cuidado. Nem tudo o que pensamos precisa ser dito, e quase tudo o que é dito pode ser dito com mais gentileza.Tenha paciência. Cada ser humano carrega lutas, histórias que desconhecemos e dores que nem sempre aparecem no rosto.Aprenda a distinguir a pessoa de um comportamento passageiro. Um erro não resume uma existência, assim como um acerto isolado não revela todo o caráter de alguém.Faça o bem que estiver ao seu alcance. O que puder resolver, resolva. O que não puder, aceite sem amargura e siga em frente sem perder a paz.Honre os compromissos que assumir. A confiança não nasce das grandes promessas, mas da fidelidade às pequenas palavras.Olhe para as pessoas com boa-fé. A maioria não deseja ferir; apenas tenta encontrar seu caminho, entre acertos e imperfeições.Antes de responder, procure compreender. Antes de julgar, procure conhecer. E, antes de falar, permita que o silêncio organize o pensamento.O diálogo continua sendo a ponte mais segura entre dois corações. Onde ele existe, os conflitos diminuem, o respeito cresce e a convivência floresce.Repare: aquilo que deixamos nas pessoas raramente são as nossas opiniões. O que permanece é a maneira como as fizemos sentir. E talvez seja esse o maior convite da vida: sermos firmes sem perder a ternura, verdadeiros sem perder a delicadeza e justos sem deixar de ser humanos.

Assunto Nosso
Conviver é uma das maiores escolas da vida

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Aug 3, 2026 4:11


Todos nós encontramos pessoas difíceis. Mas, antes de concluir que o problema está sempre no outro, vale lembrar que, em algum momento, nós também somos o desafio na vida de alguém.Por isso, escolha as palavras com cuidado. Nem tudo o que pensamos precisa ser dito, e quase tudo o que é dito pode ser dito com mais gentileza.Tenha paciência. Cada ser humano carrega lutas, histórias que desconhecemos e dores que nem sempre aparecem no rosto.Aprenda a distinguir a pessoa de um comportamento passageiro. Um erro não resume uma existência, assim como um acerto isolado não revela todo o caráter de alguém.Faça o bem que estiver ao seu alcance. O que puder resolver, resolva. O que não puder, aceite sem amargura e siga em frente sem perder a paz.Honre os compromissos que assumir. A confiança não nasce das grandes promessas, mas da fidelidade às pequenas palavras.Olhe para as pessoas com boa-fé. A maioria não deseja ferir; apenas tenta encontrar seu caminho, entre acertos e imperfeições.Antes de responder, procure compreender. Antes de julgar, procure conhecer. E, antes de falar, permita que o silêncio organize o pensamento.O diálogo continua sendo a ponte mais segura entre dois corações. Onde ele existe, os conflitos diminuem, o respeito cresce e a convivência floresce.Repare: aquilo que deixamos nas pessoas raramente são as nossas opiniões. O que permanece é a maneira como as fizemos sentir. E talvez seja esse o maior convite da vida: sermos firmes sem perder a ternura, verdadeiros sem perder a delicadeza e justos sem deixar de ser humanos.

Oxigênio
Série Termos Ambíguos – #7 Globalismo

Oxigênio

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 35:47


Neste novo episódio da série Termos Ambíguos, o verbete abordado é o “Globalismo”, que ganhou destaque durante o primeiro governo Donald Trump, ao ser contraposto ao patriotismo e à liberdade em seu discurso político. Desde então, passou a integrar o vocabulário de movimentos antiglobalistas, influenciando também o governo Bolsonaro. No entanto, o conceito é complexo e controverso, envolvendo diferentes interpretações, atores políticos e relações com questões contemporâneas, especialmente no contexto brasileiro. Para apresentar um debate sobre o termo, entrevistamos a Sonia Corrêa, o Fernando Brancoli e o Douglas Sanque, que foi também o autor do verbete no Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia, disponível para download gratuito no site do Observatório de Sexualidade e Política. _________________________ Roteiro Ernesto Araújo: “Eu acho que o mais grave do globalismo é na mente, no pensamento. Eu acho que o globalismo é perigoso porque é sobretudo um sistema de pensamento, de anti pensamento. […] Tatiane Amaral:  Quem está falando aqui é Ernesto Araújo, ex-ministro de relações internacionais do governo Bolsonaro Sonora Ernesto Araújo: […] Eu vejo o globalismo muito como o processo pelo qual a ideologia marxista, a partir do começo dos anos 90 e sobretudo a partir dos anos 2000, ela penetra na globalização econômica e faz dela o veículo da sua propagação. Então, justamente através da globalização  começa a entrar com sua agenda em temas como ideologia de gênero, em temas como o ambientalismo distorcido, e outros. E começa sobretudo a controlar o discurso, a dizer o que você pode dizer e o que você não pode dizer, e cada vez o que você pode dizer é menos, ocupa um menor espaço. Então, eu vejo mais o globalismo assim, aquela ideia de que o marxismo descobriu que ele não precisa controlar os meios de produção econômica, quando ele pode controlar o meio de produção de ideias, que é o que já vinha acontecendo. E é através desse controle de ideias começa a capturar instituições e aí começa a partir dessas instituições tentar  agir para diminuir as identidades nacionais, e as identidades pessoais também. A fala pode até soar exagerada, parecer coisa de filme ou de teoria da conspiração… mas ela está se tornando cada vez mais presente em discursos políticos da ultradireita — seja no Brasil ou no mundo. E ela gira em torno de uma palavra: globalismo. Mas afinal, você sabe o que, de fato, é globalismo? Daniel Faria: Eu sou o Daniel Faria  Tatiane: E eu sou a Tatiane Amaral. E este é o sétimo episódio da Série Termos Ambíguos, uma parceria entre o Observatório de Sexualidade e Política e o podcast Oxigênio. Daniel: Juntos, vamos conduzir esta viagem pelo termo que tem estado cada vez mais presente nos discursos políticos globais e nacionais. Falei em viagem porque o termo se vincula a globo, a planeta, além de ser usado em muitos países. Mas também não deixa de ser uma viagem no sentido figurado mesmo, pois o termo como é usado pela extrema direita evoca um certo devaneio, ou até mesmo delírio.  Tatiane: O termo “Globalismo” é mais uma categoria acusatória fabricada pela extrema direita, assim como muitos outros espantalhos, alguns que a gente até já tratou aqui no Termos Ambíguos, como Ideologia de gênero, marxismo cultural,racismo reverso…  Daniel: A extrema direita usa esses e vários outros termos com objetivos específicos: Por um lado, eles querem provocar o medo e, sobretudo, a suspeita. De outro, criar confusão mesmo.⁠ No caso de Globalismo as confusões são muitas e muito sobrepostas, mas vamos tentar esclarecer algumas delas neste episódio. Tatiane: Pra começar, precisamos esclarecer que Globalismo não é a mesma coisa que Globalização. Eu sei que é confuso, mas vem comigo: Globalização é a denominação da transnacionalização intensificada de relações econômicas, culturais e sociais, que se registrou a partir do fim da Guerra Fria. Já o Globalismo pode ser descrito como uma desfiguração de globalização, que atribui a essas dinâmicas outros sentidos, em geral associados à dominação, a atores obscuros e à conspiração.  Daniel: No dicionário de termos ambíguos, que você pode encontrar aqui na descrição desse episódio o verbete escrito pelo Douglas Sanque, que vai aparecer na nossa conversa daqui a pouco, traça um histórico desse processo desde 1991, quando a União Soviética chegou ao fim e seus ex-membros foram integrados à nova ordem neoliberal global. É aí que se consolida a globalização, que foi uma integração via mercados ao redor do… Globo.  Tatiane: Esse movimento promoveu uma ampla abertura de mercados que intensificou a concorrência internacional. Nesse processo foram estimulados os acordos de livre comércio e a formação de blocos econômicos. Em tese, isso deveria favorecer todas as nações, mas vamo lá, né? A gente sabe que não foi bem assim. Claro que os países mais desenvolvidos e industrializados se deram melhor.  Daniel: Foi aí, no meio desse processo, que a União Europeia foi criada, a partir do chamado Mercado Comum Europeu. Foi esse mercado que ampliou a integração que era só, econômica para uma integração política e institucional. Após o fim da Guerra Fria, nos anos 90, a União Europeia se expandiu, incorporando países do Leste Europeu, que antes integravam a antiga União Soviética. Tatiane: Depois disso, foram surgindo blocos econômicos pelo mundo todo, como o Mercosul, por exemplo, que é o Mercado Comum do Sul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Tem também o Nafta, um Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá, assinado em 1994 e atualizado em 2020 como Acordo Estados Unidos-México-Canadá. Além disso, as Economias asiáticas também se fortaleceram nesse contexto, com destaque para os Tigres Asiáticos, formado por Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura. Sem falar da China, que também ampliou muito suas relações comerciais internacionais nesse período.  Daniel: A Sonia Corrêa, coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política e do projeto do Dicionário, já conversou com a gente em outros episódios do Termos Ambíguos, e dessa vez ela destaca um ponto importante desse processo da Globalização:a expansão do neoliberalismo. E ela lembra que o processo nunca foi tranquilo e nem poupado de críticas.  Tatiane: A Sonia comenta que o Neoliberalismo estava em expansão desde o final dos anos setenta. Com o fim da guerra fria e o desaparecimento do bloco soviético, todo esse espaço econômico passou a analisar (e sentir) os efeitos negativos da expansão do pensamento neoliberal nas desigualdades econômicas dentro dos países, ENTRE países e, mais especialmente, entre o NORTE e o SUL globais.  Daniel: Durante todo o processo, muitos acordos foram sugeridos, mas nem sempre as tentativas deram certo. Um bom exemplo foi a tentativa de implantação da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, que integraria os mercados de 34 países das Américas, exceto Cuba, eliminando as tarifas e os impostos de importação. A proposta era de George Bush, então presidente dos Estados Unidos, mas não foi pra frente, justamente por causa da grande disparidade de recursos e poder entre os países. Tatiane: Vale a pena a gente dizer que quando os países começaram a entrar nessa chamada “economia global”, muita coisa mudou internamente também. Por exemplo, várias indústrias saíram da Europa e dos Estados Unidos e foram pra lugares como a China ou o México, onde produzir é mais barato, principalmente por causa da mão de obra. Ao mesmo tempo, a globalização também trouxe a privatização de serviços públicos, como saúde e educação, reformas nas leis trabalhistas desfavoráveis a trabalhadoras e trabalhadores, assim como dos sistemas de aposentadoria. Também ativou novas formas ainda mais agressivas de extrativismo. Tudo isso contribuiu para o aumento das desigualdades. E foi nesse clima que a categoria acusatória “globalismo” prosperou e se aproveitou da atmosfera de contestação à globalização para impulsionar seu projeto político que não tem nenhum compromisso com a superação da desigualdade.    Daniel: Autores e autoras, como a Wendy Brown, analisaram como a expansão da lógica neoliberal teve efeitos negativos sobre a política e sobre a nossa forma de pensar e sentir, provocando dinâmicas de erosão da democracia, como estamos vivendo agora. O historiador Quinn Slobodian, autor do livro Globalistas: o fim do império e o nascimento do neoliberalismo, entende que o projeto  neoliberal  tem  como objetivo criar instituições para proteger o capitalismo da ameaça que a  própria democracia representa. E essas novas instituições serviriam para reorganizar o mundo como um espaço de Estados-competidores. Tatiane: Mas o espantalho do “globalismo” não se aproveitou apenas da crítica progressista e da insatisfação real com a globalização. Ele também acionou suas próprias assombrações. Para entender isso é preciso voltar no tempo, lá pros anos 1940, ao final da II Guerra Mundial. Na verdade, vamos voltar até um pouco mais, com a ajuda da Sonia Correa. Sonia Corrêa: Bom, para compreender essa posição dos globalistas há um aspecto que não pode ser perdido de vista. Para a direita, a ultra direita norte americana desde o começo do século XX, pelo menos, foi avessa a uma ordem institucional transnacional. E essa ultra direita raiz, fez uma enorme oposição à adesão dos Estados Unidos à Primeira Guerra Mundial. Tiveram posições contra a Liga das Nações e certamente fizeram pressão contra a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ou seja, tem um DNA muito profundo aí na ultra direita norte americana, que é contrário a existência de uma ordem internacional de regulação global. É porque eles a veem como um contraponto ou uma possível ameaça à ordem hegemônica dos Estados Unidos como império. Eu acho que um outro aspecto a considerar que, se isso é, são as correntes de ultra direita norte americana e outras correntes, como por exemplo, a posição do Dugin, o intelectual russo sobre isso e talvez de segmentos das correntes européias. E tem a ver com um repúdio. Como essas forças fazem um repúdio à ideia da modernidade, os princípios liberais de democracia e direitos humanos. E há uma conexão também por esse lado, que é, digamos, mais filosófica e menos estratégica política.  Tatiane: Além da cooperação multilateral econômica, os países criaram também um sistema para prevenir novos conflitos bélicos e promover a paz. Sim, estou falando da Organização das Nações Unidas, a ONU.  Daniel: No contexto dos giros políticos à ultradireita que tem varrido as Américas e a Europa hoje, os discursos anti-globalistas fizeram da ONU um de seus alvos principais. Seus detratores a descrevem como um aparato de dominação que quer impor sua agenda aos estados nacionais. Ao fazer isso ofuscam o que é de fato a ONU.  Não sei pra você, mas até aqui essa história de globalismo continua bem confusa pra mim. Então, pra gente continuar destrinchando esse termo, falamos com o  Fernando Brancoli. Ele é professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e adicionou elementos que nos ajudam a desarmar qualquer confusão que o termo globalismo possa provocar.  Fernando Brancoli: Bom, eu acho que um ponto interessante é a gente imaginar que o discurso antiglobalista, ele não é uma rejeição integral aos princípios da globalização, né? A gente está falando de uma reconfiguração seletiva no que seria uma espécie de dispositivo narrativo, né? Que separa, separaria, uma globalização boa para esses grupos de extrema direita, uma aproximação que permeia dimensões ligadas a interesses morais, econômicos, culturais e o que eles vão chamar muitas vezes de globalismo, né, que seria uma globalização ruim, que seria um conjunto de normas e procedimentos derivados principalmente do pós-guerra fria, que promoveria aí uma agenda ligada a valores liberais, a direitos sexuais, a direitos humanos, políticas ambientais, que de alguma maneira estariam violando então a soberania dos países, e na verdade tentando, dentro de uma teoria da conspiração bastante clássica, implementar uma agenda de uma espécie de camarilha internacional dos Illuminati e coisas parecidas, né? Tatiane: A professora de sociologia na Universidade de Oxford, Rita Abrahamsen, faz uma análise interessante sobre este tema do espaço transnacional. Pra ela a extrema direita é em si mesma global, ao mesmo tempo em que seus idealizadores ocultam de maneira muito hábil essa transnacionalidade. O Fernando também elaborou sobre essa dimensão oculta, o que nos ajuda a esclarecer uma outra confusão de que as vozes que propagam o fantasma do Globalismo reivindicam para si, como sujeitos nacionalistas ou soberanistas:  Fernando Brancoli: Muitas vezes a gente fala dessas redes antiglobalistas como se elas fossem necessariamente não transnacionais, o que não é verdade. O que elas estão fazendo é reconfigurando um pouco esse dispositivo narrativo. E acho que quem está acompanhando a gente talvez já tenha escutado essa história: “Ah, o Trump é um isolacionista”. Não necessariamente, né? A gente não está falando de uma antiglobalização de necessariamente fechamento completo das fronteiras. Você tem uma recalibragem dessa dinâmica, de um projeto novo de recentralização de poder. Então, sim, eu posso ter dinâmicas mais isolacionistas em alguma medida, construção de muros, expulsão de migrantes e refugiados, fechamento de trocas comerciais tipicamente liberais, mas ao mesmo tempo eu tenho aproximação para outros lados, né? Em que eu apoio ditaduras amigas, eu argumento que posso criar coletivos transnacionais de apoio a dinâmicas de moralidade. Então acho que esse paradoxo, no final das contas … Eu diria que é a grande força dela, que é criar essa espécie muito peculiar de uma internacional nacionalista.  Daniel: Fernando também recorre a uma metáfora  de verniz legitimador para explicar essa mistura paradoxal de discursos que juntam nacionalismo ou antiglobalismo para servir a interesses muito específicos:  Fernando Brancoli: Esse paradoxo é a grande força dentro desse processo. [03:30] A genealogia dessas dinâmicas já passa por think tanks dos Estados Unidos e a gente tem livros importantes acadêmicos já descrevendo como é que eles se expandiram pelo globo ao longo pelo menos nas últimas duas décadas, né? Então são grupos de pesquisa, são empresas que de alguma maneira promovem esse tipo de ideário. Tatiane: Pra entender melhor como esse paradoxo funciona, pedimos pro Fernando explicar como esses discursos colam, como eles têm aderência a uma massa bastante volumosa, que inclusive elege conscientemente essas figuras. Ao mesmo tempo em que batem no peito e dizem: “EU SOU patriota, EU VOU defender meu país”, entregam de mãos abertas a exploração das riquezas naturais brasileiras — como a Amazônia,os minérios e, agora, as Terras Raras do país — a uma potência imperialista como os Estados Unidos. Além disso, defendem intervenções externas, como a retirada forçada de um presidente, e apoiam movimentos extremistas que ameaçam o próprio país. Fernando Brancoli: Acho que essa aparente contradição, né, de uma internacional nacionalista, a ideia de como é que eu crio alianças entre partidos e grupos que são notadamente, introspectivos diante desse tipo de processo, eh, na verdade, é a maior força desses grupos. É a ideia de mobilizar esse paradoxo. E não se trata necessariamente de, uma dinâmica que vai gerar problemas na frente, eu vou tentar explicar porquê dentro desse processo. Acho que a primeira configuração é que sejam partidos de extrema direita no contexto brasileiro, sejam grupos não partidários, como, por exemplo, grupos evangélicos mais conservadores no contexto brasileiro, sejam grupos mega ortodoxos sionistas em Israel, ou seja, agora, o Partido Republicano nos Estados Unidos. Todos eles olham para o transnacionalismo como uma forma de ganhar poder e ganhar prestígio, então a gente tá falando de recursos que circulam nesse processo. A gente tem por exemplo grupos em Israel, grupos não tradicionais do Brasil como partidos ligados a lideranças religiosas e coisas parecidas que de alguma maneira olham para esse processo e veem a transnacionalização como uma ferramenta de ganhar poder e prestígio, seja simbólico ou material. Exemplo clássico que eu acho bastante interessante, parte importante dos grupos de extrema direita em Israel, dos mais ortodoxos, são financiados por capitalistas norte-americanos. Né? Isso não é uma teoria de conspiração, eles argumentam que essa grana seria interessante. Tem um trabalho interessante da Camille Rocha, né? Menos Marx e mais Mises, um livro fascinante em que ela descreve como é que os norte-americanos financiaram grupos liberais e anarco-capitalistas, sabe-se lá o que que é isso, no contexto brasileiro. Então, lembrar que esse transnacionalismo tem dimensões práticas muito claras, né? Daniel: Aqui, de novo fica claro que o transnacionalismo pode ter dimensões práticas, e que ele serve para alguns interesses. Ou seja, mesmo sendo nacionalista, dá pra ser transnacionalista quando você, ou o país, pode ter dividendos importantes. Brancoli usou o exemplo de Eduardo Bolsonaro para mostrar como contatos estratégicos com a ultra-direita ajudaram a movimentação para as taxações sobre produtos brasileiros e a suspensão de vistos para autoridades envolvidas na condenação do pai. Mas o professor dá outros exemplos, segundo ele mais simbólicos, como contatos pessoais, encontros ou declarações nos quais se aprende essa lógica transnacional.  Fernando Brancoli: Você tem encontro do Vox, por exemplo, que é o partido de extrema direita na Espanha, que eles têm uma sessão à tarde do último dia, que é para ensinar técnicas do que eles chamam engajamento digital. Em que você senta com lideranças políticas do globo inteiro numa mesa e te ensinam como é que você faz para, por exemplo, ter acesso mais interessante de pessoas, formar cortes e vídeos bacanas. Eu lembro que nos últimos 3 anos quem esteve lá foi o Nicolas, deputado é, federal de Minas, que é um cara, né, muito especializado em gerar cortes e coisas parecidas. Eu acho que ele já tinha uma capacidade de fazer isso, mas provavelmente ele aprendeu também nesse contexto. Repare como é que o transnacionalismo dentro dessa lógica gera esse tipo de prática. E por fim, o transnacionalismo, ele facilita algo que é muito típico de grupos autoritários que é a possibilidade de criar um mundo binário, né? De você criar um nós contra eles de maneira muito muito clara. Acho que, né, a gente que estuda relações internacionais, quem tem acesso, né, à imprensa, sabe que é muito difícil você criar uma narrativa muito clara de bonzinhos e malvados dentro de um contexto, né? Você vê nuances, você vê pessoas muitas vezes em busca da paz dos dois lados e coisas parecidas, né? Tatiane: E nessa disputa entre nós e eles, surgem dois pólos entre o bem e o mal. E quem é o bem? Quem é o mal? A ultra direita entende que está do lado do bem, de que quem defende a “família” e os valores tradicionais. Mas quem não defende a família, ou as famílias? A sua família? Os seus valores tradicionais, na sua tradição? E para quem está nesse campo da ultra direita, o mal é o socialismo, o comunismo, a esquerda. De novo aqui o Fernando:  Fernando Brancoli: Existe aqueles que do outro lado, que é o mal, que é o PT, o MST, o Foro de São Paulo e a Venezuela, que querem acabar com esses valores, querem destruir todos esses dessas menções. Aí repare como é que esses vetores se aproximam, né? Uma dinâmica de moralidade, uma dinâmica econômica, então vira um caldo complexo aqui dentro desse tipo de processo. Nós somos soberanos ainda, no caso brasileiro, estaremos tentando retomar essa soberania agora que foi roubada pelo PT e temos um governo aliado norte-americano que está tentando nos ajudar nesse processo.  Mas eu acho que esse paradoxo ele acaba sendo de alguma maneira articulado e promovido de maneira interessante. Ainda tem um paradoxo aqui, que é para você ser essencialmente nacionalista e mobilizar dinâmicas transnacionais. Mas acho que mesmo a tentativa de encontrar um meio-termo já facilita e já gera repercussões interessantes. E aí você tem em todo protesto no Brasil, cartazes em inglês, bandeiras dos Estados Unidos, bandeiras de Israel, você tem a a deputados fugindo para a Itália, onde seria supostamente, né, um lugar mais conservador. Ao que tudo indica a Zambelli não vai conseguir ficar por lá há muito tempo. Mas aí você tem o Eduardo Bolsonaro, né, indo para os Estados Unidos, você tem essas mobilizações, isso vai gerando repercussões e impactos e pelo menos são simbólicos gera mídia, a população fica engajada. Então, de alguma maneira tem algo interessante que a gente tá vendo e os manuais de ciência política e de relações internacionais estão todos passando mal por causa disso, que a esquerda tá se transformando por um lado numa defensora do multilateralismo. Daniel: Tem também a China se apresentando como defensora da OMC e contra tarifas praticadas pelos Estados Unidos. Isso também é uma mudança do contexto da esquerda, como disse nosso entrevistado.  A gente tem um deslocamento também, eu diria, do que vai ser o discurso progressista de esquerda ao longo dos próximos anos. A esquerda se apropriou mais de discursos ligados à proteção da indústria nacional, né, contra ALCA e o FMI, contra as empresas estrangeiras, e agora de alguma maneira a gente está vendo uma rearticulação desse tipo de processo. É, a gente está inaugurando uma forma nova de olhar para relações internacionais, em parte porque também está tendo uma rearticulação de como esses grupos de poder estão se configurando. Ninguém tem muita certeza para onde que a gente vai, mas acho que uma das certezas que a gente vai ter que os manuais de relações internacionais e ciência política vão ter que ser reescritos ao longo dos próximos anos, porque as coisas estão mudando de maneira bastante explícita, né? Muito. Tatiane: Sonia Corrêa diz que há duas saídas pra grande confusão que apresentamos aqui entre nacionalismo e globalismo. A primeira é o progressivismo internacionalista que remete para o internacionalismo histórico da esquerda, e a segunda é o que pode ser chamado de constitucionalismo de esquerda. Ela explica melhor do que se trata. Sonia Correa: O que importa é chamar a atenção para essa mélange de posições que requer clarificação, porque, de fato, a crítica do globalismo, ela chove num terreno fértil, que é a crítica do neoliberalismo e da ordem capitalista, não é? Ela ecoa nesse lugar. Ela move afetos, afetos legítimos de crítica. A racionalidade neoliberal e a ordem do capitalismo tardio. A diferença está como diz o Slobodan, em qual a saída? A diferença de visão ideológica é como você sai disso. Se você for para o campo do Dugin, que é a teoria da quarta transformação, é uma ordem. Uma proposição de um retorno a uma ordem de fato quase medieval, quer dizer centrada na terra, no território, numa cultura comum, numa ordem hierárquica. Se você olha para o campo da direita. Num certo sentido, Trump é a manutenção da ordem neoliberal e da racionalidade neoliberal extrema, demolição do Estado. Todo o poder às Big Techs. Aqui são os meus amigos Better Friend Ever, sob um invólucro, uma casca de nacionalismo extremado. Make American big again. Tatiane: Voltando um pouco atrás, no verbete para o Dicionário de Termos Ambíguos, e no tempo, Douglas lembrou da influência de Ernesto Araújo e de Olavo de Carvalho sobre o governo Bolsonaro, no sentido da adoção de uma posição antiglobalista. Vale lembrar que mesmo antes de ser eleito, Bolsonaro afirmava que a ONU não servia para nada e que iria tirar o Brasil do Conselho de Direitos Humanos. Em sua primeira aparição na Assembleia Geral da ONU em 2019, o ex-presidente fez a seguinte afirmação:  Sonora Jair Bolsonaro: “Não estamos aqui para apagar nacionalidades e soberanias em nome de um interesse global abstrato. Esta não é a Organização do Interesse Global! É a Organização das Nações Unidas. Assim deve permanecer!” Daniel: Douglas também escreveu no verbete que Ernesto Araújo afirmava que o caminho para reverter os efeitos negativos do globalismo seria adotar uma política pautada por deus, pátria e família. Com certeza vocês ouviram isso muitas vezes, né? Só pra lembrar, esse é o slogan da Ação Integralista, movimento fascista brasileiro da década de 1930, copiado do movimento fascista italiano.  Tatiane: Ainda segundo o verbete a espiritualidade cristã caracterizaria o ocidente e diferenciaria as nações ocidentais do materialismo asiático e do islamismo. Por outro lado, a família é definida como a célula basilar da nação, o apego à família  seria um traço fundamental do povo brasileiro o qual, nas palavras de Araújo, se vê hoje frontalmente atacado por “ideologia de gênero”, “gayzismo” e “abortismo”.  Daniel: O “globalismo”, na visão de Ernesto Araújo, seria um projeto de governo totalitário mundial, capitaneado pela China e com o apoio da Rússia. E nessa versão do antiglobalismo, existiria um complô entre as elites financeiras ocidentais e o Partido Comunista da China para a implantação de uma sociedade de controle. O ex-ministro ainda afirmava que a China controlava metade do parlamento brasileiro e toda a nossa agricultura, e queria controlar nossa Internet.  Tatiane: Bem, essa tentativa de controle da internet a gente já tá vendo que existe mesmo, mas não por acaso, esse controle não está na China, né? E além desta, qual outra afirmação, entre as muitas feitas aqui, parecem verdadeiras? E quais delas são pura fantasmagoria criada no meio das muitas confusões que esse termo cria? De quais fantasias ele depende para se manter? Bem, responder a tudo isso demandaria uma boa aula de muitas horas… Mas, podemos explicar aqui essa confusão entre os muitos alvos de ataque das vozes “antiglobalistas” Daniel: Mas nem todos os anti globalistas têm o mesmo inimigo. Há diferenças em relação aos alvos dos “antiglobalistas”. Nos Estados Unidos, por exemplo, Trump se utiliza do discurso “antiglobalista” para atacar as “elites liberais”, associadas ao partido democrata estadunidense. Já aqui no Brasil, Bolsonaro denunciava a “conspiração comunista” da qual participaria o PT, assimilando a visão “antiglobalista” ao discurso anticomunista. Douglas Sanque conta um pouco dessas forças globalistas. Tatiane: Douglas é professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a UERJ e é o autor do verbete sobre Globalismo do dicionário que estamos tratando aqui. Ele escreveu o verbete durante a pandemia do Covid-19, em pleno governo Bolsonaro, quando nele discursavam, pra não dizer doutrinavam, antiglobalistas assumidos como Olavo de Carvalho, professor e ideólogo de Bolsonaro, e Ernesto Araújo, que foi ministro de relações exteriores até 2021.  Douglas Sanque: Bom, em relação a essa noção de quem seriam as chamadas forças globalistas, primeiro, a ideia aqui é pensar que as forças globalistas teriam o objetivo de estabelecer um controle mundial, um governo global, totalitarista. E isso é, em alguma medida, uma perversão da ideia de aumento de influência que potências  econômicas sempre tentaram exercer de maneira mais ou menos ética. Mas não se tenta um governo global totalitário, assim inspirado naquela ideia de 1984 do George Orwell. O principal projeto globalista seria capitaneado pela China. Os chineses teriam essa ideia, teriam esse objetivo de longo prazo de controle mundial. Então, seriam as elites liberais do Ocidente que estariam nesse projeto junto ao Partido Comunista Chinês. Essa é a perspectiva, digamos, principal, que é adotada, por exemplo, pelo Steve Bannon e que guia o assim chamado antiglobalismo, ou o nacionalismo americano, que estaria combatendo essas próprias elites, representando o povo, o blue color, os trabalhadores e a classe média americana que, de fato, viu muita s perdas com o processo de desindustrialização dos Estados Unidos ao longo do século XX, e grande parte dessas plantas industriais foi para a China.  Tatiane: Claro que isso causou mudanças significativas na economia americana, que tem levado o país, de forma mais incisiva neste novo governo de Donald Trump, a criar estratégias de proteção econômica. Durante o governo Bolsonaro, quando o Olavo de Carvalho, exercia influência sobre ministros e filho do então presidente, tratou da versão caseira de teoria da conspiração, como nos conta Douglas. Douglas Sanque: O Olavo dizia que havia três projetos globalistas em curso. Em diferentes escalas e com diferentes objetivos. O primeiro seria esse tocado pela China, que tentaria ali uma ideia de governo global, mais ou menos nesses moldes que eu já mencionei. O segundo seria o projeto do Irã. O Irã também teria esse objetivo de governo global, a partir do espraiamento do islamismo, né? Na verdade, a ideia seria um governo global, totalitário islâmico e a principal força por trás desse projeto seria o Irã, que tem ali uma. População muçulmana xiita. Enfim, você tem uma pluralidade importante naturalmente no Irã, mas.    Daniel: O terceiro projeto seria tocado pelas elites financeiras ocidentais. Nessa perspectiva, representada por autores como o russo Aleksandr Dugin [DUGAN], a tentativa de estabelecer uma governança global teria origem no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos, vistos como a principal expressão da modernidade ocidental. Nessa visão, esse projeto deveria ser combatido por forças tradicionalistas que defendem a preservação de identidades culturais próprias e de modos de vida considerados mais enraizados nas tradições locais e rurais. Douglas Sanque: Então você tem pensadores, como o Olavo de Carvalho, o Steve Bannon e o Dugin, e os líderes daqui que conseguiram ascender, com esse pensamento, ao poder nos seus países. O Putin na Rússia, o Trump nos Estados Unidos e o Jair aqui no Brasil. A questão é que, como esse pensamento tem muito pouca, digamos, base material, ele vai se moldando pra acomodar os interesses políticos dos líderes. Então a gente pode pensar, por exemplo, no Brasil como o Bolsonaro, se se elege em oposição a um projeto que seria de esquerda e que, na opinião deles, é comunista. A ideia de liberalismo econômico é uma ideia que faz sentido e que pode ser defendida. Os russos têm um papel curioso, porque em diversas situações eles são vistos ali como como uma espécie de braço ou de sócio minoritário dos chineses. Mas ao mesmo tempo, estive vendo, um entende que os russos deveriam estar nessa luta por conta de uma certa essência da identidade russa. É como, como sendo da Igreja Ortodoxa nós teríamos a mesma alma cristã. E tudo se opondo então ao materialismo que caracterizaria o projeto chinês De extirpar a religião da da vida em comunidade. Então a gente percebe que há uma certa coerência no pensamento do globalismo, no sentido de criar uma ordem global que separa muito claramente quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Que coloca em uma nação específica. E normalmente é a China, a fonte de todo mal. E aí, contra isso, vale tudo. E nós estamos numa batalha aqui para salvar a nossa nação, para salvar as nossas tradições, para manter o nosso povo e por aí vai.  Tatiane: Pois é, as mudanças estão bastante evidentes e não sei se são para melhor. Desde que fizemos as entrevistas para este episódio, algumas coisas mudaram. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, um dos principais líderes da extrema-direita global, perdeu as eleições após 16 anos no poder. Estados Unidos e Israel estão promovendo uma grande guerra na Ásia Ocidental, atacando o Irã e o Líbano, sem contar o genocídio que Israel já vinha praticando na Palestina. Aqui na América Latina, os resultados das eleições presidenciais de 2026 em países como Colômbia, Peru e Chile não foram nem um pouco animadores. E neste ano também teremos eleições no Brasil, já com dois extremistas como candidatos: Ronaldo Caiado, pelo PSD, e Flávio Bolsonaro, herdeiro do legado do pai que foi condenado a 27 anos de prisão, e agora também envolvido em um processo de lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master. A extrema direita vem ganhando espaço em muitos países, sempre colocando em risco a democracia e os direitos civis.  Daniel: Este foi o sétimo episódio da série Termos Ambíguos, realizada em parceria com o Oxigênio, a partir do material do Termos Ambíguos do debate político atual: Pequeno Dicionário que você não sabia que existia, coordenado pela Sonia Corrêa. Esse é um projeto do Observatório de Sexualidade e Política (SPW) e do Programa Interdisciplinar de Pós-graduação em Linguística Aplicada da UFRJ e contou com vários autores na produção dos verbetes. Tatiane: A apresentação do episódio foi feita pelo Daniel Faria, estudante do curso de Midialogia, na Unicamp, que foi também o editor do áudio desse podcast, e por mim, Tatiane Amaral, doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas e da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, e editora do áudio desse podcast. As entrevistas foram feitas por mim e pela Stella Brucha Simões. O roteiro foi feito pela Simone Pallone, coordenadora do podcast Oxigênio e por mim. Daniel: A revisão do roteiro foi feita pela Nana Soares, da equipe de Comunicação e Pesquisa do SPW, por mim, pela Tatiane, e pela Sonia Corrêa. Tatiane: A principal referência para o episódio foi o verbete produzido por Douglas Sanque para o Termos ambíguos do debate político atual: pequeno dicionário que você não sabia que existia. Usamos também definições da Wikipedia para alguns conceitos.  Daniel: O áudio de Ernesto Araújo foi extraído de uma entrevista dada por ele ao Canal Poder Paralelo. A fala de Bolsonaro na Assembleia da ONU é uma reprodução do canal do jornal El País no YouTube.  Daniel: Você pode acessar os outros episódios da série Termos Ambíguos pelo site do podcast Oxigênio: www.oxigenio.comciencia.br ou pelas plataformas de áudio de sua preferência. Aproveite para indicar nossa série. Até mais!

Embaixada_Savoy
Repare os Buracos da sua Alma - Pr. Anderson Merluzzi

Embaixada_Savoy

Play Episode Listen Later Jul 28, 2026 45:19


Você sabe descansar no Senhor? Ou pelo menos já ouviu essa frase? Parece ser algo fácil a se fazer, mas em muitos momentos se torna algo extremamente difícil, encontrar esse descanso, essa paz, que nos exige entregar de forma plena toda preocupação, ansiedade, stress, que por sua vez, causam feridas em nossa alma! Como então descansar no Senhor? Ouça nesta mensagem qual o melhor caminho e decisão a serem tomados!!!! @embaixadasavoy

Bispa Cléo Rossafa
Repare o erro que foi cometido! | Mudança de Vida Hoje | 30 anos

Bispa Cléo Rossafa

Play Episode Listen Later Jul 15, 2026 29:59


15 DE JULHO DE 2026 - QUARTA Ref.: 2 Samuel 21.1, Provérbios 26.2, Provérbios 26.3

Convidado
São Tomé e Príncipe: Candidato Miques João concentrado no povo

Convidado

Play Episode Listen Later Jul 15, 2026 7:06


Miques João, candidato independente, falou à reportagem da RFI para expor as linhas mestras da sua candidatura. Este conhecido advogado é um dos quatro candidatos que disputam as eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe deste domingo. O candidato, muito implicado na defesa do único civil condenado no caso do ataque contra o Quartel general a 25 de Novembro de 2022, afirma que o povo é que o move. A campanha, de facto, em São Tomé e Príncipe tem sido marcada por uma disputa centrada mais na confiança, estabilidade institucional e a resposta aos problemas económicos do que em confrontos políticos directos. O apelo constante à paz por parte das autoridades eleitorais e dos candidatos demonstra a preocupação em preservar a tradição democrática do país e garantir eleições livres, tranquilas e credíveis. Temos como convidado o candidato Miques João, que concorre pela segunda vez às presidenciais em São Tomé e Príncipe. Miques João, que esteve preso por razões infundadas, segundo ele, encontra-se há dez meses em liberdade e disse que não tem espírito de vingança, afirmando mesmo o que lhe move é o povo. Quem montou as suas coisas vai desmontar sozinho, ou seja, já desmontaram. Eu estou há dez meses em liberdade, como se pode aperceber, e as pessoas todas que fizeram correr ou esconder, sabem o que fizeram. Eu não tenho espírito de vingança de ninguém. As pessoas, quando fazem alguma coisa errada, eu chamo a atenção, porque não deve ser, para corrigir, mas cada um responderá pelos seus actos conforme os seus métodos. A minha preocupação e minha concentração são para o povo. É só o povo que me interessa. Porque se não fosse o povo, senhor, eu estaria morto. O povo agora quer esclarecimento e o meu objectivo é esclarecer o povo e dizer ao povo com quem pode contar, o que povo pode contar e como é que pode contar. Porque o povo agora vai decidir, é a vez do povo decidir. O povo tem que decidir de forma esclarecida para que, após tomar a decisão 19 de Julho, ser capaz de assumir ou aguentar as consequências das suas decisões durante cinco anos. Porque o poder pertence ao povo e o povo é para o povo e só para o povo, por exemplo, que eu estou a concorrer. Interrogado sobre o exercício da democracia em São Tomé e Príncipe e o papel do Presidente da República  Miques João respondeu: O que temos assistido nesses 35 anos, 36 anos de democracia é confusão. Cada um quer mostrar poder e eu não estou cá para isso. O Presidente da República, eu, caso o povo assim decidir, estarei cá como árbitro para fazer o seguinte: não sou árbitro para pôr regras nisso, por ordem. Quando houver confusões, eu vou intervir para fazer parar a confusão. Nós temos essa tendência, o Presidente da República, em princípio, no âmbito dos poderes que tem na Constituição, ele tem capacidade de fazer três tipos de coisas. Eles funcionam como para estabelecer as regras e fazer o jogo democrático funcionar. A dada altura, ele também funciona como polícia. Quando houver violações, ele aplica a sanção. E, por fim, ele funciona como bombeiro para apagar fogos. Quando vemos a Assembleia com muita inconveniência, a querer sobrepor o Presidente da República, querer sobrepor-se à vontade do povo, dissolvemos a Assembleia, mandamos novamente, devolvemos poder ao povo. Está na lei. O presidente tem poder de dissolver a Assembleia e voltar a devolver poder ao povo. Admite que, se for eleito Presidente da República, trabalhará com todos os órgãos para que se possa atingir os objectivos do Estado. Enquanto Estado, esses órgãos de soberania têm que agir em interacção para exaurir o objectivo do Estado. Não podem efectivamente estar. E o Presidente tem essa função. Por isso que assegura o regular funcionamento da gestão democrática e permite que os objectivos de Estado sejam atingidos. E muita gente está a fazer confusão. Quando nós falamos dos objectivos do Estado, todos os órgãos de soberania devem concorrer para os objectivos de Estado. É por isso que existe hierarquia no Estado e o Presidente da República é o chefe do Estado. Está na Lei número 1 do artigo 77. E enquanto Chefe do Estado, cabe garantir que o Estado funciona. E é nessa conjuntura que esse exercício deve ser feito. Na lógica de que o poder que o povo nos dá, porque o poder não nos pertence, o povo dá um mandato, ora de cinco anos, ora de quatro anos, ora de três anos, para fazer cumprir o objectivo do Estado. E este mandato deve ser cumprido. O que está a acontecer em São Tomé e Príncipe é que cada um dos órgãos de soberania, uma vez eleitos ou empossados, indicados, pegam o poder que recebem, fazem como se fosse a sua propriedade e tornam-se o Estado dentro do Estado a impedir ou a tornar o estado disfuncional. Isto vai acabar. O Presidente da Republica tem aquela missão enquanto chefe de Estado, permitir que o Estado funcione, porque nós somos um colectivo. O Estado é como se fosse uma equipa de futebol. Tome o exemplo de Cabo Verde, como é que foi o jogo? O presidente da República é o treinador. Ele tem que fazer com que a máquina funcione. E fazer a máquina funcionar é começar a efectivamente aplicar a lei e fazer as pessoas entenderem que cada um tem que cumprir o seu papel. Durante muito tempo foram enganando os cidadãos. Não explicaram aos cidadãos como é que as coisas são. É assim: o governo tem o papel de executar a política do Estado, fazer gestão, executar a política do Estado. Repare bem, não se faz eleições para eleger governos nenhum em São Tomé e Príncipe. A eleição é feita para eleger deputados que compõem a Assembleia. E uma vez assembleia constituída, é preciso que o partido que ganhou ou que efectivamente pretende constituir o Governo apresente ao Presidente da República aquilo nós chamamos de sustentabilidade parlamentar. E é a partir daqui que sai o Governo. O Governo é o Executivo. Tanto o governo como órgão de soberania, como os tribunais, não são eleitos, são executivos. Os Tribunais passam por concurso, cidadão vai, concorra e tudo mais, faz concurso público a juiz. Mas dita o direito ao nome do povo, à luz do artigo 120 da Constituição, podem ver. Mas, tanto o governo como os tribunais, não são eleitos directamente pelo povo, Mas já o presidente e os deputados, sim. Tanto é que, repare, o Presidente é o chefe do Estado na hierarquia do Estado e o presidente da Assembleia é o segundo homem do Estado, porque são eleitos directamente pelo povo. Miques João é um dos quatro candidatos às presidenciais de 19 de Julho em São Tomé e Príncipe.

Dia a dia com a Palavra
Você dá importância ao que realmente é importante?

Dia a dia com a Palavra

Play Episode Listen Later Jun 26, 2026 1:21


Se sua resposta foi "sim", parabéns! Não é como a maioria das pessoas normalmente age.Em geral as pessoas ficam chateadas com olhares, palavras e tantas outras coisas pequenas e insignificantes. Isso só aponta para um problema: o nosso orgulho.Veja o que diz o Salmo 80 no verso 6: "Fizeste de nós um motivo de conflito entre os nossos vizinhos, e os nossos inimigos zombam de nós a valer."Olhe para o salmo e perceba isso. A chateação do salmista é porque as pessoas "zombam" dele pra valer. Mas e daí? Qual é o problema com isso a não ser o nosso orgulho? Por que nos incomoda tanto a zombaria dos outros? Percebe?E assim o orgulho atrapalha tudo: o nosso crescimento pessoal, a nossa vida em família, o relacionamento com os amigos e principalmente a vida com Deus. Se somos orgulhosos, mal conseguimos ver nossos defeitos ou problemas. Estes estão em todos, menos em nós.Há tratamento para o orgulho e ele começa com o reconhecimento de que ele é um problema em nossa vida. Então, ao invés de simplesmente negar, vasculhe seu coração e perceba o quanto de orgulho há nele. Repare que falei "quanto" e não se há orgulho ou não, pois sei que ele está aí, por mais que você negue.

O Mundo Agora
Da soja ao petróleo: como viramos o plano B de Pequim e por que isso deveria nos deixar em alerta

O Mundo Agora

Play Episode Listen Later Jun 1, 2026 5:02


Existe um tipo de elogio que devia acender o sinal amarelo de quem o recebe. O Brasil acaba de ganhar um desses. Em abril, segundo o levantamento do PRC Leader sobre a estratégia chinesa para o sul global, o país virou o segundo maior fornecedor de petróleo da China. Não por mérito comercial nosso. Foi porque o Estreito de Ormuz estava bloqueado, o Golfo travado, e Pequim precisava de barril rápido vindo de um lugar que não dependesse do humor de Washington, nem de Moscou. Thiago de Aragão, analista político Some a soja a isso. Desde que a China reativou o boicote aos grãos americanos, ela realocou pedidos para o Brasil e para o resto da América Latina e fez o trabalho burocrático fino de garantir que nossos exportadores cumprissem as exigências fitossanitárias para vender em escala. O resultado é um Brasil que, em 2026, acumulou duas funções ao mesmo tempo: o posto de gasolina e o celeiro de emergência da segunda maior economia do planeta. Para o investidor, o número de curto prazo seduz. A demanda chinesa firme sustenta o preço das commodities, o superávit comercial e o fluxo que mantém o real ancorado. Petrobras, as graníferas, o agronegócio do Centro-Oeste, todos colhem o prêmio de serem o fornecedor que apareceu quando o resto do mundo fechou a porta. O problema mora numa palavra: reposição A China não comprou petróleo brasileiro em abril porque escolheu o Brasil como parceiro estratégico de longo prazo. Comprou porque o fornecedor preferido estava indisponível. Reposição é o que se usa enquanto a peça original não chega. No dia em que Ormuz reabrir, e Ormuz sempre reabre, a pergunta é se o barril brasileiro continua na cesta de compras de Pequim no mesmo volume ou se volta a ser a segunda opção que era antes da crise. A Venezuela já viveu esse filme, e convém olhar para o final dele. Durante a Segunda Guerra, Caracas se tornou o grande supridor de petróleo dos Aliados, a ponto de expandir a produção em 42% só entre 1943 e 1944 para cobrir o que a guerra exigia. Parecia consagração. Durou enquanto durou a escassez alheia. Quando o petróleo do Oriente Médio entrou no mercado em peso na metade dos anos 1950 e os Estados Unidos impuseram cotas de importação, a Venezuela viu o preço desabar e descobriu que tinha construído um país inteiro sobre uma demanda que era circunstancial. A resposta veio em 1960, quando Juan Pablo Pérez Alfonzo ajudou a fundar a Opep justamente para não depender mais da bondade de comprador nenhum. O fornecedor de emergência tem poder de barganha exatamente enquanto dura a emergência. Depois, ele negocia do chão. Aqui está o ponto que Brasília celebra e não examina. Ser indispensável numa emergência alheia não é a mesma coisa que ser estratégico. O fornecedor de ocasião manda no preço enquanto o fogo está aceso. Apagado o fogo, sobra a capacidade que ele instalou, a logística que ele montou e a dependência fiscal que ele criou em cima de um pedido que nunca foi para ficar. E a dependência é a parte que ninguém quer discutir. Quanto mais o orçamento da Petrobras, a balança comercial e a arrecadação passam a contar com o comprador chinês, menos margem o Brasil tem para dizer não a Pequim em qualquer outra mesa, seja 5G, seja porto, seja a próxima licitação de metrô que uma estatal chinesa vai ganhar, como ganhou a Linha 1 de Bogotá. O comprador que te salva numa crise é o mesmo que apresenta a fatura política depois. Repare no padrão, porque a estatal chinesa não improvisa. Ela compra petróleo quando precisa de petróleo, compra soja quando precisa contornar Washington e financia infraestrutura quando precisa de presença. Cada movimento chega ao lado brasileiro com cara de oportunidade isolada. Vistos juntos, formam uma arquitetura de dependência que o Brasil ajuda a erguer, um contrato de cada vez. O governo Lula trata a aproximação com a China como contrapeso aos Estados Unidos, e há lógica nisso enquanto Trump mantém a tarifa de 40% e a investigação da Seção 301 sobre a mesa. Mas contrapeso pressupõe que você consiga equilibrar os dois lados. Quem vira peça de reposição de um deles perde exatamente o equilíbrio que dizia procurar. Fica então a pergunta para quem olha o Brasil de fora com o cheque na mão. Você está comprando um país que diversificou seus compradores ou um país que está trocando uma dependência por outra e chamando isso de soberania? A China sabe a diferença. Falta saber se Brasília também sabe.

O Mundo Agora
Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep tem efeitos geopolíticos

O Mundo Agora

Play Episode Listen Later May 4, 2026 4:53


Na semana passada, enquanto o mundo se concentrava no Estreito de Ormuz, em Comey e no possível encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, os Emirados Árabes Unidos anunciaram, numa nota de imprensa, a saída da Opep, encerrando 58 anos de associação em três parágrafos, com vigência em 1º de maio. Thiago de Aragão, analista político A cobertura foi modesta. As agências noticiaram, os analistas escreveram seus relatórios, e em 48 horas o assunto saiu da circulação. E é essa indiferença que me interessa, porque o que ocorreu em Abu Dhabi não é uma disputa de cotas, mas algo mais profundo, e que diz respeito também a nós, brasileiros, que vendemos minério, soja e estamos quase vendendo terras raras a um mundo cuja arquitetura energética acabou de mudar. Os economistas estão certos quando dizem que os Emirados saíram porque as cotas da Opep não cabiam mais na ambição da ADNOC, a estatal petrolífera de Abu Dhabi. Os números são públicos: a capacidade instalada do país é de 4,85 milhões de barris por dia, mas a Opep autorizava cerca de 3,6 milhões. Trinta por cento de capacidade ociosa, paga e disponível, gera frustração a cada trimestre, e a meta da ADNOC de chegar a 5 milhões de barris por dia até 2027 simplesmente não cabe num cartel desenhado em torno das exigências fiscais de Riad. Durante mais de uma década, Riad e Abu Dhabi foram tratados como sinônimos no vocabulário das chancelarias ocidentais. Os "monarquistas pragmáticos do Golfo", a "dupla MBS-MBZ", numa simplificação conveniente para diplomatas que não tinham tempo para entender as diferenças entre dois países que, na superfície, faziam coisas parecidas. Essa simplificação morreu em 29 de dezembro do ano passado, quando aviões sauditas bombardearam, em Mukalla, um carregamento de armas com destino a separatistas iemenitas apoiados pelos Emirados. Foi a primeira vez na história recente que dois aliados nominais do Golfo se atacaram militarmente. A imprensa cobriu o caso como mais um capítulo da guerra do Iêmen, mas os emiratis entenderam outra coisa: entenderam que aquele vizinho com quem haviam dividido Opep, Conselho de Cooperação do Golfo, política externa e foto oficial nas cúpulas por 30 anos estava disposto a usar a força aérea contra eles. Some-se a isso o seguinte: durante a guerra do Irã, mísseis iranianos caíram em território emirati e Riad ficou em silêncio. Para Abu Dhabi, foi a confirmação de que o guarda-chuva de segurança do Golfo, supostamente coletivo, era na prática uma cortesia que cada um cobrava do outro quando bem entendesse. Divórcio anunciado Sair da Opep, neste contexto, não é decisão econômica. É um divórcio anunciado em comunicado: os Emirados estão dizendo, com a elegância protocolar do Golfo, que não se sentem mais obrigados a coordenar política de preços com um país que os bombardeou. Há um detalhe que merece atenção. Os Emirados não saíram da Opep numa hora qualquer. Saíram exatamente no momento em que a administração Trump vem afirmando, pública e privadamente, que considera a Opep+ um cartel funcionalmente alinhado à Rússia. Disciplina de preços altos significa receita alta para Moscou, e receita alta para a Rússia significa mais drones em Kiev. É uma equação que Washington enuncia sem cerimônia. Ao sair, Abu Dhabi entrega exatamente o que Washington queria: capacidade emirati de derrubar o preço do barril a qualquer momento, sem precisar consultar Riad ou Putin. É um voto antirrusso disfarçado de reenquadramento de portfólio energético. E há um detalhe adicional. Dias antes do anúncio, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, defendeu no Senado a abertura de linhas de swap de dólar para os Emirados em meio à crise de Ormuz. Não para a Arábia Saudita. Para os Emirados. Quem viveu o suficiente em Washington sabe que essas coisas não são coincidência. São combinação prévia. Os Emirados estão comprando garantia americana com barris. A Arábia Saudita perde o monopólio de parceiro de referência dos EUA no Golfo, e Abu Dhabi assume o papel. Uma frase do ministro Mazrouei, de 2022, vale ser relida: segundo ele, o petróleo está "em modo de declínio", e supor que sua centralidade seria permanente era "wishful thinking". Repare quem diz isso: o ministro de Energia de um país que vive de exportar petróleo. A leitura emirati é a seguinte: se a demanda global por petróleo entrar em platô e depois em queda nas próximas duas ou três décadas, a estratégia racional é extrair tudo o que se puder agora, monetizar enquanto há comprador, e usar essa receita para construir uma economia que não dependa do barril. O que fazem internamente, em documentos da ADNOC, é o 'pump it before it's worthless': bombear antes que perca valor. Permanecer dentro de um cartel cujo objetivo é restringir oferta, num momento em que se fecha a janela para vender petróleo, é irracional do ponto de vista deles. A Opep foi moldada para um mundo em que o petróleo era escasso e a demanda crescia para sempre, e esse mundo está acabando. Abu Dhabi foi o primeiro Estado-membro a admitir isso publicamente, com gestos. Consequências concretas Vale traduzir este episódio em consequências concretas para o cotidiano de qualquer pessoa que lê e escuta esta coluna. Primeiro, a volatilidade do barril vai aumentar. Sem a disciplina coletiva da Opep+ funcionando integralmente, episódios de queda brusca de preço (quando os Emirados decidirem inundar o mercado) e de alta brusca (quando houver crise no Golfo) ficarão mais frequentes. Para o Brasil, que é exportador líquido de petróleo pela Petrobras mas importador de derivados, o resultado é assimétrico e incômodo. Segundo, e esse é o ponto mais sutil: a Opep era também uma instituição de coordenação política do Sul Global, o único cartel de commodities em que países em desenvolvimento conseguiam, juntos, exercer influência real sobre o preço de um produto estratégico. Sua erosão indica que a era das instituições coletivas do Sul está em declínio. O Brasil, agora discutindo se cria uma estatal de terras raras, deveria observar com atenção: cartéis funcionam apenas quando há disciplina política, e a disciplina política do Golfo já não existe. 'Países médios sobrevivem melhor sozinhos' Por fim, e talvez o mais relevante: o que os Emirados acabam de fazer é uma demonstração pública de que, na era da competição entre potências, países médios sobrevivem melhor sozinhos, alinhados bilateralmente com Washington ou Pequim, do que dentro de blocos coletivos. É uma mensagem que vale para Jacarta, Brasília, Buenos Aires e Pretória. Há um detalhe que me chama a atenção: o comunicado saiu numa manhã de terça-feira, e a saída foi marcada para sexta. Em diplomacia do Golfo, três dias equivalem a pedir o divórcio na manhã do casamento. A Opep não morreu esta semana, mas a ideia de que o Golfo era uma unidade política, energética e militar coordenada acabou. Daqui a dez anos, quando alguém escrever a história do fim da ordem energética que organizou o século XX, a data de 1º de maio de 2026 vai aparecer numa nota de rodapé importante. Por enquanto, está apenas no rodapé das nossas conversas.

Mensagens do Meeting Point
Ele está no quarto escaldante

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Mar 15, 2026 35:04


Há lugares inóspitos de tão abrasadores serem. E o desconforto está muito para lá da temperatura sentida, pois esta é suplantada pela pressão, pelo sofrimento ou pela velada tentação. Contudo, o que esturrica mesmo a alma, a casa interior de cada um, é a cedência às circunstâncias adversas pelo temor das consequências pessoais, ao invés de relembrar que não há quarto escaldante em que não se esteja devidamente acompanhado por Jesus! Repare-se no Seu jeito de lidar com as crises, seja lá de que tipo e intensidade forem, e treine-se igual proceder… Detalhes sobre a celebração 15 março @ Bible.com Disponível no canal do YouTube.

WGospel.com
Faça grandes coisas em minha vida, Pai!

WGospel.com

Play Episode Listen Later Mar 2, 2026 1:44


Oro Por Você 03082 – 02 de março de 2026 Senhor, ajude-me a compartilhar com outros tudo o que tens feito para restaurar minha vida. Ajude-me a falar sobre a liberdade que sinto agora e sentirei em minha vida no futuro, na eternidade que estás preparando para mim. Repare todas as áreas que se desintegraram em mim. Restitui tudo o que se perdeu e renove o que se desgastou e enfraqueceu, conforme a Tua vontade. Faça de mim um testemunho da plenitude que o Senhor tem para os que O seguem. Oro para que O veja continuar a fazer coisas grandiosas em minha vida. Por favor, toma conta do meu coração, Pai. Em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as orações diárias do Oro Por Você: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99797 2727 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Conheça nosso novo portal de oração: www.oroporvoce.com.br -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: https://t.me/tempoderefletir . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9r7v8G8l5NcIiafZ2V . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Convidado
Tensões na vida política são-tomense são "apenas expedientes para se posicionar nas eleições"

Convidado

Play Episode Listen Later Feb 17, 2026 13:53


Nestas ultimas semanas, São Tomé e Príncipe tem vivido ao ritmo de sobressaltos políticos que começaram em Janeiro, quando o Tribunal Constitucional considerou anticonstitucional o decreto do Presidente Vila Nova que demitiu há um pouco mais de um ano o governo então encabeçado por Patrice Trovoada, do mesmo partido que ele. Seguiu-se o anúncio de uma moção de censura por iniciativa da ala do ADI fiel a Patrice Trovoada, moção essa que acabou por ser retirada, sem que diminuísse a tensão política, apesar de entretanto o Presidente da Republica ter marcado as presidenciais para 19 de Julho e as legislativas para 27 de Setembro. A seguir a estes primeiros episódios, no dia 2 de Fevereiro, uma maioria de 29 deputados da oposição e alguns eleitos do ADI da ala presidencial, reuniram-se em sessão plenária e adoptaram a destituição da então Presidente do parlamento, Celmira Sacramento, a revogação da lei interpretativa, a exoneração dos cinco juízes do Tribunal Constitucional, e elegeram o presidente da Comissão Eleitoral. Esta plenária e as decisões daí decorrentes foram consideradas "ilegais" pelo Tribunal Constitucional, ao qual a presidente do parlamento destituída também disse que iria recorrer. Entretanto, na semana passada, Abnildo de Oliveira, antigo membro do ADI foi eleito novo Presidente do Parlamento. Tudo isto em poucas semanas, quando faltam já escassos meses para os são-tomenses serem chamados às urnas e renovarem os órgãos e instituições que os representam. Sobre esta situação, os pontos de vista são altamente divergentes. Patrice Trovoada considera que "houve um golpe palaciano" e que "a democracia está em perigo" no seu país. O actual chefe do governo, Américo Ramos, considera por seu lado que "é uma questão resolvida" e que "o Parlamento, como representante do povo, permitiu evitar uma situação de crise política e levar o Governo até às eleições". Foi neste âmbito que a RFI conversou com o sociólogo são-tomense Olívio Diogo que analisou este momento particular da vida política do arquipélago. RFI: Como é que se pode analisar toda esta sucessão de sobressaltos? Olívio Diogo: Para analisarmos tudo isso que está a acontecer agora em São Tomé e Príncipe, é preciso nós fazermos uma pequena retrospectiva daquilo que aconteceu a partir do momento que este partido chegou ao poder com o Patrice Trovoada. E foi com a entrada de Patrice Trovoada que se constituiu o novo Tribunal Constitucional. E é preciso dizer que foi também através de Patrice Trovoada que os juízes do Supremo Tribunal de Justiça foram jubilados antecipadamente, nomeadamente o Juiz Frederico da Glória, o Juiz José Bandeira. Portanto são um conjunto de acções que foram acontecendo quando Patrice Trovoada chegou ao poder. Passando esta fase, o que acontece com o Presidente da República? Exonerou o primeiro-ministro há mais de um ano. E para surpresa de todos, um ano depois, o Tribunal Constitucional dá o ar da sua graça, dizendo que esta decisão é inconstitucional. Mas este Tribunal Constitucional, que é o Tribunal Constitucional que tomou posse através das acções do antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada, toma estas medidas num ano em que nós sabemos que haveria as eleições. É justamente neste ano em que o Presidente da República marca a data das eleições, que o Tribunal Constitucional vem dizer que é inconstitucional a demissão do primeiro-ministro. No ano de eleição, para ver que a tramóia é completa. A Assembleia Nacional, que é um órgão colegial, decidiu voltar a reunir-se para tomar deicisões porque a senhora presidente da Assembleia que estava em função decidiu tomar uma série de medidas que tornou a sua presença completamente vexatória diante dos outros deputados. 29 deputados pediram a exoneração da senhora presidente da Assembleia e fizeram eleição de novos órgãos para dirigir a Assembleia. Uma das decisões desta nova maioria na Assembleia foi destituir este Tribunal Constitucional. E mais, há um elemento a que não fez referência, que é a nomeação do novo presidente da Comissão Eleitoral Nacional. RFI: Para tentarmos perceber: o que é que está por detrás da exoneração de Celmira Sacramento do cargo de presidente do Parlamento de São Tomé e Príncipe? Olívio Diogo: Para qualquer cidadão atento, como é o meu caso, a atitude da Celmira passou a ser muito deficitária. A senhora quis que alguns deputados tomassem posse quando eles não tinham criado as condições para tomarem posse. Dentro destes elementos todos, há um outro elemento importante. É que o ADI, a franja de Patrice Trovoada, meteu uma moção de censura na Assembleia e decidiu ir discutir essa moção de censura. A Presidente tomou posições que fragilizaram a sua situação. Ela impediu que tomassem posse três deputados que foram eleitos. Celmira tentou inviabilizar isso e, mais adiante, tentou permitir que alguns deputados tomassem posse quando eles não tinham a legitimidade para tal. A situação tornou-se bastante complicada para que ela continuasse a exercer funções. E é preciso dizer qualquer coisa muito importante em relação a isso: é que Celmira Sacramento está consciente. Ela deixou o cargo, passou para o cargo de deputada porque ela percebeu que ela não foi de forma nenhuma destituída de forma ilegal, como tem-se tentado passar. RFI: Relativamente a outro aspecto, a nomeação da Comissão Eleitoral, isto quando falta poucos meses para pleitos eleitorais, as legislativas e, antes disso, as presidenciais. A nomeação dessa comissão eleitoral era também um ponto fulcral e aparentemente, também é algo problemático em todo este imbróglio. Olívio Diogo: A nomeação do presidente da Comissão Eleitoral é uma acção que já vem sendo desencadeada há algum tempo a esta parte. Portanto, já se estava a preparar este processo. Tanto é que a identificação do elemento da ala de Patrice Trovoada para esta função, a Isabel Domingos, já tinha sido identificada há muito tempo. Só que esta nova maioria, para além da Isabel Domingos, também indigitou um outro elemento e esse elemento foi votado. E é uma eleição, naturalmente, que é um acto da Assembleia. A Assembleia nomeou normalmente o novo presidente para a Assembleia, e para a comissão eleitoral. E é preciso dizer claramente, as pessoas, os deputados e ex-governantes deste país já perceberam uma coisa: é que estas acções são decorrentes de acções de outros indivíduos. Tudo o que está acontecendo hoje é o que já aconteceu no passado. Tem que se dizer claramente: esta é uma acção desencadeada por Patrice Trovoada única e exclusivamente. Patrice Trovoada tem promovido todo este debate, tem promovido toda esta situação que hoje nós vivemos. É preciso dizer que o ADI ganhou com maioria absoluta na Assembleia, o ADI elegeu o Presidente da República. Portanto, ali tinha tudo para governar e tudo isso com a liderança de Patrice Trovoada. E Patrice Trovoada conseguiu desentender-se com o Presidente da República, conseguiu desentender-se com o vice-presidente da Assembleia, Abnildo de Oliveira. É preciso perceber que Patrice Trovoada desencadeou um conjunto de acções, criando anticorpos para si próprio. RFI: Lá está, o calendário em que tudo isto acontece, estamos a poucos meses das eleições presidenciais e também das eleições legislativas. Qual é o interesse de haver toda esta confusão quando falta pouco tempo para os respectivos mandatos do Presidente e também do Governo terminarem? Olívio Diogo: Ora, lá está, isto é importante nós percebemos. É verdade que o mandato do Presidente da República está na fase final. Nós sabemos que o Presidente da República perde o seu mandato a partir de Junho, naturalmente. Mas o que é importante dizer é que é neste ano e que todos os partidos políticos têm que entrar em acção para esclarecer a sua posição. É uma questão de posicionamento, porque, repare, quando o presidente Vila Nova demitiu o primeiro-ministro Patrice Trovoada, o que aconteceu foi o seguinte: ele demitiu o primeiro-ministro e ele nomeou um elemento do ADI para continuar a governar. Neste momento, cada um dos partidos políticos, o ADI do Patrice Trovoada e ala do Américo Ramos, estão a tentar reunir condições para estar em melhores condições para ir às eleições. Mas é preciso dizer que a situação é sempre definida pelo povo, a não ser que eles tentem alterar isso. Os governantes são-tomenses sempre assumiram e aceitaram o resultado eleitoral. Eu acho que dessa vez não será ao contrário. O que está a acontecer é apenas expedientes para se posicionar em relação àquilo que será as eleições. RFI: Como é que a população são-tomense olha para tudo isto? Olívio Diogo: A população são-tomense não está envolvida neste problema. Está completamente fora disso. Ouvem, comentam naturalmente nos bares, nos cafés, nos mercados. Há sempre comentários em relação às acções políticas. Mas vou dar um exemplo. Nós temos uma população que está com uma crise energética há mais de quatro ou cinco meses em que nós continuamos. Não há convulsão, não há nada. A população não sai à rua para entrar em confusões desgovernadas. A população está, nesta fase do processo, a definir qual será a sua posição em caso de uma eleição. Estamos em Fevereiro. A eleição presidencial está marcada para Julho. Ainda não conhecemos o candidato a não ser o Carlos Vila Nova, que será candidato à sua própria sucessão. Portanto, é para perceber que nós temos um país completamente assimétrico. O povo resguarda a sua posição e só sairá para ir votar. RFI: Qual é a situação neste momento da população? Falou nomeadamente dos cortes de energia. Como é que estamos neste momento? Olívio Diogo: É uma situação crónica que nós vivemos. Nós tínhamos um fornecedor de energia que é a Tesla (empresa turca Tesla STP), que tinha sido contratada pelo anterior primeiro-ministro Patrice Trovoada. Este governo entendeu que o contrato com a Tesla não é o contrato mais adequado para o país. Decidiu não revogar o contrato, mas sim rever o contrato. Não houve entendimento com a Tesla. A Tesla saiu e apanhou este governo em contrapé. A situação da água também continua bastante complexa. A situação de vida das populações continua também com muitas dificuldades, apesar de algumas melhorias a que o país tem vindo a assistir. Mas a melhoria da vida da população ainda não se atingiu. Nós continuamos aqui convencidos de que haverá dias melhores para todos os são-tomenses. RFI: Para concluirmos, portanto, temos por um lado Patrice Trovoada a dizer que "a democracia em São Tomé e Príncipe está em perigo" devido àquilo que ele chama um "golpe palaciano" e "decisões contrárias à Constituição". E por outro lado, temos um primeiro-ministro, Américo Ramos, que diz que "não há crise em São Tomé e Príncipe" e que "tudo isto foi sanado com a designação do presidente do Parlamento". Em que ponto é que se situa de facto a situação política são-tomense? Olívio Diogo: Neste momento não tenho a posição nem do primeiro-ministro nem tenho a posição do Patrice Trovoada. O que é certo é que as instituições estão a funcionar. Quando se diz que a "democracia são-tomense está em risco", não se vê a democracia em risco. Nós temos uma democracia que está a funcionar com os seus níveis altos e baixos, mas a democracia está a funcionar. Repare, já temos a data das eleições. Vai acontecer eleições. Patrice Trovoada diz que a democracia não está a funcionar, porquê? Porque foi substituído o Presidente da Assembleia. Há quanto tempo estamos a espera para eleger um vice-presidente para a Assembleia? Porque Patrice Trovoada não queria designar este vice-presidente da Assembleia. Portanto, hoje o Patrice diz que a democracia está em causa. Tudo bem porque ele está fora do processo. Patrice Trovoada tem que perceber que este é um processo que vai-se alterando, vão entrando novos actores e novos actores vão saindo. E eu digo mais: não há dúvidas de se vai criar as condições para que ele venha às eleições. O país continua aqui. Nós estamos aqui. Não acredito que alguém o vá prender de forma ilegal. Se houver um processo na Justiça, isso é outra coisa. Será um processo normal. Mas neste preciso momento, ninguém está impedindo Patrice Trovoada de vir a São Tomé e aliás a divisão que existe neste momento é uma divisão interna do seu partido. Mais nada. Ele era o líder do partido. Ele deixou de continuar a controlar o partido. Isto está a desencadear toda essa atitude que nós estamos a ver. O Américo Ramos é do ADI, o Levy Nazaré sempre foi do ADI. Abnildo de Oliveira sempre foi, o Carlos Vila Nova, foi ministro de Patrice Trovoada. A democracia não está em causa. Nós vamos ter umas eleições e as instituições vão continuar a funcionar.

Convidado
"O Irão está a passar pela pior repressão de sempre"

Convidado

Play Episode Listen Later Jan 27, 2026 13:21


No Irão, o regime do ayatollah Ali Khamenei tentou calar a maior vaga de protestos dos últimos anos com uma repressão que teria feito milhares de mortos. As manifestações começaram a 28 de Dezembro na capital e alastraram a todo o país. Os Estados Unidos intensificaram a presença militar no Médio Oriente com a mobilização do porta-aviões USS Abraham Lincoln, depois de Donald Trump ter afirmado que deverá receber “em breve” um relatório sobre a situação no Irão para decidir se avança com uma intervenção militar. Será a pressão interna e externa suficiente para uma eventual mudança de regime? E quem poderia assegurar uma transição? Para conversarmos sobre este tema convidámos Maria Ferreira, professora de Relações Internacionais, que nos fala sobre “a pior repressão de sempre” no Irão, sobre a “diplomacia coerciva” dos Estados Unidos e sobre dificuldade de antever, para já, uma mudança de regime. RFI: Perante a mobilização de um porta-aviões para o Médio Oriente, até que ponto um ataque dos Estados Unidos é uma possibilidade? Maria Ferreira, Professora de Relações Internacionais do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa: “É preciso ter consciência de que o Irão é a segunda maior nação do Oriente Médio e é a 18.ª maior nação do mundo. Vivem no Irão mais de 92 milhões de habitantes, portanto, é um país com uma matriz civilizacional fortíssima e que não se compara a outros Estados, nomeadamente a Venezuela, onde os Estados Unidos têm vindo a desenvolver acções exteriores. É claro que o Irão, neste momento, está a passar pela pior repressão de sempre que visa as manifestações pró-democracia, mas mesmo a resposta do regime a estas manifestações demonstra a dificuldade que seria, mesmo para uma potência militar como os Estados Unidos, intervir num palco de conflito que é extremamente complexo.” Então, não há essa possibilidade de um ataque iminente dos Estados Unidos? “De um ataque clássico dos Estados Unidos não. Seria muito difícil aos Estados Unidos conseguirem controlar um território com uma complexidade doméstica como se afigura no Irão. Segundo a Amnistia Internacional, no Irão, existem três braços armados que suportam fortemente o regime e que estão sob a alçada do líder supremo Ayatollah Ali Khamenei.” Nesse caso, para que serve esta mobilização de navios de guerra americanos, nomeadamente, do porta-aviões, para o Médio Oriente? “Repare que Donald Trump está a replicar os mesmos passos da Venezuela no Irão porque antes da extracção do Presidente Maduro, os Estados Unidos enviaram para a Venezuela e para a região também um conjunto de forças militares com o objectivo de escalarem a tensão contra o país, aplicarem uma espécie de diplomacia coerciva para atingirem os seus objectivos, nomeadamente no que toca à questão do petróleo. No Irão, o que está a acontecer é também a utilização de diplomacia coerciva para obrigar o Irão a uma eventual mudança de regime. Repare-se que essa mudança de regime não aconteceu na Venezuela. Essa mudança de regime no Irão está a ser associada às revoltas populares nas ruas e é preciso dizer que a repressão das revoltas já terá provocado entre 17.000 a 25.000 mortos. Simplesmente, tal como na Venezuela não houve mudança de regime, também no Irão essa mudança de regime afigura-se muito difícil pelas circunstâncias internas, políticas e militares, que conseguem sustentar o regime de Ali Khamenei.” Que resultados é que pode ter essa “diplomacia coerciva”? Na segunda-feira houve um responsável americano que disse que a porta está aberta se o Irão quiser entrar em contacto com Washington. Há uma porta aberta a uma eventual mudança de regime? “O ayatollah Khamenei é uma figura odiada por grande parte dos iranianos. A economia iraniana está numa situação insustentável e há uma grande repressão interna. Aquilo que os especialistas no Irão discutem é quais são internamente as hipóteses para eventualmente substituir o ayatollah Khamenei. Mas essas hipóteses são muito ténues e eu penso que foi isto que levou - a par do reconhecimento de que uma intervenção militar no Irão seria absolutamente complexa por causa dos três braços armados que sustentam o regime - foi essa consciência que levou a que Donald Trump, há duas semanas, com a desculpa de que o Irão já não estava a executar protestantes, tivesse claramente recuado na sua retórica agressiva, militarista, coerciva contra o Irão. É que, segundo vários autores que são especialistas na questão do Irão, não existe grande vontade de reforma do regime e os moderados são vistos como figuras marginais dentro do próprio regime e nem sequer têm o peso para vir a substituir o líder supremo e, eventualmente, poder conduzir a uma reforma do regime iraniano. Portanto, não se afigura como muito claro quem é que poderia preencher o vazio de poder que iria instalar-se depois da eventual morte ou extracção ou retirada do líder supremo. O que se sabe, com certeza, é que a Guarda Revolucionária iria sempre tentar preencher esse vazio de poder através da imposição de um autoritarismo militarista. No Irão existem os que mandam e aqueles que são mandados e, portanto, é muito difícil pensar numa eventual mudança do regime porque mesmo as figuras mais moderadas como Mohammad Bagher Ghalibaf , o antigo presidente Hassan Rohani, mesmo o actual Presidente Massoud Pezechkian que é também visto como um moderado, mesmo esses reformistas são considerados como irrelevantes, ou seja, não existem. Na prática, na sociedade iraniana, são uma espécie de cosmética, como diz Ali Ansari, que é professor na Universidade St Andrews, eles estão completamente marginalizados. Ou seja, no Irão não há um movimento de reforma política que possa, no fundo, apoiar o movimento na rua.” Os protestos não se podem tornar numa revolução? Não há nenhum líder da oposição que possa unir os iranianos e derrubar o regime dos ayatollahs? “Bem, neste momento, nós sabemos que o antigo filho do Xá, Reza Pahlavi, que está no exílio, se está a movimentar no sentido de poder ser uma eventual alternativa à mudança de regime no Irão, mas aquilo que se questiona em relação à Reza Pahlavi é que, apesar de ele argumentar que tem uma missão inacabada que o seu pai deixou quando saiu do Irão, que o seu objectivo não é de todo restaurar o passado autoritário associado ao Xá e que o seu objectivo é assegurar uma futura democracia no Irão, apesar disso, há grandes dúvidas em relação à legitimidade de uma figura cuja única base de autoridade é ser filho do Xá deposto. Portanto, também não me parece que possa vir a ser uma figura consensual para poder alicerçar a mudança do regime até porque há um legado muito divisivo do próprio Xá no Irão. Ou seja, o Xá não é consensual no Irão. Todo o reinado, o legado de autoritarismo associado ao Xá ainda tem uma memória muito forte no Irão e, apesar de Reza Pahlavi ter apelado a uma transição pacífica até um referendo nacional para decidir o futuro sistema político do Irão, continua a ser um símbolo de um passado autoritário. Se os iranianos não querem Ali Khamenei, dificilmente vão querer voltar a um passado de uma monarquia imperial associada ao Xá. Portanto, mesmo com esta retórica de modernização, de democratização, de solidificação das alianças com o Ocidente, a verdade é que há ainda uma memória muito marcada da censura, da polícia secreta, da supressão da dissidência, dos abusos aos direitos humanos ligados ao período do Xá e esse legado divisivo projecta-se em Reza Pahlavi e prejudica a sua capacidade de poder vir a liderar um período de transição no Irão.” Como disse, há milhares de pessoas que morreram nas manifestações, não se sabe bem quantas porque há diferentes números a circularem e o país está sem internet há 18 dias. Estes são os maiores protestos desde 2022. Como é que vê os próximos tempos no Irão? “É muito interessante perceber que realmente estes não são os únicos protestos que marcaram a história recente do Irão. Já em 2009, em 2022, a Revolução Verde... Tivemos outras vagas de protestos contra o Irão. O que especifica historicamente esta vaga é a onda de repressão que lhe está associada e que, de alguma forma, mostra a crescente fragilização do regime que terá já matado entre 17.000 a 25.000 pessoas. É claro que nós não sabemos exactamente o que é que se está a passar porque há um bloqueio cibernético. O que é interessante de ver é que as pessoas no Irão estão a usar formas alternativas para ter acesso à internet, nomeadamente o SpaceX, o Starlink, redes virtuais de internet privadas e estão a tentar suplantar aquilo que é uma marca fundamental do regime iraniano que é uma infraestrutura muito forte de vigilância cibernética e de vigilância nomeadamente através de câmaras CCTV. E, portanto, vai ser interessante ver como é que a população vai, nos próximos dias e nos próximos meses, reagir e continuar a ter um ímpeto reformista no país, utilizando as chamadas tecnologias da libertação, que são os mecanismos digitais, para tentar afirmar a sua vontade. Mas, como há um vazio ao nível das figuras reformistas que poderiam liderar o regime e perante o recuo dos próprios Estados Unidos, cuja acção de diplomacia coerciva estava claramente a empoderar estes movimentos civis de resistência, não me parece que nos próximos meses possamos ver alguma mudança essencial no Irão, tal como não vimos uma grande mudança na Venezuela. Os regimes persistem apesar da diplomacia coerciva de Donald Trump. Uma mudança no Irão estará associada eventualmente à morte do líder supremo e a quem, após essa morte, eventualmente o poderá substituir, e com a cumplicidade dos braços armados que existem no país, nomeadamente da Guarda Revolucionária, poder fazer algumas reformas. Pensar que os Estados Unidos vão, através de meios coercivos, provocar uma mudança de regime num país em que não existe a própria noção de reformismo político parece-me uma ideia sem grande sustentação empírica.”

CEI DE CABO FRIO
ESCOLHAS, discernindo os próximos passos - Pr. Caleb Loureiro

CEI DE CABO FRIO

Play Episode Listen Later Jan 23, 2026 40:58


Nesta mensagem, o Pr. Caleb Loureiro, com os textos em I Coríntios, capítulo 13, versículo 11 e Salmos, capítulo 119, versículo 105, nos traz uma reflexão sobre discernir nossas escolhas.A vida é feita de escolhas. Algumas simples, quase automáticas. Outras profundas, silenciosas, que definem rumos, destinos e até quem nos tornamos. O apóstolo Paulo, em I Coríntios 13:11, nos lembra que existe um tempo de amadurecimento espiritual: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino e pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.”Esse texto não fala apenas de idade, mas de discernimento. Crescer em Deus é aprender a escolher melhor. É deixar decisões impulsivas, emocionais ou imaturas e passar a agir com responsabilidade espiritual, entendendo que cada passo tem consequências.Mas como discernir os próximos passos em meio a tantas vozes, pressões e incertezas? O salmista nos dá a resposta em Salmos 119:105: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho.”Repare: a Palavra de Deus não ilumina toda a estrada de uma vez, mas o próximo passo. Ela nos dá clareza suficiente para avançar com fé, mesmo sem ver todo o futuro. Escolhas guiadas pela Palavra não são apressadas, nem baseadas apenas no que sentimos, mas fundamentadas no que Deus diz.Discernir é isso: ouvir mais a Deus do que o barulho ao redor. É perguntar antes de decidir. É alinhar desejos ao propósito. É entender que maturidade espiritual nos leva a escolher não apenas o que é permitido, mas o que é proveitoso.Talvez hoje você esteja diante de decisões importantes. Lembre-se: crescer é deixar o que é raso e abraçar o que é eterno. Quando a Palavra ilumina seus passos, mesmo escolhas difíceis se tornam seguras, porque Deus vai à frente.Que nossas escolhas revelem maturidade, e nossos passos sejam guiados pela luz da Palavra.Se esta mensagem edificou a sua vida, curta e compartilhe com mais pessoas.Deus te abençoe!

Dia a dia com a Palavra
Desafios do próximo ano

Dia a dia com a Palavra

Play Episode Listen Later Dec 31, 2025 1:39


Mais um ano chega ao fim e com ele chegam também as expectativas quanto ao futuro. O que o próximo ano tem preparado? Que desafios se apresentarão diante de nós?Há alguns anos atrás passamos por uma pandemia. Quem de nós esperava algo assim? Quantas pessoas perdemos naquele ano! 2026 pode surgir como um ano promissor, mas também pode aparecer como um ano de dor. Já pensou nisso? Podemos ganhar, mas podemos também perder. Estar preparado para ambas situações é o melhor caminho.Veja o que diz o Salmo 91, versos 5 e 6: "Você não terá medo do terror noturno, nem da flecha que voa de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola ao meio-dia."Repare que no salmo, o salmista só destaca coisas ruins. Ele fala do terror, da flecha, da peste e da mortandade. Parece que o futuro estava carregado de lutas sem fim. Mas ainda assim, ele não tinha medo.Sim, não ter medo é a melhor reação que podemos ter. Nós não tememos porque somos insensíveis, mas porque sabemos quem de verdade nos guarda.Que o novo ano surja com sua beleza e seus desafios. Não tema o dia de amanhã, pois o Senhor está com você. Feliz Ano novo!!!

WGospel.com
Quero melhorar meu testemunho, Pai!

WGospel.com

Play Episode Listen Later Dec 14, 2025 1:46


Oro Por Você 03004 – 14 de dezembro de 2025 Senhor, como é bom mais uma vez abrir a coração a Ti através desse minuto de oração. Hoje quero pedir Tua ajuda para compartilhar com outros tudo o que tens feito para restaurar a minha vida. Ajude-me a falar sobre a liberdade que sinto agora e ainda sentirei no futuro. Repare, conserte, transforme, todas as áreas que se desintegraram em mim. Restitui tudo o que se perdeu, renove o que se desgastou e enfraqueceu. Faça de mim um testemunho da plenitude que o Senhor tem para os que O seguem. Oro para que O veja continuar a fazer coisas grandiosas em minha vida. Em nome de Jesus, amém! Saiba como receber as orações diárias do Oro Por Você: -> No celular, instale o aplicativo MANAH. -> Para ver/ouvir no YouTube, inscreva-se neste Canal: youtube.com/AmiltonMenezes7 -> Tenha os nossos aplicativos em seu celular: https://www.wgospel.com/aplicativos -> Para receber pelo WhatsApp, adicione 41 99797 2727 e mande um recadinho pedindo os áudios. -> Conheça nosso novo portal de oração: www.oroporvoce.com.br -> Participe do nosso canal no TELEGRAM: https://t.me/tempoderefletir . -> Participe do nosso canal no WhatsApp: https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9r7v8G8l5NcIiafZ2V . -> Instagram: https://www.instagram.com/amiltonmenezes7/ -> Threads: https://www.threads.net/@amiltonmenezes7 -> X (Antigo Twitter): https://x.com/AmiltonMenezes -> Facebook: facebook.com/AmiltonMenezes

Arauto Repórter UNISC
Quem vai abrir as suas gavetas?

Arauto Repórter UNISC

Play Episode Listen Later Dec 3, 2025 3:15


Se você não estivesse aqui amanhã, quem abriria as suas gavetas? Quem ia achar os recebos velhos, as sacolas, as roupas que não servem há anos? Quem iria reparar sua casa em silêncio e entender, item por item, a dor que você guardou? Imagine seu filho, sua filha, sua irmã com um nó na garganta, com luva na mão, decidindo o que fica e o que vai, sem saber o que era importante para você. Imagine alguém que te ama, carregando itens, respirando poeira, pedindo desculpa por jogar fora o que você guardou porque nunca teve força nem tempo de decidir. Isso corta, porque a verdade é dura, a tralha que você acumula vira a dor que os outros vão limpar. A herança não é só foto e lembrança bonita, é peso, é mofo, é culpa, é tempo de vida de alguém, gasto para desfazer o que te esmagou em silêncio. Não é sobre perfeição. É sobre respeito por você e pelos que administrarão seus pertences. É sobre não deixar a sua história escrita em caixas anônimas. É sobre não transformar amor em mutirão de faxina. Abre uma gaveta com honestidade. Olha sem desviar. Repare em quantas coisas ali estão falando alto. E pergunta, é isso que eu quero deixar? Você não precisa deixar peso como lembrança. Quem te ama merece segurar sua mão, não suas sacolas. E você merece uma casa que conte quem você é, não o que você não conseguiu soltar. E você merece colecionar momentos e não coisas. Porque, no fim, essa conversa não é sobre objetos, é sobre as escolhas que fazemos em vida para deixar marcas leves, um legado consciente e uma história que honre quem somos.

Assunto Nosso
Quem vai abrir as suas gavetas?

Assunto Nosso

Play Episode Listen Later Dec 3, 2025 3:15


Se você não estivesse aqui amanhã, quem abriria as suas gavetas? Quem ia achar os recebos velhos, as sacolas, as roupas que não servem há anos? Quem iria reparar sua casa em silêncio e entender, item por item, a dor que você guardou? Imagine seu filho, sua filha, sua irmã com um nó na garganta, com luva na mão, decidindo o que fica e o que vai, sem saber o que era importante para você. Imagine alguém que te ama, carregando itens, respirando poeira, pedindo desculpa por jogar fora o que você guardou porque nunca teve força nem tempo de decidir. Isso corta, porque a verdade é dura, a tralha que você acumula vira a dor que os outros vão limpar. A herança não é só foto e lembrança bonita, é peso, é mofo, é culpa, é tempo de vida de alguém, gasto para desfazer o que te esmagou em silêncio. Não é sobre perfeição. É sobre respeito por você e pelos que administrarão seus pertences. É sobre não deixar a sua história escrita em caixas anônimas. É sobre não transformar amor em mutirão de faxina. Abre uma gaveta com honestidade. Olha sem desviar. Repare em quantas coisas ali estão falando alto. E pergunta, é isso que eu quero deixar? Você não precisa deixar peso como lembrança. Quem te ama merece segurar sua mão, não suas sacolas. E você merece uma casa que conte quem você é, não o que você não conseguiu soltar. E você merece colecionar momentos e não coisas. Porque, no fim, essa conversa não é sobre objetos, é sobre as escolhas que fazemos em vida para deixar marcas leves, um legado consciente e uma história que honre quem somos.

Dia a dia com a Palavra
Você se considera uma pessoa forte?

Dia a dia com a Palavra

Play Episode Listen Later Oct 26, 2025 1:16


Você se considera uma pessoa forte? Creio que essa pergunta possa ser entendida de pelo menos duas formas diferentes.A primeira forma de responder a essa pergunta é falar sobre a força física. Se você consegue carregar grandes pesos ou fazer determinados exercícios, você pode se considerar uma pessoa forte.A segunda forma de responder a essa pergunta é falar sobre a força emocional, que seria a sua capacidade de enfrentamento de problemas e situações difíceis. O salmo 18 no verso 34 diz o seguinte: "Ele treinou as minhas mãos para o combate, tanto que os meus braços vergaram um arco de bronze."Repare como o salmista fala sobre a força. Deus o havia treinado para a batalha a tal ponto que agora ele conseguia dobrar um arco de bronze. Certamente não é sobre força física que estamos falando aqui, mas sobre força emocional.Ao caminhar com Deus você se torna mais maduro, mais experiente, mais sábio, ou seja, mais forte. Se seu desejo é apenas a força física, uma academia resolve. Mas se deseja experimentar essa outra força, a melhor academia é a vida com Deus.

Enterrados no Jardim
Os peixes solúveis e o despotismo rococó. Uma conversa com António Tonga

Enterrados no Jardim

Play Episode Listen Later Oct 4, 2025 223:45


Poucos se perguntam o que resta do homem, que é feito dele passados estes últimos dois séculos de abastardamento do espírito, esse ser cada vez mais inapto, que se enreda nas suas justificações, que se adapta seja como for, se safa, dê por onde der, com essa capacidade de levar a vida inteira num longo estertor. Mas a alguém deveria intrigar esta estagnação dos órgãos, à medida que o horizonte se nos escapa, como vamos aperfeiçoando a nossa corrupção, as habilidades mesquinhas, a farsa, a sórdida trama, sempre neste embrutecimento das faculdades, cobrindo tudo com um sorriso petrificado. O instinto de sobrevivência deu lugar a um turvo ofício de entranhas, a estes seres imensamente cautelosos, viciados no seu próprio terror, vítimas de uma subjectividade exagerada, que levam os dias negociando termos de forma a esquivarem-se a qualquer encontro com o perigo. Deveríamos fazer um esforço por compreender o que vem a ser este ser sujeito a uma ocupação que o tornou tão profundamente servil, perfeitamente adaptado a uma ética inteiramente fundada sobre o valor mercantil, a honra do trabalho, os desejos comedidos, a brutalidade instintiva, e a morte, esta que nos segue tão de perto, e manca de pequenez em pequenez. “Tornar-se tão insensível e portanto tão manejável quanto um tijolo é aquilo a que benevolamente convida a organização social”, diz-nos Raoul Vaneigem. Ele denuncia a imensa máquina de condicionar, e explica a ausência de um ânimo e de um enredo tumultuoso que favoreça a transformação com a falta de sinais inspiradores ao nosso redor. “Face à minha prisão actual, o futuro não tem interesse para mim.” No fundo, o capitalismo cria um conflito dentro de cada um de nós, uma divisão entre si e si mesmo. Temos sempre alguma justificação na ponta da língua, uma mentalidade de servos, habituados a serem sacudidos ao virar de cada esquina. Constantemente sujeitos aos interrogatórios, estamos sempre disponíveis para abrir o livrinho com a nossa contabilidade mais íntima. Repare-se na expressão, nos modos mais comuns, nesse constante ensaio com que cada um se desfia a si mesmo, como se estivesse a meio de algum desses exames de rotina, ou fazendo por se apresentar nos tantos concursos, providenciando sobre qualquer tópico uma opinião habilidosa, assumindo a pose de forma a oferecer o melhor ângulo a qualquer montra, como se a sua imagem estivesse a ser captada pelas câmaras, esse rosto de transcendental e eterna inutilidade que põe um tipo quando faz de produto. Vaneigem diz que o sentimento de humilhação difuso que nos persegue nada mais é que o sentimento de ser objecto. Em seu entender, não somos escravos dos nossos desejos tanto como o somos da crença na felicidade dos outros, “uma fonte inesgotável de inveja e ciúme que faz experimentar por intermédio do negativo o sentimento de existir”. “Invejo, portanto existo. Apreender-se com base nos outros é apreender-se outro. E o outro é o objecto, sempre. De tal modo que a vida se mede pelo grau de humilhação vivida. Quanto mais escolhermos a nossa humilhação, mais ‘vivemos', mais vivemos com a vida arrumadinha das coisas. Essa é a manha da reificação.” Isto explica todos esses esforços empreendidos para mascarar o nosso desespero. O que é mais doloroso é pressentir esta culpa face a si mesmo, todas as nossas tentativas para dissimular o esfarelamento dos valores, a ruína das existências, a inautenticidade dos nossos gestos. Por isso, no entender do autor de “Arte de Viver para a Nova Geração”, “as crises que sacodem o mundo não se diferenciam fundamentalmente dos conflitos em que os meus gestos e os meus pensamentos se defrontam com as forças hostis que os travam e os desviam”. O capitalismo significa um colapso da própria consciência humana. Se pudéssemos ganhar alguma distância em relação a nós próprios, se nos escolhêssemos como inimigos, nada nos daria maior prazer do que cuspir nisso a que, por mera afectação, dizemos ser a nossa alma. Gostamos de manter o quarto na penumbra de forma a que as formas do lixo que nos acusa não se possam distinguir, e então admiramos os ecos de outro tempo, o tempo que já foi. Bate-nos uma saudade estúpida de um mundo capaz de produzir em nós algum temor, uma “saudade dos tempos da juventude antiga, dos sátiros lascivos, dos faunos brutais” (Rimbaud)… Voltamo-nos para esses reflexos e para a pouca água que resta à superfície de alguns textos, e repetimos a estranha ordem de palavras que parecem ir além daquilo que somos capazes de sentir… "se viesse um homem ao mundo, hoje, com/ a barba de luz dos patriarcas, só poderia,/ se falasse deste/ tempo, só poderia/ balbuciar balbuciar/ sempre, sempre,/ só só" (Celan). O isolamento é o pior castigo e, no entanto, só através dele podemos fazer esta espécie de luto em relativa paz. “Para sobreviver à uniformidade que nos cerca, a única opção é reconstituir sem parar o nosso próprio mundo interior, como uma criança reconstruiria por todo o lado a mesma cabana. Como Robinson, reproduzindo o seu universo de merceeiro na ilha deserta, com a diferença de que a nossa ilha deserta é a própria civilização e de que somos milhões a desembarcar incessantemente” (Comité Invisível). Dito isto, o pior seria se nos contentássemos com a ridicularia daquilo a que chamamos solidão. Para nos pronunciarmos orgulhosamente sós ainda teríamos de ser uns quantos, para somarmos um Robinson convinha que naufragassem de uma vez largas centenas, e pelo menos uns sete, nove ou até uma dúzia se safassem, constituindo uma pequena camarata na tal ilha, isto para compensar a forma como as nossas almas parecem ser já meros fragmentos, estilhaços de uma qualquer unidade. Não demoramos muito a desconfiar como mesmo esses períodos de abatimento são um pequeno teatro que representamos para benefício da catástrofe da nossa personalidade, que há muito deixou de nos parecer minimamente bela, cativante, abrangente. Neste episódio, juntou-se a nós um tipo que, para coçar-se, não precisa de inventar pragas delirantes nem patéticas, e que veio trazer-nos um embalo mais largo na sua relação com o tempo, com a história, com a herança daqueles que estão dispostos a prosseguir cada dia, travando uma batalha atrás de outra, denunciando os tantos desdobramentos e ecos do colonialismo, e de todos os modos de exercer poder de forma violenta, estabelecendo hierarquias degradantes, e isto sem entrar nesses jogos de palavras cruzadas em que Vaneigem viu a esquerda triturar-se. Activista anti-racista, membro fundador do colectivo Consciência Negra, e um entre as centenas de milhões de herdeiros da luta visceral dos povos africanos pela sobrevivência e por uma África livre do esmagamento capitalista, António Tonga juntou-se a nós para discutirmos o que possa ser uma acção consequente e formas de organização e luta que não se deixem reduzir ao habitual esquema burocrático.

Nova Igreja de Ipanema
Não Repare no Vento - Viviane Alves

Nova Igreja de Ipanema

Play Episode Listen Later Sep 14, 2025 39:00


Mensagem compartilhada na noite do dia 14 de Setembro de 2025 pela Viviane Alves da Nova Igreja Ipanema.

La Ventana
La Ventana a las 16h | "Lo que se pide es que se repare económicamente y materialmente a todas las mujeres víctimas del Opus Dei"

La Ventana

Play Episode Listen Later Jul 3, 2025 10:51


Carles Francino charla con Mònica Terribes, directora del documental El Minuto Heroico, sobre todas aquellas mujeres afectadas por el Opus Dei. 

Pedra de Esquina Podcast
#EP57 - Não repare a bagunça (PEDRA DE ESQUINA PODCAST)

Pedra de Esquina Podcast

Play Episode Listen Later Apr 23, 2025 24:43


De vez em quando alguém chega na nossa casa quando a gente não está esperando, ou oportunidades chegam de surpresa na nossa vida. Como proceder diante da exposição da nossa bagunça? No episódio de hoje vamos falar sobre a bagunça onde estamos vivendo ou que somos.

Convidado
"Ruanda e M23 não estavam confortáveis com a mediação angolana"

Convidado

Play Episode Listen Later Mar 24, 2025 8:53


Angola anunciou esta segunda-feira, 24 de Março, que deixa a mediação entre a República Democrática do Congo e do Ruanda para se "focar na União Africana", após avanços e entraves como a ausência ruandesa em reuniões e o cancelamento de negociações com o M23. O coordenador do Observatório Político e Social de Angola, Sérgio Calundungo, aponta que tanto o Ruanda como o M23 desconfiavam da neutralidade angolana, destaca a surpresa do envolvimento do Catar, a fragilidade das organizações regionais, e defende uma solução justa e sustentável para a RDC. RFI: O que levou Angola a deixar a mediação no conflito entre a RDC e o Ruanda?Sérgio Calundungo: Ficou claro que havia um mal-estar, provavelmente mais do lado do Ruanda e do M23 com a mediação angolana, muitas vozes se levantaram desse lado, questionando a neutralidade de Angola, que é algo essencial para um mediador. A minha impressão é que tanto o Ruanda como o M23 não estavam confortáveis com a mediação angolana, embora eu acredite que Angola tinha um interesse genuíno em resolver o conflito.Angola não é neutra?Bom, na visão deles. Alegavam que havia uma proximidade muito grande entre Angola e o actual Presidente da República Democrática do Congo e, por isso, olhavam para o mediador com desconfiança.A retirada de Angola da mediação significa um fracasso diplomático para o país?Penso que o fracasso foi para o Congo. É um país com imensos recursos, aceita a diversidade étnica e cultural, mas não consegue geri-la de forma eficaz. O conflito de pontos de vista na gestão de um Estado é natural e aceitável, mas a violência não. Angola foi pressionada ao máximo, e esta retirada é uma contrariedade, mas não a classificaria como um fracasso.É claro que isso afecta a sua imagem. Angola poderia ter reforçado a sua posição como país pacificador na região. O próprio Presidente da República é promovido internamente como "campeão da paz" na região e, certamente, gostaria de honrar esse título. No entanto, o mais importante é garantir uma paz justa e sustentável naquele território. Como diz o provérbio: "Não importa a cor do gato, o importante é que ele consiga caçar ratos".O envolvimento do Catar nas negociações entre a RDC e o Ruanda, incluindo o encontro em Doha entre Félix Tshisekedi e Paul Kagame, representa uma mudança na influência diplomática africana sobre o conflito?É, sem dúvida, uma mudança substancial. Há um ou dois anos, seria impensável que o Catar assumisse esse papel. Isso reflecte uma transformação significativa. No entanto, muitas vozes criticam a tendência africana de recorrer a actores externos para resolver os seus próprios problemas, em vez de fortalecer soluções internas.O mais importante é que o Catar tenha influência suficiente para levar as partes à mesa de negociações e alcançar um acordo. No fim das contas, o essencial para aquela região e para os seus povos é a paz.Disse que há alguns anos seria impensável ver o Catar como mediador. O encontro da semana passada foi uma surpresa para si?Sim, foi uma surpresa para mim e para muitas outras pessoas. Repare que a reunião aconteceu no mesmo dia em que estava previsto um encontro entre a delegação do governo da RDC e o M23 em Luanda, que acabou por não se realizar.Não foi um acaso acontecer no mesmo dia ou foi ?Acredito que não. Provavelmente, as lideranças do Congo e do Ruanda já sabiam que haveria esse encontro no Catar, até porque reuniões deste nível são preparadas com antecedência. A questão que fica é se o governo angolano foi informado antecipadamente sobre isso. Nunca houve um pronunciamento oficial, mas seria interessante saber.A escolha de um novo mediador pode mudar a dinâmica do conflito? Há outros países candidatos ou a mediação do Quénia sai reforçada?Se o nosso foco for a resolução do conflito, o protagonismo deve estar nos envolvidos, não no mediador. O mediador precisa apenas de ser reconhecido como neutro pelas partes, para que possam negociar em pé de igualdade.O verdadeiro papel cabe ao M23, às autoridades da RDC e ao governo do Ruanda. São eles que devem chegar a um acordo de paz. O mediador é apenas um facilitador. Países que assumem mediações bem-sucedidas melhoram a sua imagem internacional, mas o foco não deve ser esse. O essencial é acabar com uma guerra sem sentido, que apenas serve interesses políticos e económicos.No terreno, o cessar-fogo acordado em Doha ainda não parece estar a surtir efeito.Sim, há dificuldades na implementação do cessar-fogo. Não basta colocá-lo no papel. Para ser eficaz, é preciso, por um lado, a vontade real das partes e, por outro, mecanismos suficientemente robustos para monitorizar e fiscalizar o cumprimento do acordo – e, se necessário, impô-lo.Qual é a importância das organizações regionais, como a SADC e a Comunidade da África Oriental, na solução do conflito?O conflito no Congo evidencia a fragilidade das nossas organizações continentais e a falta de confiança dos países nelas. No entanto, não são instituições dispensáveis. Os países da região sabem que a instabilidade no Congo os afecta directa ou indirectamente.Se não foram escolhidas para mediar este conflito, provavelmente foi porque as partes envolvidas não reconhecem nelas força suficiente para desempenhar esse papel. Mas acredito que, em algum momento, serão indispensáveis para ajudar a pôr fim à guerra.As sanções da União Europeia contra nove pessoas ligadas às ofensivas do M23 no leste do Congo representaram um obstáculo para o processo de paz de Luanda?Não acredito que essas sanções tenham tido como propósito dificultar o processo de paz. Em teoria, deveriam ajudar a reduzir o conflito, mas, na prática, tornaram-se um entrave. Noutros casos, mesmo com sanções, foram criadas excepções para permitir a participação de pessoas-chave nas negociações. Poderia ter sido feito o mesmo aqui.

Mensagens do Meeting Point
31 com paixão

Mensagens do Meeting Point

Play Episode Listen Later Feb 17, 2025 2:55


devocional Lucas leitura bíblica Num outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar. Estava lá um homem com a mão direita paralisada. Então os doutores da lei e os fariseus observavam Jesus para verem se o curava, sendo sábado, pois queriam achar uma razão para o acusarem. Mas como Jesus sabia muito bem o que eles pensavam, disse ao homem: «Levanta-te e vem aqui para o meio.» Ele levantou-se e ficou de pé. Depois Jesus dirigiu-se aos outros: «Vou fazer-vos uma pergunta: a lei permite fazer bem ao sábado ou fazer mal? Salvar a vida a uma pessoa ou deixar que se perca?» E olhando para todos à sua volta, disse ao homem: «Estende a mão.» Ele estendeu-a e a mão ficou sã. Eles ficaram furiosos e combinavam uns com os outros o que haviam de fazer contra Jesus. Lucas 6.6-11 devocional Não há hora indicada para praticar uma boa acção. Nenhuma altura é considerada inoportuna por Jesus para procurar o bem estar de uma pessoa. Todo o santo dia é uma excelente ocasião para ajudar alguém. Horários ou locais não devem servir de desculpa para protelar socorro. Se alguma celebração religiosa ou momento devocional coincide com o auxílio ao próximo, a prioridade passa por prestar atenção a este último, aliás ao lado do qual Deus já está. Qualquer norma religiosa que impeça o amparo imediato ao outro é uma falácia. Malfadada religiosidade que entorpeça o exercício da misericórdia. Larguem-se, pois, sistemas de regras e siga-se, sim, Jesus. Repare-se no modo como dignificou publicamente, no lugar por excelência de ensino da Palavra, gente anónima e incapaz de se sustentar. Ainda hoje o Seu desafio se faz ouvir: “Estende a mão.” Há que estendê-la, bem como tudo o mais. Exponha-se-Lhe a paralisia e a secura sentidas e, mesmo que alguns se posicionem “contra Ele”, a cura chegará. O que cada um precisa é de se deixar tocar na alma por Ele. Depois de tal ocorrer só apetece polvilhar tudo à volta com o Seu amor. - jónatas figueiredo Oramos para que este tempo com Deus te encoraje e inspire. Da a ti próprio espaço para processar as tuas notas e oração e sai só quando se sentires preparado

Em directo da redacção
Macau a meio caminho na transição plena para soberania chinesa

Em directo da redacção

Play Episode Listen Later Dec 20, 2024 17:21


Macau assinalava nesta sexta-feira metade do processo de transição de Portugal para a China, 25 anos, de um total de 50, no âmbito de uma região administrativa especial chinesa, como negociado entre Lisboa e Pequim.E isto na semana em que uma lei foi votada em Macau contemplando o despedimento de funcionários públicos caso sejam tidos como desleais para com o território ou com a China.  Para fazer um diagnóstico falámos com Paulo Rêgo, director do semanário Plataforma.Este admite haver pressões no território para que se adopte um registo que não belisque a China, à luz do que Pequim implementou na vizinha Hong Kong, após a repressão dos protestos pró democracia de 2019 e 2020, mas relativiza o peso da nova legislação.Há um juramento e uma declaração de fidelidade à função pública, bem como hà em Portugal, ou como decorre dos próprios contratos de privada. Se um funcionário do Plataforma, do meu jornal, não for fiel ao meu projecto, eu despeço-o. E, portanto, é verdade que há e tem havido, nomeadamente nos anos do COVID e do pós COVID, um recrudescimento claro e visível do discurso securitário e do discurso patriótico.Isso esteve ligado ao que aconteceu em Hong Kong, nomeadamente ?Tudo o que aconteceu em Hong Kong teve uma consequência e efeitos directos do que passou a acontecer em Macau, nomeadamente no discurso securitário e naquilo que aqui hoje se repete em cada esquina que é "Macau, governado pelas suas gentes", desde que sejam patriotas e tenham amor à Pátria.O Gabinete dos Assuntos para Macau e Hong Kong, em Pequim, já diz tudo no seu nome. O grupo de pessoas que toma decisões sobre as Regiões autónomas especiais toma decisões sobre as duas.E, portanto, o que aconteceu em Macau, onde não há sentimento anti-nacionalista, onde não há protestos anti-Pequim, que é uma pequena cidade que vive completamente dependente de Pequim decidir que pode ter dinheiro. Não é porque se Pequim não deixar virem os jogadores para Macau, Macau vai à falência.Portanto estamos no regime de "Um país, dois sistemas". Diz-me que, ao fim ao cabo, não havia problemas em Macau. Eu lembro-me, porém, que no passado chegou a haver protestos para assinalar a repressão em Tiananmen. Estes protestos agora já não existem !Não há protestos de Tiananmen, eles foram proibidos com um parecer jurídico do presidente do Tribunal de última instância, que toma posse como chefe do Executivo. Como aquilo que aconteceu em Hong Kong com os deputados que foram proibidos de se candidatarem, não é?Os chamados dissidentes ou independentistas, aqueles que a China decidiu que não cumpriam os critérios de amor à mãe pátria. Isso também aconteceu em Macau. Também houve deputados nas últimas eleições que foram proibidos de concorrer. Portanto, isso aconteceu. É uma mão dura de Pequim sobre qualquer movimento político dissidente ou contestatário. Mas a minha leitura enquanto jornalista e enquanto cidadão é que para aí. Eu convido qualquer ouvinte vosso a ir à www.Plataforma de Macau, ler os editoriais que eu escrevo sobre a China e sobre Macau, para perceberem que tem o mesmo tom e o mesmo grau de liberdade daqueles que você pode escrever sobre o presidente francês.Não há uma censura óbvia e uma submissão a Pequim ?Há uma pressão, uma pressão óbvia dos poderes nacionais para que toda a gente concorde com eles. Penso que em França também percebemos como é que isso se faz, não é? A questão é quando nós recebemos pressões, o que é que fazemos? Se resistirmos a elas e continuarmos a praticar jornalismo... O meu jornal tem dez anos, ainda cá está e 80% dos seus anunciantes são públicos. Portanto, não posso, eria desonesto da minha parte dizer que não é possível exercer a liberdade de opinião. Há pressões para que a nossa opinião seja concordante como o "mindset" nacional chinês, há !Falou de Sam Hou Fai que tomou posse como novo líder do executivo macaense. Pelo menos a parte lusófona enfatiza o facto de, pela primeira vez, ser um chefe do executivo que até fala português. Ele é um magistrado, como também já referiu. O que acha que poderá vir aí com a Nova Era, a era de Sam Hou Fai ?Eu não lhe chamaria a era de Sam Hou Fai. O Sam Hou Fai não é um político experiente e influente naquilo a que nós poderíamos chamar os "stakeholders" da política de Macau neste momento, não é ? Que são as elites económicas e políticas de Macau e o grau de influência crescente que as elites económicas e políticas chinesas têm na condução da região, por mais autónoma que ela se chame e por mais autónoma que tenha capacidade de ser. A China é, no mínimo, "stakeholder" das decisões. Não é um político influente e experiente. É um magistrado. Sim. Fala português, estudou em Coimbra e, é, portanto, é o primeiro chefe do Executivo bilíngue.Aliás, num governo formado por um chefe do Executivo e cinco secretários, portanto seis altos quadros dirigentes: Um secretário adjunto em Macau seria o equivalente a ministro. Digamos, se encararmos o chefe do Executivo como primeiro ministro, desses, seis, quatro são bilingues.Desses seis, todos são tecnocratas, ou seja, vêm da função pública. E todos eles, e a maioria deles, pelo menos, nem sequer nasceu em Macau.O Sam Hou Fai não é só o primeiro bilingue, também é o primeiro que não nasceu em Macau. Veio para Macau há muitos anos e, portanto, cumpriu os critérios mínimos para que alguém possa ser eleito chefe. Tem que residir em Macau pelo menos há 25 anos, para cumprir aquele preceito de Macau governado pelas suas gentes. Mas foi preparado para isso.Toda esta geração é uma geração com muitas conexões com o Partido Comunista Chinês, com o poder central e que vieram viver para Macau, aprenderam aqui o modo de vida de Macau, a Lei de Macau, o bilinguismo, a segunda língua oficial. Foram para Portugal estudar e voltaram.Portanto, é uma coisa difícil de ler. Repare nas contradições, não é? É o primeiro governo de tecnocratas, ou seja, não tem empresários de sucesso. Não tem as grandes famílias que herdaram as tradições de Macau como tiveram os governos anteriores. Foram todas afastadas pela primeira vez deste Governo.E, portanto, temos um governo mais nacionalista, mais tecnocrático, se quisermos, menos politizado e, contudo, mais bilingue. Qual é a questão curiosa? O bilinguismo, a plataforma com os países de língua portuguesa e Macau, Cidade aberta. No fundo, é um desenho tradicional de Pequim e foi desenhado pela política conservadora de Pequim... Que criou esta lógica para a reunificação, ou seja, para que a reunificação fosse pacífica e aceite pelas populações de Macau, de Hong Kong. E o grande elefante escondido que é Taiwan, não é ?Que é, no fundo, "Um país, dois sistemas": um sistema plural e constitucional em que há um arquétipo nacionalista chinês. Mas depois há graus de abertura elevados para as regiões que aceitem regressar à "mãe pátria", na expressão da política chinesa, portanto, este governo é as duas coisas.É um governo mais tecnocrata, menos politizado, mais nacionalista, mas também mais bilingue, mais plataforma e que se quiser, porque estas instruções são do centro. O plano das grandes famílias em Macau, durante os últimos 26 anos, foi enriquecer brutalmente para não sei quantas gerações, criando um paraíso de jogo e seu submundo que multiplicou por sete, oito, nove vezes as receitas de Las Vegas. Para termos noção, numa aldeia de 33 quilómetros quadrados. Portanto, nós estamos aqui a cumprir um desenho que é conservador, é tradicional, é do poder central.Cada vez mais se fala na necessidade de diversificação económica. Como é que ela é equacionada em Macau? E como  ?Quais são as alavancas possíveis?Ela está completamente definida. Ou seja, esta mistura entre a manutenção de um sistema capitalista que há em Macau e uma economia socialista dirigida, centralizada e com planos centrais. Ela está completamente definida por Pequim, imposta ao poder local e vai ser executada. A primeira questão que aconteceu no jogo é porque grande parte das receitas, uma enorme parte das receitas era do chamado mercado VIP, não era ?De pessoas que vinham jogar 10 milhões, 50 milhões, 100 milhões $ de Macau. Não. Eles vinham da China, muitas vezes sonegados ao Estado. Pequim impôs o fim disso, dos dealers, dos agentes dos "junkets" que dominaram a indústria do jogo durante 20 anos. E hoje Macau está completamente concentrado no "Mass Market" [Mercado de Massas]. Que os turistas vêm aos milhões. Estamos a falar de 33 milhões este ano, contas do dia 7 de Setembro. A recuperar todos os números pré COVID, houve 55.000 espectáculos da indústria "mass" este ano e convenções, concertos, teatros, etc.É turismo no sentido mais lacto da palavra, não necessariamente só receitas de jogo.Eu posso dizer "1+4". O jogo passa a ser uma cidade de turismo e lazer em que a oferta diária é multiplicada para "mass market", e não para mercados VIP. E depois há quatro indústrias onde há pacotes legislativos a nascer para a promoção dessas quatro indústrias, definidas como as indústrias que eles entendem, em que Macau será competitivo na sua integração regional.Ou seja, na Grande Baía, que é uma região económica especial que inclui nove cidades no sul da China: Cantão, Shenzhen, Hong Kong, Macau e Hong Kong são integrados nessa grande área...O Delta das Pérolas !O delta do Rio das Pérolas: 85% do PIB da China ! Ou seja, uma região para a qual o mundo inteiro quer vir. E Macau vai por decisão central, vai obrigar-nos a dizer: Quem é que não quer ir para um mercado desses quando está numa aldeia com 33 quilómetros quadrados, não é?Portanto, a diversificação vai ser feita pela integração na Grande Baía, pela multiplicação de contactos com os países de língua portuguesa, mediação entre a China e esses países.E depois tem quatro indústrias, de preferência: mercado MICE (concertos, grandes realizações de desporto e cultura, sobretudo). Portanto, o chamado mercado MICE, mais a alta finança, a biomédica e as novas tecnologias. Estas quatro indústrias estão perfeitamente definidas pelo poder central, aceites pelo poder local. E qualquer empresário hoje em Macau e estrangeiro, que venha a Macau, é para elas que olha. Porque essas vão andar a uma coisa que a gente tem que perceber na China eles não têm que dizer. E quando dizem, fazem. Portanto, estas vão acontecer.Dentro de 25 anos, a priori, Macau deixa de ser uma região administrativa especial para integrar plenamente a China. Passaram já 25 anos. Em que medida é que pode haver ou não alguma apreensão em relação ao respeito desta mini-Constituição, a Lei Básica de Macau, em relação ao respeito das liberdades e garantias ?Eu acho que é avisado todos nós estarmos sempre preocupados com a defesa das liberdades e das garantias individuais e colectivas em Macau. Não me parece que isso seja uma borla garantida, nunca para ninguém ! Muito menos num sítio onde ela é dada por excepção. Ou seja, é uma coisa que a China toda não tem.Na China há censura. Eu na China não poderia estar a dar esta entrevista. Daquilo que eu vejo hoje em Macau, eu diria que estaremos muito próximos do mesmo daqui a 25 anos daquilo que é o interesse da China.Pode haver mais liberdades. Pode haver mais contactos. Pode haver mais interacção com os países de língua portuguesa. Pode ser um canal ainda mais importante para as relações da China com o resto do mundo. Agora, isso depende de como evoluir a China.O que é que nós vemos hoje? Hoje a China tem bloqueios políticos e económicos, não é? Fala-se da Guerra Fria, Nova Guerra Fria, a guerra tecnológica, a guerra económica e os Estados Unidos pressionam a Europa para não ter relações de privilégio com a China. E  portanto, diremos o seguinte "Ah! Então a China está nesse "drive" negativo e, portanto, Macau e Hong Kong estão atrás disso? Não. Quanto mais problemas a China tem na sua economia, quanto mais necessidade tem de se internacionalizar, mais precisa dos canais para o Ocidente.Nós estamos a sentir isso hoje, aqui. As decisões políticas que a China tomar sobre as suas relações com o mundo vão definir as decisões que tomarão sobre estes territórios, sobre estas regiões autónomas, mas no "mindset" político chinês deles, claramente deles ! E eles tomaram as decisões que entenderem daqui a 25 anos. Tudo depende das relações que a China tiver com o resto do mundo.E em termos de população e da demografia, para terminar, eu sei que o COVID foi muito severo aí e que muita gente, após o fim do muito longo confinamento, optou por deixar Macau. Em que medida é que agora há, de facto, se calhar uma população de origem europeia menor? Uma população, se calhar de origem da China popular maior? Houve alguma evolução recente que testemunhou relativamente à demografia do território?Houve claramente alguma retirada de altos quadros estrangeiros e há muita dificuldade na obtenção do chamado "Bilhete de residente". Ou seja, um estrangeiro que queira viver para Macau tem que pedir autorização, como tem em França, como tem em Portugal. E, portanto, essa autorização de trabalho e de vida em Macau hoje é difícil. Porquê? Porque estamos numa cidade muito pequena, com 650.000 habitantes.E qual é o pensamento do poder político local se eles abrem as fronteiras não pode ser só para portugueses, franceses ou brasileiros. Mas se abrem as fronteiras, são engolidos por um monstro, um um mamute de 1.600.000.000 de pessoas. Com enorme competitividade, com enorme capacidade financeira, com enorme know how político. Estudados em Harvard, na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos. E, portanto, Macau é uma bolha muito proteccionista das suas próprias excepções. E, portanto, tem as fronteiras fechadas.É difícil quem não tem esse direito adquirido no passado, adquirir o direito de cá vir, investir, viver, trazer a família. E a grande discussão em Macau, mesmo entre os poderes políticos mais conservadores. é a necessidade de o abrir. Portanto, se me perguntar qual é a minha intenção na próxima década, vai aumentar o número de estrangeiros, nomeadamente lusófonos, porque isso está assumido pelo poder oficial.É preciso promover o bilinguismo, ou seja, a língua portuguesa no ensino básico, no ensino secundário. O Politécnico de Macau, neste momento ajuda 42 universidades na China continental a ministrar aulas de português. Com materiais didáticos, com consultorias e tal. E há uma enorme discussão sobre quais são as excepções a este fecho de fronteiras. Este ambiente protecionista dos direitos das pessoas que já cá vivem.Quais e como se podem criar excepções para aumentar a presença de quadros lusófonos e atrair investimento lusófono? Essa discussão é diária nos bastidores da política de Macau e nas discussões entre os políticos de Macau e os políticos de Pequim.Portanto, eu antevejo nos próximos anos um aumento das comunidades lusófonas, eu não diria de Portugal, mas pelo menos das comunidades lusófonas que queiram vir ou que tragam investimento ou que estejam disponíveis para aprender chinês, não é?Porque o bilinguismo também é uma coisa que é preciso perceber: nós continuamos aqui há 500 anos sem falar chinês. Quer dizer, exigir a um país que imponha o bilinguismo com eles a aprenderem português. É uma conversa que se vai tornando mais difícil e que faz menos sentido.E há muitos chineses que estão a aprender português na China. E, portanto, quando eu digo tem que haver mais bilíngues e há uma concordância estratégica nisso, eu diria que vai haver mais chineses a falar português. Isso vai ser dominante. Vai haver mais desses, do que gente a vir de Portugal ou de Angola para cá. Mas penso que vai haver as duas. Faz parte da estratégia, faz parte da narrativa. Está escrito e eles continuam a dizer que bem, não tem acontecido como queríamos, mas tem que acontecer.

Convidado
Macau a meio caminho na transição plena para soberania chinesa

Convidado

Play Episode Listen Later Dec 20, 2024 17:21


Macau assinalava nesta sexta-feira metade do processo de transição de Portugal para a China, 25 anos, de um total de 50, no âmbito de uma região administrativa especial chinesa, como negociado entre Lisboa e Pequim.E isto na semana em que uma lei foi votada em Macau contemplando o despedimento de funcionários públicos caso sejam tidos como desleais para com o território ou com a China.  Para fazer um diagnóstico falámos com Paulo Rêgo, director do semanário Plataforma.Este admite haver pressões no território para que se adopte um registo que não belisque a China, à luz do que Pequim implementou na vizinha Hong Kong, após a repressão dos protestos pró democracia de 2019 e 2020, mas relativiza o peso da nova legislação.Há um juramento e uma declaração de fidelidade à função pública, bem como hà em Portugal, ou como decorre dos próprios contratos de privada. Se um funcionário do Plataforma, do meu jornal, não for fiel ao meu projecto, eu despeço-o. E, portanto, é verdade que há e tem havido, nomeadamente nos anos do COVID e do pós COVID, um recrudescimento claro e visível do discurso securitário e do discurso patriótico.Isso esteve ligado ao que aconteceu em Hong Kong, nomeadamente ?Tudo o que aconteceu em Hong Kong teve uma consequência e efeitos directos do que passou a acontecer em Macau, nomeadamente no discurso securitário e naquilo que aqui hoje se repete em cada esquina que é "Macau, governado pelas suas gentes", desde que sejam patriotas e tenham amor à Pátria.O Gabinete dos Assuntos para Macau e Hong Kong, em Pequim, já diz tudo no seu nome. O grupo de pessoas que toma decisões sobre as Regiões autónomas especiais toma decisões sobre as duas.E, portanto, o que aconteceu em Macau, onde não há sentimento anti-nacionalista, onde não há protestos anti-Pequim, que é uma pequena cidade que vive completamente dependente de Pequim decidir que pode ter dinheiro. Não é porque se Pequim não deixar virem os jogadores para Macau, Macau vai à falência.Portanto estamos no regime de "Um país, dois sistemas". Diz-me que, ao fim ao cabo, não havia problemas em Macau. Eu lembro-me, porém, que no passado chegou a haver protestos para assinalar a repressão em Tiananmen. Estes protestos agora já não existem !Não há protestos de Tiananmen, eles foram proibidos com um parecer jurídico do presidente do Tribunal de última instância, que toma posse como chefe do Executivo. Como aquilo que aconteceu em Hong Kong com os deputados que foram proibidos de se candidatarem, não é?Os chamados dissidentes ou independentistas, aqueles que a China decidiu que não cumpriam os critérios de amor à mãe pátria. Isso também aconteceu em Macau. Também houve deputados nas últimas eleições que foram proibidos de concorrer. Portanto, isso aconteceu. É uma mão dura de Pequim sobre qualquer movimento político dissidente ou contestatário. Mas a minha leitura enquanto jornalista e enquanto cidadão é que para aí. Eu convido qualquer ouvinte vosso a ir à www.Plataforma de Macau, ler os editoriais que eu escrevo sobre a China e sobre Macau, para perceberem que tem o mesmo tom e o mesmo grau de liberdade daqueles que você pode escrever sobre o presidente francês.Não há uma censura óbvia e uma submissão a Pequim ?Há uma pressão, uma pressão óbvia dos poderes nacionais para que toda a gente concorde com eles. Penso que em França também percebemos como é que isso se faz, não é? A questão é quando nós recebemos pressões, o que é que fazemos? Se resistirmos a elas e continuarmos a praticar jornalismo... O meu jornal tem dez anos, ainda cá está e 80% dos seus anunciantes são públicos. Portanto, não posso, eria desonesto da minha parte dizer que não é possível exercer a liberdade de opinião. Há pressões para que a nossa opinião seja concordante como o "mindset" nacional chinês, há !Falou de Sam Hou Fai que tomou posse como novo líder do executivo macaense. Pelo menos a parte lusófona enfatiza o facto de, pela primeira vez, ser um chefe do executivo que até fala português. Ele é um magistrado, como também já referiu. O que acha que poderá vir aí com a Nova Era, a era de Sam Hou Fai ?Eu não lhe chamaria a era de Sam Hou Fai. O Sam Hou Fai não é um político experiente e influente naquilo a que nós poderíamos chamar os "stakeholders" da política de Macau neste momento, não é ? Que são as elites económicas e políticas de Macau e o grau de influência crescente que as elites económicas e políticas chinesas têm na condução da região, por mais autónoma que ela se chame e por mais autónoma que tenha capacidade de ser. A China é, no mínimo, "stakeholder" das decisões. Não é um político influente e experiente. É um magistrado. Sim. Fala português, estudou em Coimbra e, é, portanto, é o primeiro chefe do Executivo bilíngue.Aliás, num governo formado por um chefe do Executivo e cinco secretários, portanto seis altos quadros dirigentes: Um secretário adjunto em Macau seria o equivalente a ministro. Digamos, se encararmos o chefe do Executivo como primeiro ministro, desses, seis, quatro são bilingues.Desses seis, todos são tecnocratas, ou seja, vêm da função pública. E todos eles, e a maioria deles, pelo menos, nem sequer nasceu em Macau.O Sam Hou Fai não é só o primeiro bilingue, também é o primeiro que não nasceu em Macau. Veio para Macau há muitos anos e, portanto, cumpriu os critérios mínimos para que alguém possa ser eleito chefe. Tem que residir em Macau pelo menos há 25 anos, para cumprir aquele preceito de Macau governado pelas suas gentes. Mas foi preparado para isso.Toda esta geração é uma geração com muitas conexões com o Partido Comunista Chinês, com o poder central e que vieram viver para Macau, aprenderam aqui o modo de vida de Macau, a Lei de Macau, o bilinguismo, a segunda língua oficial. Foram para Portugal estudar e voltaram.Portanto, é uma coisa difícil de ler. Repare nas contradições, não é? É o primeiro governo de tecnocratas, ou seja, não tem empresários de sucesso. Não tem as grandes famílias que herdaram as tradições de Macau como tiveram os governos anteriores. Foram todas afastadas pela primeira vez deste Governo.E, portanto, temos um governo mais nacionalista, mais tecnocrático, se quisermos, menos politizado e, contudo, mais bilingue. Qual é a questão curiosa? O bilinguismo, a plataforma com os países de língua portuguesa e Macau, Cidade aberta. No fundo, é um desenho tradicional de Pequim e foi desenhado pela política conservadora de Pequim... Que criou esta lógica para a reunificação, ou seja, para que a reunificação fosse pacífica e aceite pelas populações de Macau, de Hong Kong. E o grande elefante escondido que é Taiwan, não é ?Que é, no fundo, "Um país, dois sistemas": um sistema plural e constitucional em que há um arquétipo nacionalista chinês. Mas depois há graus de abertura elevados para as regiões que aceitem regressar à "mãe pátria", na expressão da política chinesa, portanto, este governo é as duas coisas.É um governo mais tecnocrata, menos politizado, mais nacionalista, mas também mais bilingue, mais plataforma e que se quiser, porque estas instruções são do centro. O plano das grandes famílias em Macau, durante os últimos 26 anos, foi enriquecer brutalmente para não sei quantas gerações, criando um paraíso de jogo e seu submundo que multiplicou por sete, oito, nove vezes as receitas de Las Vegas. Para termos noção, numa aldeia de 33 quilómetros quadrados. Portanto, nós estamos aqui a cumprir um desenho que é conservador, é tradicional, é do poder central.Cada vez mais se fala na necessidade de diversificação económica. Como é que ela é equacionada em Macau? E como  ?Quais são as alavancas possíveis?Ela está completamente definida. Ou seja, esta mistura entre a manutenção de um sistema capitalista que há em Macau e uma economia socialista dirigida, centralizada e com planos centrais. Ela está completamente definida por Pequim, imposta ao poder local e vai ser executada. A primeira questão que aconteceu no jogo é porque grande parte das receitas, uma enorme parte das receitas era do chamado mercado VIP, não era ?De pessoas que vinham jogar 10 milhões, 50 milhões, 100 milhões $ de Macau. Não. Eles vinham da China, muitas vezes sonegados ao Estado. Pequim impôs o fim disso, dos dealers, dos agentes dos "junkets" que dominaram a indústria do jogo durante 20 anos. E hoje Macau está completamente concentrado no "Mass Market" [Mercado de Massas]. Que os turistas vêm aos milhões. Estamos a falar de 33 milhões este ano, contas do dia 7 de Setembro. A recuperar todos os números pré COVID, houve 55.000 espectáculos da indústria "mass" este ano e convenções, concertos, teatros, etc.É turismo no sentido mais lacto da palavra, não necessariamente só receitas de jogo.Eu posso dizer "1+4". O jogo passa a ser uma cidade de turismo e lazer em que a oferta diária é multiplicada para "mass market", e não para mercados VIP. E depois há quatro indústrias onde há pacotes legislativos a nascer para a promoção dessas quatro indústrias, definidas como as indústrias que eles entendem, em que Macau será competitivo na sua integração regional.Ou seja, na Grande Baía, que é uma região económica especial que inclui nove cidades no sul da China: Cantão, Shenzhen, Hong Kong, Macau e Hong Kong são integrados nessa grande área...O Delta das Pérolas !O delta do Rio das Pérolas: 85% do PIB da China ! Ou seja, uma região para a qual o mundo inteiro quer vir. E Macau vai por decisão central, vai obrigar-nos a dizer: Quem é que não quer ir para um mercado desses quando está numa aldeia com 33 quilómetros quadrados, não é?Portanto, a diversificação vai ser feita pela integração na Grande Baía, pela multiplicação de contactos com os países de língua portuguesa, mediação entre a China e esses países.E depois tem quatro indústrias, de preferência: mercado MICE (concertos, grandes realizações de desporto e cultura, sobretudo). Portanto, o chamado mercado MICE, mais a alta finança, a biomédica e as novas tecnologias. Estas quatro indústrias estão perfeitamente definidas pelo poder central, aceites pelo poder local. E qualquer empresário hoje em Macau e estrangeiro, que venha a Macau, é para elas que olha. Porque essas vão andar a uma coisa que a gente tem que perceber na China eles não têm que dizer. E quando dizem, fazem. Portanto, estas vão acontecer.Dentro de 25 anos, a priori, Macau deixa de ser uma região administrativa especial para integrar plenamente a China. Passaram já 25 anos. Em que medida é que pode haver ou não alguma apreensão em relação ao respeito desta mini-Constituição, a Lei Básica de Macau, em relação ao respeito das liberdades e garantias ?Eu acho que é avisado todos nós estarmos sempre preocupados com a defesa das liberdades e das garantias individuais e colectivas em Macau. Não me parece que isso seja uma borla garantida, nunca para ninguém ! Muito menos num sítio onde ela é dada por excepção. Ou seja, é uma coisa que a China toda não tem.Na China há censura. Eu na China não poderia estar a dar esta entrevista. Daquilo que eu vejo hoje em Macau, eu diria que estaremos muito próximos do mesmo daqui a 25 anos daquilo que é o interesse da China.Pode haver mais liberdades. Pode haver mais contactos. Pode haver mais interacção com os países de língua portuguesa. Pode ser um canal ainda mais importante para as relações da China com o resto do mundo. Agora, isso depende de como evoluir a China.O que é que nós vemos hoje? Hoje a China tem bloqueios políticos e económicos, não é? Fala-se da Guerra Fria, Nova Guerra Fria, a guerra tecnológica, a guerra económica e os Estados Unidos pressionam a Europa para não ter relações de privilégio com a China. E  portanto, diremos o seguinte "Ah! Então a China está nesse "drive" negativo e, portanto, Macau e Hong Kong estão atrás disso? Não. Quanto mais problemas a China tem na sua economia, quanto mais necessidade tem de se internacionalizar, mais precisa dos canais para o Ocidente.Nós estamos a sentir isso hoje, aqui. As decisões políticas que a China tomar sobre as suas relações com o mundo vão definir as decisões que tomarão sobre estes territórios, sobre estas regiões autónomas, mas no "mindset" político chinês deles, claramente deles ! E eles tomaram as decisões que entenderem daqui a 25 anos. Tudo depende das relações que a China tiver com o resto do mundo.E em termos de população e da demografia, para terminar, eu sei que o COVID foi muito severo aí e que muita gente, após o fim do muito longo confinamento, optou por deixar Macau. Em que medida é que agora há, de facto, se calhar uma população de origem europeia menor? Uma população, se calhar de origem da China popular maior? Houve alguma evolução recente que testemunhou relativamente à demografia do território?Houve claramente alguma retirada de altos quadros estrangeiros e há muita dificuldade na obtenção do chamado "Bilhete de residente". Ou seja, um estrangeiro que queira viver para Macau tem que pedir autorização, como tem em França, como tem em Portugal. E, portanto, essa autorização de trabalho e de vida em Macau hoje é difícil. Porquê? Porque estamos numa cidade muito pequena, com 650.000 habitantes.E qual é o pensamento do poder político local se eles abrem as fronteiras não pode ser só para portugueses, franceses ou brasileiros. Mas se abrem as fronteiras, são engolidos por um monstro, um um mamute de 1.600.000.000 de pessoas. Com enorme competitividade, com enorme capacidade financeira, com enorme know how político. Estudados em Harvard, na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos. E, portanto, Macau é uma bolha muito proteccionista das suas próprias excepções. E, portanto, tem as fronteiras fechadas.É difícil quem não tem esse direito adquirido no passado, adquirir o direito de cá vir, investir, viver, trazer a família. E a grande discussão em Macau, mesmo entre os poderes políticos mais conservadores. é a necessidade de o abrir. Portanto, se me perguntar qual é a minha intenção na próxima década, vai aumentar o número de estrangeiros, nomeadamente lusófonos, porque isso está assumido pelo poder oficial.É preciso promover o bilinguismo, ou seja, a língua portuguesa no ensino básico, no ensino secundário. O Politécnico de Macau, neste momento ajuda 42 universidades na China continental a ministrar aulas de português. Com materiais didáticos, com consultorias e tal. E há uma enorme discussão sobre quais são as excepções a este fecho de fronteiras. Este ambiente protecionista dos direitos das pessoas que já cá vivem.Quais e como se podem criar excepções para aumentar a presença de quadros lusófonos e atrair investimento lusófono? Essa discussão é diária nos bastidores da política de Macau e nas discussões entre os políticos de Macau e os políticos de Pequim.Portanto, eu antevejo nos próximos anos um aumento das comunidades lusófonas, eu não diria de Portugal, mas pelo menos das comunidades lusófonas que queiram vir ou que tragam investimento ou que estejam disponíveis para aprender chinês, não é?Porque o bilinguismo também é uma coisa que é preciso perceber: nós continuamos aqui há 500 anos sem falar chinês. Quer dizer, exigir a um país que imponha o bilinguismo com eles a aprenderem português. É uma conversa que se vai tornando mais difícil e que faz menos sentido.E há muitos chineses que estão a aprender português na China. E, portanto, quando eu digo tem que haver mais bilíngues e há uma concordância estratégica nisso, eu diria que vai haver mais chineses a falar português. Isso vai ser dominante. Vai haver mais desses, do que gente a vir de Portugal ou de Angola para cá. Mas penso que vai haver as duas. Faz parte da estratégia, faz parte da narrativa. Está escrito e eles continuam a dizer que bem, não tem acontecido como queríamos, mas tem que acontecer.

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Moçambique: "Tudo cabe à apreciação, em última instância, do Conselho Constitucional"

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Play Episode Listen Later Oct 25, 2024 11:54


A Comissão Nacional de Eleições de Moçambique divulgou ontem os resultados oficiais das eleições gerais de 9 de Outubro. De acordo com estes resultados, o candidato da Frelimo no poder, Daniel Chapo, foi eleito Presidente com mais de 70% dos votos, em segundo lugar ficou Venâncio Mondlane apoiado por um partido recente, o Podemos, que alcançou cerca de 20% dos votos, a Renamo, até agora principal força de oposição, recolheu quase 6% dos sufrágios e o MDM, chegou em quarta posição com pouco mais de 3% dos votos. Depois do anúncio dos resultados, o candidato declarado vencedor, Daniel Chapo disse que "quer ser o Presidente de todos os moçambicanos". Por seu turno, na oposição, Venâncio Mondlane declarou nas redes sociais que "estes resultados não reflectem a vontade popular" e apelou os seus apoiantes a dar continuidade aos protestos que ele convocou. O MDM e a Renamo também consideraram que estes resultados foram forjados e disseram que vão contestá-los junto das entidades competentes.Na rua, a tensão foi patente ontem à noite, nomeadamente em Maputo, mas sobretudo, na província de Nampula, no norte, onde as autoridades deram conta de um morto, sendo que terão sido detidas mais de 300 pessoas no âmbito dos protestos.Foi sobre este cenário que a RFI conversou com o cientista político e professor universitário Justino Quina que começa por recordar que os dados enunciados ontem não são definitivos e ainda precisam ser analisados pelo Conselho Constitucional.RFI: O que sobressai destes resultados, com a Renamo -tradicionalmente principal força de oposição- a ir para o terceiro lugar?Justino Quina: Os dados que foram anunciados ontem pela Comissão Nacional de Eleições não são definitivos no seu todo, porque, existindo alguma reclamação pela parte dos partidos políticos, no caso concreto do Podemos e do candidato que suporta, esses partidos têm espaço para que, existindo evidências práticas, todos esses elementos devem ser encaminhados para a última instância, o Conselho Constitucional. E o Conselho Constitucional poderá naturalmente apreciar, e existindo de facto, evidências que provem que tinha razão o Partido Podemos, mas sobretudo o candidato Venâncio Mondlane, penso que esses resultados poderão alterar, mas tudo isto cabe à apreciação, em última instância, do Conselho Constitucional. O outro ponto é com relação às manifestações, aos protestos. Temos suporte constitucional à manifestação pacífica. Os protestos são constitucionais no sentido de que todos os cidadãos têm direito de manifestarem quando entendem e as suas reclamações devem ser atendidas. E nós temos um historial no nosso país em que, de facto, as pessoas já apresentaram preocupações usando desse preceito constitucional. No meu entender, o que pode estar a falhar neste momento, é a maneira como esses protestos estão a ser levados a cabo. Porque quando há vandalismo, isto é mau e nós temos que encontrar formas de repudiar isto, mas também apelar aos próprios manifestantes que não usem este mecanismo. Olhando para aquilo que poderá acontecer em termos de configuração da própria política nos próximos tempos, a se confirmarem esses resultados, nós teremos aqui uma reconfiguração do próprio Parlamento, em que vamos ter o Podemos como a segunda força política. Teremos uma ruptura daquilo que nós fomos tendo no nosso Parlamento ao longo do tempo em que, no início, quando começou o parlamento multipartidário, tivemos a Frelimo e a Renamo como as maiores forças políticas, embora tivesse ali um ou outro partido, como a União Democrática. Mas depois tivemos a entrada do Partido do Movimento Democrático de Moçambique, o MDM. Tivemos três forças políticas, mas nestas eleições, nós temos um estreante que se chama Podemos. O que que significa? Significa que nós, de forma tácita, estamos aqui a verificar o fim da dicotomia que sempre vivemos na nossa política, entre a Frelimo e a Renamo. E nessas eleições, temos essa surpresa em que a Renamo cai em termos de assentos no Parlamento. Significa que nós temos uma mudança de estruturação do nosso parlamento. Então, esse é o cenário que se desenha neste momento, enquanto não temos os resultados definitivos ou aqueles que são deliberados pelo Conselho Constitucional. Mas neste momento, esta é a realidade que nós temos na política moçambicana. RFI: A confirmar-se este cenário, como é que explica a emergência de uma formação extraparlamentar como o Podemos e também de uma figura que até há uns anos atrás não era conhecida, como é o caso de Venâncio Mondlane? Justino Quina: O que é que está a acontecer na política moçambicana? Ela está a evoluir cada vez mais. Há exigências a que a própria política não está a conseguir responder que têm a ver, por exemplo, com os jovens. E isso requer que também os próprios partidos políticos também compreendam a necessidade de melhor abordarem a política, mas sobretudo a maneira de fazer a política. O que se verificou ao longo do tempo é que, por exemplo, a Renamo não conseguiu dar respostas concretas àquilo que os próprios eleitores vinham dando sinais. Note o que aconteceu para o caso do partido Podemos. Era um partido sem muita expressão, mas por conta do Venâncio, que é o candidato independente que antes esteve na Renamo. Todos aqueles que acompanharam aquilo que aconteceu dentro do partido Renamo, a maneira como a política foi feita, sobretudo as eleições internas, o Congresso que foi realizado na Zambézia, em que dividiu praticamente a própria Renamo, houve muita contestação, não só a nível interno do próprio partido, mas também aqui a nível externo. As pessoas não ficaram satisfeitas por ter sido Ossufo Momade a ser escolhido como o candidato presidencial da Renamo, mas também presidente do partido. Isso fez com que alguns simpatizantes acompanhassem o Venâncio Mondlane para todos os sítios onde ele foi. Tudo isto de forma conjugada, olhando para aquilo que acontece na política nacional, fez com que o partido Renamo e também o partido do Movimento Democrático perdessem muito apoio. Exactamente pela dificuldade de fazer gestão interna dos processos. E aí eles acabaram perdendo esta franja significativa de eleitores. O que é que se espera para o futuro? Vamos ter um parlamento com quatro partidos políticos, mas é importante que esses partidos políticos possam ir ao Parlamento discutir as grandes questões que preocupam os cidadãos. Porque se esses resultados que indicam uma erosão de votos da Renamo e do MDM, significa que há um trabalho de casa que deve ser feito pela Renamo e pelo MDM, de modo a responder ao que não esteve bem. Para o caso concreto do partido Frelimo, também ele deve se reposicionar. Deve encontrar também mecanismos e também ir respondendo às demandas sociais. Fala-se muito, por exemplo, de questões ligadas ao combate à corrupção. É importante que o próximo governo, mas sobretudo o próximo Presidente, olhe para essa questão. Há um conjunto de preocupações também dos jovens, como, por exemplo, de emprego, como, por exemplo, de habitação. Significa que o próximo governo também deve trabalhar para responder a essas dinâmicas, porque é isto que tem vindo a preocupar a camada juvenil, que é a franja significativa quando se trata de processos eleitorais em Moçambique. RFI: A União Europeia incita a Comissão Nacional de eleições a publicar a totalidade dos resultados, algo que é também reclamado pela oposição. Julga que o Conselho Constitucional vai adoptar uma posição mais crítica em relação aos resultados?Justino Quina: É importante porque é a última instância. Cabe ao Conselho Constitucional, por ser a última instância, apreciar com muita seriedade, apreciar com muita serenidade, com competência necessária. Ontem, quando o bispo Dom Matsinhe (Presidente da CNE) apresentava os resultados da Comissão Nacional de Eleições, ele próprio reconhecia que de facto há algumas irregularidades. Mas como Comissão Nacional de Eleições, não cabia àquela instância dirimir todas aquelas que são as irregularidades. É o que ele disse ontem. Então, com base em tudo aquilo que os partidos políticos reuniram, em tudo aquilo que os candidatos também reuniram como provas, então, existindo matéria, é preciso que o Conselho Constitucional olhe com muita competência, analise com muita frieza e depois traga a resposta que venha, não diria beneficiar, mas que venha dar alento para qualquer um que é reivindicante. Então, a minha expectativa é essa por ser a última instância. Os dados que foram apresentados ontem nunca devem ser considerados como definitivos, porque são da Comissão Nacional de Eleições. Mas depois temos uma outra instância, que é, afinal, a última que cabe a ela trazer a última palavra.RFI: A seu ver, o que é que vai acontecer nestes próximos dias? Venâncio Mondlane apelou os seus apoiantes a dar continuidade às manifestações. Julga que os próximos dias vão ser confusos, como têm sido até agora?Justino Quina: Até aqui os dias estão confusos. Note que nós tivemos uma paralisação das actividades muito antes do anúncio dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições. Algumas instituições públicas trabalharam até ao meio-dia. Houve algumas que, de facto, foram até o fim do dia, mas algumas trabalharam até ao meio-dia. As instituições privadas praticamente não abriram. Os mercados andam sem os próprios comerciantes. Significa que estamos numa situação que não é saudável para o nosso contexto, tendo em conta que, independentemente daquilo que está a acontecer, quando nós estamos numa situação em que as actividades laborais estão paralisadas, quando a economia não flui, isso é mau para o país, é mau também para nós como sociedade. Como cientista político, apelo que existam, por parte dos actores políticos, uma serenidade, mecanismos de diálogos muito mais alargados, mas, acima de tudo, que esses actores políticos e de forma específica, o candidato Venâncio Mondlane, é importante que lance uma mensagem de maior serenidade aos seus apoiantes. Porque o que está a acontecer neste momento não é salutar. Repare só, algo que acontece no nosso contexto, nós somos um país com um passado de guerra que provém desde o colonialismo. Depois, passámos por uma guerra civil, depois tivemos o ressurgimento de outros conflitos. Quer dizer, este país precisa de muita paz. Este país precisa de muita concórdia. Esse país precisa de muita harmonia. Quando nós temos concidadãos nossos que saem à rua, estragam infra-estruturas, refiro-me a estradas, por exemplo, vão queimando isto e aquilo, isto tem consequências muito nefastas para o próprio país. É muito caro fazer uma reconstrução para este tipo de atitudes, para este tipo de situações. É muito caro para o país, porque nós estaremos só a regredir.

Radio EME
Scarpín exige que el estado nacional repare la Ruta 11

Radio EME

Play Episode Listen Later Oct 9, 2024 9:04


Se trata de un reclamo histórico que llega a la Justicia Federal.

el estado exige la ruta repare estado nacional justicia federal scarp
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França: “Extrema-direita às portas do poder”, mas “esquerda tem margem de manobra”

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Play Episode Listen Later Jul 1, 2024 14:16


A França está a viver um “momento histórico capital”, resume o filósofo Diogo Sardinha, olhando para os resultados da primeira volta das legislativas em França. O académico diz que “o resultado é muito inquietante” porque “se vê a extrema-direita neofascista às portas do poder”, com graves consequências internas e internacionais, mas acredita que “a esquerda tem margem de manobra” para a segunda volta de 7 de Julho. “Há momentos históricos que são capitais”, alerta o filósofo Diogo Sardinha ao olhar para os resultados da primeira volta das eleições legislativas deste domingo em França. A União Nacional, de extrema-direita, e os seus aliados, venceu com 33,1% dos votos, ultrapassando a Nova Frente Popular, de esquerda, que obteve 28% dos votos, e o movimento Juntos pela República, do Presidente Emmanuel Macron, que reuniu 20% dos votos.O filósofo da Universidade de Lisboa avisa que “o resultado é muito inquietante” porque “se vê a extrema-direita neofascista às portas do poder” em França, o que pode levar a “um enfraquecimento da estrutura da União Europeia”. Porém, ainda que esta primeira volta seja “um balde de água fria” para a Nova Frente Popular, Diogo Sardinha acredita que “a esquerda tem margem de manobra” para a segunda volta no próximo domingo, 7 de Julho.RFI: Cerca de dez milhões de franceses votaram pela extrema-direita. Como descreve este resultado da primeira volta das eleições legislativas em França?Diogo Sardinha, Filósofo: "O resultado é muito inquietante por dois motivos. Primeiro, por aquilo que expressa em relação ao sentimento da população francesa e, por outro lado, pelo risco que representa de realmente haver uma mudança de governo que seja um governo da extrema-direita neofascista. Só para dar um exemplo, quando se vê o Jordan Bardella, representante da União Nacional - que é o mesmo nome do partido de Salazar em Portugal na ditadura - quando o vemos vestido de fato cinzento escuro, gravata negra, cabelo curto, risca ao lado, ar marcial, isso é a estética fascista e nazi. É preciso dizer as coisas tal como são."Isso é a forma. Vamos ao conteúdo. "Mas é que a forma é essencial! Quando se pensa nos regimes fascistas, quando se pensa nos regimes históricos - em Portugal aconteceu o mesmo, aconteceu na Alemanha, aconteceu na Itália - são regimes da estética. Se viu ontem a conferência de imprensa, a primeira parte em que o Bardella toma a palavra, nem a parte vermelha da bandeira francesa aparece. O fundo é cinzento claro, ele está vestido de cinzento escuro, gravata preta. Veja o corte de cabelo dele e compare um bocadinho com o corte de cabelo dos dirigentes nazis: cabelo curto, sem patilhas, risca ao lado. É exactamente a mesma estética e aquilo não é um acaso. Eles sabem que aquele tipo de estética, em certos momentos da sociedade, tem um poder sedutor. Portanto, nós que sabemos isso, quando vemos essa estética reaparecer hoje, temos que saber que há uma reclamação directa da história da parte daquelas pessoas. Aquilo é mais do que uma piscadela de olho ao passado, aquilo é um recuperar, é um assumir de uma estética que é uma estética ligada a um certo regime político."Qual regime político?"Um regime político fascista e, em França, um regime político de colaboração com o nazismo. Claro, isso é evidente."Sociologicamente, o que é que explica esta vitória da extrema-direita? Há pouco disse que expressa algo em relação à população francesa. O que é? Uma crise de representação daqueles que não se sentem representados em França, que se sentem esquecidos?"Primeiro, deixe-me dizer uma coisa: não é toda a população francesa que vota pela União Nacional. Isto é muito importante dizer. Há um grupo importante de pessoas, um grupo crescente de pessoas que vota e que assume explicitamente as suas escolhas no discurso quotidiano. Nós que estamos ligados ao mundo lusófono, não podemos esquecer-nos do que aconteceu no Brasil nos últimos 10, 15 anos. Houve realmente uma massa de população em conjunto com certos poderes, o poder dos media, o poder judicial que levou Bolsonaro ao poder e o bolsonarismo. Houve muita gente que lutou contra isso e até agora, pelos vistos, conseguiram recuperar. Portanto, não são os franceses que estão a votar pelo fascismo e pela União Nacional."Ainda assim, é um terço… São 33% dos votos expressos na primeira volta…"33% de 65% da população. Não foi a população toda que votou. E depois, se juntar os votos da Nova Frente Popular com os votos do partido de Macron, etc, supera largamente os votos da União Nacional. Portanto, não é a maioria dos franceses. Agora, é claro que é uma parte importante dos franceses que vota e que está profundamente descontente. Um descontentamento que vai crescendo há vários anos e que explodiu nos últimos anos com a política seguida pelo Emmanuel Macron. Isso é evidente. Quer dizer, quando ele apresenta o programa dele em 2016, para a primeira eleição de 2017, que é um programa de liberalização de tudo e mais alguma coisa, pronto, aqui estamos, oito anos mais tarde, sete anos mais tarde, a ver os efeitos."O que é que o terceiro lugar do movimento do Presidente, “Ensemble pour la République” [Juntos pela República], representa? O Presidente Emmanuel Macron abriu as portas do poder à extrema-direita?"Bom, isso já sabíamos que ele estava a abrir as portas do poder à extrema-direita no momento em que ele decidiu dissolver a Assembleia, portanto, isso não é propriamente uma novidade. Ele é intocável, ele é Presidente da República, será Presidente da República até 2027, de qualquer modo, não pode ter novo mandato. Agora, a política dele, a política de liberalização de tudo, dos serviços, de tudo pôr em concorrência a todos os níveis, essa política vemos bem que não era aquilo de que a França precisava e não é aquilo que torna as pessoas satisfeitas. Pelo contrário, a França não precisava daquilo. Repare até nos défices orçamentais franceses que explodiram e que são censurados pelas instâncias da União Europeia. Por outro lado, a população continua descontente e tão descontente que se volta agora para o extremo oposto, digamos assim."A Nova Frente Popular aparece em segundo lugar na primeira volta. Juntou todas as forças de esquerda, ainda assim, não foi suficiente para bater a extrema-direita. Isto é o quê?  Um balde de água fria? Era o esperado? Ou os dados ainda não estão todos jogados e ainda se pode esperar uma mudança na segunda volta?"Eu penso que é tudo isso ao mesmo tempo. Em relação ao que vai acontecer, por um lado, não podemos saber e, por outro lado, como disse quando falei há pouco do exemplo do Brasil e há outros exemplos, é preciso nunca perder a esperança que há a possibilidade de a situação não se tornar completamente dramática. E é preciso bater-se para isto. As pessoas desses partidos da esquerda da Nova Frente Popular batem-se, com certeza, nesse sentido. Claro que é um balde de água fria porque se vê a extrema-direita neofascista às portas do poder e, ao mesmo tempo, tudo isto já era esperado. Quer dizer, é uma receita que já está sendo cozinhada há bastante tempo. Nós sabemos que, a dada altura, o prato vai estar pronto e o prato agora está pronto e está prestes a ser servido. Vamos ver se ainda conseguimos impedir a coisa ou não."As projecções dos institutos de sondagens antecipam uma larga maioria relativa de, pelo menos, 240 assentos parlamentares para a extrema-direita ou mesmo uma curta maioria absoluta [que começa com 289 deputados em 577]. Isto são só projecções, mas o que é que se pode esperar da segunda volta no domingo? A esquerda ainda tem margem de manobra?"A esquerda tem margem de manobra. Resta agora saber como é que se vai comportar o eleitorado do centro, os 20% de pessoas que votaram pelo partido de Macron. Há algumas outras, de menor percentagem, que votaram pelo centro-direita, por aquela direita republicana. Essa própria direita republicana está muito dividida. Uma parte delas vai votar na União Nacional e depois vamos ver como é que se comportam as pessoas.Agora repare, há muita gente que faz política e que está na política institucional, que já está a dizer que não vai inteiramente apoiar a união de esquerda por vários motivos que eles vão explicando. É claro que alguns desses motivos podem até ser sérios, mas há outros motivos que são tácticos. São pessoas que já estão a ver que a União Nacional vai governar ou vai ter um peso importante e elas querem estar bem com essas pessoas. Algumas dizem-no explicitamente - como o presidente d'Os Republicanos, o antigo partido de Sarkozy, que rompeu e levou uma parte do partido para a União Nacional. E depois há outros que moderam o discurso porque, no fundo, não se querem comprometer."À esquerda, os líderes políticos apelaram aos candidatos para abandonarem, no caso de triangulares, para evitarem a vitória da extrema-direita. Ao centro e direita, o partido de Macron apelou a uma “frente republicana” contra a extrema-direita, mas sem precisar se isso inclui a França Insubmissa, que faz parte da Nova Frente popular, quando no seu partido e também n'Os Republicanos, várias personalidades se manifestaram contra o voto na França Insubmissa. Isto mostra uma grande divisão que também deve deixar os eleitores confusos. Que comentário faz?"O comentário que isto merece e que há momentos históricos que são capitais. Na vida quotidiana, as coisas vão andando um bocadinho mais à direita, um bocadinho mais à esquerda, muita gente vai sofrendo com problemas económicos, etc. Depois, há momentos capitais, há momentos em que as coisas - de repente e infelizmente para nós todos - começam a aparecer entre o branco e o negro. E nesses momentos é preciso saber de que lado é que estão as pessoas. Estamos a viver um momento desses e veremos o que acontece, como é que cada um tomará as suas posições. Há muita gente de um centro direita clássico, como o Dominique de Villepin, que foi primeiro-ministro de Jacques Chirac, que já disse que é preciso votar contra a União Nacional. Depois há outros que dizem é preciso votar, mas não votando na França Insubmissa… São maneiras de distrair e dizer que eu estou do lado dos bons, mas também não em excesso. São pessoas que estão a pensar no que virá depois e que não querem estar em más relações com a família Le Pen. A política também é feita disso. A política também é feita dos interesses comezinhos de uns e de outros, para quem a história não é muito importante, o que é importante são as suas carreiras e os seus estatutos e os seus salários."A estratégia da direita e da extrema-direita tem consistido, de certa forma, em “diabolizar” Jean-Luc Mélenchon, o líder da França Insubmissa, apresentado como uma ameaça. Não seria mais simples que ele se retirasse, por exemplo, dos nomes possíveis para primeiro-ministro em caso de vitória da esquerda? "Não sei e não creio que ele o faça. O que é importante é ver o seguinte: claro que a extrema-direita tem que encontrar inimigos para dizer: “Atenção, aqueles são o perigo, o senhor Mélenchon é o perigo, ele e os dele, os da França Insubmissa. Isso é o papel da extrema-direita, encontrar o seu inimigo, seguindo a velha lógica da política como amigo inimigo, encontra o seu inimigo e depois tenta destruí-lo. Ora, o que é preocupante é que as pessoas que não estão ainda na extrema-direita ou que não querem estar na extrema-direita não rompam com este discurso, que é o discurso do Macron que diz que “há dois extremos e um ou outro nos conduz à guerra civil”. Isto é falso! Isto é uma estratégia politiqueira que não funciona e ainda por cima é falsa. Isto só serve para aumentar a inquietação e as tensões na sociedade. E isto prejudica claramente a política nacional e, por conseguinte, porque se trata da França, a política europeia e internacional também."Quando começámos esta conversa, começou por falar do perigo que poderia representar um governo de extrema-direita em França. Ora, pela primeira vez na história, em França, os franceses estão a ponto de escolher pelas urnas um primeiro-ministro de extrema-direita. O que é que isto representa para a História de França? "Bom, para a História da França, o que pode representar, no curto prazo, é um endurecimento das políticas em vários domínios: o endurecimento da política da imigração, o endurecimento da política de estabilização da sociedade pela atribuição de subsídios e de apoios aos mais desprotegidos. De qualquer modo, quem for governar vai ter um défice orçamental importante e eu não sei como é que vai resolver isso.Eu penso que vai haver um enfraquecimento da estrutura da União Europeia. A França é um dos países-chave da estrutura da União Europeia e nós sabemos que esta extrema-direita neofascista não é apologista da União Europeia porque é precisamente apologista do nacionalismo. É por aí que eles fundam os seus argumentos e é por aí que conseguem também captar votos. Muita gente cai no erro de pensar que é voltando à nação de antigamente e acabando com a imigração que se resolvem os problemas dessas pessoas, quando não é. Qual é o país europeu hoje da Europa ocidental, que pode viver sem imigração? Os nacionais não têm mais filhos, têm um filho, têm dois. Quem é que vai trabalhar na construção civil? Quem é que vai trabalhar nas limpezas? Quem é que vai fazer esses trabalhos pouco qualificados? São os imigrantes. Como é que um país funciona hoje sem esse tipo de trabalho e sem esse tipo de mão-de-obra que, ainda por cima, é mão-de-obra explorada e mal paga?"Em termos internacionais, esta é a primeira vez que há esta possibilidade de um grande país europeu fundador poder adoptar um partido anti-europeu à frente do Governo. Já tínhamos, por exemplo, a Itália, a Hungria, agora temos o espectro norte-americano do regresso de Donald Trump. Que consequências para a Europa e para o mundo, nesta altura, se a França tiver um Governo e um Primeiro-Ministro de extrema-direita? "Falar do mundo é uma coisa muito vasta que não podemos fazer em três minutos, mas podemos falar um pouco da Europa. Houve um momento de abertura, de estabilização, de construção de um Estado social relativamente forte, com uma segurança social, com apoios. Porque o drama da guerra foi imenso, a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, mas consideremos, como fazem alguns historiadores, que é uma guerra de 30 anos que começa em 1914 e termina em 1945. Houve tantos milhões de mortos, houve tantos crimes, houve tantos extremos que depois disso, conseguimos ter 70 anos de paz e de, mais ou menos, tranquilidade. Pode ser que esse ciclo, que nunca se viveu na história da Europa, esteja a terminar. Quer dizer, não vai terminar hoje ou amanhã, mas há cada vez mais sinais de que, por diversos motivos, há um fechamento da Europa, um fechamento de alguns países sobre si mesmos. As consequências que daí advirão, a médio e longo prazo, receio que sejam trágicas. Mas, cada dia é um dia e é, por isso, que é preciso não antecipar os resultados das eleições francesas que ocorrerão no domingo."

Em directo da redacção
"Perante o populismo, o principal desafio é que a democracia funcione melhor"

Em directo da redacção

Play Episode Listen Later Jun 17, 2024 7:56


O Senado francês recebeu na sexta-feira a segunda reunião da Internacional Democrata do Centro África (IDC-África). No evento participou o primeiro-ministro cabo-verdiano e presidente da IDC-África. Perante "os ataques à democracia, populismo e extremismo, o principal desafio é que a democracia funcione cada vez melhor", defendeu Ulisses Correia e Silva. RFI: Quando falamos de democracia, quais são os desafios que enfrentam os países africanos? Ulisses Correia e Silva: Um dos grandes desafios é fazer com que a democracia funcione cada vez mais e melhor em África. Há desafios importantes num contexto em que o mundo também está complicado nesta matéria; com ataques à democracia, populismo, extremismos, maus exemplos que vêm também do Ocidente, que acabam por contagiar negativamente aquilo que são as perspectivas da democracia, nomeadamente que contagiam negativamente aqueles que não querem ir pela via da democracia. Nós, aqui na IDC-África, somos muito claros relativamente às questões do contexto global de que a maior melhor resposta aos ataques à democracia é haver mais e melhor democracia, boa governança, liberdade e fazer com que as instituições funcionem e que não seja apenas realizar eleições, mas que essas eleições reflictam aquilo que é a vontade popular quer dizer: tem que haver sistemas credíveis. Depois é preciso que a justiça funcione como um instrumento de recurso a eventuais conflitos, muitas vezes esses problemas de conflitos internos desembocam em conflitos mais graves e às vezes um golpe de Estado, acontecem porque não há confiança no sistema, não há confiança nas instituições. Você vai às eleições e sabe que se perder tem que aceitar, mas se tiver dúvidas, há recurso e esse recurso é por tribunal eleitoral - não pode depois criar condições para que faça depois a justiça na rua ou a Justiça através da força das armas. Há que pôr as instituições de facto a funcionar com credibilidade. Depois é a questão das próprias liberdades, o problema foi discutido aqui porque não é só fazer eleições, é garantir que todos estão em pé de igualdade, que a comunicação social seja acessível para todos, que haja pluralismo, que haja transparência no uso dos recursos públicos; relativamente a quem está no poder e quem está na oposição. Todas estas matérias conformam a necessidade de termos de facto sistemas muito mais fortes.Na conferência foi evocado o facto de não haver pluralismo político, nomeadamente em Moçambique e Angola. Cabo Verde foi dado como um exemplo em termos democráticos, na África lusófona?Em Cabo Verde,  nós tomamos uma opção desde desde 1991, quando fez a mudança substancial de ruptura do regime de partido único para democracia. A  Constituição de 1992 tem uma arquitectura muito forte. Por isso que os poderes são equilibrados em Cabo Verde, ninguém tem poder absoluto ou excesso de poder que não seja regulado. Temos o governo que governa, temos o Presidente da República com as suas competências e temos o Parlamento. Depois temos a Justiça que funciona e, mais do que isso, temos o controlo social, porque não há nenhum poder que não tenha que ser controlado, fiscalizado pela cidadania, pela comunicação social que faz o seu papel, pelos partidos políticos que fazem a oposição, isto é que torna a democracia cabo-verdiana forte. Para além disso, nós temos um outro factor também de check in balance, que é a nossa diáspora, que se interessa muito pela política nacional, que elege seis deputados no Parlamento e que tem os olhos também colocados sobre a democracia cabo-verdiana. Por isso é que nós temos um sistema que é uma opção e tem estado a funcionar bem.De que forma é que interpreta estas afirmações de partidos que estão no poder há quase 50 anos, como é o caso do MPLA em Angola, como é o caso da Frelimo em Moçambique?Cada país tem que resolver os seus os seus próprios problemas. Repare, a democracia pressupõe alternância e a alternância pressupõe criar condições para que o sistema democrático funcione mesmo se um partido ganhar várias vezes e se ganhar dentro do quadro do jogo democrático, dentro dos quadros de transparência, do quadro participação, o quadro de pluralismo pode não ser um problema. O problema é se as condições estão criadas para que isso aconteça. Por isso nós estamos em crer que este aqui é um desafio e que, como nós constatamos na conferência, não há melhor solução do que ter democracias credíveis, ter sistema de boa governança, porque os países não funcionam apenas com instituições e com políticas, funcionam com pessoas. É preciso que as pessoas estejam motivadas, se sintam parte, que não se sintam frustradas, enganadas no funcionamento do sistema democrático. Isto faz mover forças que fazem o desenvolvimento acontecer.Esta conferência lembra a necessidade de haver democracias sólidas e a necessidade de haver desenvolvimento pela via democrática?Sim, sim, é isto. As coisas estão interligadas. Democracia é desenvolvimento. Depois há um factor de segurança que foi aqui também discutido e que está cada vez mais interligado num mundo que está a pôr tudo em causa; o pós verdade, a  chamada política quântica que relativiza tudo. Às vezes mistura aquilo que é a democracia dita liberal, quando não é liberal e as coisas não podem ser tudo e o seu contrário. Por isso é que nós temos a intenção de nos focar nos princípios e valores essenciais que caracterizam a democracia, seja ela ocidental, africana, asiática. É na defesa e na protecção desses valores que nós trabalhamos.Foi também questão de paz e segurança aqui naconferência. De que forma observa a configuração de paz e segurança na Rússia e Ucrânia?Nós esperamos que se encontre uma solução. Cabo Verde posicionou-se de uma forma muito clara desde a primeira hora:  Defendemos valores de defesa, de soberania, de integridade territorial dos países, de democracia, da livre expressão da vontade dos cidadãos. A guerra não é solução para nada só provoca destruição, morte e estamos também empenhados para que de facto, pelo menos desejosos, de que se consiga a paz na Ucrânia.Cabo Verde participa na Conferência de paz na Suíça Cabo Verde e tem apelado, por várias vezes, a uma posição unânime no quadro da CPLP relativamente à invasão russa na Ucrânia.Cada país tem o seu posicionamento e o posicionamento de Cabo Verde é claro. Nós somos consistentes e coerentes no nosso posicionamento. Agora, os outros países terão e têm expressar as suas posições. A CPLP, enquanto organização da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, não tem a pretensão de uniformizar ou padronizar as posições geopolíticas que cada país está empenhado fazer. Portanto, seria o ideal, de facto, que houvesse convergência, mas não é imposto.Foi aqui referido também por vários intervenientes, o facto de haver muito financiamento à Ucrânia e de não acontecer o mesmo quando há outros conflitos que decorrem em simultâneo, como é o caso na RDC, no Sudão. Como é que isto se explica?Todos os conflitos devem ter a sua devida atenção, mas são também diferentes. É claro que há, de facto, riscos geopolíticos relativamente à invasão da Rússia a Ucrânia. O problema não só na Europa, mas contagia depois o resto do mundo. E há conflitos que precisam de ser também devidamente tomados em conta para se poder ter encontrado também as vias da paz.

Convidado
“Que força é essa” Sérgio Godinho?

Convidado

Play Episode Listen Later Apr 27, 2024 31:05


Sérgio Godinho criou canções que são símbolos de liberdade e de resistência, mas não se revê na etiqueta de música de intervenção. Diz simplesmente que se limita a falar da vida. Nos 50 anos do 25 de Abril, convidámos o músico, cantor, compositor, poeta, escritor, actor, “homem dos sete instrumentos”, para falar sobre os tempos da ditadura, do exílio e da criação dos seus primeiros discos. Sérgio Godinho é o nosso convidado desta edição, no âmbito das entrevistas que temos publicado em torno dos 50 anos do 25 de Abril.Foi em Paris que o músico começou a espelhar as dores e as esperanças dos “Sobreviventes” à ditadura portuguesa. Tinha deixado Portugal em 1965 com “sede de ter mundo” e porque estava determinado em não ir para a guerra colonial. Diz que encontrou a sua voz em português em Paris e foi aí que gravou os dois primeiros discos, “Os Sobreviventes” e “Pré-Histórias”. Ambos no Château d'Hérouville, onde José Mário Branco gravou “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, em que Sérgio Godinho também participou e onde Zeca Afonso gravou o álbum "Cantigas do Maio", nomeadamente a “Grândola Vila Morena”.Sérgio Godinho esteve nove anos fora de Portugal durante a ditadura. Estudou psicologia em Genebra, trabalhou na cozinha de um barco holandês enquanto atravessava o Atlântico, viveu, entre tanta coisa, o Maio de 68 em Paris e no 25 de Abril de 1974 estava em Vancouver, no Canadá.Cinquenta anos depois da Revolução dos Cravos, vamos tentar perceber “que força é essa”, a da música e a das palavras de Sérgio Godinho, que fazem com que as suas canções sejam parte do imaginário colectivo da banda sonora das lutas do antes e do pós-25 de Abril.  RFI: Os seus dois primeiros discos, “Os Sobreviventes” e “Pré-Histórias”, são discos emblemáticos da canção de intervenção. Foram gravados em França. Qual era o estúdio e como é que decorreu toda esta fase? Sérgio Godinho, Músico: Foram gravados em Paris. O meu primeiro disco foi de 71. Quer dizer, gravei em 71. Gravei os dois discos antes do 25 de Abril, “Os Sobreviventes” e depois o “Pré-Histórias”. No “Pré-Histórias” já não estava a viver em França, estava a viver em Amesterdão, mas vim a França para gravar no mesmo estúdio.Eu depois vou falar desse epíteto "canção de intervenção", mas, para já, esse estúdio foi um estúdio que o Zé Mário [José Mário Branco] descobriu. É um estúdio que estava a estrear nos arredores de Paris, chamado Château d'Hérouville, onde também o Zeca [Afonso] gravou e onde se gravou o “Grândola Vila Morena”. Onde os Stones gravaram, o Elton John até tem um disco chamado “Honky Château”, que é uma homenagem, onde muitos depois gravaram porque era um estúdio que estava num sítio isolado e estava-se num bom ambiente.Agora, como parêntesis ou não, quanto a esse epíteto de canção de intervenção, isso é uma coisa que só surgiu a seguir ao 25 de Abril. E também que foi de vida muito curta, mas que deixou uma espécie de rasto como os cometas porque eu nunca compreendi muito bem e nunca me identifiquei muito bem com esse termo, canção de intervenção. Eu acho que é extremamente restritivo. O que é que é intervenção? Nós intervimos a vários níveis, não é?Prefere canção de protesto? Mas pode não ser de protesto. "A Noite Passada", que está no segundo disco, ou o "Pode alguém ser quem não é" não são de protesto. Algumas são canções que têm uma componente social, e até política, mas, sobretudo, são canções que contam o que é a vida e que contam muitas vezes histórias, têm muitas personagens. As minhas canções são canções também de interrogação, de percurso. Há muitas interrogações nas minhas canções. "Pode alguém ser quem não é" ou, nesse disco também, o "Barnabé". “O que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?” é uma interrogação e as respostas são dadas pelas pessoas que ouvem e parte das respostas são dadas por mim.Só para dizer que esse termo pode meter-nos assim numa etiqueta e arrumar convenientemente. Não consigo. Eu tenho canções que falam da vida, de questões sociais, políticas até, e que são canções íntimas. Eu tenho uma canção chamada 'Dancemos no mundo' que é uma canção que foi inspirada numa reportagem que houve na revista Expresso de casais separados por barreiras ideológicas, rácicas, políticas, etc, e do seu desejo de dançarem juntos neste mundo que é só um, no fim de contas, e que tem tantas fronteiras. Portanto, onde é que essa canção se vai posicionar? Isso insere-se nisso tudo, na vida.O disco “Os Sobreviventes” foi logo proibido pela PIDE em Portugal? Não é bem assim. Ele, depois de ter ganho um prémio de melhor letrista da Casa da Imprensa, foi retirado. Ele não foi proibido à partida. Repare que é assim: "Os Sobreviventes", todo "Os Sobreviventes" só saiu em 72 porque saiu em 71 quatro canções do disco, no formato que eles chamavam EP. Mas seja como for, o que acontece é que nessa altura estamos já no período de Marcello Caetano e, nessa altura, a própria censura já não sabia o que fazer com ela própria. Ou seja, havia uma incoerência muito grande. Por um lado, proibiam, mas depois permitiam outras coisas. Houve uma altura em que houve um abrandamento, digamos, naquilo que chamaram Primavera Marcelista, que eu nunca acreditei muito e provou-se.Primeiro sai o disco Os Sobreviventes, depois Pré-Histórias. São dois discos que têm músicas com mensagens muito claras. São discos bastante ousados, corajosos...Acho que sim, mas isso era a maneira como eu escrevia, era aquilo que eu queria dizer.  Quer dizer, a coragem do Zeca que vivia cá [em Portugal] e fez "Os Vampiros" aí sim. Eu estava no estrangeiro. Mas sim, claro que são discos que mexem com o status quo, como é evidente, mas que têm canções de vários géneros, canções mais satíricas, canções que falam de problemas políticos ou sociais. No segundo, talvez a canção que ficou mais seja "A Noite Passada", o "Pode alguém ser quem não é" e "O Homem dos Sete Instrumentos" e não são canções de teor político.E a música "Que força é essa"?"Os Sobreviventes" é começado com o "Que força é essa" e acaba com uma canção com uma letra muito curta chamada “Maré Alta”, em que eu digo “aprende a nadar companheiro, que a maré se vai levantar, que a liberdade está a passar por aqui”. Isto era, a liberdade não estava a passar por aqui, mas era não só um desejo, mas uma afirmação. No fim de contas, por outras palavras, é dizer que o solo que nós pisamos é livre, defendamo-lo!Foi muito emocionante, como é evidente, quando eu voltei, logo a seguir ao 25 de Abril, ter cantado essa canção que nunca tinha cantado em Portugal, para um público que conhecia já porque conheciam esses dois primeiros discos e organizaram-se quase espontaneamente aqueles cantos livres da altura, em que estávamos todos no palco, todos ao molho.O que eram os cantos livres? Foram coisas que foram quase improvisadas na hora, com vários cantores. Estávamos no palco, sentados no chão e depois levantámo-nos para cantar duas ou três canções cada um e depois tornávamo-nos a sentar. Às vezes colaborávamos nas canções uns dos outros, mas foram coisas que foram feitas quase… Há sempre gente que organiza, mas não havia agências organizadas, não havia nada disso, não é? Aliás, durante um tempo, nós andámos, e quando falo de mim, falo do Zé Mário, do Zeca, como é evidente, mais tarde o Fausto, também o Vitorino, o Manuel Freire, o Francisco Fanhais, cantámos em várias terras onde era solicitada a nossa presença.Voltemos a Paris. Que papel é que teve Paris na sua formação musical e também política? Paris, naquela altura, era o epicentro dos cantores que, mais tarde, se viriam a chamar "cantores de intervenção". Mais tarde foram chamados…Eu lá conheci o Luís Cília, de quem sou amigo, um amigo activo. O Zé Mário infelizmente já não está entre nós, mas continuei amigo toda a vida e tivemos muitas parcerias. Nos nossos primeiros discos há parcerias de canções. “O Charlatão” até é uma que é dos nossos primeiros discos e que é comum aos nossos primeiros discos. Mas, claro que o Zeca conheci-o porque ele foi a Paris, por exemplo.Mas há mais que isso porque eu cheguei a Paris já vindo de viagens. Porque, entretanto, eu tornei-me um vagabundo existencial. Andei à boleia por toda a Europa no Inverno. Trabalhei na cozinha de um barco holandês, atravessei o Atlântico, fui até às Caraíbas trabalhando, passando pelos Açores que não conhecia e, nessa altura, já não podia vir a Portugal porque tinha sido chamado para o serviço militar/guerra colonial e não tinha respondido e nunca tive a intenção de responder. Não só porque não me identificava com essa guerra, como realmente não queria fazer isso. E escrevi canções que também acabam por se ligar com isso, para mim e para o Zé Mário.O Zé Mário tem uma canção no primeiro disco que se chama “Cantiga de Fogo e da Guerra” que foi um poema que eu fiz quando tinha 19 anos e que depois mostrei ao Zé Mário e ele disse “Ah, mas eu quero pôr isso em música”. Repare, eu cheguei em 67 a Paris, portanto, levei em cheio com o Maio de 68. E vivi-o intensamente porque eu não tinha compromissos, praticamente vivia na rua e ia dormir a casa! Uma casa que era uma “chambre de bonne” em Paris, era pobrezinho - ainda não sou assim muito rico [risos]! Mas vivi muito do dia-a-dia, dormi várias vezes na Sorbonne, todo aquele movimento. Ocupámos a casa dos estudantes portugueses, eu e muitos outros. Depois, a certa altura, estavam dez milhões de trabalhadores em greve e cantei em fábricas ocupadas na Renault, Citroën, etc.Onde havia muitos portugueses.Onde havia muitos portugueses. Eu, o Luís Cília, com a Colette Magny, uma cantora francesa. E eu ainda não tinha material próprio. Tinha uma canção que fiz na altura até em francês, que sei parte dela, mas nunca a recuperei totalmente, mas era uma canção que falava um bocado de Maio de 68. Comecei a fazer canções e comecei a praticar também o que é fazer musicalmente uma canção e letra também. Mas comecei a escrever em francês ou comecei por escrever em francês.Isso é curioso. Porquê?Porque tudo o que eu fazia em português soava-me a José Afonso ou Alexandre O'Neill. Até encontrar uma voz própria, voz poética, uma voz própria, eu tive dificuldade. Então, comecei a fazer canções porque tinha a necessidade de fazer canções porque estava a descobrir essa arte, chamemos-lhe assim. Tive muitas influências, com certeza francesas, até porque estávamos numa altura em que apareceu o [Jacques] Brel, em que antes tinha havido o [Charles] Trenet que é o pai deles todos. Mas apareceu Brel, apareceu o [Georges] Brassens, que é um artífice de canções absolutamente extraordinário, o [Léo] Ferré. Depois, a seguir o [Serge] Gainsbourg, mas é um bocado mais tarde.E também tinha muitas influências brasileiras, sobretudo o Chico [Buarque] e Caetano [Veloso] e antes a bossa nova. E anglo-saxónicas, com o aparecimento dos Beatles, dos Stones, dos Kinks, do Bob Dylan. Foram extremamente importantes para mim, para a minha formação musical, para os meus gostos musicais.E o José Afonso, para mim, quando apareceu, eu tinha 17 ou 18 anos. Foi quando eu percebi que se podia escrever de outra maneira em português e uma canção, que eu acho que é a canção paradigmática como “Os Vampiros”, é uma canção que é extremamente bem feita, que é uma metáfora poderosa e muito corajosa porque não há nada de mais evidente do que o que é que ele está a falar. Está a falar do regime e dos vampiros que comem tudo e não deixam nada. Aliás, eu canto essa canção bastantes vezes. Este ano, que são os 50 anos do 25 de Abril, estamos a reformular o nosso espectáculo e eu já tinha cantado “Os Vampiros”, uma versão muito pessoal dos "Vampiros", muito diferente, bastante pesada, com guitarras eléctricas bastante densas, pesadas, mas que é muito forte.Todas essas influências cruzadas fizeram com que eu também tivesse vontade de experimentar a canção. E só um pouco mais tarde, antes do meu primeiro disco, é que houve assim uma espécie de dique que se abriu e em que eu, de repente, percebi que podia escrever em português e que era em português que eu queria escrever e que o significado das palavras e das frases e das frases feitas que eu uso muito, era também uma maneira de eu não perder a minha ligação à língua portuguesa e a Portugal. A língua portuguesa sempre foi muito importante para mim, foi algo que se venerou em minha casa.Em 1969, entrei no musical “Hair”. Fiz audições quando soube que havia, já tinha ouvido falar do “Hair” que estreou em Nova Iorque. Isto era a terceira cidade onde estava a estrear e era a encenação da Broadway. E foi um grande sucesso em Paris, no Théâtre de la Porte de Saint-Martin. Houve 6.000 ou 7.000 candidatos, eu fiz audições e acabei por ser escolhido e estive lá muito tempo. Foi um belo estágio do que é estar num palco e também cantar, representar, fazer papéis múltiplos, cantar em várias situações e estar à vontade com isso. E eu acho que, desde sempre, tive esse gosto dos palcos, continuo a ter e continuo a praticá-lo.Em Paris, em 1970, participa no concerto “La Chanson de Combat Portugaise” na Maison de la Mutualité. Foi polémico. Como foi?Quer dizer, o Zeca Afonso veio de Portugal. Havia uma grande contestação por esquerdistas de uma ala maoista ou coisa assim que fizeram inclusivamente um panfleto a denunciar, digamos, o carácter, sei lá, “revisionista” do Zeca, ou “pequeno-burguês” e coisas assim. Enfim, foi uma coisa que foi mesmo lamentável. O Zeca cantou, o Luís Cília, o Tino Flores, eu, não sei se o Vitorino - que ainda não tinha obra - se não cantou também nesse âmbito.E houve pancadaria na sala e contestações, pancadaria entre grupos. Porque depois eram os que eram a favor e os que eram contra, mas tudo portugueses, não é? Quer dizer, aquilo era uma coisa... Havia muito esta coisa dos grupúsculos políticos que se arvoravam em detentores da verdade. E o Zeca ficou bastante incomodado com isso e respondeu e outros responderam também.O Luís Cília já adaptava poemas, fazia música sobre poemas, como outros também fizeram, e sempre fez parte da sua obra. E cantou um poema qualquer e houve alguém que lhe diz “Os operários não percebem isso. Porque é que estás a cantar essas coisas? Os operários não percebem isso”. E o Luís respondeu: “Também há operários estúpidos!” O que eu achei uma resposta lapidar! Como é que a cantiga foi uma arma, como cantava o José Mário Branco, contra o fascismo?Foi uma arma? Não sei, não sei. Eu acho que essa afirmação, “a cantiga é uma arma”, eu acho que é uma afirmação que eu nunca subscrevi isso totalmente. Quer dizer, acho que foi um pauzinho na engrenagem, por um lado, e também foi uma contribuição logo a seguir ao 25 de Abril para congregar as pessoas. Eu acho que isso é útil, mas não acho que isso transforme as pessoas em si.Essas coisas todas juntas podem ter uma influência positiva. Por exemplo, eu sei de amigos meus, alguns até ainda nem os conhecia, só conheci depois, que estiveram na guerra em Angola ou em Moçambique e que levaram cassetes que fizeram com as nossas canções e que mostraram aos soldados e havia uma outra realidade. Isso sim. Aí há uma utilidade. Aí pode-se dizer que é uma arma, digamos, dentro do exército.Um cavalo de Tróia?Um cavalo de Tróia. Mas eu só estava a referir-me à canção especificamente porque é preciso cuidado com a arrogância. E é preciso cuidado com considerar que somos tão transformadores. Eu não sou missionário. Quer dizer, eu acho que todas as coisas juntas podem ter uma utilidade, não é? Eu tenho muita consciência do que também são os limites.Mas a música foi um marco e há músicas que ficaram como símbolos da resistência contra o fascismo. Sim. Sim. Sem dúvida.Portanto, esse papel também foi o vosso. Sim, completamente, foi.  E é por isso que eu continuo a cantar. E que, por exemplo, tenho grande prazer em cantar muitas vezes o “Maré Alta”. Aliás, quando falei de “Os Vampiros”, que canto e que não é meu, mas que é uma canção emblema. Sim, nesse aspecto é um emblema. Mas as canções estimulam as pessoas de tantas maneiras e isso dá-me alegria.Por exemplo, na canção “Espalhem a notícia”, há uma criança que nasce. Há muita gente que teve crianças e que me falou disso, das primeiras impressões e falou da alegria de vir ao mundo uma criança e que se relaciona muito com essa canção. Como é evidente, "O Primeiro Dia” é uma canção que diz muito a muitas pessoas de maneiras diferentes. Isso é o que me interessa. Sim, estimular as pessoas, com certeza, isso é o que me interessa e essas interpretações abertas também. O 25 de Abril foi "o primeiro dia do resto da vida" de muita gente…Sem dúvida, sem dúvida. Foi absolutamente transformador, é uma data charneira. E, para mim, que estive nove anos sem poder vir a este país, não é? Eu estava a viver, na altura, no Canadá, estava a viver em Vancouver, no Oceano Pacífico. Repare: estava pacífico e vim para a balbúrdia! [Risos] Voltei definitivamente em Setembro de 74.Essa data foi uma data em que há um antes e um depois. É o primeiro dia do resto das vidas de muita gente. Depois há muita gente que diz “Afinal de contas, o 25 de Abril não cumpriu todos os seus ideais”. Mas é um momento de revolução, é um momento utópico! Temos muitas insuficiências, estamos num país muito injusto ainda, com muitas desigualdades sociais, mas houve coisas que mudaram. Quando digo aos meus filhos que não havia escolas mistas no ensino oficial, é uma coisa que eles não concebem sequer porque cresceram em turmas que têm rapazes e raparigas! Agora, até há o género neutro.Será que, até certo ponto, também podemos dizer que o "À Queima Roupa" é um filho da Revolução dos Cravos?O “À Queima Roupa” foi gravado em 74 mas sai em 75, mas sim, de certo modo, é quando estava tudo "à queima roupa". De certo modo, é curioso que, sem eu querer, os títulos dos meus três primeiros discos reflectem um bocado um percurso porque “Os Sobreviventes” é todo aquele peso que está para trás…Quem eram “Os Sobreviventes”? Éramos todos nós. Todos nós. Depois, o “Pré-Histórias” é como se estivesse a anunciar que qualquer coisa vai acontecer, as Pré-Histórias. Mas eu, repito, isto não foi… Isto, aconteceu assim. E depois, o “À Queima Roupa” é um bocado tudo a acontecer ao mesmo tempo. Toda esta transformação cheia de erros, cheia de passos atrás e passos à frente.Estamos numa democracia para o bem e para o mal. Pode-se dizer que essa democracia não cumpriu tudo. Pois não, mas é por isso que é preciso continuar não só a votar - porque eu estava impedido de votar e muitos de nós ou então as eleições de Humberto Delgado foram completamente aldrabadas, não é? Portanto, estamos numa democracia com liberdade de imprensa, não há censura, digamos, em livros. Pode haver outros tipos mais insidiosos de censura, mas isso é outra conversa. E, de facto, não estamos nada no mundo ideal. Não. E a ascensão de forças de extrema-direita é muito preocupante pela maneira como se disseminam pela sociedade.O refrão de “Liberdade”, que é uma música que já tem 50 anos, “a paz, o pão, habitação, saúde, educação”… Como é que tanto tempo depois parece que a música foi escrita para os dias de hoje?É o que eu disse. Há muitas situações que continuam de uma extrema gravidade, mas cada um desses itens é um item para o qual se deve lutar para que haja um Portugal melhor, um país melhor. Esses itens e outros porque a justiça também não anda nada bem. Ainda há uma justiça de classe, por outro lado, há coisas que estão a ser feitas a nível da justiça que são corajosas, no desmantelar de muitas corrupções. Mas, isso é assim, é um longo caminho.Agora, eu até tenho composto menos, canto muito, mas tenho composto menos porque tenho estado mais virado, tive necessidade disso, para a ficção narrativa. Sai hoje, no dia em que estamos a fazer esta entrevista [8 de Fevereiro de 2024], o meu terceiro romance que se passa entre Portugal e França, que se chama “Vida e Morte nas Cidades Geminadas”. E essas cidades geminadas são Guimarães, de onde vem uma rapariga que emigrou com os pais para uma cidade perto de Paris chamada Compiègne, a 90 quilómetros de Paris, que é geminada, de facto, com Guimarães e que conhece um rapaz francês, Cédric. Ela chama-se Amália Rodrigues - porque o pai se chamava Rodrigues e adorava a Amália! E também canta fado nas horas vagas, embora esteja a tirar um curso de hotelaria e depois vem para Guimarães. Ele trabalha numa morgue. Fala-se muito da vida e fala-se muito da morte. Digamos que essa necessidade da ficção narrativa começou a aparecer também e não é incompatível com as canções porque as minhas canções também têm, muitas vezes, esboços de histórias, têm personagens, a Etelvina, Alice, Casimiro. O Casimiro é, enfim, uma personagem mítica. Mas fala-se muito de pessoas. Lá está, eu gosto de falar de pessoas.De pessoas e de situações sociais porque sente-se nas músicas esse cunho social e político… É por isso que são músicas intemporais?Mas a Etelvina não é uma canção política. No entanto, é uma canção que está no “À Queima Roupa” e é uma das canções mais fortes do “À Queima Roupa”. Acho que é importante não nos fixarmos num determinado… Continuo a dizer que não sou missionário.

Café Brasil Podcast
Cafezinho 621 - Obrigado por me chamar de ignorante

Café Brasil Podcast

Play Episode Listen Later Apr 26, 2024 13:21


Assine o Café Brasil em https://canalcafebrasil.com.br  Meus escritos são simples, meu português é nada mais que mediano, minhas ideias nunca foram sofisticadas. Mas estou além do entendimento de uma parcela importante dos brasileiros. Nunca me conformei em me nivelar por baixo. Sempre que me dirijo a qualquer pessoa, falando ou escrevendo, procuro estar um degrau acima do que – imagino – seja sua capacidade de compreensão. Falo com uma criança de seis anos como se ela tivesse oito. Um jovem de quinze anos como se tivesse dezoito. Um estudante secundário como se fosse universitário. Acredito que assim eu estimulo a pessoa a subir um degrau. A evoluir. Não consigo tratar adultos como crianças. Ao ver as propagandas políticas, por exemplo, você não tem a impressão de que a qualquer momento o candidato dirá “o titio vai levar você no cinema?” São textos rasos, num linguajar tosco, que deixam claro que para os marqueteiros, povo é um agrupamento de miseráveis ignorantes, analfabetos e incapazes, que devem ser conduzidos da forma mais infantil possível. Aí cabe a musiquinha de fundo, o sotaque caricato, o português errado, os desenhinhos, os exemplos dos miseráveis, os sonhos minúsculos… A coisa só esquenta quando os adversários baixam o nível e começam com os xingamentos: treta!!!! Afinal, qual é o esforço intelectual para perceber que duas pessoas estão se agredindo? Pouquinho, né? Isso é uma pena. Quem nivela por baixo, mantem as pessoas onde estão, fala sempre a partir de um degrau abaixo, dificilmente estimula reflexões que prestam. Usa as técnicas maravilhosas do marketing e da comunicação para manter a mediocridade, caso contrário a turma não entende… Essa infantilização não faz bem para a sociedade. Não ajuda a amadurecer os debates. Não estimula ninguém a crescer. E com nosso sistema educacional falido e os meios de comunicação ricos em fórmulas prontas, essa infantilização colabora para que a mediocridade seja não só mantida, mas incentivada. Seja raso. Não sofistique. Ninguém vai entender. E as consequências estão aí. Afundados na ignorância, incapazes de sair atrás dos estímulos intelectuais, preferimos acreditar nas verdades simplificadas, nas soluções milagrosas simples de entender, sabe como é? Interpretamos os fatos com base em nosso reduzido repertório. Tiramos nossas conclusões superficiais ou apressadas. Atribuímos as conclusões que nós tiramos a um terceiro e depois atacamos esse terceiro por causa da conclusão que nós tiramos. Repare como é isso, especialmente nas mídias sociais. Esta semana perdi um tempo precioso dialogando com um sujeito que entendeu o que eu não escrevi. E quanto mais eu explicava, mais ele interpretava e queria discussão. Quando finalmente desisti e comentei que eu podia explicar para ele, mas não podia entender por ele, o cara respondeu: – Obrigado pela forma carinhosa de me chamar de ignorante. Percebeu? O que para mim era “você pensa diferente”, para ele era “você é um ignorante”. Cada um entende como quer. Ou como pode.See omnystudio.com/listener for privacy information.

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Cafezinho 621 - Obrigado por me chamar de ignorante

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Play Episode Listen Later Apr 26, 2024 13:21


Assine o Café Brasil em https://canalcafebrasil.com.br  Meus escritos são simples, meu português é nada mais que mediano, minhas ideias nunca foram sofisticadas. Mas estou além do entendimento de uma parcela importante dos brasileiros. Nunca me conformei em me nivelar por baixo. Sempre que me dirijo a qualquer pessoa, falando ou escrevendo, procuro estar um degrau acima do que – imagino – seja sua capacidade de compreensão. Falo com uma criança de seis anos como se ela tivesse oito. Um jovem de quinze anos como se tivesse dezoito. Um estudante secundário como se fosse universitário. Acredito que assim eu estimulo a pessoa a subir um degrau. A evoluir. Não consigo tratar adultos como crianças. Ao ver as propagandas políticas, por exemplo, você não tem a impressão de que a qualquer momento o candidato dirá “o titio vai levar você no cinema?” São textos rasos, num linguajar tosco, que deixam claro que para os marqueteiros, povo é um agrupamento de miseráveis ignorantes, analfabetos e incapazes, que devem ser conduzidos da forma mais infantil possível. Aí cabe a musiquinha de fundo, o sotaque caricato, o português errado, os desenhinhos, os exemplos dos miseráveis, os sonhos minúsculos… A coisa só esquenta quando os adversários baixam o nível e começam com os xingamentos: treta!!!! Afinal, qual é o esforço intelectual para perceber que duas pessoas estão se agredindo? Pouquinho, né? Isso é uma pena. Quem nivela por baixo, mantem as pessoas onde estão, fala sempre a partir de um degrau abaixo, dificilmente estimula reflexões que prestam. Usa as técnicas maravilhosas do marketing e da comunicação para manter a mediocridade, caso contrário a turma não entende… Essa infantilização não faz bem para a sociedade. Não ajuda a amadurecer os debates. Não estimula ninguém a crescer. E com nosso sistema educacional falido e os meios de comunicação ricos em fórmulas prontas, essa infantilização colabora para que a mediocridade seja não só mantida, mas incentivada. Seja raso. Não sofistique. Ninguém vai entender. E as consequências estão aí. Afundados na ignorância, incapazes de sair atrás dos estímulos intelectuais, preferimos acreditar nas verdades simplificadas, nas soluções milagrosas simples de entender, sabe como é? Interpretamos os fatos com base em nosso reduzido repertório. Tiramos nossas conclusões superficiais ou apressadas. Atribuímos as conclusões que nós tiramos a um terceiro e depois atacamos esse terceiro por causa da conclusão que nós tiramos. Repare como é isso, especialmente nas mídias sociais. Esta semana perdi um tempo precioso dialogando com um sujeito que entendeu o que eu não escrevi. E quanto mais eu explicava, mais ele interpretava e queria discussão. Quando finalmente desisti e comentei que eu podia explicar para ele, mas não podia entender por ele, o cara respondeu: – Obrigado pela forma carinhosa de me chamar de ignorante. Percebeu? O que para mim era “você pensa diferente”, para ele era “você é um ignorante”. Cada um entende como quer. Ou como pode.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Convidado
Angola: “As reivindicações são para a sobrevivência dos trabalhadores”

Convidado

Play Episode Listen Later Mar 21, 2024 8:10


A Força Sindical União Nacional dos Trabalhadores de Angola, Confederação Sindical e a Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola convocaram a greve-geral de três dias, exigindo o aumento do salário da função pública e do salário mínimo nacional e a redução do imposto sobre o rendimento do trabalho para 15%. Ademar Ginguba, porta-voz do Sinprof membro da comissão técnica das três centrais sindicais, afirma que as reivindicações que estão a ser feitas ao Governo são para permitir a sobrevivência dos trabalhadores angolanos.Três centrais sindicais iniciaram um movimento de greve geral de três dias. Quais são as vossas reivindicações?Estamos a pedir um reajuste salarial ao nível da função pública, há também a questão dos subsídios que visam incentivar os nossos colegas que trabalham em zonas recônditas, zonas de difícil acesso, que têm salários idênticos aos colegas que estão nos principais centros urbanos.Temos a questão do imposto do Rendimento de Trabalho- a maneira como foi alterado em 2019 retira-nos parte dos nossos rendimentos- estamos a discutir com o Governo, já há algum tempo, a sua redução. Depois existe a questão do salário mínimo nacional, aquele que é pago pelas empresas, no valor de 32 mil kwanzas. Actualmente, podemos dizer que são cerca de 30 euros, fazendo a comparação como euro. Nós estávamos a exigir inicialmente 300 €, porque o custo de vida é muito alto e os nossos salários empobrecem todos os dias.Como é que se consegue viver com 36 euros?Não se vive. Nós sobrevivemos todos os dias. O que estamos a discutir com o Governo é mesmo só para a nossa sobrevivência, porque estamos num país que importa quase tudo o que consome, apesar de ter condições para ter uma produção interna robusta. Parece que os nossos governantes andam mais interessados com outras coisas. Andam distraídos com os petrodólares e até aqui nada tem sido feito para aumentar a nossa produção interna.Iniciaram ontem uma greve-geral que se vai manter até amanhã, sexta feira. Qual é que é o impacto desta greve?Uma adesão massiva, estamos a viver um momento histórico no país. Com esta greve os trabalhadores mostram que estão cansadas com a condição sócio-económica a que estão submetidas, porque não há soluções. O Governo não tem soluções para resolver os nossos problemas.Qual é o impacto desta greve nas escolas e nos hospitais?O impacto é devastador. No sector da educação, estamos numa semana de provas que foram suspensas. Isso tem impacto depois no calendário nacional escolar que terá de ser reajustado. Nos hospitais temos apenas os serviços mínimos, a força de trabalho foi reduzida até 50%. Nós já temos aquelas enchentes habituais nos nossos hospitais e agora que [a força de trabalho] foi reduzida a 50%, quer para os médicos quer para os enfermeiros, “é o Deus nos acuda”.Os sindicatos denunciaram funcionários públicos coagidos e detenções arbitrárias. O que é que nos pode falar desta situação?Não foi apenas na administração pública, essa situação também aconteceu nas empresas. Estamos a ver documentos que estão a ser expedidos pelas direcções das empresas para coagir e ameaçar os trabalhadores. Ontem, quarta-feira, registámos a detenção, na província do Bengo, de um colega no Hospital Geral do Bengo que acabou por ser posto em liberdade. Mas temos três colegas, dois do sector eléctrico e um professor, que se encontram no Tribunal do Huambo e cuja situação continua por esclarecer. Passaram a noite na cadeia e o único crime que cometeram foi o de exercer um direito fundamental que é o direito à greve.Esses sindicalistas vão ser julgados?Exactamente. Eles vão ser julgados sumariamente, depois de terem passado a noite na cadeia, sob custódia do Serviço de Investigação Criminal.Parece que há uma situação propositada de esgotamento psicológico desses colegas, mesmo sem terem cometido crime algum.O direito à greve está plasmado na Constituição. O que é que vocês pensam fazer para responder a essas intimidações?Ontem, emitimos uma nota de repúdio e agora vamos denunciar esses actos às instituições internacionais, cujos tratados foram rubricados por Angola. Por sinal, está aqui uma diretora da OIT –Organização Internacional do Trabalho-  e vamos assinalar essa situação que está a acontecer. Apesar de não termo confiança na separação de poderes, aqui em Angola, vamos fazer uma queixa crime, porque a lei assim estabelece. Ninguém pode ser coagido, nem molestado por ter aderido a uma greveO Governo diz que está disponível para negociar. Qual é a vossa margem?Não estamos disponíveis. Fomos nós que nos flexibilizamos nessas negociações. O Governo não se flexibilizou, manteve-se fixo nas suas posições. Repare, exigimos inicialmente o reajuste do salário da função pública, na ordem dos 250%, porque aquilo que os trabalhadores auferem neste país não dá mesmo para viver.Estamos disponíveis para nos voltarmos a sentar com o Governo, porque estamos cientes- quer o Governo, quer nós- que é a única maneira de sairmos desse impasse. Mas se o Governo se mantiver fixo nas suas posições, não vamos conseguir dialogar. Oxalá que, depois de termos chegado até esse extremo, o Governo nos apresente propostas mais concretas, para sairmos desse impasse. Ninguém está satisfeito com a greve, nem mesmo nós. Mas é um recurso legal a que os trabalhadores devem recorrer, sempre que o diálogo não resolver os problemas reivindicados pelos trabalhadores.E se o Governo continuar a não responder às vossas reivindicações?Não teremos outra alternativa a não ser a greve. Temos uma declaração de greve de Março que sinaliza duas outras fases. Se o Governo não [ceder] vamos continuar a pressionar. Teremos outra fase, com um tempo mais dilatado, de 22 a 30 de Abril e depois teríamos em Junho mais 11 dias de greve. Mas nós estamos cientes que se depender de nós, não vamos chegar até aí. Espero que haja essa abertura da parte do Governo, mas essa abertura não pode ser só por meio do discurso, nem por meio da palavra.O Governo, por outras acções, mostra que não está disposto a resolver este problema. Quem está aqui em Angola não vê, nem ouve na imprensa pública qualquer menção sobre a greve. Ouvem apenas a parte do Governo e não ouvem os representantes dos trabalhadores que estão a reivindicar. São situações muito sérias e que comprometem (a imagem do país]. Na verdade, Angola, enquanto Estado democrático e de Direito, tem compromissos internacionais que deve respeitar.A RFI tentou ouvir o António Estote, porta-voz do Ministério Administração Pública, Trabalho e Segurança Social de Angola, mas não foit até ao momento bem sucedida.

PALAVRAS DE REDENÇÃO - PE. FR. INÁCIO JOSÉ ODEM

passo 7 da pastoral da sobriedade

danos repare
Pcontrol Podcast
Como ser um VENDEDOR CAMPEÃO em 2024? Pcontrol Podcast #331

Pcontrol Podcast

Play Episode Listen Later Dec 14, 2023 5:52


O cenário de vendas está em constante evolução, impulsionado por avanços tecnológicos, mudanças nas preferências do consumidor e novas tendências de mercado. Para se destacar como um campeão de vendas em 2024, é crucial adotar estratégias inovadoras e desenvolver habilidades que atendam às demandas em constante transformação. Você já se perguntou o que diferencia os campeões de vendas dos demais? A resposta pode estar nos comportamentos essenciais que esses profissionais adotam. Neste vídeo, vamos explorar cinco aspectos fundamentais que podem impulsionar sua carreira nas vendas. 1. Ter um Bom Astral é a Chave: O primeiro comportamento que define um campeão de vendas é o bom astral. Estar no clima certo, em uma vibe elevada, é crucial. Vendedores cansados ou chateados têm dificuldade em vender. Para atingir resultados expressivos, é necessário manter o astral lá em cima, mesmo diante de desafios pessoais. A comunicação com o cliente requer uma energia positiva constante. 2. Organização como Pilar do Desempenho: A organização é um dos pilares dos melhores profissionais de vendas. Ter um sistema CRM eficiente, uma agenda bem estruturada e utilizar ferramentas de follow-up são práticas indispensáveis. O desempenho e a alta performance só são alcançados quando há uma organização sólida. A falta de organização pode comprometer a eficácia e os resultados desejados. 3. Relacionamentos: O Segredo do Sucesso: A construção e desenvolvimento de relacionamentos são cruciais para o sucesso em vendas. Quanto mais conexões valiosas você estabelece com sua comunidade e mercado, maior será a probabilidade de receber indicações. Um relacionamento sólido contribui para a autoridade do vendedor, resultando em vendas mais efetivas, maior lucratividade e aumento do ticket médio. 4. Prospecção Própria: Não Dependa da empresa: A quarta regra destaca a importância da prospecção própria de clientes. Não depender exclusivamente da empresa ou agência de marketing é essencial. O vendedor precisa ser capaz de cuidar de sua própria prospecção, mesmo diante de uma quantidade aparentemente suficiente de leads. A verdadeira separação entre os profissionais de sucesso e os demais ocorre nos momentos de queda, e a capacidade de prospectar é a chave para enfrentar esses momentos desafiadores. 5. Seja um Especialista em seu Segmento: Por fim, para se destacar como um campeão de vendas, é necessário se tornar um especialista ou autoridade em seu segmento. As pessoas têm uma inclinação natural para investir em profissionais que demonstram conhecimento e segurança. Transmitir a imagem de um especialista desde o primeiro contato faz toda a diferença. Essa postura influencia positivamente a percepção do cliente e contribui significativamente para o sucesso nas vendas. Ao integrar esses comportamentos em sua abordagem profissional, você estará pavimentando o caminho para se tornar um campeão de vendas de alta performance. Repare nos profissionais de sucesso ao seu redor, e certamente encontrará a aplicação desses princípios. Se deseja alcançar o mesmo nível de sucesso, comece a implementar essas práticas desde já. O sucesso nas vendas está ao seu alcance!

StockInvest.us Stock Podcast
#50/2023 - Fed Talks Nasdaq Walks? | Repare Therapeutics up 19%

StockInvest.us Stock Podcast

Play Episode Listen Later Dec 11, 2023 19:02


This week, the Federal Reserve (Fed) is scheduled to speak on Wednesday, where it will be announced whether the interest rates will remain unchanged or be adjusted. Before this, on Tuesday, the Consumer Price Index (CPI) figures will be released, providing insights into the current inflation trends. The major bet in the market right now is for Fed's to start cutting rates in 2024. Repare Therapeutics Inc. has had an impressive week, yielding nearly a 19% profit so far, bolstering hopes of achieving the goal of doubling the initial $1000 in the challenge by year's end. Discover these insights and more in this week's Trading Tips With Jim edition. Websites mentioned in today's podcast: https://stockinvest.us https://getagraph.com

StockInvest.us Stock Podcast
#49/2023 - Gold on the way to $2500 | Repare Therapheutics Up?

StockInvest.us Stock Podcast

Play Episode Listen Later Dec 4, 2023 35:57


Gold is setting new all-time highs as it moves faster and faster upwards to the $2500 target, making the long-term bet into gold a solid investment. Nasdaq remains stubborn in overbought, and NYSE is hitting 55% buy signals. The last time that happened was followed by some rapid falls, but with optimistic markets, a new green week may lie ahead. In the $1000 challenge, Tekay will be replaced by a riskier stock in a last attempt to make a double by the end of the year.

Holyoke Media Podcasts
Síntesis informativa, 11 de agosto de 2023

Holyoke Media Podcasts

Play Episode Listen Later Aug 11, 2023 2:00


Holyoke Media, en asociación con WHMP radio, emiten diariamente la Síntesis informativa en español a través del 101.5 FM y en el 1240 / 1400 AM. Esta es la síntesis informativa del viernes 11 de agosto de 2023: - El jueves, la Corte Suprema bloqueó temporalmente un acuerdo a nivel nacional con el fabricante de OxyContin, Purdue Pharma, que protegería a los miembros de la familia Sackler, propietarios de la compañía, de demandas civiles por el número de opioides. Los jueces aceptaron una solicitud de la administración de Biden para frenar un acuerdo alcanzado el año pasado con los gobiernos estatales y locales. Además, el tribunal superior escuchará los argumentos antes de fin de año sobre si el acuerdo puede proceder. El acuerdo permitiría a la empresa salir de la bancarrota como una entidad diferente, con sus ganancias utilizadas para combatir la epidemia de opiáceos. Los miembros de la familia Sackler contribuirían hasta $6 mil millones. Pero un componente clave del acuerdo protegería a los miembros de la familia, que no buscan protección contra la bancarrota como individuos, de las demandas. Los jueces ordenaron a las partes que evalúen si la ley de quiebras autoriza una protección general contra las demandas presentadas por todas las víctimas de opioides. La Corte de Apelaciones del Segundo Circuito de los Estados Unidos había permitido que continuara el plan de reorganización. Los abogados de Purdue y otras partes del acuerdo instaron a los jueces a mantenerse al margen del caso. Un grupo, en su mayoría padres de personas que murieron por sobredosis de opioides, ha pedido que no se acepte el acuerdo. Los opioides se han relacionado con más de 70 000 sobredosis mortales anuales en los EE. UU. en los últimos años. La mayoría de ellos son de fentanilo y otras drogas sintéticas. Pero la crisis se amplió a principios de la década de 2000 cuando OxyContin y otros potentes analgésicos recetados se hicieron predominantes. FUENTE: AP La Junta de Salud de Holyoke, informó el jueves que se detectó una muestra de mosquito positiva para el Virus del Oeste del Nilo (West Nile Virus) en la ciudad de Holyoke como parte del monitoreo continuo de mosquitos en la región. Como consecuencia, se realizará un monitoreo adicional en Holyoke. El Virus del Oeste del Nilo se transmite más comúnmente a las personas a través de la picadura de un mosquito infectado. La Junta de salud recomienda que se proteja de las enfermedades tomando estas sencillas acciones: Use repelentes de insectos cada vez que esté al aire libre. Use ropa de manga larga. Programe actividades al aire libre, evitando las horas desde el anochecer hasta el amanecer durante la temporada alta de mosquitos. Repare las pantallas de puertas y ventanas dañadas. Elimine el agua estancada de las áreas alrededor de su hogar. Puede encontrar más información sobre los diferentes tipos de mosquitos que pueden propagar el West Nile Virus en el sitio web del Departamento to de Salud Pública de Massachusetts en https://www.mass.gov/mosquito-borne-diseases FUENTE: HOLYOKE MEDIA

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¿Podemos pedirle a nuestro casero que repare un mueble del piso?

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Play Episode Listen Later Apr 23, 2023 6:35


Hoy, para resolver las consultas de nuestros oyentes nos acompaña Isabel Pons, técnica de Adicae. Si tú también necesitas aclarar una duda de consumo, escríbenos a codigodebarras@cadenaser.com o envíanos un mensaje de voz al 679017014.

6AM Hoy por Hoy
Rodrigo Londoño: “No habrá sanción que repare el dolor del secuestro”

6AM Hoy por Hoy

Play Episode Listen Later Nov 28, 2022 7:07


Rodrigo Londoño, presidente del Partido Comunes, habló sobre la molestia de algunos familiares de los diputados del Valle sobre las sanciones a exFarc

Primeiro Café
#439 Antes de votar, você precisa conhecer o plano econômico secreto de Bolsonaro e Guedes | Pensa Comigo

Primeiro Café

Play Episode Listen Later Oct 26, 2022 73:36


QUARTA, 26/10/2022: Já tem Papai Noel nas vitrines das lojas e a sensação é que chega o Natal e não chega o segundo turno das eleições. Mas vai chegar. Será no próximo domingo o dia de mandar o Jair embora. A campanha do segundo turno foi a mais longa, literalmente, da nossa história. Além da sensação de que cada dia dura uma semana e cada semana dura um mês, esse foi, de fato, o maior período de campanha para o segundo turno. Foram quatro semanas intensas.Tudo começou com baixaria que nascia na internet e rapidamente ganhava espaço nas propagandas de TV e nas bocas dos candidatos. A campanha de Bolsonaro começou acusando Lula de ser satanista. Aí recuperaram as visitas de Bolsonaro à maçonaria e o assunto pegou mal entre religiosos. A baixaria morreu aos poucos…Depois, foi a campanha de Lula que recuperou um vídeo do atual presidente dizendo que comeria carne humana e só não comeu porque ninguém quis o acompanhar numa aldeia indígena onde estavam cozinhando um índio. A história, que era mentira, óbvio, também repercutiu bastante. Como reação, o bolsonarismo reforçou a distribuição de fake news dizendo que Lula vai implantar banheiros unissex nas escolas, o que é mentira, e apostando no discurso anti-corrupção, que é um calcanhar de Aquiles de Lula por causa das alianças do passado com partidos e personagens que hoje estão do lado de Bolsonaro. Os condenados no mensalão, Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto, são bolsonaristas. O partido que mais roubou a Petrobras, o PP - hoje progressistas - apoia Bolsonaro. O escândalo dos 51 imóveis comprados pela família de Bolsonaro em dinheiro vivo, os pastores corruptos do MEC, o pedido de propina de 1 dólar por dose de vacina contra a covid-19, o engavetador geral da república e outras graves denúncias contra o atual governo também tornaram esse discurso inviável para Bolsonaro. Ele sabe que tem teto de vidro e que, mais corrupto do que ele, não há. Na sequência, Bolsonaro fez uma fala de tom pedófilo, dizendo que "pintou um clima" com meninas refugiadas venezuelanas de 14 anos. Segundo ele, as meninas estavam se prostituindo. Era mentira, claro, e esse fato continua sendo explorado pelas campanhas. As meninas participavam de uma ação social em Brasília e o presidente usou de forma nojenta e repugnante o episódio. A campanha de Lula parece que se deu conta a tempo que levar as baixarias para a TV poderia irritar o eleitor e, assim, aumentar a abstenção no próximo domingo. Lula passou, então, a focar em suas propostas: isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, aumento real do salário mínimo, entre outras.Ao mesmo tempo, Lula foi reunindo apoios de democratas e antigos críticos: Simone Tebet, o PDT, Marina Silva, FHC, Sarney, os criadores do Plano Real, João Amoedo, parte do PSDB, boa parte do MDB, Alexandre Frota, aquele cara do Casseta e Planeta, o Casimiro, e outras personalidades, artistas, influenciadores e políticos.Bolsonaro também reuniu apoios: Guilherme de Pádua, goleiro Bruno, pastores picaretas, empresários golpistas e, claro, Roberto Jefferson. Bob Jeff, aquele condenado no mensalão que, inclusive inventou a narrativa do mensalão, provocou sua volta à prisão e, quando a PF chegou na casa dele, deu 50 tiros de fuzil e jogou 3 granadas nos policiais. Dois ficaram feridos. O atentado bugou o bolsonarismo. Eles não sabiam se defendiam o terrorista ou se condenavam. Só se decidiram quando o próprio Bolsonaro bateu o martelo que a ordem era abandonar o amigo querido. Todos esses casos midiáticos não mexeram em nada nas pesquisas eleitorais. Mas aí, na última semana de campanha, chegou a cereja do bolo que, de fato pode tirar voto desse traste que alguns chamam de presidente se você se ligar e passar essa mensagem pra frente. Presta atenção: Dois dos principais jornais do país, a Folha, que não chama Bolsonaro de extrema-direita até hoje, e o Estadão, aquele da escolha muito difícil, revelaram o plano secreto de Bolsonaro e de Paulo Guedes para a economia.As ideias do posto Ipiranga fazem parte de um desespero para tentar fechar as contas no ano que vem, já que o governo Bolsonaro foi usado de maneira descarada para fazer campanha. E, claro, o dinheiro público também. Adiantamento dos auxílios, uso eleitoreiro da Caixa, de ministérios e de ministros.Mas, afinal, no que consiste o plano econômico secreto de Bolsonaro? Basicamente em duas frentes, uma que atinge os mais pobres e outra que atinge a classe média. São essas pessoas que o governo Bolsonaro quer que paguem as contas eleitoreiras que Bolsonaro fez para tentar se reeleger.Primeiro, o palavrão: desindexação do aumento do salário mínimo à inflação do ano anterior. Traduzindo: Paulo Guedes quer desobrigar o governo a aumentar o salário mínimo pela inflação do ano anterior. Isso significa, na prática, que o salário mínimo vai valer menos a cada ano. Aliás, o governo Bolsonaro não deu nenhum aumento real do mínimo. Aumento real é quando o reajuste vai além de repor a inflação. Essa regra foi criada no governo Lula, que aumentava o salário pela inflação do ano anterior mais o crescimento do PIB - a soma de tudo o que país produz e vende. Bolsonaro quer que o reajuste do salário seja pela meta de inflação, um número fictício criado a bel prazer da equipe econômica no poder. Se a regra dele fosse aplicada desde 2002, o salário mínimo hoje seria de cerca de 500 reais, menos da metade do que é. O salário mínimo não impacta só quem ganha o salário mínimo, impacta aposentadorias e outras contas que estão atreladas a ele. Os aposentados e pensionistas, por exemplo, seriam os primeiros que passariam a receber menos. Um exemplo, que eu sei que esse negócio de economia é confuso mesmo: pela regra do Bolsonaro e do Guedes, o salário mínimo de agora seria reajustado em pouco mais de 3%, que era a meta de inflação, mas o aumento dos preços no ano passado foi de mais de 10%. Essa proposta nefasta impactaria diretamente os mais pobres. BolsoGuedes querem que os pobres paguem a conta do rombo que eles fizeram no caixa do governo para tentar comprar a eleição.A outra ideia do Ministério da Economia do governo Bolsonaro para o ano que vem impacta diretamente a classe média. Aqueles que reclamam todo o ano da mordida do leão, quando entregam o imposto de renda e são obrigados a pagar ainda mais. Um estudo feito por técnico do Paulo Guedes propõe retirar gastos com saúde e educação do cálculo de deduções do Imposto de Renda. Assim, o governo receberia mais grana de impostos para tentar tapar o buraco feito por Bolsonaro com as medidas eleitoreiras. A tabela do imposto de renda, aliás, não é atualizada há anos. Hoje, até quem ganha menos de dois salários mínimos por mês tem que pagar imposto de renda.Nem preciso dizer que a revelação do plano econômico secreto de Bolsonaro e Paulo Guedes caiu como uma bomba na campanha deles. Mas aí eles utilizaram uma explicação recorrente e que não demanda mais aprofundamento: a culpa é do PT. É verdade. O ministro da Economia, Paulo Guedes, culpou infiltrados do PT no ministério dele pelo vazamento do plano secreto. Repare que ele não culpou o PT pelo plano, mas sim pelo vazamento. Ou seja, as ideias realmente existem.Agora é com você avaliar e ver o que mais te convém. Já que o brasileiro tem um voto egoísta, no próximo domingo você que é pobre e ganha salário mínimo, vote no Bolsonaro se quiser ganhar ainda menos. E você da classe média, vote no Bolsonaro se quiser se ferrar ainda mais com o imposto de renda. É simples assim. Ah, e se não quiser, tem um candidato que já prometeu - e mais do que isso, já fez - aumento real do salário mínimo e isenção de imposto de renda para quem ganhar até 5 mil reais. Pelo emocional, pelo absurdo e pela consciência política, o nosso voto é 13, claro. Mas até se você parar 10 minutos para avaliar propostas e ideias, vai chegar a conclusão que o seu voto também tem que ser 13.SAIBA MAIS: https://primeiro.cafe/APOIE: https://apoia.se/primeirocafe

Puravida CAST
Como identificar um ambiente de estresse, com Laís Cesar

Puravida CAST

Play Episode Listen Later Sep 3, 2022 4:33


Uma trilha de estudos que é um verdadeiro convite à pausa: Calma: Um Passo de Cada Vez. Inscreva-se para receber conteúdos exclusivos: https://cutt.ly/inscreva-se-Calma Nosso ambiente gera estímulos que podem proporcionar estresse ou prazer. Pause, observe e reflita sobre essa afirmação. Repare nas pessoas ao seu redor, se elas conversam mais sobre temas positivos ou negativos, por exemplo. A verdade é que onde moramos, o que comemos e o que fazemos influencia em nossa qualidade de vida. Neste episódio, Laís Cesar, que é médica psiquiatra, vai te ajudar a identificar quais são os promotores de saúde no ambiente em que você vive - e os que não são também. Acompanhe os outros episódios desta minissérie para aprender como superar o estresse e conquistar a serenidade a partir de hábitos simples e transformadores.

Reprograme Seu Cérebro Cast
1042 – Como passar CONFIANÇA através de uma PERSONALIDADE MAGNÉTICA?

Reprograme Seu Cérebro Cast

Play Episode Listen Later Jun 7, 2022 11:59


Pense em uma pessoa cativante, que sabe como gerar impacto sem precisar se exibir nem se gabar para passar confiança. O que pessoas assim têm em comum? Repare: todas elas são autênticas, não tentam imitar ninguém e encontram em si mesmas sua própria segurança. Esse controle, independente da situação, é o principal atributo das pessoas que mais admiramos, porque todos nós queremos estar perto de quem transmite essa confiança. E o melhor de tudo é que dá para aprender a ser assim! Se você quer saber mais sobre como você também pode se tornar instigante e deixar uma marca na memória das pessoas, confira o link https://sl.brainpower.com.br/youdeep2 Você está no podcast do BrainPower | A Sua Academia Cerebral. Aqui você receberá sacadas para conhecer mais e mais o seu cérebro, e ficar no controle das suas ações e emoções para deixar de lado a falta de energia, falta de foco, a procrastinação, e entrar em um novo mundo. O mundo de altos resultados, gerando valor para você mesmo e para as pessoas ao seu redor. E lembre-se sempre disso: "O Seu Futuro Começa HOJE"! #NoBrainNoGain Aguardo seu comentário no iTunes!

Life Science Today
GSK + Affinivax, Pfizer – Haleon, Regeneron, Roche + Repare

Life Science Today

Play Episode Listen Later Jun 7, 2022 6:05 Transcription Available


Pharma buys, pharma splits, pharma trades, and oncology biobucks from pharmaFind out more athttps://LifeScienceTodayPodcast.comStory ReferencesGSK + AffinivaxPfizer – HaleonRegeneronRoche + RepareAbout the ShowLife Science Today is your source for stories, insights, and trends across the life science industry. Expect weekly highlights about new technologies, pharmaceutical mergers and acquisitions, news about the moves of venture capital and private equity, and how the stock market responds to biotech IPOs. Life Science Today also explores trends around clinical research, including the evolving patterns that determine how drugs and therapies are developed and approved. It's news, with a dash of perspective, focused on the life science industry. 

The Peak Daily
Cancer killer

The Peak Daily

Play Episode Listen Later Jun 3, 2022 10:09


Montreal-based Repare Therapeutics has entered a deal (potentially worth US$1.2 billion) with pharma giant F Hoffman La Roche to create a new drug to treat cancerous tumours. Almost half of Canada's asset managers, researchers and lenders are “not very satisfied” or “totally dissatisfied” with available company data for so-called “green” investments, One estimate suggests that inflation has offset two-thirds of the buying power of Canadians after the pandemic The Peak Daily is produced by 306 Media Productions. Hosted by Brett Chang and Jay Rosenthal.

Podcast - Viviane Freitas
QUEM É DEUS - Para quem e o que Ele observa? - 18/05/22

Podcast - Viviane Freitas

Play Episode Listen Later May 18, 2022 5:53


Vamos à uma história verídica que responde essa pergunta: a de Abel e Caim. Preste atenção nestes versículos: “...e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta.” Gênesis 4.2-4 Cada um tinha seu trabalho, sua função e seu conhecimento quanto aquilo que fazia. E quando você trabalha com algo, sabe o que é o melhor, não é? A Bíblia menciona que no caso de Abel e Caim, cada um deles quis oferecer algo a Deus. Sobre a oferta de Caim, a Bíblia diz: “Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.” Gênesis 4:3. Veja que não há detalhe sobre o que Caim fez ou quanto ao fruto que trouxe a Deus como oferta. Já sobre a oferta de Abel, a Bíblia fala: “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura”. Gênesis 4:4. Repare que há detalhes sobre a oferta de Abel. A Bíblia menciona que ele levou uma oferta dos primogênitos e até mesmo da gordura do animal. O detalhe mostra a importância daquilo que está sendo apresentado. Não é qualquer coisa. Não é simplesmente pegar algo que se acha no meio do caminho e dar. Existe um preparo, um raciocínio e um cuidado na escolha. Deus não pediu nada. Eles que se prontificaram a fazer algo para Deus, mas a resposta não foi igual para os dois. A Bíblia fala: “E atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta”. Gênesis 4:4 Deus atentou para aquilo que Abel fez porque existiu entrega, importância e significado naquilo que ele estava fazendo. O interessante é que Deus Se atentou primeiro para Abel e só depois para a sua oferta. Deus atenta primeiro para quem você é e depois para aquilo que você faz em relação a Ele. Afinal, para você aceitar alguma coisa de alguém, primeiramente, você observa para quem ela é com você e depois para aquilo que ela faz. Então, por que as pessoas querem que Deus aceite o mal e o bem como iguais? Não tem como! Não haja com sentimentos, e seja justa com aquilo que é justo! #BlogVivianeFreitas #QueméDeus #TardeMusicalRedeAleluia

Let's Talk Trash
6. "Reduce, share, repare" - A Conversation with Karol Gobczynski, A planeteer working on regenerating

Let's Talk Trash

Play Episode Listen Later Mar 19, 2022 20:09


Karol graduated the School for the Renewable Energy Science in Iceland. He is working with climate and energy, and for the last 9 years he has been working with a global company on establishing and implementing climate strategy. He lives in Malmö and shares solutions on Instagram through the profile KaroLowCarbon. Learn more about Zero Waste Stockholm

Roy Tubbs
The Only Thing That Matters

Roy Tubbs

Play Episode Listen Later Mar 4, 2021 30:07


Are you busy for the Lord? That's good. So was Martha in her diligent serving. But Jesus graciously showed Martha how her sister Mary had chosen the “better,” the one thing that mattered. It will be good for us to make the same wise choice Mary made.Luke 10:38-42 …[Jesus] came to a village where a woman named Martha opened her home to him. She had a sister called Mary, who sat at the Lord's feet listening to what he said. But Martha was distracted by all the preparations that had to be made [NKJV: But Martha was distracted with much serving]. She came to him and asked, “Lord, don't you care that my sister has left me to do the work by myself? Tell her to help me!” “Martha, Martha,” the Lord answered, “you are worried and upset about many things, but few things are needed—or indeed only one. Mary has chosen what is better, and it will not be taken away from her.”Martha was busy with “serving” Jesus. That is a good thing. Numerous Scriptures speak of the importance of serving the Lord. Nothing that Jesus said here diminishes that. But He pointed out to Martha that her sister Mary had chosen “what is better” — that is, she “sat at the Lord's feet listening” to Him.It is possible to be greatly involved in ministry, in active service to the Lord, and yet end up spiritually dry, caught in what one pastor called the “barrenness of busyness.” Effective service to the Lord is not the end in itself, but rather is something that proceeds from something “better” — that is, from a close, personal, relationship with Jesus Christ that you maintain daily. That, not service, not ministry, is the one thing that matters, the one thing from which all other Christian activities draw their inspiration, direction, and effectiveness.